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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Governo lança editais para pesquisas sobre mobilidade verde

Mobilidade/Sustentabilidade  🚗

No lançamento dos editais, na sede da Confederação Nacional da Indústria, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância do programa Mover para o desenvolvimento de projetos de descarbonização da indústria automotiva, que tem estimulado anúncios de investimentos do setor. 

Daniella Almeida
Repórter da Agência Brasil
foto - Antônio Cruz/Agência Brasil
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), lançou, nesta quarta-feira (24), cinco chamadas públicas com financiamento total de R$ 267,4 milhões para projetos de pesquisa do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), o antigo Rota 2030. No lançamento dos editais, na sede da Confederação Nacional da Indústria, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância do programa Mover para o desenvolvimento de projetos de descarbonização da indústria automotiva, que tem estimulado anúncios de investimentos do setor. "O Mover já mobilizou R$ 130 bilhões de investimentos da iniciativa privada e 2% do crédito financeiro vai para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), que vai para os projetos estruturantes, para os projetos de digitalização e vários projetos, de maneira transparente e ao mesmo tempo, procurando estimular a inovação, a descarbonização, a geração de emprego", explicou Alckmin. A iniciativa é resultado da parceira do Mdic com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundep).

Projetos Estruturantes
Do total das chamadas lançadas, que somam R$ 267,4 milhões, R$ 182,8 milhões são para projetos estruturantes específicos para a cadeia de produção de automóveis brasileira. Os institutos Senai de Inovação, universidades e outras instituições de ciência e tecnologia irão desenvolver novas tecnologias e processos com potencial de mudar o patamar tecnológico e produtivo da cadeia automotiva brasileira. O superintendente de Inovação e Tecnologia do Senai, Roberto de Medeiros Junior, destacou que o Mover trouxe novidades à indústria brasileira. “Discutíamos como nós construímos projetos que possam impactar não só duas, três indústrias. Mas que impacte toda a cadeia e eleve a indústria nacional para um regime de ponta para trazer para nossa indústria o que há de novo, uma competência, um adensamento da cadeia para conseguirmos competir em âmbito Internacional.” O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou que os investimentos na cadeia automotiva podem ser espalhados a outros segmentos da indústria brasileira, que demanda por mais tecnologia e sustentabilidade. “A iniciativa é importante para que a gente possa atender às demandas infinitas na inovação, na pesquisa, adequação de novas tecnologias, em um conceito novo de sustentabilidade.” O diretor de Inovação do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Mauricio Muramoto, vê os investimentos em projetos estruturantes como importantes para que o setor automotivo possa contribuir positivamente para a descarbonização do planeta. “Já temos uma contribuição positiva que o Brasil já faz na parte de descarbonização, em função dos nossos biocombustíveis e, de agora em diante, vamos impulsionar ainda mais, por meio desses projetos estruturantes na fronteira do conhecimento, a indústria”. O presidente da Fundep, Jaime Arturo Ramirez, salientou que as chamadas mostram o compromisso do governo, setor produtivo e universidades com a sustentabilidade. "Esse primeiro passo no âmbito do Mover lança desafios maiores para o nosso futuro. Que tenhamos iniciativas similares em outras áreas para atender melhor a nossa sociedade". Já o diretor executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, chamou atenção para a integração entre as instituições de pesquisa de fomento e a cadeia automotiva para o desenvolvimento econômico do país, devido ao peso do setor na economia brasileira. “A indústria automotiva e toda a sua longa cadeia representam que, a cada R$ 100 produzidos pela indústria brasileira, R$ 20, ou seja, um quinto vem da indústria automotiva. Somos 20% do PIB [Produto Interno Bruto] industrial. O poder de arrasto que essa indústria pode ter é tremendo.

” Projetos estruturantes
Os cinco editais públicos anunciados nesta quarta-feira serão publicados na Plataforma Inovação para a Indústria, com diferentes prazos de inscrições. No caso dos projetos estruturantes, os interessados terão dois meses para a elaboração das propostas. Isso porque o período para apresentação das propostas que buscam financiamento será de 11 a 19 de setembro. A divulgação do resultado preliminar está prevista para 28 de outubro.
Fonte - Agência Brasil 24/07/2024

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Entre Vistas com Luis Nassif sobre os 100 dias de governo

Entrevistas   📺

O Entre Vistas desta semana é com o jornalista Luis Nassif.Juca Kfouri e Nassiff batem um papo sobre economia, política e música!


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Ferrovias: prorrogação inconstitucional

Transportes sobre trilhos   🚄🚃🚃🚃

Para o presidente da FerroFrente, não é possível continuar administrando a questão dos transportes a toque de caixa “pois isso só interessa às empresas que hoje representam esse monopólio improdutivo”. “Existem soluções para o desenvolvimento de um modelo nacional de transporte realmente eficiente, a favor do País e não de duas ou três empresas que hoje monopolizam o setor e acabam sendo as únicas beneficiadas pela MP e pela Lei”, salientou José Manoel.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
No início da noite desta segunda-feira (13/08), o presidente da Frente Nacional Pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, fez questão de entrar em contato com a equipe jornalística do Portogente para dizer que a Lei 13.334/2016, do já governo Temer, foi considerada inconstitucional pela Procuradora-Geral da República Raquel Dodge baseando-se em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5684 que a entidade entrou há um ano e meio. “Existem soluções para o desenvolvimento de um modelo nacional de transporte realmente eficiente, a favor do País e não de duas ou três empresas que hoje monopolizam o setor e acabam sendo as únicas beneficiadas pela MP e pela Lei”, salientou José Manoel.
A FerroFrente e a Federação das Associações de Engenheiros Ferroviários comemoram a decisão pela inconstitucionalidade da Medida Provisória (MP) 752 e da Lei 13.334/2016, que estabelece diretrizes gerais para a prorrogação antecipada de contratos de concessão ferroviária, conforme proposta enviada pelas duas entidades
Para o presidente da FerroFrente, não é possível continuar administrando a questão dos transportes a toque de caixa “pois isso só interessa às empresas que hoje representam esse monopólio improdutivo”. E prosseguiu:“Elas ameaçam o País afirmando que sem a MP e a Lei, o Brasil para e isso não é verdade. O Brasil está parando justamente pela falta de projetos que beneficiem a todos os brasileiros, como bem observou a procuradora.” Por fim, disse que existem bons projetos, assim como o capital para torná-los realidade.
Fonte - Portogente  15/08/2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018

20 anos de retrocessos em 2 anos de desmando

Ponto de Vista 🔍

O presidente Michel Temer adotou o bordão “20 anos em 2” para celebrar seus dois anos de atuação, completados este mês. Somente um governo que ascendeu ao poder mediante golpe parlamentar pode ter a petulância de transformar a desgraça da maioria em festa.Festejar o quê, exatamente?

Por Nathalie Beghin* - www. inesc.org.br
foto - ilustração/Wikipedia
É preciso muito cinismo para querer se comparar a Juscelino Kubitschek e seu Plano de Metas, que prometia 50 anos de progresso em 5 de governo. O presidente Michel Temer adotou o bordão “20 anos em 2” para celebrar seus dois anos de atuação, completados este mês. Somente um governo que ascendeu ao poder mediante golpe parlamentar pode ter a petulância de transformar a desgraça da maioria em festa.
Festejar o quê, exatamente? A queda da inflação e dos juros que estão em seus menores patamares há muitos anos? Esses são os únicos indicadores de sucesso que se tem notícia. De sucesso, em termos, pois a queda da inflação deve-se, em grande medida, à profunda recessão econômica dos tempos recentes: o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu em 7,5% entre 2015 e 2016. Mas de que adianta se a economia não volta a crescer? Até os operadores de mercado, que estão entre os beneficiários do presidente Temer e seus aliados, estão reduzindo as estimativas de crescimento para 2018.
O que celebrar no cenário político tendo uma aprovação de apenas 5% , segundo as últimas pesquisas de opinião?
A elevada reprovação de Temer e seus aliados pode ser creditada, em grande parte, às evidências de um governo mergulhado na corrupção, associadas aos arrochos provocados nas políticas públicas. As medidas implementadas nos últimos dois anos visam proteger, acima de tudo, os interesses dos governantes de plantão, bem como o capital, especialmente o financeiro, em detrimento do bem-estar geral da Nação.
Assim, o governo Temer congelou constitucionalmente os gastos públicos federais por 20 anos, com exceção do pagamento dos juros da dívida (por meio da Emenda Constitucional 95/2016); segurou o valor de salário mínimo abaixo da inflação, o que afeta milhões de trabalhadores; deu início a processos de privatizações de bens públicos, até mesmo abrindo para o capital estrangeiro; começou a desmontar o já frágil Estado de Bem-estar Social, associando cortes orçamentários com retirada de direitos, por intermédio da reforma trabalhista e a da formulação de uma reforma da previdência social que viola os direitos dos mais vulneráveis; extinguiu ou enfraqueceu institucionalidades criadas para defender os direitos de grupos da população historicamente excluídos, como mulheres, negros, indígenas, povos e comunidades tradicionais e comunidade LGBTI+. Da mesma maneira, vem eliminando medidas de proteção ao meio ambiente.
Esse conjunto de medidas resultou em expressivos retrocessos que penalizam, e muito, a maioria da população. Vejamos alguns deles:

A desigualdade se acirra. Um excelente indicador para dimensionar esse fenômeno é a concentração da riqueza. Segundo a Oxfam, o número de super-ricos que se apropriam de riqueza equivalente à metade mais pobre da população brasileira passou de seis para cinco entre 2016 e 2017. E mais: em 2017, o país ganhou mais 12 bilionários, que agora somam 43 pessoas. A fortuna desses super-ricos chega a US$ 549 bilhões, ou 43,52% da riqueza do país. Enquanto isso, a metade mais pobre da população brasileira detinha apenas 2% da riqueza nacional, menos do que os 2,7% de 2016. Em resumo: as medidas recessivas do governo Temer atingem somente os mais pobres, pois os mais abastados só fazem aumentar seu patrimônio em plena recessão econômica.

