Mostrando postagens com marcador Florestas brasileiras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Florestas brasileiras. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de julho de 2019

O desastre ambiental brasileiro

Ponto de Vista  🔍 🌱

O posicionamento de Patrick Alley,diretor da ONG inglesa Global Witness,demonstra de forma muito contundente o que a maioria dos brasileiros já sabe: não temos controle sobre o uso adequado do patrimônio natural para, ao mesmo tempo, garantir a sua proteção. Também é informação que não surpreende quem acompanha as incontáveis circunstâncias de aviltamento aos direitos humanos que se repetem sistematicamente, em especial na região Amazônica. Mas, o exacerbamento dessa falta de controle, motivado pela atual gestão, superou quaisquer limites.

Clóvis Borges* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Em entrevista recente, o diretor da ONG inglesa Global Witness, Patrick Alley, afirmou que a "proteção ambiental do Brasil está indo para o precipício". A declaração retrata como a imagem de nosso país está se deteriorando frente às perturbadoras investidas políticas encadeadas a partir da nova gestão federal.
O posicionamento de Alley demonstra de forma muito contundente o que a maioria dos brasileiros já sabe: não temos controle sobre o uso adequado do patrimônio natural para, ao mesmo tempo, garantir a sua proteção. Também é informação que não surpreende quem acompanha as incontáveis circunstâncias de aviltamento aos direitos humanos que se repetem sistematicamente, em especial na região Amazônica. Mas, o exacerbamento dessa falta de controle, motivado pela atual gestão, superou quaisquer limites.
Ao mesmo tempo em que diferentes atores estrangeiros rapidamente avançam para caracterizar o Brasil como um dos países mais relapsos em relação às questões voltadas ao meio ambiente, onde o desmatamento e a degradação ambiental são fatores preponderantes, uma discussão complexa se desenrola entre embaixadas da Noruega e da Alemanha com o atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Trata-se da tentativa de "salvar" o Fundo Amazônia. E que parece longe de alguma alternativa que atenda os interesses, explicitamente divergentes, das partes envolvidas. São recursos de grande monta, superiores a 1 bilhão de dólares, aportados a fundo perdido por países como Alemanha e Noruega para garantir maior controle do desmatamento ilegal na Amazônia e promover o desenvolvimento sustentável da região. Recursos que podem ser, simplesmente, dispensados pela atual gestão pública federal.
No complexo cenário vivido atualmente no Brasil, há bastante dificuldade em se buscar uma explanação confiável sobre as reais intenções do nosso governo nessas discussões sobre o Fundo Amazônia. Em primeiro lugar, pelo fato de que os pronunciamentos retrógrados sobre os temas globais mais relevantes na área ambiental, como o combate à mudança climática e a perda de biodiversidade, já exaustivamente externalizados pelos ministros das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, deixam evidenciada uma lamentável e radical dissonância da administração pública com as principais agendas que preocupam seriamente outros países.
Mas também deve-se levar em conta que os recursos do Fundo Amazônia são aplicados justamente na coibição de irregularidades que, ao que tudo indica, não faz parte das intenções de nossos atuais gestores públicos. Ao contrário, há evidentes movimentos de libertinagem a partir do enfraquecimento proposital da condição, já extremamente depauperada, dos órgãos ambientais responsáveis pelo controle e fiscalização ambiental.
Soa lógica a intenção de desvio de finalidade desses recursos defendida pelo atual ministro Salles, o que coaduna perfeitamente com falas do presidente da República aos líderes do agronegócio, afirmando que a sua gestão "não causará constrangimento aos que quiserem trabalhar".
Talvez o jogo de forças para determinar o futuro desse inédito esforço voltado à proteção da natureza no Brasil já esteja tendendo a um encadeamento previsível. Se países que aportam recursos para sustentar forças de controle contra a destruição da natureza são uma linha de atuação que a gestão Bolsonaro faz questão de afirmar não apoiar, qual poderá ser uma solução a esse impasse que atenda os interesses que as partes, antagonicamente, defendem?
O sistemático ataque às organizações do terceiro setor em prática no Brasil complementa a busca pela maior flexibilização a ações ilegais na Amazônia e, também, no restante do território. São projetos executados em parceria por essas organizações que, em grande parte, amparam e dão melhores condições de trabalho aos órgãos públicos de meio ambiente, historicamente limitados em contingente, equipamentos, recursos e proteção contra pressões políticas. Além disso, mais de 60% dos recursos do Fundo Amazônia são destinados ao governo, em âmbito federal e estadual, e os outros 40% são divididos entre entidades do terceiro setor e universidades.
Exemplo muito relevante de uma situação ainda mais grave em termos econômicos diz respeito ao anunciado acordo entre Mercosul e União Europeia. Desde o anúncio, muitos países europeus já endureceram suas posições. Não existe um caminho do meio nesse tipo de discussão. Ou seja, caso seja verdadeira a determinação desses países em realizar uma pressão econômica para que busquemos por aqui uma condição mínima de respeito ao uso e proteção ao patrimônio natural, devem ser cobradas atitudes concretas de parte do Brasil. Uma vez que são eles que compram, em enormes proporções, as commodities brasileiras.
É preciso pensar em medidas que, no curto prazo, possam reverter o cenário de profunda desconfiança já comprovada pelas intenções singulares de representantes do poder público federal. Chegamos a uma situação de tamanha gravidade em relação aos desmandos na área ambiental, postulados praticamente todos os dias, que movimentos menos contundentes de parte de quem efetivamente tem condições de impor uma postura de compromisso com uma agenda coerente e responsável com o patrimônio natural nacional serão absolutamente ineficazes.
Ao que tudo indica, a administração federal apenas declinará de seus desatinos absurdos contra o meio ambiente a partir de imposições de ordem econômica internacional e em grande escala.

