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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Petrobras descobre nova camada de óleo no pré-sal da Bacia de Santos

Energia - Pré-Sal/Petróleo  ⛽

O volume foi identificado por meio de testes em uma profundidade de 5.600 metros. De acordo com nota divulgada pela empresa, na inspeção foram usados perfis elétricos gerados por sonda introduzida em nova perfuração, para identificar caraterísticas geológicas e hidrológicas.

Fabíola Sinibú - Agência Brasil
André Ribeiro/Ag. Petrobras
A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (14) nova acumulação de petróleo na zona inferior ao reservatório principal do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O volume foi identificado por meio de testes em uma profundidade de 5.600 metros. De acordo com nota divulgada pela empresa, na inspeção foram usados perfis elétricos gerados por sonda introduzida em nova perfuração, para identificar caraterísticas geológicas e hidrológicas. O material gerado ainda está em análise pelos laboratórios da Petrobras. A nota esclarece que “o Consórcio da Jazida Compartilhada de Búzios, formado pela Petrobras como operadora (participação de 88,98%), em parceria com a CNOOC (7,34%) e a CNPC (3,67%), tendo a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) como gestora, dará continuidade às análises dos resultados para continuidade das atividades na área". Produção média anual Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média anual de petróleo e gás natural foi, em 2024, de 4,322 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Desses, foram produzidos 3,358 milhões de barris por dia (bbl/d) de petróleo. Cerca de 78% desta produção foi proveniente de reservatórios da camada pré-sal, uma formação localizada entre mil e 6 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. O campo de Búzios é considerado o maior do mundo em águas ultraprofundas e fica localizado no Rio de Janeiro, a 189 quilômetros da costa. Opera com produção em larga escala desde março de 2015, e no último ano ultrapassou a marca de 1 bilhão de barris de petróleo produzidos, no mês de março. De acordo com o Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural da ANP, em 2024, a produção do campo de Búzios aumentou 2,40% em relação ao ano de 2023, representando 19,53% da produção marítima.
Fonte - Agência Brasil 15/02/2025

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Privatização de ativos da Petrobrás: interesses estrangeiros poderosos

Ponto de Vista  🔍

Interesses extremamente poderosos, se mobilizaram e modificaram radicalmente a trajetória do Brasil como Nação Soberana.Afastaram a presidenta da República e imediatamente investiram contra o ponto central do marco regulatório do pré-sal, extinguindo a obrigatoriedade de a Petrobrás ser a operadora única das atividades de exploração & produção. Aliás, cumprindo uma promessa do candidato neoliberal aos interesses não brasileiros que o apoiavam nas eleições presidenciais de que, no final, saiu derrotado em 2013.

Guilherme Estrella* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Consumo de energia aumentará para atender a mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.A oportunidade representada pelo pré-sal para o desenvolvimento industrial brasileiro ainda não foi adequadamente avaliada pelos setores decisórios nacionais.
Enquanto na Bacia de Campos o processo exploratório exibia riscos, ainda que baixos, as descobertas no pré-sal são previsíveis a longo prazo, e de grandes campos, muitos gigantes com reservas maiores que 500 milhões de barris e também supergigantes, como Lula, com mais de 5 bilhões de barris.
Este fato carrega duas oportunidades extraordinárias e imprescindíveis para se elaborar um projeto de desenvolvimento industrial para qualquer país:
(i) suprimento energético a longo prazo, no caso do pré-sal por décadas ao longo deste século XXI, e
(ii) o fator escala, a caracterizar a garantia firme de demanda por uma imensa gama de materiais, equipamentos, máquinas, produtos eletrônicos, sistemas computacionais de controle e qualidade de produção etc. Tudo a basear-se em conhecimento científico e capacitação tecnológica e de engenharia de projetos com elevada sofisticação e garantia de qualidade.

Atacar perspectivas únicas em toda a nossa história como nação independente

Para assegurar formalmente a concretização destas perspectivas – talvez únicas em toda a nossa história como nação independente – o Congresso Nacional aprovou o novo marco regulatório do pré-sal brasileiro, transformando a União em proprietária do petróleo/gás produzido nos novos campos dentro da área mapeada e, centralmente decisivo, estabelecendo a Petrobrás como operadora única da produção destes estratégicos recursos naturais brasileiros.
É preciso esclarecer, para o público não especializado, o que significa atuar como operador num consórcio na produção de petróleo/gás natural.
O operador exerce um controle total não só sobre as atividades operacionais. Abrange igualmente a completa elaboração dos projetos de engenharia envolvidos e, em consequência, do conteúdo científico e tecnológico do projeto, da definição e escolha de todos os materiais, equipamentos e processos necessários à construção, montagem, operação, manutenção, reparo e de toda a sofisticada logística de transferência e transporte da produção do campo (marítimo, oleodutos e gasodutos).
Diante desta realidade, pode-se perceber o poder do operador do campo em contribuir para um projeto de industrialização do nosso país, principalmente, no caso do nosso pré-sal, quando se trabalha na fronteira do conhecimento científico/tecnológico.
Neste cenário, não se prescinde de uma total integração com a universidade e centros de pesquisa brasileiros, na formação e treinamento de pessoal especializado, de elevada qualificação, assim como com a empresa genuinamente brasileira, tanto na área de materiais e equipamentos especiais quanto na área do desenvolvimento de sistemas eletrônico-computacionais muito avançados, largamente exigidos pelo offshore ultraprofundo (megaprojetos de engenharia instalados em lâmina d’água maior que 2.000m, com poços produtores especiais de mais de 5.000 metros de extensão perfurada pela broca).
Importante também informar que este conjunto de conhecimentos de toda ordem engloba igualmente o campo das tecnologias de defesa, chamadas de “sensíveis” e absolutamente indispensáveis para um país com a importância geopolítica do Brasil.
Mas é exatamente toda esta imensa oportunidade que o pré-sal brasileiro traz ao desenvolvimento minimamente autônomo e soberano de nosso país que despertou a preocupação de interesses que se sentem ameaçados pelo surgimento de novo e importante membro protagonista no palco geopolítico mundial.

Estes interesses, extremamente poderosos, se mobilizaram e modificaram radicalmente a trajetória do Brasil como Nação Soberana.