A pobreza e a miséria voltam a crescer depois de anos de queda. Levantamento realizado pela LCA Consultores, a partir de microdados da Pnad Contínua, divulgada recentemente pelo IBGE, mostra que o número de pessoas em situação de extrema pobreza no país passou de 13,3 milhões para cerca de 14,8 milhões entre 2016 e 2017, o que representa um aumento de mais de 11%[1]. E mais: o aumento da pobreza é generalizado, pois aconteceu em todas as regiões do país. Esse empobrecimento se explica, em grande parte, pela queda real do valor do salário mínimo e pelo aumento do desemprego e do trabalho informal. Atualmente, mais de 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras estão sem emprego. Os números também revelam um processo de desaparecimento do emprego formal no Brasil. Desde 2014, o país perde, em média, 1 milhão de postos com carteira assinada por ano, ainda segundo a Pnad Contínua do IBGE.

A mortalidade infantil interrompe sua trajetória descendente. Segundo o Ministério da Saúde, depois de uma longa e sustentada diminuição, a mortalidade infantil cresceu 11% para crianças entre um mês e quatro anos de idade, atingindo o patamar de 12,7 mortes por mil nascidos vivos em 2016. A título de comparação, nos países da Zona do Euro esse indicador é da ordem de quatro mortes por mil nascidos vivos. Estima-se que a situação irá se agravar em 2017 e 2018. A morte de crianças é um indicador sensível do nível de desenvolvimento de um país, e uma evidência eloquente de suas prioridades e de seus valores. A diminuição real do salário mínimo e os cortes de programas sociais, tanto na saúde, como na assistência social, educação, habitação e saneamento, entre outros, impactaram diretamente na vida das crianças.
Esses são alguns exemplos das nefastas consequências dos “20 anos em 2” do governo Temer e seus aliados. Estudo do Inesc, realizado em parceria com CESR e Oxfam Brasil, evidencia que as medidas de austeridade adotadas desde 2016 resultaram em expressivos cortes e na violação de direitos de grandes parcelas da população: a área que mais perdeu foi a da juventude, seguida dos programas de segurança alimentar e nutricional, mudanças climáticas, moradia digna e defesa dos direitos de crianças e adolescentes e de mulheres.
A perversidade se acentua com a constatação de que o subfinanciamento de programas sociais é ineficiente: segundo estudo de Antônio Albano, com a Emenda Constitucional 95, do “Teto dos Gastos”, a previsão de crescimento do PIB é menor do que sem ela, e a previsão de resultado fiscal com ou sem a EC 95 é praticamente igual.
O governo federal não tem nada para celebrar e muito para se envergonhar!
*Nathalie Beghin, coordenadora da assessoria política do Inesc.
Brasília, 15 de maio de 2018.
Fonte - Revista Amazônia  21/05/2018

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

PIS/Pasep: sacando os últimos direitos que nos restam

Ponto de Vista  🔍

O PIS/Pasep, um fundo também criado para proteger o trabalhador e financiar o desenvolvimento econômico do país, acaba por ser deturpado e utilizado, enquanto direito que é do trabalhador, para saldar uma conta que também não é sua: promover alguma melhora pífia e rápida na atividade econômica, antes do fechamento do ano e da divulgação dos resultados do presente e odiado governo.

Gabriel Quatrochi*
Portogente 22/12/2017

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A população muito tem se perguntado sobre o saque das cotas do PIS/Pasep. Na mídia pouco tem sido esclarecido, e vende-se o que é um direito como se fosse um presente de fim de ano. De modo bastante simples, vamos tentar clarear um pouco essa situação.
O Programa de Integração Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) são fundos de formação do patrimônio do trabalhador, criados no início da década de 1970. Estão inseridos num importante contexto histórico no qual, de 1930 à Constituição de 1988, a inspiração são os modelos europeus de Estado de Bem-estar Social, e promovem, no Brasil, a regulação das relações sociais e econômicas através de um Estado fortemente atuante, pela via das políticas sociais. É desse longo período que resultam direitos conquistados pela trabalhadora e trabalhador brasileiros, como a CLT, o FGTS e o próprio PIS/Pasep.
Até 1988, cada trabalhador tinha como se fosse uma “conta” do PIS (funcionários do setor privado) e do Pasep (setor público) em seu nome, uma espécie de “poupança compulsória” que era sacada todos os anos, dentro de determinadas regras.
Com a criação do Orçamento de Seguridade Social, para financiar o modelo tripartite proposto pela Constituição, os dois fundos são, então, unificados da forma como o conhecemos hoje, e essas contas individuais deixam de vigorar porque os fundos são alocados, a partir daí, para o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, com um objetivo maior: financiar o seguro-desemprego e o abono salarial aos trabalhadores de baixa renda, além de permanecer como fundo para os programas de desenvolvimento econômico do BNDES. Desde então, 40% dos recursos do PIS/Pasep continuam destinados ao BNDES e 60% passam a ser alocados para o seguro-desemprego e o abono salarial.
Fica claro: o que o atual governo está fazendo, então, é, simplesmente, instituindo uma medida provisória que faz apenas a organização do calendário e das regras para acesso ao que já é de direito dos trabalhadores que possuíam essas contas individuais em seus nomes até 1988 e que, por desconhecimento ou por ainda não terem se aposentado, não o haviam sacado.
Uma recente auditoria da Controladoria Geral da União revelou que cerca de 15 milhões de brasileiros desconheciam o dinheiro e o direito ao saque. A população se questiona e a mídia especula sobre quais seriam os impactos do saque das cotas do PIS/Pasep sobre o nível de consumo.
Deve-se levar em conta, primeiro, que as quantias de saque não são altas – a média de valores gira em torno de R$ 1.200, sendo a grande maioria, na verdade, abaixo dessa média, com saldo de R$ 750. Segundo, há uma conjuntura mais geral em que o nível de inadimplência das famílias ainda é alto.
Exemplo disso são as intensas campanhas de renegociação de dívidas dos bancos que, por um lado, encurralam o consumidor e, por outro, pisam bruscamente no freio do crédito – ainda que, pasmem, os maiores “problemas” dos grandes bancos no país pareçam ser a confortável folga de capital que têm operado.
Então, trazendo esse contexto para a perspectiva de consumo, tem-se um cenário em que os baixos valores de saque são constrangidos por uma grande parcela dos beneficiários que se encontra “no vermelho”. Não se podem esperar efeitos relevantes no consumo sustentado e de longo prazo, simplesmente porque o saque do PIS/Pasep não entra para o cálculo de componente fixo da renda do trabalhador. Fomento do nível de emprego de qualidade, carteira assinada, política de valorização da renda do trabalho são alguns exemplos de medidas capazes de sustentar o consumo em médio/longo prazo e que não se encontram na agenda do atual governo.
Mais importante que essas questões, e é o que se quer salientar ao trabalhador e trabalhadora que nos lê, está no caráter profundamente contraditório dessas medidas, assim como o foi com o saque do FGTS. Para o FGTS, um fundo criado para proteger o trabalhador, lhe fornecer uma poupança quando se aposentar, ou contribuir na conquista de sua casa própria, acaba sendo distorcido e liberado para que o trabalhador pague uma conta que não é sua: o desemprego e a crise econômica.
Enquanto sacamos os saldos das nossas contas inativas, assistimos à retração do crédito imobiliário pela Caixa, crédito este financiado, justamente, com os recursos do FGTS. Definitivamente, a isso não se pode dar o nome de política econômica.
Da mesma maneira, o PIS/Pasep, um fundo também criado para proteger o trabalhador e financiar o desenvolvimento econômico do país, acaba por ser deturpado e utilizado, enquanto direito que é do trabalhador, para saldar uma conta que também não é sua: promover alguma melhora pífia e rápida na atividade econômica, antes do fechamento do ano e da divulgação dos resultados do presente e odiado governo.
Devemos ter em conta que a manutenção de fundos como o FGTS e o PIS/Pasep são altamente cíclicos porque dependem da dinâmica econômica e, sobretudo, do nível de emprego formal, de onde vêm as contribuições. Por isso, muito mais importante que acompanhar o nível de consumo com a liberação dos saques, é acompanhar o nível de formalidade e de renda no mercado de trabalho, sobretudo depois da reforma trabalhista, quando os autônomos, intermitentes, parciais e demais formas de contratação precárias regulamentadas diminuem os recolhimentos do FGTS e do PIS/Pasep – seja pela não obrigatoriedade em alguns casos, ou pela redução das jornadas e rendas, em outros.
São formas de contratação que dizimam, por completo, as possibilidades de efetividade das políticas sociais, tão importantes e que foram conquistadas pela sociedade e por todos nós, trabalhadores, ao longo da nossa história.
*Gabriel Quatrochi é economista e mestrando do Instituto de Economia da Unicamp
Fonte - Portogente  25/12/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Engenheiros alertam à entrega da riqueza nacional

Ponto de Vista  🔍

“Furacão entreguista.” Assim o engenheiro, ex-deputado federal e conselheiro consultivo da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) Ricardo Maranhão classifica o momento atual, em relação às mudanças pretendidas e implementadas no setor de óleo e gás. Para ele, em detrimento dos interesses nacionais. Caso do pré-sal, por exemplo.

