UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

São Luis do Maranhão 405 anos,Cultura,Tradição e Renovação

Cidades 🏠 👪

O Governo do Maranhão inicia as comemorações dos 405 anos da cidade de São Luís com entrega de obras para revitalização do Centro. Com o Programa Mais Saneamento e uma série de outras ações, a gestão estadual tem garantido a recuperação progressiva da Lagoa da Jansen, além de rios e praias da capital, o que marca as comemorações dos 405 anos de São Luís. Com Escolas Dignas, IEMA e Bolsa Escola, São Luís chega aos 405 com avanços na educação

Da Redação
Lagoa da Jansen/Foto - Pregopontocom
Com despoluição a Lagoa da Jansen deixa de receber três piscinas olímpicas de esgoto diariamente.
O equivalente a três piscinas olímpicas por dia. Essa é a quantidade de esgoto que, recentemente, deixou de ser jogada na Lagoa da Jansen graças às obras do Governo do Maranhão. Com o Programa Mais Saneamento e uma série de outras ações, a gestão estadual tem garantido a recuperação progressiva da Lagoa da Jansen, além de rios e praias da capital, o que marca as comemorações dos 405 anos de São Luís.
Somente da Lagoa da Jansen, já foram retirados 70 pontos de lançamento de esgoto in natura.

foto - Handson Chagas/Secap MA
Os dejetos agora são recolhidos pela rede da Caema que, com emissários, rede coletora e duas estações elevatórias, direciona esse fluxo para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Jaracati. Para se ter ideia do impacto das construções, em funcionamento há pouco mais de um mês, são mais de oito milhões de litros de esgoto que deixaram de ser jogados diariamente na Lagoa da Jansen, volume semelhante ao de três piscinas olímpicas.

Praias
Com o trabalho desenvolvido por meio da Caema e da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), as praias que há anos tinham níveis perigosos de poluição agora apresentam melhoria nos índices de balneabilidade.
“Iniciamos uma importante obra que é a de retirada de pontos de lançamento de esgoto no Rio Calhau, que é de onde vem atualmente a maior concentração de esgoto para as praias”, conta o presidente da Caema. “Antes disso já foram feitas obras no Rio Pimenta e Rio Claro e continuamos trabalhando, é um processo longo”, informa.
A ampliação da rede de esgoto em São Luís e em todo o estado tem sido realizada desde 2015. Por meio do programa Mais Saneamento, o Governo do Maranhão está investindo R$ 350 milhões para que a Região Metropolitana possa sair dos 6% de esgotos tratados, como era há dois anos, para patamares de 70%.

Com Escolas Dignas, IEMA e Bolsa Escola, São Luís chega aos 405 com avanços na educação

O Governo do Maranhão já construiu, reconstruiu ou revitalizou mais de 600 escolas em todo o estado. Por meio do Escola Digna, o maior programa de recuperação e entrega de escolas em toda a história maranhense, 19 escolas já foram completamente reconstruídas e revitalizadas em São Luís, dando condições adequadas e confortáveis para alunos e professores.
“Temos ações que vão da educação infantil à pós-graduação. Educação é o principal investimento para desenvolver o Maranhão”, destaca o governador Flávio Dino ao informar que Educação é uma prioridade da sua gestão.”Investimos na educação porque acreditamos que esse é o verdadeiro caminho do desenvolvimento”, completou o governador.
A 19ª vai ser entregue nesta terça-feira (5), dentro do pacote de comemoração do aniversário de São Luís. É a Escola Modelo Benedito Leite. A unidade ficou décadas sem receber cuidados e teve que ser esvaziada para que os alunos não corressem risco. Agora recuperada, a escola recebe novamente os mais de 800 estudantes matriculados, que tinham sido remanejados para outro prédio.
As escolas já recuperadas mudaram a rotina dos alunos. O que significa também mais inclusão. “A reforma mudou tudo aqui. O ambiente está mais agradável e confortável para meu filho. O Aimar tem desenvolvido muito, agradeço demais por essa reforma e pela valorização tão esperada de nossos filhos e do ensino estadual”, conta Luciana Fonte Santos, mãe de um dos alunos do Centro de Ensino de Educação Especial Padre João Mohana, localizado no bairro Vinhais, em São Luís.
“O Governo Flávio Dino vem realizando, semanalmente, uma série de ações e investimentos como a qualificação dos espaços escolares, formação dos professores e a valorização dos estudantes das escolas da rede estadual localizadas em São Luís, assim como em todas as regiões do estado”, diz o secretário estadual de Educação, Felipe Camarão.
São escolas reformadas, depois de décadas de abandono; escolas revitalizadas e cerca de 70% das unidades de ensino que já receberam serviços de manutenção em seus prédios. São investimentos que estão mudando a educação e motivando estudantes e educadores no processo de ensino e aprendizagem”, acrescenta o secretário.
Com informações da Secap/Gov.Maranhão  04/09/2017

