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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Concentração de poluentes no ar ultrapassa limites em todo o país

Meio Ambiente - Clima

Relatório do MMA considera padrões estabelecidos pelo Conama em 2024. Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),aponta que o Brasil ultrapassa frequentemente o limite máximo admitido pela OMS,

Fabíola Sinibú - Ag.Brasil 
© Joédson Alves/AG.BRASIL
A concentração de diversos poluentes atmosféricos no ar respirado em todo o Brasil ultrapassa frequentemente o limite máximo admitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Os dados de 2024 sistematizados no documento consideram, pela primeira vez, os padrões estabelecidos por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou os limites admitidos no país e estabeleceu etapas de transição para alcançar os padrões da OMS. As informações revelam a tendência de aumento ou diminuição da concentração dos poluentes, a sazonalidade e quando ultrapassam os padrões de qualidade do ar a partir da presença de ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, material particulado fino e material particulado inalável. As informações são coletadas nas estações de monitoramento existentes em todo o país.
Na análise da ultrapassagem dos padrões de qualidade do ar, as únicas substâncias que se mantiveram nos limites admissíveis da tabela de transição do Conama, com poucas ultrapassagens, foram o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de Nitrogênio (NO₂). As duas substâncias registraram ultrapassagens pontuais no Brasil, como no estado do Maranhão, onde houve ultrapassagem no limite de CO em 18% dos dias registrados pela estação Santa Bárbara. Todas as demais substâncias ultrapassaram e se mantiveram ao longo do ano acima dos limites intermediários de concentração admissíveis pela resolução do Conama. “A maioria dos poluentes foi avaliada de acordo com o padrão intermediário 2, que ficou valendo a partir de janeiro deste ano, e ele é estabelecido como um padrão dentro do que os estados já estavam atendendo basicamente”, alerta o gerente de natureza do Instituto Alana e ex-conselheiro do Conama, JP Amaral.

Tendência
De acordo com o relatório, o aumento de concentração de ozônio (O₃) chegou a atingir em média 11% do total de medições em 2024, com maiores magnitudes observadas nas estações de Minas Gerais, mas também observadas em estações dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. A tendência de aumento de concentração de monóxido de carbono (CO) chegou a 17%, detectado no Rio Grande do Sul e também observada em localidades no Rio de Janeiro e Pernambuco. Já a tendência de aumento do dióxido de Nitrogênio (NO₂) foi de até 22%, no Rio de Janeiro, com tendência positiva também em estações em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. O Espírito Santo detectou aumento de 16% de concentração de dióxido de enxofre (SO2), que também teve variação positiva detectada no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O material particulado fino - que reúne micropartículas de poluição com maior penetração nos pulmões e corrente sanguínea - registrou tendência de redução da concentração que chegou a 8,4% em estações de São Paulo. Já o material particulado inalável - composto por partículas maiores, mas capazes de penetrar no trato respiratório pelo nariz e boca - atingiu a maior tendência de aumento, 8%, em uma estação presente em uma escola, no estado de Minas Gerais. “Esses resultados reforçam a necessidade de implementação e fortalecimento de planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com estratégias integradas de controle de emissões, desenvolvimento de inventários de emissões e expansão das redes de monitoramento”, destaca o relatório produzido pelo MMA.

Rede
Além das informações relativas à qualidade do ar, o relatório reúne ainda dados de governança, como a presença de 570 estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o país. O número absoluto representa um aumento de 91 unidades (19%), em relação aos dados de 2023 e de 175 unidades (44%), na comparação com 2022. Os dados relativos ao tamanho atual da rede de monitoramento existente no país também revelam limitações no envio de informações pelos estados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr), revela o relatório. Da totalidade de estações cadastradas, 21 não tiveram seu status informado e outras 75 constam como inativas.

