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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Desmatamento na Amazônia cai 31% de janeiro a maio

Meio ambiente - Ecologia  🌱🌳🌴

Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira (7), e coletados a partir do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), disponível na plataforma TerraBrasilis. Foram 1.986 quilômetros quadrados (km²) de área desmatada nos primeiros meses deste ano contra 2.867 km² de área desflorestada entre janeiro e maio de 2022.

Pedro Rafael Vilela 
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
O desmatamento caiu 31% na Amazônia Legal, no acumulado de janeiro a maio de 2023, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira (7), e coletados a partir do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), disponível na plataforma TerraBrasilis. Foram 1.986 quilômetros quadrados (km²) de área desmatada nos primeiros meses deste ano contra 2.867 km² de área desflorestada entre janeiro e maio de 2022. Esse número representa uma reversão da tendência de desmatamento, que chegou a aumentar 54% no segundo semestre do ano passado. "O governo atual recepcionou [da gestão anterior] o desmatamento em alta na Amazônia, em uma faixa bastante importante. O dado que o Deter acaba de disponibilizar representa uma queda de 10% no mês de maio, comparado com o mês de maio do ano anterior. No acumulado de janeiro a maio deste ano, uma queda de 31% no desmatamento", destacou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, em coletiva de imprensa para detalhar os números. O sistema Deter é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe, como forma de orientar o trabalho de fiscalização ambiental. Ele não costuma ser usado para analisar períodos curtos, como comparativos mês a mês, por causa da alta volatilidade da cobertura de nuvens. Segundo informações do MMA, a maior parte do desmatamento, cerca de 46%, ocorreu em imóveis rurais com um registro público no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em que o governo consegue identificar o responsável pela área, seja um proprietário ou posseiro em processo de regularização fundiária. Outros 21% da área desmatada foram em assentamentos rurais e 15% em áreas de florestas públicas não destinadas. Percentuais menores foram observados em unidades de conservação, terras indígenas e áreas de preservação permanente. Concentração De acordo com o governo federal, apenas 20 municípios da Amazônia Legal concentram 55% do desmatamento detectado de janeiro a maio. Lidera essa estatística o município de Feliz Natal (MT), com 8,8% do desmatamento, seguido de Apuí (AM) e Altamira (PA), com 6,8% e 4,9%, respectivamente. Ao todo, são oito municípios no Mato Grosso, seis no Amazonas, quatro no Pará, um em Rondônia e um em Roraima. Juntos, responderam por uma área desmatada de quase 2 mil km². "Uma boa parte do desmatamento da Amazônia é ilegal, não teve autorização", explica o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho. O trabalho da autarquia nesse período resultou na aplicação de mais de R$ 2 bilhões em multas, um aumento de 179% em relação ao ano passado.
Segundo o presidente do Ibama, foram emitidos 7.196 autos de infração e mais de 2,2 mil fazendas, glebas ou lotes rurais foram embargados, ou seja, tiveram sua atividade proibida. "Estamos embargando preferencialmente nos municípios prioritários de desmatamento. A fronteira de desmatamento na Amazônia é grande, vai de Rondônia, Acre, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso, além de Pará e Maranhão", acrescentou. Plano de combate Essa semana, o governo federal lançou a nova edição do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm), que vinha sendo discutido desde o início do ano e foi submetido a consulta pública em abril, com mais de 500 sugestões recebidas. O documento estabelece mais de 130 metas a serem alcançadas até 2027, incluindo embargo de áreas desmatadas, suspensão de cadastros irregulares, aplicação de multas, contratação de pessoal, aumento da fiscalização de áreas, regularização fundiária, entre outros. O plano inclui também metas para estimular atividades produtivas sustentáveis, como criação de selos de agricultura familiar e bioeconomia, programas de manejo florestal e ecológico, inventivo ao etnoturismo na Amazônia, entre outros. Também há previsão de criação de novas unidades de conservação, destinação de florestas públicas federais e regularização de povos e comunidades tradicionais. Enquanto o desmatamento na Amazônia dá sinais de estar sendo contido este ano, no Cerrado, o segundo maior bioma do país, a situação é bem oposta. Os dados do Deter divulgados nesta quarta mostram aumento de 35% no desmatamento de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Fonte - Agência Brasil 07/06/2023  


Desmatamento na Amazônia cai 31% de janeiro a maio - TerraBrasilis



quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Em 2022, Amazônia teve maior desmatamento em 15 anos, diz Imazon

Meio ambiente  🌳

Pelo monitoramento feito via satélite, 2022, que atingiu seu maior patamar desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Região Amazônica. Nos últimos 4 anos, a perda florestal na Amazônia foi de 35.193 km², segundo o Imazon. A área supera as de estados como Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²). O período coincide com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava desacreditar dados sobre o desmatamento.

Felipe Pontes
Repórter da Agência Brasil - Brasília
foto - arquivo Ag.Brasil
O desmatamento na Amazônia bateu novo recorde em 2022, ano em que a cobertura vegetal da floresta perdeu 10.573 km², o equivalente a quase 3 mil campos de futebol, segundo relatório divulgado hoje (18) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Pelo monitoramento feito via satélite, 2022, que atingiu seu maior patamar desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Região Amazônica. Nos últimos 4 anos, a perda florestal na Amazônia foi de 35.193 km², segundo o Imazon. A área supera as de estados como Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²). O período coincide com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava desacreditar dados sobre o desmatamento. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem prometido dar prioridade ao assunto. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem dado declarações sobre a preservação da floresta. Em uma das primeiras medidas, foi destravado o Fundo Amazônia, que conta com doações da Alemanha e Noruega para serem aplicados em ações de proteção ambiental. “Esperamos que esse tenha sido o último recorde de desmatamento reportado pelo nosso sistema de monitoramento por satélites, já que o novo governo tem prometido dar prioridade à proteção da Amazônia”, disse a pesquisadora Bianca Santos, da Imazon, no material divulgado nesta quarta-feira (18). O instituto destacou o salto de desmatamento registrado em dezembro, mês em que 287 km² de floresta foram derrubados, aumento de 150% em relação ao mesmo mês de 2021 (140 km²) e pior último mês do ano de toda série histórica. “No último mês do ano, houve uma corrida desenfreada para desmatar enquanto a porteira estava aberta para a boiada, para a especulação fundiária, para os garimpos ilegais e para o desmatamento em terras indígenas e unidades de conservação. Isso mostra o tamanho do desafio do novo governo”, disse Carlos Souza Jr, coordenador do monitoramento da Amazônia no instituto, no material de divulgação. Cerca de 80% da área desmatada em 2022 ficam em terras sob responsabilidade do governo federal (8.443 km²). Outros 11% de território destruído fica sob jurisdição dos governos estaduais (1.130 km²). Ainda de acordo com o relatório, o estado que mais desmatou em 2022 foi o Pará (3089 km²), seguido por Amazonas (2270 km²) e Mato Grosso (1228 km²). Todas as informações sobre o relatório de monitoramento do desmatamento da Amazônia pode ser encontrado no portal do Imazon.
Fonte - Agência Brasil 18/01/2023

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Governo revoga norma sobre exploração madeireira em terras indígenas