sábado, 26 de agosto de 2017

Cheganças e marujadas de Saubara (BA) buscam registro de patrimônio imaterial

Cultura  ⚓

Os trabalhos de pesquisa, documentação e análise histórica-conceitual são realizados por uma equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Eles podem levar até três anos, a depender da extensão geográfica de onde essa manifestação ocorra, da facilidade de documentos históricos e da complexidade do tema.

Da redação 
imagem/YouTube
O município de Saubara, localizado na margem oeste da Baía de Todos-os-Santos, mantém a tradição das cheganças e marujadas. Elas representam façanhas marítimas dos portugueses nos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, misturando tradições ibéricas e culturas locais.
As dramatizações incluem fusões de costumes, inclusão de 'cristãos' e 'mouros', 'guerras', 'conquistas', 'vitórias' e outras características. Desde 2013, Saubara realiza o Encontro de Cheganças da Bahia, com o apoio do Governo do Estado e a presença de grupos de diversos municípios.
A depender da região, as encenações são formadas por homens (com instrumentos musicais, cantos e danças), mulheres (danças e cantos) e crianças (cantos e danças). Para promover a salvaguarda das marujadas e cheganças, a Associação Chegança de Marujos Fragata Brasileiro de Saubara solicitou o registro da manifestação cultural como Patrimônio Imaterial da Bahia.
Os trabalhos de pesquisa, documentação e análise histórica-conceitual são realizados por uma equipe multidisciplinar do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac). Eles podem levar até três anos, a depender da extensão geográfica de onde essa manifestação ocorra, da facilidade de documentos históricos e da complexidade do tema.
As cheganças de Saubara podem ser conferidas em vídeo da série ‘Nossa Cultura’, produzida pela Secretaria de Comunicação Social da Bahia (Secom), em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult).
Com informações da Secom Ba.  26/08/2017

Vídeo

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Aos 35 anos, Olodum mantém raízes e luta pela afirmação da cultura negra

Cultura

Até os anos 70, os grandes blocos do carnaval da Bahia eram compostos majoritariamente por brancos. Para garantir a festa da população negra e enfrentar o racismo, em 1974, foi criado o Ilê Aiyê, que no último carnaval recebeu homenagem pelos seus 40 anos. Depois daquela iniciativa, outras comunidades produziram seus blocos, como o Malê Debalê (1979) e o Muzenza (1981), muitas vezes reunindo moradores de bairros específicos. No caso do Olodum, o Maciel-Pelourinho.

