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domingo, 1 de setembro de 2024

As ferrovias transportam produtos a um custo mais baixo e são menos poluentes”,

Transportes sobre trilhos  🚂

“As ferrovias transportam produtos a um custo mais baixo e são menos poluentes”, diz secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro. O setor de ferrovias tem um papel fundamental no contexto da infraestrutura sustentável. É um modal capaz de transportar carga a custo logístico mais baixo, ao mesmo tempo em que as locomotivas carregam esses produtos emitindo menos gases poluentes.

Ministério dos Transportes-ABIFER
foto - ilustração/arquivo
Como os investimentos na expansão do setor ferroviário de cargas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável do Brasil? Esse foi o tema do VIII Brasil nos Trilhos – Sustentabilidade em Movimento, que aconteceu nesta terça-feira (27). O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, foi um dos palestrantes. “O setor de ferrovias tem um papel fundamental no contexto da infraestrutura sustentável. É um modal capaz de transportar carga a custo logístico mais baixo, o empresário paga um frete mais barato, ao mesmo tempo em que as locomotivas carregam esses produtos emitindo menos gases poluentes”, explicou ele. Ribeiro acrescenta ainda que a parceria entre o Governo Federal e a iniciativa privada é fundamental para a expansão das ferrovias no país. “Estamos estruturando projetos que levam em conta não só questões econômicas, como também ambientais”, resumiu. O secretário-executivo da pasta, George Santoro, participou da abertura do evento. “Já temos 8 contratos de concessões ferroviárias em andamento, alguns até prontos, em fase de validação, para iniciarmos uma grande carteira de leilões ferroviários”, afirmou. “E, paralelamente a isso, estamos trabalhando para melhorar as formas de desenvolver locomotivas com biodiesel ou outras soluções que possam emitir menos carbono”, concluiu Santoro. Participaram também do evento executivos das maiores operadoras ferroviárias do país, além de representantes do Ministério da Fazenda, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Paixão pelos trilhos “Quando eu nasci meu pai já era ferroviário. A vida inteira a ferrovia faz parte da minha vida”, conta o inspetor de tração André Luiz Almeida, funcionário da empresa VLI. Nessa função, ele acompanha a circulação de trens nos pátios ao longo da linha e orienta equipes de maquinistas e operadores de manobras. André está entre os 66 mil trabalhadores que atuam na indústria ferroviária brasileira, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer). “Acabei de fazer 21 anos no setor e sinto muito orgulho. Sinônimo de trem para mim é a transformação da logística”, ressalta. Ele trabalha no chamado Corredor Sudeste, que passa pelo Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e vai até o interior de São Paulo. Por ali passam produtos como grãos, açúcar, fertilizantes, fosfato e enxofre. Para se ter uma dimensão do volume escoado pelas ferrovias brasileiras, a movimentação de cargas transportadas em 2023 registrou uma alta de 6% em comparação com o ano de 2022, cerca de 530,6 milhões de toneladas. Os dados estão disponíveis no Anuário Estatístico produzido pelo Observatório Nacional de Transporte e Logística.. Com o Novo PAC, os projetos ferroviários foram elencados como prioridade pelo Governo Federal, e contam com um investimento previsto de R$94,2 bilhões até 2026. “O modal ferroviário por si só já é o debate central sobre sustentabilidade e infraestrutura de transportes, seja pela sua capacidade de substituir modais com emissões muito mais expressivas, seja pelas pequenas faixas de desmatamento para implantação, o que impacta menos os territórios”, avalia o subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides. 
Fonte - ABIFER  29/08/2024

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Ampliar o uso das ferrovias

Transportes sobre trilhos  🚄🚃🚃🚃

O atual modelo de concessões, que não incentiva a ampliação do transporte de cargas e passageiros, pode ser renovado por mais 40 anos.Segundo o presidente da Ferrofrente, José Manoel Ferreira Gonçalves, o Brasil possui 8.534 km de ferrovias abandonadas, 51.530 km de ferrovias planejadas e somente pouco mais de 10.000 km de ferrovias em operação.O especialista defende que os processos de concessões em andamento sejam revistos ou paralisados, para que o assunto seja discutido em audiências públicas que apontem um modelo de integração das ferrovias, com direito de passagem garantido para cargas e passageiros.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Apenas um quinto das ferrovias do Brasil estão ativas ou precariamente ativadas, e o atual modelo de concessões, que não incentiva a ampliação do transporte de cargas e passageiros, pode ser renovado por mais 40 anos. Mas o presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente), José Manoel Ferreira Gonçalves, tem alternativas para resolver esse impasse, afirma. Tais soluções, informa ele, serão apresentadas, em 5 de junho, em São Carlos (SP), durante o 2º Conexidades – Encontro Nacional de Parceiros Públicos e Privados, evento promovido pela União de Vereadores de São Paulo e dedicado à gestão pública, que reúne autoridades e dirigentes governamentais.
Hoje, informa Gonçalves, o Brasil possui 8.534 km de ferrovias abandonadas, 51.530 km de ferrovias planejadas e somente pouco mais de 10.000 km de ferrovias em operação. Doutor em engenharia de produção e mestre em engenharia civil, o especialista defende que os processos de concessões em andamento sejam revistos ou paralisados, para que o assunto seja discutido em audiências públicas que apontem um modelo de integração das ferrovias, com direito de passagem garantido para cargas e passageiros.

Ele diz:
"O cenário é de predomínio de duas empresas que detém as concessões atuais das maiores ferrovias, o que prejudica qualquer plano de integração das linhas férreas. O sonho de que a ferrovia possa levar passageiros de Norte a Sul do país, e de que outras empresas consigam transportar matéria-prima e produtos a partir dos trilhos continuará distante. O que é lamentável, diante das crises de transporte que estamos enfrentando a partir de paralisações provocadas por caminhoneiros."
Em São Paulo, por exemplo, a Ferrofrente contesta a renovação do contrato da malha paulista, pois entende que isso acaba com a possibilidade de transporte de passageiros no estado.
Fonte - Portogente  31/05/2019

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Por aqui passou um trem

Transporte sobre trilhos  🚄🚃🚃🚃

Estima-se que por um pouco mais de quatro décadas o trem de passageiros Estrela do Norte deixou de circular entre Salvador(BA) e Aracaju(SE) chegando até Propiá(SE) as margens do Rio São Francisco.A 14 anos atrás,em meados de 2004,ainda ficaram alguns trens transportando cargas de minério de ferro,petróleo,grãos e madeira. Em 2007 a FCA,concessionária da ferrovia, parou de transportar combustíveis para Sergipe e em 2013 todo transporte de cargas neste ramal foi suspenso definitivamente pela operadora com o ultimo trem partindo de Aracaju transportando vagões de combustíveis.A ferrovia hoje completamente abandonada vai se degradando sem receber manutenção. A privatização da malha ferroviária brasileira não só promoveu o sucateamento da mesma como também uma drástica redução da sua extensão.

