UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Desmatamento na Amazônia cai 31% de janeiro a maio

Meio ambiente - Ecologia  🌱🌳🌴

Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira (7), e coletados a partir do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), disponível na plataforma TerraBrasilis. Foram 1.986 quilômetros quadrados (km²) de área desmatada nos primeiros meses deste ano contra 2.867 km² de área desflorestada entre janeiro e maio de 2022.

Pedro Rafael Vilela 
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
O desmatamento caiu 31% na Amazônia Legal, no acumulado de janeiro a maio de 2023, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira (7), e coletados a partir do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), disponível na plataforma TerraBrasilis. Foram 1.986 quilômetros quadrados (km²) de área desmatada nos primeiros meses deste ano contra 2.867 km² de área desflorestada entre janeiro e maio de 2022. Esse número representa uma reversão da tendência de desmatamento, que chegou a aumentar 54% no segundo semestre do ano passado. "O governo atual recepcionou [da gestão anterior] o desmatamento em alta na Amazônia, em uma faixa bastante importante. O dado que o Deter acaba de disponibilizar representa uma queda de 10% no mês de maio, comparado com o mês de maio do ano anterior. No acumulado de janeiro a maio deste ano, uma queda de 31% no desmatamento", destacou o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, em coletiva de imprensa para detalhar os números. O sistema Deter é um levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia, feito pelo Inpe, como forma de orientar o trabalho de fiscalização ambiental. Ele não costuma ser usado para analisar períodos curtos, como comparativos mês a mês, por causa da alta volatilidade da cobertura de nuvens. Segundo informações do MMA, a maior parte do desmatamento, cerca de 46%, ocorreu em imóveis rurais com um registro público no Cadastro Ambiental Rural (CAR), em que o governo consegue identificar o responsável pela área, seja um proprietário ou posseiro em processo de regularização fundiária. Outros 21% da área desmatada foram em assentamentos rurais e 15% em áreas de florestas públicas não destinadas. Percentuais menores foram observados em unidades de conservação, terras indígenas e áreas de preservação permanente. Concentração De acordo com o governo federal, apenas 20 municípios da Amazônia Legal concentram 55% do desmatamento detectado de janeiro a maio. Lidera essa estatística o município de Feliz Natal (MT), com 8,8% do desmatamento, seguido de Apuí (AM) e Altamira (PA), com 6,8% e 4,9%, respectivamente. Ao todo, são oito municípios no Mato Grosso, seis no Amazonas, quatro no Pará, um em Rondônia e um em Roraima. Juntos, responderam por uma área desmatada de quase 2 mil km². "Uma boa parte do desmatamento da Amazônia é ilegal, não teve autorização", explica o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho. O trabalho da autarquia nesse período resultou na aplicação de mais de R$ 2 bilhões em multas, um aumento de 179% em relação ao ano passado.
Segundo o presidente do Ibama, foram emitidos 7.196 autos de infração e mais de 2,2 mil fazendas, glebas ou lotes rurais foram embargados, ou seja, tiveram sua atividade proibida. "Estamos embargando preferencialmente nos municípios prioritários de desmatamento. A fronteira de desmatamento na Amazônia é grande, vai de Rondônia, Acre, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso, além de Pará e Maranhão", acrescentou. Plano de combate Essa semana, o governo federal lançou a nova edição do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm), que vinha sendo discutido desde o início do ano e foi submetido a consulta pública em abril, com mais de 500 sugestões recebidas. O documento estabelece mais de 130 metas a serem alcançadas até 2027, incluindo embargo de áreas desmatadas, suspensão de cadastros irregulares, aplicação de multas, contratação de pessoal, aumento da fiscalização de áreas, regularização fundiária, entre outros. O plano inclui também metas para estimular atividades produtivas sustentáveis, como criação de selos de agricultura familiar e bioeconomia, programas de manejo florestal e ecológico, inventivo ao etnoturismo na Amazônia, entre outros. Também há previsão de criação de novas unidades de conservação, destinação de florestas públicas federais e regularização de povos e comunidades tradicionais. Enquanto o desmatamento na Amazônia dá sinais de estar sendo contido este ano, no Cerrado, o segundo maior bioma do país, a situação é bem oposta. Os dados do Deter divulgados nesta quarta mostram aumento de 35% no desmatamento de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Fonte - Agência Brasil 07/06/2023  


Desmatamento na Amazônia cai 31% de janeiro a maio - TerraBrasilis



segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

AMAZÔNIA SEM GARIMPO

Meio ambiente - Sustentabilidade - Direitos humanos  👪 🌱

Amazônia Sem Garimpo - Animação (Narração em Yanomami)
Esta animação é parte integrante do projeto de pesquisa "Impactos do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia: Uma Abordagem Integrada Saúde e Ambiente"" Produção Executiva Ana Claudia Santiago de Vasconcellos (EPSJV/Fiocruz) Paulo Cesar Basta (ENSP/Fiocruz)

 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Em 2022, Amazônia teve maior desmatamento em 15 anos, diz Imazon

Meio ambiente  🌳

Pelo monitoramento feito via satélite, 2022, que atingiu seu maior patamar desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Região Amazônica. Nos últimos 4 anos, a perda florestal na Amazônia foi de 35.193 km², segundo o Imazon. A área supera as de estados como Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²). O período coincide com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava desacreditar dados sobre o desmatamento.

Felipe Pontes
Repórter da Agência Brasil - Brasília
foto - arquivo Ag.Brasil
O desmatamento na Amazônia bateu novo recorde em 2022, ano em que a cobertura vegetal da floresta perdeu 10.573 km², o equivalente a quase 3 mil campos de futebol, segundo relatório divulgado hoje (18) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Pelo monitoramento feito via satélite, 2022, que atingiu seu maior patamar desde 2008, quando o Imazon começou a monitorar a Região Amazônica. Nos últimos 4 anos, a perda florestal na Amazônia foi de 35.193 km², segundo o Imazon. A área supera as de estados como Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²). O período coincide com o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava desacreditar dados sobre o desmatamento. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem prometido dar prioridade ao assunto. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem dado declarações sobre a preservação da floresta. Em uma das primeiras medidas, foi destravado o Fundo Amazônia, que conta com doações da Alemanha e Noruega para serem aplicados em ações de proteção ambiental. “Esperamos que esse tenha sido o último recorde de desmatamento reportado pelo nosso sistema de monitoramento por satélites, já que o novo governo tem prometido dar prioridade à proteção da Amazônia”, disse a pesquisadora Bianca Santos, da Imazon, no material divulgado nesta quarta-feira (18). O instituto destacou o salto de desmatamento registrado em dezembro, mês em que 287 km² de floresta foram derrubados, aumento de 150% em relação ao mesmo mês de 2021 (140 km²) e pior último mês do ano de toda série histórica. “No último mês do ano, houve uma corrida desenfreada para desmatar enquanto a porteira estava aberta para a boiada, para a especulação fundiária, para os garimpos ilegais e para o desmatamento em terras indígenas e unidades de conservação. Isso mostra o tamanho do desafio do novo governo”, disse Carlos Souza Jr, coordenador do monitoramento da Amazônia no instituto, no material de divulgação. Cerca de 80% da área desmatada em 2022 ficam em terras sob responsabilidade do governo federal (8.443 km²). Outros 11% de território destruído fica sob jurisdição dos governos estaduais (1.130 km²). Ainda de acordo com o relatório, o estado que mais desmatou em 2022 foi o Pará (3089 km²), seguido por Amazonas (2270 km²) e Mato Grosso (1228 km²). Todas as informações sobre o relatório de monitoramento do desmatamento da Amazônia pode ser encontrado no portal do Imazon.
Fonte - Agência Brasil 18/01/2023

terça-feira, 27 de julho de 2021

Explosão do garimpo ilegal na Amazônia despeja 100 toneladas de mercúrio na região

Meio ambiente  🌴

Um volume estimado em 100 toneladas do metal neurotóxico foi utilizado em 2019 e 2020 para extrair ouro ilegalmente da região, de acordo com estimativas feitas com base em um levantamento oficial. Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça. Em levantamento produzido em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério Público Federal (MPF) detectou uma quantidade de 49 toneladas de ouro lavado (extraído ilegalmente,

