UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A AGONIA DO BRT - RECIFE

IMobilidade






Os "BRTs" do Recife brigando por espaço nas ruas da cidade.
Os corredores ainda não têm segregação.

COMENTÁRIO  Pregopontocom

A "febre dos BRTs",- de repente uma denominação dada a um sistema de transportes transformou-se em apelido para ônibus articulados -,e a busca por soluções para a mobilidade urbana,supostamente mais baratas,sem o planejamento devido,correto e adequado com tudo feito as pressas,não poderia ter outro tipo de consequência.Na verdade enganam a população vendendo "gato por lebre",colocando ônibus vistosos,só de aparência, mais que tecnicamente não resolvem os atuais problemas de mobilidade nas grandes e médias cidades brasileiras,além do que os projetos de BRTs implantados atualmente não observam e não contemplam as normas técnicas e padrões exigidos para que o sistema funcione como tal. Ônibus nunca foi,não é,e nunca será um veiculo adequado para o transporte de massa,a sua função é de alimentador,complementar e capilar.Essa insistência,essa teimosia de se preservar o ônibus a qualquer custo numa função que não lhe cabe continuara trazendo sempre grandes prejuízos,não só para o poder público com investimentos equivocados, como para a população das cidades,que continuarão sendo vítimas de um transporte ruim,lento e defasado.Vide os sistemas apelidados de BRT que já existem em funcionamento em algumas cidades brasileiras.

PS: Como piada vale a observação, o sistema em Recife é chamado de " Via Livre"...!!!!!!!!!!!!!!!!

"Não colaboro com o inimigo", diz militar convocado pela Comissão da Verdade

Comissão da Verdade

“Não vou comparecer. Se virem. Não colaboro com o inimigo”, afirmou o oficial da reserva José Conegundes, ao se recusar a depor hoje (8) na Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Pedro Peduzzi 
Repórter da Agência Brasil 
Resistência das Forças Armadas em reconhecer
violações estimulou hostilidade de convocados,

diz Pedro Dallari -
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Para o coordenador da comissão, Pedro Dallari, a hostilidade deste e de outros militares foi estimulada pela resistência das Forças Armadas em reconhecer as violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura (1964-1985). Ele, no entanto, destaca o fato de a comissão ter recebido, do Ministério da Defesa, a “folha de alteração” de 114 militares suspeitos da prática desse tipo de violência.
A folha de alterações é “um documento preciso”, que registra, passo a passo, toda a trajetória funcional de um militar. Por meio dela, é possível documentar, por exemplo, datas de diárias e de passagens, ou mesmo atos e sessões das quais participaram os militares. Assim é possível saber se eles estavam nos locais onde, segundo testemunhas, teriam cometido os crimes.
“Nós estávamos pedindo [esses documentos] desde setembro às Forças Armadas. Havia muita resistência, mas recorremos, então, ao ministro [da Defesa, Celso Amorim]. Na semana passada [no dia 5] recebemos 114 das 115 folhas de militares cuja documentação havíamos solicitado. Houve, no entanto, um caso onde a viúva de um oficial recorreu ao Poder Judiciário e obteve liminar para que o ministério não a entregasse”, disse Dallari.
Ele lamentou a ausência de praticamente todos os depoentes previstos para hoje e, também, o tom “agressivo e hostil” apresentado por dois oficiais em resposta à convocação da CNV. “É a primeira vez que recebemos respostas grosseiras como essas”, disse Dallari, referindo-se às respostas dadas na véspera por dois convocados, José Conegundes e José Brant Teixeira.
“Segundo orientação do comando do Exército, as convocações devem partir daquela autoridade”, justificou Brant. Para Dallari, essas respostas representam “uma afronta” à comissão. “Optamos por informar o Ministério da Defesa para que apure. Até porque estamos diante de uma infração disciplinar. Nesse sentido, teremos de verificar se isso não pode estar ocorrendo em função de problemas de saúde, tal a gravidade da afronta.”
De acordo com Dallari, a comissão tem identificado muita resistência de oficiais da reserva convocados em colaborar com a comissão. “Temos absoluta clareza de que eles, de certa maneira, estão sendo estimulados pelo fato de que, até hoje, as Forças Armadas se recusam a reconhecer que houve tortura e graves violações de direitos humanos, na qual tiveram papel protagonista”, disse ele.
Até então, a justificativa mais comum para o não comparecimento era relativa à saúde dos convocados, já com idade mais avançada. “Mas agora eles parecem estar se sentindo mais estimulados a se recusar a depor. Esses depoentes que estão afrontando a comissão certamente se sentiram fortalecidos e estimulados por essa conduta dos comandos militares”, acrescentou Dallari.
Dos nove agentes da repressão convocados para depor hoje e amanhã (9) em Brasília, apenas um está sendo chamado pela primeira vez. O único que compareceu às audiências de hoje foi o oficial da reserva Ricardo Agnesi Faiadi, que, segundo Dallari, respondeu a todas as perguntas com um “nada a declarar”.
Entre os agentes que estão sendo novamente convocados está o coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, e o coronel Leo Frederico Cinelli – ambos atuaram na repressão à Guerrilha do Araguaia, nos anos 70. Também foi reconvocado o general José Antonio Nogueira Belham, que comandava o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro quando da tortura, morte e desaparecimento do deputado Rubens Paiva.
A ausência ou a recusa em responder às perguntas da comissão tem preocupado os integrantes do colegiado. “Mais do que um impasse nos trabalhos, isso pode gerar enorme frustração pelo fato de a comissão ficar impedida de exercer sua função legal, que é produzir um relatório sobre as graves violações de direitos humanos que ocorreram no Brasil”, disse Dallari. Ele tem estudado a possibilidade de fazer algumas conduções coercitivas para obter os depoimentos de oficiais.
“A lei estabelece que a comissão tem poder de convocação, e a condução coercitiva é uma decorrência natural desse poder. Inclusive nos certificamos desse entendimento junto ao Ministro da Justiça, que concordou integralmente com esse entendimento. Temos essa ferramenta, que evidentemente pode ser usada, mas com muita parcimônia. O que a comissão quer é que os depoimentos sejam prestados, que eles sejam feitos. Para isso, o que esperamos é uma postura de cooperação com a comissão”, disse.
Dallari lembra que a CNV já usou desse expediente no caso do capitão Wilson Machado, envolvido no atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro. “Ele não compareceu, então, determinamos a condução coercitiva, e a Polícia Federal foi ao seu encalço. Ele não foi localizado, mas, posteriormente, acabou prestando depoimento.”
Fonte - Agência Brasil  08/09/2014

