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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Desmatamento no Cerrado emitiu 7 bi de gases do efeito estufa em 15 anos

Meio Ambiente  🌱

Os dados são baseados no Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, e foram lançados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) na 24ª Conferência do Clima (COP 24), da ONU, que acontece na Polônia.O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com 2 milhões de quilômetros quadrados, e dá origem a dois terços das bacias hidrográficas brasileiras. 

Portogente 
Divulgação/Ipam
O desmatamento e as queimadas no Cerrado geraram, entre 1990 e 2017, a emissão de 7 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes, que causam o efeito estufa – foram 159 milhões de toneladas só no ano passado, o que equivale a 17% do total de emissões por mudança do uso do solo no Brasil.
Os dados são baseados no Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, e foram lançados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) na 24ª Conferência do Clima (COP 24), da ONU, que acontece na Polônia.
O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com 2 milhões de quilômetros quadrados, e dá origem a dois terços das bacias hidrográficas brasileiras. Mais da metade de sua vegetação nativa foi desmatada, e a maior parte do bioma (45%) abriga pastagens e atividades agrícolas – 12% da soja produzida no mundo sai do Cerrado.
"A agropecuária no Cerrado tem bastante espaço para crescer com sustentabilidade, de forma a aproveitar as áreas já abertas com eficiência, conservação de recursos hídricos e manutenção da vegetação nativa, inclusive a que poderia ser desmatada legalmente", afirma a pesquisadora do Ipam Gabriela Russo, que coordenou o trabalho divulgado na COP 24. "Um caminho é implementar mecanismos de mercado, que remunerem os produtores rurais que tenham mais vegetação nativa do que rege a lei."
Pelas regras do Código Florestal, existem 325 mil km2 de vegetação nativa que podem ser legalmente desmatados no Cerrado, o que geraria 3,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes na atmosfera. Há ainda 25,6 mil km2 de áreas públicas não destinadas no bio­ma, que não estão sujeitas a nenhuma categoria fundiária definida e podem, facilmente, ser alvo de desmatamento irregular e grilagem de terras. Se desmatadas, gerariam mais 200 milhões de toneladas.
"O Cerrado e sua população precisam de apoio. Conservar o que resta do bioma é bom para o clima, para a água que serve boa parte do Brasil, para a agricultura e para as pessoas que ali vivem", diz a diretora de Ciência do Ipam, Ane Alencar.
Fonte - Portogente  11/12/2018

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Emissão de gases de efeito estufa no país aumenta 8,9% em 2016

Meio ambiente  🌁

Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada hoje (25) pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração
As emissões nacionais de gases de efeito estufa subiram 8,9%, em 2016, em comparação com o ano anterior. O país emitiu, no ano passado, 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), contra 2,091 bilhões, em 2015. Com 3,4% do total mundial, o Brasil ocupa o lugar de sétimo maior poluidor do mundo.
Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada hoje (25) pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.
De acordo com o Observatório do Clima, o crescimento é o segundo seguido, já que, entre 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra a queda de 7,4 pontos no Produto Interno Bruto, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6%, em 2016. “O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade”, diz o Observatório do Clima.
Segundo o relatório, a alta de 27% no desmatamento na Amazônia foi a principal responsável pela elevação nas emissões no ano passado. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23%, e foram responsáveis por 51% de todos os gases de efeito estufa lançados pelo Brasil no período.
Os dados apontam também que quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões, com destaque para o setor de energia, com menos 7,3%, puxada pela retração da economia e pelo crescimento da participação das energias renováveis na matriz elétrica.
O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. No sentido contrário, a agropecuária aumentou suas emissões em 1,7%, sendo a principal responsável pelas emissões no país, já que responde por 74% do total.
O aumento é atribuído à crise econômica, já que os abates de bovinos recuaram pelo segundo ano consecutivo, devido à queda de demanda pela carne. Como bois e vacas emitem metano (o gás de efeito estufa mais importante depois do CO2) durante a digestão e pela degradação do esterco, menos gado sendo abatido significa mais bois no pasto e nos currais e mais emissões.
“O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano. Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país”, disse a responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG, Ane Alencar.
Fonte - Agência Brasil  25/10/2017

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Aviação brasileira faz primeiro voo comercial com biocombustível

