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domingo, 26 de janeiro de 2020

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia

Meio ambiente  🌱🌄

Aterrados antecedem a chegada de colonizadores à região. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior.

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
Arqueólogos do Instituto Mamirauá descobriram que há ilhas artificiais, também chamadas de “aterrados”, em áreas de várzea do Médio e Alto Solimões, no Estado do Amazonas. Essas ilhas foram construídas em períodos que antecederam a chegada de colonizadores portugueses e espanhóis à região.
Mais de 20 ilhas foram identificadas. Elas medem entre um e três hectares e têm até sete metros de altura. As ilhas têm formato piramidal com a base maior. Na parte de cima, que fica na superfície inclusive na época de cheia, o material cerâmico utilizado no solo ajuda a estabilidade do terreno e as bordas têm forma de talude (rampa), que facilita acesso à água e à atividade de pesca.
Conforme o Instituto Mamirauá “foram encontradas cerâmicas do estilo corrugado, caracterizado esteticamente pelas ‘rugas’, camadas modeladas nos vasos e peças. O estilo cerâmico, datado dos séculos 15 e 16, é comum a grupos tupis”. Além desse material, os pesquisadores identificaram “fragmentos de cerâmica do estilo Hachurada Zonada, tipo ainda mais antigo – acredita-se que por volta de mil a.C.”

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A hipótese dos arqueólogos é que essas ilhas foram erguidas e utilizadas pelos omáguas, povo indígena antigo - ascendente dos atuais kambebas, etnia amazônida no Brasil e no Peru. Relatos de cronistas do século 16, que acompanharam expedições de colonizadores, registram a descrição de povos: “eles eram tantos que se arrojaram e moram em ilhas”, conforme documento histórico citado à Agência Brasil por Márcio Amaral, do Grupo de Pesquisa em Arqueologia e Gestão do Patrimônio Cultural da Amazônia do Instituto Mamirauá.
O arqueólogo se impressiona com o volume de terra que os omáguas movimentaram para formar as ilhas artificiais. A terra foi retirada de locais cavados, que desde então formam depressões. “É um volume absurdo de terra que foi movimentada. Se essa movimentação de terra fosse mecanizada, seriam necessários vários tratores várias caçambas, várias pás-carregadeiras – uma estrutura monumental”, assinala.

Pesquisa descobre ilhas construídas por indígenas na Amazônia 
 Márcio Amaral/ Instituto Mamirauá
A estimativa é de que haja na região cerca de 250 ilhas artificiais. O número de ilhas e o volume de terra deslocado, levanta hipóteses entre os pesquisadores sobre o nível de conhecimento, a capacidade tecnológica, a densidade populacional e a organização social dos omáguas. “Certamente havia muitas pessoas e havia uma organização para essas pessoas construírem e movimentar terra. Tinha que saber onde colocar. Seguramente, havia [pessoas que cumpriam a função de] engenheiros. As ilhas são rampadas. Para aguentar a distribuição do peso fizeram com uma distribuição proporcional”, descreve Márcio Amaral.
As pesquisas feitas pelos arqueólogos do Instituto Mamirauá, com apoio do ICMBio, são desenvolvidas há cinco anos. Segundo eles, construções similares foram encontradas na Ilha do Marajó, no Pará, e em Llanos de Mojos, na Bolívia.
Fonte - Agência Brasil 26/01/2020

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Sítio arqueológico é encontrado no Rio durante escavações do VLT

Transportes sobre trilhos  🚄

O local fica há cerca de um quilômetro do Cais Valongo, o maior porto escravagista da história, já declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Os arqueólogos que conduzem as pesquisas no local cruzaram mapas da época com informações de jornais, e a localização bate com anúncios de venda de escravos presentes no Jornal do Comércio.

