UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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terça-feira, 28 de março de 2017

Mestre urbanista - Paulo Ormindo

Urbanismo  🏠

A trajetória de Paulo Ormindo David de Azevedo, ao longo dos seus 80 anos, completados no último dia 14, foi sempre povoada por figuras históricas – é um dos oito filhos do médico e antropólogo baiano Thales de Azevedo (1904-1995), intelectual reconhecido nacionalmente.

Luana Ribeiro - A Tarde
Entre outros projetos, Paulo Ormindo é
responsável pelo restauro do Mercado Modelo
A Tarde
Um dos grandes nomes da arquitetura e do urbanismo no Brasil, o baiano Paulo Ormindo de Azevedo comemora a chegada dos 80 anos estreando como ficcionista com o livro de crônicas e contos A memória das pedras
A trajetória de Paulo Ormindo David de Azevedo, ao longo dos seus 80 anos, completados no último dia 14, foi sempre povoada por figuras históricas – é um dos oito filhos do médico e antropólogo baiano Thales de Azevedo (1904-1995), intelectual reconhecido nacionalmente. Amigo e conviva desde o ginásio, no Colégio Antônio Vieira, Edivaldo Boaventura resume: “Ele teve uma universidade em casa. Seu pai estava sempre recebendo professores estrangeiros”, lembra o professor e escritor, um dos organizadores e orador da homenagem feita ao arquiteto promovida no último dia 16, na Academia de Letras da Bahia.
Os dois voltaram a ser colegas na ALB – Edivaldo ocupa a cadeira 39 e Paulo Ormindo, a de número 2, cujo patrono é o poeta barroco Gregório de Mattos. No Palacete Góes Calmon, que sedia a academia, o carrossel gira e Ormindo vai sucedendo aos personagens célebres, ele mesmo tendo sido consagrado “imortal” em 1981. Uma de suas principais contribuições é o Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia, elaborado entre 1975 e 2002 e editado em sete volumes. O trabalho é pioneiro e cataloga exemplares do patrimônio edificado do estado, entre prédios e monumentos civis, militares e religiosos.
“Trata-se de obra seminal de referência, coordenando uma competente equipe que não apenas cadastrou os imóveis, mas também realizou uma necessária pesquisa documental”, aponta o arquiteto e professor Pasqualino Magnavita, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) – quando começou a lecionar na instituição, Ormindo encerrava a graduação. Magnavita ressalta que o tema, tão caro à Bahia, requer sensibilidade. “A primeira exigência de um arquiteto na área de conservação e restauro, que lida com o Patrimônio Histórico e Cultural, relaciona-se com a adoção do novo paradigma ético-estético, e isso, no sentido de assumir uma atitude política e crítica (não partidária), visando à emancipação do controle social existente, pois vivemos numa sociedade de extremo controle”.
Edivaldo Boaventura também destaca o Inventário em meio à extensa carreira do amigo. “Quase todos os monumentos conhecidos da Bahia estão lá; de Salvador, do Recôncavo, do litoral, do litoral sul, do Vale do São Franciscano. De todos esses lugares, ele levantou a arquitetura erudita e popular”, afirma, atribuindo a solidez do trabalho realizado por Ormindo à base acadêmica do arquiteto, na qual constam, além da sólida formação realizada no Brasil, especialização e doutorado em Milão e Roma.