Desafios
As falhas no envio de informações pelos estados também podem refletir subnotificação em relatórios anteriores, impactando no que foi considerado ampliação da rede, destaca o relatório, de forma que “acréscimos e reduções observados em comparação a 2023 nem sempre correspondem à instalação ou desativação de estações no período”. Na avaliação de JP Amaral, apesar dos desafios, o relatório representa um grande avanço quanto a governança nacional para o setor, ao ser estruturado com base na Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024 e que viabilizou a sistematização das informações incluídas no MonitorAr pelos estados. Para o gestor, além da plena implementação da resolução do Conama, ainda é preciso avançar no arcabouço legal que dará sustentação à política nacional como a atualização do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) e o estabelecimento dos parâmetros para os níveis considerados críticos para a poluição no Brasil, além da elaboração de planos de contingência para esses casos. “É algo que faltou aparecer no relatório e que a gente viveu nos últimos anos muito intensamente, que são esses picos de poluição que acontecem em um único dia. Isso acabou não entrando no capítulo de ultrapassagem dos padrões, que trouxe a média anual”, conclui. Relacionadas
Fonte - Agência Brasil  26/02/2026

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Brasil pode evitar 'desastre urbano' em meio à piora das chuvas e mudança do clima?

Clima/Meio ambiente  🌊 🌂

As chuvas de janeiro e fevereiro vieram com intensidade atípica em 2020 na região sudeste. Em Minas Gerais, centenas de cidades em estado de emergência e pelo menos 60 mortes. Em São Paulo, 7 mortes e milhares de desabrigados. No Rio de Janeiro, deslizamentos e prejuízo de milhões de reais.Cientistas de diversos centros de referência no Brasil, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) têm apontado que as chuvas tendem a piorar na região mais rica e mais populosa do Brasil ao longo dos próximos anos.

Sputnik
foto - ilustração/Pregopontocom
O período de chuvas no início de 2020 deixou rastros de destruição na região sudeste do Brasil. Com o aquecimento global, isso tende a piorar. A Sputnik Brasil ouviu diversos especialistas para explicar o que pode ser feito para evitar desastres no futuro.
As chuvas de janeiro e fevereiro vieram com intensidade atípica em 2020 na região sudeste. Em Minas Gerais, centenas de cidades em estado de emergência e pelo menos 60 mortes. Em São Paulo, 7 mortes e milhares de desabrigados. No Rio de Janeiro, deslizamentos e prejuízo de milhões de reais. No Espírito Santo, centenas de desalojados e pelo menos 7 mortes.
Cientistas de diversos centros de referência no Brasil, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) têm apontado que as chuvas tendem a piorar na região mais rica e mais populosa do Brasil ao longo dos próximos anos.
A urbanização desordenada, a desigualdade social e as oscilações do clima são fatores que podem agravar ainda mais os efeitos das mudanças previstas pelos cientistas devido ao aquecimento global.
A Sputnik Brasil entrevistou um engenheiro civil, um meteorologista e um sociólogo para discutir soluções e entender o que esperar do futuro em um cenário de agravamento do padrão de chuvas na região.

