UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Elevador Lacerda de Salvador completa 147 anos nesta terça(08)

 Mobilidade/Transporte vertical  ⛙

O Elevador Lacerda é um meio de transporte público vertical da cidade de Salvador BA,sendo o primeiro elevador urbano do mundo. A 1ª torre foi inaugurada em 8 de dezembro de 1873,passando a ser o elevador mais alto do mundo, com 63 metros. A partir de 1930,com a nova estrutura passou a ter 72 metros de altura.O elevador Lacerda liga a cidade alta,na Pça Municipal, a cidade baixa,na Pça.Cairu. Idealizado por Antônio de Lacerda,no inicio do seu funcionamento foi chamado de Elevador Hidráulico da Conceição e popularmente conhecido como Parafuso. O Elevador Lacerda é um dos principais cartões postais da cidade de Salvador,e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 7 de dezembro de 2006.

foto - ilustração/Wikipédia


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Governo do Estado autoriza requalificação do Museu Wanderley Pinho em Candeias BA

Patrimônio histórico  🏰

O Governo do Estado autorizou, nesta quarta-feira (29), uma ordem de serviço no valor de R$ 24 milhões para a realização de obras de requalificação na edificação. Esse projeto tem um prazo de 12 meses. O museu ocupa um casarão de quatro andares e 55 cômodos no antigo Engenho Freguesia e inclui ainda uma capela

Da Redação
foto - Mateus Pereira/Gov.BA
Erguido no século XVI, o Museu Wanderley Pinho, no município de Candeias, ajuda a contar parte da história do Recôncavo Baiano. Para garantir a preservação do patrimônio histórico para as futuras gerações, o Governo do Estado autorizou, nesta quarta-feira (29), uma ordem de serviço no valor de R$ 24 milhões para a realização de obras de requalificação na edificação. O evento teve as presenças do secretário do Turismo, Fausto Franco, do diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), João Carlos Oliveira, e do prefeito do município, Pitágoras Alves, além da chefe de gabinete da Secretaria de Cultura (Secult), Cristiane Taquari.
"Estamos resgatando um patrimônio que fez parte da historia do nosso país, um projeto em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID], que entra com 60% dos recursos, e o Estado com 40%. Tudo com o viés de fomento da Bahia de Todos-os-Santos. Esse projeto tem um prazo de 12 meses. Nós iremos resgatar a originalidade desse museu e a visitação será aberta ao publico. Temos planos de futuramente construir restaurantes, hotéis e lojas de artesanato para valorizar nosso patrimônio e turismo", explicou Fausto Franco.
O museu ocupa um casarão de quatro andares e 55 cômodos no antigo Engenho Freguesia e inclui ainda uma capela. Tombado como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o equipamento possui grande importância arquitetônica e cultural, sendo administrado pelo Ipac. O equipamento reúne um acervo de mais de 200 peças que contam uma história da Bahia e do Brasil.
De acordo com o diretor do Ipac, "o projeto prevê a recuperação do píer e atracadouro, que será uma base náutica com receptivo. O museu conta uma historia de 400 anos e teremos um espaço para receber 500 pessoas. Isso vai permitir a realização de eventos e outras atividades".
O prefeito de Candeias comemorou a assinatura. "Este momento é de grande alegria para a cidade de Candeias, que hoje faz parte do turismo náutico e religioso. A reforma desse museu, um espaço que faz parte da história do Brasil, é de grande importância, especialmente pela cultura, mas também por se tratar de um investimento grande que irá gerar muitos empregos e renda para a nossa população".
Com informações da Secom BA  29/01/2020

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Governador Flávio Dino vistoria obras do complexo da RFFSA

Memória Ferroviária   🚄🚃🚃🚃

Realizada pelo Governo do Maranhão, com recursos do tesouro estadual na ordem de R$ 7,5 milhões, a obra contempla serviços de demolição, restauração de ladrilhos, recursos de acessibilidade, elevador, novas esquadrias, pisos, recomposição de paredes, fachadas, construção de rampa, escada e mezanino, revisão e restauração de forro e teto, restauração de grades, dentre outros. O projeto arquitetônico é de autoria do IPHAN.

Da Redação

O governador Flávio Dino vistoriou, na manhã de quarta-feira (17), as obras de restauração da antiga sede da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), localizada da Avenida Beira-Mar. O prédio histórico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), será mais um equipamento reformado pelo Governo do Estado a ser referência cultural e artística para a cidade de São Luís.
“Vai funcionar como espaço cultural para o nosso estado. Teremos aqui o museu ferroviário, exposição de quadros, de pintura, de arte contemporânea, e teremos também um espaço destinado à gastronomia do nosso estado, assim como ao artesanato”, declarou o governador Flávio Dino.
A reforma do prédio da RFFSA é a fase final da revitalização do complexo ferroviário da Avenida Beira-Mar. Em fevereiro deste ano, o governador Flávio Dino entregou a reforma da Praça Gomes de Sousa e implantou a Praça Joãosinho Trinta, que foram pontos de concentração e dispersão do circuito carnavalesco. “São vários equipamentos importantes para o nosso estado. De interesse para a cultura, para o turismo, fortalecendo a economia criativa do Maranhão. Vamos entregar a área completamente revitalizada em 2019”, garantiu Flávio Dino.

Realizada pelo Governo do Maranhão, com recursos do tesouro estadual na ordem de R$ 7,5 milhões, a obra contempla serviços de demolição, restauração de ladrilhos, recursos de acessibilidade, elevador, novas esquadrias, pisos, recomposição de paredes, fachadas, construção de rampa, escada e mezanino, revisão e restauração de forro e teto, restauração de grades, dentre outros. O projeto arquitetônico é de autoria do IPHAN.
Para o secretário de Estado da Cultura e Turismo, Diego Galdino, o prédio da REFFSA já representa um grande patrimônio histórico da capital. “É fundamental preservar e revitalizar os espaços culturais aproximando o cidadão de seu patrimônio e da história da sua cidade”, afirmou.

Parceria com o IPHAN
Superintendente do Iphan no Maranhão, Maurício Itapary exaltou a parceria que o órgão mantem com o Governo do Estado.”Temos 44 obras do PAC Cidades Históricas em São Luís, e em todas elas contamos com a parceria do Governo do Maranhão, em alguma medida. Já entregamos a reforma do Teatro Artur Azevedo, do Palacete Gentil Braga, o Palácio Cristo Rei. E estamos com outras obras em andamento, como a reforma do Teatro João do Vale, o prédio sede da Jucema, o complexo Rua Grande e Praça Deodoro, este último com a participação da Prefeitura de São Luís, também”, finalizou.
Com informações da Secap/Gov.MA

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Pintura destaca a beleza de antigos casarões do Centro Histórico de Salvador

Patrimônio histórico  🏠

São imóveis que compõem a paisagem de um dos mais importantes pontos da capital baiana, a exemplo da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, da Fundação Casa de Jorge Amado, do Teatro Miguel Santana, entre outros.