Agosto registrou maior intenção de viagem pelos brasileiros

Turismo

Nordeste é o destino preferido dos brasileiros - Dos que desejam viajar, 73,6% pretendem conhecer outros lugares do País, enquanto 26,4% planejam ir para o exterior. 

A Tarde
Da redação
Praia dos Carneiros, no município de Tamandaré
em Pernambuco - 
Christian Knepper
O mês de agosto registrou a maior intenção de viagem dos brasileiros no ano: 28,8%, de acordo com pesquisa do Ministério do Turismo divulgada nesta segunda-feira, 8.
Dos que desejam viajar, 73,6% pretendem conhecer outros lugares do País, enquanto 26,4% planejam ir para o exterior. O Nordeste, com 48,1%, foi apontado como a região preferida, seguida pelo Sul (21,2%), Sudeste (19,2%), Norte (7,3%) e Centro Oeste (4,2%).
Os meios de hospedagem mais requisitados são os hotéis e pousadas (52,3%), seguidos pela casa de amigos e parentes (37%) e outros (10,7%). Já o meio de transporte predileto para fazer a viagem é o avião (61%), seguido pelo automóvel (25,1%), o ônibus (10,2%) e demais meios (3,7%).
Foram ouvidos dois mil moradores de sete cidades do país: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, que representam 70% do fluxo de turistas do país.
Fonte - A Tarde  08/09/2014

Congresso internacional discute descarte de resíduos sólidos em SP

Meio ambiente

Mais da metade da população mundial, cerca de 3,5 bilhões de pessoas, não têm acesso a serviços básicos de gestão de resíduos sólidos - São dados como esses que darão suporte aos debates, iniciados hoje (8), do Congresso Mundial dos Resíduos Sólidos, que continua até o dia 11.

Camila Maciel 
Repórter da Agência Brasil 
Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil
Mais da metade da população mundial, cerca de 3,5 bilhões de pessoas, não têm acesso a serviços básicos de gestão de resíduos sólidos, aponta o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). São dados como esses que darão suporte aos debates, iniciados hoje (8), do Congresso Mundial dos Resíduos Sólidos, que continua até o dia 11. É a primeira vez que o evento, organizado pela Internacional Solid Waste Association (Iswa), ocorre no Brasil. O congresso reúne mais de mil pessoas de 68 países.
Para Carlos Silva Filho, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), associada à Iswa, uma das questões a serem abordadas refere-se ao impacto econômico de uma gestão inadequada. “Não traz só impactos ambientais negativos. Perde-se muito dinheiro, muitos recursos. Tudo o que é descartado, poderia voltar para o ciclo produtivo, seja na forma de matéria-prima, seja na forma de energia”, apontou. Ele aposta em uma conjugação de esforços entre a sociedade, o Poder Público e a iniciativa privada.
Entre as iniciativas inovadoras que serão apresentadas no congresso, Carlos Filho destacou o aproveitamento do resíduo de plástico como combustível, transformando-o em biodiesel, e o uso de materiais oriundos do lixo eletrônico, para recuperação de metais preciosos. Destacou, ainda, a necessidade de políticas de inserção de catadores do setor informal no sistema profissional da gestão de resíduos.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010, também foi destacada durante a abertura do evento. O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, avaliou que, em apenas quatro anos, a política produziu resultados significativos. Um deles foi a grande participação na quarta conferência nacional sobre o tema. “Todos os estados fizeram as conferências e elegeram 1,2 mil delegados”, salientou.
O secretário ressaltou avanços na logística reversa como resultado da implementação da PNRS nos últimos anos. Maranhão citou como exemplo a indústria de eletroeletrônicos, de embalagens em geral e de descarte de medicamentos. Lembrou, ainda, que, em 2008, antes da aprovação da lei, o descarte adequado era uma realidade em 1.092 municípios, de um de 5.561. “No fim de 2013, esse número passou para 2.200, ou seja, 40% dos municípios”, comemorou.
Fonte - Agência Brasil  08/09/2014

Investimento em grandes obras pode atingir 2,5% do PIB no ano

Infraestrutura

De acordo com estudo da Inter.B, que será divulgado nesta semana no Fórum Nacional, no Rio, se confirmados os 2,54% do PIB, ele será superior ao que ocorreu nos últimos anos. Os autores do estudo, Claudio Frischtak e Katharina Davies, porém, veem os dados com ceticismo. Frischtak ressalta que a maior parte dessa alta tem a ver com a revisão para baixo do denominador.