foto - ilustração/Pregopontocom
'A inundação não é um problema do futuro, é um problema do passado'"As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas". A frase que parece contemporânea é do escritor Lima Barreto, e abre um texto de 1915 chamado "As Enchentes", em que o autor descreve ao antigo jornal Correio da Noite sua insatisfação com a falta de ação do poder público diante das inundações.
Marcelo Miguez, engenheiro civil especialista em Recursos Hídricos da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica à Sputnik Brasil que as enchentes na região são um problema urbanístico centenário.
"O processo de crescimento urbano não foi adequadamente controlado, ou mesmo adequadamente planejado. E a gente sofre as consequências da ocupação do território de uma forma que extrapolou as capacidades desse próprio território de receber as cidades de uma forma saudável", afirma Miguez em entrevista à Sputnik Brasil.
As soluções para o problema são complexas e lidam com mudanças de larga escala. Entre elas, o professor cita a melhora da capacidade de drenagem das cidades, que suprimem a drenagem natural dos locais transformados em áreas urbanas.
"Como faço para recuperar essas características hidrológicas que o próprio processo de urbanização tende a suprimir? Eu preciso preservar as áreas verdes remanescentes, se possível criar novas áreas verdes, e preciso associar volumes de armazenamento temporários de água nestes locais para que eu possa direcionar os alagamentos para essas áreas controladas", aponta.
Além disso, "medidas de pequena escala" podem ajudar a aliviar o problema, como reservatórios captando água em telhados, pavimentos permeáveis substituindo o asfalto que não absorve água, telhados verdes e também reservatórios acoplados a sarjetas e calçadas.
Porém, Miguez alerta que mesmo essas medidas não resolvem o problema e uma solução permanente só pode vir a longo prazo, através de medidas que permaneçam ao longo de vários governos.
"Eu diria que é um conjunto abrangente de ações de largo espectro, de larga escala espacial, e também de larga escala temporal. Isso precisa ser transformado em planos de longo prazo que perpassam governos e se transformam em políticas de Estado", aponta.
"Não é no curto prazo que a gente vai ter uma reversão eficiente desse processo, que na verdade é um processo que vem acontecendo há décadas, ou séculos. A cidade do Rio de Janeiro tem registros de alagamento que remontam ao século XVIII", diz.
Diante da iminência de mudanças climáticas, o professor alerta que uma política efetiva para as enchentes torna-se mais urgente. Porém, Miguez avalia que é a falta de planejamento urbano a principal responsável pelos efeitos negativos nas cidades.
"Se a gente coloca o peso daquilo que a gente está vendo hoje nas mudanças climáticas, a gente está se eximindo de uma responsabilidade que é histórica e que recai nessa falta de preparo, nessa falta de ação, nessa falta de políticas de longo prazo, que afeta as cidades já hoje. A inundação não é um problema do futuro, é um problema do passado".

'Tentaram domesticar a água como se fosse uma fera'
foto - ilustração/Pregopontocom
O aumento das chuvas no sudeste no início deste ano não é apenas um efeito do aquecimento global, mas uma oscilação natural do clima. É o que explica Giovanni Dolif, meteorologista e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
"Mesmo se a gente não considerasse esse efeito da mudança climática, o clima em si naturalmente tem suas oscilações, suas variações", aponta Dolif em entrevista à Sputnik Brasil.
O pesquisador remonta a eventos de chuvas intensas na virada das duas últimas décadas na região para explicitar tais oscilações, explicando a presença de uma variação climática na região.
"Se a gente considerar além disso que o nosso planeta está aquecendo, então a gente introduz um componente a mais aí, um ingrediente a mais nessa mistura explosiva", alerta.
Dolif detalha o processo explicando que o aquecimento dos oceanos desloca a umidade na atmosfera e pode ampliar a intensidade das chuva, como o que está ocorrendo neste ano. O pesquisador, no entanto, esclarece que isso não é um processo linear.
"Olhar o aquecimento global e atribuir a ele uma certa contribuição nessa chuva, não significa que a cada ano a gente vai ter mais chuva. É um processo não linear que oscila bastante", salienta o pesquisador citando os períodos de seca vividos no sudeste ao longo da última década.
O meteorologista do CEMADEN explica ainda que os efeitos de mudanças climáticas não devem significar apenas aumento na intensidade das chuvas, mas também a falta de precipitação.
"O processo de aquecimento do planeta] promove não só aumento nos extremos por conta de excesso de chuva, mas também pela falta de chuva. Quando você em algum lugar promove muita chuva, você tem mais umidade, esse processo se retroalimenta e gera mais chuva naquela área. Mas quando você converge a umidade para uma certa região você tira ela de outra região", explica.
Dolif dá exemplos e afirma que ao mesmo tempo em que há excesso de chuvas no sudeste neste ano, há também menos chuvas na região sul, e em parte da Amazônia.
"Quando você desequilibra a atmosfera para um lado, para o excesso de chuvas em algumas áreas, você desequilibra pela falta de chuva do outro lado", aponta, citando um recente período de seca no Nordeste, entre 2012 e 2017, o maior da história brasileira.
O pesquisador alerta para a imprevisibilidade dos eventos extremos no clima ao longo dos próximos anos.
"O século XXI vai ter muito provavelmente um número de extremos maior do que o número de extremos de chuva que teve o século anterior. Só que isso acontece não de forma linear, aumentando de pouquinho em pouquinho", diz.
Para o meteorologista, o preparo para esse cenário passa por um processo de educação para que a população possa cobrar o poder público as medidas adequadas.
"As cidades ao longo de muito tempo trataram a água como inimiga, tentaram até domesticar a água como se fosse uma fera, colocando ela em galerias, cobrindo com avenidas", discorre.
A capital paulista é um exemplo disso e tem rios cobertos em algumas de suas principais avenidas, o caso da Av. 23 de maio e também da Av. IX de julho.
Para o cientista, uma mudança nessa postura pode fazer a diferença no planejamento urbano em relação às chuvas.
"A gente não tem a expectativa de a cada ano chova mais, não é assim que acontece, mas de que nas próximas décadas a gente tenha vários eventos de chuva extrema nas cidades. Então a gente precisa se adaptar, a gente precisa modificar a nossa maneira de olhar para a água, olhar para ela como amiga, usar ela, aproveitar ela e não aprisionar ela, cercar ela, ignorando a existência dela. A gente tem que lidar de forma mais harmoniosa com a natureza", conclui.

