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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Desmatamento aumenta as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, à medida que as emissões globais caem

Meio ambiente  🌳

Enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura.Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
O Brasil pode produzir de 10 a 20% a mais de gases do efeito estufa em 2020 devido ao desmatamento e à agricultura, em comparação com os dados mais recentes de 2018, disse um novo estudo na quinta-feira, enquanto as emissões caíram globalmente este ano com a nova pandemia de coronavírus paralisando a sociedade .
Um relatório do grupo de defesa ambiental do Brasil Climate Observatory chegou a essa conclusão analisando as trajetórias atuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em setores da economia.
Globalmente, as emissões de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa mais prevalente, devem cair 7% este ano, de acordo com outro estudo publicado na revista Nature Climate Change esta semana. Essa seria a maior redução anual úica de emissões absolutas desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Ao contrário de grande parte do mundo, o Brasil obtém a grande maioria de sua energia de fontes renováveis, como barragens hidrelétricas e parques eólicos, e depende fortemente de biocombustíveis com menores emissões. Mas suas emissões de fontes como agricultura e desmatamento mais do que compensaram qualquer queda em outras áreas, segundo o estudo do Observatório do Clima.
“No total, a tendência é que as emissões de GEE em 2020 no Brasil aumentem”, afirmou o relatório.
“Isso ocorre porque a principal fonte de emissões, a mudança no uso da terra (44% das emissões em 2018), está crescendo devido ao aumento do desmatamento na Amazônia, que está avançando apesar da pandemia.”
O desmatamento na seção brasileira da Amazônia nos primeiros quatro meses do ano aumentou 55% em relação ao ano anterior, segundo dados preliminares do governo.
A Amazônia, 60% da qual está no Brasil, é a maior floresta tropical do mundo e absorve grandes quantidades de gases de efeito estufa.
Na agricultura, o estudo destacou que o abate de gado desacelerou no Brasil em meio à crise, deixando mais vacas no campo onde continuam a arrotar metano, um potente gás de efeito estufa.
Fonte - Revista Amazônia  22/05/2020

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Efeito estufa: transporte responde por 25% das emissões globais

Meio ambiente  🚗 🚚

De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. 

Débora Brito*
Enviada especial da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O setor de transporte contribui com um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa e é a área em que as irradiações de carbono mais crescem desde 2000. A informação consta de relatório apresentado nesta terça-feira (11) na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice, Polônia.
De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.
Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. Em seguida, aparecem os caminhões, responsáveis por 21% das emissões de CO2, os aviões e navios, ambos com 11% das emissões, ônibus e micro-ônibus representam 5%, triciclos e motocicletas 4% e os trens figuram com 3%.
O relatório projeta que países em desenvolvimento serão responsáveis por praticamente todo o aumento das emissões de carbono por transporte. A contribuição das emissões desses países - 29 entre os 40 pesquisados - crescerá de 40% em 2015 para uma projeção de 56% a 72% em 2050.
O estudo estima ainda que as emissões globais pelos transportes devem ser reduzidas para dois ou até três gigatoneladas de CO2 até 2050 para que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas. O documento aponta que o potencial de mitigação das emissões de dióxido de carbono em países não desenvolvidos é 60% maior do que em países economicamente mais fortes.

