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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ferrovias: um projeto para o Brasil

Ponte de Vista/Transportes sobre trilhos  🚅

O presidente da Fiorde Logística Internacional, Milton Lourenço, lamenta que o Brasil disponha de uma rede ferroviária tão precária, tendo uma extensão territorial de 8,5 milhões de km2, pouco menor que toda a Europa e atrás também de Rússia (17 milhões de km2), Canadá (9,9 milhões km2), Estados Unidos (9,8 milhões km2) e China (9,5 km2), compara.Para Lourenço, a prioridade para a expansão da rede ferroviária deveria ser o interior do País, já que se trata de um transporte mais rápido, mais barato e menos poluente.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Em seu mais recente artigo, o presidente da Fiorde Logística Internacional, Milton Lourenço, lamenta que o Brasil disponha de uma rede ferroviária tão precária, tendo uma extensão territorial de 8,5 milhões de km2, pouco menor que toda a Europa e atrás também de Rússia (17 milhões de km2), Canadá (9,9 milhões km2), Estados Unidos (9,8 milhões km2) e China (9,5 km2), compara.
Segundo ele, à guisa de comparação, é de se lembrar que os Estados Unidos contam com uma rede ferroviária de 226 mil quilômetros, a mais extensa do mundo, a Rússia com uma de 87 mil quilômetros e a China com uma de 86 mil. "Mas o pior é que a rede rodoviária brasileira também é precária em muitos lugares. Um exemplo é a região noroeste do Rio Grande do Sul, Estado considerado desenvolvido, onde abundam estradas de chão e rodovias mal asfaltadas, sem acostamento."
Para Lourenço, a prioridade para a expansão da rede ferroviária deveria ser o interior do País, já que se trata de um transporte mais rápido, mais barato e menos poluente. "Já no litoral, onde mais de 80% da economia do País estão localizados a menos de 500 quilômetros da costa, o modal mais viável seria o transporte por cabotagem, que constitui a opção mais eficiente para distâncias acima de mil quilômetros. Para tanto, porém, seria necessário ampliar as conexões ferroviárias aos portos a fim de que atendam com maior eficiência às necessidades da logística para exportação e suprimento do mercado interno.
Fonte - Portogente  20/05/2020

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Seminário debate cenário da ferrovia no Brasil e no mundo

Transportes sobre trilhos  🚄

Acontece no dia 4 de dezembro, das 8h30 às 13h, em São Paulo, o seminário “Ferrovia essencial”, que coloca em debate a situação do setor, considerada precária no âmbito da matriz de transporte nacional.Com a participação de especialistas e autoridades no setor (confira programação abaixo), a atividade abordará também o transporte de passageiro sobre trilhos e trará informações sobre a situação da ferrovia em outros países.

Portogente
foto - ilustração/arquivo
Na programação, as perspectivas do setor, desenvolvimento econômico, situação do transporte de passageiros sobre trilhos e uma visão do modal em outros países
Acontece no dia 4 de dezembro, das 8h30 às 13h, em São Paulo, o seminário “Ferrovia essencial”, que coloca em debate a situação do setor, considerada precária no âmbito da matriz de transporte nacional.
Segundo dados disponíveis, a ferrovia transporta apenas cerca de 20% da carga que circula pelo País e limita-se a escassos 30 mil km de trilhos.
Para o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) e a Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (FerroFrente), entidades promotoras do evento, essa situação representa grave fragilidade logística para o País, tendo em vista a extrema dependência das rodovias.
Com a participação de especialistas e autoridades no setor (confira programação abaixo), a atividade abordará também o transporte de passageiro sobre trilhos e trará informações sobre a situação da ferrovia em outros países.

Agenda
4/12/2019, das 8h30 às 13h
Auditório do SEESP
Rua Genebra, 25 – 1º andar
Bela Vista – São Paulo/SP
Informações e inscrições: (11) 3113-2641, sindical@seesp.org.br

Programação
8h30 – Abertura
Murilo Pinheiro – Presidente do SEESP e da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE)
José Manoel Ferreira Gonçalves – Presidente da FerroFrente
9h – Cenário ferroviário no Brasil: futuro ou estagnação
Tarcísio Gomes de Freitas – Ministro da Infraestrutura – a confirmar
Luiz Henrique Baldez – Presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (Anut)
Guilherme Quintella – Consultor
José Manoel Ferreira Gonçalves – Presidente da FerroFrente
9h50 – A ferrovia e o desenvolvimento econômico
Kátia Abreu – Senadora (PDT/TO)
Alexandre Balby – Secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo – a confirmar
10h20 – O projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” e a ferrovia
Fernando Palmezan Neto – Coordenador do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”
10h40 – Transporte de passageiros e marco regulatório
Bernardo Figueiredo – Consultor
Emiliano Stanislau Affonso Neto – Diretor do SEESP
11h10 – Intervalo
11h30 – Ferrovia no mundo: modelos que deram certo
Célio Pereira – Consultor
Jean Carlos Pejo – Secretário geral da Associação Latino-Americana de Ferrovias (Alaf) – Brasil
Jorge Martins Secall – Consultor
Nuno Marques da Costa – Professor assistente do Instituto de Geografia e Planejamento Espacial da Universidade de Lisboa – videoconferência
William Summerhill – Professor do Departamento de História do Latin American
Institute of University of California at Los Angeles (Ucla) – videoconferência
12h10 – Debate com a plateia
13h – Encerramento
Fonte - Portogente  22/11/2019

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Dia do Ferroviário

Transportes sobre trilhos

No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.

