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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Preparar-se para o pior, garantir a contenção de danos

Ponto de Vista/Política  🔍

A crise, que até então infernizava a massa da população paupérrima (assolada pela doença e pela falta de recursos) entrou pela casa adentro do setor organizado, arrombando a porta. O infausto anúncio somou-se coincidentemente ao da demissão por PDV de cinco mil bancários do BB e do fechamento de quase 400 agências, bem como de inúmeras demissões maciças em muitos outros setores; uma epidemia de demissões anunciadas.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente 
João G.Vargas Netto
Escrevo este primeiro texto de 2021 impressionado pela velocidade com que avançam a Covid, o desemprego e o desespero dos brasileiros acossados pela fome. As seis centrais sindicais, no dia 5 de janeiro, determinaram a concentração de nossas preocupações e exigências na luta pela vacinação já, pelo auxílio emergencial e pela solidariedade social aos mais desvalidos. Mas então houve o brutal anúncio da Ford do fechamento de três fábricas no Brasil. A crise, que até então infernizava a massa da população paupérrima (assolada pela doença e pela falta de recursos) entrou pela casa adentro do setor organizado, arrombando a porta. O infausto anúncio somou-se coincidentemente ao da demissão por PDV de cinco mil bancários do BB e do fechamento de quase 400 agências, bem como de inúmeras demissões maciças em muitos outros setores; uma epidemia de demissões anunciadas. Para o movimento sindical que tem resistido e procurado manter a lucidez e a unidade, a situação criada é a que recomenda preparar-se para o pior, sem ilusões, sem bravatas, sem desfalecimento. Preparar-se para o pior implica imediatamente um esforço das direções sindicais de subirem às bases, conectando-se com as aflições e expectativas de milhões de trabalhadores. Significa também garantir a unidade de ação ao resistir e evitar o discurso voluntarista grandiloquente e vazio que na prática precede derrotas acachapantes e que, no mínimo, não leva em conta as possibilidades reais de luta, bem como a solidariedade imediata e necessária aos trabalhadores prejudicados. A garantia de contenção de danos pressupõe a exigência de vacinação pelo Programa Nacional de Imunização apoiado por uma efetiva autoridade sanitária nacional informal que realize também uma campanha maciça de esclarecimento, convencimento e comunicação. Conter danos é também o objetivo da continuidade do auxílio emergencial de 600 reais até o fim da pandemia. Conter danos é ajudar os metalúrgicos da Ford a resistirem ao fechamento das fábricas, garantindo a eles na confirmação das demissões a totalidade das dívidas trabalhistas, a recolocação e auxílios emergenciais (como, por exemplo, considerar o estoque de veículos já produzidos pela Ford como um fundo adicional que lhes garanta um abono complementar). Ao se preparar para enfrentar o pior e garantir a contenção de danos o movimento sindical demonstrará sua relevância.
*João Guilherme Vargas Netto* - Analista Político
Fonte - Portogente  18/01/2021

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Prioridade é o bem-estar da população

Ponto de Vista  🔍

O desemprego já atinge metade da população economicamente ativa e as empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, enfrentam enormes dificuldades para seguir atuando neste cenário de paralisação geral.Sem margem de manobra, tendo em vista que o desempenho econômico do País já era muito ruim mesmo antes da pandemia, nos vemos numa situação extremamente delicada. 

Murilo Pinheiro* - Portogente
Murilo Pinheiro
O Brasil enfrentará neste ano, conforme tudo indica, a pior recessão de sua história, com retração estimada de até 10% no Produto Interno Bruto (PIB). O desemprego já atinge metade da população economicamente ativa e as empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, enfrentam enormes dificuldades para seguir atuando neste cenário de paralisação geral.
Sem margem de manobra, tendo em vista que o desempenho econômico do País já era muito ruim mesmo antes da pandemia, nos vemos numa situação extremamente delicada. Em meio a tudo isso, seguimos com a necessidade premente de manter como prioridade o combate à pandemia, a assistência à saúde pública e a garantia de sobrevivência da população durante esse período. Ou seja, é com esse pacote extremamente complexo que precisamos lidar.
Este é o momento portanto de Estado e sociedade terem compreensão plena do que é relevante. Completamente equivocado desde sempre, o teto de gastos implantado em 2016 pela Emenda Constitucional 95 deve ser revogado. Não será possível fazer frente às urgências da sociedade brasileira, que inclui todos os 211 milhões de habitantes, seguindo uma cartilha financista que só interessa a uma minoria. O Estado deve cumprir seu papel e agir, sem demagogia ou irresponsabilidade, mas com coragem e seriedade.
É hora de lançar mão dos mecanismos existentes para estimular a atividade onde ela é possível desde já. Há, por exemplo, milhares de obras paralisadas a serem retomadas. A reversão do parque industrial também está na pauta e vem sendo apontada como forma de suprir demandas importantes, como de equipamentos médico-hospitalares, e recuperar um setor fundamental ao desenvolvimento. A engenharia nacional tem amplas condições de contribuir com esse processo e seus profissionais estão a postos para atuar.
Imprescindível ainda que tais prioridades sejam levadas em conta na reforma tributária que se encontra em discussão no Congresso. Essa deve gerar um sistema que priorize a produção sobre o rentismo e promova a justiça social, cobrando mais dos mais ricos. A crise sanitária tornou ainda mais evidente a gravíssima desigualdade social existente no Brasil, que relega enorme parcela da população à exclusão. Se o objetivo é algum dia sermos verdadeiramente uma nação desenvolvida, não é possível transigir com essa realidade chocante. Um bom caminho para mudar esse quadro é alterar o padrão de arrecadação e de gasto do Estado.
A mudança seria bem-vinda até porque a parcela que se beneficia de medidas de austeridade, ainda que essas custem vida de tantos, vai muitíssimo bem. Levantamento da Oxfam aponta crescimento de US$ 34 bilhões no patrimônio líquido de 42 bilionários brasileiros entre março e meados de julho deste ano. Na América Latina e Caribe como um todo, o aumento foi de US$ US$ 48,2 bilhões, equivalente a 38% do total dos pacotes de estímulo de todos os países da região durante a quarentena. Segundo a organização, isso representa ainda nove vezes os empréstimos de urgência do Fundo Monetário Internacional (FMI) a essas nações.
* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp)
Fonte - Portogente  29/07/2020  

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Derretendo o iceberg

Ponto de Vista  🔍

A miséria, o desemprego, as relações precárias de emprego, o endividamento das famílias, a não obtenção de benefícios sociais (o empoçamento do Bolsa Família) e a deterioração de serviços públicos (as filas do INSS) são condições negativas que se transformam em dados de uma realidade presente e aparentemente inacessível como um iceberg gelado.

João Guilherme Vargas Netto - Portogente
João G.Vargas Netto
O grande escritor alemão Goethe dizia que a moda é a tradição instantânea. O novo normal não é tradição porque é novo e não é instantâneo porque se acumula. O novo normal não é uma moda.
O novo normal nas relações de trabalho é a sua desorganização total, de forma que sempre há algo pior do que aquilo que serve de referência; o organizado se torna uma ilha cercada por todos os lados.
Assim, por exemplo, o empregado formal é acossado pelos informais, o motorista Uber diz que o motorista 99 é mais sacrificado, o entregador de pizza diz que o desalentado que não procura emprego passa pior que ele. É uma escada em que cada degrau é um purgatório na descida para o inferno.
O novo normal também é o acúmulo sucessivo de situações precárias que, sem ter solução, adquirem inércia porque se petrificam.
A miséria, o desemprego, as relações precárias de emprego, o endividamento das famílias, a não obtenção de benefícios sociais (o empoçamento do Bolsa Família) e a deterioração de serviços públicos (as filas do INSS) são condições negativas que se transformam em dados de uma realidade presente e aparentemente inacessível como um iceberg gelado.
Foi para enfrentar última dessas situações constrangedoras que as centrais sindicais determinaram a realização de manifestações nos postos do INSS. Hoje, dia 14, em vários deles e alguns locais de concentração os ativistas (cadê os aposentados do Sindnapi?) puderam demonstrar seu repúdio às filas, sua solidariedade aos prejudicados e exigiram medidas imediatas para enfrentar a precarização do serviço e reforçar a presença dos funcionários públicos qualificados para tanto.
É ainda muito pouco e um pouco tardiamente, mas é um começo.
Para enfrentar o novo normal que se banaliza é preciso organizar a insatisfação que oriente ações solidárias, imediatas e unitárias que o tornem anormal e provoquem sua mudança, derretendo o iceberg.
* Consultor sindical e analista político
Fonte - Portogente  17/02/2020

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Energia Solar: Proposta da Aneel pode afetar geração de 12 mil empregos na Bahia

Energia sustentável  💡

Nos últimos 12 meses no Estado, a potência instalada em GD alcançou um crescimento de aproximadamente 148% e as novas regras seriam uma regressão para o segmento, que está em plena ascensão. No Panorama de Energias Renováveis deste mês, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) alerta que o estado pode deixar de criar 12 mil postos de trabalho caso a agência federal concretize a nova taxação.