Afastaram a presidenta da República e imediatamente investiram contra o ponto central do marco regulatório do pré-sal, extinguindo a obrigatoriedade de a Petrobrás ser a operadora única das atividades de exploração & produção. Aliás, cumprindo uma promessa do candidato neoliberal aos interesses não brasileiros que o apoiavam nas eleições presidenciais de que, no final, saiu derrotado em 2013.
Todo o poder de aplicação de uma política desenvolvimentista integral que o governo brasileiro exercia através de sua empresa estatal foi simplesmente extinto, com a falsa ressalva de que a Petrobrás poderia “escolher” se atuaria como operadora ou não, como se fosse aceitável que a empresa pudesse contrariar uma decisão de Estado decidida pelo seu controlador, o próprio governo que usurpou o governo em 2016.
Como consequência, todo benefício que o pré-sal pudesse gerar para a indústria brasileira foi repassado para as empresas estrangeiras e seus fornecedores de mesma origem ou pertencentes aos mesmos interesses financeiros.
Mas esta medida não era suficiente para sepultar definitivamente um projeto autônomo de desenvolvimento nacional. Era preciso minimizar ao máximo a obrigatoriedade do conteúdo nacional, o que foi feito.Mas, novamente, para promover a compra e utilização de projetos de engenharia, materiais, máquinas e equipamentos realizados fora do Brasil, foi-lhes concedida uma imensa isenção tributária de importação para elevar ainda mais a atratividade das operações.
Entretanto, a Petrobrás permanecia como a operadora única das atividades de produção de cerca de 12 a 15 bilhões de barris nas áreas da chamada “cessão onerosa”, com volumes de reservas que excediam o volume original contratado. Produzir estas áreas é questão de sustentabilidade para a Petrobrás no médio e longo prazos, e a anulação dos contratos traz ameaças ao futuro da companhia.
Todas estas decisões inserem-se com perfeição na opção dos governos após 2016 pela redução da participação do governo, através de suas empresas estatais, na gestão do nosso país.
Com o atual governo, esta intenção tornou-se clara e defendida publicamente com a defesa de privatização/desnacionalização total da economia brasileira e a desconstrução do aparelho de Estado Nacional.
Mas, no caso da Petrobrás, em razão do simbolismo que a empresa ostenta em relação à própria nacionalidade brasileira, este governo apresenta argumentos falsos para conduzir o cidadão comum brasileiro a aceitar sua privatização.
Primeiro, afirma que a Petrobrás está quebrada, visão totalmente desmontada principalmente pelos dados apresentados pela Associação dos Engenheiros da Petrobás (Aepet), com base em estudos do economista Claudio da Costa Oliveira.
Outro argumento diz respeito ao abandono dos combustíveis fósseis – petróleo e gás natural – como principais fontes de energia da humanidade, nestes próximos anos. Esta previsão não tem qualquer credibilidade pelo fato de que na atual matriz energética mundial, óleo e gás (o&g) aparecem com 60% de participação, realidade que não será mudada por décadas pois exigiria transformações radicais nas atividades humanas de todos os tipos, impossíveis de serem implementadas em poucas décadas.
Certamente, o&g terão diminuídas sua contribuição na matriz mundial, abrindo espaço crescente para fontes renováveis; ao mesmo tempo, entretanto, o consumo de energia aumentará significativamente nas próximas décadas na medida em que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com baixos níveis de consumo de energia, em razão da gigantesca desigualdade social por que padece a humanidade.
Exemplo disto é o próprio Brasil: somos a nona economia no mundo e ocupamos a 72ª colocação (dados de poucos anos atrás, mas que não deve ser diferente da realidade atual) no quesito consumo de energia por habitante. Nosso consumo de petróleo – 2,5 milhões de barris/dia – reflete esta realidade e aponta para um concreto potencial de aumento de consumo de o&g, desde que o país saia desta crise em que foi afundado.
É necessário, também, citar a nossa matriz energética, de longe a mais equilibrada entre fósseis (55%) e renováveis (45%) dentre as maiores economias do mundo, com predominância absoluta de combustíveis fósseis em seu consumo de energia. Este fato significa que, com a crescente contribuição dos renováveis na nossa matriz, com o crescimento inescapável de nosso consumo de energia, nosso pré-sal tem assegurada sua participação também crescente nas próximas décadas. Aliás, este é um ponto central na discussão da privatização da Petrobrás, já anunciada por este governo.
O Brasil aparece, pelo conjunto muito significativo de nossos recursos naturais, como um dos países com notável potencial de crescimento de seu mercado interno, a garantir a sustentabilidade e o devido retorno financeiro de investimentos para produzi-los. Petróleo & gás natural têm mercado seguro e muito crescente no nosso território, pela sociedade brasileira.
A manutenção da integridade do sistema industrial produtivo da Petrobrás – exploração &produção, refino e distribuição, terminais e dutos distribuidores, logística, fertilizantes – é inquestionavelmente mandatória. Não só por manter a gestão direta, pelo Estado Nacional, de insumos estratégicos básicos para a construção do PIB brasileiro mas por permitir que estes mesmos insumos energéticos, tão indispensáveis à vida dos cidadãos deste país, cheguem ao consumidor final com os menores preços possíveis na medida em que sejam geridos de forma a manter a sustentabilidade do sistema como um todo e não de partes isoladas, que focam somente no lucro e na rentabilidade de suas atividades específicas.
Não há qualquer dúvida que o esquartejamento do sistema industrial Petróleo Brasileiro S.A. através da privatização/desnacionalização de seus componentes – refinarias, dutos, terminais, setor de fertilizantes, terminais etc... – irá enfraquecer, senão eliminar, a gestão do Estado Brasileiro num setor tão estratégico para a soberania nacional como é o de energia, especialmente petróleo e gás natural.
Tudo agravado pelo fato de que as instituições que estão comprando os ativos da Petrobrás exibem grande, senão total, participação de fundos de investimentos internacionais, representantes centrais do capitalismo rentista mundial, sem qualquer compromisso como desenvolvimento brasileiro, em qualquer de suas dimensões.
Trata-se de um crime de lesa-pátria típico pois, no caso do pré-sal, as empresas estrangeiras que estão adquirindo os blocos não correram qualquer risco para descobri-los enquanto foi a Petrobrás – em última análise o povo brasileiro, representado pelo acionista principal, a União – que se transforma numa agência de apoio e promoção às grandes empresas petrolíferas internacionais e as empresas fornecedoras de bens e serviços industriais de seus países originários ou componentes do mesmo conjunto de interesses financeiros que as domina.
E que perderam para a Petrobrás a competição para descobrir os campos gigantes do pré-sal brasileiro, como foi o caso da Shell, em 2001, quando desistiu de aprofundar um poço que perfurava a camada de sal, na Bacia de Santos – por incompetência técnico-científica ou por postura financista/rentista dos gestores de seu investimento – deixando embaixo cerca de 10 bilhões de barris – e devolvendo o bloco á ANP.
Este campo foi depois descoberto pela Petrobrás, que é sua atual operadora. Quer dizer, estamos passando às empresas privadas estrangeiras, que perderam a competição para descobri-lo, um bem estratégico cujo aproveitamento é decisivo para nosso desenvolvimento autônomo, como nação soberana.
No caso das refinarias, a mesma situação: serão vendidas junto com os mercados que lhes consomem o produto, pois esta foi a racionalidade de suas construções – pela Petrobrás/Povo Brasileiro – para o abastecimento regional integrado de combustíveis em todas as regiões do território nacional. As empresas/instituições compradoras não enfrentarão competidores nestes mercados, projetadamente cativos para sua produção.
E mais, com projetos originais de refino completamente modificados, ao longo de décadas, com melhorias contínuas, engenheiradas pela área de refino da Petrobrás em conjunto com o nosso centro de pesquisa e desenvolvimento (Cenpes) e que exigiram pesados investimentos para se tornarem realidade. Tudo acompanhado de esforço permanente de formação, treinamento e capacitação profissional que levou estas unidades industriais à excelência operacional de eficiência e segurança que hoje as caracteriza.
Em suma, esta iniciativa de esquartejar e privatizar/desnacionalizar o Sistema Petrobrás é criminosamente lesiva aos interesses brasileiros, ao desenvolvimento nacional integral, ao bem-estar e à qualidade de vida do povo brasileiro, à soberania nacional.
Não pode ser aceita pela sociedade brasileira, há que ser totalmente rejeitada e ter revertidas todas as operações já realizadas neste sentido.
* Geólogo, ex-diretor da Petrobrás. Artigo publicado originalmente em Monitor Mercantil.
Fonte - Portogente  27/12/2019

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O fim do SUS e a morte do brasileiro

Ponto de Vista  🔍

Vamos refletir sobre a questão da saúde nas condições do Brasil, hoje.O Ministério da Saúde, pela Portaria nº 1.717, de 12 de junho de 2018, descredencia mais de 6.000 Equipes de Saúde da Família (ESF) em Municípios brasileiros de todas as regiões.É preciso muito cinismo e crença na ignorância popular para que os partidos que votaram ou apoiaram a entrega do petróleo brasileiro às empresas estrangeiras apresentem candidatos prometendo educação e saúde.

Pedro Augusto Pinho* - Portogente
imagem - ilustração/Pinterest 
O projeto aprovado no Congresso de utilizar os recursos petrolíferos do pré-sal para a saúde e educação tornou-se letra morta com a proposta do PSDB e dos golpistas de 2016 de destinarem esta riqueza nacional para as empresas de petróleo estrangeira, em especial as estadunidenses e inglesas, o que irá enriquecer ainda mais seus acionistas nos Estados Unidos da América (EUA) e no Reino Unido (UK).
É preciso muito cinismo e crença na ignorância popular para que os partidos que votaram ou apoiaram a entrega do petróleo brasileiro às empresas estrangeiras (DEM, PPS, PP, PSC, PRB, PSL, NOVO, Rede, PROS, PRTB, SD, PTC, além do PSDB) apresentem candidatos prometendo educação e saúde.

Vamos refletir sobre a questão da saúde nas condições do Brasil, hoje.
O Ministério da Saúde, pela Portaria nº 1.717, de 12 de junho de 2018, descredencia mais de 6.000 Equipes de Saúde da Família (ESF) em Municípios brasileiros de todas as regiões.
Em Cícero Dantas, município baiano de 658 km², com população de 34 mil e 500 pessoas (IBGE 2013), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) precário, 0,585 (PNUD 2010), fica reduzido, com este descredenciamento, de um terço sua equipe de atendimento pelo SUS. Cito por conhecer o município, que está inserido no "Polígono das Secas", com rios temporários, pois com toda certeza não será o mais sofredor da quase exaustiva relação dos municípios, anexa à Portaria.
Por que este crime contra brasileiros é cometido por outros brasileiros? Seria simplista e incompleto, embora parcialmente verdadeiro, apontar a corrupção. Esta, quando efetiva, é o fim de extensa linha que começa pela apropriação do Poder Nacional.
E os que colocaram estes atuais governantes, por manobras que tiveram início desde a descoberta do pré-sal, atuam em diversos segmentos econômicos, além do petróleo, como os caros leitores tomam ciência, diariamente, com as alienações dos patrimônio nacionais: empresa de aviação (EMBRAER), base de lançamento de foguetes (Alcântara, MA), empresas de engenharia de construção e montagem, indústria naval e, claro, o negócio da saúde.
Quantos laboratórios passaram de mãos nacionais para organizações estrangeiras? Quantos fabricantes de remédios não fecharam as portas?
A saúde, diria melhor, a doença é um investimento de alto retorno. Ao lado das finanças, das drogas, das armas e do petróleo estão as empresas que lucram com a doença, com a miséria, com a morte.
Se pensam que exagero, transcrevo notícia que o Portal Pátria Latina reavivou, neste momento que o Congresso Nacional aprova de um lado a morte e de outro a raposa para gerente do galinheiro (expressão do senador Randolfe Rodrigues). Ou seja, o uso no Brasil de pesticidas, agrotóxicos proibidos em todo mundo civilizado, e o Senado o nome do advogado Rogério Scarabel Barbosa, defensor dos planos de saúde privados para o cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Aos que desconhecem, à ANS cabe, exatamente, fiscalizar os planos de saúde, que junto com os bancos, são os mais questionados serviços prestados à população. Devemos mais uma vez ao PSDB esta iniciativa impatriótica.
Assim, já não nos surpreende nem assusta a notícia de primeira página do Monitor Mercantil, em 29 de junho de 2018: “Planos de Saúde poderão cobrar até 40% por procedimento”, referente a novas regras de coparticipação e franquia em planos privados de saúde.