Federação Nacional dos Engenheiros*
foto - ilustração/arquivo
Diante dessa que é uma das maiores descobertas mundiais no segmento de petróleo dos últimos 20 anos, segundo Maranhão, a apropriação do Estado e da sociedade brasileira do maior volume possível desses recursos é fundamental – e o que vem sendo feito está na contramão disso. Nessa direção, uma das agendas é pôr fim ao regime de partilha instituído para a camada do pré-sal em 2010, dando lugar ao modelo de concessão. No primeiro, o petróleo produzido continua a ser bem da União, enquanto no segundo passa a ser da concessionária, como explica o especialista – agraciado em 2016 com o prêmio Personalidade Profissional na categoria “Engenharia” pela CNTU.
Mais grave, a Lei 13.365/2016, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e sancionada em 30 de novembro de 2016 pelo presidente Temer sem vetos, revogou a obrigatoriedade de participação da Petrobras na exploração do pré-sal. Assim, retirou sua prerrogativa de operadora única dos campos da camada – ou seja, como explica Maranhão, de ser a responsável desde o projeto das instalações até a montagem e operação, passando pela contratação dos serviços de engenharia e compra de todos os materiais e equipamentos. “Isso permitiria uma política de garantia de conteúdo local que atendesse os interesses do País.” Também possibilitaria controle absoluto da exploração e produção.
Ele é enfático: “Essa foi a segunda medida entreguista. A primeira foi a renovação por 50 anos de um regime chamado Repetro, dando a possibilidade de empresas estrangeiras trazerem serviços do exterior, engenharia, plataformas inteiras sem pagar impostos. O povo brasileiro está passando fome, está desempregado, falta saneamento básico e estamos garantindo benesses a empresas estrangeiras. Isso tem um impacto devastador sobre as fabricantes brasileiras de materiais, equipamentos e prestadoras de serviços. Se se criasse certa dificuldade, obrigaria essa turma a comprar tudo dentro do Brasil, gerando emprego, tecnologia, renda, impostos.”
A FNE tem atuado fortemente em defesa da retomada de política de contratação nacional, inclusive junto à Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, presidida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). Em seu projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Novos Desafios”, no ano de 2014, a federação chamava a atenção para a importância do modelo de partilha proposto para a exploração do pré-sal, que ampliava a parcela da riqueza mineral que caberia ao Estado e à sociedade e fortalecia a Petrobras.

Menos recursos
Além disso, como lembrou a entidade ao se posicionar contra a Lei 13.365/2016, seria instituído um fundo de desenvolvimento para que os recursos oriundos das novas reservas fossem aplicados prioritariamente em educação, cultura, ciência & tecnologia e proteção ao ambiente. “A partir das perspectivas que se abriam diante desse cenário, a FNE propunha ênfase no investimento em C, T & I no setor petrolífero e sua dinamização a partir de pequenas empresas de capital nacional. A mudança aprovada no Senado, sob um inexplicável regime de urgência e, portanto, sem o necessário debate público, joga por terra tais ambições”, salientou a entidade à época.
Já sem a obrigatoriedade de participação da Petrobras, nos primeiros leilões de pré-sal ocorridos desde 2013 – quando foi licitado o campo de Libras –, em 27 de outubro último, consequentemente, a empresa ficou de fora de uma das quatro áreas, vencida por consórcio formado pela norueguesa Statoil, a americana Exxon Mobil e a portuguesa Petrogal: Norte de Carcará, na Bacia de Santos. Classificada por técnicos como estratégica ao País, com alta produtividade e baixo índice de contaminantes, foi arrematada – ainda de acordo com críticos e especialistas – a preço irrisório frente ao seu grande potencial de petróleo leve (o bônus de assinatura foi de R$ 3 bilhões).
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) alertou em seu site: a nação amargará perdas de cerca de R$ 500 bilhões em arrecadação sem a participação mínima que a lei garantia à Petrobras nos campos leiloados. “Só com royalties e recursos gerados ao Fundo Social para a Saúde e Educação, o Estado deixará de arrecadar R$ 25 bilhões”, apontou.
Maranhão lembra que a Petrobras tem 63 anos, é a décima maior empresa de petróleo do mundo em termos de faturamento – que atinge US$ 100 bilhões ao ano – e a 12ª em produção física, “descobriu o pré-sal, essa nova fronteira geológica, sobre o que detém tecnologia e know-how”. Diante desse quadro, assevera: “São medidas desnecessárias, para atrair capital estrangeiro.”
Em seu blog, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) escreve: “A Petrobras detém tecnologia, capacidade operacional e financeira para liderar a produção, na medida do interesse social e do desenvolvimento econômico nacional. A empresa é reconhecida internacionalmente pela sua liderança no desenvolvimento tecnológico da exploração e da produção de petróleo em águas profundas. A produção de 800 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos após a primeira descoberta, em 2006.” Além de o petróleo ser uma fonte de recursos a inversões em setores essenciais à melhoria de vida da população, o parlamentar destaca que “a renda petrolífera permite também realizar investimentos para a produção de energia a partir de fontes renováveis, visando a sustentabilidade e a resiliência da sociedade, preparando o País para o futuro”.
*(Por Soraya Misleh/Jornal Engenheiro - Edição de dezembro 2017)
Fonte - Portogente  04/12/2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Unidade e eficiência

Ponto de Vista  🔍

A medida provisória 805 que adia o reajuste salarial do funcionalismo público federal, aumenta a sua contribuição social (inclusive dos aposentados) e reduz a ajuda de custo e o auxílio moradia,é uma pancada que desafia os servidores e deve motivá-los (organizados por suas entidades) a reagirem, superando a passividade resiliente que havia se instaurado entre eles.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João Guilherme Vargas Netto
O Diário Oficial da União publicou no dia 30 de outubro a medida provisória 805 que adia o reajuste salarial do funcionalismo público federal, aumenta a sua contribuição social (inclusive dos aposentados) e reduz a ajuda de custo e o auxílio moradia.
É uma pancada que desafia os servidores e deve motivá-los (organizados por suas entidades) a reagirem, superando a passividade resiliente que havia se instaurado entre eles.
A resistência dos servidores deve se manifestar nas ações empreendidas pelo corpo funcional e seus dirigentes, bem como nas articulações que eles farão no Congresso Nacional que deve votar a medida provisória.
A jogada do governo, ao restringir conquistas dos servidores, é tentar indispô-los com o conjunto dos trabalhadores, sacrificados pela recessão e pelo desemprego e também agredidos pela vigência da lei celerada trabalhista que entrará em vigor a partir do dia 11 de novembro.
Em apoio à lei, ninguém menos que o presidente do TST veio a público dizer, de maneira escandalosa, que os empregos dependem do corte de direitos e que a lei os garantirá porque cria segurança jurídica com os cortes (até mesmo o acesso à Justiça do Trabalho); azar dos pobres que não ganham na loteria.
O ínclito juiz, leitor voraz da amalucada Ayn Rand (trânsfuga russa que charlataneou a sociedade norte-americana nas décadas dos anos 50 e 60 do século passado) despreza inúmeras manifestações de entidades jurídicas do trabalho e desconhece as estatísticas do emprego, inclusive formal, antes da crise econômica e da recessão. O objetivismo reacionário de Ayn Rand vira fumaça com cheiro diabólico de queimado.
Para os trabalhadores a hora é de resistência. Todo esforço deve ser feito para o sucesso da jornada do dia 10 de novembro, contra a lei celerada e seus defensores e agora contra a MP 805 que espolia o funcionalismo. É preciso, com habilidade, criar condições unitárias e eficientes de protestos de forma tal a que lei celerada não pegue e que a MP seja derrotada.
*João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  08/11/2017

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dívida e juros: financismo no comando

Ponto de Vista/Economia  🔍

A narrativa da exigência da austeridade na condução da política fiscal tem levado a administração pública a sucumbir perante um estado de semi destruição. O ímpeto com que os liberaloides levam a cabo sua operação desmonte é bem capaz de promover o desaparecimento do Estado.A opção pela estratégia do austericídio combinou a manutenção de juros oficiais bastante elevados e a gestão dos recursos orçamentários na base de cortes e mais cortes. 

