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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Redução de gás carbônico pode aumentar renda da população, diz estudo

Meio Ambiente

Algumas das ações seriam, por exemplo, a recuperação de uma parte da Mata Atlântica, o aumento dos hectares de florestas replantadas, a elevação da participação das fontes renováveis na geração de energia elétrica e o investimento em transporte público de massa para reduzir o uso do carro nas cidades.

Vinícius Lisboa
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Medidas para reduzir as emissões de gás carbônico (CO2) do Brasil até 2030 podem trazer um aumento de renda para as famílias brasileiras, revelam pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).
Algumas das ações seriam, por exemplo, a recuperação de uma parte da Mata Atlântica, o aumento dos hectares de florestas replantadas, a elevação da participação das fontes renováveis na geração de energia elétrica e o investimento em transporte público de massa para reduzir o uso do carro nas cidades.
O trabalho foi apresentado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em setembro, e estima que, se o Brasil for mais ambicioso do que as metas atuais propõem, o país pode ter como resultados, além da redução de emissões, um crescimento maior do Produto Interno Bruto, uma diminuição do desemprego e, em alguns cenários, até o aumento da competitividade da indústria.
O coordenador do estudo, professor Emilio La Rovere, do Programa de Planejamento Energético da Coppe, afirmou que o documento contradiz uma visão do senso comum de que é preciso sacrificar o desenvolvimento econômico para aumentar os esforços de preservação do meio ambiente. "Há possibilidades em que os índices podem crescer ao mesmo tempo em que se diminuem as emissões. O Brasil tem uma opção de desenvolvimento sustentável compatível com a redução da emissão de gases", disse.
O estudo projeta quatro cenários com base em fatores macroeconômicos como um crescimento médio da economia de 3,9% ao ano e barril do petróleo na casa dos 85 dólares. Apesar de este ano a previsão ser de retração e o preço do petróleo estar em torno de 50 dólares, La Rovere disse que o país tem potencial para retomar o crescimento e que o preço da commodity tem um histórico de grandes variações. Outra variável é que a população brasileira vai passar de 220 milhões de habitantes.
Segundo o estudo, em cenário parecido ao anunciado pela presidenta Dilma Rousseff na Organização das Nações Unidas, no mês passado, a renda média das famílias incluídas entre as 16% mais pobres do país seria de R$ 3.691, com a diminuição da emissão de gás carbônico. Em um cenário de esforço maior, haveria um aumento para R$ 3.844. No caso, haveria uma economia ainda mais voltada para o setor de serviços, segundo os pesquisadores, que preveem um mercado com preços maiores, porém desemprego menor.
Pelo menos 60% dos incluídos em uma faixa média de renda teriam seus rendimentos ampliados de R$ 8.772 para R$ 9.077, em 2030. Já os 24% que correspondem às famílias mais ricas teriam um salto de R$ 37.601 para R$ 39.010. Esses números levam em consideração um ambiente internacional em que o Brasil faria mais esforços para reduzir as emissões de CO2 do que os demais países.
Em um ambiente em que todos se dediquem à questão com o mesmo engajamento, o trabalho faz previsões do impacto que teria uma precificação das emissões de gás carbônico em 20 dólares a tonelada ou em 100 dólares a tonelada. Nesse cenário, o Brasil ganharia competitividade na indústria, pois possui uma matriz energética mais limpa que os concorrentes e sofreria menos com a taxação sobre as emissões. A renda das famílias mais pobres e das 60% de renda média crescem ainda mais quanto maior for a taxação.
O grupo com renda mais alta, no entanto, teria uma renda menor que a prevista no cenário com menos esforço pela redução das emissões, por ter uma cesta de consumo com mais produtos que geram mais emissões.
No cenário mais próximo às metas anunciadas pela presidenta Dilma no mês passado, o país reduziria suas emissões de CO2 para 1,3 bilhão de toneladas em 2030, cerca de 5% a menos do que emitia no ano de 1990, porém ainda acima dos 1,2 bilhão emitidos em 2010.
O cenário mais ambicioso reduz as emissões para 1 bilhão de toneladas de CO2, enquanto, em 2005, eram de 2 bilhões. Segundo os pesquisadores, o cenário mais ambicioso custaria investimentos de mais R$ 372 bilhões além dos já comprometidos desde na conferência de Copenhague, em 2009.
Fonte - Agência Brasil  23/10/2015

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Estudo prevê emissão de 3,5 milhões de toneladas de gás carbônico durante as Olimpíadas


