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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Notícias Ferroviárias 30/10/2024

Transportes sobre trilhos - 🚂🚃🚃🚃🚃

Governo quer retomar ferrovia abandonada que cruza todo o Ceará e avalia transporte de passageiros

Notícias da Imprensa - Diário do Nordeste (CE)
foto - ilustração/arquivo
O governo federal está negociando a retomada de trilhos abandonados da malha ferroviária nacional e essa ação, caso concluída, terá impacto no Ceará. Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), no Estado, as linhas que são objeto do pedido de devolução da concessionária Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) para a União coincidem com o eixo da nova ferrovia que está sendo construída pela TLSA, a nova Transnordestina. Assim, a ação indicaria um “potencial impacto significativo na infraestrutura ferroviária local”. As tratativas em andamento usam como base um estudo feito pela ANTT e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que avalia o pedido de devolução das linhas férreas feito pela FTL, totalizando aproximadamente 3 mil quilômetros.
Fonte - https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/governo-quer-retomar-ferrovia-abandonada-que-cruza-todo-o-ceara-e-avalia-transporte-de-passageiros-1.3574309

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Quatro(4) momentos que contam a história da destruição das ferrovias no Brasil

Transportes sobre trilhos - Ferrovias   🚂🚃🚃🚃🚃

Em 15 anos, o Brasil tinha perdido 8 mil km de ferrovias, que se estendiam naquele momento por cerca de 30 mil km do território nacional. Desde então, o tamanho da malha ferroviária patina no mesmo patamar.

BBC News Brasil * 
foto - ilustração/arquivo
Lançada em 1975, a canção Ponta de Areia, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, é um lamento do fim da Estrada de Ferro Bahia Minas, que ligava os 582 km entre Araçuaí (MG) e o distrito de Ponta de Areia (BA). Em 15 anos, o Brasil tinha perdido 8 mil km de ferrovias, que se estendiam naquele momento por cerca de 30 mil km do território nacional. Desde então, o tamanho da malha ferroviária patina no mesmo patamar. Atualmente, de acordo com o os dados do Anuário Estatístico de Transportes, tem 29,8 mil km. A BBC News Brasil perguntou a especialistas em história e engenharia ferroviária o porquê – sintetizado, a seguir, em quatro momentos. A crise do café O café é elemento central nos primeiros capítulos da história das ferrovias no Brasil – tanto na ascensão quanto na decadência, como explica Eduardo Romero de Oliveira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). É a razão para a construção das primeiras estradas de ferro no século 19: a primeira delas, a Estrada de Ferro Mauá, que começou a operar em 1854, levava em suas locomotivas a vapor a commodity do Vale do Paraíba ao porto de Magé, na baixada fluminense, que, de lá, seguia de barco até a cidade do Rio. Nessa época, o café representava quase 50% das exportações brasileiras. A malha ferroviária foi aumentando com a expansão da atividade cafeeira e passou a deslocar também passageiros, que até então só conseguiam viajar longas distâncias com transportes movidos por tração animal, como as charretes puxadas por cavalos. “Durante muito tempo, as ferrovias foram praticamente a única via de transporte de cargas e pessoas no país”, destaca Oliveira, um dos pesquisadores do projeto Memória Ferroviária. E foi nesse contexto que a malha chegou a quase 30 mil km de extensão na década de 1920, quando veio o baque da crise de 29. O crash da bolsa nos Estados Unidos, na época o maior comprador de café brasileiro, e a grande depressão que se seguiu tiveram impacto direto sobre o Brasil. Em um curto espaço de tempo, as exportações da mercadoria despencaram, assim como os preços. As ferrovias, que eram administradas pelo setor privado sob regime de concessão, passaram a transportar cada vez menos carga e viram sua rentabilidade despencar. Tem início, nesse momento, um período lento de decadência que culminaria na estatização das estradas de ferro mais de duas décadas depois. JK e o nascimento da indústria automobilística Antes, contudo, outros dois fatores importantes entram em cena: o crescimento das cidades e a popularização do automóvel. O país vive uma grande transformação depois de 1940. Até então baseada quase exclusivamente na agricultura, a economia brasileira se volta cada vez mais para a indústria. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale do Rio Doce, então empresas estatais, são fundadas nessa época, em 1940 e 1942, respectivamente, no último período do governo de Getúlio Vargas, a ditadura do Estado Novo. Essa mudança na matriz de crescimento, por sua vez, catalisa um processo de migração das populações de áreas rurais para as cidades. As capitais ganham uma nova escala, vão inchando, um processo que tem como efeito colateral a diminuição da demanda por trens de passageiros em alguns trechos menores, entre cidades próximas. “As fábricas estão nas cidades”, pontua Oliveira. A política de industrialização continua com o presidente Juscelino Kubitschek, que assume em 1956 e elege a indústria automobilística como catalisador de seu plano de desenvolvimento. O Plano de Metas de JK, que ganhou o slogan “50 anos em 5”, é frequentemente apontado como o início do chamado “rodoviarismo” no Brasil. Um movimento cheio de nuanças e explicado por uma combinação de fatores, diz o professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ Hostílio Xavier Ratton Neto. Um deles é a própria natureza da indústria automotiva, que tem uma cadeia de produção longa, com efeito multiplicador na economia, e emprega uma mão de obra qualificada que até então não existia no país. “É nessa época que se cria a classe do operário especializado, com maior poder aquisitivo”, afirma. Em paralelo, a construção das rodovias era menos custosa que as estradas de ferro e o petróleo usado para produzir combustível ainda era muito barato. No pano de fundo, a Guerra Fria estreitava as relações entre Brasil e Estados Unidos. Na tentativa de barrar a expansão da influência da União Soviética no continente, os americanos firmaram acordos de cooperação técnica e de financiamento para investimentos com diversos países da América Latina. Assim, ainda em 1956 foi criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), sob o comando do Capitão de Mar e Guerra Lúcio Meira. O Brasil, que até então só montava veículos, passaria a fabricar carros, caminhões e jipes, tendo como principal polo a região do ABC paulista. São desse período dois modelos que fizeram história no país: o Fusca e a Kombi, ambos da linha de montagem da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Com a produção de veículos nacionais, multiplicaram-se os quilômetros de rodovias. Só nos cinco anos de gestão JK, a malha rodoviária federal pavimentada foi multiplicada por três, de 2,9 mil km para 9,5 mil km. As ferrovias, por sua vez, entravam os anos 1950 sucateadas. Além da redução da demanda de carga e passageiros, um outro fator contribuiu para o “estado bastante acentuado de degradação física das estradas de ferro”: “Muitas concessões já estavam no final, próximo da devolução, e não havia cláusula nos contratos que obrigassem as concessionárias a fazer investimentos ou devolver as ferrovias no estado em que as pegaram”, diz Ratton Neto, que tem larga experiência no planejamento, construção, operação e gestão de sistemas de transporte metroviário e ferroviário. É nesse contexto que, em 1957, surge a Rede Ferroviária Federal (RFFSA), estatal que passou a administrar as ferrovias que até então estavam nas mãos de diferentes empresas privadas. Inicialmente, diz o historiador Welber Luiz dos Santos, do Núcleo de Estudos Oeste de Minas da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, a intenção não era “destruir” as ferrovias. “Os primeiros relatórios da empresa demonstram que o projeto era de modernização e unificação administrativa para facilitar a integração entre os diferentes meios de transporte”, afirma o pesquisador. “Os investimentos rodoviários do Plano de Metas de JK não eram uma ameaça ao sistema ferroviário”, avalia. A extinção das linhas de passageiros Os projetos de recuperação e melhoria, contudo, incluíam a desativação de uma série de linhas e “ramais” (jargão do setor para os trechos secundários) considerados deficitários. A lógica, diz o historiador Eduardo Romero de Oliveira, é que o mundo de meados do século 20 era completamente diferente daquele que, muitas décadas antes, havia norteado a construção de parte das ferrovias. “Houve uma mudança no negócio”, diz o professor da Unesp. “As estradas de ferro da música do Milton Nascimento eram de outra época, para pensar o transporte de café, de açúcar, em um período em que nem a legislação trabalhista existia.” O químico Ralph Mennucci Giesbrecht, um “fanático por ferrovias” que há mais de duas décadas pesquisa sobre elas, especialmente sobre as estações, coleciona diversas histórias desse período turbulento. “Nos anos 60 e 70 sumiram praticamente todas as ferrovias menores, aquelas consideradas deficitárias”, diz ele, autor do livro O Desmanche das Ferrovias Paulistas. Os conflitos aparecem em histórias como a da desativação do trecho entre as cidades paulistas de São Pedro e Piracicaba, concluída em 1966. O prefeito de São Pedro na época chegou a enviar um telegrama incisivo ao governador, Laudo Natel, questionando o critério da baixa rentabilidade usado para justificar a extinção do ramal. “Déficit, se não levarmos em conta o bem coletivo, também dá a polícia, dão as escolas e todas as repartições mantidas pelo Estado. O déficit do ramal é muito relativo, pois, não levando em conta o movimento das estações de Barão de Rezende, Costa Pinto, Recreio e Paraisolândia, a estação de São Pedro despachou este ano mais de 40.000 toneladas de cana. Finalizando, aqui deixo minha desilusão por tudo e por todos”, dizia a mensagem, conforme reportagem do jornal O Estado de S.Paulo de 30 de outubro de 1966 encontrada por Giesbrecht. Aos poucos, as linhas de passageiros foram desaparecendo, permanecendo, em alguns casos, aquelas que cruzavam as regiões metropolitanas das grandes cidades, usadas até hoje. Com o avanço da indústria automobilística e a entrada do avião em cena, as ferrovias entraram em crise, em maior ou menor medida, em todo o ocidente. Nos países em que foram mantidas para transporte de passageiros, o serviço, na maioria dos casos, passou às mãos do Estado. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos. A estatal Amtrak foi fundada em 1971 e faz até hoje a gestão das linhas de passageiros no país. Também são estatais a alemã Deutsche Bahn, a espanhola Renfe e a francesa Société Nationale des Chemins de fer Français (SNCF). A estagnação e o corredor de commodities Do lado do transporte ferroviário de carga, parte dos investimentos vislumbrados no período JK não saíram do papel, diz o historiador Welber Santos. Em sua visão, a ditadura militar mudou o foco da política de transportes, que passou a ser mais voltada para as rodovias, com a aposta em grandes obras de engenharia, como a ponte Rio-Niterói, e alguns investimentos questionáveis, como a Transamazônica, que nunca foi concluída. A Ferrovia do Aço, ele diz, um dos projetos ferroviários que chegou a sair do papel nesse período, começou a ser construída em 1973 com a promessa de ser entregue em mil dias, mas só foi inaugurada em 1992, e com um porte muito mais modesto do que o projeto inicial. Para Ratton Neto, da Coppe/UFRJ, um dos principais obstáculos à realização dos investimentos necessários à malha ferroviária do país naquela época foi a crise do petróleo de 1973 e o período turbulento que se seguiu. “Depois daquele choque na economia mundial, o Brasil, que até então tinha acesso fácil a crédito, passou a ser visto como país de alto risco. A partir daí, teve início uma crise que impediu que os planos nacionais de desenvolvimento pudessem ter sequência. Deixamos de planejar para apagar incêndio praticamente até os anos 90”, diz ele. Nos anos 1990, em um contexto de baixo crescimento econômico, inflação elevada e alto nível de endividamento público, a RFFSA é liquidada e as ferrovias são novamente concedidas à iniciativa privada, por meio do Plano Nacional de Desestatização (PND). A partir daí, elas passam a funcionar majoritariamente como corredores de transporte de commodities para exportação, diz o professor da Coppe/UFRJ. Hoje, quase metade da malha, 14 mil km, está nas mãos da Rumo Logística, empresa do grupo Cosan. Outros 2 mil km são administrados pela Vale. Cerca de 75% da produção de transporte ferroviário é minério de ferro. “Outros 10% ou 12% são soja”, estima Ratton Neto. Como os contratos de concessão não preveem a realização de investimentos e melhorias, boa parte da malha segue como foi construída no segundo império, com a chamada bitola métrica, ultrapassada, bem mais estreita que a bitola internacional, hoje usada como padrão. O modelo atual de exploração das ferrovias, na avaliação do especialista, subaproveita o potencial do país e deixa o Brasil refém das rodovias – consequentemente, mais suscetível a greves de caminhoneiros como a de 2018, que gerou caos e desabastecimento. As estradas de ferro poderiam ser mais utilizadas para transporte de bens industriais, ele exemplifica, de bobinas de ferro e cimento a automóveis, inclusive em trechos curtos, nos moldes das “short lines” dos Estados Unidos. “Também poderiam ser usadas para transportar contêineres, uma tendência nova e muito rentável”, acrescenta. Um entrave para o planejamento de novas linhas, contudo, é o apagão de dados sobre a movimentação interna de cargas. O Brasil não sabe, no detalhe, o que é transportado e de onde para onde. Iniciativas como o Plano Nacional de Contagem de Tráfego ainda não geram dados robustos nesse sentido, diz o professor. A outra é o próprio modelo de concessão, em que as concessionárias têm controle tanto sobre as vias quanto sobre os trens. Assim, essas empresas acabam tendo o monopólio do transporte ferroviário e, em última instância, decidem o que trafega ou não pelos trilhos. “As ligações hoje atendem aos interesses dos próprios concessionários.” Os novos projetos anunciados recentemente pelo governo, na avaliação do professor, não chegam a quebrar a lógica das ferrovias como corredor de commodities. Em setembro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou a autorização para construção, pela iniciativa privada, de 10 novas ferrovias, com investimentos da ordem de R$ 50 bilhões. Em paralelo, ele chama atenção também para o projeto da Ferrogrão, que deve ligar o Mato Grosso ao Pará em cerca de 933 km com a proposta de facilitar o escoamento de grãos pela região Norte do país. Na tentativa de tirar a ferrovia do papel, o governo sinalizou que disponibilizará para a futura concessionária até R$ 2,2 bilhões em recursos da União. O dinheiro, contudo, viria da outorga que será paga pela Vale para renovar a concessão de duas das ferrovias que administra hoje, a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória-Minas. “Os recursos da outorga que poderiam ser usados para geração de benefícios econômicos e sociais nesse caso acabariam captados pelo próprio setor privado.”
* https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59242402
Fonte - Revista Ferroviária  17/11/2021