Infraestrutura
O relatório informa também que o transporte de passageiros aumentou 74% desde 2000, principalmente em países em desenvolvimento. Entre 2000 e 2015, os transportes compartilhados na maioria dos países foram substituídos por automóveis privados e deslocamentos aéreos.
Considerando a infraestrutura de transporte, a extensão global de rodovias aumentou cerca de 40% desde o ano 2000. Enquanto que os trilhos convencionais estagnaram nos níveis do início dos anos 2000, a infraestrutura das rodovias de alta velocidade cresceu quase 12 vezes em relação aos anos 1990.
O estudo aponta que nas duas últimas décadas houve expansão significativa do BRT (Bus Rapid Transit, sistema de transporte público baseado no uso de ônibus), de 853%, dos veículos leves sobre tilhos, 88%, e do sistema de metrô, 67%. Nos anos mais recentes, os pesquisadores identificaram, no entanto, que a construção de BRT tem reduzido de forma expressiva.
Segundo os autores do relatório, o objetivo da divulgação é dar subsídios para elaboração de políticas públicas que contribuam para o alcance das metas de descarbonização e limitação do aquecimento global em até 1,5º C, conforme prevê o Acordo de Paris.
Os pesquisadores sugerem que os países evitem e reduzam a necessidade por deslocamentos em veículos motorizados e desenvolvam novos planos de mobilidade. Eles sugerem ainda a redução da soberania dos carros e o aumento do financiamento e desenvolvimento de estrutura para ampliar o uso de transporte público, trem e bicicletas.
*A repórter participa da COP 24 a convite da United Nations Foundation
Fonte - Agência Brasil  11/12/2018

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Emissão de gases de efeito estufa no país aumenta 8,9% em 2016

Meio ambiente  🌁

Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada hoje (25) pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
As emissões nacionais de gases de efeito estufa subiram 8,9%, em 2016, em comparação com o ano anterior. O país emitiu, no ano passado, 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), contra 2,091 bilhões, em 2015. Com 3,4% do total mundial, o Brasil ocupa o lugar de sétimo maior poluidor do mundo.
Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada hoje (25) pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.
De acordo com o Observatório do Clima, o crescimento é o segundo seguido, já que, entre 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra a queda de 7,4 pontos no Produto Interno Bruto, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6%, em 2016. “O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade”, diz o Observatório do Clima.
Segundo o relatório, a alta de 27% no desmatamento na Amazônia foi a principal responsável pela elevação nas emissões no ano passado. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23%, e foram responsáveis por 51% de todos os gases de efeito estufa lançados pelo Brasil no período.
Os dados apontam também que quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões, com destaque para o setor de energia, com menos 7,3%, puxada pela retração da economia e pelo crescimento da participação das energias renováveis na matriz elétrica.
O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. No sentido contrário, a agropecuária aumentou suas emissões em 1,7%, sendo a principal responsável pelas emissões no país, já que responde por 74% do total.
O aumento é atribuído à crise econômica, já que os abates de bovinos recuaram pelo segundo ano consecutivo, devido à queda de demanda pela carne. Como bois e vacas emitem metano (o gás de efeito estufa mais importante depois do CO2) durante a digestão e pela degradação do esterco, menos gado sendo abatido significa mais bois no pasto e nos currais e mais emissões.
“O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano. Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país”, disse a responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG, Ane Alencar.
Fonte - Agência Brasil  25/10/2017

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

BMW e Toyota vão abandonar carro a combustão

Tecnologia

A BMW planeja eletrificar toda a sua linha de veículos dentro de dez anos e a Toyota vai deixar de fabricar veículos que funcionem apenas com combustíveis fósseis até 2050, o que deverá reduzir a emissão de dióxido de carbono em 90% em relação às emissões de 2010.