Valor Econômico
foto - ilustração
Apesar dos atrasos nos leilões de concessões, os investimentos em infraestrutura devem subir em 2014. Dependendo do cálculo, é possível que o montante investido em grandes obras alcance 2,5% do PIB neste ano, levemente superior ao observado em 2013.
Embora não apresentem a mesma tendência dos investimentos no país de forma geral, que estão em queda, economistas destacam limitações desses aportes em infraestrutura, que estiveram até agora muito mais focados em transporte rodoviário do que em outros modais. As ferrovias, por exemplo, não saíram do papel.
Como os leilões estão praticamente paralisados neste ano, algumas consultorias cortaram suas estimativas de avanço da infraestrutura neste ano. A Inter.B, por exemplo, reduziu a estimativa desse tipo de investimento em 2014, de R$ 131,7 bilhões para R$ 130,2 bilhões, embora como proporção do PIB esse resultado represente uma alta de 2,51% para 2,54% por causa da atividade mais fraca. Já a LCA Consultores calcula que o investimento em infraestrutura tenha subido de 2,5% em 2013 para 2,6% no primeiro semestre deste ano como proporção do PIB. A LCA não fez projeção para o ano como um todo. A Pezco Microanalysis, por sua vez, traça um quadro mais pessimista e estima que o investimento em infraestrutura neste ano será de 2% do PIB, ligeiramente menor do que os 2,1% do ano passado.
De acordo com estudo da Inter.B, que será divulgado nesta semana no Fórum Nacional, no Rio, se confirmados os 2,54% do PIB, ele será superior ao que ocorreu nos últimos anos. Os autores do estudo, Claudio Frischtak e Katharina Davies, porém, veem os dados com ceticismo. Frischtak ressalta que a maior parte dessa alta tem a ver com a revisão para baixo do denominador. A consultoria prevê alta nominal de 6% do PIB neste ano contra previsão anterior, mais otimista, de 8,13%. Isso fez com que subisse a proporção dos investimentos em infraestrutura em relação ao PIB. Além disso, foi revisado para baixo, em 1,1%, o valor dos investimentos previstos, por atrasos em obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Se você pensa em recursos públicos, o que o BNDES emprestou e o quanto o governo se endividou, mesmo assim se avançou muito pouco", critica Frischtak. Nos cálculos da Inter.B, somente o investimento do segmento de transportes avançará em 2014. Os demais setores como saneamento, energia e telecomunicações ou encolhem ou permanecem estáveis em relação ao que foi investido em 2013 como proporção do PIB.
Frederico Turolla, sócio da Pezco e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), avalia que o governo apostou em infraestrutura logística, principalmente rodovias, em detrimento de outros segmentos, como energia elétrica e telecomunicações. Diz que "o país não precisaria escolher, mas o ambiente macroeconômico piorou e as incertezas no marco regulatório limitaram opções".
Para Turolla, o modo como foi feita a renovação dos contratos de concessões de energia em 2012, por exemplo, reduziu os investimentos no setor, que caíram de 0,9% do PIB naquele ano para 0,7% em 2014, de acordo com as estimativas da Pezco. As projeções da Pezco para transporte indicam estabilidade dos investimentos em 0,6% do PIB.
De qualquer forma, Turolla diz que o país perdeu uma "chance de ouro" de mudar a cara dos projetos levados adiante no Brasil e seguiu com o "rodoviarismo" que há décadas marca o desenvolvimento nacional. "A regulamentação excessiva mudou a dinâmica da alocação de recursos, que era mais privada e flexível, e a tornou engessada", afirma. O marco regulatório é a principal razão pela qual os projetos de ferrovias, que deveriam somar R$ 100 bilhões de investimentos nos próximos anos, não foram sequer a leilão até agora, ressalta.
Braulio Borges, economista-chefe da LCA, critica a demora na execução dos projetos. Ele calcula que entre 2013 e 2014 foram contratadas obras que somam aproximadamente R$ 120 bilhões, dos quais cerca de dois terços terão impacto sobre a economia nos próximos cinco anos. Além dos trechos rodoviários, estão na lista a concessão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minas Gerais, além de parcerias público-privadas nos Estados, como a linha 6-Laranja, do metrô em São Paulo. "Temos outros quase R$ 60 bilhões que ainda não foram contratados, mas que poderiam ter impacto no PIB neste ano, o que gera alguma frustração, e outros R$ 100 bilhões que só vão começar a partir de 2015", diz.
Os analistas lembram ainda que o país ainda está longe de investimentos em infraestrutura que correspondam a 4% do PIB, o que seria mais adequado e poderia alavancar o crescimento econômico de forma mais consistente.
Turolla, da Pezco, acredita que o país perdeu uma oportunidade de financiamento importante para incrementar sua infraestrutura em um ambiente marcado por forte liquidez internacional. Com oferta de capitais menor daqui para frente, com a normalização da política monetária nos Estados Unidos, o economista acredita que dificilmente o país conseguirá chegar a 4% do PIB em projetos de infraestrutura.
Para Frischtak, da Inter.B, para sustentar um crescimento do PIB de 4% ao ano, o que hoje seria na sua avaliação acima do potencial do país, mas alcançável com "reformas" na economia, os investimentos em infraestrutura deveriam ser de 4,5% do PIB.
Borges, da LCA, avalia que os atrasos nos leilões, com pouco investimento em portos e nenhum em ferrovias até agora, reduziram o impacto de curto prazo do Programa de Investimento em Logística. Para ele, deve demorar um pouco mais, possivelmente 2018, para que o investimento em infraestrutura se aproxime de 4% do PIB.
Borges avalia que o Brasil investiu 2,6% do PIB em infraestrutura no primeiro semestre, mas pondera que os dados podem ter sido levemente inflados por causa da finalização das obras da Copa do Mundo. Ainda assim, diz, outros indicadores, como o consumo de asfalto, apontam para um ano melhor para o segmento de transportes, com alta de 31% entre janeiro e julho deste ano, após crescimento de 3,3% em 2013 e de 4,3% em 2012.
Esse avanço costuma ser maior em ano eleitoral, ressalva Borges, mas diz que o desempenho deste ano se assemelha ao de 2010 (+32%), embora o ambiente econômico seja bastante diferente. "É sinal de que o investimento em infraestrutura rodoviária não está desacelerando como o investimento industrial", afirma.
Fonte - Revista Ferroviária  08/09/2014

