UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM,EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
Mostrando postagens com marcador reservas florestais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reservas florestais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de junho de 2017

Brasil dá sinais contraditórios em política ambiental

Meio ambiente   🌱

Nos dois últimos anos, aumentaram os níveis de desmatamento na Amazônia e vem diminuindo o número de concessão de licenças para áreas de proteção do ambiente.No Brasil, levantamento recente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) mostra que só no ano passado 8 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica foram derrubados, um aumento de 29% sobre 2015 devido à expansão das plantações de soja, da abertura de pasto para pecuária e da extração de madeira.

Sputnik
Wilson dias/Agência Brasil/Fotos Públicas
Apesar de ter ratificado na segunda-feira (5/6) o compromisso do país com o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, o Brasil continua dando sinais contraditórios em política ambiental. Nos dois últimos anos, aumentaram os níveis de desmatamento na Amazônia e vem diminuindo o número de concessão de licenças para áreas de proteção do ambiente.
O documento foi ratificado em setembro do ano passado pelo presidente Michel Temer e a assinatura foi anunciada em uma cerimônia em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto. Entre os compromissos assumidos pelo Brasil no acordo estão a redução de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025 e aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética para cerca de 18% em 2030.
Em entrevista à Sputnik Brasil, David Zee, oceanógrafo, engenheiro ambiental e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que a retirada dos Estados Unidos do Acordo do Clima, apesar de criticada pela comunidade internacional, é um mau exemplo para os países, na medida em que pode enfraquecer os esforços nacionais para combater o aquecimento global. Em relação ao Brasil, ele prevê que o país terá dificuldade em cumprir as metas, que exigirão investimentos significativos, o que, hoje, é um grande desafio face à situação econômica do país.
"O que acontece hoje em dia é que ninguém quer pagar por serviços ambientais. Todo mundo quer ar puro, água limpa, e manda essa conta para a natureza, que já não aguenta mais com os 7,5 bilhões de pessoas no planeta, muito superior à capacidade da Terra sozinha fazer essa depuração", diz o especialista.
No Brasil, levantamento recente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) mostra que só no ano passado 8 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica foram derrubados, um aumento de 29% sobre 2015 devido à expansão das plantações de soja, da abertura de pasto para pecuária e da extração de madeira. À exceção de Mato Grosso, houve aumento do desmatamento em todos os estados da região, em especial no Amazonas, onde a derrubada de florestas cresceu 54% de 2015 a 2016. Em 16 anos, o Brasil perdeu cerca de 190 mil km² de florestas, área equivalente a quatro vezes a do Estado do Rio de Janeiro. A boa notícia é que a Mata Atlântica, que corria o risco de extinção, está se recuperando. Nos últimos 16 anos, ela cresceu uma área equivalente a da Bélgica (30.500 km²), com maior proporção no Estado do Rio (18%), São Paulo (13%) e Paraná (11%).
Outro índice, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostra que o desmatamento no país, de agosto de 2015 a julho de 2016, foi de 7.989 km², 29% maior que o período anterior. A estimativa é de que essa destruição tenha liberado na atmosfera 586 milhões de toneladas de carbono equivalente, o mesmo que oito anos de emissões por todos os automóveis no Brasil. É a primeira vez em 12 anos que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta apresenta aumento consecutivo.
Outro dado preocupante é a aprovação, no Congresso, de um novo Código Florestal, que anistiou aqueles que desmataram ilegalmente até 2008. Também no Congresso crescem as pressões da bancada ruralista para aprovação de um projeto autorizando a venda de terras para estrangeiros, o que já estaria estimulando a especulação fundiária, a grilagem e o aumento da violência no campo.
Para David Zee, tudo isso passa por uma falta de foco do Ministério das Relações Exteriores. Segundo ele, o Brasil, ao deixar a floresta em pé, está fazendo um benefício não só para o país, como também para o mundo, e isso tem um custo, por isso países como o Brasil e os da África deveriam ser recompensados com algum tipo de recurso por parte dos países ricos, que mais contribuem para o aquecimento global.
Zee dá como exemplo os países nórdicos, como a Noruega, o principal mantenedor estrangeiro do Fundo Amazônia, gerado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que recentemente já advertiu o governo brasileiro que a doação de recursos pode ser suspensa se o governo não reverter o quadro de deterioração ambiental registrado no país nos últimos dois anos. Por fim, ele lembra que não basta manter a floresta em pé. É preciso criar viabilidade econômica para o seu manuseio.
"Não só o governo da Noruega pode fazer esse tipo de pressão, como o Brasil deve começar a desenvolver política internacionais onde faça o mundo ver que o Brasil também faz um grande esforço, mas para isso que tenha ajuda também", diz Zee, lembrando que das três últimas grandes conferências ambientais duas foram realizadas no país.
"Hoje, estamos olhando só para o nosso umbigo: a produção agrícola, que é necessária, mas também temos que ver o desenvolvimento de tecnologias de forma que seja mais eficiente a produção", diz o professor da UFRJ.
Fonte - Sputnik  06/06/2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

Para manter as florestas

Ecologia  🌱

Tamanha é a importância da preservação das árvores que a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%.

Thiago Terada* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O dia 21 de março foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) o Dia Mundial da Floresta. A data convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de água no sudeste do Brasil.
Tamanha é a importância da preservação das árvores que a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%.
O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas de Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, foi destacado que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois foi constatado também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores anualmente, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de novas mudas são plantadas.
Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do setor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que necessitamos das florestas em pé para sobreviver. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global.
Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável. Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que as árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que irão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Ações como essa vão ao encontro do novo Marco Legal da Biodiversidade, que entra em vigor no mês de novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, permitindo modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes.
Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente.
*Thiago Terada é gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais
Fonte - Portogente  22/03/2017