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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Acervo sobre as ferrovias do Rio será digitalizado e aberto ao público

Patrimônio ferroviário  🚃🚃🚃🚃

A Estação Leopoldina foi inaugurada em 1926 e foi desativada em 2004. Durante os anos 1990, chegava e saía deli o Trem de Prata, que circulou entre Rio e São Paulo. O edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda chegou a ser utilizado eventualmente em eventos culturais até 2015.O prédio, localizado no centro da capital fluminense, está desativado e preocupações em relação à sua integridade vêm ganhando visibilidade desde o incêndio que consumiu o Museu Nacional.

Leo Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil/Agência Brasil
Buscando preservar a história da rede ferroviária que atravessa o Rio de Janeiro, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) assinou hoje (25) um acordo com a Secretaria de Estado de Transportes para digitalizar o acervo que se encontra guardado no antigo edifício da Estação Barão de Mauá, popularmente conhecida como Estação Leopoldina. O prédio, localizado no centro da capital fluminense, está desativado e preocupações em relação à sua integridade vêm ganhando visibilidade desde o incêndio que consumiu o Museu Nacional.
O acordo foi assinado em cerimônia no próprio edifício. Entre os documentos que ganharão versão digital estão mapas, plantas e manuais de operações, inclusive de trens que já foram aposentados e estações desativadas. Todo o material ficará disponível ao público no banco de dados da plataforma digital MP em Mapas.
"Não podemos estimar um prazo. A partir de agora, nossos técnicos darão início aos trabalhos e tão logo os documentos estejam aptos a ser disponibilizados, eles estarão nas nossas redes. É de suma importância a preservação, para que a nossa história não se perca como aconteceu recentemente no incêndio do Museu Nacional", avaliou o procurador-geral de Justiça do MPRJ, Eduardo Gussem.
O secretário de transportes do Rio, Rodrigo Vieira, avaliou que as informações contidas no acervo podem subsidiar a elaboração de novas políticas de transporte. "Temos, por exemplo, todo o dimensionamento das vias ferroviárias do Rio de Janeiro, de todas as estações e de todas as plataformas. E nós mantivemos essa riqueza durante todos esses anos. Podemos, a partir desses documentos, ler o presente e planejar o futuro. Acredito que o sistema ferroviário é o que tem maior capacidade de incremento do número de passageiros", diz.
Ainda de acordo com o secretário, também está sendo firmado pelo estado uma parceria com o governo do Japão para estudar uma reorganização das linhas de ônibus, para que elas funcionem como abastecedoras do sistema ferroviário e metroviário.

Fernando Frazão/Agência Brasil/Agência Brasil
História
A Estação Leopoldina foi inaugurada em 1926 e foi desativada em 2004. Durante os anos 1990, chegava e saía deli o Trem de Prata, que circulou entre Rio e São Paulo. O edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda chegou a ser utilizado eventualmente em eventos culturais até 2015.
Desde então, o espaço eles estão fechado ao público. A fachada do edifício está deteriorada e tomada por pichações.
Junto às plataformas da estação estão armazenados trens velhos e enferrujados. No interior do edifício, a maioria das salas está vazia, praticamente sem mobília, sendo o local onde está o acervo uma das poucas exceções. O espaço, porém, está limpo e há extintores de incêndio espalhados pelos corredores. A energia elétrica está desativada.
Ao assinar o acordo para digitalização dos documentos, Eduardo Gussem considerou excelente o estado de conservação. "É uma estação que tem quase um século de existência. Me parece muito bem conservada", disse o procurador do MPRJ.

Obras emergenciais
O Ministério Público Federal (MPF) vem alertando para os riscos de desabamentos e de incêndio no prédio e obteve, na semana passada, liminar da Justiça Federal ordenando que os proprietários do imóvel executem obras emergenciais. A propriedade do prédio é dividida entre o governo federal e o governo estadual. A parte do estado está cedida à SuperVia, conforme o contrato de concessão assinado com a empresa que é a atual responsável pelos serviços de transporte ferroviário no estado.
Na liminar, o juiz federal Paulo André Espírito Santo, da 20ª Vara Federal do Rio de Janeiro, estabeleceu prazo de dez dias para os réus apresentarem documentos como Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI). Também ordenou, no prazo de 180 dias, realização de obras emergenciais, instituindo multa diária de R$ 10 mil por descumprimento.
Segundo o secretário Rodrigo Vieira, as ações necessárias já estavam sendo tomadas pelo governo estadual e pela SuperVia antes mesmo da ação movida. "Já temos um plano de incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros, que vamos buscar recursos para executar. É um prédio antigo, que demanda manutenção permanente, mas a estrutura dele é sadia. Temos acompanhamento diário, segurança 24 horas e estamos abertos a desenvolver projetos de restauro. Estamos colocando uma nova proteção na fachada e um novo apara lixo", disse.
Vieira também afirmou que já há processo de licitação em curso para contratar um mapeamento visando a restauração da fachada. Ele lamentou, porém, a ausência de medidas por parte do governo federal. Em nota divulgada na semana passada, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, afirmou que as obras na parte externa do prédio são responsabilidade do governo do estado e que, para as demais intervenções, aguarda a realização de uma perícia, a partir da qual será definido o projeto de reforma do imóvel.
O plano da Secretaria de Estado de Transportes é permitir que o prédio volte a sediar atividades culturais, o que esbarra na carência de recursos. A pasta pretende buscar parceiros na iniciativa privada e em instituições públicas. "Temos uma característica arquitetônica muita especial e estamos guardando isso tudo. Nosso objetivo é abrir as portas", disse o secretário.
Fonte - Agência Brasil  26/09/2018

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Trens turísticos,seis rotas no Brasil

Turismo Ferroviário  🚃

Seis rotas de trens turísticos no Brasil. - Além de ser um meio de transporte clássico, alguns trens turísticos também levam os seus passageiros para o passado, rendendo passeios com muito charme e história.