Revista Amazônia
foto - divulgação
O incentivo ao garimpo ilegal promovido pelo Governo brasileiro nos últimos dois anos provocou uma enxurrada de mercúrio nas águas amazônicas. Um volume estimado em 100 toneladas do metal neurotóxico foi utilizado em 2019 e 2020 para extrair ouro ilegalmente da região, de acordo com estimativas feitas com base em um levantamento oficial. Esse ouro foi exportado pelo Brasil para países como Canadá, Reino Unido e Suíça. Em levantamento produzido em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais, o Ministério Público Federal (MPF) detectou uma quantidade de 49 toneladas de ouro lavado (extraído ilegalmente, mas documentado para parecer legalizado) com agentes comerciais que atuam na Amazônia obtido em colaboração com facções criminosas que invadem áreas protegidas em busca do metal precioso. A falsificação é feita com base em declarações fraudulentas de origem. Dessas 49 toneladas, 17 foram lavadas no Pará —especialmente na região do médio Tapajós, área onde vivem os indígenas da etnia Munduruku. O prejuízo socioambiental da região, segundo o MPF, chegou a 9,8 bilhões de reais. E o cálculo é de que a extração desse ouro foi responsável pelo desmatamento de 21.000 hectares de floresta —derrubada para a procura do metal. “Pela sua omissão na implementação de controles de certificação de origem e de rastreabilidade na cadeia de produção e circulação de ouro de garimpo, o Estado Brasileiro promove e é ele próprio responsável direto pelas ameaças e violências praticadas contra os povos indígenas, em especial o povo Munduruku”, ressalta o MPF, que recomendou uma série de medidas aos órgãos legais de controle, como a adoção pela Agência Nacional e Mineração de um sistema de certificação e rastreabilidade do ouro brasileiro. O mercúrio é um metal neurotóxico presente na natureza, mas o desmatamento, as queimadas e, principalmente, o garimpo liberam e aumentam sua concentração na atmosfera. Seus danos costumam ser graves e permanentes. Ele pode causar alterações diretas no sistema nervoso central, gerando problemas de ordem cognitiva e motora, perda de visão, além de implicações renais, cardíacas e no sistema reprodutor. Largamente usado no garimpo para separar o ouro de outros sedimentos não há controle oficial sobre a quantidade usada no Brasil, mas ambientalistas estimam que para cada grama de ouro extraído, 1,3 a 1,5 grama de mercúrio são usados. Existem no país ao menos 2.500 lavras ilegais, a maioria delas em terras indígenas. No vizinho Peru, que também compartilha a Amazônia, a quantidade usada do metal chega a 185 toneladas por ano, segundo dados fornecidos pelo WWF-Brasil. Usado e descartado sem controle, o metal acaba por contaminar rios, peixes e quem se alimenta deles. Segundo dados do Inventário Nacional de Emissões e Liberações de Mercúrio, publicado em 2018 pelo Ministério da Tecnologia, Ciência, Inovações e Comunicações, 70% do mercúrio usado no garimpo é emitido para a atmosfera e 30% para solos, água e rejeitos. A concentração de mercúrio costuma ser maior nos peixes em rios mais próximos a regiões de garimpo, mas também pode ser encontrada em maior ou menor grau em locais mais distantes. “Existe muito chute em relação à quantidade de mercúrio. Não sabemos com exatidão, mas podemos dizer, com certeza, que é muito”, aponta a bióloga Sandra Hacon, especialista em saúde pública da Fiocruz. “Mesmo que um garimpo seja desativado hoje, por ação policial ou de fiscalização, o mercúrio usado ali vai continuar contaminando. Ele não tem cheio nem cor. Não tem como mitigar isso”, explica Hacon. A partir desta semana, em parceria com a WWF-Brasil e o Centro de Innovación Científica Amazónica (CINCIA), a Fiocruz lança uma plataforma georreferenciada capaz de localizar lavras de garimpo, contaminação da fauna e presença do mercúrio em terras indígenas. O Observatório do Mercúrio também traz uma revisão sistemática da literatura científica sobre o tema de 1980 a 2021, com cerca de 200 artigos e pesquisas listadas. Mesmo em regiões sem mineração, como na bacia do rio Negro, no Amazonas, há incidência acima do normal. Pelo Observatório do Mercúrio, é possível perceber que se trata de um fenômeno integrado: as extensas lavras ilegais do Peru, da Bolívia e do Equador afetam diretamente regiões sem garimpo no Brasil. “Quanto menor a nanopartícula de mercúrio, maior a capacidade de transporte. Seja pelos rios, seja pela atmosfera, seja pela chuva”, completa a bióloga. Em muitas comunidades indígenas ou ribeirinhas de regiões amazônicas com garimpo, as concentrações em humanos já superam o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) —de dois microgramas de mercúrio para cada grama de cabelo. A agência ambiental norte-americana, por sua vez, usa como parâmetro aceitável apenas um micrograma. A Fiocruz identificou comunidades indígenas Yanomami com medianas entre 3,2 e 15,5. “São concentrações alarmantes, diretamente ligadas à presença do garimpo”, explica Paulo Basta, pesquisador da Fiocruz e autor do estudo. Segundo o especialista em conservação do WWF-Brasil Marcelo Oliveira há uma relação direta entre os níveis crescentes de mercúrio na região e o avanço do garimpo e das queimadas em terras indígenas. “Tirar da invisibilidade os danos causados pelo mercúrio é essencial para aumentar a pressão social sobre medidas legais que interrompam esse ciclo”, diz. O problema, no entanto, não é exclusivo dos municípios do Norte do país. Segundo apontam os estudos reunidos na plataforma, a contaminação por mercúrio se espalha pela Amazônia Legal e atinge não só os rios amazônicos, mas também os rios Cuiabá e Paraguai, já na região norte do Pantanal. Segundo Oliveira, o grande benefício da plataforma é combinar 13 níveis diferentes de informação que, sobrepostos, permitem visualizar com precisão o problema causado pelo metal. Há desde georreferenciamento de rios e terras indígenas passando por informações sobre lavras registradas e ilegais em áreas protegidas, até as ações ajuizadas pelo Ministério Público Federal contra garimpeiros irregulares. É possível visualizar, nos mapas disponíveis pela plataforma, extensas áreas de exploração mineral onde a demarcação da terra indígena é ignorada pelos garimpeiros. A terra indígena mais afetada é da etnia Munduruku, no médio Tapajós (PA), onde o Observatório do Mercúrio identificou 600 registros de garimpo legalizado ou com pedido de autorização de lavra na Agência Nacional de Mineração. Estão identificadas áreas contínuas de exploração em vários afluentes do Tapajós, como os rio das Tropas, Pacu, Kabitutu, Cadariri, Kaioruá e outras dezenas de igarapés. Ali, comunidades indígenas tentam preservar seus territórios da invasão e permanecer imunes à contaminação pelo mercúrio. Outra terra indígena bastante afetada pelo mercúrio é da etnia c, na fronteira do Amazonas com a Venezuela.

Perigo silencioso
A plataforma permite cruzar os dados geográficos do garimpo com estudos científicos que revelam o impacto do mercúrio nas populações e na fauna local, especialmente nos peixes usados como alimentação pelos indígenas e ribeirinhos. Os ícones de acesso aos artigos com a contaminação em humanos e animais são classificados por cores: quanto mais escuros, maior o nível de concentração de mercúrio nos organismos. A exploração das TIs é exclusiva das populações originárias, mas os projetos de lei 191 e 490, em tramitação no Congresso, pretendem liberar a exploração de ouro em territórios demarcados, alterar os critérios de demarcação e permitir a passagem de estradas, entre outras medidas —a iniciativa é defendida publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, que frequentemente diz que manter os índios isolados em suas terras é tratá-los como animais em zoológicos. Diante do discurso permissivo do próprio Governo federal, a estratégia dos garimpeiros, segundo o especialista do WWF-Brasil, tem sido pedir permissão de lavra garimpeira (PLG) antes mesmo da aprovação da lei, como forma de pressionar pela mudança. O usufruto das terras indígenas demarcadas é garantido pelo Estatuto do Índio a 66 territórios que abrigam cerca de 70.000 pessoas em toda a Amazônia. O PL 490 foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no final de junho, numa votação marcada por agressões às manifestações contrárias ao projeto do lado de fora do Congresso. Com a liberação da CCJ, o PL já pode ser votado nem Plenário. “A questão se agrava com o acúmulo desse metal ao longo dos anos por quem se alimenta frequentemente dos peixes com algum teor de contaminação, ainda que baixa. O organismo humano, pela frequência da ingestão, não tem tempo suficiente para eliminar o metal, como acontece com quem ingere peixe com algum teor de mercúrio apenas de vez em quando”, explica Paulo Basta. Outro item da pesquisa de Basta encontrou altas concentrações de mercúrio em quatro a cada 10 crianças menores de cinco anos nas regiões Yanomami. Segundo estudos, indígenas da etnia consomem, em média, cerca de 70 gramas de peixe por dia. O pescado é a principal proteína animal consumida por eles. Ainda que seja difícil mensurar os danos causados pelo mercúrio no corpo humano, há evidências de seu potencial tóxico. “O mercúrio, ao ser absorvido, afeta diretamente o sistema nervoso central. E, nas crianças menores de cinco anos, isso é particularmente mais preocupante porque o cérebro ainda está em desenvolvimento”, explica Basta.
Fonte - Revista Amazônia  27/07/2021

terça-feira, 18 de maio de 2021

Indígenas denunciam novo ataque de garimpeiros em Terra Yanomami

Direitos humanos  ✋

Duas crianças teriam sido encontradas mortas após ataque do dia 10.A informação foi divulgada em nota pública pela Associação Yanomami Hutukara. Há também relatos de novo ataque de garimpeiros na noite deste domingo (16). 

