UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 15 de março de 2018

Sabe quando sei que sustentabilidade não é para valer?

Ponto de Vista/Sustentabilidade  🌱

Quando um alto executivo me diz, sem corar de vergonha, que sustentabilidade é importante, mas as ações para inseri-la na gestão do negócio podem ficar para o ano que vem, quem sabe daqui a dois ou três anos, já que a empresa não se encontra “preparada” para as mudanças necessárias. Ao tentar explicar o que significa “preparada”, os argumentos são tão frágeis quanto a sua noção sobre o conceito ou a sua convicção sobre sua aplicação prática. Mal conseguem encobrir o fato de que não há interesse efetivo no encaminhamento do “assunto” e pronto.

Ricardo Voltolini* - Portogente
Ricardo Voltolini
Como de costume há seis anos, compartilho com o leitor 13 “pérolas” recolhidas ao longo de 20 anos como consultor em sustentabilidade empresarial. A uma primeira olhada, elas podem soar caricatas. Mas, asseguro, correspondem a situações reais enfrentadas no dia a dia do meu trabalho.
Ao reuni-las numa lista, revista e ampliada com a experiência mais recente de 2017, espero juntar munição suficiente para responder à pergunta provocativa do título deste artigo. A ideia é chamar a atenção, sem ser chato ou professoral, para o desafio importante de equiparar a prática com o discurso de sustentabilidade empresarial, quase sempre imerso em terreno arenoso e encoberto por névoas de desconfiança.

Sei que sustentabilidade não é para valer...

1) Quando um alto executivo me diz, sem corar de vergonha, que sustentabilidade é importante, mas as ações para inseri-la na gestão do negócio podem ficar para o ano que vem, quem sabe daqui a dois ou três anos, já que a empresa não se encontra “preparada” para as mudanças necessárias. Ao tentar explicar o que significa “preparada”, os argumentos são tão frágeis quanto a sua noção sobre o conceito ou a sua convicção sobre sua aplicação prática. Mal conseguem encobrir o fato de que não há interesse efetivo no encaminhamento do “assunto” e pronto.

2) Quando a responsabilidade pelo “assunto” é transferida a um profissional júnior, escondido num departamento meramente funcional, sem qualquer poder na organização, que só conhece o CEO por fotografia. A diferença entre sustentabilidade “para valer” e “para constar” está em quanto o tema se encontra mais próximo de quem toma decisões.

3) Quando um executivo afirma que sustentabilidade “está no DNA” da empresa e que, portanto, ela não precisa fazer nada para ser sustentável. Esta afirmação um tanto mítica se baseia na retórica desinformada de que um tema contemporâneo – como é a sustentabilidade – já venha sendo praticado pela empresa há 50, 80 ou 100 anos, porque seus fundadores eram “visionários”.

4) Quando um alto executivo resolve “comunicar” a sustentabilidade “para fora”, sem ter construído a sustentabilidade “para dentro”. A pressa se deve em parte à impaciência na condução de processos de mudança (inclusive de modelo mental), em parte à ansiedade de colher benefícios pontuais de imagem da mensagem de sustentabilidade, antes da ou por causa da concorrência. Se a empresa não consegue convencer os mais próximos de que se preocupa, de verdade, com a sustentabilidade, como espera persuadir os consumidores e a sociedade?

5) Quando o CEO cria um comitê de sustentabilidade e não aparece nem na primeira reunião para deixar claras suas crenças e expectativas. Este tipo de atitude revela que (a) sustentabilidade não é um tema suficientemente importante para o líder investir nele o seu precioso tempo; (b) enquanto não sabe o que fazer com sustentabilidade, cria uma instância interna para dar a impressão de estar preocupado com o tema. Uma pena. Comitês de sustentabilidade, quando bem liderados, podem ser extremamente úteis e efetivos. Mal conduzidos, servem para debate de boas intenções.

6) Quando pergunto a um diretor se a empresa tem uma estratégia de sustentabilidade integrada à estratégia de negócio e ele responde que sim, claro, mas só faz enumerar uma lista de projetos pontuais, periféricos e... completamente descolados da estratégia de negócio na empresa.

7) Quando existe um discurso bonito sobre inovação em sustentabilidade, mas, na prática, nenhuma evidência de ambiente favorável que valorize as contribuições vindas dos colaboradores, fornecedores, clientes e comunidades.

8) Quando o CEO diz já investir o necessário em sustentabilidade. E que só o fará mais quando houver métricas “confiáveis”, que assegurem o retorno para o negócio. A objeção “científica”, neste caso, esconde, quase sempre, um desinteresse pelo tema.

9) Quando o CEO recém-empossado decide interromper as ações de sustentabilidade do antecessor, utilizando argumentos velhos conhecidos de guerra como “reduzir custos”, “resgatar o foco” e “concentrar energia no essencial”. Pior: recebe aplausos do mesmo CEO global que elogiava os programas de sustentabilidade e o “espírito contemporâneo” do antecessor.

10) Quando, mesmo depois de ser apresentado ao conceito de diversidade, o executivo continua achando que isso não tem nada a ver com a “lógica” do negócio. É o mesmo que diz em público que sustentabilidade está na “estratégia do negócio” e, no privado, afirma que ela representa só custo e desvio de foco. Em público, apregoa-se como embaixador da diversidade. No privado, fez comentários preconceituosos contra mulheres, negros e homossexuais.

11) Quando, antes de uma reunião com o CEO, meu zeloso interlocutor resolve fazer um alerta sobre o que ele “gosta ou não gosta” de ouvir sobre sustentabilidade. Encerrada a missa, pede-me para que não ultrapasse 15 minutos de apresentação, já que ele não tem muita paciência para assuntos que não sejam “do negócio”.

12) Quando a executiva de RH da empresa recita em fóruns externos a importância de criar cultura de sustentabilidade nas organizações, mas, em sua própria empresa, aceita fácil a ideia de investir o mínimo básico necessário em programas de desenvolvimento de pessoas para o tema, esquece os valores de sustentabilidade nos processos de recrutamento e seleção e os ignora por completo na perspectiva de carreira das pessoas.

13) Quando os interlocutores diretos na empresa se apoiam no discurso de ética, diálogo franco e transparência, valores que constituem a sustentabilidade, mas interrompem processos sem explicação, dialogam com os parceiros só e quando conveniente e se apropriam de ideias sem remunerar os autores.
*Ricardo Voltolini é diretor-presidente da consultoria Ideia Sustentável
Fonte - Portogente  15/03/2018

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Número de trabalhadores em empresas de grande porte cai 29% em um ano segundo IBGE

Economia  👷

A informação é do primeiro módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua 2012-2016).A publicação indica ainda que 26% da população ocupada (empregadores, trabalhadores por conta própria e empregados, desconsiderando o setor público e os trabalhadores domésticos) trabalhava em empreendimentos de grande porte em 2016. Em 2012, eram no total 72,4 milhões pessoas ocupadas, número que saltou para 75 milhões em 2015, vindo posteriormente a cair para os 73,7 milhões do ano passado – o último ano da pesquisa.

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
O número de trabalhadores ocupados em empreendimentos de grande porte (com 50 trabalhadores ou mais) caiu 29% em relação a 2015. A informação é do primeiro módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua 2012-2016) - Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgado hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A publicação indica ainda que 26% da população ocupada (empregadores, trabalhadores por conta própria e empregados, desconsiderando o setor público e os trabalhadores domésticos) trabalhava em empreendimentos de grande porte em 2016. Em 2012, eram no total 72,4 milhões pessoas ocupadas, número que saltou para 75 milhões em 2015, vindo posteriormente a cair para os 73,7 milhões do ano passado – o último ano da pesquisa.
Na publicação deste mês, a Pnad Contínua apresenta dados estruturais do mercado de trabalho, referentes ao intervalo entre os anos de 2012 a 2016, e não apenas os conjunturais, divulgados mensalmente . A pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy disse que o o objetivo desse primeiro módulo da pesquisa é exatamente o de “investigar algumas características que têm o perfil mais estrutural e menos conjuntural do mercado de trabalho no país, como os indicadores associados à filiação a sindicato, turno de trabalho, cooperativas de trabalho ou produção, registro no CNPJ e o tamanho do empreendimento”.
O percentual daqueles que trabalhavam em empreendimentos de pequeno porte (com até 5 pessoas) subiu de 48,1% para 50,1% entre 2015 e 2016. “Nesse período em que nós observamos, por exemplo, queda na ocupação da indústria – até mesmo as de grande porte tiveram dispensas de trabalhadores –, os empreendimentos de menor porte estavam sendo formados absorvendo pessoas ocupadas”, ressaltou Adriana.

