UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quarta-feira, 3 de junho de 2020

Engenheiro exorta: DEMOCRACIA É A ÚNICA SAÍDA

Ponto de Vista  🔍

O Brasil, que já enfrentava gravíssima crise econômica e política, vê-se agora no epicentro de uma pandemia que, oficialmente, até o momento matou aproximadamente 30 mil pessoas no País. A população, especialmente a mais pobre, sofre duplamente, pelo risco à saúde e pelas imensas dificuldades econômicas".

Portogente
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A liderança dos engenheiros paulistas, Murilo Pinheiro, em sua mais nova avaliação do cenário nacional, salienta "os momentos mais difíceis da nossa história, por uma série de motivos. O Brasil, que já enfrentava gravíssima crise econômica e política, vê-se agora no epicentro de uma pandemia que, oficialmente, até o momento matou aproximadamente 30 mil pessoas no País. A população, especialmente a mais pobre, sofre duplamente, pelo risco à saúde e pelas imensas dificuldades econômicas".
Ele reforça medidas que entidades nacionais ligadas à engenharia vêm pontuando há muito tempo. Entre as propostas, diz Murilo, "apontamos a retomada das obras paralisadas, que foi inclusive cogitada pelo governo federal, e a reversão da indústria nacional para a produção de equipamentos médico-hospitalares. É necessário que essas e outras boas propostas sejam levadas em conta pelos dirigentes do País, tendo em vista nosso objetivo comum de superar os gigantescos e múltiplos obstáculos".
Todavia, defende que "seja defendido e preservado o Estado democrático de Direito, fora do qual só existe a barbárie. Isso pressupõe respeito às regras e às instituições por todos: poderes públicos e sociedade civil. Lamentavelmente, ainda estamos distantes do Brasil que desejamos construir e que o seu povo merece: próspero e desenvolvido, justo e soberano, em que todos tenham condições dignas de vida, em paz e segurança, com acesso a saúde, educação, moradia, saneamento ambiental, cultura, esporte e lazer. No entanto, por mais que essa nação ideal pareça por vezes inalcançável, ela só existirá algum dia dentro da democracia".
Murilo vaticina: "Não há atalhos fora desse rumo, apenas desvios cujos destinos não nos servem como sociedade. Cabe a todos nós contribuirmos para que possamos seguir a vereda que nos leve ao bem-estar coletivo efetivo. Nesta hora de tensão, sejamos responsáveis, solidários e verdadeiramente democráticos."
Fonte - Portogente  03/06/2020

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O desalento do desemprego

Ponto de Vista/Desemprego  👷

Um dos maiores dramas enfrentados pelo trabalhador brasileiro nos dias atuais é, sem qualquer dúvida, o desemprego, ou a possibilidade de vir a passar por tal situação. Quem tem seu emprego, e nunca vivenciou tal cenário, talvez não consiga dimensionar a reviravolta na vida de um trabalhador, um chefe de família que, repentinamente, se vê impossibilitado de pagar as contas de sua casa, adquirir aquilo que se fizer necessário ou trazer o sustento para si próprio e para os seus.

Miguel Torres
foto - ilustração
Miguel Torres é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e presidente interino da Força Sindical
Um dos maiores dramas enfrentados pelo trabalhador brasileiro nos dias atuais é, sem qualquer dúvida, o desemprego, ou a possibilidade de vir a passar por tal situação. Quem tem seu emprego, e nunca vivenciou tal cenário, talvez não consiga dimensionar a reviravolta na vida de um trabalhador, um chefe de família que, repentinamente, se vê impossibilitado de pagar as contas de sua casa, adquirir aquilo que se fizer necessário ou trazer o sustento para si próprio e para os seus.
Hoje, o número de desempregados em nosso País ultrapassa a casa dos treze milhões de trabalhadores, e o número de trabalhadores no mercado informal – sem registro em Carteira e sem qualquer direito trabalhista – é quase idêntico. Se, acrescido ao número de trabalhadores fora do mercado de trabalho, contabilizarmos, também, os familiares que deles dependem, o número torna-se estratosférico, impossível de ser calculado com exatidão ou mesmo aproximadamente.
O Brasil necessita, urgentemente, que nossas autoridades atuem no sentido de, efetivamente, formalizar políticas que favoreçam a geração de postos de trabalho e a distribuição de renda. Mas o que assistimos recentemente, incrédulos, foi a criação de uma reforma trabalhista que, em vez de alavancar a geração de emprego, precariza os formais sobreviventes ao holocausto trabalhista à custa da supressão de direitos, o achatamento de salários, jornadas intermitentes e as frequentes tentativas de enfraquecimento da atuação sindical, entre outras aberrações igualmente perniciosas que só trazem desalento.
Para que o Brasil retome o seu caminho do desenvolvimento pleno e do crescimento econômico, os brasileiros precisam ter trabalho e ser amparados por uma legislação que verdadeiramente os proteja e os ampare.
A nossa luta é justamente para que este quadro seja alterado, os postos formais de trabalho ressurjam com vigor, a renda seja distribuída da forma que deve ser feita, os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e ampliados e as famílias não se desagreguem por conta de uma situação pela qual elas não têm nenhuma culpa. A luta é árdua, mas temos de galgar um degrau por vez para que as coisas voltem à normalidade. Só não podemos – e não vamos – parar de lutar!
*Miguel Torres é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e presidente interino da Força Sindical
Fonte - Portogente  22/10/2018

terça-feira, 15 de maio de 2018

Não chores por mim, Argentina

Ponto de Vista  🔍

Todo o esforço político e diplomático para construção do Mercosul se converteu em importante passo para a superação desse tipo de rivalidade. Estão aí os grandes meios de comunicação a estimular competições que pululam no imaginário popular, como aquelas famosas entre Maradona e Pelé, Messi e Neymar, para ficar apenas em alguns exemplos.

Paulo Kliass* - Portogente
foto - ilustração
Toda riqueza que poderia ser proporcionada por uma vizinhança amistosa e um passado colonial com alguns traços comuns às vezes acaba sendo contaminada por algum tipo de disputa, baseada em chauvinismo infantil e sectário. Estão aí os grandes meios de comunicação a estimular competições que pululam no imaginário popular, como aquelas famosas entre Maradona e Pelé, Messi e Neymar, para ficar apenas em alguns exemplos.
Na verdade, todo o esforço político e diplomático para construção do Mercosul se converteu em importante passo para a superação desse tipo de rivalidade. Afinal, tal sentimento insuflado artificialmente em nada contribui para o fortalecimento de uma ação coordenada e unificada em torno do bloco comercial e posteriores avanços rumo a um aprofundamento da unificação econômica.
Mas o fato é que as histórias dos dois países mantêm uma dinâmica que oferece margem para comparações e até mesmo para tentativas - um tanto precipitadas, é forçoso reconhecer - de previsões. Há fenômenos como o surgimento de lideranças como Getúlio Vargas (1882-1954) e Juan Domingo Peron (1895-1974) e suas heranças transformadas em movimentos como o trabalhismo e o peronismo. Ambos os países passaram pelas tristes fases das ditaduras militares latino-americanas, com alguma defasagem entre o Brasil (1964-84) e a Argentina (1966-73 e 1976-83).
Os primeiros anos pós democratização nos dois vizinhos também foram marcados por tentativas de planos de estabilização econômica, inclusive apresentando reformas em seus respectivos padrões monetários. Assim foi com a introdução de novas moedas com o Plano Austral em 1985 na Argentina presidida por Raul Alfonsín e o Plano Cruzado no Brasil de José Sarney em 1986.