Da Redação
foto - ilustração/arquivo
Desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), abriu consulta sobre novas regras para geração distribuída (GD), de solar fotovoltaica, com a proposta de reduzir os subsídios para os consumidores que geram sua própria energia, uma grande discussão se instalou no país e, na Bahia, não foi diferente. Nos últimos 12 meses no Estado, a potência instalada em GD alcançou um crescimento de aproximadamente 148% e as novas regras seriam uma regressão para o segmento, que está em plena ascensão. No Panorama de Energias Renováveis deste mês, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) alerta que o estado pode deixar de criar 12 mil postos de trabalho caso a agência federal concretize a nova taxação.
Em um período de seis anos, desde a criação da Resolução Normativa 482 da Aneel, em 2012, a Bahia instalou 12,26 megawatt (MW) de potência, mas nos últimos 12 meses, o Estado acrescentou 18,15 MW a sua potência instalada, somando 30,41 MW de potência. A Bahia tem ainda a possibilidade de crescimento de 92%, com 177 MW de potência instalável neste setor energético. Até o final de outubro de 2019, foram instalados 2,9 mil sistemas, atendendo a 3,9 mil unidades consumidoras.
De acordo com o vice-governador João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico (SDE), o Governo da Bahia vem trabalhando de forma intensa para a criação de uma política de desenvolvimento do setor de micro e minigeração, e que vem dando resultados positivos. "Temos fomentado esse novo mercado para atração de mais negócios e a alteração das regras pode impedir o segmento que é bastante promissor. Estamos apoiando o mercado e vamos buscar um diálogo com a Aneel para resolver essa questão", afirma.
"Sabemos que a Bahia aumentará exponencialmente a participação neste mercado nos próximos anos, então a estimativa de empregos será ainda maior, eles estarão espalhados em 243 municípios e serão extremamente qualificados - como engenheiros, instaladores, operadores e toda a cadeia produtiva indireta associada ao setor. É necessário um ambiente com oportunidades e segurança jurídica para que as empresas continuem crescendo e se consolidem no país e na Bahia. Para isto, a proposta da Aneel precisa ser revista com urgência", pontua Laís Maciel Lafuente, diretora de Interiorização do Desenvolvimento da SDE.

Entenda o caso
Ao longo de 2018 e início de 2019, um amplo processo de discussão com a sociedade foi colocado em pauta a fim de compreender os benefícios e impactos que a GD causa sobre o setor elétrico. Em maio de 2018 a Aneel abriu uma consulta pública, que foi embasada pela Nota Técnica 62/2018 (NT 62), e nela apresentou alguns pontos que deverão ser abordados na revisão. O principal diz respeito à manutenção ou não da forma como hoje se dá a compensação de créditos.
No modelo vigente, atualmente, 100% da energia produzida é abatida da energia consumida pelos imóveis, seja da unidade geradora ou receptora. O que ocorre é que a energia produzida por micro e minigeração é lançada na rede de distribuição e a justificativa da taxação é compensar a concessionária. A maior reclamação do setor, no entanto, é a porcentagem abusiva que pode chegar a 66%.
Stéphane Pérée, diretor da Associação Baiana de Energia Solar, conta que após tantos meses de debate e contribuições, o mercado foi surpreendido em outubro pela agência nacional, que segundo ele, desconsiderou totalmente as contribuições do mercado. "Uma proposta pouco transparente e que retira completamente o fotovoltaico da matriz energética brasileira. Estamos correndo para destrinchar o que o órgão quer e informar à população e seus representantes do jogo pouco transparente e pouco democrático que a Aneel está propondo agora", diz.
O diretor explica que o setor está se mobilizando através das associações para mostrar que o fotovoltaico "está longe de promover prejuízos no Brasil" e traz como benefícios o barateamento progressivo do custo energético e estimulam as indústrias a produzirem de forma mais eficiente. "Quanto mais a gente colocar a micro e mini geração no Brasil, menos pressão será feita sobre o mercado para lançar termelétricas. E ainda baratearemos a energia no Brasil", acrescenta.
Com informações da  Seinfra BA  04/11/2019

terça-feira, 21 de maio de 2019

Confusão no ar

Ponto de Vista  🔍

Há muita confusão no ar e é por isto que se deve manter a cabeça fria e a vontade firme. -Há um verdadeiro decantamento na sociedade e um desencantamento com as promessas que na campanha eleitoral iludiram muita gente. Mais uma vez, insisto, é hora de persistência no bom senso.Reagir às medidas reacionárias e contrárias aos interesses de todos (excluindo apenas os enraivecidos bolsonaristas) e fortalecer a frente democrática em defesa da Constituição é tarefa de todos e de cada um.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João G.Vargas Netto
Quando a fina flor dos economistas da banca são unânimes em afirmar, destilando pessimismo, que o governo perdeu o momento mágico de fazer as deformas; quando apoiadores do presidente convocam atos de rua contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Centrão e contra o “sistema” e quando, renitentemente, o travamento da economia se transforma em recessão e depressão com o desemprego nas alturas é hora de persistir no caminho apontado pelas manifestações do dia 15.
Há um verdadeiro decantamento na sociedade e um desencantamento com as promessas que na campanha eleitoral iludiram muita gente. Mais uma vez, insisto, é hora de persistência no bom senso.
Reagir às medidas reacionárias e contrárias aos interesses de todos (excluindo apenas os enraivecidos bolsonaristas) e fortalecer a frente democrática em defesa da Constituição é tarefa de todos e de cada um.
Os estudantes e o pessoal da Educação demonstraram sua insatisfação e convocam novas manifestações para o dia 30 de maio. Esta pauta e esta tática estão corretas e devem ser respeitadas e apoiadas.
Uma manobra parlamentar em curso, apesar do atropelo das discussões de inúmeras medidas provisórias, pretende tirar do Executivo o protagonismo da deforma previdenciária e votá-la com modificações. Mais que nunca cresce a necessidade de diálogo com os parlamentares e a reafirmação da luta contra a deforma com o desmascaramento das orientações do posto Ipiranga.
O movimento sindical dos trabalhadores tem uma e uma só grande tarefa: a realização com êxito da greve geral do dia 14 de junho.
Todas as iniciativas – abaixo-assinado dos trabalhadores contra a deforma, greves localizadas em negociações salariais, greves decorrentes da tática das GPSs, visitas a parlamentares, personalidades e instituições relevantes (civis e militares) – devem ter o norte de fortalecer a convocação para greve e de garantir seu êxito.
Com o sucesso da greve, que encarna sua pauta, o movimento sindical demonstrará sua relevância e, junto com os demais protagonistas, desempenhará papel importante na superação da crise e da confusão que está no ar.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político
Fonte - Portogente  21/005/2019

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Taxa de desemprego cresce em 14 estados no primeiro trimestre do ano

Economia  👷

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD-C), divulgada hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),a taxa de desemprego cresceu em 14 das 27 unidades da Federação no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre do ano passado.A taxa de subutilização (os que estão desempregados, que trabalham menos do que poderiam e que estavam disponíveis para trabalhar mas não conseguiram procurar emprego) do primeiro trimestre foi a maior dos últimos da série histórica (iniciada em 2012) em 13 das 27 unidades da Federação

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A taxa de desemprego cresceu em 14 das 27 unidades da Federação no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o último trimestre do ano passado, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (PNAD-C), divulgada hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas outras 13 unidades, a taxa manteve-se estável.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, no entanto, apenas quatro unidades da Federação tiveram aumento da taxa de desemprego.
Na passagem do último trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano, as maiores altas da taxa de desemprego foram observadas no Acre (de 13,1% para 18%), Goiás (de 8,2% para 10,7%) e Mato Grosso do Sul (de 7% para 9,5%).
Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, os estados que registraram alta na taxa foram Roraima (de 10,3% para 15%), Acre (de 14,4% para 18%), Amazonas (de 13,9% para 14,9%) e Santa Catarina (de 6,5% para 7,2%).
Já os estados que tiveram queda na taxa, nesse tipo de comparação, foram Pernambuco (de 17,7% para 16,1%), Minas Gerais (de 12,6% para 11,2%) e Ceará (de 12,8% para 11,4%).