Folha de São Paulo - RF
foto - ilustração/arquivo
Veja a seguir algumas rotas com passeios em trens turísticos pelo Brasil.

Campinas - Jagauriúna (São Paulo)
O trajeto ganhará no dia 18 de novembro uma nova locomotiva se juntará à frota dos tradicionais trens a vapor do passeio. Há a opção de fazer o trajeto completo ou descer na metade, na estação de Tanquinho.

Duração - 3 horas e meia (48 km) ou 1h30 (24 km)
Quanto - R$ 100, no trajeto completo, ou R$ 80 o meio trajeto, ida e volta
Saídas - A partir de Campinas: sábados, às 10h10 (Jaguariúna) ou 15h (Tanquinho), domingos e feriados às 10h10 (Jaguariúna), 14h30 (Jaguariúna), 15h30 (Tanquinho); a partir de Jaguariúna: sábados às 15h (Tanquinho), domingos e feriados às 10h (Tanquinho), 12h30 (Campinas), 14h30 (Tanquinho).

Pindamonhangaba - Campos do Jordão (São Paulo)
O percurso do Trem de Serra tem uma estação Eugênio Lefèvre, que tem um mirante para o Vale do Paraíba.
Duração - 2 horas e 40 minutos
Quanto - R$ 76 (ida e volta), R$ 56 (somente ida)
Saídas - Sábados, às 9h.

Trem da Serra da Mantiqueira (Minas Gerais)
O trajeto vai de Passa Quatro à estação Coronel Fulgêncio, que fica a 1.100 metros de altitude na Serra da Mantiqueira. Há paradas para visitação em Manacá e Coronel Fulgêncio.
Duração - 2 horas (20 km)
Quanto -  R$ 59,40 (promoção de 50% pelo site), ida e volta
Saídas -  21, 22 (disponível até o dia 19/10), 28 e 29 de outubro (disponível até o dia 26/10).

Trem das Águas (Minas Gerais)
O trem parte da estação de São Lourenço e segue até Soledade de Minas, ambas em Minas Gerais. Há duas classes no trem: turística, com bancos de madeira, e especial, com bancos estofados e degustação de produtos típicos da região.
Duração - 2 horas (10 km)
Quanto - R$ 60 (classe turística), R$ 80 (classe especial), ida e volta. Crianças de até cinco anos não pagam, caso estejam acompanhadas de um adulto
Saídas - Sábados às 10h ou 14h30; domingos às 10h.

Trem da Serra do Mar Paranaense (Paraná)
Há opções de viagem deCuritiba a Morretes, no litoral paranaense, ou o contrário. Com 28 vagões, o trem tem cinco categorias. Apenas as passagens dos setores turístico e executivo podem ser compradas online.
Duração - 4 horas e 15 minutos
Quanto -  de R$ 72 (setor econômico, trajeto Morretes-Curitiba) a R$ 1.080 (setor camarote, em cabine exclusiva para oito pessoas, no trajeto Curitiba-Morretes), somente ida
Saídas - Todos os dias, às 8h15 (Curitiba) e às 15h (Morretes).

Trem dos Imigrantes (São Paulo)
Passeio rápido para quem está na capital paulista. O trem parte e volta para a sede da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), na Mooca, e segue um trajeto de três quilômetros até o Brás. A exceção é no primeiro final de semana de cada mês, quando o trem sai da plataforma do Museu da Imigração, também na Mooca.
Duração - 25 minutos
Quanto - R$ 20, em vagão restaurado de 1950, ou R$ 25, em vagão de 1928
Saídas - Sábados, domingos e feriados, das 11h às 16h, com saídas de hora em hora.
Fonte - Revista Ferroviária  18/10/2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Estação de trem de Caucaia no Ceará completou 100 anos nesta quinta-feira (12)

 Transportes sobre trilhos  🚃

 “A estação de Caucaia foi construída pela Rede de Viação Cearense, empresa de propriedade da administração federal. As pessoas se vestiam muito bem, colocavam a melhor roupa, só para ir ver o trem passar.A unidade foi inaugurada em 12 de outubro de 1917, em uma solenidade que reuniu comunidade, políticos e religiosos.

Seinfra CE*
Seinfra
A estação de trem de Caucaia, inserida na Linha Oeste do Metrofor, completa 100 anos de inauguração nesta quinta-feira. A unidade foi inaugurada em 12 de outubro de 1917, em uma solenidade que reuniu comunidade, políticos e religiosos. Mapa da rede ferroviária do Ceará desenhado em 1926 registra a data de inauguração da estação Caucaia. O documento, consultado pela Assessoria de Comunicação do Metrofor, é propriedade da Associação dos Engenheiros da Rede Viação Cearense.
A história da rede ferroviária do Ceará é objeto de estudo do pesquisador José Hamilton Pereira, engenheiro aposentado da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). “A estação de Caucaia foi construída pela Rede de Viação Cearense, empresa de propriedade da administração federal. As pessoas se vestiam muito bem, colocavam a melhor roupa, só para ir ver o trem passar. Muitos estudantes utilizavam esse meio de transporte para se locomover dos interiores para Fortaleza”, conta Hamilton, que é um dos autores do livro Estradas de Ferro no Ceará, escrito em parceria com Francisco de Assis Silva de Lima.