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/Pinterest
Líderes indígenas afirmaram que duas crianças Yanomami, de 1 e 5 anos, teriam sido encontradas mortas na comunidade de Palimiú após o ataque armado de garimpeiros contra indígenas, na Terra Indígena Yanomami em Roraima, no dia 10. A informação foi divulgada em nota pública pela Associação Yanomami Hutukara. Há também relatos de novo ataque de garimpeiros na noite deste domingo (16). Segundo a entidade, na segunda-feira passada (10), quando o ataque dos garimpeiros à comunidade começou, todos saíram correndo para se proteger dos tiros e muitas crianças acabaram se perdendo no mato e ficaram desaparecidas. No dia seguinte (11), algumas crianças foram encontradas, com a exceção de dois meninos. Na quarta-feira (12), os indígenas teriam encontrado os corpos dos dois meninos na água, sem vida e, segundo relataram, as crianças estavam afogadas. “À tarde [no sábado], em reunião com o Ministério Público Federal [em Boa Vista], as lideranças puderam dar mais detalhes do que se passou na comunidade e relataram que duas crianças morreram após o tiroteio iniciado no dia 10”, diz o comunicado da Hutukara. A entidade relatou que, “neste momento, a comunidade de Palimiú está sem nenhuma assistência de saúde: os profissionais de saúde foram removidos por conta dos tiroteios. Também não tem nenhuma força pública de segurança permanente no local, e os garimpeiros continuam diariamente amedrontando a comunidade”. A Hutukara denunciou que ontem à noite que recebeu ligação da comunidade de Palimiú comunicando novo ataque de garimpeiros à comunidade, que está sem força de segurança permanente da União no local, conforme determinou a Justiça Federal na semana passada. “Segundo disseram os Yanomami, eram 15 barcos de garimpeiros se aproximando contra a comunidade. Os Yanomami disseram que além dos tiros, havia muita fumaça e que seus olhos estavam ardendo, indicando o disparo de bombas de gás lacrimogênio contra os indígenas”, relatou a associação.

Decisão judicial 
Decisão expedida pela Justiça Federal no dia 13 de maio determinou que a União mantenha efetivo armado de forma permanente na comunidade Palimiú para evitar novos conflitos e garantir a segurança de seus integrantes. Também foi determinada à Fundação Nacional do Índio (Funai) que auxiliasse as forças de segurança no contato com os indígenas e no gerenciamento das relações interculturais. A Polícia Federal informou que uma equipe de policiais estava no local desde quinta-feira (13) cumprindo a decisão, mas que saiu de lá neste final de semana. Hoje (17) não há efetivo na PF fazendo a segurança da comunidade, conforme informou o órgão à Agência Brasil. A Funai informou que segue acompanhando, junto às autoridades policiais, a apuração de supostos conflitos ocorridos recentemente nas terras Yanomami, em Roraima. O órgão afirmou que mantém equipes de forma ininterrupta dentro da terra indígena, por meio de suas Bases de Proteção Etnoambiental (BAPEs). “A Funai conta com duas bases localizadas em pontos estratégicos da Terra Indígena Yanomami, que promovem ações contínuas e permanentes de vigilância, fiscalização e monitoramento territorial, a fim de combater ilícitos na região e impedir a entrada de não indígenas nas aldeias”, disse a Funai, em nota. Segundo os indígenas, nenhuma das bases fica dentro ou nas proximidades de Palimiú.

Ofício 
A Hutukara emitiu ofício nesta segunda-feira (17) sobre a insegurança a que a comunidade está submetida. Assinado pelo vice-presidente da Hutukara, Dário Vitório Kopenawa Yanomami, o documento foi enviado à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal (MPF), ao Exército e à Funai. No ofício, a entidade solicita a instalação de um posto avançado emergencial na comunidade de Palimiú, com o objetivo manter a segurança no local e no Rio Uraricoera, e que o Exército brasileiro, por meio da 1ª Brigada de Infantaria da Selva, promova apoio logístico imediato para ações dos demais órgãos públicos para garantir a manutenção da segurança no local. Em 10 de maio, dia do ataque dos garimpeiros à comunidade, a Hutukara enviou ofício aos mesmos órgãos, pedindo que atuassem para “impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiú”. O Ministério da Defesa disse, em nota, que “respondeu prontamente quanto ao envio de tropas para a região e ao apoio à Polícia Federal, após decisão judicial emitida à União” e que “tem colaborado com as ações necessárias ao cumprimento da decisão judicial”. A Agência Brasil procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Advocacia-Geral da União sobre o cumprimento da decisão judicial e o deslocamento de efetivo de segurança no local e aguarda retorno.

Histórico 
A comunidade Palimiú, localizada dentro do território Yanomami em Roraima, foi alvo de ataque de garimpeiros com armas de fogo contra a comunidade Palimiú na última segunda-feira (10). De acordo com informações da Associação Yanomami Hutukara, ao menos cinco pessoas ficaram feridas, sendo quatro garimpeiros e um indígena. Policiais federais também foram alvo de disparos no local, na terça-feira passada, quando estiveram na comunidade para apurar o ataque dos garimpeiros. No momento em que a equipe estava prestes a embarcar da comunidade com destino de volta a Boa Vista, uma embarcação de garimpeiros passou no Rio Uraricoera efetuando os disparos. A equipe se abrigou e respondeu à agressão. Não houve registro de atingidos de nenhum dos lados.

Risco aos indígenas 
O MPF já alertou para os riscos dos indígenas na região. “Esse tipo de conflito tem sido alertado pelo MPF em diversos procedimentos, inclusive com ações na Justiça Federal pedindo um plano de retirada de garimpeiros, temendo possível genocídio. A Justiça já até decidiu a favor do MPF e da retirada do garimpo ilegal na TIY”, disse o MPF. Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares entre os estados de Roraima e Amazonas, onde vivem mais de 27 mil indígenas espalhados em cerca de 331 comunidades. Essa terra indígena foi homologada em 1992 e a atividade de garimpo nela é ilegal. Metade da população desse território - um total de 13.889 indígenas - mora em comunidades a menos de 5 quilômetros de uma zona de garimpo, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Socioambiental. A estimativa é que mais de 20 mil garimpeiros entram e saem dos territórios indígenas yanomami sem nenhum controle.
Fonte - Agência Brasil  17/05/2021

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Economista: desmatamento e agressividade ideológica cobrarão preço alto do Brasil