Pregopontocom

Foto - Joelson William/Antiga Estação de trens de Acajutiba BA




Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba













Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba

Foto - Joelsom William/Acajutiba
Foto - Joelsom William/Acajutiba














Foto - Joelsom William/Acajutiba
Colaborou para essa matéria  Joelsom William/Acajutiba BA
Pregopontocom  28/08/2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Ferrovias: prorrogação inconstitucional

Transportes sobre trilhos   🚄🚃🚃🚃

Para o presidente da FerroFrente, não é possível continuar administrando a questão dos transportes a toque de caixa “pois isso só interessa às empresas que hoje representam esse monopólio improdutivo”. “Existem soluções para o desenvolvimento de um modelo nacional de transporte realmente eficiente, a favor do País e não de duas ou três empresas que hoje monopolizam o setor e acabam sendo as únicas beneficiadas pela MP e pela Lei”, salientou José Manoel.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
No início da noite desta segunda-feira (13/08), o presidente da Frente Nacional Pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, fez questão de entrar em contato com a equipe jornalística do Portogente para dizer que a Lei 13.334/2016, do já governo Temer, foi considerada inconstitucional pela Procuradora-Geral da República Raquel Dodge baseando-se em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5684 que a entidade entrou há um ano e meio. “Existem soluções para o desenvolvimento de um modelo nacional de transporte realmente eficiente, a favor do País e não de duas ou três empresas que hoje monopolizam o setor e acabam sendo as únicas beneficiadas pela MP e pela Lei”, salientou José Manoel.
A FerroFrente e a Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários comemoram a decisão pela inconstitucionalidade da Medida Provisória (MP) 752 e da Lei 13.334/2016, que estabelece diretrizes gerais para a prorrogação antecipada de contratos de concessão ferroviária, conforme proposta enviada pelas duas entidades
Para o presidente da FerroFrente, não é possível continuar administrando a questão dos transportes a toque de caixa “pois isso só interessa às empresas que hoje representam esse monopólio improdutivo”. E prosseguiu:“Elas ameaçam o País afirmando que sem a MP e a Lei, o Brasil para e isso não é verdade. O Brasil está parando justamente pela falta de projetos que beneficiem a todos os brasileiros, como bem observou a procuradora.” Por fim, disse que existem bons projetos, assim como o capital para torná-los realidade.
Fonte - Portogente  15/08/2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Alimento e saúde do povo não podem ser reféns das rodovias

Transportes & Logstica  🚚 🚄

É uma irresponsabilidade histórica sujeitar a sexta maior população do Planeta à insegurança alimentar resultante do desabastecimento provocado pela paralisação de um único setor de atividade. Com a frota de caminhões inerte e obstruindo vias, houve falência instantânea da logística de distribuição de produtos agropecuários e da agroindústria. Colocou-se em alto risco o fornecimento de gêneros de primeira necessidade, além do grande prejuízo relativo à interrupção da produção das fábricas

João Guilherme Sabino Ometto*
foto - ilustração/arquivo
A greve dos caminhoneiros, independentemente das causas e da razoabilidade de sua justificativa, escancarou o grave problema inerente ao desenvolvimento da estrutura nacional de transportes. Ao desprezar a construção de ferrovias e hidrovias, em todo o século passado e nas duas primeiras décadas do presente, tornamo-nos reféns do modal rodoviário, algo inconcebível, em especial num país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 209 milhões de habitantes, segundo a mais recente projeção demográfica do IBGE.
É uma irresponsabilidade histórica sujeitar a sexta maior população do Planeta à insegurança alimentar resultante do desabastecimento provocado pela paralisação de um único setor de atividade. Com a frota de caminhões inerte e obstruindo vias, houve falência instantânea da logística de distribuição de produtos agropecuários e da agroindústria. Colocou-se em alto risco o fornecimento de gêneros de primeira necessidade, além do grande prejuízo relativo à interrupção da produção das fábricas, por falta de matéria-prima, dificuldade de reposição dos estoques de medicamentos no sistema hospitalar, voos suspensos em aeroportos nos quais os combustíveis acabaram, bombas vazias nos postos e todo um povo coibido em seu direito constitucional de ir e vir.
Os caminhoneiros prestam relevantes serviços ao País, que depende deles para movimentar a economia. Por isso, seria importante que fizessem reflexão mais serena sobre sua responsabilidade perante a Nação. Contudo, o maior problema não está no seu protesto e na forma como o externam, mas sim na incapacidade logística de prover as cadeias de suprimento.
O Brasil priorizou no Século XX o modal rodoviário e automotivo. As ferrovias, muito ao contrário do que deveria ocorrer e na contramão do mundo, foram quase extintas. Há muito tempo, não existem sequer trens de passageiros. Tivemos, desde a redemocratização em 1985 e, principalmente após o Plano Real, em 1994, que modernizou a economia, quase 30 anos para corrigir os rumos do desenvolvimento da infraestrutura de transportes. Mas, nada foi feito. As parcerias público-privadas, alternativa inteligente para investimentos em linhas férreas, hidrovias, portos e aeroportos, mal saíram do papel. Insegurança jurídica, cláusulas pouco atrativas à iniciativa privada e mudança contínua das regras do jogo afugentaram o aporte de capitais.
Para se ter ideia de como o Brasil tem sido incompetente na modernização da infraestrutura, eis um exemplo didático: a complexa construção do Eurotúnel, numa extensão de 50,5 quilômetros sob o mar, demorou apenas oito anos, entre a sanção do decreto franco-britânico autorizando a obra no Canal da Mancha, em 1986, e a sua inauguração, em 1994. Solucionou-se, assim, um grande gargalo logístico. Contraponto: a ligação ferroviária expressa entre o centro da cidade de São Paulo e o Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, foi anunciada em 2002 e, depois, novamente, em 2007 e em 2009. Jamais se construiu. Optou-se, somente em 2011, por um prolongamento da linha da CPTM, inaugurado em 2018...
Ao longo do tempo, há numerosos empreendimentos frustrados, como o trem de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo e "sonhos" de hidrovias modernas que jamais saíram do papel. Apesar de nossas abundantes bacias hidrográficas, optou-se pela construção de rodovias ironicamente paralelas a rios navegáveis. Além da ausência de modais mais baratos e menos poluentes para a movimentação de cargas e pessoas, parte expressiva da malha rodoviária encontra-se em situação precária.
A deficiência logística prejudica os produtores rurais, inclusive os pequenos e médios, e o agronegócio, ameaça a segurança alimentar e a saúde, barra exportações, limita o crescimento do PIB e causa danos aos setores produtivos e à sociedade. Portanto, dotar o País de ampla e eficaz rede ferroviária e hidroviária é prioridade absoluta do presidente da República, governadores e parlamentares a serem eleitos nas eleições de outubro próximo.
Com vontade política e a oferta de parcerias público-privadas economicamente viáveis, poderemos ter avanço expressivo nos transportes em apenas uma década.
*João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP), é presidente do Conselho de Administração da São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA)
Fonte - Portogente   01/06/2018

quinta-feira, 31 de maio de 2018

O Brasil precisa investir mais em ferrovias

Transportes sobre trilhos  🚄🚃  🚇

Tanto para cargas quanto para passageiros, ficou comprovado que o transporte sobre trilhos é mais eficiente e barato. Nas cidades operadas por VLTs, trens e metrôs houve aumento natural da demanda durante a crise, mas a população ao menos conseguiu seguir para seus destinos de maneira rápida e segura. 

Por CBTU
foto - ilustração/arquivo
Diante do caos estabelecido no país após dias de greve dos caminhoneiros, o investimento em ferrovias voltou ao debate público. Tanto para cargas quanto para passageiros, ficou comprovado que o transporte sobre trilhos é mais eficiente e barato. Nas cidades operadas por VLTs🚄, trens🚃 e metrôs🚇, houve aumento natural da demanda durante a crise, mas a população ao menos conseguiu seguir para seus destinos de maneira rápida e segura.
Nos últimos anos, o país passou a se movimentar mais sobre trilhos. O transporte de cargas em 2017 registrou um recorde com 503 toneladas úteis, 29,3% superior ao volume de 2007 e quase o dobro do registrado em 1997. A soja e o minério de ferro são os produtos responsáveis por alavancar esses números para cima, e são fundamentais para a economia do Brasil
Um trem pode transportar a carga de até 220 caminhões. Um único carro de metrô tem capacidade para 250 passageiros. Para levar esse mesmo número de pessoas, seriam necessários três ônibus ou 50 carros em um trânsito geralmente carregado. A capacidade é, sem dúvida, a vantagem mais visível do transporte sobre trilhos. Por isso, o investimento no setor é visto como um dos principais caminhos para transformar o país, seja no escoamento dos produtos ou na mobilidade das grandes cidades. Apesar disso, o total de linhas de metrô no Brasil é de pouco mais de 300 quilômetros em todas as cidades. Só em Londres, por exemplo, são 402 quilômetros.
“O transporte ferroviário é mais rápido, seguro, percorre grandes distâncias com baixo consumo de energia e impacto ambiental. Os trens transportam um grande volume de pessoas e, por trafegarem em vias exclusivas, desafogam o trânsito, sendo uma grande alternativa para a mobilidade”, lembra José Marques Lima, diretor-presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos.

