UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Acervo sobre as ferrovias do Rio será digitalizado e aberto ao público

Patrimônio ferroviário  🚃🚃🚃🚃

A Estação Leopoldina foi inaugurada em 1926 e foi desativada em 2004. Durante os anos 1990, chegava e saía deli o Trem de Prata, que circulou entre Rio e São Paulo. O edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda chegou a ser utilizado eventualmente em eventos culturais até 2015.O prédio, localizado no centro da capital fluminense, está desativado e preocupações em relação à sua integridade vêm ganhando visibilidade desde o incêndio que consumiu o Museu Nacional.

Leo Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil/Agência Brasil
Buscando preservar a história da rede ferroviária que atravessa o Rio de Janeiro, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) assinou hoje (25) um acordo com a Secretaria de Estado de Transportes para digitalizar o acervo que se encontra guardado no antigo edifício da Estação Barão de Mauá, popularmente conhecida como Estação Leopoldina. O prédio, localizado no centro da capital fluminense, está desativado e preocupações em relação à sua integridade vêm ganhando visibilidade desde o incêndio que consumiu o Museu Nacional.
O acordo foi assinado em cerimônia no próprio edifício. Entre os documentos que ganharão versão digital estão mapas, plantas e manuais de operações, inclusive de trens que já foram aposentados e estações desativadas. Todo o material ficará disponível ao público no banco de dados da plataforma digital MP em Mapas.
"Não podemos estimar um prazo. A partir de agora, nossos técnicos darão início aos trabalhos e tão logo os documentos estejam aptos a ser disponibilizados, eles estarão nas nossas redes. É de suma importância a preservação, para que a nossa história não se perca como aconteceu recentemente no incêndio do Museu Nacional", avaliou o procurador-geral de Justiça do MPRJ, Eduardo Gussem.
O secretário de transportes do Rio, Rodrigo Vieira, avaliou que as informações contidas no acervo podem subsidiar a elaboração de novas políticas de transporte. "Temos, por exemplo, todo o dimensionamento das vias ferroviárias do Rio de Janeiro, de todas as estações e de todas as plataformas. E nós mantivemos essa riqueza durante todos esses anos. Podemos, a partir desses documentos, ler o presente e planejar o futuro. Acredito que o sistema ferroviário é o que tem maior capacidade de incremento do número de passageiros", diz.
Ainda de acordo com o secretário, também está sendo firmado pelo estado uma parceria com o governo do Japão para estudar uma reorganização das linhas de ônibus, para que elas funcionem como abastecedoras do sistema ferroviário e metroviário.

Fernando Frazão/Agência Brasil/Agência Brasil
História
A Estação Leopoldina foi inaugurada em 1926 e foi desativada em 2004. Durante os anos 1990, chegava e saía deli o Trem de Prata, que circulou entre Rio e São Paulo. O edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda chegou a ser utilizado eventualmente em eventos culturais até 2015.
Desde então, o espaço eles estão fechado ao público. A fachada do edifício está deteriorada e tomada por pichações.
Junto às plataformas da estação estão armazenados trens velhos e enferrujados. No interior do edifício, a maioria das salas está vazia, praticamente sem mobília, sendo o local onde está o acervo uma das poucas exceções. O espaço, porém, está limpo e há extintores de incêndio espalhados pelos corredores. A energia elétrica está desativada.
Ao assinar o acordo para digitalização dos documentos, Eduardo Gussem considerou excelente o estado de conservação. "É uma estação que tem quase um século de existência. Me parece muito bem conservada", disse o procurador do MPRJ.

Obras emergenciais
O Ministério Público Federal (MPF) vem alertando para os riscos de desabamentos e de incêndio no prédio e obteve, na semana passada, liminar da Justiça Federal ordenando que os proprietários do imóvel executem obras emergenciais. A propriedade do prédio é dividida entre o governo federal e o governo estadual. A parte do estado está cedida à SuperVia, conforme o contrato de concessão assinado com a empresa que é a atual responsável pelos serviços de transporte ferroviário no estado.
Na liminar, o juiz federal Paulo André Espírito Santo, da 20ª Vara Federal do Rio de Janeiro, estabeleceu prazo de dez dias para os réus apresentarem documentos como Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI). Também ordenou, no prazo de 180 dias, realização de obras emergenciais, instituindo multa diária de R$ 10 mil por descumprimento.
Segundo o secretário Rodrigo Vieira, as ações necessárias já estavam sendo tomadas pelo governo estadual e pela SuperVia antes mesmo da ação movida. "Já temos um plano de incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros, que vamos buscar recursos para executar. É um prédio antigo, que demanda manutenção permanente, mas a estrutura dele é sadia. Temos acompanhamento diário, segurança 24 horas e estamos abertos a desenvolver projetos de restauro. Estamos colocando uma nova proteção na fachada e um novo apara lixo", disse.
Vieira também afirmou que já há processo de licitação em curso para contratar um mapeamento visando a restauração da fachada. Ele lamentou, porém, a ausência de medidas por parte do governo federal. Em nota divulgada na semana passada, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, afirmou que as obras na parte externa do prédio são responsabilidade do governo do estado e que, para as demais intervenções, aguarda a realização de uma perícia, a partir da qual será definido o projeto de reforma do imóvel.
O plano da Secretaria de Estado de Transportes é permitir que o prédio volte a sediar atividades culturais, o que esbarra na carência de recursos. A pasta pretende buscar parceiros na iniciativa privada e em instituições públicas. "Temos uma característica arquitetônica muita especial e estamos guardando isso tudo. Nosso objetivo é abrir as portas", disse o secretário.
Fonte - Agência Brasil  26/09/2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Rua Chile em Salvador voltará a ser de paralelepípedo e trilhos de antigos bondes voltarão a ser visíveis