Eis a notícia do Pátria Latina.
“Cura do câncer existe há 80 anos e foi suprimida pelos Rockefeller para manter o controle populacional” e segue “as revelações do doutor Richard L. Day, em 1969, foram chocantes na época, mas agora começaram a se tornar realidade. O Dr. Day foi professor de pediatria na Mount Sinai School of Medicine, em Manhattan, Nova Iorque, e diretor médico da organização ‘Planned Parenthood’.
E ainda no Portal: “É difícil obter informações sobre uma possível cura direta do câncer pela Universidade Rockefeller, o que é compreensível se a declaração do Dr. Day estiver correta – e não há motivo para não o ser.
A universidade está envolvida na pesquisa do câncer através do Centro Anderson para Pesquisa do Câncer, que foi criado para encorajar e apoiar colaborações e abordagens no desenvolvimento de tratamento e pesquisa de curas. O câncer é pesquisado na Universidade Rockefeller desde 1911 e vários marcos da pesquisa de câncer foram atribuídos aos cientistas da Rockefeller.
Tem havido muitas reivindicações de “tratamentos” que dizem curar o câncer, e muitas afirmações de que as curas estão sendo suprimidas por grandes empresas farmacêuticas e outras organizações (como o Instituto Rockefeller).
É altamente provável que tratamentos eficazes contra o câncer tenham sido suprimidos no passado com o objetivo de manter uma agenda de controle populacional na Terra”.
Assim, caros leitores, vocês estão diante de um crime infame, ignominioso, praticado por político dos partidos que enumerei e que devem ser afastados definitivamente da vida pública por vocês mesmos; não só estas pessoas não merecem seus votos, como seus partidos estão alinhados com os interesses da morte dos brasileiros e da alienação do Brasil. São os partidos políticos que fazem em nosso País a defesa dos Rockefeller, das famílias que controlam as finanças do mundo, as empresas de petróleo, as drogas, os pesticidas, as doenças e as guerras.
Do GGN jornal de todos os brasis, em artigo de Cida de Oliveira (06/07/2018): “O risco de reaparecimento de casos de poliomielite em mais de 300 municípios brasileiros, devido à baixa cobertura vacinal, tem sido atribuído em grande parte à população. No entanto, não é bem assim. Embora o imunizante não esteja em falta, existe um conjunto de fatores que contribui para a queda vertiginosa da cobertura vacinal até mesmo em municípios de São Paulo, o estado mais rico da federação, em que há nove municípios com cobertura inferior a 10%, quando a Organização Mundial preconiza 95%, para dificultar a circulação do poliovírus.
A demora no atendimento nos serviços sobrecarregados, com falta de pessoal, pode levar horas. E a carência de insumos e mesmo de uma ou outra vacina do calendário, o que geralmente obriga um retorno ao posto em outra data – situação complicada para mães ou pais que trabalham –, é um fator que desencoraja. É por isso que o dirigente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)e professor titular do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Luiz Augusto Facchini, entende se tratar, na verdade, de mais um efeito previsível das políticas de austeridade implementadas pelo governo de Michel Temer (MDB) a partir do golpe de estado, em 2016”.
“Na opinião de Facchini só há uma receita para enfrentar o problema: respeitar e cumprir toda a legislação do SUS e investir em políticas sociais. Conforme avalia, a atenção básica é o ponto crítico. "Temos de investir para universalizar a Estratégia de Saúde da Família, que hoje tem cobertura de 65%. Temos de ir rapidamente a 75%, 85%. Além disso, priorizar os processos para o funcionamento do SUS e de suas atribuições essenciais, como a vacinação, o que requer recursos suficientes para compra de vacinas, o seu recebimento, a distribuição, a aplicação nas crianças, bem como esforços de mobilização da comunidade para isso".
Não se iluda, um partido Novo congrega os velhos e velhacos; outro que se chama democrata, os ditadores; os que se dizem cristãos/evangélicos, assassinos frios, aqueles que votam pela morte e pelos agrotóxicos; os denominados populares, republicanos e socialistas, apoiam o fim do Brasil e do Sistema Único de Saúde (SUS). Nas eleições de 2014, as empresas Amil, Bradesco, Qualicorp e Grupo Unimed doaram juntas em torno de R$ 52 milhões para candidaturas de 131 parlamentares.
Reaja, pela Pátria Livre e em defesa do SUS.
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado. Artigo publicado, originalmente, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Fonte - Portogente  12/07/2018

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Saiba como o Brasil dará o perdão fiscal de R$ 576,75 bilhões às petroleiras estrangeiras

Política 

Apenas nos próximos três anos, o Governo Federal poderá deixar de arrecadar R$ 576,75 bilhões caso o Senado confirme a decisão da Câmara e aprove a Medida Provisória 795 - que estabelece regras de tributação especiais para as petroleiras estrangeiras.

Sputnik
foto - ilustração
A MP foi editada por Michel Temer (PMDB) sob a justificativa que era necessária para tornar os leilões de campos do pré-sal mais atrativos. Com os benefícios fiscais, o leilão teria mais interessados.
Toda essa movimentação aconteceu de maneira relativamente despercebida — até o jornal The Guardian publicar que o Governo britânico fez lobby em favor de suas petroleiras.
A Sputnik explica quatro pontos-chave para entender a MP 795.

Como funciona a exploração de petróleo no Brasil?
Por mais de quatro décadas, o petróleo brasileiro foi uma exclusividade da Petrobrás. O monopólio começou em 1953, quando o então presidente Getúlio Vargas criou a empresa, e foi até 1997, quando Fernando Henrique Cardoso assinou a Lei do Petróleo.
A legislação abriu o mercado nacional de pesquisa, exploração, produção e refino de petróleo e gás natural para empresas estrangeiras.
Entre indas e vindas legislativas, existem dois modelos de exploração de petróleo de maneira privada no Brasil hoje:
Concessão: o petróleo é explorado por uma empresa que assume os riscos de pesquisa e de investimentos. Essa empresa passa a ser a proprietária do petróleo que extrai. Em contrapartida, o Estado recebe pagamentos na forma de royalties.
Partilha: o petróleo é dividido entre Petrobrás e as outras empresas envolvidas na iniciativa — que ficam com uma porcentagem da produção determinada por contrato. Até o final de 2016, a Petrobrás era obrigada a ser a operadora dos campos de pré-sal e ter um mínimo de 30% de participação em todas as operações. Mas essa situação foi alterada por uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.
O modelo de partilha foi utilizado no leilão de oito áreas do pré-sal realizado no final de novembro. Foram arrematadas seis delas, o que rendeu um bônus de assinatura de R$ 6,15 bilhões — uma quantia essencial para garantir a manutenção da meta fiscal.
A participação da Petrobras neste campos varia entre nenhuma até 80%.

Como foi lobby das petroleiras estrangeiras?
A preocupação das petroleiras britânicas com os impostos e as regras de utilização de material nacional foi transmitida pelo ministro de comércio do Reino Unido, Greg Hands, em três reuniões em março de 2017 com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.
Pedrosa garantiu que as preocupações britânicas estavam sendo transmitidas ao Governo brasileiro. Temer editou a MP 795 em agosto.
O teor das reuniões entre Hands e Pedrosa foi descoberta por meio de uma correspondência diplomática obtida pela ONG Greenpeace através da lei de transparência britânica.
Após a publicação do relato, Pedrosa afirmou à imprensa nacional que a conversa com Hands foi uma "discussão normal entre representantes de dois países".

O que é um benefício fiscal?
Benefício fiscal é regime de impostos diferenciado, com descontos, utilizado para fomentar algum setor da economia que o Estado deseja incentivar. Trata-se de uma ferramenta utilizada por vários países do mundo.
O professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato esclarece que o uso de benefícios fiscais não é uma novidade no Brasil, já que a prática é utilizada desde os governos da ditadura civil-militar (1964-1985) para incentivar a indústria nacional. Lopreato, entretanto, esclarece que a MP de Temer é diferente:
"O uso desses incentivos fiscais com o setor petroleiro não tem nada a ver com a indústria nacional. Não tem nada a ver com uma proposta de alavancagem do setor industrial como uma forma de expandir o crescimento industrial e do país. Pelo contrário, os incentivos fiscais vão reduzir a atividade do setor industrial brasileiro porque favorecem a importação de vários produtos, não só os sofisticados como também os mais simples", afirmou Lopreato em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Como fica a indústria nacional?
Outro ponto alterado por Temer é a suspensão de impostos para importação de equipamentos utilizados pelas petroleiras para a exploração de petróleo em solo nacional.
As empresas estrangeiras vão deixar de pagar imposto de importação, IPI, PIS-importação e COFINS-importação para os equipamentos utilizados na exploração de petróleo. Caso eles não sejam utilizados dentro de quatro anos, a cobrança será feita com juros.
Até mesmo produtos de baixo valor agregado, como materiais de embalagem, terão isenção de impostos.
A medida recebeu críticas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq):
"O setor já está praticamente sem serviço, devido à falta de encomendas e à redução dos investimentos da Petrobras. Então, a tendência é que sucumba caso equipamentos que têm similar nacional possam ser importados sem impostos", afirmou o presidente da ABIMAQ, José Velloso, em entrevista à Folha de Pernambuco. 
Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da UFRJ, também não concorda com a isenção de impostos. Para ele, a isenção deveria atingir equipamentos específicos e não ser ampla da maneira como está desenhada atualmente.
"[A nova regra] impede que os recursos de produção de recursos sejam internalizados, novamente atendendo aos interesses das empresas estrangeiras. São atividades industriais que não vão ser mais feitas no Brasil, mas sim em outros países. É uma atuação totalmente contrária aos interesses brasileiros", afirmou o professor da UFRJ em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.
Já o professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato acredita que Temer desempenha uma "não política industrial".
Fonte - Sputnik  07/12/2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Engenheiros alertam à entrega da riqueza nacional

Ponto de Vista  🔍

“Furacão entreguista.” Assim o engenheiro, ex-deputado federal e conselheiro consultivo da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU) Ricardo Maranhão classifica o momento atual, em relação às mudanças pretendidas e implementadas no setor de óleo e gás. Para ele, em detrimento dos interesses nacionais. Caso do pré-sal, por exemplo.

