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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

81% dos usuários dos trens aprovam os serviços da CBTU João Pessoa, revela Pesquisa

Transportes sobre trilhos 🚅🚃🚃🚃🚃

Foram entrevistados 152 pessoas no final do ano passado e Grau de confiança é de 95%.Oitenta e um por cento dos usuários dos trens urbanos aprovam os serviços de transportes prestados pela CBTU João Pessoa. É o que revela a pesquisa CBTU 2024, realizada através da Coordenadoria de Comunicação e Marketing (Comak) no período de 17 a 31 de novembro de 2024 em todo o sistema da Grande João Pessoa. 

Da Redação
foto - CBTU/João Pessoa
Oitenta e um por cento dos usuários dos trens urbanos aprovam os serviços de transportes prestados pela CBTU João Pessoa. É o que revela a pesquisa CBTU 2024, realizada através da Coordenadoria de Comunicação e Marketing (Comak) no período de 17 a 31 de novembro de 2024 em todo o sistema da Grande João Pessoa. Ao todo foram entrevistados 152 pessoas, o que corresponde a 5% dos passageiros diários durante o período. Com base nos parâmetros de cálculos, o grau de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é 6%. De acordo com a coordenadora da Comak, Deysi Mota, a pesquisa proporciona a CBTU conhecer um pouco mais sobre o seu público, seus hábitos, costumes, destino e avaliação do sistema ferroviário de passageiro em diversos aspectos. “A pesquisa foi dividida em quatro pilares: Perfil do Passageiro; Origem/Destino; Grau de Satisfação e Trens no Fim de Semana. A partir das informações coletadas, a CBTU pode definir onde implantar novas estações e fazer melhorias no sistema com base nas aspirações de quem utiliza o transporte ferroviário”, diz. Dados da pesquisa, no tocante ao Perfil do Passageiro, mostram que as mulheres andam mais de trem. Elas representam 50% contra 46 % dos usuários do sexo masculino. “Pela primeira vez, em todas as pesquisas realizadas na Companhia, aparecem 4% de pessoas que assumem outros gêneros. E isso mostra um avanço e respeito a diversidade no nosso sistema”, acrescenta Deysi Mota. A CBTU tem investido contra o preconceito de gênero em todas as unidades. Outro dado que chama a atenção é o crescimento no quantitativo de usuários com nível superior circulando pelos trens da Região metropolitana. De acordo com a pesquisa, 21% dos passageiros possuem nível superior completo ou incompleto. Mas a grande maioria dos usuários dos trens, 40% afirmam ter cursado ou está cursando o Ensino Médio e 36% garantem que cursam ou já concluíram o Ensino Fundamental. Apenas 4,3% dos entrevistam não frequentaram a escola e 2% dizem possuir formação pós-graduada. O estudo revela que 50% dos usuários possui uma renda mensal de 1 salário mínimo e que 3,2% ganham mais de 10 salários mínimos por mês. Setenta por centro dos entrevistados afirmaram ter ocupação, seja através de empregado formal (35%) ou autônomo/microempresário (28%) e 7% de aposentados. Já os entrevistados sem renda chegam a 27% entrevistados. Apenas 3% se disseram jovem-aprendiz.
Com informações da CBTU/João Pessoa 20/02/2025

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

O aquecimento de 2°C liberaria bilhões de toneladas de carbono do solo

Meio ambiente  🌱

O novo estudo de pesquisa internacional, liderado pela Universidade de Exeter, revela a sensibilidade do turnover do carbono do solo ao aquecimento global e, subsequentemente, reduz pela metade a incerteza sobre isso nas projeções de mudanças climáticas futuras. 

Da Redação
divulgação/Revista Amazônia
Os solos globais contêm duas a três vezes mais carbono do que a atmosfera, e temperaturas mais altas aceleram a decomposição – reduzindo a quantidade de tempo que o carbono passa no solo (conhecido como “turnover de carbono no solo”). O novo estudo de pesquisa internacional, liderado pela Universidade de Exeter, revela a sensibilidade do turnover do carbono do solo ao aquecimento global e, subsequentemente, reduz pela metade a incerteza sobre isso nas projeções de mudanças climáticas futuras. A estimativa de 230 bilhões de toneladas de carbono liberada com o aquecimento de 2 ° C (acima dos níveis pré-industriais) é mais de quatro vezes o total das emissões da China e mais do que o dobro das emissões dos Estados Unidos nos últimos 100 anos. “Nosso estudo descarta as projeções mais extremas, mas mesmo assim sugere perdas substanciais de carbono do solo devido à mudança climática com aquecimento de apenas 2 ° C, e isso nem mesmo inclui perdas de carbono mais profundo do permafrost”, disse a coautora Dra. Sarah Chadburn , da Universidade de Exeter. Esse efeito é chamado de “ feedback positivo “ – quando a mudança climática causa efeitos indiretos que contribuem para mais mudanças climáticas. A resposta do carbono do solo às mudanças climáticas é a maior área de incerteza na compreensão do ciclo do carbono nas projeções das mudanças climáticas. Para resolver isso, os pesquisadores usaram uma nova combinação de dados observacionais e Modelos do Sistema Terrestre – que simulam o clima e o ciclo do carbono e, subsequentemente, fazem previsões sobre as mudanças climáticas. “Nós investigamos como o carbono do solo está relacionado à temperatura em diferentes locais da Terra para descobrir sua sensibilidade ao aquecimento global”, disse a autora Rebecca Varney, da Universidade de Exeter. Modelos de última geração sugerem uma incerteza de cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono a 2°C de aquecimento médio global. O estudo reduz essa incerteza para cerca de 50 bilhões de toneladas de carbono. O co-autor, Professor Peter Cox, do Exeter’s Global Systems Institute, disse: “Reduzimos a incerteza nesta resposta à mudança climática , que é vital para calcular um orçamento global de carbono preciso e cumprir com sucesso as metas do Acordo de Paris.” O estudo, publicado na Nature Communications , é intitulado: “Uma restrição espacial emergente na sensibilidade da renovação do carbono do solo ao aquecimento global”. O trabalho foi realizado em colaboração com cientistas do Met Office e institutos nos EUA e na Suécia.
Fonte - Revista Amazônia  17/12/2020

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Cientistas encontram antigas aldeias na Amazônia dispostas em forma de relógio

Meio ambiente/Pesquisa 😟

Antigas aldeias na Amazônia construídas entre 1300 d.C. e 1700 d.C. e dispostas como um relógio foram encontradas no estado do Acre, na Região Norte do Brasil.

Sputnik
© Foto / Pixabay - Sputnik
A descoberta foi feita pela equipe internacional de cientistas durante exploração da Floresta Amazônica usando tecnologia LiDAR para escanear o céu acima da floresta tropical. Os resultados foram publicados no site da Universidade de Exeter (Reino Unido). LiDAR, que significa Detecção de Luz e Alcance, é um método de análise remota com utilização de laser. Pelos intervalos entre a pulsação do laser e comprimentos de ondas pode ser compilado um mapa 3D da paisagem, retirando elementos que podem cobrir as características geológicas e arqueológicas. Os resultados da pesquisa revelaram uma particular disposição de antigas aldeias circulares, conectadas através de uma rede de estradas enterradas e aterros altos que irradiam do círculo da aldeia como os traços de um relógio ou raios solares. Foram documentadas cerca de 35 aldeias, que consistem principalmente de três a 32 montes dispostos em um círculo de diâmetro de 40 a 153 metros. Aldeias antigas recém-descobertas dispostas como um relógio são mais uma prova do impacto humano na geometria da Amazônia por design. Contribuição do LiDAR para a compreensão dos padrões de assentamento das aldeias de montes na Amazônia. O professor da Universidade de Exeter, Jose Iriarte, contou que o escâner LiDAR permitiu os cientistas detectar a disposição particular, "o que era impossível antes, porque a maioria [das aldeias] era invisível aos melhores dados de satélite disponíveis". A extensão das construções e sua configuração arquitetônica permaneceram escondidos por muito tempo sob os restos da densa floresta tropical, mas o recente desmatamento da Amazônia revelou a presença de aldeias de montes circulares.
Fonte - Sputnik  09/12/2020

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Pesquisa mostra rejeição maior ao transporte coletivo após pandemia

Mobilidade/Transportes 🚌 🚄  🚇

O levantamento foi feito com uma amostra aleatória e anônima de 9,5 mil usuários do Moovit nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza, de 14 a 21 de agosto. A pesquisa perguntou aos entrevistados se eles usavam o transporte público antes da pandemia, se continuavam usando e se usariam nos seis meses seguintes.