Posições que revertam a conduta desviada dos maiores responsáveis por essas atitudes – os influentes setores da iniciativa privada que sustentam o desmanche da política ambiental do país.
* Clóvis Borges é diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), integrante do Observatório Justiça e Conservação e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN)
Fonte - Portogente  30/07/2019

quarta-feira, 22 de março de 2017

Para manter as florestas

Ecologia  🌱

Tamanha é a importância da preservação das árvores que a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%.

Thiago Terada* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O dia 21 de março foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) o Dia Mundial da Floresta. A data convida a refletir sobre o que estamos fazendo para proteger um de nossos maiores patrimônios naturais. Afinal, é um elemento que tem interferência direta em nossas vidas, mas que ainda sofre com a questão do desmatamento, responsável por causar o aumento dos níveis de poluentes no ar, gerar a perda de biodiversidade e interferir diretamente na falta de água no sudeste do Brasil.
Tamanha é a importância da preservação das árvores que a Universidade de Yale, de Connecticut (EUA), reuniu pesquisadores de 15 países diferentes, entre eles o Brasil, e apresentou um dos censos mais completos da história. O levantamento destaca que o planeta conta com aproximadamente 3 trilhões de árvores e que 43% delas estão em florestas tropicais, como a Amazônia, enquanto que as zonas temperadas possuem 22% e as zonas boreais frias de altas latitudes, 24%.
O estudo aponta ainda que o Brasil possui 9,9% das florestas do planeta, ficando atrás apenas de Rússia (21,1%) e do Canadá (10,5%). Além disso, foi destacado que, enquanto a média global é de aproximadamente 420 árvores para cada habitante do planeta, no Brasil são cerca de 1.500 por habitante. Os números são elevados, mas ainda não podemos comemorar, pois foi constatado também que são derrubadas cerca de 15 bilhões de árvores anualmente, ao mesmo tempo em que apenas 5 bilhões de novas mudas são plantadas.
Reverter esses números exige um esforço coletivo, tanto do setor público quanto do privado, para que as pessoas tenham a consciência de que necessitamos das florestas em pé para sobreviver. Manter uma árvore viva significa preservar uma fonte de riqueza que será usada por gerações, ampliar o valor do patrimônio genético e contribuir para desacelerar o aquecimento global.
Avaliando a questão sob o ponto de vista econômico, a preservação das florestas pode ser estimulada pelo processo de vegetalização das formulações em substituição ao uso de matérias-primas sintéticas. Indústrias como as dos segmentos farmacêutico, cosmético, alimentício, químico e agrícola já estão investindo em parcerias com comunidades, por exemplo, da região amazônica, em prol do desenvolvimento sustentável. Elas promovem treinamentos e capacitações em manejo sustentável para mostrar que as árvores preservadas possuem recursos não madeireiros que irão garantir frutos e sementes ricos em vitaminas, com propriedades hidratantes, nutritivas e antioxidantes. Essa é uma iniciativa que garante não só a preservação das árvores, mas também um incentivo para que comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Ações como essa vão ao encontro do novo Marco Legal da Biodiversidade, que entra em vigor no mês de novembro e pretende tornar as regras mais claras em relação ao uso da nossa biodiversidade e promover a repartição das riquezas entre os povos, permitindo modelos de negócios cada vez mais justos e transparentes.
Tudo isso nos mostra que já existe um engajamento em prol de nossas árvores. No entanto, ainda temos muito a fazer para minimizar os números do desmatamento, e a melhor forma de conquistarmos isso é por meio de ações que estimulem o respeito ao meio ambiente, o desenvolvimento social e a obtenção de lucro consciente.
*Thiago Terada é gerente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Beraca, líder global no fornecimento de ingredientes naturais provenientes da biodiversidade brasileira para as indústrias de cosméticos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais
Fonte - Portogente  22/03/2017