Urbanismo  🚃

O projeto de revitalização, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Conder, inclui reformas de infraestrutura urbana com melhorias na acessibilidade, nova pavimentação em paralelepípedo e rebaixamento da fiação aérea.Para realizar as intervenções no local, que é considerado Patrimônio da Humanidade e tombado pelo Iphan, uma equipe de arqueólogos acompanha as escavações e treina os operários para que identifiquem fragmentos arqueológicos do período de fundação da via, ocorrida em 1549.

iBahia

As obras de revitalização da Rua Chile, na capital baiana, já foram iniciadas, como parte do projeto ‘Pelas Ruas do Centro Antigo de Salvador’. Entre as mudanças, a substituição do asfalto por paralelepípedo e a exposição dos trilhos dos antigos bondes que percorriam a Rua Chile.
O projeto de revitalização, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder), inclui reformas de infraestrutura urbana com melhorias na acessibilidade, nova pavimentação em paralelepípedo e rebaixamento da fiação aérea.
Para realizar as intervenções no local, que é considerado Patrimônio da Humanidade e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma equipe de arqueólogos acompanha as escavações e treina os operários para que identifiquem fragmentos arqueológicos do período de fundação da via, ocorrida em 1549.
Segundo o arqueólogo Cláudio Silva, na Rua Chile ficou localizado o portão de entrada da então ‘Fortaleza de Salvador’. “Iniciamos o trabalho de escavação e as camadas do solo vão contando a história da cidade desde a sua fundação. A gente está buscando essa história a partir dos extratos das camadas que foram se sobrepondo ao longo do tempo. Essa área tem uma importância grande pela historiografia porque é considerada a entrada da cidade. A nossa expectativa é encontrar vestígios que confirmem o fato de que nesta área ficou o portão de entrada de Salvador”, explica.
Ainda de acordo com Milton Melo, a iluminação pública também será modificada com a instalação de luminárias de lâmpadas de LED. A realização do serviço está dividida em lotes para diminuir o impacto das obras na rotina de quem passa pelo local.
As obras na Rua Chile fazem parte do lote 2 do projeto ‘Pelas Ruas’, que compreende, além de 18 ruas do Centro Histórico, os bairros do Dois de Julho, Nazaré e Politeama. Ao todo, o projeto conta com investimento de R$ 124 milhões e deve requalificar mais de 280 ruas do Centro Antigo de Salvador.
Fonte - Abifer  04/09/2018

terça-feira, 27 de junho de 2017

Ministério Público Federal pede nulidade de leilão do Pátio Ferroviário das Cinco Pontas em Recife

Memória ferroviária  🚃

De acordo com o parecer do MPF, diante da decisão da Justiça Federal de anular o leilão, cabe à União adotar as medidas necessárias para cumprir a sentença judicial e reassumir a propriedade, devolvendo o valor pago no leilão pelo Consórcio, enquanto o Iphan deve declarar a importância histórica da área em razão de sua memória ferroviária. O MPF argumenta ainda que o Iphan deve negar qualquer licenciamento de projeto sobre a área que não leve em consideração sua importância histórica e fazer respeitar a visibilidade do sítio histórico e a compatibilidade arquitetônica com o local.

Diário de Pernambuco
foto - Teresa Maia/DP/Arquivo
Mais um capítulo da disputa judicial do Pátio Ferroviário das Cinco Pontas, no bairro São José, entorno do Cais José Estelita. Em junho de 2016, o juiz federal da 1ª Vara, Roberto Wanderley, reafirmou a anulação do leilão do pátio, onde o Consórcio Novo Recife Empreendimentos Ltda adquiriu a área para implantação do projeto Novo Recife. Na ocasião, o Consórcio afirmou que o caso já estava
judicializado desde 2015 e que a reafirmação do juiz da 1ª instância não teria valor legal. Ontem, foi a vez do Ministério Público Federal (MPF) opinar pela manutenção da sentença da Justiça Federal que declarou a nulidade do leilão. O Consórcio Novo Recife se pronunciou, por meio da assessoria de imprensa, ressaltando que o departamento jurídico da empresa só se posicionará após ser notificado oficialmente.
Após o Consórcio Novo Recife recorrer da decisão de 2016, o MPF encaminhou parecer ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) sustentando a necessidade de uma posição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) referente à existência de valor histórico da área em questão, o que não foi observado para a realização do leilão.
De acordo com o parecer do MPF, diante da decisão da Justiça Federal de anular o leilão, cabe à União adotar as medidas necessárias para cumprir a sentença judicial e reassumir a propriedade, devolvendo o valor pago no leilão pelo Consórcio, enquanto o Iphan deve declarar a importância histórica da área em razão de sua memória ferroviária. O MPF argumenta ainda que o Iphan deve negar qualquer licenciamento de projeto sobre a área que não leve em consideração sua importância histórica e fazer respeitar a visibilidade do sítio histórico e a compatibilidade arquitetônica com o local.
Em sua defesa, de acordo com o MPF, o Consórcio Novo Recife alega que o Poder Judiciário não teria competência de assumir atos relacionados à declaração da importância cultural ou histórica de determinado local por esse ser um papel do Poder Executivo, impossibilitando qualquer controle judicial sobre o ato, sob pena de ofensa ao princípio constitucional de separação dos poderes.
O MPF cita o artigo 129-II da Constituição Federal que legitima o Ministério Público à promoção de interesses que inclui os bens de valor histórico e cultural. E, diante da ausência de opinião do Iphan, antes da realização do leilão e da falta de compatibilidade arquitetônica com as construções da área, o MPF pede ao TRF5 que mantenha a nulidade do leilão e, em consequência, o retorno da propriedade à União.
Fonte - Diário de Pernambuco 26/06/2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

Fortaleza de Morro de São Paulo entra em fase final de recuperação

Turismo  🏰

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, o monumento datado do século 17 requer um cuidadoso plano de uso, que inclui a instalação de uma exposição permanente com objetos encontrados durante o restauro - balas de canhões, artefatos arqueológicos e cinco canhões, que ajudam a contar a história do local.