Meio Ambiente  🌳

Publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (16), a Instrução Normativa Conjunta nº 2, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).Segundo a Funai, a medida implementada no ano passado violava a Constituição Federal e o Estatuto do Índio, além de infringir tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil-Brasília
foto - Ascom Ministério da Defesa/Ag.Brasil
O governo federal revogou um ato administrativo da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro que regulamentava a exploração de madeira em terras indígenas, mas que não chegou a surtir efeitos pois, na prática, só começou a valer no último fim de semana. Publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (16), a Instrução Normativa Conjunta nº 2, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), anulou os efeitos da Instrução Normativa nº 12, que embora tenha sido publicada no dia 16 de dezembro, só entrou em vigor no domingo (15), 30 dias após a publicação. Segundo a Funai, a medida implementada no ano passado violava a Constituição Federal e o Estatuto do Índio, além de infringir tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Um desses tratados é a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que, entre outras coisas, prevê a consulta prévia às comunidades indígenas, que não vinha sendo cumprida, segundo órgãos federais. “As instituições [Funai e Ibama] decidiram pela revogação [da norma de dezembro] tendo em vista que violava artigos constitucionais, ofendia artigos do Estatuto do Índio e afrontava o princípio da consulta e consentimento prévio, livre e informado dos povos indígenas, estabelecido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho”, justificou a Funai, em nota. Ato revogado No mês passado, quando ainda estava subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o órgão indigenista justificou a edição da primeira instrução normativa assegurando que ela “estabelecia as diretrizes e os procedimentos para o manejo florestal sustentável em terras indígenas”. Na ocasião, a Funai informou, em nota, que a autorização para que organizações indígenas ou de composição mista desenvolvessem atividades extrativistas em áreas da União de usufruto exclusivo de diferentes povos indígenas permitiria a ampliação da “geração de renda” nas aldeias. A fundação também garantiu que a regulamentação do manejo sustentável nas áreas indígenas ajudaria a combater o desmatamento ilegal; que as comunidades seriam consultadas e que todo o processo de manejo seria devidamente fiscalizado. No final do ano passado, o Ministério Público Federal Ministério Público Federal (MPF) já havia questionado a norma, com abertura de um inquérito para investigar a exploração de madeira em terras indígenas. Na ocasião, o órgão deu dez dias para que Ibama e Funai detalhassem os estudos que serviram de base para autorizar o manejo florestal. Nova gestão Ontem, ao anunciar a revogação da norma que completava um mês, a Funai divulgou uma nova nota – já sob a gestão do governo Lula – em que afirma ter constatado que os povos indígenas afetados ou não vinham sendo consultados sobre os empreendimentos ou não tinham consentido com os projetos de manejo dos recursos naturais apresentados por organizações de composição mista. “Sendo assim, a Instrução Normativa [nº 12, de dezembro] descumpria compromisso internacional assumido pelo Estado brasileiro quando da assinatura da Convenção 169”, sustentou a Funai, acrescentando que a instrução normativa publicada no fim do governo Bolsonaro “feria frontalmente o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes” e “afrontava o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, ambos previstos na Constituição Federal. Em sua conta pessoal no Twitter, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, lembrou que, na prática, a instrução normativa que “facilita a exploração de recursos madeireiros em terras indígenas” entraria em vigor nesta segunda-feira, quando foi revogada. “Nosso compromisso é com a proteção das terras indígenas”, escreveu a ministra, referindo-se a atual gestão federal.
Fonte - Agência Brasil  17/01/2023

terça-feira, 27 de julho de 2021

Explosão do garimpo ilegal na Amazônia despeja 100 toneladas de mercúrio na região

Meio ambiente  🌴

Um volume estimado em 100 toneladas do metal neurotóxico foi utilizado em 2019 e 2020 para extrair ouro ilegalmente da região, de acordo com estimativas feitas com base em um levantamento oficial. Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça. Em levantamento produzido em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério Público Federal (MPF) detectou uma quantidade de 49 toneladas de ouro lavado (extraído ilegalmente,

Revista Amazônia
foto - divulgação
O incentivo ao garimpo ilegal promovido pelo Governo brasileiro nos últimos dois anos provocou uma enxurrada de mercúrio nas águas amazônicas. Um volume estimado em 100 toneladas do metal neurotóxico foi utilizado em 2019 e 2020 para extrair ouro ilegalmente da região, de acordo com estimativas feitas com base em um levantamento oficial. Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça. Em levantamento produzido em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério Público Federal (MPF) detectou uma quantidade de 49 toneladas de ouro lavado (extraído ilegalmente, mas documentado para parecer legalizado) com agentes comerciais que atuam na Amazônia obtido em colaboração com facções criminosas que invadem áreas protegidas em busca do metal precioso. A falsificação é feita com base em declarações fraudulentas de origem. Dessas 49 toneladas, 17 foram lavadas no Pará —especialmente na região do médio Tapajós, área onde vivem os indígenas da etnia Munduruku. O prejuízo socioambiental da região, segundo o MPF, chegou a 9,8 bilhões de reais. E o cálculo é de que a extração desse ouro foi responsável pelo desmatamento de 21.000 hectares de floresta —derrubada para a procura do metal. “Pela sua omissão na implementação de controles de certificação de origem e de rastreabilidade na cadeia de produção e circulação de ouro de garimpo, o Estado Brasileiro promove e é ele próprio responsável direto pelas ameaças e violências praticadas contra os povos indígenas, em especial o povo Munduruku”, ressalta o MPF, que recomendou uma série de medidas aos órgãos legais de controle, como a adoção pela Agência Nacional e Mineração de um sistema de certificação e rastreabilidade do ouro brasileiro. O mercúrio é um metal neurotóxico presente na natureza, mas o desmatamento, as queimadas e, principalmente, o garimpo liberam e aumentam sua concentração na atmosfera. Seus danos costumam ser graves e permanentes. Ele pode causar alterações diretas no sistema nervoso central, gerando problemas de ordem cognitiva e motora, perda de visão, além de implicações renais, cardíacas e no sistema reprodutor. Largamente usado no garimpo para separar o ouro de outros sedimentos não há controle oficial sobre a quantidade usada no Brasil, mas ambientalistas estimam que para cada grama de ouro extraído, 1,3 a 1,5 grama de mercúrio são usados. Existem no país ao menos 2.500 lavras ilegais, a maioria delas em terras indígenas. No vizinho Peru, que também compartilha a Amazônia, a quantidade usada do metal chega a 185 toneladas por ano, segundo dados fornecidos pelo WWF-Brasil. Usado e descartado sem controle, o metal acaba por contaminar rios, peixes e quem se alimenta deles. Segundo dados do Inventário Nacional de Emissões e Liberações de Mercúrio, publicado em 2018 pelo Ministério da Tecnologia, Ciência, Inovações e Comunicações, 70% do mercúrio usado no garimpo é emitido para a atmosfera e 30% para solos, água e rejeitos. A concentração de mercúrio costuma ser maior nos peixes em rios mais próximos a regiões de garimpo, mas também pode ser encontrada em maior ou menor grau em locais mais distantes. “Existe muito chute em relação à quantidade de mercúrio. Não sabemos com exatidão, mas podemos dizer, com certeza, que é muito”, aponta a bióloga Sandra Hacon, especialista em saúde pública da Fiocruz. “Mesmo que um garimpo seja desativado hoje, por ação policial ou de fiscalização, o mercúrio usado ali vai continuar contaminando. Ele não tem cheio nem cor. Não tem como mitigar isso”, explica Hacon. A partir desta semana, em parceria com a WWF-Brasil e o Centro de Innovación Científica Amazónica (CINCIA), a Fiocruz lança uma plataforma georreferenciada capaz de localizar lavras de garimpo, contaminação da fauna e presença do mercúrio em terras indígenas. O Observatório do Mercúrio também traz uma revisão sistemática da literatura científica sobre o tema de 1980 a 2021, com cerca de 200 artigos e pesquisas listadas. Mesmo em regiões sem mineração, como na bacia do rio Negro, no Amazonas, há incidência acima do normal. Pelo Observatório do Mercúrio, é possível perceber que se trata de um fenômeno integrado: as extensas lavras ilegais do Peru, da Bolívia e do Equador afetam diretamente regiões sem garimpo no Brasil. “Quanto menor a nanopartícula de mercúrio, maior a capacidade de transporte. Seja pelos rios, seja pela atmosfera, seja pela chuva”, completa a bióloga. Em muitas comunidades indígenas ou ribeirinhas de regiões amazônicas com garimpo, as concentrações em humanos já superam o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —de dois microgramas de mercúrio para cada grama de cabelo. A agência ambiental norte-americana, por sua vez, usa como parâmetro aceitável apenas um micrograma. A Fiocruz identificou comunidades indígenas Yanomami com medianas entre 3,2 e 15,5. “São concentrações alarmantes, diretamente ligadas à presença do garimpo”, explica Paulo Basta, pesquisador da Fiocruz e autor do estudo. Segundo o especialista em conservação do WWF-Brasil Marcelo Oliveira há uma relação direta entre os níveis crescentes de mercúrio na região e o avanço do garimpo e das queimadas em terras indígenas. “Tirar da invisibilidade os danos causados pelo mercúrio é essencial para aumentar a pressão social sobre medidas legais que interrompam esse ciclo”, diz. O problema, no entanto, não é exclusivo dos municípios do Norte do país. Segundo apontam os estudos reunidos na plataforma, a contaminação por mercúrio se espalha pela Amazônia Legal e atinge não só os rios amazônicos, mas também os rios Cuiabá e Paraguai, já na região norte do Pantanal. Segundo Oliveira, o grande benefício da plataforma é combinar 13 níveis diferentes de informação que, sobrepostos, permitem visualizar com precisão o problema causado pelo metal. Há desde georreferenciamento de rios e terras indígenas passando por informações sobre lavras registradas e ilegais em áreas protegidas, até as ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal contra garimpeiros irregulares. É possível visualizar, nos mapas disponíveis pela plataforma, extensas áreas de exploração mineral onde a demarcação da terra indígena é ignorada pelos garimpeiros. A terra indígena mais afetada é da etnia Munduruku, no médio Tapajós (PA), onde o Observatório do Mercúrio identificou 600 registros de garimpo legalizado ou com pedido de autorização de lavra na Agência Nacional de Mineração. Estão identificadas áreas contínuas de exploração em vários afluentes do Tapajós, como os rio das Tropas, Pacu, Kabitutu, Cadariri, Kaioruá e outras dezenas de igarapés. Ali, comunidades indígenas tentam preservar seus territórios da invasão e permanecer imunes à contaminação pelo mercúrio. Outra terra indígena bastante afetada pelo mercúrio é da etnia c, na fronteira do Amazonas com a Venezuela.

