UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM,EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
Mostrando postagens com marcador Floresta amazônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Floresta amazônica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Por falta de compromisso ambiental, assinar acordo com Brasil é algo 'nocivo', diz especialista

Meio ambiente/ecologia  🌱 🌴

A falta de "padrões ambientais rígidos" do Brasil dificulta a assinatura de acordos comerciais como do Mercosul com a União Europeia (UE), disse especialista em relações internacionais à Sputnik Brasil.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Sob a gestão de Jair Bolsonaro, o Brasil vem atingindo recordes de desmatamento na Amazônia desde o ano passado. A pressão de outros países e investidores internacionais tem feito integrantes do governo, como o vice-presidente Hamilton Mourão e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, prometerem baixar os índices e afirmarem que não é preciso derrubar floresta para expandir a agropecuária.
Mesmo assim, o embaixador da União Europeia (UE) no Brasil, Ignacio Ibáñez, disse em entrevista para a DW Brasil que não bastam declarações, é preciso mostrar dados concretos. No cargo desde julho de 2019, uma de suas principais missões é avançar o acordo comercial entre o Mercosul e a UE, assinado no ano passado, mas que para entrar em vigor precisa ser aprovado pelos governos dos países do bloco e por órgãos da União Europeia.
Segundo Tanguy Baghdadi, professor da Universidade Veiga de Almeida, o desrespeito do governo brasileiro ao meio ambiente pode dificultar ainda mais a concretização do pacto, assim como de qualquer acordo com outras nações ou blocos.

'Interesseira ou sincera, tanto faz'"Essa dificuldade pela qual o Brasil passa para colocar um acordo tão estratégico como esse com a União Europeia em vigor, é uma dificuldade que o Brasil pode ter com outros parceiros. Existe uma conscientização internacional acerca da importância da temática ambiental. A gente pode chamar ela de interesseira ou sincera, tanto faz, mas o fato é que assinar um acordo com um Estado como o Brasil, que tem a Amazônia, mas que não respeita padrões ambientais rígidos, de alto padrão, é considerado algo muito nocivo para quem participa de um acordo como esse", disse o especialista.
Baghdadi diz ainda que as negociações sobre o acordo Mercosul-UE já eram naturalmente complicadas, "mas a questão ambiental torna ainda mais difícil algo que já era bastante complicado".
Balanço divulgado no dia 5 de junho pelo sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostra um aumento de alertas de corte raso na Amazônia de 34% em maio em relação ao mês anterior. No período de agosto de 2019 a 28 de maio de 2020, os dados apontam uma área desmatada de 6.064 km², maior índice dos últimos anos e 78% superior do registrado no mesmo período entre 2018 e 2019.
No ano passado, Bolsonaro acabou demitindo Ricardo Galvão da diretoria do Inpe, após o presidente questionar números divulgados pelo instituto que apontavam um aumento das queimadas e do desmatamento. Segundo o chefe de Estado, ONGs estariam por trás das queimadas na Amazônia.

'Grupos que têm interesse no desmatamento'Para o professor de relações internacionais, Bolsonaro contribui para aumentar a desconfiança externa em relação às intenções do governo de impedir a destruição das florestas.
"São desconfianças que vem pelo fato do próprio Bolsonaro, como candidato ainda, falar sobre o apoio ao agronegócio, que naturalmente é um setor importantíssimo da economia, ninguém duvida, mas tem que haver um equilíbrio. A tendência do discurso do presidente como candidato, e depois de empossado, era de favorecimento de grupos que têm interesse no desmatamento", avaliou Baghdadi.
Para o especialista, "o papel do presidente deveria ser mais de mediador": entre a "necessidade de crescimento econômico e investimento na agricultura" e o "cuidado com o meio ambiente".
O analista disse ainda que a imagem ambiental do Brasil junto à comunidade internacional, que demorou décadas para ser recuperada, está sendo deteriorada rapidamente. Ele cita a organização da Rio-92 como um marco do compromisso do país em relação ao tema.

​'Pressão internacional é incontornável'"Foram décadas para tentar recuperar um pouco da imagem internacional do Brasil, é uma pena que a gente esteja vendo tão rapidamente uma deterioração dessa imagem", afirmou.
Segundo ele, "a pressão internacional é incontornável", seja de países, de empresas ou de consumidores, que se recusam a "consumir produtos feitos em países que não respeitam padrões" ambientais rígidos.
"Isso acaba fazendo com que as próprias empresas assumam esse discurso também.Todas as empresas atualmente têm a intenção de serem vistas como sustentáveis, verdes, que se importam com o meio ambiente. E nem estou falando de empresas absolutamente verdes, estou falando de empresas de exploração de petróleo, bastante poluidoras, mas que têm a intenção de serem vistas pelos consumidores como empresas que, muito embora atuem em ramos que sejam poluidores, agressivos ao meio ambiente, têm uma preocupação com o que fazer nesses cenários", afirmou Tanguy Baghdadi.
Fonte - Sputnik  23/07/2020

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Dia de Proteção às Florestas: combate ao desmatamento

Meio ambiente  🌱🌴

Com cerca de 500 milhões de hectares cobertos por florestas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o segundo país do mundo nesse quesito.Para lembrar da importância dessa vegetação é celebrado em 17 de julho o Dia de Proteção às Florestas. De acordo com o Greenpeace, a data foi escolhida porque no mesmo dia é lembrado o Dia do Curupira, personagem do folclore brasileiro que prega peças em criminosos que querem destruir o meio ambiente.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Data marca importância de ações concretas de preservação às florestas e manejo florestal surge como alternativa de proteção ambiental e desenvolvimento econômico e social
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), as florestas podem ser definidas como áreas “medindo mais de 0,5 hectares (ha) com árvores maiores que cinco metros de altura e cobertura de copa a 10% ou árvores capazes de alcançar estes parâmetros”.
Com cerca de 500 milhões de hectares cobertos por florestas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o segundo país do mundo nesse quesito.
Para lembrar da importância dessa vegetação é celebrado em 17 de julho o Dia de Proteção às Florestas. De acordo com o Greenpeace, a data foi escolhida porque no mesmo dia é lembrado o Dia do Curupira, personagem do folclore brasileiro que prega peças em criminosos que querem destruir o meio ambiente.
Dos 500 milhões de hectares de floresta brasileira, mais de 334 milhões são ocupados pela floresta amazônica. Por ser o maior bioma, consequentemente ele acaba sendo também o que mais sofre.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o último mês de junho teve o maior registro de alertas de desmatamento na Amazônia desde 2015, quando iniciou a série histórica desses dados. A área desmatada no mês foi de 1.034,4 km².
Nos seis primeiros meses de 2020, a Amazônia teve uma área de 3.069,57 km² devastada, segundo o INPE. Na comparação com o primeiro semestre do ano passado houve um aumento de 25% no desmatamento.
Uma das alternativas para a fiscalização e o combate ao desmatamento são as Unidades de Conservação (UC). Instituída pela Lei 9.985/2000, esses locais são definidos como um “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”.
O objetivo de uma UC é defender toda a biodiversidade de uma região contra a destruição ambiental e ainda oferecer que comunidades tradicionais possam realizar um uso sustentável para a própria subsistência.
De acordo com um estudo encomendado pela UzziPay, fintech ecológica que possui a proposta de conservar uma árvore a cada novo cliente, além das áreas de conservação públicas, existem as reservas legais privadas, que podem fazer o chamado “manejo florestal”.
Essa é uma atividade que permite a utilização de espécies vegetais maduras antes que elas morram. Isso permite que se abram espaços para que indivíduos em crescimento ocupem o espaço do mais velho, sendo que todo esse processo é realizado com princípios ecológicos e respeitando a capacidade de regeneração de cada floresta.
O manejo florestal é realizado a partir de um inventário florestal da área, que é submetido à análise e a aprovação do órgão estadual ambiental, que realiza o controle.
A UzziPay possui uma área de conservação de 700 hectares da Amazônia em Porto Velho (RO). Márcio Barnabé, Chief Marketing Officer da UzziPay, salienta que ações de proteção como essa são importantes para garantir a própria vida.
“Investimento e atitudes concretas contra o desmatamento e outras violências contra as florestas são fundamentais para a preservação. Várias pesquisas indicam que elas exercem um equilíbrio ecológico importante. O manejo florestal, inclusive, respeita o ecossistema local das florestas, realiza a proteção de todas as espécies e ainda pode trazer benefícios econômicos e sociais para as populações”, defende.
Na área conservada pela fintech existem espécies vegetais como angelim, tauari, embireira, maracatiaria, cedrorana, abiu e castanha-do-pará. O local também é a “casa” de diversas aves, mamíferos, repteis e peixes.