Federação Nacional dos Engenheiros*
foto - ilustração/arquivo
Diante dessa que é uma das maiores descobertas mundiais no segmento de petróleo dos últimos 20 anos, segundo Maranhão, a apropriação do Estado e da sociedade brasileira do maior volume possível desses recursos é fundamental – e o que vem sendo feito está na contramão disso. Nessa direção, uma das agendas é pôr fim ao regime de partilha instituído para a camada do pré-sal em 2010, dando lugar ao modelo de concessão. No primeiro, o petróleo produzido continua a ser bem da União, enquanto no segundo passa a ser da concessionária, como explica o especialista – agraciado em 2016 com o prêmio Personalidade Profissional na categoria “Engenharia” pela CNTU.
Mais grave, a Lei 13.365/2016, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e sancionada em 30 de novembro de 2016 pelo presidente Temer sem vetos, revogou a obrigatoriedade de participação da Petrobras na exploração do pré-sal. Assim, retirou sua prerrogativa de operadora única dos campos da camada – ou seja, como explica Maranhão, de ser a responsável desde o projeto das instalações até a montagem e operação, passando pela contratação dos serviços de engenharia e compra de todos os materiais e equipamentos. “Isso permitiria uma política de garantia de conteúdo local que atendesse os interesses do País.” Também possibilitaria controle absoluto da exploração e produção.
Ele é enfático: “Essa foi a segunda medida entreguista. A primeira foi a renovação por 50 anos de um regime chamado Repetro, dando a possibilidade de empresas estrangeiras trazerem serviços do exterior, engenharia, plataformas inteiras sem pagar impostos. O povo brasileiro está passando fome, está desempregado, falta saneamento básico e estamos garantindo benesses a empresas estrangeiras. Isso tem um impacto devastador sobre as fabricantes brasileiras de materiais, equipamentos e prestadoras de serviços. Se se criasse certa dificuldade, obrigaria essa turma a comprar tudo dentro do Brasil, gerando emprego, tecnologia, renda, impostos.”
A FNE tem atuado fortemente em defesa da retomada de política de contratação nacional, inclusive junto à Frente Parlamentar Mista da Engenharia, Infraestrutura e Desenvolvimento Nacional, presidida pelo deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). Em seu projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento – Novos Desafios”, no ano de 2014, a federação chamava a atenção para a importância do modelo de partilha proposto para a exploração do pré-sal, que ampliava a parcela da riqueza mineral que caberia ao Estado e à sociedade e fortalecia a Petrobras.

Menos recursos
Além disso, como lembrou a entidade ao se posicionar contra a Lei 13.365/2016, seria instituído um fundo de desenvolvimento para que os recursos oriundos das novas reservas fossem aplicados prioritariamente em educação, cultura, ciência & tecnologia e proteção ao ambiente. “A partir das perspectivas que se abriam diante desse cenário, a FNE propunha ênfase no investimento em C, T & I no setor petrolífero e sua dinamização a partir de pequenas empresas de capital nacional. A mudança aprovada no Senado, sob um inexplicável regime de urgência e, portanto, sem o necessário debate público, joga por terra tais ambições”, salientou a entidade à época.
Já sem a obrigatoriedade de participação da Petrobras, nos primeiros leilões de pré-sal ocorridos desde 2013 – quando foi licitado o campo de Libras –, em 27 de outubro último, consequentemente, a empresa ficou de fora de uma das quatro áreas, vencida por consórcio formado pela norueguesa Statoil, a americana Exxon Mobil e a portuguesa Petrogal: Norte de Carcará, na Bacia de Santos. Classificada por técnicos como estratégica ao País, com alta produtividade e baixo índice de contaminantes, foi arrematada – ainda de acordo com críticos e especialistas – a preço irrisório frente ao seu grande potencial de petróleo leve (o bônus de assinatura foi de R$ 3 bilhões).
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) alertou em seu site: a nação amargará perdas de cerca de R$ 500 bilhões em arrecadação sem a participação mínima que a lei garantia à Petrobras nos campos leiloados. “Só com royalties e recursos gerados ao Fundo Social para a Saúde e Educação, o Estado deixará de arrecadar R$ 25 bilhões”, apontou.
Maranhão lembra que a Petrobras tem 63 anos, é a décima maior empresa de petróleo do mundo em termos de faturamento – que atinge US$ 100 bilhões ao ano – e a 12ª em produção física, “descobriu o pré-sal, essa nova fronteira geológica, sobre o que detém tecnologia e know-how”. Diante desse quadro, assevera: “São medidas desnecessárias, para atrair capital estrangeiro.”
Em seu blog, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) escreve: “A Petrobras detém tecnologia, capacidade operacional e financeira para liderar a produção, na medida do interesse social e do desenvolvimento econômico nacional. A empresa é reconhecida internacionalmente pela sua liderança no desenvolvimento tecnológico da exploração e da produção de petróleo em águas profundas. A produção de 800 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos após a primeira descoberta, em 2006.” Além de o petróleo ser uma fonte de recursos a inversões em setores essenciais à melhoria de vida da população, o parlamentar destaca que “a renda petrolífera permite também realizar investimentos para a produção de energia a partir de fontes renováveis, visando a sustentabilidade e a resiliência da sociedade, preparando o País para o futuro”.
*(Por Soraya Misleh/Jornal Engenheiro - Edição de dezembro 2017)
Fonte - Portogente  04/12/2017

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Crise para quem? Câmara aprova benefício de R$ 1 trilhão às petrolíferas que atuam no país

Política  👀

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira uma medida provisória que incentiva grandes empresas petrolíferas que atuam no Brasil, resultado em isenções que podem atingir a marca de R$ 1 trilhão de recursos que o país deixará de arrecadar.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
De autoria do deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), o projeto cria um regime especial de importação de bens a serem usados na exploração, no desenvolvimento e na produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos, além de propor uma solução para litígios tributários relacionados ao Imposto de Renda incidente sobre afretamento de embarcações e plataformas flutuantes.
Na prática, bens importados por petrolíferas que permanecerão no país ficarão isentos de alguns impostos, como o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o PIS/Pasep-Importação e a taxa Cofins-Importação.
O texto-base aprovado permite que, a partir de 2018, empresas de petróleo e gás deduzam na apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os valores aplicados em atividades de exploração e produção. Também passa a ser dedutível do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da CSLL o gasto com a compra de máquinas e equipamentos.
Outro benefício para as empresas petrolíferas em atuação no Brasil é a suspensão de tributos na importação ou na compra no mercado interno de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem a serem usados para fazer um produto final decorrente das atividades de exploração de petróleo.
As petrolíferas ainda poderão parcelar débitos de 2012 a 2014 com os cofres públicos brasileiros, anteriores ao estabelecimento das alíquotas para disciplinar a isenção do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no afretamento de embarcações. No total, com o parcelamento e a desistência das multas, a renúncia fiscal do governo federal será de R$ 11,14 bilhões em 2018.


Bate-boca sobre medida "Mishell"
Contudo, o montante é muito maior quando considerados todos os benefícios. Enquanto a base governista alega que a medida provisória vai incentivar a indústria nacional e tornará os campos de exploração atrativos para o mercado internacional, a oposição afirma que o projeto aumenta a crise fiscal e afeta a indústria nacional.
"O que prevalece aqui é o interesse de todas grandes empresas petroleiras do mundo, que são aquelas que irão ganhar com esta medida provisória, que pode trazer prejuízos tributários da ordem de R$ 1 trilhão", disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS), citada pela Agência Câmara.
A petista ainda ironizou a medida, a qual deveria se chamar "Mishell", como uma "homenagem perversa" à petrolífera anglo-holandesa e a outras empresas estrangeiras do setor que, segundo ela, serão beneficiadas pela proposta.
Já o deputado Júlio Lopes ressaltou que o projeto moderniza a legislação brasileira e ajudará o país a recuperar parte do tempo perdido após a transição da exploração do pré-sal para o regime de partilha, que, segundo ele, levou o Brasil à "paralisação total de suas prospecções e explorações".
"Não teremos qualquer prejuízo senão uma modernização da legislação, tornando-a mais fácil, mais compreensível e mais estável do ponto de vista jurídico", afirmou. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) endossou a proposta, acusando a esquerda brasileira e o governo anterior, de Dilma Rousseff (PT), de colocar os "pés pelas mãos" ao aprovar o regime de partilha.
"O Rio de Janeiro está quebrado pela política equivocada que o governo anterior implantou na área de petróleo e não apenas por causa do crime organizado", disse ele, integrante da base de apoio do governo Temer (PMDB).
Além da arrecadação, o Brasil tende a perder empregos gerados pelo conteúdo nacional e as proteções ambientais no setor, segundo o deputado Leo de Brito (PT-AC), que relembrou a notícia do jornal britânico The Guardian que cita o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Segundo o jornal, o ministro do Comércio do Reino Unido, Greg Hands, pressionou o governo brasileiro para obter vantagens às empresas petrolíferas BP, Shell e Premier Oil.
"Trata-se de R$ 1 trilhão, com impacto não apenas para a União, mas também para Estados e municípios. E nós estamos falando de isenção de Imposto de Renda, que faz parte da base de cálculo dos fundos de participação de Estados e municípios", sentenciou o deputado André Figueiredo (PDT-CE).
Fonte - Sputnik  30/11/2017

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Engenheiros da Petrobras denunciam: ‘Estão entregando o Brasil’

Economia 

“O Brasil vai receber US$ 6 bilhões, mas está entregando alguns trilhões em reservas.” A afirmação é do vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, que comentou com exclusividade para a Sputnik Brasil o leilão de oito áreas do pré-sal realizado nesta sexta-feira, 27.

