UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 29 de julho de 2020

Prioridade é o bem-estar da população

Ponto de Vista  🔍

O desemprego já atinge metade da população economicamente ativa e as empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, enfrentam enormes dificuldades para seguir atuando neste cenário de paralisação geral.Sem margem de manobra, tendo em vista que o desempenho econômico do País já era muito ruim mesmo antes da pandemia, nos vemos numa situação extremamente delicada. 

Murilo Pinheiro* - Portogente
Murilo Pinheiro
O Brasil enfrentará neste ano, conforme tudo indica, a pior recessão de sua história, com retração estimada de até 10% no Produto Interno Bruto (PIB). O desemprego já atinge metade da população economicamente ativa e as empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, enfrentam enormes dificuldades para seguir atuando neste cenário de paralisação geral.
Sem margem de manobra, tendo em vista que o desempenho econômico do País já era muito ruim mesmo antes da pandemia, nos vemos numa situação extremamente delicada. Em meio a tudo isso, seguimos com a necessidade premente de manter como prioridade o combate à pandemia, a assistência à saúde pública e a garantia de sobrevivência da população durante esse período. Ou seja, é com esse pacote extremamente complexo que precisamos lidar.
Este é o momento portanto de Estado e sociedade terem compreensão plena do que é relevante. Completamente equivocado desde sempre, o teto de gastos implantado em 2016 pela Emenda Constitucional 95 deve ser revogado. Não será possível fazer frente às urgências da sociedade brasileira, que inclui todos os 211 milhões de habitantes, seguindo uma cartilha financista que só interessa a uma minoria. O Estado deve cumprir seu papel e agir, sem demagogia ou irresponsabilidade, mas com coragem e seriedade.
É hora de lançar mão dos mecanismos existentes para estimular a atividade onde ela é possível desde já. Há, por exemplo, milhares de obras paralisadas a serem retomadas. A reversão do parque industrial também está na pauta e vem sendo apontada como forma de suprir demandas importantes, como de equipamentos médico-hospitalares, e recuperar um setor fundamental ao desenvolvimento. A engenharia nacional tem amplas condições de contribuir com esse processo e seus profissionais estão a postos para atuar.
Imprescindível ainda que tais prioridades sejam levadas em conta na reforma tributária que se encontra em discussão no Congresso. Essa deve gerar um sistema que priorize a produção sobre o rentismo e promova a justiça social, cobrando mais dos mais ricos. A crise sanitária tornou ainda mais evidente a gravíssima desigualdade social existente no Brasil, que relega enorme parcela da população à exclusão. Se o objetivo é algum dia sermos verdadeiramente uma nação desenvolvida, não é possível transigir com essa realidade chocante. Um bom caminho para mudar esse quadro é alterar o padrão de arrecadação e de gasto do Estado.
A mudança seria bem-vinda até porque a parcela que se beneficia de medidas de austeridade, ainda que essas custem vida de tantos, vai muitíssimo bem. Levantamento da Oxfam aponta crescimento de US$ 34 bilhões no patrimônio líquido de 42 bilionários brasileiros entre março e meados de julho deste ano. Na América Latina e Caribe como um todo, o aumento foi de US$ US$ 48,2 bilhões, equivalente a 38% do total dos pacotes de estímulo de todos os países da região durante a quarentena. Segundo a organização, isso representa ainda nove vezes os empréstimos de urgência do Fundo Monetário Internacional (FMI) a essas nações.
* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp)
Fonte - Portogente  29/07/2020  

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Ciência brasileira pede socorro