Décadas de alternância: lá e cá
O período posterior também foi marcado por algum tipo de sincronicidade. Menem é eleito presidente em 1989 e Collor toma posse no início de 1990. Ambos lançam mão de governos que falam em promover a estabilidade macroeconômica e restaurar a credibilidade da moeda. No Brasil é lançado o Plano Collor sob a responsabilidade de Zélia Cardoso, ao passo que a Argentina adota o Plano de Conversibilidade sob o comando de Domingo Cavallo. Ambos fracassam em suas intenções básicas.
Mais à frente, os dois países conhecem uma importante virada em suas respectivas histórias políticas. Em janeiro de 2003, Lula assume o Palácio do Planalto, com um projeto de governo que incluía uma política econômica voltado à inclusão e uma preocupação com a integração regional, tendo o Mercosul por alicerce. Pouco depois, em maio do mesmo ano, Nestor Kirchner assume a Casa Rosada e as políticas oficiais entre os 2 países parecem caminhar para uma significativa convergência. Além disso, o conjunto dos países da América do Sul parece ingressar em outro patamar de sua própria história, com a eleição de governos orientados para uma política inovadora na região
Mas como tudo tende a acabar em piada aqui nos nossos cantos tupiniquins, uma peça publicitária ficou muito famosa nesse período conturbado da década de 1980. Foi uma forma de retratar essa inquietante similaridade entre os processos políticos, econômicos e sociais no Brasil e na Argentina. Uma propaganda de uma marca de vodka brasileira cunhou a expressão “efeito orloff”. A analogia tinha por base a fala de um dos personagens, que dizia “eu sou você amanhã”. Pronto! Estava montada a explicação meio simplista e determinista para esse intrigante vai-e-vem de processos entre os dois países.

Macri e Temer: a barbárie comum
Um dos capítulos mais recentes dessa epopeia deu-se com a eleição de Maurício Macri nas eleições presidenciais em novembro de 2015. Os grandes meios de comunicação e as elites financeiras pelo mundo afora se regozijavam pela derrota de doze anos de kirchnerismo. Por esse mesma época têm início as articulações golpistas para promover o impedimento inconstitucional de Dilma Roussef, processo esse que seria definitivamente chancelado pelo Senado em agosto de 2016. A mesma imprensa e o mesmo financismo não escondiam a satisfação de ter logrado por fim a um ciclo de catorze anos de governo do PT no poder.
Nos dois episódios o mantra do livre mercado voltou a circular com toda a desenvoltura nos editoriais dos jornais, revistas e canais de televisão. A narrativa que passou a ser construída se referia à necessidade de superar as tentativas de projetos envolvendo algum grau de heterodoxia e desenvolvimentismo nas duas margens do Rio Uruguai. A palavra de ordem do comando financista era colocar um fim a esse período, que acusavam de se caracterizar por populismo e irresponsabilidade. A solução passava por trocar o comando da economia por pessoas “técnicas e competentes”, que não aceitassem se subordinar a interesses políticos. Assim, o Brasil passou a ter dois autênticos representantes do sistema financeiro no núcleo econômico do governo. A Argentina resolveu restaurar seus vínculos de credibilidade com o mercado financeiro e promoveu um acordo de aproximação c om o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os resultados dessa empreitada de retorno ao liberalismo mais atroz estão aí para quem quiser ver. O Brasil deu sequência à estratégia do austericídio e estamos mergulhados na maior recessão de nossa história. A duplinha dinâmica Meirelles & Goldfajn ofereceu ao país um desemprego de 14 milhões de desempregados, o desmonte das políticas públicas e o recorde de falências de empresas. A presença da competência no Ministério da Fazenda e no Banco Central provocou a maior queda do PIB jamais registrada em 2 anos seguidos: mais de 7% de retrocesso durante 2015 e 2016.
E agora a gestão supostamente “competente e profissional” da economia argentina também começa a apresentar sua fatura real. A primeira mudança já havia sido anunciada no final de 2016. Na passagem do ano, veio a demissão do Ministro da Economia, Prat-Gay, oficialmente por não apresentar os resultados esperados por Macri. A área econômica foi dividida em 2 ministérios e Fazenda ficou com Nicolás Dujovne. Mas desde então a política econômica não havia conseguido retomar o crescimento da atividade. O discurso da austeridade não oferecia os instrumentos para recuperar o protagonismo do Estado nessa direção.
Como “los hermanos” enfrentam uma crise mais aguda do que a nossa e não possuem os meios de evitar a contaminação da economia local frente aos ataques especulativos do financismo internacional, o quadro da economia argentina ficou ainda mais tenso ao longo dos últimos dias. O aberturismo e a liberalização irresponsáveis levados a cabo pelo governo Macri deixou o país ainda mais refém dos ataques especulativos dos recursos estrangeiros. E nesse caso, mais uma vez, ficou provado que a dinâmica do capital não se realiza apenas com base em simpatias ou sentimentos por governos, por maiores que sejam os gestos de servilismo dos mesmos. O mais impressionante é que a própria diretora do FMI, Christine Lagarde, saiu-se em imensos elogios ao ajuste liberal conservador da equipe de Macri ainda no mês de março passado, pouco antes dessa reviravolta patrocinada pela especula ção.

Ataque especulativo: o mercado não perdoa
Tendo em vista a incapacidade de Dujovne em cumprir a agenda que o próprio liberalismo de Macri havia acertado com o establishment econômico-financeiro, as chantagens do financismo em promover uma revoada de capitais para fora da Argentina levou o governo a promover uma maxi desvalorização de quase 40% na taxa de câmbio. Essa medida continua sendo considerada insuficiente pela voracidade especulativa, que exige ainda doses mais pesadas contra o peso e a favor do dólar. O jogo é muito pesado! O estoque da dívida externa brasileira é de US$ 40 bilhões, ao passo que o endividamento argentino em moeda estrangeira superou a marca dos US$ 200 bi. O Brasil mantém suas reservas internacionais em US$ 380 bi, ao passo que a Argentina mantém o nível de US$ 56 bi nesse turbilhão em que se encontra.
Como o colchão de liquidez das instituições oficiais argentinas é menos importante que o nosso, a submissão aos interesses do sistema financeiro internacional é mais flagrante. A situação atual é bastante delicada e as perspectivas de superação da crise sem assegurar algum grau de defesa da soberania nacional tornam-se quase uma impossibilidade. Mas essa é uma tarefa que se contradiz totalmente com uma agenda liberal e pró mercado, como aquela que pretendia, demagogicamente, romper com o passado desenvolvimentista da era Kirchner.
Enfim, mais uma vez o efeito Orloff se apresenta para os analistas. Os sinais são variados. A superação de modelos heterodoxos nos dois países. A adoção de agendas e governos pró mercado e de raízes liberais ao extremo no Brasil e na Argentina. E, na sequência, a falência escancarada das equipes econômicas “profissionais e não submetidas à lógica da política” em dar conta da crise. Ao contrário, em ambos os casos assistiu-se a um aprofundamento da recessão e da instabilidade.
Se a lógica do “eu sou você amanhã” realmente fizer algum sentido, cartas podem ser enviadas à redação apresentando palpites e sugestões para o quadro futuro com a realização de eleições presidenciais no Brasil em 2018 e na Argentina em 2019.
*Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal
Fonte - Portogente  15/05/2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Se melhorou, quero o meu

Ponto de Vista  🔍

O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia. O salário mínimo oficial teve o menor reajuste em 24 anos.O custo de vida parou de subir e a inflação permanece controlada pela falta de poder aquisitivo do povo e pela política econômica de arrocho. A queda da Selic não se reflete no aumento do crédito popular porque os juros praticados permanecem proibitivos.

João Guilherme Vargas Netto* - Portogente
João G.Vargas Neto
Apesar da maciça propaganda do governo e sua repercussão pelos agentes do mercado a situação econômica para o povo trabalhador não é a maravilha que trombeteiam; apenas parou de piorar.
O desemprego segue alto, os empregos criados são de baixíssima qualidade com salários irrisórios e a informalidade campeia. O salário mínimo oficial teve o menor reajuste em 24 anos.
O custo de vida parou de subir e a inflação permanece controlada pela falta de poder aquisitivo do povo e pela política econômica de arrocho. A queda da Selic não se reflete no aumento do crédito popular porque os juros praticados permanecem proibitivos.
Os efeitos desorganizadores da lei celerada ainda não se fazem sentir completamente, mas aqui e ali aparecem – como ponta de iceberg – exemplos de retrocesso nas relações do trabalho e demonstrações gritantes do que os empresários pretendem fazer com a lei (não nos esqueçamos dos professores de grandes grupos privados de ensino demitidos de baciada).
Os sindicatos e todo o movimento sindical encontram-se acossados, com os trabalhadores desconfiados de suas lideranças e, ao mesmo tempo, exigindo direções firmes e consequentes que os representem, ajudem e defendam.
Em alguns setores industriais que vinham sendo massacrados pela crise aparecem, na contracorrente do desalento generalizado que ainda persiste, alguns indicadores positivos. Por ora são apenas números que devemos levar em conta, mas que não se refletem na vida cotidiana dos trabalhadores nas empresas e em suas famílias.
O discurso otimista do governo e do mercado não se sustenta, mas é verdade que por força do esgotamento do ciclo da crise a situação parou de piorar. É uma retomada econômica lenta, gradativa, desigual e insegura, com o salário levando uma coça do capital.
Mas, naqueles setores em que o fenômeno positivo se manifesta (principalmente na indústria) é imperioso que as direções – auxiliadas pelo Dieese – estudem com seriedade a evolução do quadro, visando tomar medidas defensivas e ofensivas que compatibilizem as aspirações dos trabalhadores com a eventual nova situação.
Nestes casos, constatada a retomada, soma-se à luta de resistência à aplicação da lei celerada a luta para garantir as conquistas do passado e as novas conquistas proporcionadas pelo alento econômico. A palavra de ordem deve ser: “Se melhorou, quero o meu.”
*João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  09/01/2017