Revista Amazônia

Com o aumento do rigor das leis antipoluentes, montadoras já estão renunciando aos carros com motor a combustão. Algumas apostam no elétrico puro, com emissão zero, outras em veículos híbridos. Em comum, elas têm o propósito de se adaptar às rígidas exigências dos países do Primeiro Mundo e criar uma imagem ambientalmente correta junto ao mercado consumidor.
A BMW planeja eletrificar toda a sua linha de veículos dentro de dez anos e a Toyota vai deixar de fabricar veículos que funcionem apenas com combustíveis fósseis até 2050, o que deverá reduzir a emissão de dióxido de carbono em 90% em relação às emissões de 2010.
Reconhecida no mercado europeu como líder de carros elétricos, a BMW já tem três sedãs que foram convertidos em híbridos plugável, e toda a linha de carros de passeio terá alguma configuração híbrida. A empresa reduzirá consideravelmente o peso dos carros para compensar o aumento de peso das baterias. A marca tem também, os elétricos i8 e i3, este último avaliado pela Autoinforme.
A nova gama de veículos poderá ser impulsionada por motores elétricos independentes, que acionam as rodas dianteiras e traseiras, e um pequeno motor a gasolina para ampliar a capacidade energética da bateria.
O plano da Toyota em reduzir as emissões dos seus carros à zero ou a níveis mínimos vai levar mais tempo, 25 anos, mas a empresa garante que todos os seus carros serão híbridos, elétricos ou a hidrogênio a partir de 2050.
O objetivo é reduzir as emissões de dióxido de carbono em 90%. A empresa quer aumentar em 30 mil unidades as vendas anuais de carros a hidrogênio, que emitem apenas vapor d’água.
Dona do Prius, o primeiro carro híbrido produzido em larga escala, a Toyota tem também o veículo a hidrogênio comercializado em série, o Mirai, à venda no Japão desde o ano passado. Vai lançar ainda este ano o ônibus a hidrogênio, para o transporte urbano em Tóquio. Até 2020 a montadora quer atingir o volume de 1,5 milhão de veículos híbridos por ano.
Fonte - Revista Amazônia  10/12/2015
                           

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Queda no desmatamento não derruba emissões

Meio ambiente

As emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2014 permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia.Segundo os dados do SEEG 2015, o Brasil emitiu no ano passado 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (t CO2e), uma redução de 0,9% em relação ao 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013.

Revista Amazônia

Brasil emitiu em 2014 0,9% menos do que no ano anterior, apesar de redução de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia, indica Observatório do Clima.
As emissões de gases de efeito estufa do Brasil em 2014 permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia. A informação vem da nova estimativa do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima, lançada nesta quinta-feira (19/11) em São Paulo.
Segundo os dados do SEEG 2015, o Brasil emitiu no ano passado 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (t CO2e), uma redução de 0,9% em relação ao 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013.
Naquele ano, uma aceleração de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia havia feito as emissões totais do país crescerem 8,2% em relação ao ano anterior. Com a desaceleração do desmatamento em 2014, era esperado que as emissões também caíssem, mas não foi o que se verificou: uma alta de 6% na quantidade de carbono lançada ao ar pelo setor de energia impediu que a queda de 9,7% no setor de mudança de uso da terra (desmatamento) fizesse diferença na contribuição do Brasil para o aquecimento global no ano passado.
“Os novos dados consolidam o fim da fase de queda de emissões verificada entre 2004 e 2009. Desde então, as emissões têm flutuado em torno de 1,5 bilhão de toneladas de CO2”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.
O setor de energia emitiu, em 2014, 479,1 milhões de toneladas (mt) de CO2e, e hoje está lado a lado com mudança de uso da terra (486,1 mt CO2e) como principal fonte de gases-estufa da economia brasileira.
O crescimento foi puxado pelos subsetores de transportes, que está emitindo 3% mais do que em 2013; de geração de eletricidade, que teve um aumento de 23%, devido principalmente ao acionamento de usinas termelétricas fósseis para fazer frente à seca que esgotou os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste e no Centro-Oeste/Sudeste do país; e de produção de combustíveis, que teve aumento de 6,8% nas suas emissões em razão da produção e do refino de óleo e gás — que inclui a exploração do pré-sal.
“São níveis de emissão incompatíveis com o estado da economia, que ficou estagnada no ano passado”, diz André Ferreira, presidente do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), que coordenou as estimativas do SEEG de energia e processos industriais.
“A participação das usinas termelétricas na geração de energia para compensar a crise hídrica que afetou as hidrelétricas foi protagonista nesse resultado”, afirma André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima. “É preciso diversificar nossa matriz energética, investindo em fontes limpas como a eólica e o etanol de segunda geração.”