foto - ilustração/arquivo
O desastre é uma produção socialO desastre causado pelas chuvas não deve ser visto como "natural" e sim "social", uma vez que é o desespero das pessoas que choca e mobiliza. Essa a visão de Victor Marchezini, sociólogo e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
O sociólogo aponta que para além de medidas estruturais, como a melhoria da drenagem urbana, o provimento de moradias em locais seguros e obras de estabilização de encostas, há ações de outro caráter para ajudar a evitar problemas.
"Além dessas medidas estruturais, existem aquelas de caráter não estrutural, em que estão inseridos sistemas de alerta, as políticas educativas para preparar pessoas, estratégias de comunicação de riscos, formação de recursos humanos nesse tema de gestão de riscos", explica o sociólogo, acrescentando ainda a necessidade de um ordenamento imobiliário que não beneficie apenas uma classe social.
Marchezini aponta que as diferenças sociais fazem com que pessoas mais pobres sejam mais atingidas pelos efeitos da chuva.
"No Brasil, o desastre é justamente social porque, em virtude dos interesses do mercado de terras, as pessoas mais pobres são empurradas para locais com menor interesse de ocupação, onde geralmente são as encostas. [...] O nosso risco de desastre é resultado dessa produção social", avalia.
O sociólogo também aponta que a criação dessas zonas de risco não é só consequência da ação do mercado, mas também da ação de deslocamento de famílias pelo Estado.
"No Brasil, a gente presencia muitas vezes até comunidades que residiam em locais considerados seguros, mas elas são deslocadas desses lugares por outros projetos de desenvolvimento - o chamado progresso - que acabam expulsando elas. Isso é comum quando a gente vê obras de duplicação de rodovias, ou de instalação de empreendimentos hidrelétricos, barragens que acabam desalojando várias pessoas", explica.
Para ele, a disputa social que permeia o deslocamento das pessoas em busca de melhores condições de vida dentro das cidades é a verdadeira razão do que chama de "desastre social" durante eventos climáticos.
"Essa luta por um território, por um espaço, está na raiz dos desastres”, conclui.
Fonte - Sputnik  14/02/2020

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Efeito estufa: transporte responde por 25% das emissões globais

Meio ambiente  🚗 🚚

De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. 