Mapa mostra traçado das estradas de ferro no Ceará em 1926
(Reprodução)
Outro pesquisador, Francisco Antônio Cavalcante de Menezes, conhecido como Padre Tula, explica que, no dia de sua inauguração, a estação de Caucaia foi benzida pelo vigário da paróquia Nossa Senhora dos Prazeres. “A estação foi inaugurada no mesmo ano da aparição de Fátima, além de ter sido inaugurada na data de Nossa Senhora Aparecida, então, houve uma grande procissão saindo da igreja matriz e terminando na estação”, explica o Padre Tula, que é historiador e sociólogo.
Segundo ele, em 1917, Caucaia chama-se Soure e, por isso, esse foi o nome dado à estação. A pesquisa de Padre Tula também registra que estavam presentes na inauguração o então prefeito de Soure, Fausto Dário Sales, além de todos os seis vereadores que compunham a câmara municipal. Segundo Hamilton, a estação Soure foi inaugurada como parte da antiga Linha Norte, ramal que interligava as duas principais ferrovias do Ceará no início do século passado: a Estrada de Ferro de Baturité e a Estrada de Ferro de Sobral.
Também completam aniversário de inauguração, nesta quinta-feira, as estações Antônio Bezerra e Álvaro Weyne, também da Linha Oeste. Inaugurada com o nome de Barro Vermelho, a estação Antônio Bezerra começou a funcionar na mesma data da estação Caucaia, e também completa 100 anos de inauguração. E a estação Álvaro Weyne (antiga estação Floresta), inaugurada em 12 de outubro de 1926, completa 91 anos. As duas passaram por reconstruções ao longo da história. A estação de trem de Caucaia é a única no sistema metroferroviário que preserva a construção original do início do século XX.
Atualmente, a estação transporta passageiros de 5h30 às 20h30, de segunda-feira a sábado, e opera com Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Com cerca de 26 mil embarques por mês, é uma das estações mais movimentadas de toda a Linha Oeste – perdendo apenas para a Moura Brasil, no centro de Fortaleza, que recebe cerca de 30 mil passageiros por mês.
*Pedro Alves e Nicole Lima - Metrofor
Com informações da Seinfra CE.  12/10/2017

terça-feira, 14 de julho de 2015

Museu do Trem recebe locomotivas usadas para carregar cana no RN

Patrimônio Ferroviário

O presidente do Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico-Cultural e da Cidadania (IAHPAC), Ricardo Tersuliano, explica que as locomotivas eram usadas para carregar cana-de-açúcar. "Animais levavam a cana até os veículos e tudo era transportado para a usina", detalha.

G1 - RF
foto - ilustração
O Museu do Trem de Natal recebeu nesta segunda-feira (13) duas locomotivas a vapor desativadas há mais de 30 anos. Os veículos foram doados pela Companhia Açucareira do Vale do Ceará Mirim, na Grande Natal, antes conhecida como Usina São Francisco.
O presidente do Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico-Cultural e da Cidadania (IAHPAC), Ricardo Tersuliano, explica que as locomotivas eram usadas para carregar cana-de-açúcar. "Animais levavam a cana até os veículos e tudo era transportado para a usina", detalha.
As primeiras informações recebidas pelo instituto são de que as locomotivas foram fabricadas na década de 20, no entanto pesquisas ainda serão iniciadas para apontar com detalhes o histórico dos veículos.
"Sabemos que uma delas é alemã e outra do Canadá ou Estados Unidos. Uma das locomotivas explodiu em 1978, matando um maquinista. Está parada desde então. A outra foi desativada um ano depois pelo que soubemos inicialmente", conta Tersuliano.
Fonte - Revista Ferroviária  14/07/2015

sábado, 9 de maio de 2015

Em defesa da Baroneza

Ferrovias

É preciso valorizar a história do Brasil. Saber a importância social e econômica que essas ferrovias desempenharam por décadas para consolidar cidades e para a independência do país. Patriotismo e respeito ao nosso passado, são instrumentos eficazes para que governantes não tomem decisões intempestivas.