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/arqivo
Uma pesquisa produzida pela Moovit, empresa de soluções de mobilidade que detém o aplicativo de mesmo nome, mostra que os brasileiros passaram a ter maior rejeição ao transporte coletivo após o início da pandemia de covid-19. O levantamento foi feito com uma amostra aleatória e anônima de 9,5 mil usuários do Moovit nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza, de 14 a 21 de agosto. A pesquisa perguntou aos entrevistados se eles usavam o transporte público antes da pandemia, se continuavam usando e se usariam nos seis meses seguintes. As respostas de 85% dos entrevistados foram positivas na primeira questão, e de 68% e 70% na segunda e terceira, respectivamente, o que mostra menor adesão ao transporte coletivo após o início da pandemia. O levantamento perguntou também sobre o que faria com que o entrevistado usasse mais o transporte público durante a pandemia: 77% disseram que seria necessário aumentar a frota disponível; 64%, saber localização do ônibus em tempo real; 45%, ter certeza sobre as linhas em operação; 44%, saber quais veículos estão lotados; e 39% queriam a implementação de horários alternativos às horas de pico. A pesquisa questionou se os entrevistados usavam carro próprio para se locomover na cidade antes da pandemia, se estavam utilizando durante a pandemia e se utilizariam nos seis meses seguintes. As respostas de 6% dos entrevistados foram positivas para a primeira questão, e de 10% na segunda e terceira. “[Os dados mostram] alguns impactos para as cidades. Vai ter mais carros nas ruas, pode ser que acorram mais congestionamentos. Aqui no Rio de Janeiro eu já estou sentindo trânsito, engarrafamento nos horários de pico”, destacou o gerente geral da Moovit no Brasil, Pedro Palhares. O levantamento perguntou ainda sobre as razões de os entrevistados usarem o carro: 48% disseram que o modal é mais seguro; 21%, que é a preferência de sempre; 15%, que o transporte coletivo ainda não voltou ao normal; 14%, que é mais conveniente; e 3%, que o transporte público não atende as necessidades.
Fonte - Agência Brasil  18/11/2020

sábado, 5 de setembro de 2020

Pesquisadora do Ceará transforma esgoto em hidrogênio

Ciência & Tecnologia  📱💡

O hidrogênio é obtido por meio de processos que consomem muita energia, tornando seu uso pouco viável. A solução encontrada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi produzi-lo, exclusivamente, a partir do esgoto.Nos testes em laboratório, eles conseguiram gerar energia suficiente para carregar celulares

Revista Amazônia
Com informações da Agência UFC.
Revista Amazônia
Entre as diversas alternativas energéticas, o hidrogênio surge como uma possibilidade. Tal elemento químico pode ser matéria-prima para a geração de energia elétrica e combustível, sendo que esta última opção vem sendo bastante testada mundo afora. Acontece que o hidrogênio é obtido por meio de processos que consomem muita energia, tornando seu uso pouco viável. A solução encontrada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi produzi-lo, exclusivamente, a partir do esgoto.
Nos testes em laboratório, eles conseguiram gerar energia suficiente para carregar celulares. A quantidade é ainda pequena, porém a ideia é que a alternativa possa ser empregada em larga escala podendo, inclusive, ser usada para o tratamento de esgoto. Imagine gerar energia não poluente enquanto resolve um dos maiores problemas das grandes cidades? Seria um feito extraordinário.
“Como o saneamento é visto como algo sem valor comercial e político, não há investimento. A partir do momento em que se dá um valor comercial ao tratamento de esgoto, empresas e políticos vão ver o saneamento de forma diferente, não só como uma limpeza a ser feita, mas como uma fonte de geração de renda”, acredita a professora Fernanda Leite Lobo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC, uma das colaboradoras da pesquisa.
Para a pesquisa, foi adotada uma tecnologia bioeletroquímica que, segundo a UFC, é recente no meio acadêmico e ainda não empregada no Brasil. Abaixo você confere detalhes de como funciona o método:
O princípio é a utilização da energia química da matéria orgânica do esgoto para produzir elétrons, que podem ser manipulados para gerar corrente elétrica contínua e para criar determinadas reações químicas. São essas reações que possibilitam a criação do hidrogênio.
Essa tecnologia funciona com uma célula combustível microbiana, capaz de transformar a energia química presente no esgoto em corrente elétrica. Trata-se de um modelo simples: um cubo de acrílico com dois eletrodos (um ânodo e um cátodo, algo como os lados positivo e negativo de uma pilha).
Os elétrons que vão de um eletrodo a outro são coletados e utilizados, por meio de um sistema de controle de energia (PMS, na sigla em inglês), na geração da voltagem necessária para produzir o hidrogênio.
“A evolução do hidrogênio é uma reação endergônica, ou seja, precisa de uma energia externa para acontecer, não ocorre espontaneamente. Sempre que se produz hidrogênio, é necessário colocar energia no processo”, explica a professora Fernanda.
“Conseguimos isolar as reações, a da produção de energia através do esgoto e a da evolução do hidrogênio, isolando eletricamente os eletrodos que estão no esgoto e armazenando essa energia por um tempo”, diz a pesquisadora, ressaltando que é justamente essa energia armazenada (processo que ocorre em uma escala de milissegundos) a fonte que passa a permitir a produção do hidrogênio, eliminando a necessidade de qualquer fonte externa de energia.

AplicaçãoUsar o método em larga escala para tratamento de resíduos ainda depende de muitos estudos e, claro, vontade política não só para aplicação, mas em forma de incentivo à pesquisa. Mas, por enquanto, fica já a evidência de que a tecnologia é possível.
Seu uso na indústria automotiva também já é uma realidade, destacando-se como um combustível limpo, que não produz gás de efeito estufa, além de silencioso.

Parceria internacionalO estudo foi realizado em parceria com as universidades norte-americanas Princeton e Columbia e com o Laboratório Nacional de Energia Renovável dos Estados Unidos. Inclusive os teste ocorrem em laboratórios norte-americanos.
O próximo passo será aplicar a metodologia nos laboratórios da UFC. Ainda em 2020, os pesquisadores também esperam fechar parceria com o Harbin Institute of Technology (HIT), da China, para novos testes.
Por enquanto, é possível se aprofundar com o artigo completo (em inglês) publicado na revista científica Energy & Environmental Science. 
Fonte - Revista Amazônia  04/09/2020

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

ONU premia brasileira(Baiana) por filtro de água solar que mata bactérias.

Ciência e Tecnologia  🌅

Do reconhecimento em olimpíadas de física, biologia, astronomia até premiações ligadas à inovação. E principalmente pelo Aqualuz, um purificador de água que usa os raios solares para matar bactérias e torná-la potável. Graças à invenção, ela foi a primeira brasileira a vencer o prêmio da ONU voltado a jovens com propostas para o meio ambiente. A tecnologia de baixo custo já foi testada e está em fase de produto. Atualmente 53 famílias e cerca de 265 pessoas usam a solução.

Revista Amazônia
Revista Amazônia
A baiana Anna Luísa Beserra só tem 22 anos, mas já coleciona uma série de conquistas. Do reconhecimento em olimpíadas de física, biologia, astronomia até premiações ligadas à inovação. E principalmente pelo Aqualuz, um purificador de água que usa os raios solares para matar bactérias e torná-la potável. Graças à invenção, ela foi a primeira brasileira a vencer o prêmio da ONU voltado a jovens com propostas para o meio ambiente. A tecnologia de baixo custo já foi testada e está em fase de produto. Atualmente 53 famílias e cerca de 265 pessoas usam a solução.
“Ser mulher, jovem, nordestina é desafiador. Reconhecimentos como esse são o que me dão força. Às vezes passamos por situações de não ser levada a sério. Mas isso nos deixa mais fortes”, conta Beserra, que se formou no ano passado em biotecnologia pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), e agora toca a sua startup SWD (Safe Drinking Water for All) com o Aqualuz.
Inovadora aos 15 anos,Beserra conta que sempre foi apaixonada pela ciência e seu poder de transformar realidades. Quando fez 15 anos, em vez de pedir uma festa, pediu aos pais que ganhasse de presente um microscópio. A ideia do filtro purificador solar surgiu quando Beserra tinha 15 anos e estava no ensino médio. Ao tomar conhecimento do programa Jovem Cientista, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), decidiu participar. O tema naquele ano [2013] era a água.