Débora Brito*
Enviada especial da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O setor de transporte contribui com um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa e é a área em que as irradiações de carbono mais crescem desde 2000. A informação consta de relatório apresentado nesta terça-feira (11) na 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice, Polônia.
De acordo com o relatório Situação global do Transporte e Mudança Climática Global (tradução livre), elaborado por mais de 40 organizações internacionais que atuam em prol de transportes sustentáveis e de baixo carbono, as emissões provocadas pelos transportes cresceram de 5,8 gigatoneladas de CO2 em 2000 para 7,5 gigatoneladas em 2016, volume 29% maior.
Entre os modais que mais contribuem com as emissões de dióxido de carbono, os carros leves lideram com 45% do volume emitido. Em seguida, aparecem os caminhões, responsáveis por 21% das emissões de CO2, os aviões e navios, ambos com 11% das emissões, ônibus e micro-ônibus representam 5%, triciclos e motocicletas 4% e os trens figuram com 3%.
O relatório projeta que países em desenvolvimento serão responsáveis por praticamente todo o aumento das emissões de carbono por transporte. A contribuição das emissões desses países - 29 entre os 40 pesquisados - crescerá de 40% em 2015 para uma projeção de 56% a 72% em 2050.
O estudo estima ainda que as emissões globais pelos transportes devem ser reduzidas para dois ou até três gigatoneladas de CO2 até 2050 para que as metas do Acordo de Paris sejam cumpridas. O documento aponta que o potencial de mitigação das emissões de dióxido de carbono em países não desenvolvidos é 60% maior do que em países economicamente mais fortes.

Infraestrutura
O relatório informa também que o transporte de passageiros aumentou 74% desde 2000, principalmente em países em desenvolvimento. Entre 2000 e 2015, os transportes compartilhados na maioria dos países foram substituídos por automóveis privados e deslocamentos aéreos.
Considerando a infraestrutura de transporte, a extensão global de rodovias aumentou cerca de 40% desde o ano 2000. Enquanto que os trilhos convencionais estagnaram nos níveis do início dos anos 2000, a infraestrutura das rodovias de alta velocidade cresceu quase 12 vezes em relação aos anos 1990.
O estudo aponta que nas duas últimas décadas houve expansão significativa do BRT (Bus Rapid Transit, sistema de transporte público baseado no uso de ônibus), de 853%, dos veículos leves sobre tilhos, 88%, e do sistema de metrô, 67%. Nos anos mais recentes, os pesquisadores identificaram, no entanto, que a construção de BRT tem reduzido de forma expressiva.
Segundo os autores do relatório, o objetivo da divulgação é dar subsídios para elaboração de políticas públicas que contribuam para o alcance das metas de descarbonização e limitação do aquecimento global em até 1,5º C, conforme prevê o Acordo de Paris.
Os pesquisadores sugerem que os países evitem e reduzam a necessidade por deslocamentos em veículos motorizados e desenvolvam novos planos de mobilidade. Eles sugerem ainda a redução da soberania dos carros e o aumento do financiamento e desenvolvimento de estrutura para ampliar o uso de transporte público, trem e bicicletas.
*A repórter participa da COP 24 a convite da United Nations Foundation
Fonte - Agência Brasil  11/12/2018

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A Arca de Noé do século XXI

Meio Ambiente  🌱🌴

Estamos perdendo espécies de plantas e animais em grande escala, muitos dos quais sequer chegamos a conhecer. Com esse processo acelerado, tornam-se ainda mais urgentes as ações de conservação ambiental, principalmente aquelas em terras públicas (áreas protegidas) e privadas (reservas legais ou áreas de preservação permanente obrigatórias nas propriedades). Além de conservar, é fundamental também restaurar áreas degradadas, a fim de resgatar a capacidade de produção de alimentos, promover segurança hídrica, reter carbono no solo e estocá-lo nas plantas.

