UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Ampliar o uso das ferrovias

Transportes sobre trilhos  🚄🚃🚃🚃

O atual modelo de concessões, que não incentiva a ampliação do transporte de cargas e passageiros, pode ser renovado por mais 40 anos.Segundo o presidente da Ferrofrente, José Manoel Ferreira Gonçalves, o Brasil possui 8.534 km de ferrovias abandonadas, 51.530 km de ferrovias planejadas e somente pouco mais de 10.000 km de ferrovias em operação.O especialista defende que os processos de concessões em andamento sejam revistos ou paralisados, para que o assunto seja discutido em audiências públicas que apontem um modelo de integração das ferrovias, com direito de passagem garantido para cargas e passageiros.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Apenas um quinto das ferrovias do Brasil estão ativas ou precariamente ativadas, e o atual modelo de concessões, que não incentiva a ampliação do transporte de cargas e passageiros, pode ser renovado por mais 40 anos. Mas o presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente), José Manoel Ferreira Gonçalves, tem alternativas para resolver esse impasse, afirma. Tais soluções, informa ele, serão apresentadas, em 5 de junho, em São Carlos (SP), durante o 2º Conexidades – Encontro Nacional de Parceiros Públicos e Privados, evento promovido pela União de Vereadores de São Paulo e dedicado à gestão pública, que reúne autoridades e dirigentes governamentais.
Hoje, informa Gonçalves, o Brasil possui 8.534 km de ferrovias abandonadas, 51.530 km de ferrovias planejadas e somente pouco mais de 10.000 km de ferrovias em operação. Doutor em engenharia de produção e mestre em engenharia civil, o especialista defende que os processos de concessões em andamento sejam revistos ou paralisados, para que o assunto seja discutido em audiências públicas que apontem um modelo de integração das ferrovias, com direito de passagem garantido para cargas e passageiros.

Ele diz:
"O cenário é de predomínio de duas empresas que detém as concessões atuais das maiores ferrovias, o que prejudica qualquer plano de integração das linhas férreas. O sonho de que a ferrovia possa levar passageiros de Norte a Sul do país, e de que outras empresas consigam transportar matéria-prima e produtos a partir dos trilhos continuará distante. O que é lamentável, diante das crises de transporte que estamos enfrentando a partir de paralisações provocadas por caminhoneiros."
Em São Paulo, por exemplo, a Ferrofrente contesta a renovação do contrato da malha paulista, pois entende que isso acaba com a possibilidade de transporte de passageiros no estado.
Fonte - Portogente  31/05/2019

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Temer não pode descarrilar o Brasil com leilão e renovação antecipada de ferrovias

Ponto de Vista  🚄

O Brasil carece de uma estratégia logística de Estado para tornar o País menos caro internamente e mais competitivo no comércio internacional. No entanto, estes movimentos relacionados às ferrovias parecem atender somente aos interesses do atual Governo e de seus apoiadores.

Bruno Merlin - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Neste Brasil rodoviarista e de logística ineficiente, preocupam como estão sendo conduzidos o leilão de um trecho de 682 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul entre Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela D’Oeste (SP) e a autorização para antecipar a renovação da concessão das ferrovias Carajás, no Pará, e Vitória-Minas, no Espírito Santo, ambas administradas pela Vale. Estes processos estão tramitando de modo obscuro e são comandados pela cúpula do governo impopular de Michel Temer (MDB), em seus últimos meses no Palácio do Planalto. O Brasil carece de uma estratégia logística de Estado para tornar o País menos caro internamente e mais competitivo no comércio internacional. No entanto, estes movimentos relacionados às ferrovias parecem atender somente aos interesses do atual Governo e de seus apoiadores.
O trecho Sul da Ferrovia Norte-Sul é essencial para tornar mais ágil o escoamento do agronegócio brasileiro e tem 90% de suas obras concluídas financiadas com investimentos do Poder Público. O Governo Federal projeta um lance mínimo de R$ 1,097 bilhão pela concessão, que seria feita período de 30 anos. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) produziu relatório alertando que a licitação é "economicamente inviável para novos entrantes" no setor ferroviário. Entre os argumentos apontados pela equipe técnica do TCU está a problemática questão do direito de passagem dos trens da futura concessionária da Norte-Sul pelos trilhos de outras operadoras que dão acesso aos portos marítimos de Itaqui (MA) e de Santos (SP). O TCU sugere, ainda, que a ANTT "se abstenha" de publicar o edital definitivo enquanto não esclarecer "como pretende atuar no caso de conflito entre concessionárias por eventual ausência de capacidade das ferrovias" pelas quais as composições terão que passar para ter acesso aos portos.
A Ferrovia Norte-Sul foi projetada para para ligar Vila do Conde, no Pará, a Rio Grande, no Rio Grande do Sul. As obras, todavia, se arrastam há 30 anos e a futura concessionária pode se deparar com a necessidade de troca de trilhos e dormentes, mesmo nunca utilizados. O TCU protocolou cerca de 40 processos em andamento ligados a irregularidades na construção da Ferrovia, dos quais 23 são referentes à recuperação para os cofres públicos de quantias pagas indevidamente.


Neste mesmo ambiente de incertezas, a renovação antecipada das ferrovias da Vale no Espírito Santo e no Pará tem sido alvo de pedidos de suspensão dos processos. Os governadores Simão Jatene (PSDB-PA) e Paulo Hartung (PMDB-ES) redigiram um ofício em conjunto para Temer alegando causar "estranheza, para dizer o mínimo, o processo antecipado, em quase dez anos, de renovação das concessões sem a observância dos ritos legais previstos na Lei 13.448/2017. Não se conhece os estudos técnicos prévios que fundamentam a vantagem da prorrogação do contrato sem licitação, não houve consulta pública nas regiões interessadas e muito menos a aprovação prévia por parte do Tribunal de Contas da União”. A renovação, em si, não é o problema, mas a falta de transparência, os valores estabelecidos, o destino do dinheiro e as regras da interoperabilidade colocam em xeque a intenção do Planalto.
Neste cenário, desperta atenção os custos questionáveis da renovação, com a Ferrovia de Integração do Centro Oeste - com 300 km de extensão - sendo estimada em R$ 4 bilhões e a Ferrovia Carajás - de 896 km de extensão - estimada em R$ 8,9 bilhões. A pressa em realizar essa antecipação é suspeita por não apresentar estudos técnicos prévios que fundamentam a vantagem da prorrogação do contrato sem licitação.
Ao governo de Michel Temer, marcado por baixa popularidade e denúncias de corrupção, falta a obrigatória credibilidade para mudar a regra de um jogo que define a linha de desenvolvimento de regiões com enorme potencial econômico e de importante papel para o Brasil no quadro geoeconômico mundial. Principalmente por estarmos a seis meses de um novo governo que será escolhido nas urnas.
Fonte - Portogente  31/07/2018

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

MPF emite alerta sobre concessões de ferrovias

Ferrovias  🚃

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ontem à noite, em ofício encaminhado para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que ela se abstenha de assinar aditivos com prorrogações para "quaisquer contratos" no setor de ferrovias.Na prática, a correspondência serve como um alerta claro do MPF de que haverá judicialização em torno do assunto caso a agência reguladora siga adiante com o processo.