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

O pior Natal brasileiro de todos os tempos

Ponto de Vista  🔍

Mais do que milhões de desempregados e subempregados tem sofrido, mais do que centenas de milhares de trabalhadores tem perdido em renda e perspectiva de vida, mais do que o povo tem enfrentado com insegurança generalizada, mais que tudo isso tivemos a tragédia de caminhar para o fim de um ano sem ter a menor ideia do que pode acontecer no próximo. 

José Carlos de Assis* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Este é o pior Natal de todos os tempos na história do país. Mais do que milhões de desempregados e subempregados tem sofrido, mais do que centenas de milhares de trabalhadores tem perdido em renda e perspectiva de vida, mais do que o povo tem enfrentado com insegurança generalizada, mais que tudo isso tivemos a tragédia de caminhar para o fim de um ano sem ter a menor ideia do que pode acontecer no próximo. A indefinição começa pela atitude já prenunciada pelo tribunal federal de Porto Alegre, politicamente enviesada no sentido de impedir a candidatura de Lula.
É evidente que esse não será ainda o começo da guerra civil. A guerra civil vai começar quando os resultados da política de Meirelles/Temer mostrarem de forma plena seus frutos malignos. Alguma coisa já se percebe como conseqüência da aplicação da lei trabalhista: dezenas de milhares de trabalhadores são despedidos em larga escala para se converterem em pessoas jurídicas e com isso serem obrigados a se filiar a alguma previdência privada comandada pelo sistema bancário.
O grau de torpeza social desse processo se revela quando examinamos essas demissões e estímulo ao subemprego em confronto com a situação econômica do país. Não importa quanto dinheiro de propaganda o Governo despeje na grande mídia, especialmente na Globo, pois continuamos em forte contração. Se fosse numa situação normal de flutuação de crescimento, o desemprego poderia ser tomado como um desconforto casual. Na depressão, é um fenômeno permanente, pois há uma tremenda barreira para o re-emprego.
O mais grave é que seja no Executivo, seja no Legislativo, não há iniciativas reais para enfrentar e reverter o desemprego. O Presidente gasta praticamente todo o seu tempo entre Brasília e São Paulo para se livrar de acusações públicas de corrupção, e toma o resto de tempo para vender aos parlamentares da base a reforma da Previdência. É possível que algum idiota, ou pessoa extremamente mal informada, acredite nas suas prédicas cansativas com a alegação hipócrita de que a reforma é para combater privilégios.
Do meu ponto de vista, a primeira obrigação de qualquer governo numa democracia é combater o desemprego e promover o pleno emprego. Isso foi uma das minhas teses de pós-graduação, sob o título “Trabalho como Direito”, no longínquo 1984. Partindo da constatação de que as bases da democracia moderna, especialmente nas revoluções americana e francesa, colocaram como fundamental para a convivência social e a liberdade civil o direito à propriedade privada, vinha logo a pergunta: e quem não tem propriedade, como fica?
Desconsiderando-se a solução marxista para o problema (socialização dos meios de produção), é politicamente inevitável concluir que, numa democracia moderna, ao direito de propriedade privada deve corresponder o direito ao trabalho remunerado. É claro que esse direito difuso não pode ser um dever do setor privado isoladamente. É um dever do Estado. Cabe ao Estado promover políticas econômicas que assegurem a conquista do pleno emprego, ou pelo menos o que diz a legislação norte-americana, o emprego máximo.
Isso não é difícil. Keynes, o maior economista do século XX, reconheceu a inevitabilidade do ciclo econômico – expansões seguidas de recessão – e propôs uma teoria original para regular o ciclo e promover o pleno emprego. O presidente Roosevelt enfrentou com eficácia a Grande Depressão dos anos 30, assim como Hjalmar Schacht, o braço econômico de Hitler, responsável pela recuperação do poderio industrial alemão. Temos, pois, duas alternativas, ambas eficazes economicamente: ou a de Roosevelt, ou a de Hitler!
Prefiro a de Roosevelt. Mas vejo o país caminhar para a de Hitler. A série de ajustes impostos ao país nos últimos três anos é do mesmo tipo da que o que o chanceler Brunning impôs na Alemanha em 1930 e 1931. No começo eram 12 deputados nazistas. No fim mais de 200. Vendo Meirelles buscando espaço de candidato na televisão com seus esgares vampirescos e sua fraseologia hipócrita de Goebbels, imagino como o país, preocupado exclusivamente em cortar gastos, pode superar seus gigantescos problemas de emprego no próximo ano.

P.S. Atendendo ao apelo do senador Roberto Requião, vamos todos ao Forum Social Mundial Extraordinário do dia 24 em Porto Alegre.

*José Carlos de Assis, economista, doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba e autor de mais de 20 livros sobre economia política. Artigo publicador, originalmente, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Fonte - Portogente  02/01/2018

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

'A missão do Congresso é garantir e ampliar direitos, e não retirá-los'

Política  👀

"A crise política que estamos vivendo, a crise institucional e econômica estão servindo como uma cortina de fumaça que estava impedindo a população de ver o que está acontecendo."

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Para se mobilizar contra a retirada de direitos pelo Congresso Nacional, a Anistia Internacional organizou a campanha "Direitos Não Se Liquidam" e coletou mais de 20 mil assinaturas. A Sputnik Brasil entrevistou a diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, para entender o que está em jogo.
A iniciativa chamou atenção para mudanças legislativas como a PEC 181, que pretende proibir o aborto até mesmo em casos de gravidez causada por estupro, e a possível revogação do estatuto do desarmamento. "A missão do Congresso é garantir e ampliar direitos e não retirá-los", diz Jurema.
"A crise política que estamos vivendo, a crise institucional e econômica estão servindo como uma cortina de fumaça que estava impedindo a população de ver o que está acontecendo."
Jurema ressalta que a pressão popular rende resultados já que a votação da PEC 181, por exemplo, foi adiada e ainda não tem uma nova data. Ainda assim, ressalta a diretora executiva da Anistia Internacional, a população precisa ficar alerta já que apesar da suspensão temporária, é o mesmo Congresso que retornará às atividades em 2018.
"A população precisa lembrar que na volta do recesso é o mesmo Congresso que retorna."
Fonte - Sputnik  21/12/2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Famílias mais endividadas

Economia  $

A parcela de famílias que declararam não ter como pagar as dívidas, permanecendo inadimplentes, aumentou de 0,7 ponto percentual na base anual, mas queda na base mensal, passando dos 9,6% das famílias em junho para 9,4% em julho

Portogente
foto - ilustração
O percentual de famílias endividadas alcançou 57,1% em julho de 2017, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Significa uma alta em relação aos 56,4% de junho.
A parcela de famílias que declararam não ter como pagar as dívidas, permanecendo inadimplentes, aumentou de 0,7 ponto percentual na base anual, mas queda na base mensal, passando dos 9,6% das famílias em junho para 9,4% em julho.
O tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas foi de 63,1 dias em julho de 2017, acima dos 62,4 dias de julho de 2016. O comprometimento com as dívidas foi, em média, de 7,1 meses. Entre as famílias endividadas, 21,6% dizem ter mais da metade da renda mensal destinada ao pagamento de dívidas.
O cartão de crédito ainda é o grande vilão para 76,8% das famílias endividadas, seguido de carnês (15,4%) e crédito pessoal (11%).
A pesquisa da CNC é feita desde 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18.000 consumidores.
Fonte - Portogente  03/08/2017

Medo do desemprego sobe para 66,1 pontos em julho, diz CNI

Economia  👷

Os dados são da pesquisa Índices de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida.Segundo a CNI, com o agravamento da crise política entre março e julho, pioraram as expectativas da população sobre o desempenho da economia; e a percepção é que a recuperação vai demorar ainda mais. "Os brasileiros continuam com muito medo de serem afetados pelo desemprego", informou a entidade.