Helena Martins 
Repórter da Agência Brasil 
Salvador - O bloco Olodum se apresenta nas ruas
do Pelourinho
Roosewelt Pinheiro / Arquivo Agência Brasil
Difícil imaginar um brasileiro que tenha passado pelas décadas de 1980 ou 1990 sem ouvir “Ilha, ilha do amor, Madagascar” ou “Canta, canta Salvador, canta, canta. Canta meu amor”, sempre embaladas pelo som forte dos tambores. Autor dessas e de muitas outras músicas populares, o Olodum comemora, hoje (25), 35 anos. Criado como alternativa carnavalesca dos negros em Salvador (BA), o grupo virou expoente da cultura afro-brasileira. Cultura que ajudou a divulgar em 35 países espalhados por todos os continentes.
 - “Protestos, manifestações / Faz o Olodum contra o Aphartheid” -
Até os anos 70, os grandes blocos do carnaval da Bahia eram compostos majoritariamente por brancos. Para garantir a festa da população negra e enfrentar o racismo, em 1974, foi criado o Ilê Aiyê, que no último carnaval recebeu homenagem pelos seus 40 anos. Depois daquela iniciativa, outras comunidades produziram seus blocos, como o Malê Debalê (1979) e o Muzenza (1981), muitas vezes reunindo moradores de bairros específicos. No caso do Olodum, o Maciel-Pelourinho.
O local – cujo nome faz referência à coluna de pedra que servia para castigar escravos no período colonial – havia perdido centralidade na economia de Salvador e, até os anos 80, sobrevivia estigmatizado como espaço de “marginais”. Sobrados eram ocupados por famílias pobres e por prostitutas. Por manterem o local, o fotógrafo Pierre Verger chegou a afirmar que “devia se erguer no Pelourinho um monumento às putas”. Ali, nos cortiços e pelas ladeiras do “Pelô”, como chamavam os moradores, a negritude conseguiu se reafirmar por meio da cultura.
Os negros da Bahia fizeram da música, da religiosidade e da linguagem, expressões de resistência. Reunindo todos esses elementos, o Olodum surgiu como projeto cultural e político de luta contra o preconceito. O presidente do grupo, João Jorge Rodrigues, destaca que o trabalho tinha como objetivo tornar conhecida a história africana. “Nos primeiros carnavais, fomos muito criticados porque falamos do Egito. Não entendiam que o Egito fazia parte da África. Nós pesquisamos e mostramos que o Egito é África, que Madagascar é África, que Etiópia é África.”
A escolha carregava profundo caráter político de valorização das tradições negras. “Nós queríamos mostrar que esses países africanos produziram elementos fundamentais para a história, como a ciência e o alfabeto”, diz. “Queríamos trazer à tona a dimensão da diversidade da África, pois sempre houve uma visão hollywoodiana dos personagens da história desses países: eles sempre foram retratados como brancos”, completa o presidente do Olodum.
- “Êta cabra da peste, Pelourinho, Olodum, somos do Nordeste” -
“Sei que o mar da história é agitado”, afirma o grupo em Canto ao Pescador, cuja letra mostra outra matriz cultural do Olodum: a nordestina. As referências se multiplicam, da figura do pescador à citação a Oloxum, passando pelo cantor baiano Dorival Caymmi. Os sucessos fizeram com que as letras do Olodum, palavra yorubá que significa “Deus dos Deuses”, entrasse para o repertório do brasileiro.
Toda a preparação do carnaval pretendia ser educativa. Os temas que seriam abordados eram pesquisados, transformados em apostila e, depois, entregues aos compositores e possíveis cantores para que se apropriassem dos fatos e se identificassem com as histórias. Em Revolta Olodum, o grupo faz referência à Revolta dos Búzios, também conhecida como Conjuração Baiana, assim como à Guerra de Canudos e ao cangaço: “Pátria sertaneja, independente / Antônio conselheiro, em Canudos presidente”.
Historiador e integrante do Movimento Negro de Campina Grande, Jair Silva considera que as ações dos blocos afro foram fundamentais para a afirmação da identidade negra, no Brasil: “É um movimento que escreve história, que tem esse compromisso de desvendar fatos que foram negados pela cultura branca que ainda é hegemônica em nosso país.” De acordo com Jair, ao falar da luta pela liberdade, o Olodum, que se assume como movimento social, “criou autoestima para a comunidade negra da Bahia”.
“No início, era uma coisa bem de cada comunidade, de ir para o ensaio do bloco, inventar as danças, o cabelo, as roupas. O conteúdo das letras sempre apontando para o negro como bonito, potente, inteligente”, conta a antropóloga Goli Guerreiro, autora do livro A Trama dos Tambores – a Música Afro-Pop de Salvador. De acordo com ela, a movimentação gerada pelos blocos, especialmente pelo Olodum, foi “extraordinária”. “Vários territórios da cidade de Salvador começaram a se antenar para afirmar uma negritude, que tem a ver com autoestima, com a estética afro-baiana que ganhou uma altivez, um gostar de ser o que é, de ser negro”.
- “Olodum tá hippie, Olodum tá pop / Olodum tá reggae, Olodum tá rock” -
A movimentação musical e rítmica gerada nos anos 80 teve no samba-reggae “a coroa da estética baiana”, diz Goli Guerreiro. Criado por músicos baianos, entre eles Neguinho do Samba e Mestre Jackson, o ritmo se tornou característico do Olodum. Para a antropóloga, essa criação expressa a intensa circulação de informações existente entre os blocos afro e deles com o que circulava no mundo da música, como o som de Michael Jackson, de Fela Kuti e outros. “Essa troca de informações do mundo atlântico permite que cada cidade faça sua combinação de referências e invente algo próprio, local, mas que aponta para uma dinâmica continental”, diz.
Marcado pela presença intensa da percussão composta por tambores de tipos diferentes e tocados por cerca de 200 músicos, o samba-reggae mostrou tanta potencialidade que foi apropriado pelos blocos de trio elétrico. Nos anos 90, bandas do que, mais tarde, viria a ser chamado axé music, incluíram instrumentos harmônicos, como a guitarra, e diminuíram a quantidade de percussionistas para que o ritmo parasse não só nos trios, mas também nas “paradas de sucesso” das rádios e nas lojas de discos.