Dados por região
O percentual de pessoas ocupadas (exceto empregados no setor público e trabalhadores domésticos) em empresas de pequeno porte foi maior nas Regiões Norte e Nordeste que nas demais regiões em todos os anos da pesquisa. Em 2016, foram 68% no Norte, 61,7% no Nordeste, 51% no Centro-Oeste, 47,1% no Sul e 42,1% no Sudeste. No período 2012-2016, o percentual aumentou Grandes Regiões, sobretudo no Norte (11,8%) e no Centro-Oeste (10,9%).
Em relação ao percentual de ocupados (excluídos empregados no setor público e trabalhadores domésticos) em empreendimentos com 50 ou mais pessoas, o Sudeste foi a região com maior percentual (31,8%) e o Norte, com o menor, 14,7%. Houve redução de percentual ocupado neste modelo de empresa em todas as regiões, principalmente na Norte (queda de 29,3%).

Formalização via CNPJ
A Pnad Contínua 2012-2016 constatou também o aumento da formalização do emprego via Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), tanto entre os ocupados por conta própria quanto entre os empregadores. Segundo os dados de 2016, 18,9% dos trabalhadores por conta própria e 82% dos empregadores estavam em empreendimentos registrados no CNPJ . Em 2012, os percentuais eram de 14,9% e 75,6%, respectivamente.
A pesquisa aponta também que a formalização profissional é maior entre as mulheres. Em 2016, o percentual de mulheres que trabalhavam por conta própria em empreendimentos com CNPJ era de 20,3%, ante 18,2% dos homens. Já as empregadoras formalizadas eram 86,1% no mesmo ano, enquanto os homens empregadores formalizados chegavam a 80,2%. Em 2016, 30% das mulheres ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria tinham registro no CNPJ, enquanto esse percentual para os homens era de 28,4%.
Em 2016, o aumento do registro no CNPJ ocorreu em todas as Grandes Regiões, contudo em menor intensidade na Norte (3,3% apenas). A Região Nordeste foi a que apresentou o maior aumento no percentual de registrados no CNPJ entre 2012 e 2016, 33,1%, seguida pela Sudeste, com aumento de 21,1%.
Adriana Beringuy destacou a formalização dos trabalhadores via registro no CNPJ. “Muitos podem ser até na função de microempreendedores através do MEI [microempreendedor individual, legislação que dá cidadania empresarial: CNPJ, direitos e benefícios], facilitando o acesso desses trabalhadores conta própria à sua formalização – um prestador de serviço com direito a emitir sua nota fiscal, ter sua própria contabilidade”, explicou.

Sindicatos e cooperativas

A Pnad indica ainda que 12,1% das pessoas ocupadas ou que estiveram ocupadas estavam associadas a algum sindicato em 2016. Eram 16,9 milhões de sindicalizados frente a um total de 139,1 milhões. Segundo o IBGE, é o menor percentual da série que iniciou em 2012 com 13,6% de sindicalizados.
O percentual de sindicalizados era maior entre homens do que entre mulheres: em 2016, foram respectivamente 13,1% de homens ante 11,2% de mulheres sindicalizadas. Houve uma queda maior na sindicalização entre homens do que entre mulheres: em 2012, os percentuais eram respectivamente 15,3% e 11,9%. “Entre 2012 e 2016 foi registrado movimento de redução da sindicalização em todas as Grandes Regiões do país”, afirma o IBGE.

Cooperativas
Apesar do aumento de 11,3% no total de pessoas ocupadas como empregadores ou trabalhadores por conta própria no período analisado, houve redução no percentual de associados a cooperativas, de 6,4% em 2012 para 5,9% em 2016.
A associação a cooperativas de trabalho ou produção era maior entre homens do que entre mulheres. Contudo, essa diferença entre sexos se reduziu de 2,7 pontos percentuais (pp) em 2012 para 1,7 pp em 2016. No ano passado, enquanto 6,4% dos homens ocupados como empregadores ou trabalhadores por conta própria estavam em cooperativas, a proporção entre mulheres era de 4,7%.
Fonte - Agência Brasil  18/10/2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Empresas inadimplentes sobem para 5,1 milhões e devem R$ 119,2 bilhões

Economia  $

Segundo o levantamento, a maioria das empresas inadimplentes é do setor de serviços (46,7), que - comparado a maio do ano passado - teve aumento de 1,5 ponto percentual. No comércio, houve queda de 1,3 ponto percentual, fazendo com que o setor corresponda a 43,7% do total do índice. A indústria responde por 8,7% da inadimplência, queda de 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

Marcelo Camargo/Agência Brasil
O número de empresas inadimplentes no Brasil chegou a 5,1 milhões em maio na maior quantidade registrada desde março de 2015, quando o levantamento da Serasa Experian começou a ser feito.
Na comparação com maio de 2016, houve aumento de 15,9%. O montante alcançado pelas dívidas das empresas foi de R$ 119,2 bilhões, com cada uma tendo em média 11 dívidas, o que totaliza um valor médio de R$ 23 mil.
Segundo o levantamento, a maioria das empresas inadimplentes é do setor de serviços (46,7), que - comparado a maio do ano passado - teve aumento de 1,5 ponto percentual. No comércio, houve queda de 1,3 ponto percentual, fazendo com que o setor corresponda a 43,7% do total do índice. A indústria responde por 8,7% da inadimplência, queda de 0,2 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Segundo economistas da empresa que fez a pesquisa, a retração nas vendas e no ritmo de produção devido à longa recessão pela qual passa a economia brasileira tem debilitado o fluxo de caixa das empresas.
Ao mesmo tempo as dificuldades de acesso ao crédito, que se mantém caro e escasso, prejudica a gestão financeira das empresas. “Tudo isto leva a inadimplência das empresas a patamares recordes, sendo absolutamente necessários que processos de renegociação ocorram entre credores e devedores para que tais dívidas possam ser equacionadas e regularizadas”, dizem economistas.
De acordo com os dados da Serasa, mais da metade das empresas em situação de inadimplência estão no Sudeste do país (53,6). O Nordeste tem 16,7% do total de empresas com dívidas atrasadas e o Sul tem 15,7% do total.

Dívidas por regiões
O Centro-Oeste aparece com 8,5% e o Norte com 5,4% do total dos CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) em negativo no país. Entre os estados, São Paulo apresenta o maior número de empresas negativadas: 32,3% do total. Em seguida, vem Minas Gerais (11,1%) e Rio de Janeiro em terceiro (8,1%).
Empresas que desejarem sair da inadimplência podem renegociar as dívidas atrasadas diretamente com seus credores por meio de um serviço online no site da Serasa. Para isso, deverá se cadastrar gratuitamente no Recupera PJ pelo www.sersarecupera.com.br, onde serão apresentadas as pendências e canais de atendimento disponíveis para efetivar a negociação.
“Nosso objetivo com o Recupera PJ (pessoa jurídica) é reinserir essas empresas no mercado de crédito. Entendemos que este momento de crise econômica é propício para incentivar a aproximação de quem está devendo e quer pagar com quem vendeu ou prestou o serviço e precisa receber”, disse o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian, Victor Loyola.
Fonte - Agência Brasil  17/07/2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Repúdio ao desemprego nas grandes obras paradas

Ponto de Vista  🔍

O facão, ao cortar os empregos, faz desaparecer também os grandes canteiros e os grandes empreendimentos. É bomba arrasa-quarteirão.O desemprego campeia, as grandes empresas baqueiam e os canteiros são fechados.