Benefícios da conservaçãoNesse sentido, as áreas de conservação são essenciais para garantir a proteção de um espaço contra depredação, exploração ilegal e degradação. A fiscalização dessa região pode ser realizada por solo, drone, voos tripulados e imagens de satélite.
Outro ponto interessante nas áreas de conservação é a possibilidade de geração de renda através do turismo, por exemplo. Esses locais podem ser abertos para visitação. Para permitir essas atividades é preciso, porém, realizar um controle como preparar trilhas, identificar as espécies vegetais com etiquetas, definir a identidade das pessoas que fazem a visita etc.
Por último, as áreas de conservação também são importantes no combate às queimadas. Segundo o INPE, o mês passado teve o maior número de queimadas na Amazônia para um mês de junho nos últimos 13 anos. Na comparação com junho de 2019 o aumento foi de 19,5%. De acordo com o Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) a principal causa das queimadas é a ação humana.
A UzziPay também apoia uma campanha de conscientização que estimula a denúncia de queimadas ilegais no Estado de Rondônia. O estado sofre anualmente nesse período do ano com o aumento de problemas respiratórios por causa da fuligem resultante do fogo que atinge a vegetação. Nesse momento de pandemia de Covid-19 (coronavírus), a preocupação com uma possível superlotação dos leitos médicos é ainda maior. A campanha está sendo coordenada e veiculada em todo o Estado de Rondônia pelo Grupo Sistema Imagem de Comunicação (SIC).
“Muitas vezes as ações criminosas fazem parte de um mesmo sistema, chamado de ‘ciclo de desmatamento’. Os criminosos fazem com que o fogo realize a limpeza das florestas para que esses espaços possam ser usados para atividades comerciais posteriormente. Por causa dos números que temos visto e da possibilidade de esgotamento do sistema público de saúde, as áreas de conservação são mais importantes do que nunca”, finaliza Márcio Barnabé.
Fonte - Portogente  17/07/2020

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Mesmo com mais desmatamento, Ibama pode perder verbas no Orçamento de 2021

Meio ambiente  🌱🌴🔥

A situação no Ibama já não é boa hoje. No Orçamento de 2020, o órgão conta com R$ 1,75 bilhão para todas as suas despesas — uma redução de 14,8% em relação aos R$ 2,05 bilhões de 2019.A falta de investimentos ao longo dos últimos anos se traduz, entre outros problemas, em falta de pessoal para tocar as fiscalizações: em 2010, a autarquia tinha 1.311 fiscais em atividade, número que caiu de forma contínua até atingir apenas 730 agentes no ano passado.

André Shalders,da BBC News Brasil/Portogente
foto - ilustração/arquivo
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) pode perder até 20% de seu orçamento no ano que vem, segundo aviso feito pela direção da autarquia a servidores do órgão. A possibilidade foi confirmada por mais de um funcionário do Ibama à reportagem da BBC News Brasil.
Na prática, o corte seria bem maior que 20% em despesas não-obrigatórias, como as ações de fiscalização. Verbas destinadas à folha de pagamentos de servidores são fixas e têm pouca margem para reduções.
A possibilidade de cortes começou a ser discutida agora porque o Executivo está se preparando para enviar o projeto de lei do Orçamento de 2021 ao Congresso. Conforme a Constituição de 1988, a Lei Orçamentária Anual (LOA) é enviada pelo Executivo ao Congresso até o dia 31 de agosto.
A situação no Ibama já não é boa hoje. No Orçamento de 2020, o órgão conta com R$ 1,75 bilhão para todas as suas despesas — uma redução de 14,8% em relação aos R$ 2,05 bilhões de 2019.
A falta de investimentos ao longo dos últimos anos se traduz, entre outros problemas, em falta de pessoal para tocar as fiscalizações: em 2010, a autarquia tinha 1.311 fiscais em atividade, número que caiu de forma contínua até atingir apenas 730 agentes no ano passado.
A discussão sobre mais um corte nas verbas do Ibama acontece num momento de aceleração no ritmo de queimadas e desmatamento na porção brasileira da floresta amazônica.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o mês de junho deste ano registrou 2.248 focos de incêndio no bioma — é o maior número desde 2007. É também um aumento de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram registrados 1.880 focos.

Garimpo ilegal na AmazôniaSegundo o sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe, foram 1.034 quilômetros quadrados de floresta devastados no mês passado: um aumento de 25% em relação a 2019.
No ano passado, o Brasil ganhou as manchetes no mundo graças ao aumento do desmatamento e das queimadas na região Norte do país.
Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso, o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP) lamentou a possibilidade de novos cortes no Ibama e disse que haverá resistência no Legislativo, a quem cabe aprovar a Lei Orçamentária Anual. “Com mais esse corte no ano que vem, a coisa ficará mais difícil ainda”, disse ele à BBC News Brasil.
“Uma parte das verbas do Ibama era composta por dinheiro que estava vindo de fundos específicos, e que acabaram sendo deixados de lado. Então o governo abandonou o Fundo Clima, (retirou do Ibama) o Fundo de multas (ambientais), acabou com o Fundo Nacional do Meio Ambiente, acabou com o Fundo Amazônia. Então essa outra fonte de custeio, que cobria coisas específicas, como a fiscalização, está sendo deixada de lado”, disse o deputado.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o governo brasileiro deixou parada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDEs) uma quantia de R$ 33 milhões do Fundo Amazônia, doada pelos governos da Noruega e da Alemanha. O dinheiro seria destinado ao Ibama e à Força Nacional, para ações de fiscalização na floresta. Em nota, o Ibama afirmou que pretende usar o saldo disponível até o fim do ano.
Nesta quinta-feira (09), o vice-presidente Hamilton Mourão disse que está mantendo conversas com alemães e noruegueses, que eram os principais doadores do Fundo Amazônia. Os dois países interromperam os repasses ao Fundo em agosto passado, no auge da crise das queimadas.
“Uma vez que a gente consiga apresentar dados consistentes, os recursos que estão lá serão novamente reabertos para os projetos relacionados ao desenvolvimento, proteção e preservação da Amazônia”, disse Mourão a jornalistas, no Palácio do Planalto.
A reportagem da BBC News Brasil procurou o Ibama para comentar a possibilidade de um novo corte no Orçamento de 2021, mas ainda não houve resposta.
Fonte - Portogente  15/07/2020

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Desmatamento aumenta as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, à medida que as emissões globais caem

Meio ambiente  🌳

Enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura.Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura, em comparação com os dados mais recentes de 2018, disse um novo estudo na quinta-feira, enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .
Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.
Globalmente, as emissões de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa mais prevalente, devem cair 7% este ano, de acordo com outro estudo publicado na revista Nature Climate Change esta semana. Essa seria a maior redução anual úica de emissões absolutas desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Ao contrário de grande parte do mundo, o Brasil obtém a grande maioria de sua energia de fontes renováveis, como barragens hidrelétricas e parques eólicos, e depende fortemente de biocombustíveis com menores emissões. Mas suas emissões de fontes como agricultura e desmatamento mais do que compensaram qualquer queda em outras áreas, segundo o estudo do Observatório do Clima.
“No total, a tendência é que as emissões de GEE em 2020 no Brasil aumentem”, afirmou o relatório.
“Isso ocorre porque a principal fonte de emissões, a mudança no uso da terra (44% das emissões em 2018), está crescendo devido ao aumento do desmatamento na Amazônia, que está avançando apesar da pandemia.”
O desmatamento na seção brasileira da Amazônia nos primeiros quatro meses do ano aumentou 55% em relação ao ano anterior, segundo dados preliminares do governo.
A Amazônia, 60% da qual está no Brasil, é a maior floresta tropical do mundo e absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa.
Na agricultura, o estudo destacou que o abate de gado desacelerou no Brasil em meio à crise, deixando mais vacas no campo onde continuam a arrotar metano, um potente gás de efeito estufa.
Fonte - Revista Amazônia  22/05/2020

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Supermercados britânicos ameaçam boicote ao Brasil por proposta de lei florestal

Sustentabilidade/Economia  🌳

A Sainsbury’s, a Tesco, a Morrisons e a Marks & Spencer (MKS.L) estavam entre as mais de 40 empresas que assinaram uma carta aberta pedindo ao legislador brasileiro que rejeite o projeto de lei. , apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.Os supermercados britânicos alertaram o Brasil  que eles poderiam boicotar seus produtos se os legisladores aprovassem uma lei controversa que poderia permitir uma destruição mais rápida da floresta amazônica.