Salvador - Olodum anima o carnaval na capital baiana
Marcelo Gandra /Agecom
O sucesso acabou fazendo com que blocos tradicionais também se adaptassem. Boa parte deles criou bandas para fazer shows, introduziu a guitarra e buscou o mercado musical, onde as músicas do Olodum e demais ganhavam projeção na voz de outros cantores. Expressiva exceção é o tradicional Ilê Aiyê, que até hoje participa dos carnavais com os tambores e os pés no chão.
Goli avalia que a entrada no mercado e o fato de ter virado atração turística trouxe mudanças nas letras do samba-reggae. “As músicas ficam menos contundentes do ponto de vista ideológico, falam mais da alegria, de forma geral”. Já o presidente do Olodum, João Jorge, explica que o grupo buscou sustentabilidade para continuar existindo, adentrando, para isso, também no mercado internacional. “No mercado Brasil, um grupo que faz música, livro, que inspirou o funk e o rapnacional não é de nenhum significado, mas no exterior, sim.”
Ele defende que o grupo não perdeu as raízes, a vinculação à luta por igualdade e a ideologia do Pan-africanismo – expressa inclusive nas cores adotadas pelo grupo: verde, vermelho, amarelo, preto e branco, conhecidas como referências da luta contra o racismo. Destacando a projeção internacional do Olodum, o reconhecimento e a parceria com 49 artistas internacionais, dentre os quais Paul Simon, Michael Jackson e Alpha Blondy, ele afirma que o grupo é a “antena parabólica do candomblé: tem os pés no chão e a cabeça no mundo”.
 - “Se o futuro nos pertence / Então temos que lutar” -
O chão do Olodum, diz João Jorge, continua a ser o Pelourinho. Desde 1983, quando foi criado o Projeto Rufar dos Tambores, o grupo oferece aulas de percussão para moradores do bairro Maciel-Pelourinho. Desde 1984, quando o então bloco de carnaval tornou-se o Grupo Cultural Olodum, desenvolve atividades de educação em diálogo com diversas linguagens artísticas.
“Os projetos sociais dos blocos afro são uma consequência natural deste desejo de mudar a realidade e, mais que os projetos sociais, esses blocos oferecem um espaço positivo de convívio para crianças e jovens negros, abrindo perspectivas para além do cotidiano determinista de pobreza e exclusão ao qual as camadas negras da população estão historicamente submetidos”, avalia a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Rita Maia.
Brasília - Ao longo de 30 anos, a Banda Mirim Olodum
ensinou percussão a cerca de 20 mil crianças e adolescentes
Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil
Hoje chamado Escola Criativa Olodum, o projeto que resultou na formação da primeira Banda Mirim Olodum, envolveu, ao longo de 30 anos, cerca de 20 mil crianças e adolescentes, de 7 a 21 anos de idade, de acordo com a coordenadora da escola, Cristina Calácio. Ela considera a escola “um espaço pioneiro de participação da comunidade afrodescendente e inovador por trabalhar com arte e educação de forma conjunta”.
Tendo como critério a matrícula dos estudantes na rede municipal ou estadual de ensino, a escola se propõe a “revelar grandezas, muito mais do que simplesmente ensinar o toque do tambor. As atividades têm o objetivo de potencializar as crianças e os adolescentes, para que a inclusão deles na cidadania étnico cultural seja possibilitada”, avalia Cristina.
Além da música, “o forte da instituição”, segundo a coordenadora, é que os participantes do projeto também participam de seminários, oficinas de danças afro e de canto coral, além de aulas de informática.
O sucesso do projeto, para Cristina, deve-se ao fato de ser “uma escola diferente, plugada com aquilo que os jovens gostam e com o que eles estão interagindo no dia de hoje, que é a cultura, a tecnologia”.
Outro projeto iniciado pelo grupo, em 1990, o Bando de Teatro Olodum encenou contos africanos e histórias vinculadas aos negros e projetou atores como Lázaro Ramos, Tânia Tôko e Jorge Washington Rodrigues, que participaram da montagem teatral e do filme Ó Pai, Ó, que virou série de televisão.
Em um dos intervalos dos ensaios das peças que o grupo apresenta, nesta semana, no Festival do Teatro Brasileiro, em Rio Branco, Jorge Rodrigues concedeu entrevista à Agência Brasil.
“Eu comecei a fazer teatro no Calabar [bairro de Salvador] e fui mordido por esse teatro de transformação que é uma ferramenta de luta contra o preconceito racial, por igualdade. Quando vi no jornal a manchete: ‘Olodum monta companhia de teatro negra’, o projeto tinha a participação do Márcio Meirelles, que já era um diretor consagrado, aí eu disse: 'É nesse teatro que eu quero estar’.”
O ator, que só deixou de atuar em uma das montagens do grupo, ao longo de 24 anos, quando teve que sair da Bahia para acompanhar o nascimento da filha, diz que o projeto se espalhou pelos bairros da capital baiana e pelo país, por meio dos atores que foram formados pelo Olodum. Também no campo da música, as influências dos projetos do Olodum são perceptíveis. Músicos que cresceram ouvindo samba-reggae despontam no cenário cultural, como Anderson Souza, Mariela Santiago e Afro Jhow.
Para Jorge Washington Rodrigues, o desafio dessa proposta de produção cultural está em não mudar a rota e fortalecer o caminho que vem sendo trilhado pelo grupo. “Precisamos buscar esse teatro de afirmação, essa música de afirmação, porque o mercado é tentador e nos tenta a todo momento.”
O presidente da entidade, João Jorge, também avalia que é preciso continuar a se reinventar, inovar e seguir como parte das lutas por políticas públicas, educação e trabalho para negros. “O racismo é uma doença. E o Brasil não superou isso, portanto, o Olodum é atual, contemporâneo”, defende.
Fonte - Agência Brasil  25/04/2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Restaurante no Comércio faz 100 anos