Da Redação
foto -  Tita Moura/Ascom Dircas/Conder
Em menos de dois meses, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) realizou a recuperação externa de 82 casarões do Centro Histórico de Salvador. São imóveis que compõem a paisagem de um dos mais importantes pontos da capital baiana, a exemplo da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, da Fundação Casa de Jorge Amado, do Teatro Miguel Santana, entre outros.
As fachadas das antigas edificações são conservadas, uma vez que estão sujeitas à uma série de patologias causadas pela umidade proveniente da exposição a chuva e ao sol, provocando danos à pintura. As obras de manutenção na área do Centro Histórico de Salvador, realizadas pela Conder, compreende também a reforma de telhados, praças, além da recuperação do pavimento do território tombado.

foto -  Tita Moura/Ascom Dircas
Conder
Patrimônio histórico
A manutenção do Centro Histórico de Salvador é permanente e segue a política do Governo do Estado de valorizar e incentivar a ocupação da área do território. “A reforma das fachadas, por exemplo, preservam os aspectos arquitetônicos mais aparentes, como as sancas e outros elementos decorativos. A pintura imprime um novo visual, valorizando os imóveis, mantendo suas características originais”, explica Maurício Mathias, gestor da Diretoria do Centro Antigo de Salvador (Dircas), da Conder, órgão responsável pelo trabalho.
A instituição também concluiu a pintura externa do Lar Franciscano Santa Izabel, palacete em estilo colonial do século XIX, tombado pelo Governo do Estado, desde 2002. “Já iniciamos a instalação da iluminação cênica do prédio e estamos finalizando também a construção da Praça do Lar Franciscano, mais uma área de lazer para a população”, declara referindo-se ao espaço com 470 metros quadrados e entrada para a Baixa dos Sapateiros.
Com informações da Sedur BA  30/01/2018

sábado, 20 de janeiro de 2018

Gov. da Bahia entrega restauração da Fortaleza de Morro de São Paulo

Patrimônio histórico  🏰

Neste sábado (20), o governador Rui Costa participou da solenidade de entrega da restauração da Fortaleza de Morro de São Paulo, construída em 1630 para proteger o povoado das invasões na barra falsa da Baía de Todos os Santos. Importante atrativo local, o monumento é procurado, inclusive, por quem quer apreciar o pôr-do-sol. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, a obra teve investimento total de R$ 14,4 milhões.

Da Redação
foto - Manu Dias/GOVBA
Belíssimo e concorrido destino turístico do estado, Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, em Cairu, faz parte da história do país. Descoberto em 1531, foi palco da Segunda Guerra Mundial, onde nazistas naufragaram navios. Neste sábado (20), o governador Rui Costa participou da solenidade de entrega da restauração da Fortaleza de Morro de São Paulo, construída em 1630 para proteger o povoado das invasões na barra falsa da Baía de Todos os Santos. Importante atrativo local, o monumento é procurado, inclusive, por quem quer apreciar o pôr-do-sol. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, a obra teve investimento total de R$ 14,4 milhões.
“Esse patrimônio soma-se a toda uma história e está vinculado, assim como outros equipamentos na Bahia, à independência do país. É importante que a gente destaque esses equipamentos, que, ao longo da existência e da consolidação do Brasil como nação, serviram como nossa defesa. E foi isso que fizemos aqui na Fortaleza de Morro de São Paulo. E ainda vamos elaborar um plano de uso e gestão, para que ele seja auto-sustentável, como acontece em outros lugares do mundo”, revelou Rui.
A restauração começou com a recuperação estrutural da muralha. Na etapa seguinte, abrangeu o Portaló, o Corpo da Guarda, o Forte da Ponta e o caminho ao longo da muralha. O conjunto de baterias e fortes possui 2.335 m2. O local abriga agora uma exposição permanente, anfiteatro e área para eventos.

Cidadão cairuense
Na ocasião, o governador recebeu também o título de Cidadão de Cairu. “Os vereadores da cidade decidiram, por unanimidade, conceder esse título ao governador, pela excelente gestão que vem fazendo à frente do Governo do Estado, por ter revolucionado a saúde na Bahia, e por todas as ações que contribuem para o desenvolvimento econômico e social da população baiana, além das entregas de obras importantes aqui no município e região", afirmou o presidente da Câmara de Vereadores de Cairu, Abdon Ché.
Com informações da Secom BA  20/01/2018

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Justiça suspende festa em prédio tombado nos arredores do Cais do Valongo no Rio

Patrimônio histórico  ⛵

A festa Biergarten, que começou no dia 6 e terminaria neste sábado (9), foi embargada pelo juiz João Augusto Carneiro Araújo, da 12ª Vara Federal do Rio. O Armazém Central de Docas D. Pedro II foi construído no século 19 e faz parte do complexo do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados. O cais foi tombado este ano pela organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e fica na zona portuária, na região conhecida como Pequena África.

Da Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil
A Justiça Federal suspendeu a realização de um festival de cerveja, com shows de música, em área tombada pelo patrimônio histórico, no Rio de Janeiro. A festa Biergarten, que começou no dia 6 e terminaria neste sábado (9), foi embargada pelo juiz João Augusto Carneiro Araújo, da 12ª Vara Federal do Rio. No plantão judiciário, o magistrado aceitou argumento do Ministério Público Federal (MPF) sustentando risco de danos ao prédio que receberia o evento.
O Armazém Central de Docas D. Pedro II foi construído no século 19 e faz parte do complexo do Cais do Valongo, o maior porto de desembarque de africanos escravizados. O cais foi tombado este ano pela organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e fica na zona portuária, na região conhecida como Pequena África.
O juiz Carneiro Araújo, na decisão, afirmou que a estrutura e o caráter do Armazém Docas não eram adequados para a festa do Biergarten. O evento deveria ainda ter sido autorizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o que não ocorreu. A negociação para uso do armazém foi feita com a organização não governamental (ONG) Ação Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que ocupa e administra o prédio, de propriedade da União.
“Afora o descumprimento de decisão administrativa [comunicação ao Iphan], a realização do evento de tal magnitude poderá causar danos irreparáveis ao imóvel histórico”, alegaram os procuradores da República, Jaime Mitropoulous e Sergio Gardenghi Suiama.
No documento enviado ao juízo, baseado em entendimento com o Iphan, os procuradores também evocaram a importância simbólica do espaço para os afrodescentes. O armazém, de dois andares e 14 mil metros quadrados, foi construído pelo engenheiro negro André Rebouças.
Outra preocupação do MPF, acatada pela Justiça, era o risco de danos ao Cais do Valongo, em frente ao local da festa. Em eventos anteriores, no mesmo local, o público que deixava a festa jogou lixo e usou o sítio arqueológico tombado como banheiro.
A Polícia Federal lacrou o prédio na madrugada de ontem (7). A organização do Biergarten, a empresa Party Industry, lamentou a decisão em suas redes sociais. “Apenas para constar, embargaram uma ONG cuja receita é revertida no combate à fome. Que envia comida para creches. Tomara que os responsáveis encontrem luz na escuridão”. Parte das festas do Biergarten foi transferida para outros pontos da cidade e a organização está devolvendo ingressos.
A Agência Brasil não conseguiu contatar a ONG Ação Cidadania para comentar o caso.
Fonte - Agência Brasil  08/09/2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

Fortaleza de Morro de São Paulo entra em fase final de recuperação

Turismo  🏰

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, o monumento datado do século 17 requer um cuidadoso plano de uso, que inclui a instalação de uma exposição permanente com objetos encontrados durante o restauro - balas de canhões, artefatos arqueológicos e cinco canhões, que ajudam a contar a história do local.

