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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Concentração de poluentes no ar ultrapassa limites em todo o país

Meio Ambiente - Clima

Relatório do MMA considera padrões estabelecidos pelo Conama em 2024. Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),aponta que o Brasil ultrapassa frequentemente o limite máximo admitido pela OMS,

Fabíola Sinibú - Ag.Brasil 
© Joédson Alves/AG.BRASIL
A concentração de diversos poluentes atmosféricos no ar respirado em todo o Brasil ultrapassa frequentemente o limite máximo admitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Os dados de 2024 sistematizados no documento consideram, pela primeira vez, os padrões estabelecidos por uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que atualizou os limites admitidos no país e estabeleceu etapas de transição para alcançar os padrões da OMS. As informações revelam a tendência de aumento ou diminuição da concentração dos poluentes, a sazonalidade e quando ultrapassam os padrões de qualidade do ar a partir da presença de ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, material particulado fino e material particulado inalável. As informações são coletadas nas estações de monitoramento existentes em todo o país.
Na análise da ultrapassagem dos padrões de qualidade do ar, as únicas substâncias que se mantiveram nos limites admissíveis da tabela de transição do Conama, com poucas ultrapassagens, foram o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de Nitrogênio (NO₂). As duas substâncias registraram ultrapassagens pontuais no Brasil, como no estado do Maranhão, onde houve ultrapassagem no limite de CO em 18% dos dias registrados pela estação Santa Bárbara. Todas as demais substâncias ultrapassaram e se mantiveram ao longo do ano acima dos limites intermediários de concentração admissíveis pela resolução do Conama. “A maioria dos poluentes foi avaliada de acordo com o padrão intermediário 2, que ficou valendo a partir de janeiro deste ano, e ele é estabelecido como um padrão dentro do que os estados já estavam atendendo basicamente”, alerta o gerente de natureza do Instituto Alana e ex-conselheiro do Conama, JP Amaral.

Tendência
De acordo com o relatório, o aumento de concentração de ozônio (O₃) chegou a atingir em média 11% do total de medições em 2024, com maiores magnitudes observadas nas estações de Minas Gerais, mas também observadas em estações dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. A tendência de aumento de concentração de monóxido de carbono (CO) chegou a 17%, detectado no Rio Grande do Sul e também observada em localidades no Rio de Janeiro e Pernambuco. Já a tendência de aumento do dióxido de Nitrogênio (NO₂) foi de até 22%, no Rio de Janeiro, com tendência positiva também em estações em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. O Espírito Santo detectou aumento de 16% de concentração de dióxido de enxofre (SO2), que também teve variação positiva detectada no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. O material particulado fino - que reúne micropartículas de poluição com maior penetração nos pulmões e corrente sanguínea - registrou tendência de redução da concentração que chegou a 8,4% em estações de São Paulo. Já o material particulado inalável - composto por partículas maiores, mas capazes de penetrar no trato respiratório pelo nariz e boca - atingiu a maior tendência de aumento, 8%, em uma estação presente em uma escola, no estado de Minas Gerais. “Esses resultados reforçam a necessidade de implementação e fortalecimento de planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com estratégias integradas de controle de emissões, desenvolvimento de inventários de emissões e expansão das redes de monitoramento”, destaca o relatório produzido pelo MMA.

Rede
Além das informações relativas à qualidade do ar, o relatório reúne ainda dados de governança, como a presença de 570 estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o país. O número absoluto representa um aumento de 91 unidades (19%), em relação aos dados de 2023 e de 175 unidades (44%), na comparação com 2022. Os dados relativos ao tamanho atual da rede de monitoramento existente no país também revelam limitações no envio de informações pelos estados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr), revela o relatório. Da totalidade de estações cadastradas, 21 não tiveram seu status informado e outras 75 constam como inativas.

Desafios
As falhas no envio de informações pelos estados também podem refletir subnotificação em relatórios anteriores, impactando no que foi considerado ampliação da rede, destaca o relatório, de forma que “acréscimos e reduções observados em comparação a 2023 nem sempre correspondem à instalação ou desativação de estações no período”. Na avaliação de JP Amaral, apesar dos desafios, o relatório representa um grande avanço quanto a governança nacional para o setor, ao ser estruturado com base na Política Nacional de Qualidade do Ar, criada em 2024 e que viabilizou a sistematização das informações incluídas no MonitorAr pelos estados. Para o gestor, além da plena implementação da resolução do Conama, ainda é preciso avançar no arcabouço legal que dará sustentação à política nacional como a atualização do Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) e o estabelecimento dos parâmetros para os níveis considerados críticos para a poluição no Brasil, além da elaboração de planos de contingência para esses casos. “É algo que faltou aparecer no relatório e que a gente viveu nos últimos anos muito intensamente, que são esses picos de poluição que acontecem em um único dia. Isso acabou não entrando no capítulo de ultrapassagem dos padrões, que trouxe a média anual”, conclui. Relacionadas
Fonte - Agência Brasil  26/02/2026

domingo, 19 de maio de 2024

Tragédia no RS traz debate sobre adaptação às mudanças climáticas

Meio ambiente - clima  🌀🌁

Cidades precisam pensar em adaptações para conviver com a natureza. “Por muito tempo, a gente fez uma cultura de impermeabilizar tudo, de uma estrutura cinza na cidade. A gente precisa urgentemente criar outras formas de escoamento e de absorção da água pelo solo. Inclusive, a própria restauração das áreas degradadas é também para isso, para estimular que o solo e a natureza cumpram seu papel de absorção da água”, diz especialista. 

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil
foto - Mauricio Tonetto/Secom : Ag.Brasil
A reconstrução das cidades gaúchas e a adaptação dos territórios urbanos à crise climática exigem uma mudança de paradigma, com estratégias de mitigação de impactos climáticos em confluência com a preservação dos recursos naturais e modelos baseados em soluções da natureza. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Ações locais
Apesar da necessidade de um plano nacional de adaptação às mudanças climáticas, o especialista ressalta que é “importante entender que adaptação não é receita de bolo” e que cada território vai lidar de uma forma diferente com a questão. Isso porque cada região tem diferenças geológicas, hidrológicas e sociais. Ele aponta a necessidade de análise e mapeamento de risco dos territórios para que, a partir daí, seja feita uma adaptação. Em relação à cultura de prevenção, ele ressalta que deve haver um planejamento de evacuação, as pessoas precisam saber em que local se abrigar e o que fazer com animais de estimação, por exemplo, diante de tais eventos. “Não adianta a gente instalar sirene se a gente não souber o que fazer quando ela disparar.” Sobre estruturas nas cidades, ele cita obras de contenção de encostas onde há risco de deslizamento e soluções baseadas na natureza. “Por muito tempo, a gente fez uma cultura de impermeabilizar tudo, de uma estrutura cinza na cidade. A gente precisa urgentemente criar outras formas de escoamento e de absorção da água pelo solo. Inclusive, a própria restauração das áreas degradadas é também para isso, para estimular que o solo e a natureza cumpram seu papel de absorção da água”, diz.

Estratégias de drenagem
O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Paulo Pellegrino lembra que o modelo atual de drenagem nas cidades tende a se livrar das águas. “Tem uma sequência de superfícies impermeáveis que vai levando a água cada vez mais rapidamente, em maior volume, ladeira abaixo. Quer dizer, rumo ao rio, rumo aos principais canais, às planícies de alagamento, nos pontos onde as águas se acumulam lá embaixo”, explica. No contexto da crise climática, ele avalia que tais modelos têm que ser revistos. “Se nós continuarmos usando as mesmas ideias antigas de condução das águas, de tentar conter as águas e fazer estruturas de cimento, concreto e alvenaria para se proteger das águas, vai ser uma perda de tempo. Vai ser muito dinheiro jogado fora se tentarmos reconstruir a mesma infraestrutura que estava antes lá”, diz o professor sobre a reconstrução no Sul. Para o urbanista, as cidades precisam abrir espaços para as águas. “Nós estamos presenciando fenômenos extremos, de muita água caindo em pouco tempo, em uma frequência muito maior do que era previsto. Quando chega a esse ponto, você vai ter que forçosamente mudar o seu paradigma”, diz. Para mitigação dos impactos de chuvas intensas, são necessárias estratégias para reter a água e reduzir a velocidade desse fluxo, evitando que seja direcionada uma grande quantidade de água para um mesmo lugar. “Tem que desenhar, por exemplo, nessas áreas que são factíveis de se receber água, áreas para plantio de culturas que recebam inundações periódicas, parques alagáveis, áreas de recuperação ambiental, ou outras estruturas de usos que podem ser amigáveis com as águas, receber e devolver as águas, e até tratá-las nesse caminho”, aponta o urbanista, que também defende a eficácia de modelos baseados nas soluções da natureza. Pellegrino cita exemplos de outros países, como cidades na China que estão tornando seus solos mais permeáveis, numa solução que ficou conhecida como cidades-esponja. "São grandes espaços que estão sendo abertos, para que recebam e absorvam as águas.” Ele acrescenta que a cidade de Bangkok, capital da Tailândia, também está sofrendo muito com o aumento do nível das águas. Diante dessa realidade, em espaços que eram totalmente impermeáveis, estão sendo criados grandes parques alagáveis, relata o professor. Além de garantirem espaços permeáveis para as águas, as superfícies de água, as áreas úmidas e com vegetação podem ser utilizadas para lazer quando as águas baixam. Elas se configuram ainda como ilhas de frescor na paisagem urbana, um sistema de condicionamento climático. “O sistema tradicional que eliminava a água, que enterrava em galerias subterrâneas e canalizava córregos em concreto, aumenta a temperatura, deixando a cidade mais suscetível a ondas de calor”, diz.
Fonte - Agência Brasil 19/05/2024

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Brasil precisa recuperar 25 milhões de hectares de vegetação nativa

Sustentabilidade e meio ambiente  🌳🌴

O Brasil tem pouco a celebrar, já que não avançou no compromisso assumido internacionalmente de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Dados da plataforma do Observatório da Restauração e do Reflorestamento apontam que o país possui hoje pouco mais de 79 mil hectares da sua cobertura vegetal original recuperada.