INDC
Segundo Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, os dados do SEEG acendem uma luz amarela sobre a INDC, o plano climático anunciado pelo Brasil para a conferência do clima de Paris, que começa em 11 dias. De acordo com a INDC, o Brasil se compromete a realizar reduções absolutas de emissão em toda a sua economia após 2020. “Isso preocupa, porque 2020 é depois de amanhã”, diz Rittl. “O país precisa fazer uma transição econômica importante se quiser entregar não apenas o que prometeu na INDC, mas um corte de emissão maior, compatível com a meta de manter o aquecimento global abaixo de 2oC. Com esses níveis de emissão, o espaço para essa transição fica pequeno. Estamos longe da trajetória em que precisamos estar.”
Para Amintas Brandão Jr., pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que coordenou as estimativas de mudança de uso da terra, os dados do SEEG mostram a importância da continuidade das políticas de controle da devastação na Amazônia para o cumprimento das metas climáticas. Ao mesmo tempo, demonstram a urgência de monitorar por satélite o desmate no cerrado — algo que o governo promete desde 2011, mas que até agora não entregou. “Os dados sobre o cerrado têm defasagem de anos. Com a crescente pressão da agropecuária sobre o bioma, o cerrado tende a se tornar um fator importante de emissões por desmatamento no país, que foi ignorado na INDC.”
No setor agropecuário, as emissões tiveram aumento de 1,2%, chegando a 423,2 milhões de toneladas de CO2 equivalente. O SEEG identificou a necessidade de acrescentar ao cálculo uma estimativa do carbono emitido ou sequestrado pelos solos, principalmente nas pastagens. Esse dado não consta dos inventários oficiais de emissões do Brasil, publicados pelo governo federal. Os técnicos do SEEG estimaram que o carbono liberado pelos 60 milhões de hectares de pastagens degradadas no Brasil aumentaria em cerca de 25% as emissões do setor em 2014 em relação aos cálculos atuais. “Por outro lado, é no carbono do solo que reside o maior potencial de redução de emissões do setor”, diz Marina Piatto, coordenadora da iniciativa de Clima e Agricultura do Imaflora. “Se o governo cumprir as metas que anunciou de expandir a recuperação de pastagens degradadas e a integração lavoura-pecuária-floresta, é possível chegar a 2030 com uma queda de 50% nas emissões da agropecuária.”
Menos impactante na curva carbono do país, o setor de resíduos foi o que mais cresceu proporcionalmente suas emissões em 2014: 6,9%, passando de 63,9 milhões de toneladas de CO2 equivalente de por ano para 68,3 milhões de toneladas. Segundo Igor Albuquerque, do Iclei — Governos Locais pela Sustentabilidade, o crescimento se explica em parte por um fator paradoxal: o avanço na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, que estabelece que o lixo seja disposto em aterros sanitários em vez de lixões. “Os aterros emitem mais metano, um gás de efeito estufa potente”, diz Albuquerque. “Mas trazem também uma oportunidade, já que esse metano pode ser capturado para gerar energia. Isso poderia reduzir as emissões do setor em até 70%.”
Os dados do SEEG estão disponíveis em www.seeg.eco.br. Um resumo das principais conclusões do SEEG 2014 acompanha a versão on-line deste texto, em www.oc.eco.br.
Fonte - Revista Amazônia  20/11/2015

sábado, 17 de outubro de 2015

Pesquisadora de mudanças climáticas diz que cidades mantêm erros do século 20

Sustentabilidade

A recomendação dos especialistas é reduzir a emissão de gases do efeito estufa, principalmente da queima de combustíveis, o vilão nas cidades.O alerta é do Núcleo Latino-americano da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas, lançado esta semana, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições de pesquisa internacionais. 