Sputnik
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Com relação à possibilidade de que o governo privatize a BR Distribuidora, a maior rede do país, até o ano que vem, o vice-presidente da Aepet admite que sim. "O Temer está aí para isso, para vender os ativos do país: água, petróleo, minérios. É por isso que ele está forte, é por isso que ele não cai, porque o sistema financeiro internacional, que governa o mundo subdesenvolvido, é que bota os governantes que quer."
Dos oito blocos oferecidos, seis receberam propostas, o que vai render US$ 6 bilhões aos cofres do governo em bônus de contratos. Venceram as concessões as empresas que ofereceram o maior volume de óleo excedente à União. Os valores mínimos no edital variavam de 10,34% a 22,87%. As ofertas mais ousadas foram feitas pelos consórcios que tinham a Petrobras como líder. A Shell foi outra que disputou todos os lances das áreas ofertadas.
As empresas estrangeiras ficaram com três das oito áreas do pré-sal. Esse foi o primeiro leilão em que as petroleiras puderam participar sozinhas sem a obrigação de dividirem blocos com a Petrobras. Antes, a estatal era obrigada a ser controladora de todas as áreas do pré-sal. A regra, porém, foi alterada no Congresso a pedido da própria Petrobras, alegando que, diante do elevado endividamento, não teria recursos suficientes para bancar tal empreitada.
O vice-presidente da Aepet disse que tirar da Petrobras a obrigação de ser operadora dos blocos, permitindo a participação de empresas estrangeiras, foi um erro.
"Como operadora, ela (Petrobras) evita dois pontos maiores de corrupção que ocorrem no mundo inteiro: o superinflamento do custo de produção. Uma empresa compra um sistema por US$ 2 bilhões, declara que pagou US$ 3 bilhões e recebe US$ 1 bilhão em petróleo sem pagar nada. O outro golpe é você produzir 500 mil barris por dia e falar que produziu 300 mil, e mandar os navios à noite levar o petróleo para o exterior. Por isso fizeram essa campanha para tirá-la (Petrobras) da condição de operadora", diz.
Siqueira afirma que o petróleo é o energético mais eficiente, mais estratégico hoje no mundo, e os países que precisam dele não têm reserva. "Isso dava ao Brasil um poder de barganha imenso e que está perdendo agora com esse leilão. Pelo edital, a parte que cabe ao governo fica entre 10% e 20%, mas os países no mundo ficam com pelo menos 80% do petróleo produzido. É um entreguismo absurdo."
Quanto ao fato de o leilão ter atraído os maiores grupos do setor, Siqueira disse que isso é mais do que compreensível.
"Shell, ExxonMobil, British Petroleum, Repsol são todas componentes do cartel internacional do petróleo. A Repsol é a irmã caçula, uma estatal espanhola que foi comprada pelo banco Santander que, por sua vez, foi comprado pelo Royal Bank of Scotland, que pertence à família Rotschild. Não muda muito a questão de estratégia entre eles", finaliza.
Fonte - Sputnik  27/10/2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Brasil é maior que a crise

Ponto de Vista 🔍

O vice-presidente da Associações dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, acredita que o Brasil é maior que a crise e saberá superar os desafios colocados.Ildo Sauer, ex-diretor da companhia de 2003 a 2008 e professor do Instituto de Engenharia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP), define como um "crime" o que estão fazendo com a Petrobras e defende: "O Brasil não pode desperdiçar o papel da Petrobras e do pré-sal na disputa geopolítica em escala global." 


Portogente
foto - ilustração
Reunidos em seminário na última segunda-feira (19), na capital paulista, lideranças nacionais dos engenheiros e entidades empresariais discutiram a defesa intransigente da Petrobras e da engenharia brasileira, seriamente atingidas por "uma lavagem cerebral" em curso no Brasil, tendo como "pano de fundo" a crise econômica propriamente dita e as diversas investigações de desmandos na petrolífera e outras grandes empresas. O vice-presidente da Associações dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, acredita que o Brasil é maior que a crise e saberá superar os desafios colocados.
Ildo Sauer, ex-diretor da companhia de 2003 a 2008 e professor do Instituto de Engenharia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEA-USP), define como um "crime" o que estão fazendo com a Petrobras e defende: "O Brasil não pode desperdiçar o papel da Petrobras e do pré-sal na disputa geopolítica em escala global." Ainda de acordo com ele, o que se vê hoje no País é a destruição de toda a sua base produtiva, “e no centro desse desastre todo está a desvalorização da Petrobras, alguns colocando que a empresa é um lixo. Um crime sem dúvida nenhuma o que fazem com ela. A Petrobras precisa ser defendida, ela pode garantir um futuro soberano e digno para o País”.
Siqueira, para mostrar o que está em jogo com a desmoralização da Petrobras, falou sobre a conjuntura internacional do petróleo, observando que o combustível “é a fonte mais eficiente de energia, fácil de extrair, transportar e utilizar e responsável por 92% do transporte mundial de pessoas e produtos”. E foi taxativo: “Ele foi e ainda é o pivô de todas as guerras.” O petróleo é ainda matéria-prima de mais de três mil produtos petroquímicos e está presente em mais de 85% de bens de uso comum do nosso dia a dia, explicou.
Para ele, a sociedade brasileira precisa entender o que está em jogo nessa questão sob pena de comprometer o futuro do País. Ele exemplificou, citando o caso da Noruega que, até a década de 1970, era o segundo país mais pobre da Europa. Mas, a partir da descoberta de petróleo no Mar do Norte, o governo norueguês criou a Statoil e se tornou o país mais desenvolvido do mundo, com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos últimos cinco anos. “E ainda tem uma reserva de oito bilhões de barris, um Fundo Soberano de 900 bilhões de euros para quando acabar o petróleo, manter a qualidade de vida”, apresentou o vice da Apaet. Por outro, prosseguiu, os países que entregaram seu petróleo para multinacionais estão na miséria, são os casos de Gabão, Nigéria, Angola, Iraque e outros. Siqueira advertiu que o Brasil pode tomar o caminho do segundo grupo se não preservar a Petrobras, o modelo de partilha na exploração do pré-sal, não investir em educação, saúde e na indústria nacional com a política do conteúdo local. Para tanto, entre outras ações, ele defende a participação da sociedade nas definições das políticas para exploração do petróleo.
Fonte - Portogente  21/06/2017

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O tratamento dado no Brasil aos nossos heróis nacionais

Ponto de Vista 🔍

A constância de apoio ao que acreditava, qual seja a existência de petróleo na camada do Pré-Sal brasileiro, levou ao sucesso o grupo da Petrobras comandado por Estrella.Infelizmente, bem desigual é o tratamento que Estrella recebeu e ainda recebe no Brasil, hoje, da parte do governo.

Por Paulo Metri* - Portogente
Guilherme Estrella
A história de Guilherme Estrella lembra a do também geólogo Farmam Salmanov, um cidadão azeri, que procurou petróleo em Surgut, na Sibéria, ao longo das margens do Rio Ob. Ele buscava petróleo sobre a tundra siberiana.
Moscou o havia proibido de procurar petróleo na região por achar impossível encontrá-lo neste local. Ele cortou todas as comunicações para não ter que desobedecer às ordens e, acreditando em suas concepções geológicas, continuou a prospectar.
Em determinado momento em 1961, jorrou petróleo e ele mandou um telegrama para Krushchev dizendo: "Encontrei petróleo. Farmam Salmanov."
No meio da Guerra Fria, este telegrama lacônico influenciaria o jogo de poder mundial a favor da URSS.
Nikita Krushchev festejou a descoberta e, por este feito, Salmanov veio a receber o título de herói do trabalho soviético e o premio Lenine. Este petróleo ajudou muito a manutenção do poder da União Soviética.
A constância de apoio ao que acreditava, qual seja a existência de petróleo na camada do Pré-Sal brasileiro, levou ao sucesso o grupo da Petrobras comandado por Estrella.
Infelizmente, bem desigual é o tratamento que Estrella recebeu e ainda recebe no Brasil, hoje, da parte do governo. O Jornal Nacional (JN) chegou ao ponto inacreditável de relacioná-lo aos desvios ocorridos na Petrobras. Logo ele, um técnico íntegro e nacionalista. Pelo menos, neste caso, o JN teve a grandeza de reconhecer seu erro, o que ocorreu na edição de 09/02/2015.
Contudo, a reverência do nosso governo ao ilustre brasileiro, até hoje, não ocorreu. Entidades dos engenheiros e da Engenharia, a Academia, Mídias alternativas, Sindicatos e demais representações conscientes da sociedade já o reverenciaram. Certamente, este governo que, indevida e fatidicamente, está instalado na Presidência não irá homenageá-lo, inclusive porque gostaria que o Pré-Sal tivesse sido descoberto por uma petrolífera estrangeira.
Mas ninguém irá tirar o mérito de Guilherme Estrella, o cidadão que coordenou a equipe da Petrobras que descobriu o Pré-Sal. É um herói nacional. A grande diferença é que a União Soviética era um Estado soberano e o Brasil atual não é e está tomado por proxenetas do capital internacional.
*Paulo Metri é engenheiro mecânico, mestre em engenharia industrial, conselheiro do Clube de Engenharia e da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros, um dos autores de ‘Brasil à luz do apagão’ e de ‘Nem todo o petróleo é nosso’.
Fonte - Portogente  22/12/2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Petrobras não está quebrada e tem futuro brilhante

Entrevista

Fernando Siqueira,vice-presidente da Aepet,fala das ótimas perspectivas de produção petrolífera no Brasil e questiona os argumentos que sugerem a quebra da Petrobras.Além de dizer a quem interessa tirar a exclusividade da Petrobras da exploração do pré-sal, ele comenta o panorama mundial e afirma que Brasil, Venezuela, Irã e os Brics (bloco econômico que reúne Brasil, Rússica, Índica, China e África do Sul) são alvo da mesma estratégia geopolítica dos países desenvolvidos que não possuem reservas de combustível fóssil.