Salvador

O restaurante marcou uma fase importante da sociedade baiana, reunindo empresários, comerciantes e políticos, num mesmo ambiente, de gastronomia rica e diversificada. .
Criado em 1912 por José Maria Orge, imigrante espanhol, o Colon enfrentou algumas dificuldades, mas fez história na Bahia. Na década dos 40, já economicamente independente, José trouxe seus familiares para a boa terra onde viveram até hoje seus filhos, netos e bisnetos

Daniela Pereira - TB
foto - ilustração
O Restaurante Colon comemorou no último sábado, dia 05, 100 anos de existência, com buffet livre de feijoada e grandes atrações artísticas, como Nelson Rufino e apresentações de baianas caracterizadas e danças flamencas. Localizado próximo à Associação Comercial da Bahia, Praça Conde dos Arcos, no Comércio. O restaurante marcou uma fase importante da sociedade baiana, reunindo empresários, comerciantes e políticos, num mesmo ambiente, de gastronomia rica e diversificada. .
Criado em 1912 por José Maria Orge, imigrante espanhol, o Colon enfrentou algumas dificuldades, mas fez história na Bahia. Na década dos 40, já economicamente independente, José trouxe seus familiares para a boa terra onde viveram até hoje seus filhos, netos e bisnetos. Na década dos 50 entrou na sociedade Manuel Arlindo Orge Casqueiro, seu filho, mas conhecido como “Manolo do Colon” e José Maria Orge Alonso, “Pepe”, seu genro. A partir de 1966 estes dois assumiram o controle da firma e mantiveram honrosamente acesa a chama do Colon até a metade dos anos 90.
Segundo Maria Orge, atual proprietária juntamente com o marido, a festa de aniversário do restaurante foi crescendo de forma inesperada. “No último dia 31, o Colon completou 100 anos, mas a Casa ficou muito cheia e a festa foi crescendo muito, sem eu sentir.
Com isso a Associação Comercial me cedeu o espaço para fazermos nossa comemoração”, explicou Orge, relembrando um pouco da história do restaurante. “A história é fascinante, pois em 1912, José Maria, que é bisavô do meu filho, abriu o Bar Marítimo porque tudo no local era mar. Em 1914, ele pôde vir para cá e em homenagem a Cristóvão Colombo, colocou o nome de Colon Choperia. Atualmente podemos dizer que o restaurante já é um patrimônio da Bahia”, contou.
Bastante frequentado por Jorge Amado e Zélia Gattai, o restaurante está presente na página 355 do livro, O Sumiço da Santa, sendo eternizado na literatura brasileira. Para comemorar o centenário do Colon foram convidados o prefeito ACM Neto, o governador da Bahia, Jaques Wagner, o presidente da Bahiatursa e outras autoridades locais. Além de Nelson Rufino, a festa contou com apresentações de Roque Bentenguê, Peu Meu Ray, Fanfarra e músicos convidados.
Fonte - Tribuna da Bahia  08/04/2014