Valor Econômico - RF
foto - ilustração/arquivo
A renovação antecipada das concessões de ferrovias - medida com que o governo promete destravar R$ 25 bilhões em investimentos - enfrenta um novo obstáculo. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ontem à noite, em ofício encaminhado para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que ela se abstenha de assinar aditivos com prorrogações para "quaisquer contratos" no setor.
Na prática, a correspondência serve como um alerta claro do MPF de que haverá judicialização em torno do assunto caso a agência reguladora siga adiante com o processo. Os procuradores da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR), que trata de direitos do consumidor e da ordem econômica, deram prazo de dez dias úteis para manifestação da ANTT.
As concessões atuais expiram na próxima década. O governo abriu negociações para estender, por 30 anos, os contratos com cinco empresas: Rumo Malha Paulista, MRS Logística, Estrada de Ferro Vitória-Minas, Estrada de Ferro Carajás (EFC) e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A Malha Sul, também operada pela Rumo, deve entrar brevemente na lista.
O Palácio do Planalto vê esse processo como uma oportunidade para desengavetar investimentos de expansão da rede, que praticamente não sai do lugar desde sua transferência à iniciativa privada, nos anos 90. Obras como o Ferroanel de São Paulo, o contorno ferroviário de Belo Horizonte e o trecho Rio-Porto do Açu (RJ) são algumas apostas do governo. O mercado vem trabalhando com a expectativa de que o primeiro aditivo contratual, referente à Malha Paulista da Rumo, possa sair ainda neste ano.
O ofício do MPF, ao qual o Valor teve acesso, enfatiza duas recomendações. Primeira: a ANTT deve evitar a assinatura das prorrogações até "manifestação conclusiva" do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o pleito de cada concessionária. Segunda: uma vez demonstrado o atendimento dos requisitos legais e a vantagem de mais prazo sobre uma eventual relicitação dos ativos, espera-se a regularização de passivos, débitos existentes e possíveis descumprimentos contratuais antes de qualquer aditivo.
"Reconhecemos o elevado déficit de infraestrutura logística do país e a importância do investimento privado para enfrentar esse problema. No entanto, defendemos a importância de termos ambiente regulatório estável e com acentuada segurança jurídica para atrair o investimento", diz o procurador José Elaeres Marques Teixeira, que coordena a 3ª CCR do Ministério Público.
Elaeres aponta fragilidades na MP 752, a medida provisória que permite renovar antecipadamente os contratos de ferrovias, convertida em lei pelo Congresso Nacional e sancionada em junho.
"A prorrogação do contrato de concessão de serviço público constitui regra de excepcionalidade", afirma o procurador do MPF. "Muito embora a Lei 13.448 exija a demonstração de vantajosidade da prorrogação antecipada do contrato, em detrimento da realização de uma nova licitação, os critérios objetivos definidos são extremamente mais permissivos do que aqueles previstos para uma concessão ordinária."
O MPF faz ainda várias outras considerações negativas, como o "elevado risco moral e consequente prejuízo que pode advir de uma avaliação fragmentada dos pedidos" feitos pelas concessionárias sob o mesmo grupo controlador, em referência à Rumo. Cita também "problemas relacionados ao modelo de regulação vigente" no país: abandono de trechos ferroviários, tarifas abusivas, lesão ao patrimônio público (bens, histórico e cultural).
Além da cautela adotada pelos procuradores com relação ao assunto, a prorrogação antecipada das concessões de ferrovias é objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pela Ferrofrente - que reúne trabalhadores, usuários e operadores "em defesa" das ferrovias - e pela Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários.
Depois da Malha Paulista, a concessionária com processo mais adiantado na ANTT atualmente é a MRS Logística.
Fonte - Revista Ferroviária  21/09/2017

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bondade nos trilhos

Ferrovias

Sem piedade e dó. Vai de vento e popa as conversações entre governo e o grupo Rumo Logística para prorrogação do contrato atual; isso sem avançar nas discussões de novas concessões ferroviárias.O fato é que um contrato previsto para findar em 2028 é espichado para 2058, sem licitação. Um belo presente de mais 30 anos.

Portogente
foto - ilustração
No Brasil, a máxima "ricos ficam mais ricos e mercados cada vez mais concentrados e com maiores barreiras de entrada" é para valer mesmo. Sem piedade e dó. Vai de vento e popa as conversações entre governo e o grupo Rumo Logística para prorrogação do contrato atual; isso sem avançar nas discussões de novas concessões ferroviárias. A observação para tal sucesso é que isso é melhor que a estagnação.
O fato é que um contrato previsto para findar em 2028 é espichado para 2058, sem licitação. Um belo presente de mais 30 anos. Não se pode acrescentar sequer ums vírgula na prorrogação para não alterar contrato em vigor; todavia, o investimento de R$ 8 bilhões prometidos pela concessionária pode passar de três anos para cinco anos.
A malha ferroviária em poder da Rumo é de 12 mil quilômetros, de Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos (SP).
Fonte - Portogente  22/08/2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Micos para a Infraero

Ponto de Vista

O Estado tem a obrigação de preservar os interesses da sociedade brasileira,e não do mercado.O que dá para conciliar,tudo bem; o que foge a essa convergência, que o povo brasileiro venha em primeiro lugar.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Especulação na imprensa tupiniquim dá conta de que o ministro dos Transportes,Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella,está preocupado com a eventual privatização dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ),que poderia concentrar os terminais aeroviários mais rentáveis nas mãos da iniciativa privada,deixando apenas os deficitários à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Aqui cabem duas observações fundamentais: o processo está nas mãos do governo,se desse jeito não é bom,então que as concessões não sejam feitas.E segundo,os aeroportos classificados,pela imprensa,como "micos" podem ter uma política de valorização e modernização,fugindo da regra do mercado que só investe em negócios rentáveis.O Estado tem a obrigação de preservar os interesses da sociedade brasileira,e não do mercado.O que dá para conciliar,tudo bem;o que foge a essa convergência,que o povo brasileiro venha em primeiro lugar.
Fonte - Portogente   19/08/2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Governo manterá processo de concessões em infraestrutura

Infraestrutura

Segundo o ministro, serão construídos 7.413 km em 17 rodovias entre 2015 e 2018 por meio do Programa de Investimento em Logística (PIL), não necessariamente com concessões à iniciativa privada. Neste ano, haverá o arrendamento de 16 terminais de portos públicos e a conclusão de análise de 41 terminais de uso privado.

Valor Econômico - RF
foto - ilustração
O ministro do Planejamento, Valdir Simão, afirmou ontem que o governo federal pretende dar continuidade ao processo de concessões do setor de infraestrutura à iniciativa privada. Será uma maneira de "escoar a produção" e "conectar o país com o resto do mundo", disse.
Segundo o ministro, serão construídos 7.413 km em 17 rodovias entre 2015 e 2018 por meio do Programa de Investimento em Logística (PIL), não necessariamente com concessões à iniciativa privada. Neste ano, haverá o arrendamento de 16 terminais de portos públicos e a conclusão de análise de 41 terminais de uso privado.
No transporte aéreo, o ministro disse que serão licitados ainda em 2016 quatro aeroportos de capitais: Florianópolis, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza. "Eles estão no TCU aguardando a etapa de consulta pública", disse Simão. Também serão realizados, segundo ele, os leilões de três ferrovias: dois trechos da Norte-Sul e o trecho Lucas do Rio Verde
O governo deve lançar em breve a licitação para arrendamento do terminal portuário de passageiros de Salvador, que teve o estudo aprovado pelo TCU. A licitação não integra o programa de arrendamento de 93 áreas portuárias, específicas para movimentação de cargas.
Segundo o ministro dos Portos, Helder Barbalho, o aval do TCU mostra que outros editais, inclusive do programa de arrendamentos, podem ser lançados mais rapidamente do que se esperava, depois da experiência de dois anos do tribunal com os arrendamentos de 29 áreas nos portos de Santos e do Pará. Para Barbalho, o longo tempo dispensado pelo TCU na análise dos estudos foi fundamental "para eliminar qualquer insegurança jurídica".
Fonte Revista Ferroviária  25/02/2016

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

​Estudos para concessões de aeroportos são entregues ao TCU

Infraestrutura

Essa é a segunda etapa que precisa ser cumprida para realização dos leilões. Os aeroportos que serão concedidos à iniciativa privada são os de Porto Alegre (RS), de Florianópolis (SC), de Fortaleza (CE) e de Salvador (BA).

Agência CNT *
foto -  Infraero
A SAC (Secretaria de Aviação Civil) entregou ao TCU (Tribunal de Contas da União) os EVTAs (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) para as novas concessões aeroportuárias. Essa é a segunda etapa que precisa ser cumprida para realização dos leilões. Os aeroportos que serão concedidos à iniciativa privada são os de Porto Alegre (RS), de Florianópolis (SC), de Fortaleza (CE) e de Salvador (BA).
Cabe ao TCU, agora, analisar e aprovar esses estudos, o que deve levar aproximadamente 45 dias. Depois, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) elaborará o edital e a minuta de contrato, que serão postos em audiência pública antes da publicação.
A expectativa da Secretaria é que os leilões para os aeroportos sejam realizados entre maio e junho de 2016.
*Com informações da SAC
Fonte - Agência CNT de Notícias  21/12/2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Governo quer estender concessões de ferrovias

Infraestrutura

O plano pode gerar até R$ 16 bilhões em melhorias obrigatórias na malha existente em troca da extensão do prazo dos contratos. Agora, a expectativa é que haja uma conclusão das conversas já no ano que vem.