João Guilherme Vargas Netto-Portogente
foto - ilustração
No quadro enlouquecedor das demissões o que sobra, depois da liquidação de milhares de empregos, são as grandes empresas, onde o facão cortou, mas não as destruiu como faz com as outras, as pequenas e médias.
Assim acontece na indústria, no comércio e nos serviços, mas não acontece na construção civil e nas grandes obras públicas.
Nestes setores o facão, ao cortar os empregos, faz desaparecer também os grandes canteiros e os grandes empreendimentos. É bomba arrasa-quarteirão.
Exatamente por conta disso os índices de desemprego saltam por degraus bem altos na construção civil, afetando poderosamente os indicadores gerais.
Se a construção civil e a construção pesada são, nas vacas gordas, umas das maiores portas de entrada para o mundo do trabalho formalizado, com investimentos públicos e privados e crédito direcionado, o inverso acontece nas vacas magras, sem obras públicas, sem investimentos privados e com escassez de crédito e de recursos estatais. O desemprego campeia, as grandes empresas baqueiam e os canteiros são fechados.
Portanto, as direções sindicais da construção civil e da construção pesada têm uma responsabilidade acrescida na luta contra o desemprego e contra as demissões nos quatros eixos da ação sindical: de resistência, produtivista, das campanhas salariais e do atendimento às dificuldades dos trabalhadores.
O movimento sindical na construção pode e deve, como contribuição maior à luta geral, organizar com enorme repercussão positiva a ocupação simbólica, um abraço ou um rolê nas grandes obras paradas, demonstrando para a sociedade a irracionalidade da situação e a necessidade urgente da retomada dessas obras, estancando o desperdício que a sua paralisação acarreta. Um mapa das grandes obras paradas, nas cidades ou no interior, pode ser um guia para organizar essas lutas de imensa visibilidade.
Estas foram uma ideia forte e uma tática de luta propostas pelas direções sindicais dos trabalhadores da construção – municipais, estaduais, nacionais e internacionais – no recente seminário de planejamento de lutas em 2017, organizado pela Feticom-SP (federação estadual dos trabalhadores em construção e mobiliário), em Mongaguá.
*João Guilherme Vargas Netto é analista político e consultor sindical
Fonte - Portogente 30/01/2017

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Fraudes em empresas de SP podem superar R$ 8 bilhões em evasão de divisas

Economia

Segundo a Receita, esses contribuintes estariam se utilizando de empresas de fachada - situadas em paraísos fiscais - para refaturar mercadorias que deixaram o país com seu valor real reduzido de forma artificial, permitindo que valores que deveriam retornar ao Brasil sejam desviados para outros países. A Receita Federal diz que apura fortes indícios de que esse venha sendo um dos principais mecanismos para a fuga ilegal de capitais do país.

Da Agência Brasil
foto - ilustração
A Receita Federal iniciou uma série de fiscalizações em empresas exportadoras do estado de São Paulo,suspeitas de evasão de divisas do Brasil, informou hoje (4) o órgão. A estimativa é que os autos de infração alcancem valores superiores a R$ 8 bilhões.
Segundo a Receita, esses contribuintes estariam se utilizando de empresas de fachada - situadas em paraísos fiscais - para refaturar mercadorias que deixaram o país com seu valor real reduzido de forma artificial, permitindo que valores que deveriam retornar ao Brasil sejam desviados para outros países. A Receita Federal diz que apura fortes indícios de que esse venha sendo um dos principais mecanismos para a fuga ilegal de capitais do país.
A Receita explicou que a refaturadora é uma empresa sem atividade operacional que se presta exclusivamente a faturar mercadoria que não recebeu acrescendo à nova fatura, valor que não foi atribuído à mercadoria em sua saída do país. Por exemplo, uma mercadoria faturada por 100 tem sua fatura indicando como comprador a refaturadora, que emite nova fatura para a mesma mercadoria com valor de 200. No caso concreto, diz a Receita, são empresas de fachada situadas em paraísos fiscais e vinculadas ao exportador brasileiro (mesmo sócio ou mesmo grupo econômico).

Fraude causa queda no recolhimento de impostos
Para a Receita Federal, o mecanismo também se presta a diminuir de forma indevida a receita das empresas que se utilizam dessa fraude. Com a receita reduzida, diminui também a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), tributos que incidem sobre o lucro das empresas exportadoras.
Além disso, as legislações que tratam da tributação de lucros no exterior e preço de transferência, construídas para aplicação em transações reais e de boa-fé, têm sua eficácia bastante prejudicada pela artificialidade do esquema, segundo a auditora fiscal Márcia Meng, delegada da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes de São Paulo.
Já foram identificadas várias empresas brasileiras que, ao exportar, se utilizam desse tipo de fraude e, por isso, serão investigadas nos próximos meses. Caso as irregularidades e fraudes sejam comprovadas, as empresas serão autuadas, com cobrança de impostos devidos - acrescidos de multas e juros - e das demais penalidades administrativas cabíveis.
Conforme o caso, as empresas e seus administradores também poderão ficar sujeitos a sanções no âmbito penal pelos crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, explicou a Receita Federal.
Fonte - Agência Brasil  04/10/2016

sexta-feira, 18 de março de 2016

Governo Federal pretende leiloar trecho da ferrovia Norte-Sul em 2016

Ferrovias

O lote em questão, que interessa a russos e chineses, compreende o trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), já construído pela estatal Valec, e outro, a ser construído pelo futuro concessionário, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA). O investimento total a ser feito pelo vencedor da concessão, incluindo a compra de trens e vagões, é de R$ 7,8 bilhões.

Folha/UOL
foto - ilustração
Empresas da Rússia e China manifestaram interesse de se associar a brasileiros para disputar a concessão de trechos da ferrovia Norte-Sul, que o governo federal pretende leiloar ainda este ano, disse à Reuters o secretário do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Ministério do Planejamento, Maurício Muniz.
O lote em questão, que interessa a russos e chineses, compreende o trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), já construído pela estatal Valec, e outro, a ser construído pelo futuro concessionário, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA). O investimento total a ser feito pelo vencedor da concessão, incluindo a compra de trens e vagões, é de R$ 7,8 bilhões.
Essas empresas estrangeiras são construtoras e operadoras, e querem um parceiro brasileiro, um sócio operador", declarou Muniz, apontando a RZD Russian Railways e a China Railway Group Limited (Crec) entre as empresas interessadas.
O secretário não especificou se o sócio brasileiro dos estrangeiros seria uma companhia especializada em logística ou, por exemplo, uma empresa negociadora de commodities agrícolas, que estaria entre as beneficiadas pelo projeto.
A Norte-Sul é um dos principais projetos ferroviários em construção no país e tem como principal objetivo funcionar como uma espinha dorsal do sistema, escoando a produção de grãos do Centro-Oeste em direção aos portos da região Norte.
A China, principal importadora de soja do mundo, tem interesse no escoamento de produtos agrícolas pelo Norte, onde novos portos estão ganhando importância na exportação brasileira. Já a Rússia está entre os principais destinos de carnes do Brasil, que exporta hoje tais produtos principalmente pelos portos do Sul/Sudeste.
Procurada pela Reuters, a chinesa Crec preferiu não comentar o assunto. A RZD não respondeu imediatamente.
Segundo Muniz, os estudos sobre os trechos a serem licitados estão sendo validados e devem ser colocados em audiência pública em abril. Depois disso, seguem para aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), antes da publicação do edital.
Dessa forma, disse Muniz, a expectativa é de que o leilão ocorra ainda este ano.
O secretário salientou ainda a importância estratégica da Norte-Sul para o comércio exterior brasileiro, uma vez que conecta o Sudeste e regiões produtoras de grãos do Centro-Oeste aos portos da região Norte, desafogando Santos (SP) e Paranaguá (PR), ao criar também uma rota mais curta para o embarque de cargas com destino aos Estados Unidos e Europa.
"Como temos restrições fiscais, precisamos compensar e acelerar obras com o setor privado", disse Muniz, admitindo que o orçamento do PAC foi sendo reduzido nos últimos anos, para contribuir com os esforços para melhorar as contas do governo.
De um total de R$ 54 bilhões em 2014, o orçamento público do PAC caiu para R$ 41,6 bilhões em 2015 e R$ 26,5 bilhões neste ano.
Fonte - STEFZS  17/03/2016

sábado, 17 de outubro de 2015

Ministério da Fazenda divulga lista com os 500 maiores devedores da União

Economia

A soma dos débitos chega a quase quatrocentos bilhões de reais. E grandes empresas estão nas primeiras posições do ranking.