Paulo Kliass* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
No entanto, a compreensão desse tipo de comportamento é ainda mais relevante por nos encontrarmos sob um estado de crise fiscal profunda e com uma orientação bastante ortodoxa do ponto de vista da gestão dos recursos públicos. A narrativa da exigência da austeridade na condução da política fiscal tem levado a administração pública a sucumbir perante um estado de semi destruição. O ímpeto com que os liberaloides levam a cabo sua operação desmonte é bem capaz de promover o desaparecimento do Estado.
A opção pela estratégia do austericídio combinou a manutenção de juros oficiais bastante elevados e a gestão dos recursos orçamentários na base de cortes e mais cortes. Para tentar cativar a opinião favorável do grande público ignorante em economia, os representantes do capital financeiro passaram a martelar sistematicamente nos meios de comunicação uma velha e conhecida cantilena. A estória de que “o governo não pode gastar aquilo que não tem” e outras pérolas de quem pretende explicar a administração da economia de um dos maiores países do mundo como se fossem as finanças domésticas de uma família que vive de salário ou da aposentadoria de seus membros.

Austericídio e “contração expansionista”

A charlatanice envolvida nesse discurso não resiste a qualquer análise e muito menos aos números oficiais divulgados pelos próprios órgãos encarregados das estatísticas públicas. Afinal, apesar de todo o esforço por cumprir à risca a monstruosidade dos cortes de verbas de forma indiscriminada, o fato é que o déficit nas contas do governo federal só fez aumentar. Mas esse paradoxo é apenas aparente. Isso se explica pela estratégia de se ter promovido uma recessão deliberada em nossa economia, com o intuito de “reduzir a demanda agregada e acertar o equilíbrio pelo lado do PIB potencial”. Haja economês prá tamanha insensatez!
De nada adiantaram os reclamos e as críticas de todos aqueles que alertávamos contra essa ideia maluca da “contração expansionista”. Sim, pois havia - e ainda há - economistas e pesquisadores que propunham explicitamente que o caminho do “ajuste” deveria ser o da redução do nível da atividade econômica. E que se orientavam por uma forte crença de que esse contracionismo todo levaria a uma expansão do PIB. Uma tremenda loucura, mas que beira a irresponsabilidade criminosa, principalmente quando se transforma em política pública decidida e implementada pelos altos dirigentes do Ministério da Fazenda e do Banco Central.
Talvez seja necessário relembrar que a recessão não é uma opção neutra e indolor de política econômica. Muito pelo contrário, ela provoca destruição física e social. A queda no PIB significa a falência de empresas e o desemprego. Não bastassem esses fatos para que qualquer pessoa de bom senso a descartasse “a priori” como alternativa para a solução da crise, o fato é que a recessão é um tiro no pé, mesmo do ponto de vista conservador. Sim, pois com a redução da atividade econômica, a capacidade de arrecadação de impostos também se vê bastante diminuída.

A dívida pública cresceu 13%
Assim, a intenção inicial do economista cabeça de planilha se frustra logo de início. E a contração expansionista se apresenta como uma impossibilidade. Tanto mais em um país como o nosso, onde a estrutura de impostos é altamente regressiva e se concentra na taxação da renda, do consumo e da produção. Com a recessão, o Estado arrecada menos. E a questão do equilíbrio fiscal fica ainda mais comprometida. Afinal, menos receitas públicas significam maior déficit, uma vez que há parte das despesas que não podem (e não devem!) ser reduzidas.
Mas o fato é que nem assim, a magiquinha funcionou. O governo aprofundou a ditadura do superávit primário, com o argumento de que as finanças deveriam ser equilibradas. Mas apesar desse esforço, a dívida pública federal cresceu a níveis muito mais elevados que qualquer outro indicador econômico. E esse fato foi ainda agravado em termos da qualidade do serviço público, uma vez que a lógica do corte nas despesas se limita às despesas na área social e nos investimentos. As despesas financeiras com juros pagos pelo governo federal, por exemplo, tinham liberdade total de crescimento. E aí ficamos o pior dos dois mundos: i) compressão dos programas sociais e aumento das despesas financeiras do orçamento; ii) aumento dos valores relativos à dívida pública.
Os dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) apontam para um estoque total da dívida pública federal em poder do público de R$ 3,43 trilhões em setembro passado. Esse montante apurado representa um crescimento expressivo em relação ao total que havia de endividamento em outubro de 2016, quando o valor era de R$ 3,03 trilhões. Ou seja, o valor da dívida cresceu R$ 398 bilhões. Isso significa que o valor total dos títulos públicos federais em poder do público aumentou da ordem de 13% ao longo dos últimos 12 meses.

Gasto com juros: R$ 424 bi em 12 meses
Ora essa taxa de crescimento da dívida revela-se ainda mais preocupante em um cenário marcado por 2 anos sucessivos de recessão da economia, com queda de quase 8% do PIB entre 2015 e 2016. A própria inflação também foi bastante diminuída por conta da receita da austeridade e o ritmo de crescimento dos preços encontra-se situado abaixo de 3% anuais. O conjunto das finanças públicas encontram-se sob rígido controle de gastos, ao menos nas despesas ditas “primárias” - saúde, educação, previdência social, saneamento e similares. Ou seja, poucos indicadores cresceram tanto como a dívida pública ao longo dos últimos 12 meses.
Na verdade, tal aumento relativo do peso do endividamento público expressa de forma flagrante o processo de financeirização de nossa economia e de nossa sociedade, uma vez que fica evidenciada a dominância da dimensão financeira sobre todas as demais atividades do setor real - áreas vinculadas à produção de bens e ao fornecimento de serviços essenciais.
Esse aspecto dramático de drenagem de recursos e preocupações do conjunto da sociedade para o sistema financeiro fica ainda mais agravado quando se incorpora à análise as informações relativas ao pagamento de juros e demais serviços da dívida pública. As estatísticas do próprio Banco Central confirmam tal tendência. A versão mais recente da Nota de Política Fiscal da instituição revela que, ao longo dos 12 meses entre setembro de 2016 e agosto de 2017, foram consumidos R$ 424 bilhões de recursos públicos federais para cumprir despesas com esse tipo de rubrica.

Financismo no comando: mais juros e mais dívida
Assim, esse duplo movimento - juros e dívida - escancara a espoliação sistemática a que vem sendo submetida a maioria da população de nosso País. E aqui não me refiro apenas aos trabalhadores e demais segmentos dos desfavorecidos. Na verdade, a maior parte dos setores empresariais não consegue obter nenhum benefício desse tipo de política econômica para a recuperação do seu próprio ramo de atividade. Vivemos sob a égide do financismo no comando de tudo.
O austericídio esmaga a dimensão social e drena o subproduto de tal violência para o setor financeiro. Esse é o verdadeiro sentido do pagamento dos juros em tal volume, numa conjuntura em que todas as outras despesas orçamentárias estão sendo vilipendiadas. Porém, a situação fica ainda mais agravada pelo fato de que nem mesmo todo esse esforço basta. Além do pagamento dos juros, o processo que privilegia apenas e tão somente a dimensão financista termina por promover esse brutal elevação no estoque da dívida pública.
O sentido de tudo isso é o sinal de alerta que vai logo entrar em funcionamento para exigir ainda mais austeridade nos períodos futuros. Aguardemos, pois os colunistas de economia dos grandes meios de comunicação não tardarão a clamar, sempre no clima catastrofista que lhes é peculiar, contra a suposta “explosão da dívida pública em níveis inaceitáveis”.
Sim, pois essa é a verdadeira armadilha a que estamos submetidos. Somos conclamados a contribuir com o nosso sacrifício e o governo nos suga corpo e alma a título de colaboração para sairmos da crise. No entanto, nada é suficiente. O financismo quer mais e mais, pois o topo da pirâmide não aceita ser chamado a oferecer seu quinhão.
*Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Fonte - Portogente  06/11/2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Sindicalistas preparam grandes manifestações contra reformas trabalhista e da previdência

Política  👀

Você deve ter visto ao chegar no metrô ou ao passar por uma avenida movimentada nas principais capitais do país: sindicalistas têm colhido assinaturas e convocando para uma passeata no próximo dia 10. A data não foi escolhida por acaso, já que no dia seguinte começam a valer as novas regras do direito trabalhistas aprovadas no Congresso.

Sputnik 
foto - ilustração/arquivo
Brasil - Falando com exclusividade à Sputnik Brasil, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves Juruna explicou que esta é só a primeira iniciativa de uma campanha mais ampla que visa, além da mudanças em trechos da nova legislação trabalhista que ainda faltam ser regulamentados como a extinção da contribuição sindical obrigatória, também o início do debate contra a reforma da Previdência.
"É uma maneira de demonstrarmos repúdio a essas regras [trabalhistas]. É uma maneira de nos prepararmos também para a reforma da Previdência, que vai a debate no Congresso Nacional. A ideia é iniciar um processo de informação e discussão no sentido que, se colocarem para votar a Previdência, vamos fazer uma paralisação organizada e nacional", afirmou o sindicalista.
Juruna disse ainda que estão previstas várias pequenas paralisações por todo o Brasil e atividades nos locais de trabalho. Uma passeata da Praça da Sé até a Avenida Paulista, em São Paulo, deve reunir movimentos sociais, estudantis e sindicais em repúdio ao que foi aprovado.
Fonte - Sputnik  30/10/2017

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Sobre o trabalho análogo à escravidão

Direitos Humanos  👐

A fragilidade de um governo abre caminho para tolerâncias tendenciosas. As decisões por escambo parecem representar a busca de uma salvação. Um presidente que insiste em dizer que possui lisura cederia à ganancia dos egocêntricos? - Temos um Estado que modifica as relações de trabalho em detrimento dos trabalhadores.