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Os supermercados britânicos alertaram o Brasil de que eles poderiam boicotar seus produtos se os legisladores aprovassem uma lei controversa que poderia permitir uma destruição mais rápida da floresta amazônica.
A Sainsbury’s, a Tesco, a Morrisons e a Marks & Spencer (MKS.L) estavam entre as mais de 40 empresas que assinaram uma carta aberta pedindo ao legislador brasileiro que rejeite o projeto de lei. , apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.
A carta dizia que a lei incentivaria “mais apropriação de terras e desmatamento generalizado”, o que colocaria em risco a sobrevivência da Amazônia, os objetivos do Acordo de Paris de 2015 sobre as mudanças climáticas e os direitos das comunidades indígenas.
“Acreditamos que isso também colocaria em risco a capacidade de organizações como a nossa de continuar comprando no Brasil no futuro”, afirmou a carta.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse anteriormente que iria apresentar o projeto no plenário do Congresso na quarta-feira para uma possível votação.
Os colonos da Amazônia brasileira reivindicam há décadas terras públicas sem sanção oficial do governo, geralmente derrubando florestas para cultivar culturas de exportação como soja ou criar gado.
A proposta apresentada ao Congresso – conhecida como “regularização fundiária” pelo lobby da agricultura e “lei de especulação fundiária” por ambientalistas – facilitará para aqueles que se estabeleceram em terras públicas historicamente obterem obras por suas propriedades, sob certas circunstâncias.
Os defensores do projeto dizem que a titulação legal da terra é um passo essencial para forçar os proprietários a cumprir as leis ambientais para limitar o desmatamento na Amazônia.
Ambientalistas dizem que a lei recompensaria efetivamente os especuladores de terras pelo desmatamento ilegal maciço realizado no passado, enquanto abria as comportas para mais desmatamentos e assentamentos de terras públicas da floresta.
O Instituto de Pesquisa da Amazônia Imazon estima que o projeto acelere o desmatamento de 11.000 a 16.000 quilômetros quadrados (4.247-6.178 milhas quadradas).
Após intenso debate no Brasil, o projeto foi substancialmente diluído em relação ao original, incluindo a remoção de uma provisão para permitir que propriedades ocupadas mais recentemente solicitem ações.
No entanto, os signatários da carta, que incluem empresas do agronegócio e investidores, como o fundo de pensão sueco AP7 e a seguradora norueguesa Storebrand (STB.OL), disseram estar “profundamente preocupados” com o projeto de lei.
“Instamos o governo brasileiro a reconsiderar sua posição e esperamos continuar trabalhando com parceiros no Brasil para demonstrar que o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental não são mutuamente exclusivos”, dizia a carta.
Fonte - Revista Amazônia  20/05/2020

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Cientistas afirmam a descoberta de nova espécie de macaco na Amazônia

Ecologia  🐒

Nove anos após o encontro, em um artigo divulgado na publicação científica Primate Conservation, os pesquisadores comprovam que aquela era uma nova espécie, o Plecturocebus parecis, que recebeu o nome popular de zogue-zogue dos Parecis ou zogue-zogue-de-barba-branca.A nova espécie já está ameaçada de extinção porque sua distribuição geográfica está imersa no chamado “Arco do Desmatamento da Amazônia Brasileira”. “Em grande parte dessa região, a floresta foi convertida em pastagem e lavouras”.Ainda não existem projetos de preservação para salvar o zogue-zogue-da-barba-branca, mas um caminho foi aberto.

Revista Amazônia
Fotos - divulgação/Alberto Caldeiras


Em 2011, um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos ficou intrigado com um macaco encontrado na Chapada dos Parecis, próximo aos municípios Pimenta Bueno e Vilhena, no extremo sul de Rondônia.
Os cientistas sabiam que o animal fazia parte do gênero Plecturocebus, todavia, possuía características diferentes das demais espécies já descritas anteriormente. O macaco de Parecis tinha a barba branca e a pelagem das costas avermelhada.
Nove anos após o encontro, em um artigo divulgado na publicação científica Primate Conservation, os pesquisadores comprovam que aquela era uma nova espécie, o Plecturocebus parecis, que recebeu o nome popular de zogue-zogue dos Parecis ou zogue-zogue-de-barba-branca.
“Ao todo foram mais de 50 variáveis investigadas. Um pouco mais que aquelas utilizadas nas últimas descrições de novas espécies de zogue-zogue. A partir dessas investigações foi aceita a nossa hipótese de espécie nova e então, descrita cientificamente”, explica Almério Câmara Gusmão, aluno de doutorado da Universidade do Estado de Mato Grosso, professor do Centro Técnico Estadual de Educação Rural Abaitará (RO) e principal autor do estudo.

A barba-branca é uma das mais marcantes características da nova espécie
Atualmente 24 espécies do gênero Plecturocebus são conhecidas no mundo e 20 delas são encontradas no Brasil. Segundo Gusmão, a aparência do zogue-zogue-de-barba-branca é única entre seus pares.
Além das costas vermelhas e da barba esbranquiçada, as mãos e a ponta do rabo também são brancas. “Não há outra espécie de Plecturocebus com essas características. O estudo de genética foi fundamental para provar que se trata realmente de uma espécie nova. Os genes analisados foram mitocondriais e nucleares. A partir deles, foi possível construir a árvore filogenética e o teste de especiação”, explica.

As diferenças físicas entre o Plecturocebus parecis e espécies similares do mesmo gênero.
Apesar dos primeiros registros do zogue-zogue dos Parecis terem sido em Rondônia, depois foram feitas observações da espécie em Mato Grosso, nos municípios de Juína, Aripuanã e Cotriguaçu.
Infelizmente, de acordo com Gusmão, a nova espécie já está ameaçada de extinção porque sua distribuição geográfica está imersa no chamado “Arco do Desmatamento da Amazônia Brasileira”. “Em grande parte dessa região, a floresta foi convertida em pastagem e lavouras”.
Ainda não existem projetos de preservação para salvar o zogue-zogue-da-barba-branca, mas um caminho foi aberto. “Na verdade, o primeiro passo para que se crie alguma ação de conservação é a descrição científica, uma espécie de “certidão de nascimento”.
Fonte - Revista Amazônia  23/01/2020

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Árvore mais alta da Amazônia é 50% mais alta do que a recordista anterior

Meio ambiente  🌱🌴

Com 88 metros de altura, supera os recordes anteriores em quase 30 metros. E a árvore não está sozinha também. O Escudo das Guiana do nordeste da Amazônia, responsável por quase 9% das florestas tropicais remanescentes do mundo, pode conter muitas dessas árvores gigantescas.Com cada uma sendo capaz de armazenar tanto carbono quanto um hectare médio de floresta tropical, nossa descoberta significa que a vasta selva pode ser um sumidouro de carbono maior do que se pensava anteriormente.

Revista Amazônia
Divulgação/Revista Amazônia
Às vezes, mesmo as maiores maravilhas naturais podem permanecer escondidas da visão humana por séculos. A Amazônia é um lugar denso, cheio de vida, com novas espécies de flora e fauna sendo descobertas quase todos os dias.
Agora, usando a mesma tecnologia de carros sem motorista nós liderados por Eric Gorgens e Diego Armando da Silva, e juntamente com colegas do Brasil, Swansea, Oxford e Cambridge descobrimos a árvore mais alta da floresta tropical.
Com 88 metros de altura, supera os recordes anteriores em quase 30 metros. E a árvore não está sozinha também. O Escudo das Guiana do nordeste da Amazônia, responsável por quase 9% das florestas tropicais remanescentes do mundo, pode conter muitas dessas árvores gigantescas.
Com cada uma sendo capaz de armazenar tanto carbono quanto um hectare médio de floresta tropical, nossa descoberta significa que a vasta selva pode ser um sumidouro de carbono maior do que se pensava anteriormente.
Nós não tropeçamos por acaso nessas árvores enquanto passeávamos na floresta. Entre 2016 e 2018, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (INPE) coordenou um projeto para escanear a laser grandes áreas da Amazônia.
Este projeto digitalizou 850 áreas de floresta distribuídas aleatoriamente, cada uma com 12 km de comprimento e 300 m de largura. Sete desses trechos continham evidências de árvores com mais de 80 metros de altura. A maioria deles estava localizada na área ao redor do rio Jari, um afluente norte da Amazônia.
Ficamos surpresos com as alturas das árvores gigantescas relatadas pelas varreduras, então partimos em uma jornada para confirmar as descobertas com nossos próprios olhos, determinar suas espécies e, é claro, escalá-las.

A jornada
Partimos de barco de Laranjal do Jari, no nordeste do Brasil, em um calor úmido de 35 ℃. A primeira etapa de nossa jornada nos levou à vila de São Francisco do Iratapuru, uma comunidade que produz castanha do brasil sustentável. A comunidade forneceu quatro barcos e 12 pessoas para nos guiarem pelo rio e pela floresta densa e implacável.
Sem a assistência de especialistas, não teríamos superado os obstáculos que se seguiram – o primeiro dos quais foi a cachoeira de Itacará. Levamos o segundo dia inteiro para transportar os pesados ​​barcos de madeira e todo o nosso equipamento por terra acarpetada por vegetação densa para evitar a cachoeira.
Além de Itacará, o rio variou de 300 metros de largura e sereno a 30 metros de rochas e corredeiras. Ficamos aliviados ao ver que alguém havia embalado muitas hélices sobressalentes para os motores de popa no final da viagem, tínhamos usado cada uma delas.
A certa altura, nossa hélice atingiu uma rocha submersa e quebrou, deixando-nos sem poder ou direção, exatamente quando estávamos tentando forçar o nosso caminho rio acima através de uma seção de corredeiras.
Atravessamos o equador no terceiro dia e percorremos 70 km, antes de passar a maior parte do dia seguinte dentro do rio, com água até a cintura, transportando os barcos por oito quilômetros de corredeiras e rochas com cordas e mãos.
Depois de percorrer 240 km no total, finalmente chegamos ao acampamento base no sexto dia. Muitas das árvores altas ficavam bem perto do rio, para que pudéssemos visitá-las facilmente do nosso acampamento embora cortar a densa vegetação rasteira fosse um trabalho tão difícil que não tivemos tempo de visitar todos os locais-alvo revelados pelo dados do laser.
Passamos os próximos dias coletando amostras e medindo as árvores. O destaque foi o nosso alpinista, Fabiano, subindo diretamente nas árvores para medir sua altura à moda antiga – balançando uma corda do topo.
Encontramos pelo menos 15 árvores gigantes, todas com mais de 70 m de altura e algumas superando facilmente 80 m. Surpreendentemente, nessa diversa floresta tropical, todas essas árvores eram da mesma espécie Angelim vermelho (Dinizia excelsa). Esta espécie é comum na Amazônia, frequentemente usada para madeira devido à sua madeira forte, embora fedorenta. Anteriormente, pensava-se que crescia para apenas 60 m.
Ainda não sabemos como essas árvores conseguiram crescer muito mais. Como espécies pioneiras as primeiras a crescer em novas áreas ou lacunas na vegetação. É possível que tenham se aproveitado de alguma perturbação do passado que limpou parte da floresta, talvez causada por uma tempestade ou por habitação humana. O fato de terem sobrevivido por tanto tempo e crescido tão alto deve ser pelo menos em parte graças ao seu distanciamento absoluto das áreas urbanas e da indústria.

