UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Complexo Ferroviário de Caxias, no Maranhão, é reformado

Patrimônio Cultural  🚃

O projeto foi formalizado nesta terça-feira, 14 de janeiro, com a assinatura da ordem de serviço pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela execução da obra que contará com investimentos de R$ 6,5 milhões do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD).Também participam da cerimônia representantes da Prefeitura de Caxias e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, encarregados da gestão dos bens.

Meio Norte
Complexo Ferroviário / Divulgação Iphan

Parte importante da história econômica do leste maranhense, a estação ferroviária, a oficina de trens e o armazém de mercadorias do município de Caxias (MA) vão se tornar um centro cultural. O projeto foi formalizado nesta terça-feira, 14 de janeiro, com a assinatura da ordem de serviço pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela execução da obra que contará com investimentos de R$ 6,5 milhões do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD). Também participam da cerimônia representantes da Prefeitura de Caxias e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, encarregados da gestão dos bens.
Restauração e adaptação de uso do Complexo Ferroviário de Caxias (MA) visam a preservar os bens materiais representativos da arquitetura ferroviária e da história do Nordeste brasileiro. As intervenções conduzidas pelo Iphan também são uma maneira de proporcionar qualidade aos imóveis e disponibilizar esses espaços para usos de atividades culturais e educacionais para a população do município, que possui cerca de 164 mil habitantes e está localizado a 274 km da capital São Luís.
As obras incluem a urbanização do trecho da rua Galiana, localizado entre a rua da Esplanada da Estação e a avenida Getúlio Vargas. No local, serão feitas a instalação de meio fio em concreto e a execução de passeio com piso, além de pavimentação da pista de rolamento com asfalto e execução de travessia diferenciada para pedestre. Os serviços ainda preveem a implantação de tratamento paisagístico, restauração dos elementos remanescentes do girador (estrutura ferroviária circular utilizada na manutenção e armazenamento de veículos), com limpeza do maquinário e instalação de área pavimentada para realização de eventos ao ar livre.
Um dos objetivos do projeto é dar novos usos ao Patrimônio Cultural em Caxias. O armazém, por exemplo, construído para ser depósito de mercadorias no complexo ferroviário, dará lugar à realização de cursos de aperfeiçoamento técnico. Ainda está prevista a criação de outros dois espaços, um destinado a cursos de informática e a aulas de artesanato, além de áreas administrativas e espaços de apoio, como instalações sanitárias, café e recepção, totalizando 274 m². Já a área de oficinas e manutenção de trens, de cerca de mil m² e uma das que mais sofreu deteriorações no decorrer do tempo, vai ser utilizada como auditório e sala de exposições.
O prédio da antiga Estação de Passageiros, por fim, que se encontra em bom estado de conservação, receberá serviços mais simples, com revisão da cobertura, recuperação das esquadrias internas e externas e recuperação de pisos. O espaço da estação já é de responsabilidade do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias e, ao término das obras, todo o complexo também ficará sob a gestão da prefeitura de Caxias.
“A ferrovia já teve uma importância muito grande na economia da região e, hoje, é relevante para a memória da cidade. A restauração do complexo traz tudo isso de volta”, afirma o secretário de turismo do município, Fernando dos Santos. “Além disso, é mais um passo para a gente realizar um antigo sonho: retomar o transporte de passageiros e, também, estimular o turismo.”

HistóriaConstruído em fins do século XIX e início do XX, o Complexo Ferroviário de Caxias compõe um trecho da Rede Ferroviária São Luís-Teresina, em conjunto com outras estações, como a de Rosário, Cantanhede, Coroatá, Codó e Timon. As edificações em pauta são integrantes da antiga Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), que durante cerca de 50 anos operou as ferrovias existentes em todo o território brasileiro, responsável por transformações econômicas, históricas e sociais no Brasil.
“Caxias era um centro industrial importante. Havia quatro fábricas de tecido modernas, instaladas no final do século XIX, que exportavam tecidos. Havia plantações e indústria de classificação”, explica o assessor jurídico do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, Frederico Brandão, que também foi um dos usuários da estrada de ferro no trecho Caxias-São Luís. “Com a opção brasileira pelas rodovias, foi se acentuando a decadência do sistema ferroviário nacional. E isso coincidiu com a decadência econômica das fábricas de Caxias na década de 1950, o que aconteceu de modo geral na indústria têxtil do Maranhão.”
Fonte - Revista Ferroviária  21/01/2020

sábado, 11 de novembro de 2017

Quilombo dos Palmares é reconhecido patrimônio cultural do Mercosul

Cultura/Direitos humanos  👈

A região que acolhia o núcleo do quilombo, Serra da Barriga, em Alagoas, ganhou reconhecimento internacional. Neste sábado (11), será oficializada a certificação da área como patrimônio cultural do Mercosul. O título só foi conferido até agora a dois bens no país: a Ponte Internacional Barão de Mauá, ligação entre as cidades de Jaguarão, no Brasil, e Rio Branco, no Uruguai; e a região das Missões, que abrange cinco países (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia).