Renato Dias Baptista* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Um país deveria proteger o cidadão de modo mais amplo do que muitos poderiam perceber. Um Estado deveria ter a obrigação de ir além do senso comum ou da subserviência ao capital. Precisaria ser o primeiro em dar as respostas certas, não apenas pelo motivo de que a velocidade nas ações seria uma de suas missões, mas porque, por pressuposto, saberia mais. Quem tem o conhecimento possui responsabilidade e precisa reagir rapidamente às demandas daqueles que representam o motivo de sua existência.
A fragilidade de um governo abre caminho para tolerâncias tendenciosas. As decisões por escambo parecem representar a busca de uma salvação. Um presidente que insiste em dizer que possui lisura cederia à ganancia dos egocêntricos?
Por exemplo, o debate de alguns meses atrás estava direcionado à decisão de aprovação do presidente Michel Temer em relação ao Projeto de Lei que libera a terceirização para todas as atividades da empresa.
A despeito da ampla discussão na ocasião, não há dúvidas sobre a irreflexão daqueles que a apoiaram. Sim, há uma perda, já que se entende que são as atividades a serem terceirizadas e não os empregados. Se ficássemos apenas nesse aspecto já seria evidente uma decomposição nas relações de trabalho diante da migração do empregado para organismos mais frágeis de representação, a redução de benefícios, postos de trabalho e salários na maioria das situações.
Temos um Estado que modifica as relações de trabalho em detrimento dos trabalhadores.
Claro, é preciso lembrar que havia exageros em alguns grupos opositores que diziam que a terceirização “rasgaria a carteira de trabalho”. Não ocorreria isso, mas a decisão ‘legalizou’ a deterioração. O retrocesso passa a ser registrado em carteira.
Agora, a mais recente questão está na redefinição sobre o conceito de ‘trabalho análogo à escravidão’. Algo que coloca outra gota tóxica nas relações trabalhistas.
Um dos pontos da proposta indica que, se o trabalhador não tem a supressão de sua liberdade, não poderia ser interpretado ‘análogo à escravidão’. Entretanto, se um trabalhador aceita condições restritivas, insalubres ou abusivas, não significa que o Estado tenha que ser condescendente com as organizações que subtraem por conta própria suas obrigações.
Se brasileiros ou estrangeiros se submetem às condições ‘análogos à escravidão’ não quer dizer que, por não terem oportunidades em suas regiões ou países, que isso deveria passar a ser legalmente tolerável.
Um bom governo deveria defender aqueles que se submetem e não seus opressores. Teria que enxergar mais longe do que os seus próprios cidadãos.
As atuais decisões denotam um dirigente que olha para trás. O governo retrocede para satisfazer grupos de políticos ou empresários de um setor onde mais se encontram os subjugados.
As efetivas lideranças politicas jamais deveriam permitir um declínio na construção da democracia.
*Renato Dias Baptista, docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Tupã
Fonte - Agência Brasil  25/10/2017

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Petrobras aumenta em 12,9% preço do gás de cozinha; reajuste entra em vigor amanhã

Economia   $$$$$$

O aumento será, em média, de 12,9% e começa a vigorar amanhã (11).A Petrobras informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o aumento, calculado de acordo com a política de preços divulgada em junho deste ano, reflete “principalmente, a variação das cotações do produto no mercado internacional”

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

foto ilustração/arquivo
O Grupo Executivo de Mercado e Preços da Petrobras definiu novo reajuste do gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial, vendido em botijões de até 13 quilos (GLP P-13), conhecido como gás de cozinha. O aumento será, em média, de 12,9% e começa a vigorar amanhã (11).
A Petrobras informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o aumento, calculado de acordo com a política de preços divulgada em junho deste ano, reflete “principalmente, a variação das cotações do produto no mercado internacional”. A companhia acrescentou que, como a legislação brasileira “garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor”. O impacto no consumo dependerá de repasses por distribuidoras e revendedores, advertiu.
A empresa destacou que o ajuste não tem incidência de tributos. Caso seja repassado integralmente aos preços ao consumidor final, a estimativa é que o preço do botijão de GLP P-13 suba em torno de 5,1%, em média, ou cerca de R$ 3,09 por botijão, informou a Petrobras. O último reajuste foi feito em 26 de setembro.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) calcula que o reajuste oscilará entre 7,8% e 15,4%, de acordo com o polo de suprimento.
De acordo com a entidade, a correção aplicada não repassa integralmente a variação de preços do mercado internacional. Diante disso, o Sindigás estima o preço do produto para botijões até 13 quilos “ficará 6,08% abaixo da paridade de importação, o que inibe investimentos privados em infraestrutura no setor de abastecimento”.

Combustíveis
Também amanhã (11), entram em vigor novos reajustes para diesel e gasolina. Para o diesel, o Grupo Executivo de Mercado e Preços estabeleceu queda de 0,2%, que se soma à redução de 1,3%, em vigência hoje (10). Para a gasolina, foi estabelecida retração de 2,6%, após aumento de 1,5% que vale a partir desta terça-feira.
Fonte - Agência Brasil  10/10/2017

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Brasil em liquidação?

Ponto de Vista  🔍

Diz Pedro Celestino,presidente do Clube de Engenharia,em artigo recente: "O governo Temer, desde que assumiu, sob a justificativa de resolver pretensa crise fiscal, dedica-se a propor e implementar o desmonte sistemático das conquistas econômicas e sociais das últimas oito décadas, que levaram nosso país a passar da condição de mero exportador de produtos primários à de uma das maiores economias do mundo."

Portogente
foto - ilustração
Para o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, sim, o País não só está à venda, mas em liquidação. A entidade, fundada em 1880, está imbuída, junto a outras entidades profissionais da área, em denunciar o que definem como desmonte do desenvolvimento nacional. Diz Celestino, em artigo recente: "O governo Temer, desde que assumiu, sob a justificativa de resolver pretensa crise fiscal, dedica-se a propor e implementar o desmonte sistemático das conquistas econômicas e sociais das últimas oito décadas, que levaram nosso país a passar da condição de mero exportador de produtos primários à de uma das maiores economias do mundo."
Para ele, o discurso governamental alardeia, propositalmente, uma crise fiscal para "impor como única saída a venda, a toque de caixa, de ativos estratégicos indispensáveis ao nosso desenvolvimento. Compromete-se o futuro do país nas próximas décadas". Estão nessa "barca", ainda segundo o profissional, a desfiguração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), hoje o principal indutor do desenvolvimento industrial nacional; a aceleração do desmonte da Petrobras, fatiada para que passe apenas a ser produtora de óleo, e amplia-se a venda a petroleiras estrangeiras das reservas do pré-sal; propõe-se privatizar as hidrelétricas da Eletrobrás e entregar ao “mercado” a responsabilidade de organizar o sistema elétrico; na mineração, três recentes Medidas Provisórias reformulam o marco regulatório do setor (Código de Minas), extinguem o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) e reorganizam a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), tudo com o propósito explícito de desnacionalizar o aproveitamento dos nossos recursos naturais.
Celestino prossegue em seu ponto de vista sobre a "liquidação" brasileira: "Ciência, tecnologia e educação são desorganizadas, e encaradas como negócio a atrair crescente apetite estrangeiro. O Sistema Único de Saúde (SUS), único meio de acesso popular à saúde e a medicamentos, é esvaziado para que seguradoras estrangeiras passem a “cuidar” da área. Por fim, várias medidas anunciadas e em vias de implementação atingem a soberania brasileira, entre as quais se destacam a privatização do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC); a emenda constitucional que elimina o monopólio da União nas atividades de exploração, pesquisa e produção de energia nuclear; e o corte de verbas no âmbito do Ministério da Defesa prejudicando o andamento de projetos estratégicos, como o submarino a propulsão nuclear, o projeto Sisfron e aquisição dos caças para a Força Aérea."
Pela análise do presidente do Clube de Engenharia, não sobrará nada para o País e para a sociedade brasileira.
Fonte - Portogente  03/10/2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aeroportuários promovem atos contra a privatização de 14 aeroportos

Protestos  

Na cidade de São Paulo, o ato se concentrou no Aeroporto de Congonhas, um dos terminais incluídos nos quatro blocos de concessão anunciados pelo governo. “Nós queremos alertar a população sobre o erro que é conceder Congonhas ao setor privado, porque ele [o aeroporto] é superavitário, o mais rentável da Infraero e banca mais de 60% das despesas geradas nos terminais que operam com deficit”, justificou Severino Macedo, diretor do Sina, em Congonhas.

Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil
Integrantes do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) promovem desde as 10h30 de hoje (12) atos simultâneos em 19 terminais aéreos no país contra o programa de desestatização do governo federal, que pretende transferir à iniciativa privada 14 aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Nesses locais, foram espalhadas faixas e cartazes e também está sendo distribuída uma carta aos passageiros e ao público em geral, expondo os motivos da insatisfação dos manifestantes.
Na cidade de São Paulo, o ato se concentrou no Aeroporto de Congonhas, um dos terminais incluídos nos quatro blocos de concessão anunciados pelo governo. “Nós queremos alertar a população sobre o erro que é conceder Congonhas ao setor privado, porque ele [o aeroporto] é superavitário, o mais rentável da Infraero e banca mais de 60% das despesas geradas nos terminais que operam com deficit”, justificou Severino Macedo, diretor do Sina, em Congonhas.
Severino disse que apesar de terem sido reduzidos voos depois da tragédia com o Airbus A320 da TAM, em 2007, desde então “o número de passageiros só tem crescido neste terminal e aqui não temos crise”.
Em defesa do ato, Severino argumentou que muitas vezes a população é induzida a achar que os servidores públicos são preguiçosos, quando, na realidade, “somos celetistas de uma empresa pública que sustenta o funcionamento do terminal”. Congonhas é o segundo maior aeroporto do país, com movimento de 21 milhões de passageiros por ano.
De acordo com o Conselho do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), a meta é a de abrir licitação para 14 aeroportos em quatro blocos. Além de Congonhas, que pela proposta do governo é efetuar o negócio no primeiro e único lote, estão previstas as concessões dos terminais do Nordeste (Maceió, Aracaju, João Pessoa, Campina Grande, Juazeiro do Norte e Recife); de Mato Grosso (Cuiabá, Sinop, Ala Floresta, Barra do Garça e Rondonópolis) e dos aeroporto de Vitória e de Macaé (RJ). Só na área de transportes, o plano de desestatização deve render R$ 8,5 bilhões.
Fonte - Agência Brasil  12/09/2017

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Sem ilusões e sem divisão

Ponto de Vista 🔍

É essencial que o movimento sindical coordene sua luta unitária de resistência à aplicação da lei da deforma trabalhista e à deforma previdenciária com as articulações para alteração desse artigo da lei. Isto não pode ser feito sob a suspeita de que as direções sindicais estão trocando direitos por dinheiro, em causa própria. Até mesmo porque tais negociações se darão no mundo político-partidário estranho e hostil ao movimento sindical.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João Guilherme Vargas Netto
Com toda a pressa que o governo e o mercado tiveram em apresentar e aprovar a deforma trabalhista cuja tramitação se deu em acelerado tempo recorde, o texto final da lei guarda entre os seus diversos artigos uma coerência hermenêutica respeitável, ancorada nos saberes jurídicos conservadores e na miríade de projetos específicos que já existiam no Congresso.
Um único artigo destoa desta apreciação e é exatamente o artigo que impõe contribuições voluntárias dos trabalhadores aos sindicatos, submetidas à aprovação individual.
Essa artigo, proposta do deputado federal de Sergipe, Laércio Oliveira, do Solidariedade, pela pressa dentro da pressa, saiu atamancado e suscetível de contestações e interpretações diversas em sua operacionalidade e coerência.
Ele também tem sido o objeto de inúmeras manobras do governo, com a promessa de edição de medida provisória que atenuaria seus efeitos e abriria a possibilidade de aprovação pela categoria de contribuições votadas em assembleia.
E é verdade que tais manobras têm surtido efeito, paralisando em algumas direções sindicais o esforço unitário para resistir à lei e às deformas que ela impõe e acarretando vacilações na resistência à deforma previdenciária, exigência afirmada da base sindical.
Se o artigo saiu mambembe e seu efeito é destrutivo algo deve ser feito para que seja urgentemente modificado. As manobras protelatórias do governo e suas promessas inconsequentes têm, no entanto, procurado adiar esse desfecho (a medida provisória salvadora) para abril do próximo ano, deixando a lei produzir seus efeitos perversos.
É essencial que o movimento sindical coordene sua luta unitária de resistência à aplicação da lei da deforma trabalhista e à deforma previdenciária com as articulações para alteração desse artigo da lei. Isto não pode ser feito sob a suspeita de que as direções sindicais estão trocando direitos por dinheiro, em causa própria. Até mesmo porque tais negociações se darão no mundo político-partidário estranho e hostil ao movimento sindical.
Quanto mais unido for o movimento e consequente em sua resistência, melhores serão as condições para eventuais negociações partidárias que corrijam o erro (intencional) do deputado sergipano, sem ilusões e sem divisão.
*João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  23/08/2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Economia ladeira abaixo - Contas públicas têm pior resultado para junho

Economia  📉

O déficit primário, receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros, ficou em R$ 19,552 bilhões. Esse foi o pior resultado para o mês na série histórica iniciada em dezembro de 2001.O resultado do primeiro semestre também foi o maior para o período, chegando ao déficit primário de R$ 35,183 bilhões. Em 12 meses encerrados em junho, o déficit primário ficou em R$ 167,198 bilhões, o que corresponde a 2,62% do Produto Interno Bruto (PIB) , a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O setor público consolidado, formado por União, os estados e os municípios, registrou déficit nas contas públicas em junho, de acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados hoje (28) em Brasília. O déficit primário, receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros, ficou em R$ 19,552 bilhões. Esse foi o pior resultado para o mês na série histórica iniciada em dezembro de 2001.
O resultado do primeiro semestre também foi o maior para o período, chegando ao déficit primário de R$ 35,183 bilhões. Em 12 meses encerrados em junho, o déficit primário ficou em R$ 167,198 bilhões, o que corresponde a 2,62% do Produto Interno Bruto (PIB) , a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
Em junho deste ano, o Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) acusou déficit primário de R$ 19,937 bilhões. Os governos estaduais anotaram superávit primário de R$ 346 milhões, e os municipais, superávit de R$ 107 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras, tiveram superávit primário de R$ 145 milhões no mês passado.
O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, disse que no resultado dos estados e municípios há aumento de arrecadação, com a estabilização da atividade econômica.
Rocha explicou ainda que o resultado de maio e junho do governo federal foi impactado pela antecipação de pagamento de precatórios pelo governo, o que geralmente acontece em novembro e dezembro. A Secretaria do Tesouro Nacional já havia explicado na última quarta-feira, que foi feito pagamento antecipado de R$ 20,3 bilhões em precatórios em maio e junho, contra R$ 2,2 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.
A antecipação foi feita para economizar R$ 700 milhões com juros que deixam de ser atualizados. Os precatórios são títulos que o governo emite para pagar sentenças judiciais transitadas em julgado (quando não cabe mais recurso).
Em junho, os gastos com juros nominais ficaram em R$ 31,511 bilhões, contra R$ 22,113 bilhões em igual mês de 2016. O déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados de juros, atingiu R$ 51,063 bilhões no mês passado ante R$ 32,174 bilhões de junho de 2016. Em 12 meses encerrados em junho, o déficit nominal ficou em R$ 440,297 bilhões, o que corresponde a 6,89% do PIB.
A dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 3,112 trilhões em junho, o que corresponde a 48,7% do PIB, com elevação de 0,6 ponto percentual em relação a maio.
A dívida bruta (contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 4,674 trilhões ou 73,1% do PIB, com aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior.
Para julho, a projeção do BC é que a dívida líquida suba para 50%, devido à apreciação do câmbio. A estimativa para a dívida bruta é 73,9% do PIB neste mês, chegando ao maior resultado da série histórica.

Fies
Na divulgação deste mês, o BC fez aperfeiçoamentos nos registros das operações do Programa de Financiamento Estudantil (Fies) nas estatísticas fiscais. O BC passou a considerar os financiamentos realizados com ou sem garantia do Fundo de Garantia de Operações de Crédito Educativo feitos pela Caixa e não somente pelo Banco do Brasil, como ocorria até maio deste ano.
Outro ajuste está relacionado à evolução da inadimplência do Fies e a capacidade do fundo de garantia para arcar com perdas no programa. Segundo o BC, essa inadimplência está em 16%.
Fonte - Agência Brasil  28/07/2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Déficit da Previdência ou déficit de democracia?

Ponto de Vista  🔍

Por que o governo, os economistas do mercado e os meios de comunicação não querem o debate público sobre o financiamento da Previdência? Por que insistem em fazer a toque de caixa uma reforma que supostamente seria eficaz contra problemas que ocorreriam daqui a 40 anos?A estratégia de atemorizar a sociedade com base em argumentos falsos é equivocada e antidemocrática.