“CRIANÇAS NO SEMIÁRIDO MORREM POR TEREM ÁGUA CONTAMINADA E NÃO TEREM HOSPITAL PARA TRATAR. E PENSEI ‘ESTOU EM SALVADOR, TENHO ACESSO A ÁGUA, A TUDO. O QUE POSSO FAZER PARA AJUDAR QUEM NÃO TEM?”
Revista Amazônia
Com a ajuda de seu pai, começou a pesquisar e montar protótipos simples dentro das condições que conseguia. Mas a ideia do Aqualuz só avançou mesmo durante a graduação na UFBA, há cerca de três anos. A ideia do Aqualuz saiu do papel e trata-se de uma tecnologia criada para purificar água de cisternas (que armazenam a água de chuva). Ele é um reservatório criado com uma superfície de vidro que funciona acoplado à cisterna. A água armazenada nela é bombeada até o dispositivo e o processo de limpeza acontece automaticamente ao receber os raios solares.
“Não usamos placas [que captam a energia do sol]. A passagem da luz do sol é direta na água. A combinação da radiação com o sistema de calor consegue matar as bactérias”, explica Beserra. O Agualuz tem um indicador que avisa quando o processo termina. O morador pode então pegar a água com a ajuda de uma torneira integrada ao reservatório. Quem usa diz que o acesso à água limpa ficou mais fácil. A manutenção também. Com a tecnologia, diz ela, a água demora de duas a seis horas para ficar potável. Outras soluções demoram de seis a até 48 horas.
Agora que terminou a faculdade, Beserra se dedica em tempo integral à sua startup. Sua invenção está na décima versão e seu objetivo é que órgãos governamentais possam usá-la para ajudar os brasileiros que vivem em regiões de seca, principalmente no semiárido nordestino. “A gente pode mudar o mundo de várias formas. E a ciência e a tecnologia são algumas delas”. Beserra recebeu em outubro o prêmio na categoria de criatividade pela iniciativa “Mude o Mundo Como uma Menina”, criada pelo Força Meninas, negócio de impacto social que visa capacitar garotas e adolescentes a desenvolverem suas habilidades, com patrocínio do Banco Original.
Fonte - Revista Amazônia  05/02/2020

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Brasileira desenvolve método para produzir etanol a partir de água de petróleo

Ciência & Tecnologia 

O foco da tese de doutorado de Juliana Ferreira de Brito na Unesp (Universidade do Estado e São Paulo) era desenvolver uma maneira limpa de tratar a água de petróleo, reduzindo o dióxido de carbono (CO2) gerado nesse processo. E, ao mesmo tempo, obter etanol, combustível que emite menos poluentes.Outro produto gerado foi o metanol, que também pode ser utilizado como combustível, mas de maneira bem mais restrita que o etanol, devido a sua toxicidade em contato com a pele ou se consumido.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Pesquisa realizada por brasileira conseguiu transformar um dos resíduos da produção de petróleo, chamado água de petróleo, em etanol e metanol, o que traz benefícios econômicos, sociais e ambientais.
O foco da tese de doutorado de Juliana Ferreira de Brito na Unesp (Universidade do Estado e São Paulo) era desenvolver uma maneira limpa de tratar a água de petróleo, reduzindo o dióxido de carbono (CO2) gerado nesse processo. E, ao mesmo tempo, obter etanol, combustível que emite menos poluentes.
Outro produto gerado foi o metanol, que também pode ser utilizado como combustível, mas de maneira bem mais restrita que o etanol, devido a sua toxicidade em contato com a pele ou se consumido.
Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o nome técnico da água de petróleo é água de processo ou de produção, que é injetada no reservatório de petróleo com o objetivo de forçar a saída do óleo da rocha.

'Essa água não pode ser reutilizada para nada'"Essa água entra em contato com o petróleo, que tem alguns componentes tóxicos, portanto a água não pode ser reutilizada para nada, nem pode ser descartada de forma trivial. Ela precisaria ser tratada para ter alguma finalidade", explicou Juliana à Sputnik Brasil.
Os experimentos foram divididos em dois compartimentos, porém realizados no mesmo reator, o que reduz o gasto de energia.
De um lado, a pesquisa conseguiu tratar 70% do contaminante mais resistente encontrado na composição da água de petróleo, um composto aromático conhecido como álcool benzílico. Para cada 100 litros de água de petróleo, 70 são tratáveis.
"Essa água não pode ser reutilizada para consumo, mas pode ser reutilizada no próprio processo de extração do petróleo, não teria que pegar uma nova água do mar. A água pode ser tratada na plataforma e reutilizada, num ciclo fechado, sem utilização de mais água. A água de petróleo é muito tóxica, é complicado apenas diluir ela na água do mar e descartar", disse Juliana.

'Não temos como olhar o resíduo hoje como vilão'No outro compartimento, foi feito a redução de CO2 para a produção de combustível. Para cada 100 litros de água, é possível gerar 20 litros de etanol e 1,3 de metanol. A pesquisadora, que hoje trabalha na Universidade de São Carlos, diz que dar um destino atraente economicamente para um resíduo é a única maneira de a indústria ter interesse em tratá-lo.
"A indústria não vai diminuir a produção, não tem como olhar o resíduo hoje com um vilão, que vamos conseguir não produzir. A gente tem que ver o resíduo como fonte de alguma outra coisa. O objetivo é conseguir, a partir de um resíduo inevitável, algo interessante economicamente e socialmente", afirmou.
Como exemplo de atividade que faz uso lucrativo de seus resíduos, ela cita o exemplo da indústria do álcool.
"A indústria não tem interesse em tratar o resíduo quando é apenas dispendioso, não gera nada em troca. Mas a indústria da cana-de-açúcar e do álcool conseguiu algo interessante: o bagaço, que é o resíduo gerado, é queimado para produzir energia. Para a indústria o resíduo tem que ter algum retorno econômico", disse.

Vantagens ambientaisPara termos uma ideia do potencial de produção do estudo da pesquisadora brasileira, avaliação publicada em 2009 estima que a produção diária de água de petróleo supera 40 bilhões de litros. Se toda essa quantidade fosse utilizada, seria possível tratar 28 bilhões de litros diariamente e gerar 8 bilhões de litros de metanol e 50 milhões litros de etanol.
"As vantagens ambientais são importantes. Além do tratamento do resíduo, gera-se um combustível mais limpo, num processo que não adiciona mais CO2 na atmosfera. Além disso, o combustível gerado não é a partir de alimentos. No caso da cana-de-açúçar, deixa-se de produzir o açúcar para fabricar o etanol", disse Juliana Ferreira de Brito.
Fonte - Sputnik  31/01/2020

domingo, 26 de janeiro de 2020

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia

Meio ambiente  🌱🌄

Aterrados antecedem a chegada de colonizadores à região. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior.

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
Arqueólogos do Instituto Mamirauá descobriram que há ilhas artificiais, também chamadas de “aterrados”, em áreas de várzea do Médio e Alto Solimões, no Estado do Amazonas. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.
Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior. Na parte de cima, que fica na superfície inclusive na época de cheia, o material cerâmico utilizado no solo ajuda a estabilidade do terreno e as bordas têm forma de talude (rampa), que facilita acesso à água e à atividade de pesca.
Conforme o Instituto Mamirauá “foram encontradas cerâmicas do estilo corrugado, caracterizado esteticamente pelas ‘rugas’, camadas modeladas nos vasos e peças. O estilo cerâmico, datado dos séculos 15 e 16, é comum a grupos tupis”. Além desse material, os pesquisadores identificaram “fragmentos de cerâmica do estilo Hachurada Zonada, tipo ainda mais antigo – acredita-se que por volta de mil a.C.”

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A hipótese dos arqueólogos é que essas ilhas foram erguidas e utilizadas pelos omáguas, povo indígena antigo - ascendente dos atuais kambebas, etnia amazônida no Brasil e no Peru. Relatos de cronistas do século 16, que acompanharam expedições de colonizadores, registram a descrição de povos: “eles eram tantos que se arrojaram e moram em ilhas”, conforme documento histórico citado à Agência Brasil por Márcio Amaral, do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá.
O arqueólogo se impressiona com o volume de terra que os omáguas movimentaram para formar as ilhas artificiais. A terra foi retirada de locais cavados, que desde então formam depressões. “É um volume absurdo de terra que foi movimentada. Se essa movimentação de terra fosse mecanizada, seriam necessários vários tratores várias caçambas, várias pás-carregadeiras – uma estrutura monumental”, assinala.

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A estimativa é de que haja na região cerca de 250 ilhas artificiais. O número de ilhas e o volume de terra deslocado, levanta hipóteses entre os pesquisadores sobre o nível de conhecimento, a capacidade tecnológica, a densidade populacional e a organização social dos omáguas. “Certamente havia muitas pessoas e havia uma organização para essas pessoas construírem e movimentar terra. Tinha que saber onde colocar. Seguramente, havia [pessoas que cumpriam a função de] engenheiros. As ilhas são rampadas. Para aguentar a distribuição do peso fizeram com uma distribuição proporcional”, descreve Márcio Amaral.
As pesquisas feitas pelos arqueólogos do Instituto Mamirauá, com apoio do ICMBio, são desenvolvidas há cinco anos. Segundo eles, construções similares foram encontradas na Ilha do Marajó, no Pará, e em Llanos de Mojos, na Bolívia.
Fonte - Agência Brasil 26/01/2020

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Pesquisa espacial: “Estamos no caminho errado”, diz astrônoma

Ciência  🚀

Duília de Mello fala sobre pesquisa espacial e divulgação científica - Levar a ciência a pessoas leigas, instigar a curiosidade das crianças e, em especial, o interesse pela pesquisa científica nas meninas tem sido parte da missão iluminista que a astrônoma e astrofísica Duília de Mello, 55 anos, paulista criada no Rio de Janeiro, tomou para si quando passou a ser considerada uma das pessoas mais influentes em seu campo de trabalho. 