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Defender o patrimônio público - Ferrovias

Transportes sobre trilhos/Ferrovias  🚄

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da ação, a lei ofende a Constituição, pois autoriza a prorrogação dos contratos de concessão com perdão irrestrito pelos maus serviços prestados nos passado, autorizando que concessionárias ineficientes e com inúmeras infrações administrativas continuem prestando os serviços.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Está pautado, para esta quinta-feira (20/02), o julgamento da ADI 5991, no qual foi requerida uma medida cautelar para suspender a vigência da Lei 13.448/17, que autoriza a prorrogação antecipada das concessões ferroviárias.
Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), autora da ação, a lei ofende a Constituição, pois autoriza a prorrogação dos contratos de concessão com perdão irrestrito pelos maus serviços prestados nos passado, autorizando que concessionárias ineficientes e com inúmeras infrações administrativas continuem prestando os serviços. As concessionárias querem a prorrogação como condição para investimentos que são estimados na casa de 30 bilhões de reais.
A Procuradoria, com o apoio da Ferrofrente, defende a ampliação da concorrência no setor. Para o presidente da Ferrofrente, engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, é absurdo cogitar que a única forma de se obter os alegados 30 bilhões em investimentos seja com a prorrogação direcionada às concessionárias atuais. E questiona: "Diante da urgência em investimentos, e da oportunidade do momento, porque não lançar o plano de investimentos para um leilão internacional, oportunizando que novos concorrentes ofereçam até mais do que 30 bilhões em investimentos?"
Para ele, ao invés de entregar de presente as concessões atuais por mais 40 anos para as concessionárias, a agência reguladora do setor, a ANTT, deveria abrir uma concorrência baseada na melhor proposta, aceitando concessionárias que pudessem oferecer mais investimentos do que as atuais estão oferecendo.
Fonte - Portogente  19/02/2020