Perigo silencioso
A plataforma permite cruzar os dados geográficos do garimpo com estudos científicos que revelam o impacto do mercúrio nas populações e na fauna local, especialmente nos peixes usados como alimentação pelos indígenas e ribeirinhos. Os ícones de acesso aos artigos com a contaminação em humanos e animais são classificados por cores: quanto mais escuros, maior o nível de concentração de mercúrio nos organismos. A exploração das TIs é exclusiva das populações originárias, mas os projetos de lei 191 e 490, em tramitação no Congresso, pretendem liberar a exploração de ouro em territórios demarcados, alterar os critérios de demarcação e permitir a passagem de estradas, entre outras medidas —a iniciativa é defendida publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente diz que manter os índios isolados em suas terras é tratá-los como animais em zoológicos. Diante do discurso permissivo do próprio Governo federal, a estratégia dos garimpeiros, segundo o especialista do WWF-Brasil, tem sido pedir permissão de lavra garimpeira (PLG) antes mesmo da aprovação da lei, como forma de pressionar pela mudança. O usufruto das terras indígenas demarcadas é garantido pelo Estatuto do Índio a 66 territórios que abrigam cerca de 70.000 pessoas em toda a Amazônia. O PL 490 foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no final de junho, numa votação marcada por agressões às manifestações contrárias ao projeto do lado de fora do Congresso. Com a liberação da CCJ, o PL já pode ser votado nem Plenário. “A questão se agrava com o acúmulo desse metal ao longo dos anos por quem se alimenta frequentemente dos peixes com algum teor de contaminação, ainda que baixa. O organismo humano, pela frequência da ingestão, não tem tempo suficiente para eliminar o metal, como acontece com quem ingere peixe com algum teor de mercúrio apenas de vez em quando”, explica Paulo Basta. Outro item da pesquisa de Basta encontrou altas concentrações de mercúrio em quatro a cada 10 crianças menores de cinco anos nas regiões Yanomami. Segundo estudos, indígenas da etnia consomem, em média, cerca de 70 gramas de peixe por dia. O pescado é a principal proteína animal consumida por eles. Ainda que seja difícil mensurar os danos causados pelo mercúrio no corpo humano, há evidências de seu potencial tóxico. “O mercúrio, ao ser absorvido, afeta diretamente o sistema nervoso central. E, nas crianças menores de cinco anos, isso é particularmente mais preocupante porque o cérebro ainda está em desenvolvimento”, explica Basta.
Fonte - Revista Amazônia  27/07/2021

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Justiça manda parar obra da Linha 2-Verde do Metrô de SP

Transportes sobre trilhos  🚇

As obras preveem o desmatamento de mais de 300 árvores que pertencem à região conhecida como "Complexo Rapadura". A decisão do Juiz José Eduardo Cordeiro Rocha, de 17 de dezembro, atende ao pedido do Ministério Público

R7
foto - ilustração/Pregopontocom
O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) determinou que o Metrô paralise as obras de expansão da Linha 2-Verde no Jardim Têxtil, na zona leste da capital. As obras preveem o desmatamento de mais de 300 árvores que pertencem à região conhecida como "Complexo Rapadura". A decisão do Juiz José Eduardo Cordeiro Rocha, de 17 de dezembro, atende ao pedido do Ministério Público. De acordo com o TJ-SP, "se faz o resguardo da fauna e da flora do local, além dos achados arqueológicos, mencionados na inicial, razão pela qual determino à Companhia do Metropolitano de São Paulo que se abstenha de realizar qualquer movimentação de terra na área do 'Complexo Rapadura' ou mesmo o corte de árvores." O Ministério Público paulista alega que "tentou resolver a questão da presente ação de forma amigável e que inclusive havia reunião agendada com a parte contrária para tratar do assunto, mas que foi adiada". Diante de tal cenário, o caso foi levado à Justiça. O TJ-SP também agendou uma audiência virtual de tentativa de conciliação para o dia 4 de fevereiro, às 14h.
Fonte - Revista Ferroviária  12/01/2021

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Economista: desmatamento e agressividade ideológica cobrarão preço alto do Brasil

Ponto de Vista/Meio ambiente  🌱🔍

O ano que se encerra foi marcado por muitas trocas de farpas e declarações nada amistosas entre o governo brasileiro e parceiros importantes como a China, membros da União Europeia e o presidente eleito dos Estados Unidos, gerando preocupações sobre as consequências dessas polêmicas para o Brasil. Ao longo de 2020, esses embates variaram principalmente entre conflitos ideológicos e diferenças de visão sobre a questão ambiental, sem dúvidas, um dos pontos mais sensíveis para a política externa.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
A degradação ambiental e a cruzada ideológica do governo brasileiro, responsáveis por inúmeras tensões internacionais em 2020, deverão impactar de maneira ainda mais significativa a economia do Brasil em 2021, acredita economista ouvido pela Sputnik. O ano que se encerra foi marcado por muitas trocas de farpas e declarações nada amistosas entre o governo brasileiro e parceiros importantes como a China, membros da União Europeia e o presidente eleito dos Estados Unidos, gerando preocupações sobre as consequências dessas polêmicas para o Brasil. Ao longo de 2020, esses embates variaram principalmente entre conflitos ideológicos e diferenças de visão sobre a questão ambiental, sem dúvidas, um dos pontos mais sensíveis para a política externa. Considerando as muitas perdas sofridas pelo Brasil e pelo mundo por conta da pandemia da COVID-19 e a necessidade de uma sólida recuperação em 2021, que impactos esses imbróglios poderão ter sobre a economia brasileira no próximo ano? ​Para o economista Fábio Sobral, professor da Universidade Federal do Ceará, as polêmicas iniciadas sobretudo pelo grupo mais próximo do presidente Jair Bolsonaro — quando não por ele mesmo — não apenas têm o potencial de provocar revezes para o Brasil como já estão provocando. Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista cita as recentes decisões da China de aumentar a importação de soja da Argentina e de comprar também da Tanzânia como uma estratégia para reduzir a dependência da soja brasileira, já pensando na possibilidade de as constantes tensões políticas provocadas em Brasília atrapalharem o fornecimento de matéria-prima para o mercado chinês. "Também do ponto de vista da carne, ela tem investido para uma maciça produção de carne suína na Argentina, no norte da Argentina, com a construção de imensas fazendas de criação de porcos, de suínos. Então, na agropecuária, nós podemos esperar uma concorrência intensa com a soja brasileira e com a carne brasileira. E esses investimentos que poderiam ter vindo para a agropecuária brasileira se dirigem para outras regiões." Além da agropecuária, Sobral aponta que Pequim também faz movimentos para fortalecer parcerias com outros países no setor industrial. E, muito provavelmente por conta dos sinais de instabilidade na relação bilateral enviados pelo governo brasileiro, o Brasil está sendo colocado um pouco de lado nessa nova onda de investimentos chineses. ​Fora a China, preocupa também o futuro dos laços brasileiros com a União Europeia e com os Estados Unidos de Joe Biden, cuja vitória na eleição presidencial americana gerou incômodos visíveis em Brasília, a ponto de Bolsonaro ser o último a parabenizá-lo entre os líderes do G20. No caso europeu, já há um boicote, como destaca o professor, à soja brasileira não certificada, que deve ser estendido também para a certificada, uma vez que a UE se prepara para adotar uma postura cada vez mais rígida em relação ao aumento do desmatamento no Brasil. No que diz respeito aos EUA, levando em conta as posições adotadas por Biden, a expectativa é a de que o governo americano promova grandes pressões políticas sobre a administração Bolsonaro para que esta possa se adequar às tendências de combate à degradação ambiental. "O tema ambiental é um dos que mais afeta para a área da União Europeia e dos Estados Unidos. Então, é uma área significativa. Mas, para a China, o que mais afeta é a forma agressiva com que o governo Bolsonaro tem se inserido naquele país, naquele parceiro comercial." Em resumo, de acordo com o especialista, o Brasil deverá sofrer com pressões internacionais a partir de dois motivos distintos: "O da área ambiental, o outro por uma escolha ideológica do governo em parecer medieval ou então retornar aos tempos da Guerra Fria como se o Brasil pudesse ser um ator decisivo e determinante nas pressões sobre a China", avalia o economista. Para uma economia que sofre com a desaceleração, o desemprego e com muitas incertezas, é relevante, segundo Sobral, não apenas o que o Brasil pode perder por suas escolhas equivocadas mas, principalmente, o que pode deixar de ganhar. "Então, nós deixamos de ganhar investimento, mais adiante, nós deixaremos de ter acesso a mercados e, o pior, isso será, mesmo que o governo Bolsonaro saia, difícil de ser revertido no curto prazo."
Fonte - Sputnik  25/12/2020

