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quarta-feira, 19 de maio de 2021

‘Ondas de calor estão se tornando mais letais’, alerta pesquisador

Clima/Meio ambiente  🌞

“À medida que o planeta aquece, mais teremos extremos de calor”, afirmou Rahmstorf, considerado um dos cientistas do clima mais influentes do mundo. Estudo feito pela equipe do instituto de pesquisa alemão, em colaboração com colegas da Espanha, já apontava, em 2013, que os extremos mensais de temperatura tornaram-se muito mais frequentes em todo o mundo.

Revista Amazônia
foto - ilustração/twiter
Devido ao aquecimento global, as ondas de calor recordes aumentaram cinco vezes nas últimas décadas e se tornaram um dos desastres naturais mais mortais, com letalidade comparável à de pandemias. O número de 70 mil mortes na França causadas pela onda de calor que assolou a Europa no verão de 2003, por exemplo, só foi superado no ano passado pelo gerado pela pandemia de COVID-19, que vitimou quase 130 mil franceses entre o início de março e o final de abril de 2020. O pico de óbitos causados pelo calor extremo na França naquele ano, contudo, foi superior ao registrado na primeira onda de infecção pelo SARS-CoV-2. Entre março e abril de 2020, o número de mortes diárias causadas pela doença chegou a 2.691 no país europeu. Já em agosto de 2003, mais de 3 mil franceses morreram em um único dia em razão da onda de calor recorde, cuja duração, porém, foi menor que a da pandemia de COVID-19, de pouco mais de três semanas, comparou Stefan Rahmstorf, pesquisador do Instituto Potsdam de Pesquisa dos Impactos do Clima, durante palestra no primeiro dia do 9º Diálogo Brasil-Alemanha sobre Ciência, Pesquisa e Inovação, “Cities and Climate – The Multi-level Governance Challenge”, que a FAPESP e o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH) São Paulo realizam de forma virtual até amanhã (20/05). “À medida que o planeta aquece, mais teremos extremos de calor”, afirmou Rahmstorf, considerado um dos cientistas do clima mais influentes do mundo. Estudo feito pela equipe do instituto de pesquisa alemão, em colaboração com colegas da Espanha, já apontava, em 2013, que os extremos mensais de temperatura tornaram-se muito mais frequentes em todo o mundo. Em média, há agora cinco vezes mais meses quentes recordes em todo o mundo do que se poderia esperar sem o aquecimento global de longo prazo. Em partes da Europa, África e no sul da Ásia, o número de registros mensais aumentou por um fator de até dez, e 80% não teriam ocorrido sem a influência humana no clima, apontaram os pesquisadores em artigo publicado na revista Climatic Change. “Os recordes de calor têm sido quebrados constantemente. Os verões mais quentes na Europa desde 1500 foram, na ordem decrescente, em 2018, 2010, 2003, 2016 e 2002”, afirmou Rahmstorf. Já na região central da América Central, o último recorde de temperatura foi registrado em outubro de 2020, indicou estudo feito por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres (Cemaden), cujos resultados foram submetidos para publicação. “A onda de calor afetou tanto pequenas como grandes cidades nessa região”, afirmou José Marengo, pesquisador do Cemaden e coordenador do projeto. Segundo Rahmstorf, atualmente, o número de dias de calor nas áreas urbanas das cidades é duas vezes maior do que nas áreas rurais próximas. No futuro, entre 2081 e 2100, no cenário mais pessimista de emissões de gases de efeito estufa esboçado no quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a quantidade de dias muito quentes pode aumentar em até dez vezes também nas cidades, causando maior número de mortes em diversos países, incluindo o Brasil. Ainda de acordo com o IPCC, duas vezes mais megacidades apresentam probabilidade de sofrer estresse térmico com um aumento de 1,5 ºC na temperatura do planeta, o que exporia mais de 350 milhões de pessoas ao risco de morte por calor excessivo até 2050. “Para conseguir limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2 ºC e perseguir a meta de mantê-la em 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris, será preciso promover transições rápidas e de longo alcance em setores de infraestrutura urbana, o que inclui transporte, construção e também sistemas industriais. Isso exigirá ações no contexto das cidades”, avaliou Thelma Krug, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e vice-presidente do IPCC. Essas ações no nível das cidades não poderão ser apenas ajustes ou melhorias em alguns setores porque o tipo de mudanças que têm sido imposto pela ameaça climática precisa ser encarado como transformação, ponderou Marc Wolfram, pesquisador do Leibniz Institute of Ecological Urban and Regional Development. “A mudança deve ser realmente holística e abranger não só dimensões sociais, mas também culturais, econômicas e ecológicas. Isso significa que devemos nos perguntar o que isso implica em termos de estratégias que planejamos, se podemos responder de maneira semelhante a outros problemas no passado ou se precisamos de novas abordagens e como seria uma mudança urbana radical”, afirmou Wolfram.