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Involução ferroviária

Transportes sobre trilhos  🚃

Uma carta em defesa das ferrovias brasileiras divulgada por diversas entidades, afirma que a “constatação inevitável é a de que sobrou no Brasil um sistema ferroviário mínimo, necessário apenas para não deixar desassistidos os interesses econômicos imediatos das empresas para as quais ele foi passado, e de suas coligadas.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Diversas entidades, nesta semana, divulgaram uma carta em defesa das ferrovias brasileiras. Segundo elas, há anos se vê no País a “involução” da cena ferroviária nacional. O documento afirma que a “constatação inevitável é a de que sobrou no Brasil um sistema ferroviário mínimo, necessário apenas para não deixar desassistidos os interesses econômicos imediatos das empresas para as quais ele foi passado, e de suas coligadas. Isto foi feito, como sempre, escorado em belos discursos sobre “o interesse nacional”, os “bilhões em investimentos”, a “viabilidade econômica” e a “modernidade”, embora, na realidade tenha muito mais a haver, isto sim, com o desinteresse pelo patrimônio e destino nacionais, com a enrolação de que o que é bom para as grandes empresas é o que é bom para o Brasil, com a cooptação de órgãos públicos e com jogadas milionárias”.
Para as signatárias da carta, a edição da MP 752 em 2016, depois convertida na Lei 13.448/17, é o exemplo acabado disto. E criticam: “Gestada e editada em uma época de notórias MPs e Leis sob encomenda, obtidas sob efeito de trocas, esta Lei é o ápice de uma série de golpes no nosso combalido sistema ferroviário, golpes estes que se iniciam lá na década de 1940, que se intensificam nas décadas de 1960 e 1990 e que se tornam mortais agora na atual década de 2010.”
O documento afirma que a Lei 13.448 “é o golpe de misericórdia em todos os já muito maltratados sonhos de se ter uma ferrovia que atenda ao brasileiro comum e suas cargas”. E reivindicam “uma ferrovia abrangente, integrada, disseminada, acessível a qualquer um, e fazendo a diferença por onde passe. O que estamos assistindo não é nada disto. É a consolidação de um modelo de retalhamento da malha, e a sua manutenção nas mãos que a fizeram encolher de 29.000 quilômetros em 1996, para os 13.000 quilômetros atuais, limitando-a a alguns poucos corredores de exportação”.
Fonte - Portogente  20/12/2019
Leia a carta-documento na íntegra aqui

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O Brasil precisa ter novamente trens de passageiros

Transportes sobre trilhos  🚉

Não é preciso ir muito longe para comprovar que nossas ferrovias estão abandonadas.O transporte de passageiros por meio de ferrovias, praticamente inexistente para além das regiões metropolitanas, corre o risco de continuar sendo motivo de vergonha para o país nos próximos 30 anos. As ferrovias no Brasil só ganham vida quando transportam minérios, grãos e açúcar.

José Manoel Ferreira Gonçalves* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O transporte de passageiros por meio de ferrovias, praticamente inexistente para além das regiões metropolitanas, corre o risco de continuar sendo motivo de vergonha para o país nos próximos 30 anos. Isso porque está em andamento o projeto do atual governo de antecipar e prorrogar a maior parte das concessões de ferrovias que estão vigentes. Caso isso se concretize, estaremos condenados pela próxima geração a não usar a malha ferroviária para transportar passageiros. O Brasil continuará na contramão de todas as nações continentais, que contam com o trem para sustentar seu desenvolvimento econômico e sua mobilidade.
Não é preciso ir muito longe para comprovar que nossas ferrovias estão abandonadas. Um exemplo: um trecho de mais de 800 km da ferrovia Norte-Sul (a primeira a entrar no rol de licitações apressadas do governo federal), ficou abandonado entre Anápolis, Goiás, e Palmas, no Tocantins. Só de frete isso significou um desperdício de mais de R$ 1 bilhão de reais por ano.
Essa situação deplorável começou a ser desenhada há 20 anos, com a extinção da Rede Ferroviária Federal e a Fepasa. Concessões muito mal elaboradas, com péssimos contratos, facilitaram a prática de monopólio dos trilhos existentes, sem cuidar da qualidade dos serviços – muito mal prestados.
O resultado foi e continua sendo o fechamento de ramais ferroviários e até mesmo de trechos de troncos ferroviários em todo o país. Hoje, temos cerca de 15 mil quilômetros em funcionamento. Dos 4 mil quilômetros existentes em São Paulo, apenas metade estão em operação.
As ferrovias no Brasil só ganham vida quando transportam minérios, grãos e açúcar. Não obstante, os concessionários que exploram os principais trechos ferroviários no país são grandes grupos ligados a esses produtos. Será que é isso mesmo que pretendemos para nossas ferrovias? Por que não temos um projeto de expansão e integração, com o transporte de passageiros ocupando seu espaço, e o direito de passagem assegurado, para que o transporte de carga não fique restrito àquelas mercadorias oriundas do próprio concessionária?
Um projeto nacional de ferrovias, consistente e estruturado, deveria identificar demandas e gargalos, e resolver a desconexão das malhas existentes entre si e com os portos. Mas, aparentemente, pelo menos entre o governo, não existe essa preocupação. É nítido o açodamento em prorrogar o atual modelo – as concessões mais robustas tinham como prazo de encerramento o ano de 2026 –, que não serve aos interesses da nação.
A iniciativa privada, que se beneficia diretamente – e, muitas vezes, exclusivamente – desses ramais, possui condições de realizar investimento próprio nas linhas que possuam vocação para transporte de carga. É o caso do projeto da Ferrogrão, que pretende ligar Cuiabá a Santarém, no Pará.
José M.F.Gonçalves
Portanto, a renovação, nos termos propostos, como se pretende fazer com o trecho da Malha Paulista, significa transferir recurso público para a iniciativa privada.
Enquanto as ferrovias de transporte de passageiros prosseguem na penúria, os índices de acidentes rodoviários batem recordes. Gastamos a cada ano R$ 30 bilhões com as ocorrências nas estradas. Somente a economia com parte desse valor e o salvamento de vidas que são perdidas diariamente já justificariam um olhar mais atencioso para a recuperação do transporte de passageiros por via férrea.
É esse quadro que o Governo Federal quer perpetuar por mais três décadas. A renovação antecipada das concessões será a morte do trem de passageiro no Brasil.
* Presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente)
Fonte - Portogente  02/10/2019

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O perigo que ronda as ferrovias

Transportes sobre trilhos  🚄

Toda nação com economia forte possui um projeto estruturado de ferrovias, exceto o Brasil. Nosso descaso com o transporte ferroviário é histórico. Se a situação já é lastimável, o cenário pode ficar ainda mais sombrio nos próximos 40 anos, caso as autoridades cedam a pressões dos atuais concessionários de ferrovias no País e renovem antecipadamente os contratos que estão em vigor e só seriam expirados na próxima década.

*José Manoel Ferreira Gonçalves - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O transporte ferroviário no Brasil tem padecido de um abandono crônico por parte das autoridades. A precariedade de nossas ferrovias só é lembrada em momentos críticos, como a greve dos caminhoneiros que recentemente paralisou o País.
Nessas ocasiões, lamentamos o fato de não darmos a devida atenção ao modal sobre trilhos, que, em uma nação continental como a nossa, poderia ter papel muito mais preponderante na movimentação de grandes cargas e passageiros, com segurança e menor custo energético. A greve dos caminhoneiros demonstrou o quanto é danosa ao País a nossa dependência do transporte rodoviário.
Toda nação com economia forte possui um projeto estruturado de ferrovias, exceto o Brasil. Nosso descaso com o transporte ferroviário é histórico. Se a situação já é lastimável, o cenário pode ficar ainda mais sombrio nos próximos 40 anos, caso as autoridades cedam a pressões dos atuais concessionários de ferrovias no País e renovem antecipadamente os contratos que estão em vigor e só seriam expirados na próxima década.
Dados do próprio Governo Federal apontam que as ferrovias brasileiras transportam apenas 15% das cargas em termos de tonelagem por quilômetro útil. No mercado urbano de passageiros, a participação modal ferroviária é ainda muito mais escassa. O Brasil possui 30 mil quilômetros de trilhos, mas a maior parte está desativada devido ao descaso e ao desgaste temporal. Os poucos trechos operantes recebem composições que funcionam à velocidade média de inacreditáveis 15 km/h. Mesmo considerando a malha inteira, ainda assim seria equivalente à mesma malha ferroviária do Japão (um país do tamanho do Estado de São Paulo), ou 14 vezes menor do que a malha dos Estados Unidos e quatro vezes menor que a da Rússia.
Há atualmente no País 8.534km de ferrovias abandonadas, 51.530km de ferrovias planejadas e apenas pouco mais de 10.000km de ferrovias ativas – ou precariamente ativadas. Mesmo com esses números nada favoráveis, o lobby em favor da renovação de uma estrutura totalmente inadequada para as ferrovias é grande em Brasília. O que se deseja perpetuar é um sistema em que a malha ferroviária permaneça praticamente a serviço de nove empresas, sem integração com outros operadores, sem competitividade, muito menos abrir a possibilidade de termos um maior volume de passageiros a serem transportados. Não há garantia de interoperabilidade entre concessões, ou seja, não se permitirá, com esse modelo, a livre circulação de todos os trens em toda a malha ferroviária.
Caso essa proposta prevaleça, o Brasil não terá a chance de desenvolver um projeto nacional de ferrovias. Um novo marco regulatório para a concessão de ferrovias, feito a partir de análises e avaliações aprofundadas – e com contribuições de toda a sociedade –, deveria ser o pontapé inicial desse projeto. A renovação antecipada atende apenas a interesses isolados, sem qualquer compromisso com os direitos dos usuários de ferrovias, sem metas e indicadores de desempenho operacional.
Felizmente há casos de pareceres contrários à renovação das ferrovias, como o emitido pelo Ministério da Fazenda em análise da concessão de Carajás, cujos parâmetros favoreceriam apenas a operadora privada em detrimento dos interesses da União. Órgãos importantes como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público também têm se manifestado em oposição à impetuosidade dos atuais concessionários em lograrem a renovação dos contratos, sem os devidos estudos.
Este é o momento de estabelecer contratos de concessão que efetivem a ferrovia como meio de transporte. Entre outros aspectos, os valores da outorga estão visivelmente subavaliados e necessitam de melhor avaliação. O modelo atual, concentrado em três grandes grupos empresariais, não vai possibilitar a existência de uma malha ferroviária que atenda às necessidades do País. Se não houver mudanças, estaremos condenados a passar os próximos 40 anos com ferrovias do século passado.
*José Manoel Ferreira Gonçalves é presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente)
Fonte - Portogente  06/12/2018

