UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 22 de outubro de 2013

"Empresários de ônibus tentam evitar o metrô na Av. Paralela", afirma Lenilde Pacheco

Politica

Giulia Marquezini
Foto: Darío Guimarães/ Metropress
Em seu comentário nesta terça-feira (22), na Rádio Metrópole, a jornalista Lenilde Pacheco falou sobre a isenção do ISS ao consórcio responsável pelo metrô de Salvador e de uma possível represália dos empresários de ônibus, que tentam evitar que o metrô finalmente entre nos trilhos.
A tramitação do projeto de lei, de autoria do Executivo, que concede a isenção do ISS ao consórcio responsável por obras e operação do metrô de Salvador, trouxe à tona os mecanismos de funcionamento da Câmara. Durante duas semanas o prefeito ACM Neto e o governador Jaques Wagner acompanham a evolução dos números favoráveis ao projeto.
A "bancada do buzu" como o nome já diz, defende na Câmara os interesses dos empresários deste setor. Sem contar com esta bancada, os articuladores do prefeito e do governador somam 22 votos dos 29 necessários para aprovação do projeto do ISS. Lenilde questiona "se a isenção do ISS representa, na prática, menos dinheiro nos cofres municipais, que tipo de ajuda poderia ser concedida às empresas de ônibus, em defesa de um tratamento equânime?"
A resposta para esta pergunta foi anunciada pelo prefeito na semana passada, quando garantiu a construção de um corredor exclusivo para ônibus, chamado BRT, entra a Estação da Lapa e a ligação Iguatemi- Paralela. Para Lenilde, o corredor exclusivo se transformou em moeda de troca.
"Eles sentem-se renovados para insistir na derrubada do projeto de construção do metrô na Avenida Paralela e vão tentar prolongar o BRT até Lauro de Freitas", afirma a jornalista.

Ouça os comentários de Lenilde Pacheco na Rádio Metrópole, de terça a sexta-feira.

Fonte - Metro 1   22/10/2012

Diminui limite de velocidade na região central de São Paulo

Transito


A velocida- de máxima, que estava padronizada em 50 km/h, passou a ser 40 km/h. A medida visa a aumentar a segurança de pedestres e ciclistas e reduzir o número de acidentes. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ainda não há data para o início da fiscalização

Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O motorista que costuma trafegar pelas ruas e avenidas da região central da capital paulista tem de ficar mais atento às mudanças implantadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) por meio do projeto Área 40. Desde ontem (21), a velocidade máxima, que estava padronizada em 50 quilômetros por hora (km/h), foi reduzida para 40 km/h. Com a medida, a companhia pretende aumentar a segurança de pedestres e ciclistas e reduzir o número de acidentes e atropelamentos na região. Segundo a CET, a medida tem caráter educativo e ainda não há data para o início da fiscalização.
As alterações abrangem as vias da denominada rótula central, com extensão de 5 km, passando pelo circuito das avenidas Mercúrio, Ipiranga, São Luís, Rangel Pestana e pelos viadutos Nove de Julho, Jacareí e Dona Paulina; além da Praça Doutor João Mendes, Rua Anita Garibaldi, Praça Clóvis Bevilacqua, Avenida Rangel Pestana, do Viaduto 25 de Março, e, fechando o círculo, do Viaduto Mercúrio.
Nessa área, segundo a CET, há uma concentração de pedestres e a expectativa é criar condições mais seguras. Dados da companhia mostram que, de 2011 para 2012, o número de mortes de pedestres caiu de 617 para 540.
Para orientar o motorista, foram utilizadas 136 placas de sinalização vertical de regulamentação e advertência, além de 217 metros quadrados de sinalização horizontal em vias afetadas pela mudança.
O consultor de tráfego Sérgio Ejzenberg, observa, que há mais de 15 anos, as autoridades das grandes metrópoles no mundo inteiro têm adotado essa estratégia. “Na hora em que você reduz a velocidade, você reduz os acidentes, reduz a gravidade dos acidentes e também o número de atropelamentos.”
Na avaliação dele, a medida é positiva, levando em consideração o fato de que nessa região há uma grande quantidade de pessoas circulando em meio a motocicletas, veículos e ônibus. No entanto, ele adverte que o projeto requer fiscalização especial. “Para fiscalizar a redução da velocidade, os radares normais não servem, porque eles não são eficientes e geram uma enxurrada de multas, vira uma indústria de multas.” Para o especialista, o ideal seria a colocação de lombadas eletrônicas.
Fonte - Agência Brasil  22/10/2013

Jovens guarani kaiowá cobram em Brasília garantia dos direitos indígenas

Cidadania

Alex Rodrigues 
Agência Brasil

Brasília – Um grupo de crianças de cinco aldeias guarani kaiowá de Mato Grosso do Sul cobrou hoje (22) de representantes do Poder Público mais atenção aos direitos dos indígenas. Ao participar do 1º Fórum Direitos e Cidadania na Visão de Crianças e Adolescentes Guarani Kaiowá, na Câmara dos Deputados, eles defenderam a contratação de mais médicos e professores para suas comunidades e a construção de mais escolas nas aldeias. Os jovens reclamaram também da constante falta de remédios e da inexistência de espaços de cultura e lazer.
Além dessas reclamações, semelhantes às de várias comunidades não indígenas existentes no país, os guaranis kaiowás cobraram pressa na conclusão dos processos de demarcação dos territórios indígenas e justiça para índios assassinados em conflitos fundiários, caso dos professores Rolindo e Jenivaldo Vera, assassinados em outubro de 2009, em Paranhos, Mato Grosso do Sul.
"Nossos adultos já enviaram vários documentos [às autoridades], e nada acontece. Aqueles que matam nossas lideranças e nossas crianças continuam soltos", disse Jhonatan Velasques Gomes, de 16 anos, morador da aldeia Guaiviry, entre as cidades de Ponta Porã e Aral Moreira, também em Mato Grosso do Sul. Filho do ex-cacique da aldeia, Jhonatan foi em novembro de 2011, quando seu pai foi morto a tiros. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 19 pessoas pelo crime, entre fazendeiros, advogados e um secretário municipal.
O fórum contou com a presença da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, de parlamentares e de representantes de vários órgãos públicos.
Os índios disseram no evento que muitos governadores e prefeitos costumam alegar que não podem garantir direitos básicos a muitas aldeias pelo fato de ficarem áreas ainda não homologadas como território tradicional indígena ou porque a Justiça ainda não decidiu a quem pertencem de fato. Esse argumento foi refutado por representantes de órgãos federais como o Ministério da Educação, cuja representante no evento, Suzana Grillo, garantiu a inexistência de impedimentos legais à construção de escolas em aldeias indígenas, mesmo as que estejam em áreas em litígio.
"Queremos uma escola de ensino médio na nossa aldeia porque, fora dali, sofremos muitos ao mostrar nossas tradições e costumes", disse Laide de Silva Pedro, que vive na Aldeia Panambizinho, a cerca de 20 quilômetros de Dourados (MS). A região registra altos índices de suicídio entre guaranis kaiowás que vivem em uma reserva que, com o passar do tempo, tornou-se pequena para eles. Parte deles fica acampada à margem de rodovias, à espera da ampliação da Reserva Dourados ou da demarcação de um novo espaço.
"Nosso sonho é a demarcação de nosso território sagrado (tekoha), porque precisamos de terra para plantar e para manter nossos costumes. Faz tempo que esperamos pela demarcação, e ela não sai. Enquanto isso, faltam escola e remédios", acrescentou Oséas Martins, da aldeia Kurusu Ambá.