Da Redação
foto - Tatiana Azeviche
Localizado na zona turística Costa do Dendê, no baixo sul baiano, o município de Cairu vai oferecer aos moradores e visitantes, em breve, um atrativo histórico-cultural totalmente revitalizado, além do reconhecido turismo de sol e praia. Isto porque as obras de restauração da Fortaleza do Morro de São Paulo estão em fase final de execução.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, o monumento datado do século 17 requer um cuidadoso plano de uso, que inclui a instalação de uma exposição permanente com objetos encontrados durante o restauro - balas de canhões, artefatos arqueológicos e cinco canhões, que ajudam a contar a história do local.
Também está prevista a instalação de um museu, anfiteatro, área para eventos e uma cafeteria. Serão feitas visitas guiadas por jovens da comunidade, selecionados e preparados para trabalhar no receptivo aos turistas. “Estamos alinhados com nossos parceiros neste trabalho de valorização de um equipamento de relevante interesse turístico, histórico, arqueológico e arquitetônico”, afirma o secretário estadual do Turismo, José Alves.

foto - Tatiana Azeviche
O restauro tem apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que investe R $ 8,5 milhões na recuperação da edificação. As obras foram divididas em duas etapas. A primeira, emergencial e já pronta, foi a recuperação estrutural da muralha. A segunda, em fase de conclusão, contempla a restauração do Portaló, do Corpo da Guarda, do Forte da Ponta e do caminho ao longo da muralha.
Atualmente, a Setur detém a cessão de uso do equipamento militar e histórico, concedida pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ao Governo da Bahia. O projeto museológico é preparado pelos institutos do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides).
O Ides é parceiro da Setur para a realização das obras e gestão do equipamento, a exemplo da Prefeitura de Cairu. As obras de requalificação são autorizadas e acompanhadas pela SPU e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto de restauração e readequação está baseado nas premissas do valor e significado histórico e cultural do monumento, integrando o conjunto arquitetônico à dinâmica turístico e cultural da região.
Com informações da Secom Ba.  29/03/2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estado reforma prédio que recebeu D. Pedro II em Salvador

Patrimônio Histórico  🏠

O imóvel de 157 anos é tombado desde 2002 como Bem Cultural da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O asilo recebeu a visita de D. Pedro II, na década da inauguração, e ganhou o nome em homenagem à filha do imperador, a princesa Isabel.

Da Redação
foto - Geraldo Moniz
Um dos melhores exemplos de arquitetura civil do século 19, na Bahia, pelo tamanho e qualidade, o edifício do Lar Franciscano Asilo Santa Isabel, no bairro da Saúde, em Salvador, inaugurado no 2º Império brasileiro, em 1860, passa por reformas, com obras sendo realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
O imóvel de 157 anos é tombado desde 2002 como Bem Cultural da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O asilo recebeu a visita de D. Pedro II, na década da inauguração, e ganhou o nome em homenagem à filha do imperador, a princesa Isabel.
“O edifício tem escala monumental em estilo neoclássico, com planta do tenente coronel João Bloem, do Corpo de Engenheiros Militares do Império, fachada principal, escadaria e jardins escalonados voltados para a Baixa dos Sapateiros, formando um cenário de magnitude para quem está no Pelourinho”, explica o diretor-geral do Ipac, João Carlos de Oliveira.
Segundo ele, o asilo possui formato de eixo, de grande rigor formal, com 75 quartos voltados para o exterior e o pátio interno, fora outros cômodos, seis grandes salões e mais de 100 janelas. “A construção do prédio é em alvenaria de tijolo, a escadaria de mármore italiano e o piso do saguão em lioz colorido”.

foto - Geraldo Moniz
Praça Ary Barroso
No local, abaixo da escadaria, está sendo construída a Praça Ary Barroso, mais um espaço de lazer para o Centro Histórico de Salvador, com área de 470 metros quadrados e acesso pela Baixa dos Sapateiros. “Estamos verificando a possibilidade de implantar uma iluminação especial após o término das obras”, informa o diretor da Diretoria do Centro Antigo de Salvador, da Conder, Maurício Mathias. Ele enfatiza que a reforma integra o trabalho de conservação e manutenção que o órgão realiza na área.
O investimento é de R$ 500 mil para a reforma da fachada, área externa e pintura, com recursos do Tesouro Estadual. O prédio é coberto por quatro lances de telhado de uma só água, que convergem para o pátio onde se encontra uma cisterna. Em 1886, Lopes Rodrigues desenha nova fachada para o edifício e, em 1914, Rossi Batista levanta um frontão com o brasão da Ordem. A construção da escadaria se dá entre 1901 e 1907.
O presidente da Ordem 3ª do São Francisco, proprietária do asilo, Jaime Baleeiro, comemora as obras. “A última reforma aconteceu há mais de 30 anos”. A ideia da Conder é instalar linha contínua de aparelhos na moldura superior da fachada, criando um banho de luz de cima para baixo, valorizando sua arquitetura e minimizando a entrada de luz na área interna. Mais informações sobre a intervenção no imóvel estão disponíveis no site Centro Antigo.
Com informações da Secom Ba.  18/01/2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Saeb lança edital para obras de recuperação do Instituto do Cacau da Bahia

Patrimônio histórico  🏠

O edital de licitação para contratação de serviços, na modalidade concorrência pública, foi publicado nesta terça-feira (17), no Diário Oficial do Estado. O documento reúne todas as obrigações do Estado e da empresa que vier a vencer a licitação, além da relação de todas as diretrizes e procedimentos que devem ser executados durante a obra. 

Da Redação
foto - ilustração/Salvador Antiga
O governo estadual, por meio da Secretaria da Administração (Saeb), vai investir mais de R$ 2 milhões na primeira etapa das obras para reestruturação do Instituto do Cacau, prédio público que abriga o SAC Comércio e outros órgãos do Estado. O edital de licitação para contratação de serviços, na modalidade concorrência pública, foi publicado nesta terça-feira (17), no Diário Oficial do Estado. O documento reúne todas as obrigações do Estado e da empresa que vier a vencer a licitação, além da relação de todas as diretrizes e procedimentos que devem ser executados durante a obra.
De acordo com o edital, o contrato da empresa vencedora junto ao Estado terá vigência de 10 meses, logo após sua assinatura. Todo o trabalho será acompanhado e fiscalizado pela Superintendência de Patrimônio (Supat/Saeb). O valor estimado para esta etapa de recuperação estrutural do último pavimento, e da casa de máquinas do prédio público, é de R$ 2,09 milhões. A segunda etapa da obra ocorrerá posteriormente e englobará a requalificação do prédio.
Das empresas proponentes será exigida a apresentação de documentos comprobatórios de aptidão para o desempenho das atividades e também de experiência anterior na condução de obras do mesmo porte ou semelhante. O critério de escolha da vencedora levará em consideração o menor preço. A licitação será realizada 20 de fevereiro, no Auditório da Superintendência de Patrimônio do Estado, no Centro Administrativo da Bahia. Mais informações podem ser obtidas no edital, disponível no site Comprasnet, pelo telefone (71) 3115-3130 ou no e-mail clop.ccl@saeb.ba.gov.br.