Gilberto Costa – Repórter da Agência Brasil
Divulgação - Ascom/UnB
Victor Ribeiro – Repórter da Rádio Nacional
Uma pesquisa de opinião divulgada em junho, feita junto a 2.206 pessoas de 15 a 24 anos, revelou que 93% dos jovens de todo o país não sabem o nome de nenhum cientista brasileiro. O levantamento, disponível na internet, acendeu um sinal amarelo entre as pessoas que fazem divulgação científica.
Levar a ciência a pessoas leigas, instigar a curiosidade das crianças e, em especial, o interesse pela pesquisa científica nas meninas tem sido parte da missão iluminista que a astrônoma e astrofísica Duília de Mello, 55 anos, paulista criada no Rio de Janeiro, tomou para si quando passou a ser considerada uma das pessoas mais influentes em seu campo de trabalho.
Duília já morou no Chile, na Suécia e nos Estados Unidos, onde trabalhou na agência espacial americana (Nasa). Atualmente, mantêm-se como pesquisadora associada à agência, e é também professora titular, vice-reitora e decana de Avaliação na Universidade Católica da América em Washington D.C., capital dos EUA.
A cientista esteve, na última semana, na Universidade de Brasília, para abrir o semestre letivo e fazer divulgação científica, quando atendeu a Agência Brasil para a seguinte entrevista:

Agência Brasil: O mundo resolveu desacreditar na ciência?
Duílla de Mello: Estamos passando por um momento muito difícil, de descrédito. As pessoas acham que ciência é religião, que se acredita ou não se acredita. Não é assim. Ciência é baseada em fatos, não precisa de crença. O fato existe, a gente interpreta o fato com método científico. É com muita tristeza que vejo esse passo que a humanidade está dando. Tenho impressão que isso é passageiro, que é só uma regressão que estamos vivendo porque houve um certo descuido, principalmente, dos cientistas que precisam comunicar a ciência todos os dias ao público, e precisa educar o jovem para a ciência. Os cientistas no mundo todo acharam que a escola estava educando o suficiente e demonstrando a importância da ciência. Espero que todos os cientistas acordem, porque passou da hora de comunicar a ciência. É uma coisa muito difícil, não é todo mundo que tem talento de passar conhecimentos difíceis para uma linguagem simples.

Agência Brasil: E paciência para lidar com jornalistas...
Mello: Pois é. Muita gente perde a paciência porque interpretam errado as palavras que a gente fala e aí saem umas coisas erradas. Mas é preciso continuar falando até sair certo. Hoje, com o alcance da mídia social, a gente pode comunicar para muitos ao mesmo tempo. É complicado [porém] com as notícias falsas. Eu nunca pensei que tivesse de explicar em pleno século 21 que a Terra é redonda ou que as vacinas fazem bem! As pessoas se esqueceram da história da humanidade. A gente precisa lembrar.

Agência Brasil: A senhora atua para despertar o interesse pela ciência, especialmente, das meninas. Isso tem melhorado?
Mello: Tem melhorado no mundo todo, mas cada país vai com um passo diferente. No Brasil, sempre foi um pouquinho melhor do que em outros lugares.

Agência Brasil: Por quê?
Mello: A gente não sabe exatamente os motivos. Mas veja o que acontece, por exemplo no norte Europa. É um absurdo! Eu fui a uma defesa de doutorado na Suécia que só tinha duas mulheres, eu e a mãe do homem que estava defendendo a tese. Havia 80 homens no auditório. Eu fui para a Suécia em um programa de balanço de gênero, para melhorar o número de mulheres nas engenharias e na ciência... É mundial o problema, não é só brasileiro. Nos Estados Unidos, a gente faz um trabalho muito grande com as meninas nas escolas. Não pode esperar virar adolescente. Tem que ser com criança. Na hora que vira adolescente, quer fazer aquilo que sua amiguinha está fazendo. A gente precisa mostrar às meninas que mulher pode fazer o que quiser, desde que ela goste daquilo. Eu tenho certeza que a mulher gosta da engenharia e da ciência também. Ela só não despertou porque não foi motivada. Eu vejo meninas pequenas, criancinhas, interessadas em foguete, no céu e na Lua. Tem uma frase em inglês que diz assim “we are what we see”, “a gente é o que a gente vê”. É preciso mostrar às mulheres na ciência para as meninas e para os meninos também. Quando a gente faz isso, mostra que não existe nenhum problema de gênero. Eu sou esperançosa e já vejo uma mudança disso. Interessante é que em países latinos têm mais mulher na ciência. Muitas vezes, as pessoas têm medo de fazer ciência porque acham que vão morrer de fome, que não vão arrumar emprego. A gente precisa mostrar que não é verdade isso.

Agência Brasil: A senhora trabalhou com o Hubble. Qual o legado do telescópio espacial?
Mello: O Hubble veio para substituir a Missão Apollo. Ele, junto com o ônibus espacial, era o carro-chefe da Nasa. O Hubble fica orbitando a terra e vê o universo acima da nossa atmosfera, que atrapalha a visão das luzes das estrelas. Ele está a cerca de 600 quilômetros de altitude, de onde fica olhando o universo. O Hubble fez, em abril, 29 anos - era para ter feito só 15 anos - uma história de sucesso. Ele nos ensinou coisas que não havia a mínima ideia, como a evolução das galáxias, a formação de planetas. O Hubble nos ensinou como que as nuvens formam estrelas. Mostrou muita coisa do sistema solar. A gente viu cometa colidindo com Júpiter, a gente viu isso quase que ao vivo. O Hubble tem papel importantíssimo de desvendar o universo. O telescópio também tem suas limitações. Ele é relativamente pequeno, e enxerga uma área do céu pequena.

Agência Brasil: O Hubble tem parcerias para uso de inteligência artificial?
Mello: O Hubble tem um programa que se chama Ciência do Cidadão, Citizen Science, que é para ajudar a classificar, por exemplo, as galáxias ou discos protoplanetários [formados basicamente por gases]. São muitas imagens, e é preciso a ajuda do público para fazer isso. Também usa o machine learning que é um processo de inteligência artificial para classificar os objetos. O Kepler, que é um satélite que descobre planetas ao redor das estrelas, faz isso também muito bem.

Agência Brasil: O que as descobertas recentes sobre buracos negros agregam para a pesquisa espacial?
Mello: Os buracos negros sempre fascinaram. Era uma previsão teórica do [Albert] Einstein, que durante um século, praticamente, os cientistas tentaram ver. Tínhamos evidências indiretas, mas não tínhamos uma foto. O horizonte de eventos [fronteira ao redor de um buraco negro] mostra a parte mais próxima a um buraco negro, os arredores. Isso comprova todas as teorias que a gente tinha sobre formação de buraco negro. Não podemos confundir os buracos negros estelares com os buracos negros super massivos, que têm até bilhões de vezes a massa do Sol e vivem no interior das galáxias. Os buracos negros estelares, também previstos por Einstein, são fruto da evolução das estrelas muito massivas que explodem as supernovas. Depois o que sobra entra em colapso e forma um buraco negro central. Não temos fotos desses buracos negros, mas temos evidências de que existem. Por exemplo, se tiver estrela do lado, essa começa a perder massa – que está indo para o buraco negro vizinho. A gente consegue detectar aquecimento na região examinada.

Agência Brasil: Que hipóteses explicam a expansão e o aceleramento do universo?
Mello: Foi descoberto há cerca de dez anos que o universo não está apenas se expandindo, como também está acelerando. Isso nos faz eliminar hipóteses de que o universo começou com o big bang, com uma grande expansão, e que depois um dia entraria em colapso em um ponto central novamente. A gente já sabe que isso não vai acontecer. O universo está acelerando e isso é um caminho sem fim. O universo vai continuar expandindo para sempre. Como se descobriu que ele está acelerando? A observação das estrelas, que explodiram a muitos e muitos bilhões de anos atrás, verificou que a velocidade delas tinha aceleração. A aceleração é produzida por uma massa que a gente não vê. Essa massa, chamamos de energia escura. A energia escura é o grande desafio das próximas décadas. Quando a gente faz as contas, dá que mais de 70% do universo seria feito de energia escura. Se a gente somar isso com a matéria escura ao redor das galáxias, que faz parte da massa das galáxias e somam 25% do universo, temos 95% do universo. Então, tudo que a gente estuda na astronomia é só 5%. Estamos no caminho errado. Temos que estudar o resto.
Fonte - Agência Brasil  19/08/2019

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Floresta Amazônica com a carência de Fósforo fica mais sensível às mudanças do clima

Meio Ambiente  🌱

Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.