sábado, 3 de setembro de 2016

Queimadas sobem e batem recorde no Brasil

Meio Ambiente

O dado foi anunciado em tom de alerta. “Ainda estamos no começo da temporada de queimadas. O que aconteceu até agora talvez 15% ou 20% de tudo o que ainda vai acontecer”, disse o pesquisador Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe.

Revista Amazônia
Mapa de Risco de Fogo gerado em 18/08/2016
fotos - Inpe, MODIS/RapidResponse
 NASA GSFC
Antes mesmo do auge da temporada seca no País, o foco de incêndios em todo o território desde o começo do ano, foi maior que no mesmo período do ano passado. Com mais de 67 mil focos de queimadas e incêndios florestais no país até o último 17 de agosto e alerta que o tempo quente e seco pode agravar a situação, caso as ações de fiscalização não sejam intensificadas, é a maior taxa desde o início da série histórica em 1998, segundo levantamento divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O dado foi anunciado em tom de alerta. “Ainda estamos no começo da temporada de queimadas. O que aconteceu até agora talvez 15% ou 20% de tudo o que ainda vai acontecer”, disse o pesquisador Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe.
Há cerca de um mês, a NASA já tinha divulgado uma previsão de que, por causa de condições climáticas adversas, a Amazônia poderá ter neste ano a pior temporada de queimadas do registro histórico. A análise é que se trata de um reflexo do intenso El Niño que atinge o planeta desde o ano passado, levando a um ressecamento do solo na região, que deve chegar ao auge agora com o início da temporada seca.
Os números do Inpe confirmam que, de fato, alguns Estados da Amazônia já tiveram nos primeiros meses do ano mais focos de incêndios que os registrados desde 1998. O Mato Grosso, por exemplo, teve recorde de focos nos meses de fevereiro, março e abril, mas teve alguma redução em maio e junho. O Pará bateu recordes em fevereiro, abril, maio, junho e julho.
“As queimadas não são um fenômeno natural, elas não ocorreriam naturalmente, ao menos não nessa quantidade, talvez 0,5% disso, nem isso. Por trás tem sempre a ação humana, de propósito ou sem querer. Aí que está a chave do problema. Se a população seguir a legislação e as autoridades controlarem, impedirem, não vai acontecer nada. Mas as condições climáticas na Amazônia de fato criam condições favoráveis para o fogo.”
O problema, no entanto, vai além do El Niño, porque esta ocorre no País inteiro e não são todas as regiões que estão sendo afetadas pelo fenômeno, pondera o pesquisador.
“Por algum motivo, as pessoas estão botando muito mais fogo neste ano”, diz.
Ele aponta que unidades de conservação também estão sendo afetadas. Só no dia desse comunicado, havia 172 áreas protegidas com algum problema de fogo, ou no interior da unidade ou na borda. “O Parque Nacional do Araguaia estava queimando há semanas, com vários incêndios gigantes. O Parque Indígena do Xingu, com focos há vários dias”, afirmou.
De acordo com o Inpe, a temporada de queimadas no Brasil ainda está no início, com pico previsto para setembro. Portanto, a recomendação é que a população não coloque fogo na vegetação nesta época do ano, pois a ação humana, somada ao tempo quente e seco, ainda é uma das principais causas dos incêndios florestais.