Colosso de carbono
A tecnologia de escaneamento a laser que permitiu essa e outras descobertas recentes de árvores gigantescas não é apenas um brinquedo para os amantes de árvores. Permite que os cientistas mapeiem a estrutura da floresta e o armazenamento de carbono com detalhes surpreendentes e em escalas sem precedentes, e assim avaliam melhor sua importância no ciclo global do carbono. Vários projetos também estão coletando dados repetidos, o que nos permitirá monitorar a mudança da saúde em florestas vitais como essas.
Nesse caso, nossa pesquisa sugere que o nordeste da Amazônia poderia armazenar muito mais carbono do que se pensava anteriormente. Cada angelim vermelho pode armazenar até 40 toneladas de carbono isso é o equivalente a entre 300 e 500 árvores menores, ocupando o espaço equivalente a 20 delas.
E, embora tenhamos visitado apenas 15 árvores, essa foi uma pequena proporção das árvores reveladas pelos dados da varredura a laser, que em si era coberto apenas por uma pequena proporção do Escudo da Guiana. Portanto, é provável que haja muito mais árvores gigantes por aí – e algumas podem ser ainda mais altas que a nossa recordista.
No atual clima político, há muitas razões para se preocupar com a Amazônia, mas ainda há espaço para admiração. O fato de que descobertas como essas ainda estão sendo feitas – mesmo enquanto partes da floresta estão sendo destruídas pela exploração madeireira, queima e expansão agrícola – demonstra o quanto ainda resta a aprender sobre esse incrível e misterioso ecossistema.
Infelizmente, é provável que muitas espécies desconhecidas na Amazônia sejam extintas antes mesmo de as descobrirmos. Devemos fazer todo o possível para proteger esta majestosa floresta tropical e os tesouros – conhecidos e desconhecidos – que ela contém.
Fonte - Revista Amazônia  16/09/2019

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Queimadas na Amazônia seguem rastro do desmatamento, mostra análise

Meio ambiente  🌱🔥

Não há fogo natural na Amazônia. O que há são pessoas que praticam queimadas, que podem piorar e virar incêndios na temporada de seca”, explica a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, uma das autoras da nota. “Mesmo em uma estiagem menos intensa do que em 2016, quando sofremos com um El Niño muito forte, o risco do fogo escapar é alto.”De 1º de janeiro a 14 de agosto, 32.728 focos foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Uma das hipóteses para explicar a alta em 2019 seria uma estiagem intensa, como registrada em 2016. Mas ela não se confirmou: apesar da seca, há mais umidade na Amazônia hoje do que havia nos últimos três anos.

Portogente
foto - ilustração/Inpe
O número de focos de calor registrados na Amazônia já é 60% mais alto do que o registrado nos últimos três anos. O pico tem relação com o desmatamento, e não com uma seca mais forte como poderia se supor, segundo nota técnica sobre a atual temporada de queimadas que o IPAM (Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia) divulgou nesta terça-feira, 20 de agosto.
De 1º de janeiro a 14 de agosto, 32.728 focos foram registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Uma das hipóteses para explicar a alta em 2019 seria uma estiagem intensa, como registrada em 2016. Mas ela não se confirmou: apesar da seca, há mais umidade na Amazônia hoje do que havia nos últimos três anos.
Se a seca não explica as queimadas atuais, a retomada da derrubada da floresta faz isso. O fogo é normalmente usado para limpar o terreno depois do desmatamento, e a relação entre os dois fatores é positiva em uma análise entre os focos de calor e o registro de derrubada feito pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD).
“Não há fogo natural na Amazônia. O que há são pessoas que praticam queimadas, que podem piorar e virar incêndios na temporada de seca”, explica a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, uma das autoras da nota. “Mesmo em uma estiagem menos intensa do que em 2016, quando sofremos com um El Niño muito forte, o risco do fogo escapar é alto.”
A fumaça desencadeia uma série de problemas respiratórios em quem mora na região, o que gera ainda gastos com saúde pública e prejuízos econômicos pela ausência de funcionários. No Acre, que a nota destaca como exemplo, os satélites já registraram 1.790 focos de calor, número 57% mais alto do que em 2018 e 23% mais alto do que em 2016, com cidades respirando uma quantidade de material particulado muito acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
“As consequências para a população são imensas. A poluição do ar causa doenças e o impacto econômico pode ser alto”, diz o pesquisador sênior do IPAM Paulo Moutinho. “Combater o desmatamento, que é um vetor das queimadas, e desestimular o uso do fogo para limpar o terreno são fundamentais para garantir a saúde das pessoas e das florestas.”
Fonte - Portogente  21/08/2019

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Floresta Amazônica com a carência de Fósforo fica mais sensível às mudanças do clima

Meio Ambiente  🌱

Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.

Por Rafael Garcia - Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Dentre os diversos fatores que influenciarão o modo como a Amazônia vai reagir às mudanças climáticas está a escassez do elemento fósforo na floresta. Esta foi a conclusão de um estudo que realizou simulações usando 14 modelos computacionais de vegetação para entender o que acontecerá com as árvores da região.
Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.
Calcular qual será a reação da cobertura vegetal com a mudança do clima é um dos pontos centrais para estimar o impacto do aquecimento global no Brasil. Uma possibilidade considerada pelos pesquisadores é a de que, submetida a estresse hídrico, a floresta tende a encolher, dando espaço para o avanço de uma vegetação mais típica de Cerrado.
A hipótese da “savanização”, como ficou conhecida, perdeu um pouco de força depois que alguns experimentos em regiões temperadas mostraram que plantas podem ser capazes de superar as dificuldades a serem impostas pela mudança climática. Apesar de as simulações preverem um ambiente mais inóspito para muitas espécies de árvores nas próximas décadas, a maior concentração de gás carbônico (CO2) no ar – uma das causas do aquecimento global – traz algo de bom para as espécies vegetais.
O carbono é um dos principais elementos com o qual as plantas constroem a si próprias, e uma concentração maior disponível na atmosfera poderia ajudá-las a crescer sem gastar muita energia.
Uma classe de experimentos chamada Free-Air Carbon Dioxide Enrichment (Face) indicou que, nas florestas de clima temperado, esse efeito benéfico do CO2 provavelmente vai ajudar árvores a se adaptarem ao novo clima que enfrentarão. Para saber se essa premissa é válida também para florestas tropicais, um consórcio internacional liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) planejou um experimento similar a ser realizado ao norte de Manaus.
A proposta do Amazon-Face consiste essencialmente em borrifar um grande volume de CO2 sobre algumas parcelas de floresta para estudar como as árvores ali reagem a uma maior concentração de carbono no ar. Ainda em fase de implementação, o experimento requer grande preparo, sobretudo o conhecimento de como a floresta se comporta em condições naturais.
Foi em busca de fatores que podem influenciar mais a reação da floresta à mudança climática que pesquisadores do projeto decidiram simular em computador a dinâmica do fluxo de carbono e nutrientes das árvores. No caso, computaram o ciclo de carbono, fósforo e nitrogênio para entender quais medições serão as mais importantes na futura interpretação dos experimentos.
Lapola conta que um experimento nos Estados Unidos verificou, nos primeiros anos após o aumento de CO2, um efeito positivo para as plantas. Mas depois disso o nitrogênio escasso no solo se tornou limitante, a despeito do carbono abundante. “É um bom exemplo do que pode acontecer na Amazônia com a falta de fósforo”, afirma.
Já se suspeitava que o fósforo, por ser escasso na maior parte da extensão de solo amazônico, seria uma peça fundamental no estudo. Ao longo das eras, as árvores da região superaram essa limitação, mas, com a velocidade da mudança climática, o tempo para o surgimento de novas adaptações evolutivas é curto.
“A ciência ainda sabe muito pouco sobre como as plantas da região fazem para burlar essa limitação de fósforo”, diz Lapola. “Muitas árvores em florestas tropicais – incluindo as da Amazônia – obtêm fósforo por meio de interação com fungos. A planta dá açúcar para o fungo, que fornece nutrientes para a planta. Mas não sabemos, por exemplo, se os fungos preservarão sua habilidade de desmineralizar fósforo do solo no contexto de mudança climática.”
Por ora, entram em cena as simulações de computador. Dos 14 modelos matemáticos usados pelos cientistas do Amazon-Face para esse estudo, três consideravam apenas o ciclo de carbono e cinco também levavam em conta o nitrogênio. Outros seis incluíam o fósforo. Quando comparados uns com os outros, os resultados indicaram que a escassez de fósforo dos solos amazônicos comprometeria em cerca de 50% a capacidade das árvores de absorver o carbono extra que estará no ar.
As simulações, contudo, apresentaram grande variação. Medindo a produtividade líquida das plantas em gramas (g) de carbono absorvidos por metro quadrado a cada ano e considerando um cenário de alta concentração de CO2 no ar, as árvores chegariam a um valor de cerca de 160 g. Quando a escassez de fósforo era considerada na equação, porém, esse valor caía. Alguns modelos indicaram uma queda pequena, para 142 g. Outros sugeriram uma queda drástica, para 16 gramas.
A incerteza contida no resultado da pesquisa, diz Lapola, é um incentivo a mais para os pesquisadores levarem adiante o experimento de grande escala do Amazon-Face. O fósforo deverá ser o fiel da balança na hora de determinar como a Amazônia vai reagir à crise do clima. Um aspecto do estudo do grupo de Lapola é indicar que, em um cenário de mudança climática, as árvores amazônicas teriam reduzida sua capacidade de transformar a energia da fotossíntese em biomassa.
“De maneira geral, embora isso não seja exatamente um resultado ruim para a floresta amazônica, é um resultado ruim para o clima global”, afirma Marcos Heil Costa, líder do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Os resultados sugerem que a floresta amazônica teria um papel menos importante para sequestrar o carbono emitido pela humanidade por meio da queima de combustíveis fósseis, dificultando cada vez mais estabilizar a concentração de CO2 atmosférico.”
Para Costa, os resultados do Face na Amazônia trariam grande contribuição para lidar com a questão da savanização, mas esta depende também de variáveis como o aumento da duração da estação seca, o total anual de chuvas e a frequência de incêndios, que não estão diretamente ligados à fisiologia das plantas.