Por Rafael Garcia - Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Dentre os diversos fatores que influenciarão o modo como a Amazônia vai reagir às mudanças climáticas está a escassez do elemento fósforo na floresta. Esta foi a conclusão de um estudo que realizou simulações usando 14 modelos computacionais de vegetação para entender o que acontecerá com as árvores da região.
Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.
Calcular qual será a reação da cobertura vegetal com a mudança do clima é um dos pontos centrais para estimar o impacto do aquecimento global no Brasil. Uma possibilidade considerada pelos pesquisadores é a de que, submetida a estresse hídrico, a floresta tende a encolher, dando espaço para o avanço de uma vegetação mais típica de Cerrado.
A hipótese da “savanização”, como ficou conhecida, perdeu um pouco de força depois que alguns experimentos em regiões temperadas mostraram que plantas podem ser capazes de superar as dificuldades a serem impostas pela mudança climática. Apesar de as simulações preverem um ambiente mais inóspito para muitas espécies de árvores nas próximas décadas, a maior concentração de gás carbônico (CO2) no ar – uma das causas do aquecimento global – traz algo de bom para as espécies vegetais.
O carbono é um dos principais elementos com o qual as plantas constroem a si próprias, e uma concentração maior disponível na atmosfera poderia ajudá-las a crescer sem gastar muita energia.
Uma classe de experimentos chamada Free-Air Carbon Dioxide Enrichment (Face) indicou que, nas florestas de clima temperado, esse efeito benéfico do CO2 provavelmente vai ajudar árvores a se adaptarem ao novo clima que enfrentarão. Para saber se essa premissa é válida também para florestas tropicais, um consórcio internacional liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) planejou um experimento similar a ser realizado ao norte de Manaus.
A proposta do Amazon-Face consiste essencialmente em borrifar um grande volume de CO2 sobre algumas parcelas de floresta para estudar como as árvores ali reagem a uma maior concentração de carbono no ar. Ainda em fase de implementação, o experimento requer grande preparo, sobretudo o conhecimento de como a floresta se comporta em condições naturais.
Foi em busca de fatores que podem influenciar mais a reação da floresta à mudança climática que pesquisadores do projeto decidiram simular em computador a dinâmica do fluxo de carbono e nutrientes das árvores. No caso, computaram o ciclo de carbono, fósforo e nitrogênio para entender quais medições serão as mais importantes na futura interpretação dos experimentos.
Lapola conta que um experimento nos Estados Unidos verificou, nos primeiros anos após o aumento de CO2, um efeito positivo para as plantas. Mas depois disso o nitrogênio escasso no solo se tornou limitante, a despeito do carbono abundante. “É um bom exemplo do que pode acontecer na Amazônia com a falta de fósforo”, afirma.
Já se suspeitava que o fósforo, por ser escasso na maior parte da extensão de solo amazônico, seria uma peça fundamental no estudo. Ao longo das eras, as árvores da região superaram essa limitação, mas, com a velocidade da mudança climática, o tempo para o surgimento de novas adaptações evolutivas é curto.
“A ciência ainda sabe muito pouco sobre como as plantas da região fazem para burlar essa limitação de fósforo”, diz Lapola. “Muitas árvores em florestas tropicais – incluindo as da Amazônia – obtêm fósforo por meio de interação com fungos. A planta dá açúcar para o fungo, que fornece nutrientes para a planta. Mas não sabemos, por exemplo, se os fungos preservarão sua habilidade de desmineralizar fósforo do solo no contexto de mudança climática.”
Por ora, entram em cena as simulações de computador. Dos 14 modelos matemáticos usados pelos cientistas do Amazon-Face para esse estudo, três consideravam apenas o ciclo de carbono e cinco também levavam em conta o nitrogênio. Outros seis incluíam o fósforo. Quando comparados uns com os outros, os resultados indicaram que a escassez de fósforo dos solos amazônicos comprometeria em cerca de 50% a capacidade das árvores de absorver o carbono extra que estará no ar.
As simulações, contudo, apresentaram grande variação. Medindo a produtividade líquida das plantas em gramas (g) de carbono absorvidos por metro quadrado a cada ano e considerando um cenário de alta concentração de CO2 no ar, as árvores chegariam a um valor de cerca de 160 g. Quando a escassez de fósforo era considerada na equação, porém, esse valor caía. Alguns modelos indicaram uma queda pequena, para 142 g. Outros sugeriram uma queda drástica, para 16 gramas.
A incerteza contida no resultado da pesquisa, diz Lapola, é um incentivo a mais para os pesquisadores levarem adiante o experimento de grande escala do Amazon-Face. O fósforo deverá ser o fiel da balança na hora de determinar como a Amazônia vai reagir à crise do clima. Um aspecto do estudo do grupo de Lapola é indicar que, em um cenário de mudança climática, as árvores amazônicas teriam reduzida sua capacidade de transformar a energia da fotossíntese em biomassa.
“De maneira geral, embora isso não seja exatamente um resultado ruim para a floresta amazônica, é um resultado ruim para o clima global”, afirma Marcos Heil Costa, líder do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Os resultados sugerem que a floresta amazônica teria um papel menos importante para sequestrar o carbono emitido pela humanidade por meio da queima de combustíveis fósseis, dificultando cada vez mais estabilizar a concentração de CO2 atmosférico.”
Para Costa, os resultados do Face na Amazônia trariam grande contribuição para lidar com a questão da savanização, mas esta depende também de variáveis como o aumento da duração da estação seca, o total anual de chuvas e a frequência de incêndios, que não estão diretamente ligados à fisiologia das plantas.

Megaprojeto
O Amazon-Face começou em 2014 como um projeto estratégico articulado dentro do então Ministério da Ciência e Tecnologia. Em sua fase 1, antes da construção das primeiras torres de emissão de CO2, o programa teve apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FAPESP ajudou com auxílio à pesquisa do programa Jovem Pesquisador e um financiamento para mobilidade em colaboração com o Oak Ridge National Laboratory, que tem ampla experiência nesse tipo de experimento.
A estrutura do projeto em sua versão completa prevê a realização do experimento, que ainda não começou, em seis parcelas de floresta circulares, de 30 metros (m) de diâmetro. Em torno de cada uma delas, devem ser construídas 16 torres emissoras de CO2, cada uma com 30 m de altura. Todas são conectadas a um tanque de 50 toneladas de CO2 líquido que as abastecerá e permitirá aumentar a concentração de carbono da área.
Dentro de cada parcela uma torre com instrumentação científica realizará medições atmosféricas e de condições do solo. A concepção original do projeto previa um orçamento inicial de US$ 88 milhões. Com a crise econômica e o escasseamento das verbas federais de pesquisa em 2016, o Face atrasou.
Das seis torres de medição previstas, apenas duas foram construídas e produziram dados por três anos. As simulações descritas agora na Nature Geoscience são parte do projeto e vão subsidiar a análise de resultados mais tarde. O restante da infraestrutura ainda aguarda financiamento.
Um experimento menor que o grupo está realizando no local é testar a reação de árvores jovens, com até 3 m de altura, a um aumento na concentração de CO2. “Nós instalamos no sub-bosque algumas câmaras pequenas, que parecem estufas, com 3 m de altura, para estudar como as arvoretas reagem a um aumento de 50% na concentração de carbono”, conta Lapola. “É importante saber como elas vão se comportar também, porque essas são as árvores que, depois de crescer, dominam o dossel da floresta.”
Fonte - Revista Amazônia  06/08/2019

segunda-feira, 15 de julho de 2019

IBGE mostra que turismo cresceu 11% na Bahia em maio

Turismo 

A pesquisa mostra a força do setor turístico da Bahia, que ficou na segunda colocação nacional. A tendência é de avançar ainda mais com o pacote de incentivos assinado pelo Governo do Estado com as empresas Gol, Azul e Passaredo, que resultará em 161 novos voos.

Da Redação
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Bahia ficou na segunda colocação nacional em crescimento do turismo, com 11% em maio, em comparação com o mesmo mês de 2018, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços, realizada pelo IBGE. O resultado da Bahia é maior do que o dobro do nacional (5,1%), na mesma base de comparação.
“A pesquisa mostra a força do setor turístico da Bahia, que ficou na segunda colocação nacional. A tendência é de avançar ainda mais com o pacote de incentivos assinado pelo Governo do Estado com as empresas Gol, Azul e Passaredo, que resultará em 161 novos voos. A sinalização de novos investimentos feita por empresas como a Prima (Espanha) e a Hirmer (Alemanha), dispostas a realizar novos empreendimentos turísticos no Litoral Norte e no Sul do Estado, também amplia a perspectiva de crescimento”, afirmou o secretário do Planejamento, Walter Pinheiro.
Ao analisar o resultado do levantamento , o secretário estadual do Turismo, Fausto Franco, disse que a expansão da atividade turística está associada a um conjunto de fatores positivos, entre os quais, o trabalho de promoção do destino Bahia, a melhoria da infraestrutura e a conectividade aérea. "Temos em andamento um conjunto de ações para o fortalecimento do setor, valorizando ainda mais as praias, a natureza exuberante, nossa história e cultura, diferenciais que fazem crescer a procura pela Bahia, como demonstra a pesquisa".
As variações positivas vieram do Ceará (13,0%), Bahia (11,0%) e São Paulo (8,4%). Em contrapartida, as principais unidades que puxaram o volume para baixo foram: Distrito Federal (-6,6%), Santa Catarina (-4,8%) e Paraná (-1,2%). Pinheiro lembrou ainda que pesquisa do Instituto Datafolha cravou a Bahia como o melhor destino turístico do país, e a capital baiana foi a única cidade brasileira a constar na lista anual do The New York Times, com os melhores lugares a serem visitados em 2019.
Fonte - Secom BA  15/07/2019

segunda-feira, 25 de março de 2019

Nunca fomos tão infelizes

Ponto de Vista  🔍

A crise financeira, a sensação de insegurança na política e a falta de confiança em líderes do Estado foram apontados pelos pesquisados pelo Gallup, como principais fatores de infelicidade. O Brasil, de todos os países pesquisados em toda a série histórica, visitou o grau mais baixo na descrença com os líderes da política nacional. O relatório de 2018 indica que os brasileiros nunca foram tão infelizes. 