Vicente Vuolo
foto - ilustração/flickr.com
O Brasil não tem o direito de destruir a sua história. A ferrovia faz parte do nosso passado. É, também, o transporte do presente e do futuro no mundo. Menos no Brasil.
Desenvolver nossa malha ferroviária é um imperativo. A ferrovia não pode continuar sendo relegada a um segundo plano. Como o país permitiu que ao longo dos anos, retirassem milhares de quilômetros desses trilhos?
É preciso valorizar a história do Brasil. Saber a importância social e econômica que essas ferrovias desempenharam por décadas para consolidar cidades e para a independência do país. Patriotismo e respeito ao nosso passado, são instrumentos eficazes para que governantes não tomem decisões intempestivas.
Preservar, reativar, modernizar malhas ferroviárias deve fazer parte do planejamento da logística de nosso país. Várias ferrovias, a exemplo da Estrada de Ferro Petrópolis num trecho de 14,5 km entre Mauá e Fragoso devem ser revitalizadas com urgência. No caso desse símbolo histórico, foi nesse terreno montanhoso, desafiador, íngreme cercado de paisagens ímpares, povoado por animais e plantas de rara beleza que a primeira locomotiva a vapor no Brasil, a “Baroneza” circulou imponente, com seus cobres polidos, duas chaminés, um farol e dois estribos.
A paisagem estonteante e a locomotiva charmosa inspiraram o Imperador Dom Pedro II, no ato de inauguração, a batizar de “Baroneza” a locomotiva, em homenagem à esposa do Barão de Mauá. O passeio romântico foi tão emocionante que Dom Pedro II parou no alto da Serra sobre o viaduto de Três Arcos para lanchar com os comissários e apreciar a cidade maravilhosa.
Vamos imaginar que estamos em maio de 1854. E viajar no tempo, saindo da estação carioca em direção a Petrópolis e relembrar um daqueles filmes românticos da época, em que elegantes cavalheiros ao lado de belas damas, compartilham o vagão-restaurante. De saborear e absorver, no fluxo incessante de imagens que passam pela janela da Baía da Guanabara, aquelas que valem a pena gravar na memória. Imagens como a Serra do Mar até chegar ao outro paraíso serrano.
De imaginar um comboio de vagões decorado no estilo neoclássico, com aconchegantes cabines-dormitório, bar completo, restaurante, um vagão-living para sessões de vídeo. Com seria magistral se recuperássemos esse tempo? Andar a 37 km por hora, que é o dobro da velocidade média dos veículos que hoje trafegam nas metrópoles brasileiras. É incrível!
De acordo com a Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, “a extinta Estrada de Ferro Príncipe do Grão do Pará (1883-1964), que ligava Petrópolis ao Rio de Janeiro, registrou somente um único acidente nos 81 anos de operação, com três vítimas fatais no trecho de 6 km no plano inclinado de 18% da Serra Estrela, com tração por locomotivas cremalheiras a vapor, trecho esse que teimosamente insistimos em reativar, apesar do desinteresse das autoridades”.
Mas não é só saudosismo. Assim como a citada ferrovia, várias outras, poderiam se transformar em fontes importantes de renda e mobilizadoras de turismo e de lazer. Há um grande número de estações ferroviárias que são, em verdade, palácios e imóveis de primoroso gosto arquitetônico. Contudo, várias estão em ruínas.
Não é inteligente destruir ou deixar destruir fontes de renda de uma indústria das quais mais crescem no mundo, o turismo. A elite cultural brasileira viaja para a Europa e Ásia e fica maravilhada com estradas de ferro que percorrem montanhas e vales lindíssimos. Mas, essas mesmas elites viram as costas para igual tesouro que temos no Brasil. Não tem sentido isso!
Mesmo vivendo uma crise conjuntural, não podemos deixar de arregaçar as mangas e mobilizar nossa inteligência para realizarmos um plano de desenvolvimento de nossa malha ferroviária para os próximos 50 anos. Um plano ferroviário que contemple, ao mesmo tempo, o transporte de carga para longas distâncias, de pessoas nas regiões metropolitanas e em microrregiões, o turismo histórico e lazer, isso sem falar nas linhas de alta velocidade e os bondes urbanos. Ou seja, deve contemplar o desenvolvimento de nossa indústria ferroviária e de componentes.
Com isso, vamos descobrir que uma agenda de investimentos nas ferrovias, além de reduzir o “custo Brasil”, irá criar empregos e gerar potencial industrial que alavancará vários outros setores econômicos.

Vicente Vuolo 
Economista - Cientista Político
Analista Legislativo do Senado Federal
Enviado por e-mail  08/05/2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dia do Ferroviário

Transportes sobre trilhos

No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.

Vicente Vuolo
Locomotiva Maria Fumaça na Estação da Calçada/CTB
foto - Pregopontocom
O trabalhador ferroviário também tem seu dia. Uma comemoração merecida. É todo 30 de abril. Isso, Porque em 30 de abril de 1854 inaugurou-se a primeira linha ferroviária do Brasil, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis ou como é conhecida hoje, Estrada de Ferro Mauá.
A ferrovia, que tinha cerca de 14 km de trilhos, ligava o Rio de Janeiro a Raiz da Serra, na direção de Petrópolis. Ela foi um empreendimento do empresário Irineu Evangelista de Sousa, que por isso recebeu do governo imperial o título de Barão de Mauá. E a primeira viagem contou com a ilustre presença do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina.
No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.
Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.
Se continuássemos nesse ritmo, priorizando o transporte ferroviário, com certeza o Brasil seria outro. Teríamos certamente, no mínimo, mais de 100 mil quilômetros de linhas férreas, as pessoas já estariam viajando no trem-bala bem como as cargas a longa distância estariam sendo transportadas em comboios de 100 vagões com 12 mil toneladas. Além disso, as cidades teriam um transporte público de qualidade com metrôs, VLTs e trem de superfície.
Mas, infelizmente, o Brasil seguiu outro caminho. Preferiu adotar uma política de sucateamento das ferrovias e retirada de trilhos. Incentivou-se a indústria automobilística, isso fez as cidades entupirem-se de carros e ônibus; só se construiu estradas, priorizou-se o asfalto, incentivando o consumo desenfreado de petróleo. O final da década de 1950 e as décadas seguintes entorpeceram as mentes dos brasileiros e passamos a acreditar na miragem dos pneus e dos carros. Tão entorpecidos ficamos que até hoje não acreditamos que esta foi uma política suicida e que está paralisando as vidas urbanas e inviabilizando os fretes de mercadorias. De geração em geração, vamos empurrando problemas aos nossos filhos.
Hoje é cada vez maior o número de pessoas que percebem que as consequências foram desastrosas para a nossa economia e para o país. Aumento da poluição, engarrafamentos, stress, acidentes, fretes, pedágios, consumo de gasolina, diesel, alto custo de manutenção das rodovias – quase sempre esburacadas – e crise generalizada todos os anos com manifestações de caminhoneiros, nas estradas, e de usuários de transporte público, nas cidades contra as péssimas condições de mobilidade urbana.
Portanto, o dia do ferroviário poderia ter sido celebrado de forma diferente do que hoje comemoramos: extinção da Rede Ferroviária Nacional, trem-bala parado, ferrovia Rondonópolis - Cuiabá paralisada (projeto desde 1974), VLT de Cuiabá sem perspectiva de entrega das obras, falta de um Plano Nacional Ferroviário, orçamento pífio para construção de ferrovias.
Os ferroviários no Brasil podem ser vistos como heróis, já que não recebem a devida importância do poder público há mais de 60 anos. Assim como também o são os poucos políticos ferroviários que ousam defender esse meio de transporte, como aconteceu na Sessão Solene na Câmara dos Deputados esta semana solicitada pelo Deputado Júlio Lopes (RJ) e com apenas mais dois Deputados presentes (Gonzaga Patriota - PE e Mauro Pereira - RS).
Nas últimas décadas, a tendência à redução dos investimentos em ferrovias começou a ser revertida, porém ainda são insuficientes os recursos privados e estatais direcionados ao setor. E novamente estamos, literalmente, perdendo o “bonde da história”. O mundo todo já voltou a reconhecer as linhas férreas como solução, e nós ainda patinamos na ilusão de que carros e caminhões são sinônimos de progresso.
Nesse dia, saúdo os ferroviários, os que trabalham nas ferrovias e os que sonham com um Brasil colocado nos trilhos.
Vicente Vuolo - Economista, cientista político e analista legislativo do senado federal.
Fonte - Revista Ferroviária  30/04/2015