Andreia Verdélio
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Os brasileiros continuam com muito medo de serem afetados pelo desemprego e com baixa satisfação com a vida, informou hoje (3) a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice do medo do desemprego subiu para 66,1 pontos em julho deste ano.
O valor é 1,8 ponto superior ao registrado em março e está 17,3 pontos acima da média histórica que é de 48,8 pontos. Em comparação com junho de 2016, o índice caiu 1,8 ponto.
Os dados são da pesquisa Índices de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida.
Segundo a CNI, com o agravamento da crise política entre março e julho, pioraram as expectativas da população sobre o desempenho da economia; e a percepção é que a recuperação vai demorar ainda mais. "Os brasileiros continuam com muito medo de serem afetados pelo desemprego", informou a entidade.
O medo do desemprego é maior na região Nordeste, onde o índice alcançou 68,3 pontos. Mas foi no Norte/Centro-Oeste que a preocupação aumentou mais nos últimos três meses. Naquela região, o indicador subiu para 66,9 pontos em julho e está 9,7 pontos acima do verificado em março. No Sudeste o índice é de 67,9 pontos e no Sul, de 56,7.

Satisfação com a vida
O índice de satisfação permanece como um dos menores valores da série histórica, segundo a CNI. Ele teve um leve aumento de 0,3 ponto em julho, frente a março, e ficou em 65,9 pontos. O valor é inferior à média histórica de 66,9 pontos. Em relação a junho de 2016, o índice satisfação com a vida subiu 1,4 ponto.
A satisfação com a vida é maior na Região Sul, onde o indicador é de 68,9 pontos. Em seguida, vem o Nordeste com 66,5 pontos. Entretanto, na comparação com o junho do ano passado, esta é a única região que apresenta queda na satisfação com a vida. Na Região Norte/Centro-Oeste o índice é de 65,6 e no Sudeste, de 64,7 pontos.
Esta edição da pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 125 municípios entre os dias 13 e 16 de julho. A pesquisa Índices de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida está disponível na página de estatísticas da CNI.
Fonte - Agência Brasil  03/08/2017

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Crise fecha mais de 4 mil lojas este ano no Rio de Janeiro

Economia  📉

As informações constam de uma pesquisa divulgada hoje (27) pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio). O levantamento mostra que, deste total, 914 estabelecimentos foram fechados somente em junho, número 149% maior do que no mesmo mês de 2016. O fechamento atingiu 359 estabelecimentos na Zona Norte, 293 na Zona Oeste, 146 na Zona Sul e 116 no Centro.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
A queda das vendas e da atividade econômica e a a grave crise do Estado do Rio de Janeiro determinaram o fechamento de 4.154 estabelecimentos comerciais somente no primeiro semestre do ano, O número é 6,2% maior que o registrado nos primeiros seis meses do ano passado.
As informações constam de uma pesquisa divulgada hoje (27) pelo Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio). O levantamento mostra que, deste total, 914 estabelecimentos foram fechados somente em junho, número 149% maior do que no mesmo mês de 2016. O fechamento atingiu 359 estabelecimentos na Zona Norte, 293 na Zona Oeste, 146 na Zona Sul e 116 no Centro.
Os dados indicam que, em todo o estado, também em junho, foram extintas 2.062 empresas, um aumento de 100% em relação a junho de 2016. Já no primeiro semestre, as soma das empresas fechadas no estado salta para 9.730 - 55% a mais do que no mesmo período do ano passado.

Razões para a crise

O presidente do Clube dos Diretores Lojistas do Rio, Aldo Gonçalves, foi categórico: “O quadro econômico do país tem afetado profundamente o comportamento do consumidor, influenciando a sua disposição para a compra”.
Segundo ele, “neste momento de incertezas, a primeira atitude do consumidor é reduzir os gastos, principalmente no que diz respeito a compras. Com isso, o comércio lojista, já massacrado pelo peso da burocracia e da alta carga tributária, acaba sucumbindo e não encontra alternativa a não ser o encerramento de sua atividade”, explicou.
Fonte - Agência Brasil  27/07/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crise econômica tira passageiros de trem e metrô do Rio

Transportes sobre trilhos  🚇

Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que, entre janeiro e junho de 2016, 90 milhões de pessoas usaram os trens.A SuperVia alegou que registrou diminuição de cerca de 100 mil passageiros por dia no primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Isso, ainda segundo a empresa, causou uma perda de R$ 100 milhões na receita.

EXTRA - RF
foto - ilustração
A crise econômica, apontam concessionárias e especialistas, foi a responsável pela queda no número de passageiros dos trens e do metrô do Rio. Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que, entre janeiro e junho de 2016, 90 milhões de pessoas usaram os trens. Nesse mesmo período de 2017, o número caiu para 79 milhões. Já o metrô teve uma queda de 122 milhões para 121 milhões, mesmo com a implantação da Linha 4, extensão da Linha 2 que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca.
Como o Rio reduziu sua atividade econômica, é razoável que o transporte tenha reduzido também. Há uma correlação entre eles. Livros de transporte e economia falam que isso é um comportamento esperado,afirma o especialista em transportes e professor da Uerj Alexandre Rojas.
As concessionárias confirmam o diagnóstico. A SuperVia alegou que registrou diminuição de cerca de 100 mil passageiros por dia no primeiro semestre de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. Isso, ainda segundo a empresa, causou uma perda de R$ 100 milhões na receita.
Já o Metrô Rio afirmou que perdeu 15 mil passageiros por dia: “A entrada em operação das 5 novas estações da Linha 4, em setembro de 2016, compensou parte da redução”.
Fonte - Revista Ferroviária  21/07/2017

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Reforma política não é prioridade

Ponto de Vista  🔍

Alardear que o sistema político brasileiro está na raiz das crises a que temos assistido, como vemos setores hegemônicos atingidos pela Lava Jato, nada mais é que uma tentativa de desviar o foco do caso Temer e de descriminalizar o caixa 2 e a prática da propina. Convenhamos, as prioridades do Brasil são outras.“É preciso mudar o foco do debate nacional.” Bem diferente de fazer mera reforma política casuística.

Portogente
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Propalar que a reforma política é panaceia para os males que desequilibram o País contribui para ensombrecer, ainda mais, o entendimento dos caminhos para se sair de um estado incapaz, cujo presidente vem sendo arrastado ao abismo por denúncias e escutas graves, envolvendo-o em corrupção, formação de quadrilha e de criar embaraços às investigações da Justiça. Alardear que o sistema político brasileiro está na raiz das crises a que temos assistido, como vemos setores hegemônicos atingidos pela Lava Jato, nada mais é que uma tentativa de desviar o foco do caso Temer e de descriminalizar o caixa 2 e a prática da propina. Convenhamos, as prioridades do Brasil são outras.
É preocupante ver importantes setores produtivos nacionais perdendo investimentos significativos e oportunidades preciosas, por tratar novos paradigmas sob óticas anacrônicas. Como recomenda o baiano e professor de Havard Roberto Mangabeira Unger: “É preciso mudar o foco do debate nacional.” Bem diferente de fazer mera reforma política casuística.
Organizar o Brasil é dar rumo por meio de estratégias calcadas na capacitação e produtividade, com um Estado, nem mínimo e nem máximo, mas necessário, para mobilizar o fantástico potencial produtivo do seu povo e das suas micros, médias e grandes empresas, como um processo de produtividade do capital, na construção do desenvolvimento. É fácil perceber que essa mobilização nacional necessária e suas possibilidades são bem distintas do que se atribui às conquistas, ainda incertas, mas que se mostram frágeis, atingidas neste primeiro ano do governo Temer.
Um fato que expõe a crise de liderança que vive o Brasil, por conta de um governo conduzido por um presidente isolado e sem interlocução com o mundo, foi o seu diálogo mais expressivo com Donald Trump ter ocorrido por telefone, para se explicar sobre o caso da Carne Fraca. O que esperar dessa situação tão precária para um país emergente como superpotência econômica e que precisa se posicionar em um mundo em constante mudança, com explosivo crescimento da tecnologia e de relações internacionais valorizadas?
Com certeza não é a substituição do ministro da Justiça por um aliado com trânsito em tribunais, e com maior capacidade de negociar a permanência do presidente Temer no cargo, a melhor solução que se espera para a crise que assola o Brasil. Indubitavelmente, a intolerância popular vai se acirrar e a crise continuará crescendo a cada dia, adiando ainda mais as possibilidades construtivas e um melhor atendimento ao interesse nacional.
Como diria o mestre Ulysses Guimarães, em política como em nuvens no céu, há mudanças imprevisíveis. No entanto, como a baixa popularidade e o "Fora Temer" vêm de antes da gravação da JBS que agravou sua situação, é inevitável a vacância do cargo de presidente do Brasil, antes mesmo do fatídico mês de agosto.
Fonte - Portogente  31/05/2017