Aumenta número de pessoas que procuraram por crédito em agosto

Economia

De acordo com os economistas da Serasa Experian, as medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central a partir do final de julho impulsionaram os consumidores a buscar crédito com um pouco mais de ímpeto ao longo de agosto.

Flávia Albuquerque

Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O número de pessoas que buscaram crédito aumentou 6,6% em agosto na comparação com julho. Com relação a agosto de 2013, houve crescimento de 1,3% na procura por crédito, enquanto no acumulado de janeiro a agosto deste ano, a demanda registra queda de 5,2% ante o mesmo período do ano passado. Os dados são do Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, as medidas de estímulo ao crédito anunciadas pelo Banco Central a partir do final de julho impulsionaram os consumidores a buscar crédito com um pouco mais de ímpeto ao longo de agosto. “Entretanto, o desempenho frente ao mesmo período do ano passado continua enfraquecido, tendo em vista os juros mais elevados e o baixo grau de confiança do consumidor na economia”, aponta a análise.
A demanda cresceu em todas as faixas de renda em agosto, sendo que a maior alta foi 7,4% para as pessoas que ganham entre R$ 500 e R$ 1 mil mensais, seguida pela alta de 6,4% para os consumidores com renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Para os de rendimento abaixo de R$ 500, a procura foi 5,5% maior, e para os que recebem entre R$ 2 mil e R$ 5 mil por mês, alcançou 5,9% de crescimento.
No acumulado do ano, a maior queda na busca por crédito ficou entre os consumidores que ganham até R$ 500 por mês, com um recuo de 18,9%. Os consumidores que ganham entre R$ 5 mil e R$ 10 mil e os que recebem mais de R$ 10 mil mensais exibiram recuo de 9%. Aqueles com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 5 mil tiveram queda de 5% e os que ganham entre R$ 500 e R$ 1 mil por mês diminuíram a demanda por crédito em 5,5%. A menor queda (-0,4%) foi observada na camada de rendimento entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por mês.
Quando analisadas as regiões, o maior avanço foi no Sul, com alta de 10,7% em agosto. No Sudeste, o crescimento chegou a 8,4%; no Nordeste houve alta de 2,5%; e no Centro-Oeste, de 1,2%. Apenas a Região Norte teve recuo de 0,8% em relação a julho. A queda da procura por crédito no acumulado de janeiro a agosto de 2014 foi mais expressiva na Região Sul (-7,3%), seguida pela queda de 6,8% no Norte. No Nordeste, o recuo foi 5,9% e, no Sudeste, a demanda caiu 4,9%. Na Região Centro-Oeste, o recuo chegou a 0,2%.
Fonte - Agência Brasil  08/092014

Agência questiona ferrovias por metas descumpridas

Ferrovias

Diante das evidências de descumprimento generalizado das metas, a agência abriu processos administrativos para apurar se houve mesmo irregularidades ou se o festival de problemas foi causado por falhas na prestação de contas. Duas reuniões com todas as concessionárias já foram realizadas na sede da ANTT, em Brasília, para cobrar esclarecimentos. A autarquia não descarta aplicar sanções às empresas.