Segundo Dulce Carrion, coordenadora da organização não governamental (ONG) Imagem da Vida, organizadora do fórum, a iniciativa é uma tentativa de sensibilizar os parlamentares e a opinião pública para as dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas. "É uma forma de fazermos frente a essa organização poderosa do agronegócio, da bancada ruralista, que estão articulados e que, com uma emenda parlamentar daqui, outra dali, está empurrando cada vez mais essas comunidades para debaixo do tapete", afirmou Dirce.
Ela explicou que o encontro de hoje é consequência de um projeto que a ONG desenvolve há três anos em aldeias sul-mato-grossenses. "Esperamos que as crianças sejam não apenas ouvidas, mas atendidas, pois o que tem ocorrido é um desgaste muito grande no movimento indígena, já que as respostas dos governantes se repetem. Na prática, porém, há uma dificuldade muito grande de avançarmos", acrescentou Dirce.
Fonte - Agencia Brasil  22/10/2013

Vereadores vão definir o futuro do metrô em Salvador

Metrô

Tribuna da Bahia
foto - ilustração
Nem todos os vereadores acenaram para o consenso, porém há o indicativo “forte” – na classificação de líderes governistas – que o projeto de lei que isenta a construção do metrô e reduz a alíquota de 5% para 2% sobre o serviço de transporte metroviário será votado amanhã. Às 09h30 de hoje, o colégio de líderes se reúne para bater o martelo sobre a apreciação do projeto, mas, nos bastidores, é dada como certa a aprovação da matéria, em conjunto com a autorização para empréstimo de R$ 550 milhões para a construção do BRT, anunciada na última semana pela presidente Dilma Rousseff.
De acordo com o líder do governo, Joceval Rodrigues (PPS), a reunião do colégio de líderes é que definirá a agenda de votações da Câmara. O entendimento, todavia, é que já existe acordo para apreciação da matéria no Legislativo. “Só colocaremos para votar quando houver um acordo com os líderes. Amanhã (hoje) a reunião vai definir a votação e, se houver um acordo, podemos até adiantar a votação”, sinalizou Rodrigues. Como de costume, a liderança governista evita delimitar a data para apreciar os projetos. “Prefiro não falar que vai votar. Depende do colégio de líderes”, tangencia.
Mesmo que haja certo consenso entre os vereadores consultados de que há maturação suficiente para apreciar o projeto, a bancada do PTN, liderada pelo vereador Toinho Carolino, ainda reclama da isenção. “O PTN não mudou a postura. Continuamos nos posicionando contra a isenção do ISS”, assegura Carolino. Interlocutores próximos ao governo, no entanto, sugerem que existem conversas para que até mesmo os rebelados votem junto ao governo. “Está tudo correndo bem”, indica um vereador, que prefere reserva para não atrapalhar nas negociações.
A tensão inicial, fruto principalmente das duplas bases de alguns partidos, que participam das bancadas de governo no município e no estado, capitaneadas por grupos políticos distintos, foi dissipada, conforme apontam os vereadores. “A tendência forte é que a votação aconteça na quarta-feira”, revela um edil com bom trânsito entre os pares.
Entre os avanços apontados para o acordo para a votação estão os ânimos arrefecidos após intensas negociações entre as lideranças e a apreciação casada da autorização de empréstimo para a construção do BRT ligando a Estação da Lapa ao Iguatemi, batizada pela alcunha de Lapa-LIP. Governistas, entretanto, negam que o entendimento com os vereadores perpassa pela votação conjunta. “São dois projetos sobre mobilidade urbana, com apoio do governo federal, por isso vamos colocar para votar juntos. A população de Salvador anseia por melhoras no transporte público, então não vejo problema em votá-los juntos”, avalia um interlocutor.
Fonte - Revista Ferroviária  22/10/2013

Dilma: quem quer mudar a regra do petróleo, que mostre a cara.

Pré-Sal


A conversa fiada de que são precisos “ajustes” no modelo de partilha do pré-sal, que o pessoal saudoso das concessões de Fernando Henrique anda soprando por aí levou, hoje, o devido “chega pra lá” da presidenta Dilma Rousseff.

Fernando Brito
- Eu não vejo onde este modelo precisa de ajustes. Sabe por que? Porque aqueles que são contra o conteúdo local querem transferir a receita do petróleo de uma outra forma.(…) Todas as empresas do mundo que quiserem vir para cá podem participar. (…) Não tem porque modificar conteúdo nacional, não tem porque modificar o papel da PPSA, que controla o custo do óleo, não tem porque tirar os 30% da Petrobras.
Dilma desafiou os que querem mudar isso a “mostrar suas faces e defenderem isso”.Ela ironizou as “fontes do Palácio do Planalto” a que se atribuem essas intenções. “Eu fico intrigada. Eu acordo de manhã, me olho no espelho e pergunto a mim mesma quem será essa fonte do Planalto? É uma coisa que me intriga… Eu pergunto para meus botões, mas meus botões são muito ignorantes, não conseguem me responder”, brincou a Presidente.
“O governo está satisfeito com o resultado do leilão, acha o consórcio sólido, está satisfeito com o que lhe cabe da receita e está satisfeito com a destinação dessa riqueza (…) vamos transformar o petróleo em educação, saúde e em desenvolvimento da indústria”, disse.
Tem “fonte do Planalto” suando frio hoje.