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Dia 2 de fevereiro, dia de festa no mar de Salvador

Festas populares

1,5 mil homens da Polícia Militar fazem a segurança da festa.

Fotos: Romildo de Jesus
TB
Os versos imortais de Dorival Caymmi são revividos a cada ano, na praia do RioVermelho, em Salvador, para onde vai uma multidão de devotos de Iemanjá, a Rainha das Águas, e de turistas.
Neste domingo, a praia começou a receber desde cedo os primeiros fieis, que carregavam balaios de flores e de presentes para Iemanjá. Eram perfumes - muita alfazema -, espelhos, joias, sabonetes e até dinheiro. Um enorme balaio, preparado pelos pescadores, era preparado para ser levado ao mar.

Fotos: Romildo de Jesus
Caiala, Dandalunda, Inaê, Ísis, Janaína, Marabô, Maria, Mucunã, Oguntê, Oloxum, Princesa de Aiocá, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Sobá, Sereia do Mar. Tantos são os nomes que se referem à Iemanjá quanto são os devotos que, neste 2 de fevereiro em Salvador, saudam com um “Odo Yá!” à orixá dos mares e das águas na Praia da Paciência, no Rio Vermelho. É dia de vestir branco e levar flores e perfumes.
A origem da festa remete ao ano de 1923 quando, diante da escassez de peixes no local, um grupo de pescadores resolveu oferecer presentes para Iemanjá. De acordo com o relato popular, os peixes voltaram e, desde então, os pescadores pedem à rainha do mar que lhes dê fartura de pescado e um mar tranquilo.
Uma das superstições sobre a Festa de Iemanjá é sobre os presentes dados à orixá. Caso não afundem, é porque foram aceitos pela divindade. Mas, se a oferenda aparecer na superfície da água ou na areia, significa que Iemanjá não gostou do presente e o devolveu, causando grande frustração nos devotos.

Fotos: Romildo de Jesus
Conta a lenda do povo iorubá (da atual Nigéria) que Iemanjá, filha de Olokum - o deus africano do mar -, transformou-se em rio para fugir de seu marido, rei de Ifé, que, embriagado, a perseguiu com seus exércitos até a casa de seu pai, onde encontrou refúgio e proteção. Mais tarde, seguindo o seu povo iorubá, Iemanjá atravessou o oceano protegendo os escravos das tormentas marítimas e, chegando à Bahia, fez do exílio seu reino.
Suas águas encantadas passaram a banhar lindas praias e a emoldurar belas ilhas, mas também vieram amedrontar seus filhos em dias de tempestade. Para os pescadores, Iemanjá é a grande mãe desejada, de seios majestosos, cabelos longos e soltos ao vento, generosa, altiva e respeitável.

Fotos: Romildo de Jesus
Para as mulheres é uma amante ciumenta, perigosa e voluntariosa, que rouba seus homens e os leva para o fundo do mar. No candomblé, Iemanjá é a mãe de todos os orixás. É vista como a Nossa Senhora da Conceição pelos católicos, como a Janaína dos índios e a Sereia dos marinheiros europeus.