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O desmonte do sistema de proteção social pelo governo Temer

Ponto de Vista   🔍

O Brasil tem se destacado pelo volume, intensidade e perversidade das medidas de austeridade adotadas. O governo Temer que assumiu em 2016, após destituição da presidente democraticamente eleita, tem avançado um pacote de maldades contra o povo brasileiro em passos largos. É importante destacar que: tanto o presidente quanto seus ministros estão profundamente envolvidos nas denúncias de corrupção em andamento, o país vive um cenário de crise institucional e política, e as propostas do governo nunca foram submetidas ao voto popular.

Revista Amazônia
foto - ilstração
A crise econômica de 2008 foi utilizada como justificativa para a adoção de medidas de austeridade na Europa. Os resultados foram catastróficos, especialmente em países como Grécia e Espanha, tendo ocorrido inclusive um reconhecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI)[1], por meio de estudos empíricos, de que cortes orçamentários durante recessões econômicas têm a tendência de ampliar os déficits fiscais e prolongar a recessão, ampliando os níveis de desemprego e desacelerando a recuperação econômica.
O Brasil tem se destacado pelo volume, intensidade e perversidade das medidas de austeridade adotadas. O governo Temer que assumiu em 2016, após destituição da presidente democraticamente eleita, tem avançado um pacote de maldades contra o povo brasileiro em passos largos. É importante destacar que: tanto o presidente quanto seus ministros estão profundamente envolvidos nas denúncias de corrupção em andamento, o país vive um cenário de crise institucional e política, e as propostas do governo nunca foram submetidas ao voto popular.
Entre as mais perversas medidas, o governo Temer apresentou e aprovou no Congresso Nacional, em 2016, uma proposta de Emenda à Constituição[2] para instituir um “novo” regime fiscal, o qual determina que as despesas primárias, onde estão todos os gastos sociais, a partir de 2017, terão um teto: corresponderão ao valor pago em 2016 reajustado apenas pela inflação. Na prática, isso representará um congelamento dos gastos sociais por 20 anos, ou ainda pior, como a população crescerá em 9% e dobrará sua população idosa ao longo dos 20 anos[3], na realidade as despesas sociais per capita serão reduzidas. É ainda importante destacar que existe no país uma normativa que permite contingenciamentos orçamentários para atender a meta de superávit primário, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentária. Se a meta for muito restritiva, os gastos sociais não apenas estarão congelados, como serão inferiores em comparação com o ano anterior. Ampliando a análise, quando o país voltar a crescer, toda arrecadação a mais do país não poderá ser utilizada nos gastos sociais para ampliar direitos, devido ao teto das despesas primárias, somente poderá ser utilizada nas despesas financeiras, para pagar juros e dívida.
Medidas de controle de despesas primárias estão sendo adotadas pelo mundo; porém, o caso brasileiro é único: I. Foi determinado por alteração constitucional; II. Por um o prazo excessivo de 20 anos o que inviabiliza a adoção de outra política fiscal aos futuros governos eleitos democraticamente; III. Com impossibilidade de crescimento real dos gastos sociais ao limitá-los à correção inflacionária, ao invés da variação de médio prazo do PIB como foi feito em muitos países europeus; IV. Desconsiderando qualquer necessidade social que por si só viria a exigir maiores investimentos sociais. Por exemplo, somente o envelhecimento populacional demandaria um acréscimo de 37% nas despesas com saúde[4].
Em perspectiva, se essa Emenda tivesse sido aprovada desde 2013, o orçamento da saúde em 2015 teria sido quase a metade do que foi de fato, R$ 55 bilhões ao invés de R$ 100 bilhões. Para os próximos 20 anos, a previsão é de redução de 25% em uma política pública que já é historicamente seriamente subfinanciada[5].
Dessa forma, a Emenda Constitucional n.95/2017, previamente conhecida como PEC 241 e depois PEC 55, é inteiramente incompatível com as obrigações de direitos humanos, conforme afirmou em Declaração o relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston[6], para quem a emenda afetará de forma mais intensa os brasileiros mais pobres e mais vulneráveis, além de ampliar as desigualdades numa sociedade já bastante desigual.
O Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas (ONU) já emitiu direções específicas que devem ser observadas pelos países parte do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais quando esses adotarem medidas em resposta a crises econômicas. Para estarem de acordo com o Pacto, as medidas fiscais devem: ser temporárias; estritamente necessárias e proporcionais; não discriminatórias; levar em consideração possíveis medidas alternativas, inclusive medidas tributárias; identificar e proteger o conteúdo mínimo e central dos direitos humanos; e serem adotadas somente após cuidadosa análise com genuína participação social no processo de tomada de decisão, especialmente dos grupos e indivíduos afetados[7].
Com a EC 95, o governo Temer falhou em considerar todos esses critérios. A Emenda não é temporária ao se estender por 20 anos e para além do período de crise econômica. O teto aos gastos sociais afetará desproporcionalmente os mais vulneráveis, como as mulheres e crianças negras pobres, que são justamente os que mais dependem dos serviços públicos, como saúde e educação. Medidas alternativas não foram analisadas, especialmente as que poderiam melhorar e ampliar as receitas de forma mais equitativa. Algumas possibilidades seriam: I. Combater a evasão fiscal que representaria um acréscimo de 27% do valor arrecadado[8], o que em 2015 correspondeu a R$ 500 bilhões; II. Ampliar a contribuição dos super ricos com a revogação da não tributação dos lucros e dividendos no imposto de renda, o que em 2015 teria correspondido a R$ 43 bilhões[9]. Com essas medidas poderiam ter sido evitados cortes drásticos em gastos sociais. Por fim, o governo e diversos congressistas não realizaram análises sobre os efeitos das medidas, nem permitiram participação social adequada, ao apressar a aprovação da Emenda e inviabilizar a realização de Audiências Públicas já previamente aprovadas.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)[10] ao considerar todos esses elementos apresentados em Audiência Pública orientou o governo brasileiro a respeitar os princípios de progressividade na realização dos direitos humanos e de não regressão social, em conformidade com o Protocolo de São Salvador, que o Brasil ratificou em 1996. De acordo com esse documento, os países signatários são proibidos de adotar medidas políticas e legais sem adequada justificativa que piorem a situação de gozo dos direitos econômicos, sociais e culturais pela população.
Em avaliação[11] pelo Inesc do orçamento para 2017 do Brasil é possível observar os primeiros indícios de desrespeito tanto das orientações da ONU quanto da CIDH, o que implicará em afronta aos direitos sociais das brasileiras e dos brasileiros em decorrência da austera EC 95. De 2016 para 2017 ocorreu um crescimento de 17,20% dos recursos públicos para despesas financeiras. Por outro lado, as despesas primárias sofreram uma redução de 14,2% na participação do bolo do Orçamento da União.
Os dados orçamentários evidenciam que são as funções e programas orçamentários relacionados com as populações em maior que mais perderão. Como exemplo, a função “Direitos de Cidadania” foi a que teve maior perda orçamentária. Nominalmente, essa função saiu de R$ 2,4 bilhões em 2016 para R$ 1,6 bilhões em 2017, um corte de 47%. Dentro dessa função, o programa mais atingido foi o de “Políticas para as Mulheres: Enfrentamento à Violência e Autonomia” que teve uma redução de 52%. É esse Programa que garante, por exemplo, o atendimento às mulheres em situação de violência. Essa ação orçamentária reduziu R$ 5,5 milhões no seu valor em 2017. Em contrapartida, para os juros, em 2016, foram pagos com serviço da dívida interna e externa R$ 381 bilhões, e em 2017 a previsão é de R$ 557 bilhões, o que representa um crescimento de 46%.
Ou seja, enquanto a fatia das despesas financeiras cresceu de 2016 para 2017, a das despesas primárias reduziu, provando que a lógica da EC 95 determina recursos cada vez mais protegidos para o financismo e cada vez mais limitados para os direitos humanos. O que afronta os princípios de não regressão social, não discriminação e de uso máximo de recursos disponíveis para a realização progressiva de direitos humanos.
-Texto originalmente publicado em espanhol no site da Agência Latinoamericana de Información – Alai.
Fonte - Revista Amazônia  26/05/2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