Requisitos
As obras de recuperação do Instituto do Cacau serão executadas de acordo com as recomendações, indicações e exigências dispostas no edital e seus anexos. O cronograma de todos os procedimentos será elaborado conjuntamente pela empresa vencedora e pela Supat e contempla ações de recuperação estrutural, como a remoção de elementos de alvenaria e concreto já comprometidos, e também a recomposição da cobertura e da fachada, além da impermeabilização e pintura.
Toda a nova estrutura será construída de acordo com Normas Técnicas da ABNT, entre outros documentos oficiais, sendo garantida a estabilidade predial por meio de escoramento, também de responsabilidade da empresa vencedora. Será imprescindível a manutenção da segurança na edificação, com a adoção de equipamento de proteção coletiva na fachada e de procedimentos que garantam a redução de impactos ou vibrações durante a execução das obras.
Cabe ainda à empresa vencedora manter as instalações do prédio limpas, com a apresentação de plano estratégico para a remoção de todo o entulho produzido, adoção de medidas que assegurem a integridade das instalações físicas e das linhas elétricas, hidráulicas e de gás, entre outras, além de ações que garantam a segurança de usuários e de pessoas que circulam no local.
Qualquer alteração do projeto inicial, ou no prazo original para realização das obras de recuperação, será avaliada pela Supat. Cabe também à superintendência fiscalizar equipamentos, ferramentas e materiais a serem utilizados e o acompanhamento na elaboração e execução de cada uma das etapas. A reforma da primeira etapa estará conclusa após o cumprimento de todas as atividades, mediante a emissão de Termo de Recebido por parte do Estado.

Histórico
O incêndio que atingiu o Instituto do Cacau comprometeu à época seu último pavimento, além da casa de máquinas. Após tratativas necessárias, foi elaborado um projeto para sua recuperação. Além do SAC Comércio, o prédio abriga o Núcleo Regional de Educação (NRE), da Secretaria da Educação do Estado; o Restaurante Popular, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS); o Museu do Cacau, da Secretaria da Agricultura (Seagri); a Defensoria Pública do Estado, a Cesta do Povo e instituições bancárias.
Com informações da Secom Ba.  17/01/2017

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Edifício Sulacap símbolo da arquitetura Art decó pode ser Patrimônio da Bahia

Patrimônio histórico 🏠

Os Editais do Estado 2016 reuniram R$ 30 milhões do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). “É fundamental pensarmos na proteção para imóveis modernistas, Art déco, ecléticos ou neoclássicos, e não só para barrocos, como aplicado nos últimos 50 anos na Bahia”, afirma o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural do Estado (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e responsável pela política estadual de proteção aos bens culturais, João Carlos de Oliveira.

Da Redação
foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Com sete andares, 121 salas e quatro lojas, formas dinâmicas e arredondadas, o Edifício Sulacap, representante ilustre da arquitetura Art déco em Salvador, está com tombamento provisório e o dossiê para o tombamento definitivo no Conselho Estadual de Cultura (CEC). Se for a ação for concretizaa, o prédio, inaugurado em 1946, passa a ter prioridade nas linhas públicas de financiamento. Na Bahia, uma delas são os Editais com recursos para projetos, obras e restaurações.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Os Editais do Estado 2016 reuniram R$ 30 milhões do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). “É fundamental pensarmos na proteção para imóveis modernistas, Art déco, ecléticos ou neoclássicos, e não só para barrocos, como aplicado nos últimos 50 anos na Bahia”, afirma o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural do Estado (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e responsável pela política estadual de proteção aos bens culturais, João Carlos de Oliveira.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
O governo federal protege os bens de importância nacional, via Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), e as prefeituras atuam nos patrimônios de relevância regional. “Promovemos ainda dossiês sobre os edifícios Caramuru (Comércio), Dourado (Graça), A Tarde (Praça Castro Alves), Oceania (Farol da Barra) e Hospital Aristides Maltez (Brotas)”, informa João Carlos.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Concebido pelos arquitetos Anton Floderer e Robert Prendice e instalado na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Rua Carlos Gomes, em frente à Praça Castro Alves, o Sulacap tem características Art déco como composição simétrica e escalonamento (andares menores superpostos). Segundo a arquiteta do Ipac, Lígia Larcher, autora do parecer para tombamento, o prédio "detém formas aerodinâmicas que remetem ao design industrial, aos transatlânticos, trens e automóveis, sugerindo velocidade, mais um item da modernidade urbana na arquitetura Déco. Ele é relevante por sua estética e monumentalidade”. Saiba mais no site do instituto.
Com informações da Secom Ba.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Audiência Pública vai debater abandono da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Ferrovias

A realização foi aprovada na sessão plenária desta segunda-feira 22.02, através de requerimento de autoria do vereador Everaldo Fogaça (PTB).Segundo o vereador, ele esteve visitando na semana passada a ferrovia, não só os galpões, mas também todo o trajeto da Madeira-Mamoré até Santo Antônio e constatou o abandono do maior patrimônio histórico do Estado.

Rondônia Direta
foto - ilustração
O abandono da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré será tema de uma sessão especial de audiência Pública que será realizada no dia 14 de março de 2016, no plenário da Câmara Municipal de Porto Velho. A realização foi aprovada na sessão plenária desta segunda-feira 22.02, através de requerimento de autoria do vereador Everaldo Fogaça (PTB).
Segundo o vereador, ele esteve visitando na semana passada a ferrovia, não só os galpões, mas também todo o trajeto da Madeira-Mamoré até Santo Antônio e constatou o abandono do maior patrimônio histórico do Estado. Fogaça também lembrou que a velha ferrovia é conhecida mundialmente por sua epopeia que hoje está perdida no meio do mato.

foto - ilustração
“Quem conhece um pouco da história da Madeira-Mamoré sabe do que estou dizendo. Estamos cansados de tanta omissão com o patrimônio histórico. Precisamos saber ao certo quem tem a responsabilidade, quais os entraves, os projetos e o que pode ser feito pela velha ferrovia. É o mínimo que podemos fazer por ela”, comentou.
Para isso, o vereador convidou representantes do Poder Público, da iniciativa privada, e outros parceiros ligados à cultura local como a Funcultural, Ministério Público Federal (MPF); Advocacia Geral da União, Superintendência de Patrimônio da União, Superintendência Estadual de Turismo, Sindicato dos Engenheiros, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), Santo Antônio Energia; Federação da Indústria e Federação do Comércio de Rondônia.
Fonte - Revista Ferroviária  22/02/2016

sábado, 7 de novembro de 2015

Rui determina ação do Ipac para preservação do Cine Jandaia

Aete&Cultura

Os técnicos do Ipac - órgão vinculado à Secretaria de Cultura (Secult) – vão retirar os escombros que estão na área interna do prédio e garantir a salvaguarda de elementos que fazem parte da composição arquitetônica do local.O instituto também vai realizar o escoramento do edifício histórico.Paralelamente às ações realizadas pelo Ipac,o governador Rui Costa prepara decreto que será publicado no Diário Oficial do Estado desapropriando o imóvel,que foi abandonado pelo proprietário. 