Escrito por Solange Santana - Portogente
Foto - ilustração/arquivo
A defesa do monopólio estatal do petróleo, da Petrobras e de seu corpo técnico são os principais objetivos da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet). Seu vice-presidente, Fernando Siqueira, fala das ótimas perspectivas de produção petrolífera no Brasil e questiona os argumentos que sugerem a quebra da Petrobras. Além de dizer a quem interessa tirar a exclusividade da Petrobras da exploração do pré-sal, ele comenta o panorama mundial e afirma que Brasil, Venezuela, Irã e os Brics (bloco econômico que reúne Brasil, Rússica, Índica, China e África do Sul) são alvo da mesma estratégia geopolítica dos países desenvolvidos que não possuem reservas de combustível fóssil.

Portogente - A Petrobras está quebrada? A situação da empresa é tão caótica em relação às grandes petrolíferas estrangeiras?

Fernando Siqueira - A Petrobras não está quebrada. Ela teve, em 2015, um lucro bruto de R$ 98,5 bilhões e um lucro líquido de R$ 14 bilhões. Mas por exigência da auditora americana PWC (raposa no galinheiro), ela desvalorizou seus ativos em R$ 49 bilhões, gerando um falso rombo de R$ 35 bilhões. As justificativas dessa baixa contábil são as perdas com a queda do preço do petróleo, mas a Exxon/Mobil, por exemplo, não fez nada disso. A Shell tem uma dívida igual à da Petrobrás, mas tem reservas cinco vezes menores. A Petrobrás já descobriu 50 bilhões de barris nos campos de Tupi, Iara, Búzios, Carcará e outros. A Shell tem reservas de cerca de 10 bilhões de barri, apenas. A Petrobrás está melhor do que todas as empresas do cartel. Tem mais reservas e melhor tecnologia do que elas.

Portogente - Quais as perspectivas do Brasil na produção de petróleo?
Fernando Siqueira - São as melhores. O instituto de Geologia da Uerj prevê que a reserva do pré-sal pode se situar entre 178 e 280 bilhões de barris (segunda ou terceira do mundo). A Petrobras já descobriu cerca de 50 bilhões de barris dessas reservas; produz cerca de 1,5 milhão de barris equivalentes por dia (óleo + gás) no pré-sal. Em 2015, ela ganhou, pela terceira vez - fato inédito entre as petroleiras mundiais - o prêmio máximo da indústria do petróleo pelo seu domínio da tecnologia em águas ultra profundas, aplicada no pré-sal; o custo total de produção no pré-sal, incluindo impostos royalties, amortizações e outros, caiu de US$ 40 por barril, em 2013, para US$ 20 em maio de 2016. No mesmo período, o custo de extração (considerando a infraestrutura toda montada e abstraindo dos custos externos), caiu para US$ 7,50 por barril. Ambos os custos continuam caindo em face do conhecimento técnico da Petrobras e da produtividade do pré-sal.

Portogente - Há semelhanças entre o Brasil e a Venezuela na geopolítica mundial do petróleo?
Fernando Siqueira - Podemos dizer que há muitas. A Venezuela tem a maior reserva do planeta e fica fora da zona conflituosa do Oriente Médio; o Brasil tem a segunda ou terceira reserva do mundo e fica também na América Latina.
Os países desenvolvidos têm uma brutal insegurança energética devido à alta dependência do petróleo e por não possuírem reservas. Querem as nossas, pagando barato.
Na década de 1990, os EUA, junto com a Arábia Saudita, derrubaram o preço do petróleo para US$ 13 dólares e desmontaram a União Soviética, cuja renda tem 50% de sua origem no petróleo e estava dominando a Europa, dependente do seu petróleo e gás. Agora estão repetindo essa estratégia, pois os BRICS, que têm na Rússia o principal suporte tecnológico, são uma ameaça à hegemonia americana: criaram um banco de desenvolvimento com um fundo de US$ 100 bilhões e pretendem criar uma moeda alternativa ao dólar. Mortal para os EUA. Sadham foi assassinado por isto. A Arábia Saudita, aliada aos EUA, não reduziu sua produção conforme solicitado pelos parceiros da OPEP. Em vez disso, aumentou-a em 1 milhão de barris por dia e fez com que o petróleo caísse de US$ 115 para US$ 45 por barril. Com isto, Rússia, Venezuela e Irã se enfraqueceram economicamente. Além disto, o pré-sal deixou de ser o grande trunfo que o Brasil tem para deixar de ser o eterno país do futuro, segundo uma campanha insidiosa da mídia, que faz o jogo do mercado e engana os brasileiros. E minou economia da Petrobras que está sendo desmantelada pelo senhor Pedro Parente através da venda de ativos estratégicos.
Intensa campanha foi deflagrada para mudar o marco regulatório que resgatava o interesse do País em detrimento da lei de concessão que dá todo o petróleo para quem produz, gerando "o pior contrato de concessão do planeta". Aproveitaram as denúncias da lava-jato e passaram a defender a privatização "para eliminar a corrupção do petrolão. Irônico, porque as empresas capazes de produzir o pré-sal são as empresas do cartel internacional, que são as mais corruptas e mais corruptoras do mundo: derrubam, matam ou prendem lideranças que nacionalizaram petróleo: Mohamed Mossadeg, no Irã, Enrico Mattei, na Itália; e Jaime Roldós (Equador), são exemplos antigos. Sadham Hussein e Muamar Kadafi são exemplos recentes dessa ação predatória. Conforme mostrou o Widileaks, eles atuam dentro do Congresso.
Portanto, Brasil, Venezuela, Irã, Rússia (e os BRICS) são alvo da mesma estratégia geopolítica dos países hegemônicos petróleo- dependentes. Derrubaram Dilma Rousseff não pelos seus grandes erros, mas pelos seus acertos em defesa do Brasil. Estão sabotando o Maduro o tempo todo.

Portogente - A Petrobrás não tem condições técnicas e econômicas de explorar o pré-sal?
Fernando Siqueira - Falácia gigantesca. A Petrobras tem mais condição do que qualquer outra empresa do setor para produzir o pré-sal, tecnologicamente falando. Economicamente também a empresa tem condições excepcionais, pois tem reservas, já descobertas, de cerca de 50 bilhões de barris. A US$ 50 por barril são US$ 2,5 trilhões. O custo total de produção, como já dito, é de US$ 20 por barril. Por outro lado, a dívida líquida da empresa é da ordem de US$ 90 bilhões, irrisória diante do grande patrimônio da Companhia. Vale lembrar que a Shell perfurou o campo de Libra até 3990m e o devolveu à ANP como subcomercial. A Petrobras perfurou Libra e achou o maior campo do mundo. Se não fosse a Petrobras, Libra e o pré-sal não teriam sido descobertos.

Portogente - Por que o governo Temer e seus aliados no Congresso defendem a entrega das nossas reservas na camada pré-sal?
Fernando Siqueira - O golpe dado no País, reconhecido até pelo Papa Francisco, foi para colocar no Governo os vendilhões da Pátria. A maioria deles envolvidos e citados na Lava-jato. O programa do PMDB "A Ponte para o futuro(...dos EUA)" prevê isto. O Serra, segundo o Wikileaks, prometeu à Chevron que, se eleito presidente, derrubaria a Lei de Partilha. Eleito senador fez o projeto PLS 131, ou 4567 na Câmara, que tira a Petrobras do Pré-sal; Temer colocou na Petrobras o Pedro Parente, que no período 1999 a 2003, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, participou de um trabalho de desmonte da Companhia para desnacionalizar, chegando a mudar o nome para Petrobrax. Agora está retomando esse projeto, vendendo os ativos mais estratégicos para consumar o trabalho. Vendeu a malha de gasodutos do Sudeste (60% do transporte de gás do país), um monopólio natural, para grupo estrangeiro, Brokfield, formado por fundos especuladores (abutres?) internacionais. A Petrobras será refém deles.

Portogente - A quem interessa que seja sancionado o Projeto de Lei 4567/16, de autoria do então senador José Serra (PSDB), que desobriga a Petrobras de ser a operadora na exploração do pré-sal, no regime de partilha?
Fernando Siqueira - Como mencionado acima, aos países hegemônicos que precisam de petróleo, mormente os EUA, que tem uma reserva de 40 bilhões de barris, incluindo o Shale gás, e consomem cerca de 10 bilhões por ano. E as suas empresas (Anglo-americanas) que formam o cartel internacional do petróleo. Elas já dominaram 90% das reservas mundiais e, hoje, dominam menos de 5%. Precisam de reservas para sobreviver.
Desobrigada, a Petrobras nem participará dos leilões, pois o Sr. Parente vendeu um dos melhores campos do pré-sal, o Carcará, já descoberto, com três poços perfurados e comprovado, o que a Petrobras irá fazer nos novos leilões? Nada. O pré-sal, portanto, irá ficar livre para as empresas internacionais mais corruptas do planeta. Elas terão imensos lucros com o pré-sal. Todos os países que entregaram o seu petróleo para elas estão na miséria – Ângola, Gabão, Nigéria e outros.