Setor de transporte puxou queda do PIB, diz CNT

Economia  🚌

Para a confederação, o aumento do desemprego reduziu o número de viagens diárias no percurso casa-trabalho-casa, diminuindo a geração de receita das empresas de transporte urbano de passageiros. “A consequente redução da renda impactou a demanda por produtos, o que afetou o comércio e, consequentemente, as empresas de transporte de cargas que fazem a movimentação dos bens consumidos no país

Valor Econômico
foto - ilustração/arquivo
Os serviços de transporte, armazenagem e correios tiveram o pior resultado em duas décadas e lideraram a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. A retração do setor foi de 7,1% enquanto o PIB brasileiro encolheu 3,6% no ano passado. Como parte integrante de todas as cadeias produtivas e elo importante entre todas elas, esses serviços foram severamente prejudicados pelo mau desempenho da economia como um todo, segundo análise da Confederação Nacional dos Transportes (CNT).
Para a confederação, o aumento do desemprego reduziu o número de viagens diárias no percurso casa-trabalho-casa, diminuindo a geração de receita das empresas de transporte urbano de passageiros. “A consequente redução da renda impactou a demanda por produtos, o que afetou o comércio e, consequentemente, as empresas de transporte de cargas que fazem a movimentação dos bens consumidos no país”, aponta a CNT, em análise sobre os resultados da economia no passado.
Além disso, a crise da indústria fez encolher a demanda por transporte de matérias-primas e bens finais. Ainda segundo a CNT, o impacto negativo da agropecuária – com menor produção de milho, arroz e soja na safra 2015/2016 – contribuiu significativamente para a queda.
A área de transporte, armazenagem e correios teve o maior encolhimento entre os 12 segmentos pesquisados. “A recessão acentuada no setor é um indicador de que a situação econômica brasileira é ainda mais grave e tem desdobramentos adversos”, diz a CNT. “Isso porque a queda de receita no setor, aliada a uma situação de baixo incentivo à realização de investimentos, faz com que transportadores posterguem ainda mais seus aportes, o que tem efeitos diretos nas indústrias de veículos, peças, acessórios e combustíveis, evidenciando o caráter crítico da crise brasileira atual”.
Fonte - ANPTrilhos  13/03/2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Varejo paulista fecha 107 mil postos de trabalho em dois anos

Economia  $

Foram eliminados 5.133 empregos em dezembro, resultado de 66.721 admissões e 71.854 desligamentos. Com isso, o varejo encerra 2016 com um total de 2.082.883 trabalhadores, queda de 2,2% na comparação com o mesmo período de 2015. No acumulado do ano passado, foram extintos 47.146 postos de trabalho.

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
O comércio varejista eliminou mais de 107 mil empregos com carteira assinada nos últimos dois anos em São Paulo, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio). Os dados divulgados hoje (16) referem-se a todo o estado.
Foram eliminados 5.133 empregos em dezembro, resultado de 66.721 admissões e 71.854 desligamentos. Com isso, o varejo encerra 2016 com um total de 2.082.883 trabalhadores, queda de 2,2% na comparação com o mesmo período de 2015. No acumulado do ano passado, foram extintos 47.146 postos de trabalho.
Entre nove setores pesquisadas, somente dois tiveram crescimento em dezembro de 2016, em relação a dezembro de 2015: farmácia e perfumaria (2,3%) e supermercado (0,6%). Houve queda nos segmentos de concessionárias de veículos (-6%), lojas de móveis e decoração (-5,1%) e lojas de vestuário, tecidos e calçados (-5%).
Na comparação por tipos de ocupações, as funções com pior saldo em dezembro foram de escriturários de controle de materiais e de apoio à produção (-1.460 vagas) e escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos (-889 vagas).
Na capital paulista, foram eliminados 4.147 empregos, resultado de 21.257 admissões e 25.404 desligamentos em dezembro. O número total foi de 649.631 trabalhadores, gerando saldo negativo no acumulado do ano de 12.486 empregos. Foi registrada redução de 1,9% do número total, na comparação com dezembro de 2015.
Para a FecomercioSP, o cenário deve ser muito difícil em 2017, pois o varejo não será capaz de recuperar as perdas dos dois últimos anos. A previsão é de que haverá redução de empregos formais no primeiro semestre, compensada pela geração de vagas nos últimos seis meses, se o cenário econômico mostrar melhora.
Fonte - Agência Brasil  16/02/2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os perigos da humilhação

Ponto de Vista  🔍

A dívida individual, a submissão à subempregos, retrocesso em direitos sociais universais e a castração da inovação nos setores mais importantes da nossa economia, como os pequenos negócios e a educação não nos levarão à salvação do fosso financeiro em que nos enfiamos. Com a sua política econômica e as nomeações feitas neste governo, Michel Temer, o aposentado precoce, pavimenta com tijolos dourados a estrada para o autoritarismo e o caos social.

Por Rafael Antunes Padilha* - Portogente
Rafael Antunes Padilha/Portogente
Em 1920, John Maynard Keynes publica uma das suas obras mais importantes, “As Consequências Econômicas da Paz” , livro que tratava da sua experiência como membro da Conferência de Paz de Paris no ano anterior. A grande preocupação de Keynes àquela altura eram as consequências desastrosas que a humilhação e os pesadas indenizações que o povo alemão deveria pagar.
A imposição destes pesados encargos, como previu o brilhante economista inglês, promoveriam a degradação e servidão de toda uma geração de jovens alemães. Keynes também previu a terrível hiperinflação, cujas consequências eram vistas na Alemanha do entre-guerras, onde milhões de marcos não compravam um pão sequer. Keynes tornou-se um profeta da ascensão do nazismo na Alemanha da década de 1930.
Do norte do continente europeu, ao sul, outro importantíssimo pensador do século XX, Umberto Eco, também teve algo a dizer sobre a humilhação. Presenciou as consequências, quando criança, das crises financeiras e a que caminho elas podem nos levar. Em seu famoso artigo de 1995, “O Fascismo Eterno”, Eco volta à sua infância na Itália dos tempos de Mussolini e estabelece quatorze características que garantem a sobrevivência do pensamento fascista nos dias atuais.
Não é de surpreender, que entre os mais diversos traços, desde o anti-intelectualismo até o tradicionalismo e nacionalismo, apareçam entre os seus argumentos a questão econômica e a humilhação, em seu sexto ponto sobre o tema, o escritor e filósofo revela:
“6. O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social. O que explica por que uma das características dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. Em nosso tempo, em que os velhos “proletários” estão se transformando em pequena burguesia (e o lumpesinato se auto exclui da cena política), o fascismo encontrará nessa nova maioria seu auditório. “ 1
A dívida individual, a submissão à subempregos, retrocesso em direitos sociais universais e a castração da inovação nos setores mais importantes da nossa economia, como os pequenos negócios e a educação não nos levarão à salvação do fosso financeiro em que nos enfiamos. Com a sua política econômica e as nomeações feitas neste governo, Michel Temer, o aposentado precoce, pavimenta com tijolos dourados a estrada para o autoritarismo e o caos social.
Nosso povo apresenta-se desorientado, revoltado, imobilizado pela falta de representação, pela incapacidade de interpretar e propor soluções que fujam às mãos do Estado. O sentimento de humilhação nunca foi uma novidade para nós, porém a inovação agora é vender gato por lebre: forma-se uma ideia de que os cortes são necessários, que o Estado não pode ajudar à todos e os aposentados drenam recursos, para que famintos e despedaçados, alimentemos uns tanto quantos indivíduos que nada produzem.
Não podemos investir as nossas energias na venérea ideia da desregulamentação do Estado, como também não podemos depender do mesmo para cuidar de todos os aspectos da nossa vida econômica. É preciso elaborar um projeto nacional, ao mesmo tempo empoderar o cidadão comum e o pequeno empresário. Canalizando os fluxos de recursos novamente para aqueles que produzem com eles, teremos a recuperação do sentimento de dignidade.
*Rafael Antunes Padilha é mestrando pelo Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Culturas e Identidades Brasileiras pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo
Fonte - Portogente  15/02/2017

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

ONU teme retrocesso no combate à pobreza no Brasil

Desenvolvimento Humano  👪

“Tivemos redução da pobreza,nos últimos anos,mas,com a crise de hoje,há o risco de a população voltar aos níveis de pobreza anteriores”, disse Maristela que participou hoje (12) do seminário Diálogos sobre Prosperidade.Segundo o Radar IDHM estudo do Pnud divulgado no mês passado,a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 255,entre 2011 e 2014,diminuiu 9,3% por ano.No período de 2000 a 2010,o decréscimo anual foi de 3,9%.