Ponto de Vista/Meio ambiente  🌱🔍

O ano que se encerra foi marcado por muitas trocas de farpas e declarações nada amistosas entre o governo brasileiro e parceiros importantes como a China, membros da União Europeia e o presidente eleito dos Estados Unidos, gerando preocupações sobre as consequências dessas polêmicas para o Brasil. Ao longo de 2020, esses embates variaram principalmente entre conflitos ideológicos e diferenças de visão sobre a questão ambiental, sem dúvidas, um dos pontos mais sensíveis para a política externa.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
A degradação ambiental e a cruzada ideológica do governo brasileiro, responsáveis por inúmeras tensões internacionais em 2020, deverão impactar de maneira ainda mais significativa a economia do Brasil em 2021, acredita economista ouvido pela Sputnik. O ano que se encerra foi marcado por muitas trocas de farpas e declarações nada amistosas entre o governo brasileiro e parceiros importantes como a China, membros da União Europeia e o presidente eleito dos Estados Unidos, gerando preocupações sobre as consequências dessas polêmicas para o Brasil. Ao longo de 2020, esses embates variaram principalmente entre conflitos ideológicos e diferenças de visão sobre a questão ambiental, sem dúvidas, um dos pontos mais sensíveis para a política externa. Considerando as muitas perdas sofridas pelo Brasil e pelo mundo por conta da pandemia da COVID-19 e a necessidade de uma sólida recuperação em 2021, que impactos esses imbróglios poderão ter sobre a economia brasileira no próximo ano? ​Para o economista Fábio Sobral, professor da Universidade Federal do Ceará, as polêmicas iniciadas sobretudo pelo grupo mais próximo do presidente Jair Bolsonaro — quando não por ele mesmo — não apenas têm o potencial de provocar revezes para o Brasil como já estão provocando. Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista cita as recentes decisões da China de aumentar a importação de soja da Argentina e de comprar também da Tanzânia como uma estratégia para reduzir a dependência da soja brasileira, já pensando na possibilidade de as constantes tensões políticas provocadas em Brasília atrapalharem o fornecimento de matéria-prima para o mercado chinês. "Também do ponto de vista da carne, ela tem investido para uma maciça produção de carne suína na Argentina, no norte da Argentina, com a construção de imensas fazendas de criação de porcos, de suínos. Então, na agropecuária, nós podemos esperar uma concorrência intensa com a soja brasileira e com a carne brasileira. E esses investimentos que poderiam ter vindo para a agropecuária brasileira se dirigem para outras regiões." Além da agropecuária, Sobral aponta que Pequim também faz movimentos para fortalecer parcerias com outros países no setor industrial. E, muito provavelmente por conta dos sinais de instabilidade na relação bilateral enviados pelo governo brasileiro, o Brasil está sendo colocado um pouco de lado nessa nova onda de investimentos chineses. ​Fora a China, preocupa também o futuro dos laços brasileiros com a União Europeia e com os Estados Unidos de Joe Biden, cuja vitória na eleição presidencial americana gerou incômodos visíveis em Brasília, a ponto de Bolsonaro ser o último a parabenizá-lo entre os líderes do G20. No caso europeu, já há um boicote, como destaca o professor, à soja brasileira não certificada, que deve ser estendido também para a certificada, uma vez que a UE se prepara para adotar uma postura cada vez mais rígida em relação ao aumento do desmatamento no Brasil. No que diz respeito aos EUA, levando em conta as posições adotadas por Biden, a expectativa é a de que o governo americano promova grandes pressões políticas sobre a administração Bolsonaro para que esta possa se adequar às tendências de combate à degradação ambiental. "O tema ambiental é um dos que mais afeta para a área da União Europeia e dos Estados Unidos. Então, é uma área significativa. Mas, para a China, o que mais afeta é a forma agressiva com que o governo Bolsonaro tem se inserido naquele país, naquele parceiro comercial." Em resumo, de acordo com o especialista, o Brasil deverá sofrer com pressões internacionais a partir de dois motivos distintos: "O da área ambiental, o outro por uma escolha ideológica do governo em parecer medieval ou então retornar aos tempos da Guerra Fria como se o Brasil pudesse ser um ator decisivo e determinante nas pressões sobre a China", avalia o economista. Para uma economia que sofre com a desaceleração, o desemprego e com muitas incertezas, é relevante, segundo Sobral, não apenas o que o Brasil pode perder por suas escolhas equivocadas mas, principalmente, o que pode deixar de ganhar. "Então, nós deixamos de ganhar investimento, mais adiante, nós deixaremos de ter acesso a mercados e, o pior, isso será, mesmo que o governo Bolsonaro saia, difícil de ser revertido no curto prazo."
Fonte - Sputnik  25/12/2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

PF realiza a maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil

Meio ambiente 🌱

Polícia Federal realiza a maior apreensão de madeira irregular da história do Brasil.Foram 131,1 mil metros cúbicos de toras apreendidas – um volume suficiente para construir 2.620 casas.  A operação foi batizada de Handroanthus GLO, que reúne o nome científico do ipê, a árvore mais cobiçada pelos madeireiros na Amazônia, à sigla da Garantia da Lei e da Ordem.

Sputnik
foto - reprodução/Policia Federal
Uma operação da Polícia Federal na divisa do Pará com o Amazonas terminou com a maior apreensão de madeira irregular da história do Brasil. Foram 131,1 mil metros cúbicos de toras apreendidas – um volume suficiente para construir 2.620 casas. O volume foi divulgado nesta segunda-feira (21) pela Polícia Federal. No total, 43.700 toras foram apreendidas ao longo dos rios Mamuru e Arapiuns, em uma região de 20 mil km² (para efeito de comparação, o estado do Sergipe tem 21,9 mil km²). A operação foi batizada de Handroanthus GLO, que reúne o nome científico do ipê, a árvore mais cobiçada pelos madeireiros na Amazônia, à sigla da Garantia da Lei e da Ordem. "É uma área que estava sofrendo uma devastação irracional, que de forma alguma pode ser chamada de manejo florestal. O comércio ilegal de madeira sofrerá um baque muito grande com esse trabalho", disse à Folha o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, comandante da operação. Até então, o recorde de apreensão eram de 65 mil metros cúbicos de madeira ilegal extraída, também no Pará. O volume, apreendido em 2010, corresponde à metade do novo recorde. Na última quinta-feira (17), dados publicados pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostraram que o desmatamento na Amazônia foi o maior em um mês de novembro nos últimos dez anos. No dia 30 de novembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou que o desmatamento da Amazônia apresentou uma alta de 9,5% no último ano. No entanto, levando-se em conta a média dos dez anos anteriores à posse de Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu 70%, segundo o Observatório do Clima.
Fonte - Sputnik  21/12/2020

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Desmatamento da Amazônia sobe 9,5% e atinge 11 mil km2

Meio ambiente  🌱

Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia são os estados mais atingidos. A área equivale a quase duas vezes o Distrito Federal (5.802 km2). A área desmatada foi 9,5% maior do que os 10.129 km2 registrados em igual período anterior, entre agosto de 2018 e julho de 2019, informou o Inpe. Trata-se da quarta alta consecutiva. 

Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
O desmatamento na Amazônia foi de 11.088 quilômetros quadrados (km2) entre agosto de 2019 e julho de 2020, divulgou hoje (30) o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A área equivale a quase duas vezes o Distrito Federal (5.802 km2). O número, divulgado durante visita do vice-presidente Hamilton Mourão à sede do Inpe em São José dos Campos (SP), é uma estimativa do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), sistema do Estado brasileiro que monitora a Amazônia. "São dados auditados, que tem por trás deles um trabalho muito intenso", disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, também presente ao anúncio. A área desmatada foi 9,5% maior do que os 10.129 km2 registrados em igual período anterior, entre agosto de 2018 e julho de 2019, informou o Inpe. Trata-se da quarta alta consecutiva. Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, disse que a atuação das Forças Armadas no combate ao problema neste ano começou tardiamente, em maio, mas que ainda assim foi capaz de reduzir um aumento ainda mais intenso, que era esperado na casa dos 20%. "Nao estamos aqui para comemorar nada disso, que isso não é para comemorar, mas significa que os esforços que estão sendo empreendidos começam a render frutos", disse o vice-presidente. Ele frisou que 85% do desmatamento ocorre em quatro estados (Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia). "Temos consciência de qual é a área que devemos atuar", afirmou.
Fonte - Agência Brasil  30/11/2020

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Supermercados britânicos ameaçam boicote ao Brasil por proposta de lei florestal

Sustentabilidade/Economia  🌳

A Sainsbury’s, a Tesco, a Morrisons e a Marks & Spencer (MKS.L) estavam entre as mais de 40 empresas que assinaram uma carta aberta pedindo ao legislador brasileiro que rejeite o projeto de lei. , apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.Os supermercados britânicos alertaram o Brasil  que eles poderiam boicotar seus produtos se os legisladores aprovassem uma lei controversa que poderia permitir uma destruição mais rápida da floresta amazônica.