Rachel Biderman* - Portogente
foto - ilustração/Pregopontocom
A falsa polêmica sobre existir ou não mudança do clima no planeta é assunto que já aborrece os especialistas da área. Afinal, se a grande maioria dos cientistas diz que sim, e essa maioria estuda e pesquisa nos institutos de maior reputação no mundo todo, por que ir atrás daquela meia dúzia que continua negando o fenômeno? Parece que se há polêmica, então há matéria jornalística, e vale o esforço da cobertura. Aí reside o problema. Dar atenção ao que não é substantivo é apenas uma opção. Portanto, não cobrir os negacionistas que refutam a existência da mudança do clima deveria ser uma alternativa mais relevante para os meios de comunicação - assim como não dar ouvidos aos extremistas na política e na guerra poderia ser uma opção para impulsionar democracias e economias mais saudáveis. Abrir as principais vitrines do mundo na mídia impressa ou virtual é um ato de grande responsabilidade. Quem guarda essa chave poderia pensar mais a sério antes de dar o palco para notícias cujas consequências são destrutivas. Uso esse exemplo para chamar atenção do que considero que deveria ser bem mais exposto na mídia do que a negação do aquecimento global ou sensacionalistas em busca de mídia para sua projeção e busca por poder.
Se você entende que o cenário das mudanças climáticas é para valer, seja porque leu os estudos publicados aos milhares, seja por ter observado os exemplos recentes de eventos climáticos extremos, como as secas e incêndios na Grécia, Califórnia ou Portugal, certamente vai ficar curioso para entender quais as consequências desse fenômeno. As perdas globais por incêndios atingiram níveis recorde no ano passado - e isso pode piorar à medida que a ameaça da mudança climática cresce. Somos novamente atingidos por uma grande seca no sudeste do país e a escassez hídrica começa a bater em nossa porta, sem que tenhamos agido suficientemente para combater o problema no curto e longo prazo. A quebra de safras agrícolas vem batendo recordes por questão climática, sinais a que também precisamos ficar muito atentos.
Vale a pena ir um pouco além e investigar as consequências disso para as diferentes formas de vida no planeta. Há cientistas que alegam que estamos vivendo a 6ª maior extinção de espécies da história, numa fase chamada de Antropoceno – a época geológica em que humanos se tornam a principal causa de alterações do planeta. Estamos perdendo espécies de plantas e animais em grande escala, muitos dos quais sequer chegamos a conhecer. Com esse processo acelerado, tornam-se ainda mais urgentes as ações de conservação ambiental, principalmente aquelas em terras públicas (áreas protegidas) e privadas (reservas legais ou áreas de preservação permanente obrigatórias nas propriedades). Além de conservar, é fundamental também restaurar áreas degradadas, a fim de resgatar a capacidade de produção de alimentos, promover segurança hídrica, reter carbono no solo e estocá-lo nas plantas.
O lado bom da história é que vivemos um grande despertar de atores que têm se dedicado à restauração florestal (ou de outros tipos de vegetação) e à produção agropecuária sustentável, convencidos que ainda temos oportunidade de salvarmos algumas regiões e espécies no planeta de uma devastação ainda maior. Do lado da conservação, sofremos também com a falta de investimento em parques e áreas de conservação, pois o que é considerado bem público não tem recebido a devida atenção, muito menos investimento. E o mais irônico disso tudo é que é justamente nessas áreas que reside a nossa esperança: milhões de espécies de fauna e flora que podem nos salvar das situações extremas em que o aquecimento global está nos colocando. De onde virão as sementes para o reflorestamento de áreas degradadas, se nossas áreas preservadas pegarem fogo ou sucumbirem às secas? De onde virá a água para abastecimento e produção, se comprometermos as áreas protegidas?
Para sairmos da ação de alguns poucos voluntaristas, o ideal seria que, além dos governos, houvesse um forte engajamento do setor privado, para que pudéssemos dar escala às ações para salvar espécies relevantes de fauna e flora para as futuras gerações. Muitas das ações necessárias podem acontecer na forma de negócios, de micro a grande porte, gerando economia relevante. Os negócios de impacto social e ambiental, neste momento da história, tornam-se peça chave para os desafios planetários.
Estaríamos vivendo um momento "Arca de Nóe"? O que falta para a sociedade despertar? Além da oportunidade de uma nova economia como aqui descrito, temos opção ímpar a cada eleição. Nosso voto na urna pode ser a diferença entre ter políticas que negam os problemas aqui relatados ou ter gestores responsáveis e comprometidos com as atuais e futuras gerações e com soluções para esses desafios que afetam a todos nós.
*Rachel Biderman é diretora-executiva do WRI Brasil e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
Fonte - Portogente  17/08/2018

domingo, 12 de novembro de 2017

Baixos investimentos em energia limpa comprometerão meta para mudança climática

Sustentabilidade  💡

Os novos investimentos em energia limpa realizados em países não membros da OCDE caíram US$ 40,2 bilhões de 2015 a 2016, diminuindo de US$ 151,6 bilhões para US$ 111,4 bilhões.Embora a China seja responsável por três quartos dessa redução, os novos investimentos em energia limpa nos demais países não membros da OCDE também caíram 25% em relação aos níveis de 2015.