Subutilização
A taxa de subutilização (os que estão desempregados, que trabalham menos do que poderiam e que estavam disponíveis para trabalhar mas não conseguiram procurar emprego) do primeiro trimestre foi a maior dos últimos da série histórica (iniciada em 2012) em 13 das 27 unidades da Federação.
As maiores taxas foram observadas no Piauí (41,6%), Maranhão (41,1%), Acre (35%), na Paraíba (34,3%), no Ceará (31,9%) e Amazonas (29,2%). A taxa média de subutilização no país foi de 25%, também a maior da série histórica.
Os maiores contingentes de desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego) no primeiro trimestre deste ano foram registrados na Bahia (768 mil pessoas) e no Maranhão (561 mil). Os menores foram observados em Roraima (8 mil) e no Amapá (15 mil).
Os maiores percentuais de trabalhadores com carteira assinada estavam em Santa Catarina (88,1%), no Rio Grande do Sul (83,2%) e Rio de Janeiro (81,8%) e os menores, no Maranhão (50,3%), Piauí (52,5%) e Pará (53,0%).
As maiores proporções de trabalhadores sem carteira foram observadas no Maranhão (49,5%), Piauí (47,8%) e Pará (46,4%), e as menores, em Santa Catarina (13,2%), no Rio Grande do Sul (18,0%) e Rio de Janeiro (18,4%).
Em relação ao tempo de procura de emprego no Brasil, 45,4% dos desocupados estavam de um mês a menos de um ano em busca de trabalho; 24,8%, há dois anos ou mais, 15,7%, há menos de um mês e 14,1% de um ano a menos de dois anos.
Fonte - Agência Brasil  16/05/2019

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O desalento do desemprego

Ponto de Vista/Desemprego  👷

Um dos maiores dramas enfrentados pelo trabalhador brasileiro nos dias atuais é, sem qualquer dúvida, o desemprego, ou a possibilidade de vir a passar por tal situação. Quem tem seu emprego, e nunca vivenciou tal cenário, talvez não consiga dimensionar a reviravolta na vida de um trabalhador, um chefe de família que, repentinamente, se vê impossibilitado de pagar as contas de sua casa, adquirir aquilo que se fizer necessário ou trazer o sustento para si próprio e para os seus.

Miguel Torres
foto - ilustração
Miguel Torres é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e presidente interino da Força Sindical
Um dos maiores dramas enfrentados pelo trabalhador brasileiro nos dias atuais é, sem qualquer dúvida, o desemprego, ou a possibilidade de vir a passar por tal situação. Quem tem seu emprego, e nunca vivenciou tal cenário, talvez não consiga dimensionar a reviravolta na vida de um trabalhador, um chefe de família que, repentinamente, se vê impossibilitado de pagar as contas de sua casa, adquirir aquilo que se fizer necessário ou trazer o sustento para si próprio e para os seus.
Hoje, o número de desempregados em nosso País ultrapassa a casa dos treze milhões de trabalhadores, e o número de trabalhadores no mercado informal – sem registro em Carteira e sem qualquer direito trabalhista – é quase idêntico. Se, acrescido ao número de trabalhadores fora do mercado de trabalho, contabilizarmos, também, os familiares que deles dependem, o número torna-se estratosférico, impossível de ser calculado com exatidão ou mesmo aproximadamente.
O Brasil necessita, urgentemente, que nossas autoridades atuem no sentido de, efetivamente, formalizar políticas que favoreçam a geração de postos de trabalho e a distribuição de renda. Mas o que assistimos recentemente, incrédulos, foi a criação de uma reforma trabalhista que, em vez de alavancar a geração de emprego, precariza os formais sobreviventes ao holocausto trabalhista à custa da supressão de direitos, o achatamento de salários, jornadas intermitentes e as frequentes tentativas de enfraquecimento da atuação sindical, entre outras aberrações igualmente perniciosas que só trazem desalento.
Para que o Brasil retome o seu caminho do desenvolvimento pleno e do crescimento econômico, os brasileiros precisam ter trabalho e ser amparados por uma legislação que verdadeiramente os proteja e os ampare.
A nossa luta é justamente para que este quadro seja alterado, os postos formais de trabalho ressurjam com vigor, a renda seja distribuída da forma que deve ser feita, os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e ampliados e as famílias não se desagreguem por conta de uma situação pela qual elas não têm nenhuma culpa. A luta é árdua, mas temos de galgar um degrau por vez para que as coisas voltem à normalidade. Só não podemos – e não vamos – parar de lutar!
*Miguel Torres é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e presidente interino da Força Sindical
Fonte - Portogente  22/10/2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Déficit orçamentário e retomada da economia

Ponto de Vista/Economia  🔍

Os bancos são os guardiães do dinheiro entesourado pelos capitalistas. Recebem uma remuneração por conta. Esse dinheiro é remunerado integralmente pelo Banco Central sem qualquer contrapartida de investimento. Milton Friedmann, o pai do monetarismo, dizia que não existia algo como almoço grátis na economia. É um equívoco. Os bancos recebem almoço grátis, isto é, juros toda vez que guardam reservas no Banco Central.Não é necessário explicar por que os banqueiros não gostam de taxas de juros baixas; isso afeta diretamente seus ganhos.

*José Carlos de Assis - Portogente
foto - ilustração/arquivo
É claro que os capitalistas teriam graves problemas com seu caixa porque não teriam como aplicá-lo com segurança. É que eles são muito críticos da dívida pública mas na hora de guardar dinheiro preferem títulos do governo aos papéis emitidos pelo setor privado, de segurança duvidosa.
Os bancos são os guardiães do dinheiro entesourado pelos capitalistas. Recebem uma remuneração por conta. Esse dinheiro é remunerado integralmente pelo Banco Central sem qualquer contrapartida de investimento. Milton Friedmann, o pai do monetarismo, dizia que não existia algo como almoço grátis na economia. É um equívoco. Os bancos recebem almoço grátis, isto é, juros toda vez que guardam reservas no Banco Central.
Voltemos ao ponto inicial. Os economistas ditos ortodoxos só são tolerantes com déficits orçamentários quando sua origem são gastos de defesa. Mas aí temos outro problema. Gastos de defesa, do ponto de vista financeiro, são da mesma natureza de um gasto orçamentário qualquer. Como o déficit público costuma ser associado a surtos inflacionários, não há nada que explique o fato pelo qual o gasto com defesa não gera inflação.
Até aqui foi possível argumentar que o déficit público beneficia os capitalistas e não gera inflação. Agora convém explicar por que os banqueiros não gostam dele. A razão é estupidamente simples: déficit público aumenta o dinheiro em circulação na economia e por isso força a baixa da taxa de juros. Não é necessário explicar por que os banqueiros não gostam de taxas de juros baixas; isso afeta diretamente seus ganhos.
Mas há outra razão pela qual banqueiros não gostam de déficits públicos: é que o déficit em geral corresponde a gastos públicos sociais que beneficiam proporcionalmente mais os pobres dos que os ricos - o que é considerado um “roubo” pelos banqueiros, uma espécie de Robin Wood ao contrário. Quando o gasto público se destina a salários, e não a investimento, os banqueiros ficam ainda mais exasperados em relação ao déficit.
Agora vamos analisar a questão do déficit do ponto de vista do interesse público, e não do interesse dos banqueiros. Primeiro, vamos admitir que uma economia em rápido crescimento não deve ter déficit público. Nesse caso, o Governo deve gastar o que arrecada, nem mais nem menos. Mas a economia pode entrar em recessão ou depressão, como é nosso caso hoje. Nesse caso surge um problema: de onde virá a recuperação?
A característica da crise é uma queda da demanda efetiva, ou seja, uma situação na qual as pessoas não tem dinheiro suficiente para comprar tudo o que a economia oferece. O desemprego agrava a situação. Com isso, os empresários não investem, pois estará sobrando mercadorias nas prateleiras. O único setor da economia que pode retomar os investimentos sem ter que se preocupar com a demanda é o setor público.
O besteirol neoliberal – ou seja, os economistas que racionalizam os interesses dos banqueiros – sustenta que se o governo equilibrar o orçamento os empresários terão confiança para voltar a investir. É uma patacoada. Como o empresário pode ter confiança na recuperação da economia se suas prateleiras estão cheias, sem perspectiva de venda? O empresário pode até manter o nível de produção, mas aumentar nunca.
Tudo isso tem pouca importância em relação ao lado humano que é mantido escondido pelos neoliberais: o desemprego. Uma alta taxa de desemprego é uma desgraça para milhões de famílias. Não colocar o combate ao desemprego como prioridade absoluta de governo é um crime de lesa-pátria. O mais grave é que conhecemos muito bem os meios de acabar com o desemprego. São os fâmulos do neoliberalismo que nos impedem de usá-los.
*José Carlos de Assis é economista. Artigo publicado, originalmente, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Fonte - Portogente  16/10/2018

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Governo de mentiras

Ponto de Vista  🔍

A televisão mostrou uma gigantesca fila de desempregados, na capital paulista, em busca de senhas para entrevista de emprego, organizada por um sindicato.E uma reportagem nacional informou que, conforme o IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há mais de 13 milhões de desempregados.