Megaprojeto
O Amazon-Face começou em 2014 como um projeto estratégico articulado dentro do então Ministério da Ciência e Tecnologia. Em sua fase 1, antes da construção das primeiras torres de emissão de CO2, o programa teve apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FAPESP ajudou com auxílio à pesquisa do programa Jovem Pesquisador e um financiamento para mobilidade em colaboração com o Oak Ridge National Laboratory, que tem ampla experiência nesse tipo de experimento.
A estrutura do projeto em sua versão completa prevê a realização do experimento, que ainda não começou, em seis parcelas de floresta circulares, de 30 metros (m) de diâmetro. Em torno de cada uma delas, devem ser construídas 16 torres emissoras de CO2, cada uma com 30 m de altura. Todas são conectadas a um tanque de 50 toneladas de CO2 líquido que as abastecerá e permitirá aumentar a concentração de carbono da área.
Dentro de cada parcela uma torre com instrumentação científica realizará medições atmosféricas e de condições do solo. A concepção original do projeto previa um orçamento inicial de US$ 88 milhões. Com a crise econômica e o escasseamento das verbas federais de pesquisa em 2016, o Face atrasou.
Das seis torres de medição previstas, apenas duas foram construídas e produziram dados por três anos. As simulações descritas agora na Nature Geoscience são parte do projeto e vão subsidiar a análise de resultados mais tarde. O restante da infraestrutura ainda aguarda financiamento.
Um experimento menor que o grupo está realizando no local é testar a reação de árvores jovens, com até 3 m de altura, a um aumento na concentração de CO2. “Nós instalamos no sub-bosque algumas câmaras pequenas, que parecem estufas, com 3 m de altura, para estudar como as arvoretas reagem a um aumento de 50% na concentração de carbono”, conta Lapola. “É importante saber como elas vão se comportar também, porque essas são as árvores que, depois de crescer, dominam o dossel da floresta.”
Fonte - Revista Amazônia  06/08/2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Desmatamento cresce no Brasil em julho na Amazônia e ameaça acordo com a UE

Meio ambiente  🔥

O desmatamento na Floresta Amazônica do Brasil acelerou na primeira quinzena de julho, a uma taxa que supera os níveis alcançados no mesmo mês do ano passado, o que gera sinais de alerta para um acordo comercial regional com a União Europeia (UE).

Sputnik
foto 0 ilustração/arquivo
Mais de 1.000 quilômetros quadrados foram desmatados na selva nos primeiros 15 dias deste mês, um aumento de 68% em relação a julho de 2018, de acordo com dados preliminares de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (INPE).
O desmatamento em julho é o maior registrado em um mês calendário desde agosto de 2016 e segue os fortes aumentos anuais de maio e junho.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e os cientistas consideram sua proteção crítica para a luta contra a mudança climática. Ambientalistas acreditam que o crescente desmatamento no Brasil é culpa das políticas e da retórica do presidente Jair Bolsonaro em prol do desenvolvimento da Amazônia.
O gabinete do presidente e do Ministério do Meio Ambiente não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela Agência Reuters.
No mês passado, o Mercosul, do qual o Brasil faz parte, chegou a um acordo de livre comércio com a UE, que inclui compromissos ambientais. Esse acordo já enfrenta uma batalha que deve ser ratificada pelos Estados membros da UE, cujos produtores temem a concorrência do poderoso setor agrícola brasileiro, que argumenta que está sujeito a exigências ambientais menos rigorosas do que na Europa.
O Parlamento da Irlanda e o Ministério da Agricultura da Itália pediram que o acordo seja bloqueado.
Partidos verdes e agricultores podem aproveitar o crescente desmatamento no Brasil para reforçar seus argumentos contra a ratificação do acordo, declarou um diplomata europeu baseado no Brasil.
"Eu acho que é munição para eles, especialmente para os agricultores, mesmo que eles não se importem com a Amazônia", disse o diplomata, que não estava autorizado a falar com a mídia.
Ambientalistas alertam que o presidente Bolsonaro, que assumiu este ano, está encorajando os madeireiros, proprietários de terras e especuladores de terras brasileiras a destruir as florestas.
O líder de direita criticou as multas ambientais para os agricultores e pediu que as reservas indígenas e outras áreas protegidas sejam abertas para o desenvolvimento. O Ministério do Meio Ambiente criou uma agência com autoridade para tolerar os desmatadores.

Fonte - Sputinik  19/07/2019

sábado, 28 de abril de 2018

Deserto do Saara participa do regime de chuvas da Amazônia, a 5 mil km de distância

Ciência & Tecnologia  🌁

Apesar da distância, o deserto do norte da África e a floresta amazônica têm uma relação mais estreita do que senso comum nos leva a acreditar.Tão inesperado quanto esta ligação é o fato de ser o deserto que beneficia a mata, e não o contrário – sendo responsável pela maior parte das chuvas torrenciais que caem sobre a região, mantendo sua exuberância e biodiversidade. Além de enviar toneladas de nutrientes para sua vegetação, como o fósforo.

Revista Amazônia
foto - Divulgação, Nasa Earth Observatory, Nasa Goddard’s
 Visualization Studio
Pouco mais de 5,3 mil km e o Oceano Atlântico separam as cidades de Manaus (AM) e Nouakchott, a capital da Mauritânia, no deserto do Saara. Apesar da distância, o deserto do norte da África e a floresta amazônica têm uma relação mais estreita do que senso comum nos leva a acreditar.
Tão inesperado quanto esta ligação é o fato de ser o deserto que beneficia a mata, e não o contrário – sendo responsável pela maior parte das chuvas torrenciais que caem sobre a região, mantendo sua exuberância e biodiversidade. Além de enviar toneladas de nutrientes para sua vegetação, como o fósforo.
Os “núcleos de condensação”, a parte da nuvem em que o vapor de água se condensa, são formados, entre outros elementos, por partículas em suspensão no ar – poeira, por exemplo. No caso da floresta amazônica, uma parcela desses aerossóis é proveniente do Saara.
“Este fenômeno de transporte ocorre principalmente na parte norte da Amazônia, mas já foi registrado também na área central da região, como, por exemplo, ao sul de Manaus”, explica o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP).
Ele é um dos integrantes de uma equipe de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha que vem desenvolvendo, há uma década, um trabalho que levou à descoberta de que a poeira do deserto ajuda a formar nuvens sobre a Amazônia Central, onde se localiza Manaus, que são responsáveis por cerca de 80% das chuvas que caem na região.