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Os supermercados britânicos alertaram o Brasil de que eles poderiam boicotar seus produtos se os legisladores aprovassem uma lei controversa que poderia permitir uma destruição mais rápida da floresta amazônica.
A Sainsbury’s, a Tesco, a Morrisons e a Marks & Spencer (MKS.L) estavam entre as mais de 40 empresas que assinaram uma carta aberta pedindo ao legislador brasileiro que rejeite o projeto de lei. , apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.
A carta dizia que a lei incentivaria “mais apropriação de terras e desmatamento generalizado”, o que colocaria em risco a sobrevivência da Amazônia, os objetivos do Acordo de Paris de 2015 sobre as mudanças climáticas e os direitos das comunidades indígenas.
“Acreditamos que isso também colocaria em risco a capacidade de organizações como a nossa de continuar comprando no Brasil no futuro”, afirmou a carta.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse anteriormente que iria apresentar o projeto no plenário do Congresso na quarta-feira para uma possível votação.
Os colonos da Amazônia brasileira reivindicam há décadas terras públicas sem sanção oficial do governo, geralmente derrubando florestas para cultivar culturas de exportação como soja ou criar gado.
A proposta apresentada ao Congresso – conhecida como “regularização fundiária” pelo lobby da agricultura e “lei de especulação fundiária” por ambientalistas – facilitará para aqueles que se estabeleceram em terras públicas historicamente obterem obras por suas propriedades, sob certas circunstâncias.
Os defensores do projeto dizem que a titulação legal da terra é um passo essencial para forçar os proprietários a cumprir as leis ambientais para limitar o desmatamento na Amazônia.
Ambientalistas dizem que a lei recompensaria efetivamente os especuladores de terras pelo desmatamento ilegal maciço realizado no passado, enquanto abria as comportas para mais desmatamentos e assentamentos de terras públicas da floresta.
O Instituto de Pesquisa da Amazônia Imazon estima que o projeto acelere o desmatamento de 11.000 a 16.000 quilômetros quadrados (4.247-6.178 milhas quadradas).
Após intenso debate no Brasil, o projeto foi substancialmente diluído em relação ao original, incluindo a remoção de uma provisão para permitir que propriedades ocupadas mais recentemente solicitem ações.
No entanto, os signatários da carta, que incluem empresas do agronegócio e investidores, como o fundo de pensão sueco AP7 e a seguradora norueguesa Storebrand (STB.OL), disseram estar “profundamente preocupados” com o projeto de lei.
“Instamos o governo brasileiro a reconsiderar sua posição e esperamos continuar trabalhando com parceiros no Brasil para demonstrar que o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental não são mutuamente exclusivos”, dizia a carta.
Fonte - Revista Amazônia  20/05/2020

sábado, 14 de março de 2020

Desmatamentos podem transformar a Amazônia em uma Savana

Meio Ambiente  🔥

O aquecimento e os danos ambientais provocados na floresta,estão levando a Amazônia para um caminho sem volta. Segundo a revista Nature Communications, o desmatamento na região corre o risco de transformar um dos maiores ecossistemas tropicais do mundo em uma savana árida nos próximos 50 anos.



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domingo, 26 de janeiro de 2020

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia

Meio ambiente  🌱🌄

Aterrados antecedem a chegada de colonizadores à região. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior.

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
Arqueólogos do Instituto Mamirauá descobriram que há ilhas artificiais, também chamadas de “aterrados”, em áreas de várzea do Médio e Alto Solimões, no Estado do Amazonas. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.
Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior. Na parte de cima, que fica na superfície inclusive na época de cheia, o material cerâmico utilizado no solo ajuda a estabilidade do terreno e as bordas têm forma de talude (rampa), que facilita acesso à água e à atividade de pesca.
Conforme o Instituto Mamirauá “foram encontradas cerâmicas do estilo corrugado, caracterizado esteticamente pelas ‘rugas’, camadas modeladas nos vasos e peças. O estilo cerâmico, datado dos séculos 15 e 16, é comum a grupos tupis”. Além desse material, os pesquisadores identificaram “fragmentos de cerâmica do estilo Hachurada Zonada, tipo ainda mais antigo – acredita-se que por volta de mil a.C.”

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A hipótese dos arqueólogos é que essas ilhas foram erguidas e utilizadas pelos omáguas, povo indígena antigo - ascendente dos atuais kambebas, etnia amazônida no Brasil e no Peru. Relatos de cronistas do século 16, que acompanharam expedições de colonizadores, registram a descrição de povos: “eles eram tantos que se arrojaram e moram em ilhas”, conforme documento histórico citado à Agência Brasil por Márcio Amaral, do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá.
O arqueólogo se impressiona com o volume de terra que os omáguas movimentaram para formar as ilhas artificiais. A terra foi retirada de locais cavados, que desde então formam depressões. “É um volume absurdo de terra que foi movimentada. Se essa movimentação de terra fosse mecanizada, seriam necessários vários tratores várias caçambas, várias pás-carregadeiras – uma estrutura monumental”, assinala.

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A estimativa é de que haja na região cerca de 250 ilhas artificiais. O número de ilhas e o volume de terra deslocado, levanta hipóteses entre os pesquisadores sobre o nível de conhecimento, a capacidade tecnológica, a densidade populacional e a organização social dos omáguas. “Certamente havia muitas pessoas e havia uma organização para essas pessoas construírem e movimentar terra. Tinha que saber onde colocar. Seguramente, havia [pessoas que cumpriam a função de] engenheiros. As ilhas são rampadas. Para aguentar a distribuição do peso fizeram com uma distribuição proporcional”, descreve Márcio Amaral.
As pesquisas feitas pelos arqueólogos do Instituto Mamirauá, com apoio do ICMBio, são desenvolvidas há cinco anos. Segundo eles, construções similares foram encontradas na Ilha do Marajó, no Pará, e em Llanos de Mojos, na Bolívia.
Fonte - Agência Brasil 26/01/2020

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Cientistas afirmam a descoberta de nova espécie de macaco na Amazônia

Ecologia  🐒

Nove anos após o encontro, em um artigo divulgado na publicação científica Primate Conservation, os pesquisadores comprovam que aquela era uma nova espécie, o Plecturocebus parecis, que recebeu o nome popular de zogue-zogue dos Parecis ou zogue-zogue-de-barba-branca.A nova espécie já está ameaçada de extinção porque sua distribuição geográfica está imersa no chamado “Arco do Desmatamento da Amazônia Brasileira”. “Em grande parte dessa região, a floresta foi convertida em pastagem e lavouras”.Ainda não existem projetos de preservação para salvar o zogue-zogue-da-barba-branca, mas um caminho foi aberto.

Revista Amazônia
Fotos - divulgação/Alberto Caldeiras


Em 2011, um grupo de pesquisadores brasileiros e americanos ficou intrigado com um macaco encontrado na Chapada dos Parecis, próximo aos municípios Pimenta Bueno e Vilhena, no extremo sul de Rondônia.
Os cientistas sabiam que o animal fazia parte do gênero Plecturocebus, todavia, possuía características diferentes das demais espécies já descritas anteriormente. O macaco de Parecis tinha a barba branca e a pelagem das costas avermelhada.
Nove anos após o encontro, em um artigo divulgado na publicação científica Primate Conservation, os pesquisadores comprovam que aquela era uma nova espécie, o Plecturocebus parecis, que recebeu o nome popular de zogue-zogue dos Parecis ou zogue-zogue-de-barba-branca.
“Ao todo foram mais de 50 variáveis investigadas. Um pouco mais que aquelas utilizadas nas últimas descrições de novas espécies de zogue-zogue. A partir dessas investigações foi aceita a nossa hipótese de espécie nova e então, descrita cientificamente”, explica Almério Câmara Gusmão, aluno de doutorado da Universidade do Estado de Mato Grosso, professor do Centro Técnico Estadual de Educação Rural Abaitará (RO) e principal autor do estudo.

A barba-branca é uma das mais marcantes características da nova espécie
Atualmente 24 espécies do gênero Plecturocebus são conhecidas no mundo e 20 delas são encontradas no Brasil. Segundo Gusmão, a aparência do zogue-zogue-de-barba-branca é única entre seus pares.
Além das costas vermelhas e da barba esbranquiçada, as mãos e a ponta do rabo também são brancas. “Não há outra espécie de Plecturocebus com essas características. O estudo de genética foi fundamental para provar que se trata realmente de uma espécie nova. Os genes analisados foram mitocondriais e nucleares. A partir deles, foi possível construir a árvore filogenética e o teste de especiação”, explica.