Zoel Garcia Siqueira* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Nos últimos dias, várias reportagens nos jornais, televisões, rádios e também nas redes sociais falam sobre o grande número de desempregados no Brasil.
Em um jornal local, a reportagem de capa falava que Guarujá é o município que menos criou empregos com carteira assinada na baixada santista e litoral.
A televisão mostrou uma gigantesca fila de desempregados, na capital paulista, em busca de senhas para entrevista de emprego, organizada por um sindicato.
E uma reportagem nacional informou que, conforme o IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há mais de 13 milhões de desempregados.
Atualmente, cerca de 91 milhões estão no mercado de trabalho, mas muitos sem carteira assinada. E aumenta o número de trabalhadores sem registro, sem garantias legais.
Como professor de história e formado em sociologia, tenho obrigação de fazer com que não nos esqueçamos do passado. Passado, aliás, extremamente recente.
Em julho de 2017, há um ano, mas a imprensa tradicional esqueceu, o presidente golpista, postiço e entreguista Michel Temer (MDB) assinou a famigerada lei 13.467.
O congresso nacional aprovou a indecência a toque de caixa e ela vigora desde novembro. Um de seus objetivos era criar milhares de empregos. Dizia a corja que a legislação trabalhista histórica era um obstáculo ao crescimento da oferta de emprego. E que o custo Brasil prejudicava as condições de trabalho.
O resultado da reforma trabalhista é o que temos hoje. Um aumento no número de desempregados e o crescimento dos trabalhadores sem registro em carteira. Esse governo mentiroso propagandeava que a reforma modernizaria as relações de trabalho. Que o digam as grávidas que hoje trabalham em locais insalubres. Isso é modernização?
A reforma aumentou o lucro dos patrões e retirou nossos direitos. Foimentira para manipular as massas que apoiaram os golpistas representantes da elite econômica.
*Zoel Garcia Siqueira, professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindicato dos Servidores Municipais de Guarujá (Sindserv)
Fonte - Portogente  07/08/2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

Indicadores de mercado de trabalho apresentam piora em junho

Economia   👷

Com a queda, o indicador atingiu 95,5 pontos em uma escala de zero a 200, próximo ao patamar de janeiro de 2017, quando o indicador atingiu 95,6 pontos. Essa é a quarta queda consecutiva do Iaemp, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre.

Por Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
Os dois indicadores de mercado de trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentaram piora em junho. O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que busca antecipar tendências do mercado de trabalho com base em entrevistas com consumidores e com empresários da indústria e dos serviços, caiu 5,6 pontos.
Com a queda, o indicador atingiu 95,5 pontos em uma escala de zero a 200, próximo ao patamar de janeiro de 2017, quando o indicador atingiu 95,6 pontos. Essa é a quarta queda consecutiva do Iaemp, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre.
De acordo com a FGV, a queda do indicador mostra a perda de confiança em uma maior geração de emprego ao longo dos próximos meses. “ A atividade econômica mais fraca, observada pelos indicadores do primeiro semestre, reflete uma situação atual e futura dos negócios mais difícil. O crescimento está abaixo do previamente esperado e, com isso, a consequência deverá ser menor contratação”, afirma o economista da FGV Fernando de Holanda Barbosa Filho.
Já o Indicador Coincidente de Desemprego, calculado com base na opinião dos consumidores sobre o mercado de trabalho atual, piorou 0,6 ponto. Foi a segunda piora consecutiva. O indicador atingiu atingiu 97,1 pontos em uma escala de zero a 200, em que quanto maior a pontuação, pior é o desempenho do indicador.
Fonte - Agência Brasil  10/07/2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CNI aponta índice do medo do desemprego acima da média histórica

Economia  👷

Segundo a CNI, o índice está 18,3 pontos acima da média histórica de 49,6 pontos. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior o medo do desemprego.De acordo com a pesquisa, o medo do desemprego cresceu mais para os homens e as pessoas com menor grau de instrução. Entre março e junho, o indicador subiu 5,6 pontos para os homens e 2,8 pontos para as mulheres.

Da Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
Poucas vezes nos últimos 22 anos os brasileiros ficaram tão preocupados com o emprego quanto agora, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice do Medo do Desemprego subiu para 67,9 pontos em junho, valor que está 4,2 pontos acima do registrado em março, e está entre os maiores da série histórica iniciada em 1996. Só em maio de 1999 e em junho de 2016, o indicador alcançou 67,9 pontos, informa a pesquisa divulgada hoje (9).
Segundo a CNI, o índice está 18,3 pontos acima da média histórica de 49,6 pontos. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior o medo do desemprego.
De acordo com a pesquisa, o medo do desemprego cresceu mais para os homens e as pessoas com menor grau de instrução. Entre março e junho, o indicador subiu 5,6 pontos para os homens e 2,8 pontos para as mulheres. Para os brasileiros que têm até a quarta série do ensino fundamental, o índice subiu 10,4 pontos entre março e junho e alcançou 72,4 pontos. Entre os que tem educação superior, o índice subiu 0,6 ponto e passou de 59,9 para 60,5 pontos.

Satisfação com a vida
O levantamento mostra ainda que a satisfação com a vida também diminuiu. O índice de satisfação com a vida caiu para 64,8 pontos, o menor nível desde junho de 2016, quando alcançou 64,5 pontos. O indicador varia de zero a 100 pontos. Quanto menor o indicador, menor é a satisfação com a vida.
Conforme a pesquisa, a queda do índice de satisfação com a vida foi maior na Região Sul, onde o indicador caiu 5,3 pontos entre março e junho e ficou em 63,8 pontos. Nas demais regiões, a retração foi inferior a 2,3 pontos. Nos estados do Sul, o índice é menor do que o das demais regiões.
O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 128 municípios entre os dias 21 e 24 de junho.
Fonte - Agência Brasil 09/07/2018

sábado, 7 de julho de 2018

SELEÇÃO?.... NADA A LAMENTAR

Ponto de Vista  🔍

A seleção da CBF perdeu a oportunidade de continuar disputando a copa do mundo de futebol,mais apenas isso e não ficará mais pobre por esse motivo.Mais o país,o Brasil continua perdendo muito,muito  mais, as suas reservas estratégicas,as suas grandes empresas de tecnologia de ponta,o Pré Sal, empresas de infraestrutura,empregos,saúde,educação,auto estima e muito mais.Um pais que instava em ser soberano agora se arrasta para o colonialismo.