Valor Econômico - RF
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Diante das dificuldades para se fazer novos leilões de ferrovia, o governo federal acelerou a negociação com as atuais concessionárias do setor com o objetivo de impulsionar investimentos. O plano pode gerar até R$ 16 bilhões em melhorias obrigatórias na malha existente em troca da extensão do prazo dos contratos. Agora, a expectativa é que haja uma conclusão das conversas já no ano que vem.
Atualmente, as negociações estão concentradas em três empresas do setor: América Latina Logística (ALL), MRS Logística e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). A intenção do governo é que os investimentos em escala bilionária sejam diluídos ao longo do prazo dos contratos. Esse montante seria usado em ampliação da capacidade do tráfego, em novos pátios, na redução de interferências urbanas, duplicações, construção de novos ramais, instalação de equipamentos de via e sinalização e até em ampliação da frota. Originalmente, os contratos das concessionárias vencem, em maior parte, entre 2026 e 2028.
Maurício Muniz, secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério do Planejamento, afirmou ao Valor que o governo estuda, dentre os projetos apresentados pelas empresas, os que realmente interessam. "Estamos discutindo com cada uma delas, sendo que ALL, MRS e FCA estão em um processo mais avançado. Uma coisa importante é definir quais são os projetos, porque só se justifica a alteração do prazo quando você tem necessidade de novos investimentos", diz.
A ALL, empresa com maior malha do país, anunciou após a fusão com a Rumo Logística (do grupo Cosan), uma proposta de investimentos de R$ 7,4 bilhões, sendo R$ 4,6 bilhões condicionados à extensão contratual. Esse último montante seria desembolsado com a ajuda do BNDES e outras fontes de financiamento de 2017 a 2019 para aumento de capacidade - duplicação de 42 quilômetros do trecho Itirapina-Campinas (SP), ampliação de pátios e aquisição de material rodante (vagões e locomotivas).
Os executivos envolvidos na negociação da fusão declararam, na época, que a extensão contratual era uma parte relevante do plano de negócio voltado à ferrovia. "Estamos discutindo com a ALL. Está avançado", afirma Muniz.
Segundo o secretário, o trabalho é extenso, porque precisa passar por diferentes etapas. "É um ajuste fino. A empresa tem que apresentar um projeto, a agência [Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT] validar, as condições têm que ser repactuadas, elaborar um fluxo de caixa marginal [instrumento que permite aos novos investimentos um retorno diferente das condições originais do contrato], verificar demanda, qual será o prazo.... Algumas avançam rápido e outras demoram mais", afirma. "Mas a previsão é fechar em breve, no ano que vem", diz. Perguntado se as negociações seriam concluídas já no primeiro semestre, Muniz disse que "nem todas".
Para Muniz, o modelo de renegociação dos contratos de ferrovia segue a mesma ideia daqueles já obtidos em outros segmentos, como rodovias e portos. No caso das estradas, grupos de concessão como a Triunfo Participações e Investimentos (TPI) conquistaram aditivos recentemente. A companhia administra a BR-040, entre Rio e Juiz de Fora (MG), e concordou em 2014 em fazer investimentos de R$ 1,16 bilhão em troca da possibilidade de estender o contrato por 17 anos. Outras empresas, como a CCR (que tem Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa entre os controladores), tocam tratativas similares com o governo - no caso, acerca da rodovia Presidente Dutra.
A renegociação com as ferrovias é uma demanda antiga do setor e costuma ser observada de perto por investidores. A presidente Dilma Rousseff costumava ser contrária à ideia de estender os prazos por considerar que os contratos firmados na era Fernando Henrique Cardoso eram monopolistas e dificultavam o acesso de concorrentes à malha existente.
Mas a visão mudou após a constatação que os leilões de novas ferrovias não estão atraindo investidores. O plano de concessões em logística de Dilma foi anunciado em 2012 e, três anos depois, nenhum leilão foi feito - o motivo é a falta de interesse das empresas. No meio deste ano, o programa foi atualizado pelo Planalto. Do pacote de R$ 198,4 bilhões em projetos de investimentos a serem liderados pela iniciativa privada no país, R$ 86,4 bilhões seriam gerados em melhorias nas ferrovias. Mas a incerteza regulatória e o momento ruim da economia continuam atrapalhando o plano de concessões das malhas de ferro.
Fonte - Revista Ferroviária   01/12/2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Governo quer intensificar leilões

Infraestrutura

Anunciado em junho, o PIL 2 projeta estimular investimentos de R$ 198,4 bilhões em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Desse total, R$ 69,2 bilhões devem ser aplicados até 2018. "Estamos chegando ao final da fase de estudos e projetos e notamos um grande interesse por parte dos investidores", diz. 

Valor Econômico - RF
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Os primeiros editais de concessões previstas na segunda etapa do Plano de Investimento em Logística (PIL 2) foram publicados na última semana de outubro. O governo federal prevê leiloar na BM&FBovespa três terminais no Porto de Santos (SP) e um no Porto de Vila do Conde (PA). Maurício Muniz, secretário do Ministério do Planejamento responsável pelo PIL, diz que os próximos meses serão intensos em editais e leilões nas quatro áreas do programa.
Anunciado em junho, o PIL 2 projeta estimular investimentos de R$ 198,4 bilhões em rodovias, ferrovias, aeroportos e portos. Desse total, R$ 69,2 bilhões devem ser aplicados até 2018. "Estamos chegando ao final da fase de estudos e projetos e notamos um grande interesse por parte dos investidores", diz. Segundo Muniz, um indício do interesse da iniciativa privada é o número de empresas que se inscrevem para a modelagem de pelo menos 55 projetos por meio do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Os trabalhos só são remunerados para o vencedor da concessão, caso o leilão seja efetivado. "É uma demonstração de confiança no avanço do PIL."
No modal rodoviário, o PIL 2 prevê a concessão de 7 mil quilômetros em 16 rodovias, gerando R$ 51,4 bilhões em investimentos. A ideia é leiloar quatro rodovias em 2015 e 12 em 2016. Entre as concessões programadas para este ano, está incluído um leilão realizado antes mesmo do anúncio do PIL, o da Ponte Rio-Niterói, ocorrido em março e vencido pela Ecorodovias. Muniz informa que o governo trabalha para publicar até o fim do ano os editais da rodovia BR- 476 (Paraná-Santa Catarina), e de trechos rodoviários das BRs 364/365 (Goiás-Minas Gerais) e BRs 364/060 (Mato Grosso e Goiás). O leilão da BR-163 (Pará), previsto para este ano, deve ficar para o início de 2016.
Os aeroportos que estão previstos para serem privatizados são os de Salvador (BA), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). A previsão de investimentos é de R$ 8,5 bilhões. Muniz diz que os estudos foram concluídos em outubro e estão sob avaliação da Secretaria da
Aviação Civil e devem ser encaminhadas para análise do Tribunal de Contas da União (TCU) no início de 2016. Os editais devem ser publicados no primeiro trimestre. O cronograma, diz Muniz, atenderá uma avaliação da conveniência mercadológica da realização de cada leilão.
Os investimentos em ferrovias somam R$ 86,4 bilhões, sendo quase a metade (R$ 40 bilhões) na chamada Bioceânica, prevista para interligar o Atlântico ao Pacífico, cortando o Brasil e o Peru. Segundo Muniz, os projetos de concessão de quatro trechos ferroviários devem ser encaminhados ao TCU no primeiro semestre de 2016, com publicação de editais prevista para o final do ano.
Os projetos que estão em andamento são para a construção da ferrovia Rio-Vitória, que está em fase final de modelagem. Os estudos de três trechos da Norte-Sul, foram concluídos entre setembro e outubro. São entre Lucas do Rio Verde (MT) e Miritituba (PA); Anápolis (GO), Estrela D'Oeste (SP) e Três Lagoas (MS); e entre Anápolis, Barcarena (PA) e Açailândia (MA).
A concessão dessas ferrovias estava prevista no PIL 1, anunciado em 2012 sem sucesso. Na ocasião, o governo propôs um modelo no qual o vencedor construiria a ferrovia e faria sua manutenção. A remuneração seria feita pela estatal Valec, também responsável pela compra da capacidade de transporte de carga e comercialização do direito de passagem. Sem aceitação no mercado, o governo retomou o modelo antigo, em que o concessionário tem liberdade para comercializar o tráfego.
O consultor especializado em infraestrutura Mauricio Endo, sócio da KPMG, diz que o governo acertou em recuar de sua proposta inicial, por que a ideia de centralizar a comercialização na Valec gerou incertezas. "A Valec é uma estatal que não tem balanço publicado nem receita que garanta o pagamento aos concessionários. Dependeria de repasses do governo federal. E não há certeza em relação a capacidade do governo em transferir os recursos necessários."
Endo avalia que o governo também acertou ao adotar o sistema de outorga onerosa na área portuária. As concessões no setor também não obtiveram sucesso no PIL de 2012 ao tentar estabelecer critérios quantitativos de movimentação de carga e políticas tarifárias. "O governo levou um choque de realidade. Entendeu que as concessões devem seguir a lógica de mercado para atrair o investidor."
O PIL 2 prevê o arrendamento de 50 terminais em portos públicos, com investimentos de R$ 11,9 bilhões. Além dos quatro leilões do dia 9 de dezembro, outros quatro terminais têm aprovação do TCU. Os editais devem ser publicados ainda este ano, sendo três em Outeiro e um em Santarém, no Pará. Está prevista a autorização para a construção de 63 Terminais de Uso Privado (TUPs), com investimentos de R$ 14,7 bilhões e a renovação antecipada de 24 arrendamentos em portos públicos, com investimentos de R$ 10,8 bilhões.
Fonte - Revista Ferroviária  11/11/2015

