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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Efeito estufa: transporte responde por 25% das emissões globais

Meio ambiente  🚗 🚚

De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. 

Débora Brito*
Enviada especial da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O setor de transporte contribui com um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa e é a área em que as irradiações de carbono mais crescem desde 2000. A informação consta de relatório apresentado nesta terça-feira (11) na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice, Polônia.
De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.
Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. Em seguida, aparecem os caminhões, responsáveis por 21% das emissões de CO2, os aviões e navios, ambos com 11% das emissões, ônibus e micro-ônibus representam 5%, triciclos e motocicletas 4% e os trens figuram com 3%.
O relatório projeta que países em desenvolvimento serão responsáveis por praticamente todo o aumento das emissões de carbono por transporte. A contribuição das emissões desses países - 29 entre os 40 pesquisados - crescerá de 40% em 2015 para uma projeção de 56% a 72% em 2050.
O estudo estima ainda que as emissões globais pelos transportes devem ser reduzidas para dois ou até três gigatoneladas de CO2 até 2050 para que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas. O documento aponta que o potencial de mitigação das emissões de dióxido de carbono em países não desenvolvidos é 60% maior do que em países economicamente mais fortes.

Infraestrutura
O relatório informa também que o transporte de passageiros aumentou 74% desde 2000, principalmente em países em desenvolvimento. Entre 2000 e 2015, os transportes compartilhados na maioria dos países foram substituídos por automóveis privados e deslocamentos aéreos.
Considerando a infraestrutura de transporte, a extensão global de rodovias aumentou cerca de 40% desde o ano 2000. Enquanto que os trilhos convencionais estagnaram nos níveis do início dos anos 2000, a infraestrutura das rodovias de alta velocidade cresceu quase 12 vezes em relação aos anos 1990.
O estudo aponta que nas duas últimas décadas houve expansão significativa do BRT (Bus Rapid Transit, sistema de transporte público baseado no uso de ônibus), de 853%, dos veículos leves sobre tilhos, 88%, e do sistema de metrô, 67%. Nos anos mais recentes, os pesquisadores identificaram, no entanto, que a construção de BRT tem reduzido de forma expressiva.
Segundo os autores do relatório, o objetivo da divulgação é dar subsídios para elaboração de políticas públicas que contribuam para o alcance das metas de descarbonização e limitação do aquecimento global em até 1,5º C, conforme prevê o Acordo de Paris.
Os pesquisadores sugerem que os países evitem e reduzam a necessidade por deslocamentos em veículos motorizados e desenvolvam novos planos de mobilidade. Eles sugerem ainda a redução da soberania dos carros e o aumento do financiamento e desenvolvimento de estrutura para ampliar o uso de transporte público, trem e bicicletas.
*A repórter participa da COP 24 a convite da United Nations Foundation
Fonte - Agência Brasil  11/12/2018

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Grupo vai criar soluções para melhorias urbanas e de mobilidade sustentável

Mobilidade

O uso de bicicletas, para redução de gases poluentes, também foi bastante discutido e será o segmento utilizado pelo grupo formado. A competição buscou inovações que poderão ser aplicadas no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade. Para a coordenadora do Fundo Verde da UFRJ, Suzana Kahn, o objetivo do projeto é levar a ideia para o mundo real e implementar na cidade universitária para estimular o surgimento de outras ideias e ampliar o espaço de convivência social entre os universitários.