Luis Prego Brasileiro*

Nem me pergunte se estou triste com a derrota da seleção,não,não estou,muito pelo contrário.Porque estaria eu triste pela derrota de uma seleção que representa uma "entidade privada"recheada de suspeitas e de jogadores na maioria "estrangeiros" que ganham fortunas para correm picula atrás de uma bola?.Porque deveria ficar triste quando o esporte que deveria ser usado como laser e inclusão social,um entretenimento sadio para a população,é usado com o um "ópio" que anestesia o povo afastando-o da realidade em que vivem?.Não contem comigo.Fico triste sim,pelos 14 milhões de desempregados no país, pelos mais de 100 mil brasileiros em situação de rua,com a falta de acesso a saúde,educação e moradia principalmente pela população mais carente,com a pobreza,com a fome,pelos direitos que vem sendo retirados e sonegados.Fico triste pela população jovem e negra que tomba prematuramente nas ruas ou nas favelas compondo uma triste e vergonhosa estatística.Pelas minorias oprimidas que não tem os seus direitos respeitados,com a descriminação sobre todas as formas existentes no país,com a desesperança,com uma "classe média",acéfala,que parece estar vivendo em outro país,que se sustenta num patamar de vidro frágil,falso e ilusório.Fico triste com o horizonte sombrio que se apresenta,com o entreguismo correndo desenfreado enquanto o povo seguia anestesiado pela "copa de futebol",e o país se esvaia perdendo boa parte do seu patrimônio Nacional construído com lutas e muito sacrifício.Fico triste pelo desalento que toma conta da nossa Nação.Como ficar triste com uma seleção que não nos representa,compostas por pessoas que tem um olhar fixado apenas para o seus interesses pessoais,vivendo distante no seu mundinho isolado e restrito?
Não contem comigo para fazer parte de uma "torcida" que a quatro anos atrás nas arquibancadas dos estádios brasileiros se dirigiam de maneira desrespeitosa,grotesca e agressiva a uma Senhora que ocupava o cargo mais alto do país,e que foi retirada do seu posto por um "golpe" ardilosamente arquitetado para esse fim.
Fico triste com o clima de ódio disseminado grotescamente que se alardeia e que divide uma nação que deveria estar unida em sua defesa e em prol da construção de um futuro próspero,pacífico e mais generoso para o seu povo.
Talvez agora que o efeito e a nuvem do "ópio" que se desfaz,traga de volta a realidade,que a dura realidade volte a aparecer para aqueles que ainda teimam em fingir que nada de errado acontece e se negam a enxergar a tempestade que avassala o país,comportando-se como se ele estivesse pairando soberanamente em um céu de brigadeiro.Talvez ainda haja tempo para cura dessa cegueira crônica e do lastimável analfabetismo político que contamina o país......e que não tarde muito a acontecer,pelo menos isso.Quanto a seleção, nada a lamentar.
*Luis prego Brasileiro -É fundador e faz parte da coordenação do movimento Salvador Sobre Trilhos,que atua na área de Mobilidade Urbana,Sustentabilidade e Urbanismo,e membro do Fórum a Cidade Também é Nossa
Pregopontocom  07/07/2018

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Taxa de desemprego sobe para 13,1%, diz pesquisa do IBGE

Economia  👷

O total de desempregados no país chegou a 13,7 milhões, um aumento de 11,2% em relação ao trimestre anterior (12,3 milhões).A população ocupada (90,6 milhões) caiu 1,7% em relação ao último trimestre do ano passado (92,1 milhões), mas cresceu 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2017 (88,9 milhões). 

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 13,1% no primeiro trimestre do ano. No último trimestre de 2017, atingiu 11,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em março de 2017, o desemprego havia sido de 13,7%.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada hoje (27) pelo IBGE, no Rio de Janeiro.

Brasil tem 13,7 milhões de desempregados
O total de desempregados no país chegou a 13,7 milhões, um aumento de 11,2% em relação ao trimestre anterior (12,3 milhões). Na comparação com o primeiro trimestre de 2017 (14,2 milhões de desocupados), houve queda de 3,4%.
A população ocupada (90,6 milhões) caiu 1,7% em relação ao último trimestre do ano passado (92,1 milhões), mas cresceu 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2017 (88,9 milhões).
Com isso, o nível de ocupação chegou a 53,6%, abaixo dos 54,5% do trimestre anterior, mas acima dos 53,1% do primeiro trimestre de 2017.

Trabalho formal
O número de empregados com carteira de trabalho assinada atingiu 32,9 milhões de pessoas, queda de 1,2% (408 mil pessoas) ante o trimestre anterior e de 1,5% (menos 493 mil pessoas) na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Já o número de empregados sem carteira assinada ficou em 10,7 milhões de pessoas, uma redução de 402 mil pessoas em relação ao último trimestre de 2017, mas uma alta de 5,2% de 533 mil pessoas em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Setores
Na comparação com o último trimestre de 2017, metade dos dez grupamentos de atividades pesquisados tiveram queda na população ocupada, com destaque para a construção, cujos ocupados recuaram 5,6% (uma perda de 389 mil postos de trabalho). Outros cinco grupamentos se mantiveram estáveis.
Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, três grupamentos registraram alta no total da população ocupada, com destaque para outros serviços, cujos postos de trabalho cresceram 10,4%. A construção foi o único grupamento com queda de 4,1%. Seis grupamentos ficaram estáveis.

Rendimento
O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro foi de R$ 2.169 no primeiro trimestre deste ano, relativamente estável tanto em relação ao último trimestre do ano passado quanto na comparação com o primeiro trimestre daquele ano.
Fonte - Agência Brasil  27/04/2019

terça-feira, 17 de abril de 2018

O desastre da reforma trabalhista

Ponto de Vista  🔍

O desemprego foi de 11,8%, em dezembro do ano passado, para 12,2%, em fevereiro. Em 2015, a taxa era de 8,5%, no mesmo período. A informalidade também cresceu e segue como a tendência no mercado de trabalho, com quase 3 milhões de brasileiros, entre autônomos e informais, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Murilo Pinheiro - Portogente
foto - ilustração/arquivo
As ações trabalhistas caíram, em média, 50% no país, desde 11 de novembro de 2017. Não há o que comemorar. É apenas o resultado da dificuldade do acesso dos trabalhadores à Justiça, após a reforma trabalhista, introduzida pela Lei 13.467/2017. Outros números denunciam a ineficácia da medida. O desemprego foi de 11,8%, em dezembro do ano passado, para 12,2%, em fevereiro. Em 2015, a taxa era de 8,5%, no mesmo período. A informalidade também cresceu e segue como a tendência no mercado de trabalho, com quase 3 milhões de brasileiros, entre autônomos e informais, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além dos efeitos colaterais, as fragilidades da lei também dão sinais. No Supremo Tribunal Federal (STF), 20 ações questionam a constitucionalidade da reforma trabalhista. O cenário de incertezas permanece e o Brasil não avança nas principais pautas, relacionadas à geração de emprego e distribuição de renda.
A judicialização das propostas do novo regime não é novidade para o movimento sindical, que já previa e reverberava os danos referendados pelas mudanças em mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Já o discurso governamental acerca da geração de emprego não se confirma e a onda prevista para o mercado, na verdade, é de precarização dos postos de trabalho.
Na contramão do direito, a reforma tenta afastar os sindicatos de suas bases gerando ainda maior desproteção ao trabalhador. Ao introduzir a necessidade de autorização prévia e expressa à contribuição sindical, sem esclarecer como essa deve se dar e deixando margem de dúvida à legitimidade das assembleias, a legislação também cria embaraços ao custeio sindical, o que, ao final, prejudica o trabalhador cuja defesa pode ficar comprometida.
Ao promover a subtração de recursos dos sindicatos, necessários para a manutenção de suas estruturas, a maior perda será da classe trabalhadora, que poderá, entre outros riscos, ficar desassistida judicialmente. Ao obrigar o trabalhador a arcar com as despesas de perícias necessárias a processos trabalhistas, além dos honorários em caso de perda na ação, a reforma trabalhista cria obstáculos econômicos e geram um clima de medo entre os trabalhadores, que receiam ser penalizados por buscar seus direitos.
As várias possibilidades de prevalência do negociado sobre o legislado aumentam a vulnerabilidade do trabalhador, ainda mais aguda em período de crise econômica e desemprego. A reforma traz a ameaça iminente da precarização das condições de trabalho em diversas frentes de atuação do profissional.
Após cinco meses de vigência da reforma trabalhista, a medida já se mostrou desastrosa. O fortalecimento dos sindicatos será a melhor estratégia para garantir o retorno da segurança jurídica nas relações trabalhistas. Os profissionais precisam estar integrados às ações promovidas por suas entidades e cobrar atuação pela manutenção e recuperação de direitos.
A ideia de crescimento não pode prescindir da garantia do trabalho decente. Ambos devem caminhar juntos: profissionais capacitados e valorizados são a chave para o crescimento do País.
A Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), ao representar 500 mil engenheiros, reafirma sua missão, constituída há 54 anos, de lutar pelos direitos da categoria. É nesse sentido que temos nos articulado para evitar que os engenheiros sejam submetidos a situações precarizantes como trabalho intermitente, pejotização ou exclusão na negociação coletiva. Somos parceiros dos trabalhadores, dos brasileiros, da sociedade. Queremos continuar atuando junto por condições de trabalho justas e um País melhor.
*Murilo Pinheiro é presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)
Fonte - Portogente  17/04/2018

quinta-feira, 29 de março de 2018

Desemprego cresce e atinge 12,6%; país tem 13,1 milhões de desempregados

Economia   👷

O país passa a ter 13,1 milhões de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgada hoje (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo o IBGE, em números absolutos, o resultado representa mais 550 mil pessoas em busca de emprego, entre um trimestre e outro.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A taxa de desocupação voltou a crescer no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, atingindo 12,6%, uma alta de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em novembro do ano passado. O país passa a ter 13,1 milhões de desempregados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgada hoje (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, em números absolutos, o resultado representa mais 550 mil pessoas em busca de emprego, entre um trimestre e outro. Na avaliação do coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, no entanto, o movimento de aumento na taxa de desemprego já era esperado e é comum nesta época do ano.
“Nesta época do ano, o crescimento da taxa é um movimento esperado. Sempre no primeiro trimestre do ano a taxa tende a subir, pois existe a dispensa dos trabalhadores temporários contratados para as festas de final de ano", justificou.