Jonas Valente
Repórter da Agência Brasil
Arquivo/Agência Alagoas
Em 20 de novembro é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares, uma das principais lideranças negras da história do país. O nome faz referência ao Quilombo dos Palmares, maior espaço de resistência de escravos durante mais de um século no período colonial (1597-1704).
A região que acolhia o núcleo do quilombo, Serra da Barriga, em Alagoas, ganhou reconhecimento internacional. Neste sábado (11), será oficializada a certificação da área como patrimônio cultural do Mercosul. O título só foi conferido até agora a dois bens no país: a Ponte Internacional Barão de Mauá, ligação entre as cidades de Jaguarão, no Brasil, e Rio Branco, no Uruguai; e a região das Missões, que abrange cinco países (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia).
A Serra da Barriga foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985. Em 2007, foi aberto o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, próximo à cidade de União dos Palmares, a cerca de 80 quilômetros da capital do estado, Maceió. O projeto envolveu a construção de instalações em referência a Palmares, como a casa de farinha (Onjó de farinha), casa do campo santo (Onjó Cruzambê ) e terreiro de ervas (Oxile das ervas). O espaço ainda é o único parque temático voltado à cultura negra no Brasil e recebe anualmente cerca de 8 mil visitantes.

Visibilidade
Para Marcelo Britto, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o título de patrimônio cultural do Mercosul significa um reconhecimento internacional importante e também pode estimular a visibilidade da área por brasileiros que ainda a desconhecem.
“Um aspecto importante é a dinamização econômica, uma vez que o bem cultural ganha uma visibilidade para uma projeção de caráter nacional e internacional. Isso favorece iniciativas que tendem a promover o turismo cultural, a geração de empregos que podem ocorrer relacionadas a isso”, afirma.

Referência histórica
O Quilombo dos Palmares surgiu no século 16. Residiam nele escravos fugidos das capitanias da Bahia e de Pernambuco. O local chegou a reunir até 30 mil pessoas no seu auge, no século 17, e era organizado em pequenos povoados, chamados de mocambos. Os principais eram Cerca Real do Macaco, Subupira, Zumbi e Dandara. O maior deles chegou a ter 6 mil pessoas, quase a mesma população do Rio de Janeiro à época.
Esses mocambos constituíam uma espécie de república. As decisões políticas eram tomadas pela reunião da liderança de cada um deles em conjunto com o chefe supremo. Essa posição de comando foi ocupada por Acotirene, sucedida por Ganga Zumba e, depois, por Zumbi. No tocante às relações afetivas, Palmares era uma sociedade poliândrica, em que mulheres podem ter relação com diversos homens.
Segundo Zezito de Araújo, professor de história e supervisor de Diversidade da Secretaria de Educação do Estado de Alagoas, Palmares ainda é lembrado muito pela dimensão do conflito, mas deveria ser conhecido por ter sido o primeiro grande movimento de resistência das Américas no período colonial e pela sua organização política.
“A Revolução Francesa é tida como o símbolo da liberdade, mas a luta de Zumbi aconteceu antes. Enquanto em Palmares tínhamos propriedade coletiva, produção para subsistência e para troca, na colônia tínhamos atividade agrícola para exportação e escravidão como base do trabalho. São sociedades opostas”, analisa.

Melhorias no espaço
Na opinião do presidente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Alagoas, Elcias Pereira, o título de patrimônio cultural será uma oportunidade importante de qualificar o espaço no momento em que o parque memorial completa 10 anos. “Recebendo esse título pode haver a melhoria dos equipamentos. Nestes últimos 10 anos, os investimentos não foram feitos como deviam. O acesso precisa ser arrumado, pois durante boa parte do ano há problema para chegar em razão das chuvas”, aponta Pereira.
Segundo Carolina Nascimento, diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares, responsável pelo parque nacional, ajustes e melhorias no espaço serão feitas a partir de um conjunto de iniciativas que já começaram a ser debatidas em uma oficina realizada neste ano em Maceió.
Entre as ações previstas estão a instituir um comitê gestor da Serra da Barriga, analisar a capacidade de recebimento de pessoas, reassentar algumas famílias ainda resistentes na área, implantar unidades de conservação ambiental, elaborar um plano de conservação e criar um centro internacional de referência da cultura negra.
“Neste momento em que casos de racismo estão se acirrando, o reconhecimento deste bem cultural é uma forma de combater a discriminação racial e valorizarmos a cultura afro-brasileira”, diz a diretora da fundação.
Fonte - Agência Brasil  11/11/2017 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Festa d'Ajuda começa dia 5, em Cachoeira BA

Cultura  💃

A manifestação surgiu no século 19 como agradecimento dos senhores de engenho pelo sucesso e comercialização das colheitas da cana de açúcar”, explica o diretor geral do Ipac, João Carlos de Oliveira.A programação da festa começa no dia 5, com saída da Praça Maciel, com o Bando Anunciador composto por carros, caminhões e carroças ornamentadas, desfilando pelas principais ruas da cidade, com charanga que convida a população para participar.