Modernidade
Entre outros diversos trabalhos na área, é dele o projeto de restauração do Mercado Modelo, após o terceiro incêndio pelo qual o prédio passou, em 1984. “Ali, ele cria as condições da modernidade e de contemporaneidade. Porque restauração não significa simplesmente refazer. E há, além do mais, a própria modificação da função, pois aquele era um edifício público, uma alfândega. Considero o Mercado Modelo um dos grandes projetos do Paulo”, avalia o arquiteto Itamar Batista, que também foi professor da Faculdade de Arquitetura da Ufba.
Ormindo ainda responde pelo projeto de ampliação do tradicional Centro Cultural Dannemann, localizado na cidade de São Félix, no Recôncavo baiano, e foi consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação e de Ciência e Cultura, pela Unesco, na área de restauração e preservação do patrimônio, com trabalhos na América do Sul, Caribe e países da África lusófona, como Cabo Verde.
Dois dias após o aniversário de 80 anos, ele lançou um livro de contos, A memória das pedras, primeira incursão oficial ao universo literário. “Para melhor merecer essa academia, tive a petulância de debutar com um livro de contos”, afirmou. Não que já não fosse experimentado nas letras. Além das publicações científicas, assinou diversos artigos como articulista em A TARDE , assim como seu pai, que escreveu para o periódico por mais de 60 anos.
“Sonhar é um traço vigoroso da personalidade do meu pai”, diz o filho, Luciano. Em seu discurso na ALB, ele lembrou histórias de infância, e uma delas chama a atenção para a obstinação do arquiteto. Brincando com as netas, Ormindo resolveu exercitar a persona de aviador – fez inúmeras tentativas de pipa-caixa, nenhuma funcionou. O almoço de domingo acabou e todos foram embora. Passavam das 23 horas, quando ele apareceu na casa de Luciano, com o que mais parecia, em suas palavras, “um 14-Bis”. E como tal, na frente das netas recém-despertadas, levantou voo e pousou perfeitamente, após um rodopio.
Fonte - A Tarde  28/03/2017

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Edifício Sulacap símbolo da arquitetura Art decó pode ser Patrimônio da Bahia

Patrimônio histórico 🏠

Os Editais do Estado 2016 reuniram R$ 30 milhões do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). “É fundamental pensarmos na proteção para imóveis modernistas, Art déco, ecléticos ou neoclássicos, e não só para barrocos, como aplicado nos últimos 50 anos na Bahia”, afirma o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural do Estado (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e responsável pela política estadual de proteção aos bens culturais, João Carlos de Oliveira.

Da Redação
foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Com sete andares, 121 salas e quatro lojas, formas dinâmicas e arredondadas, o Edifício Sulacap, representante ilustre da arquitetura Art déco em Salvador, está com tombamento provisório e o dossiê para o tombamento definitivo no Conselho Estadual de Cultura (CEC). Se for a ação for concretizaa, o prédio, inaugurado em 1946, passa a ter prioridade nas linhas públicas de financiamento. Na Bahia, uma delas são os Editais com recursos para projetos, obras e restaurações.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Os Editais do Estado 2016 reuniram R$ 30 milhões do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). “É fundamental pensarmos na proteção para imóveis modernistas, Art déco, ecléticos ou neoclássicos, e não só para barrocos, como aplicado nos últimos 50 anos na Bahia”, afirma o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural do Estado (Ipac), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult) e responsável pela política estadual de proteção aos bens culturais, João Carlos de Oliveira.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
O governo federal protege os bens de importância nacional, via Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), e as prefeituras atuam nos patrimônios de relevância regional. “Promovemos ainda dossiês sobre os edifícios Caramuru (Comércio), Dourado (Graça), A Tarde (Praça Castro Alves), Oceania (Farol da Barra) e Hospital Aristides Maltez (Brotas)”, informa João Carlos.

foto -  Jefferson Vieira-Ascom/Ipac
Concebido pelos arquitetos Anton Floderer e Robert Prendice e instalado na esquina da Avenida Sete de Setembro com a Rua Carlos Gomes, em frente à Praça Castro Alves, o Sulacap tem características Art déco como composição simétrica e escalonamento (andares menores superpostos). Segundo a arquiteta do Ipac, Lígia Larcher, autora do parecer para tombamento, o prédio "detém formas aerodinâmicas que remetem ao design industrial, aos transatlânticos, trens e automóveis, sugerindo velocidade, mais um item da modernidade urbana na arquitetura Déco. Ele é relevante por sua estética e monumentalidade”. Saiba mais no site do instituto.
Com informações da Secom Ba.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Biomimética se inspira na natureza para criar projetos de construção sustentável

Sustentabilidade

A biomimética já vem sendo aplicada em vários segmentos, inclusive no de construção civil, que oferece alto impacto ambiental. Suas soluções visam compreender as funções desempenhadas na natureza e sua tradução para ser incorporada na composição de um projeto.Aplicação dessa ciência será assunto de palestra entre biólogos e arquitetos durante a Greenbuilding Brasil Conferência Internacional e Expo em São Paulo.