População ocupada cai 0,9%
Ainda em consequência deste movimento de dispensa de trabalhadores temporários, a pesquisa mostrou que, entre o trimestre encerrado em novembro e o que terminou em fevereiro, o país perdeu cerca de 858 mil postos de trabalho, com redução de 407 mil empregos no setor privado sem carteira e de 358 mil no setor público.
O número de empregados com com carteira de trabalho assinada ficou estável neste trimestre encerrado em fevereiro, em 33,1 milhões de trabalhadores, porém “foi o pior resultado em números absolutos da série histórica iniciada em 2012”, segundo Azeredo. As categorias empregador e trabalhadores por conta própria também ficaram estáveis.
A queda no número de postos de trabalho foi verificada principalmente no grupamento serviços, que reúne as atividades de administração púbica, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais, que chegou a perder 435 mil postos de trabalho; na construção, foram menos 277 mil empregos; e na indústria, menos 244 mil.

Comparação com o ano anterior
A taxa de desemprego de 12,6% neste trimestre significa “uma melhora do mercado de trabalho, quando a comparação se dá com o mesmo trimestre do ano anterior, quando a taxa chegou a 13,2% e alcançava 13,5 milhões de pessoas desocupadas, o pior resultado para esse trimestre na série histórica”.

População desocupada e rendimento
Pelos últimos dados do IBGE, a força de trabalho fora do mercado chegou a 64,9 milhões de pessoas, crescendo 0,8% (o equivalente a mais 537 mil pessoas desempregadas), e atingiu o maior nível na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Frente ao mesmo trimestre de 2017, no entanto, houve estabilidade.
Com a diminuição de 858 mil postos (-0,9%) no trimestre, a população ocupada caiu para 91,1 milhões de pessoas. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, no entanto, a população ocupada aumentou 2%, o equivalente a mais 1,7 milhão de pessoas empregadas.
Embora tenha ficado praticamente estável no fechamento do trimestre encerrado em fevereiro, em comparação com o ano anterior, o número de empregados com carteira assinada teve queda de 1,8%, o que equivale a menos 611 mil pessoas.
Já o número de empregados sem carteira assinada caiu 3,6%, indo a 10,8 milhões, o que equivale a menos 407 mil pessoas nessa situação em relação ao trimestre anterior. Em relação ao trimestre encerrado em fevereiro de 2017, o setor informal teve crescimento de 5%, mais 511 mil.
Os trabalhadores por conta própria eram 23,1 milhões em fevereiro, número estável em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2017. Em relação ao mesmo período de 2016/2017, porém, houve alta de 4,4% (mais 977 mil pessoas).
Já o rendimento médio real habitual recebido pelo trabalhador fechou o trimestre encerrado em fevereiro em R$ 2.186, ficando estável tanto em relação ao trimestre encerrado em novembro quando ao encerrado do mesmo trimestre do ano anterior.
Fonte - Agência Brasil   29/03/2017

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Inflação e custo de vida: por que os números enganam?

Ponto de Vista/Economia  🔍

A percepção geral da sociedade brasileira é que, hoje, os itens básicos estão muito caros e o rendimento mensal possibilita cada vez a compra de menos itens. Resumindo, houve o empobrecimento das famílias, principalmente, as de baixa renda,o País vivencia a redução no crescimento da economia, a diminuição das ocupações, a elevação do desemprego, o aumento da informalidade e a queda nos rendimentos.

Clemente Ganz Lúcio* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Em 2017, enquanto o governo comemorava a inflação média acumulada de 2,95%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, resultado muito abaixo da meta estipulada de 4,5%, o consumidor reclamava que os números eram manipulados pelas instituições que os calculavam, que os preços estavam altos e que havia, sim, aumento no custo de vida.
É importante considerar, antes de tudo, que a inflação é calculada com base em uma cesta média da população da localidade a que se refere o índice. Com base nesta cesta, acompanha-se, mensalmente, a variação dos preços destes bens, e, de acordo com o peso de cada item, calcula-se a taxa mensal. Nem sempre a cesta média é igual à do conjunto de bens consumidos por uma determinada família. Por exemplo, se uma família específica não possui carro, o preço do combustível não faz parte do seu orçamento, mas é um item componente da cesta média pesquisada pelos vários institutos que calculam a inflação. Assim, a inflação média divulgada pode ser maior ou menor do que a inflação de uma determinada família. Há, porém, por trás dos números, muito mais do que a composição da cesta.
Em 2017, os alimentos foram os itens que mais diminuíram de valor e o motivo foi a excelente safra do ano. Realmente, os preços dos bens alimentícios mostraram retração no ano passado; no entanto, em 2015 e 2016, os valores médios de alimentos básicos como leite, carne, feijão, manteiga, queijo, frango, entre outros, tiveram trajetória altista, principalmente devido às variações climáticas, e atingiram patamares muito elevados. Por exemplo, o feijão carioquinha que, em 2016, chegou a ser reajustado em mais de 50% em alguns meses do ano, ao normalizar a oferta, não diminuiu o preço ao valor do início do ano. De forma que, em 2017, os recuos aconteceram, mas não foram suficientes para colocar as cotações em patamares próximos aos registrados em 2014.
Além disso, os preços dos bens chamados administrados, como água, luz, gasolina, álcool, gás de botijão, entre outros, foram reajustados muito acima da taxa média do ano. Segundo o Índice de Custo de Vida, calculado pelo Dieese, enquanto a taxa média do ano foi de 2,44%, o conjunto de preços administrados variou mais de 6%. Vale destacar ainda que os bens administrados são essenciais para todas as famílias, e têm peso maior no orçamento doméstico das famílias de menor renda: quando as contas de água, luz e gás não são pagas, os serviços a elas relacionados são cortados e a família fica sem refrigeração para os alimentos, sem televisão, sem banho, sem a possibilidade de cozinhar. Assim, grande parcela da renda das pessoas ficou comprometida no pagamento das contas de serviços básicos.
Existem ainda os bens oligopolizados, que são produzidos por grandes indústrias. O reajuste de alguns de seus segmentos, como o dos remédios, possui regulação do governo, mesmo assim, apresentaram elevação de preços no patamar de 6%, segundo o cálculo do Dieese, superior à inflação média acumulada.
O outro lado do problema está no decréscimo da renda das famílias. Desde 2014, o País vivencia a redução no crescimento da economia, a diminuição das ocupações, a elevação do desemprego, o aumento da informalidade e a queda nos rendimentos.
Por um lado, os preços dos bens livres, como alimentos básicos, atingiram alto patamar de valor e o recuo não foi suficiente para reduzir o preço final ofertado ao consumidor; e ainda, os bens essenciais ou administrados estão sendo reajustados muito acima da média da inflação. Por outro, as famílias brasileiras vêm perdendo renda e poder aquisitivo.
A percepção geral da sociedade brasileira é que, hoje, os itens básicos estão muito caros e o rendimento mensal possibilita cada vez a compra de menos itens. Resumindo, houve o empobrecimento das famílias, principalmente, as de baixa renda e, não há como comemorar os resultados da inflação em 2017.
*Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômcios (Dieese)
Fonte - Portogente  20/02/2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Devemos comemorar a queda da inflação?