Veja a entrevista, abaixo.
PS. Na entrevista, Dilma esclarece os 85% dos quais falou e mostra que não há contradição com o que postamos aqui: 75% para a União, como se disse aqui, e 10% para a Petrobras.
Fonte - Tijolaço  22/10/2013

Há 102 anos era inaugurado o serviço de bonde em Lavras MG

Bondes

Jornal de Lavras
Os bondes fizeram parte da história de Lavras, eles foram inaugurados em 1911 e serviram aos lavrenses por 58 anos, quando foram desativados em 1969.


Durante mais de meio século ele foi o mais importante meio de transporte de Lavras




Amanhã, segunda-feira, dia 21 de outubro, estará fazendo 102 anos que foi inaugurado a linha de bondes em Lavras, uma iniciativa do deputado Álvaro Botelho. O material para a implantação da linha foi encomendado da Alemanha, da Siemens.
Os bondes pertenciam a Rede Mineira de Viação, foram instalados na administração do engenheiro Francisco Manoel das Chagas Dória e inaugurado na administração Carlos Euler. O serviço contava com uma linha de 3 quilômetros, ligando a Estação Municipal ao outro extremo da cidade.
Havia dois carros de passageiros, um reboque e um trole para transportar mercadorias e bagagens. A estação dos bondes foi edificada na praça Barão de Lavras e a garagem na distribuidora, onde hoje é o prédio do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
A euforia da inauguração que representou um grande passo para o progresso de Lavras, levou a Câmara Municipal a denominar uma rua de Lavras de "21 de Outubro", o dia da inauguração do serviço de bondes. Outra homenagem foi a denominação de rua Chagas Dória, em agradecimento ao engenheiro Francisco Manoel das Chagas Dória.
Na ocasião da inauguração, fizeram uso da palavra os deputados federais: Álvaro Augusto de Andrade Botelho e Lamounier Godofredo, arrancando aplausos da multidão que compareceu à solenidade de inauguração. Apenas Belo Horizonte, Juiz de Fora e Lavras possuíam os serviços públicos de bondes em Minas Gerais.



Bonde em frente a Estação de Lavras MG - Na Linha Tronco Angra dos Reis RJ x Goiandira GO

Fonte - CFVV Sul de Minas 21/10/2013

O PEIXE E O GATO - O ACORDO COM A UE E O FUTURO DO MUNDO.

Política

Mauro Santayana

(JB) - Pressionada pelos que procuram rotular seu governo como intervencionista, e por reportagens como a que saiu anteontem na The Economist – acusando o Brasil de protecionismo, a Presidente Dilma desvia os olhos do peixe e os coloca no gato.
Para responder aos adversários e à pressão do “establishment” financeiro internacional - exercida via FMI, The Economist, The Wall Street Journal, et caterva, como o El Pais - o governo pretende enviar a Bruxelas, na próxima quinzena, os Ministros das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para estabelecer cronograma definitivo para a negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Européia.
Na semana passada, o Vice-Presidente da Comissão Européia, Antonio Tajani, esteve no Brasil para discutir o assunto, e é compreensível que o Palácio do Planalto queira mostrar resultados nessa questão, antes das eleições do ano que vem.
Um acordo de livre comércio com a União Européia esvaziaria o discurso de que o Brasil é protecionista e faria o mesmo com o Mercosul, vilipendiado como o menino feio e mal educado, frente a alunos bem mais “bonitinhos” e bem comportados, como o México e a Aliança do Pacífico, por exemplo.
O que não pode ocorrer, no entanto – e é preciso que se atente a isso - é que uma decisão dessa natureza seja tomada a toque de caixa, porque se está prestando mais atenção ao gato – no caso, os adversários - do que ao peixe – nosso mercado e interesses nacionais.
A questão, como sempre ocorre, entre grandes nações e grupos de países, é mais de natureza geopolítica, do que meramente econômica.
Em primeiro lugar, para decidir o melhor caminho, é preciso não aceitar, a priori, a alegação de que o Brasil é um país protecionista.
Protecionistas são os Estados Unidos, a Europa, o Canadá.
Tão protecionistas que já os derrotamos várias vezes em contendas internacionais – inclusive na Organização Mundial do Comércio – como nos casos do algodão, do suco de laranja, do frango congelado, ou dos subsídios à fabricação de aviões, por exemplo.
O Brasil tem direito a ter política industrial, o que é diferente.
Temos tanto direito de exigir conteúdo nacional nas compras da Petrobras, por exemplo, quanto tem os EUA de exigir da Embraer a construção de uma fábrica de aviões nos Estados Unidos, com participação minoritária da empresa brasileira em associação com um sócio local – como condição, sine qua non, para vender aviões de guerra Super-Tucanos para a Força Aérea dos EUA.
Condição, aliás, à qual está sujeita qualquer empresa que queira vender e fornecer – mesmo que apenas parafusos – para o governo norte-americano.
O segundo argumento para se assinar, rapidamente, um tratado com a UE, seria a iminência da assinatura de um Acordo de Livre Comércio entre a Europa e os EUA, que criaria o maior bloco comercial do mundo.
A conclusão das negociações entre o Mercosul e os europeus – dizem os defensores da tese – permitiria que o Brasil entrasse, no futuro, no mercado EU-EUA, evitando que ficássemos isolados.
A pressa, nesse caso, também não se justifica, O acordo de livre comércio entre a Europa e os Estados Unidos recém começou a ser negociado em julho, há uma série de atritos – a França, por exemplo, quer deixar a indústria cultural de fora – e a revelação da espionagem da NSA, também contra alvos europeus, esfriou consideravelmente o entusiasmo inicial com a proposta.
Por causa do escândalo revelado por Snowden, a França ameaçou suspender as negociações, depois aceitou a sugestão alemã de continuar com os encontros e exigir esclarecimentos dos norte-americanos. A Comissária de Assuntos Europeus, Cecilia Malmstroem, em carta à Secretária norte-americana de segurança interna, afirmou:
"Vivemos um momento delicado em nossas relações com os Estados Unidos. A confiança mútua foi seriamente erodida e espero que os EUA façam tudo o que estiver ao seu alcance para restaurá-la".
Finalmente, duas considerações: o Mercosul, com todos os seus defeitos, não pode ser comparado com a Aliança do Pacífico. Ela é uma ilusão, na qual o maior sócio, o México, tem 90% de seu comércio internacional com outro grupo, o NAFTA ( 80% com os Estados Unidos).
Nem o Mercosul vai tão mal, nem a Aliança do Pacífico é a oitava maravilha da qual estão falando. O Brasil, por exemplo, vai crescer este ano 2,5% enquanto o México crescerá menos da metade, 1,2%. Com nosso país recebendo cinco vezes mais Investimentos Estrangeiros Diretos – 65 bilhões de dólares contra 12 bilhões de dólares – do que o México no ano passado.
Finalmente, antes de fazer um casamento com a Europa, de papel passado e tudo, cabe analisar o futuro do mundo.
A UE – principalmente por causa das crises recorrentes e do acelerado processo de envelhecimento de sua população, terá, no futuro, cada vez menos consumidores.
A diminuição do seu mercado interno e a concorrência com os Estados Unidos não nos daria qualquer chance na exportação de manufaturados.
Na agricultura, continuaríamos reféns de seus subsídios e barreiras. Abriríamos, em troca, nossas fronteiras, para que eles colocassem aqui bens industriais e manufaturas que não teriam como vender dentro da zona do euro.
A China e a Índia, por outro lado – para ficar só nos BRICS - estão agregando dezenas de milhões de consumidores à sua economia todos os anos. Pequim abandona paulatinamente sua dependência dos mercados externos, para, do alto de seus quase 4 trilhões de dólares em reservas – dedicar-se, cada vez mais, ao desenvolvimento de seu mercado interno.
Qual será, então, o melhor caminho para o Mercosul ?
Atrelar-se a um mercado envelhecido de 880 milhões de habitantes que consomem cada vez menos e que crescerá a uma média de menos de 1% este ano – ou a um mercado de 3, 4 bilhões de habitantes, que crescerá a uma média de mais de 6% em 2013, que tem fome de todo o tipo de produto e agrega dezenas de milhões de consumidores a cada ano?
Um caminho pode até não excluir obrigatoriamente o outro, mas é melhor pensar primeiro no peixe, e menos no que o gato quer que façamos, na hora de escolher qual será o nosso lugar e o nosso destino nos próximos anos.
Fonte -  Mauro Santayana 21/10/2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Protesto politizado quer que Brasil continue em posição de dependência