Da Redação
foto - Elias Mascarenhas
Os preparativos para a Festa da Nossa Senhora d’Ajuda que acontece entre 5 e 21 de novembro, em Cachoeira, no Recôncavo, já estão sendo finalizados. A manifestação foi registrada em maio deste ano como Patrimônio Imaterial da Bahia a partir de pesquisas e dossiê da equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). A festa está inscrita no Livro do Registro Especial de Eventos e Celebrações do Estado.
“A manifestação surgiu no século 19 como agradecimento dos senhores de engenho pelo sucesso e comercialização das colheitas da cana de açúcar”, explica o diretor geral do Ipac, João Carlos de Oliveira. Segundo ele, a festa é uma das mais queridas dos cachoeiranos e acontece em calendário móvel, “geralmente, na primeira quinzena de novembro, no calendário litúrgico canônico e nunca em Dia de Finados”.
A programação da festa começa no dia 5, com saída da Praça Maciel, com o Bando Anunciador composto por carros, caminhões e carroças ornamentadas, desfilando pelas principais ruas da cidade, com charanga que convida a população para participar. Minerva Cachoeirana, toques de sino de igreja, Lavagem da Capela com água de cheiro e flores nas quartinhas, fogos de artifício, dobrados, marchas-rancho e hino em louvor à Nossa Senhora D’Ajuda, são outros itens importantes da festa. Feijoada, embalos, ternos com foliões, crianças fantasiadas, samba de roda, chulas, mandus e cabeçorras, são outras atrações da programação.
Além da Festa d’Ajuda, o Ipac tem muitos serviços prestados à Cachoeira e São Félix, onde coordenou restauro de dezenas de imóveis, igrejas e monumentos, construiu o Centro de Artes da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB) e urbanizou as orlas fluviais das duas cidades. “O Ipac registrou também 10 terreiros, com livro e video sobre o tema”, enfatiza João Carlos. A Festa da Boa Morte se tornou Patrimônio Imaterial via IPAC que produziu igualmente com a Secom, vídeo e livro. Em 2017, o Ipac faz aporte financeiro na festa. Saiba mais sobre a programação da Festa d’Ajuda no site do Ipac.
Com informações da Secom Ba.  25/10/2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Reforma dos Largos do Pelourinho beneficia 50 casarões

Centro Histórico  🏠

Pintura de fachadas, recuperação do revestimento, portas e janelas são serviços já feitos. Alguns dos casarões chegam a ter quatro andares, obrigando à montagem de grandes andaimes para limpeza e pinturas das paredes e janelas. As obras começaram há cerca de um mês, com mais de 40 trabalhadores e 90 dias previstos para a finalização.

Da Redação
foto - Jeferson Vieira
Mais de 50 casarões localizados nos limites dos largos Tereza Batista, Pedro Archanjo e Quincas Berro D’Água, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador (CHS), são beneficiados com a reforma desses espaços, que abrigarão shows no verão 2017/2018. “Além da reforma da estrutura predial, os casarões formam um belo e singular cenário arquitetônico no entorno dos largos ocupados por ações artístico-culturais durante o ano”, explica o gerente de Conservação Predial do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Fernando Calldeira.
Pintura de fachadas, recuperação do revestimento, portas e janelas são serviços já feitos. Alguns dos casarões chegam a ter quatro andares, obrigando à montagem de grandes andaimes para limpeza e pinturas das paredes e janelas. As obras começaram há cerca de um mês, com mais de 40 trabalhadores e 90 dias previstos para a finalização.
De acordo com o diretor de Projetos e Obras do Ipac, Felipe Musse, os largos estavam descaracterizados. “Conseguimos trazer nova ambientação a esses espaços; ao longo do tempo eles sofreram intervenções inadequadas, com perda das características originais”, afirma.
O diretor garante ainda os itens de segurança, antes ausentes – que receberam análise proibitiva do Corpo de Bombeiros, fazendo com que os largos fossem fechados – estarão presentes agora. “Eles passarão a ter rotas de fuga, guarda-corpos adequados e todas as especificações de segurança exigidas pelas legislações vigentes”, diz Musse.

Investimento e dívidas de comerciantes
As obras são mais do que revitalização, pois passam a ter segurança para abrigar maior número de pessoas. “Pensamos na proteção dos frequentadores, atendendo as normas contra incêndio e pânico”, lembra Fernando Calldeira. “Teremos um ambiente mais agradável, mais seguro e mais confortável para receber a população”, completa Felipe Musse.
Vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), o Ipac investe R$ 1,5 milhão nos três largos, incluindo a reforma elétrica, com uma grande subestação para um quarteirão inteiro. Limpeza geral, desmontagens de estruturas antigas e reparos gerais foram os primeiros serviços. Recomposição de escadas e pisos, pintura, requalificação de banheiros e camarins, poda de árvores, drenagem dos três largos e nivelamento de pisos completam a intervenção.
Os largos reúnem no entorno bares, restaurantes e comércios, movimentando a economia local. Muitos desses comerciantes ocupam imóveis pertencentes ao Estado e, apesar de terem assinado contrato para pagamento mensal, ainda necessitam honrar seus débitos. Os comerciantes já chegam a cerca de R$ 15 milhões de dívidas com o Estado.