Economia  $$

Esse fato foi comemorado pelos meios de comunicação, que destacaram o resultado da inflação como conquista de uma política econômica bem-sucedida, ainda que tenha sido obtido em um contexto de elevado desemprego, em que ainda não há perspectiva evidente de retomada do crescimento econômico. - Para citar alguns exemplos, podemos mencionar a política fiscal contracionista, que impede uma recuperação sustentada da renda e do emprego, as flexibilizações na legislação trabalhista e a correção do salário mínimo em 2018 abaixo da inflação de 2017.Esse conjunto de políticas pode provocar uma redução da taxa de inflação, porém isso provavelmente virá acompanhado de um baixo crescimento dos salários nominais, alto desemprego, aumento da informalidade e enfraquecimento do poder de barganha dos trabalhadores

Guilherme Haluska* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Pela primeira vez desde a introdução do regime de metas de inflação no Brasil a meta foi descumprida para baixo, ou seja, a taxa de inflação observada foi inferior ao piso estabelecido. A inflação medida pelo IPCA para o ano de 2017 atingiu uma taxa de 2,95%, enquanto a meta de inflação que orienta a execução da política monetária fora de 4,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Esse fato foi comemorado pelos meios de comunicação, que destacaram o resultado da inflação como conquista de uma política econômica bem-sucedida, ainda que tenha sido obtido em um contexto de elevado desemprego, em que ainda não há perspectiva evidente de retomada do crescimento econômico. A recepção positiva a esse resultado também se apoia na concepção difundida de que uma inflação mais baixa em si representa um benefício para os trabalhadores, por evitar a redução do poder de compra dos salários.
Conforme divulgado em nota oficial, o Banco Central atribuiu o descumprimento da meta ao comportamento dos preços de alimentos no domicílio. Esse subgrupo da cesta de consumo do IPCA apresentou uma deflação de 4,85%, decorrente de condições favoráveis da produção agrícola que são alheias ao escopo da política monetária. Excluindo-se esse subgrupo, o índice de inflação atingiria uma taxa muito próxima da meta para o ano, refletindo, segundo a nota, o sucesso da política monetária. A convergência da taxa de inflação (excluindo-se, aqui, o subgrupo de alimentos no domicílio) para a meta seria explicada pela ancoragem das expectativas pelo Banco Central, processo iniciado em meados de 2016 diante da atuação “firme” da política monetária.
Cabe, então, refletir a partir de uma concepção crítica sobre as causas e as implicações da redução da taxa de inflação nos últimos anos.
Para explicar a trajetória da inflação segundo a nossa abordagem, é útil dividirmos os bens e serviços em três grupos, de acordo com a forma pela qual seus preços são formados. O primeiro grupo de produtos possuem preços administrados, isto é, cujo preço é fixado pelo governo. Em segundo, há produtos que são passíveis de serem comercializados internacionalmente e que têm seus preços formados no mercado internacional. Nesse caso, a inflação é sentida por nós tanto pela mudança dos seus preços em dólares quanto pela mudança da taxa câmbio.
Por fim, há um terceiro grupo de bens e serviços cujos preços são formados domesticamente pelo setor privado. Esses preços são formados acrescentando-se uma taxa de lucro aos custos de produção, sendo que os custos de produção são compostos pelo custo do trabalho – isto é, pelo salário – por insumos cujos preços são administrados e por insumos cujos preços são formados internacionalmente.
Assim, podemos destacar quatro fatores principais que influenciam a trajetória da inflação: a) a inflação dos preços monitorados, b) o crescimento dos preços internacionais em dólares dos bens comercializáveis, c) variações na taxa de câmbio e d) o crescimento dos salários nominais. Vale destacar também que os preços administrados, os preços internacionais e a taxa de câmbio impactam a inflação doméstica de duas formas: diretamente, uma vez que esses produtos compõem a cesta de consumo, e indiretamente, uma vez que estes influenciam a formação de preços dos demais bens e serviços.
Com isso em mente, podemos explicar a trajetória da inflação brasileira nos últimos anos. O ano de 2015 foi marcado por dois fortes choques de custos: um grande aumento de preços monitorados, com destaque especial para o “tarifaço” dos preços dos combustíveis e da energia elétrica, e uma forte desvalorização do real em relação ao dólar, que provocou um aumento dos preços internacionais em moeda doméstica.
Esses aumentos de custos foram sendo repassados para os preços ao longo do ano de 2015, o que fez a inflação medida pelo IPCA ultrapassar os 10% naquele ano. Nos dois anos seguintes, não ocorreram mais choques de custos desta magnitude, o real se valorizou em relação ao dólar e com isso a inflação foi diminuindo gradualmente.
Após aumentar muito em 2015, a taxa de crescimento dos preços monitorados e dos preços internacionais diminuiu por dois anos seguidos, fazendo o IPCA também desacelerar ao longo desse período. Segundo nossa explicação, a suposta retomada da credibilidade e o ajuste das expectativas que ocorreram após a troca de governo em 2016 não desempenharam nenhum papel na queda da inflação.
Após essa explicação, resta discutirmos se a inflação baixa é de fato sempre benéfica aos trabalhadores e aos mais pobres, como diz o discurso dominante. Acredita-se que uma taxa de inflação menor implica na preservação do poder de compra dos salários nominais. No entanto, essa inflação menor pode estar acompanhada ou mesmo ser consequência de uma trajetória de baixo crescimento dos salários nominais, sem resultar necessariamente em elevação dos salários reais. Portanto, para compreender os resultados distributivos da inflação é preciso olhar o que acontece com os preços, mas também o que ocorre com os salários nominais.
A variação dos salários nominais depende tanto de fatores estabelecidos pelo governo, como por exemplo, o valor do salário mínimo, quanto do poder de barganha dos trabalhadores, sendo que este é afetado pela taxa de desemprego, pelo medo do desemprego, e por características institucionais do mercado de trabalho, como a legislação trabalhista. Assim, quando o poder de barganha dos trabalhadores encontra-se elevado, eles conquistam aumentos do salário real. É verdade que em 2016 e 2017 o salário real aumentou mesmo em meio a um cenário desfavorável no mercado de trabalho. Contudo, é importante ressaltar que esses aumentos ocorreram após uma considerável redução do salário real em 2015. A recuperação nos últimos dois anos também decorre de certa demora da recessão em afetar a capacidade de negociação dos trabalhadores.
Ainda assim, já podemos perceber que de 2015 em diante o crescimento dos salários nominais foi, em média, menor do que nos anos anteriores. Além disso, a valorização cambial e a queda dos preços dos alimentos contribuíram para conter a alta do custo de vida neste período.
Contudo, não esperamos que essa tendência se mantenha nos próximos anos, uma vez que todas as políticas adotadas pelo governo vão no sentido de reduzir o poder de barganha dos trabalhadores. Para citar alguns exemplos, podemos mencionar a política fiscal contracionista, que impede uma recuperação sustentada da renda e do emprego, as flexibilizações na legislação trabalhista e a correção do salário mínimo em 2018 abaixo da inflação de 2017.
Esse conjunto de políticas pode provocar uma redução da taxa de inflação, porém isso provavelmente virá acompanhado de um baixo crescimento dos salários nominais, alto desemprego, aumento da informalidade e enfraquecimento do poder de barganha dos trabalhadores, de forma que nada garante que a baixa inflação provocará um aumento do poder de compra dos salários ou uma melhora das condições dos menos favorecidos.
*Guilherme Haluska é mestre em Economia e pesquisador do Grupo de Economia Política do Instituto de Economia da UFRJ
Fonte - Portogente  01/02/2018

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Número de desempregados no Brasil sobe 12,5% de 2016 para 2017

Economia  👷

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O total de desempregados passou de 11,76 milhões na média de 2016 para 13,23 milhões em 2017, um aumento de 12,5%.

Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O contingente de desempregados no país aumentou em 1,47 milhão de pessoas de 2016 para 2017, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O total de desempregados passou de 11,76 milhões na média de 2016 para 13,23 milhões em 2017, um aumento de 12,5%.
De acordo com a Pnad, o número de desempregados no país vem aumentando desde 2014, ano em que atingiu o patamar mínimo da série histórica iniciada em 2012, com um total de 6,7 milhões de desempregados. De 2014 para 2017, quando se registrou o maior patamar da série, o total de desempregados quase dobrou, já que teve um aumento de 96%.
Para o IBGE, a nomenclatura oficial para desempregado é “desocupado”. Considera-se desocupada a pessoa que procurou emprego e não conseguiu. Aqueles que não estão procurando emprego fazem parte da população em idade ativa, mas não são consideradas desocupadas.