Brasil


Volume de bandeiras mostra claramente que há infiltração de governos capitalistas querendo impedir que o leilão saia

JB
Rio de Janeiro – Dezenas de manifestantes se reúnem na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, para protestar contra a primeira rodada de licitação do pré-sal, marcada para a tarde de hoje (21) no Hotel Windsor Barra. A praça fica a dois quarteirões do hotel, que está cercado pela Força Nacional de Segurança e pelo Exército. Os manifestantes carregam bandeiras de partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais.
As centrais sindicais deveriam encarar essa manifestação pelo lado nacionalista patriótico. Ela tem razão de existir. Mas pelo lado de um país grande, independente, é fundamental para o Brasil que este leilão saia. O volume de bandeiras no protesto, que indicam grupos setorizados, mostra claramente que há infiltração de governos capitalistas querendo impedir que o leilão saia, deixando o Brasil ainda numa posição de dependência e em crise na sua política, fundamentalmente para continuar a defender o direito do povo, como esses dois últimos governos vem fazendo.
Se o governo chinês ganhar o leilão, junto com o governo brasileiro, vai irritar profundamente as empresas do mundo capitalista.
Com Agência Brasil 
Fonte - Jornal do Brasil  21/10/2013

Consórcio formado por cinco empresas vence primeiro leilão do pré-sal

Pré-Sal

Vinicius Lisboa e Vitor Abdala*
Repórteres da Agência Brasil
foto - ilustração
Rio de Janeiro – Um consórcio formado por cinco empresas – a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, as chinesas CNPC e CNOOC e a Petrobras – foi o vencedor da 1ª Rodada de Licitação do Pré-Sal e terá o direito de explorar e produzir o petróleo da área de Libra, na Bacia de Santos. Dos 70% arrematados pelo consórcio, 20% são da Shell e 20% da Total. A CNPC e a CNOOC têm, cada uma, 10%, assim como a Petrobras, que já tinha garantidos 30%.
A oferta do leilão, realizado há pouco, no Rio de Janeiro, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), garante à União 41,65%% do lucro do óleo retirado do campo. O consórcio pagará ao governo brasileiro bônus de R$ 15 bilhões, além de garantir investimento mínimo de R$ 610 milhões. O consórcio era o único na disputa.
O mínimo de excedente em óleo foi 41,65%, conforme o estabelecido pelo edital.
Libra tem reservas estimadas entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo, que ainda não foram confirmadas. Caso o potencial se confirme, Libra será o maior campo de petróleo do país. A ANP estima que, em seu pico de produção, sejam extraídos diariamente 1,4 milhão de barris de óleo, cerca de dois terços do total da produção atual de todos os campos do país (2 milhões de barris por dia).
Fonte  - Agência Brasil  21/10/2013

Falta de investimento degrada a rede ferroviária portuguesa

Internacional

Estado das linhas provoca um
desgaste anormal no material circulante
da 
CP Adrian Miranda
Linhas férreas sentem a falta de dinheiro para manutenção e investimento. Linhas de Sintra, Cascais, Douro, Beira Alta, ramal de Alfarelos e alguns trechos da Linha do Norte são as mais necessitadas 