História
Localizados no centro de três quarteirões do Pelourinho, os espaços surgiram a partir dos quintais e ruínas do antigo casario durante a reforma do CHS, na década de 1990. O Ipac é responsável também pela Praça das Artes, Praça Pastores da Noite e três estacionamentos (Rua do Passo/ Largo Jubiabá, Rua Inácio Accioly e Praça das Artes/Baixa dos Sapateiros).
Os imóveis do Ipac representam cerca de 1,5% da área tombada do CHS. O restante é propriedade de privados, órgãos municipais, estaduais e federais, além de congregações da Igreja Católica, que detém prédios como o Cine Excelsior e dezenas de casas no Pelourinho.
Com informações da Secom Ba.  26/09/2017

sábado, 26 de agosto de 2017

Cheganças e marujadas de Saubara (BA) buscam registro de patrimônio imaterial

Cultura  ⚓

Os trabalhos de pesquisa, documentação e análise histórica-conceitual são realizados por uma equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Eles podem levar até três anos, a depender da extensão geográfica de onde essa manifestação ocorra, da facilidade de documentos históricos e da complexidade do tema.

Da redação 
imagem/YouTube
O município de Saubara, localizado na margem oeste da Baía de Todos-os-Santos, mantém a tradição das cheganças e marujadas. Elas representam façanhas marítimas dos portugueses nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, misturando tradições ibéricas e culturas locais.
As dramatizações incluem fusões de costumes, inclusão de 'cristãos' e 'mouros', 'guerras', 'conquistas', 'vitórias' e outras características. Desde 2013, Saubara realiza o Encontro de Cheganças da Bahia, com o apoio do Governo do Estado e a presença de grupos de diversos municípios.
A depender da região, as encenações são formadas por homens (com instrumentos musicais, cantos e danças), mulheres (danças e cantos) e crianças (cantos e danças). Para promover a salvaguarda das marujadas e cheganças, a Associação Chegança de Marujos Fragata Brasileiro de Saubara solicitou o registro da manifestação cultural como Patrimônio Imaterial da Bahia.
Os trabalhos de pesquisa, documentação e análise histórica-conceitual são realizados por uma equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Eles podem levar até três anos, a depender da extensão geográfica de onde essa manifestação ocorra, da facilidade de documentos históricos e da complexidade do tema.
As cheganças de Saubara podem ser conferidas em vídeo da série ‘Nossa Cultura’, produzida pela Secretaria de Comunicação Social da Bahia (Secom), em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult).
Com informações da Secom Ba.  26/08/2017

Vídeo

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Estado reforma prédio que recebeu D. Pedro II em Salvador

Patrimônio Histórico  🏠

O imóvel de 157 anos é tombado desde 2002 como Bem Cultural da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O asilo recebeu a visita de D. Pedro II, na década da inauguração, e ganhou o nome em homenagem à filha do imperador, a princesa Isabel.

Da Redação
foto - Geraldo Moniz
Um dos melhores exemplos de arquitetura civil do século 19, na Bahia, pelo tamanho e qualidade, o edifício do Lar Franciscano Asilo Santa Isabel, no bairro da Saúde, em Salvador, inaugurado no 2º Império brasileiro, em 1860, passa por reformas, com obras sendo realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
O imóvel de 157 anos é tombado desde 2002 como Bem Cultural da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O asilo recebeu a visita de D. Pedro II, na década da inauguração, e ganhou o nome em homenagem à filha do imperador, a princesa Isabel.
“O edifício tem escala monumental em estilo neoclássico, com planta do tenente coronel João Bloem, do Corpo de Engenheiros Militares do Império, fachada principal, escadaria e jardins escalonados voltados para a Baixa dos Sapateiros, formando um cenário de magnitude para quem está no Pelourinho”, explica o diretor-geral do Ipac, João Carlos de Oliveira.
Segundo ele, o asilo possui formato de eixo, de grande rigor formal, com 75 quartos voltados para o exterior e o pátio interno, fora outros cômodos, seis grandes salões e mais de 100 janelas. “A construção do prédio é em alvenaria de tijolo, a escadaria de mármore italiano e o piso do saguão em lioz colorido”.

foto - Geraldo Moniz
Praça Ary Barroso
No local, abaixo da escadaria, está sendo construída a Praça Ary Barroso, mais um espaço de lazer para o Centro Histórico de Salvador, com área de 470 metros quadrados e acesso pela Baixa dos Sapateiros. “Estamos verificando a possibilidade de implantar uma iluminação especial após o término das obras”, informa o diretor da Diretoria do Centro Antigo de Salvador, da Conder, Maurício Mathias. Ele enfatiza que a reforma integra o trabalho de conservação e manutenção que o órgão realiza na área.
O investimento é de R$ 500 mil para a reforma da fachada, área externa e pintura, com recursos do Tesouro Estadual. O prédio é coberto por quatro lances de telhado de uma só água, que convergem para o pátio onde se encontra uma cisterna. Em 1886, Lopes Rodrigues desenha nova fachada para o edifício e, em 1914, Rossi Batista levanta um frontão com o brasão da Ordem. A construção da escadaria se dá entre 1901 e 1907.
O presidente da Ordem 3ª do São Francisco, proprietária do asilo, Jaime Baleeiro, comemora as obras. “A última reforma aconteceu há mais de 30 anos”. A ideia da Conder é instalar linha contínua de aparelhos na moldura superior da fachada, criando um banho de luz de cima para baixo, valorizando sua arquitetura e minimizando a entrada de luz na área interna. Mais informações sobre a intervenção no imóvel estão disponíveis no site Centro Antigo.
Com informações da Secom Ba.  18/01/2017

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cine Jandaia o cenário do abandono

Centro Histórico/Salvador

Cine Teatro Jandaia, localizado à Rua José Joaquim Seabra, 357, foi uma das mais importantes salas de espetáculos de Salvador e do Brasil durante décadas,abandonado há mais de 20 anos,encontra-se em ruínas e ameaçado de desabar.