Ciência & Tecnologia  ⏳

A ciência não significa saberes que começam e permanecem em "laboratórios". O avanço científico está na vida social e econômica de uma Nação. Impedir que o Brasil invista nessa área é a mesma coisa que condená-lo ao atraso intelectual, social e econômico.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Depois do corte ou congelamento de verbas destinadas a diversos setores, entre esses educação, saúde e ciência, tramita no Senado Federal projeto que veda o bloqueio de recursos orçamentários destinados ao desenvolvimento científico e tecnológico do País. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 315/2017, do senador Otto Alencar (PSD-BA), altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101, de 2000) para determinar que, além das despesas com serviço da dívida pública, não poderão ser objeto de cortes as verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
De acordo com o parlamentar, em 2016 o fundo conseguiu empenhar apenas R$ 1 bilhão do total de R$ 2,7 bilhões de sua dotação orçamentária, ou seja, 60,9 % dos recursos para inovação foram contingenciados naquele ano. “O fundo é um instrumento importante sem o qual dificilmente haverá desenvolvimento econômico e social do país”, observou.
O projeto muda a natureza do fundo, de contábil para financeira. Essa alteração permitirá a separação dos recursos do fundo dos da Conta Única do Tesouro Nacional, viabilizando a aplicação dos recursos no sistema financeiro. A matéria eleva ainda o percentual de recursos orçamentários, de até 25% para até 50%, a serem emprestados pelo fundo à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Um benefício adicional da medida apontado pelo senador é que, “ao tomar empréstimos, haverá um incentivo à escolha de projetos com maior probabilidade de sucesso, o que tende a ser positivo para a inovação”.
A ciência não significa saberes que começam e permanecem em "laboratórios". O avanço científico está na vida social e econômica de uma Nação. Impedir que o Brasil invista nessa área é a mesma coisa que condená-lo ao atraso intelectual, social e econômico.
Fonte - Portogente  09/10/2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Um projeto nefasto

Ponto de Vista  🔍

O que está em andamento com a CAPES e com o CNPq não somente repercute nas bases científicas e de pesquisa do país, nem se restringe ao desmonte da política que conectava a pós-graduação com a educação básica. É uma estratégia para forjar consensos a respeito da “inviabilidade” orçamentária da presença do Estado nesses setores.