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terça-feira, 10 de março de 2015

Ferrovias - Modernização prevê mobilidade e inclusão social

Ferrovias

A privatização nos anos 90 transferiu para a iniciativa privada as linhas de transporte de cargas e de passageiros que eram exploradas pela RFF e Fepasa, as velhas estatais. A herança foram dívidas trabalhistas e a sucata nostálgica que hospeda excluídos sociais.

ABIFER na mídia - Jornal O Trem
foto - ilustração/montagem
Quem é, afinal, o responsável pelo estado de abandono em que se encontram estações, vagões, locomotivas e materiais ferroviários em tantas cidades brasileiras? A privatização nos anos 90 transferiu para a iniciativa privada as linhas de transporte de cargas e de passageiros que eram exploradas pela RFF e Fepasa, as velhas estatais. A herança foram dívidas trabalhistas e a sucata nostálgica que hospeda excluídos sociais.
“Não há definição sobre as responsabilidades”, admite Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), que enfatiza: “não cabe à indústria essa correção de rumos”. A situação surreal ignora se a responsabilidade pelo abandono pesa sobre as concessionárias, o governo federal ou a municípios onde rodam as ferrovias. O patrimônio ferroviário dilapidado envolve estações (“depósitos culturais”) e obras de arte que são relíquias históricas. Quem paga por isso? O Brasil malbarata o passado e a grana destrói coisas belas. Não é fenômeno isolado. A privatização das ferrovias atingiu todos os países latinoamericanos.
Em Buenos Aires, na Argentina, de forte movimento sindical, os desempregados acamparam diante do Congresso Nacional, protestando. No processo de privatização no país vizinho (1990/1995), 100 mil trabalhadores ferroviários argentinos perderam seus empregos e execraram os sindicalistas, os políticos e empresários. Muitos deles acamparam durante dois anos e meio diante do Congresso Nacional, em vão. A onda neoliberal levou os direitos trabalhistas de milhares de ferroviários argentinos. No Brasil, duas MPs foram editadas pelo governo, visando garantir os direitos de 140 mil processos que ainda estão correndo na Justiça.

Medidas de saneamento
A modernização foi inevitável. As linhas estavam deterioradas e operavam precariamente, por falta de investimentos do Estado. No Brasil o setor busca recuperar o material rodante e os índices de eficiência e produtividade no setor. “O crescimento do setor melhora a mobilidade e os custos no transporte”, afirma Abate.
Os vagões abandonados em áreas periféricas estão infestados por marginais e usuários de drogas, aumentando a insegurança geral. O presidente da Abifer destaca as medidas preventivas e as intervenções realizadas para solucionar o problema social. “As concessionárias têm exercido forte controle para que os trens não passem por dentro das cidades; diminuindo a velocidade e combatendo o vandalismo, inclusive realocando famílias para evitar invasões nas áreas”.

Investimento em cargas
“O DNIT dispõe de uma verba de R$ 7 bilhões para isso e já investiu metade deste montante”, detalha Abate. “Dos 30 mil km de cargas existentes, 23 mil km são operacionais, o resto era subutilizado”.
Outros, precários, antieconómicos, foram desativados. Abate aponta Carajás, Vitória- Minas e Rondonópolis-Santos. A ALL transporta açúcar para embarque no porto de Santos. A Norte-Sul (Palmas-Anápolis) foi inaugurada em maio de 2014. A ferrovia de integração centro-leste (Bahia), em Barreiras e Ilhéus, transporta a produção do polo agrícola de soja. Na Transnordestina são 1.722 km.
“São ramais equivalentes aos do Primeiro Mundo que funcionam bem”. O ramal de Araraquara foi concluído conforme as exigências de mobilidade, retirando o transporte de cargas de dentro da cidade. O Programa de Investimentos em Logística (PIL), da presidente Dilma, aplicado com êxito nas áreas rodoviária e aeroviária, em Guarulhos, Galeão e Confins, prevê investimentos de R$ 100 bilhões em novas ferrovias. “São 11 mil km em novas ferrovias de bitola larga, dos quais 5 mil km estão sendo executados”.
No complexo Ferronorte são cerca de 16 km. Em Rubinéia, o pátio de carregamento é formado por seis linhas de 2.000 m, para trens de alta capacidade (até 7.000 t), que chegarão a 12.000 t. A redução do “custo Brasil” permite o aumento para 12 milhões de t/ano no transporte de grãos e fertilizantes produzidos em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Destes estados, a produção agrícola segue para os portos de Santos e Sepetiba. Na Ferronorte, a economia é de US$ 20,00/t de carga transportada.
Fonte - ABIFER   09/03/2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Vandalismo e Infiltração danificam bens ferroviários no Paraná

Acervos ferroviários

Os sinais de vandalismo estão nas paredes externas pichadas e nos vidros nas janelas quebrados. O apelo pela restauração está na escadaria de madeira interna, que range a cada pisar, e nas paredes com marcas de infiltração. Junto com a Estação Paraná, hoje chamada Casa da Memória, que é usada como arquivo público, os prédios foram tombados pelo estado em 1990.