Meio Ambiente

Ag.Brasil

A Secretaria de Estado do Ambiente e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), divulgaram nesta quarta-feira (13) um levantamento preliminar com a estimativa de que 3,5 milhões de toneladas de gás carbônico devem ser emitidas no estado, no período das Olimpíadas e dos Jogos Paralímpicos de 2016. Para minimizar os efeitos dessas emissões, 18,5 milhões de mudas serão plantadas até o final de 2015, sendo 16 milhões de árvores nativas da Mata Atlântica e 2,5 milhões de seringueiras, que absorvem mais carbono.
Desde 2009, quando foi assinado o Compromisso Olímpico, 5,5 milhões de mudas já foram plantadas, principalmente no município de Cachoeira de Macacu, na região serrana. Para o secretário do Ambiente, Carlos Minc, a meta de plantio deve ser superior ao número estipulado para combater, também, o aumento da emissão de carbono durante a Copa do Mundo de 2014.
"Nós temos a responsabilidade de plantar árvores para neutralizar todas as emissões de carbono que serão feitas em decorrência das Olimpíadas. Contratamos uma empresa que calculou a quantidade de carbono que será emitida durante o evento. Para abater esse número teremos que plantar 18,5 milhões de árvores, mas como havíamos anunciado anteriormente, vamos manter a meta de tentar plantar 24 milhões”, disse o secretário.
Segundo o levantamento preliminar dos Jogos Limpos – iniciativa da secretaria -, dois terços de todas as emissões de carbono estão vinculadas ao setor de transportes, com 65,36% de liberação. Em segundo está o setor de construção de locais e eventos, com 25%.
Minc acrescentou que o objetivo com esses plantios é garantir menos carbono, mais água e mais biodiversidade. “Sempre nos baseamos naquela ideia de três por um. Estamos plantando árvores para absorver carbono e não aumentar a temperatura do planeta mas, também, para proteger os rios, melhorando os recursos hídricos, além de fechar corredores de biodiversidade, que garantem a não extinção de animais ameaçados no estado", explicou.
Fonte - Revista Amazônia  14/11/2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Levantamento mostra mudança na emissão de gases de efeito estufa no Brasil

Meio Ambiente

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Levantamento divulgado hoje (7) pelo Observatório do Clima indicou uma mudança no perfil das emissões brasileiras de gases de efeito estufa de 1990 a 2012. Apesar de ainda ser a principal responsável pelas emissões, a mudança do uso da terra, item relacionado ao desmatamento, está agora em um patamar muito próximo da poluição gerada pelos setores de energia e agropecuário.
Em 1990, o Brasil emitiu 1,39 bilhão de toneladas de gás carbônico, sendo 815,8 milhões por mudanças no uso do solo. Em 2012, foi enviado para a atmosfera 1,48 bilhão de toneladas do poluente, 476,5 milhões ligados ao desmatamento. Apesar do crescimento das emissões brutas no período ser apenas 7%, a evolução da geração de poluentes é irregular e chegou a registrar elevações expressivas, como os 2,85 bilhões de toneladas verificados em 1995.
“A redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos acaba tornando a contribuição do setor de uso da terra menor em relação ao que era registrado anteriormente, quando a gente tinha cerca de dois terços das emissões vindos desse setor”, ressalta o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. O observatório reúne 35 organizações não governamentais e da sociedade civil interessadas nos efeitos das mudanças climáticas. “Hoje, a gente tem uma participação muito maior da agropecuária e do setor de energia, nos quais as emissões estão crescendo significativamente, e isso representa uma mudança do perfil de emissões”, completa.
foto - ilustração
O setor de energia era responsável, em 1990, pela emissão de 193,1 milhões de toneladas de gás carbônico. Em 2012, passou a gerar 436,7 milhões de toneladas de poluentes. Carlos Rittl alerta que há a tendência de que o setor aumente ainda mais a emissão de gases de efeito estufa. Ele destaca, por exemplo, que o plano colocado para consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia prevê prioridade nos investimentos em combustíveis fósseis nos próximos dez anos. “Ele indica 72% de investimentos em combustíveis fósseis, em todos os investimentos para a área de energia. Isso é preocupante”, diz, ao lembrar das expectativas em relação aos rendimentos do petróleo do pré-sal. “A gente viu a celebração do governo pelo leilão do Campo de Libra, o primeiro grande leilão das reservas do pré-sal”.
Em relação ao setor agropecuário, Carlos atribui o crescimento das emissões principalmente ao aumento do rebanho bovino com práticas pouco eficientes. “Essa nossa pecuária pouco eficiente, com um animal por hectare, com práticas de manejo muito precárias, acaba nos levando a esse aumento significativo de emissões”, ressalta.
Segundo o secretário, a intenção é que a divulgação dos dados ajude a promover um debate mais objetivo e eficiente sobre as maneiras de reduzir a poluição em todos os setores avaliados. “A gente está disponibilizando esses dados e as planilhas para que a sociedade, o cidadão interessado e o tomador de decisão possam ter ciência da trajetória de emissões nos últimos anos, já que os dados oficiais vão somente até 2010”, explica.
Fonte - Agência Brasil 07/11/2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