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Desmatamento da Amazônia sobe 9,5% e atinge 11 mil km2

Meio ambiente  🌱

Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia são os estados mais atingidos. A área equivale a quase duas vezes o Distrito Federal (5.802 km2). A área desmatada foi 9,5% maior do que os 10.129 km2 registrados em igual período anterior, entre agosto de 2018 e julho de 2019, informou o Inpe. Trata-se da quarta alta consecutiva. 

Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
O desmatamento na Amazônia foi de 11.088 quilômetros quadrados (km2) entre agosto de 2019 e julho de 2020, divulgou hoje (30) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A área equivale a quase duas vezes o Distrito Federal (5.802 km2). O número, divulgado durante visita do vice-presidente Hamilton Mourão à sede do Inpe em São José dos Campos (SP), é uma estimativa do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema do Estado brasileiro que monitora a Amazônia. "São dados auditados, que tem por trás deles um trabalho muito intenso", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, também presente ao anúncio. A área desmatada foi 9,5% maior do que os 10.129 km2 registrados em igual período anterior, entre agosto de 2018 e julho de 2019, informou o Inpe. Trata-se da quarta alta consecutiva. Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, disse que a atuação das Forças Armadas no combate ao problema neste ano começou tardiamente, em maio, mas que ainda assim foi capaz de reduzir um aumento ainda mais intenso, que era esperado na casa dos 20%. "Nao estamos aqui para comemorar nada disso, que isso não é para comemorar, mas significa que os esforços que estão sendo empreendidos começam a render frutos", disse o vice-presidente. Ele frisou que 85% do desmatamento ocorre em quatro estados (Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia). "Temos consciência de qual é a área que devemos atuar", afirmou.
Fonte - Agência Brasil  30/11/2020

terça-feira, 2 de junho de 2020

Destruição da natureza expõe ser humano a doenças e epidemias

Ponto de Vista/Sustentabilidade  🌴

De acordo com o fundador e presidente da ONG SaveCerrado, Paulo Bellonia, quando o homem destrói uma floresta para abrir terras, constrói barragens ou elimina a biodiversidade de forma desenfreada, acaba desencadeando problemas que podem afetá-lo diretamente.As mudanças climáticas, causadas pelo desmatamento humano, também exercem seu papel no surgimento de novas doenças, segundo cientistas. 

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Especialistas destacam a importância de preservar o ecossistema para reduzir as chances de contato com males ainda desconhecidos
O novo coronavírus já matou mais de 16 mil pessoas no Brasil e, apesar de vacinas para sua cura ainda estarem em fases iniciais de testes, ecologistas defendem que vírus como estes podem ser evitados, se a população tiver mais conscientização ambiental.
De acordo com o fundador e presidente da ONG SaveCerrado, Paulo Bellonia, quando o homem destrói uma floresta para abrir terras, constrói barragens ou elimina a biodiversidade de forma desenfreada, acaba desencadeando problemas que podem afetá-lo diretamente. “Agora, estamos entrando mais em contato com patógenos de animais silvestres quando alteramos seu habitat, em um contexto pior para nós: a densidade populacional dos seres humanos é muito mais alta, e estamos muito mais conectados, o que favorece o espalhamento da doença.”, completa Bellonia.
As mudanças climáticas, causadas pelo desmatamento humano, também exercem seu papel no surgimento de novas doenças, segundo cientistas. “Há outras maneiras pelas quais nossas atividades humanas podem facilitar o surgimento ou transmissão de doenças, como o desmatamento, isso não pode ser ignorado”, alerta o fundador da SaveCerrado.
Como contribuir com a preservação?
Agora que todas as nações estão sofrendo os impactos causados por um único vírus, Paulo acredita que muitas pessoas estão abrindo suas mentes e enxergando além de sua própria rotina nas cidades. “Defender o equilíbrio do ecossistema é preservar a saúde e o bem-estar humano. Tudo está inserido dentro de um importante ciclo”, alerta. Por isso, fundou a SaveCerrado, uma ONG que atua exclusivamente no Cerrado, bioma com uma das maiores riquezas de biodiversidade do planeta.
“Nossas ações estão relacionadas com áreas específicas e de altíssima relevância de preservação para a sociedade brasileira e mundial, tanto pela abundância das águas quanto pelo fato de se tratar de um hotspot, tudo com total transparência de onde exatamente os recursos estão sendo aplicados”, informa. Hotspots são áreas com grande biodiversidade, ricas principalmente em espécies endêmicas, e que apresentam alto grau de ameaça. Elas se concentram em apenas 2,3% da superfície do planeta e detém cerca de 60% de patrimônio biológico do mundo.
Durante a pandemia, a SaveCerrado iniciou uma campanha que vai destinar parte dos recursos captados às entidades e projetos que estejam atuando no combate aos impactos sociais da doença.
Fonte - Portogente  02/05/2020

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Desmatamento aumenta as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, à medida que as emissões globais caem

Meio ambiente  🌳

Enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura.Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura, em comparação com os dados mais recentes de 2018, disse um novo estudo na quinta-feira, enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .
Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.
Globalmente, as emissões de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa mais prevalente, devem cair 7% este ano, de acordo com outro estudo publicado na revista Nature Climate Change esta semana. Essa seria a maior redução anual úica de emissões absolutas desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Ao contrário de grande parte do mundo, o Brasil obtém a grande maioria de sua energia de fontes renováveis, como barragens hidrelétricas e parques eólicos, e depende fortemente de biocombustíveis com menores emissões. Mas suas emissões de fontes como agricultura e desmatamento mais do que compensaram qualquer queda em outras áreas, segundo o estudo do Observatório do Clima.
“No total, a tendência é que as emissões de GEE em 2020 no Brasil aumentem”, afirmou o relatório.
“Isso ocorre porque a principal fonte de emissões, a mudança no uso da terra (44% das emissões em 2018), está crescendo devido ao aumento do desmatamento na Amazônia, que está avançando apesar da pandemia.”
O desmatamento na seção brasileira da Amazônia nos primeiros quatro meses do ano aumentou 55% em relação ao ano anterior, segundo dados preliminares do governo.
A Amazônia, 60% da qual está no Brasil, é a maior floresta tropical do mundo e absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa.
Na agricultura, o estudo destacou que o abate de gado desacelerou no Brasil em meio à crise, deixando mais vacas no campo onde continuam a arrotar metano, um potente gás de efeito estufa.
Fonte - Revista Amazônia  22/05/2020

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Desmatamento está entre principais causas de surtos de doenças infecciosas

Sustentabilidade/Meio ambiente 🌱 🌴

O desmatamento, somado à expansão desordenada das áreas urbanas, faz com que os animais migrem para as cidades.As mudanças de uso da terra, geradas principalmente pelo desmatamento, monocultura, pecuária em grande escala e mineração, estão entre as principais causas de surtos de doenças infecciosas em humanos e pelo surgimento de novas doenças no continente americano. Essa é uma das conclusões apontadas no Relatório de Biodiversidade da ONU, que analisou mais de 15 mil pesquisas científicas e informações governamentais durante três anos.