Da Redação
foto -  Carol Garcia/GOVBA
O Governo do Estado vai desapropriar o prédio onde funcionou, por décadas, o Cineteatro Jandaia, localizado na avenida J.J. Seabra (Baixa dos Sapateiros), no Centro Antigo de Salvador. A decisão foi tomada pelo governador Rui Costa, que determinou ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), na sexta-feira (6), a realização de ações emergenciais destinadas a impedir o desmoronamento do imóvel, tombado pelo órgão estadual em 2011.
Os técnicos do Ipac - órgão vinculado à Secretaria de Cultura (Secult) – vão retirar os escombros que estão na área interna do prédio e garantir a salvaguarda de elementos que fazem parte da composição arquitetônica do local. O instituto também vai realizar o escoramento do edifício histórico.
Paralelamente às ações realizadas pelo Ipac, o governador Rui Costa prepara decreto que será publicado no Diário Oficial do Estado desapropriando o imóvel, que foi abandonado pelo proprietário. “A Bahia precisa de equipamentos culturais que aproximem a população da arte, por isso não podemos deixar um ícone para a nossa cultura, como foi o Cine Jandaia, ser destruído. Nosso objetivo é que o novo centro seja voltado para a promoção de artistas locais”, disse o governador.

Projeto
Os vitrais franceses, em estilo Art Nouveau, instalados na fachada do prédio, que garantiam a luminosidade colorida no interior do Jandaia foram retirados do prédio por técnicos do IPAC em 2011. Os vitrais encontram-se, atualmente, sob a tutela do órgão, armazenados em local seguro. Em 2014, para garantir que o imóvel não fosse comercializado com outra finalidade que não de interesse coletivo, o Governo do Estado decretou o prédio como bem de utilidade pública. A desapropriação, próxima etapa a ser realizada, visa reverter a situação de abandono e ruína do Cineteatro Jandaia.
Enquanto o imóvel passa pelas intervenções do Ipac, o órgão vai elaborar, também por determinação do governador, um projeto de uso para o espaço. De acordo com João Carlos Cruz de Oliveira, diretor-geral do IPAC, "a proposta se adequará ao perfil do edifício e vai garantir a preservação do patrimônio histórico" localizado na Baixa dos Sapateiros.

Centro Antigo de Salvador
Também na região da Baixa dos Sapateiros e em todo o Centro Antigo de Salvador, área que engloba o Centro Histórico da cidade, tombado em 1985 pela Unesco como patrimônio mundial, o governo baiano realiza uma grande ação de revitalização de um dos mais importantes sítios históricos do País pela relevância da sua riqueza arquitetônica, histórica e cultural para a vida nacional.
Estão sendo investidos R$ 123 milhões na melhoria da infraestrutura urbana em mais de 250 ruas da região no projeto Pelas Ruas, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal. As requalificações de passeios e ruas foram divididas em cinco lotes, dos quais três já estão passando por requalificação, cujas obras foram iniciadas em julho passado.

O cineteatro
O Jandaia representou um ícone da cultura nacional a partir da década de 1930, quando abrigou em seus 1.200 metros quadrados espetáculos com os mais renomados artistas brasileiros ao longo das décadas de 1930 a 1960. Considerado um dos espaços artísticos e culturais mais importantes do País, o espaço cultural exibiu, em sua fase áurea, espetáculos de música lírica, peças de companhias nacionais e internacionais além de lançamentos de filmes clássicos. Reuniu artistas do porte de Carmem Miranda, Pablo Neruda, Raul Roulien, do pianista Guimar Novaes, Procópio Ferreira, Zoraide Aranha e Bidu Saião, Vicente Celestino e Lamartine Babo, dentre muitos outros.
Com informações da Secom Ba. 07/11/2015

Abraço simbólico no Cine Jandaia tem Bidu Sayão

Arte&Cultura

Protesto virtual marca abraço simbólico neste sábado.Objetivo do ato é chamar a atenção das autoridades para a situação do Jandaia

A Tarde
foto - ilustração
Aconteceu na manhã deste sábado, 7, o abraço simbólico ao Cine Jandaia, na Baixa dos Sapateiros, em Salvador. Durante o ato Eneida Lima dos Santos representou e interpretou Bidu Sayão, a soprano brasileira já se apresentou no local.
De acordo com o organizador da ação, o marchand Dimitri Ganzelevitch, o intuito é chamar a atenção das autoridades para a situação do Jandaia. "É para as autoridades tomarem vergonha para desapropriar o imóvel e restaurar. Há 20 anos, está em decadência total e o proprietário não faz nada", reclamou.
Na sexta-feira, 6, o governo do estado anunciou que um novo equipamento cultural pode ser construído no local, onde já se apresentaram nomes como Carmem Miranda, Bidu Sião e Dalva de Oliveira.
Como primeira etapa, o governador Rui Costa determinou que o Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac) realize obras emergenciais de conservação do cineteatro - como o escoramento de toda a estrutura do imóvel, tombado como patrimônio cultural desde 2010.
Fonte - A Tarde  07/11/2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cine Jandaia o cenário do abandono

Centro Histórico/Salvador

Cine Teatro Jandaia, localizado à Rua José Joaquim Seabra, 357, foi uma das mais importantes salas de espetáculos de Salvador e do Brasil durante décadas,abandonado há mais de 20 anos,encontra-se em ruínas e ameaçado de desabar.