Carlos Cipriano
Com os trens acontece o mesmo que com os automóveis. Se as estradas não são boas, afetam  a suspensão, os pneus e as rodas dos veículos. No caso do material rodante ferroviário, são essencialmente as rodas dos truques que sofrem os efeitos das linhas em mau estado, o que aumenta os custos de manutenção, e numero de trens e autocarros fora de serviço.
Há outras consequências mais visíveis,claro: os trens atrasam porque a a Refer  impõe limites de velocidades em determinados trechos,devido a manutenção precária deixando os trilhos em mau estado,gerando queixas dos passageiros pelo desconforto quando as carros sacolejam e abanam ao passarem nas linhas que precisam urgente de manutenção. Recentemente, um passageiro foi surpreendido ao ver seu laptop cair da mesinha no chão do carro, devido aos solavancos da composição. E não é raro garrafas, latas, malas ou livros irem também parar ao chão. Que o digam os passageiros dos Alfas Pendulares e dos Intercidades quando atravessam o trecho Ovar-Gaia, na Linha do Norte.
Para a CP, os primeiros sinais de alarme surgiram na Linha de Sintra quando se constatou um desgaste anormal nas rodas (truques) dos trens. Rodas que deveriam ser reperfiladas aos 800 mil quilômetros precisaram ir para torno para correção aos 100 mil, devido o mau estado em que se encontravam.
Técnicos da CP dizem que na linha de Sintra é visível a olho nu o "desgaste ondulatório" nos trilhos - ou seja, a superfície de rolamento do trilho, que deveria ser lisa, acusa pequenas ondulações.
Contudo, nada disto compromete, para já, a segurança. Mas os custos de manutenção dos trens suburbanos que ali circulam aumentam  excessivamente.
Do mesmo se queixam os espanhóis que fazem a manutenção das autocarros que circulam na Linha do Douro. Estes veículos foram alugados pela Renfe à CP, mas fazem a "revisão" na Espanha. Nos últimos tempos, também este material tem acusado problemas graves de desgaste das rodas (truques),em níveis considerados "extremamente anormais", segundo um alto funcionário da CP.
A Linha do Douro é uma das que ficou à margem de qualquer programa de modernização nas últimas décadas e recorrentemente fala-se em desativar o trecho entre Régua e Pocinho. Nos últimos meses, a Refer suspendeu a compra de todos os materiais de via para a manutenção desta linha, incluindo dormentes de madeira. Entre Pinhão e Pocinho, os trilhos são assentados somente em material deste tipo.
O ramal de Alfarelos é um dos trechos em pior estado da rede portuguesa. Nele circulam os suburbanos entre Coimbra e Figueira da Foz, que sofrem por vezes atrasos de meia hora em viagens que deveriam ser de 50 minutos. Uma situação que  já levou  à criação de uma comissão de usuários para exigir a modernização daquele trecho.
Os problemas na infra-estrutura ferroviária abrangem não só as linhas que nunca foram modernizadas e que têm sistemas de exploração idênticos aos do princípio do séc. XIX, como também aquelas que estão dotadas de padrões de qualidade acima da média europeia, mas quais a Refer não tem conseguido atender para as manter 100% operacionais.
É o caso da Beira Alta (ver PÚBLICO de 1/10/2013), onde há secções de via que necessitam de substituição de trilhos e dormentes. Mas os problemas maiores são nos sistemas de drenagem laterais que exigem manutenção qualificada para evitar alagamentos.
Também aqui a segurança não está posta em causa, pois a gestora da infra-estrutura estabelece limitações de velocidade aos trens nos trechos que estão precisando de intervenção. No caso da Beira Alta, são tantos que passou a ser habitual os trens chegarem atrasados à Guarda.
As queixas da CP relativas à infra-estrutura não correspondem, porém, existe uma acentuada redução dos custos de manutenção por parte da Refer. O PÚBLICO pediu a esta última a evolução destes custos entre 2008 e 2013, sendo estes relativamente estáveis, rondando os 57 milhões de euros anuais.
A Refer, pelo visto, faz o seu trabalho. O problema, de acordo com uma fonte oficial desta empresa, é a falta de investimento na modernização da rede, pois há linhas em que mantendo-se o mesmos níveies de manutenção já não são suficientes para assegurar o padrão de qualidade do serviço. A solução passa por intervenções mais profundas que contemplem obras de modernização, coisa que, de momento, é impossível na Refer devido às limitações nos seus investimentos.
A ausência de diálogo entre as duas empresas também não ajuda. Historicamente os presidentes destas duas empresas não se dão muito bem. Tem havido exceções, mas não é o caso dos atuais administradores da Refer, Rui Loureiro, e da CP, Manuel Queiró.
Adaptação do texto - A.Luis
Fonte - Público Portugal  21/10/2013

Economia - Investimentos devem crescer 26% nos próximos quatro anos, mostra pesquisa