Imagem - TV Brasil

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

VLT de Cuiabá - Empresas devem apresentar propostas

Transportes sobre trilhos

Termina hoje o prazo para as empresas de auditoria apresentarem propostas de consultoria físico-financeira para a obra do VLT de Cuiabá.A empresa vencedora será responsável por apresentar o relatório de viabilidade financeira do modal, ponto fundamental para a retomada da obra.

Yuri Ramires - Diário de Cuiabá

Acaba hoje o prazo para as empresas de auditoria apresentarem propostas visando à contratação de consultoria para a obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado das Cidades (Secid), 12 empresas participam do trâmite, mas não informou quantas propostas já teriam sido recebidas. Os documentos serão analisados já na próxima semana.
Segundo uma fonte do governo, porém, até ontem nenhuma proposta havia sido protocolada, fato que não foi confirmado. Questionada, a Secid informou que vai divulgar os dados apenas na próxima semana, quando o prazo estiver vencido.
Para o Governo do Estado, o resultado do estudo a ser contratado por até R$ 4,3 milhões é o que vai decidir o rumo da implantação do modal, que está com as obras paradas desde janeiro deste ano e deve continuar assim até o começo de 2016, uma vez que a Justiça determinou a suspensão do contrato da obra pelo período em que o estudo estiver sendo elaborado.
O secretário das Cidades, Eduardo Chiletto, explicou que a contratação dará mais segurança ao Estado, para que a obra do modal possa ser encaminhada de forma viável.
“É importante lembrar que este trabalho é algo que deveria ter sido realizado antes do início da obra. O que a gestão Pedro Taques está fazendo é investir em planejamento, para que o modal seja executado de forma responsável e viável para os municípios de Cuiabá e Várzea Grande”, afirmou o secretário.
A empresa vencedora será responsável por apresentar o relatório sobre viabilidade financeira do VLT, análise técnica sobre o cronograma de térmico das obras, estimativa de demanda de operação nos próximos 20 anos, proposta de integração do modal à matriz de transporte da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, além do cronograma de desembolso do Estado para implantação do VLT.
Além de planilhas orçamentárias, as empresas devem protocolar documentos técnicos que detalhem o modo como o trabalho será desenvolvido, bem como a documentação necessária para a contratação. O estudo deve ser realizado no prazo de 120 dias.
Após o anúncio da empresa vencedora, a assinatura do contrato deve ser realizada na primeira quinzena de outubro.
Enquanto os fatos não são resolvidos, a população aguarda pelas intervenções urbanas que serão realizadas no canteiro do VLT em Cuiabá e Várzea Grande, para melhorar o aspecto das cidades. Por enquanto, não há informações de quando é que vão começar.
Fonte - Diário de Cuiabá  25/09/2015 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Bahia registra abertura de quase 13 mil empresas em 2015

Economia

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-BA) realiza várias ações para estimular a abertura de empresas e também subsidiá-las com informações que contribuam para mantê-las lucrativas.

Secom
foto -  Elói Corrêa/GOVBA
Dos 12,6 mil estabelecimentos que entraram em operação na Bahia nos primeiros seis meses deste ano 88% são de micro, pequeno e médio porte. Os outros 125, de grande porte. Juntas, as 12.725 empresas geram milhares de empregos, que ajudam a aquecer a economia. Independente do tamanho, todas precisam estar registradas na Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb) para iniciar a atividade. As 32 unidades da Juceb estão distribuídas em todas as regiões da Bahia e, segundo o presidente da entidade, Antônio Carlos Tramm, o conjunto de serviços da RedeSim está sendo ampliado para agilizar o processo de abertura de empresas no estado.
A RedeSim é um sistema informatizado que busca desburocratizar o processo de abertura e alteração de empresas, integrando os órgãos públicos envolvidos no registro de empresas como Junta Comercial, Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-BA) e prefeituras. “Já temos a RedeSim conveniada com mais de 30 municípios. O objetivo é possibilitar rapidez, eficiência e agilidade no serviço prestado ao pequeno, médio e grande empresário”.

Consultoria
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-BA) realiza várias ações para estimular a abertura de empresas e também subsidiá-las com informações que contribuam para mantê-las lucrativas. De acordo com a gerente adjunta do Sebrae - Regional Salvador, Mariana Cruz, entre os serviços prestados estão capacitações na gestão das empresas. “Nesta área tem sido identificada grande dificuldade por parte dos empresários". Segundo ele, em razão disso, são realizados consultoria e cursos nas áreas de inovação e sustentabilidade. "Neste momento de crise na economia, ela [a consultoria] é bastante requisitada porque há necessidade de manutenção e ampliação das vendas pelos pequenos negócios”.

foto -  Carol Garcia/GOVBA
Proprietário de uma academia na região central de Salvador há 15 anos, Manoelito Cerqueira recebe consultoria do Sebrae desde o início da atividade. Para ele, o custo-benefício é positivo, principalmente, quando o cenário econômico não é favorável. “O Sebrae direciona um consultor no início do ano para fazer um planejamento estratégico. Fizemos um planejamento de custo em que foi contemplado o consumo de materiais, hora e número de funcionários. Este encaminhamento é feito e acompanhado por um técnico do Sebrae”.
Entre as medidas adotadas, este ano, estão o remanejamento de pessoal, por meio da redução de horas trabalhadas. Segundo o empresário, até os materiais descartáveis foram trocados por equipamentos de uso permanente e coletivo. “Houve a substituição de papel toalha por secadores de mão e os copos plástico trocamos por squeezes [garrafas de plástico, geralmente utilizada em provas de exercício físico], que, além de fazer o marketing [divulgação] da academia, diminuiu bastante o uso de copos”. Para saber como ter acesso aos serviços do Sebrae, os interessados podem acessar o site do Sebrae-Bahia ou entrar em contato pelo telefone 0800 570 0800, inclusive, para agendar atendimento presencial.
Fonte - Secom Ba.  23/07/2015

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Seis executivos se tornam réus no processo do cartel do Metrô de SP

Metrô de SP

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MP-SP), em maio deste ano, argumenta que o crime de cartel ocorreu durante a reforma das Linhas 1 (Azul) e 3 (Verde) do Metrô de São Paulo e a modernização de 98 trens dessas linhas. As práticas anticoncorrenciais nos procedimentos licitatórios ocorreram no governo de José Serra (PSDB), entre 2008 e 2009.