Da Redação
foto - Tatiana Azeviche
Localizado na zona turística Costa do Dendê, no baixo sul baiano, o município de Cairu vai oferecer aos moradores e visitantes, em breve, um atrativo histórico-cultural totalmente revitalizado, além do reconhecido turismo de sol e praia. Isto porque as obras de restauração da Fortaleza do Morro de São Paulo estão em fase final de execução.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, o monumento datado do século 17 requer um cuidadoso plano de uso, que inclui a instalação de uma exposição permanente com objetos encontrados durante o restauro - balas de canhões, artefatos arqueológicos e cinco canhões, que ajudam a contar a história do local.
Também está prevista a instalação de um museu, anfiteatro, área para eventos e uma cafeteria. Serão feitas visitas guiadas por jovens da comunidade, selecionados e preparados para trabalhar no receptivo aos turistas. “Estamos alinhados com nossos parceiros neste trabalho de valorização de um equipamento de relevante interesse turístico, histórico, arqueológico e arquitetônico”, afirma o secretário estadual do Turismo, José Alves.

foto - Tatiana Azeviche
O restauro tem apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que investe R $ 8,5 milhões na recuperação da edificação. As obras foram divididas em duas etapas. A primeira, emergencial e já pronta, foi a recuperação estrutural da muralha. A segunda, em fase de conclusão, contempla a restauração do Portaló, do Corpo da Guarda, do Forte da Ponta e do caminho ao longo da muralha.
Atualmente, a Setur detém a cessão de uso do equipamento militar e histórico, concedida pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ao Governo da Bahia. O projeto museológico é preparado pelos institutos do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) e de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul da Bahia (Ides).
O Ides é parceiro da Setur para a realização das obras e gestão do equipamento, a exemplo da Prefeitura de Cairu. As obras de requalificação são autorizadas e acompanhadas pela SPU e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto de restauração e readequação está baseado nas premissas do valor e significado histórico e cultural do monumento, integrando o conjunto arquitetônico à dinâmica turístico e cultural da região.
Com informações da Secom Ba.  29/03/2017

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Prefeitura de Salvador permitiu construção do La Vue

Política  🏠

As razões técnicas que fundamentaram a suspensão da obra em diversos momentos, a última delas determinada em caráter liminar pela Justiça Federal na última quinta-feira (24), se referem essencialmente ao tema da proteção de edificações tombadas presentes na área. A preservação destes sítios é uma atribuição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), órgão subordinado ao Ministério da Cultura.

Por Julio Fisherman
Para os Jornalistas Livres

Simulação/Jornalistas livres
A construção do edifício de luxo La Vue – pivô da queda do então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e culminando ainda com a denúncia pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de que o próprio presidente Michel Temer intercedeu em benefício da posição e interesse de Geddel – compreende um escândalo político não apenas nacional, mas também recheado por ingredientes locais.
As razões técnicas que fundamentaram a suspensão da obra em diversos momentos, a última delas determinada em caráter liminar pela Justiça Federal na última quinta-feira (24), se referem essencialmente ao tema da proteção de edificações tombadas presentes na área. A preservação destes sítios é uma atribuição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), órgão subordinado ao Ministério da Cultura.
Mas se a repartição do Iphan na Bahia, durante a fortemente criticada superintendência de Carlos Amorim, concedeu permissão que mais tarde foi tratada como irregular e rechaçada pela direção nacional do órgão, a Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) concedeu o alvará de construção para o empreendimento não só sem fiscalizar a real adequação deste aval como sem observar outros aspectos necessários.
Segundo Solange Araújo, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-Bahia), a prefeitura foi alertada pelo próprio IAB sobre a ilegalidade da poligonal traçada pelo Iphan-Bahia estabelecendo a área de proteção das construções tombados na região.
“A prefeitura sempre manteve o discurso de que liberava o alvará de construção porque tinha autorização do Iphan (Bahia). Se o Iphan (Bahia) permitiu, ela não teria mais nada com o tema. Mas também cabe aos órgãos da cidade que fiscalizam as construções verificar se aquilo está correto ou não. Este foi o caso do IAB (Bahia), que percebeu a inadequação e alertou para a ilegalidade da obra. Como não fomos ouvidos aqui, entramos com a ação civil pública na esfera federal”, disse Araújo.
Outra voz crítica do papel da prefeitura no episódio foi o vereador Gilmar Santiago (PT). Provocado por moradores da Barra, Santiago chamou a atenção para os problemas da construção do prédio. Ainda no fim do ano passado realizou uma audiência pública sobre a obra, o que só conseguiu não na Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, mas na Comissão de Defesa dos Direitos do Cidadão.
“O que muito me interessa neste debate é denunciar que a Sucom está ‘a mercê’ dos interesses privados do setor imobiliário na cidade. E tenta aparecer nesta história do La Vue como se não tivesse nenhuma responsabilidade. Até parece que a central de liberação de obras na cidade agora se mudou para o Iphan. É a Sucom a responsável pela gestão do solo urbano em Salvador”, declarou.
Na ocasião da liberação da licença, a Sucom tinha a frente como secretário Silvio Pinheiro. Amigo pessoal do prefeito reeleito, ACM Neto (DEM), Pinheiro chegou a ser cotado para ser o candidato a vice-prefeito na chapa de ACM Neto, mas o escolhido foi o deputado estadual Bruno Reis (PMDB) do mesmo partido de Geddel.