Isabela Vieira 
Repórter da Agência Brasil
Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar de responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa, que elevam a temperatura da Terra, as cidades caminham lentamente para se tornar sustentáveis. No Rio de Janeiro, obras de aterros agravam o cenário e podem elevar os impactos da alteração do clima, como a transmissão de doenças, problemas de saúde e desastres naturais.
O alerta é do Núcleo Latino-americano da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas, lançado esta semana, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições de pesquisa internacionais. A entidade reúne 600 cientistas de 150 países e apresentará na Conferência do Clima, em Paris, relatório sobre os impactos que já estão ocorrendo.
Segundo o documento, no Rio a previsão é que a temperatura suba 3,4 graus Celsius (Cº) até 2080, com aumento de 82 centímetros do nível do mar e 6% no volume de chuvas. Em São Paulo, as chuvas podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9% – dentro da média prevista para as demais cidades do planeta, que terão entre 1º C e 4º C de aumento.

Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Segundo o documento, as chuvas em São Paulo podem subir 13,9% e a temperatura ser elevada em 3,9%

Um das autoras da publicação, a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), Cecilia Herzog, alerta que, no Rio, novas edificações, que suprimem áreas naturais, somadas à ausência de projetos para preservar e potencializar áreas verdes, desprezam evidências científicas dos riscos à população.
“ Nesse momento, na zona oeste, na Barra da Tijuca, áreas para acomodar águas (de chuva e das marés, por exemplo) estão sendo aterradas violentamente nesse momento. Ou seja, apesar das evidências, estamos repetindo os erros de século 20”, alertou.
Ela criticou também a construção do novo autódromo da cidade, em substituição ao que será demolido para dar lugar ao Parque Olímpico, na zona oeste, e previsto para ser erguido pelo governo federal em área de floresta. Por falta de licença ambiental, a obra está parada.

Mudanças do clima traz doenças
Nas cidades, as mudanças do clima, além de descontrolar a temperatura, provocam problemas de saúde e doenças. Tempestades e inundações são responsáveis por ferimentos, infecções, casos de hepatite, leptospirose e diarreia, por exemplo, constatou o relatório do núcleo.
Em cidades temperadas, o calor aumenta o número de insetos e mosquitos transmissores de doenças como dengue e malária, acrescentou a pesquisadora da Fiocruz Martha Barata, que coordena o Núcleo Latino-americano da Rede de Pesquisas. Segundo ela, mudanças no clima geram estresse, alergias e doenças cardiorrespiratórias.
A recomendação dos especialistas é reduzir a emissão de gases do efeito estufa, principalmente da queima de combustíveis, o vilão nas cidades, além de se investir em projetos que reduzam impactos desastres, entre eles a criação de parque e tetos verdes nos prédios.
“ São estratégias que facilitam a absorção de água da chuva, retem a umidade do ar, combatendo efeitos como ilha e calor e capturando o gás carbônico”, explicou Cecilia Herzog.
A pesquisadora apresentou experiência inovadora em Seattle, nos Estados Unidos, onde um estacionamento foi substituído por um parque. “Havia um córrego canalizado – que é o que mais temos no Rio – para um estacionamento. A cidade acabou com o estacionamento e criou um parque, uma área de lazer, permitindo novos ecossistemas. É a volta à vida.”

Cidades mais resilientes
Conforme a prefeitura do Rio, a cidade está em transição e as mudanças são graduais . Especialistas listam experiências inéditas no país, como o veículo leve sobre trilhos, que retirará ônibus das ruas, e a implantação de sirenes de alerta em áreas de risco de deslizamento em favelas. Outro destaque é a construção de reservatórios para evitar alagamentos em áreas centrais.
“ Por conta do piscinão [contra enchentes] na Praça da Bandeira, o Rio está incluído na relação de práticas bem-sucedidas entre as grandes cidades do mundo”, lembrou Rodrigo Pessoa, assessor do prefeito Eduardo Paes para o tema. “As questões que o Rio enfrenta (transporte e revitalização de áreas degradadas) outras cidades também enfrentam. Não estamos atrás.”