Portogente - O que o senhor acha de uma Petrobras 100% estatal?
Fernando Siqueira - Acho que não é bom. Apenas o Governo deve deter a maioria das ações com direito a voto. A Noruega, que era o segundo país mais pobre da Europa, descobriu o petróleo no Mar do Norte, criou a Statoil, que tem ações no mercado, mas o governo tem maioria, ela trabalhou bem e a Noruega passou a ser o país mais desenvolvido do mundo, o melhor IDH dos últimos cinco anos. Ser 100% estatal gera muita interferência (espúria) dos políticos e do governo. Nossos governantes estão longe de ter credibilidade para isto. Aliás, estive estudando a forma de governo do Brasil. E concluí: não é democracia, pois vivemos as ditaduras da mídia, dos políticos corruptos e da morosidade do Judiciário. Pesquisando no Wikipedia acabei achando o verdadeiro regime político: Plutocleptocracia: Governo de corruptos sustentado pelos ricos do "Mercado". Segundo o americano John Perkins, (ver no Youtube) o mercado é a corporatocracia americana, ou seja, o complexo financeiro/petroleiro/armamentista/CIA. Eles, coordenados pelo CFR - Conselho de Relações Internacionais, estabelecem a (Des)ordem mundial. A favor deles, claro. Por isto é preciso criar a “Jet Wash” – lava-jato internacional para inibir as compras de líderes nacionais.
Fonte - Portogente  27/10/2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O dia que Cunha salvou a Pátria

Ponto de Vista

O quórum estava obtido e o Governo ia passar o rodo e a PL 4567/2016 seria aprovada.Eis que,de repente,ocorreu o milagre:chegou a notícia de que Eduardo Cunha havia sido preso e isto provocou uma revoada de mais de 150 parlamentares do plenário! Todos atrás dos seus advogados para saber o que fazer e,assim o quórum foi derrubado e a votação não ocorreu.Cunha salvou a Pátria ainda que sem querer.

Por Fernando Siqueira - Portogente
foto - ilustração/arquivo
Nos dia 18 e 19 deste, estávamos em Brasília tentando minimizar os malefícios do Projeto de Lei do Senador José Serra que tira a Petrobrás do pré-sal. Ele foi aprovado no Senado e está na Câmara sob o número PL 4567/2016, em final de aprovação, ou seja, foi aprovado o projeto, mas estão faltando algumas emendas apresentadas por deputados. Por exemplo, as emendas 1, 3 e 4. Elas estabelecem que áreas estratégicas continuem sob operação pela Petrobrás. As emendas 1 e 3 definem que áreas estratégicas são as que tem reservas acima de 500 milhões de barris e constatamos que elas não teriam chance de aprovação. A emenda 4 prevê que áreas estratégicas seriam as que têm reservas superiores a 1 bilhão de barris. Esta emenda, apresentada pelo deputado Arnaldo Jordy, do PPS – base do Governo – apresentou uma boa chance de ser aprovada.
Assim, passamos a trabalhar na base governista para angariar o apoio à sua aprovação, com boa receptividade. Conversamos com o Deputado Jordy porque fomos informados que uma equipe da Petrobrás o procurara (sob ordens do Parente, “não podemos provar, mas temos convicção”) para dizer que a emenda dele era tecnicamente falha. Informamos a ele que a emenda era boa, que não tinha falha técnica e que a Associação dos Engenheiros da Petrobrás a apoiava. Ele nos pediu uma nota técnica que afirmasse isto e imediatamente preparamos, tendo ele divulgado para a imprensa, além de nos pedir que contactasse nossos aliados para apoiar a emendas. Falamos com a FUP e esclarecemos que a emenda tinha duas vantagens importantes: 1) faria o projeto voltar para o Senado; 2) faria com que a ANP avaliasse as áreas antes de fazer leilões. Falamos também com os demais aliados da oposição, que ficaram convencidos – “é para atenuar o dano”, resumiu o Chico Alencar.
Mais tarde fomos à liderança do Governo para buscar convencê-los de que a emenda iria tirar do Governo a pecha de entreguista deslavado e responsável por um dos maiores danos à Soberania Nacional. O Chefe de Gabinete nos disse: “acho até que vocês estão certos, mas chegaram tarde. Acabei de enviar um email-circular convocando todos os membros da base para votar e derrubar a emenda. Ordens do Governo”.
Saímos correndo para a liderança da minoria para deslanchar um plano de obstrução e tentar evitar a votação. Enquanto conversávamos, ele verificava o quórum. De repente, disse: “Ferrou, o quórum está obtido e o Governo vai passar o rodo. Vamos tentar obstruir, mas não vai ser fácil”. Ficamos um pouco chateados, mas procuramos levantar o moral, dizendo: aceitar a derrota faz parte do jogo, mas desistir nunca!
Eis que, de repente, ocorreu o milagre: chegou a notícia de que Eduardo Cunha havia sido preso e isto provocou uma revoada de mais de 150 parlamentares do plenário! Todos atrás dos seus advogados para saber o que fazer e, assim o quórum foi derrubado e a votação não ocorreu. Cunha salvou a Pátria, involuntariamente, claro.
No Japão, o presidente, Temerariamente, antecipou sua volta ao Brasil.
*Fernando Siqueira é vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet)
Fonte - Portogente  25/10/2016

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

É duvidoso que Brasil preserve o direito ao seu petróleo'

Economia

O analista da empresa IFC Markets, Dmitry Lukashov, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik que é duvidoso que o Brasil mantenha o direito ao seu próprio petróleo. Ele afirmou que era muito provável que depois da saída da ex-presidenta Dilma Rousseff as empresas estrangeiras recebessem acesso à plataforma continental com poços de petróleo no Brasil.

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
As petrolíferas internacionais prestaram muita atenção à plataforma continental brasileira quando o parlamento do país aprovou a lei que permite aos investidores estrangeiros explorar poços de petróleo no pré-sal.
Na semana passada, o Congresso Nacional do Brasil votou a lei que derruba a norma que obrigava a estatal Petrobras,a ter um participação de 30% em projetos de extração de petróleo na plataforma continental.
O analista da empresa IFC Markets, Dmitry Lukashov, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik que é duvidoso que o Brasil mantenha o direito ao seu próprio petróleo. Ele afirmou que era muito provável que depois da saída da ex-presidenta Dilma Rousseff as empresas estrangeiras recebessem acesso à plataforma continental com poços de petróleo no Brasil. "O Brasil dispunha de forma independente do seu petróleo desde 1997, quando a Petrobras recebeu o direito às jazidas. Pelos vistos, eles irão explorar estas jazidas em regime de concessão e pagar impostos para o orçamento brasileiro", afirmou.
Na sua opinião, talvez toda a indústria petrolífera do Brasil possa ficar nas mãos de empresas estrangeiras.
"Isso está na lógica do impeachment, da saída da presidenta Rousseff que representava o Partido dos Trabalhadores. Agora outras forças chegaram ao poder e consideram que é preciso explorar os poços de petróleo em conjunto com empresas estrangeiras. Penso que é uma decisão política ligada à mudança de governo e de presidente", disse Lukashov. Entretanto, o especialista sublinhou que as empresas russas não participarão de uma projetada concessão. A Petrobras explora cerca de 93% do petróleo brasileiro, mas há a presença de empresas estrangeiras, em particular, de três empresas – Chevron, Shell e Statoil – que produzem 1-3% do petróleo do Brasil. "As empresas russas praticamente não estão presentes [no mercado brasileiro]. É mais provável que estas três empresas tenham mais oportunidades de receber parte da concessão de produção de petróleo", disse.
Quanto ao destino da Petrobras, Lukashov disse que não ele é claro. A empresa tem uma dívida de $125 bilhões e planeja receber cerca de $40 bilhões por estes poços de petróleo. O preço das suas ações cresce de forma dinâmica. "Pode ser que um pacote de ações seja privatizado,isso não se exclui."
Lukashov disse que a grande dívida da Petrobras é explicada pela queda do preço do petróleo no mercado global. A empresa queria explorar a plataforma continental de forma independente, mas o plano de trabalhos não previa um preço tão baixo e a empresa teve de pedir empréstimos.
Fonte - Sputnik  12/10/2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Perigo de morte

Ponto de Vista

Com o grave alheamento do movimento sindical (exceção feita aos petroleiros ativistas da FUP) a Câmara aprovou o texto-base do projeto originário do Senado que “alivia” a Petrobrás da exploração do pré-sal e abre caminho para outras medidas mais radicais de financeirização da empresa, algumas já estando sendo praticadas por sua nova direção.

João Guilherme Vargas Netto*-Portogente
foto - ilustração/arquivo
Depois de alguns meses sem grandes novidades, ocupados os deputados nas campanhas eleitorais municipais, a Câmara Federal deu, recentemente, sinais de vida. Ou de morte, conforme a polêmica que agita os cultores da língua portuguesa a respeito das expressões “perigo de vida” ou “perigo de morte”.
Com o grave alheamento do movimento sindical (exceção feita aos petroleiros ativistas da FUP) a Câmara aprovou o texto-base do projeto originário do Senado que “alivia” a Petrobrás da exploração do pré-sal e abre caminho para outras medidas mais radicais de financeirização da empresa, algumas já estando sendo praticadas por sua nova direção.
Os deputados se preparam também, com um jantar faustoso na presidência da República, para votar a PEC dos gastos, ponte para um futuro de restrições à ação do Estado e para a diminuição dos gastos públicos, exigências do “mercado” e dos empresários (até mesmo em nota pública das confederações patronais) e cujos efeitos negativos têm sido subestimados pelo movimento dos trabalhadores do setor privado da economia.
Ficam confirmadas assim as características reacionárias da conjuntura e da correlação de forças no Congresso, apontando as dificuldades que o movimento sindical enfrentará em todas as discussões parlamentares sobre os temas de interesse dos trabalhadores.
E, no entanto, apesar das dificuldades, não se pode abandonar a luta, buscando em cada situação evitar o pior e alcançar o desejável, manobrando com habilidade neste ambiente hostil.
Para este esforço – que se conjuga com o esforço unitário do movimento – é de muita valia a mais recente publicação do DIAP sobre a agenda legislativa dos trabalhadores no Congresso Nacional (2016). São listadas as proposições em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, assinaladas as de interesse dos trabalhadores do setor privado e aos funcionários públicos e de interesse sindical.
São apresentadas também a pauta prioritária da CNI e a Agenda Brasil, anunciada pelo presidente do Senado, listando-se as 57 ameaças a direitos em tramitação no Congresso.
O livro editado pelo Diap deve estar em todas as mesas dos dirigentes e ativistas sindicais e orientar nossas ações nesta conjuntura que apresenta “perigo de morte” para os direitos.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical
Fonte - Portogente  10/10/2016

sábado, 8 de outubro de 2016

Abandono de setores fará Petrobras ser apenas mais uma petrolífera média

Pré-Sal

O programa de venda de ativos da Petrobras, proposto no Plano de Negócios da empresa de 2017 a 2021, preocupa não só petroleiros,como também especialistas no setor. E não só devido à redução de valores,mas pela saída de áreas estratégicas.