Impacto na paisagem e vizinhança
De acordo com Solange Araújo, o projeto original de 30 andares (nem todos eles residenciais) criaria um grande impacto no conjunto de edificações em seu entorno. Lá a vizinhança é de casas e edifícios de no máximo 12 andares. Visto da Baía de Todos os Santos, o La Vue se sobressairia sozinho afetando a paisagem urbana do bairro e da cidade.
Além de não levar em consideração o impacto da obra para a paisagem local, a prefeitura não exigiu, do proeminente empreendimento, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).
“Foi o IAB (Bahia) quem convidou o professor Heliodoro Sampaio para encaminhar um estudo sobre a implantação deste empreendimento na área. No estudo fica demonstrado, deixando de lado a questão do patrimônio tombado, o impacto na paisagem e a possibilidade de que outros edifícios como esse passassem a ser construídos ali descaracterizando a área. Sem contar o choque com o próprio conceito de requalificação realizada por esta administração na faixa de orla do bairro que limitou a velocidade e o trânsito de veículos”, afirmou Araújo.

Risco de sombra na praia
O empreendimento chamou atenção ainda pelo risco de sombreamento que pode causar na praia do Porto da Barra, uma das mais simbólicas da cidade e por diversas vezes eleita por periódicos internacionais como uma das praias de área urbana mais belas do mundo.
Diversas simulações passaram a circular nas redes alertando para esta consequência. O tema é ainda mais controverso porque a obra foi liberada sob a vigência do antigo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e Lei de Ordenamento de Uso e Ocupação do Solo (Louos). Só no segundo semestre deste ano é que o novo PDDU e a Louos, ambos bastante criticados por movimentos sociais e instituições de classe como o IAB e o Conselho de Arquitetos e Urbanistas, foram aprovados e sancionados.
Entre outros pontos, os novos marcos legais passaram a ser permissivos, abrindo a possibilidade para que empreendimentos imobiliários como o La Vue em diversos pontos da faixa de orla acabem causando sombras nas praias. Até aqui as praias eram preservadas, com raras exceções, deste risco. O tópico guarda relação ainda com o tema da ventilação no interior da cidade.
Fonte - Jornalistas Livres  29/11/2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Geddel entrega carta de renúncia a Temer

Política 💥

A informação foi confirmada há pouco pela assessoria de imprensa de Geddel. A assessoria informou ainda que em breve divulgará nota com mais detalhes sobre a carta.

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, acabou de entregar ao presidente Michel Temer uma carta na qual pede para deixar o cargo.
A informação foi confirmada há pouco pela assessoria de imprensa de Geddel. A assessoria informou ainda que em breve divulgará nota com mais detalhes sobre a carta.
Após pedir demissão na última sexta-feira (18), o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero deu entrevista alegando que sofreu pressão por parte de Geddel para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador. O empreendimento foi embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por estar localizado em área tombada como Patrimônio Cultural da União. Os construtores queriam erguer 31 andares, mas o instituto só autorizou a construção de 13.
Na segunda-feira (21), a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu abrir um processo para investigar a conduta de Geddel no episódio. Por meio do porta-voz, o presidente Michel Temer afirmou que Geddel permanecia no cargo.
Na quarta-feira (23), Calero prestou depoimento à Polícia Federal e, segundo a imprensa, teria dito que o presidente Michel Temer o havia "enquadrado" e sugerido uma saída por meio da Advocacia-Geral da União para o caso. Por meio do porta-voz Alexandre Parola, o presidente Michel Temer disse que buscou "arbitrar o conflito" e negou ter pressionado Calero.
Fonte - Agência Brasil  25/11/2016

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Artesãos de área histórica de Salvador fazem ato contra remoção

Salvador

Feito em parceria com a prefeitura de Salvador, o projeto objetiva promover mudanças urbanísticas nos Arcos da Ladeira da Montanha e Muralhas da Cidade Alta/Cidade Baixa, tombados desde 1984.Os trabalhadores temem ser removidos do local, por isso, artesãos, integrantes da comunidade de Gamboa de Baixo, também atingida pelo projeto, e representantes do Movimento Sem Teto da Bahia participaram do ato.

Helena Martins 
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Em meio às homenagens a Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, sapateiros, serralheiros, ferreiros, marmoristas e outros profissionais que trabalham na região da Ladeira da Conceição, em Salvador, protestaram, na manhã de hoje (8) contra o projeto Parque Cidade-Histórica, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Feito em parceria com a prefeitura de Salvador, o projeto objetiva promover mudanças urbanísticas nos Arcos da Ladeira da Montanha e Muralhas da Cidade Alta/Cidade Baixa, tombados desde 1984. A ideia é restaurar a estrutura do local, recuperar monumentos, requalificar vias e desapropriar imóveis para que sejam usados como espaços de artes, segundo informações do Iphan.
Os trabalhadores temem ser removidos do local, por isso, artesãos, integrantes da comunidade de Gamboa de Baixo, também atingida pelo projeto, e representantes do Movimento Sem Teto da Bahia participaram do ato. Por meio de panfletagens, eles buscaram sensibilizar os participantes da festa religiosa quanto à situação dos que há décadas prestam serviços no local.
É o caso de Paulo Evangelista, de 42 anos, um dos organizadores do ato, cujo pai começou a trabalhar na região como sapateiro ainda nos anos 1930. Crescido entre os arcos, Paulo seguiu a tradição familiar e virou artesão. Aprendeu o ofício de marmorista e hoje é uma das 30 pessoas que trabalham no local histórico.
“O governo nunca fez nada pelos arcos, agora quer reformar e expulsar a gente para colocar gente rica no lugar”, disse Paulo, para quem a intervenção proposta desvaloriza aqueles que mantiveram os arcos como um lugar vivo e importante da cidade.
Durante o protesto, os manifestantes também cobraram participação na definição das intervenções. Integrante do Instituto de Desenvolvimento de Ações Sociais (Ideas), que presta assessoria aos artesãos, Wagner Campos disse que, em julho, os trabalhadores receberam notificação, a pedido do Iphan, segundo o qual a área deveria ser esvaziada em 72 horas. Três dias depois, eles fizeram um ato na sede do órgão e conseguiram uma mesa de negociação.
Segundo Campos, houve seis encontros para negociação. Neles ficou pactuado que os arcos seriam reformados, mas de acordo com um novo projeto, o qual garantiria a permanência dos trabalhadores. “Eles também sairiam parcialmente para que as reformas fossem feitas. Mas na sétima mesa, o Iphan, que deveria apresentar o projeto, se retirou”, destacou.
Desde o último encontro, no fim de outubro, não houve mais diálogos, informou Campos, que defende a continuidade das rodadas, para que se encontre uma saída consensual para a situação. “Eles já trabalham aqui – o que a reforma poderia prever era a melhoria da própria situação do trabalho. Porque, se os arcos continuam existindo hoje, é por causo da presença e do trabalho dos artesãos”, avalia Campos.
A Agência Brasil procurou a Superintendência do Iphan na Bahia, mas não conseguiu falar com o representante. Segundo a assessoria do instituto, apenas o superintendente poderia falar sobre o assunto, mas ele está viajando a trabalho. A prefeitura de Salvador também foi procurada, mas não deu retorno às solicitações feitas até a publicação desta reportagem.
Fonte - Agência  Brasil  08/12/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Roda de capoeira recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Esporte/Cultura