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) está atento a um possível retrocesso nas ações de combate à pobreza no Brasil diante da atual crise econômica, afirmou a representante do programa no país, Maristela Baioni.
“Tivemos redução [da pobreza], nos últimos anos, mas, com a crise de hoje, há o risco de a população voltar aos níveis de pobreza anteriores”, disse Maristela que participou hoje (12) do seminário Diálogos sobre Prosperidade: Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na BM&F Bovespa, na capital paulista.
Segundo o Radar IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), estudo do Pnud divulgado no mês passado, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 255, entre 2011 e 2014, diminuiu 9,3% por ano. No período de 2000 a 2010, o decréscimo anual foi de 3,9%.
A redução da pobreza e temas como desigualdade social, corrupção, violência crescente, degradação do meio ambiente e déficit de infraestrutura integram a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Essas metas foram adotadas por 193 países-membros das Nações Unidas, incluindo o Brasil, a partir da Rio+20, em 2012.
foto - ilustração
Didier Trebucq, diretor do Pnud, defende que o Brasil aumente os esforços para a promoção do desenvolvimento humano, já que mais de 224 milhões de latinos correm o risco de voltar à pobreza, ou seja, 35% da população latina. “Precisamos de medidas que permitam reforçar a inclusão produtiva”, disse.
Segundo ele, atrair novos modelos de negócios e estratégias ajudam no desenvolvimento econômico. Por isso, o programa fez um acordo de cooperação técnica com 2 mil micro e pequenas empresas, como forma de impulsionar o setor e a economia do país.
Já a coordenadora da Secretaria do Programa de Parcerias e Investimento da Presidência da República, Vanialucia Lins, disse que o governo quer impulsionar as concessões e parcerias público-privadas, capacitando servidores e levando mais informação à população.
“Os desafios são grandes, porque tem várias resistências ideológicas. Felizmente, a sociedade discute, agora, gastos, como a reforma da Previdência. Isso é importante porque os gastos não são ilimitados”, disse.
Fonte - Agência Brasil  12/12/2016

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Uma ponte para o retrocesso

Política

O documento programático do PMDB chamado pomposamente de “Uma Ponte Para o Futuro”, que pretende ser o esboço de um programa de governo merece, sob vários aspectos, uma atenção cuidadosa que só agora começa a se efetivar.

Por João Guilherme Vargas Netto *
imagem - Portogente
O papel aceita qualquer coisa, mas o escrito tem sempre algo a ver com a realidade.
O documento programático do PMDB chamado pomposamente de “Uma Ponte Para o Futuro”, que pretende ser o esboço de um programa de governo merece, sob vários aspectos, uma atenção cuidadosa que só agora começa a se efetivar.
Em nome de um partido que é aliado no governo, o documento afirma posições que explicitam o encaminhamento neoneoliberal para solucionar a crise política e a recessão na economia.
De maneira corajosa ousa afirmar aquilo que se pretende esconder e escancara uma visão rentista e contra os trabalhadores, apresentando um conjunto de medidas que configuram o desmanche das políticas sociais redistributivas e aperta ainda mais o nó da bancolândia sobre a economia.
O pacote é quase completo: desvinculação orçamentária total (sob o nome de “orçamento zero” ele seria estabelecido a cada ano ou a cada mandato presidencial sem respeitar as dotações para saúde e educação, por exemplo); fim da política de valorização do salário mínimo; desvinculação dos benefícios previdenciários, do seguro desemprego e de quaisquer verbas sociais do valor do salário mínimo; idade mínima para aposentadoria; negociado prevalecendo sobre o legislado e estou me referindo apenas àquelas medidas que dizem respeito diretamente aos direitos e conquistas dos trabalhadores, sem mencionar o reforço estonteante aos rentistas e aos especuladores (por exemplo, com o fim do regime de partilha na Petrobrás).
Perto desse programa o ajuste pretendido pelo ministro Levy parece ladainha de coro infantil e toda a confusão programática das oposições pode encontrar nele um desaguadouro seguro. No entanto, devido à complexidade da situação e à heterogeneidade do PMDB, é possível que após pressões e contra pressões o tom mude em meados de novembro.
O movimento sindical que se articula para discutir como enfrentar a recessão e retomar o desenvolvimento deve se pronunciar unitariamente contra as medidas lesivas aos interesses dos trabalhadores, falando alto e em bom som que esta ponte não conduz ao futuro, mas é passagem para o retrocesso.
* João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical
Fonte - Portogente  11/11/2015

quarta-feira, 11 de março de 2015

Economia do G20 mantém crescimento de 0,9% no último trimestre de 2014

Economia/Internacional

Os países onde a economia se mostrou mais dinâmica entre outubro e dezembro do ano passado foram a Índia e a China, que tiveram crescimentos de 1,6% e 1,5%, respectivamente.Os dois países, no entanto, registraram desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando as taxas de crescimento do PIB da Índia e da China foram 2,2% e 1,9%.

Da Agência Lusa
foto - ilustração/Pregopontocom
O Produto Interno Bruto (PIB) dos países do G20 cresceu 0,9% no último trimestre de 2014, o mesmo ritmo do trimestre anterior, apesar da desaceleração das economias da Índia e da China, informou hoje (11) a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a organização, o PIB do G20 no último trimestre de 2014 cresceu 3,4% em relação a 2013.
Os países onde a economia se mostrou mais dinâmica entre outubro e dezembro do ano passado foram a Índia e a China, que tiveram crescimentos de 1,6% e 1,5%, respectivamente
Os dois países, no entanto, registraram desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando as taxas de crescimento do PIB da Índia e da China foram 2,2% e 1,9%.
A economia norte-americana avançou, entre outubro e dezembro, 0,5%, bem abaixo da taxa de 1,2% registrada no trimestre anterior.
O conjunto do PIB da União Europeia e da zona do euro aumentou 0,3% no mesmo período.
A Alemanha, a maior economia europeia, cresceu 0,7% entre outubro e dezembro, enquanto o PIB da França, a segunda maior potência econômica da Europa, avançou 0,1% e o de Itália registrou crescimento nulo.
O PIB do Reino Unido, que não partilha a moeda única europeia, avançou 0,5% no último trimestre de 2014.
A atividade econômica no México avançou no último trimestre do ano passado 0,7%, acelerando em relação ao período anterior, quando tinha crescido 0,5%.
Fonte - Agência Brasil  11/03/2015

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O caos no México

Política

Mídia esconde o caos no México - É o pior índice de popularidade desde o início da gestão do presidente do México,o direitista Enrique Peña Nieto,em 2012.Nesta onda de descontentamento, vieram à tona graves denúncias de corrupção envolvendo o “moderno” e “austero” presidente do México. 