 Reprodução/Google Maps
Mas como o deserto cria precipitações a milhares de quilômetros de distância?
Segundo Artaxo, o fenômeno ocorre todos os anos. Ele começa com as tempestades no Saara, que levantam toneladas de poeira e areia. Esse material é transportado de lá, por cima do Oceano Atlântico, até a floresta amazônica, numa distância mínima de pelo menos 5 mil km – entre a parte mais ocidental do deserto e Manaus. “Isso ocorre de fevereiro a maio, pois, nesta época, a chamada Zona de Convergência Intertropical (ITCZ, na sigla em inglês), fica ao sul de Manaus, favorecendo o transporte de massas de ar do hemisfério Norte para a Amazônia Central”, explica Artaxo.
Ele diz que, para que haja chuva, são necessários três ingredientes básicos: vapor de água, condições termodinâmicas ideais e as partículas que servirão de meio para que o vapor possa se condensar. “Os grãos de poeira do Saara, que também podem ser chamados de aerossóis, operam como uma destas partículas em que o vapor de água se condensa”, explica Artaxo, mencionando a hipótese mais aceita para a explicação do fenômeno.
“Ou seja, eles atuam como núcleos de condensação de gelo, fazendo com que gotas líquidas, ao atingirem altas altitudes e temperaturas menores que 10ºC negativos, congelem e formem gotas de gelo, que são eficientes no processo de formação de chuva na Amazônia.”
Artaxo conta que as medidas da concentração de partículas do Saara foram feitas na Amazon Tall Tower Observatory (ATTO), ou Torre Alta de Observação da Amazônia, com 325 metros altura, o equivalente a um prédio de 80 andares. Erguida na reserva ambiental do Uatumã, no município de São Sebastião do Uatumã, a cerca de 180 km de Manaus, é a maior torre de monitoramento ambiental e atmosférico do mundo. O objetivo dela é coletar dados sobre a interação entre a vegetação e atmosfera.

Teste químico
Para testar sua hipótese, os pesquisadores realizaram experimentos em laboratório. Parte das partículas coletadas na torre ATTO foi injetada em uma câmara, na qual é possível simular a formação das nuvens convectivas – nuvens com grandes altitudes verticais, que podem chegar a 15 km da base ao topo, responsáveis chuvas torrenciais e rápidas.
Segundo Artaxo, essa câmara reproduz as condições da atmosfera a até 18 km acima do solo, onde prevalecem as baixas pressões e temperaturas – de até 70ºC negativos. Na natureza, é num ambiente parecido que se formam as nuvens convectivas.
A certeza de que a poeira encontrada no local vem do Saara e não de um terreno próximo à torre é dada pela sua composição química, mais especificamente, pela presença e proporção de alguns elementos, como alumínio, manganês, ferro e silício. De acordo com Artaxo, a quantidade desses elementos nas partículas coletadas na Amazônia é igual a encontrada na poeira do Saara. “Além disso, há a correlação entre a presença desses aerossóis e o movimento das massas de ar”, diz. “Isso prova que eles vieram mesmo do deserto africano.”
Os cientistas ainda não têm 100% de certeza sobre o mecanismo pelo qual os aerossóis do Saara ajudam a formar as nuvens e, por consequência, as chuvas que caem torrencialmente na região. A hipótese mais provável é que o ferro, presente na poeira do deserto, pode funcionar como um suporte, sobre o qual o vapor d’água se condensa, formando núcleos de gelo, que depois se transformam em gotas de chuva.

Fertilizante natural
Não são apenas simples grãos de poeira, entretanto, que o Saara manda para a Amazônia.
Em 2015, a Nasa, a agência espacial americana, divulgou um estudo segundo o qual todos os anos o deserto envia, junto com o pó, 22 mil toneladas de fósforo, nutriente encontrado em fertilizantes comerciais e essencial para o crescimento da floresta. É quase a mesma quantidade que a mata produz, com a decomposição das árvores caídas e, em seguida, perde com as chuvas e inundações.
Segundo o levantamento da Nasa, todos os anos 182 milhões de toneladas de poeira – mais ou menos o equivalente a 690 mil de caminhões de areia – saem do Saara para as Américas do Sul e Central. Desse total, cerca de 28 milhões de toneladas – ou 105 mil caminhões – caem na Bacia Amazônica, e, junto com elas, o fósforo.
A poeira mais rica em fósforo vem da depressão de Bodélé, no Chade, que é um antigo leito de lago, hoje seco.
Devido a sua geografia, o local é atingido por constantes e gigantescas tempestades, que levantam a areia, que depois é transportado para o outro lado do Oceano Atlântico. A descoberta é parte de uma pesquisa maior para compreender o papel da poeira e dos aerossóis no meio ambiente, no clima local e global.
Os pesquisadores da equipe da qual Artaxo faz parte estão agora empenhados em descobrir se o aquecimento global pode interferir no fenômeno do transporte de poeira do Saara para a Amazônia e, consequentemente, na formação e no volume de chuva na região da floresta brasileira.
“Um dos efeitos do aquecimento global é mudar a dinâmica da atmosfera, e o transporte em larga escala”, diz. “Isso pode, sim, afetar o transporte de partículas do Saara para a Amazônia, pois toda a dinâmica atmosférica pode ser alterada”. Mas são necessários mais estudos para saber como isso ocorrerá.
A poeira também foi detectada pelo Ozone Mapping Profiling Suite (OMPS) em Suomi NPP. Os mapas abaixo mostram as concentrações relativas de partículas de aerossol em 31 de julho e 1-2 de agosto. Embora projetado para medir o ozônio na atmosfera, o OMPS reúne informações espectrales ultravioleta que revelam a presença de fumaça e poeira no ar. Baixas concentrações aparecem em amarelo, e maiores concentrações aparecem em laranja-marrom. Cada mapa inclui cerca de seis passes de satélite
Fonte - Revista Amazônia  28/04/2018

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Juiz federal suspende qualquer decreto sobre extinção da Renca na Amazônia

Meio ambiente  🌱

O magistrado atendeu a um pedido feito em ação popular aberta pelo cidadão Antônio Carlos Fernandes, segundo a qual a área de proteção não poderia ser extinta por meio de decreto, mas somente por projeto de lei, como previsto na legislação ambiental.Spanholo destacou que o Artigo 255 da Constituição determina que áreas de proteção ambiental, e expressamente as que fiquem na região da Floresta Amazônica, só podem ser modificadas por projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.

Felipe Pontes
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O juiz Rolando Spanholo, da 21ª Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão dos efeitos de “todo e qualquer ato administrativo tendente a extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca)”. A reserva foi extinta por decreto do governo federal no último dia 23 de agosto.
O magistrado atendeu a um pedido feito em ação popular aberta pelo cidadão Antônio Carlos Fernandes, segundo a qual a área de proteção não poderia ser extinta por meio de decreto, mas somente por projeto de lei, como previsto na legislação ambiental.
Spanholo destacou que o Artigo 255 da Constituição determina que áreas de proteção ambiental, e expressamente as que fiquem na região da Floresta Amazônica, só podem ser modificadas por projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.
Após descrever o texto constitucional, o juiz afirma que “o nosso Constituinte deixou expresso que, após outubro de 1988, somente lei em sentido formal poderá impor mudanças na forma de utilização dos recursos naturais”.
A decisão liminar do juiz foi proferida ontem (29), um dia depois de o governo federal anunciar que vai revogar o decreto da semana passada, para substituí-lo por um novo, mais detalhado, no qual pretende deixar claro não ser possível a exploração mineral em áreas indígenas ou outras áreas de conservação abarcadas pela Renca.
Para o juiz, o recuo anunciado “seria apenas pontual (para explicitar garantias contra o desmatamento em massa etc.), isto é, que estaria mantido o propósito central da medida impugnada pelo autor: a extinção da Renca por meio de simples ato administrativo, sem a observância da garantia constitucional”.
Por meio de comunicado enviado à imprensa, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai recorrer da decisão.

Repercussão negativa
A extinção da Renca por meio de decreto gerou questionamento de ambientalistas, celebridades, da população e da mídia internacional. "Vergonha! Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados", escreveu no Twitter a modelo brasileira Gisele Bündchen dias depois da edição do decreto. Até o momento, a mensagem recebeu 9,2 mil curtidas e 6,6 mil retuites.
A área de proteção foi criada em 1984 pelo governo de João Figueiredo, último presidente do período militar. Na ocasião, foi definida a proteção da área de 47 mil quilômetros quadrados (km²), incrustada em uma região entre os estados do Pará e do Amapá.
Desde então, a pesquisa mineral e a atividade econômica na área passaram a ser de responsabilidade da Companhia Brasileira de Recursos Minerais (CPRM – Serviço Geológico Brasileiro) ou de empresas autorizadas pela companhia. Além do cobre, estudos geológicos apontam a existência de ouro, manganês, ferro e outros minérios na área.
Fonte - Agência Brasil 30/08/2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Desmatamento na Amazônia foi sete vezes maior do que a área do RJ em 2016

Meio ambiente  🌿

São aproximadamente 40 mil espécies de plantas, mais de 400 de mamíferos e quase 1.300 de pássaros. Isso sem falar nos milhões de insetos.Segundo o Greenpeace, nos últimos 40 anos a floresta já perdeu 18% de sua área e, infelizmente, o número não para de subir. No final de 2016, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou relatório sobre o desmatamento na região. 