Cidades na Conferência do Clima
Na Conferência do Clima, as experiências do Rio e de Seatle serão apresentadas em encontro paralelo, junto com a de Oregon, também nos EUA, que instalou luzes LED (mais econômicas) em espaços públicos, e a de Paris, que, assim como São Paulo, amplia zonas com a redução da velocidade dos carros para reduzir a emissão de gases dos combustíveis.
“ As cidades precisam começar agora a identificar áreas de risco e planejar ações sustentáveis. Não há como impedir as mudanças climáticas, mas minimizar o impacto, o que é urgente”, afirmou a cientista Cynthia Rosenzwig, uma das diretoras globais da rede.
Fonte - Agência Brasil  17/10/2015

COMENTÁRIO Pregopontocom 
Com tudo isso,ainda assim existem administradores públicos que insistem em promover o sombreamento de praias na orla de cidades litorâneas,permitindo a construção de espigões a margem delas,a canalização e enclausuramento de rios e córregos urbanos,transformando-os em esgotos fétidos,além do extermínio de canteiros centrais verdes e de uma grande quantidade de árvores existentes nas cidades,substituindo-os por pisos de concreto e asfalto......cidades cinzas........

domingo, 14 de dezembro de 2014

CONFERÊNCIA DO CLIMA, Negociações são proteladas em Lima

Meio ambiente

O objetivo é reduzir as emissões de carbono para limitar o aquecimento global a 2ºC até o fim do século - Manuel Pulgar Vidal fez um apelo a acelerar os debates e a entrar em acordo sobre o texto final do novo pacto global

Ultima Hora-DN
FOTO: REUTERS
Lima - A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20), que deveria ter terminado na sexta-feira (12) em Lima, estendeu suas negociações a este sábado, enquanto os países tentam aparar suas diferenças em torno dos compromissos que assumirão para deter o aquecimento global.
A sessão de encerramento da reunião foi adiada, enquanto os integrantes do encontro tentavam concluir o rascunho de um novo pacto global que definirá as medidas para reduzir as emissões de carbono e avançar em direção a um modelo de produção com menos impacto sobre o meio ambiente. "Estamos quase lá. Devemos apenas fazer um esforço final", pediu o presidente da COP20, o peruano Manuel Pulgar Vidal, que fez um apelo a acelerar os debates e a entrar em acordo sobre o texto final.
As organizações ambientais advertiram que se os compromissos dos países em Lima forem modestos, isto será catastrófico para o acordo final previsto para o próximo ano, em Paris. A entrada em vigor do acordo está prevista para 2020. O objetivo é reduzir as emissões de gases do efeito estufa para limitar o aquecimento global a 2ºC até o fim do século. "As decisões adotadas hoje nos colocarão em um caminho de trabalho para Paris ou nos condenarão a um futuro perigoso", disse à AFP Jan Kowalzig, assessor de políticas da Oxfam.
A mudança climática pelo aquecimento da terra e dos mares provoca fenômenos extremos, como derretimento de geleiras, enchentes, tempestades violentas, inundações e secas em diferentes áreas do mundo, onde impactam de maneira trágica as populações mais vulneráveis. "Tenho uma sensação de otimismo e vejo que é o momento para a ação", declarou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de se reunir na sexta-feira com o presidente peruano, Ollanta Humala.

Princípio de diferenciação
As divergências de última hora envolvem a maneira de se interpretar o princípio de "diferenciação" sobre as responsabilidades que correspondem a cada país na mudança climática.
Os países em desenvolvimento defendem que as nações ricas são as principais responsáveis pelo aquecimento global, devendo assumir maiores responsabilidades. Mas os países industrializados afirmam que gigantes emergentes, como China e Índia, também devem fazer grandes esforços devido a suas indústrias, baseadas na energia do carvão, serem altamente poluentes.
Os Estados Unidos planejam reduzir, até 2025, suas emissões de carbono em entre 26% e 28%, em relação a 2005. A China também se comprometeu, pela primeira vez, a limitar as emissões, como fez a União Europeia.
Na quinta-feira, o secretário americano de Estado, John Kerry, exortou as nações menos desenvolvidas a reduzir o uso de combustíveis fósseis. "Sei que as discussões podem gerar tensão e são difíceis, mas devemos recordar que hoje mais da metade das emissões globais procede dos países em desenvolvimento".
Conforme a ONU, os países desenvolvidos reduziram entre 51,8% e 40,9% a incidência global de emissões, enquanto as nações em desenvolvimento elevaram a participação de 48,2% a 59,1% de 2000 a 2010.
Fonte - Diário do Nordeste  14/12/2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