Gilberto Alvarez* - Portogente
Gilberto Alvarez
Teve rápida e expressiva repercussão a divulgação do ofício que o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), professor Abílio Baeta Neves, enviou ao ministro da Educação registrando sua perplexidade com a situação orçamentária que se anuncia para 2019.
Em poucas horas o conteúdo foi compartilhado nas redes sociais e já na edição noturna dos principais telejornais a questão foi divulgada.
Uma semana depois, dentro do mesmo quadro de perplexidade, o professor Mario N. Borges, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), divulgou nota igualmente alarmante, denunciando uma política de “terra arrasada” em relação à base orçamentária do Conselho.
Quando o mais importante órgão de fomento à pesquisa e à ciência do país deu-se conta do “lugar reservado” para o CNPq no orçamento 2019, foi possível constatar que sua extraordinária estrutura, resultado de décadas de lutas da sociedade brasileira, está sendo praticamente reduzida à concessão de bolsas. Concessão essa em número reduzido e impeditiva da continuidade dos programas de fomento à pesquisa.
No caso da CAPES, em todos os veículos de divulgação o tom sombrio acompanhou a notícia. Tratava-se de comunicar à nação que está em andamento um desmonte, uma profunda desarticulação do sistema brasileiro de pós-graduação e pesquisa. A situação do CNPq começa a repercutir agora.
Não bastasse isso, as notícias alertam que a recém-criada conexão entre a CAPES e a formação de professores da educação básica será desarticulada na medida em que programas como os mestrados profissionais para professores das redes públicas, como a Universidade Aberta do Brasil (UAB) não terão recursos para continuar.
Mais ainda, a peça orçamentária indica que o PIBID, que é o Programa de Iniciação à Docência, uma das mais bem sucedidas iniciativas de estímulo à formação docente, desaparecerá.
Ao todo estão saindo da base orçamentária nacional recursos insubstituíveis, o que inviabilizará a continuidade dos trabalhos de 93 mil pós-graduandos, de 105 mil bolsistas do PIBID, de 245 mil participantes da UAB.
No caso do CNPq se estabelece um esvaziamento igualmente danoso.
Se compararmos o CNPq com a CAPES perceberemos que no primeiro a garantia de uma segurança orçamentária para as bolsas é fundamental, pois isso responde pela dinâmica que soma formação em pesquisa com titulação em programas de pós-graduação. Mas o CNPq, diferentemente da CAPES, tem também obrigações relacionadas à continuidade dos trabalhos científicos que se desenvolvem dentro e fora das universidades.
Ou seja, é um abalo de grandes proporções porque são interrompidas as dinâmicas que formam o jovem pesquisador (o que acontece, por exemplo, com a inviabilização do Edital Universal CNPq), as dinâmicas de manutenção dos projetos em andamento, as dinâmicas de conexão dos pesquisadores com cientistas do exterior e as dinâmicas que vinculam ciência com incrementos tecnológicos, descobertas científicas e qualificação de processos.
Isso se dará a partir de 2019. No caso do CNPq no início do ano; no da CAPES a partir de agosto.
Trata-se de um dos mais palpáveis exemplos dos efeitos da Emenda Constitucional 95, que instituiu arbitrariamente um perverso teto de gastos, com 20 anos de vigência.
A Emenda Constitucional 95 demonstrou severo grau de irresponsabilidade para com a educação, a ciência e a saúde na medida em que pôs em risco até gastos de custeio e desestabilizou tanto as dinâmicas triviais de manutenção, como colocou em risco um dos pilares republicanos das instituições públicas.
Ou seja, os mesmos agentes que produziram a aberrante estratégia são os que têm comparecido aos holofotes da imprensa para alardear a possibilidade de tornar educação e saúde públicas objeto de cobrança por serviços prestados.
O princípio da gratuidade de serviços públicos é condição sine qua non de qualquer sociedade republicana e democrática.
O que está em andamento com a CAPES e com o CNPq não somente repercute nas bases científicas e de pesquisa do país, nem se restringe ao desmonte da política que conectava a pós-graduação com a educação básica. É uma estratégia para forjar consensos a respeito da “inviabilidade” orçamentária da presença do Estado nesses setores.
Todos os intercâmbios internacionais em andamento ficam desguarnecidos e os projetos que custaram anos de trabalho árduo e contínuo por parte da comunidade científica brasileira ganham, desde já, prazo de validade. Serão desarticulados a despeito de todo o investimento público já realizado para que tivéssemos a rede de pesquisa que temos.
É desnecessário lembrar que o Brasil é um país com muitas contradições.
Mas vale a pena reforçar que, mesmo com grandes dificuldades e inconsistências na oferta de educação básica e superior, a pós-graduação brasileira e nossa produção acadêmica são reconhecidas internacionalmente. Temos um dos mais bem sucedidos modelos de execução, titulação e avaliação da formação pós-graduada.
É paradoxal que tenhamos estruturado com tanto vigor nossa pós-graduação ao mesmo tempo em que mantivemos a educação básica à mercê de tantas incertezas.
Mas é mais paradoxal ainda desmontá-la agora, quando pela primeira vez a produção da pesquisa passou a interagir com a escola básica, com a educação pública.
Cabe registrar que essas notícias bombásticas e sombrias, crônica de uma morte anunciada, têm sido recebidas até por setores conservadores da imprensa como resultado da penúria orçamentária e como imperativo das operações de ajuste nas contas públicas.
Nesse aspecto, os educadores críticos comprometidos com a educação não podem se deixar levar pela astúcia do argumento que apresenta a austeridade econômica como estratégia de vida ou morte para o país.
É necessário antes perguntar o que se entende por austeridade.
Nesse sentido, é possível perceber que os atores dessa trama estão levando a efeito o processo de retirada do Estado de suas obrigações para com educação, ciência, saúde, seguridade social e cultura.
Portanto, o que está em andamento, a aniquilação da CAPES e o esvaziamento do CNPq, não são obras da restrição, dos minguados recursos, da penúria orçamentária.
O que está em andamento é a execução de um projeto, é a implementação de um modelo de Estado reclamado pela Casa Grande e financiado pelo baronato brasileiro.
Estaria em andamento mesmo com fartura, pois seus mentores têm nos limites postos pela Emenda Constitucional 95 o álibi para executar a destruição com todos os argumentos da inevitabilidade. Mas, na realidade, realizam um projeto de sucateamento que explica porque precisaram usurpar o Estado e a democracia.
Não estamos assistindo aos efeitos de uma crise. Estamos assistindo a destruição daquilo que levamos décadas para construir. Essa destruição não é consequência dos desajustes do Estado, é a nova identidade desse Estado que, sem escrúpulos ou pudores apresenta a todos seu compromisso com alguns.
*Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da Fundação PoliSaber
Fonte - Portogente  1308/2018

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Corte o gasto social,torre o dinheiro em prisões

Ponto de Vista  🔍

Como bem descreveram Julita Lemgruber e Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, não há solução estrutural para o problema prisional que não passe pela redução do número de presos provisórios, cuja maior parte está presa ilegalmente, e pela revisão da atual política de drogas, que, além de superlotar presídios com usuários e pequenos traficantes, confere cada vez mais poder a facções criminosas.