The Greenest Post - RA

É praticamente impossível não ficar admirado com a imponência da floresta Amazônica. Seja pelo alto, pela terra ou pela água, a gigante verde ainda impressiona com seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados. São aproximadamente 40 mil espécies de plantas, mais de 400 de mamíferos e quase 1.300 de pássaros. Isso sem falar nos milhões de insetos.
Entretanto, essa gigante da biodiversidade está correndo sérios riscos – e não é de hoje. Segundo o Greenpeace, nos últimos 40 anos a floresta já perdeu 18% de sua área e, infelizmente, o número não para de subir. No final de 2016, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou relatório sobre o desmatamento na região. O resultado foi o pior desde 2008, com aumento de 29% em relação a 2015.
A floresta perdeu 7.989 km² de área verde. Isso equivale a 1,14 milhão de campos de futebol. É sete vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro (1.255 km²) ou dez vezes a área de Nova York (789 km²). Foram 451 milhões de árvores derrubadas, o que corresponde à população de Brasil, Alemanha e Rússia juntas. Se cada uma dessas árvores fosse enfileirada, poderíamos ir e voltar da lua 23 vezes. E todo esse estrago em apenas um ano. Deu para sentir o tamanho do drama?
“O impacto do desmatamento é muito grande. É uma perda em termos de biodiversidade e recursos naturais. Você propicia processos de erosão. Os danos são muito grandes”, explica Leonardo Sobral, gerente de Certificação Florestal do Imaflora.
Em 2015, o Brasil assinou o Acordo de Paris, documento que visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E esse aumento no desmatamento preocupa os avanços do país com relação a isso, já que foram liberadas aproximadamente 586 milhões de toneladas de gás carbônico.
Fonte - Revista Amazônia  07/03/2017

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Mudanças climáticas: previsões alarmantes para a Amazônia

Meio Ambiente

Com base em dados atuais,cientistas preveem cenários catastróficos como a savanização da floresta.Modelos científicos preveem um aumento de 4°C na região e,se nada for feito,a Amazônia de 2080 terá um futuro catastrófico.Quatro graus célsius podem parecer pouco,mas essa temperatura é o começo de uma série de reações globais preocupantes. 

Isaac Guerreiro
Portal Amazônia

Arte - Felipe Rocha/Portal Amazônia
MANAUS - Conhecida pela biodiversidade e inúmeras fontes de água, o mundo todo olha para a Amazônia como um oásis em meio a tanto concreto e asfalto do mundo moderno. Entretanto, o uso desenfreado de recursos naturais tem causado mudanças climáticas alarmantes.
Modelos científicos preveem um aumento de 4°C na região e, se nada for feito, a Amazônia de 2080 terá um futuro catastrófico.
Quatro graus célsius podem parecer pouco, mas essa temperatura é o começo de uma série de reações globais preocupantes. De 1880 a 1980, o planeta teve um aumento da temperatura média de 0,75ºC. Esse aumento foi o suficiente para que muitas das catástrofes climáticas se tornassem mais intensas. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) aponta um cenário de secas e cheias mais potentes e frequentes para a Amazônia.

A história das mudanças climáticas
O cientista britânico John Tyndall descobriu em 1859 que alguns gases absorvem pouco calor em forma de raios solares e outros bem mais. Nos seus experimentos, ele percebeu que os gases que mais acumulavam calor eram metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), e vapor de água. De acordo com ele, graças ao vapor da água na atmosfera o planeta conseguia manter sua temperatura.

“Sem vapor d'água a superfície da terra rapidamente se tornaria um punho de gelo”. - John Tyndall.
Graças a essa descoberta, muito tempo depois foi possível descobrir as causas do aumento da temperatura no planeta. O feito aconteceu em 23 de junho de 1988, durante uma comissão organizada pelo senado dos Estados Unidos, que convocou vários cientistas para tentar explicar uma onda de calor que assolava o país na época.
James Hansen, climatólogo-chefe da Nasa, na época, explicou que os gases produzidos pela combustão de carvão, gás e petróleo [desde as épocas pré-industriais da humanidade] têm criado uma barreira para os raios de Sol refletidos pelo planeta terra. Dessa maneira, o calor que deveria voltar para o espaço é retido na nossa atmosfera, aumentando a temperatura do planeta.
Outros cientistas já tinham se preocupado com esse aumento da temperatura e os gases do efeito estufa, mas Hansen foi o primeiro a demonstrar com clareza o processo do fenômeno físico chamado "efeito estufa".
Arte - Felipe Rocha/Portal Amazônia
Em novembro de 1988, logo após a apresentação do relatório de James Hansen no Congresso Americano, a Organização das Nações Unidas apoiou a criação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. O IPCC tem como objetivo “analisar e avaliar a informação científica, técnica e socioeconômica mais recentes produzidas no mundo para a compreensão das alterações climáticas”.
Milhares de cientistas do mundo trabalham voluntariamente no IPCC para oferecer e apresentar dados relevantes que podem ser utilizados para a tomada de decisões governamentais e privadas em questões climáticas.
Três possíveis futuros da humanidade
De acordo com o o IPCC existem três grandes possíveis cenários para o futuro do Mundo. O primeiro deles é um cenário de crescimento econômico e populacional. O consumo e o crescimento populacional vão fazer com que cada vez mais gases do efeito estufa sejam jogados na atmosfera.

Esse é o pior cenário climático possível, segundo relatório
O segundo cenário é mais otimista. Com desenvolvimento econômico mais rápido, o crescimento populacional se torna igual em todo o mundo, até que a população global alcance um pico no meio do século e depois declina. Melhorias tecnológicas ocorrem para todas as fontes energéticas. Esse é o caminho entre economia e meio ambiente.
O melhor cenário é o terceiro onde o crescimento econômico e populacional diminui para o cumprimento de metas ambientais. Junto a isso, tecnologias energéticas mais eficientes fazem o mundo caminhar para um quadro de maior estabilidade climática.
Imagine agora esses três cenários possíveis para o mundo e para Amazônia. Em qual deles você iria se basear na hora de planejar sua vida, seus negócios, seu trabalho? Para o cientista Philip Fearnside, o meio termo não é a melhor maneira de governos e pessoas planejarem o futuro.
O Ph.D Philip Fearnside é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e ganhador do prêmio Nobel da Paz. Ele trabalhou toda sua vida no estudo da Amazônia e mudanças climáticas. Para o cientista, é preferível se precaver contra o pior.
“Se alguém que mora em um prédio de apartamentos perguntasse a um engenheiro se o edifício poderia ruir. Ele ficaria satisfeito com uma resposta de que é "provável" que o prédio permaneça em pé? Isso pode significar que há uma chance de 51% de que o edifício se mantenha em pé e uma chance de 49% de que caia ao chão. Certamente os moradores não se satisfariam com a segurança de apenas mais de 50%”, disse o pesquisador Philip Fearnside.

O pior dos cenários
O que aconteceria no pior dos cenários? Bom, nada muito agradável. A começar pelo aumento da temperatura. De acordo com o relatório do IPCC dentro do pior cenário, a região amazônica vai ter um aumento de 4ºC. Pode parecer pouco, mas essa temperatura é o começo de uma série de reações catastróficas.
As mundanças climáticas aumentam o número de ocorrência de situações extremas na região. Isso significa cheias e secas mais intensas. Longos períodos de alta temperatura e poucas chuvas matam árvores de sede. Enchentes também matam árvores que não são nativas de áreas de várzea e que são alcançadas pela água.
Outro fator previsto no relatório é o aumento da mortalidade de plantas e florestas causadas pelo fogo. Com quadros de calor extremos a suscetibilidade a incêndios na região é maior. O aumento no número de queimadas, a morte de árvores em períodos de secas mais prolongadas e cheias mais intensas criam um ciclo de destruição que tem como resultado final: a diminuição da área de floresta da Amazônia.
As árvores queimadas e em processo de decomposição produzem dióxido de carbono e metano, os dois principais gases causadores do efeito estufa. Isso cria um processo cíclico onde mais calor produz mais gases do efeito estufa, que gera mais calor no planeta.

Savanização da Amazônia
Em 2007, projeções do Centro Hadley, um instituto britânico de pesquisa do clima, apontou para um processo extremo de savanização da Amazônia. De acordo com a projeção na época haveria na região um clima mais seco e quente, típico do período em que ocorre o El Niño. Um clima do tipo “El Niño” frequente na região faria com que a floresta amazônica fosse substituída por uma vegetação do tipo savana até o final do século 21.
Felizmente, a projeção do Centro Hadley foi reavaliada e os fatores de savanização apontaram um cenário não tão catastrófico. Mas isso não pode ser motivo de comemoração. De acordo com Fearnside ainda é bastante preocupante o cenário de extremos pelo qual a floresta ainda vai passar. “Esses momentos de muita chuva e muita seca que os centros ainda projetam é que podem realmente prejudicar a floresta”.