Por Altamiro Borges

Nos meses que antecederam as eleições no Brasil, a mídia colonizada, que nutre o complexo de vira-lata, fez recorrentes elogios ao México e ao seu presidente, o direitista Enrique Peña Nieto. Ele seria um exemplo de político “moderno” e “austero”, e o país seria o paraíso da prosperidade na América Latina, uma prova do vigor do modelo neoliberal. Mas tudo não passava de propaganda ideológica. Agora, passado o pleito no Brasil, descobre-se que o México, sempre tão servil aos EUA, afunda numa grave crise econômica, moral e política. A mídia privada, porém, não faz qualquer autocrítica das patifarias que difundiu. Pior ainda, ela evita dar destaque ao caos vivido pelo pobre México.
Nesta segunda-feira (1), o jornal governista “El Universal” divulgou uma pesquisa revelando que 50% dos mexicanos reprovam o governo de Peña Nieto. É o pior índice de popularidade desde o início da sua gestão, em 2012. Há muito que o México passa por um processo cruel de regressão social, com altas taxas de desemprego e aumento da miséria. Essa barbárie decorre da política imposta pela oligarquia local, servil às imposições do Nafta, um acordo comercial que submete a nação à rapina dos EUA. Mas o que fez crescer a rejeição ao atual presidente foi a descoberta de que 43 alunos de uma escola de Ayotzinapa foram brutalmente assassinados pela polícia. A notícia deflagrou uma explosão de revolta no país.
Nesta onda de descontentamento, vieram à tona graves denúncias de corrupção envolvendo o “moderno” e “austero” presidente do México. A empreiteira que venceu a “licitação” para a construção de um trem-bala quando Peña Nieto era governador do Estado de México presenteou sua mulher, a atriz Angélica Rivera, com uma luxuosa mansão. O escândalo abalou ainda mais a popularidade do presidente tão bajulado pela mídia colonizada do Brasil. Estes e outros fatores serviram para desmascarar o yuppie neoliberal do México e para elevar a temperatura da luta de classes no país. O jornalista Eduardo Graça, numa reportagem para a revista CartaCapital, demonstra que a crise política é violenta no México.

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Estamos no México, mas não se trata de uma novela produzida no país, embora pareça. A hipótese cada vez mais factível da segunda chacina em cinco meses, desta vez de 43 estudantes, contar com a participação direta da polícia levou milhares de mexicanos às ruas em revolta contra o colapso do sistema de segurança pública, a certeza da impunidade e o conchavo descarado entre autoridades locais e os cartéis de tráfico de drogas... Populares atearam fogo no prédio da Assembleia Legislativa do estado de Guerrero e na sede do PRI, o partido governista. Aeroportos e rodovias de grandes centros foram ocupados e os manifestantes chegaram a fazer de refém por algumas horas, na terça-feira 11, o secretário estadual de Segurança. Trata-se da maior crise relacionada à explosão da violência na segunda maior economia da América Latina (...).
O enredo ficou ainda mais complicado para o governo após a denúncia da jornalista Carmen Aristegui de que o presidente e a primeira-dama se revezam entre o palácio presidencial e uma mansarda avaliada em 7 milhões de dólares, registrada em nome do Grupo Higa. Trata-se de uma empreiteira que abocanhou 652 milhões de dólares em contratos com o Estado do México durante a administração Peña Nieto, entre 2005 e 2011. Ao assumir a Presidência do país, anunciou um leilão para a construção de um trem de alta velocidade entre o Distrito Federal e a cidade de Querétaro. A obra, avaliada em 3,7 bilhões de dólares, foi arrematada no início do mês por um consórcio liderado justamente pelo Higa.
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Os descalabros do governo “moderno” e “austero” do neoliberal Peña Nieto são antigos. Mas a mídia brasileira, em plena campanha pela eleição do também neoliberal Aécio Neves, preferiu esconder os podres. No final de 2013, a própria Angélica Rivera havia concedido entrevista jactando-se da nova mansão. Agora, só agora, a Folha tucana lembra que “o interior da casa do casal presidencial foi mostrado em detalhes pela primeira-dama em matéria de uma revista de celebridades em 2013. O piso é de mármore, e há quartos para os filhos do casal. ‘Los Pinos [residência oficial da Presidência] nos foi emprestada só por seis anos. Nossa verdadeira casa, nosso lugar é este’, disse Rivera”.

Veja abaixo a cronologia da crise recente:
26 de setembro
Policiais e traficantes atacam a tiros ônibus com alunos de magistério de Ayotzinapa, que estavam em Iguala para arrecadar fundos; 43 jovens desaparecem
30 de setembro
Suspeitos, prefeito de Iguala, Jose Luis Abarca, e sua mulher, María de los Ángeles, fogem
5 de outubro
Dois traficantes confessam a morte de 17 dos 43 desaparecidos e acusam Abarca de ser o mandante
4 de novembro
Abarca e sua mulher são encontrados e presos
7 de novembro
Procurador-geral Jesús Murillo diz que traficantes de cartel confessaram o assassinato de todos os desaparecidos. Os corpos teriam sido queimados e jogados em um rio. Pais questionam versão do governo
9 de novembro
Surge denúncia de que mulher do presidente teria comprado mansão de empresa agraciada com contratos do governo
Fonte - Blog do Miro  04/12/2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FMI se reúne, a partir de hoje, para discutir baixo crescimento mundial

Economia

“Acho que a discussão vai girar em torno [da busca de respostas para a crise]. O que [se deve fazer] para reagir. Acredito que a discussão estará centrada na conjuntura. Ou seja, na verificação de que a expectativa que havia no início do ano de um crescimento mais forte de uma economia global, que não se realizou, [exige ação]".

Daniel Lima 
Repórter da Agência Brasil 
foto - ilustração
O Fundo Monetário Internacional (FMI), inicia hoje (10), em Washington, reunião para tentar desatar o nó da crise econômica global, iniciada em 2008. O encontro deve buscar soluções para que os países superem o baixo crescimento da economia global, disse, em entrevista por telefone à Agência Brasil, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Comzendey.
“Acho que a discussão vai girar em torno [da busca de respostas para a crise]. O que [se deve fazer] para reagir. Acredito que a discussão estará centrada na conjuntura. Ou seja, na verificação de que a expectativa que havia no início do ano de um crescimento mais forte de uma economia global, que não se realizou, [exige ação]".
Conforme o FMI, no relatório World Economic Outlook, divulgado esta semana, o ano de 2014 praticamente está se encerrando com crescimento mundial projetado em apenas 3,3%. A revisão das previsões ocorre em razão de o crescimento na primeira metade de 2014 ter sido inferior ao projetado, refletindo série de "surpresas negativas", incluindo o desempenho relativamente fraco dos Estados Unidos, o crescimento modesto na zona euro e a progressão da economia nipônica abaixo do previsto.
Comzendey lembrou que, durante toda a semana, os economistas do FMI e a própria diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, alertaram sobre a necessidade de os países adotarem medidas para retomar o crescimento. “Claramente [o FMI] está demonstrando que há uma frustração da expectativa de crescimento da economia mundial. Mesmo os Estados Unidos, [que vêm se recuperando], em março, tinha uma previsão de crescimento de 2,9%, agora já são 2,2%”, destacou.
No caso do Brasil, o FMI reduziu para 0,3% estimativa de crescimento em 2014, abaixo da estimativa do governo de 1,8%, defendida pelo governo até setembro, e revisada, desde então, para 0,9%.
“A economia cresceu pouco no primeiro semestre, como a gente sabe, mas está se recuperando agora. Comparativamente a outros países, a gente vê que há uma queda das expectativas, quase todos os países foram revisados para baixo. [Houve] muito pouca análise para cima, como é o caso da Índia. A maioria das previsões mostram a expectativa de crescimento para baixo e o Brasil está nesta mesma direção”, avaliou Comzendey.
Além do encontro do FMI e do Banco Mundial, o grupo G20 [que reúne as maiores economias do planeta] agendou reuniões em Washington. Segundo Comzendey, hoje haverá encontro dos países que lideram a economia mundial para preparar o encontro de cúpula que acontece na Austrália, em novembro. O secretário observou que devem ser feitos ajustes finais sobre os termos da proposta para a iniciativa global de infraestrutura. “O G20 aprofundou neste ano esta discussão com o objetivo de encontrar caminhos para melhorar a infraestrutura, com a melhora dos investimentos públicos e atração de investimentos privados para a infraestrutura”, disse.
Ele admitiu que são importantes, sim, os investimentos em infraestrutura, por ser “um dos nós do crescimento do país”. E acrescentou: “O governo vem fazendo o que qualquer governo [faria]”, disse.
Fonte - Agência Brasil  10/10/2014