Raquel Júnia - EBC
foto - ilustração/arquivo
Objetos e o alicerce de uma loja do final do século XIX que se dedicava ao comércio de escravos podem ter sido descobertos no centro do Rio. O sítio arqueológico foi encontrado durante as escavações para a linha 3 do Veículo Leve sob Trilhos, o VLT, na rua Miguel Couto, no centro do Rio.
O local fica há cerca de um quilômetro do Cais Valongo, o maior porto escravagista da história, já declarado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Os arqueólogos que conduzem as pesquisas no local cruzaram mapas da época com informações de jornais, e a localização bate com anúncios de venda de escravos presentes no Jornal do Comércio.
Ao final das pesquisas, devem ser definidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, medidas a serem adotadas pela concessionária e pelo poder público para dar visibilidade aos achados, mas por enquanto não há a possibilidade de que a estrutura subterrânea fique exposta e nem que se altere o trajeto do VLT.
A arqueóloga do Iphan do Rio, Maria Cristina Leal Rodrigues, responsável por fiscalizar as pesquisas, afirma que a exposição total do sítio não é viável pelo fato de ele se encontrar no meio da via.
A descoberta só foi possível porque como parte do licenciamento da obra foi demandada pelo Iphan uma pesquisa arqueológica. O procedimento é comum em alguns tipos de obras que envolvem regiões com patrimônio cultural.
Roberto Stanchi, responsável pela Coordenação Nacional de Licenciamento do Instituto, explica que em várias cidades pelo Brasil e inclusive em outras partes do mundo com história muito mais antiga, como Roma, por exemplo, existem várias camadas de história e que nem tudo fica exposto, entretanto, ele reforça a necessidade de o país aprimorar essa relação entre o desenvolvimento e a preservação do patrimônio.
As pesquisas para que as obras prossigam devem durar pelo menos até outubro. O VLT já fez uma adequação no projeto, com a instrução do Iphan, para realizar um asfaltamento mais alto do que o originalmente previsto para a preservação do sítio. Entre os objetos encontrados, está uma bola de ferro, que pode ter sido usada como um grilhão.
Fonte - EBC Radioagencia Nacional 13/08/2018  

sábado, 7 de janeiro de 2017

Dinossauros de 145 milhões de anos atrás são encontrados na China

Ciência&Tecnologia  🐾

Segundo os cientistas, os restos mortais podem pertencer a quatros tipos de saurópodes (grupo de dinossauros saurísquios, quadrúpedes e com patas longas). 

Sputnik
foto - ilustração
Restos de dinossauros que, supostamente viveram há mais de 145 milhões de anos, foram descobertos na província de Guizhou, no sudoeste da China, informou a Televisão Central da China CCTV.
Os montes, perto da região chinesa de Bijie, foram palco da descoberta. Segundo os cientistas, os restos mortais podem pertencer a quatros tipos de saurópodes (grupo de dinossauros saurísquios, quadrúpedes e com patas longas). Tais criaturas habitaram a região nos tempos jurássicos, período da era Mesozoica que compreende uma faixa de tempo entre os 56 e 145 milhões de anos atrás. Segundo os arqueólogos, anteriormente, no local da descoberta havia um bebedouro de dinossauros.
De acordo com os pesquisadores, as pegadas dos dinossauros do Jurássico, descobertos pela primeira vez na província de Guizhou, possuem um comprimento máximo de 30 centímetros. Já a altura das pegadas dos dinossauros poderia alcançar os 6 metros.
Fonte - Sputnik  07/01/2017

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Obras na Rua Chile em Salvador revelam pequenos achados arqueológicos

Arqueologia

Esses são alguns dos três mil objetos arqueológicos descobertos embaixo da Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador, e que estão vindo à tona com o Projeto Pelas Ruas do Centro Antigo de Salvador, do Governo do Estado, na primeira semana do programa de diagnóstico e prospecção arqueológica da área.

Da Redação
foto - Ascom Conder
Peças de metal, pinos em cobre, conchas e corais, além de restos de tijolos, telhas e fragmentos de louças dos séculos 18 e 19. Esses são alguns dos três mil objetos arqueológicos descobertos embaixo da Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador, e que estão vindo à tona com o Projeto Pelas Ruas do Centro Antigo de Salvador, do Governo do Estado, na primeira semana do programa de diagnóstico e prospecção arqueológica da área.
Segundo informações de Luiz Fernando Erig Lima, integrante da equipe de arqueólogos contratada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), o material encontrado será encaminhado ao laboratório da A Lasca Arqueologia, empresa paulista especializada na avaliação e proteção de bens culturais tombados, responsável pelo projeto da Rua Chile, onde será higienizado, classificado, catalogado e depois seguirá para o Museu Arqueológico da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), no bairro da Caixa D’ Água, em Salvador.
Os estudos preventivos são necessários para a implantação da vala única, que abrigará a fiação elétrica, os cabos de fibra ótica, a rede de gás, a distribuição de água e a coleta de esgoto. A proposta é a criação dessa nova estrutura na Rua Chile, proporcionando a valorização do patrimônio histórico e, ao mesmo tempo, a melhoria da acessibilidade.