Cooperação Brasil-Alemanha
Um dos objetivos do 9º Diálogo Brasil-Alemanha é fomentar a cooperação em pesquisa entre Brasil e Alemanha na área de cidades e clima, bem como na busca de soluções. “Se por um lado as cidades estão implicadas na geração das mudanças climáticas, por outro também sofrem as consequências das alterações no clima. Por isso, é preciso torná-las mais resilientes”, avaliou Marco Zago, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento. “Nunca houve um tema dessa série de eventos com maior impacto na vida de todos nós, que habitamos cidades pequenas, médias ou grandes, como o clima”, disse Jochen Hellmann, diretor do DWIH São Paulo. Para participar do evento, o público pode se inscrever pelo canal do DWIH São Paulo no Youtube. A íntegra do primeiro dia de discussões pode ser conferida em https://youtu.be/mKA5elf9zik.
Fonte - Revista Amazônia  18/05/2019

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Salvador registra menor temperatura do ano; ventos chegam a 59 km/h

Clima/Tempo  ☁

Segundo a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Cláudia Valéria, apesar de não equivaler a frio intenso, a temperatura já é sentida pelos soteropolitanos, acostumados a períodos quentes e tropicais. Com os fortes ventos que passam pela cidade, a sensação térmica pode ser ainda menor e cair em até três graus. Ontem (4) a capital baiana registrou queda de árvores em virtude da velocidade dos ventos.

Sayonara Moreno
Correspondente da Agência Brasil

foto - ilustração
Na madrugada de hoje (5), os termômetros em Salvador registraram 18,6 graus Celsius (ºC), a menor temperatura do ano na capital baiana. Segundo a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Cláudia Valéria, apesar de não equivaler a frio intenso, a temperatura já é sentida pelos soteropolitanos, acostumados a períodos quentes e tropicais.
Com os fortes ventos que passam pela cidade, a sensação térmica pode ser ainda menor e cair em até três graus. Ontem (4) a capital baiana registrou queda de árvores em virtude da velocidade dos ventos.
“Esta época do ano é comum chover, com pouca intensidade, mas o que mais chama atenção são os ventos fortes, que ontem chegaram a 59 quilômetros por hora (km/h). Na madrugada de hoje tivemos ventos de 53,3km/h e isso faz com que o Inmet lance avisos de perigo potencial até amanhã, porque as ventanias podem provocar a queda de árvores e fachadas de lojas”, explica Cláudia Valéria.
A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) registrou, nesta semana, a queda de quatro árvores, devido às ventanias. Além disso, houve o registro de queda de galhos em, pelo menos, nove bairros de Salvador. Por isso, o órgão declarou estado de alerta e “reforçou o plantão noturno e diurno para o acompanhamento” da situação. As rajadas de vento também ocasionaram a movimentação intensa de areia das praias de Salvador que tem invadido calçadas e vias da orla da cidade.
O mau tempo foi motivo para a suspensão das travessias marítimas de passageiros até o Mar Grande, na Ilha de Itaparica, pelo terceiro dia consecutivo. Segundo a Associação Dos Transportadores Marítimos da Bahia (Astramab), os fortes ventos deixam o mar revolto, o que coloca em risco os passageiros e as embarcações durante as travessias. A associação diz que há a possibilidade de retorno às atividades, amanhã (6), caso os ventos diminuam a velocidade.