Aviação

Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
São Paulo - Decolou no início da tarde de hoje (23) do Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, para o Aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, no Distrito Federal, o primeiro voo comercial brasileiro com bioquerosene. A operação com combustível renovável, feita pela companhia Gol Linhas Aéreas, pode reduzir em até 80% a emissão de gases de efeito estufa. A empresa espera disponibilizar cerca de 200 rotas com essa tecnologia durante a Copa do Mundo de 2014. O evento marca o Dia do Aviador, celebrado na data em que Santos Dumont fez o primeiro voo em um avião.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), o combustível de aviação representa, atualmente, cerca de 43% do custo das passagens aéreas. A curto prazo, no entanto, essa mudança não deve repercutir no valor da tarifa. "Com maior adesão a esse tipo de programa, acompanhado de políticas públicas, a tendência é que haja um ganho de escala a ponto de fazer com que esse combustível tenha um custo equivalente ao de origem fóssil. Para nós, já seria uma grande conquista. Essa é a meta do primeiro momento", explicou Paulo Kakinoff, presidente da Gol.
O ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, considera que ainda é cedo para definir uma política pública de incentivo à utilização de biocombustível na aviação. "A consequência que queremos é que essas melhorias signifiquem custos menores, mas é cedo para definir como vamos operar para que essa experiência, que já é viável, seja coletivamente utilizável. Esse é o objetivo da política que vai ser formulada a partir de agora", declarou. Ele esclareceu que, inicialmente, a proposta foi garantir um padrão de sustentabilidade que melhore a vida no planeta.
A tecnologia do biocombustível, exclusiva para a aviação, foi desenvolvida pela empresa norte-americana Amyris, com filial no Brasil, e não necessita de nenhum ajuste do maquinário do avião. "O bioquerosene é uma mudança de paradigma. Você passa a ter, a exemplo do carro a álcool e veículos de biodiesel, também os aviões com essa possibilidade", avaliou Donato Aranda, professor do curso de engenharia química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O processamento do combustível do voo de hoje utilizou uma mistura de óleos vegetais, incluindo o de milho e o de cozinha já usado.
O primeiro voo com essa tecnologia em caráter experimental foi feito no ano passado, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. "De todos os biocombustíveis, esse é o mais novo. E para a adoção de um parâmetro novo na aviação, a segurança exigida é quatro vezes maior do que qualquer outro veículo. É uma tecnologia mais sofisticada", justificou Aranda. Foram pelo menos cinco anos de estudos até que fossem concluídas as validações de especificações técnicas pela indústria aeronáutica e órgãos como a ASTM Internacional (um órgão norte-americano de normalização, originalmente conhecido como American Society for Testing and Materials) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Fonte - Agência Brasil  23/10/2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Emissão de gases de efeito estufa não tem redução efetiva em 2012

Emissão de gases de efeito estufa não tem redução efetiva em 2012
EBC
Foram emitidos no ano passado 71,6 milhões de toneladas de gás carbônico. Houve queda de 35% no total de emissões em relação a 2011, mas isso ocorre porque uma grande organização que participava da pesquisa deixou de publicar seu inventário em 2012

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O inventário do Programa Brasileiro GHG Protocol, estudo desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas, mostra que, no ano passado, a emissão direta de gases que provocam o efeito estufa não teve redução efetiva. Foram emitidos 71,6 milhões de toneladas de gás carbônico. Houve queda de 35% no total de emissões em relação a 2011, mas isso ocorre porque uma grande organização que participava da pesquisa deixou de publicar seu inventário em 2012.
O programa, que completa cinco anos, conta com a participação de 106 organizações. Entre os setores com maior representatividade estão a indústria de transformação (35% das organizações), as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (11%), a eletricidade e o gás (7%) e a construção (7%).
As emissões diretas de gases são as provenientes de fontes controladas pela empresa, como de combustão em caldeiras, fornos, veículos, emissões do processo produtivo, emissões de sistemas de ar condicionado e refrigeração.
O levantamento traz também o volume de emissões indiretas de energia adquirida, provenientes da aquisição de energia elétrica e térmica. Essas emissões ocorrem fisicamente no local onde a energia é produzida, mas são de responsabilidade indireta da organização que a consome. No ano passado, a emissão foi 4,8 milhões de toneladas. Em 2011, a mesma fonte havia somado 3,3 milhões de gás carbônico.
Segundo o estudo, o aumento na emissão ocorre em função de recentes decisões do planejamento energético nacional de aumentar a contribuição de fontes não renováveis de energia na matriz brasileira (como termoelétricas a gás natural e a carvão). Isso gera um aumento nas emissões de gases associadas ao consumo elétrico.
Um terceiro grupo mostrado pela pesquisa foi o de emissões indiretas, que são as atividades não controladas pela organização, mas que ocorrem em consequência de suas atividades. Nele, foram emitidos 282,9 milhões de gás carbônico em 2012.
Fonte  - Agência Brasil  05/08/2013