foto - Ascom Conder
A atividade arqueológica vem sendo desenvolvida por etapas. Em agosto foi realizada a pesquisa histórica para a coleta de dados existentes sobre a rua. A conclusão do trabalho está prevista para o final de outubro, quando os resultados serão apresentados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A iniciativa integra o projeto Pelas Ruas do Centro Antigo de Salvador, do Governo do Estado, com investimento de R$ 124 milhões para a melhoria da infraestrutura urbana em mais de 200 ruas da região, formada por 11 bairros. A obra na Rua Chile integra o lote 2 do projeto, que compreende ainda os bairros do Centro, Dois de Julho, Nazaré e Politeama, onde estão sendo investidos R$42,9 milhões.

Patrimônio da Humanidade
A Chile, primeira rua do Brasil, está localizada em uma área de alto valor histórico e cultural em Salvador, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 1984, e reconhecida pela Unesco, um ano depois, como Patrimônio da Humanidade.
Com informações da Secom Bahia  22/09/2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Linha 4 do Metrô do Rio revela tesouros arqueológicos

Arqueologia

Foram encontrados cerca de 220 mil artefatos na região da Leopoldina. Desde então, o trabalho dos arqueólogos, coordenado por Claudio Prado de Mello, é triar, limpar, analisar e tombar as peças.

Correio do Brasil

Em 2013, a equipe de arqueologia contratada pelo Consórcio Linha 4 Sul encontrou cerca de 220 mil artefatos arqueológicos na região da Leopoldina, onde hoje estão estocadas as aduelas, anéis de concreto que formam os túneis entre Ipanema e Gávea da Linha 4 do Metrô. Desde então, o trabalho dos arqueólogos, coordenado por Claudio Prado de Mello, é triar, limpar, analisar e tombar as peças.
– Nosso objetivo é que todas as 220 mil peças já estejam registradas quando o sítio for reaberto, no ano que vem. Sabemos que vamos resgatar mais milhares de peças e o volume de trabalho será grande de novo – afirmou Claudio.
O material resgatado em 2013 ficou armazenado em dois depósitos grandes, em sacos numerados, ainda com a terra do local onde foram encontrados. Todos os dias, os sacos são abertos, o material é peneirado, passa por triagem, é limpo e colocado para secar. Se estiver em pedaços que possam ser colados, são consolidados em peças inteiras ou o mais próximo disso. Depois, os artefatos são tombados (registrados) e identificados de acordo com o material e o estilo.

Peças de 3 mil anos
Deste trabalho, foram identificadas cerca de 50 artefatos de pedra (pontas de lança, batedores e raspadores) e mais de 700 conchas características da Pré-História. São peças de 3 a 4 mil anos atrás, do período quando os paleoíndios,que circulavam pelas terras ao redor da Baía de Guanabara, eram caçadores-pescadores, coletores e nômades.
Todo o trabalho é coordenado pelo Governo do Estado e o Consórcio Linha 4 Sul, e tem a fiscalização federal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e municipal do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).
Fonte - ANPTrilhos  27/01/2016