Gizele Silva - G1 

Parana - Duas estações de trem, um armazém de cargas e uma locomotiva Maria Fumaça teimam em manter a memória ferroviária no centro de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, em meio ao vandalismo e à falta de obra de restauração. Os bens, já tombados como patrimônio histórico, marcam o período de crescimento da cidade, que recebeu em 1894 a primeira linha férrea, ligando o interior ao litoral do estado.
A Fundação Municipal de Cultura, responsável pelo patrimônio, estuda projetos para restauração. Para a Estação Saudade, há estudos para oficializar uma Parceria Público Privada (PPP) e recuperar o prédio. Já para a Casa da Memória, há um recurso de R$ 250 mil que está empenhado, aguardando certidões positivas da prefeitura.
A locomotiva Maria Fumaça, conforme o presidente da Fundação, Paulo Goulart Netto, ainda depende de projetos. Uma verba de emenda constitucional, no valor de R$ 360 mil para o restauro da locomotiva, foi contingenciada e o dinheiro não veio. "Os orçamentos para restauração são muito altos porque não é qualquer empresa que pode entrar num prédio histórico", comenta Netto.
A arquitetura francesa da Estação Saudade, inaugurada em 1898 como Estação Central, é hoje ponto de encontro sutilmente vigiado por guardas municipais que ocupam uma sala do prédio. O local está desativado desde 2012 depois de abrigar a Biblioteca Municipal.
Os sinais de vandalismo estão nas paredes externas pichadas e nos vidros nas janelas quebrados. O apelo pela restauração está na escadaria de madeira interna, que range a cada pisar, e nas paredes com marcas de infiltração. Junto com a Estação Paraná, hoje chamada Casa da Memória, que é usada como arquivo público, os prédios foram tombados pelo estado em 1990.
Bem perto da Estação Saudade está a locomotiva Maria Fumaça ou 250, montada em 1940 pelo engenheiro Germano Krüger, que dá nome ao estádio do Operário Ferroviário, time de futebol da cidade. Originalmente movida a vapor, ela foi usada até 1972, quando foi aposentada pelas locomotivas a diesel.
Exposta na plataforma de embarque da antiga Estação Paraná, a Maria Fumaça fica exposta ao tempo, às crianças que pulam a grade de proteção e brincam dentro da locomotiva e aos vândalos, que escrevem nas peças e furtam acessórios. A 250 foi tombada no fim de 2013 pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac).

Centro histórico
Uma placa de sinalização, quase em frente ao conjunto ferroviário, indica o centro histórico em direção à catedral da diocese de Ponta Grossa. A cidade tem 191 anos de fundação e 60 imóveis históricos tombados pelo Compac, além da Maria Fumaça, e outros 38 prédios no inventário aguardando análise para entrarem na lista do tombamento. Hoje, restaram apenas dois prédios históricos na quadra da catedral.
Apesar disso, a cidade não tem um centro histórico constituído. Segundo a mestre em História e voltada ao patrimônio cultural de Ponta Grossa, Márcia Droppa, Ponta Grossa tinha muitos bens preservados até o início dos anos 70, mas eles foram demolidos ou modificados. “Não dá para apontar uma razão, mas talvez a própria industrialização, a modernização ou a morte dos proprietários tenham contribuído para isso”, comenta.
O Paraná tem três centros históricos criados e tombados pelo estado: Lapa, Paranaguá e Morretes. O centro histórico de Castro, nos Campos Gerais do estado, está em análise desde 2004 e já é protegido pelo estado por estar em estudo. Já Antonina tem um centro histórico tombado pela União. “Na criação do centro histórico, a gente delimita uma poligonal e os imóveis inseridos recebem graus de proteção”, diz a arquiteta da Coordenação do Patrimônio Cultural do estado, Rachel Krul Tessari.
A criação do centro histórico não interfere no reforço da preservação dos imóveis antigos, que já são protegidos isoladamente, conforme Márcia Droppa, porém, o centro histórico poderia ser mais um apelo turístico para o município de Ponta Grossa. “Nossa vontade era transformar a Praça João Pessoa, perto das estações, em um centro histórico de cunho cultural e gastronômino, mas não está sendo fácil”, afirma Goulart, referindo-se à falta de recursos nesta área.
Fonte - STEFZS  20/01/2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

FCA tem até março para restaurar imóveis em MG

Ferrovias - Acervo histórico

Empresa assinou acordo com Ministério Público Federal que estabelece a realização de obras nos bens apontados pelo laudo da pericial da Polícia Civil.Localizado em uma área de 35 mil metros quadrados, entre as avenidas Hermílio Alves e Antônio Rocha, rua Quintino Bocaiúva e praça dos Ferroviários, na cidade histórica de São João del-Rei, o complexo ferroviário é composto por um conjunto de bens tombados desde 1989 pelo Iphan.