Dependência de caminhões
No caso de mercadorias, ele é o mais recomendado para escoar a produção em longas distâncias, ideal para as dimensões continentais como é o caso do Brasil. Um trem com duas locomotivas e 96 vagões carrega 8.400 toneladas de carga. Para o mesmo volume, seriam necessários 220 caminhões bitrens, o maior veículo de carga rodoviário que não necessita de autorização especial.
O investimento no setor também traz ganhos ambientais para o país. Isso porque esse modal tem alta capacidade, baixa retenção de trânsito e vias de circulação com baixo atrito. Conforme a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, apesar de carregar 25% das cargas do país, o transporte ferroviário é responsável por apenas 2,2% das emissões do setor de transportes. Como se pode ver, os trilhos têm a capacidade de transformar o Brasil. Mais do que nunca, é hora desse debate ganhar destaque na elaboração de políticas públicas de mobilidade.
Fonte - CBTU  30/05/2018

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Em Crise de Combustível, Cadê o Transporte Sobre Trilhos?

Transportes sobre trilhos  🚄  🚇

Hoje, não há opção para uma mobilidade adequada sem combustível para carros e ônibus. Cadê o metrô nessa hora? Onde estão as estações de trem metropolitano ou de VLT para garantir a locomoção dos milhões de trabalhadores, das crianças que querem ir para escola ou das pessoas que precisam utilizar os hospitais? Em cidades mais desenvolvidas o transporte metroferroviário de passageiros responde, em média, por 40% a 45% dos deslocamentos diários da população nos centros urbanos, enquanto que no Brasil esse tipo de transporte responde por menos de 7% dos deslocamentos. 

Por Roberta Marchesi* - ANPTrilhos
foto - ilustração/arquivo
Desabastecimento em larga escala, enormes filas nos postos de gasolina, suspensão de aulas escolares, mercados com prateleiras vazias, desespero em busca de mobilidade. Imagens da manifestação pela redução do preço do diesel, mas que evidenciam o quanto a mobilidade urbana é dependente do combustível fóssil.
Hoje, não há opção para uma mobilidade adequada sem combustível para carros e ônibus. Cadê o metrô nessa hora? Onde estão as estações de trem metropolitano ou de VLT para garantir a locomoção dos milhões de trabalhadores, das crianças que querem ir para escola ou das pessoas que precisam utilizar os hospitais? Em cidades mais desenvolvidas o transporte metroferroviário de passageiros responde, em média, por 40% a 45% dos deslocamentos diários da população nos centros urbanos, enquanto que no Brasil esse tipo de transporte responde por menos de 7% dos deslocamentos. Nas cidades onde a nossa malha é um pouco mais desenvolvida, como Rio de Janeiro ou São Paulo, o transporte sobre trilhos não chega a representar 20% dos deslocamentos diários, percentual muito baixo para o tamanho e densidade de nossas cidades.
Investir em transporte de passageiros sobre trilhos gera benefícios que vão muito além do transporte em si. A utilização de trens, metrôs e VLTs contribui para amenizar os congestionamentos, para a reduzir o número de acidentes de trânsito e os custos com internações hospitalares. Investir em transporte sobre trilhos é investir no meio ambiente, reduzindo o uso de combustíveis fósseis, a poluição atmosférica e a poluição sonora. Investir em trilhos é investir no cidadão, disponibilizando um sistema de transporte seguro, rápido e eficiente e garantindo, a cada um de seus usuários, mais tempo para lazer, estudo ou família. Investir em trilhos é aumentar o PIB brasileiro, pois o tempo perdido na ineficiência da mobilidade poderia movimentar a Economia do País.
A manifestação ora travada pelos caminhoneiros possibilita evidenciar que não se pode mais pensar em mobilidade tendo como única alternativa os sistemas dependentes de combustíveis fósseis. É fundamental dotar nossas cidades de uma rede integrada de transporte, que utilize os sistemas sobre trilhos como estruturadores dos grandes fluxos urbanos.
Em tempos de período eleitoral é essencial que os candidatos à Presidência da República e aos governos Estaduais incluam em suas agendas, como prioridade, ações efetivas em mobilidade urbana sobre trilhos. É preciso ter coragem para quebrar velhos padrões e assumir uma política pública inovadora para o setor, para que possam a vir a deixar um importante legado para os cidadãos.
Fica a dica!

* Roberta Marchesi é Superintendente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos),  Mestre em Economia e Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento e Logística.
Da ANPTrilhos via e-mail 25/05/2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

Ferrovias: cadê a boa regulação?

Ponto de Vista  🚄🚃🚃🚃

Um sinal inequívoco de que a agência regula mal e não atende satisfatoriamente aos interesses nacionais.É nesse clima que se discute a renovação das concessões ferroviárias cujo contrato ainda restam seis anos para concluir. Sem perguntar o que farão com as linhas que as concessionárias abandonaram. Hoje utilizam somente 15.000 km dos quase 30.000 km concessionados.

Portogente
foto - ilustração
O relatório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a Evolução do Transporte Ferroviário parece o mito da pílula dourada quando comparada com a realidade das ferrovias brasileiras. Um sinal inequívoco de que a agência regula mal e não atende satisfatoriamente aos interesses nacionais.
É nesse clima que se discute a renovação das concessões ferroviárias cujo contrato ainda restam seis anos para concluir. Sem perguntar o que farão com as linhas que as concessionárias abandonaram. Hoje utilizam somente 15.000 km dos quase 30.000 km concessionados.
Contratos simples, sem investimentos previstos, contribuem para quase metade dos trechos de linha concessionados estarem abandonados. Como meta têm que aumentar o transporte e reduzir o acidente, fins que vêm sendo perseguidos por meios sem controle nem regulamentação. Dobraram o transporte sobrecarregando as linhas principais.
Reduziram o número de acidentes nos cruzamentos com as rodovias, mas não se conseguiu a redução dos acidentes em razão da má conservação da via sobrelotada. Dessa forma, desgastam as linhas principais até o sabugo, razão pela qual as velocidades caíram bastante. O que aponta a falta de manutenção.Se chineses e russos podem sinalizar uma alternativa de competitividade e de investimentos, são poucas as chances de conseguirem entrar nesse hermético mercado. Recente episódio envolvendo outra agência reguladora, a Antaq, alerta para se investigar porque a ANTT fecha os olhos ao abandono de linhas e permitiu que se delapidasse o patrimônio da antiga Rede Federal Ferroviária (RFFSA).
Parece que a lei do movimento e da renovação encontra pouca aplicabilidade às agências reguladoras brasileiras. Falta regulação e sobeja poder político. E toda vez que se põe luz na produtividade nacional, aparece anarquizada a relação entre produção, circulação e distribuição. Até quando?
Fonte - Portogente  22/03/2018

domingo, 17 de dezembro de 2017

Decretada morte do sistema ferroviário em Goiás

Ferrovias  🚄

O modal que nunca recebeu a devida atenção em Goiás, nas duas últimas décadas, agonizava e a fim, agora, bate as portas.A Ferrovia Centro Atlântica é administrada pela empresa Valor Logística Integrado que é uma subsidiária da Vale. De forma unilateral, desrespeitando normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa simplesmente encerrou este tipo de transporte.