As diferenças físicas entre o Plecturocebus parecis e espécies similares do mesmo gênero.
Apesar dos primeiros registros do zogue-zogue dos Parecis terem sido em Rondônia, depois foram feitas observações da espécie em Mato Grosso, nos municípios de Juína, Aripuanã e Cotriguaçu.
Infelizmente, de acordo com Gusmão, a nova espécie já está ameaçada de extinção porque sua distribuição geográfica está imersa no chamado “Arco do Desmatamento da Amazônia Brasileira”. “Em grande parte dessa região, a floresta foi convertida em pastagem e lavouras”.
Ainda não existem projetos de preservação para salvar o zogue-zogue-da-barba-branca, mas um caminho foi aberto. “Na verdade, o primeiro passo para que se crie alguma ação de conservação é a descrição científica, uma espécie de “certidão de nascimento”.
Fonte - Revista Amazônia  23/01/2020

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Carbono negro encontrado no rio Amazonas revela queimadas recentes na floresta

Meio ambiente  🌱🌴

Um grupo internacional de pesquisadores quantificou e caracterizou, pela primeira vez, o carbono negro que flui pelo rio Amazonas. Os resultados do estudo, publicado na revista Nature Communications, mostraram que a maior parte desse material transferido para o oceano é “jovem”, sugerindo que foi produzido por queimadas recentes na floresta.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Queimadas na Amazônia
Elton Alisson | Agência FAPESP – Além dos rastros de destruição na floresta, as queimadas na Amazônia deixam vestígios no rio Amazonas e em seus afluentes. A queima incompleta da madeira das árvores resulta na produção de um tipo de carbono – conhecido como carbono negro – que chega às águas do Amazonas nas formas de carvão e fuligem e é transportado para o oceano Atlântico como carbono orgânico dissolvido.
Um grupo internacional de pesquisadores quantificou e caracterizou, pela primeira vez, o carbono negro que flui pelo rio Amazonas. Os resultados do estudo, publicado na revista Nature Communications, mostraram que a maior parte desse material transferido para o oceano é “jovem”, sugerindo que foi produzido por queimadas recentes na floresta.
“Constatamos por meio de análises de datação radiométrica [método que usa o radioisótopo de ocorrência natural carbono-14 para determinar a idade de materiais carbonáceos até cerca de 60 mil anos] e de composição molecular que a maior proporção do carbono negro que encontramos no Amazonas foi produzida nos últimos anos pela queima de árvores”, disse Jeffrey Edward Richey, professor da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
Pesquisador visitante do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), Richey realizou nos últimos cinco anos um projeto apoiado pela FAPESP na modalidade São Paulo Excellence Chair (SPEC), com o objetivo de elucidar o papel da bacia do Amazonas no ciclo de carbono global.
Durante o projeto, os pesquisadores coletaram amostras de carbono negro dissolvido no canal principal do rio Amazonas e em quatro afluentes – os rios Negro, Madeira, Trombetas e Tapajós – em novembro de 2015, durante uma das estações mais secas na região.
Esse período foi escolhido para a realização do estudo porque o fluxo de água estava baixo e a conectividade do rio Amazonas com sua várzea ficou limitada. “Isso permitiu obter amostras apenas de água permanente e identificar com maior acurácia as fontes de carbono negro na bacia hidrográfica”, afirmou Richey.

Marcadores moleculares
A concentração e o conteúdo de carbono-14 nas amostras foram medidos por meio de marcadores moleculares, como os ácidos policarboxílicos, liberados pela oxidação de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos do carbono negro.
As medidas quantitativas dos marcadores foram combinadas com a caracterização molecular das amostras usando técnicas de espectrometria de massa de ultra-alta resolução.
Os resultados das análises revelaram que o carbono negro dissolvido no rio Amazonas e seus afluentes e transportado para o oceano geralmente é “jovem”, mas passa por um processo de envelhecimento à medida que segue em direção ao mar.
As amostras coletadas mais longe do oceano Atlântico, como em Óbidos, no Pará, são mais jovens. Já o material encontrado mais perto do oceano tem idade mais antiga.
“Isso sugere que o envelhecimento do carbono negro pode ocorrer ao longo do trajeto entre a terra, o rio e o oceano, e que componentes mais reativos podem ser removidos durante o transporte desse material”, disse Richey.
“O material mais recente poderia entrar em um processo de mineralização até chegar ao oceano, o que causaria uma mudança de seu perfil molecular, deixando-o com um sinal de que é mais velho. Mas ainda há vários aspectos do armazenamento e transporte desse material da terra para o rio e depois para o oceano que precisamos entender melhor”, ponderou.
Por meio de um novo projeto, também apoiado pela FAPESP, os pesquisadores pretendem fazer um número maior de medições para comparar com as feitas em 2015. Dessa forma será possível identificar se a produção de carbono negro “jovem” e, consequentemente, as queimadas na floresta aumentaram nos últimos anos.
“Há uma grande preocupação com as queimadas recentes na Amazônia em relação ao destino desse carbono gerado. Parte vai para a atmosfera, na forma de dióxido de carbono, mas grande parte fica retida na terra ou na água na forma de carbono negro”, disse Richey.

Maior fonte de matéria orgânica
De acordo com os pesquisadores, o rio Amazonas é responsável por um quinto da descarga global de água doce no Atlântico e é a maior fonte única de matéria orgânica terrestre no oceano, com uma exportação média anual de 22 a 27 teragrama (27 milhões de toneladas) de carbono negro. Por isso, é um sistema crucial para entender o transporte e o ciclismo desse tipo de carbono, o mais estável da natureza.
Um componente abundante e lento no ciclo do carbono, o carbono negro atua como um sumidouro de carbono da biosfera, ao remover o composto de processos mais rápidos entre a atmosfera e a biosfera e sequestrá-lo em reservatórios sedimentares.
O conhecimento sobre a origem, a dinâmica e o destino desse material é fundamental para o desenvolvimento de modelos para prever as interações entre as mudanças climáticas e o ciclo global do carbono, apontou Richey.
“Nosso entendimento do papel do carbono negro no ciclo de carbono em escala regional e global ainda é baixo devido, em grande parte, a limitações sobre o processamento, a qualidade e o destino do carbono negro dissolvido durante sua exportação dos rios para o oceano”, afirmou o pesquisador.
“Precisamos saber, por exemplo, quanto tempo leva para o carbono negro produzido pelas queimadas recentes na floresta chegar ao rio Amazonas”, disse.
O artigo Marked isotopic variability within and between the Amazon River and marine dissolved black carbon pools (DOI: 10.1038/s41467-019-11543-9), de Alysha I. Coppola, Michael Seidel, Nicholas D. Ward, Daniel Viviroli, Gabriela S. Nascimento, Negar Haghipour, Brandi N. Revels, Samuel Abiven, Matthew W. Jones, Jeffrey E. Richey, Timothy I. Eglinton, Thorsten Dittmar e Michael W. I. Schmidt, pode ser lido na revista Nature Communications em www.nature.com/articles/s41467-019-11543-9.
Fonte - Portogente  20/09/2019

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Árvore mais alta da Amazônia é 50% mais alta do que a recordista anterior

Meio ambiente  🌱🌴

Com 88 metros de altura, supera os recordes anteriores em quase 30 metros. E a árvore não está sozinha também. O Escudo das Guiana do nordeste da Amazônia, responsável por quase 9% das florestas tropicais remanescentes do mundo, pode conter muitas dessas árvores gigantescas.Com cada uma sendo capaz de armazenar tanto carbono quanto um hectare médio de floresta tropical, nossa descoberta significa que a vasta selva pode ser um sumidouro de carbono maior do que se pensava anteriormente.

Revista Amazônia
Divulgação/Revista Amazônia
Às vezes, mesmo as maiores maravilhas naturais podem permanecer escondidas da visão humana por séculos. A Amazônia é um lugar denso, cheio de vida, com novas espécies de flora e fauna sendo descobertas quase todos os dias.
Agora, usando a mesma tecnologia de carros sem motorista nós liderados por Eric Gorgens e Diego Armando da Silva, e juntamente com colegas do Brasil, Swansea, Oxford e Cambridge descobrimos a árvore mais alta da floresta tropical.
Com 88 metros de altura, supera os recordes anteriores em quase 30 metros. E a árvore não está sozinha também. O Escudo das Guiana do nordeste da Amazônia, responsável por quase 9% das florestas tropicais remanescentes do mundo, pode conter muitas dessas árvores gigantescas.
Com cada uma sendo capaz de armazenar tanto carbono quanto um hectare médio de floresta tropical, nossa descoberta significa que a vasta selva pode ser um sumidouro de carbono maior do que se pensava anteriormente.
Nós não tropeçamos por acaso nessas árvores enquanto passeávamos na floresta. Entre 2016 e 2018, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (INPE) coordenou um projeto para escanear a laser grandes áreas da Amazônia.
Este projeto digitalizou 850 áreas de floresta distribuídas aleatoriamente, cada uma com 12 km de comprimento e 300 m de largura. Sete desses trechos continham evidências de árvores com mais de 80 metros de altura. A maioria deles estava localizada na área ao redor do rio Jari, um afluente norte da Amazônia.
Ficamos surpresos com as alturas das árvores gigantescas relatadas pelas varreduras, então partimos em uma jornada para confirmar as descobertas com nossos próprios olhos, determinar suas espécies e, é claro, escalá-las.