Por Nelson Rocha Publicada - TB
foto - ilustração
Na memória dos que na década de 60 frequentavam o Cine Teatro Jandaia, localizado à Rua José Joaquim Seabra, 357, uma das mais importantes salas de espetáculos de Salvador e do Brasil durante décadas, ainda passa um filme.”Eu assisti aí Roberto Carlos em Ritmo de Aventura. Foi casa cheia. A rapaziada lotou o cinema”, diz Roque Viana, 63, nascido na Rua Alfredo Brito, no Pelourinho, à época cambista que vendia ingressos na tradicional Baixa dos Sapateiros para uma plateia cativa das sessões da tarde do Cine Jandaia, há mais de duas décadas abandonado, em ruínas, ameaçando de desabar.
“De 68 até 74 isso aí era cheio. Foi a fase áurea do Jandaia, que era uma das melhores opções de lazer da cidade, antes do Teatro Castro Alves. Eu era garoto quando assisti também A Galinha dos Ovos de Ouro, um filme educativo. Os professores do colégio que eu estudava foi que nos trouxe”, recorda Roque, que durante algum tempo trocou revistas em quadrinhos e figurinhas dos álbuns da Copa do Mundo de 1970 na porta do então templo da sétima arte e não só.
“Era uma prática comum na época entre os frequentadores dos cinemas da cidade. Eu guardava os carros dos brancos no Tupi”, diz referindo-se ao outro cinema, localizado na mesma rua, que também tinha o Cine Pax. “O Jandaia passou a exibir filmes de karatê e no início da década de 80, com os filmes de sexo explícito, entrou em decadência”, relatou enquanto lançava um olhar de lamento sobre o que resta do imóvel, um exemplar de arquitetura décor que emoldurou apresentações de estrelas da música como Carmen Miranda, Cauby Peixoto, Vicente Celestino, Lamartine Babo, e do Teatro, como Procópio Ferreira, da literatura- há registros da passagem do poeta chileno Pablo Neruda -, entre outros.
Maria Madalena de Jesus, 67, chegou de Rio Real há 32 anos para instalar um pequeno comércio informal do outro lado da rua, diante do cinema. “Isso aí ainda funcionava direitinho. Depois foi caindo, caindo e está assim hoje, abandonado”, também lamenta dona Maria, que só entrou no cinema uma única vez, mas não se lembra do filme que assistiu. “Gostaria de ver o Jandaia reformado pra ver se a Baixa dos Sapateiros melhorava.Tem muito prédio velho por aqui caindo aos pedaços”, alerta, afirmando não saber que o cinema foi inaugurado em 9 de março de 1911, exibindo filmes mudos, e que por trás das paredes que ainda sustentam um telhado que desaba um pouco toda vez que chove forte na cidade, aconteceram momentos inesquecíveis para muitas plateias que aplaudiram espetáculos líricos, companhias nacionais, internacionais e inúmeros filmes clássicos.
Uma foto do ensaio do fotógrafo Timóteo Lopes com a modelo Elvira Bono ganhou as redes sociais e chama a atenção por ter sido feita entre os escombros do antigo cinema. Na internet também circula um movimento em defesa da recuperação do prédio que deve ser abraçado neste dia 5 de novembro,numa atitude símbolo de grupos interessados em ver o espaço reaproveitado. “Nós gostaríamos que o Jandaia voltasse a ser um cinema popular, de baixo custo. O tempo de glamour do cine teatro está no passado. Hoje o local é de difícil acesso, sem estacionamento, inseguro. A nossa proposta foi encaminhada ao governo do estado em 2011, que disse sim, mas não avançou”, comentou Solange Lima, assistente de direção do documentário Cine Jandaia, dirigido por Alex Maia, um dos que expõe o drama real do espaço abandonado, na rede internacional de computadores.
Apesar de não estar localizado em área tombada pela Unesco em 1985 como Patrimônio da Humanidade, o cine Jandaia foi apontado pelo Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador como necessário de revitalização para fomentar a atividade econômico no seu entorno.
Hoje o Jandaia é apenas ocupado pelo metalúrgico Valdemir Nascimento Costa, natural de Ipirá, conhecido por Chorão, 39, que quando menino “assistia os filmes olhando pelos buracos, porque era proibido criança entrar”, recorda. Chorão toma conta do espaço para “os procuradores do Rio e ninguém invadir. Eles de vez em quando me ligam, mas não tenho o contato de nenhum deles. Só sei que tem proposta pra reformar, pra vender...seria bom porque está muito feio isso aí”, afirma o único ocupante dos três andares do imóvel.
Pesquisa revela que em 1931 o Jandaia passou por reforma e em 3 de julho foi reinaugurado pelo proprietário João Milton Oliveira, com capacidade para 2.200 pessoas. Maior e bem iluminado, o renovado espaço cultural passou a ser chamado de Palácio dos Artistas, o único no Nordeste do País com aparelhos que permitiam a exibição sonora dos filmes. Ivone Oliveira, filha do dono, certa vez declarou emocionada que a existência do cine Jandaia se confundia com a própria história do cinema na Bahia. Ela recordou que o pai exibiu os primeiros filmes de Glauber Rocha, quando o cineasta se iniciava como diretor, todos polêmicos e censurados pelos conservadores da época.
A postura progressista de João Oliveira lhe rendeu desafetos, mas também muitas homenagens por parte de produtores e exibidores nacionais. O Jandaia se tornou o point da sociedade baiana e inovou ao permitir que as mulheres frequentassem o cinema sem pagar, mas sempre acompanhadas, atraindo os olhares masculinos enquanto desfilavam no interior da sala em seus vestidos de última moda. Quem não tinha pretendente arranjava um na porta do cine teatro para poder entrar.
Jorge Campos, comerciante dono de uma loja há 33 anos localizada em frente ao Jandaia, ainda alcançou a época de longas filas para as sessões das 13, 16 e 18 horas, do mesmo filme. “Eram imensas, ocupavam os passeios do entorno do cinema e se perdiam de vista. Era uma coisa muito boa aqui na Baixa dos Sapateiros. Mas infelizmente o tempo foi passando e as coisas boas se acabaram aqui. A gente sabe que o prédio é uma propriedade particular, nada mais sobre como ficará. Duas lojas que estavam na parte baixa do prédio, uma de confecções e outra de utilidades, fecharam devido à destruição do imóvel, que hoje representa um perigo. Pode ser que uma hora dessas aconteça uma tragédia provocada por uma chuva forte e a gente fica receoso com este problema. Esperamos que as autoridades venham olhar para este patrimônio que tem uma fachada muito bonita e pode ser recuperado”, comentou.
Com a compra dos principais cinemas de Salvador ocorrida no final da década de 70, o surgimento de salas em shoppings, e o desaparecimento do fundador e proprietário João Oliveira, o Jandaia passou para Ivone Oliveira. Ela exerceu a última administração do espaço, que apagou as luzes e saiu de cena em 1993, ao exibir a última sessão de um filme pornográfico.
O Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac), certa vez, em nota, levou ao conhecimento do público o motivo pelo qual o prédio não pode receber verbas para sua preservação: “São recursos que possibilitam, de fato, que o imóvel possa ser totalmente restaurado. Mas, desde que o proprietário do imóvel autorize, se interesse e tome as devidas iniciativas”, informou o órgão na oportunidade. Porém, o atual dono do Jandaia, o carioca Cláudio Valensi, declarou em 2013 que tem interesse em revitalizar o local, “mas não com o dinheiro do Estado.
Deles, eu só espero algum projeto que inclua o cinema. Até porque está muito deteriorado e, se acontece alguma coisa, o responsável sou eu”, afirmou. No mesmo ano Valensi publicou declaração na internet dizendo que “todos os contatos com o Ipac foram deflagrados por mim e não por vontade do órgão. Insisto que haja a revitalização do entorno e que a ação exclusiva do cinema não trará benefício para ninguém. Nunca pensamos em transformar o belo teatro em McDonald’s ou Igreja”, deixou bem claro.
Fonte - Tribuna da Bahia  03/11/2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Entidades solicitam intervenção da Unesco para preservação do Centro Histórico de Salvador

Cultura 

Arquitetos e urbanistas denunciam situação do Centro Histórico de Salvador e solicitam através de suas entidades,intervenção da Unesco em relação a situação em que se encontra o mesmo.