Vicente Vuolo
Locomotiva Maria Fumaça na Estação da Calçada/CTB
foto - Pregopontocom
O trabalhador ferroviário também tem seu dia. Uma comemoração merecida. É todo 30 de abril. Isso, Porque em 30 de abril de 1854 inaugurou-se a primeira linha ferroviária do Brasil, a Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis ou como é conhecida hoje, Estrada de Ferro Mauá.
A ferrovia, que tinha cerca de 14 km de trilhos, ligava o Rio de Janeiro a Raiz da Serra, na direção de Petrópolis. Ela foi um empreendimento do empresário Irineu Evangelista de Sousa, que por isso recebeu do governo imperial o título de Barão de Mauá. E a primeira viagem contou com a ilustre presença do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina.
No século XIX, os trens rapidamente se difundiram no mundo e no Brasil. Aqui, em 1889, já havia 10 mil quilômetros de linhas férreas e, no centenário da inauguração da Estrada de Mauá, em 1954, os trilhos já haviam atingido cerca de 40 quilômetros.
Ou seja, na década de 50, o trem era o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país: São Paulo e o Rio de Janeiro. A ponte aérea só surgiria em 1959.
Se continuássemos nesse ritmo, priorizando o transporte ferroviário, com certeza o Brasil seria outro. Teríamos certamente, no mínimo, mais de 100 mil quilômetros de linhas férreas, as pessoas já estariam viajando no trem-bala bem como as cargas a longa distância estariam sendo transportadas em comboios de 100 vagões com 12 mil toneladas. Além disso, as cidades teriam um transporte público de qualidade com metrôs, VLTs e trem de superfície.
Mas, infelizmente, o Brasil seguiu outro caminho. Preferiu adotar uma política de sucateamento das ferrovias e retirada de trilhos. Incentivou-se a indústria automobilística, isso fez as cidades entupirem-se de carros e ônibus; só se construiu estradas, priorizou-se o asfalto, incentivando o consumo desenfreado de petróleo. O final da década de 1950 e as décadas seguintes entorpeceram as mentes dos brasileiros e passamos a acreditar na miragem dos pneus e dos carros. Tão entorpecidos ficamos que até hoje não acreditamos que esta foi uma política suicida e que está paralisando as vidas urbanas e inviabilizando os fretes de mercadorias. De geração em geração, vamos empurrando problemas aos nossos filhos.
Hoje é cada vez maior o número de pessoas que percebem que as consequências foram desastrosas para a nossa economia e para o país. Aumento da poluição, engarrafamentos, stress, acidentes, fretes, pedágios, consumo de gasolina, diesel, alto custo de manutenção das rodovias – quase sempre esburacadas – e crise generalizada todos os anos com manifestações de caminhoneiros, nas estradas, e de usuários de transporte público, nas cidades contra as péssimas condições de mobilidade urbana.
Portanto, o dia do ferroviário poderia ter sido celebrado de forma diferente do que hoje comemoramos: extinção da Rede Ferroviária Nacional, trem-bala parado, ferrovia Rondonópolis - Cuiabá paralisada (projeto desde 1974), VLT de Cuiabá sem perspectiva de entrega das obras, falta de um Plano Nacional Ferroviário, orçamento pífio para construção de ferrovias.
Os ferroviários no Brasil podem ser vistos como heróis, já que não recebem a devida importância do poder público há mais de 60 anos. Assim como também o são os poucos políticos ferroviários que ousam defender esse meio de transporte, como aconteceu na Sessão Solene na Câmara dos Deputados esta semana solicitada pelo Deputado Júlio Lopes (RJ) e com apenas mais dois Deputados presentes (Gonzaga Patriota - PE e Mauro Pereira - RS).
Nas últimas décadas, a tendência à redução dos investimentos em ferrovias começou a ser revertida, porém ainda são insuficientes os recursos privados e estatais direcionados ao setor. E novamente estamos, literalmente, perdendo o “bonde da história”. O mundo todo já voltou a reconhecer as linhas férreas como solução, e nós ainda patinamos na ilusão de que carros e caminhões são sinônimos de progresso.
Nesse dia, saúdo os ferroviários, os que trabalham nas ferrovias e os que sonham com um Brasil colocado nos trilhos.
Vicente Vuolo - Economista, cientista político e analista legislativo do senado federal.
Fonte - Revista Ferroviária  30/04/2015

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