Após votação durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, a roda de capoeira ganhou oficialmente o título.
A presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, presente na sessão do comitê, explicou que as políticas de patrimônio imaterial não existem apenas para conferir títulos, mas para que os governos assumam compromissos de preservação de seus bens culturais, materiais e imateriais.

Ana Cristina Campos 
Repórter da Agência Brasil 
Ag.Brasil
Dança, luta, símbolo de resistência e uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil, a roda de capoeira recebeu hoje (26) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Após votação durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, em Paris, a roda de capoeira ganhou oficialmente o título.
A presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, presente na sessão do comitê, explicou que as políticas de patrimônio imaterial não existem apenas para conferir títulos, mas para que os governos assumam compromissos de preservação de seus bens culturais, materiais e imateriais.
“O reconhecimento representa um tributo à capoeira como manifestação cultural importante que durante séculos foi criminalizada, além de dar visibilidade internacional. Além disso, reconhece que o Brasil tem políticas públicas para cuidar do seu patrimônio cultural”, disse Jurema em entrevista à Agência Brasil.
Segundo ela, um bem registrado como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade garante mais respaldo ao governo para apoiar, com recursos públicos, iniciativas de preservação do bem cultural, com o incentivo à transmissão do conhecimento e a formas de organização dos capoeiristas. A roda de capoeira é reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan desde 2008.
No dossiê de candidatura, o Iphan enumerou uma série de ações para difundir a modalidade e propõe medidas de salvaguarda orçadas em mais de R$ 2 milhões, como a produção de catálogos e encontros. O documento destacou que o registro vai favorecer a consciência sobre o legado da cultura africana no Brasil e o papel da capoeira no combate ao racismo e à discriminação. O dossiê lembra que a prática chegou a ser considerada crime e foi proibida durante um período da história. Hoje, a capoeira é praticada em muitos países.
“O reconhecimento da roda de capoeira pela Unesco é uma conquista muito importante para a cultura brasileira. A capoeira tem raízes africanas que devem ser cada vez mais valorizadas por nós. Agora, é um patrimônio a ser mais conhecido e praticado em todo o mundo”, destacou, em nota, a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler.
Além da presidenta do Iphan, a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI-Iphan), Célia Corsino, diplomatas da Delegação do Brasil junto à Unesco e capoeiristas brasileiros também acompanharam a votação, entre eles os mestres Cobra Mansa, Pirta, Peter, Paulão Kikongo, Sabiá e Mestra Janja.
Segundo o Ministério da Cultura, o Iphan deu apoio aos capoeiristas para fazer amplo inventário dos grandes grupos de capoeira e mestres no Brasil e ajudou-os a instalar comitês estaduais distribuídos pelo país. Neles, capoeiristas podem formular reivindicações e compromissos relacionados à salvaguarda e à promoção dessa manifestação cultural.
Com o título, a prática cultural afro-brasileira reúne-se agora ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE) e ao Círio de Nazaré (PA), também reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Fonte - Agência Brasil  26/11/2012

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Abraço simbólico no Palácio Arquiepiscopal apoia obra de restauração do espaço

Cultura

O Palácio Arquiepiscopal foi construído através de uma Carta Régia que autorizou a construção para ser uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus, em 1705. As obras foram concluídas em 1715, ano em que o prédio foi inaugurado.

Tamirys Machado -TB
Foto: Reginaldo Ipê
Estudantes, representantes da ABI (Associação Bahiana de Imprensa) e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia promoveram um “abraçaço” ao redor do Palácio Arquiepiscopal, localizado na Praça da Sé, centro histórico da cidade. O abraço simbólico teve o objetivo de apoiar a obra de restauração do espaço, que vive em um processo de arruinamento, e chamar a atenção dos órgãos públicos e da sociedade sobre a importância do monumento para a história do estado.
O Palácio Arquiepiscopal foi construído através de uma Carta Régia que autorizou a construção para ser uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus, em 1705. As obras foram concluídas em 1715, ano em que o prédio foi inaugurado. Desde 1928 o prédio foi tombado pelo IPHAN, (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e integra um dos pontos mais bem visitados da capital. O monumento faz parte da arquitetura religiosa do país, fundado no século XVIII e completa 300 anos em 2015.
Fechado há aproximadamente 10 anos, O IPHAN, responsável pelo local, está com o projeto de restauração do prédio em andamento. Conforme a Arquidiocese, que é a proprietária, houve diversas tentativas de buscar a revitalização do prédio, mas sempre encontrou dificuldades na obtenção dos recursos. O Arcebispo da Igreja Católica Dom Murilo Krieger, informou que a metade da recuperação será feita através do BNDES e a outra parte será obtida com recursos privados.
Idealizadora do ato simbólico, a administradora, Alba Pinto de Aguiar, neta do professor Pinto de Aguiar, contou sobre como surgiu a ideia do “abraçaço”. “Sou uma frequentadora do Instituto Geográfico e Histórico e fiquei sabendo que o órgão, juntamente com a ABI, estava discutindo e debatendo a necessidade de uma reforma nesse prédio, que foi sede da primeira igreja do Brasil. A partir daí surgiu a ideia de fazer um abraço simbólico para chamar a atenção da sociedade de que deve ser restaurado logo”, ressaltou. 