Diário de Goiás - RF
foto - ilustração
Com a recente notícia de que foi suspenso em Goiás o transporte de contêineres na Ferrovia Centro Atlântica, pode-se dizer que foi decretada a morte do sistema ferroviário no estado. O modal que nunca recebeu a devida atenção em Goiás, nas duas últimas décadas, agonizava e a fim, agora, bate as portas.
A Ferrovia Centro Atlântica é administrada pela empresa Valor Logística Integrado que é uma subsidiária da Vale. De forma unilateral, desrespeitando normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a empresa simplesmente encerrou este tipo de transporte.
Bastava observar por alguns minutos em pátios ferroviários como o de Anápolis, ou Leopoldo de Bulhões, ou ainda de Ipameri para perceber que há, sim, um grande volume transportado de cargas por meio de contêineres. Agora, o resultado é que mais carga terá de ser levada e trazida por meio das rodovias, o que pode encarecer o preço do frete e potencializar mais acidentes nas estradas.
Na ferrovia manterá apenas o transporte de bens agrícolas, ou seja, vai diminuir a quantidade de carga levada de Goiás para outras regiões ou recebidas de outras localidades para nosso estado. Não haverá a mesma regularidade, pois o transporte dependerá da safra de grãos.
Ainda será transportada uma pequena quantidade de combustível, um pequeno óleo grosso que chega a Goiânia. Com menor volume, no futuro, a empresa poderá dizer que o trecho não é lucrativo e encerrar as atividades em Goiás.

História
Vale ressaltar que, em 2005, em Goiânia, a empresa FCA, que antecedeu a VLI, mas que também é do grupo Vale, de forma unilateral suspendeu o transporte de uma série de materiais, incluindo trigo que era utilizado pela empresa Moinho Goiás. Com isso, trens passaram a circular somente até a entrada de Goiânia. Pouco tempo depois a União tomou a concessão naquele trecho e autorizou a Prefeitura de Goiânia a aproveitar o leito da ferrovia para construir a Avenida Leste Oeste.
Aos poucos a ferrovia morre, se as autoridades goianas não abrirem o olho, principalmente as que têm representatividade na conhecida “Região da Estrada de Ferro”, poderemos dar adeus a esta centenária estrada de ferro, em breve. A antiga Estrada de Ferro de Goyaz ficará em um tempo não muito distante, abandonada, como muitas ferrovias estão pelo Brasil afora.
Fonte - Revista Ferroviária  16/12/2017

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Problemas de sinalização agravam acidentes com trens em Curitiba

Ferrovias   🚄

Muito além do barulho causado pelo passar dos vagões, é na coexistência de carros e trens que reside a maior preocupação no trânsito em vários bairros de Curitiba.Segundo a legislação brasileira, a sinalização ferroviária é obrigatória. As chamadas passagens em nível devem ser indicadas com faixas no chão, placas e sinais luminosos. Em alguns casos, cancelas e alertas sonoros também podem ser instalados para evitar acidentes.

Gazeta do Povo
cavok.com
O acidente envolvendo um carro e um trem na região do Cabral na última terça-feira (03) reacendeu a velha discussão a falta de segurança nas regiões próximas à linha férrea. Muito além do barulho causado pelo passar dos vagões, é na coexistência de carros e trens que reside a maior preocupação no trânsito em vários bairros de Curitiba.
E esse não é um problema exclusivo da cidade. Dados da Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que, entre janeiro e outubro de 2017, foram 60 acidentes ferroviários no Paraná. Na capital, já foram seis casos registrados — incluindo com um óbito, no bairro Uberaba.
Em maio, duas ocorrências no mesmo dia comprovam que acidentes com trens são realmente mais comuns do que se imagina. Ambos os casos envolvendo carros e composições – os chamados abalroamentos – aconteceram em cruzamentos de Pinhais, na RMC, no último mês de maio.
E quem passa por situações assim não esquece. Em 2003, o taxista Maximiliano José teve o carro arrastado enquanto cruzava a linha férrea em Piraquara. O automóvel no qual ele estava morreu sobre os trilhos e ele teve que sair às pressas do veículo junto com a filha. “Foi o tempo exato de saltar pra fora do carro em meio ao som da buzina do trem e dos gritos da minha filha”, relembra. Segundo ele, o carro foi arrastado por cerca de 10 metros e foi completamente destruído.

Problemas de sinalização
Segundo a legislação brasileira, a sinalização ferroviária é obrigatória. As chamadas passagens em nível devem ser indicadas com faixas no chão, placas e sinais luminosos. Em alguns casos, cancelas e alertas sonoros também podem ser instalados para evitar acidentes.
O problema é que, na prática, essa sinalização não funciona tão bem assim. Por falta de manutenção, a indicação se torna confusa e muitos motoristas acabam se arriscando. Um exemplo é a esquina das ruas Marechal Deodoro e Padre Germano Mayer, no Alto da XV, onde as luzes vermelhas piscam sem parar, dando a entender que o trem pode passar a qualquer momento. Situação semelhante acontece em trechos próximos, como na Rua Francisco Alves Guimarães.
Já a algumas quadras de distância, na esquina das ruas Fernandes de Barros e Conselheiro Carrão, essa iluminação está sempre desligada. Na mesma região, na Rua Jaime Balão, um carro foi atingido por um trem no último mês de setembro após o alerta sonoro não ter funcionado. A motorista só percebeu a aproximação dos vagões quando viu a locomotiva vindo em sua direção.

Velho problema
A discussão de soluções para o problema vai desde a instalação de cancelas antes do acesso aos trilhos, até a construção de um anel ferroviário que desvie a malha do perímetro urbano. Na Câmara Municipal de Curitiba os debates têm ultrapassado a questão da segurança, chegando também a abordar outros fatores como o barulho das composições, e o incômodo causado pela passagem dos trens em determinadas horas do dia.
Ao todo, mais de 15 propostas relativas ao tema já foram apresentadas nos últimos 10 anos. A mais recente é de maio deste ano, na qual o vereador Jairo Marcelino (PSD) propôs que a passagem dos trens pela cidade fosse permitida somente após as 9h, devido ao barulho. A questão segue em discussão e a empresa responsável pela exploração ferroviária no Paraná, Rumo (antiga ALL), mantém a circulação irrestrita.
Instalação de cancelas e limite de horário para passagens de trens pela cidade estão entre as propostas em discussão.
Por meio de nota, a companhia informa que tem seguido todas as normas vigentes e que “procura causar o menor impacto possível à população”. A empresa reforça que é obrigação legal da administração pública, por meio dos órgãos ou entidades de trânsito, implantar, manter e operar o sistema de sinalização, os dispositivos e os equipamentos de controle viário; que a ferrovia é sempre preferencial; e que deixar de parar o veículo antes de transpor linha férrea é infração gravíssima, prevista em lei e sujeito a multa.
Quanto à instalação de cancelas para segurança, a Rumo afirmou que é feita “de acordo com estudos realizados individualmente em cada passagem em nível, que determinam se há necessidade do dispositivo”. A empresa salienta que as cancelas não são consideradas uma forma de sinalização totalmente segura e que já propôs ao município a formação de um comitê para discutir o assunto.
Já a prefeitura de Curitiba afirmou que a Superintendência de Trânsito de Curitiba tem debatido a questão com a Rumo e que realizou uma reunião na semana passada para tratar do assunto e discutir alterações nas sinalizações das passagens de nível, levando em conta o aumento do fluxo de carros e de trens pela cidade, registrado nos últimos anos.
A partir daí, segundo a administração municipal, a intenção é firmar um novo convênio entre as partes. A Superintendência de Trânsito orienta o motorista a parar o veículo em todo o cruzamento com a linha férrea e olhar para ambos os lados para se certificar de que não há nenhuma composição de vagões se aproximando, antes de atravessá-la.
Fonte - Revista Ferroviária  09/10/2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Semana da Tecnologia Metroferroviária acontece dia 19 de setembro em SP

Transportes sobre trilhos  🚄  🚇

Em sua 23ª edição, o evento é consolidado no setor como o mais importante de toda a América Latina, reunindo diversos engenheiros, consultores e executivos para discutir os entraves da mobilidade urbana e transporte público. 