Revista Amazônia
imagem - Revista Amazônia
A biomimética é uma ciência que busca inspiração e soluções na natureza para projetar ambientes mais inteligentes, funcionais e sustentáveis e que ofereçam melhor desempenho energético. Para ampliar o conhecimento sobre o assunto, a biomimética será abordada em uma das sessões educacionais da Greenbuilding Conferência e Expo, maior evento da construção sustentável, que acontece em São Paulo de 9 a 11 de agosto, com arquitetos, engenheiros e especialistas da área.
A biomimética já vem sendo aplicada em vários segmentos, inclusive no de construção civil, que oferece alto impacto ambiental. Suas soluções visam compreender as funções desempenhadas na natureza e sua tradução para ser incorporada na composição de um projeto.
“Para isso, já temos uma lista de sistemas, produtos e materiais inovadores criados através da biomimética, principalmente fora do Brasil, que incluem pisos, cimento e até tijolos”, conta Alessandra Araujo, bióloga e responsável por biomimética e sustentabilidade em escritório de arquitetura, que irá falar sobre o tema na Greenbuilding Expo. No evento, Alessandra vai apresentar um projeto arquitetônico brasileiro, da GCP Arquitetura & Urbanismo, que utilizou essa ciência para resolver questões de conforto térmico, ventilação passiva e técnicas para autossombreamento de paredes externas.
Outro exemplo prático da aplicação da biomimética na construção é o do Eastgate Building, um shopping no Zimbábue que foi concebido em 1992 e inaugurado quatro anos depois num projeto audacioso para a época. Com 32.000m², o complexo foi construído com 10% a menos de valor de investimento em sistemas de climatização e gera economia de 40% no custo operacional de energia.
“O desenvolvimento foi inspirado em cupinzeiros que apresentam um sistema complexo de controle de temperatura interno através de canais de ventilação, para sobrevivência dos fungos que servem de alimento para os cupins e necessitam de temperatura constante de 30 0C. O detalhe é que os cupinzeiros observados habitavam o deserto, que entre vários desafios apresenta uma grande flutuação de temperatura, que vai de zero a 40 0C”, explica Alessandra. A técnica dos cupinzeiros é proteger-se através de uma massa térmica de terra e constituir à sua volta uma série de canais de ventilação.
O objetivo dessa ciência, no entanto, não é a reprodução da natureza, mas sim a sua compreensão. “A biomimética deve ser entendida como uma ferramenta de inovação para qualquer área do conhecimento, entre as quais a da construção. Como ciência, apresenta um arsenal gigantesco de possibilidades para a melhora do desempenho das construções, levando-se em conta a experiência acumulada em 3,8 bilhões de anos de evolução, que certamente apontará novos rumos para toda a cadeia produtiva da construção”, avalia o arquiteto, e também palestrante da sessão, Sérgio Coelho arquiteto fundador da GCP Arquitetura & Urbanismo.
Considerada relativamente nova, a prática da biomimética é ancestral, e em breve poderá ser uma disciplina curricular em cursos de design e arquitetura. “Durante muitas gerações essa foi a técnica mais óbvia de construção e organização. Comunidades indígenas, ribeirinhas, tradicionais fazem isso até hoje: observam a natureza e a copiam na medida do possível. Leonardo Da Vinci fez isso com maestria no século 15. Todos os nossos antepassados fizeram isso”, comenta o também biólogo Ricardo Mastroti, que completa o time de debatedores do assunto na Greenbuilding Conferência e Expo, com a experiência de consultor, professor de MBA nas áreas de gestão e inovação para a sustentabilidade e representante do Ethical Biomimicry Finance (EBF) no Brasil.