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Seis executivos de empresas envolvidas no cartel do metrô de São Paulo se tornaram réus na Justiça do estado. São eles Telmo Giolito Porto, da empresa Tejofran; Adagir Abreu, da empresa MPE; Cesar Ponce de Leon, da empresa Alstom, além de três executivos da empresa Temoinsa: Wilson Daré, Maurício Memória e David Lopes.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MP-SP), em maio deste ano, argumenta que o crime de cartel ocorreu durante a reforma das Linhas 1 (Azul) e 3 (Verde) do Metrô de São Paulo e a modernização de 98 trens dessas linhas. As práticas anticoncorrenciais nos procedimentos licitatórios ocorreram no governo de José Serra (PSDB), entre 2008 e 2009.
Segundo a denúncia, as empresas fizeram acerto para evitar a concorrência na licitação por meio de consórcios, sempre com divisões pré-determinadas dos objetos dos contratos. O valor total dos contratos, nesse período de dois anos chegou a R$ 1,75 bilhão.
O MP pediu a prisão preventiva de César Ponce de Leon, negada pela Justiça. O requerimento do MP solicitava comunicação à Polícia Federal e à Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal. Segundo a promotoria de Justiça, o executivo é estrangeiro e não foi localizado para ser ouvido nas investigações uma vez que moraria no exterior. Por estar fora do país, César poderia escapar de responder ao processo criminal.
“O fato de ser o réu estrangeiro e morar no exterior, por si só, não traz a presunção absoluta de que pretenda frustrar a aplicação da lei penal ou atrapalhar o trâmite processual através de eventual fuga”, diz a decisão da juíza Cynthia Maria Sabino.
O MP-SP chegou a denunciar à Justiça, no mês passado, 11 executivos de empresas do setor ferroviário e um funcionário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) por formação de cartel em contratos firmados em 2007 e 2008. As empresas teriam dividido entre si três contratos administrativos, combinando as propostas a serem apresentadas nas licitações.
Em nota, o grupo Tejofran informou que jamais participou de qualquer tipo de cartel e que defende a lisura da atuação de seus funcionários, que seguem rigorosos mecanismos de controle. “[O grupo] esclarece ainda que, em relação aos contratos citados, tentou participar de três processos mas foi desqualificado de todos eles, mesmo recorrendo nas esferas administrativa e judicial. Obteve contrato somente do edital que foi desmembrado pelo Metrô. Mensagens citadas no inquérito tratam de tentativas da formação de um consórcio que nem mesmo se efetivou. A empresa coloca toda sua contabilidade à disposição da Justiça, o que permitirá comprovar que não houve sobrepreço”, diz a nota.
A Alstom disse apenas que “respeita as leis brasileiras e as regras dos editais das licitações de que participa”. A Agência Brasil não conseguiu contato com as empresas MPE e Temoinsa.
Fonte - Agência Brasil  25/06/2015

sexta-feira, 17 de abril de 2015

MP de São Paulo denuncia executivos por cartel em contratos com CPTM

Política

“As empresas dividiram o mercado e o preço final superfaturado, direcionando cada licitação e sabendo previamente qual empresa seria a vencedora de cada um dos contratos e quais os preços de cada uma, o que fazia com que as outras empresas que participavam do cartel ofertassem suas propostas a preços superiores, ou simplesmente não participassem da concorrência na referida licitação, deixando de oferecer proposta”, diz a denúncia.

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil 
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O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça 11 executivos de empresas do setor ferroviário e um funcionário da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) por formação de cartel em contratos firmados para o fornecimento de trens e materiais ferroviários na execução de três projetos da empresa, firmados em 2007 e 2008. De acordo com a denúncia, as empresas dividiram entre si três contratos administrativos, combinando as propostas a serem apresentadas nas licitações.
“As empresas dividiram o mercado e o preço final superfaturado, direcionando cada licitação e sabendo previamente qual empresa seria a vencedora de cada um dos contratos e quais os preços de cada uma, o que fazia com que as outras empresas que participavam do cartel ofertassem suas propostas a preços superiores, ou simplesmente não participassem da concorrência na referida licitação, deixando de oferecer proposta”, diz a denúncia.
A acusação é resultado de investigação criminal feita a partir de documentos encaminhados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da análise das licitações, que demonstram práticas anticoncorrenciais nos procedimentos instaurados pela CPTM.
Foram denunciados David Lopes e Wilson Daré, executivos da Temoinsa do Brasil Ltda.; César Ponce de Leon, Luiz Fernando Ferrari e Ruy Grieco, executivos da Alstom Transport S/A; José Manuel Uribe Regueiro, da CAF Brasil – Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles S/A; Carlos Levy, executivo da Bombardier Transportation Brasil Ltda/ DaimlerChryler Rail Systems (Brasil) Ltda.; Mauricio Memoria; Manuel Carlos do Rio Filho e Telmo Giolito Porto, da Tejofran – Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda; Massimo Giavina-Bianchi, da T’Trans – Trans Sistemas de Transportes S/A; e Reynaldo Rangel Dinamarco, quer era presidente da Comissão de Licitações da CPTM.
Todas as empresas e a CPTM foram procuradas, mas, até a publicação da matéria, apenas a Tejofran respondeu. Em nota, a Tejofran informou que não foi notificada da denúncia, mas reitera que participou de consórcios conforme permitido pela legislação. “A empresa obedeceu exatamente as disposições do edital e fez todos os serviços previstos em contrato, com preços competitivos. Esclarece ainda que se trata da mesma matéria que tramita no Cade, para a qual a empresa já apresentou defesa, ainda não julgada. E, conforme sua postura de seguir os mais rigorosos padrões éticos, coloca-se à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários."
Fonte - Agência Brasil  17/04/2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pedidos de falência das empresas caem 11,7%, mostra Serasa

Economia

Serasa Experian mostra que caíram pedidos de requerimentos de falências.Na comparação com janeiro de 2014, o número de pedidos caiu 8,9%.Dos 113 requerimentos de falência de janeiro, 65 vieram de micro e pequenas empresas, 22 de médias empresas e 26 de grandes empresas.

Fernanda Cruz
Repórter da Agência Brasil 
Arquivo/Agência Brasil
São Paulo - Os requerimentos de falências somaram, em janeiro, 113 pedidos em todo o país, uma queda de 11,7% em relação a dezembro, mostra a empresa de consultoria Serasa Experian. Na comparação com janeiro de 2014, o número de pedidos caiu 8,9%.
Dos 113 requerimentos de falência de janeiro, 65 vieram de micro e pequenas empresas, 22 de médias empresas e 26 de grandes empresas.
Os requerimentos de recuperações judiciais aumentaram 39,6% em janeiro, quando comparados ao mês anterior. Foram 74 solicitações no primeiro mês deste ano, contra 53 em dezembro. As micro e pequenas empresas lideraram os requerimentos de recuperação judicial com 48 pedidos, seguidas pelas médias grandes empresas, com 13 pedidos cada.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, a queda dos pedidos de falências em janeiro, na comparação com dezembro, é reflexo do impacto positivo no caixa das empresas das vendas de final de ano.
Fonte - Agência Brasil  04/02/2015

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Justiça bloqueia bens de empresas investigadas em cartel de trens em São Paulo

Política

Entre os suspeitos de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro estão ex-diretores de estatais paulistas, servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais. As investigações indicam que empresas que disputavam contratos de construção, manutenção e compra de equipamentos para o sistema de trens e metrô combinavam preços, formando cartel para, com a participação de servidores, aumentar os valores cobrados.