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Por aqui passou um trem

Transporte sobre trilhos  🚄🚃🚃🚃

Estima-se que por um pouco mais de quatro décadas o trem de passageiros Estrela do Norte deixou de circular entre Salvador(BA) e Aracaju(SE) chegando até Propiá(SE) as margens do Rio São Francisco.A 14 anos atrás,em meados de 2004,ainda ficaram alguns trens transportando cargas de minério de ferro,petróleo,grãos e madeira. Em 2007 a FCA,concessionária da ferrovia, parou de transportar combustíveis para Sergipe e em 2013 todo transporte de cargas neste ramal foi suspenso definitivamente pela operadora com o ultimo trem partindo de Aracaju transportando vagões de combustíveis.A ferrovia hoje completamente abandonada vai se degradando sem receber manutenção. A privatização da malha ferroviária brasileira não só promoveu o sucateamento da mesma como também uma drástica redução da sua extensão.

Pregopontocom

Foto - Joelson William/Antiga Estação de trens de Acajutiba BA




Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba













Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba

Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba














Foto - Joelsom William/Acajutiba
Colaborou para essa matéria  Joelsom William/Acajutiba BA
Pregopontocom  28/08/2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

Investimento nos trilhos é freado por resistência rodoviária, aponta presidente do Metrô do DF

Transportes sobre trilhos  🚚 🚌 🚄 🚇

Para o presidente da Companhia do Metropolitano (Metrô), Marcelo Dourado, há um forte lobby do modal rodoviário que impede os investimentos. A discussão surgiu após o Jornal de Brasília publicar matéria mostrando o silêncio das autoridades locais e federais.“De maneira resumida, acontece que há um lobby poderoso do modal rodoviário. Montadoras, empresas de caminhões e ônibus.

Jornal de Brasília
foto - ilustração/arquivo
A ausência de uma linha férrea atuando de forma efetiva no transporte de cargas e de passageiros entre o DF e Goiás é alvo de críticas. Para o presidente da Companhia do Metropolitano (Metrô), Marcelo Dourado, há um forte lobby do modal rodoviário que impede os investimentos. A discussão surgiu após o Jornal de Brasília publicar matéria mostrando o silêncio das autoridades locais e federais.
Dourado, ex-superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), aponta que enquanto trabalhava no órgão federal ele chegou a entregar os estudos para os trens que ligariam Brasília a Goiânia (GO) e Luziânia (GO) e encaminhou para a Agência Nacional de Transportes Terrestres. “Sempre tive o discurso dos trens regionais, seja de passageiro ou de carga. Todos os países desenvolvidos têm trens regionais, o Brasil é o único país continental que não tem”, aponta.
“De maneira resumida, acontece que há um lobby poderoso do modal rodoviário. Montadoras, empresas de caminhões e ônibus. É inacreditável pensar que ao invés de aumentar a malha ferroviária, a do Brasil encolheu. Temos menos de 30 mil quilômetros em todo o país, é muito pouco”, critica Dourado.
Para ele, o resultado disso é único: “o mais grave é a nossa infraestrutura logística de transporte”. “As nossas estradas estão superlotadas e não temos escoamento através do trilho. Se investissem, o preço do transporte, do frete, caíria lá para baixo. Mas ninguém investe e o governo federal não prioriza”, afirma.

Projetos engavetados
O Governo do Distrito Federal, que chegou a fazer reuniões sobre o tema e publicizá-las à época, passou a bola: alegou que a demanda é a nível nacional e não há qualquer secretaria ou órgão local que pudesse responder. A Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), por sua vez, apontou que os estudos do transporte de passageiros e de cargas estão sob a responsabilidade da Agência Nacional Transportes Terrestres (ANTT). Esta, por fim, não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Fontes ouvidas pelo JBr. apontaram que os dois projetos são considerados “greenfield”: investimentos que sequer saem do papel. Segundo a fonte, que não quis se identificar, ainda não foi definido como será o projeto da linha férrea de Brasília a Luziânia. Já a ferrovia que ligaria Brasília a Goiânia se trata apenas de “projeto político”.
“São projetos complexos e que requerem muito investimento e vontade pública para acontecer. Demoram décadas para que comecem alguma obra”, afirmou.
O trecho ferroviário que passa atualmente por Brasília integra o corredor logístico Centro-Sudeste e liga à cidade de Alumínio (SP). A concessão é da Ferrovia Centro- Atlântica e as principais cargas que vêm para a capital são minérios, coque (obtido a partir da destilação do carvão mineral) e derivados do petróleo. Por mês, são transportadas 100 mil toneladas.

Ferrovia de Brasília-Goiânia

Conhecido como Expresso Pequi, o planejamento de um trem que ligasse Brasília a Goiânia surgiu em 2003. A expectativa era de que as obras começassem no início de 2017 e teriam um custo de até R$ 7 bilhões, conforme o Jornal de Brasília mostrou dois anos atrás.
O trajeto da linha férrea havia sido definido por órgãos do governo federal, do DF e de Goiás, com 240 quilômetros de trilho tendo a Rodoferroviária de Brasília como ponto estratégico central. O trem transportaria passageiros inicialmente e , depois, cargas.
O projeto dividia a ferrovia em dois tipos de transportes: o regional, que liga Brasília a Goiânia, e o integração ou semiurbano, que faz as linhas DF/Águas Lindas/Santo Antônio do Descoberto e Anápolis/Goiânia. O trem, entre as duas capitais e ramificações, atenderia a uma população estimada de 6,3 milhões de pessoas e a previsão era que transportasse 23,5 mil por dia e 7,3 milhões por ano. As estações seriam integradas ao metrô.
Na época, a própria ANTT afirmou que não havia data para as construções e início da operação, mas que havia “um grande desejo já demonstrado pelos governos do DF e GO para a implantação”.

Linha que ligaria Região Metropolitana
Em 2015, o governo do DF, de Goiás e Federal se reuniram alegando uma ampliação da rede de transporte por trilhos com a interligação entre Brasília e Luziânia. A previsão era de que a ferrovia tivesse 76 quilômetros de extensão, após uma reestruturação no trecho da rodovia GO-010, que atualmente já transporta carga. O intuito do projeto era de diminuir o fluxo de carros e tempo gasto da Região Metropolitana até a capital.
Os beneficiados seriam moradores de Águas Lindas, Cidade Ocidental, Luziânia, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Valparaíso. “Quinze por cento dos trabalhadores do DF residem no Entorno, e é justamente essa parcela significativa que será atendida por essas mudanças”, afirmou Rodrigo Rollemberg em 17 de agosto de 2015.

Saiba mais
Outra alternativa aos carros que está parada é o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Lançado no governo Arruda em 2009, o projeto original previa que o meio de transporte passaria pela W3 Sul e Aeroporto JK. A ideia é que ficasse pronto para a Copa do Mundo de 2014, sediada pelo Brasil.
No entanto, a Justiça determinou a anulação do contrato de execução do projeto após suspeitas de irregularidades no processo de licitação. Cerca de R$ 26 milhões foram liberados pelo Ministério das Cidades para a execução, mas as obras foram paradas ainda em 2009. A única parte que saiu do papel foi o viaduto na altura do Setor Policial Sul.
Fonte - Abifer   12/06/2018

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ferrovias de SC com mais de 100 anos ajudam a diminuir nº de veículos nas estradas

Ferrovias  🚃

A ferrovia Dona Tereza Cristina foi a primeira que com resultado positivo. Ela foi inaugurada em 1884. São 164 quilômetros, que ligam cidades da região Sul ao Porto de Imbituba, por onde passam 10 locomotivas todo dia. Nove delas são carregadas com carvão. O terminal portuário movimenta quase 22 mil toneladas de carga por mês.