Da Agência Brasil 
foto - ilustração
A sustentabilidade foi o tema central do concurso que escolheu seis pessoas entre os mais de 30 profissionais e universitários que participaram hoje (9) do concurso internacional Smart Living Challenge, organizado pelo Embaixada da Suécia. Os nomeados vão formar um grupo e criar soluções para a sustentabilidade urbana e a mobilidade na Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, na zona norte do Rio.
O uso de bicicletas, para redução de gases poluentes, também foi bastante discutido e será o segmento utilizado pelo grupo formado. A competição buscou inovações que poderão ser aplicadas no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade. Para a coordenadora do Fundo Verde da UFRJ, Suzana Kahn, o objetivo do projeto é levar a ideia para o mundo real e implementar na cidade universitária para estimular o surgimento de outras ideias e ampliar o espaço de convivência social entre os universitários.
"Eu espero que a gente realmente possa ter um projeto que melhore a nossa mobilidade, que tenha de fato uma forma de incentivo e que outros projetos surjam. É importante também para estimular a vida universitária, porque quando você usa automóvel ou qualquer transporte motorizado, você convive pouco, ao passo que, quando você circula, anda, seja de bicicleta ou a pé, acaba socializando mais, o que acho fundamental para um campus universitário", comentou Suzana.
Ela avalia que o projeto pode servir de laboratório vivo de novas práticas sustentáveis, poderá beneficiar outros locais e até mesmo ser expandido para o resto da cidade. Já o embaixador da Suécia no Brasil, Per-Arne Hjelmborn, teve outra visão e disse que além de incentivar as ideias criativas, é importante fazer com que uma convivência seja criada entre as pessoas para que não haja uma guerra entre carros e transporte público, ou de bicicletas.
Hjelmborn relata que sustentabilidade, transporte e inovação serão tratados, a partir de agora, pelo grupo escolhido. Para ele, os assuntos são importantes para melhor evolução do planeta, além de melhora na qualidade de vida. "É nas cidades que 50% das pessoas moram, então o transporte é uma coisa muito importante, e sabemos que o uso de carros não é a solução dos transportes, porque quanto mais vias se constroem ainda mais carros. Então, o transporte público, as bicicletas e os pedestres podem construir soluções mais coletivas e melhorias no transporte, com menos poluição e melhor qualidade de vida", disse ele.
Um projeto em prática, na cidade de Curitiba, o Bicicletário Cultural, idealizado pelos empresários Patricia Valverde, de 35 anos, e Fernando Rosenbaum, de 37 anos, pode ser inspirador para os escolhidos no concurso internacional Smart Living Challenge. Eles contaram que o bicicletário funciona no centro da capital paranaense desde agosto de 2011, e gera um endereço onde as pessoas podem se encontrar, obter informação, e ao mesmo tempo revela e mostra para a própria cidade que ela pode atualizar sua imagem de referência e mobilidade.
Patricia disse que "os escolhidos hoje precisam olhar ao seu entorno e ver aquilo que incomoda e tentar reagir, realizar com esse ponto que dialoga diretamente com você. Experimente visualizar o que é o ideal, qual a possibilidade que a gente tem de realmente ter um dia a dia, uma relação sadia com você mesmo e reverberar isso para cidade". Rosenbaum acrescentou que o uso de bicicletas reduz quase duas toneladas de emissões de gases por mês em Curitiba, e as ideias existentes no projeto, como estacionar bicicletas, podem ajudar o grupo no desenvolvimento do projeto.
Um dos alunos escolhidos, César Gonzales, de 26 anos, que cursa mestrado em engenharia de transportes na UFRJ, comemorou a nomeação e disse que será possível construir um bom projeto. Segundo ele, as palestras e experiências anteriores vão ajudar no desenvolvimento do trabalho, e contou um pouco de sua proposta.
"A gente tem uma boa infraestrutura para o ciclista, mas vejo que não é muito usada. Então, identificamos aquelas barreiras que a gente tem para o usa da bicicleta aqui no Fundão, e uma delas é que o acesso à Ilha do Governador praticamente só é possível de carro ou de ônibus. É muito difícil você pegar a bicicleta fora da Ilha e chegar na Ilha do Fundão, e eu quis facilitar esse contato e propor um sistema de barcas que tenha um ponto de parar na Ilha e um ponto de parar no Fundão, e que seja possível transportar a bicicleta dentro daquela barca", explicou.
O estudante disse ainda que "o projeto pode ser escalado para toda a cidade do Rio de Janeiro. Citou, como exemplo, as barcas que fazem o percurso de Niterói até a Praça XV, no Rio, que não permitem entrada de bicicletas. A gente precisa ligar também as pessoas ao nosso projeto. É um elemento muito importante para que nossas ideias possam ter sucesso, então a gente deve trabalhar também nessa área", avaliou.
Os seis selecionados irão desenvolver em três meses um projeto em conjunto, que será apresentado durante a COP21, o maior evento mundial para discussão de questões ligadas a sustentabilidade e meio ambiente, em Paris, na França, no final deste ano.
Fonte - Agência Brasil  10/06/2015