Elaine Patricia Cruz 
Repórter da Agência Brasil
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Seis empresas investigadas por participação no esquema de cartel nos trens e no metrô de São Paulo tiveram as contas bloqueadas pela Justiça Federal. A decisão, da última sexta-feira (12), é do juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara da Justiça Criminal Federal de São Paulo.
Segundo a Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo, as seis empresas, cinco delas estrangeiras e uma brasileira, tiveram R$ 600 milhões bloqueados pela Justiça. Como o processo corre sob sigilo, o nome das empresas não foi divulgado.
No dia 1º, a PF concluiu o inquérito sobre o esquema de formação de cartel em licitações do sistema de trens e metrô de São Paulo e o encaminhou à Justiça Federal. De acordo com a assessoria da PF, convencidos dos indícios obtidos contra os suspeitos, os delegados responsáveis pelo inquérito indiciaram 33 pessoas por envolvimento com o esquema. A PF não revelou o nome dos indiciados.
Entre os suspeitos de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro estão ex-diretores de estatais paulistas, servidores públicos, doleiros, empresários e executivos de multinacionais. As investigações indicam que empresas que disputavam contratos de construção, manutenção e compra de equipamentos para o sistema de trens e metrô combinavam preços, formando cartel para, com a participação de servidores, aumentar os valores cobrados.
A parte do processo envolvendo investigados ligados ao metrô e à CPTM está sob responsabilidade da Justiça Federal em São Paulo. A que envolve políticos com foro especial tramita no Supremo Tribunal Federal.
No dia 5 de dezembro, o Ministério Público de São Paulo entrou com ação civil pública pedindo a anulação de três contratos firmados entre os anos de 2002 e 2007 com empresas acusadas de participação em cartel e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Os contratos, segundo o promotor Marcelo Milani, dizem respeito à manutenção corretiva e preventiva de trens da CPTM.
Os quatro promotores que assinam a ação pedem, além da anulação dos contratos, o ressarcimento integral dos valores firmados nos três contratos, acrescidos de 30% referentes a uma indenização por dano moral coletivo [que chegaria ao valor de R$ 112.480.625,97]. Com isso, o valor a ser ressarcido aos cofres públicos alcançaria R$ 418 milhões.
Fonte - Agência Brasil  15/12/2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Faturamento da indústria avança 3,1% em outubro

Economia

A alta é a quarta consecutiva, mas não foi suficiente para reverter o quadro negativo de janeiro a outubro, período em que há queda de 1,7% ante os mesmos meses de 2013. Na comparação com outubro do ano passado, há alta no faturamento, de 1,3%. 

Mariana Branco 
Repórter da Agência Brasil 
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O faturamento da indústria cresceu 3,1% em outubro ante setembro. A alta é a quarta consecutiva, mas não foi suficiente para reverter o quadro negativo de janeiro a outubro, período em que há queda de 1,7% ante os mesmos meses de 2013. Na comparação com outubro do ano passado, há alta no faturamento, de 1,3%. Os dados estão na pesquisa Indicadores Industriais, divulgada hoje (2) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
As horas trabalhadas e a utilização da capacidade registraram queda. As horas trabalhadas caíram 0,3% ante setembro deste ano e 4,9% na comparação com outubro de 2013. Já a utilização da capacidade instalada, que ficou em 80,6% em outubro, está 0,5 ponto percentual menor na comparação com setembro e 1,7 ponto percentual inferior à registrada em outubro do ano passado. Como resultado da atividade fraca, o emprego no setor recuou, caindo 0,1% comparado com setembro e 2,8% ante outubro de 2013.
O levantamento mostrou ainda que, apesar da atividade e emprego em queda, houve crescimento da massa salarial real de setembro para outubro, de 0,7%. Na média acumulada de janeiro a outubro também houve alta, de 2,4%, ante igual período em 2013.
O rendimento médio real, por sua vez, cresceu 0,7% entre setembro e outubro e 2,7% no acumulado do ano. Segundo a CNI, “o resultado mostra certa inércia nos reajustes dos salários da indústria, que seguem avançando em termos reais (…) Tal comportamento tende a pressionar os custos com pessoal e, consequentemente, dificultar a recuperação do setor”.
Fonte - Agência Brasil  02/12/2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Taxa de juros para as famílias registra em agosto primeira queda do ano

Economia

Para as empresas, também houve queda (0,3 ponto percentual), com taxa em 22,8% ao ano.Esses dados são do crédito com recursos livres, em que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros.

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Marcello Casal/Agência Brasil
A taxa de juros para as famílias chegou a 43,1% ao ano, em agosto, com redução de 0,1 ponto percentual, em relação a julho. Essa foi a primeira queda, deste ano, na taxa de juros para pessoas físicas registrada nos dados do Banco Central (BC). Para as empresas, também houve queda (0,3 ponto percentual), com taxa em 22,8% ao ano.
Esses dados são do crédito com recursos livres, em que os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros.
No caso do direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura), a taxa de juros para as empresas caiu 0,2 ponto percentual e 0,1 ponto percentual para as famílias e ficou 8% e em 8,1% ao ano, respectivamente. A inadimplência ficou estável em 0,5% para as empresas e em 1,8% para as famílias.
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 2,864 trilhões em agosto, com alta de 1% no mês e de 11,1% em 12 meses. Esse saldo correspondeu a 56,8% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, com alta de 0,2 ponto percentual em relação a julho. A inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) ficou estável em 6,6% para as famílias e subiu 0,1 ponto percentual para as empresas (3,6%).
Fonte - Agência Brasil   26/09/2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Contratação em empresas foi 3,7% maior em 2012

Economia

O número é 3,7% superior ao observado em 2011, quando os estabelecimentos empregaram 32,7 milhões de pessoas. O dado é da pesquisa Demografia das Empresas – 2012, divulgada hoje (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Vitor Abdala 
Repórter da Agência Brasil 
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As empresas brasileiras empregaram 33,9 milhões de pessoas assalariadas em 2012. O número é 3,7% superior ao observado em 2011, quando os estabelecimentos empregaram 32,7 milhões de pessoas. O dado é da pesquisa Demografia das Empresas – 2012, divulgada hoje (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa é, no entanto, a menor taxa de crescimento registrada pela pesquisa desde 2009, ano do segundo levantamento feito pelo IBGE. A Demografia das Empresas começou em 2008 e, portanto, só foi possível fazer comparações no ano seguinte. Os crescimentos anteriores tinham sido 6,1% em 2011, 9,1% em 2010 e 4,7% em 2009.
O crescimento dos postos de trabalho assalariados em 2012 foi conseguido pelos 3,7 milhões de empresas chamadas de sobreviventes, ou seja, que já existiam em 2011. Nesses empreendimentos, os postos de trabalho passaram de 31,7 milhões em 2011 para 33 milhões em 2012.
As 799,4 mil empresas que deixaram de existir levaram consigo 453,1 mil postos de trabalho, mais do que em 2011 (quando 864 mil empresas acabaram, junto com 410,4 mil postos assalariados).
As empresas novas empregaram menos pessoal assalariado do que em 2011. As 860 mil novas empresas de 2012 criaram 950,5 mil postos de trabalho, enquanto em 2011, os 871,8 mil novos empreendimentos trouxeram consigo 980,1 mil pessoas ocupadas assalariadas.
Analisando-se os setores da economia, as empresas dos segmentos da indústria da transformação e do comércio empregavam 17,1 milhões de trabalhadores assalariados em 2012, o que representa cerca da metade da força de trabalho de 33,9 milhões do país.
De acordo com o levantamento, o setor de comércio e reparação de veículos automotores empregava 8,8 milhões de pessoas, enquanto a indústria da transformação respondia por 8,3 milhões de postos de trabalho.
Outros setores importantes são atividades administrativas e serviços complementares (3,7 milhões), construção (3 milhões), transporte, armazenagem e correio (2,4 milhões) e alojamento e alimentação (1,7 milhão).
Fonte - Agência Brasil  24/09/2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Trens já substituem rodovias nas empresas de logística

Transporte sobre trilhos

Antes afastadas dos trilhos pela falta de investimentos nas Ferrovias brasileiras, essas companhias estão buscando parceiros logísticos privados na área para fugir da imprevisibilidade e também buscar redução de custos. Apesar de os trajetos serem mais longos de trem, em alguns casos a opção leva a uma economia de até 20% em relação aos caminhões.