Alex de Paula - A Tarde
Joá Souza - Ag. A TARDE
Entidades que congregam arquitetos e urbanistas encaminharam um documento ao Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, em Paris, denunciando a situação do Centro Histórico de Salvador.
No documento, o Instituto de Arquitetos do Brasil na Bahia (IAB-BA), o Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado da Bahia (Sinarq-BA) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU/BA) solicitam que a região que é Patrimônio Cultural da Humanidade entre na lista de Patrimônio Mundial em Perigo.
A Unesco Brasil confirmou o encaminhamento do documento, mas acredita que o patrimônio não está em situação que justifique a inclusão na lista solicitada.
"A região é descuidada. Existem casarões de estruturas com 20 anos. As autoridades impõe as destruições das casas, ao invés de pensar em requalificar", disse o vice-presidente da IAB, Neilton Dórea.
O Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que tem investido R$ 143 milhões em ações de requalificação do Centro Histórico.
Fonte - A Tarde  09/07/2015

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Tombamento dos bondes da Lagoa em Campinas é avaliado

Patrimônio Histórico

Condepacc iniciou processo estudo; circularam na região central da cidade entre 1910 e 1958 - Eles são remanescentes de uma frota que circulou em Campinas até 1968 e atualmente estão parados, à espera da conclusão da recuperação da caravela, o que deve ocorrer, segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, em 15 dias.

Correio Popular de Campinas 
Foto: César Rodrigues/AAN | Correio Popular
Os três bondes da Lagoa do Taquaral, em Campinas (SP), entraram em processo de tombamento no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) e, se aprovado, se tornarão patrimônio da cidade como vestígios da história e da indústria do transporte. Eles são remanescentes de uma frota que circulou em Campinas até 1968 e atualmente estão parados, à espera da conclusão da recuperação da caravela, o que deve ocorrer, segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, em 15 dias.
Por causa da movimentação de guindastes usados nas obras da caravela, a rede de energia precisou ser seccionada, e interrompeu a circulação dos bondes. O quarto bonde da Lagoa, que teve o maquinário roubado, permanece com a carcaça em cima de cavaletes. Há um inquérito em andamento para investigar responsabilidades pelo sumiço do equipamento. O que se sabe até agora é que a empresa Empretec Indústria e Comércio Ltda. foi contratada em 2010 para fazer a reforma do bonde, mas teria terceirizado o serviço.
As apurações feitas apontaram que ele teria sido levado para uma oficina no Parque Oziel e nunca mais devolvido à Administração. Algumas incursões pelo Parque Oziel foram realizadas, mas o maquinário não foi localizado.

Tentativa de recuperação
Paulella disse nesta terça-feira (23) que estão sendo feitos contatos para tentar adquirir dois motores e um chassis para reequipar esse bonde e colocá-lo em circulação em 2015. Já os outros três passaram por recuperação mecânica para deixá-los em condições de circular, mas terão ainda que ser restaurados - uma equipe está fazendo os estudos para a recuperação desses equipamentos.
Os bondes começaram a funcionar em Campinas há 104 anos, como ícones da modernidade e do progresso no País. Eles fazem parte da história do município e foram além de um sistema de transporte coletivo. Tudo começou com a inauguração da Companhia Campineira de Carris de Ferro, em 1878 e, um ano depois, em 25 de setembro de 1879, a cidade passou a ter o serviço de bondes de tração animal, levado por mulas.

Itinerário
Na ocasião, estes bondes levavam os passageiros da ferrovia na Praça da Estação até a Praça José Bonifácio, no Largo da Catedral Metropolitana, através da Rua 13 de Maio. A revolução nos bondes de Campinas começou em 1910, quando foi criada uma nova empresa, a Companhia Campineira de Tracção, Luz e Força (CCTLF) para fazer um sistema elétrico de bondes. Em 1911 encomendou oito novos bondes com dez fileiras de bancos e iniciou a construção de uma nova linha.
Mas com a expansão do sistema viário e da popularização do automóvel, os bondes se aposentaram. O último passou na noite da sexta-feira do dia 24 de maio de 1968. O bonde elétrico funcionou por 56 anos. No dia 5 de novembro de 1972 a Prefeitura inaugurou uma linha interna circular com quatro bondes e pouco mais de 3 km ao redor da Lagoa do Taquaral.
Fonte - STEFZS  24/09/2014

sábado, 16 de agosto de 2014

Após cheia em Rondônia, Estrada de Ferro Madeira / Mamoré será interditada

Ferrovias

Interdição garantirá segurança da obra de reconstrução do patrimônio histórico em Porto Velho - A medida foi tomada em reunião entre o Ministério Público Estadual (MP/RO) e órgãos públicos do município e da União.

Vanessa Moura - Portal Amazônia
Semdestur deve providenciar interdição da EFMM em até 60 dias.
Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia
PORTO VELHO – Atingida pela cheia do rio Madeira, a limpeza na praça da Estrada de Ferro Madeira – Mamoré (EFMM) começou no final de abril, um mês após o início da vazante e agora o local será isolado para revitalização. A medida foi tomada em reunião entre o Ministério Público Estadual (MP/RO) e órgãos públicos do município e da União.
Cabe a secretaria municipal de Desenvolvimento Socioeconômico e Turismo (Semdestur) providenciar a interdição do complexo ferroviário. De acordo com o titular da Semdestur Antônio Geraldo Afonso, o prazo dado para o isolamento do local é de 60 dias, mas a secretaria já toma providências.
‘‘A recomendação do MP é que façamos a interdição com tapumes [cercas de madeira ou metálica], mas nós já temos um projeto para fazer esse isolamento com grades. Na terça-feira (19), vamos iniciar o processo administrativo. O projeto está pronto e falta só a aprovação do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)’’, disse.

Gradeamento
Segundo o secretário, a intenção é fazer um grandeamento definitivo que já teria sido recomendado pela SPU [Secretaria do Patrimônio da União]. ‘‘Porque a Estrada de Ferro tem que ter horário para abertura e fechamento de visitação’’, considera.
Por enquanto o público ainda terá acesso ao complexo, mas quandoo local for fechado por grades ou tapumes, a visitação será proibida. ‘‘É uma medida de segurança que acontece em obras, até porque vamos trabalhar para a reconstrução do espaço. Toda obra tem que ser fechada’’, afirma.

Patrimônio histórico foi atingido pela cheia histórica do
 rio Madeira. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia
Revitalização
De acordo com o secretário, também foi estabelecido na reunião que junto com a Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural) seja feita a revitalização do Centro de Administração na praça, e ainda os reparos na rede elétrica e na drenagem dos banheiros.
Praça da EFMM passa por limpeza geral. Foto: Vanessa Moura/Portal Amazônia
Já quanto ao Iphan, cabe ao órgão estabelecer os critérios para a escolha da empresa para fazer a limpeza da locomotiva e do maquinário do complexo ferroviário. O momento ainda é de limpeza geral do espaço onde as águas do rio Madeira chegaram a mais de 2 metros dentro dos galpões.
Fonte - Portal Amazônia  16/08/2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Depósitos de trens são declarados patrimônios históricos em Campinas

Ferrovias

Condepacc tombou trilhos de linhas mortas e pelo menos 50 locomotivas. Tombamento de bens do Complexo Ferroviário foi publicado nesta segunda.