G1 - RF
foto - ilustração/arquivo
Ferrovias feitas há mais de um século continuam em funcionamento em Santa Catarina e ajudam no transporte de mercadoria até os portos. Além disso, são uma alternativa que diminui o número de veículos nas estradas do estado, como mostrou nesta quarta-feira (30) a terceira reportagem de uma série exibida pelo NSC Notícias.
Entre 1871 e 1912, o governo brasileiro autorizou mais de 10 projetos de ferrovias no estado. Quase nenhum saiu do papel. O professor de Economia da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) Alcides Goularti Filho diz que, nessa época, a economia catarinense não tinha a mesma força que tem atualmente e construir uma estrada de ferro não valia a pena.
"Ela é um negócio. E tem que ter rendimentos, tem que manter os seus custos. Para manter os seus custos, tem que ter fluxo e tem que ser fluxo intenso", afirmou o professor.
A ferrovia Dona Tereza Cristina foi a primeira que com resultado positivo. Ela foi inaugurada em 1884. São 164 quilômetros, que ligam cidades da região Sul ao Porto de Imbituba, por onde passam 10 locomotivas todo dia. Nove delas são carregadas com carvão. O terminal portuário movimenta quase 22 mil toneladas de carga por mês.

Região do Contestado
Também há outra estrada de ferro antiga no estado, que é resultado do segundo projeto que vingou no estado: a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande.
Foi inaugurada em 1910 e esteve no meio do impasse que levou à Guerra do Contestado. Atualmente, é operada por uma empresa privada. No estado, só tem acesso ao Porto de São Francisco do Sul, no Norte.
Em Lages, na Serra catarinense, passam quatro trens por dia, que transportam combustíveis e cimento.

foto - ilustração/FTC
Menos veículos nas estradas
De todas as cargas do estado, 80% viajam pelo asfalto em caminhões e carretas que podem levar até 90 toneladas. Apenas 7% vão pelos trilhos. "Você tem carros, você tem caminhões, você tem ônibus... Uma gama extensa de veículos disputando o mesmo espaço", afirmou o gerente do Terminal Intermodal Sul, Marcelo Siqueira.
Um exemplo positivo está em Imbituba, onde 70% das mercadorias chegam de trem. Isso equivale a 1,6 mil carretas a menos circulando nas estradas.
Porém, a maioria dos portos catarinenses não tem uma ligação com ferrovias. Especialistas debatem se novas estradas de ferro seriam lucrativas economicamente. "Eu acho que a produção do Oeste ainda não vai conseguir sustentar uma ferrovia lucrativa", afirmou o professor Alcides Goularti Filho. "A BR-101 já deu conta e foi duplicada para isso também, ela já está dando conta da integração portuária", completou.
Para o presidente da Câmara de Transporte da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, as estradas de ferro seriam importantes para melhorar o preço das mercadorias catarinenses. A implantação da ferrovia litorânea, complementada pela ferrovia Leste-Oeste, ligando à malha ferroviária nacional, daria um poder de competitividade muito forte à nossa economia".
Fonte - Revista Ferroviária 30/08/2017

quinta-feira, 16 de março de 2017

Perdas ferroviárias

Ferrovias/Transportes sobre trilhos  🚉

Recentemente, numa audiência realizada pela Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, em Brasília, a diretora da FNE, Clarice Soraggi, também presidente da Federação das Associações dos Engenheiros Ferroviários (Faef), ao fazer um diagnóstico do segmento ferroviário, chamou a atenção para a falta de investimentos, redução da malha operacional dos trilhos e abandono de uma mão de obra técnica qualificada, formada por engenheiros especializados no modal ferroviário.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Boa notícia essa dos engenheiros, representados pela sua federação nacional (FNE), de entrarem com tudo no debate sobre as ferrovias brasileiras. Recentemente, numa audiência realizada pela Frente Parlamentar Mista de Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, em Brasíli, a diretora da FNE, Clarice Soraggi, também presidente da Federação das Associações dos Engenheiros Ferroviários (Faef), ao fazer um diagnóstico do segmento ferroviário, chamou a atenção para a falta de investimentos, redução da malha operacional dos trilhos e abandono de uma mão de obra técnica qualificada, formada por engenheiros especializados no modal ferroviário.
foto - ilustração/arquivo
Segundo Soraggi, desde os anos 1990 até hoje foram perdidos aproximadamente 16 mil quilômetros de ferrovia. Nos dados atuais, a malha ferroviária é formada por cerca de 20 mil quilômetros, dos quais 15 mil quilômetros estão em operação. Esse quadro é, de acordo com a diretora da FNE, consequência do abandono de trechos pelos concessionários. Para recuperar essa malha é preciso que a recuperação desses trechos esteja prevista na MP 752.
A representante da Federação observou ainda que é preciso que o Ministério dos Transportes recupere sua capacidade de planejamento e de gestão ferroviária e que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) seja fortalecida em seu papel de agente fiscalizador das empresas concessionárias.
Fonte - Portogente  16/03/2017

terça-feira, 14 de março de 2017

Ferrovias brasileiras em debate

Ferrovias   🚉

A iniciativa expôs a precarização da malha ferroviária, o abandono da mão de obra qualificada e especializada nesse modal e a necessidade de uma discussão profunda sobre a Medida Provisória 752, que trata da prorrogação e nova licitação de contratos de concessões à iniciativa privada nos segmentos ferroviário, rodoviário e aeroportuário.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
A Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, da Câmara Federal, realizou reunião no dia 9 último para discutir a situação das ferrovias brasileiras e riscos de perda desse patrimônio construído ao longo de 160 anos.
A iniciativa expôs a precarização da malha ferroviária, o abandono da mão de obra qualificada e especializada nesse modal e a necessidade de uma discussão profunda sobre a Medida Provisória 752, que trata da prorrogação e nova licitação de contratos de concessões à iniciativa privada nos segmentos ferroviário, rodoviário e aeroportuário.
A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) foi representada pela diretora Regional Sudeste, Clarice Soraggi, presidente da Federação das Associações dos Engenheiros Ferroviários (Faef). Ao fazer um diagnóstico do segmento ferroviário, ela chamou a atenção para a falta de investimentos, redução da malha operacional dos trilhos e abandono da mão de obra especializada. “Existe um corpo técnico muito forte de engenheiros, profissionais altamente qualificados. Com os desmandos dos governos em relação ao setor ferroviário, houve uma pulverização desse conhecimento. Daqui a pouco, todo esse conhecimento será perdido e leva-se tempo para formar uma nova geração de profissionais”, disse. Segundo ela, esses são os que executam a inventariança dos bens ferroviários. Se não forem valorizados e se não atuarem nesse segmento, as informações sobre o patrimônio ferroviário se perderão.
Soraggi lembrou que desde os anos 90 até hoje foram perdidos aproximadamente 16 mil quilômetros de ferrovias. Atualmente, a malha ferroviária é formada por cerca de 20 mil quilômetros, dos quais apenas 15 mil estão em operação. Esse quadro, de acordo com a diretora da FNE, é consequência do abandono de trechos pelos concessionários, cuja recuperação deve necessariamente estar prevista na MP 752.
A representante da federação observou ainda a premência de que o Ministério recupere sua capacidade de planejamento e de gestão ferroviária e que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) seja fortalecida em seu papel de agente fiscalizador das empresas concessionárias.
Presente à reunião, o presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), José Manoel Ferreira, criticou a MP 752. Em sua avaliação, tal é falha e não prevê uma série de indicadores necessários para resguardar a qualidade na prestação do serviço. Entre os quais, os relativos a via permanente, condição dos trilhos, drenagem e qualidade da sinalização. “Precisamos exigir respeito institucional para termos um transporte ferroviário que não jogue a engenharia no lixo.”