Economia

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os investimentos na economia brasileira devem crescer cerca de 26% entre 2014 e 2017, na comparação com os quatro anos imediatamente anteriores. Os dados fazem parte da pesquisa Perspectivas de Investimento no Brasil 2014-2017, divulgada hoje (21) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas que atuam no país devem investir R$ 3,98 trilhões a partir do ano que vem até 2017. Os investimentos na economia de 2009 a 2012 foram aproximadamente R$ 3,15 trilhões.
De acordo com o economista-chefe do BNDES, Fernando Pimentel Puga, após queda na participação do Produto Interno Bruto (PIB) de 19,1% para 18,1% entre 2011 e 2012, influenciada pela crise financeira mundial, a trajetória de alta da taxa de investimento está sendo retomada.
“Estamos vendo um desempenho muito bom nesses nove meses do ano - 18,9% [do investimento]. Neste ano, já teremos um crescimento duas a três vezes maior que o do PIB”, comentou, ao defender que o cenário internacional será mais benigno e o crédito privado será retomado nos próximos anos.
Puga ressaltou os investimentos na indústria, que devem superar R$ 1,1 trilhão, com aumento de 24,3% em relação às aplicações dos quatro anos anteriores. O economista adiantou que o setor de petróleo e gás vai liderar os investimentos na indústria, com previsão de R$ 458 bilhões para o quadriênio 2014-2017, contra R$ 311 bilhões no quadriênio anterior.
“Esse setor está sendo o grande investidor da indústria, com perspectiva de crescimento robusto de 8% ao ano. A depender do resultado do leilão do Campo de Libra - marcado para hoje (21) no Rio de Janeiro -, é possível que o investimento seja ainda maior”, comentou Puga, acrescentando que a pesquisa utilizou dados de planos estratégicos da Petrobras e das empresas do setor de petróleo e gás.
Ele também chamou a atenção para o setor automobilístico, com a sinalização de maior dinamismo do consumo de bens duráveis. Os investimentos no setor automotivo (montadoras e peças) são estimados em R$ 74 bilhões.
Ainda na indústria, os setores de extração mineral e siderurgia foram os únicos com previsões de queda para os próximos quatros anos. Em comparação com 2009-2012, os investimentos no setor de minério no período devem cair 31,9% (R$ 47,7 bilhões ante R$ 70 bilhões) e no setor de siderurgia, 68,2% (investimentos de R$ 10,4 bilhões ante R$ 32,6). O estudo sugere que a queda dos investimentos no setor extrativista mineral deve-se ao arrefecimento da demanda, ao excesso de capacidade da indústria de mineração e ao aumento dos custos operacionais em quase todos os países produtores.
Os maiores investimentos estão previstos em agricultura e serviços: R$ 1,5 trilhão em 2014-2017, um aumento de 30,9% na comparação com o quadriênio anterior. Os investimentos em residências devem passar de R$ 867 bilhões (22% de aumento) e em infraestrutura, de R$ 509,7 bilhões (24,8% de aumento).
Este é o oitavo ano da pesquisa, que mapeia 17 setores da economia responsáveis por 58% dos investimentos, e faz projeções para as demais áreas, que respondem por 48% do total da formação bruta de capital fixo.
Fonte - Agência Brasil    21/10/2013

Com metrô/Porto Alegre-RS será possível percorrer 10,3 quilômetros em 18 minutos

Metrô

Haverá preliminarmente 10 estações em Porto Alegre

Jornal Correio do Povo
foto - ilustração
Já imaginou percorrer a distância do Triângulo da Assis Brasil ao Centro
de Porto Alegre em cerca de 18 minutos? Para percorrer o trajeto de cerca de 10,3 quilômetros, os condutores demoram, em média, nos horários de pico, cerca de uma hora e meia. Além da economia de tempo, junte ainda alguns ingredientes como acessibilidade, conforto, segurança e disponibilidade de horários. Esta poderá ser a realidade dos usuários do metrô de Porto Alegre em 2020, quando a Prefeitura estima que o projeto esteja concluído. Mesmo extremamente atrasado, se comparado a outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, e países, como Espanha, Canadá e China, o metrô representará um ganho considerável à qualidade de vida da população.
Esse, porém, é apenas o traçado inicial, que já foi alterado diversas vezes nos últimos 16 anos de discussões sobre a possibilidade de implantação do metrô. A questão é que, atualmente, há muito pouco definido, além é claro dos recursos destinados para o empreendimento, que totalizam R$ 4,8 bilhões, resultantes de parceria da União, governo do Estado, Prefeitura e da iniciativa privada, e o trajeto.
Pela proposta, está definida a mudança no Triângulo. Nele estará o início do metrô e também onde os ônibus dos bairros (chamados de alimentadores) vão parar para embarque e desembarque de passageiros. A mudança vai afetar dezenas de linhas de ônibus da zona Norte que, diariamente, asseguram o transporte até a área central. A projeção é de que 960 viagens diárias de ônibus deixem de chegar ao Centro. Para dar conta de um volume de 325 mil passageiros diariamente, o metrô prevê intervalo entre as viagens, no horário de pico, de 2,5 minutos e para isso serão utilizados 18 trens e mais três composições.
No percurso, haverá preliminarmente 10 estações de embarque e desembarque, concentradas nos pontos de maior fluxo e ainda sem endereço fixo. Para a construção, serão necessárias, provavelmente, mudanças que incluem a desapropriação de casas e estabelecimentos comerciais. Para isso, a prefeitura já destinou R$ 195 milhões.
Outra certeza é o grande impacto urbanístico que o projeto vai trazer à zona Norte. O principal deles será a eliminação dos corredores de ônibus das avenidas Assis Brasil e Farrapos, uma vez que a circulação neste trecho será feita por metrô. O presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, ressalta que as mudanças pautarão debates futuros. “Em algum momento terá que ser aberto ums discussão com a população para definir a utilização deste espaço, que representa cerca de três faixas de trânsito”, assinala.
O prefeito José Fortunati não descarta o uso da via para áreas de lazer e ciclofaixas. “O certo é que não existirão corredores nestes trechos”, diz. Se o metrô vai eliminar as faixas exclusivas de ônibus, vai criá-las no sentido que foi encurtado do projeto anterior, entre o Triângulo da Assis Brasil e a sede da Fiergs, próximo a Freeway. Para organizar melhor o trânsito, serão instalados corredores de ônibus. A questão tarifária também está acertada. O metrô estará interligado ao transporte coletivo, com tarifa única. Na prática, quem vier de um bairro no extremo da zona Norte, precisará pegar um ônibus até o terminal e lá embarcar no metrô até o Centro. A viagem será paga com tarifa única.
Fonte - STEFZS (Sindicato Sorocabana) 20/10/2013

Cresce incidência de doenças crônicas entre índios do Xingu

Meio Ambiente


Se em 1965 doenças como malária, infecções respiratórias e diarreia eram as principais causas de morte de índios no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, hoje a doença de maior incidência entre eles é a hipertensão arterial