Queimadas/Causas/Origens
Cerca de 40% dos incêndios ocorridos no Brasil têm origem em queimadas malfeitas, ou seja, que não conseguiram ser controladas e consumiram área de vegetação não prevista.
Tradicionalmente o inverno é uma das épocas do ano com maiores índices de incêndios no País. O ar seco estimula a proliferação do fogo e prejudica ainda mais a situação de áreas verdes que já sofrem com as queimadas na lavoura e o fogo criminoso, que facilita o desmatamento.
O Código Florestal Brasileiro permite a chamada queima controlada apenas em duas situações: na agricultura de subsistência, exercida por populações tradicionais e indígenas, e também na prevenção e combate aos incêndios.
Neste último, o fogo é usado para combater o próprio fogo: equipes especializadas ateiam fogo em áreas próximas a incêndios e, em seguida, o apagam. As faixas de vegetação queimada bloqueiam a expansão de incêndios na medida que não há mais o que ser consumido pelas chamas nos lugares previamente queimados.
Já a queima controlada em áreas agropastoris ou florestais só pode ser realizada em locais onde há justificativa para o uso do fogo. Para isso, é necessária aprovação prévia do órgão estadual responsável pelas questões ambientais.
A queimada ainda é permitida em atividades de pesquisa científica vinculada a projetos aprovados pelos órgãos competentes e realizada por instituição de pesquisa reconhecida.

Na Amazônia
Aproximadamente, 30% das queimadas no Brasil, ocorrem na Amazônia, principalmente na parte sul e sudeste da região. Elas têm impacto mais severo na seca, notadamente quando a temperatura está acima da média e há redução de chuvas – na Amazônia a estação seca, começa em julho e vai até outubro.
O problema maior é que o processo de corte e queima ainda é a forma tradicional de abertura de novas áreas para trabalhar a terra, na Amazônia. Neste 2016, até 17/08, as queimadas na Amazônia, correspondiam a 53,7%, em relação ao Brasil.

No Mundo
NASA diz que julho foi o mês mais quente dos últimos 136 anos. “Não foi por uma margem larga, mas julho de 2016 foi o mês mais quente desde que os registros começaram a ser feitos em 1880”, disse Gavin Schmidt, diretor do Goddard Institute for Space Studies (Giss), da Nasa. “Parece quase uma certeza que 2016 também será o ano mais quente da história”, afirmou o diretor em comunicado divulgado pela agência espacial.
De acordo com a Nasa, o registro da temperatura global moderna começa por volta de 1880 porque as observações anteriores não cobriam suficientemente o planeta Terra.
A análise feita mensalmente pela equipe do Giss é realizada a partir de dados adquiridos por cerca de 6.300 estações meteorológicas em todo o mundo, instrumentos navais e bóias de medição da temperatura da superfície do mar e estações de pesquisa da Antártida.
Fonte - Revista Amazônia  02/09/2016