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ministro dos Transportes detalha nova etapa do PIL para ministro do TCU

Infraestrutura

“Esta reunião deverá impulsionar o processo de concessões em rodovias e ferrovias que tem como finalidade alavancar a economia nacional e aumentar a competitividade do país, além de reduzir os custos de logística para a indústria”, salientou.

Ministério dos Transportes
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O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, reuniram as respectivas equipes técnicas nesta quinta-feira (5/11) no Ministério dos Transportes para detalhar as concessões de rodovias e ferrovias previstas no Programa de Investimentos em Logística (PIL). O encontro teve o objetivo de esclarecer dúvidas dos técnicos do Tribunal na análise dos projetos feita pelo TCU. O ministro Antonio Carlos Rodrigues destacou a importância da parceria entre o Ministério e o Tribunal para dinamizar o programa de concessões. “Esta reunião deverá impulsionar o processo de concessões em rodovias e ferrovias que tem como finalidade alavancar a economia nacional e aumentar a competitividade do país, além de reduzir os custos de logística para a indústria”, salientou.
Para Augusto Nardes, o trabalho conjunto e a eficiência do Ministério dos Transportes e suas vinculadas são essenciais para a integração dos órgãos. “O papel do Tribunal é evitar a burocracia e, de forma preventiva, acelerar os projetos de concessões, tornando o diálogo mais eficiente”, afirmou, ao ressaltar a presteza e a transparência do trabalho que o Ministério dos Transportes demonstra ao TCU.
De um lado da mesa, técnicos do Ministério e da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) apresentaram para a equipe técnica do TCU, responsável pela área de infraestrutura, a situação dos projetos previstos para concessões no PIL. Do outro lado, os técnicos do Tribunal tiveram oportunidade de esclarecer peculiaridades de cada projeto. Entre eles, o lote composto pelas BRs 476/153/282/480, entre Paraná e Santa Catarina, a chamada ‘Rodovia do Frango’, cujos estudos e minuta de edital estão atualmente em análise pelo TCU. Em relação aos lotes das BRs 364/365, entre Goiás e Minas Gerais, e BRs 364/060, em Goiás, as audiências públicas já foram realizadas e os projetos seguirão em breve para o Tribunal. Segundo a equipe do MT e ANTT, estão em ajustes finais os estudos sobre o trecho da BR 163 no Pará entregues ao Ministério por empresas autorizadas, via Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Quanto aos demais 11 lotes previstos pelo PIL, os estudos estão em andamento.
Quanto às ferrovias, os técnicos explicaram que grupo formado pelo Ministério, ANTT e Valec está verificando os estudos feitos por empresas privadas (por PMI), entregues na semana passada, sobre trecho da Ferrovia Norte-Sul (FNS) entre Barcarena(PA) e Ac¸aila^ndia (MA), a ser concedido no mesmo lote do trecho da FNS entre Palmas(TO) e Anapólis(GO), assim como a análise relativa ao trecho de Lucas do Rio Verde (MT) a Miritituba (PA). Também está em fase de estudo a Ferrovia Bioceânica, do Brasil ao Peru. Ainda foi relatado que os estudos sobre o trecho da Ferrovia Norte-Sul entre Estrela D’Oeste-Tre^s Lagoas já foram concluídos para a concessão, a ser leiloada em conjunto com o trecho até Anapólis(GO).
Fonte - ABIFER  05/11/2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Ministro Antonio Carlos Rodrigues apresenta programa de concessões para ministro dos Transportes da Alemanha

Infraestrutura

O ministro Antonio Carlos Rodrigues colocou-se à disposição para expor o Programa a empresários alemães. O ministro Dobrindt ressaltou o interesse da iniciativa privada da Alemanha principalmente em ferrovias no Brasil.

Ministério dos Transportes
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Em reunião na manhã desta quinta-feira (20/8) com o ministro Federal dos Transportes e Infraestrutura Digital da Alemanha, Alexander Dobrindt, o ministro dos Transportes Antonio Carlos Rodrigues apresentou o Programa de Investimentos em Logística (PIL) para concessões de rodovias e ferrovias, com investimentos previstos de R$ 152,5 bilhões da iniciativa privada. “É muito importante para o Brasil contar com a parceria da Alemanha nessa nova etapa do PIL”, disse o ministro brasileiro a Dobrindt, durante encontro no gabinete do Ministério dos Transportes.
O ministro Antonio Carlos Rodrigues colocou-se à disposição para expor o Programa a empresários alemães. O ministro Dobrindt ressaltou o interesse da iniciativa privada da Alemanha principalmente em ferrovias no Brasil.
O ministro dos Transportes destacou ainda para o ministro alemão o projeto de construção da ferrovia Bioceânica, que integrará o Centro-Oeste e o Norte do Brasil até o Peru, servirá de via para o escoamento da produção agrícola aos mercados asiáticos. “Com a ferrovia vamos criar uma rota alternativa de escoamento da produção agrícola do Brasil, pelo Pacífico, sem passar pelo Canal do Panamá”, afirmou Antonio Carlos Rodrigues.
Fonte - ABIFER  20/08/2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Prorrogados os prazos para estudos de concessões de ferrovias

Ferrovias

As portarias 202 e 203 que informam as novas datas foram publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira (10/8).

Ministério dos Transportes
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O Ministério dos Transportes prorrogou os prazos para apresentação dos estudos de viabilidade técnica, via Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), de dois trechos ferroviários a serem concedidos à iniciativa privada, dentro do Programa de Investimento em Logística (PIL). Para o trecho Estrela d’Oeste/SP- Três Lagoas/MS, a nova data é 30 de setembro. Para o trecho da ferrovia entre Lucas do Rio Verde/MT a Miritituba/PA, passando por Sinop/MT, o prazo passou para 31 de outubro.
As portarias 202 e 203 que informam as novas datas foram publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira (10/8). Os dois trechos ferroviários estão na nova etapa do PIL, anunciada em 6 de junho último.
Fonte - Revista Ferroviária  12/08/2015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ministro dos Transportes destaca concessões de ferrovias na Amazônia Legal

Ferrovias

Na segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançada em junho último, “ quatro estados da Amazônia Legal foram contemplados com cerca de 2 mil quilômetros de rodovias e mais de 4,6 mil quilômetros de ferrovias”, ressaltou o ministro. 

Ministério dos Transportes
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Ao participar nesta sexta-feira (24/7) do 11º Fórum dos Governadores da Amazônia Legal, em Manaus (AM), o ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, destacou os investimentos na área de transportes para os estados da Amazônia Legal. Na segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançada em junho último, “ quatro estados da Amazônia Legal foram contemplados com cerca de 2 mil quilômetros de rodovias e mais de 4,6 mil quilômetros de ferrovias”, ressaltou o ministro. Também presentes no encontro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o ministro chefe de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, além de governadores da região. Durante os debates, que envolvem financiamento público da saúde, soluções de logística e outros temas de interesse dos estados que compõem o bloco amazônico, Antonio Carlos Rodrigues expôs os investimentos da iniciativa privada que estão previstos no PIL, já em 2015, como o leilão da BR-163, trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). “Esse leilão envolve recursos de R$ 6,6 bilhões, que serão aplicados em melhoramentos e na duplicação desse importante eixo logístico, estratégico para o escoamento da produção agrícola brasileira”, reafirmou. Para as ferrovias, o ministro destacou os investimentos previstos em três estados da Amazônia Legal incluídos no projeto da Ferrovia Bioceânica. “A Bioceânica permitirá a saída do Brasil para o Oceano Pacífico com efeitos positivos e transformadores para nossa economia”, disse. O trecho brasileiro da Bioceânica deverá ter extensão total de 3,5 mil quilômetros, dos quais quase 3 mil quilômetros ficam na Amazônia Legal, cruzando os estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre”, enfatizou.