Brasil Econômico
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Mesmo com o programa de concessões públicas do setor parado, empresas exportadoras brasileiras que utilizam as rodovias para levar suas mercadorias até os portos estão agora migrando para o modal ferroviário. Antes afastadas dos trilhos pela falta de investimentos nas Ferrovias brasileiras, essas companhias estão buscando parceiros logísticos privados na área para fugir da imprevisibilidade e também buscar redução de custos. Apesar de os trajetos serem mais longos de trem, em alguns casos a opção leva a uma economia de até 20% em relação aos caminhões.
Na opinião do especialista em infraestrutura da consultoria Inter.B, Cláudio Frischtak, a visão dos empresários vai além do cenário presente: eles estão se preparando para um futuro próximo, que tende a ser de aumento nos custos do transporte. "A tendência nos próximos meses é que haja reajuste no preço dos combustíveis. Um aumento virá de uma forma ou de outra. A ANTT (Agência Nacional De Transportes Terrestres) acaba de aumentar pedágio em nove estradas", lembrou Frischtak. "O que os empresários embarcadores estão fazendo é olhar com muito mais cuidado a opção Ferroviária. As decisões não são tomadas somente hoje. Eles avaliam custos futuros", ressaltou.
Com o reajuste dos combustíveis, o diesel utilizado pelos trens também sobe. Mas, para Frischtak, a balança fica menos desigual. Ele considera que o país ainda tem uma matriz "invertida", com excesso de peso nas rodovias, mas está havendo uma mudança no preço relativo dos transportes que deve levar a uma "maior racionalização" dos modais. "A preferência para quem transporta grãos e carga geral é pelo modal ferroviário. Mas, historicamente, as empresas optaram pelo rodoviário porque não há oferta e flexibilidade suficientes no transporte por trens no país", afirmou. "O problema não é de demanda. Na medida em que haja oferta, eu acho que a tendência hoje é de migração para as ferrovias", acrescentou
A gigante JBS é um dos exemplos de empresas que cederam às vantagens das Ferrovias. A companhia deve transportar este ano cerca de 125 mil toneladas de carne por trens, um crescimento significativo em comparação às 18 mil toneladas movimentadas em 2013. As cargas saem das unidades instaladas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e São Paulo de caminhão, chegam ao terminal ferroviário em Cambé (PR) e percorrem o trecho de aproximadamente 500 quilômetros até o porto de Paranaguá de trem, onde são exportadas. Com a utilização da rota Ferroviária, consegue obter uma economia de 15% a 20% em comparação com o modal rodoviário.
A Floresta Real, exportadora da madeira nobre teca, também optou recentemente pelo ramo ferroviário. No caso da empresa, não pela questão dos custos que, no negócio, acabam se igualando aos do transporte rodoviário mas, pela pontualidade do serviço. "Optamos em trabalhar com modal ferroviário pela regularidade. Esse é o principal elemento. Com a Ferrovia, conseguimos ter planejamento, estabilidade e cumprir os cronogramas. Como exportadores, temos compromissos no exterior que precisam ser cumpridos no prazo e regularidade na entrega é fundamental", afirmou o sócio-diretor da empresa, Eduardo Medeiros.
Segundo ele, a empresa não quer correr o risco de passar por experiências como as dos produtores de soja que, com as dificuldades enfrentadas pelos caminhões nas estradas, não conseguiram fazer os embarques em Santos e Paranaguá e na última hora precisaram redirecionar as mercadorias para o porto do Rio Grande, para evitar a perda de contratos. Por isso, há pouco mais de um ano, passou a operar por trem, via terminal de Rondonópolis.
Outro fator que tem contribuído com a opção das empresas ferroviárias é a modernização que o setor privado está imprimindo ao modal, a despeito dos entraves no programa de concessões governamentais. Atenta às necessidades desse nicho, a operadora intermodal Brado apostou em investimentos no Transporte Ferroviário por containers e já colheu os frutos. A empresa fechou o segundo trimestre de 2014 com crescimento de 18% no volume transportado, na comparação com o mesmo período de 2013. "A demanda pelo nosso serviço vem aumentando a cada dia. Para atendê-la, estamos comprando mais duas locomotivas e 300 vagões em 2014. Já deixamos de ser uma empresa que roda só na Malha Ferroviária própria para operar como parceira em outras malhas", afirmou o diretor financeiro da empresa Adriano Bernardi.
Fonte - Revista Ferroviária  03/09/2014

domingo, 31 de agosto de 2014

Putin avisa União Europeia da dificuldade de voltar ao mercado russo

Internacional

"O perigo para os nossos fornecedores tradicionais é que quando a empresa se instala em um mercado, neste caso o russo, afastá-la depois vai ser muito difícil, ou até impossível", disse Putin em declarações à televisão pública do país.

Da Agência Lusa 
Wilson Dias/Agência Brasil
O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu hoje (31) a União Europeia de que será difícil voltar ao mercado russo, depois de ele ser ocupado por empresas latino-americanas e asiáticas.
"O perigo para os nossos fornecedores tradicionais é que quando a empresa se instala em um mercado, neste caso o russo, afastá-la depois vai ser muito difícil, ou até impossível", disse Putin em declarações à televisão pública do país.
Para ele, as empresas europeias sabem isso e estão decepcionadas com os seus governos devido à política de sanções contra Moscou.
Putin, que proibiu as importações de alimentos, frutas e verduras do Ocidente, em resposta às sanções contra a Rússia pelo seu papel no conflito ucraniano, reconheceu e lamentou que os produtores russos não conseguem cobrir essas importações.
"Por isso, agora trabalhamos com outros produtores estrangeiros. São países da América Latina: o Brasil, a Argentina, o Chile. Também com os nossos parceiros asiáticos: produtores chineses e de outros países", disse o presidente.
Ele classificou de "irrisórias" as tentativas europeias de convencer esses países a não exportar a sua produção para o mercado russo.
"É difícil imaginar que os homens de negócios não aproveitem a ocasião para acessar o nosso mercado", acrescentou.
Nos supermercados de Moscou já se nota a escassez de frutas e hortaliças e lácteos europeus.
A crise ucraniana, que provocou a pior degradação das relações entre Moscou e o Ocidente desde o final da guerra fria, teve nova etapa esta semana devido a informações relativas a incursões de soldados russos na Ucrânia.
Fonte - Agência Brasil  31/08/2014

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

BNDES estuda linha de crédito para aquisição de locomotivas e vagões

Economia

A expectativa das empresas é que o plano possa assegurar a produção de 9.000 vagões de carga e 300 locomotivas pela indústria em seis anos. Essa nova frota exigirá investimentos de R$ 5 bilhões, os quais dependem de incentivos governamentais para serem realizados.