José Manoel Ferreira Gonçalves* - Portogente
foto-ilustração/arquivo
O World Happiness Report é um relatório mundial sobre a felicidade dos cidadãos feito pela empresa de pesquisas Gallup. O de 2018 indica que os brasileiros nunca foram tão infelizes. Descemos ao mais baixo degrau na série histórica desses relatórios. Foi a 7ª edição do relatório, que iniciou a série em 2006. Ele classifica 156 países pelo quão felizes seus habitantes se sentem.
A crise financeira, a sensação de insegurança na política e a falta de confiança em líderes do Estado foram apontados pelos pesquisados como principais fatores de infelicidade. O Brasil, de todos os países pesquisados em toda a série histórica, visitou o grau mais baixo na descrença com os líderes da política nacional.
A pesquisa, como se disse, se refere ao ano de 2018. No sistema brasileiro a figura presidencial conjuga em si todas as glórias e mazelas, e o presidente à época era Michel Temer, que havia sido alçado ao pódio do Planalto por uma intrincada rede de conluios e eventos francamente vergonhosos. Independentemente dos desvios do PT, a aludida pedalada fiscal sempre foi motivo de chacota internacional, e hoje temos a presidenta livre e os líderes do movimento que a depôs na cadeia, inclusive o malfadado presidente da Câmara à época e o presidente que a sucedeu, ambos de tão triste memória.
A prisão, em 7 de abril de 2018 do presidente que conquistou a maior popularidade, que obteve êxito na melhora das condições de vida das pessoas em geral, mormente as da classe menos privilegiada, foi outro grande balde de água fria na esperança de muita gente. Não nos cabe aqui julgar se ele é culpado como alega a Lava Jato, ou inocente, como ele alega, se as provas foram robustas ou apenas supostas, o fato é que foi um ícone nacional que caiu, levando nessa queda a esperança de milhões de cidadãos. Para ajudar na infelicidade geral, Lula continuava sendo a esperança de muitos milhões e todas as pesquisas o apontavam como vencedor da corrida presidencial em primeiro turno em 2018. Mas não puderam votar nele.
Quanto ao presidente que reinava em 2018, época da coleta de dados da pesquisa, cumpre complementar que a sua assunção à presidência se deu de forma no mínimo suspeita, que ele agiu contra todos os interesses nacionais (como, por exemplo, na entrega do pré-sal e da Embraer, além de encaminhar a entrega da Eletrobras), e contra o interesse dos cidadãos, mormente dos cidadãos trabalhadores, tirando-lhes praticamente todos os direitos conquistados a tão duras penas e em tão longínquo tempo. Por certo esses são fatores que implicaram diretamente no resultado negativo da pesquisa sobre a felicidade. O mais provável, praticamente evidente, é que ele conluiou para aplicar um golpe na presidenta Dilma, e que vem agindo de maneira corrupta desde que iniciou na política até seu último dia de mandato como presidente. Contudo, é forçoso ressaltar, sua prisão é absurda, por várias razões. Não há sequer processo, quanto menos julgamento.
Apesar de ter o grande mérito de ter exposto a público os mais sórdidos porões do poder, desde seu início a Lava Jato tem agido ao arrepio da lei, forçando interpretações, usando as prisões preventivas como forma de tortura psicológica para forçar delações. Afora tudo isso pesa sobre a operação denúncias ainda não confirmadas de fazer acordos financeiros com dinheiro das empresas corruptas para que delatores (receberiam 6 milhões cada um) ajustem seus depoimentos ao interesse da força-tarefa. Sem contar no episódio que a Lava Jato tentou administrar, sem qualquer embasamento legal, uma verdadeira fortuna: 2,5 bilhões de reais advindos da Petrobras.
Assim, se por um lado os cidadãos perderam um líder, por outro foram perdendo gradativamente a confiança nos algozes desse líder, outro fator depressivo, não há como não reconhecer.
Depois de vencer esse campeonato infame de mais infelizes do mundo, os brasileiros elegeram um novo governo, renovaram suas esperanças. Eis o motivo maior de minhas preocupações e a real razão de escrever este artigo.
Primeiro porque desde seu início o governo tem funcionado como biruta de aeroporto, ao sabor dos ventos, acumulando diários oficiais que fazem para em seguida novos que desfazem, voltando sempre ao ponto de repouso, de inação. Convenhamos, fator de desestabilidade e angústia da população.
Segundo, porque se lançou numa campanha para destituição do direito à aposentadoria de maneira absolutamente desumana, pensando tão e exclusivamente na manutenção dos lucros dos donos da dívida brasileira, tirando tudo do menos favorecido, sem se atrever a mexer com os grandes devedores da previdência, por exemplo, que se pagassem o que devem colocariam a previdência em condições de até melhorar as condições atuais. Isso sem contar em outras fontes possíveis como impostos sobre barcos e aviões, sobre herança etc.
Terceiro e mais grave: uma família presidencial, à moda dinástica, completamente envolvida com depósitos inexplicáveis e, aí sim o verdadeiramente grave, fortes laços com milicianos. Quanto a isso há dados concretos, como o emprego de parentes dos milicianos nos gabinetes de membros do clã, bem como condecorações honrosas a esses mesmos.
Mais recentemente, todos sabemos, foram identificados os prováveis assassinos de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Qual não foi a estupefação nacional ao descobrir que um deles era vizinho de condomínio e tinha fotos às gargalhadas com o chefe da nação? Que outra pessoa ligada a ele guardava em casa nada menos que 117 fuzis M16, mas rotulados com M27, da Marinha Americana?
A impressão que o homem eleito pelo povo para presidi-lo possa ser o autor do mandato do assassinato da Marielle Franco assolou de maneira inevitável a alma de inúmeros cidadãos, já tão infelizes. Deus nos livre de fazer qualquer acusação leviana, ao contrário, defendemos que a justiça só existe quanto calcada em provas irrefutáveis, e não é esse o caso.
Contudo, caro leitor, reflitamos. Caso desaparecesse um carro no seu bairro e alguém apontasse o dedo em sua direção, alguém daria algum crédito a essa ilação? Claro que não! Se acontecesse comigo e, ao contrário, achassem que tem cabimento a suspeita eu já estarei em péssimos lençóis, nem consigo imaginar como me sentiria.
Pois bem, quanto ao nosso mandatário, a CNN do Chile fez uma matéria ampla em que admite a possibilidade que ele seja o mandatário do assassinato. Eu, pessoalmente, tenho a firme convicção que isso não é verdade, posso dizer que tenho certeza que não é verdade. Mas o fato de que muitos, como a CNN do Chile, milhões de cidadãos nas redes sociais etc. acreditarem nessa possibilidade já é em si algo profundamente grave. Nem mesmo a Fox News, praticamente um canal oficial do governo americano de Trump, aliviou com Bolsonaro, lhe fez perguntas altamente inquietantes a respeito da sua proximidade com as milícias.
Nesse estado de coisas cabe perguntar: A manterem as coisas o curso que vem mantendo, qual será o nível de infelicidade do brasileiro no próximo levantamento? José
*Manoel Ferreira Gonçalves, engenheiro e presidente da FerroFrente
Fonte - Portogente   25/03/2019