Reforma
O Presidente da Associação Baiana de Imprensa, Walter Pinheiro, explicou como ficaria o Palácio após a reforma. “Com a reforma esse patrimônio passaria a ter uma área de museu, de exposição, auditório para debates e uma sala para questões administrativas da própria Arquidiocese. E evidentemente é uma recuperação do patrimônio histórico, um dos mais importantes que temos que se encontra na Praça da Sé, a vista de todos, e valoriza demais Salvador”, afirmou o presidente. “O movimento de hoje foi ideia de Alba Pinto de Aguiar, justamente para gerar um fato público, contribuir para que o IPHAN dê continuidade no processo e a verba apareça. A ABI tem lutado para que isso aconteça. O objetivo é tornar o Palácio útil para a comunidade”, disse.
Walter Pinheiro pontuou ainda que essa situação prejudica a imagem da Bahia. “É péssimo para a imagem do nosso estado, pois todos os turistas passam por aqui, inclusive ele tem um Brasão que veio da Europa. É um prédio bonito, bem localizado e só faz valorizar o espaço público”, concluiu.
Estudantes do Centro Educacional Piaget, de Dias D’Ávila participaram do ato simbólico e comentaram sobre a importância da ação. “Hoje tivemos uma aula prática e foi importante porque conhecemos a história da nossa capital em um período colonial. Essa iniciativa do abraço simbólico é muito boa, pois temos que preservar um bem histórico como este, a nossa cultura e nossas raízes”, disse o estudante Leôncio Pimenta.
A professora de história do Piaget, Jamile Gomes, pontuou a importância de abraçar essa causa. “Quando soube do movimento levei isso para os nossos alunos. É importante porque a aula de campo possibilita o contato direto com as fontes históricas e desperta a credulidade dos estudantes”, colocou a pedagoga.
O comerciante Mestre Gajé, que vende Berimbau e peças tradicionais da Bahia, comemorou a iniciativa. “É importante que recuperem esse espaço, porque os turistas vêm aqui e perguntam o porquê de estar fechado. As pessoas querem conhecer o lugar que faz parte da nossa história”, afirmou. A presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Consuelo Pondé, mostrou indignação sobre o abandono do espaço. “É a bandeira do Instituto e da ABI e, estamos empolgados com a recuperação desse prédio que é o único no Brasil, no gênero. Não é possível que agente cruze os braços e veja esse prédio se deteriorar. Isso é um abandono, descaso, desinteresse, infelizmente a marca da Bahia”, disse.

Risco
O doutor em Ciência da Restauração e professor do Programa de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, Mário Mendonça, alertou para o risco de desabamento do espaço. “Já houve diversos desabamentos nessa encosta, pois pilares frágeis e fundações deterioradas podem descer e desabar, como já aconteceu em outros lugares. A parede não é firme, não é rocha, dilui e o imóvel corre o risco de desabar”, explicou.
O Diretor de Cultura da ABI, Luiz Tavares ressaltou a importância de preservar o patrimônio. “É necessário que essa obra se inicie logo porque os pilares posteriores estão enfraquecidos e o movimento da terra na encosta pode resultar em um acidente de proporções inimagináveis e um prejuízo para a cultura mundial, pois isso aqui é patrimônio do mundo. Defender isso é defender um bem que pertence a humanidade”, enfatizou.
Fonte - Tribuna da Bahia  14/08/2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

ABI e Instituto Histórico tentam salvar monumento de 300 anos em Salvador

Salvador - Centro Histórico

O monumental exemplar de arquitetura religiosa, que fascina, apesar do seu arruinamento, a quem visita a Praça da Sé, é a “primeira sede do governo primaz da Igreja Católica” no Brasil, conforme nos ensina a presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), professora Consuelo Pondé de Sena. 

Luis Guilherme Pontes Tavares - TB
O Palácio Arquiepiscopal
Em 2015, o Palácio Arquiepiscopal completará 300 anos de construído. O monumental exemplar de arquitetura religiosa, que fascina, apesar do seu arruinamento, a quem visita a Praça da Sé, é a “primeira sede do governo primaz da Igreja Católica” no Brasil, conforme nos ensina a presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), professora Consuelo Pondé de Sena. A Arquidiocese de Salvador encaminhou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) projeto de restauração do imóvel e aguarda, já há algum tempo, providências.
A expectativa com relação à palestra que o arquiteto e professor Francisco Senna fará nesta terça-feira (22 de abril, Dia do Descobrimento), no salão nobre do IGHB, às 15h30, é de que ele passe a limpo a situação em que se encontra o Palácio e trate da solução que se avinha para o imóvel que aniversaria no próximo ano seus três séculos de existência. O evento do IGHB foi sugerido pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI), que assim inicia o ciclo de debates “Três novos endereços de Cultura”, que prosseguirá nos dias 12 de agosto e 20 de novembro.
O arquiteto Francisco Senna, ex-pró-reitor da UFBA e ex-presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), é autor de um projeto de restauração do Palácio Arquiepiscopal. Há também o projeto do arquiteto Olympio Augusto Ribeiro, de São Paulo, com o qual, em 2001, pretendeu levantar recursos para a restauração do imóvel do século XVIII (inaugurado em 1715) através da Lei Rouanet, e adaptá-lo para servir como Memorial da Arquidiocese. Há, ademais, o projeto da dupla de arquitetos Aline Costa e Francisco Prisco Paraíso. Os dois propõem a destinação do imenso prédio (quatro pisos e cerca 4 mil m²) para Museu da Cúria.
Em 2012, no segundo ano da gestão de Walter Pinheiro à frente da ABI, o situação do Palácio Arquiepiscopal foi tema de reunião no âmbito dos cuidados da instituição com a Cidade do Salvador e, sobretudo, com o seu centro histórico, tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. A propósito, o Palácio Arquiepiscopal é tombado pelo IPHAN desde 17 de junho de 1938 (registro 124 do Livro de Belas Artes, folhas 22 – anverso e verso). Naquele ano, a diretora Consuelo Pondé de Sena, também presidente da IGHB, assinou o artigo “Agoniza o Palácio Arquiepiscopal da Bahia” na Tribuna da Bahia, assim como o diretor Luis Guilherme Pontes Tavares, no mesmo jornal e sobre o mesmo tema, publicou o artigo “A bela e a ruína que enxergo das janelas da ABI”
Em 2012, a ABI fez gestões junto à Arquidiocese de Salvador para que o arcebispo Murilo Krieger falasse sobre o Palácio Arquiepiscopal. Ele, de modo gentil, oficiou a instituição explicando que a Arquidiocese encaminhara ao IPHAN o projeto de restauração do imóvel e que aguardava deliberação a respeito. O pleito da Arquidiocese ainda não foi contemplado com a sua inclusão no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas. É provável que a isso aconteça no próximo PAC.