Portogente
foto - ilustração/Ag.Brasil
Sem as áreas naturais, insetos se proliferam com mais facilidade e migram para as regiões urbanas. Nas últimas três décadas, a presença de doenças transmitidas por mosquitos dobrou no Brasil
As mudanças de uso da terra, geradas principalmente pelo desmatamento, monocultura, pecuária em grande escala e mineração, estão entre as principais causas de surtos de doenças infecciosas em humanos e pelo surgimento de novas doenças no continente americano. Essa é uma das conclusões apontadas no Relatório de Biodiversidade da ONU, que analisou mais de 15 mil pesquisas científicas e informações governamentais durante três anos.
“Os bens e serviços fornecidos pela natureza são os fundamentos definitivos da vida e da saúde das pessoas. A qualidade do ambiente em que vivemos desempenha papel essencial na nossa saúde. Em ambiente natural, com florestas intactas, mamíferos, répteis, aves e insetos se autorregulam. O desmatamento, somado à expansão desordenada das áreas urbanas, faz com que os animais migrem para as cidades. No caso dos mosquitos, que são vetores de muitas doenças, a crise climática e o aumento da temperatura também trouxeram condições favoráveis à reprodução desses indivíduos. Nas cidades, eles passam a se alimentar também do sangue das pessoas, favorecendo a transmissão de enfermidades”, explica a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.
Nessa linha, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) reconheceram que a biodiversidade e a saúde humana estão fortemente interligadas e, durante a COP-13, em 2016, recomendaram uma série de ações. Segundo a OMS, ao menos 50% da população mundial corre o risco de contaminação por doenças transmitidas por mosquitos, chamadas de arboviroses. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que o número de arboviroses tenha dobrado nas últimas três décadas. Algumas delas, como malária, dengue, febre amarela e zika, já causaram surtos em áreas urbanas.
Doutora em Ciências Florestais, Leide destaca ainda que a conservação do patrimônio natural é importante para o controle de outras doenças, especialmente as mentais. O contato com a natureza é capaz de diminuir a ansiedade e o estresse, contribuindo com o bem-estar da população. “A natureza nos fornece água, ar puro, alimentos e outros recursos essenciais para o nosso dia a dia. Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio para que as pessoas aproveitem esses recursos de forma responsável, sem prejudicar a fauna e a flora e sem colocar as próximas gerações em risco”, afirma Leide, que também é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
Fonte - Portogente  21/10/2019

terça-feira, 30 de julho de 2019

O desastre ambiental brasileiro

Ponto de Vista  🔍 🌱

O posicionamento de Patrick Alley,diretor da ONG inglesa Global Witness,demonstra de forma muito contundente o que a maioria dos brasileiros já sabe: não temos controle sobre o uso adequado do patrimônio natural para, ao mesmo tempo, garantir a sua proteção. Também é informação que não surpreende quem acompanha as incontáveis circunstâncias de aviltamento aos direitos humanos que se repetem sistematicamente, em especial na região Amazônica. Mas, o exacerbamento dessa falta de controle, motivado pela atual gestão, superou quaisquer limites.

Clóvis Borges* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Em entrevista recente, o diretor da ONG inglesa Global Witness, Patrick Alley, afirmou que a "proteção ambiental do Brasil está indo para o precipício". A declaração retrata como a imagem de nosso país está se deteriorando frente às perturbadoras investidas políticas encadeadas a partir da nova gestão federal.
O posicionamento de Alley demonstra de forma muito contundente o que a maioria dos brasileiros já sabe: não temos controle sobre o uso adequado do patrimônio natural para, ao mesmo tempo, garantir a sua proteção. Também é informação que não surpreende quem acompanha as incontáveis circunstâncias de aviltamento aos direitos humanos que se repetem sistematicamente, em especial na região Amazônica. Mas, o exacerbamento dessa falta de controle, motivado pela atual gestão, superou quaisquer limites.
Ao mesmo tempo em que diferentes atores estrangeiros rapidamente avançam para caracterizar o Brasil como um dos países mais relapsos em relação às questões voltadas ao meio ambiente, onde o desmatamento e a degradação ambiental são fatores preponderantes, uma discussão complexa se desenrola entre embaixadas da Noruega e da Alemanha com o atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Trata-se da tentativa de "salvar" o Fundo Amazônia. E que parece longe de alguma alternativa que atenda os interesses, explicitamente divergentes, das partes envolvidas. São recursos de grande monta, superiores a 1 bilhão de dólares, aportados a fundo perdido por países como Alemanha e Noruega para garantir maior controle do desmatamento ilegal na Amazônia e promover o desenvolvimento sustentável da região. Recursos que podem ser, simplesmente, dispensados pela atual gestão pública federal.
No complexo cenário vivido atualmente no Brasil, há bastante dificuldade em se buscar uma explanação confiável sobre as reais intenções do nosso governo nessas discussões sobre o Fundo Amazônia. Em primeiro lugar, pelo fato de que os pronunciamentos retrógrados sobre os temas globais mais relevantes na área ambiental, como o combate à mudança climática e a perda de biodiversidade, já exaustivamente externalizados pelos ministros das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, deixam evidenciada uma lamentável e radical dissonância da administração pública com as principais agendas que preocupam seriamente outros países.
Mas também deve-se levar em conta que os recursos do Fundo Amazônia são aplicados justamente na coibição de irregularidades que, ao que tudo indica, não faz parte das intenções de nossos atuais gestores públicos. Ao contrário, há evidentes movimentos de libertinagem a partir do enfraquecimento proposital da condição, já extremamente depauperada, dos órgãos ambientais responsáveis pelo controle e fiscalização ambiental.
Soa lógica a intenção de desvio de finalidade desses recursos defendida pelo atual ministro Salles, o que coaduna perfeitamente com falas do presidente da República aos líderes do agronegócio, afirmando que a sua gestão "não causará constrangimento aos que quiserem trabalhar".
Talvez o jogo de forças para determinar o futuro desse inédito esforço voltado à proteção da natureza no Brasil já esteja tendendo a um encadeamento previsível. Se países que aportam recursos para sustentar forças de controle contra a destruição da natureza são uma linha de atuação que a gestão Bolsonaro faz questão de afirmar não apoiar, qual poderá ser uma solução a esse impasse que atenda os interesses que as partes, antagonicamente, defendem?
O sistemático ataque às organizações do terceiro setor em prática no Brasil complementa a busca pela maior flexibilização a ações ilegais na Amazônia e, também, no restante do território. São projetos executados em parceria por essas organizações que, em grande parte, amparam e dão melhores condições de trabalho aos órgãos públicos de meio ambiente, historicamente limitados em contingente, equipamentos, recursos e proteção contra pressões políticas. Além disso, mais de 60% dos recursos do Fundo Amazônia são destinados ao governo, em âmbito federal e estadual, e os outros 40% são divididos entre entidades do terceiro setor e universidades.
Exemplo muito relevante de uma situação ainda mais grave em termos econômicos diz respeito ao anunciado acordo entre Mercosul e União Europeia. Desde o anúncio, muitos países europeus já endureceram suas posições. Não existe um caminho do meio nesse tipo de discussão. Ou seja, caso seja verdadeira a determinação desses países em realizar uma pressão econômica para que busquemos por aqui uma condição mínima de respeito ao uso e proteção ao patrimônio natural, devem ser cobradas atitudes concretas de parte do Brasil. Uma vez que são eles que compram, em enormes proporções, as commodities brasileiras.
É preciso pensar em medidas que, no curto prazo, possam reverter o cenário de profunda desconfiança já comprovada pelas intenções singulares de representantes do poder público federal. Chegamos a uma situação de tamanha gravidade em relação aos desmandos na área ambiental, postulados praticamente todos os dias, que movimentos menos contundentes de parte de quem efetivamente tem condições de impor uma postura de compromisso com uma agenda coerente e responsável com o patrimônio natural nacional serão absolutamente ineficazes.
Ao que tudo indica, a administração federal apenas declinará de seus desatinos absurdos contra o meio ambiente a partir de imposições de ordem econômica internacional e em grande escala.

Posições que revertam a conduta desviada dos maiores responsáveis por essas atitudes – os influentes setores da iniciativa privada que sustentam o desmanche da política ambiental do país.
* Clóvis Borges é diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), integrante do Observatório Justiça e Conservação e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)
Fonte - Portogente  30/07/2019

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Desmatamento cresce no Brasil em julho na Amazônia e ameaça acordo com a UE

Meio ambiente  🔥

O desmatamento na Floresta Amazônica do Brasil acelerou na primeira quinzena de julho, a uma taxa que supera os níveis alcançados no mesmo mês do ano passado, o que gera sinais de alerta para um acordo comercial regional com a União Europeia (UE).