Valor Econômico
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Os fabricantes de vagões e locomotivas estão confiantes de ver aprovado ainda este ano, mesmo com as eleições, o Plano de Renovação da Frota Ferroviária, iniciativa que poderá contar com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco estuda a criação de linha de financiamento para permitir que as concessionárias de ferrovias façam a renovação da frota em condições competitivas, apurou o Valor.
A expectativa das empresas é que o plano possa assegurar a produção de 9.000 vagões de carga e 300 locomotivas pela indústria em seis anos. Essa nova frota exigirá investimentos de R$ 5 bilhões, os quais dependem de incentivos governamentais para serem realizados.
Amanhã, representantes do setor privado e do governo se reúnem em Brasília para discutir o plano. A proposta foi apresentada há um ano pela Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), que reúne os fabricantes de material rodante, em parceria com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), entidade das concessionárias. Um dos objetivos foi o de garantir "previsibilidade" nas encomendas junto à indústria, que tem sofrido com altas e baixas na demanda nos anos recentes.
Nos últimos 12 meses, a proposta passou por ajustes. O plano original previa a produção de 18.000 vagões e 600 locomotivas em seis anos. Mas a proposta exigiria o comprometimento de valores muito altos em incentivos fiscais, o que não é possível para o governo neste momento.
Na proposta feita ao governo, o setor privado apresentou sugestão de três tipos de incentivos. Um deles é o financiamento, via Programa de Sustentação do Investimento (PSI), operado pelo BNDES, com juros de TJLP mais 3% ao ano.
As empresas do setor também sugeriram a ampliação do benefício do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) para atendimento de empresas que alugam vagões ferroviários, o chamado leasing operacional. E apresentaram proposta de reduzir o valor do arrendamento pago pelas concessionárias ao governo de forma proporcional à substituição de vagões e locomotivas.
Estimativa da Abifer indica que existem 40.700 vagões e 1.400 locomotivas, equipamentos com mais de 40 anos, que estão em poder das concessionárias. Esse material rodante foi herdado da antiga Rede Ferroviária Federal e pertence ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Ao fim da concessão, esse material precisará ser "revertido" ao governo.
Mas com o plano, em vez de devolver esses vagões e locomotivas, criam-se condições de troca nos seguintes termos: dois vagões antigos trocados por um novo e três locomotivas velhas substituídas por uma nova. Dessa forma, irá se garantir encomendas de 1.500 vagões e 50 locomotivas por ano junto aos fabricantes durante seis anos. O material antigo vai virar sucata.
Vicente Abate, presidente da Abifer, disse que o Plano de Renovação da Frota Ferroviária poderá ter uma segunda etapa, de mais seis anos, com números semelhantes aos da primeira fase. Abate afirmou que o plano, além de evitar oscilações na demanda, tem potencial de aumentar a produtividade nas concessionárias, o que poderá levar à redução de fretes. O executivo disse que também haverá espaço com o plano para o governo arrecadar mais impostos.
O Ministério do Desenvolvimento disse que as propostas apresentadas pelo setor privado estão em fase adiantada de discussão no governo. Todos os envolvidos - Ministério dos Transportes, BNDES, Abifer, ANTF e Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários (Simefre), além do Desenvolvimento - estão definindo parâmetros de incentivo e de exigências de contrapartidas. "Do ponto de vista técnico, falta o detalhamento de pontos relevantes para fins de cálculo do efeito fiscal e sua adequação, para posterior busca de consenso entre o governo para fins de minuta dos atos legais", disse o ministério em nota.
Um dos principais avanços em relação à proposta inicial do setor privado, segundo o ministério, foi o entendimento de que o governo não poderia criar novos estímulos sem que houvesse compromisso com aumento de produtividade no transporte ferroviário. Para o governo, também é importante combinar as necessidades de estímulo à produção industrial com uma política de transportes e logística que estimule investimentos crescentes e produtividade.
Ricardo Chuahy, presidente da AmstedMaxion, confia na aprovação do plano ainda este ano. Para ele, o plano dará previsibilidade à indústria ferroviária, incluindo a cadeia de fornecedores. Para o executivo, as concessionárias terão ganhos de produtividade e o governo poderá arrecadar volumes adicionais de impostos compensando os incentivos dados ao setor.
A AmstedMaxion é líder de mercado no Brasil, com participação de 67% no segmento de vagões ferroviários.
Cesar Alencar Pissetti, diretor de exportações e marketing da Randon, também considera a iniciativa importante. "O plano garante previsibilidade para a indústria e permite renovar a frota, o que é bom para o país." A GE Transportation acredita que o plano é fundamental para estimular o desenvolvimento e a estabilidade do setor.
Fonte - Revista Ferroviária  27/08/2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Brasil e China poderão ter parcerias em ferrovias

Ferrovias

Ferrovias poderão ter parcerias entre Brasil e China - O acordo deve ser assinado durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil, na semana que vem. Ele estará em Fortaleza para participar da reunião do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), entre os dias 15 e 16. Em seguida, Jinping terá encontro com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.

Valor Econômico
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Os governos do Brasil e da China devem assinar um memorando de cooperação na área de ferrovias para auxiliar empresas de ambos os países a firmarem parcerias para disputar concessões no país. O objetivo é permitir que companhias chinesas, com capital, investimento e conhecimento tecnológico no setor, possam se juntar a empresas brasileiras, que estão acostumadas a atuar em regime de concessão.
O acordo deve ser assinado durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, ao Brasil, na semana que vem. Ele estará em Fortaleza para participar da reunião do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), entre os dias 15 e 16. Em seguida, Jinping terá encontro com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília.
A China Railway Construction Corporation (CRCC) deve procurar parceiras brasileiras para disputa da concessão do trecho entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO). Já a China Railway Engineering Corporation (Crec) tem interesse em atuar no projeto de uma ferrovia do Maranhão até o Peru. As duas companhias vão aproveitar a visita de Jinping para fortalecer os contatos com empresas brasileiras que podem ser sócias nesses empreendimentos.
Ao todo, a China tem mais de 100 mil km de ferrovias, dos quais 11 mil km são de trens de al ta velocidade. A grande dificuldade para a realização de investimentos nesse setor no Brasil é que as companhias chinesas estão acostumadas com projetos de construção das ferrovias, enquanto o modelo brasileiro envolve também a exploração da concessão dos serviços. Daí a necessidade da formação de consórcios com empresas brasileiras.
Mais de cem empresários chineses devem acompanhar Jinping ao Brasil, o que deve fortalecer os contatos para a criação de consórcios capazes de disputar leilões outras áreas além das ferrovias, como petróleo e energia elétrica.
"O Brasil se converteu no maior sócio comercial da China na América Latina. É o primeiro destino de nossos investimentos na região", disse Xu Ying Zhen, diretora-geral do Ministério do Comércio para a América Latina e Oceania. Segundo ela, integrantes da delegação chinesa que vai ao Brasil estão "muito interessados" em fazer investimentos no Brasil nos setores de energia elétrica, automobilístico, ferrovias, estradas e portos.
A delegação terá empresas de tecnologia e internet, setor que recebe incentivos do governo dentro de um projeto de diversificação dos investimentos chineses no exterior. "Enquanto consolidamos a cooperação em setores tradicionais, podemos ampliar em outros segmentos da economia, como aviação e tecnologia", disse Zhen.
A Baidu, empresa de sites de busca e tecnologia, considerada o Google chinês, vai desenvolver uma página em português dentro da estratégia de aproximação e ingresso no mercado brasileiro. A empresa escolheu o português, antes mesmo do espanhol, pois acredita no potencial para crescer no Brasil.
Atualmente, a Baidu conta com 500 milhões de usuários. Ao todo, o país, de 1,3 bilhão de habitantes, tem 600 milhões de usuários de internet. A empresa tem, portanto, mais de 83% do mercado. Como o Google resolveu se retirar da China por discordar da censura a alguns temas de busca, como, por exemplo, o massacre da praça da Paz Celestial, a Baidu, que já era líder do mercado anteriormente, com 70% contra 30% do sistema de buscas americano, consolidou a posição.
Com a visita de Jinping, a empresa chinesa Sany deve anunciar um investimento grande na área de máquinas e equipamentos. A Sany já adquiriu um terreno em Jacareí, interior de São Paulo, para iniciar a sua produção.
O Brasil será o país mais importante da visita de Jinping à América Latina, que incluirá Argentina, Venezuela e México. A região é considerada estratégica para o governo chinês que, tradicionalmente, atua por meio de acordos bilaterais, nos quais a sua posição para fechar os negócios sempre é maior - dado o tamanho da economia chinesa - que a do seu parceiro.
"Seguramente, as visitas vão assegurar os interesses de ambas as partes", afirmou Li Baorong, vice-diretor-geral do Departamento de Assuntos Latino-Americanos do Ministério das Relações Exteriores da China. Segundo ele, a visita à região é importante para acelerar o crescimento da China.
De acordo com dados do Departamento Comercial do governo chinês, em 2013 o comércio entre aquele país e a região atingiu US$ 261 bilhões. As exportações da China chegaram a US$ 134 bilhões, enquanto as importações foram a US$ 127 bilhões.
"O intercâmbio com o Brasil ocupa mais de um terço das trocas comerciais com a região", disse Baorong. "A China é o primeiro sócio comercial do Brasil e o principal mercado para as exportações brasileiras. Mesmo com as dificuldades na situação econômica mundial, nos últimos anos, tivemos êxito nessa relação."
O repórter viajou a convite do governo da China
Fonte - Revista Ferroviária  10/07/2014