Ambiente Energia
Revista Amazônia

foto - ilustração
Dois anos após a assinatura do Acordo de Paris e oito após o Acordo de Copenhague, tanto os países ricos quanto os pobres estão deixando de cumprir os compromissos assumidos para combater a mudança climática por meio de investimentos em energia limpa, conclui um estudo realizado pela empresa de pesquisa Bloomberg New Energy Finance (BNEF), integrante do grupo de mídia Bloomberg. O documento foi divulgado simultaneamente, no último dia 06 de novembro, em Londres, Washington e São Paulo.
Os novos investimentos em energia limpa realizados em países não membros da OCDE caíram US$ 40,2 bilhões de 2015 a 2016, diminuindo de US$ 151,6 bilhões para US$ 111,4 bilhões.
Embora a China seja responsável por três quartos dessa redução, os novos investimentos em energia limpa nos demais países não membros da OCDE também caíram 25% em relação aos níveis de 2015. Esses dados foram coletados como parte do Climatescope, um projeto anual da BNEF, que enfoca a atividade ligada a energia limpa em países em desenvolvimento.
Além da queda observada no período 2015-2016, a tendência em longo prazo também é potencialmente desconcertante para os formuladores de políticas públicas.
Mundialmente, o número de países não membros da OCDE cujo financiamento de ativos de energia limpa é igual ou superior a US$ 100 milhões ao ano – aproximadamente o custo de uma grande usina de energia solar fotovoltaica ou eólica onshore – está estagnado desde 2010 em aproximadamente 27.
Na histórica Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP, na sigla em inglês) realizada em Copenhague em dezembro de 2009, as nações mais ricas do mundo se comprometeram a disponibilizar US$ 100 bilhões ao ano às nações menos desenvolvidas para investimentos voltados à gestão dos impactos da mudança climática. Essa cifra deveria incluir todas as formas de investimentos relacionados ao clima.
Com base nos totais calculados pela BNEF no Climatescope, há poucos indícios de que o financiamento de energia limpa contribuirá de forma relevante para garantir a conquista da meta principal.
A BNEF descobriu que os fundos disponibilizados pelas nações mais ricas do mundo da OCDE aos não membros da OCDE, com o objetivo específico de apoiar a geração de energia limpa, caíram de US$ 13,5 bilhões em 2015, para US$ 10 bilhões em 2016. Essa cifra inclui tanto o financiamento público (oriundo, em grande parte, de bancos de desenvolvimento e instituições de importação e exportação) e capital 100% privado.
Não resta dúvida de que o mundo precisa acelerar o crescimento da energia limpa se quiser evitar os piores impactos da mudança climática. No estudo New Energy Outlook, sua estimativa em longo prazo, a BNEF projeta que haverá um investimento total de US$ 8,7 trilhões em projetos de energia com emissão zero de carbono até 2040. Entretanto, serão necessários outros US$ 5,4 trilhões para que o aumento total da temperatura não passe de 2 graus Celsius – e para controlar os piores impactos potenciais da mudança climática.
No que diz respeito à promessa de liberação de US$ 100 bilhões anuais, o Comitê Permanente da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) estima que, em 2014, os investimentos ligados a energia fóssil totalizaram US$ 60,5 bilhões. Se a cifra da BNEF para os fluxos de financiamento dos países ricos para os pobres desse mesmo ano tivesse sido incluída nessa análise, o total investido chegaria a US$ 71,3 bilhões.
Uma vez que o total liberado pelos países ricos para os menos desenvolvidos para investimentos em energia limpa em 2016 foi de US$ 10 bilhões, a menos que todas as outras formas de investimento relacionado ao clima tenham subido drasticamente desde 2014, tudo indica que a meta de US$ 100 bilhões não será alcançada, visto que faltam apenas três anos até 2020.
Dois anos atrás, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Paris, quase 200 países se comprometeram a reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2) por meio de contribuições nacionalmente determinadas (NDC, na sigla em inglês). Embora essas promessas tenham ambições e escopos variados, praticamente todas exigem que os países adotem políticas internas extras para cumprir as metas declaradas internacionalmente.