China e EUA estabelecem novas metas para emissão de gases

Meio Ambiente/Internacional

A China, primeiro emissor mundial, estabeleceu que as suas emissões de gases de efeito estufa atinjam o ponto máximo "por volta de 2030", mostrando a intenção de “tentar atingir o pico mais cedo" do que isso, anunciou a Casa Branca.

Da Agência Lusa Edição
foto - ilustração
A China e os Estados Unidos, os dois principais emissores de gases de efeito estufa, definiram hoje (12) em Pequim novas metas com vista à redução das emissões de gás carbônico, informou a Casa Branca em comunicado.
A China, primeiro emissor mundial, estabeleceu que as suas emissões de gases de efeito estufa atinjam o ponto máximo "por volta de 2030", mostrando a intenção de “tentar atingir o pico mais cedo" do que isso, anunciou a Casa Branca.
É a primeira vez que a China – o maior poluidor mundial – estabelece data, ainda que aproximada, para que as suas emissões de gás carbônico parem de aumentar.
Por sua vez, os Estados Unidos comprometeram-se a atingir, até 2025, uma redução entre 26% e 28% das suas emissões registradas em 2005.
Cientistas têm alertado para a necessidade de medidas drásticas a fim de combater o aquecimento global. As metas anunciadas hoje antecedem a Conferência do Clima em Paris que, em 2015, deverá aprovar, pela primeira vez, um acordo global ambicioso.
Os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniram-se hoje (12) no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para nova rodada de conversações.
Obama chegou a Pequim na segunda-feira (10),em visita de oito dias pela Ásia-Pacífico, que inclui a Birmânia e a Austrália.
Fonte - Agência Brasil  12/11/2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Locomotiva verde começa a circular no Brasil

Transportes sobre trilhos

Testes bem-sucedidos com biodiesel ampliam potencial de seu uso - Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o que contribui para a proteção do meio ambiente, o biocombustível gera economia de recursos....

Revista Época Negócios

A tendência inovadora mundial de movimentar trens com biocombustíveis deu um passo importante no Brasil: após uma série de testes desenvolvidos em suas locomotivas produzidas na fábrica de Contagem (MG), a GE Transportation concluiu seu programa de validação do uso de biodiesel, que agora poderá ser o combustível utilizado em suas máquinas. Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o que contribui para a proteção do meio ambiente, o biocombustível gera economia de recursos – uma boa notícia, considerando que aproximadamente um terço das despesas das empresas de linhas férreas se relaciona a custos operacionais e de combustíveis.
As perspectivas são animadoras: atualmente o biocombustível é a terceira maior fonte de energia do Brasil e pode passar ao segundo lugar já em 2020. E, com o tempo, pode ganhar escala suficiente para superar o petróleo do ponto de vista econômico. Isso porque proporciona maior autonomia ao modal ferroviário, reduzindo a necessidade de importação de combustível. A legislação brasileira já obriga, desde julho, que o diesel derivado do petróleo venha com 6% de biodiesel (chamado de B6 pela porcentagem da mistura). E em novembro esse porcentual deverá chegar a 7%. Com a ampliação do uso do biodiesel, o país deixará de importar 1,2 bilhão de litros de óleo diesel por ano, segundo cálculos do Ministério das Minas e Energia.
Do ponto de vista ambiental, quando atingirmos 10% do combustível misturado (B10), a redução de hidrocarbonetos pode chegar a 10%, o que representa 12,5 mil toneladas a menos na atmosfera. E a redução poderá ser de 25 mil toneladas quando a mistura chegar a 20%.
O potencial para o uso de biocombustíveis tem muito espaço para crescer: estudo do Renewable Energy Police Network 21, entidade sediada na França que congrega empresas, universidades e órgãos governamentais dedicados ao estudo das energias renováveis, revela que atualmente os biocombustíveis são responsáveis por suprir apenas 2,3% da demanda mundial do setor de transportes. E a inovação extrapola os sistemas convencionais: pesquisadores do Georgia Institute of Technology, por exemplo, desenvolvem um biocombustível de alta energia, capaz de substituir, no futuro, os caríssimos combustíveis para mísseis e foguetes, com sua química elaborada a partir do pineno, material encontrado em óleos essenciais de árvores como os pinheiros. Literalmente, o céu é o limite.
Fonte - STEFZS  25/09/2015