PAC
O ministro lembrou também os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que envolve a Amazônia Legal. “Dos projetos do PAC voltados para a região, nove já estão concluídos, como a ponte sobre o Rio Madeira, em Rondônia, e a ponte internacional sobre o Rio Oiapoque, que liga o Amapá à Guiana Francesa”, concluiu.
Fonte - Revista Ferroviária  27/07/2015

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pacote de investimento em ferrovias abre caminho para expansão de fronteiras

Ferrovias

A maior fatia desta segunda etapa do chamado Programa de Investimento em Logística (PIL) foi destinada às ferrovias: são R$ 86,4 bilhões. Tais investimentos sinalizam a possibilidade de expansão dos transportes ferroviários para regiões até então dominadas pelas rodovias, integrando novas fronteiras agrícolas a importantes pontos de escoamento. 

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No último dia 9 de junho, o Governo Federal anunciou um pacote de concessões e investimentos em infraestrutura de valor total estimado em R$ 198,4 bilhões, a serem realizados entre 2015 e 2018. A maior fatia desta segunda etapa do chamado Programa de Investimento em Logística foi destinada às ferrovias: são R$ 86,4 bilhões. Tais investimentos sinalizam a possibilidade de expansão dos transportes ferroviários para regiões até então dominadas pelas rodovias, integrando novas fronteiras agrícolas a importantes pontos de escoamento. A boa notícia veio em uma fase promissora para o transporte ferroviário, marcada por movimentos de consolidação, como, por exemplo, a fusão entre as transportadoras Rumo e ALL, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em fevereiro deste ano. Esse tipo de operação movimenta o setor, gerando demanda por novos equipamentos e impulsionando a modernização das frotas e da malha ferroviária. Estima-se que, nos próximos quatro anos, a nova empresa deverá aportar entre R$ 8 bilhões e R$ 11 bilhões na ampliação e duplicação de trechos e na resolução de gargalos.
Somadas, as forças de investidores públicos e privados colocam o Brasil em um momento único, marcado por perspectivas concretas de conectar o País por meio de estradas de ferro, contando para isso, não só com a ampliação da malha, mas também com a modernização das frotas e com ferramentas que promovem a eficiência na gestão. Vivemos um momento de grande oportunidade, em que os investimentos privados sinalizam a viabilidade competitiva das ferrovias, diz Rogério Mendonça, presidente e CEO da GE Transportation. E o mercado consumidor, representado pelos principais clientes das transportadoras de carga (as empresas), concorda. Uma pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), instalado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que ouviu 126 empresas brasileiras sobre quais seriam as medidas mais efetivas para reduzir custos com logística, apontou sua prioridade número um: 70,7% dos entrevistados disseram que é preciso melhorar a gestão de ferrovias, com integração multimodal.
Após um período de decadência durante os anos 1970 e de modernização de ativos antigos nos anos 1990, asferrovias nacionais viveram um movimento de substituição de frotas, iniciado em 2008, com o objetivo de obter maior eficiência operacional e reduzir o consumo de combustível (responsável por metade do custo operacional). A essa última onda vem se somar a atual que, observados os principais desafios, deve ajudar a minimizar o que até então era um dos principais problemas do setor ferroviário: a falta de regularidade dos investimentos. Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) afirma que o cenário atual aponta na direção contrária devido, principalmente, ao distanciamento de um modelo operacional verticalizado, em que a infraestrutura e atividade transportadora eram tratadas de modo separado. Hoje, a convergência entre modelos promove uma maior eficiência e irá permitir que se possa criar capacidade e condições mais eficazes, diz Abate.
Um dos principais desafios a endereçar é a velocidade de implementação dos projetos. A ausência destes em tempo hábil foi fator preponderante para que a aplicação dos montantes previstos na primeira fase do Programa de Investimento em Logística, lançado em 2012, não tenha se concretizado. Nesta segunda fase, com a segmentação dos investimentos em três blocos, a barreira do timing e da capacidade de atrair interessados em executar os projetos parece ter sido endereçada. Do modo como foi desenhado, o programa aloca recursos tanto para as concessionárias atuais - há R$ 16 bilhões previstos para a compra de equipamentos, melhorias no sistema e eventuais extensões de malha - quanto para novas ferrovias.
Um aspecto interessante no que tange o potencial de atratividade de interessados na execução dos projetos faz parte do segundo bloco de investimentos, que perfaz R$ 30 bilhões: a capacidade de geração de renda no curto a médio prazo. As quatro ferrovias novas a que se destinam irão conectar novas fronteiras agrícolas a novos pontos de escoamento e ampliar a abrangência do modal ferroviário, permitindo que cargas tipicamente ferroviárias (sejam elas de alto volume, alto peso ou que necessitem percorrer grandes distâncias), até então transportadas exclusivamente por outros modais possam se beneficiar da eficiência provida por esse meio de transporte.
Outro desafio importante é o da chamada padronização. O Brasil trabalha com dois padrões de linha férrea, mais conhecidos por suas bitolas - a métrica e a larga. Com um metro de distância entre seus eixos, a bitola métrica ocupa cerca de 80% da malha ferroviária nacional. Também chamada de irlandesa, a bitola larga, com distância de 1,6 metros entre seus eixos, deve predominar nos novos trechos de transporte de carga, ampliando significativamente sua proporção no total da malha brasileira, podendo chegar, segundo estimativas da Abifer, a 50% do total. A padronização é consequência direta de modelos operacionais eficientes, diz Rogério Mendonça, presidente e CEO da GE Transportation.
E a eficiência dos modelos operacionais passa, inevitavelmente, pelo investimento contínuo em novas tecnologias. Nesse sentido, a GE aplica amplos esforços de pesquisa e desenvolvimento aos avanços do setor. Um exemplo de peso é a Locomotiva Evolution ESB43BBI, desenvolvida em intercâmbio pelo time de engenheiros da GE Transportation no Brasil e EUA. Considerando as características predominantes das estradas de ferro brasileiras, a Evolution ESB43BBI foi a primeira locomotiva produzida no País com oito eixos, dois a mais do que o padrão utilizado hoje para este modal, e com corrente alternada, outra novidade para o setor. A Evolution ES43BBi reduz custos operacionais ao duplicar a capacidade de carga e permitir emissão até 80% menor de poluentes. Por sua alta capacidade, proporciona redução de investimento na frota, já que duas ES43BBi podem substituir de três a cinco máquinas com seis eixos.
Outra iniciativa interessante é o Trip Optmizer, um "piloto automático" que proporciona mais eficiência na operação de composições. A partir da análise de fatores como as características do próprio trem de carga e do trajeto a ser percorrido, o software programa o que seria a viagem ideal, tendo em conta a otimização do consumo de combustível e a redução de paradas ou das necessidades de manutenção. Utilizado amplamente nas ferrovias norte-americanas, esse cérebro digital contribui também para a pontualidade e para evitar atrasos, mesmo que alterações de trajeto se façam necessárias.
Para todos os players do segmento, a prioridade é trabalhar efetivamente para que os ganhos tecnológicos que o parque ferroviário brasileiro conquistou nos últimos anos se consolidem e permitam que cada modal possa atuar dentro do seu perfil de carga típica, contribuindo para a eficiência da infraestrutura logística do País. Ao buscar entender de modo contínuo as necessidades do setor, a indústria puxa o processo de inovações, visando garantir que as melhores tecnologias estejam disponíveis no momento preciso de maturidade do mercado, conclui o presidente e CEO da GE Transportation Rogério Mendonça
Fonte - Revista Ferroviária  16/07/2015

quarta-feira, 24 de junho de 2015

PMEs podem faturar R$ 11,8 bi com concessões

Infraestrutura

"Tornar-se fornecedor de uma grande empresa pode ser o caminho para o sucesso dos pequenos negócios. Para tanto, a palavra de ordem é competitividade, atendendo aos requisitos exigidos pelas empresas contratantes, geralmente associados a prazo, preço e qualidade dos produtos e serviços ofertados", disse Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional....