sexta-feira, 8 de março de 2019

Pesquisa do IBGE mostra que mulher ganha menos em todas as ocupações

Desigualdade  👨 👩

As maiores proximidades de rendimento, ainda que não haja igualdade, ocorreram no caso dos professores do ensino fundamental, em que as mulheres recebiam apenas 9,5% menos que os homens, afirmou a analista da Coordenação de Trabalho do IBGE, Adriana Beringuy.Entretanto, estão na agricultura e nos comércios varejistas e atacadistas as maiores desigualdades salariais entre homens e mulheres. As mulheres agricultoras e as gerentes de comércios varejistas e atacadistas, recebem, respectivamente, 35,8% e 34% menos que os homens.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as mulheres ganham menos do que os homens em todas as ocupações selecionadas na pesquisa. Mesmo com uma queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos que os homens no país.
“As maiores proximidades de rendimento, ainda que não haja igualdade, ocorreram no caso dos professores do ensino fundamental, em que as mulheres recebiam apenas 9,5% menos que os homens”, afirmou a analista da Coordenação de Trabalho do IBGE, Adriana Beringuy.
Em seguida, destacam-se os dos trabalhadores de central de atendimento e de limpeza de interiores de edifícios, escritórios e outros estabelecimentos: as mulheres recebiam, respectivamente, 12,9% e 12,4% menos que os homens.
Entretanto, estão na agricultura e nos comércios varejistas e atacadistas as maiores desigualdades salariais entre homens e mulheres. As mulheres agricultoras e as gerentes de comércios varejistas e atacadistas, recebem, respectivamente, 35,8% e 34% menos que os homens.
O estudo do IBGE feito para o Dia Internacional da Mulher teve como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2018. Ele mostra que a diferença entre carga horária diária trabalhada de homens e mulheres vem diminuindo.
“Verificamos isso todos os anos, essa diferença já foi de seis horas. É uma característica do mercado de trabalho, uma vez que isso indica apenas as horas nesse setor”, disse Adriana Beringuy. Entretanto, este resultado se deu muito mais por conta de uma redução na carga horária de trabalho dos homens. Em 2012, a diferença era de 6h, mas caiu em 2018 para cerca de 4h48min.
Adriana ressalta, no entanto, que a jornada apresentada na pesquisa não reflete de fato o que a mulher trabalha em todo o seu dia. “A menor jornada da mulher no mercado de trabalho está associada às horas dedicadas a outras atividades, como os afazeres domésticos e os cuidados com pessoas”, afirmou.
Reflexos na participação da mulher no mercado
Hoje, as mulheres respondem por 43,8% dos 93 milhões de brasileiros ocupados. Na população acima de 14 anos, por exemplo, a proporção é diferente: 89,4 milhões (52,4%) são mulheres, enquanto 81,1 milhões (47,6%) são homens, constata o estudo.
Quando a comparação entre os rendimentos das mulheres e dos homens é feita de acordo com a ocupação, o estudo mostra que a desigualdade é disseminada no mercado de trabalho, embora varie de intensidade.
“A mulher acaba tendo participação maior na população desocupada e na população fora da força de trabalho. Temos muitas procurando trabalho ou na inatividade, ou seja, não procuram emprego, por inúmeras questões”, avalia Adriana.
Fonte - Agência Brasil  08/03/2019

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Desigualdades e incoerências brasileiras (1) - Matemática

Ponto de Vista/Pesquisa

Afinal, o estudo “Pesquisa no Brasil - Um relatório para a CAPES” aponta que a produção científica brasileira é feita quase exclusivamente dentro das instituições públicas de ensino. Há iniciativas isoladas de pesquisas de reconhecida qualidade no Brasil. Mas a distribuição delas é muito desigual. Entre os resultados das incoerências brasileiras estão péssima distribuição de renda, desmotivação nos estudos - e dos professores -, atração de jovens para organizações criminosas, baixas taxas de inovação e saúde precária.

Bruno Merlin* - Portogente
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Não há desenvolvimento de uma sociedade e melhora nos índices de educação, saúde e segurança (conforme clamou a população brasileira neste processo eleitoral) que não envolvam maciços investimentos financeiros e humanos em ciência, pesquisa e inovação. Trata-se de um problema crônico da gestão pública e, principalmente, da gestão privada nas universidades. Afinal, o estudo “Pesquisa no Brasil - Um relatório para a CAPES” aponta que a produção científica brasileira é feita quase exclusivamente dentro das instituições públicas de ensino. É, assim, um desafio para cada um dos habitantes deste território, e não apenas da classe política.
Há iniciativas isoladas de pesquisas de reconhecida qualidade no Brasil. Mas a distribuição delas é muito desigual. Podemos pegar o caso da Matemática. Em janeiro deste ano de 2018, o País teve aprovada a inclusão ao Grupo 5 da União Matemática Internacional. O Grupo reúne as nações mais desenvolvidas em pesquisa matemática e conta com outros dez integrantes, todos eles da elite econômica mundial: Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.
A aprovação ao Brasil é um prêmio à sofrida classe científica brasileira. São milhares de pesquisadores trabalhando para criar produções de qualidade nas principais universidades públicas do Brasil - e muitos deles, infelizmente, produzindo no exterior. No entanto, o acesso a essas universidades é uma missão espinhosa para milhões de habitantes das classes sociais mais pobres, de regiões menos desenvolvidas e com menor acesso à informação.
Enquanto a pesquisa matemática nas universidades brasileiras é bem vista ao redor do mundo, o precário ensino da disciplina nos ensinos fundamental e médio compromete a formação de cidadãos. A constatação não é minha, é do Programme for International Student Assessment (PISA). Na avaliação publicada em dezembro de 2016, 70,3% dos estudantes foram considerados abaixo do nível 2, "o mínimo necessário para que o aluno possa exercer plenamente sua cidadania".
Há, portanto, profissionais de gabarito, programas de qualidade e centros de pesquisa de excelência no Brasil. O que, todavia, ainda é muito pouco diante da desigualdade geral, "de tudo mesmo", que impera no País. Entre os resultados das incoerências brasileiras estão péssima distribuição de renda, desmotivação nos estudos - e dos professores -, atração de jovens para organizações criminosas, baixas taxas de inovação e saúde precária.
Deixo abaixo alguns links que comprovam os índices destacados neste texto, o primeiro de uma série sobre as incoerências e desigualdades que aprofundam a falta de competitividade do Brasil e a pobreza da maioria dos brasileiros. Eu não tenho e nem poderia ter a intenção de aprofundar o tema em uma só publicação. Conto com a colaboração dos colegas para disseminar o assunto e em prol de um mundo melhor e mais plural.
*Bruno Merlin é redator e jornalista especializado nos temas logístico, portuário e de infraestrutura. Graduado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), há dez anos colabora com o Portogente, além de publicar reportagens em outros veículos como Folha de S. Paulo, SBT/VTV e Revista Textilia. É sócio da Gávea Comunicação Inteligente e assessor de Comunicação da Interface Engenharia Aduaneira. Contato: brunomerlin@portogente.com.br
Fonte - Portogente  29/10/2018

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sete em cada dez brasileiros são contra privatizações, revela pesquisa

Privatizações 

Apenas 17% são a favor, e esse percentual cresce conforme a renda e a escolaridade aumentam, mas em nenhuma das segmentações chega a um terço da população.Enquanto nas classes AB, 27% das pessoas são favoráveis às privatizações, a aprovação da medida cai para 9% entre os representantes das classes DE.

Portogente
Profissionais protestam, na Esplanada dos Ministérios,
 em Brasília, contra venda da Eletrobrás.
foto - Sindicato dos Urbanitários do DF.
A maioria dos brasileiros (68%) é contra a venda de estatais de maneira geral, informa pesquisa da Ipsos em parceria com o professor Sérgio Lazzarini, do Insper. Apenas 17% são a favor, e esse percentual cresce conforme a renda e a escolaridade aumentam, mas em nenhuma das segmentações chega a um terço da população.
Enquanto nas classes AB, 27% das pessoas são favoráveis às privatizações, a aprovação da medida cai para 9% entre os representantes das classes DE. Entre os que concluíram ensino superior, 28% são a favor da venda de estatais. Já entre os que não frequentaram escola, esse número cai para 7%. Foram entrevistadas 1.200 pessoas em 72 municípios do país na primeira quinzena de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais.
O percentual de pessoas contrárias a privatizações é maior, embora oscile dentro da margem de erro, quando se discute a possibilidade de o Estado se desfazer de ícones da economia governamental como Petrobras (70%), Caixa Econômica Federal (71%) e Banco do Brasil (70%).


“Não é a primeira vez que dados de pesquisa mostram rejeição da opinião pública em relação a privatizações. O brasileiro é mais estatista e essa é uma agenda que terá relevância ao longo dessas eleições. Dado que o Estado brasileiro está com um elevado déficit, é certo que as privatizações serão uma alternativa aventada com o objetivo de minimizar ou equacionar esse desajuste, mas boa parte da população dá sinais de ser contra, especialmente se considerarmos Petrobras, Caixa e Banco do Brasil”, afirma Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs.
O especialista não acredita, no entanto, que a população vá em peso para as ruas se manifestar contra a venda de estatais, mas ressalta que os dados mostram que um candidato que defenda esse tipo de medida tem grandes chances de perder votos, especialmente nas camadas mais pobres.