Abifer
foto - ilustração/arquivo - Metrô de Salvador
A Semana de Tecnologia Metroferroviaria e o Metroferr acontecem no próximo dia 19 de setembro, em São Paulo, no Campus Paraíso da Universidade Paulista (UNIP). Em sua 23ª edição, o evento é consolidado no setor como o mais importante de toda a América Latina, reunindo diversos engenheiros, consultores e executivos para discutir os entraves da mobilidade urbana e transporte público.
Desenvolvida e criada pela AEAMESP, a Semana de Tecnologia Metroferroviária deste ano tem como tema central “+Trilhos+Desenvolvimento”, que se refere ao desenvolvimento urbano e econômico causado pela expansão da malha metroferroviária, tanto de passageiros quanto de cargas.
Na cerimônia de abertura da 23ª SEMANA DE TECNOLOGIA METROFERROVIÁRIA, no dia 19 das 14h às 15h40, serão conhecidos os vencedores do 4º Prêmio Tecnologia & Desenvolvimento Metroferroviários ANPTrilhos-CBTU, que é uma iniciativa da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), com apoio da AEAMESP.
Com informações da Abifer  11/09/2017

sábado, 26 de agosto de 2017

Mobilidade inteligente

Mobilidade  🚌<>🚇<>🚄

Nos tempos atuais as pessoas demandam rastreamento e previsibilidade. Onde está meu produto agora. Onde está o ônibus ou o trem que vou tomar agora? Como está o tráfego em meu caminho agora? A sociedade da informação em que vivemos demanda respostas pragmáticas e, fundamentalmente, rápidas.

Jorge Martins Secall* - Portogente
foto - ilustração
Da mesma forma que conceitos estão sendo transformados pela nossa atual era da informação, mobilidade deixou de ser uma terminologia técnica e se tornou necessidade essencial da sociedade, seja na locomoção de pessoas ou de coisas.
Isso está no cerne da discussão que propomos: a maior preocupação das pessoas pode ser resumida no conceito de transporte porta a porta: Quanto levarei da cadeira em minha casa até a minha cadeira no escritório? Este tempo é previsível? Confiável? Quanto tempo levará o produto que acabei de comprar na internet para estar em minhas mãos?
Nos tempos atuais as pessoas demandam rastreamento e previsibilidade. Onde está meu produto agora. Onde está o ônibus ou o trem que vou tomar agora? Como está o tráfego em meu caminho agora? A sociedade da informação em que vivemos demanda respostas pragmáticas e, fundamentalmente, rápidas.
Por outro lado os técnicos, imersos em suas tecnicalidades, têm a tendência de defender seus pontos de vista como ideias únicas. Somos frequentemente inundados com debates acalorados do tipo o BRT é melhor do que o metrô, ou os VLTs é que funcionam e os monotrilhos são uma experiência para parques de diversões. Discussões que não logram sucesso no lugar comum, nem na engenharia.
Para conduzir o raciocínio de aqui por diante vamos assumir que, em seus fundamentos, a logística de cargas e o deslocamento de pessoas sejam situações análogas. Isso posto, há duas maneiras distintas de considerar sistemas de transportes: uma é a demanda reativa e a outra é a demanda induzida.
Na ação reativa as pessoas e os bens já estão em seus lugares e as necessidades de deslocamento podem ser mapeadas. Para passageiros realizam-se as pesquisas de origem-destino. Para as mercadorias, sejam commodities ou cargas gerais, estabelecem-se centros de atração e se avaliam suas capacidades de captação.
A partir desses dados são estabelecidas as demandas esperadas e é possível fazer projeções temporais com elas, em horizontes pré-estabelecidos. Uma vez conhecidas as demandas é possível dimensionar sistemas de transporte capazes de atendê-las e, só nesse momento, eleger os mais adequados. Uma vez escolhido o modelo físico é que passa a fazer sentido escolher entre os diversos modais possíveis.
Se a demanda projetada é de 60 mil passageiros/hora/sentido há poucas situações que não demandem uma linha de metrô pesado. Demandas inferiores a dois ou três mil passageiros por hora/sentido podem perfeitamente ser atendidas por peruas, micro-ônibus, carros particulares ou bicicletas. Cada modal tem espaço na matriz de transporte, se esta for cuidadosamente planejada.
Na logística de cargas as ferrovias, hidrovias, navegação de cabotagem ou simples caminhões também têm todos o seu espaço dentro de um planejamento adequado. Entretanto, não há sentido algum em transportar eletrodomésticos fabricados no Paraná para o Ceará em pequenos caminhões. Nem em fazer um trem de alta velocidade entre São Paulo e Campinas.
Guardadas as proporções, esses sistemas reativos têm sido utilizados historicamente no Brasil com relativo sucesso. Sua maior deficiência talvez esteja na consideração sempre muito primitiva das demandas induzidas, aquelas produzidas pelo próprio sistema de transporte.
foto - ilustração
Por exemplo, se um trem intercidades for concebido conectando o metrô de metrópoles como São Paulo ou o Rio – polos de atração de trabalho – aos subúrbios distantes, com boa qualidade de vida, há uma importante possibilidade de que pessoas se mudem para essas áreas em busca de melhores condições para viver. Assim, se uma ferrovia de carga for implantada em área de produção rural é provável que produtores se mudem para lá em busca de condições mais adequadas para o escoamento de seus produtos.
A conclusão a que se chega, e que tem sido esquecida pelos planejadores de transporte do nosso País, é a de que se os vetores de transporte têm a capacidade de induzir modificações no ambiente, estes podem, ao mesmo tempo, a ser usados como vetores de indução do planejamento organizado dos municípios, dos estados e do País.
O uso inteligente do transporte permite, no médio e longo prazo, soluções como centros de trabalho e de moradia onde não há nada, conectados por uma linha de metrô, por exemplo. Pessoas e empresas serão atraídas para esses polos e serão criados bolsões de desenvolvimento coordenado e sustentável. Na logística de mercadorias o raciocínio é o mesmo.
As reações das pessoas e da cadeia logística são motivadas exclusivamente pela disponibilização de meios capazes de fazer a vida mais lógica, organizada e sustentável. Essas situações são inevitavelmente mais baratas no custo ponderado, e este é outro fator fundamental na motivação dos processos migratórios.
Não resta dúvida de que o emprego correto e organizado desses mecanismos pode levar à transformação efetiva dos espaços, induzindo o desenvolvimento e o planejamento sustentado, e o futuro trará certamente maiores transformações nos espaços.
Não é preciso um grande exercício de reflexão para entender que é isso o que deseja uma sociedade que considera com naturalidade a introdução de veículos autônomos como os da Google ou Uber no horizonte alcançável por todos nós.
Se o conservadorismo não for abandonado no planejamento e no projeto dos meios de transporte estes serão ultrapassados por visões modernas, muito mais centradas nas necessidades das pessoas do que nos meios em si mesmos.
*Jorge Martins Secall é consultor especializado em sistemas ferroviários
Fonte - Portogente  25/08/2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Carga Geral nos Trilhos

Transportes sobre trilhos  🚄🚃🚃

Os trens chegavam às estações nas diversas cidades, nos horários estabelecidos e as cargas e encomendas eram transferidas para os armazéns existentes ao lado das plataformas de embarque/desembarque de passageiros.O transporte porta-a-porta se consolidou em contraposição à modalidade "retira" que foi dominante no período do transporte ferroviário (praticamente toda a primeira metade do século XX e ainda parte dos anos 60).