Baixas temperaturas
Segundo a meteorologista Cláudia Valéria, baixas temperaturas também foram registradas em algumas cidades baianas, nos últimos dias, sobretudo na Chapada Diamantina e na Região Sudoeste do estado. Na madrugada de hoje a cidade de Piatã registrou temperatura abaixo de 10ºC. As cidades de Vitória da Conquista e Luís Eduardo Magalhães marcaram 11ºC.
Para Salvador, o resto da semana tem previsão de chuvas fracas e sem volume, com intervalos de tempo aberto. Os fortes ventos podem continuar até amanhã (6) e, por isso, o Inmet mantém o aviso de perigo potencial. As temperaturas na capital baiana devem variar entre 20º e 26ºC.
Fonte - Agência Brasil  05/07/2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Fórum climático alerta que limitar temperatura é questão de sobrevivência

Meio ambiente  🌏

Para os países-membros do fórum, cumprir com a meta de 1,5 graus é simplesmente uma questão de sobrevivência", declarou Debasu Bayleyegn Eyasu, que comanda a Direção de Coordenação de Mudança Climática do Ministério de Meio Ambiente da Etiópia, país que preside atualmente o CVF.Eyasu acrescentou que já está ocorrendo "significativo impacto climático" com o atual nível de aquecimento.

Da Agência EFE - Ag.Brasil
foto - ilustração
O Fórum de Vulnerabilidade Climática (CVF), grupo que reúne 50 nações especialmente vulneráveis ao aquecimento global, advertiu hoje (17) em Bonn, na Alemanha, que limitar esse fenômeno a um máximo de 1,5 graus centígrados é "questão de sobrevivência". A informação é da Agência EFE.
"Para os países-membros do fórum, cumprir com a meta de 1,5 graus é simplesmente uma questão de sobrevivência", declarou Debasu Bayleyegn Eyasu, que comanda a Direção de Coordenação de Mudança Climática do Ministério de Meio Ambiente da Etiópia, país que preside atualmente o CVF.
Eyasu acrescentou que já está ocorrendo "significativo impacto climático" com o atual nível de aquecimento. Ele falou em entrevista transmitida pela internet e realizada em Bonn, onde ocorre a reunião dos países do Acordo de Paris para preparar a próxima Conferência do Clima, marcada para novembro nessa cidade alemã.
Um aquecimento adicional "não fará mais do que aumentar os riscos de impactos graves, generalizados e irreversíveis", afirmou.
A presidência etíope destacou que apesar dos graves riscos que enfrentam, os países-membros do CVF, que representam mais de 1 bilhão de pessoas nos cinco continentes, veem em uma "ambiciosa ação climática a oportunidade para prosperar".
"Temos enorme déficit em ação climática", advertiu Emmanuel M. De Guzman, da Comissão de Mudança Climática do Escritório da Presidência das Filipinas, país que precedeu a Etiópia à frente do CVF.
Segundo De Guzman, enquanto existe a possibilidade de frear a mudança climática é preciso aproveitá-la, pois "o fracasso não é uma opção". Para ele, são necessárias ações imediatas e drásticas.
"Os 1,5 graus são nosso limite de oportunidade e esperança", acrescentou.
Segundo Eyasu, "a ação climática pode reduzir riscos, limpar o ambiente, gerar novos trabalhos verdes, limitar a instabilidade econômica e potencializar o uso sustentável de recursos nacionais".
A falta de uma ambiciosa ação climática, disse, "prejudicará muito seriamente" o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a chamada universal à adoção de medidas para pôr fim à pobreza, proteger o planeta e garantir que todas as pessoas gozem de paz e prosperidade
Fonte - Agência Brasil  17/05/2017

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Estudo da OMM diz que 2016 deverá ser o ano mais quente da história

Clima/Meio ambiente 🌅

De acordo com dados preliminares apresentados pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o aumento da temperatura global neste ano será 1,2°C acima dos níveis pré-industriais. Segundo o levantamento, as temperaturas registradas entre janeiro e setembro de 2016 ficaram 0,88°C mais altas do que a média entre 1961 e 1990 (14ºC).