Fabíola Sinimbú
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração/arquivo
Neste 15 de abril - Dia Nacional de Conservação do Solo - o Brasil tem pouco a celebrar, já que não avançou no compromisso assumido internacionalmente de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Dados da plataforma do Observatório da Restauração e do Reflorestamento apontam que o país possui hoje pouco mais de 79 mil hectares da sua cobertura vegetal original recuperada. Isso significa que menos de 1% da meta foi atingida. Somado a isso, nos últimos anos o desmatamento e a degradação avançaram sobre os biomas brasileiros. De acordo com levantamento da MapBiomas, entre os anos de 2019 e 2022, o Brasil perdeu 9,6 milhões de hectares de vegetação nativa. Segundo a diretora do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Fabíola Zerbini, esse cenário fez com que desde janeiro de 2023 o governo iniciasse uma revisão das metas e políticas públicas para o setor, não apenas para que o Brasil possa cumprir com os acordos firmados para conter os avanços da crise climática, mas principalmente para que as propriedades rurais privadas e o próprio Estado fiquem regulares em relação à legislação ambiental. “O horizonte de passivo do Código Florestal - somando área privada e pública - está em torno de 25 milhões de hectares de vegetação nativa que precisa ser recuperada. A gente entende que desses 25 [milhões], aproximadamente nove podem ser compensados, ou seja, o produtor decide que vai proteger uma área que está conservada, e a gente vai recuperar algo em torno de 14 milhões, que é a meta atualizada, mas lembrando que a oficial é pelo menos 12 milhões de hectares,” disse Fabíola.

Histórico
Há um entendimento global de que para a crise climática não avançar é necessário reduzir a emissão dos gases de efeito estufa e também capturar o que já foi lançado na atmosfera. Uma das principais estratégias globais para que isso ocorra é a recomposição da cobertura verde do planeta por meio da recuperação das vegetações nativas. Um estudo coordenado pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade, que reuniu pesquisadores de 12 países e foi publicado na revista científica Nature em 2020, revelou que a recomposição de apenas 15% de vegetações nativas do planeta seria capaz de sequestrar 14% de todas as emissões de gás carbônico lançadas na atmosfera desde a revolução industrial. A capacidade de contribuição dessa estratégia para diminuir os impactos da crise climática se mostrou tão eficaz que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu os dez anos seguintes à pesquisa como a Década para a Restauração de Ecossistemas. No Brasil, antes mesmo disso, uma legislação ambiental robusta não apenas protege os biomas por meio de cotas de preservação, como também determina quando é obrigatório compensar áreas impactadas pela ação humana, ou seja, reflorestar áreas degradadas ou desmatadas além dos limites. Os chamados passivos ambientais podem ser gerados por propriedades privadas, quando os limites de conservação não são respeitados, ou em áreas públicas atingidas por queimadas ou ocupadas por atividades ilegais. As cotas são previstas no Código Florestal, criado em 2012. Em 2015 e 2016, o Brasil aderiu a três acordos globais: o Acordo de Paris, o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20x20, nos quais assumiu o compromisso de recompor 12 milhões de hectares de sua cobertura verde. Ainda em 2017, o país criou a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Segundo Fabíola, o MMA tem se dedicado a entender qual o desafio que o país tem até 2030, prazo limite para cumprimento das metas. “Estamos trabalhando primeiro para atualizar os custos da restauração para os dias de hoje e fazer uma precificação por tipo de território: se são áreas privadas, áreas públicas, modelos de restauração e localizar cada situação nos biomas”, explica.

Estratégias
De acordo com a diretora, entre as estratégias possíveis para que cada bioma receba de volta a parcela mínima necessária para a sua manutenção, é preciso entender fatores como as condições atuais da área desmatada ou degradada, se há possibilidade de regeneração natural, se há pessoas que dependem da área para subsistência e também se ainda é possível reestabelecer os serviços ecossistêmicos como eram antes. Neste sentido, há três caminhos possíveis: a regeneração natural, que pode ser assistida ou não; o plantio em área total, que é a solução mais indicada para Unidades de Conservação, mas também a de maior custo; e os sistemas agroflorestais, que consideram a necessidade de subsistência da população que vive na área em questão. Nesse último caso, podem ser adotados modelos como a silvicultura de espécies nativas, o sistema agroflorestal (SAF) e sistema integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Regeneração
Para Fabíola, uma boa notícia é que um estudo em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) conseguiu mapear quase 30 milhões de hectares de vegetação secundária no território brasileiro. “Se protegida, a gente pode aplicar a modalidade de regeneração natural, que é de baixo custo, e só aí se consegue garantir grande parte dessa meta”, preconiza. Outra estratégia do governo é tornar a recuperação de vegetação nativa um modelo de negócio para o país. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pela empresa de madeira sustentável em que Alan Batista é diretor financeiro, no sul da Bahia. Segundo o executivo, a região foi escolhida em 2008 para dar início ao negócio, exatamente por fazer parte do bioma Mata Atlântica, que é o mais desmatado no Brasil. “Aqui que começou a degradação no país, então aqui que a gente queria começar a restauração desse bioma”, observa. Com a aquisição de três áreas desmatadas pela pecuária extensiva, com baixo potencial agrícola, a empresa desenvolveu um negócio vantajoso para o meio ambiente e também rentável, a partir do investimento na recuperação da vegetação nativa para manejo florestal. Com a floresta replantada, o lucro veio pela venda de madeira de reflorestamento e também do comércio de tecnologia e sementes e mudas melhoradas geneticamente. A silvicultura para o manejo ocorre em uma área 800 hectares, dentro das propriedades que somam 1,4 mil hectares. Segundo Alan, o restante tem áreas de conservação, que, em parte, resultam de restauração somada às áreas adquiridas para serem mantidas livres de ação humana. “A empresa deixa livre de caça, de pesca, cuida para que não haja incêndio, com brigada treinada e manutenção de infraestrutura para prevenção de incêndio”, diz. A pesquisa “Reflorestamento com espécies nativas: estudo de casos, viabilidade econômica e benefícios ambientais”, publicada em 2021 pelo World Resources Institute (WRI) Brasil, analisou 40 arranjos produtivos envolvendo reflorestamento, restauração ou conservação de 30 diferentes organizações. A partir do estudo, concluiu-se que a taxa de retorno de investimentos para esse modelo de negócio fica entre 9,5% e 28,4%, a depender do arranjo. De acordo com o especialista do instituto de pesquisa. Miguel Calmon, além dos serviços ecossistêmicos como a própria captação do gás carbônico da atmosfera, as florestas recuperadas também auxiliam na produção alimentar. “Já se abe que esse modelo de negócio baseado no plantio de árvores também aumenta a resiliência do sistema produtivo às mudanças climáticas. Cada ano que passa, nós temos mais eventos extremos como seca, altas temperaturas e enxurradas e já sabemos que sistemas com árvores são mais resilientes a esses eventos extremos, ou seja, é um modelo ganha-ganha.”

Fomento
De acordo com Fabíola Zerbini, além de rever o cenário da recuperação florestal no Brasil, o MMA tem articulado formas para fomentar a regularização ambiental. “Temos articulado com parceiros, em especial o BNDES, linhas de financiamento e linhas de crédito, como o Restaura Amazônia, que é dinheiro do Fundo Amazônia, que vai direcionar R$ 450 milhões para projetos de recuperação da vegetação nativa na Amazônia. Para além disso, a gente também combinou com o Fundo Clima mais R$ 550 milhões”, explica. Para a diretora, iniciativas de fomento e a atualização da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, prevista para ser lançada em junho, combinadas com as políticas públicas, serão capazes de destravar a agenda ambiental. “A ideia é combinar a articulação com estados, municípios e produtores para a regularização ambiental, como editais e financiamentos, além de programas vinculados a melhores condições de taxas para produtores regulares, somados à estruturação do poder público para a validação dessa documentação” finaliza.
Fonte - Agência Brasil  15/04/2024

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Enfrentar a questão climática

Clima/Meio ambiente  🌱🔥 🌊

O desafio que não pode mais ser ignorado deve ser enfrentado pelo conjunto da humanidade, dos Estados nacionais aos cidadãos individualmente, passando obviamente pelo setor produtivo. E cabe ao Brasil cumprir a sua parte, ainda que vivamos as grandes dificuldades da crise econômica, com alto desemprego e aumento da pobreza, e da pandemia fora de controle.