O Tempo

MG - A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) terá até o dia 15 de março para realizar a recuperação integral dos imóveis danificados no Complexo Ferroviário de São João Del Rei, na região Central do Estado. A medida foi acordada durante assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a instituição e o Ministério Público Federal (MPF).
Também assinaram o acordo, na qualidade de intervenientes, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os municípios de São João Del Rei e de Tiradentes.
Localizado em uma área de 35 mil metros quadrados, entre as avenidas Hermílio Alves e Antônio Rocha, rua Quintino Bocaiúva e praça dos Ferroviários, na cidade histórica de São João del-Rei, o complexo ferroviário é composto por um conjunto de bens tombados desde 1989 pelo Iphan. Entre eles, a Estação Ferroviária, o 1º e o 2º módulos do Museu Ferroviário, o Centro de Artes, o antigo Armazém, as Oficinas mecânica, de fundição e de ferraria e a Casa de Máquinas.
Também faz parte do complexo o trecho de 12,7 quilômetros de via férrea interligando as cidades de São João Del Rei e Tiradentes, além de bens móveis, tais como documentos, relógios, máquinas, equipamentos, carros, vagões e mobiliário.
Após a extinção da Rede Ferroviária Federal S/A, esse patrimônio foi transferido à União, mas, pelo menos desde 2001, é a empresa Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) quem exerce a posse direta sobre os bens. Isso porque a FCA possui autorização do Poder Público para operar o complexo ferroviário turístico-cultural de São João Del Rei prestando serviços de transporte de passageiros.
A perícia técnica realizada pela Polícia Federal entre os anos de 2010 e 2011, detectou que “vários bens, móveis e imóveis, todos tombados são mantidos em condições que favorecem sua deterioração.
A partir deste laudo, o MPF concluiu que a FCA agiu com negligência e imprudência na guarda do patrimônio federal que estava sob sua responsabilidade. Por esse motivo, reuniões foram realizadas para buscar uma solução para a reparação dos danos causados até chegar a este TAC.
A partir deste laudo, o MPF concluiu que a FCA agiu com negligência e imprudência na guarda do patrimônio federal que estava sob sua responsabilidade. Por esse motivo, reuniões foram realizadas para buscar uma solução para a reparação dos danos causados até chegar a este TAC.

Obrigações
No acordo assinado no dia 7 de janeiro, representantes da empresa assumiram a obrigação de reparar integralmente até o dia 15 de março deste ano, mediante obras de reforma e recuperação, os danos aos bens imóveis apontados pelo laudo pericial.
A verificação do cumprimento dessa obrigação será feita por meio de nova perícia a ser custeada pela ferrovia.
A empresa se comprometeu também a pagar a quantia de R$ 600 mil a título de compensação ambiental pelos danos apurados até 2011, sendo a metade desse valor destinado ao município de Tiradentes e metade a cidade de São João del-Rei. As quantias deverão ser depositadas até o próximo mês de março. Em caso de descumprimento da obrigação, a empresa estará sujeita à multa diária no valor de R$ 800,00.
Os municípios, por sua vez, assumiram o compromisso de empregar o dinheiro na realização e execução de projetos, obras ou serviços ligados diretamente ao patrimônio cultural, no âmbito de cada localidade, que deverão ser previamente aprovados pelo Iphan e pelo MPF.
Fonte - STEFZS  15/01/2015

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Museu do Trem reabre as portas nesta segunda-feira

História das ferrovias

Com a abertura do museu, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) conclui a primeira etapa da Estação da Cultura Capiba

NE10

Desde 2010, a cidade do Recife aguarda a reabertura do Museu do Trem na antiga Estação Central, no bairro de São José. Que a espera foi longa, ninguém duvida. O centro cultural só será inaugurado às 18h desta segunda-feira (22). Mas, visitando o prédio, pode-se dizer que, apesar da demora, valeu a pena. O acervo do museu, antes confinado numa sala, está distribuído pelos dois pavimentos da edificação secular.
Uma chaminé de caldeira, no hall central, é a peça de destaque do andar térreo. “É um ícone da memória do trem”, justifica o museólogo e curador da exposição, Aluizio Câmara. No passeio pelo museu, o visitante vai contemplar uma infinidade de objetos que contam a história dos trilhos e das locomotivas.
Sinos, faróis, um pedaço de trilho que atendia os engenhos onde se processavam cana-de-açúcar de Pernambuco no século 19, louça e prataria dos vagões-restaurantes, ferramentas (pá de caldeira, chave de fenda e chave de boca enormes), relógio de ponto, balança, gerador a vapor, aferidor de pressão, bancos e placas compõe o acervo.
Nem mesmo o escafandrista escapou da mostra, com seu capacete de ferro e a lanterna usada na execução de obras de arte de engenharia dentro da água, como a construção de pontes sobre rio, informa Aluizio. O barulho peculiar de um trem a vapor ecoa em todos os ambientes, transportando o visitante para a época da Maria Fumaça.
Numa sala batizada A Máquina, o público ficará sabendo como funcionava um trem movido a vapor, com recursos variados: infográfico na parede explicando os compartimentos de uma locomotiva, vídeo e fotografias. Já a sala didática, diz Aluizio Câmara, foi pensada para se adaptar às necessidades do público.
“Poderemos produzir conteúdos em função das especificidades de cada grupo, como arquitetura de ferro, revolução industrial, problemas de física e matemática”, exemplificam o curador e o artista plástico Márcio Almeida, responsável pela reorganização do Museu do Trem, o primeiro inaugurado no Brasil, em 1972. “Precisamos guardar esse legado”, destaca Márcio.
Na sala ampla, um vídeo exibe as chegadas e partidas de trens acompanhado por músicas ligadas ao tema (O trem das 7 e O trenzinho do caipira, entre outras). Uma placa de sinalização das estradas de ferro, a famosa Pare, Olhe, Escute, completa o cenário em perfeita harmonia. Aqui, o visitante também verá uma foto rara, que mostra a Ponte Gaiola de Afogados, nos anos 50. Feita de ferro, pela empresa Phoenix, a ponte foi demolida nos anos 70, diz Aluizio.
Outra fotografia registra o primeiro trem de passageiros saindo da Estação de Cinco Pontas (bairro de São José, no Centro do Recife) para a Vila do Cabo, em 9 de fevereiro de 1858. A viagem começou às 12h, conduzindo 400 pessoas. Márcio Almeida observa que a memória ferroviária de Pernambuco encontra-se espalhada pelo Estado inteiro e outras peças podem fazer parte do museu, mais adiante.
“Não estamos plantando uma árvore, mas começando o reflorestamento. O que temos no prédio é só uma síntese”, afirma o artista plástico. Para saber mais, basta ir ao Museu do Trem, na Praça Barão de Mauá (ao lado da Casa da Cultura), reformado pela Fundarpe, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 17h. A Estação Central foi construída de 1850 a 1856.
Fonte - STEFZS  22/12/2014