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Ag.Brasil
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou hoje (14) um estudo no qual aponta que 2016 "provavelmente" seja o ano mais quente da história, superando o recorde batido em 2015. De acordo com dados preliminares apresentados pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o aumento da temperatura global neste ano será 1,2°C acima dos níveis pré-industriais. Segundo o levantamento, as temperaturas registradas entre janeiro e setembro de 2016 ficaram 0,88°C mais altas do que a média entre 1961 e 1990 (14ºC). A média é adotada como referência para acompanhar as temperaturas.
O pico de temperatura foi registrado nos primeiros meses do ano devido à intensidade registrada em 2015 e 2016 do fenômeno conhecido como El Niño, que provoca o aquecimento da temperatura das águas em alguns pontos do Oceano Pacífico. O calor oceânico decorrente deste fenômeno contribuiu também para o branqueamento dos recifes de coral e a elevação do nível do mar acima do normal, informou a OMM.
Arquivo/Ag.Brasil
Ainda segundo a entidade, apesar de o calor do El Niño já ter amenizado, os efeitos da subida de temperatura continuarão a ser sentidos no planeta. Também contribuem para a alta das temperaturas as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, acrescenta o estudo. De acordo com a OMM, em 2015, as concentrações médias anuais de dióxido de carbono em todo o mundo chegaram pela primeira vez a 400 partes por milhão.
"Em áreas árticas da Rússia, as temperaturas ficaram 6°C a 7°C acima da média de longo prazo. Em muitas outras regiões árticas e subárticas na Rússia, no Alasca e no noroeste canadense a média foi ultrapassada em pelo menos 3°C", disse por meio de nota o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
O secretário acrescenta que o aumento na frequência de enchentes e de ondas de calor, bem como o aumento do nível do mar, se devem a essas alterações climáticas. Taalas acrescentou que a OMM manterá a posição de apoio para que o Acordo de Paris seja colocado em prática. As formas de efetivar o Acordo estão sendo debatidas na 22ª edição da Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas (COP22) em Marrakesh, Marrocos.
Fonte - Agência Brasil  14/11/2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Salvador registra a menor temperatura do ano com 20,2 graus na madrugada

Clima/Tempo

O registro foi feito pela unidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na cidade.“Para o comum em Salvador, é uma temperatura mais agradável, na madrugada, a menor deste ano. Claro que não podemos chamar de frio, porque acima de 20 graus não se considera frio, mas o soteropolitano, que tem três estações do ano com temperaturas mais elevadas, já se sente um pouco essa mudança”, disse a meteorologista Cláudia Valéria.

Sayonara Moreno
Correspondente da Agência Brasil

foto - ilustração
Com a leve queda nas temperaturas da capital baiana, os soteropolitanos tiraram os casacos do armário. Salvador registrou, na madrugada de hoje (15), a menor temperatura do ano, 20,2 graus Celsius (ºC). O registro foi feito pela unidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na cidade.“Para o comum em Salvador, é uma temperatura mais agradável, na madrugada, a menor deste ano. Claro que não podemos chamar de frio, porque acima de 20 graus não se considera frio, mas o soteropolitano, que tem três estações do ano com temperaturas mais elevadas, já se sente um pouco essa mudança”, disse a meteorologista Cláudia Valéria.
Para os próximos dias, a previsão é que o tempo continue ameno e chuvoso, na capital da Bahia e na faixa litorânea, sem modificações. De acordo com o Inmet, os termômetros vão marcar entre 22ºC e 27ºC, diferentemente de algumas cidades do interior, onde as temperaturas devem baixar mais.
Com a proximidade do período das festas juninas, sobretudo o São João, a meteorologista afirmou que as temperaturas tendem a cair principalmente no Recôncavo Baiano, na Chapada Diamantina e na Região Sudoeste, próximo a Vitória da Conquista, onde as temperaturas têm chegado a 13ºC.
Em todo o estado, as temperaturas devem variar entre 14°C e 34ºC, acompanhadas de chuva em grande parte dos municípios.
Fonte - Agência  Brasil  15/06/2016