Murilo Pinheiro* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira (9/8) não deixa dúvidas: a emergência neste tema é real, deve-se à ação humana e exige medidas concretas e de monta para evitar uma catástrofe. O trabalho integra o Sexto Relatório de Avaliação (AR6) e sintetiza o conhecimento sobre as bases físicas das ciências relacionadas ao clima. Em suma, o estudo analisa dados, como as alterações produzidas pelas emissões de gases de efeito estufa e aerossóis na atmosfera, mudanças nas áreas continentais e oceanos; elevação no nível dos mares; derretimento de geleiras; e alterações dos ecossistemas. O documento do órgão técnico que é ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) e é composto por 195 países, inclusive o Brasil, é considerado o mais importante desde 2014, já que é fruto de anos de análise de 14 mil estudos científicos, devidamente revisados. Entre os principais pontos do relatório, está a estimativa de alcançarmos o limite do aquecimento global de +1,5°C em relação à era pré-industrial já em 2030, uma década antes do previsto. O dado deve ser considerado um alerta vermelho, dizem os especialistas, já que o fenômeno será responsável por episódios climáticos extremos. Como se suspeitava, e a divulgação do IPCC reforça agora com base mais consolidada na ciência, a mudança climática provocada pela ação humana já mostra seus efeitos em várias regiões do mundo, com intensas ondas de calor, secas, níveis severos de precipitações e ciclones tropicais. Para fazer frente ao cenário, entre as muitas providências, conclui-se que há duas linhas de ação básicas: reduzir as emissões de poluentes de efeito estufa e proteger as florestas, o solo e os oceanos, que têm sido aliados essenciais na absorção de CO2, mas que hoje dão sinais de saturação. O desafio que não pode mais ser ignorado deve ser enfrentado pelo conjunto da humanidade, dos Estados nacionais aos cidadãos individualmente, passando obviamente pelo setor produtivo. E cabe ao Brasil cumprir a sua parte, ainda que vivamos as grandes dificuldades da crise econômica, com alto desemprego e aumento da pobreza, e da pandemia fora de controle. Como destacou a presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Patrícia Iglecias, em participação no programa “No Ponto”, é preciso envidar esforços de fato para que se cumpram os compromissos assumidos no Acordo de Paris. Além disso, a agenda ambiental significa eficiência na lógica empresarial e deve ser encarada dessa forma. Fazer diferente implicará comprometer cada vez mais a nossa qualidade de vida no planeta, especialmente para as futuras gerações.
* Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp)
Fonte - Portogente  12/08/2021

quarta-feira, 19 de maio de 2021

‘Ondas de calor estão se tornando mais letais’, alerta pesquisador

Clima/Meio ambiente  🌞

“À medida que o planeta aquece, mais teremos extremos de calor”, afirmou Rahmstorf, considerado um dos cientistas do clima mais influentes do mundo. Estudo feito pela equipe do instituto de pesquisa alemão, em colaboração com colegas da Espanha, já apontava, em 2013, que os extremos mensais de temperatura tornaram-se muito mais frequentes em todo o mundo.

Revista Amazônia
foto - ilustração/twiter
Devido ao aquecimento global, as ondas de calor recordes aumentaram cinco vezes nas últimas décadas e se tornaram um dos desastres naturais mais mortais, com letalidade comparável à de pandemias. O número de 70 mil mortes na França causadas pela onda de calor que assolou a Europa no verão de 2003, por exemplo, só foi superado no ano passado pelo gerado pela pandemia de COVID-19, que vitimou quase 130 mil franceses entre o início de março e o final de abril de 2020. O pico de óbitos causados pelo calor extremo na França naquele ano, contudo, foi superior ao registrado na primeira onda de infecção pelo SARS-CoV-2. Entre março e abril de 2020, o número de mortes diárias causadas pela doença chegou a 2.691 no país europeu. Já em agosto de 2003, mais de 3 mil franceses morreram em um único dia em razão da onda de calor recorde, cuja duração, porém, foi menor que a da pandemia de COVID-19, de pouco mais de três semanas, comparou Stefan Rahmstorf, pesquisador do Instituto Potsdam de Pesquisa dos Impactos do Clima, durante palestra no primeiro dia do 9º Diálogo Brasil-Alemanha sobre Ciência, Pesquisa e Inovação, “Cities and Climate – The Multi-level Governance Challenge”, que a FAPESP e o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH) São Paulo realizam de forma virtual até amanhã (20/05). “À medida que o planeta aquece, mais teremos extremos de calor”, afirmou Rahmstorf, considerado um dos cientistas do clima mais influentes do mundo. Estudo feito pela equipe do instituto de pesquisa alemão, em colaboração com colegas da Espanha, já apontava, em 2013, que os extremos mensais de temperatura tornaram-se muito mais frequentes em todo o mundo. Em média, há agora cinco vezes mais meses quentes recordes em todo o mundo do que se poderia esperar sem o aquecimento global de longo prazo. Em partes da Europa, África e no sul da Ásia, o número de registros mensais aumentou por um fator de até dez, e 80% não teriam ocorrido sem a influência humana no clima, apontaram os pesquisadores em artigo publicado na revista Climatic Change. “Os recordes de calor têm sido quebrados constantemente. Os verões mais quentes na Europa desde 1500 foram, na ordem decrescente, em 2018, 2010, 2003, 2016 e 2002”, afirmou Rahmstorf. Já na região central da América Central, o último recorde de temperatura foi registrado em outubro de 2020, indicou estudo feito por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres (Cemaden), cujos resultados foram submetidos para publicação. “A onda de calor afetou tanto pequenas como grandes cidades nessa região”, afirmou José Marengo, pesquisador do Cemaden e coordenador do projeto. Segundo Rahmstorf, atualmente, o número de dias de calor nas áreas urbanas das cidades é duas vezes maior do que nas áreas rurais próximas. No futuro, entre 2081 e 2100, no cenário mais pessimista de emissões de gases de efeito estufa esboçado no quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a quantidade de dias muito quentes pode aumentar em até dez vezes também nas cidades, causando maior número de mortes em diversos países, incluindo o Brasil. Ainda de acordo com o IPCC, duas vezes mais megacidades apresentam probabilidade de sofrer estresse térmico com um aumento de 1,5 ºC na temperatura do planeta, o que exporia mais de 350 milhões de pessoas ao risco de morte por calor excessivo até 2050. “Para conseguir limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2 ºC e perseguir a meta de mantê-la em 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris, será preciso promover transições rápidas e de longo alcance em setores de infraestrutura urbana, o que inclui transporte, construção e também sistemas industriais. Isso exigirá ações no contexto das cidades”, avaliou Thelma Krug, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente do IPCC. Essas ações no nível das cidades não poderão ser apenas ajustes ou melhorias em alguns setores porque o tipo de mudanças que têm sido imposto pela ameaça climática precisa ser encarado como transformação, ponderou Marc Wolfram, pesquisador do Leibniz Institute of Ecological Urban and Regional Development. “A mudança deve ser realmente holística e abranger não só dimensões sociais, mas também culturais, econômicas e ecológicas. Isso significa que devemos nos perguntar o que isso implica em termos de estratégias que planejamos, se podemos responder de maneira semelhante a outros problemas no passado ou se precisamos de novas abordagens e como seria uma mudança urbana radical”, afirmou Wolfram.

Cooperação Brasil-Alemanha
Um dos objetivos do 9º Diálogo Brasil-Alemanha é fomentar a cooperação em pesquisa entre Brasil e Alemanha na área de cidades e clima, bem como na busca de soluções. “Se por um lado as cidades estão implicadas na geração das mudanças climáticas, por outro também sofrem as consequências das alterações no clima. Por isso, é preciso torná-las mais resilientes”, avaliou Marco Zago, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento. “Nunca houve um tema dessa série de eventos com maior impacto na vida de todos nós, que habitamos cidades pequenas, médias ou grandes, como o clima”, disse Jochen Hellmann, diretor do DWIH São Paulo. Para participar do evento, o público pode se inscrever pelo canal do DWIH São Paulo no Youtube. A íntegra do primeiro dia de discussões pode ser conferida em https://youtu.be/mKA5elf9zik.
Fonte - Revista Amazônia  18/05/2019

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Fundo climático para nações pobres promete liderar recuperação verde

Meio ambiente/Sustentabilidade  🌱🌴

Em reunião virtual de quatro dias, o fundo acrescentou o Afeganistão e o Sudão a uma lista de mais de 100 países a receber um total de US$ 6,2 bilhões para reduzir as emissões que estão aquecendo o planeta.O diretor executivo do GCF, Yannick Glemarec, afirmou que o fundo tem “papel chave a desempenhar para manter a ambição pelo clima na era da covid-19”

Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
O Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês) prometeu às nações em desenvolvimento que intensificará seus esforços para ajudá-las a atacar as mudanças climáticas enquanto tentam se recuperar da pandemia do novo coronavírus, aprovando US$ 879 milhões em apoio a 15 novos projetos no mundo.
Em reunião virtual de quatro dias, o fundo acrescentou o Afeganistão e o Sudão a uma lista de mais de 100 países a receber um total de US$ 6,2 bilhões para reduzir as emissões que estão aquecendo o planeta.
O Fundo Verde para o Clima foi estabelecido sob discussões climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2010 para ajudar nações em desenvolvimento a lidar com o aquecimento global, e começou a alocar recursos em 2015.
O diretor executivo do GCF, Yannick Glemarec, afirmou que o fundo tem “papel chave a desempenhar para manter a ambição pelo clima na era da covid-19” e que buscaria melhorar a velocidade e eficiência de sua resposta às necessidades dos países em desenvolvimento.
O co-presidente da instituição, Nauman Bashir Bhatti, do Paquistão, disse que o financiamento climático será crucial para a recuperação da pandemia e que o fundo precisava aumentar seu apoio “mesmo durante estes momentos difíceis”.
As promessas chegam depois de pequenas ilhas criticarem o ritmo e o tamanho da assistência dada pelo fundo, afirmando que estavam sofrendo com os efeitos econômicos da pandemia e com os impactos das mudanças climáticas, como a elevação de mares e as tempestades mais fortes.
Fonte - Revista Amazônia 24/08/2020

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Conferência sobre mudança climática da ONU COP26 adiada para novembro de 2021

Clima/Meio ambiente   🌁

A COP 26 da UNFCCC, que foi adiada pela primeira vez de novembro de 2020 para o início de 2021, é a COP mais importante desde que os líderes mundiais se reuniram em Paris em 2015

Revista Amazônia
foto - ilustração/Pinterest
O governo do Reino Unido propôs adiar as negociações anuais internacionais sobre o clima por um ano inteiro após sua data original para novembro de 2021 por causa da pandemia de coronavírus.
A COP 26 da UNFCCC, que foi adiada pela primeira vez de novembro de 2020 para o início de 2021, é a COP mais importante desde que os líderes mundiais se reuniram em Paris em 2015, porque os países devem trazer metas revisadas de como cumprirão as metas do Acordo de Paris para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (35,6 F). O atraso adicional preocupou diplomatas e especialistas em que os governos elaborarão políticas de recuperação econômica que não se alinham aos cortes agressivos de poluição de gases de efeito estufa necessários até 2030 para evitar os piores impactos das mudanças climáticas, de acordo com o “Relatório 1.5” publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança climática em outubro de 2018.
Richard Black, diretor da Unidade de Inteligência em Energia e Clima, também expressou preocupação com a redação da proposta de adiamento do Reino Unido. “O que surpreenderá alguns é que, apesar de dizer que ‘a ambição deve continuar’, a proposta não especifica manter o cronograma do Acordo de Paris”, disse ele.
Fonte - Revista Amazônia  28/05/2020

terça-feira, 3 de março de 2020

Chuva e mobilidade não combinam nas cidades brasileiras

Clima/Mobilidade 

Os problemas se avolumam com ruas alagadas, quedas de árvores, deslizamento de encostas nas cidades e nas estradas.O que se vê com alta densidade pluviométrica em diversas cidades é que a municipalidade não está preparada para defender os seus munícipes

Portogente
Entrada de Santos ficou alagada por conta do temporal.
 Reprodução/Twitter
Os últimos dias têm sido de muitos transtornos e tragédias para as cidades, ou melhor, para os cidadãos brasileiros. Chuvas incessantes tornaram o espaço urbano intransitável e perigoso.
O ano de 2020 começou diferente para o País, no lugar do verão e suas altas temperaturas, tivemos um clima entre ameno e bem fresco em boa parte dos últimos dois meses. A música do nosso mestre Antonio Carlos Jobim que cantarola "são as águas de março fechando o verão" ficou fora do roteiro deste ano.
O que se vê com alta densidade pluviométrica em diversas cidades é que a municipalidade não está preparada para defender os seus munícipes. Vem se batendo o recorde histórico em volume de chuvas no mês de fevereiro.
Os problemas se avolumam com ruas alagadas, quedas de árvores, deslizamento de encostas nas cidades e nas estradas. O que vemos é um despreparo geral - em todos os níveis de governo - para proteger, de forma permanente, a sociedade atingida, que paga, muitas vezes, com a própria vida.
Esses fenômenos extremos do tempo estão cada vez mais intensos e desordenados, e as respostas da governabilidade beiram à nulidade.
Fonte - Portogente  03/03/2020

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Incêndios da Austrália destruíram 20% das florestas do país

Meio Ambiente  🔥

O fogo que começou a se alastrar em setembro de 2019 e provocou destruição até fevereiro de 2020 foi o pior já enfrentado pelos australianos nas últimas décadas. A região de New South Wales e Victoria, no sudoeste do país, foram as mais afetadas pelos incêndios.Da última vez que houve incêndios dessas proporções no país, a perda florestal foi de “somente” 2%.

Revista Amazônia
Revista Amazônia
Foram quatro meses de incêndios florestais que devastaram mais de 10 milhões de hectares de vegetação, deixaram 28 vítimas humanas fatais e mataram quase 500 milhões de animais.
O fogo que começou a se alastrar em setembro de 2019 e provocou destruição até fevereiro de 2020 foi o pior já enfrentado pelos australianos nas últimas décadas. A região de New South Wales e Victoria, no sudoeste do país, foram as mais afetadas pelos incêndios.
Segundo um levantamento realizado por pesquisadores do Hawkesbury Institute for the Environment da Western Sydney University, cerca de 20% de áreas de florestas foi destruída pelas chamas, aproximadamente 5,8 milhões de hectares.
Da última vez que houve incêndios dessas proporções no país, a perda florestal foi de “somente” 2%.
“Analisamos os principais biomas florestais da Austrália, Ásia, África, Oceania e Américas do Norte e do Sul para determinar a extensão das áreas anuais queimadas por incêndios florestais”, revelou Matthias Boer, principal autor do estudo. “As florestas na Austrália e em outros continentes queimaram historicamente até aproximadamente 5% da área florestal a cada ano, com percentuais mais altos de 8 a 9% registrados apenas em pequenas regiões florestais da África e Ásia. No entanto, em 2019/2020 na Austrália, essa área queimada saltou para 21% em uma única temporada”.
Para Boer, o fogo em seu país atingiu uma escala sem precedentes, nunca antes observada em nenhum outro bioma florestal nos últimos 20 anos.
Em um artigo publicado na Nature Climate Change, especialistas analisaram as causas e os impactos da tragédia na Austrália. “Os incêndios ocorreram no início de um ano em que houve um aumento do envolvimento do público com a ciência e as políticas climáticas, bem como uma maior cobertura da mídia. Eventos como esses são vistos como prenúncios de um futuro que está rapidamente se tornando presente”, alertaram os autores.
Há 13 anos, cientistas já tinham previsto o agravamento dos incêndios florestais na Austrália. Em 2007, representantes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU (IPCC) destacaram o impacto do aquecimento global relacionado ao fogo, ressaltando o risco de incêndios naquele país. Naquela época, o primeiro-ministro, Scott Morrison, já negava os efeitos das alterações do clima e era contra políticas de redução de gases de efeito estufa.
Foi justamente por esta razão que Morrison foi tão criticado pelos australianos, que exigiram mais recursos para os serviços de combate a incêndios e ações urgentes de combate à crise climática, começando com a manutenção de combustíveis fósseis no solo.

Secas históricas
Um dos impactos mais conhecidos das mudanças climáticas são os eventos climáticos extremos. O sudoeste da Austrália teve um dos períodos mais secos de sua história, de janeiro a agosto de 2019.
A seca, combinada a um inverno com recordes de calor, proporcionou o cenário ideal para que as chamas se alastrassem pela vegetação. Ou seja, o que vemos agora são alguns dos efeitos práticos da crise climática global. É isso mesmo, o futuro já começou!
As mudanças climáticas na Austrália significam que os incêndios florestais começam mais cedo, duram mais e são mais intensos.
Fonte - Revista Amazônia  26/02/2020

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Aumento do nível do mar acelerou e já é incontrolável, advertem especialistas da ONU

Meio Ambiente  🌊

Os gases de efeito estufa emitidos pelo ser humano até agora fazem que o degelo e o aumento do nível do mar continuem além deste século, conclui o IPCC em um relatório apresentado nesta quarta-feira.O dilema que esta geração enfrenta agora tem a ver com o tamanho da hipoteca —que também inclui fenômenos meteorológicos extremos mais frequentes, ameaça à segurança alimentar e impactos na biodiversidade— que deixará para as futuras gerações.