Sobre a Greenbuilding Brasil 2016
Promovida pelo GBC Brasil, a Greenbuilding Brasil Conferência Internacional & Expo é considerada o mais importante evento do setor de construção sustentável da América Latina. Seu objetivo é fornecer conteúdos relevantes sobre o assunto para o mercado através de três iniciativas: Exposição, Conferência e Visitas Técnicas. Destinado a arquitetos, associações e instituições socioambientais, construtores e contratantes, designers, engenheiros, entidades governamentais, incorporadores e instituições financeiras, o evento chega a sua sétima edição no país em 2016 e será realizado nos dias 9, 10 e 11 de agosto, no SP Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo.

Sobre o GBC Brasil
O Green Building Council é uma organização sem fins lucrativos, presente em 100 diferentes países, cuja missão é transformar a indústria da construção civil e a cultura da sociedade em direção à sustentabilidade. O GBC Brasil atua para desenvolver a indústria da construção sustentável no país, utilizando as forças de mercado para conduzir a adoção de práticas de green building, em um processo integrado de concepção, implantação, construção e operação de edificações e espaços construídos, contribuindo para garantir o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, impactos socioambientais e uso de recursos naturais, visando a melhoria da qualidade de vida e bem estar da atual e das futuras gerações. Suas atividades são focadas em capacitação profissional, disseminação de informações, relações governamentais e promoção das certificações LEED e Referencial GBC Brasil Casa.
Fonte - Revista Amazônia  05/07/2016


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ConCidades apresenta avanços da construção participativa no UrbBA15

Urbanismo

O encontro acontece na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Nesta quinta-feira, 5, os representantes do ConCidades formarão uma a mesa de debate “Conselhos Municipais das Cidades na Bahia: situação atual e desafios”. Na apresentação, os membros das câmaras vão apontar os avanços obtidos a partir da formação dos conselhos participativos e abordar os novos desafios na sociedade.

Da Redação
foto - ilustração
Representantes das Câmaras Setoriais do Conselho Estadual das Cidades (ConCidades/BA) estarão presentes no Seminário Urbanismo na Bahia, o UrbBA 15, que entre os dias 3 e 6 de novembro vai discutir o papel das cidades e uma agenda urbana. O encontro acontece na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Nesta quinta-feira, 5, os representantes do ConCidades formarão uma a mesa de debate “Conselhos Municipais das Cidades na Bahia: situação atual e desafios”. Na apresentação, os membros das câmaras vão apontar os avanços obtidos a partir da formação dos conselhos participativos e abordar os novos desafios na sociedade. Os conselheiros vão expor suas ideias a partir de políticas estaduais com efetivas ações dos conselhos.
A superintendente de mobilidade da Secretária Estadual de Desenvolvimento Urbando (Sedur), Grace Gomes, será a representante da Câmara Técnica de Mobilidade. Em sua fala, Gomes vai destacar a política estadual de mobilidade e o papel do ConCidades nos planos. Coordenadora de Planejamento Habitacional da Sedur, Raquel Matedi, será a representante da Câmara Técnica de Habitação. Matedi vai apresentar o papel da sociedade civil em relação aos conselhos na área de habitação com foco no trabalho social de pós ocupação realizado nos empreendimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida. A representante da Câmara de Planejamento e Gestão Territorial Urbana será Lívia Gabrielli, superintendente de Planejamento e Gestão Territorial da Sedur, que destacará os trabalhos de gestão de territórios desenvolvimentos a partir de ações participativas com o ConCidades. Assim como fará o representante da Câmara Técnica de Saneamento, Raimundo Freitas.
O UrbBA15 será pautado a partir do Habitat III, encontro promovido de 20 em 20 anos pela UN – Habitat (braço das Nações Unidas voltado para o lugar em que se habita). O evento mundial acontecerá em outubro de 2016, em Quito, Equador. A proposta do UrbBA é gerar reflexões e propostas sob a perspectiva baiana a serem encaminhadas ao Conselho Nacional das Cidades. Especialistas de várias universidades e membros de diferentes representatividades da sociedade estarão na Bahia para discutir cidades de um modo geral e especialmente Salvador. Profissionais de urbanismo, arquitetura, estudantes, professores e pesquisadores e membros das demais áreas relacionadas ao assunto cidade, também podem participar, gratuitamente.
Com informações da Sedur  04/11/2015

sexta-feira, 27 de março de 2015

A história de Salvador contada pelo historiador e professor Francisco Sena

Perfil e Opinião - Francisco Sena

Para celebrar o aniversário de Salvador, o Perfil e Opinião (TVE Ba) desta semana convida o historiador e professor Francisco Sena. No encontro, Sena conta sobre as principais intervenções arquitetônicas sofridas por Salvador nos últimos 466 anos!