A jornada
Partimos de barco de Laranjal do Jari, no nordeste do Brasil, em um calor úmido de 35 ℃. A primeira etapa de nossa jornada nos levou à vila de São Francisco do Iratapuru, uma comunidade que produz castanha do brasil sustentável. A comunidade forneceu quatro barcos e 12 pessoas para nos guiarem pelo rio e pela floresta densa e implacável.
Sem a assistência de especialistas, não teríamos superado os obstáculos que se seguiram – o primeiro dos quais foi a cachoeira de Itacará. Levamos o segundo dia inteiro para transportar os pesados ​​barcos de madeira e todo o nosso equipamento por terra acarpetada por vegetação densa para evitar a cachoeira.
Além de Itacará, o rio variou de 300 metros de largura e sereno a 30 metros de rochas e corredeiras. Ficamos aliviados ao ver que alguém havia embalado muitas hélices sobressalentes para os motores de popa no final da viagem, tínhamos usado cada uma delas.
A certa altura, nossa hélice atingiu uma rocha submersa e quebrou, deixando-nos sem poder ou direção, exatamente quando estávamos tentando forçar o nosso caminho rio acima através de uma seção de corredeiras.
Atravessamos o equador no terceiro dia e percorremos 70 km, antes de passar a maior parte do dia seguinte dentro do rio, com água até a cintura, transportando os barcos por oito quilômetros de corredeiras e rochas com cordas e mãos.
Depois de percorrer 240 km no total, finalmente chegamos ao acampamento base no sexto dia. Muitas das árvores altas ficavam bem perto do rio, para que pudéssemos visitá-las facilmente do nosso acampamento embora cortar a densa vegetação rasteira fosse um trabalho tão difícil que não tivemos tempo de visitar todos os locais-alvo revelados pelo dados do laser.
Passamos os próximos dias coletando amostras e medindo as árvores. O destaque foi o nosso alpinista, Fabiano, subindo diretamente nas árvores para medir sua altura à moda antiga – balançando uma corda do topo.
Encontramos pelo menos 15 árvores gigantes, todas com mais de 70 m de altura e algumas superando facilmente 80 m. Surpreendentemente, nessa diversa floresta tropical, todas essas árvores eram da mesma espécie Angelim vermelho (Dinizia excelsa). Esta espécie é comum na Amazônia, frequentemente usada para madeira devido à sua madeira forte, embora fedorenta. Anteriormente, pensava-se que crescia para apenas 60 m.
Ainda não sabemos como essas árvores conseguiram crescer muito mais. Como espécies pioneiras as primeiras a crescer em novas áreas ou lacunas na vegetação. É possível que tenham se aproveitado de alguma perturbação do passado que limpou parte da floresta, talvez causada por uma tempestade ou por habitação humana. O fato de terem sobrevivido por tanto tempo e crescido tão alto deve ser pelo menos em parte graças ao seu distanciamento absoluto das áreas urbanas e da indústria.

Colosso de carbono
A tecnologia de escaneamento a laser que permitiu essa e outras descobertas recentes de árvores gigantescas não é apenas um brinquedo para os amantes de árvores. Permite que os cientistas mapeiem a estrutura da floresta e o armazenamento de carbono com detalhes surpreendentes e em escalas sem precedentes, e assim avaliam melhor sua importância no ciclo global do carbono. Vários projetos também estão coletando dados repetidos, o que nos permitirá monitorar a mudança da saúde em florestas vitais como essas.
Nesse caso, nossa pesquisa sugere que o nordeste da Amazônia poderia armazenar muito mais carbono do que se pensava anteriormente. Cada angelim vermelho pode armazenar até 40 toneladas de carbono isso é o equivalente a entre 300 e 500 árvores menores, ocupando o espaço equivalente a 20 delas.
E, embora tenhamos visitado apenas 15 árvores, essa foi uma pequena proporção das árvores reveladas pelos dados da varredura a laser, que em si era coberto apenas por uma pequena proporção do Escudo da Guiana. Portanto, é provável que haja muito mais árvores gigantes por aí – e algumas podem ser ainda mais altas que a nossa recordista.
No atual clima político, há muitas razões para se preocupar com a Amazônia, mas ainda há espaço para admiração. O fato de que descobertas como essas ainda estão sendo feitas – mesmo enquanto partes da floresta estão sendo destruídas pela exploração madeireira, queima e expansão agrícola – demonstra o quanto ainda resta a aprender sobre esse incrível e misterioso ecossistema.
Infelizmente, é provável que muitas espécies desconhecidas na Amazônia sejam extintas antes mesmo de as descobrirmos. Devemos fazer todo o possível para proteger esta majestosa floresta tropical e os tesouros – conhecidos e desconhecidos – que ela contém.
Fonte - Revista Amazônia  16/09/2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Como sofreremos com a perda da Amazônia

Meio ambiente  🌱🌴

A Amazônia concentra 33% do sistema de biodiversidade planetária, 20% das águas doces e 250 povos indígenas que falam diferentes línguas. Eles têm uma convivência harmônica com a natureza, pois consideram que plantas, animais e minerais têm alma.As redes de destruição começam pela queimada, depois entra a pecuária e por fim o agronegócio. Esse processo é irreversível. As últimas queimadas resultaram de acordos entre pecuaristas e grileiros que combinaram o ‘dia do fogo’, onde mais de 15 mil pontos de incêndios foram mapeados pelos satélites do Inpe e da Nasa.

Vera Gasparetto - Portogente
Paraubebas/Pará - Fotos Públicas/Bombeiros do Pará 
A perda da maior floresta tropical do mundo, alerta especialista, exigiria de todos – governo e sociedade – ação urgente de proteção da Amazônia.
O professor titular em Climatologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), João Lima Sant’Anna, atualmente professor visitante na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), falou a uma plateia lotada sobre o tema “A Amazônia e o futuro da humanidade: utopias, entropias e distopias”, em evento realizado no dia 30 de agosto último, no Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH/UFSC).
Sua fala baseia-se na ideia de que a Amazônia é uma extensão da vida humana e que os seus 5 milhões de metros quadrados concentram flora e fauna que já não existem mais no Planeta. Apesar disso, a maior floresta tropical faz parte do imaginário de grande parte da sociedade brasileira ainda como um lugar utópico, ideal, distante e intocado, “tal qual uma visão do paraíso”, que encerra no lema “A Amazônia é nossa” a percepção do senso comum sobre seu território.
A Amazônia concentra 33% do sistema de biodiversidade planetária, 20% das águas doces e 250 povos indígenas que falam diferentes línguas. Eles têm uma convivência harmônica com a natureza, pois consideram que plantas, animais e minerais têm alma. Mas, adverte Sant’Anna, a Amazônia não é nossa faz tempo. A opção pela abertura do território se acentuou nos anos 1970 com os governos militares que optaram por uma estratégia de desenvolvimento que priorizou obras de infraestrutura e integração nacional, abriu estradas no coração amazônico e ligou o leste com o oeste. O desmatamento acompanha rios e grandes rodovias, que servem de entrada para os grileiros, que, segundo ele, já tomaram 40% das terras amazônicas.
“As redes de destruição começam pela queimada, depois entra a pecuária e por fim o agronegócio. Esse processo é irreversível. As últimas queimadas resultaram de acordos entre pecuaristas e grileiros que combinaram o ‘dia do fogo’, onde mais de 15 mil pontos de incêndios foram mapeados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Nasa [National Aeronautics and Space Administration ou Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, agência do governo dos Estados Unidos responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial]”, afirma o professor.
Sant’Anna diz que foram desenvolvidos, entre os anos 1970 e 1980, na região, dois projetos fundamentais à sustentabilidade: o Projeto Floram, da Universidade de São Paulo (USP), que realizou centenas de estudos das florestas e biodiversidades, e a Teoria dos Refúgios, de Paulo Ranzolini, que mapeou as áreas que precisam ser preservadas, intocadas e demarcadas para as comunidades indígenas. “Esses dois projetos influenciaram as políticas ambientais na Amazônia nos últimos tempos, produzindo informação para a efetivação de políticas públicas de proteção à biodiversidade e às comunidades. Entretanto as redes de proteção e as estruturas de fiscalização e a legislação vêm sendo desmontadas muito rapidamente, especialmente no âmbito do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade] desde o governo Temer.”