Revista Amazônia
Revista Amazônia
É incontrolável e está se acelerando. O aumento do nível do mar disparou por causa do degelo nos extremos norte e sul do planeta, conclui o IPCC, o painel de cientistas que, sob o guarda-chuva da ONU, analisa os impactos da mudança climática geradas pela ação do homem. Os gases de efeito estufa emitidos pelo ser humano até agora fazem que o degelo e o aumento do nível do mar continuem além deste século, conclui o IPCC em um relatório apresentado nesta quarta-feira.
O dilema que esta geração enfrenta agora tem a ver com o tamanho da hipoteca —que também inclui fenômenos meteorológicos extremos mais frequentes, ameaça à segurança alimentar e impactos na biodiversidade— que deixará para as futuras gerações. Que seja uma carga menor, destacam os especialistas, dependerá da rapidez com que a humanidade pare de emitir esses gases que superaquecem o planeta e estão vinculados principalmente aos combustíveis fósseis. Ao apresentar o relatório, Hoesung Lee, presidente do IPCC, conclamou os países a reduzirem suas emissões de gases, para que os impactos, embora não possam mais ser eliminados, pelo menos sejam atenuados e se tornem “mais manejáveis para as pessoas mais vulneráveis”. Porque, como destaca o IPCC, “as pessoas mais expostas e vulneráveis são frequentemente aquelas que contam com menor capacidade de resposta”.
Esse dilema geracional, apresentado em um relatório especial do IPCC, chega numa semana intensa na batalha contra a mudança climática. Depois das gigantescas manifestações estudantis de 20 de setembro e da cúpula da ONU da última segunda-feira em Nova York, espera-se na sexta-feira um grande protesto global contra a inação frente ao aquecimento. O relatório especial do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática sobre o aquecimento e os oceanos é parte de uma série de análise temáticas. Este grupo internacional de especialistas revisa e compila o conhecimento sobre a mudança climática partindo dos estudos científicos publicados. Nesta ocasião participaram mais de 100 autores de 36 países, que revisaram 7.000 publicações.
“O aumento do nível do mar se acelerou devido ao aumento combinado da perda de gelo das camadas da Groenlândia e da Antártida”, conclui o estudo. A perda de gelo na Antártida por causa do aumento da temperatura no período entre 2007 e 2016 triplicou com relação à década anterior; na Groenlândia, duplicou.
Esse degelo acelerado levou a uma taxa de aumento do nível do mar também mais rápido, até 2,5 vezes mais veloz na última década em relação à média do século passado. Mas as projeções do relatório falam de um problema que se agravará, mesmo que seja cumprido o Acordo de Paris, que determina que o aumento médio da temperatura do planeta não deve superar os dois graus em relação aos níveis pré-industriais. No cenário mais otimista, com esse limite em dois graus estipulado em Paris, o IPCC prognostica um aumento do nível do mar de 43 centímetros até 2100 (entre 1902 e 2015 foi de 16 centímetros). No cenário mais adverso, em que as emissões continuem crescendo como até agora, a elevação do nível do mar chegaria a 84 centímetros e poderia superar um metro. Além disso, durante os próximos séculos esse ritmo continuará ganhando velocidade e intensidade.
A análise destaca os “perigos relacionados ao clima” que ameaçam as populações costeiras: ciclones tropicais, níveis extremos do mar, inundações e perda de gelo. E recorda que nas zonas costeiras baixas vivem atualmente cerca de 10% da população mundial (680 milhões de pessoas). Além disso, 65 milhões de outras pessoas habitam pequenos Estados insulares. E quase outros 10% da população (670 milhões) vivem em regiões de alta montanha, outra das áreas analisadas no relatório.

Aumento de eventos extremos
Esses quase 1,5 bilhão de indivíduos estão na zona vermelha dos impactos climáticos relacionados aos oceanos e à água. São impactos que ocorrem, por exemplo, pela combinação do aumento do nível do mar com tormentas ou ciclones. O relatório alerta que até 2050 “os eventos extremos do nível do mar”, até agora considerados excepcionais, que costumavam ocorrer uma vez a cada século, irão se tornar habituais e ocorrerão “pelo menos uma vez por ano” em muitos lugares do planeta. “Especialmente em regiões tropicais”, embora também em zonas como a mediterrânea. O IPCC prognostica, além disso, uma maior frequência das ondas de calor marítimas e dos eventos extremos do El Niño e La Niña.
O estudo analisa também as ações de adaptação (fundamentalmente investimentos) necessárias para enfrentar a elevação do mar, que pode engolir cidades costeiras. E explica que esses investimentos podem ser rentáveis para as áreas urbanas densamente povoadas (Nova York, por exemplo, tem um plano para investir dez bilhões em defesas). Mas é muito difícil que áreas rurais e mais pobres, como os pequenos Estados insulares, possam arcar com isso.
O problema não é só o aumento do nível do mar. Associados aos fenômenos meteorológicos há também a elevação da temperatura da água – que desde 1970 subiu sem cessar – e outros problemas decorrentes da mudança climática. A análise mostra que durante o século XXI os oceanos alcançarão “condições sem precedentes” pelo aumento da temperatura, uma maior acidificação e a diminuição do oxigênio. Isto terá um impacto, por exemplo, na pesca, o que afetará “os meios de vida e a segurança alimentar” das comunidades que dependem dos recursos marítimos para sobreviver.
“As populações de peixes se moverão em direção aos polos para localizar suas temperaturas preferidas; isto afetará particularmente os países tropicais em termos de pesca, mas na Europa vimos a cavala e o bacalhau já se afastando para o norte”, explica por e-mail o professor de Biologia Alex Rogers, da Universidade de Oxford. “Os peixes também se tornam menores à medida que aumentam as temperaturas”, acrescenta esse especialista, referindo-se aos efeitos para a indústria pesqueira.

Acidificação dos oceanos
Entre 20% e 30% do dióxido de carbono emitido pelo homem foi absorvido pelos oceanos desde 1980, algo que deverá aumentar durante este século. Ao absorver mais CO2 “o oceano experimentou uma crescente acidificação” e ocorreu “uma perda de oxigênio”. “A mudança climática está impactando os oceanos não só no aumento do nível do mar”, observa Gladys Martínez, membro da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA). “O oceano está colapsando, e o tempo está se esgotando para nós”, alerta esta especialista, que pede mais atenção também aos efeitos da perda de biodiversidade. O relatório do IPCC observa, por exemplo, o alto risco a algumas espécies e ecossistemas sensíveis, como os corais.

Impactos nas geleiras
A perda das geleiras também influi no aumento do nível do mar. Mas, além disso, tem consequências além das costas. Essa perda representa, segundo o IPCC, uma alteração da “disponibilidade e qualidade da água doce”, que tem implicações na agricultura e na produção de energia hidrelétrica.
Outro dos fenômenos analisados é o desaparecimento do permafrost (a camada de solo permanentemente congelado) devido ao aquecimento. Os especialistas prognosticam que ele continuará diminuindo, e que isso, por sua vez, permitirá a liberação dos gases do efeito estufa que vinham sendo guardados nesse tipo de terreno.
Todas estas mudanças longe da costa levarão a um aumento significativo dos incêndios florestais durante o século XXI na maioria das regiões de tundra e boreais, e também em algumas regiões montanhosas, adverte o IPCC.
Fonte - Revista Amazônia  22/02/2020

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Brasil pode evitar 'desastre urbano' em meio à piora das chuvas e mudança do clima?

Clima/Meio ambiente  🌊 🌂

As chuvas de janeiro e fevereiro vieram com intensidade atípica em 2020 na região sudeste. Em Minas Gerais, centenas de cidades em estado de emergência e pelo menos 60 mortes. Em São Paulo, 7 mortes e milhares de desabrigados. No Rio de Janeiro, deslizamentos e prejuízo de milhões de reais.Cientistas de diversos centros de referência no Brasil, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) têm apontado que as chuvas tendem a piorar na região mais rica e mais populosa do Brasil ao longo dos próximos anos.

Sputnik
foto - ilustração/Pregopontocom
O período de chuvas no início de 2020 deixou rastros de destruição na região sudeste do Brasil. Com o aquecimento global, isso tende a piorar. A Sputnik Brasil ouviu diversos especialistas para explicar o que pode ser feito para evitar desastres no futuro.
As chuvas de janeiro e fevereiro vieram com intensidade atípica em 2020 na região sudeste. Em Minas Gerais, centenas de cidades em estado de emergência e pelo menos 60 mortes. Em São Paulo, 7 mortes e milhares de desabrigados. No Rio de Janeiro, deslizamentos e prejuízo de milhões de reais. No Espírito Santo, centenas de desalojados e pelo menos 7 mortes.
Cientistas de diversos centros de referência no Brasil, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) têm apontado que as chuvas tendem a piorar na região mais rica e mais populosa do Brasil ao longo dos próximos anos.
A urbanização desordenada, a desigualdade social e as oscilações do clima são fatores que podem agravar ainda mais os efeitos das mudanças previstas pelos cientistas devido ao aquecimento global.
A Sputnik Brasil entrevistou um engenheiro civil, um meteorologista e um sociólogo para discutir soluções e entender o que esperar do futuro em um cenário de agravamento do padrão de chuvas na região.