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Se em 1965 doenças como a malária, as infecções respiratórias e a diarreia eram as principais causas de morte de índios no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, hoje a doença de maior incidência entre eles é a hipertensão arterial. É o que mostra pesquisa coordenada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado e do Projeto Xingu.
Atualmente, a malária está sob controle. Embora as doenças infecciosas e parasitárias ainda sejam relevantes em termos de mortalidade, são os males crônicos não transmissíveis, como a hipertensão, a intolerância à glicose e a dislipidemia, que mais cresceram nos últimos anos entre os índios da região.
Para essa pesquisa foram entrevistados e examinados 179 índios khisêdjês, moradores da área central do Parque do Xingu, no período de 2010 a 2011. A análise dos resultados mostrou a prevalência de hipertensão arterial (10,3% do total) em ambos os sexos, sendo que 18,7% das mulheres e 53% dos homens apresentaram níveis de pressão arterial preocupantes.
A intolerância à glicose foi identificada em 30,5% das mulheres e em 17% dos homens. A dislipidemia (aumento anormal da taxa de lipídios no sangue) apareceu em 84,4% dos participantes dos dois sexos.
Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora Suely Godoy Agostinho Gimeno, coordenadora do estudo Perfil Nutricional e Metabólico dos Indígenas Khisêdjê, disse que algumas alterações estão sendo constatadas, principalmente nos últimos 15 anos. Na pesquisa anterior, divulgada pelo grupo no começo de 2000 e feita com os mesmos índios, a doença mais relevante era a dislipidemia. “Era impressionante a proporção [de dislipidemia]. Muito maior que nos estudos que se faz com população não indígena”, disse ela.
Naquela ocasião, informou a pesquisadora, a incidência de hipertensão ainda era baixa ou rara nessa população. Mas agora a hipertensão e a intolerância à glicose cresceram entre os índios, embora a incidência ainda seja menor quando comparada ao restante da população brasileira.
De acordo com Suely, entre os fatores que explicam essa transformação está a maior proximidade com os centros urbanos e a intensificação do contato com a sociedade não indígena; o aumento do número de indígenas que exercem atividade profissional remunerada e que assim, segundo ela, “deixam de pescar e de caçar e, com isso, reduzem suas atividades físicas”; e o maior acesso a produtos e bens de consumo, como alimentos industrializados, eletroeletrônicos e motor de barcos.
O quadro atual tem preocupado os pesquisadores, uma vez que o controle dessas doenças requer condições que nem sempre estão disponíveis nas aldeias. “Isso tem causado várias preocupações e por muitas razões. Primeiro, porque muitas dessas doenças requerem condições que nas aldeias são difíceis de serem alcançadas. Um exemplo é um indígena diabético que necessita de insulina. A insulina precisa ser guardada em geladeira. E na aldeia, em geral, não se dispõe de energia elétrica. A necessidade de refrigeração, nesse caso, é o tempo todo”, observou.
Outro problema, destacou Suely, é que é preciso o controle de horário para tomar os medicamentos e para o controle regular da glicemia e da pressão arterial, que nem sempre estão disponíveis nas aldeias. “Além disso, são situações novas para eles. O aprendizado para controlar e manipular não são simples. A forma como eles percebem a doença é diferente de nós, não indígenas. É um trabalho de longo prazo”, acrescentou.
Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores é que muitos dos índios estão com excesso de peso (sobrepeso ou obesidade), o que ocorre em 36% do total de mulheres e 56,8% dos homens. “Atribuímos isso [o excesso de peso] não à obesidade propriamente dita, mas ao fato de que os indicadores que utilizamos para avaliar o excesso de peso não são adequados, uma vez que eles têm uma quantidade de músculos muito maior que os não indígenas”, disse a pesquisadora.
Para evitar situações como essa, segundo Suely, o fundamental seria estimular a manutenção do modo de vida dos indígenas. “Para isso, eles dependem da terra, do rio, do seu território. Manter as terras indígenas e garantir o território é fundamental”, disse ela.
Fonte - Agência Brasil   20/10/2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Bolsa Família completa dez anos beneficiando 50 milhões de pessoas

Brasil

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Lançado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de outubro de 2003, o Bolsa Família – que beneficia famílias com renda mensal de até R$ 140 por pessoa - completa dez anos como o principal programa de seguridade social do país. De acordo com os dados do governo federal, o Bolsa Família contempla 13,8 milhões de famílias, beneficiando cerca de 50 milhões de pessoas, e já tirou 36 milhões de brasileiros da pobreza extrema.
No dia 15 de outubro, o governo brasileiro recebeu o Award for Outstanding Achievement in Social Security, prêmio da Associação Internacional de Seguridade Social (Issa, na sigla internacional em inglês), em reconhecimento ao sucesso do Bolsa Família no combate à pobreza e na promoção dos direitos sociais da população mais vulnerável do país.
Segundo a ISSA, o programa é o maior do mundo em transferência de renda, com um custo relativo baixo, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O orçamento do Bolsa Família em 2013 é aproximadamente R$ 24 bilhões. A organização, fundada em 1927 na Suíça e que tem 330 entidades filiadas em 157 países, anunciou que a cerimônia oficial de premiação será em novembro, no Catar.
“O programa visa a quebrar o ciclo da pobreza entre gerações, que pode resultar em dependência social, e vincula as transferências de renda à frequência escolar, alcançando melhoria nos resultados. O programa ajudou a aumentar a igualdade no Brasil”, informou a ISSA, se referindo ao fato de as crianças do Bolsa Família terem que ter pelo menos 85% de presença em sala de aula.
Segundo o governo, a frequência escolar de mais de 16 milhões de alunos é acompanhada a cada dois meses. O presidente da associação, Errol Frank Stoove, disse na ocasião do anúncio do prêmio que espera que o prêmio incentive outros governos a tomar nota da experiência brasileira e considerar a adoção de programas semelhantes.
Para a presidenta Dilma Rousseff, o Bolsa Família superou, ao longo de seus dez anos, muitos obstáculos para a implantação, mas se transformou em uma importante tecnologia social desenvolvida pelo país. “É o maior programa de transferência de renda do mundo. O Bolsa Família está baseado em uma moderna tecnologia social: cadastro das pessoas, primeiro; pagamento por cartão; recebimento direto sem intermediários. Isso evita clientelismo”, disse Dilma, no programa de rádio Café com a Presidenta veiculado em setembro.
No mesmo dia em que recebeu o prêmio internacional, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo mostrando que, além de garantir renda às famílias pobres, o Bolsa Família também estimula a economia do país, por meio do consumo gerado por essa camada da população. Segundo o estudo, cada R$ 1 investido no programa de transferência de renda provoca aumento de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto (PIB).
Com seu porte, no entanto, o Bolsa Família se torna mais difícil de ser fiscalizado e recebe denúncias frequentes. Muitas pessoas já foram descredenciadas do cadastro de beneficiários por simular condições para ter direito ao benefício.
Outros problemas também aumentam a necessidade de atenção. Em maio deste ano, um boato de que os benefícios do Bolsa Família seriam suspensos levou milhares de pessoas às agências bancárias de vários estados, para sacar o que tinham direito. A Polícia Federal chegou a investigar o episódio, mas não chegou a culpado. Nos casos de fraude, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome pede que a população denuncie à sua ouvidoria, pelo telefone 0800-707-2003.
Fonte - Agência Brasil  20/10/2013