Sputnik
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Mais de 1.000 quilômetros quadrados foram desmatados na selva nos primeiros 15 dias deste mês, um aumento de 68% em relação a julho de 2018, de acordo com dados preliminares de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (INPE).
O desmatamento em julho é o maior registrado em um mês calendário desde agosto de 2016 e segue os fortes aumentos anuais de maio e junho.
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e os cientistas consideram sua proteção crítica para a luta contra a mudança climática. Ambientalistas acreditam que o crescente desmatamento no Brasil é culpa das políticas e da retórica do presidente Jair Bolsonaro em prol do desenvolvimento da Amazônia.
O gabinete do presidente e do Ministério do Meio Ambiente não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela Agência Reuters.
No mês passado, o Mercosul, do qual o Brasil faz parte, chegou a um acordo de livre comércio com a UE, que inclui compromissos ambientais. Esse acordo já enfrenta uma batalha que deve ser ratificada pelos Estados membros da UE, cujos produtores temem a concorrência do poderoso setor agrícola brasileiro, que argumenta que está sujeito a exigências ambientais menos rigorosas do que na Europa.
O Parlamento da Irlanda e o Ministério da Agricultura da Itália pediram que o acordo seja bloqueado.
Partidos verdes e agricultores podem aproveitar o crescente desmatamento no Brasil para reforçar seus argumentos contra a ratificação do acordo, declarou um diplomata europeu baseado no Brasil.
"Eu acho que é munição para eles, especialmente para os agricultores, mesmo que eles não se importem com a Amazônia", disse o diplomata, que não estava autorizado a falar com a mídia.
Ambientalistas alertam que o presidente Bolsonaro, que assumiu este ano, está encorajando os madeireiros, proprietários de terras e especuladores de terras brasileiras a destruir as florestas.
O líder de direita criticou as multas ambientais para os agricultores e pediu que as reservas indígenas e outras áreas protegidas sejam abertas para o desenvolvimento. O Ministério do Meio Ambiente criou uma agência com autoridade para tolerar os desmatadores.

Fonte - Sputinik  19/07/2019

terça-feira, 29 de maio de 2018

Desmatamento na Amazônia soma duas Alemanhas

Meio ambiente & Sustentabilidade  🌱🌴

A área de floresta perdida na Amazônia já equivale a duas vezes o território da Alemanha. Sem controle, a taxa de desmatamento poderá atingir patamares anuais entre 9.391 km2 e 13.789 km2 até 2027.A pegada da pecuária, um dos principais vetores do desmatamento, é pesada: do total desmatado, 65% são usados para pastagens de baixa eficiência, com menos de um boi por hectare. O argumento de que é preciso derrubar floresta para crescer economicamente não se sustenta: o desmatamento registrado entre 2007 e 2016 (7.502 km2 por ano, em média) teve potencial de adicionar anualmente apenas 0,013% do PIB brasileiro. 

Portogente
Assessoria de Comunicação


Oito organizações ambientalistas - Greenpeace Brasil, ICV, Imaflora, Imazon, IPAM, Instituto Socioambiental, WWF-Brasil e TNC Brasil - apresentam pela primeira vez no Brasil o relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”. O seminário tem como objetivo debater as propostas apresentadas pelo grupo no documento para frear o desmatamento, que atualmente causa perdas para o Brasil – cessar a remoção de florestas na região e mudar a forma como o solo é usado, por sua vez, só trarão vantagens ao país.
A área de floresta perdida na Amazônia já equivale a duas vezes o território da Alemanha. Sem controle, a taxa de desmatamento poderá atingir patamares anuais entre 9.391 km2 e 13.789 km2 até 2027.
A taxa média de desmatamento entre 2013 e 2017 foi 38% maior do que em 2012, ano com a menor taxa registrada, a situação pode piorar devido à impunidade a crimes ambientais, retrocessos em políticas ambientais, falhas nos acordos da pecuária, estímulo à grilagem de terras públicas e retomada de grandes obras.
A pegada da pecuária, um dos principais vetores do desmatamento, é pesada: do total desmatado, 65% são usados para pastagens de baixa eficiência, com menos de um boi por hectare. O argumento de que é preciso derrubar floresta para crescer economicamente não se sustenta: o desmatamento registrado entre 2007 e 2016 (7.502 km2 por ano, em média) teve potencial de adicionar anualmente apenas 0,013% do PIB brasileiro. Além disso, compromissos corporativos ainda falham na sua implementação e não monitoram a cadeia por completo.
A meta do Brasil, assumida internacionalmente, de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia apenas em 2030 é insuficiente. Em 2016, as mudanças no uso da terra representaram 51% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil e mantiveram o país como o sétimo maior emissor do mundo.
Combater o desmatamento demanda compromissos dos setores público, privado e a sociedade. Uma das ações mais urgentes é estancar a grilagem de terras públicas. Há 70 milhões de hectares que precisam ser destinados para uso coordenado, seja para preservação, atividades extrativistas, entre outros – em 2017, 28% do desmatamento aconteceu nessas áreas, e de forma ilegal.
O fim do desmatamento na Amazônia coloca o Brasil na frente de uma tendência mundial: a produção de commodities com zero conversão florestal: além de abrir mercados, é um estímulo ao desenvolvimento de outras alternativas econômicas em harmonia com a floresta e seus povos. O Brasil dessa maneira protege a própria produção agropecuária, já que, sem florestas, a chuva diminui e o clima esquenta.
O evento traz a participação de Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS); os pesquisadores Eduardo Assad, da Embrapa, e Paulo Artaxo, da USP; e Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade do Carrefour Brasil.
Os palestrantes discutem caminhos e ações para que o governo, as empresas e a sociedade civil atuem em conjunto para a superação do desmatamento em quatro eixos: a implementação de políticas públicas ambientais efetivas e perenes, o apoio a usos sustentáveis da floresta e melhores práticas agropecuárias, a restrição do mercado para produtos associados a novos desmatamentos e o engajamento de eleitores, consumidores e investidores nos esforços de zerar o desmatamento.
Fonte - Portogente  29/05/2018

domingo, 29 de abril de 2018

A Saga do BRT - Ato de Cidadania 2

Cidadania  👪 👫

A sociedade civil esteve presente mais uma vez no canteiro Central da Av. Juraci Magalhães Jr. para realizar um ato em defesa do meio ambiente,da preservação do canteiro central da Avenida e do córrego local, contra a construção do sistema de BRT Lapa/Lip em Salvador que irá degradar o ambiente urbano na referida avenida com a construção de elevados e viadutos,inclusive com faixas  dedicadas para carros,além de estações elevadas para os ônibus e o tamponamento do braço remanescente do Rio Camarajipe.




foto - Pregopontocom


foto - Pregopontocom
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sábado, 1 de julho de 2017

Drones ajudam a combater o desmatamento plantando 100 mil árvores por dia

Meio ambiente  🌱

Os drones desenvolvidos pela Susan Graham trabalham em conjunto. O primeiro escaneia uma área de terra buscando condições adequadas para o plantio. O drone então mapeia a área e emprega algoritmos específicos para localizar áreas ótimas de plantio. Essas áreas são identificadas como lugares com alto teor de solo, com baixos obstáculos, como rios ou áreas rochosas.