foto - ilustração/Pregopontocom
'A inundação não é um problema do futuro, é um problema do passado'"As chuvaradas de verão, quase todos os anos, causam no nosso Rio de Janeiro, inundações desastrosas". A frase que parece contemporânea é do escritor Lima Barreto, e abre um texto de 1915 chamado "As Enchentes", em que o autor descreve ao antigo jornal Correio da Noite sua insatisfação com a falta de ação do poder público diante das inundações.
Marcelo Miguez, engenheiro civil especialista em Recursos Hídricos da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica à Sputnik Brasil que as enchentes na região são um problema urbanístico centenário.
"O processo de crescimento urbano não foi adequadamente controlado, ou mesmo adequadamente planejado. E a gente sofre as consequências da ocupação do território de uma forma que extrapolou as capacidades desse próprio território de receber as cidades de uma forma saudável", afirma Miguez em entrevista à Sputnik Brasil.
As soluções para o problema são complexas e lidam com mudanças de larga escala. Entre elas, o professor cita a melhora da capacidade de drenagem das cidades, que suprimem a drenagem natural dos locais transformados em áreas urbanas.
"Como faço para recuperar essas características hidrológicas que o próprio processo de urbanização tende a suprimir? Eu preciso preservar as áreas verdes remanescentes, se possível criar novas áreas verdes, e preciso associar volumes de armazenamento temporários de água nestes locais para que eu possa direcionar os alagamentos para essas áreas controladas", aponta.
Além disso, "medidas de pequena escala" podem ajudar a aliviar o problema, como reservatórios captando água em telhados, pavimentos permeáveis substituindo o asfalto que não absorve água, telhados verdes e também reservatórios acoplados a sarjetas e calçadas.
Porém, Miguez alerta que mesmo essas medidas não resolvem o problema e uma solução permanente só pode vir a longo prazo, através de medidas que permaneçam ao longo de vários governos.
"Eu diria que é um conjunto abrangente de ações de largo espectro, de larga escala espacial, e também de larga escala temporal. Isso precisa ser transformado em planos de longo prazo que perpassam governos e se transformam em políticas de Estado", aponta.
"Não é no curto prazo que a gente vai ter uma reversão eficiente desse processo, que na verdade é um processo que vem acontecendo há décadas, ou séculos. A cidade do Rio de Janeiro tem registros de alagamento que remontam ao século XVIII", diz.
Diante da iminência de mudanças climáticas, o professor alerta que uma política efetiva para as enchentes torna-se mais urgente. Porém, Miguez avalia que é a falta de planejamento urbano a principal responsável pelos efeitos negativos nas cidades.
"Se a gente coloca o peso daquilo que a gente está vendo hoje nas mudanças climáticas, a gente está se eximindo de uma responsabilidade que é histórica e que recai nessa falta de preparo, nessa falta de ação, nessa falta de políticas de longo prazo, que afeta as cidades já hoje. A inundação não é um problema do futuro, é um problema do passado".

'Tentaram domesticar a água como se fosse uma fera'
foto - ilustração/Pregopontocom
O aumento das chuvas no sudeste no início deste ano não é apenas um efeito do aquecimento global, mas uma oscilação natural do clima. É o que explica Giovanni Dolif, meteorologista e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
"Mesmo se a gente não considerasse esse efeito da mudança climática, o clima em si naturalmente tem suas oscilações, suas variações", aponta Dolif em entrevista à Sputnik Brasil.
O pesquisador remonta a eventos de chuvas intensas na virada das duas últimas décadas na região para explicitar tais oscilações, explicando a presença de uma variação climática na região.
"Se a gente considerar além disso que o nosso planeta está aquecendo, então a gente introduz um componente a mais aí, um ingrediente a mais nessa mistura explosiva", alerta.
Dolif detalha o processo explicando que o aquecimento dos oceanos desloca a umidade na atmosfera e pode ampliar a intensidade das chuva, como o que está ocorrendo neste ano. O pesquisador, no entanto, esclarece que isso não é um processo linear.
"Olhar o aquecimento global e atribuir a ele uma certa contribuição nessa chuva, não significa que a cada ano a gente vai ter mais chuva. É um processo não linear que oscila bastante", salienta o pesquisador citando os períodos de seca vividos no sudeste ao longo da última década.
O meteorologista do CEMADEN explica ainda que os efeitos de mudanças climáticas não devem significar apenas aumento na intensidade das chuvas, mas também a falta de precipitação.
"O processo de aquecimento do planeta] promove não só aumento nos extremos por conta de excesso de chuva, mas também pela falta de chuva. Quando você em algum lugar promove muita chuva, você tem mais umidade, esse processo se retroalimenta e gera mais chuva naquela área. Mas quando você converge a umidade para uma certa região você tira ela de outra região", explica.
Dolif dá exemplos e afirma que ao mesmo tempo em que há excesso de chuvas no sudeste neste ano, há também menos chuvas na região sul, e em parte da Amazônia.
"Quando você desequilibra a atmosfera para um lado, para o excesso de chuvas em algumas áreas, você desequilibra pela falta de chuva do outro lado", aponta, citando um recente período de seca no Nordeste, entre 2012 e 2017, o maior da história brasileira.
O pesquisador alerta para a imprevisibilidade dos eventos extremos no clima ao longo dos próximos anos.
"O século XXI vai ter muito provavelmente um número de extremos maior do que o número de extremos de chuva que teve o século anterior. Só que isso acontece não de forma linear, aumentando de pouquinho em pouquinho", diz.
Para o meteorologista, o preparo para esse cenário passa por um processo de educação para que a população possa cobrar o poder público as medidas adequadas.
"As cidades ao longo de muito tempo trataram a água como inimiga, tentaram até domesticar a água como se fosse uma fera, colocando ela em galerias, cobrindo com avenidas", discorre.
A capital paulista é um exemplo disso e tem rios cobertos em algumas de suas principais avenidas, o caso da Av. 23 de maio e também da Av. IX de julho.
Para o cientista, uma mudança nessa postura pode fazer a diferença no planejamento urbano em relação às chuvas.
"A gente não tem a expectativa de a cada ano chova mais, não é assim que acontece, mas de que nas próximas décadas a gente tenha vários eventos de chuva extrema nas cidades. Então a gente precisa se adaptar, a gente precisa modificar a nossa maneira de olhar para a água, olhar para ela como amiga, usar ela, aproveitar ela e não aprisionar ela, cercar ela, ignorando a existência dela. A gente tem que lidar de forma mais harmoniosa com a natureza", conclui.

foto - ilustração/arquivo
O desastre é uma produção socialO desastre causado pelas chuvas não deve ser visto como "natural" e sim "social", uma vez que é o desespero das pessoas que choca e mobiliza. Essa a visão de Victor Marchezini, sociólogo e pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
O sociólogo aponta que para além de medidas estruturais, como a melhoria da drenagem urbana, o provimento de moradias em locais seguros e obras de estabilização de encostas, há ações de outro caráter para ajudar a evitar problemas.
"Além dessas medidas estruturais, existem aquelas de caráter não estrutural, em que estão inseridos sistemas de alerta, as políticas educativas para preparar pessoas, estratégias de comunicação de riscos, formação de recursos humanos nesse tema de gestão de riscos", explica o sociólogo, acrescentando ainda a necessidade de um ordenamento imobiliário que não beneficie apenas uma classe social.
Marchezini aponta que as diferenças sociais fazem com que pessoas mais pobres sejam mais atingidas pelos efeitos da chuva.
"No Brasil, o desastre é justamente social porque, em virtude dos interesses do mercado de terras, as pessoas mais pobres são empurradas para locais com menor interesse de ocupação, onde geralmente são as encostas. [...] O nosso risco de desastre é resultado dessa produção social", avalia.
O sociólogo também aponta que a criação dessas zonas de risco não é só consequência da ação do mercado, mas também da ação de deslocamento de famílias pelo Estado.
"No Brasil, a gente presencia muitas vezes até comunidades que residiam em locais considerados seguros, mas elas são deslocadas desses lugares por outros projetos de desenvolvimento - o chamado progresso - que acabam expulsando elas. Isso é comum quando a gente vê obras de duplicação de rodovias, ou de instalação de empreendimentos hidrelétricos, barragens que acabam desalojando várias pessoas", explica.
Para ele, a disputa social que permeia o deslocamento das pessoas em busca de melhores condições de vida dentro das cidades é a verdadeira razão do que chama de "desastre social" durante eventos climáticos.
"Essa luta por um território, por um espaço, está na raiz dos desastres”, conclui.
Fonte - Sputnik  14/02/2020

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Austrália tem novo recorde de calor, com média de 41,9 graus

Clima  🌏

Nessa quarta-feira (18), já tinha sido batido um recorde com 40,9 graus. No entanto, a maior temperatura no mês de dezembro foi registrada hoje, quando os termômetros atingiram os 49,8 graus na localidade de Eucla, na Austrália Ocidental.O recorde absoluto anterior em dezembro tinha sido registrado em Birdsville, Queensland, em 1972 (49,5 graus).