Laura Carvalho - Portogente
foto - ilustração
Depois de 134 mortes registradas nos últimos 15 dias em prisões brasileiras, o presidente Michel Temer anunciou a liberação das Forças Armadas para atuar em presídios estaduais, lembrando os tempos da monarquia, que reservava ao Exército tarefas típicas dos capitães do mato, como a prisão de escravos em fuga.
Além da falta de preparo dos militares para esse tipo de situação, a medida recebeu a mesma crítica que o anúncio da abertura de novas vagas em prisões feito anteriormente: nenhuma delas ataca a origem do problema.
Como bem descreveram Julita Lemgruber e Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, não há solução estrutural para o problema prisional que não passe pela redução do número de presos provisórios, cuja maior parte está presa ilegalmente, e pela revisão da atual política de drogas, que, além de superlotar presídios com usuários e pequenos traficantes, confere cada vez mais poder a facções criminosas.
A experiência internacional aponta uma terceira precondição para evitar o problema da superlotação carcerária, algo que certamente não está no horizonte do governo Temer ou, o que é ainda mais grave, do debate político-econômico brasileiro atual.
Conforme sugere o estudo empírico seminal dos sociólogos Katherine Beckett e Bruce Western, que utiliza dados dos Estados norte-americanos entre 1975 e 1995, a taxa de encarceramento costuma ser maior onde o Estado de Bem-Estar Social é mais fraco.
A conclusão dos autores é que a redução dos programas sociais nos EUA durante os anos 1980 e 1990 refletiu a emergência de um novo sistema de administração do que chamam de “a marginalidade social”.
O achado vai na linha do que havia exposto o sociólogo Loïc Wacquant em “As prisões da miséria”.
Em vez da redução da intervenção estatal na vida social, a opção por “menos Estado” econômico e social, que é a própria causa da escalada generalizada da insegurança objetiva e subjetiva nos vários países, leva à necessidade de “mais Estado” policial e penitenciário.
As evidências apresentadas por Richard Wilkinson e Kate Pickett no best-seller “The Spirit Level”, publicado em 2009, parecem conferir generalidade a tais argumentos. Os dados compilados para um conjunto de países ricos indicam que, quanto maior o nível de desigualdade, maior também é a taxa de encarceramento por habitante.
O cruzamento de dados mais recentes de encarceramento apresentados pelo ICPR (Institute for Criminal Policy Research) com o índice de Gini divulgado pelo Banco Mundial sugere que essa relação positiva vale para o conjunto de países do G20 e que o Brasil não foge à regra.
Em uma sociedade como a nossa, que nunca deixou de estar entre as mais desiguais do mundo, a opção por medidas de redução estrutural da rede de proteção social, em vez da via da tributação mais justa e do fortalecimento do Estado de bem-estar social, renova a escolha por uma abordagem exclusivista e punitivista de administrar a marginalidade social.
A proteção aos mais vulneráveis sempre pode caber no Orçamento, mas o genocídio jamais caberá na civilização.
Enquanto a insustentabilidade do sistema previdenciário em meio à elevação da expectativa de vida for vista pela maioria como mais dramática do que a insustentabilidade de um sistema penitenciário em meio à produção de um número cada vez maior de excluídos, estaremos condenados à barbárie.
*Laura Carvalho e economista pela UFRJ e PhD pela New School For Social Reseach, em Nova York. Professora na FEA-USP.
Fonte - Portogente  03/02/2017

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ESPANHA EM CRISE

Confronto entre manifestantes e polícia deixa 28 feridos na Espanha
Confrontos entre manifestantes e policiais deixam 28 feridos na Espanha. Eles protestavam contra novos cortes de gastos do governo que vão entrar em vigor no ano que vem.



Fonte - R7 Noticias. Jornal da Record 26/09/2012