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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

SAVEIROS voltam a colorir o mar baiano

Saveiros da Bahia

Rayllana Lima
TB
foto - ilustração
No início da tarde de ontem (26), a tradicional regata de saveiros encantou os baianos e turistas que estavam aproveitando o domingo ensolarado no Porto da Barra, um dos pontos turísticos de Salvador. A 42ª edição da Regata João das Botas reuniu cerca de 100 embarcações que deixaram a paisagem da praia da Barra ainda mais encantadora. Os primeiros colocados foram premiados.
Organizada pelo Comando do 2º Distrito Naval, através da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA), e com patrocínio da Braskem, a competição proporcionou um verdadeiro baile de veleiros e saveiros nas águas baianas. Embarcações dos tipos saveiros de vela içar, saveiros de vela de pena, canoas, barcos de pesca e catraias, foram distribuídas em 12 classes, saindo do Porto da Barra, indo até as boias próximas do farol de Mar Grande, e retornando para o ponto de início.
De acordo com o comandante José Antônio Freitas Costas, organizador do evento desde 2005, manter a tradição é muito importante, mas o esperado era que pelo menos 150 embarcações fossem inscritas. “Os saveiros já foram um meio de transporte na cidade. É uma pena que o número de inscrito cai a cada edição. Mas, nessa competição, a data coincidiu com a festa de Jaguaribe, e muitas embarcações foram prestigiar a festa”, explicou.
Sobre a competição, o comandante confessou que se emociona ao ver a largada. “Cada vez que vejo as velas içar saindo, me emociono. Sinto que estou ajudando a manter a tradição”, desabafou. Não é a primeira vez que a gerente de vendas Fabiana Magalhães, 40, assiste a uma regata de saveiros. Ela já chegou a participar de uma competição, e afirma que a sensação é incrível. “É muito bonito ver todas as embarcações saindo juntas. Já participei da Regata Aratu-Maragojipe e foi fantástico”, exclama a gerente de vendas.
Fabiana estava admirando a largada das outras classes enquanto esperava por seu marido, Ricardo Tavares, que estava em um dos primeiros saveiros a sair. Orgulhosa, ela informou que ele foi o idealizador do Dia Municipal do Saveiro, comemorado no dia 19 de janeiro.
“Ele é apaixonado por saveiros e propôs a Câmara que o dia fosse comemorado. Ricardo já chegou a expor miniaturas de saveiros feitos por ele”, explicou. Ela informou ainda que, Ricardo Tavares, que é escritor, está escrevendo um livro sobre a história dos saveiros.
foto - ilustração
Espetáculo no mar do Porto
Soteropolitanos e turistas ficaram encantados com o visual que a regata deu ao Porto da Barra. Para a francesa de 23 anos, que está há apenas três dias em Salvador, e preferiu se identificar apenas como Carlita, foi uma surpresa encontrar mais uma paisagem tão bonita nas praias baianas. “Estava passando e vi o espetáculo no mar. Achei muito bonito”, disse. O aposentado Adalberto Oliveira, 65, aproveitou o dia para espairecer enquanto tomava uma cervejinha,e admirava a regata. “Aposentado já fica o dia todo em casa, como fiquei sabendo da competição, decidi me divertir um pouco. E valeu a pena, a largada foi bonita demais”.
Já para a psicóloga Camila Baqueiro, 34, o evento poderia ter sido melhor. Ela estava passando pela Barra com sua irmã Patrícia Baqueiro, 41, e ambas não sabiam do evento. Mas decidiram parar para admirar o ambiente.
Segundo Camila Baqueiro, faltou mais organização. “Achei o ambiente confuso. Não é uma praia convidativa. É bonita a questão da regata, mas o domingo no Porto da Barra por si só já é tumultuado, e as pessoas não preservam a praia, jogando todo o lixo consumido na areia. Eu teria aproveitado mais a competição se tivesse sido em um lugar mais calmo”, desabafou.
A ideia surgiu em 1969, quando várias embarcações de Salvador fizeram um belo espetáculo para a despedida de uma escuna. A Regata foi criada para marcar o sesquicentenário da Independência na Bahia, em 1973. Seu nome homenageia o herói da guerra de Independência da Bahia, em 1823, João das Botas.
Fonte - Tribuna da Bahia  27/01/2014

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Regata João das Botas preserva tradição dos saveiros

Saveiros

TB
foto - ilustração
Imortalizados nos romances do escritor Jorge Amado e nos versos do compositor Dorival Caymmi, os saveiros da Bahia resistem ao tempo e aos avanços tecnológicos. Até a década de 1940, os saveiros eram o principal meio de transporte no Recôncavo baiano, responsáveis por quase 90% do abastecimento da capital. Nesta época mais de mil embarcações cruzavam o mar da Baía de Todos os Santos.
Organizada pelo Comando do 2º Distrito Naval, através da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) e com patrocínio da Braskem, a competição realiza sua 42ª edição neste domingo, dia 26, com largada da praia do Porto da Barra, a partir das 13h. A regata segue até próximo da Ilha de Itaparica, prossegue para a Cidade Baixa e retorna ao ponto de início.
Em 1969, o Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN), por intermédio da Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) resolveu organizar uma regata de saveiros para que a população pudesse apreciar o belo espetáculo das velas ao mar. Em 1972, a Regata recebeu como patrono o Almirante João Francisco de Oliveira Botas, mais conhecido como João das Botas - herói da Guerra da Independência, na Bahia. “O patrocínio de ações e iniciativas culturais faz parte da política de Responsabilidade Social da Braskem. Ao apoiar a Regata João das Botas, temos como objetivo contribuir para a preservação de umas das mais belas tradições náuticas da Bahia, que são os saveiros de vela”, ressalta Emmanuel Lacerda, gerente de relações institucionais da Braskem na Bahia.
O comandante José Antonio Freitas Costa, Capitão de Mar e Guerra e organizador da prova, afirma a importância do patrocínio para a manutenção da Regata. “Graças ao patrocínio da Braskem, que nos permite inclusive ofertar um prêmio em dinheiro para os três primeiros colocados, nos últimos anos temos conseguido manter a maioria dos saveiros não só de vela de içar, como os peneiros, em atividade, buscando manter vivo esse pedaço da nossa gloriosa história”, lembra o comandante.
Mensageiro do Destino
foto - ilustração
Ainda hoje os saveiros despertam o interesse em muitos apaixonados por esse tipo de embarcação, como o administrador carioca Ricardo Vega. Há quatro anos ele sai do Rio de Janeiro, onde mora, e vem a Salvador participar da tradicional Regata João das Botas com o saveiro de vela de içar Mensageiro do Destino.
“Considero os saveiros um dos barcos mais bonitos, apesar da simplicidade e rusticidade dos equipamentos de navegação. Nesse tipo de embarcação o que mais importa é a sensibilidade do mestre em velejar”, afirma Ricardo Vega, que levou nove meses para construir o Mensageiro do Destino, no município de Valença, distante 119 km da capital baiana.
Fonte - Tribuna da Bahia  23/01/2014