Por Nelson Rocha Publicada - TB
foto - ilustração
Na memória dos que na década de 60 frequentavam o Cine Teatro Jandaia, localizado à Rua José Joaquim Seabra, 357, uma das mais importantes salas de espetáculos de Salvador e do Brasil durante décadas, ainda passa um filme.”Eu assisti aí Roberto Carlos em Ritmo de Aventura. Foi casa cheia. A rapaziada lotou o cinema”, diz Roque Viana, 63, nascido na Rua Alfredo Brito, no Pelourinho, à época cambista que vendia ingressos na tradicional Baixa dos Sapateiros para uma plateia cativa das sessões da tarde do Cine Jandaia, há mais de duas décadas abandonado, em ruínas, ameaçando de desabar.
“De 68 até 74 isso aí era cheio. Foi a fase áurea do Jandaia, que era uma das melhores opções de lazer da cidade, antes do Teatro Castro Alves. Eu era garoto quando assisti também A Galinha dos Ovos de Ouro, um filme educativo. Os professores do colégio que eu estudava foi que nos trouxe”, recorda Roque, que durante algum tempo trocou revistas em quadrinhos e figurinhas dos álbuns da Copa do Mundo de 1970 na porta do então templo da sétima arte e não só.
“Era uma prática comum na época entre os frequentadores dos cinemas da cidade. Eu guardava os carros dos brancos no Tupi”, diz referindo-se ao outro cinema, localizado na mesma rua, que também tinha o Cine Pax. “O Jandaia passou a exibir filmes de karatê e no início da década de 80, com os filmes de sexo explícito, entrou em decadência”, relatou enquanto lançava um olhar de lamento sobre o que resta do imóvel, um exemplar de arquitetura décor que emoldurou apresentações de estrelas da música como Carmen Miranda, Cauby Peixoto, Vicente Celestino, Lamartine Babo, e do Teatro, como Procópio Ferreira, da literatura- há registros da passagem do poeta chileno Pablo Neruda -, entre outros.
Maria Madalena de Jesus, 67, chegou de Rio Real há 32 anos para instalar um pequeno comércio informal do outro lado da rua, diante do cinema. “Isso aí ainda funcionava direitinho. Depois foi caindo, caindo e está assim hoje, abandonado”, também lamenta dona Maria, que só entrou no cinema uma única vez, mas não se lembra do filme que assistiu. “Gostaria de ver o Jandaia reformado pra ver se a Baixa dos Sapateiros melhorava.Tem muito prédio velho por aqui caindo aos pedaços”, alerta, afirmando não saber que o cinema foi inaugurado em 9 de março de 1911, exibindo filmes mudos, e que por trás das paredes que ainda sustentam um telhado que desaba um pouco toda vez que chove forte na cidade, aconteceram momentos inesquecíveis para muitas plateias que aplaudiram espetáculos líricos, companhias nacionais, internacionais e inúmeros filmes clássicos.
Uma foto do ensaio do fotógrafo Timóteo Lopes com a modelo Elvira Bono ganhou as redes sociais e chama a atenção por ter sido feita entre os escombros do antigo cinema. Na internet também circula um movimento em defesa da recuperação do prédio que deve ser abraçado neste dia 5 de novembro,numa atitude símbolo de grupos interessados em ver o espaço reaproveitado. “Nós gostaríamos que o Jandaia voltasse a ser um cinema popular, de baixo custo. O tempo de glamour do cine teatro está no passado. Hoje o local é de difícil acesso, sem estacionamento, inseguro. A nossa proposta foi encaminhada ao governo do estado em 2011, que disse sim, mas não avançou”, comentou Solange Lima, assistente de direção do documentário Cine Jandaia, dirigido por Alex Maia, um dos que expõe o drama real do espaço abandonado, na rede internacional de computadores.
Apesar de não estar localizado em área tombada pela Unesco em 1985 como Patrimônio da Humanidade, o cine Jandaia foi apontado pelo Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador como necessário de revitalização para fomentar a atividade econômico no seu entorno.
Hoje o Jandaia é apenas ocupado pelo metalúrgico Valdemir Nascimento Costa, natural de Ipirá, conhecido por Chorão, 39, que quando menino “assistia os filmes olhando pelos buracos, porque era proibido criança entrar”, recorda. Chorão toma conta do espaço para “os procuradores do Rio e ninguém invadir. Eles de vez em quando me ligam, mas não tenho o contato de nenhum deles. Só sei que tem proposta pra reformar, pra vender...seria bom porque está muito feio isso aí”, afirma o único ocupante dos três andares do imóvel.
Pesquisa revela que em 1931 o Jandaia passou por reforma e em 3 de julho foi reinaugurado pelo proprietário João Milton Oliveira, com capacidade para 2.200 pessoas. Maior e bem iluminado, o renovado espaço cultural passou a ser chamado de Palácio dos Artistas, o único no Nordeste do País com aparelhos que permitiam a exibição sonora dos filmes. Ivone Oliveira, filha do dono, certa vez declarou emocionada que a existência do cine Jandaia se confundia com a própria história do cinema na Bahia. Ela recordou que o pai exibiu os primeiros filmes de Glauber Rocha, quando o cineasta se iniciava como diretor, todos polêmicos e censurados pelos conservadores da época.
A postura progressista de João Oliveira lhe rendeu desafetos, mas também muitas homenagens por parte de produtores e exibidores nacionais. O Jandaia se tornou o point da sociedade baiana e inovou ao permitir que as mulheres frequentassem o cinema sem pagar, mas sempre acompanhadas, atraindo os olhares masculinos enquanto desfilavam no interior da sala em seus vestidos de última moda. Quem não tinha pretendente arranjava um na porta do cine teatro para poder entrar.
Jorge Campos, comerciante dono de uma loja há 33 anos localizada em frente ao Jandaia, ainda alcançou a época de longas filas para as sessões das 13, 16 e 18 horas, do mesmo filme. “Eram imensas, ocupavam os passeios do entorno do cinema e se perdiam de vista. Era uma coisa muito boa aqui na Baixa dos Sapateiros. Mas infelizmente o tempo foi passando e as coisas boas se acabaram aqui. A gente sabe que o prédio é uma propriedade particular, nada mais sobre como ficará. Duas lojas que estavam na parte baixa do prédio, uma de confecções e outra de utilidades, fecharam devido à destruição do imóvel, que hoje representa um perigo. Pode ser que uma hora dessas aconteça uma tragédia provocada por uma chuva forte e a gente fica receoso com este problema. Esperamos que as autoridades venham olhar para este patrimônio que tem uma fachada muito bonita e pode ser recuperado”, comentou.
Com a compra dos principais cinemas de Salvador ocorrida no final da década de 70, o surgimento de salas em shoppings, e o desaparecimento do fundador e proprietário João Oliveira, o Jandaia passou para Ivone Oliveira. Ela exerceu a última administração do espaço, que apagou as luzes e saiu de cena em 1993, ao exibir a última sessão de um filme pornográfico.
O Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac), certa vez, em nota, levou ao conhecimento do público o motivo pelo qual o prédio não pode receber verbas para sua preservação: “São recursos que possibilitam, de fato, que o imóvel possa ser totalmente restaurado. Mas, desde que o proprietário do imóvel autorize, se interesse e tome as devidas iniciativas”, informou o órgão na oportunidade. Porém, o atual dono do Jandaia, o carioca Cláudio Valensi, declarou em 2013 que tem interesse em revitalizar o local, “mas não com o dinheiro do Estado.
Deles, eu só espero algum projeto que inclua o cinema. Até porque está muito deteriorado e, se acontece alguma coisa, o responsável sou eu”, afirmou. No mesmo ano Valensi publicou declaração na internet dizendo que “todos os contatos com o Ipac foram deflagrados por mim e não por vontade do órgão. Insisto que haja a revitalização do entorno e que a ação exclusiva do cinema não trará benefício para ninguém. Nunca pensamos em transformar o belo teatro em McDonald’s ou Igreja”, deixou bem claro.
Fonte - Tribuna da Bahia  03/11/2015