Revista Amazônia
imagem/YouTube
A luta para combater o desmatamento tem um aliado improvável. Plantação de árvores por drones. A cientista australiana, Susan Graham, desenvolveu drones que têm a capacidade de plantar árvores em áreas que de outra forma não seria possível. Os drones serão essenciais no esforço para reduzir o desmatamento da Terra.
Os drones desenvolvidos pela Susan Graham trabalham em conjunto. O primeiro escaneia uma área de terra buscando condições adequadas para o plantio. O drone então mapeia a área e emprega algoritmos específicos para localizar áreas ótimas de plantio. Essas áreas são identificadas como lugares com alto teor de solo, com baixos obstáculos, como rios ou áreas rochosas.
O segundo drone é então enviado por percurso de voo especificado pelo pelo drone de mapeamento com sua carga útil de sementes. O drone pode transportar até 150 vagens de sementes em um único voo. As vagens são projetadas para cair do drone e a caixa em torno da mesma se quebra, dando assim um começo altamente nutritivo. Em cada ”viagem” do drone, são projetados para transportar múltiplas espécies de árvores e quebrarão de acordo com o período de germinação das espécies individuais.
Os drones estão sendo trazidos ao mercado pela empresa baseada em Oxford, a BioCarbon Engineering. Lauren Fletcher, o CEO da empresa disse: “Vamos plantar cerca de 100.000 árvores por dia – 60 equipes como esta nos levarão a um bilhão de árvores por ano”.
Os drones serão usados ​​em áreas que impossibilitam o plantio manual ou máquinas terrestres. Os drones poderão ser utilizados para reabilitação, bem como aplicações de plantio florestal.
Estes não são os únicos drones que fazem esse tipo de serviço. A empresa baseada nos EUA, DroneSeed,está trabalhando para desenvolver uma tecnologia similar para permitir a semeadura em massa de florestas. Atualmente, a empresa fornece pulverização de herbicidas e pesticidas em áreas de difícil acesso.

Desmatamento

O desmatamento é causado por uma série de razões. À medida que a população mundial aumenta, a demanda por produtos comuns, como papel e madeira também aumentam. As florestas que anteriormente eram consideradas inadequadas para a silvicultura estão sendo exploradas por qualquer valor que tenham e, em seguida, muitas vezes plantadas com palmeiras cultivadas para o óleo de palma altamente procurada.
As florestas também estão sendo exploradas para acompanhar a crescente demanda mundial de soja para uso em produtos como o leite e como um aditivo em uma variedade de alimentos processados.
Outras causas comuns são a mineração e a urbanização. Uma vez que as florestas foram exploradas, os grandes custos e as dificuldades na replantação de grandes áreas significativas não são controladas, resultando em erosão do solo e no aumento das ervas daninhas nocivas. O desmatamento também tem um impacto devastador sobre a vida selvagem e outros ecossistemas apoiados pelas florestas, como sistemas de rios e lago. O desmatamento ilegal é um grande problema em países como o Brasil e a Índia, em que a grande área geográfica dificulta a fiscalização.
A tecnologia do drone poderá ajudar os governos em uma replantação rápida que de outra forma poderia levar anos com um custo muito maior.
Fonte - Revista Amazônia  01/07/2017 


terça-feira, 6 de junho de 2017

Brasil dá sinais contraditórios em política ambiental

Meio ambiente   🌱

Nos dois últimos anos, aumentaram os níveis de desmatamento na Amazônia e vem diminuindo o número de concessão de licenças para áreas de proteção do ambiente.No Brasil, levantamento recente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) mostra que só no ano passado 8 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica foram derrubados, um aumento de 29% sobre 2015 devido à expansão das plantações de soja, da abertura de pasto para pecuária e da extração de madeira.

Sputnik
Wilson dias/Agência Brasil/Fotos Públicas
Apesar de ter ratificado na segunda-feira (5/6) o compromisso do país com o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, o Brasil continua dando sinais contraditórios em política ambiental. Nos dois últimos anos, aumentaram os níveis de desmatamento na Amazônia e vem diminuindo o número de concessão de licenças para áreas de proteção do ambiente.
O documento foi ratificado em setembro do ano passado pelo presidente Michel Temer e a assinatura foi anunciada em uma cerimônia em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto. Entre os compromissos assumidos pelo Brasil no acordo estão a redução de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025 e aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética para cerca de 18% em 2030.
Em entrevista à Sputnik Brasil, David Zee, oceanógrafo, engenheiro ambiental e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que a retirada dos Estados Unidos do Acordo do Clima, apesar de criticada pela comunidade internacional, é um mau exemplo para os países, na medida em que pode enfraquecer os esforços nacionais para combater o aquecimento global. Em relação ao Brasil, ele prevê que o país terá dificuldade em cumprir as metas, que exigirão investimentos significativos, o que, hoje, é um grande desafio face à situação econômica do país.
"O que acontece hoje em dia é que ninguém quer pagar por serviços ambientais. Todo mundo quer ar puro, água limpa, e manda essa conta para a natureza, que já não aguenta mais com os 7,5 bilhões de pessoas no planeta, muito superior à capacidade da Terra sozinha fazer essa depuração", diz o especialista.
No Brasil, levantamento recente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) mostra que só no ano passado 8 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica foram derrubados, um aumento de 29% sobre 2015 devido à expansão das plantações de soja, da abertura de pasto para pecuária e da extração de madeira. À exceção de Mato Grosso, houve aumento do desmatamento em todos os estados da região, em especial no Amazonas, onde a derrubada de florestas cresceu 54% de 2015 a 2016. Em 16 anos, o Brasil perdeu cerca de 190 mil km² de florestas, área equivalente a quatro vezes a do Estado do Rio de Janeiro. A boa notícia é que a Mata Atlântica, que corria o risco de extinção, está se recuperando. Nos últimos 16 anos, ela cresceu uma área equivalente a da Bélgica (30.500 km²), com maior proporção no Estado do Rio (18%), São Paulo (13%) e Paraná (11%).
Outro índice, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostra que o desmatamento no país, de agosto de 2015 a julho de 2016, foi de 7.989 km², 29% maior que o período anterior. A estimativa é de que essa destruição tenha liberado na atmosfera 586 milhões de toneladas de carbono equivalente, o mesmo que oito anos de emissões por todos os automóveis no Brasil. É a primeira vez em 12 anos que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta apresenta aumento consecutivo.
Outro dado preocupante é a aprovação, no Congresso, de um novo Código Florestal, que anistiou aqueles que desmataram ilegalmente até 2008. Também no Congresso crescem as pressões da bancada ruralista para aprovação de um projeto autorizando a venda de terras para estrangeiros, o que já estaria estimulando a especulação fundiária, a grilagem e o aumento da violência no campo.
Para David Zee, tudo isso passa por uma falta de foco do Ministério das Relações Exteriores. Segundo ele, o Brasil, ao deixar a floresta em pé, está fazendo um benefício não só para o país, como também para o mundo, e isso tem um custo, por isso países como o Brasil e os da África deveriam ser recompensados com algum tipo de recurso por parte dos países ricos, que mais contribuem para o aquecimento global.
Zee dá como exemplo os países nórdicos, como a Noruega, o principal mantenedor estrangeiro do Fundo Amazônia, gerado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que recentemente já advertiu o governo brasileiro que a doação de recursos pode ser suspensa se o governo não reverter o quadro de deterioração ambiental registrado no país nos últimos dois anos. Por fim, ele lembra que não basta manter a floresta em pé. É preciso criar viabilidade econômica para o seu manuseio.
"Não só o governo da Noruega pode fazer esse tipo de pressão, como o Brasil deve começar a desenvolver política internacionais onde faça o mundo ver que o Brasil também faz um grande esforço, mas para isso que tenha ajuda também", diz Zee, lembrando que das três últimas grandes conferências ambientais duas foram realizadas no país.
"Hoje, estamos olhando só para o nosso umbigo: a produção agrícola, que é necessária, mas também temos que ver o desenvolvimento de tecnologias de forma que seja mais eficiente a produção", diz o professor da UFRJ.
Fonte - Sputnik  06/06/2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Desmatamento na Mata Atlântica cresce quase 60% em um ano

Meio Ambiente  🌿

O número foi apresentado hoje (29) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, há 10 anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções. 

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil
O desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em um ano, entre 2015 e 2016, quando o bioma perdeu 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. O número foi apresentado hoje (29) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).
No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, há 10 anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções. “O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”, disse. No período de 2005 a 2008, a Mata Atlântica perdeu 102.938 hectares de floresta, ou seja, média anual de 34.313 hectares a menos.

Estados
Em 2015-2016, a Bahia foi o estado onde houve mais desmatamento, com 12.288 hectares desmatados, 207% a mais que no período anterior, quando foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa. Os municípios baianos de Santa Cruz Cabrália e Belmonte lideram a lista dos maiores desmatadores com 3.058 hectares e 2.119 hectares, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% da destruição do bioma no período ocorreu nesta região.
“Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, avaliou Marcia.
Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking, com 7.410 hectares desmatados. Os principais pontos de desflorestamento ocorreram nos municípios de Águas Vermelhas (753 hectares), São João do Paraíso (573 hectares) e Jequitinhonha (450 hectares). Segundo os dados da SOS Mata Atlântica e do Inpe, a região é reconhecida pelos processos de destruição de vegetação nativa para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o desmatamento em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica.
No Paraná, o desmatamento do bioma passou de 1.988 hectares entre 2014 e 2015 para 3.545 hectares entre 2015-2016, o que representa aumento de 74%. Este foi o segundo ano seguido de crescimento do desmate no estado. Segundo o relatório, a destruição está concentrada na região das araucárias, espécie ameaçada de extinção, com apenas 3% de florestas remanescentes.
No Piauí, pelo quarto ano consecutivo os maiores desmatamentos ocorreram nos municípios de Manoel Emídio (1.281 hectares), Canto do Buriti (641 hectares) e Alvorada do Gurguéia (625 hectares), todos próximos ao Parque Nacional Serra das Confusões.