sábado, 23 de janeiro de 2016

O pior do El Niño já passou,segundo a NASA

Clima

O fenômeno ocorre quando as águas oceânicas superficiais do Pacífico equatorial começam a esquentar, deslocando o fluxo de água do sul, o que acaba perturbando os padrões de circulação atmosférica e dos oceanos.

Revista Amazônia
No mapa é possível se ter uma ideia
de como foram os últimos 12 meses.
O El Niño é como aquele pior tipo de convidado em uma festa: ele é daqueles que aparece tarde e com fúria para, tropeçar em sua casa e vazar após uma hora. No último mês, estávamos nos perguntando quando ele iria nos deixar, e a NASA disse que o fenômeno climático que causa essa confusão no tempo está ficando menos potente. Isso significa que a gente pode ter atingido o pico do El Niño.
O fenômeno ocorre quando as águas oceânicas superficiais do Pacífico equatorial começam a esquentar, deslocando o fluxo de água do sul, o que acaba perturbando os padrões de circulação atmosférica e dos oceanos. Você pode imaginar o Pacífico equatorial como um gigante caldeirão de água que está fervendo aos poucos nos últimos 12 meses. Em dezembro, este caldeirão começou a ferver, e um pouco mais tarde, todo mundo percebeu que o El Niño chegou pesado. Na Califórnia, choveu torrencialmente, na costa leste dos EUA parecia que era verão. Enquanto isso, o polo norte começou a derreter.
Como a NASA gosta de observar, o El Niño parece assustadoramente parecido com o El Niño de 97-98. Após esse aquecimento, o Pacífico equatorial deveria começar a esfriar, em tese. O fato é que ainda não podemos afirmar isso com certeza, pois precisamos de dados para reforçar essa tese. O satélite Jason-2 tem monitorado o El Niño da órbita da Terra medindo as variações da da altura da superfície do mar e correlacionando com a temperatura do oceano (a água se expande quando é aquecida, causando, fazendo com que o oceano “inche”).
Há ainda um coringa que pode entrar em cena, segundo a previsão da NASA: o aquecimento global. 2015 foi o ano mais quente nos últimos 135 anos, e não foi só o El Niño que contribuiu para isso. O caldeirão gigante de água pode estar ficando mais frio, porém, um idiota ligou um aquecedor na cozinha. Se a tendência geral de aquecimento fará com que o El Niño seja um pouco mais longo, nós ainda não sabemos.
Mas considerando que o El Niño atingiu seu pico, isso significa que o clima voltará a ficar normal em breve? É melhor não se adiantar nas conclusões. Em um comunicado recente, o Centro de Previsão de Clima NOAA disse que o “EL Niño já produziu impactos globais significantes e é esperado que afete a temperatura e os padrões de precipitação nos Estados Unidos durante os próximos meses. A maioria dos modelos indica que um El Niño mais forte ficará fraco com uma transição ENSO (El Niño/Oscilação para o sul) durante o fim da primavera ou no início do verão no Hemisfério Norte”.
O El Niño pode estar indo embora, mas ele não vai para a casa sem deixar estragos.
Fonte - Revista Amazônia  23/01/2016

sábado, 12 de dezembro de 2015

COP 21 aprova fundo de U$S 100 bilhões para limitar aquecimento global a 1,5°C

Internacional

O Acordo de Paris,como foi chamado o documento final da 21ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU),entrará em vigor em 2020.A cada cinco anos,os países deverão prestar contas sobre as ações desenvolvidas para evitar que a temperatura global não aumente mais de 2 graus Celsius. 