Privatizações sob condições
A Ipsos também pesquisou a aprovação de privatizações para fins específicos. Um aumento nas respostas favoráveis à medida ocorre quando se sugere que os recursos serão usados “para custear programas sociais” (25%) e permitir “que pessoas em geral comprem pequenas participações acionárias” (23%).
“O estudo confirma uma acentuada preocupação com relação aos resultados dessas operações. Quando se coloca como condicionante da privatização o uso do dinheiro obtido ‘para abater a dívida pública ou cobrir gastos do governo’, o percentual favorável a desestatizações cai para 15% (dos 17% da pergunta feita de forma mais aberta)”, diz Lazzarini, do Insper.
Embora seja uma variação dentro da margem de erro, mostra que propostas de candidatos enfatizando as privatizações como forma de resolver problemas fiscais do Brasil têm pouco apelo popular, avalia o professor.
O apoio às privatizações de modo geral sobe para 28% quando se propõe que a venda das estatais seja acompanhada de medidas, lideradas por agências públicas, para garantir que os novos donos ‘não cobrem preços abusivos da população e ofereçam serviços de qualidade’.
“Esse resultado indica que um ponto de risco que parece sensibilizar mais a população é a possibilidade de o controle privado causar perda de bem-estar para a população. Visto de outra forma, indica que propostas de privatização deveriam ser seguidas de sugestões sobre como os serviços, sob controle privado, poderiam ser monitorados e regulados. Esse fato é particularmente preocupante no Brasil, dado que o aparato regulatório do País foi enfraquecido e aparelhado por diversos governos”, comenta Lazzarini.
Fonte - Portogente  29/08/2018

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ricos receberam 36 vezes acima do que ganharam os pobres em 2017,aponta IBGE

Desigualdade Social  👐

Os dados fazem parte da pesquisa Rendimento de todas as fontes 2017, divulgada hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).A publicação revela que a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita, em 2017, foi de R$ 263,1 bilhões. Deste total, os 10% da população com os maiores rendimentos ficavam com 43,3% do total. Os 10% menores rendimentos detinham apenas 0,7% da renda.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Em 2017, os ricos do país ganharam 36,1 vezes mais do que metade dos mais pobres. Este grupo 1% mais rico da população brasileira, em 2017, teve rendimento médio mensal de R$ 27.213. O valor representa, em média, 36,1 vezes mais do que metade do que receberam os mais pobres – cujo renda mensal foi de R$ 754 naquele ano. Em 2016, o grupo mais rico ganhava 36,3 vezes mais do que a média do rendimento de metade dos mais pobres.
Os dados fazem parte da pesquisa Rendimento de todas as fontes 2017, divulgada hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
A publicação revela que a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita, em 2017, foi de R$ 263,1 bilhões. Deste total, os 10% da população com os maiores rendimentos ficavam com 43,3% do total. Os 10% menores rendimentos detinham apenas 0,7% da renda.
Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, os números mostram que a desigualdade ainda é grande no país. "Vamos separar a população inteira, do mais baixo ao mais alto. Se você pega metade dela, verá que a média de rendimento médio dos 50% que ganham menos é de R$ 754, valor mais que 36 vezes menor do que o rendimento da população que ganha os maiores salários, e que chega a R$ 27.213. Os 10% com os maiores rendimentos chegam a deter 43% do total recebido”, afirmou.

Concentração
Na região Sudeste, a concentração de renda foi ainda maior. Nesta região, está a maior parcela da população e reúne rendimento médio mensal real do grupo de 1% mais ricos. No Sudeste, este grupo chegou a ter concentração 33,7 vezes superior ao rendimento médio mensal real de 50% da população com os menores rendimentos – em 2016 era de 36,3 vezes.
A região que apresentou a menor relação foi a Sul (25 vezes, em 2017 e 24,6 vezes em 2016). Em 2016, o número era 36,3 vezes maior.Também foi o Sul que teve a menor desigualdade com 25 vezes, em 2017 e 24,6 vezes em 2016.
O estudo do IBGE compara o rendimento da população do ponto de vista da distribuição por Grandes Regiões, tipo de rendimento, sexo, cor ou raça, nível de instrução, levando em consideração os indicadores de concentração de renda. Também são avaliados os programas de transferência de renda do governo federal.

foto - ilustração/Pinterest
Rendimento do trabalho
Os dados do IBGE indicam que, em 2017, as pessoas que tinham rendimento de todos os trabalhos correspondiam a 41,9% da população residente, o equivalente a 86,8 milhões de pessoas, percentual afetado pela crise econômica que afetou o país. Em 2016, o percentual chegava a 42,4% Em 2017, 24,1% dos residentes (50 milhões) possuíam algum rendimento proveniente de outras fontes. Em 2016 este percentual era menor: 49,3 milhões de pessoas tinham rendimento de outras fontes, o equivalente a 24% dos residentes.
O rendimento de outras fontes, mais frequente na população, vinha de aposentadoria ou pensão. Em 2017, 14,1% da população recebia por aposentadoria ou pensão; 2,4%, por pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador; 1,9%, por aluguel e arrendamento; enquanto 7,5% recebiam outros rendimentos, como seguro-desemprego, programas de transferência de renda do governo, rendimentos de poupança, valores similares aos de 2016.
Para o coordenador da Pnad Contínua, os números derrubam o mito de que principalmente nas regiões Norte e Nordeste, os programas de transferência renda respondem pela maior parte do rendimento das famílias.
“Isso não é verdade. Quando olhamos o país como um todo, observamos que 73,8% da composição do rendimento da família vem do trabalho, !9,4% de aposentadoria ou pensão e outros rendimentos como aluguel (2,4%), e o restante de pensões, doação de não morador.”
Com relação aos programas de transferência de renda do governo federal, a pesquisa constatou que o percentual das famílias brasileiras que recebiam o Bolsa Família caiu 0,6 ponto percentual entre 2016 e 2017, ao passar de 14,3%para 13,7%.
Segundo a pesquisa, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos domicílios que recebiam o Bolsa Família em 2017 foi de R$ 324, bem inferior ao rendimento médio mensal real domiciliar per capita dos que não recebiam, que era de R$ 1.489.
Os dados indicam que os maiores percentuais de famílias que recebiam algum tipo de benefício dos programas de transferência de renda do governo estavam localizados, no ano passado, nas regiões Norte e Nordeste, com respectivamente 25,8% e 28,4% dos domicílios.
Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC) era recebido por 3,3% dos domicílios do país, que tinham rendimento médio real domiciliar per capita de R$ 696 reais. As regiões Norte e Nordeste apresentaram os maiores percentuais (5,6% e 5,2%, respectivamente).

Desigualdade por cor, sexo e instrução
Os números da pesquisa Rendimento de todas as fontes 2017 mostram a continuidade de distorção histórica do mercado de trabalho do país: a desigualdade salarial entre homens e mulheres, cor e raça e por nível de escolaridade.
A pesquisa ratifica a persistência do salário maior para os homens do que para as mulheres. Enquanto o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos, no Brasil, foi de R$ 2.178; entre os homens, esta média chegou a R$ 2.410. Já para as mulheres, o rendimento médio mensal registrado foi de R$ 1.868, ou seja: o equivalente a 77,5% do rendimento masculino. Em 2016, essa proporção era ainda menor: 77,2%.
As regiões Nordeste e Norte, apesar de terem os menores valores de rendimento médio mensal real para ambos os sexos dentre todas as demais regiões, apresentaram as maiores proporções de rendimento das mulheres em relação aos homens: Isto é, as maiores taxas de proximidades.
No Nordeste, o salário da mulher equivalia a 84,5% do salário do homem em 2017, enquanto no Norte este percentual era de 87,9%. Em 2016, o salário da mulher equivalia a 88,4% do homem no Nordeste e a 89,2% no Norte.
A Região Sudeste, que registrou a segunda maior média salarial para as mulheres (R$ 2.053) e a maior para os homens (R$ 2.810), foi, paralelamente, a região onde as mulheres registraram a menor proporção do rendimento masculino (73,1% em 2017 ante 71,7% de 2016).
“O Brasil é um país bastante desiguais quando se leva em conta os cortes por sexo, cor e raça, nível de instrução e regiões distintas do país. “Nós somos praticamente cinco país em um só demonstrados pelo retrato de cada uma das cinco regiões”, afirmou o coordenador da pesquisa.
Do ponto de vista da cor e da raça, o IBGE constatou que o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas era, em 2017, de R$ 2.814, maior que os rendimentos observados para as pessoas pardas (R$ 1.606) e pretas (R$ 1.570).
As mulheres brancas apresentaram rendimentos 29,2% superiores à média nacional de R$.2 178, enquanto as pardas e pretas receberam rendimentos 26,3% e 27,9%, respectivamente, inferiores a essa média.
A mesma distorção foi observada quando a análise é feita sob o ponto de vista do grau de escolaridade, com o nível de instrução se mostrando indicador importante na determinação do rendimento médio mensal real de todos os trabalhos, apresentando uma relação positiva, ou seja: quanto maior o nível de instrução alcançado, maior o rendimento.
“As desigualdades pelos cortes de cor (preta ou parda em relação a Branca) chega a quase à metade. A diferença persiste porque há, no Brasil, como em outras partes do mundo, maior rendimento para aqueles que tem nível superior. Só que a participação de pessoas de cor de nível superior no Brasil é muito baixa”, acrescentou Azeredo.
Segundo o levantamento, as pessoas que não possuíam instrução apresentaram o menor rendimento médio: R$ 842. Por outro lado, o rendimento das pessoas com ensino fundamental completo ou equivalente foi 67,3% maior, chegando a R$ 1.409.
Por fim, aqueles que tinham ensino superior completo registraram rendimento médio aproximadamente 3 vezes maior que o daqueles que tinham somente o ensino médio completo e mais de 6 vezes o daqueles sem instrução.
Fonte - Agência Brasil  11/04/2018