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Abraço simbólico no Palácio Arquiepiscopal apoia obra de restauração do espaço

Cultura

O Palácio Arquiepiscopal foi construído através de uma Carta Régia que autorizou a construção para ser uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus, em 1705. As obras foram concluídas em 1715, ano em que o prédio foi inaugurado.

Tamirys Machado -TB
Foto: Reginaldo Ipê
Estudantes, representantes da ABI (Associação Bahiana de Imprensa) e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia promoveram um “abraçaço” ao redor do Palácio Arquiepiscopal, localizado na Praça da Sé, centro histórico da cidade. O abraço simbólico teve o objetivo de apoiar a obra de restauração do espaço, que vive em um processo de arruinamento, e chamar a atenção dos órgãos públicos e da sociedade sobre a importância do monumento para a história do estado.
O Palácio Arquiepiscopal foi construído através de uma Carta Régia que autorizou a construção para ser uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus, em 1705. As obras foram concluídas em 1715, ano em que o prédio foi inaugurado. Desde 1928 o prédio foi tombado pelo IPHAN, (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e integra um dos pontos mais bem visitados da capital. O monumento faz parte da arquitetura religiosa do país, fundado no século XVIII e completa 300 anos em 2015.
Fechado há aproximadamente 10 anos, O IPHAN, responsável pelo local, está com o projeto de restauração do prédio em andamento. Conforme a Arquidiocese, que é a proprietária, houve diversas tentativas de buscar a revitalização do prédio, mas sempre encontrou dificuldades na obtenção dos recursos. O Arcebispo da Igreja Católica Dom Murilo Krieger, informou que a metade da recuperação será feita através do BNDES e a outra parte será obtida com recursos privados.
Idealizadora do ato simbólico, a administradora, Alba Pinto de Aguiar, neta do professor Pinto de Aguiar, contou sobre como surgiu a ideia do “abraçaço”. “Sou uma frequentadora do Instituto Geográfico e Histórico e fiquei sabendo que o órgão, juntamente com a ABI, estava discutindo e debatendo a necessidade de uma reforma nesse prédio, que foi sede da primeira igreja do Brasil. A partir daí surgiu a ideia de fazer um abraço simbólico para chamar a atenção da sociedade de que deve ser restaurado logo”, ressaltou. 

