UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Cientistas encontram antigas aldeias na Amazônia dispostas em forma de relógio

Meio ambiente/Pesquisa 😟

Antigas aldeias na Amazônia construídas entre 1300 d.C. e 1700 d.C. e dispostas como um relógio foram encontradas no estado do Acre, na Região Norte do Brasil.

Sputnik
© Foto / Pixabay - Sputnik
A descoberta foi feita pela equipe internacional de cientistas durante exploração da Floresta Amazônica usando tecnologia LiDAR para escanear o céu acima da floresta tropical. Os resultados foram publicados no site da Universidade de Exeter (Reino Unido). LiDAR, que significa Detecção de Luz e Alcance, é um método de análise remota com utilização de laser. Pelos intervalos entre a pulsação do laser e comprimentos de ondas pode ser compilado um mapa 3D da paisagem, retirando elementos que podem cobrir as características geológicas e arqueológicas. Os resultados da pesquisa revelaram uma particular disposição de antigas aldeias circulares, conectadas através de uma rede de estradas enterradas e aterros altos que irradiam do círculo da aldeia como os traços de um relógio ou raios solares. Foram documentadas cerca de 35 aldeias, que consistem principalmente de três a 32 montes dispostos em um círculo de diâmetro de 40 a 153 metros. Aldeias antigas recém-descobertas dispostas como um relógio são mais uma prova do impacto humano na geometria da Amazônia por design. Contribuição do LiDAR para a compreensão dos padrões de assentamento das aldeias de montes na Amazônia. O professor da Universidade de Exeter, Jose Iriarte, contou que o escâner LiDAR permitiu os cientistas detectar a disposição particular, "o que era impossível antes, porque a maioria [das aldeias] era invisível aos melhores dados de satélite disponíveis". A extensão das construções e sua configuração arquitetônica permaneceram escondidos por muito tempo sob os restos da densa floresta tropical, mas o recente desmatamento da Amazônia revelou a presença de aldeias de montes circulares.
Fonte - Sputnik  09/12/2020

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Jovens guarani kaiowá cobram em Brasília garantia dos direitos indígenas

Cidadania

Alex Rodrigues 
Agência Brasil

Brasília – Um grupo de crianças de cinco aldeias guarani kaiowá de Mato Grosso do Sul cobrou hoje (22) de representantes do Poder Público mais atenção aos direitos dos indígenas. Ao participar do 1º Fórum Direitos e Cidadania na Visão de Crianças e Adolescentes Guarani Kaiowá, na Câmara dos Deputados, eles defenderam a contratação de mais médicos e professores para suas comunidades e a construção de mais escolas nas aldeias. Os jovens reclamaram também da constante falta de remédios e da inexistência de espaços de cultura e lazer.
Além dessas reclamações, semelhantes às de várias comunidades não indígenas existentes no país, os guaranis kaiowás cobraram pressa na conclusão dos processos de demarcação dos territórios indígenas e justiça para índios assassinados em conflitos fundiários, caso dos professores Rolindo e Jenivaldo Vera, assassinados em outubro de 2009, em Paranhos, Mato Grosso do Sul.
"Nossos adultos já enviaram vários documentos [às autoridades], e nada acontece. Aqueles que matam nossas lideranças e nossas crianças continuam soltos", disse Jhonatan Velasques Gomes, de 16 anos, morador da aldeia Guaiviry, entre as cidades de Ponta Porã e Aral Moreira, também em Mato Grosso do Sul. Filho do ex-cacique da aldeia, Jhonatan foi em novembro de 2011, quando seu pai foi morto a tiros. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 19 pessoas pelo crime, entre fazendeiros, advogados e um secretário municipal.
O fórum contou com a presença da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, de parlamentares e de representantes de vários órgãos públicos.
Os índios disseram no evento que muitos governadores e prefeitos costumam alegar que não podem garantir direitos básicos a muitas aldeias pelo fato de ficarem áreas ainda não homologadas como território tradicional indígena ou porque a Justiça ainda não decidiu a quem pertencem de fato. Esse argumento foi refutado por representantes de órgãos federais como o Ministério da Educação, cuja representante no evento, Suzana Grillo, garantiu a inexistência de impedimentos legais à construção de escolas em aldeias indígenas, mesmo as que estejam em áreas em litígio.
"Queremos uma escola de ensino médio na nossa aldeia porque, fora dali, sofremos muitos ao mostrar nossas tradições e costumes", disse Laide de Silva Pedro, que vive na Aldeia Panambizinho, a cerca de 20 quilômetros de Dourados (MS). A região registra altos índices de suicídio entre guaranis kaiowás que vivem em uma reserva que, com o passar do tempo, tornou-se pequena para eles. Parte deles fica acampada à margem de rodovias, à espera da ampliação da Reserva Dourados ou da demarcação de um novo espaço.
"Nosso sonho é a demarcação de nosso território sagrado (tekoha), porque precisamos de terra para plantar e para manter nossos costumes. Faz tempo que esperamos pela demarcação, e ela não sai. Enquanto isso, faltam escola e remédios", acrescentou Oséas Martins, da aldeia Kurusu Ambá.

Segundo Dulce Carrion, coordenadora da organização não governamental (ONG) Imagem da Vida, organizadora do fórum, a iniciativa é uma tentativa de sensibilizar os parlamentares e a opinião pública para as dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas. "É uma forma de fazermos frente a essa organização poderosa do agronegócio, da bancada ruralista, que estão articulados e que, com uma emenda parlamentar daqui, outra dali, está empurrando cada vez mais essas comunidades para debaixo do tapete", afirmou Dirce.
Ela explicou que o encontro de hoje é consequência de um projeto que a ONG desenvolve há três anos em aldeias sul-mato-grossenses. "Esperamos que as crianças sejam não apenas ouvidas, mas atendidas, pois o que tem ocorrido é um desgaste muito grande no movimento indígena, já que as respostas dos governantes se repetem. Na prática, porém, há uma dificuldade muito grande de avançarmos", acrescentou Dirce.
Fonte - Agencia Brasil  22/10/2013