Valor Econômico
foto - ilustração
As concessionárias de ferrovias têm praticamente ignorado o novo sistema de metas de desempenho criado pelo governo para evitar a concentração de suas atividades somente nos trechos mais lucrativos da malha federal. Seus trens estão cumprindo a movimentação mínima de cargas em apenas 189 dos 457 corredores ferroviários monitorados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Diante das evidências de descumprimento generalizado das metas, a agência abriu processos administrativos para apurar se houve mesmo irregularidades ou se o festival de problemas foi causado por falhas na prestação de contas. Duas reuniões com todas as concessionárias já foram realizadas na sede da ANTT, em Brasília, para cobrar esclarecimentos. A autarquia não descarta aplicar sanções às empresas.
O problema gira em torno das regras criadas há três anos para lutar contra o estado de semiabandono de boa parte da infraestrutura concedida à iniciativa privada. Na época, o diagnóstico do governo era de que as concessionárias só vinham explorando adequadamente cerca de 11 mil dos 28 mil quilômetros da rede de trilhos. Em mais de metade da malha existente, considerada menos rentável, o tráfego não chegava nem a um trem por dia.
Para reverter esse quadro, as ferrovias ganharam novas metas de desempenho - que é medido em toneladas transportadas por quilômetro útil (TKU), unidade de referência no setor. As metas, que eram estabelecidas para o conjunto da malha operada por cada concessionária, passaram a ser definidas para cada um dos corredores ferroviários dentro de uma mesma concessão. Com isso, imaginava-se que as empresas deixariam de privilegiar as regiões de maior demanda, inviabilizando pequenos usuários de escoar sua produção pelos trilhos.
A realidade, entretanto, parece diferente. De todas as concessionárias, a única que cumpriu rigorosamente as metas foi a Ferrovia Tereza Cristina, que atua em Santa Catarina. Mesmo assim, o desempenho foi considerado uma exceção pela ANTT, já que a empresa transporta principalmente carvão mineral - insumo que alimenta as usinas térmicas no Estado e cuja demanda disparou em meio à crise do setor elétrico.
Até as maiores concessionárias, como a América Latina Logística (ALL) e a MRS Logística, tiveram performance duvidosa. No caso da malha sul da ALL, que tem 7.265 quilômetros de extensão, a movimentação de cargas superou o mínimo exigido em apenas 36 dos 104 trechos monitorados. Na MRS, isso ocorreu em 41 dos 85 corredores ferroviários. Os números se referem a 2013 - o primeiro ano efetivamente monitorado pela ANTT.
A agência reguladora preferiu adotar uma postura de cautela diante desse cenário. "Tivemos uma conversa aqui e chegamos à conclusão de que havia algo errado. Não era razoável acreditar que todas as concessionárias, exceto uma, tenham descumprido a meta. Então decidimos chamá-las aqui", diz o diretor da agência Carlos Fernando do Nascimento.
Como não constavam dos contratos originais, as metas de desempenho por corredores ferroviários foram negociadas com as concessionárias. As metas previam que a carga mínima tem que ser transportada em pelo menos 90% do total de trechos concedidos a cada empresa - o restante configura uma espécie de margem de tolerância. "Se fica em 89%, ela já está sujeita às penalidades", explica Nascimento.
Das primeiras rodadas de conversas com as concessionárias, a ANTT deduziu apenas que houve ruídos na comunicação entre governo e empresas. Isso justificaria, na avaliação preliminar da agência, uma parte da avalanche de metas não cumpridas. "O que a gente percebeu é que pode haver descumprimento, mas também há falta de compreensão das concessionárias sobre como informar essas metas", afirma o superintendente de infraestrutura e serviços de transporte ferroviário de cargas, Jean Mafra Reis.
A suposta incompreensão das empresas levou a ANTT a estabelecer um processo de readequação das metas que vão vigorar de 2014 em diante. "Temos certeza de casos em que a concessionária, na hora de pactuar a meta, não entendeu e se comprometeu com o que não poderia cumprir", acrescenta o superintendente.
Em outras situações, a suspeita é de que o descumprimento não se deve a "ruídos" na comunicação, mas possíveis casos de concessionárias que, intencionalmente, assumiram metas que não poderiam atender, com o objetivo de "reservar" capacidade nos trechos. Nascimento garante que a ANTT não permitirá às empresas "sentar em cima" da capacidade não utilizada e que o espaço livre poderá ser oferecido no mercado. A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, que reúne as concessionárias, não quis se pronunciar sobre o assunto.
Fonte - Revista Ferroviária  08/09/2014

Campinas vai contratar fundação da USP para elaborar novo plano viário

Mobilidade

Secretário de Transporte diz que estudo vai priorizar transporte coletivo. VLT, BRT e até metrô serão avaliados como alternativas para daqui 25 anos.

Por Lana Torres - G1 

A Empresa de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), que opera o trânsito na cidade paulista, vai assinar um convênio com a Universidade de São Paulo (USP) ainda neste mês para a elaboração de um novo plano viário para o município. De acordo com o Secretário de Transportes, Carlos José Barreiro, o contrato com a Fundação de Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), vinculada à Escola Politécnica, pretende estabelecer um modelo de mobilidade para a Campinas daqui 25 anos.
O trabalho dos professores e pesquisadores da Poli deverá ser concentrado, segundo Barreiro, em um sistema que incentive o transporte público coletivo. "Eu não tenho a menor pretensão de fazer grandes avenidas, grandes viadutos. Nós vamos é criar alternativas: VLT [Veículo Leve sobre Trilhos], mais BRT [ônibus rápido], trem de superfície e, quem sabe, nesse horizonte, até pensar em metrô", disse o titular da pasta e presidente da Emdec.
Segundo Barreiro, a secretaria está em fase de negociação com a FDTE para definir o modelo do convênio, o valor que será dispensado pelo município pelo serviço e também o prazo que a fundação terá pra concluir o projeto. O secretário estima que o estudo deva começar dentro de 15 dias e se estenda por aproximadamente dez meses.
“Campinas não faz um planejamento viário há pelo menos uns 30 anos. A última grande obra viária que foi feita no município foi a Aquidaban, na década de 70. O resto foram remendos”, afirma o presidente da Emdec.

Transporte coletivo x avenidas
Embora admita os gargalos no trânsito nas grandes avenidas, o secretário explica que a principal medida para conter o congestionamento em vias como as avendias John Boyd Dunlop, Amoreiras, Norte-Sul e Barão de Itapura será a aposta nos veículos de locomoção coletivos.
“Você pode ter a mesma via que você tem hoje, mas se você tem alternativas boas de transporte público, você não precisa ter via boa para carro. Hoje você precisa porque não tem transporte público de qualidade, adequado”, disse.
Ele adianta que o sistema do Corredor Central, que inclui as avenidas Moraes Salles, Anchieta, Orosimbo Maia, Senador Saraiva e Rua Irmã Serafina, é um dos pontos que deve ser modificado com o novo plano viário.
“Campinas tem esse problema, ela tem alguns corredores que de certa forma estrangularam um pouco a cidade. Para resolver isso, só com um plano viário. O rótula é um remendo, e já está com a data de validade vencida. Quando chegar o VLT no Centro, nós vamos rever o rótula”.