São Paulo não atinge meta de reduzir emissões de gás de efeito estufa

Foto ilustração - greenvana
Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A meta de reduzir 30% das emissões de gás de efeito estufa na capital paulista entre 2003 e 2012, conforme determina a Lei 14.933 de 1999, não foi cumprida pelo município. O Inventário Municipal de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE), apresentado hoje (12) pela  refeitura, mostra que, além de não alcançar o objetivo, a cidade aumentou a emissão de gás em 2010 e 2011. Foram 16 mil gigagramas de gás carbônico equivalente a mais, o que equivale a um ano de emissões.
No último inventário, divulgado em 2005, mas que analisa dados referentes a 2003, as emissões somavam 15.738 gigagramas de gás carbônico equivalente. De 2009 para 2010, o total de emissão de gases saltou de 15.115 para 16.087 gigagramas de gás carbônico equivalente. Em 2011, o número chegou a 16.430 gigagramas de gás carbônico equivalente.
"Não é aquilo que a gente esperava, apesar de todo o esforço que se está fazendo. É importante deixar claro que a cidade de São Paulo não tem o controle sobre a maioria dessas emissões. A gente tem uma lei muito boa, mas todo esse controle, quase nenhum é nosso. É um início e, apesar de termos um aumento, mostra que a cidade está no caminho certo, que está preocupada com a questão", avaliou o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Teixeira.
O relatório mostra que a grande maioria dos gases (81,9%) são gerados pela queima de combustível e pelo gases que escapam da rede de gás natural. Esses itens compõem a categoria 'energia' do inventário. Cerca de 60% do item queima de combustível, por sua vez, está relacionada ao sistema de transporte.
Para o secretário, esses dados reforçam a importância de aperfeiçoamentos da lei de inspeção veicular que está em discussão no município. "Você percebe que o foco principal é energético. Você tem que ter uma conscientização da população para mudar esse modelo. A inspeção veicular, que está engatinhando no Brasil, tem que ser aperfeiçoada e ser mais rigorosa. É um erro, por exemplo, só a capital fazer e a região metropolitana não", apontou.
O segundo setor que mais contribui para a emissão de gases de efeito estufa, com 15,6%, é o de 'resíduos', que inclui efluentes líquidos (esgoto doméstico e efluentes industriais) e sólidos (disposição em aterros, compostagem e incineração). Os aterros são destaque nessa categoria, pois representam 14% das emissões.
Os gases de efeito estufa relacionados aos setores de energia e resíduos, portanto, somam quase 100% das emissões de São Paulo. "Não era muito claro até agora o perfil dessas emissões. Achava-se que era o sistema de transporte, mas não havia uma métrica que fazia essa avaliação. Agora tem. Agora é mais fácil de atacar setores específicos. Se eu trabalhar com transporte e resíduos, vamos ter altos ganhos no resultado. Temos uma ferramenta para orientação de política". As demais categorias, que são processos industriais (2,4%) e uso da terra (0,1%), têm pequena parcela de contribuição.
Na comparação com Nova Iorque (EUA), São Paulo, apesar de emitir menos gases, tem uma proporção em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) maior: são gerados mais poluentes para produzir a mesma riqueza. Na cidade americana, a relação é de 20 toneladas de gás carbônico equivalente por real. Na cidade brasileira, a proporção é de 39 toneladas de gás carbônico equivalente por real.
Vilela acredita que para possibilitar avaliações mais criteriosas sobre os efeitos dos gases, o período de produção do inventário, que hoje é de cinco anos, deveria ser encurtado. "Fazendo a aferição ano a ano, você avalia quais são os impactos das políticas públicas para as emissões de gás de efeito estufa e dá para estender isso também para a poluição, porque ela impacta diretamente na qualidade de vida das pessoas", declarou.
Fonte - Agência Brasil - 12/03/2013