 Fonte - Tribuna da Bahia   02/02/2014

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

SAVEIROS voltam a colorir o mar baiano

Saveiros da Bahia

Rayllana Lima
TB
foto - ilustração
No início da tarde de ontem (26), a tradicional regata de saveiros encantou os baianos e turistas que estavam aproveitando o domingo ensolarado no Porto da Barra, um dos pontos turísticos de Salvador. A 42ª edição da Regata João das Botas reuniu cerca de 100 embarcações que deixaram a paisagem da praia da Barra ainda mais encantadora. Os primeiros colocados foram premiados.
Organizada pelo Comando do 2º Distrito Naval, através da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA), e com patrocínio da Braskem, a competição proporcionou um verdadeiro baile de veleiros e saveiros nas águas baianas. Embarcações dos tipos saveiros de vela içar, saveiros de vela de pena, canoas, barcos de pesca e catraias, foram distribuídas em 12 classes, saindo do Porto da Barra, indo até as boias próximas do farol de Mar Grande, e retornando para o ponto de início.
De acordo com o comandante José Antônio Freitas Costas, organizador do evento desde 2005, manter a tradição é muito importante, mas o esperado era que pelo menos 150 embarcações fossem inscritas. “Os saveiros já foram um meio de transporte na cidade. É uma pena que o número de inscrito cai a cada edição. Mas, nessa competição, a data coincidiu com a festa de Jaguaribe, e muitas embarcações foram prestigiar a festa”, explicou.
Sobre a competição, o comandante confessou que se emociona ao ver a largada. “Cada vez que vejo as velas içar saindo, me emociono. Sinto que estou ajudando a manter a tradição”, desabafou. Não é a primeira vez que a gerente de vendas Fabiana Magalhães, 40, assiste a uma regata de saveiros. Ela já chegou a participar de uma competição, e afirma que a sensação é incrível. “É muito bonito ver todas as embarcações saindo juntas. Já participei da Regata Aratu-Maragojipe e foi fantástico”, exclama a gerente de vendas.
Fabiana estava admirando a largada das outras classes enquanto esperava por seu marido, Ricardo Tavares, que estava em um dos primeiros saveiros a sair. Orgulhosa, ela informou que ele foi o idealizador do Dia Municipal do Saveiro, comemorado no dia 19 de janeiro.
“Ele é apaixonado por saveiros e propôs a Câmara que o dia fosse comemorado. Ricardo já chegou a expor miniaturas de saveiros feitos por ele”, explicou. Ela informou ainda que, Ricardo Tavares, que é escritor, está escrevendo um livro sobre a história dos saveiros.
foto - ilustração
Espetáculo no mar do Porto
Soteropolitanos e turistas ficaram encantados com o visual que a regata deu ao Porto da Barra. Para a francesa de 23 anos, que está há apenas três dias em Salvador, e preferiu se identificar apenas como Carlita, foi uma surpresa encontrar mais uma paisagem tão bonita nas praias baianas. “Estava passando e vi o espetáculo no mar. Achei muito bonito”, disse. O aposentado Adalberto Oliveira, 65, aproveitou o dia para espairecer enquanto tomava uma cervejinha,e admirava a regata. “Aposentado já fica o dia todo em casa, como fiquei sabendo da competição, decidi me divertir um pouco. E valeu a pena, a largada foi bonita demais”.
Já para a psicóloga Camila Baqueiro, 34, o evento poderia ter sido melhor. Ela estava passando pela Barra com sua irmã Patrícia Baqueiro, 41, e ambas não sabiam do evento. Mas decidiram parar para admirar o ambiente.
Segundo Camila Baqueiro, faltou mais organização. “Achei o ambiente confuso. Não é uma praia convidativa. É bonita a questão da regata, mas o domingo no Porto da Barra por si só já é tumultuado, e as pessoas não preservam a praia, jogando todo o lixo consumido na areia. Eu teria aproveitado mais a competição se tivesse sido em um lugar mais calmo”, desabafou.
A ideia surgiu em 1969, quando várias embarcações de Salvador fizeram um belo espetáculo para a despedida de uma escuna. A Regata foi criada para marcar o sesquicentenário da Independência na Bahia, em 1973. Seu nome homenageia o herói da guerra de Independência da Bahia, em 1823, João das Botas.
Fonte - Tribuna da Bahia  27/01/2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Regata João das Botas preserva tradição dos saveiros

