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terça-feira, 21 de maio de 2019

Confusão no ar

Ponto de Vista  🔍

Há muita confusão no ar e é por isto que se deve manter a cabeça fria e a vontade firme. -Há um verdadeiro decantamento na sociedade e um desencantamento com as promessas que na campanha eleitoral iludiram muita gente. Mais uma vez, insisto, é hora de persistência no bom senso.Reagir às medidas reacionárias e contrárias aos interesses de todos (excluindo apenas os enraivecidos bolsonaristas) e fortalecer a frente democrática em defesa da Constituição é tarefa de todos e de cada um.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João G.Vargas Netto
Quando a fina flor dos economistas da banca são unânimes em afirmar, destilando pessimismo, que o governo perdeu o momento mágico de fazer as deformas; quando apoiadores do presidente convocam atos de rua contra o Supremo Tribunal Federal, contra o Centrão e contra o “sistema” e quando, renitentemente, o travamento da economia se transforma em recessão e depressão com o desemprego nas alturas é hora de persistir no caminho apontado pelas manifestações do dia 15.
Há um verdadeiro decantamento na sociedade e um desencantamento com as promessas que na campanha eleitoral iludiram muita gente. Mais uma vez, insisto, é hora de persistência no bom senso.
Reagir às medidas reacionárias e contrárias aos interesses de todos (excluindo apenas os enraivecidos bolsonaristas) e fortalecer a frente democrática em defesa da Constituição é tarefa de todos e de cada um.
Os estudantes e o pessoal da Educação demonstraram sua insatisfação e convocam novas manifestações para o dia 30 de maio. Esta pauta e esta tática estão corretas e devem ser respeitadas e apoiadas.
Uma manobra parlamentar em curso, apesar do atropelo das discussões de inúmeras medidas provisórias, pretende tirar do Executivo o protagonismo da deforma previdenciária e votá-la com modificações. Mais que nunca cresce a necessidade de diálogo com os parlamentares e a reafirmação da luta contra a deforma com o desmascaramento das orientações do posto Ipiranga.
O movimento sindical dos trabalhadores tem uma e uma só grande tarefa: a realização com êxito da greve geral do dia 14 de junho.
Todas as iniciativas – abaixo-assinado dos trabalhadores contra a deforma, greves localizadas em negociações salariais, greves decorrentes da tática das GPSs, visitas a parlamentares, personalidades e instituições relevantes (civis e militares) – devem ter o norte de fortalecer a convocação para greve e de garantir seu êxito.
Com o sucesso da greve, que encarna sua pauta, o movimento sindical demonstrará sua relevância e, junto com os demais protagonistas, desempenhará papel importante na superação da crise e da confusão que está no ar.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político
Fonte - Portogente  21/005/2019

terça-feira, 16 de maio de 2017

Inteligência e determinação

Ponto de Vista  🔍

Ambas as iniciativas garantem a pressão do movimento sindical e dos seus aliados (CNBB, OAB, OIT, judiciário, juventude e movimentos sociais) contra as “deformas” e interferem no arranjo das forças políticas nas duas casas do Congresso, dispostas a votar (com restrições) os projetos do governo e de seus líderes e relatores.

João Guilherme Vargas Netto*
foto - ilustração
É preciso dar a maior força à vigília sindical no Congresso, no dia 17 de maio e à marcha à Brasília, do dia 24.
Ambas as iniciativas garantem a pressão do movimento sindical e dos seus aliados (CNBB, OAB, OIT, judiciário, juventude e movimentos sociais) contra as “deformas” e interferem no arranjo das forças políticas nas duas casas do Congresso, dispostas a votar (com restrições) os projetos do governo e de seus líderes e relatores.
Esta pressão repercute a vitória da greve geral de 28 de abril e leva em conta as situações específicas no Senado e na Câmara, às voltas, respectivamente, com as “deformas” trabalhista e previdenciária e com um cronograma apertado.
O Congresso Nacional representa hoje o principal ponto de apoio do governo Temer com sua correlação de forças muito desfavorável aos trabalhadores e à sua resistência, mas com contradições internas muito fortes (além do antagonismo entre base de apoio e oposição).
O outro ponto de apoio forte do governo é o mercado, com suas exigências neoliberais fundamentalistas e a mídia, que repercute e amplifica tais imperativos.
A pressão no Congresso leva em conta essa dupla dependência, mas atende principalmente às expectativas da base sindical, dos trabalhadores e dos aliados e conforta a resistência oposicionista.
No Senado, o governo e suas lideranças acenam com um acordo em que os senadores, aprovando literalmente o texto já aprovado pela Câmara, façam vitoriosa a “deforma” trabalhista que seria, em seguida, modificada em vários pontos por meio de vetos presidenciais e com a edição de medida provisória.
É um Frankenstein de bom tamanho, contestado até mesmo pelos tucanos, mas que se ficar de pé garantirá ao governo o cumprimento quase completo daquilo que um neoliberal alucinado (o deputado Marinho) conseguiu que a Câmara aprovasse, até mesmo com o fim do imposto sindical.
O êxito dessa manobra no Senado daria força para que o governo, na Câmara, na “deforma” previdenciária que exige quórum qualificado, arrebanhasse os, no mínimo, 308 votos necessários. Paralelamente, o governo tem premiado os submissos e punido os resistentes e faz propaganda a rodo em seus 100 dias, mesmo com a popularidade baixíssima, escândalos, ridículos e isolamento.
É para enfrentar essa situação nestes terrenos desfavoráveis que o movimento sindical deve privilegiar sua pressão unitária, exercida com conhecimento de causa, com inteligência e determinação.
*João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  16/05/2017