Mais 2 debates
Em 12 de agosto, data em que, em 1798, os sediciosos baianos fixaram os boletins em Salvador conclamando a população contra o jugo português, a ABI pretende discutir, no seu Auditório Samuel Celestino, as dificuldades que o projeto “Memorial da Resistência” está enfrentando. A ideia desse equipamento cultural surgiu a partir da proposta do advogado Carlos Augusto Marighella de homenagear, em 2011, o pai, Carlos Marighella (1911-1969), pela passagem do centenário do nascimento dele. O governador Jaques Wagner recebeu a proposta com agrado e a ampliou para contemplar outros personagens e episódios da resistência à ditadura militar de 1964-1985.
O arquiteto Pasqualino Magnavita foi encarregado de oferecer solução para adequar os imóveis 28 e 30 da Rua João de Deus, no Pelourinho, para servir como sede do Memorial. Tudo faz crer que o projeto não será concluído este ano, o que seria oportuno por causa do transcurso do cinquentenário do golpe de 1964. É bem verdade que tampouco houve recursos, em 2011, para restaurar o jazigo de Mariguella no Cemitério das Quintas, apesar do relevante fato de que a lápide é a única obra do arquiteto Oscar Niemeyer (1909-2012) na Bahia.
Para 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, a ABI programou o debate sobre o Museu Nacional de Cultural Afro-Brasileira (MuNCAB), cuja obra está parada há algum tempo, colocando em risco o que ali fora restaurado e o acervo existente no seu interior. O MuNCAB é um desafio que o poeta José Carlos Capinam, um dos nomes do movimento Tropicalista, tomou para si, sem avaliar, todavia, o cipoal que teria que atravessar quando se tem que enfrentar a burocracia brasileira.
A ABI, com o ciclo de debates “Três novos endereços de Cultura”, pretende auxiliar no sentido de viabilizar os três projetos para o efetivo benefício da sociedade local e para quantos visitam a Cidade do Salvador.
Fonte - Tribuna da Bahia  21/04/2014

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Festa de Nosso Senhor do Bonfim é Patrimônio Imaterial Nacional

Cultura

O título será entregue pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pela presidenta do Iphan, Jurema Machado, ao governador da Bahia, Jaques Wagner, e ao prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto. A celebração é uma das mais simbólicas do estado....

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Festa de Nosso Senhor do Bonfim, que ocorre em Salvador desde 1745, se torna hoje (15) Patrimônio Imaterial Nacional. O título será entregue pela ministra da Cultura, Marta Suplicy, e pela presidenta do Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, ao governador da Bahia, Jaques Wagner, ao prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, ao arcebispo dom Murilo Krieger, ao superintendente do Iphan-BA, Carlos Amorim, e ao juiz da secular Irmandade de Nosso Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia, Arthur Napoleão.
O registro da festa como patrimônio cultural brasileiro foi aprovado em 5 de junho do ano passado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
A celebração é considerada uma das mais simbólicas no estado e articula duas matrizes religiosas distintas – a católica e a afro-brasileira. Os rituais começam com um cortejo – que sai da Igreja da Conceição da Praia, no bairro do Comércio – e seguem até a Basílica Santuário Senhor Bom Jesus do Bonfim, na Colina Sagrada, península de Itapagipe, onde é feita a lavagem das escadarias.
“Mais que uma grande manifestação religiosa da Bahia, a celebração é uma referência cultural importante na afirmação da cultura baiana, além de representar um momento significativo de visibilidade para os diversos grupos sociais”, informou o Iphan.
Fonte - Agência Brasil  15/01/2014