Brasil Econômico - RF
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As micro e pequenas empresas podem faturar R$ 11,8 bilhões com o novo plano de concessões em infraestrutura do governo federal que prevê investimentos em rodovias, ferrovias e aeroportos. Segundo cálculos do Sebrae Nacional, as compras das construtoras costumam representar de 30% a 40% do valor de cada obra e as empresas de pequeno porte podem ter participação de até 30% nesse volume de negócios.
"Tornar-se fornecedor de uma grande empresa pode ser o caminho para o sucesso dos pequenos negócios. Para tanto, a palavra de ordem é competitividade, atendendo aos requisitos exigidos pelas empresas contratantes, geralmente associados a prazo, preço e qualidade dos produtos e serviços ofertados", disse Luiz Barretto, presidente do Sebrae Nacional, mencionando que muitos empreendedores veem no relacionamento com os gigantes do mercado uma oportunidade de crescimento.
De acordo com ele, na área de rodovias, as pequenas empresas podem atuar no fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI), material elétrico e hidráulico, tintas, ferragens, blocos de concreto, cimento, uniformes, ferramentas, transportes de pessoas e materiais, pintura, locação de veículos e maquinário.
Segundo o presidente do Sebrae, há boas oportunidades também na área de varejo dos aeroportos e no fornecimento de serviços de operação aeroportuária. Para exemplificar essa potencialidade de negócios, Barreto cita o Consórcio do Aeroporto de Guarulhos, no qual foram mapeados 104 fornecedores locais na base de compras em 42 categorias de possível fornecimento. O potencial de compra estimado pelo projeto foi de R$ 23 milhões, sendo que R$ 42 milhões já eram comprados localmente pelo aeroporto.
"O Sebrae estuda ampliar a atuação para os demais aeroportos que foram concedidos à iniciativa privada. Nesse sentido, a experiência em Guarulhos é fundamental para gerar conhecimento sobre a inserção competitiva e sustentável de pequenos negócios na cadeia de valor de operações aeroportuárias", acrescentou.
Fonte - Revista Ferroviária  24/06/2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Novas concessões de infraestrutura já têm interessados, afirma Barbosa

Infraestrutura

Ao auditório lotado de empresários, muitos estrangeiros, além de representantes do mercado financeiro e especialistas em infraestrutura, o ministro reforçou mais uma vez que a remuneração dos projetos será compatível com custos e riscos de construção, como adotado no leilão da ponte Rio-Niterói.

Valor Econômico
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Todos os projetos apresentados no âmbito da nova rodada de concessões de infraestrutura do governo têm pelo menos duas empresas que já manifestaram interesse, afirm0ou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, durante evento em São Paulo.
Ressaltando que a principal preocupação do governo "não é arrecadatória", o ministro disse que a maior parte do valor de outorga deve ser embolsada no ano que vem. Ao auditório lotado de empresários, muitos estrangeiros, além de representantes do mercado financeiro e especialistas em infraestrutura, reforçou mais uma vez que a remuneração dos projetos será compatível com custos e riscos de construção, como adotado no leilão da ponte Rio-Niterói.
O realinhamento de preços é uma das partes do equilíbrio macroeconômico e vale não só para combustíveis, mas igualmente para tarifas de concessão, disse o ministro. Para Barbosa, como as concessões serão feitas gradualmente e os estudos estão em andamento, não seria o momento de falar de "estimativas de valor".
O ministro disse que há valor de outorga em aeroportos e em terminais portuários, alguns dos quais já podem ser licitados em 2015. Para este ano estão programadas também quatro licitações de rodovias pelo modelo de menor tarifa. "Em ferrovias, vamos receber os estudos em agosto e, muito provavelmente, a licitação será no ano que vem".
Barbosa sublinhou o que considerou avanço na segunda rodada: a permissão de licitação por outorga, no caso das concessões em portos, e a possibilidade de a participação da Infraero ser inferior a 49% dos projetos nas concessões de aeroportos. "Mais isso é uma coisa a ser decidida lá na frente, dependendo de cada aeroporto." Reconheceu que o modelo anterior para ferrovias se revelou de "difícil execução, seja do ponto de vista regulatório, seja principalmente do ponto de vista fiscal" e, por isso, está sendo aperfeiçoado.
Barbosa admitiu que a taxa Selic está alta para combater os efeitos secundários dos choques de preços relativos, mas disse que ela não interfere no interesse pelos projetos que têm duração de 20 ou 30 anos.
Fonte - Revista Ferroviária  18/06/2015

terça-feira, 9 de junho de 2015

CGU diz que ‘não há impedimento’ para empreiteiras da Lava Jato participarem de concessões

Notícias

A informação foi divulgada no site da Controladoria-Geral da União. ”Há hoje 29 empresas sob processo de responsabilização no âmbito da Lava Jato. E dessas, aproximadamente quatro demonstraram interesse em fazer acordo de leniência e não posso citar nomes pois a Lei garante o sigilo.

Estado de S. Paulo
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O ministro da Controladoria-Geral da União Valdir Simão afirmou nesta segunda-feira, 8, que não há, atualmente, impedimentos legais para que empresas envolvidas no âmbito da Operação Lava Jato participem do processo licitatório sobre concessões que será lançado pelo governo nesta terça-feira, 9. Estima-se que os valores do Plano, que incluirá rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, sejam superiores a R$ 100 bilhões.
A informação foi divulgada no site da Controladoria-Geral da União. ”Há hoje 29 empresas sob processo de responsabilização no âmbito da Lava Jato. E dessas, aproximadamente quatro demonstraram interesse em fazer acordo de leniência e não posso citar nomes pois a Lei garante o sigilo.
Tecnicamente, atualmente, não há impedimento para as empresas participarem de processo licitatório. Somente após a conclusão do processo de responsabilização e sendo punidas é que elas seriam impedidas”, afirmou o ministro Valdir Simão.
As declarações do ministro da CGU foram feitas após lançamento de consulta pública de combate à corrupção. A ação é resultado de um Grupo de Trabalho criado em 25 de março, do qual participam o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Ministério da Justiça (MJ), a Controladoria-Geral da União (CGU), a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O ministro ressaltou que Lei Anticorrupção é seguida com total rigor e é um processo mais célere. ”A Controladoria vai concluir as investigações para somente depois definir culpabilidade, responsabilidade e pena para cada uma dessas empresas, se for o caso. Portanto, não há nenhum impedimento no momento. O processo vai depender de uma série de questões de coletas de provas, mas é um processo muito mais célere que o processo judicial”, ressaltou Simão.
Fonte - Revista Ferroviária  09/06/2015

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Modelo europeu de conseção de ferrovias não é viável, diz especialista

Entrevista

O sistema europeu é parecido com a proposta que estava até poucos meses atrás em debate para ser implementada no Brasil. Em vários países europeus, o Estado assumiu o papel de dono dos trilhos e atuou como distribuidor para operadores independentes. Investidores desenvolveram linhas e tiveram que abrir para outras empresas.

Valor Econômico
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Contratado pelo Banco Mundial para analisar o pacote de concessão de ferrovias que o governo pretende anunciar, em junho, o americano Robert Willig recomendou que o país busque um modelo integrado para o setor com acesso aberto aos produtores e regulação efetiva do direito de passagem, pelo qual uma companhia pode utilizar os trilhos da outra. Professor da Universidade de Princeton e ex¬economista¬chefe do Departamento do Justiça dos EUA, Willig acha que o modelo europeu, que separou donos dos trilhos e operadores, foi uma tragédia e fez com que todos perdessem dinheiro.
O sistema europeu é parecido com a proposta que estava até poucos meses atrás em debate para ser implementada no Brasil. Em vários países europeus, o Estado assumiu o papel de dono dos trilhos e atuou como distribuidor para operadores independentes. Investidores desenvolveram linhas e tiveram que abrir para outras empresas.
No Brasil, a proposta em discussão até o começo do ano foi a de seguir esse modelo, o que implicaria manter a Valec como garantidora de demanda. O problema é que a situação fiscal não comporta mais o risco de a estatal ser chamada para cobrir eventuais falhas no sistema. Coautor, em 1982, da "Teoria dos Mercados Contestados", segundo a qual uma empresa monopolista pode utilizar estratégias competitivas para disputar o mercado com concorrentes potenciais, Willig alertou que colocar duas empresas concorrendo com trilhos lado a lado não funciona e pode levar ambas à falência. "Há gastos para consertar as ferrovias e, se uma não tiver esse dispêndio, a outra terá custos dobrados", explicou. "Mas é possível obter eficiência com ferrovias complementares." A seguir os principais trechos da entrevista.