sábado, 26 de outubro de 2013

Monumento anterior aos Vikings é descoberto em obra de trem na Suécia‏

Internacional


UOL
Vista aérea da região do velho Upsal, na Suécia, mostra buracos e restos de pilares que foram encontrados durante uma obra de trem - a maior das fileiras chega a um quilômetro de extensão. De acordo com o Conselho Nacional Sueco do Patrimônio, trata-se de um monumento da Idade do Ferro, anterior à era dos Vikings, que marcava o acesso ao histórico centro comercial e religioso do país.
Arqueólogos suecos anunciaram nesta sexta-feira (18) a descoberta do maior monumento da Idade do Ferro do país, na região do Velho Upsal, anterior à era viking.
Os pesquisadores se preparavam para escavar o solo para a construção de uma nova linha de trem, 70 km ao Norte de Estocolmo, quando se depararam com duas fileiras de pilares de madeira.
Lena Borenius-Joerpeland, arqueóloga do Conselho Nacional Sueco do Patrimônio, indicou que o monumento, perto de uma necrópole da Idade do Ferro escandinava, parece remontar ao século 5.
A maior das duas fileiras tem um quilômetro de extensão e conta com 144 pilares. A outra tem a metade disso. "Os pilares eram altos, talvez medindo entre oito e dez metros", explicou Lena.
"Eram vistos a uma grande distância e, provavelmente, marcavam o acesso ao Velho Upsal", prosseguiu. "Poderia se tratar de uma demarcação territorial ou religiosa", acrescentou.
Hoje só se encontram conservados alguns restos de pilares, e os buracos nos quais eles estavam colocados. Na Idade do Ferro na Escandinávia, o Velho Upsal era um importante centro de comércio, religião, artesanato e administração judicial.
Os arqueólogos encontraram também ossos de cavalos, vacas e porcos nos buracos dos pilares: provas, segundo eles, de que ali eram sacrificados animais.
No entanto, quem ergueu o monumento e com que propósito permanece um mistério. "Poderia ser um marco territorial ou uma demarcação religiosa", disse.
Fonte - CFVV Sul de Minas  25/102013

sábado, 14 de setembro de 2013

Obras de infraestrutura representam possibilidades e riscos ao patrimônio histórico, dizem arqueólogos

Arqueologia

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Nas escavações em canteiro de obra da linha 4 do metrô 
do Rio, foi descoberto um sítio arqueológico na área 
atrás da antiga Estação Leopoldina, região central 
da capital fluminense (Tomaz Silva/ABr)  
  EBC
Rio de Janeiro – O incremento da atividade econômica tem sido o principal vetor de crescimento das  pesquisas arqueológicas no Brasil. Mas se por um lado, as centenas de obras de infraestrutura em território nacional têm possibilitado diversas descobertas, por outro, têm gerado a destruição do patrimônio histórico, segundo arqueólogos.
Para o arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo (USP), a arqueologia brasileira vive um momento paradoxal. A economia aquecida, combinada às leis ambientais e patrimoniais motivaram nos últimos 20 anos a multiplicação de cursos de graduação e pós-graduação em arqueologia, além da geração de empregos e de investimentos em pesquisa. Entretanto, segundo ele parte do patrimônio arqueológico foi e está sendo destruído em nome do progresso. “Estamos estudando muita coisa, mas muito está sendo destruído e não temos noção do tamanho dessa destruição, que é irreversível”.
A crítica do arqueólogo refere-se à forma como a maioria das pesquisas está sendo desenvolvida nos últimos anos em canteiros de obras. Esse tipo de pesquisa é chamada de arqueologia de contrato ou preventiva e por uma imposição legal é realizada em obras que necessitam de licenças ambientais.
Dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revelam que de 1991 a 2012, o Instituto aprovou 6.114 projetos, sendo mais de 5 mil relativos a esse tipo de arqueologia, advinda do licenciamento ambiental. Nos últimos dez anos, esse tipo de arqueologia mais que triplicou no país, sobretudo, devido às obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e preparativas para os megaeventos.
Neves, que já trabalhou como consultor em algumas obras de infraestrutura pelo país, dedica-se hoje exclusivamente à academia. Especialista em arqueologia na região amazônica, ele tem recordações desagradáveis das pesquisas que fez em grandes empreendimentos e afirmou que boa parte do patrimônio encontrado acabou abandonada após o fim das obras.
Ele ressalta que o momento exige ações imediatas por parte das autoridades e da academia para garantir a sobrevivência desses bens culturais finitos. Todos os envolvidos no processo de resgate, pesquisa, preservação e difusão de conhecimento dos bens arqueológicos deveriam se unir e dialogar na busca de garantir a expansão das obras, sem comprometer o patrimônio arqueológico.
“O Brasil tem uma agenda de desenvolvimento muito intensa, tem um potencial de crescimento muito grande, pois passou muito tempo parado. Mas nesse processo, muita coisa está se perdendo. Talvez a troca de experiências e a cooperação entre governo, acadêmicos e empresários possam reverter isso. O desafio é de todos”, declarou ele.
Para a diretora do escritório de arqueologia Scientia Consultoria, Maria do Carmo Mattos Monteiro dos Santos, a arqueologia de contrato ou preventiva não difere em nada da arqueologia acadêmica em seu objetivo central de resgatar, estudar e preservar o patrimônio cultural. “A diferença é o cronograma e o orçamento fechados. Mas não acho que isso represente prejuízo científico”, contou. “Temos um levantamento de vários estudantes da Universidade do Estado de São Paulo (USP) fazendo pesquisas com temas advindos da arqueologia preventiva”.
Maria do Carmo lamentou, no entanto, que pouco do que é descoberto é divulgado à população. “A socialização do conhecimento, dos resultados por meio da educação patrimonial, não está acontecendo na velocidade ideal”. Ela lembrou que a educação patrimonial, que envolve projetos de divulgação sobre os achados arqueológicos às populações diretamente envolvidas, é uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) há pouco mais de dez anos. “Está havendo uma evolução gradual e contínua dessas ações, graças a atuação do Iphan”.
Fonte - Agência Brasil 14/09/2013