Da Agência Lusa
imagem/Ag.Brasil
Representantes de 195 países reunidos na Conferência do Clima (COP21), em Paris, aprovaram hoje (12) acordo final sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa. O acordo prevê a criação de um fundo anual de US$ 100 bilhões, financiado pelos países ricos, a partir de 2020, para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
O Acordo de Paris, como foi chamado o documento final da 21ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) , entrará em vigor em 2020. A cada cinco anos, os países deverão prestar contas sobre as ações desenvolvidas para evitar que a temperatura global não aumente mais de 2 graus Celsius. A redução do aquecimento pretende evitar fenômenos extremos como ondas de calor, seca, cheias, ou subida do nível do mar.
Com a aprovação, o desafio das nações será equilibrar as emissões de gases tóxicos gerados pela ação do homem e os níveis suportados pela natureza. Os países que assinam o documento definiram que as reduções de emissões de gases devem atingir o limite o mais rápido possível, mas não definiram quando o resultado deve ser alcançado. Na conferência, os representantes reconheceram que as nações em desenvolvimento deverão levar mais tempo para atingir as metas definidas.
Fonte - Agência Brasil  12/12/2015

domingo, 2 de novembro de 2014

Aquecimento global: se não houver ação imediata, será tarde demais

Internacional

“Temos uma janela de oportunidade, mas ela é muito curta. O relatório mostra isso. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo intacta”, enfatizou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, durante a apresentação da síntese. 

Giselle Garcia - Correspondente
da Agência Brasil / EBC 
Giselle Garcia/Agência Brasil
A síntese do 5º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), divulgado hoje (2), em Copenhague, na Dinamarca, mostra que se não houver ação imediata das nações para frear o aquecimento global, em pouco tempo, não haverá muito o que fazer. “Se as taxas de emissão de gases de efeito estufa continuarem aumentando, os meios de adaptação não serão suficientes”, aponta o documento.
“Temos uma janela de oportunidade, mas ela é muito curta. O relatório mostra isso. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo intacta”, enfatizou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, durante a apresentação da síntese. Ele ressaltou que ainda há meios para frear as mudanças climáticas e construir um futuro mais próspero e sustentável, mas que a comunidade internacional precisa levar a questão a sério.
O relatório, elaborado com a participação de mais de 800 cientistas de 80 países, mostra que a emissão de gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, tem aumentado desde a era pré-industrial, como consequência do crescimento econômico e da população. De 2000 a 2010, indica o documento, as emissões foram as mais altas da história. “A acumulação de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera alcançaram níveis sem precedentes nos últimos 800 anos”.
Entre 2000 e 2010, a produção de energia por meio da queima de combustíveis fósseis foi responsável por 47% da emissão globais de gases de efeito estufa. A indústria respondeu por 30%, o transporte por 11% e as construções por 3%.
Pachauri enfatizou, ao longo da apresentação, que emissões continuadas tem levado a um aquecimento global contínuo, ao derretimento das geleiras e ao consequente aumento do nível do mar. Nas últimas três décadas foram registrados sucessivos aquecimentos na superfície da Terra, sem precedentes desde 1850. O período entre 1983 e 2012 foi o mais quente dos últimos 800 anos no Hemisfério Norte, de acordo com a síntese. O aquecimento médio global combinado da Terra e dos oceanos no período de 1880 a 2012 foi 0,85 grau Celsius (°C).
O derretimento das geleiras, em especial na Groelândia e na Antártida, geraram o aumento do nível do mar em 19 centímetros de 1991 a 2010. O número é maior do que os registrados nos últimos dois milênios. O relatório alerta, também, para a acidificação dos oceanos em 26% por causa da apreensão de gás carbônico da atmosfera, o que pode ter impacto grave sobre os ecossistemas marítimos.
Ao fazer projeções para o futuro, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. “Se não frearmos as mudanças climáticas, elas ampliarão os riscos já existentes e criarão novos riscos. Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar e por períodos de seca e extremo calor. Eventos climáticos extremos podem levar a desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres. Há também risco de perda da biodiversidade dos ecossistemas”.
De acordo com a síntese, mesmo se houver um esforço das nações para limitar o aquecimento da Terra a 2°C, ainda assim, os efeitos continuarão a ser sentidos por um longo tempo. “Ondas de calor vão ocorrer com mais frequência e durar mais, e precipitações extremas se tornarão mais intensas e frequentes, em mais regiões. Os oceanos vão continuar a se aquecer e acidificar e o nível do mar continuará a subir”.
O relatório enfatiza que, para frear as mudanças climáticas e gerenciar os seus riscos, é preciso que as nações promovam ações combinadas de mitigação e adaptação. “Reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas podem diminuir os riscos das mudanças climáticas e melhorar a possibilidade de adaptação efetiva às condições existentes”. Os cientistas reconhecem, entretanto, que essas reduções demandarão mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e institucionais consideráveis.
Para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que participou da apresentação do relatório, é preciso agir imediatamente. “O tempo não está a nosso favor. Vamos trabalhar juntos para construir um mundo mais sustentável. Vamos preservar o nosso planeta Terra e promover desenvolvimento de maneira sustentável”, disse.
Fonte - Agência Brasil  02/11/2014