Plano diretor
O trabalho dos profissionais da USP será feito, segundo o secretário de Transportes, em conjunto com a consultoria contratada pela Secretaria de Planejamento para revisar a Lei de Uso e Ocupação do solo, que norteará o novo plano diretor de Campinas. Para que o trabalho seja integrado, Barreiro explicou que quer que os profissionais envolvidos estejam na cidade com frequência, apesar de trabalharem fixos em São Paulo.
“A Fupan (Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente, também vinculada à USP) está revisando a Lei 6031, e vai dar diretriz para a revisão do plano diretor. Então, é óbvio que nos vamos fazer isso em conjunto, levar esses dados em consideração”, falou.

Convênio Unicamp
O convênio com a USP não será a primeira parceria feita com universidades públicas desde que Barreiro assumiu a cadeira de presidente da Emdec. No mês passado, foi firmado um contrato com a Unicamp para a revisão das planilhas de custo do transporte público local. De acordo com o secretário, o convênio foi fechado em R$ 300 mil e duração de seis meses. A intenção é rever a forma como são calculados os gastos dos operadores de ônibus, que determinam, por exemplo, o preço da passagem.
Desde que o convênio foi assinado, de acordo com a Emdec, uma equipe da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) tem visitado a empresa pelo menos duas vezes por semana para coletar dados e compartilhar informações que serão usadas no estudo.
Fonte - STEFZS  08/09/2014

Ensino técnico é caminho para redução da desigualdade, defende diretor do Senai

Educação

Um caminho para reduzir essa desigualdade, segundo Lucchesi, é o ensino técnico. "A grande parte dos jovens que evade do sistema educacional brasileiro o faz pela falta de aderência do que vê em sala de aula à vida dele. Temos que repensar a grade curricular e, sobretudo, aumentar, como ocorre nos países desenvolvidos, a educação profissional".

Mariana Tokarnia-Enviada Especial*
foto - Ag.Brasil
O diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, disse que o sistema educacional brasileiro tem um modelo de exclusão social. "Mais de 80% dos jovens não vão para a universidade e toda a grade curricular deles é pensada como se fossem", acrescentou, em entrevista à Agência Brasil.
Um caminho para reduzir essa desigualdade, segundo Lucchesi, é o ensino técnico. "A grande parte dos jovens que evade do sistema educacional brasileiro o faz pela falta de aderência do que vê em sala de aula à vida dele. Temos que repensar a grade curricular e, sobretudo, aumentar, como ocorre nos países desenvolvidos, a educação profissional".
Na semana passada, o Senai organizou, em Belo Horizonte, a Olimpíada do Conhecimento, a maior competição de educação profissional das Américas, realizada de dois em dois anos. Essa foi a oitava edição. Ao todo, mais de 800 jovens participaram da olimpíada e de competições paralelas. No Brasil, segundo o Senai, a formação técnica chega a 6% dos jovens de 16 a 24 anos. Nas 34 nações mais desenvolvidas, a média dos jovens fazendo educação profissional é 35%, de acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.
Beneficiários do Pronatec são maioria em Olimpíada do Conhecimento
O objetivo da Olimpíada, segundo o diretor, é estimular os jovens a escolher a educação profissional e a considerar uma carreira em áreas tecnológicas. Financeiramente, a escolha compensa. De acordo com Lucchesi, as 21 profissões técnicas mais demandadas pela indústria têm salário inicial de aproximadamente R$ 2 mil. Com dez anos de profissão, esse salário é um pouco abaixo de R$ 6 mil.
De acordo com ele, o maior público da formação técnica é o jovem de classe C, embora a procura tenha aumentado em todas as idades e classes sociais. O maior problema continua sendo o preconceito. "Dos 24 milhões de jovens, menos de 4 milhões irão para a universidade, precisamos alargar bastante a educação profissional, senão eles irão para o mercado de trabalho apenas com a educação regular de má qualidade", diz Lucchesi. Ele defende que a formação não impede que o jovem continue estudando e que faça, inclusive, um curso superior.
Sobre a formação dada pelo Senai, ele diz que o incentivo à inovação é um dos principais eixos. "Nosso signo é preparar essa garotada para a inovação, que é a forma de você incrementar, agregar valor aos produtos. A inovação é o principal valor de competitividade em qualquer parque de manufatura do mundo e não é diferente no brasileiro".
Para Lucchesi, o técnico não deve ser um mero "apertador de botão". O modelo precisa ir além da produção em série, em que um trabalhador tem o conhecimento apenas da parte do trabalho que faz. "Não podemos ter uma lógica estandardizada do padrão fordista de inovação (sistema de produção em massa e gestão idealizados pelo empresário americano Henry Ford) e do modelo taylorista (modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro norte-americano Frederick Taylor) das funções de organização da profissão. A gente tem que impulsionar a agenda da inovação para que as pessoas possam ser mais produtivas".
O Senai é o maior complexo de educação profissional e tecnológica da América Latina. Conta com 797 unidades em todo o país e qualifica anualmente 2,3 milhões de trabalhadores. É parte integrante do Sistema Indústria – formado ainda pela Confederação Nacional da Indústria, Serviço Social da Indústria e Instituto Euvaldo Lodi.
*A repórter viajou a convite do Senai.
Fonte - Agência Brasil  08/09/2014

Revitalização da ferrovia Madeira-Mamoré (RO) recomeça no final de setembro

Ferrovias

Por meio de recursos de compensação social das usinas hidrelétricas instaladas no Rio Madeira, os ex-ferroviários executarão o projeto de revitalização do patrimônio histórico, danificado pela águas durante a cheia histórica.