Eduardo Fagnani*
foto - ilustração/arquivo
Ajustes nos sistemas previdenciários são necessários. Mas têm de ser precedidos por debate amplo, plural e democrático. Não se fazem reformas dessa envergadura com ações de terrorismo econômico. Por que o governo, os economistas do mercado e os meios de comunicação não querem o debate público sobre o financiamento da Previdência? Por que insistem em fazer a toque de caixa uma reforma que supostamente seria eficaz contra problemas que ocorreriam daqui a 40 anos?
A estratégia de atemorizar a sociedade com base em argumentos falsos é equivocada e antidemocrática. Um desses argumentos equivocados insiste que a Previdência teria déficit. Não é verdade. A Previdência não é deficitária. E, se fosse, estaria em situação anômala, diferente da que determina a Constituição da República.
Para redigir a Constituição, os Constituintes de 1988 inspiraram-se em alguns princípios dos regimes de Estado de Bem-Estar Social desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial nas nações industrializadas. O clássico relatório "Social Insurance and Allied Services" elaborado pelo economista liberal William Beveridge exerceu grande influência nas mudanças que se seguiram a partir de 1945.
A Seguridade Social é um dos núcleos daqueles regimes que asseguram um conjunto de direitos sociais universais (proteção à velhice, socorro no desemprego, assistência à saúde e assistência social). A Seguridade diferencia-se do "Seguro", ao qual só tem direito quem paga.
Embora contributiva, a Seguridade Social é em parte regida também pelo princípio da solidariedade. Trata-se de um pacto social (todos devem viver acima de um nível de vida mínimo, abaixo do qual não se admite que alguém tenha de viver) firmado por toda a sociedade, a qual aceita que tenha deveres para com seus membros e a responsabilidade de protegê-los.
Quem paga a parte dos que não podem pagar? O sistema tributário, que taxa proporcionalmente mais aqueles que ganham mais. Assim se faz uma redistribuição da renda pela via tributária, para financiar programas regidos pela lógica da solidariedade.
Nesses regimes, o financiamento da Seguridade baseia-se no clássico "modelo tripartite" instituído pelo chanceler Otto von Bismarck na Alemanha do século XIX. Trabalhadores, empregadores e o governo (por meio de impostos gerais) são igualmente responsáveis pelo financiamento da proteção social.
Num conjunto de 15 países europeus, a participação média relativa das "contribuições do governo" no financiamento da Seguridade Social é de 45% do total. A "contribuição dos empregadores" é de 35%. E a dos trabalhadores é de 18%. Na Dinamarca, a participação relativa do governo no financiamento da Seguridade atinge 76% do total (27% do PIB).
Os reformistas brasileiros nos anos de 1970 inspiraram-se nesse paradigma que ainda não havia sido contraditado pelos neoliberais em ascensão e ainda não hegemônicos. A inscrição da Seguridade Social na Constituição de 1988 foi o desaguadouro de um longo processo, no qual a academia teve papel destacado – muito diferente da alienação hoje predominante.
Um primeiro esboço da Seguridade Social encontra-se no documento "Esperança e Mudança" de 1982, ironicamente, organizado pelo PMDB. Seguiram-se diversos outros estudos. Mas certamente a mais abrangente reflexão crítica sobre a realidade e os rumos possíveis do sistema previdenciário brasileiro encontra-se no "Relatório Final do Grupo de Trabalho para a Reforma da Previdência Social" publicado em 1986.
A elaboração desse documento – que construiu a espinha dorsal do capítulo sobre a Seguridade Social inscrito na Constituição Federal de 1988 – foi coordenada pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, tendo como secretária-executiva a economista Sulamis Dain. Participaram desse trabalho setores da oposição ao regime militar, especialistas em questões previdenciárias, dirigentes sindicais e representantes de entidades patronais.
O cerne das recomendações daquele documento foi introduzir o princípio da "Seguridade Social". O relatório enfatizava a necessidade de o Brasil transitar, de um modelo de proteção baseado "estritamente em uma concepção contratualista", para um "sistema amplo de bem-estar social".
A lógica contratual de Seguro (garantia da renda de acordo com a capacidade contributiva do segurado) seria substituída pela lógica de solidariedade entre os contribuintes. O direito coletivo decorrente da cidadania prevaleceria sobre o direito individual associado à contribuição. Com a seguridade, esse direito individual seria abandonado em favor do direito coletivo decorrente da incidência dos encargos financeiros sobre o conjunto da sociedade.
Ao cabo de longa etapa, os Constituintes de 1988 escreveram o artigo 194, que estabelece que integram a Seguridade Social: a Previdência Rural e Urbana, a Saúde, a Assistência Social e o Seguro-desemprego. E, para financiar a Seguridade Social, os Constituintes conceberam o que se lê no artigo 195, que determina que a Seguridade Social seja financiada pela contribuição do governo, pela contribuição do empregador e pela contribuição do trabalhador.
E fizeram mais: para o governo cumprir a sua parte no financiamento da Seguridade, aqueles Constituintes criaram duas novas fontes de financiamento que não existiam: a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das Empresas, CSLL, e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social, Cofins. Foi a saída encontrada diante do fracasso da tentativa de corrigir as injustiças do sistema de impostos concebido pela ditadura militar.
Essas novas fontes de financiamento foram criadas para garantir programas sociais não contributivos inspirados na solidariedade, como o SUS, a Assistência Social e a Previdência Rural. No caso da Previdência Rural, procurava-se reparar uma injustiça histórica, pois até 1988 o trabalhador rural não tinha os mesmos direitos trabalhistas e previdenciários de que gozava o trabalhador urbano.
Eram idosos que trabalharam no campo desde os anos de 1940 e 1950 em condições de semiescravidão. Com o Pacto Social celebrado em 1988, a sociedade queria reparar essas injustiças. E concordou em criar novas fontes de financiamento (CSLL e Cofins) para dar aos trabalhadores rurais o benefício de um salário mínimo por mês. O mesmo ocorreu com o benefício assistencial para portadores de deficiência e idosos com renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo.
É importante sublinhar que o artigo 195 da CF-88 não é propriamente uma inovação. A "contribuição do governo" no financiamento da Previdência existe desde a década de 1930, quando foram criados os Institutos de Aposentadoria e Pensão.
A "contribuição do Estado" está prevista, por exemplo, no artigo 11 do Decreto n. 22.872/1933 que criou o Instituto dos Marítimos; e o artigo 21 determina que "as rendas arrecadadas pelo Instituto são de sua exclusiva propriedade e em caso algum terão aplicação diversa da estabelecida neste decreto, considerados nulos de pleno direito os atos que violarem este preceito, e sujeitos os seus autores às sanções cominadas no capítulo VIII".
O artigo 69 da Lei Orgânica da Assistência Social de 1960 (Lei n. 3.807) mantém o sistema tripartite, o mesmo ocorrendo na ditadura militar, como reza, por exemplo, a Lei n. 5.890 de 1973. A Constituição de 1988 tão somente reforçou essa tradição iniciada em 1933. E, além de criar duas novas contribuições, os Constituintes deram a esse modelo tripartite status Constitucional.
Estudos realizados há mais de 20 anos pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) revelam que a Seguridade Social sempre foi superavitária. E continuou superavitária mesmo com a subtração de mais de 60 bilhões de reais anuais das suas receitas, por conta da Desvinculação das Receitas da União, DRU; e apesar das isenções tributárias sobre as suas fontes de financiamento concedidas pelo governo a setores econômicos, isenções que totalizam cerca de 160 bilhões de reais por ano.
Portanto, não há "déficit" na Previdência, uma vez que ela faz parte da Seguridade e a Seguridade sempre foi superavitária, além de dispor de fontes de recursos constitucionalmente asseguradas para financiar a Previdência. O suposto "déficit" de 85 bilhões de reais ocorrido em 2015 poderia ter sido coberto com parte dos R$ 260 bilhões arrecadados pela Cofins e pela CSLL.
Ou então, pelos R$220 bilhões capturados da Seguridade pela DRU e pelas isenções fiscais concedidas pelo governo nas receitas pertencentes ao sistema de Seguridade Social. Por que nem um centavo desses recursos assegurados pela CF-88 foi aportado para cobrir o suposto "déficit"?
Se a Previdência é parte da Seguridade Social, e se o Orçamento da Seguridade Social é superavitário, de onde viria o suposto "déficit"? Esse chamado "déficit" aparece porque não se tem contabilizado também como fonte de receita da Previdência, a parte do Estado.
Desde 1989, a área econômica do governo se apropriou da CSLL e da Cofins. Em outras palavras, o Ministério da Previdência somente contabiliza, como fontes de financiamento da Previdência, as contribuições dos trabalhadores e a contribuição dos empregadores. Assim, o tão divulgado "déficit" é a parte que o governo deve aportar para financiar a Previdência. Mas ele nunca aportou.
Falar de algum "déficit" da Previdência é ataque frontal, é atropelar e desprezar a Constituição de 1988. Esse ataque e atropelamento começou nos últimos anos da transição democrática coordenada por José Sarney, como apontam os diversos estudos realizados pelo economista Aluísio Teixeira, dentre outros. Esse movimento contra a Constituição foi duramente denunciado pelo relator do capítulo sobre a Seguridade Social na CF-1988, o senador Almir Gabriel do PSDB em 1989:
"É interessante, para o governo, que o déficit público apareça na Previdência exatamente por este motivo: como não se pode aumentar a receita com impostos, o déficit da Previdência é um pretexto. Recursos que deveriam ter sido alocados no ministério foram desviados para outros setores, para cobrir outros setores, para cobrir outros buracos de caixa. Além de deixar de custear a máquina previdenciária, não arcando com as despesas administrativas e de pessoal, o governo está utilizando parte do Finsocial [Cofins] para pagar os segurados e pensionistas da União, que sempre foram pagos com recursos do Tesouro Nacional e não do Iapas" (Governo aumentará contribuições para sanear Previdência. Folha de S.Paulo, 17/5/1989).
O mesmo descaso pelo texto Constitucional foi admitido, pública e impunemente, pelo então ministro da Previdência e Assistência Social, Jáder Barbalho, em entrevista concedida em meados de 1989:
"Não vou discutir ética. (...) O grande problema do ministro do Planejamento é que ele tem vários déficits para administrar. Na hora que eu pedir para ele mandar a Cofins para Previdência, ele pode chegar e perguntar: 'Como é que eu vou pagar os pensionistas da União?' Isso porque o déficit da Previdência é resultado do déficit da União. Todo mundo deve ser pago com o dinheiro da seguridade social, mas a maior parte foi destinada ao pagamento dos pensionistas da União" (Um rombo federal. Entrevista com Jáder Barbalho. Veja, 31/5/1989).
E o descaso foi repetido por todos os governos entre 1990 e 2017, aí incluídos os governos de coalização liderados pelo Partido dos Trabalhadores, a despeito dos alertas feitos pela bancada dos Trabalhadores (cinco Centrais Sindicais e duas Confederações de Aposentados) no relatório final do Fórum Nacional da Previdência Social, realizado em 2007.
Portanto, quem disser que há "déficit" desconsidera o que determinam os artigos 194 e 195 da Constituição de 88. Nesse debate, os protagonistas não são contadores e economistas dos bancos, mas juristas e constitucionalistas.
Em fevereiro de 2017, por exemplo, a Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, posicionou-se publicamente e afirmou em alto e bom som que a reforma da Previdência "tem sido apresentada pelo governo sob discurso de catástrofe financeira e "déficit", que não existem, evidenciando-se grave descumprimento aos artigos 194 e 195 da Constituição Federal, que insere a Previdência no sistema de Seguridade Social, juntamente com as áreas da Saúde e Assistência Social, sistema que tem sido, ao longo dos anos, altamente superavitário em dezenas de bilhões de reais".
Em suma, a pós-verdade de um fantasiado suposto "déficit" da Previdência é uma das faces da luta de classes que se expressa na disputa pelos recursos públicos. As “elites” financeiras jamais aceitaram que os movimentos sociais de 1970 e 1980, que lutavam contra a ditadura militar, capturassem uma parcela do PIB federal para financiar a Seguridade Social.
Não há déficit na Previdência. O que há é déficit de democracia e déficit de capitalismo. O "capitalismo" brasileiro, secularmente arcaico, não engole sequer alguns princípios elementares da socialdemocracia. Trata-se de "capitalismo" sem capitalistas. E, em breve, sem consumidores.
*Eduardo Fagnani é professor do Instituto de Economia da Unicamp, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (Cesit) e coordenador da rede Plataforma Política Social
Fonte - Portogente  05/05/2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Diretor da OIT alerta que Reforma Trabalhista pode trazer problemas ao Brasil