terça-feira, 11 de junho de 2013

Maior reserva tropical úmida continua irregular na Amazônia

Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil


Brasília – Considerada uma das unidades de conservação (UCs) mais extensas do país, com área de mais de 2 milhões de hectares (ha) ao longo do Rio Jaú, entre os municípios de Novo Airão (AM) e Barcelos (AM), o Parque Nacional (Parna) do Jaú é o retrato da complexa situação fundiária em que se encontra grande parte das áreas brasileiras de proteção e conservação de espécies. Criada há quase 30 anos, a unidade, que tem usos restritos por lei, ainda é moradia para cerca de 100 pessoas de comunidades tradicionais.
Os moradores que resistem em deixar a área do Parque Nacional vivem da pesca, do extrativismo e da agricultura de subsistência. Pelas normas ambientais, os parques nacionais podem explorar apenas atividades como o ecoturismo.
“Temos ainda pelo menos três comunidades no interior do parque. Assim como outras que já deixaram a unidade, essas comunidades estão no local desde a criação do Jaú”, disse Leslie Tavares, analista ambiental que trabalha na unidade de conservação. A estimativa é que mais de 800 pessoas viviam no território. “É um passivo histórico que tem que ser resolvido. O ICMBio [Instituto Chico Mendes] tem tentado conciliar a situação”, completou.
Como as pessoas que deixaram a área, os povos que resistem em permanecer no território ainda não têm sinalizações claras de que vão receber a indenização pela desocupação. O processo, que deveria contemplar perdas com as moradias abandonadas, ainda inclui na conta os prejuízos financeiros. Os moradores das comunidades deixarão de explorar recursos naturais que sempre foram fonte de subsistência.
“Temos que pagar pelo que as pessoas estão perdendo [ao deixar a unidade]. Temos um conselho consultivo que tem a participação dessas comunidades e isso tem evitado conflitos. A convivência é harmônica, dentro do possível”, explicou o técnico.
Diante da situação ainda sem solução, os órgãos ambientais federais buscam alternativas para minimizar os impactos à natureza definindo alguns limites de exploração e tentando atender às necessidades básicas dessa população, como as de educação e saúde. “A existência de uma população grande nessa área causa impacto sempre. São ecossistemas muito frágeis, mas é preciso reconhecer que, em séculos de convivência, a biodiversidade do parque tem sobrevivido”, ponderou Tavares.
O ensino fundamental oferecido na unidade tem contribuído para a retirada contínua de outros moradores que buscam manter os estudos e outras oportunidades de renda nos municípios vizinhos. A desocupação também incluiu a criação da Reserva Extrativista (Resex) Unini, às margens norte do Rio Jaú. “Algumas pessoas já foram para lá. É uma unidade preparada que tem usina de castanha e outros recursos, como sistema de embalagem a vácuo dos produtos”, explicou Leslie Tavares.
A alguns quilômetros dali, outro Parque Nacional exibe condição rara no país. O Parna de Anavilhadas é uma das poucas unidades de conservação que tem a situação fundiária completamente solucionada. “Faz uma diferença gigante porque estamos falando de pessoas que viviam nessas unidades em uma situação de insegurança porque sabem que não podem estar ali, por lei, mas não vislumbram a solução do conflito e o pagamento das indenizações”, avaliou Priscila Maria da Costa Santos, chefe da unidade.
O Parque Nacional de Anavilhadas, criado para conservar um dos maiores arquipélagos fluviais do país e que leva o mesmo nome da unidade, ocupa área de 350 mil ha, sendo 60% fluviais. Nessa área estão espécies importantes da biodiversidade brasileira, como o peixe-boi e o boto vermelho, que atraem quase 30 mil turistas por ano, segundo estimativas conservadoras do ICMBio.
“A demanda turística é gigante e foi o que movimentou o processo de categorização da unidade como parque nacional que, antes, era estação ecológica”, contou ela. O status de estação ecológica proíbe qualquer uso da área, inclusive o turismo, enquanto o de parque nacional estimula a atividade.
Enquanto a situação fundiária é problema da grande maioria, outros desafios se apresentam para os administradores dessas unidades. Metade dos 18 parques nacionais que ficam no bioma Amazônia não tem planos de manejo, essenciais para a definição da área e dos usos possíveis, inclusive a autorização para estradas que vão atender a turistas.
No caso de Anavilhadas, por exemplo, o plano de manejo ainda é do período em que a unidade era considerada uma estação ecológica. O do Jaú também está defasado e precisa estabelecer uma equação para a convivência das comunidades que resistem na área. O documento das duas áreas está sendo revisado e deverá ser concluído ainda em 2013.
Outro desafio dos administradores das unidades é a falta de recurso e de funcionários. “Temos uma falta de estrutura muito grande. Esperamos que o projeto Parques da Copa traga mais recursos para que possamos atender a esse público, mas até agora não tivemos qualquer sinal”, lamentou Priscila Santos. Segundo ela, apenas dois analistas ambientais respondem pela área de 350 mil hectares do Parna de Anavilhadas.
Fonte - Agência Brasil  11/06/2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Aumenta o desmatamento na Mata Atlântica