Paulo Westmann - Intelog
foto - ilustração/arquivo
As más notícias sobre o roubo de carga, longe de serem novas, ainda surpreendem pela ousadia e o crescimento de ocorrências. Trata-se de modalidade de crime que se estrutura à medida em que o comércio e, em especial, o eletrônico atende demandas exigentes nas compras pela Internet.
O transporte porta-a-porta se consolidou em contraposição à modalidade "retira" que foi dominante no período do transporte ferroviário (praticamente toda a primeira metade do século XX e ainda parte dos anos 60).
Os trens chegavam às estações nas diversas cidades, nos horários estabelecidos e as cargas e encomendas eram transferidas para os armazéns existentes ao lado das plataformas de embarque/desembarque de passageiros.
Ao logo do dia e, nos horários mais convenientes, os destinatários retiravam as mercadorias e as levavam para os seus destinos finais, abastecendo o comércio a indústria disponibilizando praticamente tudo o que as cidades e suas populações precisavam.
O crescimento da indústria automobilística e a ampliação e modernização da malha viária proporcionaram o transporte rodoviário (cargas e passageiros) tornando-o a opção mais vantajosa.
No Brasil os modais ferroviário e rodoviário entraram em competição disputando a eficiência das entregas com prazos e custos.
O ferroviário, mais lento e menos competitivo, entrou em colapso que desembocou num acumulo sucessivo de prejuízos e déficits incontroláveis abrindo as portas para o processo de concessões para grupos privados a partir de 1996.
As concessões decretaram o fim do transporte de passageiros em linhas de média e longa distância e esses trens (que sempre tiveram vagões para carga geral) simplesmente sumiram.
Centenas de cidades nos estados brasileiros abandonaram as suas estações ferroviárias e os armazéns adjacentes se transformaram em escombros e zonas deterioradas.
Com o advento do transporte rodoviário as cidades se adaptaram em conviver com os ônibus e caminhões e praticamente tudo o que o trem fazia passou a ser feito sob pneus.
Nesses vinte e tantos anos de concessões o trem se transformou num modal para o transporte heavy haul (grandes volumes de mercadorias e produtos em trens de alta tecnologia para commodities destinadas principalmente à exportação) .
Os trilhos que serpenteavam as cidades foram desativados, assim como as sua infraestrutura.
Entretanto, a exaustão desse modelo de interligar todas as cidades do País através de veículos automotores já dá sinais de estar ocorrendo.
Chegar ao centro do Rio de Janeiro ou de São Paulo, ou de Belo Horizonte, para ficar apenas nos casos mais conhecidos não é tarefa das mais fáceis.
Além das dificuldades de trânsito congestionado, o crescimento dos roubos de carga se converteram num pesadelo inimaginável.
Trânsito lento e congestionado e veículos entalados nesses engarrafamentos são vítimas indefesas dos bandidos.
As transportadoras comerciais ajustaram as suas viagens de maneira a dificultar as ações por esses motivos, mas a própria natureza do caminhão e de sua versatilidade facilita que se cometam os crimes utilizando o próprio caminhão para levar o material roubado aos locais de maior segurança para a desova e partilha dos roubos.
Os ladrões evoluíram muito e dispõem de tecnologia para bloquear os sinais dos alarmes (Jamer é um desses aparelhos capazes de neutralizar tais alarmes) e aprimoraram e refinaram os crimes de forma a enquadra-los "tão somente" como crimes contra o patrimônio de menor gravidade que os de assalto a mão armada com o sequestro de pessoas (no caso motoristas e ajudantes).
A rapidez com que se cometem os crimes e se comercializam o seus produtos tornou o roubo de carga um negócio atrativo e de grandes margens de lucro para as quadrilhas especializadas.
A impunidade se encarregou de conferir a esse tipo de ação, numa modalidade "interessante" para os criminosos, para se dizer o mínimo.
A leitura dos jornais indica que cada etapa do processo está estrategicamente segmentada.
Assim, existem especialistas em selecionar o tipo de mercadoria que tem viabilidade de ser roubada; as abordagens e interceptação dos veículos; o bloqueio dos alarmes eletrônicos realizadas cirurgicamente e as descargas, rápidas e seguras... e por aí vai.
Essa especialização conta com a cobertura de "empresários" que se incumbem da comercialização dos produtos através de documentação "falsa" mas que dá a aparência legal para todo o processo. Conta com autoridades de diversos poderes que atuam de forma conivente beneficiando-se da partilha dos lucros obtidos.
O transporte de passageiros e de carga geral nos trens sempre foi parte do transporte e opção simples e confiável para esse tipo de operação. Os trens mistos transportavam a carga geral e a correspondência existindo, na maior parte das vezes, o vagão do "correio".
As concessões das ferrovias escantearam tanto os passageiros quanto as cargas. E o transporte de minérios, grãos, petróleo, açúcar e cargas massivas e homogêneas ocuparam totalmente a capacidade das ferrovias de forma que nunca mais foram lembrados.
As concessões ferroviárias, da forma em que foram feitas, não levam em conta diversas questões inerentes ao trem, como a segurança proporcionada por essa modalidade de transporte.
Os roubos em ferrovias também existiam, mas numa proporção bem pequena se comprado ao que se verifica nas estatísticas atuais.
Uma conta rápida mostra que os roubos de cargas subtraem valores significativos do transporte e do comércio e da economia como um todo.
Esses valores gastos em seguros, tecnologia eletrônica embarcada nos veículos, reforço de vigilância armada poderiam ser utilizados para "financiar" parte do transporte ferroviário de carga geral que é menos suscetível de roubos e que pode ser melhor protegido por sistemas de contêineres de aço em vagões projetados com essas especificações.
Mais: os trens chegam ao centro das grandes cidades e (no Brasil e no mundo) dali podem, com menores riscos e custos, chegar aos seus destinos ou até serem retirados por seus destinatários em pequenos embarques.
Será inevitável que essas questões sejam estudadas por ocasião da renovação dos contratos de concessão ferroviária.
Diferentemente dos transporte de passageiros a carga geral poderia ser transferida com prioridade entre localidades de média e longa distância e redespachada para o destino final a partir de polos regionais de onde partiriam para os destinos finais através de caminhões.
Se os empresários do transporte rodoviário fossem estimulados e incentivados a participar desses processos certamente apresentariam contribuições valiosas sobre a forma de viabilizar isso.
O transporte de carga geral sobre trilhos não poderá ser simplesmente retomado assumindo as mesmas premissas existentes à época em que a ferrovia foi abandonada.
Entretanto, o modal rodoviário assimilou as tecnologias surgidas nesses últimos tempos e não teria dificuldade em aplica-las ao transporte ferroviário de cargas.
Dentre as considerações e questionamentos em discussão na renovação dos contratos de concessão ferroviária está a devolução de milhares de quilômetros de trilhos que não interessam às ferrovias que operam heavy haul.
O mundo já se encarregou de "experimentar "esse cenário de ferrovias envelhecidas, sem manutenção e deficitárias. Há 20 anos nos Estados Unidos e talvez por essa mesma época na Europa e dai surgiram as Short Lines, que, totalizam mais de 2 mil empreendimentos privados na operação de ferrovias e que assumiram ramais, pequenas linhas e em alguns casos até malhas inteiras e as transformaram em negócios viáveis e lucrativos.