População ocupada

A população ocupada também teve um aumento (0,3%), passando de 90,38 milhões de pessoas na média de 2016 para 90,65 milhões em 2017. Foi registrado um aumento de 264 mil postos de trabalho no período.
Apesar disso, os postos de trabalho com carteira assinada caíram 2,8%, ao passar de 34,29 milhões na média de 2016 para 33,34 milhões em 2017. Já os postos sem carteira assinada cresceram 5,5%, aumentando de 10,15 milhões para 10,7 milhões no período.
Os setores com maior perda de postos de trabalho de um ano para o outro foram a agricultura e pecuária (-6,5%) e a construção (-6,2%). O segmento de alojamento de alimentação registrou um aumento de 11,1% no total de pessoas ocupadas.

Quarto trimestre
Considerando-se apenas o quarto trimestre de 2017, a população desocupada ficou em 12,3 milhões de pessoas, o mesmo número do último trimestre de 2016. Na comparação com o terceiro trimestre de 2017, no entanto, houve uma queda de 5% (ou 650 mil pessoas) nos desempregados, que eram 13 milhões.
A população ocupada (92,1 milhões) cresceu 0,9% em relação ao trimestre anterior (mais 811 mil pessoas) e 2% na comparação com o último trimestre de 2016. O número de empregados com carteira de trabalho assinada (33,3 milhões) ficou estável ante o terceiro trimestre e recuou 2% (menos 685 mil pessoas) em relação ao quarto trimestre de 2016.
Fonte - Agência Brasil  31/01/2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Se melhorou, quero o meu

Ponto de Vista  🔍

O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia. O salário mínimo oficial teve o menor reajuste em 24 anos.O custo de vida parou de subir e a inflação permanece controlada pela falta de poder aquisitivo do povo e pela política econômica de arrocho. A queda da Selic não se reflete no aumento do crédito popular porque os juros praticados permanecem proibitivos.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João G.Vargas Neto
Apesar da maciça propaganda do governo e sua repercussão pelos agentes do mercado a situação econômica para o povo trabalhador não é a maravilha que trombeteiam; apenas parou de piorar.
O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia. O salário mínimo oficial teve o menor reajuste em 24 anos.
O custo de vida parou de subir e a inflação permanece controlada pela falta de poder aquisitivo do povo e pela política econômica de arrocho. A queda da Selic não se reflete no aumento do crédito popular porque os juros praticados permanecem proibitivos.
Os efeitos desorganizadores da lei celerada ainda não se fazem sentir completamente, mas aqui e ali aparecem – como ponta de iceberg – exemplos de retrocesso nas relações do trabalho e demonstrações gritantes do que os empresários pretendem fazer com a lei (não nos esqueçamos dos professores de grandes grupos privados de ensino demitidos de baciada).
Os sindicatos e todo o movimento sindical encontram-se acossados, com os trabalhadores desconfiados de suas lideranças e, ao mesmo tempo, exigindo direções firmes e consequentes que os representem, ajudem e defendam.
Em alguns setores industriais que vinham sendo massacrados pela crise aparecem, na contracorrente do desalento generalizado que ainda persiste, alguns indicadores positivos. Por ora são apenas números que devemos levar em conta, mas que não se refletem na vida cotidiana dos trabalhadores nas empresas e em suas famílias.
O discurso otimista do governo e do mercado não se sustenta, mas é verdade que por força do esgotamento do ciclo da crise a situação parou de piorar. É uma retomada econômica lenta, gradativa, desigual e insegura, com o salário levando uma coça do capital.
Mas, naqueles setores em que o fenômeno positivo se manifesta (principalmente na indústria) é imperioso que as direções – auxiliadas pelo Dieese – estudem com seriedade a evolução do quadro, visando tomar medidas defensivas e ofensivas que compatibilizem as aspirações dos trabalhadores com a eventual nova situação.
Nestes casos, constatada a retomada, soma-se à luta de resistência à aplicação da lei celerada a luta para garantir as conquistas do passado e as novas conquistas proporcionadas pelo alento econômico. A palavra de ordem deve ser: “Se melhorou, quero o meu.”
*João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  09/01/2017

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O pior Natal brasileiro de todos os tempos

Ponto de Vista  🔍

Mais do que milhões de desempregados e subempregados tem sofrido, mais do que centenas de milhares de trabalhadores tem perdido em renda e perspectiva de vida, mais do que o povo tem enfrentado com insegurança generalizada, mais que tudo isso tivemos a tragédia de caminhar para o fim de um ano sem ter a menor ideia do que pode acontecer no próximo. 

José Carlos de Assis* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Este é o pior Natal de todos os tempos na história do país. Mais do que milhões de desempregados e subempregados tem sofrido, mais do que centenas de milhares de trabalhadores tem perdido em renda e perspectiva de vida, mais do que o povo tem enfrentado com insegurança generalizada, mais que tudo isso tivemos a tragédia de caminhar para o fim de um ano sem ter a menor ideia do que pode acontecer no próximo. A indefinição começa pela atitude já prenunciada pelo tribunal federal de Porto Alegre, politicamente enviesada no sentido de impedir a candidatura de Lula.
É evidente que esse não será ainda o começo da guerra civil. A guerra civil vai começar quando os resultados da política de Meirelles/Temer mostrarem de forma plena seus frutos malignos. Alguma coisa já se percebe como conseqüência da aplicação da lei trabalhista: dezenas de milhares de trabalhadores são despedidos em larga escala para se converterem em pessoas jurídicas e com isso serem obrigados a se filiar a alguma previdência privada comandada pelo sistema bancário.
O grau de torpeza social desse processo se revela quando examinamos essas demissões e estímulo ao subemprego em confronto com a situação econômica do país. Não importa quanto dinheiro de propaganda o Governo despeje na grande mídia, especialmente na Globo, pois continuamos em forte contração. Se fosse numa situação normal de flutuação de crescimento, o desemprego poderia ser tomado como um desconforto casual. Na depressão, é um fenômeno permanente, pois há uma tremenda barreira para o re-emprego.
O mais grave é que seja no Executivo, seja no Legislativo, não há iniciativas reais para enfrentar e reverter o desemprego. O Presidente gasta praticamente todo o seu tempo entre Brasília e São Paulo para se livrar de acusações públicas de corrupção, e toma o resto de tempo para vender aos parlamentares da base a reforma da Previdência. É possível que algum idiota, ou pessoa extremamente mal informada, acredite nas suas prédicas cansativas com a alegação hipócrita de que a reforma é para combater privilégios.
Do meu ponto de vista, a primeira obrigação de qualquer governo numa democracia é combater o desemprego e promover o pleno emprego. Isso foi uma das minhas teses de pós-graduação, sob o título “Trabalho como Direito”, no longínquo 1984. Partindo da constatação de que as bases da democracia moderna, especialmente nas revoluções americana e francesa, colocaram como fundamental para a convivência social e a liberdade civil o direito à propriedade privada, vinha logo a pergunta: e quem não tem propriedade, como fica?
Desconsiderando-se a solução marxista para o problema (socialização dos meios de produção), é politicamente inevitável concluir que, numa democracia moderna, ao direito de propriedade privada deve corresponder o direito ao trabalho remunerado. É claro que esse direito difuso não pode ser um dever do setor privado isoladamente. É um dever do Estado. Cabe ao Estado promover políticas econômicas que assegurem a conquista do pleno emprego, ou pelo menos o que diz a legislação norte-americana, o emprego máximo.
Isso não é difícil. Keynes, o maior economista do século XX, reconheceu a inevitabilidade do ciclo econômico – expansões seguidas de recessão – e propôs uma teoria original para regular o ciclo e promover o pleno emprego. O presidente Roosevelt enfrentou com eficácia a Grande Depressão dos anos 30, assim como Hjalmar Schacht, o braço econômico de Hitler, responsável pela recuperação do poderio industrial alemão. Temos, pois, duas alternativas, ambas eficazes economicamente: ou a de Roosevelt, ou a de Hitler!
Prefiro a de Roosevelt. Mas vejo o país caminhar para a de Hitler. A série de ajustes impostos ao país nos últimos três anos é do mesmo tipo da que o que o chanceler Brunning impôs na Alemanha em 1930 e 1931. No começo eram 12 deputados nazistas. No fim mais de 200. Vendo Meirelles buscando espaço de candidato na televisão com seus esgares vampirescos e sua fraseologia hipócrita de Goebbels, imagino como o país, preocupado exclusivamente em cortar gastos, pode superar seus gigantescos problemas de emprego no próximo ano.

P.S. Atendendo ao apelo do senador Roberto Requião, vamos todos ao Forum Social Mundial Extraordinário do dia 24 em Porto Alegre.

*José Carlos de Assis, economista, doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba e autor de mais de 20 livros sobre economia política. Artigo publicador, originalmente, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Fonte - Portogente  02/01/2018