Investimento público x Estado mínimo

Representante da ANTT, Jean Mafra dos Reis lembrou que os contratos em vigor entre o governo federal e os concessionários retratam a época em que foram firmados (década de 1990) e que, com a MP 752, serão reformulados. “O que se pretende é ampliar a oferta de transporte ferroviário”. afirmou. Ele reconheceu que o setor precisa de planejamento de longo prazo e que, no contexto atual, está clara a carência de infraestrutura e de mecanismos para fomentá-lo.
Ao abordar a reformulação dos contratos de concessão e a necessidade de investimentos, o deputado federal Assis Melo (PCdoB-RS) disse ser contra o Estado mínimo, argumentando que há investimentos de longo prazo, como os do segmento ferroviário, que a iniciativa privada não faz. “Nessa visão de menos Estado, esse menos é para o povo. Defendo o Estado forte, que é o que atende o País como um todo.”
Fonte - Portogente  14/03/2017

terça-feira, 5 de julho de 2016

Malha ferroviária do Nordeste sofreu desmonte

Ferrovias

A malha existente foi reduzida a 26% do que era em 1997, quando passou para a iniciativa privada. Na época, eram 4.679 quilômetros de ferrovias, que iam de Propriá, em Sergipe, até a cidade de São Luís, capital do Maranhão. Interligava as capitais de oito Estados, com ramais que passavam por uma parte significativa do interior

JConline
JConline
A privatização da antiga Malha Ferroviária do Nordeste significou o fim do serviço ferroviário nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A malha existente foi reduzida a 26% do que era em 1997, quando passou para a iniciativa privada. Na época, eram 4.679 quilômetros de ferrovias, que iam de Propriá, em Sergipe, até a cidade de São Luís, capital do Maranhão. Interligava as capitais de oito Estados, com ramais que passavam por uma parte significativa do interior, incluindo as cidades de Missão Velha (CE), na região do Cariri, e Salgueiro (PE), a 514 km do Recife. Hoje, só funcionam, regularmente, 1,2 mil quilômetros, no Ceará, Piauí e Maranhão, que levam cargas aos portos de Itaqui (MA) e de Mucuripe (CE).
Na privatização, foram estabelecidas metas de aumento do transporte de carga e de redução de acidentes para a exploração do serviço ferroviário. Mas por que os trens foram desaparecendo? Dona da concessão da antiga Malha Nordeste, a Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) não respondeu aos questionamentos da reportagem do JC. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que fiscaliza a concessão, se limitou a dizer, por e-mail, que a concessionária não cumpriu as metas de transporte de carga acordadas no período de 2009 a 2013 acrescentando que a empresa foi “penalizada” pelo descumprimento dessas obrigações.
Para os anos de 2014 e 2015, a ANTT fixou metas somente nos 1,2 mil km em operação. No ano passado, a empresa movimentou, nesses trechos, 564,3 milhões de Toneladas por Quilômetro Útil (TKU, unidade internacional que retira o peso do vagão da quantidade transportada). “É pouco. Antes da privatização, a Malha Nordeste chegou a movimentar 1,2 bilhão de TKU”, afirma o professor de logística do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fernando Jordão, ex-superintendente da Rede Ferroviária Federal (Rffsa), então uma estatal.
“Uma concessão privada de ferrovia precisa ter a conotação de resultado, lucro. Esse serviço necessita de muita infraestrutura, manutenção e só se viabiliza com grandes volumes de cargas. No entanto, é preciso oferecer o transporte ferroviário, porque é essencial para a economia e as pessoas”, diz a sócia-executiva do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), Maria Fernanda Hijjar. Faltou justamente a atuação de órgãos governamentais que cobrassem a movimentação da carga com a estrutura que existia. “Foram deixando a ferrovia morrer de inanição. O serviço correspondia basicamente a 30% do custo do frete rodoviário, mas não se fazia propaganda disso e não havia uma agressividade na busca de clientes”, lembra o hoje engenheiro do Metrô do Recife (Metrorec) que também trabalhou na extinta Rffsa Sérgio Sobrinho.
O serviço ferroviário também não tirou proveito do crescimento da economia do Nordeste na última década para agregar novas cargas. O Porto de Suape, por exemplo, saiu de uma movimentação de 4,3 milhões de toneladas de carga em 2005 para 19,7 milhões de toneladas no ano passado.
“Em lugar nenhum do mundo se privilegia o transporte rodoviário, como ocorreu no Nordeste, principalmente quando se tinha uma ferrovia centenária. A solução messiânica foi a Transnordestina (a ferrovia de 1.752 km que deveria ligar a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco). Agora, não tem mais a antiga e nem a nova saiu do papel”, acrescenta Fernando Jordão.
E, por último, as administrações públicas (federal e estadual) deram prioridade às rodovias por uma questão simples: as construtoras se tornaram grandes doadoras nas campanhas eleitorais. Até os anos 90, a Transnordestina era uma nova ligação ferroviária de 240 km que ligava Salgueiro a Petrolina, fazendo conexão com a malha existente. Depois, acharam melhor construir uma ferrovia nova passando por muitas cidades nas quais a antiga malha já estava presente, como ocorreu com grande parte do trecho Missão Velha-Pecém e Salgueiro-Suape.

Fim da Concessão
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger, defende que a União deveria tomar a concessão da empresa Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) por dois motivos: a falta de compromisso na implantação da Ferrovia Transnordestina e o retrocesso que ocorreu na prestação do serviço ferroviário, que praticamente desapareceu em quatro Estados do Nordeste, incluindo Pernambuco. “As concessões deveriam melhorar. No entanto, piorou muito. A malha ferroviária era velha, mas funcionava”, diz. Ele argumenta que a falta de trens traz “um prejuízo incalculável” à economia da região.
Em Pernambuco, além do trecho Recife-Salgueiro, a ferrovia da antiga Malha Nordeste ligava o Estado com Alagoas (pela Mata Sul) e passava também pela Mata Norte, em cidades como Aliança e Lagoa de Itaenga. “Usamos os trens até a década de 90. Cerca de 30% da nossa produção de álcool ia de trem para o Ceará e Maranhão. Cerca de 60% do açúcar a granel ia no vagão para o Porto do Recife e 10% do açúcar ensacado também”, conta o presidente do conselho de administração da Usina Petribú, Jorge Petribú. “Na época, o preço era 20% mais barato do que o frete rodoviário, mas também era ambientalmente melhor”, comenta. O produto embarcava num ramal ferroviário que chegava até a sede da usina em Lagoa de Itaenga. Atualmente, para escoar toda a produção da companhia são necessárias cerca de seis mil viagens de caminhão por ano.
Mas não eram só as cargas que usavam o trem. Nos anos 70, era possível sair de Fortaleza de trem passar por Salgueiro e chegar ao Recife. Era o expresso Sonho Azul. Toda essa linha foi desativada.
Fonte: JConline  05/07/2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O progresso pelos trilhos

Transportes sobre trilhos 

O transporte ferroviário de passageiros atendia a necessidade tanto de famílias mais abastadas como as de baixas rendas.E o trem vinha chegando, serelepe, apitando, puxando e exibindo seus vagões, não respeitando ninguém a sua frente.Tinha o vagão de primeira, com poltronas acolchoadas, o de segunda, com tábua pura, serrada, e o vagão restaurante com vários tipos de refeições.