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pelos trilhos do tempo

Transportes sobre trilhos

As viagens de trem deixaram saudade, por onde ele passava levava alegria, diversão e animação, e suas saudosas estações são lembradas como local de encontro, reencontros, despedidas.Ver o trem passar, ouvir seu apito e o barulho das rodas de ferro nos trilhos é uma boa lembrança.... 

Por Sebastião Borges-Clic Folha

Trem de ferro, Maria Fumaça, Misto, Expresso, como queiram chamar. Ver o trem passar, ouvir seu apito e o barulho das rodas de ferro nos trilhos é uma boa lembrança que sempre tenho. A história da nossa Estação Ferroviária em Passos é uma história contada de boca em boca, e foi assim que alinhei no pensamento o dia festivo de sua inauguração: bandeirinhas estendidas por toda a plataforma, discursos e aplausos, estrugir de centenas de foguetes, alvoroço das pessoas, muitos vivas, banda de música, autoridades ladeando o agente executivo (cargo equivalente a prefeito) Coronel João de Barros, com seu jeitão, alto, magro, nariz comprido, vermelho, bigode e cavanhaque, olhos vivos e pescoço estirado, andando de um lado pra outro, analisando todos os detalhes. Preocupado com o atraso da Mogiana, a todo momento tirava da algibeira o bonito relógio suíço entrelaçado por uma corrente de ouro. Plataforma cheia de gente, povão em volta da Estação, políticos com seus colarinhos engomados e com seus melhores ternos, acompanhados por suas senhoras muito bem trajadas com vestidos longos e apertados, sapatos de saltos, leque e sombrinhas coloridas. Um misto de emoção tomava conta daqueles que pela primeira vez iam ouvir o barulho das rodas dos vagões escorregarem lentamente sobre os trilhos da ferrovia e o apito rouco da Maria Fumaça! Ao contrário dos que preferiram ir até a Estação, muitos se aglomeraram em cima de barrancos, em pontos estratégicos para ver pela primeira vez a bichona passar.
E a Maria Fumaça apitou, apareceu numa fumaceira danada, soltando faísca por todos os lados, passando pelos pontilhões que cruzavam a cidade, parecendo um monstro bonito, puxando os vagões, se exibindo, adentrando bem devagar o pátio da Estação, se aproximando da plataforma, fazendo um grande barulho com a freiada sobre os trilhos, e entre um vagão e outro estava o guarda acenando para o povo, todo imponente, parecendo um general, exibindo sua farda branca e boné azul marinho.
Assim ela chegou! Soprando fumaça para todo lado, fogos pipocando nos ares, a banda tocando, políticos sorrindo, e o povão, numa alegria irradiante, saudando com palmas e vivas! O trem que por aqui passou se fez saudade, deixou marcas em cada um que teve o privilégio de fazer uma sacolejante e vagarosa, mas gostosa viagem, como eu fiz várias vezes a bordo da Maria Fumaça ou trem de ferro em minha infância e juventude. A viagem era demorada, mas as paisagens diante dos olhos compensavam a demora de se chegar ao destino marcado. E quando a noite chegava, seu farolzão ia rompendo o nevoeiro da madrugada, serpenteando entre lavouras, morros, matas, pontes sobre rios, passando por vilarejos que hoje viraram cidades, transportando pessoas em busca de uma vida melhor em outras regiões, e a cada cochilo, o sonho de um novo lugar e uma nova oportunidade. Os que viajavam nos vagões de primeira classe iam confortáveis, os bancos eram almofadados e tinha o bar restaurante. Já os que iam em segunda classe, os bancos eram de madeira, desconfortáveis, e sem o bar restaurante tinham que levar a matula e comer no próprio banco.
As viagens de trem deixaram saudade, por onde ele passava levava alegria, diversão e animação, e suas saudosas estações são lembradas como local de encontro, reencontros, despedidas, e onde se iniciava a maioria dos namoros! Diz a história que a linha de Passos seria prolongada até a cidade de Piunhi, no prosseguimento foram feitos vários cortes nos morros até a uma certa distância, mas os trilhos jamais foram colocados, ficando assim a nossa Estação como “fim de linha”.
Durante 56 anos o povo de Passos foi servido por uma estrada de ferro que foi inaugurada em 11 de dezembro de 1921, desativada em 1977, e a retirada dos trilhos começou em 14 de janeiro de 1986. E o tempo, faminto pelo progresso, chegou levando os trilhos, mas o trem continua na memória daqueles que esperavam o seu apito para despertar do sono e começar sua vida cotidiana, ou, uma nova vida.
É o tempo passando e a gente “Memoriando”!
E a Associação dos Escritores de Passos e Região realizará sua primeira reunião em sua nova sede, hoje, quarta – feira, dia 10 de dezembro, às 19h e 30 minutos, no Palácio da Cultura.
Fonte - STEFZS 10/12/2014

COMENTÁRIO Pregopontocom

Lagrimas.............as lembranças que viajam pelos trilhos jamais se apagarão,estarão sempre presentes e vivas servindo para alimentar a esperança da revitalização das nossas Ferrovias. - O BRASIL traçara o seu destino caminhando pelos trilhos......

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QUERO MEU TREM DE VOLTA.......