G1

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepacc) tombou trilhos de linhas mortas, os depósitos de locomativas elétricas e a vapor, ferramentas e a alvenaria de uma caixa d'água do Complexo Ferroviário da antiga Fepasa, localizado no Centro de Campinas (SP). Além disso, áreas abertas e o próprio solo do espaço também passaram a ser patrimônio histórico e cultural reconhecido pela cidade. O tombamento foi publicado nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial do município.
O tombamento possibilita a preservação de um "museu a céu aberto" sobre a ferrovia na região, segundo a coordenadora do setor patrimonial da Prefeitura e membra do Condepacc, Daisy Ribeiro. Os itens tombados não eram contemplados pela resolução de 1990 que tornava patrimônio apenas os galpões do complexo ferroviário.
Segundo Daisy, até então não haviam sido concluídos os estudos que permitiam que os bens móveis fossem tombados como patrimônio histórico cultural. Ela informou que pelo menos 50 locomotivas também foram tombadas e que poderão ser futuramente restauradas. "Estamos conversando com a ABPF [Associação Brasileira de Preservação Ferroviária] para restaurar algumas locomotivas para circular na Maria Fumaça", conta.

Complexo tombado por inteiro
A Prefeitura afirma que, com esta resolução, todos os imóveis, espaços e bens do Complexo Ferroviário passaram a ser patrimônio histórico e cultural. De acordo com a publicação no Diário Oficial, foram tombados duas cabinas, os depósitos de locomotivas elétricas e a vapor, o vestiário das locomotivas a vapor, a Casa de Areia, o prédio da administração da casa de carros, a alvenaria da caixa d'água de um antigo pátio circular, o poço, a balança, um bueiro, a Casa do Rádio, a baldeação - assim como o prolongamento metálico dela - , as paredes remanescentes do escritório de baldeação e as torres de distribuição e de iluminação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Já da Companhia Mogiana, foram tombadas a escola ferroviária, o vestiário da antiga quadra de esportes, o restaurante, a contadoria, o vestiário coletivo, a oficina, o museu, o mictório da oficina, o areeiro, os depósitos de ferro, de óleo e bronze e a nova casa de carros. Além disso, tornaram-se patrimônios culturais os espaços vazios entre os imóveis do Complexo Ferroviário e os trilhos das linhas mortas.

Preservação do sistema ferroviário
Entre os itens curiosos do tombamento, está a alvenaria de uma caixa d'água, além de um poço e um bueiro. Segundo Daisy, itens como esses são importantes para a preservação da memória do sistema ferroviário, tendo em vista que são aparatos que possibilitavam a circulação dos trens. "É aparentemente estranho, porém as caixas d'água eram fundamentais para as locomotivas movidas a vapor. Elas eram como se fossem postos de gasolina para o sistema", explica ela.

Sítio arqueológico
Daisy explica que o solo entre os galpões também passou a ser patrimônio, tendo em vista que há vestígios de que o local possa ser um sítio arqueológico recente. "Há indícios de que a região seja um sítio arqueológico histórico, com objetos de 100 a 200 anos". Ela afirma que ainda deve ser feito um diagnóstico para a exploração da área, mas que era necessário realizar o tombamento primeiro. A membra do Condepacc explica ainda que, com o tombamento do solo, será possível investigar as ligações subterrâneas que abasteciam outras estações com água, o "combustível" das locomotivas a vapor.
Fonte - STEFZS  17/06/2014

sábado, 14 de setembro de 2013

Obras de infraestrutura representam possibilidades e riscos ao patrimônio histórico, dizem arqueólogos

Arqueologia

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Nas escavações em canteiro de obra da linha 4 do metrô 
do Rio, foi descoberto um sítio arqueológico na área 
atrás da antiga Estação Leopoldina, região central 
da capital fluminense (Tomaz Silva/ABr)  
  EBC
Rio de Janeiro – O incremento da atividade econômica tem sido o principal vetor de crescimento das  pesquisas arqueológicas no Brasil. Mas se por um lado, as centenas de obras de infraestrutura em território nacional têm possibilitado diversas descobertas, por outro, têm gerado a destruição do patrimônio histórico, segundo arqueólogos.
Para o arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo (USP), a arqueologia brasileira vive um momento paradoxal. A economia aquecida, combinada às leis ambientais e patrimoniais motivaram nos últimos 20 anos a multiplicação de cursos de graduação e pós-graduação em arqueologia, além da geração de empregos e de investimentos em pesquisa. Entretanto, segundo ele parte do patrimônio arqueológico foi e está sendo destruído em nome do progresso. “Estamos estudando muita coisa, mas muito está sendo destruído e não temos noção do tamanho dessa destruição, que é irreversível”.
A crítica do arqueólogo refere-se à forma como a maioria das pesquisas está sendo desenvolvida nos últimos anos em canteiros de obras. Esse tipo de pesquisa é chamada de arqueologia de contrato ou preventiva e por uma imposição legal é realizada em obras que necessitam de licenças ambientais.
Dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revelam que de 1991 a 2012, o Instituto aprovou 6.114 projetos, sendo mais de 5 mil relativos a esse tipo de arqueologia, advinda do licenciamento ambiental. Nos últimos dez anos, esse tipo de arqueologia mais que triplicou no país, sobretudo, devido às obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e preparativas para os megaeventos.
Neves, que já trabalhou como consultor em algumas obras de infraestrutura pelo país, dedica-se hoje exclusivamente à academia. Especialista em arqueologia na região amazônica, ele tem recordações desagradáveis das pesquisas que fez em grandes empreendimentos e afirmou que boa parte do patrimônio encontrado acabou abandonada após o fim das obras.
Ele ressalta que o momento exige ações imediatas por parte das autoridades e da academia para garantir a sobrevivência desses bens culturais finitos. Todos os envolvidos no processo de resgate, pesquisa, preservação e difusão de conhecimento dos bens arqueológicos deveriam se unir e dialogar na busca de garantir a expansão das obras, sem comprometer o patrimônio arqueológico.
“O Brasil tem uma agenda de desenvolvimento muito intensa, tem um potencial de crescimento muito grande, pois passou muito tempo parado. Mas nesse processo, muita coisa está se perdendo. Talvez a troca de experiências e a cooperação entre governo, acadêmicos e empresários possam reverter isso. O desafio é de todos”, declarou ele.
Para a diretora do escritório de arqueologia Scientia Consultoria, Maria do Carmo Mattos Monteiro dos Santos, a arqueologia de contrato ou preventiva não difere em nada da arqueologia acadêmica em seu objetivo central de resgatar, estudar e preservar o patrimônio cultural. “A diferença é o cronograma e o orçamento fechados. Mas não acho que isso represente prejuízo científico”, contou. “Temos um levantamento de vários estudantes da Universidade do Estado de São Paulo (USP) fazendo pesquisas com temas advindos da arqueologia preventiva”.
Maria do Carmo lamentou, no entanto, que pouco do que é descoberto é divulgado à população. “A socialização do conhecimento, dos resultados por meio da educação patrimonial, não está acontecendo na velocidade ideal”. Ela lembrou que a educação patrimonial, que envolve projetos de divulgação sobre os achados arqueológicos às populações diretamente envolvidas, é uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) há pouco mais de dez anos. “Está havendo uma evolução gradual e contínua dessas ações, graças a atuação do Iphan”.
Fonte - Agência Brasil 14/09/2013