G1
foto - ilustração
A revitalização do complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Porto Velho, será retomada no final de setembro, com a limpeza da oficina e das locomotivas. Por meio de recursos de compensação social das usinas hidrelétricas instaladas no Rio Madeira, os ex-ferroviários executarão o projeto de revitalização do patrimônio histórico, danificado pela águas durante a cheia histórica. A festa do centenário da capital de Rondônia, a ser comemorado no dia 2 de outubro deste ano, deve acontecer em outro local.
Toda a terra acumulada na oficina, rotunda, gerador e maquinários será retirada. Três locomotivas serão lavadas e, futuramente, reformadas para voltar a funcionar. "Estamos esperando a convocação dos órgãos para iniciar o trabalho", afirmou o presidente da Associação dos Ex-ferroviários, José Bispo de Moraes. A limpeza dos 10 metros ao redor da área da oficina também será feita pelos ex-ferroviários.
O trabalho compreende toda a área da EFMM até a Igreja de Santo Antônio e será acompanhado por técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e do Ministério Público do Estado (MPE). O complexo será fechado para reforma dos galpões e prédios menores, bancos da praça, banheiros, deck e trilhos. Para isso, técnicos do Iphan devem discutir com a Prefeitura de Porto Velho a colocação de grades provisórias na entrada da praça, sem interferir na visibilidade da paisagem.
"Quando fecharmos, o funcionamento ocorrerá com horário fixo de visitação para o público. A rampa ficará fechada e a entrada será apenas pelas escadarias”, explicou o secretário Antônio Geraldo Afonso, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Turismo (Semdestur).
Após a reforma, um posto fixo da Polícia Militar deve ser instalado para atender a região central da cidade e realizar rondas na área.
De acordo com o presidente da Fundação Cultural de Porto Velho (Funcultural), Cristhian Camurça, o fechamento para a reforma ainda não tem data definida, mas deve acontecer em breve, por isso, a comemoração de 100 anos de criação da capital, em 2 de outubro, provavelmente não poderá ser realizada no complexo.
Fonte - Revista Ferroviária  07/09/2014

O charme das locomotivas a vapor

Transportes sobre trilhos  🚃

Uma das atrações mais disputadas e conhecidas para quem visita São João Del Rey ou Tiradentes é, sem dúvida alguma, o passeio de trem entre as duas cidades. Na verdade, a Maria Fumaça é o grande destaque, por ser a mais antiga do País em operação.

Jornal A Cidade
foto ilustração - Pregopontocom
Estação principal de trens Calçada da CTB - Salvador Ba
Mensageira do progresso, a locomotiva a vapor invadiu o imaginário do século 19 e até hoje nos remete ao período em que permitia o intercâmbio entre vários países e povos. Passear em uma dessas Marias-Fumaças permite viajar no tempo e, quando as ferrovias são em Minas Gerais, conhecer um pouco mais desse Estado de relevância histórica e cultural para o Brasil.
Uma das atrações mais disputadas e conhecidas para quem visita São João Del Rey ou Tiradentes é, sem dúvida alguma, o passeio de trem entre as duas cidades. Na verdade, a Maria Fumaça é o grande destaque, por ser a mais antiga do País em operação.
O percurso pelos 12 km da Estrada Real é feito em cerca de 40 minutos. Para quem parte de Tiradentes, a antiga estação é modesta, mas o passeio é de uma rara beleza.
Uma vasta flora enriquece a paisagem do percurso, caminho aberto entre o Cerrado e a Mata Atlântica que oferece aos passageiros as belas imagens da Serra de São José.
Em agosto deste ano, a estrada de Ferro Oeste de Minas completou 133 anos. Inaugurada em 1918, por Dom Pedro II, permite o passeio pela antiga Estrada Real.
Desde sua fundação, a centenária ferrovia nunca parou de funcionar. Além das belezas naturais, o passeio reserva também ao turista apreciar a Rotunda, o Museu Ferroviário e visualizar o curioso giro da locomotiva, em que ela inverte sua posição no trilho para retornar a viagem em uma manobra manual.
Mas, devido à fama do passeio, não deixe de garantir os ingressos com antecedência. Em feriados prolongados ou em alta estação, as filas são grandes na bilheteria e, às vezes, só se consegue comprar para dois dias depois. A Maria- Fumaça realiza dois horários de passeios de sexta a domingo.