Nem sempre o poder público e as grandes organizações conseguem dar eficiência a negócios que funcionam melhor com estruturas mínimas, compartilhamento de material rodante, processos inovadores e criativos capazes de arrancar "leite das pedras", ou seja: podem voltar a operar adequando-se às demandas cuidadosamente analisadas.
Nos jornais da última semana aparecem notícias de que a Rumo estaria oferecendo a Malha Sul das suas ferrovias para os chineses... mas só depois de resolver a "Malha Paulista" (a verdadeira Joia da coroa).
Vale a pena refletir: se isso pode ser bom para os chineses porque não seria bom para os empreendedores do Brasil?
A carga geral não poderá ser deixada fora dos trilhos seja por questões de economia, de política ou apenas porque não existem mais opções viáveis para o seu transporte, de forma "combo" (palavra da moda) custo X segurança X prazos com o rodoviário sobre pneus.
Manter as cidades abastecidas pode ser mais do que simplesmente um raciocínio aritmético.
Fonte - Abifer  31/07/2017

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sinara e CRRC (Russia e China) criam "joint venture" para produzir TAVs e trens de carga na Russia

Transportes sobre trilhos  🚅

O acordo baseia-se em um memorando de entendimento que foi assinado no ano passado e prevê a produção conjunta na Rússia de vários tipos de trens de passageiros e  de cargas,incluindo composições de alta velocidade capazes de ultrapassarem os 300 km/h para uso nos 770 km da Linha de alta velocidade proposta,ligando Moscou a Kazan .

Da Railway Gazette
Railway Gazette
Os presidentes dos grupos Sinara da Rússia e CRRC Changchun da China assinaram em 04 de julho um acordo para criação de uma "joint venture" de transporte ferroviário,Sinara-CRRC Rail Transport, com a presença dos presidentes da Russia Vladimir Putin e Xi Jinping da China, que se encontrava em uma visita de Estado na Rússia .
O acordo baseia-se em um memorando de entendimento que foi assinado no ano passado e prevê a produção conjunta na Rússia de vários tipos de trens de passageiros e  de cargas,incluindo composições de alta velocidade (TAV) capazes de ultrapassarem os 300 km/h,para uso nos 770 km da nova linha de alta velocidade que ligará Moscou a Kazan .
O presidente do CRRC Changchun disse que a empresa vê a Rússia como um mercado-chave para o investimento ferroviário de alta velocidade e que está pronto para uma cooperação completa, com base na partilha de conhecimentos, tecnologias e experiência".
Com informações da Railway Gazette  13/07/2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Concessionária ferrovias (Rumo) aumenta importação de trilhos

Ferrovias  🚄

Os trilhos - originários da Áustria, Rússia e Estados Unidos - são para ferrovias de bitola larga (1,6 metro de largura) e estreita (1 metro). O material vai beneficiar a Operação Norte - rota entre Rondonópolis (MT) e o Porto de Santos (SP) - e a Operação Sul, que atende toda a Região Sul do País.

Portogente
Divulgação/ortogente
A concessionária de ferrovias Rumo aumentou a importação de trilhos para a manutenção das linhas férreas que administra. As importações de 2017 somam 41 mil toneladas de material, que junto com 28 mil toneladas previstas para 2018 totalizam 71 mil toneladas.
Os trilhos - originários da Áustria, Rússia e Estados Unidos - são para ferrovias de bitola larga (1,6 metro de largura) e estreita (1 metro). O material vai beneficiar a Operação Norte - rota entre Rondonópolis (MT) e o Porto de Santos (SP) - e a Operação Sul, que atende toda a Região Sul do País.
As cargas chegam pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). O Porto de Santos recebeu 3 mil toneladas de trilhos norte-americanos no primeiro semestre e ainda descarregará mais duas remessas de 7 mil toneladas de trilhos austríacos.
O Porto de Paranaguá já descarregou duas cargas de 7 mil toneladas de trilhos austríacos e 5,8 mil toneladas de trilhos russos. Para dezembro está prevista nova carga de 7 mil toneladas de trilhos austríacos.
Além dessas remessas, mais quatro carregamentos são esperados para 2018: três para o Porto de Santos e um para o Porto de Paranaguá, cada um com 7 mil toneladas de trilhos.
A Rumo administra ferrovias nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Fonte - Portogente  07/07/2017

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bondade nos trilhos

Ferrovias

Sem piedade e dó. Vai de vento e popa as conversações entre governo e o grupo Rumo Logística para prorrogação do contrato atual; isso sem avançar nas discussões de novas concessões ferroviárias.O fato é que um contrato previsto para findar em 2028 é espichado para 2058, sem licitação. Um belo presente de mais 30 anos.

Portogente
foto - ilustração
No Brasil, a máxima "ricos ficam mais ricos e mercados cada vez mais concentrados e com maiores barreiras de entrada" é para valer mesmo. Sem piedade e dó. Vai de vento e popa as conversações entre governo e o grupo Rumo Logística para prorrogação do contrato atual; isso sem avançar nas discussões de novas concessões ferroviárias. A observação para tal sucesso é que isso é melhor que a estagnação.
O fato é que um contrato previsto para findar em 2028 é espichado para 2058, sem licitação. Um belo presente de mais 30 anos. Não se pode acrescentar sequer ums vírgula na prorrogação para não alterar contrato em vigor; todavia, o investimento de R$ 8 bilhões prometidos pela concessionária pode passar de três anos para cinco anos.
A malha ferroviária em poder da Rumo é de 12 mil quilômetros, de Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos (SP).
Fonte - Portogente  22/08/2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

China e Peru aprovam ferrovia Transoceânica

Ferrovias

A ferrovia sairá do Oceano Atlântico, no Estado do Rio de Janeiro e se estenderá por 4,4 mil quilômetros até o Oceano Pacífico, no Peru, passando pelos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Representantes da China e Peru participaram, na Prefeitura de Cuiabá (MT), da apresentação do projeto de construção da Ferrovia Transoceânica. A ferrovia sairá do Oceano Atlântico, no Estado do Rio de Janeiro e se estenderá por 4,4 mil quilômetros até o Oceano Pacífico, no Peru, passando pelos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre.
A meta é de reduzir distâncias e custos de transporte, entre os países envolvidos, sendo os aspectos financeiros, econômicos, de meio ambiente, de produção, demanda, mercado e de logística, entre outros, como ponto base para construção.
O grupo, durante apresentação, ainda frisou a importância da consolidação da ferrovia para a economia do país e o Estado de Mato Grosso, como também os benefícios fiscais e aduaneiros nas importações e exportações. “A construção do eixo de comércio entre os países envolverá, se concretizado, segundo os representantes, transações bilionárias de produtos para mais de 1,6 bilhão de pessoas - um quarto da população do planeta”, apontou o grupo formato pelos engenheiros chinês Yang Jinjun e os peruanos Enrique Aldave e Jorge Jesus Urtiz.
Fonte - Portogente  18/08/2016

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Estudos de demanda na Ferrovia Norte-Sul

Ferrovias 🚅

A Ferrovia Norte-Sul (151) liga o país do Pará ao Rio Grande do Sul, contendo 4.155,6 quilômetros de extensão. Foi projetada para se tornar a espinha dorsal do transporte ferroviário do Brasil, integrando de maneira estratégica o território nacional e beneficiando a logística de movimentação de cargas no país.