Reforma
O Presidente da Associação Baiana de Imprensa, Walter Pinheiro, explicou como ficaria o Palácio após a reforma. “Com a reforma esse patrimônio passaria a ter uma área de museu, de exposição, auditório para debates e uma sala para questões administrativas da própria Arquidiocese. E evidentemente é uma recuperação do patrimônio histórico, um dos mais importantes que temos que se encontra na Praça da Sé, a vista de todos, e valoriza demais Salvador”, afirmou o presidente. “O movimento de hoje foi ideia de Alba Pinto de Aguiar, justamente para gerar um fato público, contribuir para que o IPHAN dê continuidade no processo e a verba apareça. A ABI tem lutado para que isso aconteça. O objetivo é tornar o Palácio útil para a comunidade”, disse.
Walter Pinheiro pontuou ainda que essa situação prejudica a imagem da Bahia. “É péssimo para a imagem do nosso estado, pois todos os turistas passam por aqui, inclusive ele tem um Brasão que veio da Europa. É um prédio bonito, bem localizado e só faz valorizar o espaço público”, concluiu.
Estudantes do Centro Educacional Piaget, de Dias D’Ávila participaram do ato simbólico e comentaram sobre a importância da ação. “Hoje tivemos uma aula prática e foi importante porque conhecemos a história da nossa capital em um período colonial. Essa iniciativa do abraço simbólico é muito boa, pois temos que preservar um bem histórico como este, a nossa cultura e nossas raízes”, disse o estudante Leôncio Pimenta.
A professora de história do Piaget, Jamile Gomes, pontuou a importância de abraçar essa causa. “Quando soube do movimento levei isso para os nossos alunos. É importante porque a aula de campo possibilita o contato direto com as fontes históricas e desperta a credulidade dos estudantes”, colocou a pedagoga.
O comerciante Mestre Gajé, que vende Berimbau e peças tradicionais da Bahia, comemorou a iniciativa. “É importante que recuperem esse espaço, porque os turistas vêm aqui e perguntam o porquê de estar fechado. As pessoas querem conhecer o lugar que faz parte da nossa história”, afirmou. A presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Consuelo Pondé, mostrou indignação sobre o abandono do espaço. “É a bandeira do Instituto e da ABI e, estamos empolgados com a recuperação desse prédio que é o único no Brasil, no gênero. Não é possível que agente cruze os braços e veja esse prédio se deteriorar. Isso é um abandono, descaso, desinteresse, infelizmente a marca da Bahia”, disse.

Risco
O doutor em Ciência da Restauração e professor do Programa de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, Mário Mendonça, alertou para o risco de desabamento do espaço. “Já houve diversos desabamentos nessa encosta, pois pilares frágeis e fundações deterioradas podem descer e desabar, como já aconteceu em outros lugares. A parede não é firme, não é rocha, dilui e o imóvel corre o risco de desabar”, explicou.
O Diretor de Cultura da ABI, Luiz Tavares ressaltou a importância de preservar o patrimônio. “É necessário que essa obra se inicie logo porque os pilares posteriores estão enfraquecidos e o movimento da terra na encosta pode resultar em um acidente de proporções inimagináveis e um prejuízo para a cultura mundial, pois isso aqui é patrimônio do mundo. Defender isso é defender um bem que pertence a humanidade”, enfatizou.
Fonte - Tribuna da Bahia  14/08/2014

sábado, 14 de setembro de 2013

Obras de infraestrutura representam possibilidades e riscos ao patrimônio histórico, dizem arqueólogos