Por RTP* / Ag.Brasil
Keith Pakenham/EPA/Agência Lusa
A Austrália bateu pela segunda vez o recorde do dia mais quente, com temperatura média nacional de 41,9 graus Celsius, informou hoje (19) o Departamento Meteorológico.
Nessa quarta-feira (18), já tinha sido batido um recorde com 40,9 graus. No entanto, a maior temperatura no mês de dezembro foi registrada hoje, quando os termômetros atingiram os 49,8 graus na localidade de Eucla, na Austrália Ocidental.
O recorde absoluto anterior em dezembro tinha sido registrado em Birdsville, Queensland, em 1972 (49,5 graus).
A Austrália vive uma onda de calor excepcional, que é particularmente preocupante num país já devastado nos últimos meses por centenas de incêndios florestais.
O estado de Nova Gales do Sul, o mais populoso da Austrália, declarou estado de emergência de sete dias por causa dos incêndios.
Cerca de 2 mil bombeiros lutam contra as chamas, que ainda estão incontroláveis em algumas áreas, com o apoio de equipas australianas, dos Estados Unidos e do Canadá.
O último estado de emergência, em meados de novembro, durou sete dias devido ao fogo. O centro de Sydney atingiu máxima de 39 graus.
Pelo menos seis pessoas morreram devido aos incêndios florestais em Nova Gales do Sul, a região mais duramente atingida por incêndios e seca severa. Desde 1º de julho, o fogo afetou uma área de 13 mil quilômetros quadrados.
A temporada de incêndios na Austrália varia de acordo com a área e as condições meteorológicas, embora seja geralmente registrada entre os meses de dezembro e março.
Os piores incêndios observados no país nas últimas décadas ocorreram no início de fevereiro de 2009, no estado de Victoria (sudeste), e deixaram 173 mortos e 414 feridos. A área atingida foi de 4.500 quilômetros quadrados.
*Emissora pública de televisão de Portugal
Fonte - Agência Brasil  19/12/2019

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Mobilização global pelo clima

Meio ambiente/Clima  🌱 🔥 🌊

No próximo dia 20 de setembro, antecedendo a Climate Action Summit da ONU em Nova York, crianças, jovens e adultos do mundo todo estarão unidos em uma grande mobilização. Enquanto lideranças mundiais se reúnem para debater saídas para a crise ambiental, milhares de cidadãos em todos os continentes irão às ruas cobrar medidas rápidas e efetivas para a contenção das mudanças climáticas em níveis seguros para a vida na Terra.
#GreveGlobalPeloClima  #GlobalClimateStrike  #GrevePeloClima

Portogente
Imagem do Freepik.
Pela terceira vez no ano, jovens do movimento Fridays for Future se unem e vão às ruas do mundo todo exigir que os líderes globais ajam para evitar que a temperatura média global ultrapasse 1.5ºC - o máximo aceitável para evitar as catastróficas mudanças climáticas e, assim, proteger o futuro da humanidade.
No próximo dia 20 de setembro, antecedendo a Climate Action Summit da ONU em Nova York, crianças, jovens e adultos do mundo todo estarão unidos em uma grande mobilização. Enquanto lideranças mundiais se reúnem para debater saídas para a crise ambiental, milhares de cidadãos em todos os continentes irão às ruas cobrar medidas rápidas e efetivas para a contenção das mudanças climáticas em níveis seguros para a vida na Terra.
Ao demonstrar o poder das pessoas, os organizadores pretendem tornar essa semana um ponto de virada na história. "Nós, jovens cidadãos, estamos ao lado dos cientistas, que há décadas vêm pesquisando e nos alertando sobre os riscos que corremos. Segundo 99% dos estudos climáticos, nosso tempo de existência na Terra está se esgotando e, a cada momento sem uma atitude climática efetiva, o risco de um colapso ambiental cresce rapidamente", explica Nayara Almeida, do Fridays for Future Brasil.
Além da greve liderada pelos jovens, em alguns países as manifestações vão culminar na Primeira Greve Geral pelo Clima, em 27 de setembro, com o engajamento dos trabalhadores (saiba mais aqui). Juntos, grupos e organizações comunitárias estão organizando ações adicionais durante a "Semana pelo Futuro e pela Justiça Climática", em tradução literal, que acontecerá entre os dias 20 e 27 de setembro. O objetivo é conscientizar mais cidadãos sobre os impactos devastadores dos colapsos climático e ecológico que já estão sendo sentidos em todo o mundo, vitimando especialmente as populações mais vulneráveis.

No Brasil
No País, já são mais de 30 cidades confirmadas para as manifestações dos dias 20 a 27, dentre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Ponta Grossa, Vitória, Manaus e Salvador (veja a lista consolidada aqui). Nas grandes cidades, há intensa participação de ONGs e outras organizações sociais e o movimento tende a crescer com a intensificação da divulgação.
Esta é terceira Greve Mundial pelo Clima que o Brasil participa. A primeira aconteceu no dia 15 de março de 2019 e marcou o nascimento do Fridays for Future no Brasil. Inspirados pelo movimento liderado e criado pela jovem sueca Greta Thunberg, jovens brasileiros se mobilizaram de forma totalmente espontânea e online. Em cerca de cinco dias, já estavam organizados em 24 cidades. Depois dessa primeira greve, os atos semanais continuaram acontecendo no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e São Carlos.
#GreveGlobalPeloClima #GlobalClimateStrike #GrevePeloClima
Fonte - Portogente  17/09/2019

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Floresta Amazônica com a carência de Fósforo fica mais sensível às mudanças do clima

Meio Ambiente  🌱

Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.

Por Rafael Garcia - Revista Amazônia
foto - ilustração/arquivo
Dentre os diversos fatores que influenciarão o modo como a Amazônia vai reagir às mudanças climáticas está a escassez do elemento fósforo na floresta. Esta foi a conclusão de um estudo que realizou simulações usando 14 modelos computacionais de vegetação para entender o que acontecerá com as árvores da região.
Em artigo publicado na revista Nature Geoscience nesta segunda-feira (05/8), um grupo de pesquisadores liderado pelo ecólogo David Lapola, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que o solo pobre em fósforo da floresta pode impedir as árvores de reagir ao aumento de gás carbônico atmosférico associado às mudanças climáticas.
Calcular qual será a reação da cobertura vegetal com a mudança do clima é um dos pontos centrais para estimar o impacto do aquecimento global no Brasil. Uma possibilidade considerada pelos pesquisadores é a de que, submetida a estresse hídrico, a floresta tende a encolher, dando espaço para o avanço de uma vegetação mais típica de Cerrado.
A hipótese da “savanização”, como ficou conhecida, perdeu um pouco de força depois que alguns experimentos em regiões temperadas mostraram que plantas podem ser capazes de superar as dificuldades a serem impostas pela mudança climática. Apesar de as simulações preverem um ambiente mais inóspito para muitas espécies de árvores nas próximas décadas, a maior concentração de gás carbônico (CO2) no ar – uma das causas do aquecimento global – traz algo de bom para as espécies vegetais.
O carbono é um dos principais elementos com o qual as plantas constroem a si próprias, e uma concentração maior disponível na atmosfera poderia ajudá-las a crescer sem gastar muita energia.
Uma classe de experimentos chamada Free-Air Carbon Dioxide Enrichment (Face) indicou que, nas florestas de clima temperado, esse efeito benéfico do CO2 provavelmente vai ajudar árvores a se adaptarem ao novo clima que enfrentarão. Para saber se essa premissa é válida também para florestas tropicais, um consórcio internacional liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) planejou um experimento similar a ser realizado ao norte de Manaus.
A proposta do Amazon-Face consiste essencialmente em borrifar um grande volume de CO2 sobre algumas parcelas de floresta para estudar como as árvores ali reagem a uma maior concentração de carbono no ar. Ainda em fase de implementação, o experimento requer grande preparo, sobretudo o conhecimento de como a floresta se comporta em condições naturais.
Foi em busca de fatores que podem influenciar mais a reação da floresta à mudança climática que pesquisadores do projeto decidiram simular em computador a dinâmica do fluxo de carbono e nutrientes das árvores. No caso, computaram o ciclo de carbono, fósforo e nitrogênio para entender quais medições serão as mais importantes na futura interpretação dos experimentos.
Lapola conta que um experimento nos Estados Unidos verificou, nos primeiros anos após o aumento de CO2, um efeito positivo para as plantas. Mas depois disso o nitrogênio escasso no solo se tornou limitante, a despeito do carbono abundante. “É um bom exemplo do que pode acontecer na Amazônia com a falta de fósforo”, afirma.
Já se suspeitava que o fósforo, por ser escasso na maior parte da extensão de solo amazônico, seria uma peça fundamental no estudo. Ao longo das eras, as árvores da região superaram essa limitação, mas, com a velocidade da mudança climática, o tempo para o surgimento de novas adaptações evolutivas é curto.
“A ciência ainda sabe muito pouco sobre como as plantas da região fazem para burlar essa limitação de fósforo”, diz Lapola. “Muitas árvores em florestas tropicais – incluindo as da Amazônia – obtêm fósforo por meio de interação com fungos. A planta dá açúcar para o fungo, que fornece nutrientes para a planta. Mas não sabemos, por exemplo, se os fungos preservarão sua habilidade de desmineralizar fósforo do solo no contexto de mudança climática.”
Por ora, entram em cena as simulações de computador. Dos 14 modelos matemáticos usados pelos cientistas do Amazon-Face para esse estudo, três consideravam apenas o ciclo de carbono e cinco também levavam em conta o nitrogênio. Outros seis incluíam o fósforo. Quando comparados uns com os outros, os resultados indicaram que a escassez de fósforo dos solos amazônicos comprometeria em cerca de 50% a capacidade das árvores de absorver o carbono extra que estará no ar.
As simulações, contudo, apresentaram grande variação. Medindo a produtividade líquida das plantas em gramas (g) de carbono absorvidos por metro quadrado a cada ano e considerando um cenário de alta concentração de CO2 no ar, as árvores chegariam a um valor de cerca de 160 g. Quando a escassez de fósforo era considerada na equação, porém, esse valor caía. Alguns modelos indicaram uma queda pequena, para 142 g. Outros sugeriram uma queda drástica, para 16 gramas.
A incerteza contida no resultado da pesquisa, diz Lapola, é um incentivo a mais para os pesquisadores levarem adiante o experimento de grande escala do Amazon-Face. O fósforo deverá ser o fiel da balança na hora de determinar como a Amazônia vai reagir à crise do clima. Um aspecto do estudo do grupo de Lapola é indicar que, em um cenário de mudança climática, as árvores amazônicas teriam reduzida sua capacidade de transformar a energia da fotossíntese em biomassa.
“De maneira geral, embora isso não seja exatamente um resultado ruim para a floresta amazônica, é um resultado ruim para o clima global”, afirma Marcos Heil Costa, líder do Grupo de Pesquisa em Interação Atmosfera-Biosfera da Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Os resultados sugerem que a floresta amazônica teria um papel menos importante para sequestrar o carbono emitido pela humanidade por meio da queima de combustíveis fósseis, dificultando cada vez mais estabilizar a concentração de CO2 atmosférico.”
Para Costa, os resultados do Face na Amazônia trariam grande contribuição para lidar com a questão da savanização, mas esta depende também de variáveis como o aumento da duração da estação seca, o total anual de chuvas e a frequência de incêndios, que não estão diretamente ligados à fisiologia das plantas.