ONG diz que aumentou o desmatamento na Mata Atlântica

Flávia Albuquerque
Repórter da Agencia Brasil

São Paulo - O desmatamento na Mata Atlântica aumentou 29% de 2011 para 2012, de acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica apresentado hoje (4) pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o atlas, houve supressão de vegetação nativa de 23.548 hectares (ha), o equivalente a 235 quilômetros quadrados. Destes 21.977 ha correspondem a desflorestamentos, 1.554 ha a eliminação de vegetação de restinga e 17 ha a vegetação de mangue. É a maior área atingida desde 2008.
Foram avaliados os 17 estados do bioma, sendo 81% de áreas sem cobertura de nuvens. O levantamento abrange, pela primeira vez, o estado do Piauí, cujos remanescentes florestais totalizam 34% da área original protegida pela Lei da Mata Atlântica. Com a inclusão do Piauí no mapeamento da área de aplicação da lei, a área original restante de Mata Atlântica, segundo a ONG, é 8,5%. Sem o Piauí ficaria em 7,9%. Quando considerados os pequenos fragmentos de mata o bioma chega a 12,5%.

Minas Gerais é, pela quarta vez, o estado que mais desmata, sendo o responsável por metade do desmatamento no último ano. Foram perdidos em Minas Gerais 10.752 ha, o correspondente a 70% do desmate, quando comparado com o período anterior. Em segundo lugar vem a Bahia com a perda de 4.516 ha e o Piauí que, mesmo monitorado pela primeira vez, assumiu o terceiro lugar da lista, com a perda de 2.658 ha.
Segundo a diretora de gestão do conhecimento e coordenadora do Atlas pela Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, com os números em mãos, a SOS Mata Atlântica esteve com o secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais, no final do ano passado, para apresentar os resultados, mas como não obteve respostas, decidiu recorrer ao Ministério Público.
“É um estado extremamente crítico. Vamos protocolar um ofício na semana que vem e faremos uma apresentação no Ministério Público pedindo uma moratória, para que o governo do estado não dê mais autorização para supressão de vegetação nativa, para qualquer finalidade, e para que seja feita uma revisão de todas as autorizações dadas nos últimos tempos”, disse.
O coordenador-geral da Promotoria do Meio Ambiente de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, disse que, a partir dos dados, as ações de resgate do desmatamento do estado passaram a ser prioridade. “Estamos preocupados porque vemos no nosso estado uma flexibilização das leis florestais”, disse.
Fonte - Agência Brasil  04/06/2013


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobre a Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável

Baía de Guanabara   A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.
A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009.
O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.
A Conferência terá dois temas principais:
A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e
A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.
A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16 e 19 de junho, serão programados os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.
Os preparativos para a Conferência
A Resolução 64/236 da Assembleia-Geral das Nações Unidas determinou a realização da Conferência, seu objetivo e seus temas, além de estabelecer a programação das reuniões doComitê Preparatório (conhecidas como “PrepComs”). O Comitê vem realizando sessões anuais desde 2010, além de “reuniões intersessionais”, importantes para dar encaminhamento às negociações.
Além das “PrepComs”, diversos países têm realizado “encontros informais” para ampliar as oportunidades de discussão dos temas da Rio+20.
O processo preparatório é conduzido pelo Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e Secretário-Geral da Conferência, Embaixador Sha Zukang, da China. O Secretariado da Conferência conta ainda com dois Coordenadores-Executivos, a Senhora Elizabeth Thompson, ex-Ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados, e o Senhor Brice Lalonde, ex-Ministro do Meio Ambiente da França. Os preparativos são complementados pela Mesa Diretora da Rio+20, que se reúne com regularidade em Nova York e decide sobre questões relativas à organização do evento. Fazem parte da Mesa Diretora representantes dos cinco grupos regionais da ONU, com a co-presidência do Embaixador Kim Sook, da Coréia do Sul, e do Embaixador John Ashe, de Antígua e Barbuda. O Brasil, na qualidade de país-sede da Conferência, também está representado na Mesa Diretora.
Os Estados-membros, representantes da sociedade civil e organizações internacionais tiveram até o dia 1º de novembro para enviar ao Secretariado da Conferência propostas por escrito. A partir dessas contribuições, o Secretariado preparará um texto-base para a Rio+20, chamado “zero draft” (“minuta zero” em inglês), o qual será negociado em reuniões ao longo do primeiro semestre de 2012.
Fonte - http://www.rio20.gov.br/  13/06/2012


Nosso comentário.
A palavra chave hoje em todo o mundo é "sustentabilidade" todos falam,comentam, discutem, fazem projetos,mais poucos são os que se preocupam em por em pratica os seus longos e pragmáticos discursos sobre o tema,principalmente em se tratando dos países mais desenvolvidos que são os que mais consomem reservas naturais,estragam o clima,o meio ambiente,os eco sistemas,e que mais causam prejuízos ecológicos ao nosso planeta.Enquanto isso na sua luta incessante pela sobrevivência a "Natureza" já da sinais de desgastes e a eles replica com rebeldia.Não se trata de uma vingança mais sim uma reação natural e uma luta diária na tentativa de obter de volta tudo que andam lhe tirando,de maneira inconsequente,para manter o seu equilíbrio e a sua sobrevivência pois dela dependemos todos nós,sem nenhuma exceção,tanto os que lhe agridem quanto os que a defendem.Será essa conferência,apenas mais uma entre tantas outras já realizadas?...irá realmente ajudar a repensar a nossa maneira de agir e de tratamos a tão já desgastada e "maltratada Natureza" ?...principalmente no instante em que aqui no nosso país  se discute ardorosamente a aprovação do "novo código florestal" imposto praticamente pela força do poder econômico,ao qual somente o lucro importa independente do alto custo que isso possa representar para o meio ambiente e todos nós, ligado aos setores do agro negocio,dos grandes latifúndios,da exploração da madeira,e de outros recursos naturais,com forte representação política no nosso Congresso Nacional ...Por enquanto nessa árdua batalha o Meio Ambiente a Natureza e o principal tema dessa conferencia que hora se realiza no Rio," A Sustentabilidade"juntamente com todos os seus defensores estão em nítida desvantagem.Como poderemos então cobrar de outros a lição que ainda não aprendemos a fazer em casa?... Tomara que durante esse curto periodo em que a Conferência Rio + 20 se realiza em uma das mais belas cidades do Brasil, também chamada de Cidade Maravilhosa e sob as bençãos do Cristo Redentor,haja tempo, estimulo e boa vontade de TODOS que dela participam para  que se faça a mais profunda e sábia reflexão sobre como devemos tratar e conviver com a nossa grande MÃE...A NATUREZA. Pregopontocom

domingo, 20 de maio de 2012

Dilma se reúne com ministros para se posicionar sobre Código Florestal

20/5/2012 11:51,  Por Redação, com ABr - de Brasília

Dilma tem até o dia 25 deste mês para sancionar ou vetar o texto do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados

Os possíveis vetos ao novo texto do Código Florestal foi tema de reunião que presidentaDilma Rousseff teve no sábado com vários ministros, no Palácio da Alvorada. Ao longo da semana, Dilma e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já haviam se reunido três vezes para tratar do tema.
Dilma
A presidenta Dilma tem até o dia 25 deste mês para sancionar ou vetar – parcial ou totalmente – o texto do novo Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados. O texto do Congresso Nacional chegou à Casa Civil no último dia 7.
Na reunião de ontem no Palácio da Alvorada estiveram presentes as ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; da Comunicação Social, Helena Chagas; e os ministros Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário; Mendes Ribeiro, da Agricultura; e Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União.
O texto do novo Código Florestal aprovado pelos deputados desagradou ambientalistas e não era a versão que o Palácio do Planalto esperava aprovar. Durante a tramitação no Senado, o governo conseguiu chegar a um texto mais equilibrado, mas a bancada ruralista na Câmara alterou o projeto e voltou a incluir pontos controversos.
Entre os pontos polêmicos da nova redação da lei florestal está, por exemplo, a possibilidade de anistia a quem desmatou ilegalmente e a redução dos parâmetros de proteção de áreas de preservação permanente (APPs).
O veto presidencial pode ocorrer por razões políticas, quando o projeto ou parte dele é considerado contrário ao interesse nacional, ou por motivos jurídicos, quando o texto ou parte dele for inconstitucional. O veto é analisado pelo Congresso Nacional e pode ser derrubado se houver maioria absoluta no Senado e na Câmara. Fonte - Correio do Brasil  20/05/2012

sábado, 17 de março de 2012

FÓRUM MUNDIAL DE SUSTENTABILIDADE CHEGA À TERCEIRA EDIÇÃO EM MANAUS

Tema central do evento será “Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável”


O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, presidido pelo empresário João Doria Jr., promove, com realização da XYZ LIVE, liderada por Bazinho Ferraz, o 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, de 22 a 24 de março, no hotel Tropical, em Manaus (AM). Cerca de 900 lideranças empresariais, políticas, pesquisadores e organizações socioambientais trocarão experiências de gestão durante o evento que tem como tema central “Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável”, fortalecendo o conceito de sustentabilidade para a preservação socioambiental e o desenvolvimento sustentável mundial.
No Fórum serão debatidos temas como economia verde, Rio+20, desenvolvimento sustentável e humano, agricultura de baixo carbono, entre outras propostas de sustentabilidade para o planeta.
O evento terá a presença de nomes internacionais como o da ativista social e política, fundadora e presidente da Fundação Bianca Jagger pelos Direitos Humanos, Bianca Jagger; a primeira mulher a ser primeira-ministra da Noruega, Gro Brundtland; o consultor, escritor e jornalista norte-americano, Mark London; o ex-primeiro ministro da França, Dominique de Villepin; o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo; o coordenador executivo da Rio+20, Brice Lalonde; o chefe do Grupo de Mercados Sustentáveis do IIED (Instituto Internacional para Ambiente e Desenvolvimento), Steve Bass; e uma das mais conhecidas oceanógrafas do mundo, Sylvia Earle.
Entre os brasileiros estão o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o ex-ministro da Agricultura e presidente do LIDE Agronegócios, Roberto Rodrigues; o cacique e líder maior do povo Suruí,Almir Suruí; o superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgílio Viana; o diretor de estilo e criação da marca Osklen e fundador do Instituto-E, Oskar Metsavaht; o senador da República Eduardo Braga; o deputado federal (PPS/SP) Arnaldo Jardim; o presidente do SOS Mata Atlântica e do LIDE Sustentabilidade, Roberto Klabin; o diretor do programa marinho da Conservação Internacional (CI) no Brasil,Guilherme Dutra; o biólogo, docente do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, Alexander Turra; o deputado federal (PV/MA), José Sarney Filho; além de diversos especialistas na área.
“A economia verde está presente na vida comum do ser humano, bem como nas empresas privadas e instituições públicas, e depende de uma consciência coletiva”, declara Bazinho Ferraz, presidente da XYZ Live. João Doria Jr., presidente do LIDE, reforça: “O FÓRUM MUNDIAL é uma grande oportunidade de conscientizar o planeta e demonstrar o valor econômico e ambiental das florestas em pé e suas implicações para o Brasil e o mundo”. “Criar um compromisso político e empresarial com o desenvolvimento sustentável das empresas com o planeta é uma forma de conscientização desse setor”, conclui.
Fonte - Blog da Amazônia 16/03/2012