Retrocesso

Segundo o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos.
“O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar.”
Fonte - Agência Brasil  29/05/2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Desmatamento na Amazônia foi sete vezes maior do que a área do RJ em 2016

Meio ambiente  🌿

São aproximadamente 40 mil espécies de plantas, mais de 400 de mamíferos e quase 1.300 de pássaros. Isso sem falar nos milhões de insetos.Segundo o Greenpeace, nos últimos 40 anos a floresta já perdeu 18% de sua área e, infelizmente, o número não para de subir. No final de 2016, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou relatório sobre o desmatamento na região. 

The Greenest Post - RA

É praticamente impossível não ficar admirado com a imponência da floresta Amazônica. Seja pelo alto, pela terra ou pela água, a gigante verde ainda impressiona com seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados. São aproximadamente 40 mil espécies de plantas, mais de 400 de mamíferos e quase 1.300 de pássaros. Isso sem falar nos milhões de insetos.
Entretanto, essa gigante da biodiversidade está correndo sérios riscos – e não é de hoje. Segundo o Greenpeace, nos últimos 40 anos a floresta já perdeu 18% de sua área e, infelizmente, o número não para de subir. No final de 2016, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou relatório sobre o desmatamento na região. O resultado foi o pior desde 2008, com aumento de 29% em relação a 2015.
A floresta perdeu 7.989 km² de área verde. Isso equivale a 1,14 milhão de campos de futebol. É sete vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro (1.255 km²) ou dez vezes a área de Nova York (789 km²). Foram 451 milhões de árvores derrubadas, o que corresponde à população de Brasil, Alemanha e Rússia juntas. Se cada uma dessas árvores fosse enfileirada, poderíamos ir e voltar da lua 23 vezes. E todo esse estrago em apenas um ano. Deu para sentir o tamanho do drama?
“O impacto do desmatamento é muito grande. É uma perda em termos de biodiversidade e recursos naturais. Você propicia processos de erosão. Os danos são muito grandes”, explica Leonardo Sobral, gerente de Certificação Florestal do Imaflora.
Em 2015, o Brasil assinou o Acordo de Paris, documento que visa reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. E esse aumento no desmatamento preocupa os avanços do país com relação a isso, já que foram liberadas aproximadamente 586 milhões de toneladas de gás carbônico.
Fonte - Revista Amazônia  07/03/2017

sábado, 24 de dezembro de 2016

Dez maiores multas por desmatamento somam R$ 260 milhões, diz Greenpeace

Meio ambiente 🌱

O valor total das multas ambientais aplicadas nos estados da Amazônia Legal no período foi R$ 1,7 bilhão. As multas incluem crimes como desmatamento, exploração ilegal de madeira, transporte ilegal de madeira e fraude no sistema.

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil
Os dez maiores multados por destruir a Amazônia entre agosto de 2015 e julho 2016 acumularam mais de R$ 260 milhões em penalidades e a maior parte dessas multas não são pagas, segundo a Ong Greenpeace. No mesmo período, como mostrou estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve aumento de 29% do desmatamento na região.
O valor total das multas ambientais aplicadas nos estados da Amazônia Legal no período foi R$ 1,7 bilhão. As multas incluem crimes como desmatamento, exploração ilegal de madeira, transporte ilegal de madeira e fraude no sistema.
“A questão é que, muitas vezes, o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] vai até lá, aplica a multa, [mas] o problema é que a maioria dessas multas não são pagas. A pessoa que desmatou ilegalmente recebe uma multa, mas muitas vezes ela não vai sofrer nenhuma consequência com isso, é o que chamamos de impunidade”, disse Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace.
Segundo a especialista do Greenpeace, o país perde com o não pagamento das multas. “Olha o recurso gigantesco que o Brasil está perdendo, é um recurso que ele poderia ser investido em atividades que mantém a floresta em pé, na implementação de unidades de conservação, em atividades que garantam o fim do desmatamento, então são diversas outras atividades que poderiam se beneficiar desse recurso”
A análise do Greenpeace indicou também que cerca de 15% do desmatamento ocorreu em áreas protegidas, que inclui unidades de Conservação e Terras Indígenas (TI). Segundo a organização não governamental, o desmatamento ocorre nas unidades de Conservação devido à falta de implementação e gestão, deixando essas áreas expostas a apropriações indevidas, desmatamento, exploração ilegal de madeira e outros crimes ambientais.
“Esse [criação de áreas protegidas] é um método bem eficaz. Embora tenha uma quantidade de desmatamento dentro dessas áreas, as unidades de conservação e terras indígenas foram muito importantes no contexto da diminuição do desmatamento no Brasil, que foi ali entre 2005 e 2012”, disse a representante do Greenpeace.

Ibama
De acordo com o coordenador de Cobrança e Controle de Créditos Administrativos do Ibama, Halisson Peixoto Barreto, o órgão está modernizando a área de cobrança para conseguir julgar os processos das infrações ambientais com mais velocidade.
“O último levantamento que fizemos com relação a um período mais curto, esse intervalo é de 2011 a 2015, o percentual de arrecadação é de 8,7% no Brasil todo, envolvendo todas as infrações ambientais”, disse.
O coordenador do Ibama disse que é preciso dissociar o percentual de arrecadação com multas e a eficiência do órgão, porque existe todo um procedimento anterior de aplicação de sanção, que é a aplicação de medidas cautelares. Ele disse que, dos 100 mil processos históricos de multa que ainda restavam pendentes no Ibama, 24% foram julgados (administrativamente pelo Ibama) neste ano.

Procedimentos
Após a conclusão do processo administrativo em duas instâncias no Ibama, em que o infrator tem a possibilidade de recorrer na primeira instância, há ainda a possibilidade do pagamento não ser feito e de se recorrer à Justiça, que é um processo mais demorado. “Depois que concluímos o julgamento, sai da nossa gestão. Se a pessoa não pagou, sai da nossa gestão. Aí tem um órgão jurídico que vai promover a ação competente para cobrar o débito”, disse o coordenador do Ibama.

Arquivo/Agência Brasil
Segundo Barreto, junto com a multa, o Ibama aplica medidas cautelares, que são efetivas para controlar o desmatamento, como embargo e apreensão de bens. “São as medidas econômicas de embargo e suspensão de atividade, interdição de atividade, apreensão de bens utilizados no cometimento da infração. Isso tudo impede que o produtor rural tenha acesso a crédito rural e aí vamos descapitalizando o criminoso”. O embargo dura enquanto não for comprovada a regularidade ambiental do produtor rural.
Na avaliação de Barreto, um dos fatores que faz com que o índice de pagamento das multas seja baixo é que as multas ambientais têm valores elevados. “O propósito realmente do legislador e da União, quando regulamentaram a aplicação das multas ambientais, é de fato dissuadir o comportamento criminoso, esse é o propósito da multa. Ela é colocada em um patamar razoavelmente elevado para impedir que um dano ambiental ocorra, para evitar que uma infração ocorra”, disse.
Em relação à arrecadação de recursos para investimento em políticas ambientais, o coordenador de Cobrança do Ibama diz que não há uma vinculação direta e que o valor da multa não vai diretamente para a fiscalização do Ibama e o que é recolhido aos cofres da União. Atualmente o Ibama tem um orçamento anual estabelecido pelo governo federal e é esta quantia que deve ser executada ao longo do ano, independentemente de uma maior arrecadação com multas.
“O orçamento do Ibama hoje tem um montante específico e a nossa arrecadação é bem superior a esse orçamento”, disse Barreto. Para o coordenador, é preciso pensar na melhoria e no aumento do orçamento do instituto, aumentar sua capacidade de execução para melhor executar as ações do órgão, sobretudo de fiscalização.
Fonte - Agência Brasil  24/12/2016