Portogente
foto ilustração/arquivo
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) abre, nesta quarta-feira (29/6), a Tomada de Subsídio nº 001/2016, com o objetivo de receber contribuições para aprimorar o estudo de demanda da Ferrovia Norte-Sul (Tramo Central e Sul), nos trechos Porto Nacional (TO) a Anápolis (GO) e Ouro Verde de Goiás (GO) a Estrela D’Oeste (SP). O envio das sugestões será até as 14h do dia 15/7/2016.
A documentação completa referente ao objeto da tomada está disponível no site da ANTT. Os interessados deverão encaminhar as contribuições por meio de formulário eletrônico, também disponível no site, ou envio para o e-mail ts001_2016@antt.gov.br, e ainda por via postal para o endereço: ANTT - Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), Trecho 3, Polo 8, Projeto Orla, Lote 10, aos cuidados da Sufer.
Ferrovia – A Ferrovia Norte-Sul (151) liga o país do Pará ao Rio Grande do Sul, contendo 4.155,6 quilômetros de extensão. Foi projetada para se tornar a espinha dorsal do transporte ferroviário do Brasil, integrando de maneira estratégica o território nacional e beneficiando a logística de movimentação de cargas no país. A Valec é a empresa que tem a concessão para construção e operação da ferrovia, desde 2006.
O trecho Tramo Sul, de Ouro Verde de Goiás a Estrela D’Oeste, apresenta um avanço físico de cerca de 90% das obras. Já o Tramo Central, de Porto Nacional a Anápolis, foi concluído e possui operação com a movimentação de pequenos volumes de carga.
O estudo de demanda objeto da Tomada de Subsídio apresenta a área de influência da ferrovia, de forma a identificar os fluxos de transporte, o volume e o tipo de cargas, a projeção de demanda entre os anos de 2017 e 2051 e, por fim, a alocação da demanda na ferrovia.
Fonte - Portogente  01/07/2016

terça-feira, 22 de março de 2016

Empresa abandona vagões com carga e fica a um passo de desativar ferrovia

Logística

De acordo com a publicação, 36 vagões carregados de aço estão parados em Bauru (SP), outros 70 vagões em Três Lagoas e mais 11 em Corumbá. Os três carregamentos de produtos siderúrgicos saíram de Bauru para Corumbá.Na portaria da ANTT publicada no Diário da União, a agência afirma que o transporte foi interrompido e estabelece o prazo de 20 dias para que seja entregue ao destino.

Campo Grande News
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A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) obrigou, por meio de medida cautelar, que a Rumo ALL cumpra com as regras definidas em contrato e atenda a Arcelor Mittal, com o transporte de 10 mil toneladas de aço e outros 117 vagões carregados que estão parados nos trilhos.
Na portaria publicada no Diário da União, a agência afirma que o transporte foi interrompido e estabelece prazo para que seja entregue ao destino. Ainda determina que o material seja levado dentro das condições e tarifas estabelecidas no contrato firmado entre a Arcelor Mittal e a Rumo ALL.
De acordo com a publicação, 36 vagões carregados de aço estão parados em Bauru (SP), outros 70 vagões em Três Lagoas e mais 11 em Corumbá. Os três carregamentos de produtos siderúrgicos saíram de Bauru para Corumbá. A empresa tem 20 dias para fazer essa mercadoria chegar ao destino.
A empresa também deve fazer o transporte de outras 10 mil toneladas de aço nos próximos 40 dias. Se não cumprir a medida cautelar, a Rumo ALL será multada e caso se recuse apagá-la, sofrerá medidas extrajudiciais e judiciais. Apesar de publicada, a empresa pode recorrer dessa decisão da ANTT.

Fim concretizado

Se romper o contrato com a Arcelor Mittal, a Rumo ALL estará oficializando o fim das atividades da ferrovia em Mato Grosso do Sul, já que atualmente além destes, ela só trabalha com outros dois contratos. O da Fibria, na exportação de celulose de Três Lagoas (MS) para Santos (SP) e da Vale, das minas de Corumbá até Porto Esperança.
Para tentar evitar que a situação ocorra, o governo do Estado intercedeu junto as duas partes e defende, por meio de nota, que os contratos sejam mantidos, pois este é o único que mantém a ferrovia operando em todo seu trecho e é fundamental para o Estado.
No ano passado, diante das denúncias de que a ferrovia estava sendo desativada, o governo estadual procurou a Rumo ALL e se propôs a realizar um estudo sobre o potencial de cargas para a ferrovia, que foi feito e mostrou que há sim demanda de empresas.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, o que falta para reativar a ferrovia no Estado é investimento por parte da Rumo ALL. "O estudo que fizemos indicam a viabilidade da ferrovia, mas temos que ter investimentos e preços de tarifa competitivas, abaixo do custo de transporte rodoviário".
Ele afirma que a não continuidade deste contrato com a Arcelor Mittal significa a desativação da ferrovia, que trará muitos prejuízos não só para a empresa como para todo o Estado. A Arcelor Mittal é uma grande exportadora de aço e depende do transporte ferroviário para se manter competitiva no mercado.
Para o Estado, a desativação da ferrovia é muito ruim, já que este é um modal importante para o transporte de produtos e influencia muito na tomada de decisões estratégicas de empresas que pretendem se instalar por aqui. "Para nós é fundamental essa operação. A Rumo ALL tem que se posicionar em relação aos investimentos", destaca Jaime.

Dois lados
Em nota a Arcelor Mittal disse que a decisão da ANTT é consequência de um processo administrativo que cobra o cumprimento do contrato com a Rumo ALL, em vigência desde março de 2011, para atender clientes da Bolívia.
A empresa ainda afirma que o contrato foi "interrompido de forma unilateral pela concessionária desde novembro de 2015". E por fim, destaca que "mantém um diálogo de alto nível com a ALL para que encontre uma solução definitiva para a questão".
Por sua vez, a concessionária esclarece que o transporte de cargas não foi interrompido, e que o contrato com a Arcelor Mittal Brasil foi encerrado no dia 28 de fevereiro. "As partes mantêm tratativas visando a possível renovação deste contrato".
Fonte - Revista Ferroviária  21/03/2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

VLI reforça frota de locomotivas na Ferrovia Norte-Sul

Ferrovias

As máquinas do modelo SD70 vão operar na Ferrovia Norte Sul (FNS) e buscam atender ao aumento previsto do volume de produtos movimentados pela empresa no eixo logístico que interliga os estados do Tocantins e Maranhão. 

Burson-Marsteller
Corporate Communications


A VLI, empresa especializada em operações logísticas que integram ferrovias, portos e terminais, desembarcou recentemente doze locomotivas no Porto do Itaqui, em São Luís (MA). As máquinas do modelo SD70 vão operar na Ferrovia Norte Sul (FNS) e buscam atender ao aumento previsto do volume de produtos movimentados pela empresa no eixo logístico que interliga os estados do Tocantins e Maranhão.
Para transportar as locomotivas que agora integram a frota do corredor Centro-Norte, um esquema especial foi montado, envolvendo ferrovia e portos. As locomotivas saíram do interior de São Paulo rumo ao Porto de Santos (SP) rebocadas por trens de carga. Lá, elas foram içadas e embarcadas em um navio com destino ao Porto do Itaqui (MA). Após o desembarque, as máquinas seguiram para uma revisão. Tão logo estejam liberadas, as locomotivas serão incorporadas à atividade ferroviária da Ferrovia Norte Sul, contribuindo para a agilidade no escoamento dos produtos no corredor e possibilitando ganhos em segurança operacional.
A chegada das doze locomotivas faz parte da estratégia da VLI para alavancar o corredor logístico Centro-Norte, impulsionado pelo crescimento da região e pela demanda de transporte ferroviário, principalmente, para grãos. O gerente do corredor, Fabiano Rezende, destacou a complexidade da operação e a importância do investimento realizado pela VLI. “Foi uma operação complexa e muito bem articulada entre a VLI e seus vários fornecedores.
O objetivo maior de trazermos esse reforço de equipamentos é capacitar a Ferrovia Norte Sul para receber o volume dos novos terminais intermodais que vamos inaugurar em breve no Tocantins. Acreditamos no crescimento da região e estamos nos preparando para oferecer a infraestrutura necessária para o escoamento da safra”, afirmou o gerente.

Sobre a VLI
A VLI tem o compromisso de apoiar a transformação da logística no País, por meio da integração de serviços em portos, ferrovias e terminais. A empresa engloba as ferrovias Norte Sul (FNS) e Centro-Atlântica (FCA), além de terminais intermodais, que unem o carregamento e o descarregamento de produtos ao transporte ferroviário, e terminais portuários situados em eixos estratégicos da costa brasileira, tais como em Santos (SP), São Luís (MA) e Vitória (ES). A VLI transporta as riquezas do Brasil por rotas que passam pelas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
Fonte - ABIFER  01/03/2016