O ar condicionado do mundo
O aquecimento global, ensina o especialista, é um fato científico comprovado por todas as estações meteorológicas existentes na Terra. “O único dilema é o quanto esse aquecimento é natural ou de origem antropogênica, pois os climas do passado revelam que mesmo sem humanidade a Terra aquece”, pondera. Ele afirma, enfaticamente, que a Amazônia e seu sistema entrópico é “o ‘ar condicionado’ do mundo”, pois tem o papel de resfriador que impacta na mudança climática e na temperatura média da Terra, devido aos desmatamentos de 20 a 30 mil hectares/ano.
Sem a floresta o clima seria desértico, o que alerta para o risco de savanização e arenização da Terra que impactará a agricultura, na precipitação de chuvas e umidade que levarão aos aumentos de temperatura, ar mais seco e à ausência de água para o abastecimento da população e a produção agrícola, que afetarão de imediata os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, além de um grande efeito nas atividades econômicas de todo o País.
“A noite escura em São Paulo é consequência desse fenômeno originada pelo movimento atmosférico, que circula pela Amazônia e passa pelo sudeste. São os rios voadores, originados pela circulação de massas de água decorrentes da circulação atmosférica. Se continuarem queimando viram as partículas da destruição, com significados inimagináveis para o futuro”, concluiu Sant’Anna, exemplificando a distopia.
Fonte - Portogente  09/09/2019

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Caso Amazônia: ignorância e ingenuidade diplomática

Ponto de Vista  🔍🌱🌴

Conhecer a Amazônia não significa declinar dos constructos econômicos que pautam o desenvolvimento de uma nação e isentar todas as instituições locais. A crítica vazia e desacompanhada de um plano de ação pode convencer os eleitores mais devotos, mas não serve de retórica no desenvolvido ambiente político internacional ao qual este governo não registra nenhuma habilidade para transitar.

Gleriani Ferreira*
foto - ilustração/arquivo
Há poucos dias o Brasil estampou a capa da The Economist, não por algo glorioso. Estivemos lá porque somos incapazes de cuidar da nossa floresta.
Conhecer a Amazônia não significa declinar dos constructos econômicos que pautam o desenvolvimento de uma nação e isentar todas as instituições locais. Por exemplo, na minha tese dentro da Faculdade de Administração da Universidade de São Paulo, pesquisei os gargalos que impedem a competitividade da cadeia produtiva da piscicultura na Amazônia brasileira. O livro Fundo Amazônia cooperação internacional e gestão brasileira, organizado pelo professor Jacques Marcovitch da mesma universidade, contou com mestrandos e doutorandos in loco, descrevendo projetos do Fundo Amazônia com críticas, por exemplo, ao fato do escritório sede estar localizado no Rio de Janeiro, longe da realidade amazônica.
Porém, tais críticas não invalidam o exímio trabalho que algumas ONGs, fiscais e instituições realizam na região. Sim, mais de 20 milhões de pessoas precisam de trabalho e renda para o desenvolvimento local e qual o plano do governo para isso? Não basta criticar, tem que apresentar propostas e trabalhar.
A crítica vazia e desacompanhada de um plano de ação pode convencer os eleitores mais devotos, mas não serve de retórica no desenvolvido ambiente político internacional ao qual este governo não registra nenhuma habilidade para transitar.
Fosse diferente e não teria renegado a verba destinada ao Fundo Amazônia da pior maneira possível: ofendendo a Alemanha. Wilson Lima, governador do Amazonas já reclama dessa perda e outros virão na sequência. Pois, eles sabem que os recursos doados ajudam, inclusive, a sustentar a estrutura do Corpo de Bombeiros de estados que lutam pelo combate aos incêndios na Amazônia.
A crítica é salutar dentro de uma democracia e podemos sonhar com a independência financeira ao desprezar recursos estrangeiros. Mas criamos um ambiente hostil com a Europa e pedimos apoio financeiro à Israel. Qual era a estratégia do governo? O que ganhamos com isso?
Nossa ineficiência é escancarada ao mundo porque a região que abriga a maior riqueza natural do planeta, registra os piores índices de desenvolvimento humano. Isso porque na Amazônia não existe nenhum município com IDH-M alto ou muito alto.
Mais do que críticas às instituições e declarações que desautorizam o IBAMA e criam um cenário benéfico para a ilegalidade, o Brasil carece de um plano de ação com mecanismos claros para o monitoramento das ONGs, o uso dos recursos e a criação de cadeias produtivas completas e competitivas lá na Amazônia.
A ingenuidade e o completo despreparo político agora rendem retrocesso nas negociações comerciais. Claro, qual é a novidade? Apenas um governo despreparado desconhece as bases em que são formados os acordos diplomáticos e políticos. Bastasse um mínimo de diplomacia e ética para o Brasil encontrar o caminho do desenvolvimento.

No entanto, estamos mais distantes do que nunca desse rumo.
A cada dia assistimos a novos episódios desastrosos de improviso, ignorância e hostilidade. Tudo o que não precisamos.
*Gleriani Ferreira
É professora de Sustentabilidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville
Fonte - Portogente  03/09/2019

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Amazônia! Amazônia!

Meio Ambiente  🌱🌴🐒 🐦

Diante dos dados alarmantes recolhidos pelos sistemas de satélite sobre o aumento na devastação em várias porções da floresta amazônica, o Ministério Público Federal (MPF) no Pará conduz investigações em três municípios e na capital paraense, para apurar a diminuição no número de fiscalizações ambientais na região, a ausência da Polícia Militar do estado no apoio às equipes de fiscalização e o anúncio, veiculado em um jornal de Novo Progresso (sudoeste do estado) convocando fazendeiros para promoverem um “Dia do Fogo”, na semana passada.

Portogente
Fumaça das queimadas na Amazônia registrada do espaço.
Imagem do dia no site da Agência Espacial Americana:
 NASA Worldview,
Earth Observing System Data and Information System(EOSDIS)
Brasil chama, em chamas, a atenção do mundo. Ministério Público Federal no Pará investiga atos criminosos e até um anúncio em jornal local convocando fazendeiros para promoverem o "Dia do Fogo".
Diante dos dados alarmantes recolhidos pelos sistemas de satélite sobre o aumento na devastação em várias porções da floresta amazônica, o Ministério Público Federal (MPF) no Pará conduz investigações em três municípios e na capital paraense, para apurar a diminuição no número de fiscalizações ambientais na região, a ausência da Polícia Militar do estado no apoio às equipes de fiscalização e o anúncio, veiculado em um jornal de Novo Progresso (sudoeste do estado) convocando fazendeiros para promoverem um “Dia do Fogo”, na semana passada.
Como o País sairá desse desastre inconcebível? Ainda mais desacreditado em termos políticos, acima de tudo. Perdemos todos! Ficamos pobres. Ficamos mais indecentes. Ficamos mais pequenos e apequenados.
Os procuradores da República em Santarém, Itaituba, Altamira e Belém apuram a relação entre a redução da fiscalização ambiental e o crescimento, registrado em dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 50% no desmatamento e de 70% nas queimadas.
Para o MPF, “o enfrentamento do desmatamento ilegal é uma política de Estado, não de governos específicos”, está previsto em inúmeros compromissos nacionais e internacionais do Brasil e é imposto pela Constituição brasileira e pela Política Nacional de Meio Ambiente que diz: “a ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo”.
O procurador Camões Boaventura destacou “a existência de diversos estudos científicos que correlacionam o desmatamento e as queimadas à perda expressiva da biodiversidade, ao aquecimento global, à desregulação hidrológica dos regimes de chuvas, à insegurança alimentar (sobretudo dos povos da floresta) e à ampliação de doenças de origem ambiental, como as cardiorrespiratórias”. “Em suma, o enfrentamento do desmatamento e das queimadas não é faculdade do Poder Público. É dever!”, diz no documento que deu início ao procedimento de apuração em Santarém.
O procurador afirma que, apesar dos dados oficiais mostrarem aumento no desmatamento e dos relatos recebidos de povos da floresta confirmarem a emergência de crimes ambientais, o MPF tem recebido cada vez menos autos de infração – documentos que resultam da fiscalização ambiental – lavrados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Viramos o mito da vergonha.
* Com informações da assessoria de comunicação do MPF.
Fonte - Portogente  23/08/2019

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

AMAZÔNIA EM CHAMAS - A FLORESTA PEDE SOCORRO

Meio Ambiente  🌱 🌴 🐒 🐦

OS ESPÍRITOS DA  FLORESTA PEDEM SOCORRO.....A FLORESTA ARDE EM CHAMAS, POVOS DAS FLORESTAS E INDÍGENAS ACUADOS, ANIMAIS E ÁRVORES CARBONIZADOS,CIDADES COBERTAS POR NUVENS DE FUMAÇA, O MEIO AMBIENTE SENDO DESTRUÍDO, A ESPERANÇA VIRANDO CINZAS.


A FLORESTA PEDE SOCORRO







Foto - Inpe

FOREST SPIRITS ASK FOR HELP ..... FOREST ARDS IN FLAMES, ACUTED INDIGENOUS PEOPLE, CARBONIZED TREES AND ANIMALS, CITIES COVERED BY SMOKE, HOPE BEING DESTROYED.