Da Redação
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A estatal já vendeu a malha de Gasodutos do Sudeste, confirmou que busca interessados na compra da BR Distribuidora, a maior do setor no país, negócio que pode render US$ 6 bilhões, e que vai sair das áreas de petroquímica, biocombustíveis e fertilizantes. A Câmara dos Deputados também aprovou, em uma sessão tumultuada, na última quarta-feira o fim da obrigação de a empresa ser operadora única no pré-sal.Até agora,a estatal tinha que ter uma participação mínima de 30% nesses consórcios.Agora ela passa a ter a liberdade de escolher de quais blocos quer participar.Petroleiros e movimentos sociais dizem que a decisão ameaça a soberania brasileira na área de energia.O ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP),Haroldo Lima,vê motivos de preocupação,sim,mas apenas no tocante à venda de ativos.Ele cita como exemplo a venda do campo de Carcará,na Bacia de Santos,considerado o segundo mais importante da área do pré-sal."Ela,que era operadora única no pré-sal,vende para uma empresa estrangeira (a norueguesa Statoil, por US$ 2,5 bilhões).Por mim, nesse plano de desmobilização de ativos não entraria Carcará,como não entraria a BR Distribuidora, nem as participações na petroquímica, biocombustíveis,nem na área de fertilizantes."
Lima diz que a Petrobras não pode estar se concentrando apenas na exploração e produção,porque,se ela deixa esse conceito de verticalização,passa a ser apenas uma média ou pequena empresa de petróleo.Ele observa que,com relação ao projeto de lei 4.567,houve muitas incompreensões.Segundo o especialista,não foi aprovado o projeto apresentado pelo José Serra (então deputado federal pelo PSDB de São Paulo), o 12.351/10 que previa que a Petrobras deixaria de ser operadora única do pré-sal e não teria participação no pré-sal.
O ex-diretor da ANP lembra que,na ocasião,o Senado promoveu diversos debates sobre o assunto. Em um deles,Lima convidado."Colocamos a Petrobras como operadora única no contexto em que o petróleo estava valorizado e o caixa da empresa bastante fortalecido.Num contexto em que o petróleo está desvalorizado e a Petrobras altamente endividada,não havia por que insistir que ela continuasse como operadora única,o que faria com que a exploração do pré-sal ficasse muito demorada,o que já está acontecendo.Descobrimos o pré-sal há dez anos e desde então só tivemos um leilão para a área, mas não é o caso de deixar a Petrobras completamente à margem do pré-sal." Lima diz que não dar nenhuma regalia à Petrobras,que descobriu o pré-sal,seria algo inusitado.Por isso foi defendido que ela passasse a ser operadora preferencial,escolhendo o bloco em que ela quisesse operar."Essa concepção mudou completamente o projeto inicial do Serra."
Fonte - Sputnik  07/10/2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O petróleo e o interesse nacional

Ponto de Vista

A matéria, que teve origem no Senado,sendo de autoria de José Serra (PSDB/SP),atual ministro das Relações Exteriores,retira a obrigatoriedade de atuação da Petrobras pelo regime de partilha de produção em áreas do pré-sal.A medida vem sendo combatida por diversas entidades,inclusive pelo SEESP e pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), que defendem que se resguarde à Petrobras

Por Murilo Pinheiro* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
No dia 20 de setembro último, foi apresentado o plano de negócios para o período 2017-2021 da Petrobras. Conforme divulgado pelo jornal Valor Econômico, segue-se no ajuste de contas da empresa, reduzindo-se investimentos e fazendo a venda de ativos, mas ainda assim mantendo a previsão de produção em 2,7 milhões de barris diários em 2020. A proposta foi bem recebida pelo mercado, já que os papéis ordinários da companhia subiram 1,07% e as ações preferenciais, 3,44%. A aprovação financeira, contudo, não sana as preocupações que os brasileiros devem ter em relação à sua principal e mais estratégica empresa.
Pronto para ser votado na Câmara dos Deputados desde 7 de julho, quando foi aprovado pela Comissão Especial da Petrobras e Exploração do Pré-Sal, o Projeto de Lei 4.567/16 entrou em discussão na Casa na segunda-feira (3/10). A matéria, que teve origem no Senado, sendo de autoria de José Serra (PSDB/SP), atual ministro das Relações Exteriores, retira a obrigatoriedade de atuação da Petrobras pelo regime de partilha de produção em áreas do pré-sal.
A medida, que portanto pode entrar em votação a qualquer momento, vem sendo combatida por diversas entidades, inclusive pelo SEESP e pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), que defendem que se resguarde à Petrobras – e, portanto, ao interesse nacional – a exploração das reservas de petróleo encontradas na camada do pré-sal. Entre os especialistas a afirmarem a correção do modelo de partilha, está o engenheiro Ricardo Maranhão, ex-deputado federal e Conselheiro do Clube de Engenharia. Em artigo publicado no site da Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), ele destaca questão fundamental: o pré-sal, após os esforços empreendidos pela empresa brasileira, tem produção garantida. “O baixo risco geológico foi comprovado pela Petrobras, após pesados investimentos em vários poços pioneiros exploratórios, com grande risco, o que certamente nenhuma empresa estrangeira faria”, afirma ele.
Maranhão argumenta ainda que a Lei 12.351/2010, que estabeleceu as regras de partilha, reservando o mínimo de 30% à petrolífera brasileira, e o conteú­do local, favorecendo a indústria nacional, não impede a participação das empresas estrangeiras que pode ser de até 70%. “Não é, portanto, restritiva! Seus dispositivos visam apenas à defesa do interesse nacional. Objetivam dar ao Estado brasileiro um mínimo de controle sobre a extração de produto mineral não renovável e estratégico para a segurança econômica, energética e militar de nosso País”, descreve.
Assim, é de se perguntar por qual motivo o Brasil abriria mão voluntariamente de um recurso que lhe pertence e que tem condições de explorar. É necessário que a sociedade esteja atenta à relevância desse tema e faça toda a pressão possível para que o projeto não seja aprovado na Câmara dos Deputados.
*Murilo Celso de Campos Pinheiro é presidente da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)
Fonte - Portogente  06/10/2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

PETROBRAS bate recorde mensal de produção em junho

Economia/Petróleo

A Petrobras superou a marca alcançada em agosto de 2015, de 2,88 milhões boed. Este valor de junho foi 2% acima do volume produzido em maio (2,83 milhões boed), dos quais 2,70 milhões boed foram produzidos no Brasil e 200 mil boed no exterior.

Fatos e Dados

Nossa produção total de petróleo e gás natural, em junho, foi de 2,90 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), o que representa um recorde mensal. Superamos a marca alcançada em agosto de 2015, de 2,88 milhões boed. Este valor de junho foi 2% acima do volume produzido em maio (2,83 milhões boed), dos quais 2,70 milhões boed foram produzidos no Brasil e 200 mil boed no exterior.
Nossa produção total de petróleo e gás natural no Brasil (2,70 milhões boed) também representa um recorde mensal. Ultrapassamos a marca anterior de 2,69 milhões boed de agosto de 2015.
A produção média apenas de petróleo, em junho, foi de 2,3 milhões de barris por dia (bpd), 2% acima do volume produzido no mês anterior, que foi de 2,24 milhões bpd. Desse total, 2,2 milhões bpd foram produzidos no Brasil e 100 mil bpd no exterior.
O volume de petróleo produzido em junho no Brasil é a terceira maior média mensal que já registramos. Esse crescimento deve-se, principalmente, à entrada de novos poços conectados aos FPSOs Cidade de Maricá e Cidade de Itaguaí, no campo de Lula, nas áreas de Lula Alto e Iracema, respectivamente.

Produção no pré-sal aumenta 8% em relação a maio e atinge novos recordes
A produção de petróleo e gás natural que operamos na camada pré-sal, em junho, cresceu 8% em relação ao mês anterior e bateu novo recorde mensal, ao alcançar o volume de 1,24 milhão boed.
Também foi recorde a produção de petróleo, em junho, que operamos junto com parceiros nessa província. Foi atingida a média de 999 mil bpd, com aumento de 8% em relação ao mês anterior. Outro recorde alcançado foi o diário, no último dia 30 de junho, com a produção de 1,087 milhão de barris.

Produção de gás natural
A nossa produção de gás natural no país, excluído o volume liquefeito, foi de 78,8 milhões m³/dia, 3% acima do mês anterior (76,4 milhões m³/dia).
No exterior, nossa produção média de gás natural foi de 17,2 milhões m³/d, 4% abaixo dos 17,9 milhões m³/d alcançados no mês anterior.
Fonte - Fatos e Dados  11/07/2016


foto - ilustração/Defesa da Petrobras