sábado, 12 de outubro de 2013

MPF entra com novo recurso no STJ contra aprovação do projeto Novo Recife

Cidades

foto - ilustração
Um novo recurso judicial pode dificultar a execução do projeto Novo Recife, no Cais José Estelita, na região central da cidade. O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional da República da 5º Região (PRR5), entrou com novo recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para suspender a continuidade das obras do projeto imobiliário - onde se encontra importante acervo da memória ferroviária brasileira - e o conjunto de prédios históricos dos bairros de Santo Antônio e São José, que comporta 16 bens tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
No entendimento do MPF, o empreendimento foi aprovado de forma irregular, sem Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). O órgão ainda argumenta que não foram ouvidos o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Somado a isso, o Novo Recife também não foi previamente aprovado pelo IPHAN.
Este recurso do Ministério Público Federal questiona a decisão da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 5º Região (TRF5), que acatou o pedido da Prefeitura do Recife no final do ano passado e derrubou a liminar da 12º Vara da Justiça Federal em Pernambuco, que determinava a suspensão das obras, impedindo qualquer construção ou demolição no local. No final de setembro, o MPF já havia entrado com outros dois recursos - um no STJ e outro no STF - contra uma decisão da Presidência do TRF5, que havia suspendido os efeitos dessa mesma liminar.
Na avaliação do MPF, a aprovação do projeto Novo Recife não depende, exclusivamente, de um órgão administrativo, no caso, o Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Prefeitura do Recife. "Faz algum sentido esse caminho trilhado pelo município? A resposta é obviamente negativa, pois não é razoável que o município atue para licenciar um projeto que posteriormente pode ser inviabilizado pela mera manifestação de vontade em contrário de um órgão do Governo Federal. A necessidade de prévia oitiva dos entes federais, no caso concreto, é uma consequência direta do princípio constitucional da eficácia, pois não faz sentido que eles venham eventualmente a jogar na lata do lixo todo trabalho realizado pelo CDU e outro órgãos municipais", disse o procurador regional da República, Domingos Amorim.
Fonte - Diário de Pernambuco  12/10/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Bonde de Santa Teresa terá ACESSIBILIDADE para usuários com dificuldades de locomoção


Bonde de Santa Teresa com acesso para portadores de necessidades especiais

Christina Nascimento
O Dia 12/03/2013


Projeto de bondinho de Santa Teresa prevê facilidade para cadeirantes
Rio - Previsto para voltar a circular somente em 2014, o bonde de Santa Teresa promete ser inovador em pelo menos em um quesito: acessibilidade. Se o projeto que prevê um espaço no meio do corredor dos carros para cadeirantes sair do papel, o Rio terá o primeiro bondinho do mundo adaptado para portadores de necessidades especiais.
A ideia é que o cadeirante acesse o bonde por um elevador, que ficará em alguns pontos de embarque e desembarque do bairro. Para isso, seria colocada porta na lateral do carro. A proposta, no entanto, precisa de aprovação do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural) e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A resposta deve ser dada até o fim do mês.
Outra novidade em fase de análise é que, em vez de apenas um bondinho circular, dois fariam o trajeto. Os carros ficariam acoplados. Um teria acessibilidade e outro, não.
“Estamos estudando essa possibilidade de acessibilidade, mas ainda não é algo que foi fechado. O Inepac está nos acompanhando neste processo. Com o elevador, o design do bonde não será afetado tanto. Além disso, eles já circularam acoplados no passado”, explicou o presidente da Central Logística do governo do Estado, Eduardo Macedo.
Para adaptar um bondinho tradicional, será necessário fazer um reforço na sua estrutura. “A acessibilidade não era uma exigência do edital de licitação, mas foi colocada como uma possibilidade para que o veículo seja ‘politicamente correto”. De acordo com Andrea Massimo Giavinna, presidente da TTrans — empresa que ganhou a concorrência pública para fabricar os 14 bondinhos que vão circular em Santa Teresa —, a adaptação não trará nenhum custo adicional ao projeto.
“Assim que os órgãos responsáveis aprovarem as alterações para cadeirantes, entregaremos o primeiro bonde em seis meses. Os restantes vão ficar prontos, um a cada mês”, afirmou Giovanna, que formou equipe multidisciplinar para o projeto pioneiro.
Nesta segunda-feira, o governo do Estado afirmou que não haverá suspensão da revitalização dos bondinhos de Santa Teresa com a perda dos royalties.
Licitação ainda está parada
A licitação para os trilhos do sistema de bonde e para a rede aérea de cabos e fios ainda está parada na Secretaria da Casa Civil. Segundo a assessoria do governo do Estado, a documentação está em fase de análise. Não há previsão para ser concluída.
Duas empresas estão participando da concorrência pública. Quando Santa Teresa começar a receber as obras para a circulação dos bondinhos, muitas ruas ficarão interditadas e vários buracos serão abertos para a instalação da fundação da estrutura férrea. O presidente da Central Logística, Eduardo Macedo, afirmou que os bondinhos vão funcionar por trechos, na medida em que as obras forem sendo concluídas.
Fonte - São Paulo Trem Jeito  12/03/2013

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Bondes de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, deverão voltar a funcionar em 2014

Portugal Digital – 04/12/2012

Desde um grave acidente em 2011, que matou seis pessoas e feriu mais de 50, os bondes foram retirados de circulação para reforma do sistema de transporte.

Rio de Janeiro - O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse, segunda-feira (3), que os tradicionais bondes de Santa Teresa, na capital fluminense, voltam às ladeiras do bairro em 2014. Desde um grave acidente em 2011, que matou seis pessoas e feriu mais de 50, os bondes foram retirados de circulação para reforma do sistema de transporte.
"O bonde de Santa Teresa, que entregaremos em 2014, é um novo transporte, que não é de massa, mas que será de alta qualidade, confortável e eficiente e se integrará ao VLT (veículo leve sob trilhos) da prefeitura e a outros modais", afirmou o governador.
O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, esclareceu que serão devolvidos 14 bondes, o sistema elétrico, além de trilhos reformados. Ele não antecipou quem administrará o sistema, que sempre foi subsidiado pelo governo. Até acidente, as passagens custavam R$ 0,60 para os passageiros sentados e era de graça para os que viajavam em pé.
"Isso aí vai ser visto oportunamente", declarou Julio Lopes. "Em princípio, o governo recupera o sistema integralmente e, depois, deverá discutir com a prefeitura o processo de municipalização ou de concessão", informou, sem dar mais detalhes sobre a volta dos bondinhos.
Em abril deste ano, atendendo pedido dos moradores, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concedeu o tombamento provisório ao Sistema de Bondes de Santa Teresa, por sua importância histórica e paisagística. No entanto, não especificou o modelo de trilho ou de bondes, para possibilitar atualizações de segurança nos equipamentos. As informações são da ABr.
Fonte -  São Paulo TremJeito  04/12/2012