Megaprojeto
O Amazon-Face começou em 2014 como um projeto estratégico articulado dentro do então Ministério da Ciência e Tecnologia. Em sua fase 1, antes da construção das primeiras torres de emissão de CO2, o programa teve apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A FAPESP ajudou com auxílio à pesquisa do programa Jovem Pesquisador e um financiamento para mobilidade em colaboração com o Oak Ridge National Laboratory, que tem ampla experiência nesse tipo de experimento.
A estrutura do projeto em sua versão completa prevê a realização do experimento, que ainda não começou, em seis parcelas de floresta circulares, de 30 metros (m) de diâmetro. Em torno de cada uma delas, devem ser construídas 16 torres emissoras de CO2, cada uma com 30 m de altura. Todas são conectadas a um tanque de 50 toneladas de CO2 líquido que as abastecerá e permitirá aumentar a concentração de carbono da área.
Dentro de cada parcela uma torre com instrumentação científica realizará medições atmosféricas e de condições do solo. A concepção original do projeto previa um orçamento inicial de US$ 88 milhões. Com a crise econômica e o escasseamento das verbas federais de pesquisa em 2016, o Face atrasou.
Das seis torres de medição previstas, apenas duas foram construídas e produziram dados por três anos. As simulações descritas agora na Nature Geoscience são parte do projeto e vão subsidiar a análise de resultados mais tarde. O restante da infraestrutura ainda aguarda financiamento.
Um experimento menor que o grupo está realizando no local é testar a reação de árvores jovens, com até 3 m de altura, a um aumento na concentração de CO2. “Nós instalamos no sub-bosque algumas câmaras pequenas, que parecem estufas, com 3 m de altura, para estudar como as arvoretas reagem a um aumento de 50% na concentração de carbono”, conta Lapola. “É importante saber como elas vão se comportar também, porque essas são as árvores que, depois de crescer, dominam o dossel da floresta.”
Fonte - Revista Amazônia  06/08/2019

terça-feira, 7 de maio de 2019

Mais de 200 cidades europeias se unem pelo clima

Meio Ambiente 🌁

Em carta aberta, 210 prefeitos pediram aos chefes de governo e de Estado da UE, nesta terça-feira (7), que elaborem e coloquem em prática uma estratégia climática de longo prazo, durante a reunião de cúpula desta quinta-feira (9) em Sibiu, na Romênia.A carta foi assinada pelos prefeitos de Paris, Londres, Estocolmo, Amsterdã, Oslo, Milão, Atenas e Stuttgart, entre outras cidades da Europa.

Por Deutsche Welle
(agência pública da Alemanha) União Europeia
foto - ilustração/arquivo
Prefeitos de cidades europeias, incluindo Londres, Amsterdã e Paris, apelam a países-membros da União Europeia (UE) a implementar estratégia para que balanço das emissões de CO2 seja zero até 2050.
Em carta aberta, 210 prefeitos pediram aos chefes de governo e de Estado da UE, nesta terça-feira (7), que elaborem e coloquem em prática uma estratégia climática de longo prazo, durante a reunião de cúpula desta quinta-feira (9) em Sibiu, na Romênia.
A carta foi assinada pelos prefeitos de Paris, Londres, Estocolmo, Amsterdã, Oslo, Milão, Atenas e Stuttgart, entre outras cidades da Europa.
Segundo eles, a meta final dessa estratégia deve ser uma atividade econômica que, a partir de 2050, alcance a neutralidade climática, ou o balanço zerado de emissões de CO2. Os prefeitos apoiam, assim, uma proposta feita pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu, que eles chamaram de a única realizável em prol do futuro da Europa e do mundo.
"A Europa deve se tornar uma líder mundial na questão climática. As gerações futuras não vão nos perdoar se não agirmos enquanto ainda tivermos tempos", afirmou a prefeita da Paris, Anne Hidalgo.
A meta atual da União Europeia é reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 40% até o ano de 2030, na comparação com 1990. Em 2020, a UE pretende definir sua estratégia climática até meados do atual século, dentro do que está previsto no Acordo de Paris.
Ontem, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que vai colocar o tema na agenda de Sibiu.
Centenas de organizações não governamentais (ONGs) europeias também convocaram os líderes a agir contra as mudanças climáticas. "Lançamos um sinal de alerta em prol do clima para todos os atuais e futuros políticos europeus", disse o diretor do Climate Action Network (CAN) Europe, Wendel Trio. Ele disse que é hora de os políticos agirem.
As ONGs exigem que a luta contra as mudanças climáticas seja uma prioridade na cúpula de Sibiu, assim como nos debates que antecedem as eleições europeias. A meta deve ser a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2030. Além disso, defendem o fim dos combustíveis fósseis, mais apoio aos países em desenvolvimento para se adaptarem às mudanças climáticas, a proteção da biodiversidade e mais esforços em prol da economia circular, na qual os dejetos são reaproveitados como matéria-prima.
O presidente da Comissão das Conferências Episcopais da EU (Comece), o arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Hollerich, também apoia a iniciativa. "Peço ao futuro Parlamento Europeu, à Comissão Europeia e aos países-membros que adotem medidas urgentes contra as mudanças climáticas", afirmou.
Ele disse ser importante que a transição para uma sociedade de emissões zero seja justa. Para que as pessoas mais pobres também sejam beneficiadas, é necessária a adoção de medidas sociais e de respeito aos direitos humanos.
Fonte - Agência Brasil  07/05/2019

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Desmatamento no Cerrado emitiu 7 bi de gases do efeito estufa em 15 anos

Meio Ambiente  🌱

Os dados são baseados no Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, e foram lançados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) na 24ª Conferência do Clima (COP 24), da ONU, que acontece na Polônia.O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com 2 milhões de quilômetros quadrados, e dá origem a dois terços das bacias hidrográficas brasileiras. 

Portogente 
Divulgação/Ipam
O desmatamento e as queimadas no Cerrado geraram, entre 1990 e 2017, a emissão de 7 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes, que causam o efeito estufa – foram 159 milhões de toneladas só no ano passado, o que equivale a 17% do total de emissões por mudança do uso do solo no Brasil.
Os dados são baseados no Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, e foram lançados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) na 24ª Conferência do Clima (COP 24), da ONU, que acontece na Polônia.
O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com 2 milhões de quilômetros quadrados, e dá origem a dois terços das bacias hidrográficas brasileiras. Mais da metade de sua vegetação nativa foi desmatada, e a maior parte do bioma (45%) abriga pastagens e atividades agrícolas – 12% da soja produzida no mundo sai do Cerrado.
"A agropecuária no Cerrado tem bastante espaço para crescer com sustentabilidade, de forma a aproveitar as áreas já abertas com eficiência, conservação de recursos hídricos e manutenção da vegetação nativa, inclusive a que poderia ser desmatada legalmente", afirma a pesquisadora do Ipam Gabriela Russo, que coordenou o trabalho divulgado na COP 24. "Um caminho é implementar mecanismos de mercado, que remunerem os produtores rurais que tenham mais vegetação nativa do que rege a lei."
Pelas regras do Código Florestal, existem 325 mil km2 de vegetação nativa que podem ser legalmente desmatados no Cerrado, o que geraria 3,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes na atmosfera. Há ainda 25,6 mil km2 de áreas públicas não destinadas no bio­ma, que não estão sujeitas a nenhuma categoria fundiária definida e podem, facilmente, ser alvo de desmatamento irregular e grilagem de terras. Se desmatadas, gerariam mais 200 milhões de toneladas.
"O Cerrado e sua população precisam de apoio. Conservar o que resta do bioma é bom para o clima, para a água que serve boa parte do Brasil, para a agricultura e para as pessoas que ali vivem", diz a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar.
Fonte - Portogente  11/12/2018