Saveiros

TB
foto - ilustração
Imortalizados nos romances do escritor Jorge Amado e nos versos do compositor Dorival Caymmi, os saveiros da Bahia resistem ao tempo e aos avanços tecnológicos. Até a década de 1940, os saveiros eram o principal meio de transporte no Recôncavo baiano, responsáveis por quase 90% do abastecimento da capital. Nesta época mais de mil embarcações cruzavam o mar da Baía de Todos os Santos.
Organizada pelo Comando do 2º Distrito Naval, através da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) e com patrocínio da Braskem, a competição realiza sua 42ª edição neste domingo, dia 26, com largada da praia do Porto da Barra, a partir das 13h. A regata segue até próximo da Ilha de Itaparica, prossegue para a Cidade Baixa e retorna ao ponto de início.
Em 1969, o Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN), por intermédio da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) resolveu organizar uma regata de saveiros para que a população pudesse apreciar o belo espetáculo das velas ao mar. Em 1972, a Regata recebeu como patrono o Almirante João Francisco de Oliveira Botas, mais conhecido como João das Botas - herói da Guerra da Independência, na Bahia. “O patrocínio de ações e iniciativas culturais faz parte da política de Responsabilidade Social da Braskem. Ao apoiar a Regata João das Botas, temos como objetivo contribuir para a preservação de umas das mais belas tradições náuticas da Bahia, que são os saveiros de vela”, ressalta Emmanuel Lacerda, gerente de relações institucionais da Braskem na Bahia.
O comandante José Antonio Freitas Costa, Capitão de Mar e Guerra e organizador da prova, afirma a importância do patrocínio para a manutenção da Regata. “Graças ao patrocínio da Braskem, que nos permite inclusive ofertar um prêmio em dinheiro para os três primeiros colocados, nos últimos anos temos conseguido manter a maioria dos saveiros não só de vela de içar, como os peneiros, em atividade, buscando manter vivo esse pedaço da nossa gloriosa história”, lembra o comandante.
Mensageiro do Destino
foto - ilustração
Ainda hoje os saveiros despertam o interesse em muitos apaixonados por esse tipo de embarcação, como o administrador carioca Ricardo Vega. Há quatro anos ele sai do Rio de Janeiro, onde mora, e vem a Salvador participar da tradicional Regata João das Botas com o saveiro de vela de içar Mensageiro do Destino.
“Considero os saveiros um dos barcos mais bonitos, apesar da simplicidade e rusticidade dos equipamentos de navegação. Nesse tipo de embarcação o que mais importa é a sensibilidade do mestre em velejar”, afirma Ricardo Vega, que levou nove meses para construir o Mensageiro do Destino, no município de Valença, distante 119 km da capital baiana.
Fonte - Tribuna da Bahia  23/01/2014

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Festa de Nosso Senhor do Bonfim é Patrimônio Imaterial Nacional

Cultura

O título será entregue pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pela presidenta do Iphan, Jurema Machado, ao governador da Bahia, Jaques Wagner, e ao prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. A celebração é uma das mais simbólicas do estado....

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Festa de Nosso Senhor do Bonfim, que ocorre em Salvador desde 1745, se torna hoje (15) Patrimônio Imaterial Nacional. O título será entregue pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pela presidenta do Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, ao governador da Bahia, Jaques Wagner, ao prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, ao arcebispo dom Murilo Krieger, ao superintendente do Iphan-BA, Carlos Amorim, e ao juiz da secular Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia, Arthur Napoleão.
O registro da festa como patrimônio cultural brasileiro foi aprovado em 5 de junho do ano passado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
A celebração é considerada uma das mais simbólicas no estado e articula duas matrizes religiosas distintas – a católica e a afro-brasileira. Os rituais começam com um cortejo – que sai da Igreja da Conceição da Praia, no bairro do Comércio – e seguem até a Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim, na Colina Sagrada, península de Itapagipe, onde é feita a lavagem das escadarias.
“Mais que uma grande manifestação religiosa da Bahia, a celebração é uma referência cultural importante na afirmação da cultura baiana, além de representar um momento significativo de visibilidade para os diversos grupos sociais”, informou o Iphan.
Fonte - Agência Brasil  15/01/2014