Clic - Folha BH/MG
foto - ilustração/est.Passosprogresso,trilhos,
Estradas de ferro, o trem, seu apito… a plataforma da Estação Ferroviária era uma inocente diversão e um atraente ponto de encontro do povo para ver quem estava chegando e quem estava partindo. E para muitos era local de encontro de namoro.
Dia desses, caminhando por ali, passei por vários meninos, que num campinho improvisado disputavam uma bola. Parei por um momento, e ao observar a cena vi que não consegui me livrar do menino que fui um dia. Viajei no tempo, infância inocente, correndo descalço por ruas empoeiradas, dando pinote em cavalo de cabo de vassoura, vivendo a vida de moleque no mundo de sonhos e imaginação. Procurando córregos para nadar, brincar de xerife e bandido com revólveres de espoleta, pular o muro do vizinho para roubar frutas, chupar, lambuzar, e limpar a boca com o dorso da mão. E nessas recordações, levei minha infância para os trilhos do trem de ferro que atravessou e marcou a minha vida e de muitos meninos de meu tempo. Nós, meninos, quase todos os dias corríamos para a Estação de ferro, e ficávamos observando o chefe da Estação na sala do telégrafo, ouvindo o tac-tac do telegrafista enviando e recebendo mensagens das outras estações, e ao ouvir o telégrafo com seus bipes informando o chefe da Estação que o trem acabara de partir de Itaú para Passos, na espera do trem chegar, ficávamos olhando e observando os vagões de carga, alguns cheios de gado engaiolados aguardando o trem de passageiros chegar para poder dar seu apito de partida. O transporte ferroviário de passageiros atendia a necessidade tanto de famílias mais abastadas como as de baixas rendas.
E o trem vinha chegando, serelepe, apitando, puxando e exibindo seus vagões, não respeitando ninguém a sua frente. Tinha o vagão de primeira, com poltronas acolchoadas, o de segunda, com tábua pura, serrada, e o vagão restaurante com vários tipos de refeições.
Na chegada seu apito prolongava com mãos se pondo de fora das janelas dos vagões em acenos repetidos, retribuindo os acenos também erguiam mãos na plataforma, e com sorrisos de alegria havia os emocionantes encontros de pessoas embalados pela emoção. E o trem chegava, resfolegando, espirrando fumaça para o alto, fagulhando, apitando, passageiros sorrindo com a cabeça de fora do vagão, acenando com a mão para alguém ali à espera. Pelas portas e janelas via – se sair sacos, cestas, malotes e velhas malas!
Ver a chegada do trem e o desembarque dos passageiros era o divertimento da maioria da população. As pessoas faziam amizades, reviam velhos amigos, e no vai e vem do trem nasciam muitos amores, muitas esperanças!
E como era gostoso fazer uma viagem de Maria Fumaça: sentir o trem ir sacolejando e apitando nas curvas e nos caminhos, passando em cortes de serra, mata nativa, pontes sobre rios, cruzando os vilarejos e cidades, de dia e de noite cortando as paisagens e levando passageiros a tantas cidades. Cada um passava o tempo de um jeito, uns tentando dormir, outros puxando assunto e fazendo amizade. E o povo viajante levava na bagagem de tudo para comer: bolo, farofa de galinha, de carne seca, queijo, rapadura, laranja, litro de água…
E o trem seguia, via – se fazendas, casas, bois, boiadas… e aquela grande máquina de ferro, com seus vagões ia serpenteando entre lavouras, morros, matas, engolindo os trilhos, soltando fumaça e fagulhas até perder as energias, e se deixando morrer na plataforma das saudosas Estações, lembradas como local de encontro, reencontros e despedidas. Quando chegava, trazia sempre a esperança na bagagem e de volta a alegria e a saudade que ficava entre nós. O trem de ferro foi um símbolo que deixamos para trás, mas que não queríamos que acabasse. Era uma inesquecível nostálgica viagem em que o progresso chegava pelos trilhos. Agora, só saudade e lembranças daqueles que viveram o tempo daquela máquina capaz de soltar fumaça pela narina, e que sentiram seu sacolejo e seu apito adentrando ou saindo das saudosas Estações das cidades de nossa região.
A inauguração da Estação Mogiana em Passos se deu em 11 de dezembro de 1921 e foi desativada em 1977. A retirada dos trilhos começou em janeiro de 1986.
É o tempo passando e a gente “Memoriando!”
Fonte - ANPTrilhos   24/02/2016

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ANTT quer Raio X completo da malha ferroviária brasileira

Ferrovias

“Ninguém tem certeza do que foi entregue às concessionárias”, disse ontem o diretor da ANTT, Carlos Nascimento, durante palestra sobre ‘short line’ na 18ª Negócios nos Trilhos - NT Expo. O Brasil tem quase 30 mil km de malha ferroviária, 6 mil km operam com densidade inferior a 1 trem por dia. 

RF
foto - ilustração
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no âmbito das negociações para prorrogação dos contratos de concessão, quer que os atuais concessionários ferroviários realizem um inventário completo e georeferenciado de toda a malha ferroviária do país, inclusive os trechos sem utilização ou subutilizados, que eles eventualmente queiram devolver ao governo.
“Ninguém tem certeza do que foi entregue às concessionárias”, disse ontem o diretor da ANTT, Carlos Nascimento, durante palestra sobre ‘short line’ na 18ª Negócios nos Trilhos - NT Expo. O Brasil tem quase 30 mil km de malha ferroviária, 6 mil km operam com densidade inferior a 1 trem por dia. Parte dessa malha poderá ser operada como ‘short line’, que são trechos ferroviários de baixa capacidade econômica, operados por pequenos empreendedores, muito comuns nos Estados Unidos e com algumas experiências na Europa, especialmente na Itália.
Além da radiografia completa da malha ferroviária, a Agência antes de aceitar a renovação dos contratos quer classificar as ferrovias, como é feito no modelo americano; definir o conceito do serviço adequado a ser prestado pelos operadores; e reformatar a resolução que criou o Operador Ferroviário Independente (OFI).
A ANTT também quer modificar o decreto 8.129/2013 para permitir a concessão do trecho Palmas (TO) – Anápolis (GO) da Ferrovia Norte-Sul pelo modelo vertical. Pelo decreto, a Agência só pode fazer concessões pelo chamado modelo horizontal, no qual vários operadores ferroviários podem utilizar a capacidade da malha ao mesmo tempo. É o modelo que criou o Operador Ferroviário Independente (OFI).
O modelo horizontal de concessão prevê que um operador administre a capacidade da linha ferroviária com diversos outros operadores fazendo o transporte de mercadorias para seus próprios clientes, com seu próprio material rodante. O modelo vertical é o atual modelo de concessão, no qual um único concessionário opera e controla toda a malha. A mudança no decreto permite que o trecho Palmas (TO) – Anápolis (GO) seja licitado pelo modelo vertical, como já ocorre no outro trecho da Norte-Sul, entre Palmas (TO) e Açailândia (MA), que é operado pela VLI, numa subconcessão da Vale.
Todas as concessionárias privadas estão negociando com a ANTT a prorrogação do prazo de concessão. Esta prorrogação está prevista nos contratos, que começam a vencer em 2026.
Fonte - Revista Ferroviária  04/11/2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ferrovias brasileiras e o desafio de aumentar a participação na matriz de transportes nacional

Transportes sobre trilhos

A ferrovia vem galgando posições na escala de prioridades e passou a ser foco de potenciais investimentos públicos e privados.O modal é apontado estrategicamente como fundamental para o ganho de escala na distribuição de cargas.A implantação de sistemas sobre trilhos,"trens urbanos, Metrôs,VLT e monotrilho",são prioridades para ampliar a capacidade do transporte de passageiros.

Portogente
foto - ilustração/H.Rotem 
Nos dias 3, 4 e 5 de novembro, em São Paulo, a indústria metroferroviária estará reunida para apresentar soluções que contribuam com o desenvolvimento do setor e reforcem as ferrovias como elemento da intermodalidade no País. O encontro será na NT Expo - 18ª Negócios nos Trilhos, principal evento do setor metroferroviário da América do Sul, que reúne mais de 230 marcas expositoras nacionais e internacionais que exibirão as últimas tendências e inovações em equipamentos, infraestrutura, produtos, serviços e manutenção. Este ano o volume de visitantes está estimado em mais de 9 mil profissionais.
A ferrovia vem galgando posições na escala de prioridades e passou a ser foco de potenciais investimentos públicos e privados. Elemento estratégico da eficiência logística, o modal é apontado como fundamental para o ganho de escala na distribuição de cargas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, divulgou um estudo que mapeia 86 obras consideradas urgentes para garantir o escoamento da produção na região Sudeste do Brasil nos próximos cinco anos. Pelo levantamento, as ferrovias respondem por 48,5% dos investimentos, um total de R$ 30,7 bilhões para 32 trechos, que incluem novas malhas, como a que liga Anápolis (GO) a Campos dos Goytacazes (RJ). Os projetos preveem aportes da iniciativa privada, governo federal e parcerias públicos privadas que darão andamento a 11 mil quilômetros de vias, anunciadas na primeira etapa do PIL, em 2012, mas que não foram licitadas.
No que diz respeito ao transporte metropolitano, a implantação de sistemas sobre trilhos são a prioridade para ampliar a capacidade do transporte de passageiros. De acordo com a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), o Brasil tem 20 novos projetos, já contratados ou em execução, que somam 336 quilômetros em obras de metrôs, trens urbanos, VLT e monotrilho, que devem ser finalizados nos próximos cinco anos para atender a demanda nos grandes centros urbanos.
Todas estas iniciativas serão debatidas na próxima semana, durante NT Expo, por especialistas, empresários e autoridades do setor, durante o Fórum de Líderes, encontro inédito, apoiado pela UIC (International Union of Railways), que será realizado dentro da NT Expo nos dias 4 e 5 de novembro. "Sabemos que mais de 61% do público participante do evento é composto por CEOs, diretores, gerentes e coordenadores, que são atores diretos do desenvolvimento do setor. Queremos que, além de ser um ambiente para geração de negócios, a NT Expo seja ponto de partida para novos posicionamentos de mercado", explica o gerente da feira, Renan Joel.
Fonte - Portogente  29/10/2015

sábado, 9 de maio de 2015

Em defesa da Baroneza

Ferrovias

É preciso valorizar a história do Brasil. Saber a importância social e econômica que essas ferrovias desempenharam por décadas para consolidar cidades e para a independência do país. Patriotismo e respeito ao nosso passado, são instrumentos eficazes para que governantes não tomem decisões intempestivas.