Nesse sentido, o estudo Climatescope sugere que os países em desenvolvimento têm muito trabalho a fazer. Das 71 nações pesquisadas detalhadamente pela BNEF, 76% estabeleceram metas nacionais de contenção das emissões de CO2. Entretanto, só dois terços (67%) introduziram as chamadas tarifas de aquisição (feed-in tariffs) ou leilões para apoiar projetos de energia limpa, e apenas 18% estabeleceram políticas domésticas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa.
Esses regulamentos detalhados e técnicos têm sido críticos para que os países em desenvolvimento consigam atrair capital privado para investir em energia limpa e facilitar sua expansão.
“Os números destacam a lacuna entre palavras e ação quando se trata de combater as mudanças climáticas e apoiar a energia limpa”, diz Ethan Zindler, da BNEF. “Os países mais ricos não têm aumentado seus investimentos com a rapidez esperada, se considerarmos as promessas feitas oito anos atrás em Copenhague. Mas as nações mais pobres deixaram, em muitos casos, de construir os arcabouços políticos necessários para conquistar a confiança dos investidores e atrair investimentos em energia limpa.”
O compromisso de investimento de US$ 100 bilhões de Copenhague foi reiterado em 2015, no Acordo de Paris. Em resposta, alguns países em desenvolvimento se comprometeram a cumprir as metas de emissão, desde que recebessem assistência financeira e técnica suficiente. Vinte e cinco nações examinadas pelo Climatescope se comprometeram a alcançar metas de redução de CO2 mais agressivas, se as nações mais ricas cumprissem integralmente a promessa de Copenhague.
Outros 19 países disseram que voltariam atrás em todos os compromissos assumidos se não recebessem assistência suficiente. O Brasil, por exemplo, se comprometeu a reduzir sua emissão de gases de efeito estufa em 37% até 2025 – tomando como base os níveis de 2005 – independentemente do apoio recebido dos outros países. Entretanto, o Brasil disse também que reduziria suas emissões em 43% se recebesse apoio suficiente da comunidade internacional.
A descarbonização do setor de geração de energia do mundo não era o único objetivo do compromisso original de US$ 100 bilhões anuais, mas o setor de energia responde hoje por cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa nos mercados emergentes. As emissões de CO2 dos países não membros da OCDE subiram 65% de 2002 a 2012, fato que se deve aos índices de crescimento econômico excepcionais da China e de outros países.
Para o futuro, apoiar a geração de energia limpa nos países em desenvolvimento é potencialmente crucial para o combate da mudança climática, uma vez que essas nações devem registrar índices ainda maiores de crescimento econômico e de demanda de eletricidade.
O Acordo de Paris reuniu 195 países em torno da urgência do combate à mudança climática. O acordo mostrou sua resiliência quando líderes mundiais condenaram, coletivamente, os planos dos EUA de renunciar ao pacto. Contudo, o Acordo de Paris só pode ser considerado um sucesso quando seus signatários cumprirem suas promessas.
Para as nações mais ricas, isso significa, antes de tudo, cumprir o compromisso assumido em Copenhague de oferecer assistência financeira aos países menos desenvolvidos. Para países não membros da OCDE, isso significa adotar medidas políticas detalhadas para a energia limpa a fim de conquistar a confiança dos investidores.
Segundo a BNEF, o Climatescope é uma avaliação exclusiva realizada país por país, um relatório interativo e um índice que avalia o progresso de mercados emergentes em sua transição energética. Desde 2012, ele reporta anualmente os investimentos em energia limpa e as atividades de implantação de energia limpa em um número crescente de países, que chega a 71 em 2017.
Desde 2014, o Climatescope tem o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido em parceria com a Bloomberg New Energy Finance. O Fundo de Investimento Multilateral do Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Agência Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, por meio de sua iniciativa Power Africa, também já foram parceiros do projeto.
Fonte - Revista Amazônia  12/11/2017