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Calor no Rio - Passageiros, motoristas e cobradores de ônibus no Rio sofrem com forte aumento da temperatura

Meio Ambiente

Passageiros, motoristas e cobradores de ônibus no Rio sofrem com forte calor

Cristina Indio do Brasil
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Rio de Janeiro - Em pleno verão, com temperaturas atingindo 50 graus Celsius (ºC) de sensação térmica, os usuários de ônibus sofrem com o calor dentro dos coletivos. Alan Martins é manobrista, mora em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade, e trabalha no centro. Ele pega dois tipos de transporte - primeiro, um ônibus, e depois, um trem, e ainda leva 2h20 para chegar ao trabalho. “É terrível e até uma falta de respeito porque a gente paga um preço alto pela passagem. O trem é lotado, mas tem ar-condicionado. O ônibus não tem, é no calorão mesmo”, disse.
Sebastião Vilar dos Reis é técnico de informática e todos os dias vai de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para o centro. Ele contou que, onde mora, somente uma linha de ônibus tem ar-condicionado e nem sempre pode esperar por ela. O jeito é pegar um ônibus sem refrigeração. Os passageiros abrem as janelas e a ventilação do teto. “Nos ônibus que não têm ar-condicionado, quem está na cadeira do canto tem que vir pendurado nas janelas para ver se pega um vento. Agora, o pessoal que está em pé sofre mais”, acrescentou.
O sofrimento com o calor é ainda maior para motoristas e cobradores. Muitos profissionais passam mal e há motorista que vai parar em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), disse o motorista Marciano Costa.” Se aqui fora faz 50º [Celsius], lá dentro do carro, ao lado do motor, faz 60º. A maioria das vezes, eu trabalho no quentão, já estou até acostumando, tem que trabalhar. É toalhinha para secar o rosto, garrafinha de água do lado para beber toda hora”. explicou.
A cobradora Joelma dos Santos precisou, várias vezes, interromper o trabalho por causa de queda de pressão.” Quando eu trabalhava à tarde, rendia o carro porque a pressão caía. Graças a Deus, tenho trabalhado em carro de ar. Hoje, trabalhei em um quente e não estou legal. Sofri um pouco. Estou meio tonta, não estou normal”, disse ela.
Na avaliação do professor do Centro de Tecnologia e Ciência, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Alexandre Rojas, especialista em transportes, o calor é ruim tanto para o passageiro quanto para o motorista, que fica em contato com o calor por até nove horas de trabalho. “O motorista, com o calor, dirige mal, fica irritado e mais suscetível a um acidente diante de uma situação de desconforto”, alertou em entrevista à Agência Brasil.
Para o professor, o empresário do setor de transportes precisa mudar o conceito que tem do usuário. “Na hora em que o dono da empresa deixar de enxergar o usuário como passageiro e considerá-lo cliente, importante para a sua sobrevivência, tem que passar a oferecer uma qualidade de serviço melhor“, disse.
Na capital, segundo a Rio Ônibus, representante das 43 empresas que operam na cidade, a frota tem 8.700 veículos e somente 18,7% têm ar-condicionado. No estado, de acordo com a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros (Fetranspor), são 20 mil ônibus e, desse total, apenas 3.600 veículos têm o equipamento.
A Secretaria Municipal de Transportes do Rio informou à Agência Brasil que o plano estratégico da prefeitura é chegar a 2016 com 100% da frota de ônibus urbanos equipada com ar-condicionado. A secretaria acrescentou que em 2013, por causa do desequilíbrio tarifário, não houve avanço nesses números. Para a prefeitura, o plano está mantido, mas vai precisar de investimento e, consequentemente, terá impacto tarifário.
A Rio Ônibus informou que no contrato de concessão assinado em 2010 com os consórcios Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz não estava prevista a substituição da frota de ônibus urbanos por veículos equipados com ar-condicionado. “ Depende de determinação da prefeitura do Rio, que estabelecerá os critérios técnicos e a forma de custeio”, disse à Agência Brasil.
No ano passado, a prefeitura chegou a anunciar um aumento de tarifa que passaria de R$ 2,75 para R$ 2,95, mas recuou depois das manifestações populares em junho. Para a Rio Ônibus, o recuo no valor da tarifa, que permanece a mesma desde janeiro de 2012, reduziu a capacidade de investimento dos consórcios e a mudança dos veículos exige o reequilíbrio econômico-financeiro do acordo feito com a prefeitura.
Segundo a Fetranspor, um ônibus urbano convencional custa cerca de R$ 350 mil e esse valor aumenta R$ 50 mil se tiver ar-condicionado. Os gastos, de acordo com a federação, incluem a contratação de mão de obra especializada para a manutenção e a compra regular de insumos relacionados ao equipamento. Em empresas com grandes frotas, esse custo representa cerca de 0,5% do custo mensal de manutenção de cada ônibus. “Além da manutenção, há os gastos com o consumo de combustível, que aumenta de 15% a 20% no alto verão”, acrescentou a federação.
Fonte - Agência Brasil  10/01/2014