Os peixes
O aumento da temperatura também pode ser sentida pelos animais. A pesquisa “Crescimento do tambaqui em cenários de mudanças climáticas” é um projeto do Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta) que coloca os peixes numa situação aproximada ao cenário proposto pela IPCC.
Os peixes foram colocados em um ambiente com temperatura mais elevada e concentrações maiores de dióxido de carbono. Para se adaptar a esse clima, os tambaquis ficaram menores, afetando diretamente o hormônio do crescimento da espécie. Peixes menores poderiam afetar negativamente as populações ribeirinhas, que tem esses peixes como base da alimentação.

O que é possível fazer
As pesquisas científicas projetam para o planeta esses três possíveis futuros. O aquecimento global é sobre o ser humano e a própria sobrevivência. Philip Fearnside afirma que o Brasil tem feito acordos de diminuição do desmatamento ilegal, e isso é ótimo. Mas os desmatamentos legais também são parte do problemas, quer queira ou não. Para ele, o ideal é que o desenvolvimento venha junto com práticas ambientais. “O pior dos cenários precisa ser levado em conta por causa do fator de risco, mas isso significa que não possa ser mudado."
O ser humano chegou aonde está devido ao consumo e combustão em excesso de fontes de carbono como carvão, petróleo, árvores e gás. Basta que pessoas e governos de todo o mundo tomem ações, sejam elas individuais ou não, para que esse pior cenário não aconteça. Mas no final, a pergunta que fica é: a Amazônia terá um futuro?
Fonte - Portal Amazônia  01/01/2016

terça-feira, 25 de agosto de 2015

sábado, 21 de março de 2015

Conciliar exploração e conservação é desafio para preservar a Floresta Amazônica

Meio Ambiente

Na Reserva Mamirauá, pesquisadores e ribeirinhos buscam a sustentabilidade da floresta Amazônica pelo manejo florestal.A floresta é o maior bioma do Brasil e tem grande importância na regulação climática e manutenção da água.

Michèlle Canes
Repórter da Agência Brasil 
(Tomaz Silva/Agência Brasil)Tomaz Silva/Agência Brasil
A conciliação entre a exploração e conservação é um dos desafios na busca pela preservação da Amazônia. No Dia Mundial da Floresta, comemorado hoje (21), a Agência Brasil ouviu especialistas sobre esses desafios. A floresta é o maior bioma do Brasil e tem grande importância na regulação climática e manutenção da água. Em 2004 foi registrado um pico de desmatamento e o governo brasileiro criou o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) com três eixos voltados para a preservação da floresta. Para os especialistas, o país tem avançado na redução do desmatamento mas ainda há muito a ser feito.
Segundo o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Marco Lentini, o eixo que mais avançou foi o de monitoramento, que propiciou redução em mais de 80% do desmatamento nos últimos dez anos. Para ele, o avanço foi um ganho importante, mas o problema não está controlado e ainda é preciso investir nas outras duas vertentes do plano: ordenamento de território e fomento às atividades de produção sustentável.
“Tem muita lição de casa para fazer com relação a ordenar o território amazônico para os melhores usos e incentivar a legalidade. Mas principalmente tem um longo caminho a se percorrer em projetos e iniciativas que valorizem a floresta”, explica Lentini que acredita que a destinação das terras não está sendo realizada da melhor maneira. Ele acrescenta que outro ponto importante é o respeito às comunidades tradicionais que vivem na região: “[É importante] reconhecer as comunidades tradicionais que estão tentando fazer uma produção florestal e agropecuária ecologicamente sustentável, criar uma estrutura onde a gestão de sustentabilidade a longo prazo seja priorizada”.
O diretor do Departamento de Políticas para Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Francisco Oliveira, explica que o antigo processo para a destinação de terra era moroso e, para acelera-lo, foi criada a Câmara Técnica de Destinação e Regularização de Terras Públicas Federais na Amazônia Legal. Cada órgão do governo apresenta uma possibilidade de uso das glebas públicas. Dos 44 milhões de hectares destinados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário aos trabalhos da Câmara, cerca de 20 milhões já tiveram uso definido sendo que 5,5 milhões foram dados ao MMA para a criação de unidades de conservação, por exemplo. Outros 12 milhões serviram para regularização fundiária. A destinação é um ponto importante também para evitar outro problema: a grilagem de terras. “No momento em que a gente destina esta terra, está acabando com aquele vazio de alguma forma e reduzindo o espaço daqueles que estão em busca de áreas para grilar”.
Com relação ao fomento de ações, Oliveira explica que o governo vem investindo, por exemplo, no Programa de Apoio à Conservação Ambiental Bolsa Verde, que atende cerca de 70 mil famílias que recebem R$ 300 para investir em ações sustentáveis. Outra medida citada por ele foi a definição de um valor mínimo para uma lista de produtos extraídos da floresta. “Ele [o pequeno produtor] era muito prejudicado pelos atravessadores. Quando você cria um preço mínimo para aquele produto, você tá buscando garantir que aquele produtor, ao vender o seu produto vai ter um mínimo”.
A exploração ilegal da madeira também é uma questão a ser resolvida na região. A qualidade e as propriedades das árvores da Amazônia atraem o mercado. A secretária-executiva do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC) Brasil, Fabíola Zerbini, acredita que é preciso investir ainda mais na fiscalização. “O sistema de rastreabilidade de madeira amazônica, o Documento de Origem Florestal (DOF), é muito bom, conceitual e metodologicamente. O problema é que ele não funciona porque ainda existe corrupção, existe muito uso indevido e não há fiscalização na ponta”.
Para os três especialistas ouvidos pela Agência Brasil um ponto é consensual: é preciso equilibrar produção e sustentabilidade. “Não caia no risco de deixar de usar a madeira da Amazônia achando que vai protegê-la porque, infelizmente vai acabar tendo efeito inverso. A gente vai ver mais e mais áreas convertidas para outros fins e a Amazônia indo embora”, diz Fabíola. Para Lentini, investir em treinamento e incentivos aos produtores e campanhas com a sociedade também é um caminho. “Convencer a sociedade a adquirir produtos que tenham origem legal, sustentável”. Francisco Oliveira também acredita nestas possibilidades e destaca que ao conhecer o uso dado à terra auxilia em melhores políticas públicas. “A gente tem o desafio de levar assistência técnica adequada ao desenvolvimento que se deseja para a Amazônia, para conciliar proteção e produção em base sustentável", conclui o diretor do MMA.
Fonte - Agência Brasil  21/03/2015

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Brasil é principal exemplo de sucesso na redução do desmatamento, aponta ONU

Meio Ambiente

De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento. “Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento”.

Danilo Macedo 
Repórter da Agência Brasil 

Um relatório divulgado hoje (5) na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, destacou o Brasil como exemplo de sucesso na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. Produzido pela Union of Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos, o documento intitulado Histórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento: Nações Tropicais Onde as Políticas de Proteção e Reflorestamento Deram Resultado traz um capítulo dedicado ao Brasil, apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo.
Dezesseis países da África, América Latina e Ásia também são citados como exemplos de sucesso na proteção às florestas. O relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990, com grande intensificação neste século, e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas. “As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes”, diz o documento.
De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento. “Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento”. O relatório avalia que a derrubada da floresta, “vista no século 20 como algo necessário para o desenvolvimento e uma reflexão do direito do Brasil de controlar seu território, passou a ser vista como uma destruição de recursos devastadora e exploradora daquilo que constituía o patrimônio de todos os brasileiros”.
O estudo destaca o papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica, iniciativas estaduais e a ação de promotores públicos de Justiça, “um braço independente do governo, separado do Poder Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pela violação da lei”. Também é citado o apoio internacional, como o acordo celebrado com a Noruega, que já repassou US$ 670 milhões em compensação pelas reduções das emissões. O documento é considerado de natureza não apenas financeira, mas também política e simbólica, mostrando o compromisso em apoiar os esforços dos países tropicais.
Em relação ao futuro, no entanto, o relatório informa que duas mudanças em 2013 levantaram dúvidas sobre a continuidade do sucesso do país na área climática: as emendas ao Código Florestal Brasileiro que anistiam desmatamentos anteriores e o aumento de 28% na taxa de desmatamento entre 2012-2013 na comparação com o período 2011-2012. A avaliação do documento é que ainda é muito cedo para prever se este crescimento será uma tendência, mas ressalta que, embora o desmatamento tenha aumentado 28% no ano passado, em relação a 2012, ele foi 9% menor ao registrado em 2011 e 70% inferior à media entre 1996 e 2005.
“O Brasil inscreveu seu plano para reduzir o desmatamento em 80% em 2020 na lei nacional, mas para que haja um progresso continuado será necessário redobrar os esforços para reduzir as emissões” afirma o documento. “Nesse meio tempo, a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra”, finaliza.
Fonte - Agência Brasil  05/06/2014