Modelo energético brasileiro é robusto e capaz de atender demanda

Energia

Especialistas ressaltam alguns problemas, mas descartam apagões e oferta limitada

Jornal do Brasil
Gabriella Azevedo
Linhas de transmissão de energia
 devem ser modernizadas, avaliam especialistas
Após problemas no funcionamento durante o verão do ano passado, a confiabilidade no setor de geração de energia no país passou a ser questionada. A estação, que marca o período úmido do ano, decepcionou em 2012 e não contribuiu com os reservatórios do país. Contudo, o governo federal tomou as providências necessárias para garantir o funcionamento do sistema. Apesar das opiniões divididas e as recentes especulações de que o atual sistema de administração elétrica pudesse ser deficiente e incapaz de atender a demanda crescente, o modelo brasileiro de energia se mostra mais robusto, capaz de reverter adversidades inesperadas.
Neste ano, por exemplo, o risco de apagões em larga escala foi completamente descartado pelo diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. Em coletiva realizada nesta quinta-feira (17), Chipp afirma que as previsões climáticas este ano são mais favoráveis que em 2012 e que este último trimestre será de chuvas.
“Não há risco de apagão. O nível dos reservatórios não é dos melhores, mas não é nada que apavore. O atendimento está garantido, porque as indicações meteorológicas são favoráveis, ao contrário do ano passado, que foi um ano extremamente seco. A partir de setembro, as frentes se concentraram nas principais bacias do sistema, no Sudeste e no Norte do Sul, pegando também a cabeceira do Rio São Francisco. A indicação consensual está se confirmando e as chuvas devem continuar, inclusive durante o último trimestre do ano”, ameniza Chipp.
O mesmo afirma Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ, setor de Pesquisa e Pós-Graduação de Engenharia da universidade. O diretor avalia a estrutura atual como capaz de produzir energia suficiente para suprir a demanda. “O sistema tem expandido a geração de energia, com novas usinas, algumas hidrelétricas importantes foram construídas, gerando aumento da energia. Não acho que terá apagão esse ano, o sistema tem energia suficiente (para atender a demanda)”.
Sobre o aumento anual de demanda energética, Hermes Chipp afirma que o aumento do gasto elétrico deve ser em torno de 4% este ano. Em 2012, a elevação foi de 4,2%. "No acumulado dos últimos dados encerrados em setembro e na previsão para outubro, a carga já tem crescido em torno de 3,9%". Apesar da demanda crescente, Chipp assegura que a oferta é compatível, pois o sistema está cada vez mais “fortalecido e robusto”.
No caso das termelétricas, energia que hoje complementa a produção das hidrelétricas, Hermes Chipp afirma que, se houver a confirmação do cenário climático, haverá a redução do despacho de energia térmica. O atual despacho térmico tem sido da ordem de 10,5 mil MW médios, levando em conta um custo marginal de operação de R$ 260/MWh. Com a ocorrência das chuvas, Chipp aponta para uma queda nesse custo de operação, com o desligamento de algumas termelétricas. O professor Luiz Pinguelli é a favor dessa redução no funcionamento das térmicas, por ser um sistema de maior custo e mais poluente.
O sistema de geração elétrica, ainda de acordo com Chipp, apesar de estável, não está livre de problemas pontuais, como no caso do último apagão que atingiu toda a região Nordeste, causado por uma queimada no Piauí. Para Chipp, os imprevistos técnicos podem sempre acontecer, mas descarta problemas por escassez energética e a possibilidade de apagões de ampla cobertura. “No que depender dos reservatórios e da meteorologia, não teremos apagão. Dos desligamentos regionais, nós nunca estamos livres, o que é diferente de racionamento. Racionamento foi o que aconteceu em 2001”, justifica o diretor do ONS, que acredita que os problemas pontuais servem para aprimorar a administração do sistema.
“Sempre que acontecem desligamentos, estudamos e tiramos proveito do problema, para evitá-lo posteriormente. O ideal é, também, conseguir restabelecer a energia cada vez mais rápido, aprimorar o processo de religamento”.
O diretor geral do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, ressalta os investimentos empreendidos no último ano também na geração de energia alternativa. “O modelo hoje, além de estar se transformando em um modelo hidrotérmico de energia, também tem recebido investimento em mais energias renováveis, como a biomassa e eólica. E a gente espera, futuramente, a maior presença de (energia) solar”, explica Adriano.
O professor Pinguelli aponta que o sistema não é perfeito, e outro ponto a ser repensado é a capacitação dos técnicos que trabalham nas usinas e subestações. “Técnicos e engenheiros experientes têm sido demitidos das empresas de energia. Os mais experientes estão indo embora. É preciso repor esses profissionais”.
Seguindo a mesma linha, Adriano Pires concorda com o diretor universitário, afirmando que o sistema cumpre sua função, mas que precisa de revitalização. “Ele funciona, atende a demanda, mas com alguns sobressaltos: tem problemas nas linhas de transmissão e o ideal é modernizar essa estrutura das distribuidoras”, explica Pires.
Horário de verão: economia de R$ 400 milhões
Hermes Chipp também comentou sobre o horário de verão, que começou neste domingo. Pela perspectiva econômica, a iniciativa tem previsão de redução de demanda de 4,6% e de economia de mais de R$ 400 milhões nos 120 dias de vigor do horário de verão. Além disso, a aplicação do horário de verão evita o desperdício de 2.700 MW em longo prazo, o equivalente a um custo de operação de mais de R$ 4,5 bilhões.
“O horário de verão propicia mais tranquilidade em relação ao suprimento, além de aliviar a operação, que fica menos suscetível. O horário de verão também permite a manutenção do equipamento, por conta da demanda reduzida. Essas são as vantagens técnicas”, explica Chipp.
*Do programa de estágio do Jornal do Brasil
Fonte - Jornal do Brasil  20/10/2013