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mundo corre o risco de ficar 3,6ºC mais quente, adverte a AIE

Meio Ambiente

Da Agência Lusa
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Paris - O mundo ficará, a longo prazo, 3,6 graus Celsius (ºC) mais quente se os governos simplesmente mantiverem os seus objetivos atuais alertou, hoje (12), a Agência Internacional de Energia (AIE). Os representantes da agência participam em Varsóvia (Polônia) das discussões sobre as alterações climáticas.
No cenário estabelecido pela AIE para os países desenvolvidos, as emissões de gases que provocam o efeito estufa relacionados com a energia, que representam cerca de dois terços do total das emissões, sofrerão um aumento de 20% até 2035, mesmo com os esforços já anunciados pelos países comprometidos com as preocupações ambientais.
Este cenário " leva em conta o impacto das medidas anunciadas pelos governos para melhorar a eficiência energética, o apoio às energias renováveis, a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis e, em alguns casos, a colocação de um preço nas emissões de gás carbônico", disse a AIE no relatório anual de referência, apresentado nesta terça-feira em Londres.
No entanto, o aumento de 20% nas emissões de energia - principalmente as geradas pelo carvão e pelo petróleo e, em menor grau, do gás - dentro de 20 anos "deixa o mundo a caminho de temperaturas médias globais de 3,6°C, bem acima da meta de 2ºC definida internacionalmente", informou a AIE.
Observando o papel fundamental do componente energético no sucesso ou no fracasso da política climática internacional, o departamento de energia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apoiou as iniciativas recentes, entre as quais o plano de ação apresentado pelo presidente americano Barack Obama; o anúncio de Pequim relativo a uma limitação de carvão; e o debate europeu sobre metas climáticas para 2030, salientando que "todas têm o potencial de limitar o crescimento das emissões de gás carbônico".
Fonte - Agência Brasil  12/11/2013