Valor: A partir do que aconteceu na Europa e nos EUA, o que podemos alertar sobre o modelo de concessões a ser lançado no Brasil?
Robert Willig: Tivemos várias experiências nessa área e, em algumas, o resultado foi muito perturbador. No Reino Unido, privatizaram toda a indústria, mas adotaram o modelo segregado. Dois anos depois da privatização e da segregação, as companhias de trens foram à falência.

Valor: O que o governo britânico teve que fazer após os problemas?
Willig: Sim. O governo teve que pegar o setor de volta. Isso não foi uma consequência boa desse modelo. Essa história gerou manchetes por toda a Europa. Por causa dessa experiência, outros países ficaram muito receosos em adotar esse modelo. De acordo com relatório da OCDE, feito há dois anos, nada de muito efetivo foi obtido para reformar o sistema europeu.

Valor: O que a OCDE constatou?
Willig: De acordo com a OCDE, esse modelo não deu sinais de sucesso mesmo com 20 anos de tentativas. Os preços ainda estão altos se comparados com os Estados Unidos e não apenas não existe sinal de sucesso desse modelo como há muita hesitação nos países de adotar o sistema do Reino Unido.

Valor: Qual é a situação desse setor nos Estados Unidos?
Willig: Nos EUA, as ferrovias também enfrentaram muitos problemas. Na década de 1970, a indústria estava quase quebrada. Não estava pronta para investir de maneira apropriada. Havia menos dinheiro, e foi uma terrível espiral. Indústria e economistas pensaram que parte do problema estava na regulação. A regulação que nós tivemos por anos era muito custosa. Forçava a precificar de maneira unilateral. Havia competição e era grande, mas o problema maior foi que os reguladores forçaram a cotação de preços. Os custos ficaram altos para os carregadores. Os reguladores pressionaram as ferrovias a dividir os custos e o resultado foi que o preço aumentou muito. Mas, em 1980, foi aprovada a Lei Staggers, que instruiu os reguladores a fixar preços pelo mercado.

Valor: E como os Estados Unidos superaram esses problemas?
Willig: Quando a Lei Staggers foi aprovada, em 1980, os reguladores atenderam às exigências que ela trouxe e tudo mudou imediatamente na indústria. Os preços foram reduzidos, o tráfego aumentou bastante, as finanças das companhias saíram do vermelho e o sistema melhorou muito.

Valor: Como mudou a relação entre donos de trilhos e usuários?
Willig: Um modelo novo foi proposto em 2013 e foi descrito como de acesso aberto. No modelo segregado, uma companhia pode construir e manter o tráfego em infraestrutura, mas ela não pode operar os trens. Isso ficaria para outras empresas. A ideia era a de que os operadores iriam manter os vagões e se aliar aos carregadores. Esse é um modelo diferente do americano, onde há integração.

Valor: Como são as condições para desenvolver esse setor no Brasil?
Willig: As condições aqui são particularmente preocupantes para o modelo que prevê a segregação. Separar as partes pode fazer mais ou menos sentido dependendo das circunstâncias. As circunstâncias aqui não recomendam a separação.

Valor: Pelo tamanho do país?
Willig: É pela quantidade de investimento que se necessita. A rede atual é muito pequena se comparada ao que pode se tornar. É preciso criar novos serviços capazes de atrair investimentos. O país não precisa apenas de dinheiro, mas de empreendedorismo.

Valor: Qual a melhor maneira de garantir competição nesse setor?
Willig: Em ferrovias, não é uma boa ideia ter dois trilhos competindo lado a lado. O custo de uma ferrovia é muito alto. Há gastos para consertar as ferrovias e, se uma não tiver esse dispêndio, a outra terá custos dobrados. Se houver uma ao lado da outra, não haverá eficiência. Mas é possível obter eficiência com ferrovias complementares. Nos EUA, temos ferrovias no oeste e no leste que se complementam. Não é ruim ter várias companhias diferentes em várias partes da ferrovia. Só não queremos ter ferrovias competindo entre si.

Valor: O que fazer para obter os investimentos necessários?
Willig: Eu acho que as concessões são o rumo certo. Elas não devem ser restritas, segregadas em suas funções. Devemos ter concessões de ferrovias para o norte, por exemplo, e a companhia deve ter a responsabilidade de complementar a infraestrutura. Ela deve fazer o necessário para que as ferrovias cheguem aonde devem chegar.

Valor: Qual a melhor maneira de expandir essas redes?
Willig: As ferrovias serão responsáveis por terminar o trabalho de concessões e por fazer o desenho das localidades que vão atender e ir a lugares onde o tráfego está. Isso requer conversar com os clientes e verificar as necessidades deles. As companhias podem investir para os produtores e, com isso, negociar para atendê¬los.

Valor: Devem negociar com produtores para que invistam na expansão?
Willig: Os produtores podem negociar com as ferrovias para garantir espaço nos vagões.

Valor: Em que momento essas negociações devem ser iniciadas? Antes da obtenção da concessão?
Willig: Isso vem depois. Primeiro, a companhia deve vencer a concessão. Em seguida, pode conversar com os produtores para a implementar o plano e fazer acordos com os clientes.

Valor: Qual é o maior desafio?
Willig: Uma das tensões do novo modelo será obter regulação para promover o acesso aberto. Isso é muito importante. No modelo integrado você deve acrescentar o acesso aberto como atitude regulatória de proteção para aqueles que querem usar os vagões.

Valor: Funcionaria como uma garantia para o uso da ferrovia?
Willig: É uma garantia para a negociação do uso da ferrovia. Como usuário, vou bater na porta do dono da ferrovia e dizer que tenho algo a transportar e requerer que, como parte da concessão, ele faça um preço, uma tarifa.

Valor: Que outras condições devem ser garantidas pela regulação?
Willig: É preciso ter condições para que o trem passe na hora certa dos produtores, ou melhor, para que os produtores tenham os seus produtos prontos na hora em que o trem passar. O trabalho do regulador é fazer com que negociemos bem. O trabalho do regulador é fazer com que as partes negociem.

Valor: As autoridades devem colocar essas regras e detalhes no momento em que o governo lançar a concessão ou esse é um trabalho da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)?
Willig: É muito importante que a estrutura que o governo quer desenvolver nessa concessão e nas próximas seja divulgada antes da primeira concessão.

Valor: As regras devem ser esclarecidas antes mesmo da concessão?
Willig: As regras devem ser claras, publicadas logo no início. E o acesso deve ser aberto. Como usuário, importa para mim o quanto poderei obter no tráfego, a tarifa que terei que pagar, se a ferrovia vai poder acomodar meu pedido, além do debate sobre a hora que o produto deve estar na estação. As regras têm que ser divulgadas antes da primeira concessão.

Valor: A partir dos seus estudos, o sr trouxe duas mensagens às autoridades: o sistema deve ser integrado e com regras eficientes de acesso aberto às ferrovias. Existe uma terceira mensagem?
Willig: A terceira mensagem é sobre o velho modelo. Nós não vamos obter o investimento que necessitamos num modelo segregado. Nós temos que partir para o modelo integrado e com acesso aberto. E ficar longe do modelo segregado.
Fonte - Revista Ferroviária  28/05/2015

O funambulismo e as ferrovias

Opinião

O governo federal vem se equilibrando entre a contenção de despesas para o ajuste fiscal e a necessidade de investimentos para a retomada do desenvolvimento econômico. Nesse cenário situam¬se as novas concessões ferroviárias do Programa de Integração Logística ¬ PIL, foco de grandes discussões dentro e fora do governo