Imagem TVE Ba
Programa exibido na TVE Ba

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Arquitetos e urbanistas discutem políticas para as cidades do país

Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil

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Rio de Janeiro – Começou hoje (27) no Rio de Janeiro um ciclo de debates que pretende repensar as cidades do país. Ao todo, serão feitos sete seminários de Política Urbana Quitandinha+50 (Q+50), que comemoram os 50 anos do Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana, que ocorreu em 1963 no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, na região serrana fluminense.
Até sexta-feira (1º), o tema Arquitetura, Cidade, Metrópole – Democratizar Cidades Sustentáveis será debatido na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), no Flamengo, zona sul do Rio. De acordo com a vice-presidente do IAB, Fabiana Izaga, o objetivo do ciclo de debates é discutir a política urbana e as cidades do Brasil.
Na mesa de abertura, O Espaço da Democracia, foram debatidos os serviços públicos que precisam ser oferecidos nas cidades. Para o físico Luis Alberto Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, as cidades, que surgiram entre dez mil e 12 mil anos atrás, são o maior invento da história do homem, à medida que levaram a novos inventos. Mas, segundo ele, as condições propícias para o surgimento delas acabou e que, portanto, é necessário encontrar novas soluções.
“Não viveremos mais, nem nós nem nossos descendentes, esta continuidade estável e moderada do clima. Estamos entrando em um período de turbulência climática que, ao longo do presente século, ira se acentuar de modo significativo, se consolidando em alguns cenários possíveis. Esses cenários vão de razoavelmente desagradáveis a profundamente desastrosos”, disse.
Além das mudanças climáticas, Oliveira cita também o envelhecimento e a urbanização da população. “A faixa etária que mais prospera no mundo hoje são os centenários. O Brasil, em 2060, vai ter um terço de idosos. O Brasil vai ser Copacabana [bairro carioca com grande densidade de idosos]. Hoje, mais de 50% da humanidade vivem em cidades com mais de 50 mil habitantes. Então, a humanidade é mais urbana do que em qualquer outro momento. E a perspectiva é que em 2060 você tenha em torno de 80% dessa população ampliada vivendo nas cidade. Portanto, cidade não é problema, a cidade tem que ser a solução”.
Convidado para fazer a conferência de abertura do seminário, o arquiteto italiano Bernardo Secchi apresentou alguns dos projetos dos quais participou, como a discussão sobre o futuro da Grande Paris, de Bruxelas e também Moscou. “A questão urbana pode ser resumida nesses três pilares: ambientais, de mobilidade e de desigualdades sociais. E eles estão entrelaçados, há que se ter um pacote completo para resolver todos esses problemas”, declarou.
Apesar de Secchi não ter estudos sobre o Brasil, a vice-presidente do IAB, Fabiana Izaga, diz que esses temas também fazem parte da realidade brasileira. “Eu acho que são temas que a gente pode ter como principais para as cidades brasileiras: desigualdade social, e aí tem toda a questão da habitação, onde as pessoas moram; a mobilidade, o transporte público, a questão do carro, de tirar os carros das ruas, dar uma maior oferta de transporte público para as pessoas se movimentarem; e a questão ambiental, ou seja, como você equilibra crescimento com a proteção ao meio ambiente, como você tem esse enfoque mais ecológico sobre a própria cidade”.
Em abril, o ciclo continua no Rio Grande do Sul, com o seminário Moradia Brasileira. Em maio, São Paulo recebe os debates sobre a gestão das cidades.
Fonte -  Agência Brasil  - 27/02/2013