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Levantamento mostra mudança na emissão de gases de efeito estufa no Brasil

Meio Ambiente

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Levantamento divulgado hoje (7) pelo Observatório do Clima indicou uma mudança no perfil das emissões brasileiras de gases de efeito estufa de 1990 a 2012. Apesar de ainda ser a principal responsável pelas emissões, a mudança do uso da terra, item relacionado ao desmatamento, está agora em um patamar muito próximo da poluição gerada pelos setores de energia e agropecuário.
Em 1990, o Brasil emitiu 1,39 bilhão de toneladas de gás carbônico, sendo 815,8 milhões por mudanças no uso do solo. Em 2012, foi enviado para a atmosfera 1,48 bilhão de toneladas do poluente, 476,5 milhões ligados ao desmatamento. Apesar do crescimento das emissões brutas no período ser apenas 7%, a evolução da geração de poluentes é irregular e chegou a registrar elevações expressivas, como os 2,85 bilhões de toneladas verificados em 1995.
“A redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos acaba tornando a contribuição do setor de uso da terra menor em relação ao que era registrado anteriormente, quando a gente tinha cerca de dois terços das emissões vindos desse setor”, ressalta o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. O observatório reúne 35 organizações não governamentais e da sociedade civil interessadas nos efeitos das mudanças climáticas. “Hoje, a gente tem uma participação muito maior da agropecuária e do setor de energia, nos quais as emissões estão crescendo significativamente, e isso representa uma mudança do perfil de emissões”, completa.
foto - ilustração
O setor de energia era responsável, em 1990, pela emissão de 193,1 milhões de toneladas de gás carbônico. Em 2012, passou a gerar 436,7 milhões de toneladas de poluentes. Carlos Rittl alerta que há a tendência de que o setor aumente ainda mais a emissão de gases de efeito estufa. Ele destaca, por exemplo, que o plano colocado para consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia prevê prioridade nos investimentos em combustíveis fósseis nos próximos dez anos. “Ele indica 72% de investimentos em combustíveis fósseis, em todos os investimentos para a área de energia. Isso é preocupante”, diz, ao lembrar das expectativas em relação aos rendimentos do petróleo do pré-sal. “A gente viu a celebração do governo pelo leilão do Campo de Libra, o primeiro grande leilão das reservas do pré-sal”.
Em relação ao setor agropecuário, Carlos atribui o crescimento das emissões principalmente ao aumento do rebanho bovino com práticas pouco eficientes. “Essa nossa pecuária pouco eficiente, com um animal por hectare, com práticas de manejo muito precárias, acaba nos levando a esse aumento significativo de emissões”, ressalta.
Segundo o secretário, a intenção é que a divulgação dos dados ajude a promover um debate mais objetivo e eficiente sobre as maneiras de reduzir a poluição em todos os setores avaliados. “A gente está disponibilizando esses dados e as planilhas para que a sociedade, o cidadão interessado e o tomador de decisão possam ter ciência da trajetória de emissões nos últimos anos, já que os dados oficiais vão somente até 2010”, explica.
Fonte - Agência Brasil 07/11/2013