Valor Econômico
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Assim como na arte circense, o governo federal vem se equilibrando entre a contenção de despesas para o ajuste fiscal e a necessidade de investimentos para a retomada do desenvolvimento econômico. Nesse cenário situam¬se as novas concessões ferroviárias do Programa de Integração Logística ¬ PIL, foco de grandes discussões dentro e fora do governo. Essas novas concessões foram concebidas dentro de um novo modelo, denominado "open access", segundo o qual a via férrea é segregada da operação, fazendo com que as estradas de ferro ganhem um formato assemelhado ao de uma rodovia pedagiada, tendo um gestor da infraestrutura (GIF) responsável por sua implantação e manutenção, e diversos operadores independentes (OFIs) que nela circularão, algo tornado compulsório em toda a União Europeia, e, parcialmente, na Austrália e no Chile.
Sugere¬se aqui que o processo de concessão das novas ferrovias, rumo ao seu destravamento, seja alicerçado em quatro pilares, a seguir destacados.
O primeiro pilar envolve a manutenção do modelo de segregação da infraestrutura concebido para o PIL, tendo em vista que suas características básicas ¬ aumento da competição intratrilhos e da interoperabilidade entre malhas ¬ permanecem sendo essenciais ao revigoramento do setor ferroviário nacional, hoje quase que inteiramente dominado pelo transporte de minério de ferro para exportação.
O segundo pilar abrange a renovação antecipada das concessões verticais existentes, com os recursos financeiros das respectivas outorgas direcionadas a duas vertentes: solução de alguns gargalos operacionais, nas concessões existentes, para os fluxos originados ou destinados às novas concessões; e financiamento de parte dos investimentos em projetos prioritários do PIL. O terceiro pilar compreende uma radical mudança nas minutas dos editais já divulgadas das novas concessões, conferindo aos GIFs uma ampla capacidade de geração de receitas, dentre as quais: venda de capacidade de vazão; manutenção e aluguel de locomotivas e vagões aos operadores; exploração de rede de fibras óticas, silos e armazéns; prestação de serviços de manobra em pátios e terminais ("switch operation") etc.
O quarto pilar diz respeito à modalidade concessória, que passaria de fato a ser uma parceria público¬privada, com a fixação de demandas de projeto e de contraprestações pecuniárias para os gastos não cobertos pela geração de receitas. No caso das demandas de projeto existiria perspectiva de compartilhamento de receitas, em caso de acréscimo, e de perdas, em caso de decréscimo, a exemplo das PPPs do metrô de São Paulo.
Num exercício meramente ilustrativo, poder¬se¬ia ter para a Ferrovia de Integração Centro ¬ Oeste (Fico), situada no Mato Grosso e um dos projetos "greenfield" mais importantes do PIL, cujo custo de implantação é estimado em R$ 6 bilhões, a seguinte estrutura de recursos para financiamento à implantação: 20% vindos da outorga antecipada de concessões verticais existentes (pilar dois); 40% oriundos da venda de capacidade e dos serviços acessórios (pilar três); e 40% pela contraprestação pecuniária ou subsídio pelo poder público (pilar quatro), sendo este último modulado para ocorrer a partir de uma data mais longínqua, de sorte a não prejudicar o esforço fiscal em curso. O custo de manutenção dessa ferrovia seria bancado pela operação, como normalmente ocorre nas estradas de ferro de maior densidade de tráfego, razão pela qual não entrou no cálculo antes destacado.
Com o conjunto de medidas ora proposto, pelo menos um dos projetos prioritários do PIL (Fico), de importância estratégica para o setor agropecuário brasileiro, seria iniciado sem onerar os cofres públicos no curto e médio prazos, ficando claro o fato de que um novo empreendimento ferroviário de vulto, salvo raríssimas exceções, irá requerer subsídio, qualquer que seja modelo concessório adotado.
Em complemento, cabe observar que o concessionamento da Ferrovia Norte Sul ¬ FNS, no trecho entre Estrela do Oeste (SP) e Palmas (TO), cujas obras encontram¬se em grande parte concluídas, segundo o modelo tradicional (vertical), seria um grande erro.
Em primeiro lugar, isso seria mais um óbice operacional aos trens originados da Fico, que para chegar ao porto de São Luís terão de cruzar outras três concessões verticais. Nunca é demais lembrar o caso da Ligação Guarapuava ¬ Cascavel, no Estado do Paraná, que acabou sendo reestatizada pelo governo estadual, tendo em vista, dentre outros fatores, as dificuldades de acesso ao porto de Paranaguá por meio de outra concessão vertical.
Em segundo lugar, a Ferrovia Norte¬Sul deveria ser agregada ao pacote concessório da Fico, mesclando projetos "greenfield" e "brownfield", objetivando, como já frisado anteriormente, garantir ao futuro concessionário horizontal o máximo de receitas próprias e o mínimo de receitas públicas.
Saliente¬se, por oportuno, que a presidente Dilma, tão duramente criticada nos últimos tempos, teve a sagacidade de propor à nação um amplo conjunto de novas ferrovias, capaz de revolucionar a logística do transporte terrestre no país. É preciso que essa proposição não sucumba às querelas políticas e que as novas concessões ferroviárias avancem.
José Eduardo Castello Branco é engenheiro civil e Doutor em Engenharia de Transportes (Coppe/UFRJ). Foi diretor¬presidente da Valec.
Fonte - Revista Ferroviária  28/05/2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Governo negocia até R$ 10 bi em ferrovias

Ferrovias

O aporte, segundo fontes oficiais, seria acrescentado ao que as empresas já estavam prevendo desembolsar independentemente das prorrogações. A extensão dos atuais contratos, assinados nos anos 1990 e com vencimento na próxima década, entrou na agenda do governo nas últimas semanas e uma decisão sobre o assunto deve ser tomada antes do dia 9.

Valor Econômico
foto - ilustração
Diante da dificuldade em destravar os 10 mil quilômetros de novas ferrovias anunciadas em 2012, o governo resolveu assumir uma postura mais pragmática. Em reunião ontem com as três principais concessionárias de trilhos do país, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, ouviu uma proposta que pode engordar em até R$ 10 bilhões o volume de investimentos do programa de infraestrutura que a presidente Dilma Rousseff pretende anunciar no dia 9 de junho.
Caso tenham seus contratos de concessão renovados antecipadamente, as três empresas ¬ América Latina Logística (ALL), MRS Logística e Vale Logística Integrada (VLI) ¬ se comprometem a investir entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões na modernização de suas respectivas malhas.
O aporte, segundo fontes oficiais, seria acrescentado ao que as empresas já estavam prevendo desembolsar independentemente das prorrogações. A extensão dos atuais contratos, assinados nos anos 1990 e com vencimento na próxima década, entrou na agenda do governo nas últimas semanas e uma decisão sobre o assunto deve ser tomada antes do dia 9.
Um ponto em especial é alvo de atenções: depois de comprada pela Cosan, a ALL tem um plano robusto de investimentos para os próximos quatro a cinco anos, mas boa parte do dispêndio está condicionado à prorrogação das concessões. Seus contratos expiram entre 2026 e 2028. Sem um horizonte maior, a empresa alega que não haveria tempo hábil para a recuperação dos investimentos. Por outro lado, o aporte da ALL é visto pelo governo como essencial, por permitir condições de modernização na sobrecarregada malha ferroviária paulista.
A partir de 2016, com a provável inauguração do trecho da Ferrovia NorteSul entre os municípios de Ouro Verde (GO) e Estrela D'Oeste (SP), o governo considera que é urgente viabilizar o aumento da capacidade ferroviária já existente no Estado de São Paulo para não criar futuros gargalos para as cargas em direção ao Porto de Santos.
Além de discutir a renovação dos contratos, Barbosa usou a reunião como termômetro para medir o interesse das empresas na própria concessão da Norte¬Sul. O governo quer transferir à iniciativa privada dois trechos da ferrovia: Palmas (TO)¬Anápolis (GO), com obras já concluídas e em operação ainda incipiente pela estatal Valec, e Ouro Verde¬Estrela D'Oeste, que tem mais de 80% das obras executadas e previsão de entrega em 2016. Nesse trecho, quem vencer o leilão poderá assumir o resto das obras.
A VLI opera o único lote da Norte¬Sul em pleno funcionamento, que liga o município de Açailândia (MA) a Palmas. Segundo fontes do governo, a discussão sobre a participação dessas concessionárias nos trechos que serão privatizados foi "produtiva".
O governo também pretende incluir na próxima rodada de concessões a chamada "Ferrovia da Soja", entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), que já teve seus estudos de viabilidade aprovados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O risco de falta de interessados fez com que o projeto fosse mantido na gaveta até agora.
Ainda pairam dúvidas sobre o modelo de concessão. Mal visto pelo mercado e pelo Ministério da Fazenda, o sistema pelo qual a Valec compra e revende a capacidade de carga das ferrovias não deve prosperar ¬ pelo menos tal como foi anunciado em 2012. Para alguns casos, como na Norte¬Sul, é avaliada cobrança de outorga onerosa.
Fonte - Revista Ferroviária  27/05/2015