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domingo, 1 de junho de 2014

3 novas espécies de aves são encontradas em cidade baiana

Meio Ambiente

As aves identificadas são o falcão-relógio, maior representante do gênero e também predador de outros grandes pássaros, o falcão-de-coleira, de médio porte e que vive em áreas abertas da caatinga, cerrado, pastos, campos, praias e restingas, e o pica-pau-dourado-escuro, animal pequeno que está presente em vários tipos de habitats, como matas de terra firme, várzeas e pastagens arborizadas (com árvores).

Por CicloVivo - TB
Pica-pau-dourado-escuro - Hector Bottai/cc
Pesquisadores e analistas ambientais do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação das Aves Silvestres (Cemave/ICMBio) descobriram novas espécies na Floresta Nacional (Flona) no município de Contendas do Sincorá, centro-sul baiano.
As aves identificadas são o falcão-relógio, maior representante do gênero e também predador de outros grandes pássaros, o falcão-de-coleira, de médio porte e que vive em áreas abertas da caatinga, cerrado, pastos, campos, praias e restingas, e o pica-pau-dourado-escuro, animal pequeno que está presente em vários tipos de habitats, como matas de terra firme, várzeas e pastagens arborizadas (com árvores).
De acordo com o analista ambiental Diego Mendes, responsável pelos trabalhos, essas aves nunca tinham sido avistadas anteriormente na unidade, mas são relativamente comuns na caatinga e no restante do país.
O objetivo agora é acompanhar as mudanças no número de espécies e quantidade de indivíduos. Tais dados podem ser influenciados pelo regime de chuvas, vegetação, manejo e impactos provocados pelo homem. Segundo Mendes, a intenção é fazer duas expedições ao ano nas unidades, uma na época da seca e outra no período de chuva.
Falcão-de-coleira - Field Biologist/Flickr

"Estamos monitorando desde 2013 a Floresta Nacional (Flona) Contendas do Sincorá e 2012 a Estação Ecológica (Esec) Raso da Catarina. É um trabalho de médio e longo prazo e pretendemos incluir mais unidades de conservação com a ajuda de outras instituições de pesquisa e conservação. Daqui a seis ou dez anos, mais ou menos, teremos uma boa base de dados científicos para entender como está a qualidade no habitat dessas aves no bioma Caatinga", afirmou.
Em onze dias de trabalho, foram catalogadas 109 espécies e contabilizadas 156 diferentes aves dentro da Flona. Também foram encontradas outras espécies fundamentais para a conservação da biodiversidade, como o rabo-branco-de-cauda-larga e o chorozinho-da-caatinga.
Este projeto integra o Programa de Monitoramento da Biodiversidade do Cemave. A próxima expedição na Flona está prevista para a estação seca na região, entre agosto e outubro deste ano. Com os dados obtidos, a Cemave pretende desenvolver programas de conservação da espécie e participar da gestão florestal por meio de subsídios na unidade de conservação.

Fonte - Tribuna da Bahia  01/06/2014

sábado, 14 de setembro de 2013

Obras de infraestrutura representam possibilidades e riscos ao patrimônio histórico, dizem arqueólogos

Arqueologia

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Nas escavações em canteiro de obra da linha 4 do metrô 
do Rio, foi descoberto um sítio arqueológico na área 
atrás da antiga Estação Leopoldina, região central 
da capital fluminense (Tomaz Silva/ABr)  
  EBC
Rio de Janeiro – O incremento da atividade econômica tem sido o principal vetor de crescimento das  pesquisas arqueológicas no Brasil. Mas se por um lado, as centenas de obras de infraestrutura em território nacional têm possibilitado diversas descobertas, por outro, têm gerado a destruição do patrimônio histórico, segundo arqueólogos.
Para o arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo (USP), a arqueologia brasileira vive um momento paradoxal. A economia aquecida, combinada às leis ambientais e patrimoniais motivaram nos últimos 20 anos a multiplicação de cursos de graduação e pós-graduação em arqueologia, além da geração de empregos e de investimentos em pesquisa. Entretanto, segundo ele parte do patrimônio arqueológico foi e está sendo destruído em nome do progresso. “Estamos estudando muita coisa, mas muito está sendo destruído e não temos noção do tamanho dessa destruição, que é irreversível”.
A crítica do arqueólogo refere-se à forma como a maioria das pesquisas está sendo desenvolvida nos últimos anos em canteiros de obras. Esse tipo de pesquisa é chamada de arqueologia de contrato ou preventiva e por uma imposição legal é realizada em obras que necessitam de licenças ambientais.
Dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revelam que de 1991 a 2012, o Instituto aprovou 6.114 projetos, sendo mais de 5 mil relativos a esse tipo de arqueologia, advinda do licenciamento ambiental. Nos últimos dez anos, esse tipo de arqueologia mais que triplicou no país, sobretudo, devido às obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e preparativas para os megaeventos.
Neves, que já trabalhou como consultor em algumas obras de infraestrutura pelo país, dedica-se hoje exclusivamente à academia. Especialista em arqueologia na região amazônica, ele tem recordações desagradáveis das pesquisas que fez em grandes empreendimentos e afirmou que boa parte do patrimônio encontrado acabou abandonada após o fim das obras.
Ele ressalta que o momento exige ações imediatas por parte das autoridades e da academia para garantir a sobrevivência desses bens culturais finitos. Todos os envolvidos no processo de resgate, pesquisa, preservação e difusão de conhecimento dos bens arqueológicos deveriam se unir e dialogar na busca de garantir a expansão das obras, sem comprometer o patrimônio arqueológico.
“O Brasil tem uma agenda de desenvolvimento muito intensa, tem um potencial de crescimento muito grande, pois passou muito tempo parado. Mas nesse processo, muita coisa está se perdendo. Talvez a troca de experiências e a cooperação entre governo, acadêmicos e empresários possam reverter isso. O desafio é de todos”, declarou ele.
Para a diretora do escritório de arqueologia Scientia Consultoria, Maria do Carmo Mattos Monteiro dos Santos, a arqueologia de contrato ou preventiva não difere em nada da arqueologia acadêmica em seu objetivo central de resgatar, estudar e preservar o patrimônio cultural. “A diferença é o cronograma e o orçamento fechados. Mas não acho que isso represente prejuízo científico”, contou. “Temos um levantamento de vários estudantes da Universidade do Estado de São Paulo (USP) fazendo pesquisas com temas advindos da arqueologia preventiva”.
Maria do Carmo lamentou, no entanto, que pouco do que é descoberto é divulgado à população. “A socialização do conhecimento, dos resultados por meio da educação patrimonial, não está acontecendo na velocidade ideal”. Ela lembrou que a educação patrimonial, que envolve projetos de divulgação sobre os achados arqueológicos às populações diretamente envolvidas, é uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) há pouco mais de dez anos. “Está havendo uma evolução gradual e contínua dessas ações, graças a atuação do Iphan”.
Fonte - Agência Brasil 14/09/2013