Política  👷

A afirmação foi feita nesta quinta-feira, na última audiência pública da Comissão Especial da Reforma Trabalhista da Câmara dos Deputados, em Brasília.Segundo Poschen, mais de 80 convenções da entidade preveem que uma lei deve ter mais valor do que um acordo coletivo. Ele citou as convenções 98 e 154, que tratam sobre negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores. A interpretação do dirigente é o oposto do que defende o governo do presidente Michel Temer.

Sputnik
foto - ilustração/Arquivo
O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) Peter Poschen alertou autoridades e políticos brasileiros envolvidos na Reforma Trabalhista para os acordos assinados pelo país no passado. A afirmação foi feita nesta quinta-feira, na última audiência pública da Comissão Especial da Reforma Trabalhista da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Segundo Poschen, mais de 80 convenções da entidade preveem que uma lei deve ter mais valor do que um acordo coletivo. Ele citou as convenções 98 e 154, que tratam sobre negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores. A interpretação do dirigente é o oposto do que defende o governo do presidente Michel Temer.
Entretanto, o diretor da OIT explicou que a entidade não tem posicionamento favorável ou contrário ao tema, se colocando a disposição para formular um parecer, caso solicitado pelo governo brasileiro. Poschen sustentou ainda que o país, com a Reforma Trabalhista, não pode tolerar más condições de trabalho ou a exploração do trabalhador.

Mais críticas
Outros debatedores também alertaram para o teor da reforma que o governo está tentando aprovar. Um dos pontos mais questionados foi a alegação de que alterar as leis trabalhistas do Brasil significa gerar mais empregos.
“Não há nenhum estudo que indique esta relação de causa e efeito. Tanto é que muitos países fizeram reforma trabalhista e voltaram atrás”, avaliou o advogado trabalhista Mauro de Azevedo Menezes. Ele ainda criticou a abrangência desta e outras reformas em curso, as quais terão impactos nos direitos sociais da população.
Já o representante do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) Artur Bueno destacou que ampliar a jornada de trabalho de oito horas para 12 horas, que consta no texto da Reforma Trabalhista, pode fazer crescer o desemprego, assim como o número de acidentes e doenças ocupacionais.

Relator defende mudanças
Relator do projeto, o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) voltou a dizer que o Congresso precisa agir contra a alta taxa de desemprego, exaltando que reformas estruturais podem acontecer em tempos de crise. O parlamentar aproveitou para criticar as interpretações “equivocadas” sobre a lei sancionada recentemente por Temer, que regulamentou a terceirização.
Também presente na audiência pública, o ex-ministro do Trabalho no governo de José Sarney e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Almir Pazzianotto, exaltou que o negociado sobre o legislado pode sim ser um “instrumento hábil de combate de desemprego”.
“Ninguém mais quer gerar empregos, porque todo emprego encerra um passivo oculto […]. Temos uma legislação insegura. E um sistema jurídico inseguro é imprestável”, explicou. Assim como Marinho, Pazzianotto deu a entender que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943, está ultrapassada em razão da atual relação entre tecnologia e automação no mercado de trabalho.
Fonte - Sputnik  07/04/17

terça-feira, 4 de abril de 2017

Contingenciamento coloca em risco investimento de Transportes e Defesa

Política  🚌📡

Com o contingenciamento, o governo definiu os limites de empenho de cada ministério para este ano, que é a autorização inicial para o gasto. O corte do decreto chegou, no entanto, a R$ 43,555 bilhões, pois o governo criou uma reserva de R$ 2 bilhões, que será distribuída no futuro de acordo com determinações dos ministros do Planejamento, Dyogo de Oliveira, e da Fazenda, Henrique Meirelles.

Valor Econômico - RF
foto - ilustração
O decreto de contingenciamento, editado na semana passada pelo presidente Michel Temer, afetará duramente os investimentos programados para este ano pelos ministérios dos Transportes e da Defesa. O primeiro perdeu R$ 6 bilhões, ou 35,9% das dotações destinadas aos investimentos e a gastos com custeio. O segundo também perdeu R$ 6 bilhões ou 38,5% do total sujeito ao contingenciamento.
Pela primeira vez, o decreto de programação orçamentária e financeira passou a detalhar o montante, por ministério, das despesas que, embora sejam classificadas como discricionárias, são efetivamente obrigatórias. Com isso, ficou mais evidente a pequena margem que o governo possui para fazer cortes em sua programação orçamentária.
As chamadas despesas discricionárias programadas para este ano totalizavam R$ 276,2 bilhões. Mas uma parte considerável deste gasto não pode ser cortada como, por exemplo, o programa Bolsa Família. Por isso, de acordo com o relatório de avaliação de receitas e despesas do segundo bimestre, a chamada base contingenciável (sujeita a cortes) neste ano é de apenas R$ 149,756 bilhões.
Foi sobre esse total que o governo realizou corte de R$ 41,555 bilhões. Com o contingenciamento, o governo definiu os limites de empenho de cada ministério para este ano, que é a autorização inicial para o gasto. O corte do decreto chegou, no entanto, a R$ 43,555 bilhões, pois o governo criou uma reserva de R$ 2 bilhões, que será distribuída no futuro de acordo com determinações dos ministros do Planejamento, Dyogo de Oliveira, e da Fazenda, Henrique Meirelles. O governo deixou também uma reserva de R$ 3 bilhões para elevar os limites de pagamento dos ministérios.
O decreto do presidente Temer apenas define os limites para empenho e para pagamento de cada ministério neste ano. Caberá a cada ministro definir onde serão realizados os cortes. Por isso, ainda não é possível saber quais serão as ações e os programas de investimento mais afetados pelo contingenciamento. Essa programação final por ministério, que consiste na distribuição do limite fixado, não é divulgada pelo governo. Assim, o contribuinte acaba não sabendo onde os cortes foram realizados.
Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram reduzidos do total de R$ 37,192 bilhões, que constava da lei orçamentária, para R$ 26,655 bilhões - corte de R$ 10,537 bilhões ou 28,3% do total. A tesoura atingiu também as emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento, que foram reduzidas de R$ 9,048 bilhões para R$ 6,369 bilhões. As emendas de bancada caíram de R$ 6,067 bilhões para R$ 3,2 bilhões.
O Ministério da Agricultura, que atualmente está sob fogo da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, perdeu R$ 1,8 bilhão ou 66,7% das dotações sujeitas ao contingenciamento. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações também foi duramente afetado: teve dotações reduzidas em R$ 2,6 bilhões ou 44,1% do total que poderia ser cortado.
A tesoura não poupou nem mesmo os ministérios da Educação e da Saúde. O primeiro perdeu R$ 5 bilhões ou 18,3% das dotações sujeitas ao corte e o segundo, R$ 6,4 bilhões ou 21,7% do total contingenciável. Uma parte considerável da redução das despesas desses dois ministérios resultou do corte das emendas dos parlamentares ao Orçamento.
Fonte - Revista - Ferroviária  04/04/2017