Arqueologia

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Nas escavações em canteiro de obra da linha 4 do metrô 
do Rio, foi descoberto um sítio arqueológico na área 
atrás da antiga Estação Leopoldina, região central 
da capital fluminense (Tomaz Silva/ABr)  
  EBC
Rio de Janeiro – O incremento da atividade econômica tem sido o principal vetor de crescimento das  pesquisas arqueológicas no Brasil. Mas se por um lado, as centenas de obras de infraestrutura em território nacional têm possibilitado diversas descobertas, por outro, têm gerado a destruição do patrimônio histórico, segundo arqueólogos.
Para o arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo (USP), a arqueologia brasileira vive um momento paradoxal. A economia aquecida, combinada às leis ambientais e patrimoniais motivaram nos últimos 20 anos a multiplicação de cursos de graduação e pós-graduação em arqueologia, além da geração de empregos e de investimentos em pesquisa. Entretanto, segundo ele parte do patrimônio arqueológico foi e está sendo destruído em nome do progresso. “Estamos estudando muita coisa, mas muito está sendo destruído e não temos noção do tamanho dessa destruição, que é irreversível”.
A crítica do arqueólogo refere-se à forma como a maioria das pesquisas está sendo desenvolvida nos últimos anos em canteiros de obras. Esse tipo de pesquisa é chamada de arqueologia de contrato ou preventiva e por uma imposição legal é realizada em obras que necessitam de licenças ambientais.
Dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revelam que de 1991 a 2012, o Instituto aprovou 6.114 projetos, sendo mais de 5 mil relativos a esse tipo de arqueologia, advinda do licenciamento ambiental. Nos últimos dez anos, esse tipo de arqueologia mais que triplicou no país, sobretudo, devido às obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e preparativas para os megaeventos.
Neves, que já trabalhou como consultor em algumas obras de infraestrutura pelo país, dedica-se hoje exclusivamente à academia. Especialista em arqueologia na região amazônica, ele tem recordações desagradáveis das pesquisas que fez em grandes empreendimentos e afirmou que boa parte do patrimônio encontrado acabou abandonada após o fim das obras.
Ele ressalta que o momento exige ações imediatas por parte das autoridades e da academia para garantir a sobrevivência desses bens culturais finitos. Todos os envolvidos no processo de resgate, pesquisa, preservação e difusão de conhecimento dos bens arqueológicos deveriam se unir e dialogar na busca de garantir a expansão das obras, sem comprometer o patrimônio arqueológico.
“O Brasil tem uma agenda de desenvolvimento muito intensa, tem um potencial de crescimento muito grande, pois passou muito tempo parado. Mas nesse processo, muita coisa está se perdendo. Talvez a troca de experiências e a cooperação entre governo, acadêmicos e empresários possam reverter isso. O desafio é de todos”, declarou ele.
Para a diretora do escritório de arqueologia Scientia Consultoria, Maria do Carmo Mattos Monteiro dos Santos, a arqueologia de contrato ou preventiva não difere em nada da arqueologia acadêmica em seu objetivo central de resgatar, estudar e preservar o patrimônio cultural. “A diferença é o cronograma e o orçamento fechados. Mas não acho que isso represente prejuízo científico”, contou. “Temos um levantamento de vários estudantes da Universidade do Estado de São Paulo (USP) fazendo pesquisas com temas advindos da arqueologia preventiva”.
Maria do Carmo lamentou, no entanto, que pouco do que é descoberto é divulgado à população. “A socialização do conhecimento, dos resultados por meio da educação patrimonial, não está acontecendo na velocidade ideal”. Ela lembrou que a educação patrimonial, que envolve projetos de divulgação sobre os achados arqueológicos às populações diretamente envolvidas, é uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) há pouco mais de dez anos. “Está havendo uma evolução gradual e contínua dessas ações, graças a atuação do Iphan”.
Fonte - Agência Brasil 14/09/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Bonde de Santa Teresa terá ACESSIBILIDADE para usuários com dificuldades de locomoção


Bonde de Santa Teresa com acesso para portadores de necessidades especiais

Christina Nascimento
O Dia 12/03/2013


Projeto de bondinho de Santa Teresa prevê facilidade para cadeirantes
Rio - Previsto para voltar a circular somente em 2014, o bonde de Santa Teresa promete ser inovador em pelo menos em um quesito: acessibilidade. Se o projeto que prevê um espaço no meio do corredor dos carros para cadeirantes sair do papel, o Rio terá o primeiro bondinho do mundo adaptado para portadores de necessidades especiais.
A ideia é que o cadeirante acesse o bonde por um elevador, que ficará em alguns pontos de embarque e desembarque do bairro. Para isso, seria colocada porta na lateral do carro. A proposta, no entanto, precisa de aprovação do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A resposta deve ser dada até o fim do mês.
Outra novidade em fase de análise é que, em vez de apenas um bondinho circular, dois fariam o trajeto. Os carros ficariam acoplados. Um teria acessibilidade e outro, não.
“Estamos estudando essa possibilidade de acessibilidade, mas ainda não é algo que foi fechado. O Inepac está nos acompanhando neste processo. Com o elevador, o design do bonde não será afetado tanto. Além disso, eles já circularam acoplados no passado”, explicou o presidente da Central Logística do governo do Estado, Eduardo Macedo.
Para adaptar um bondinho tradicional, será necessário fazer um reforço na sua estrutura. “A acessibilidade não era uma exigência do edital de licitação, mas foi colocada como uma possibilidade para que o veículo seja ‘politicamente correto”. De acordo com Andrea Massimo Giavinna, presidente da TTrans — empresa que ganhou a concorrência pública para fabricar os 14 bondinhos que vão circular em Santa Teresa —, a adaptação não trará nenhum custo adicional ao projeto.
“Assim que os órgãos responsáveis aprovarem as alterações para cadeirantes, entregaremos o primeiro bonde em seis meses. Os restantes vão ficar prontos, um a cada mês”, afirmou Giovanna, que formou equipe multidisciplinar para o projeto pioneiro.
Nesta segunda-feira, o governo do Estado afirmou que não haverá suspensão da revitalização dos bondinhos de Santa Teresa com a perda dos royalties.
Licitação ainda está parada
A licitação para os trilhos do sistema de bonde e para a rede aérea de cabos e fios ainda está parada na Secretaria da Casa Civil. Segundo a assessoria do governo do Estado, a documentação está em fase de análise. Não há previsão para ser concluída.
Duas empresas estão participando da concorrência pública. Quando Santa Teresa começar a receber as obras para a circulação dos bondinhos, muitas ruas ficarão interditadas e vários buracos serão abertos para a instalação da fundação da estrutura férrea. O presidente da Central Logística, Eduardo Macedo, afirmou que os bondinhos vão funcionar por trechos, na medida em que as obras forem sendo concluídas.
Fonte - São Paulo Trem Jeito  12/03/2013