Relíquias arqueológicas intactas são encontradas no centro do Rio

Arqueologia

Centenas de milhares de relíquias intactas são encontradas no centro do Rio

Objetos de diferentes períodos foram recolhidos durante escavação para novas estações do metrô. Um dos objetos, com a inscrição em francês “Sua Majestade o imperador do Brasil”, pode ter pertencido a dom Pedro II

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A arqueologia brasileira descobriu recentemente um acervo único de artefatos de diferentes períodos históricos, no coração da capital fluminense. A descoberta do sítio arqueológico ocorreu ao longo dos últimos seis meses, durante escavações para novas estações do metrô, ao lado da antiga estação de trens da Leopoldina.
Parte do material foi apresentada nesta semana à imprensa. Dentre as relíquias, frascos de vidro intactos com conteúdo original, artigos domésticos, como desodorante e escova de dente. Uma, inclusive, com a inscrição em francês “Sua Majestade o imperador do Brasil”, que pode ter pertencido a dom Pedro II.
De acordo com o responsável pela pesquisa, Cláudio Prado de Mello, os objetos, que vão desde o século 17 até o fim do período Imperial (século 19), impressionam não apenas pela quantidade, que pode ultrapassar 800 mil peças, como também pela qualidade e a integridade das peças.

“A arqueologia está perplexa, estamos encontrando uma quantidade não só imensa, mas inusitadamente bem preservada. Por ser uma área pantanosa e como o local passou por aterramento também com material orgânico, acabou preservando peças inteiras, intactas, sem nenhuma fratura, uma lasca”, comemorou o arqueólogo.
Historiadores já tinham notícia de que a área servia de descarte de resíduos provenientes do palácio imperial. Para Mello o achado é uma oportunidade única da sociedade estudar seu passado por meio de evidências do cotidiano das pessoas que viveram nesses períodos. “É interessante estudar as coisas simples da vida das pessoas para reconstituir esse cotidiano que a gente não registra. O desodorante, a caixinha de pasta de dente, ninguém guarda para deixar de herança”, comentou ele. “A arqueologia está resgatando pedacinhos dessas vidas e vai ter a oportunidade de estudar, processar essa informação e recontar a história dessa sociedade”, contou ele.
No local, funciona temporariamente uma fábrica de anéis de concreto para a construções dos túneis do metrô. A escavação foi interrompida devido ao cronograma da obra e deve ser retomada em 2016, quando as estações estiverem prontas e o local limpo para a pesquisa arqueológica.

“Cobrimos todas as trincheiras com camadas diferentes para ficar bem discernível no futuro até onde a arqueologia foi e quando a obra acabar e a fábrica [for desativada] no final de 2015, esse material vai ser retirado, essa camada será removida e o empreendimento vai devolver para a arqueologia o sítio da forma que deixamos”.
A equipe conta atualmente com mais de 30 profissionais e vai se dedicar agora a limpar as peças recolhidas e reunir as peças quebradas. Enquanto as obras estiverem em curso, a concessionária do metrô, está custeando o trabalho de laboratório, a análise do material e a pesquisa histórica.
Outras preciosidades encontradas nas escavações são um aqueduto subterrâneo, que provavelmente foi construído sob o comando de dom João VI, no início do século 19, e vestígios do Matadouro Imperial de São Cristóvão, local de abate de animais, chancelado pelo governo imperial (de 1853 e a 1881).
Fonte - Agência Brasil  14/09/2013