Vicente Vuolo
foto - ilustração/flickr.com
O Brasil não tem o direito de destruir a sua história. A ferrovia faz parte do nosso passado. É, também, o transporte do presente e do futuro no mundo. Menos no Brasil.
Desenvolver nossa malha ferroviária é um imperativo. A ferrovia não pode continuar sendo relegada a um segundo plano. Como o país permitiu que ao longo dos anos, retirassem milhares de quilômetros desses trilhos?
É preciso valorizar a história do Brasil. Saber a importância social e econômica que essas ferrovias desempenharam por décadas para consolidar cidades e para a independência do país. Patriotismo e respeito ao nosso passado, são instrumentos eficazes para que governantes não tomem decisões intempestivas.
Preservar, reativar, modernizar malhas ferroviárias deve fazer parte do planejamento da logística de nosso país. Várias ferrovias, a exemplo da Estrada de Ferro Petrópolis num trecho de 14,5 km entre Mauá e Fragoso devem ser revitalizadas com urgência. No caso desse símbolo histórico, foi nesse terreno montanhoso, desafiador, íngreme cercado de paisagens ímpares, povoado por animais e plantas de rara beleza que a primeira locomotiva a vapor no Brasil, a “Baroneza” circulou imponente, com seus cobres polidos, duas chaminés, um farol e dois estribos.
A paisagem estonteante e a locomotiva charmosa inspiraram o Imperador Dom Pedro II, no ato de inauguração, a batizar de “Baroneza” a locomotiva, em homenagem à esposa do Barão de Mauá. O passeio romântico foi tão emocionante que Dom Pedro II parou no alto da Serra sobre o viaduto de Três Arcos para lanchar com os comissários e apreciar a cidade maravilhosa.
Vamos imaginar que estamos em maio de 1854. E viajar no tempo, saindo da estação carioca em direção a Petrópolis e relembrar um daqueles filmes românticos da época, em que elegantes cavalheiros ao lado de belas damas, compartilham o vagão-restaurante. De saborear e absorver, no fluxo incessante de imagens que passam pela janela da Baía da Guanabara, aquelas que valem a pena gravar na memória. Imagens como a Serra do Mar até chegar ao outro paraíso serrano.
De imaginar um comboio de vagões decorado no estilo neoclássico, com aconchegantes cabines-dormitório, bar completo, restaurante, um vagão-living para sessões de vídeo. Com seria magistral se recuperássemos esse tempo? Andar a 37 km por hora, que é o dobro da velocidade média dos veículos que hoje trafegam nas metrópoles brasileiras. É incrível!
De acordo com a Associação Fluminense de Preservação Ferroviária, “a extinta Estrada de Ferro Príncipe do Grão do Pará (1883-1964), que ligava Petrópolis ao Rio de Janeiro, registrou somente um único acidente nos 81 anos de operação, com três vítimas fatais no trecho de 6 km no plano inclinado de 18% da Serra Estrela, com tração por locomotivas cremalheiras a vapor, trecho esse que teimosamente insistimos em reativar, apesar do desinteresse das autoridades”.
Mas não é só saudosismo. Assim como a citada ferrovia, várias outras, poderiam se transformar em fontes importantes de renda e mobilizadoras de turismo e de lazer. Há um grande número de estações ferroviárias que são, em verdade, palácios e imóveis de primoroso gosto arquitetônico. Contudo, várias estão em ruínas.
Não é inteligente destruir ou deixar destruir fontes de renda de uma indústria das quais mais crescem no mundo, o turismo. A elite cultural brasileira viaja para a Europa e Ásia e fica maravilhada com estradas de ferro que percorrem montanhas e vales lindíssimos. Mas, essas mesmas elites viram as costas para igual tesouro que temos no Brasil. Não tem sentido isso!
Mesmo vivendo uma crise conjuntural, não podemos deixar de arregaçar as mangas e mobilizar nossa inteligência para realizarmos um plano de desenvolvimento de nossa malha ferroviária para os próximos 50 anos. Um plano ferroviário que contemple, ao mesmo tempo, o transporte de carga para longas distâncias, de pessoas nas regiões metropolitanas e em microrregiões, o turismo histórico e lazer, isso sem falar nas linhas de alta velocidade e os bondes urbanos. Ou seja, deve contemplar o desenvolvimento de nossa indústria ferroviária e de componentes.
Com isso, vamos descobrir que uma agenda de investimentos nas ferrovias, além de reduzir o “custo Brasil”, irá criar empregos e gerar potencial industrial que alavancará vários outros setores econômicos.

Vicente Vuolo 
Economista - Cientista Político
Analista Legislativo do Senado Federal
Enviado por e-mail  08/05/2015

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dia do Ferroviário

Transportes sobre trilhos

No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.

Vicente Vuolo
Locomotiva Maria Fumaça na Estação da Calçada/CTB
foto - Pregopontocom
O trabalhador ferroviário também tem seu dia. Uma comemoração merecida. É todo 30 de abril. Isso, Porque em 30 de abril de 1854 inaugurou-se a primeira linha ferroviária do Brasil, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis ou como é conhecida hoje, Estrada de Ferro Mauá.
A ferrovia, que tinha cerca de 14 km de trilhos, ligava o Rio de Janeiro a Raiz da Serra, na direção de Petrópolis. Ela foi um empreendimento do empresário Irineu Evangelista de Sousa, que por isso recebeu do governo imperial o título de Barão de Mauá. E a primeira viagem contou com a ilustre presença do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina.
No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.
Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.
Se continuássemos nesse ritmo, priorizando o transporte ferroviário, com certeza o Brasil seria outro. Teríamos certamente, no mínimo, mais de 100 mil quilômetros de linhas férreas, as pessoas já estariam viajando no trem-bala bem como as cargas a longa distância estariam sendo transportadas em comboios de 100 vagões com 12 mil toneladas. Além disso, as cidades teriam um transporte público de qualidade com metrôs, VLTs e trem de superfície.
Mas, infelizmente, o Brasil seguiu outro caminho. Preferiu adotar uma política de sucateamento das ferrovias e retirada de trilhos. Incentivou-se a indústria automobilística, isso fez as cidades entupirem-se de carros e ônibus; só se construiu estradas, priorizou-se o asfalto, incentivando o consumo desenfreado de petróleo. O final da década de 1950 e as décadas seguintes entorpeceram as mentes dos brasileiros e passamos a acreditar na miragem dos pneus e dos carros. Tão entorpecidos ficamos que até hoje não acreditamos que esta foi uma política suicida e que está paralisando as vidas urbanas e inviabilizando os fretes de mercadorias. De geração em geração, vamos empurrando problemas aos nossos filhos.
Hoje é cada vez maior o número de pessoas que percebem que as consequências foram desastrosas para a nossa economia e para o país. Aumento da poluição, engarrafamentos, stress, acidentes, fretes, pedágios, consumo de gasolina, diesel, alto custo de manutenção das rodovias – quase sempre esburacadas – e crise generalizada todos os anos com manifestações de caminhoneiros, nas estradas, e de usuários de transporte público, nas cidades contra as péssimas condições de mobilidade urbana.
Portanto, o dia do ferroviário poderia ter sido celebrado de forma diferente do que hoje comemoramos: extinção da Rede Ferroviária Nacional, trem-bala parado, ferrovia Rondonópolis - Cuiabá paralisada (projeto desde 1974), VLT de Cuiabá sem perspectiva de entrega das obras, falta de um Plano Nacional Ferroviário, orçamento pífio para construção de ferrovias.
Os ferroviários no Brasil podem ser vistos como heróis, já que não recebem a devida importância do poder público há mais de 60 anos. Assim como também o são os poucos políticos ferroviários que ousam defender esse meio de transporte, como aconteceu na Sessão Solene na Câmara dos Deputados esta semana solicitada pelo Deputado Júlio Lopes (RJ) e com apenas mais dois Deputados presentes (Gonzaga Patriota - PE e Mauro Pereira - RS).
Nas últimas décadas, a tendência à redução dos investimentos em ferrovias começou a ser revertida, porém ainda são insuficientes os recursos privados e estatais direcionados ao setor. E novamente estamos, literalmente, perdendo o “bonde da história”. O mundo todo já voltou a reconhecer as linhas férreas como solução, e nós ainda patinamos na ilusão de que carros e caminhões são sinônimos de progresso.
Nesse dia, saúdo os ferroviários, os que trabalham nas ferrovias e os que sonham com um Brasil colocado nos trilhos.
Vicente Vuolo - Economista, cientista político e analista legislativo do senado federal.
Fonte - Revista Ferroviária  30/04/2015

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