Museu Ferroviário e trajes de época
Quando se pega a Maria- -Fumaça em Tiradentes, ao descer na estação de São João Del Rey pode-se visitar o Museu Ferroviário, tombado pelo patrimônio histórico em 1989. Ele proporciona uma viagem pela origem das ferrovias brasileiras, por meio de painéis, locomotivas, maquinários e roupas.
É possível registrar esse momento de forma marcante. Um dos vagões desativados do trem foi transformado em um estúdio de fotografia, com roupas e acessórios de época que permitem ao turista fazer fotos com caracterizados como nas décadas glamourosas desse transporte. É como entrar em uma verdadeira ‘Máquina do Tempo’, nome do estúdio.
Após selecionar os trajes, as fotos são feitas nos vagões, com a estação e os trilhos ao fundo, ou seja, um cenário genuíno, que nos faz sentir realmente envolvidos no clima charmoso do século 19.
Outra locomotiva encanta os turistas em Minas: o Trem da Vale, que faz o rico percurso de 18 km entre Ouro Preto e Mariana. A natureza oferece como cenário da viagem vales, túneis, cachoeiras e paredões de pedra, bem típicos de Minas Gerais. “Adoro passeios de trem. Eles revelam a história do lugar. O Trem da Vale anda a 20 km/h, bem lentamente, e em 1h vai passando por uma paisagem maravilhosa, túneis e antigas fazendas com seus galpões”, comenta o assistente de coordenação da Miró, César Contin Russo.
Nas linhas férreas, que remontam ao final do século 19, o passeio é realizado em cinco vagões de passageiros que preservam o desenho dos antigos trens, com seus bancos em madeira. Mas um deles reserva um diferencial - o vagão panorâmico. Por conta da sua estrutura transparente, é possível apreciar todo o esplendor da paisagem. “É um passeio bem turístico. Antes de iniciar o roteiro, o maquinista explica detalhes da viagem. Mesmo já tendo feito algumas vezes, sempre vale a pena, tanto pelo valor histórico como pelas paisagens”, declara Russo.
O trecho da rodovia foi revitalizado em 2006 pela Vale, que também restaurou as estações das duas cidades. “A estação de Ouro Preto tem exposição no hall, uma sala de memórias onde se pode assistir a depoimentos de moradores antigos e um Vagão Café. Além de uma maquete com os lugares percorridos pelo trem. A estação é fantástica, uma verdadeira aula da história da Ferrovia”, detalha.
Para desfrutar do passeio é necessário se programar, porque o trem circula para turistas somente aos sábados, com dois horários, e aos domingos, com três.
Fonte - Revista Ferroviária  07/09/2014

domingo, 7 de setembro de 2014

Comprado há dois anos, VLT continua sem utilização em São Luís

São Luís - Ma

Compra realizada em 2012 custou R$ 7 milhões aos cofres públicos. Trem está em galpão de uma empresa de transportes no Tirirical.


G1
Trilho de projeto de instalação do VLT
abandonado em terminal de São Luís
(Foto: Fabrício Cunha / O Estado) 
O Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) comprado por R$ 7 milhões em setembro de 2012 pela Prefeitura de São Luís continua sem utilização em um galpão da Transnordestina Logística S. A. localizado no Tirirical, em São Luís. Com a promessa de melhorar a mobilidade urbana na capital maranhense, a compra foi realizada às vésperas das eleições municipais pelo ex-prefeito João Castelo (PSDB), que não se reelegeu. A informação foi publicada pelo jornal "O Estado do Maranhão".
O jornal afirma que o VLT não tem mais condições de funcionamento e que apresenta sinais de depredação, com as janelas e portas quebradas, bancos enferrujados e painel eletrônico coberto de poeira.
Segundo o jornal, na época, a prefeitura havia informado que o VLT operaria interligando, inicialmente, os bairros do Anel Viário ao Bairro de Fátima, e que outras seis linhas seriam criadas posteriormente.
O jornal informa ainda que, no ano passado, o atual prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) determinou a criação de comissões para avaliar projetos de mobilidade urbana que incluiam a utilização do VLT. No entanto, o veículo teria sido desmontado da plataforma onde estava instalado no no Aterro do Bacanga e guardado no galpão, onde permanece sem utilidade e sem previsão de saída.
Uma única "viagem-teste" de tráfego teria sido realizada em um trecho de 800 metros, do ponto que segue do fundo do Terminal de Integração da Praia Grande, na Avenida Beira-Mar, até as proximidades do Mercado do Peixe - único ponto do projeto que chegou a ser construído.
O VLT tem dois vagões de 18 metros de extensão cada, com seis portas que abrem simultaneamente e capacidade para 358 pessoas (96 sentadas e 262 em pé). O veículo chega a atingir velocidade média de até 100 km/h.
O G1 entrou em contato com a prefeitura de São Luís e aguarda posicionamento do órgão.
Vagões do VLT foram desativados e transportados para um galpão (Foto: De Jesus/O Estado)
Fonte - STEFZS  07/09/2014

Desfile de 7 de Setembro vira programa de domingo para famílias em Brasília

7 de Setembro 

Desfile de 7 de Setembro leva famílias à Explanada dos Ministérios neste domingo - Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (DF), cerca de 30 mil pessoas acompanharam o evento, que começou pouco depois das 9h, com a execução dos hinos Nacional e da Independência.

Michèlle Canes
Repórter da Agência Brasil 
José Cruz/Agencia Brasil
O sol forte e o céu azul de Brasília fizeram muitas famílias saírem de casa hoje (7) para acompanhar o desfile em comemoração à Independência do Brasil. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (DF), cerca de 30 mil pessoas acompanharam o evento, que começou pouco depois das 9h, com a execução dos hinos Nacional e da Independência.
A bancária Andrea Fujita chegou cedo e foi para a arquibancada antes mesmo do início da programação. Garantiu um lugar na frente para não perder nada. Ela conta que, na infância, participava dos desfiles em comemoração à data na escola onde estudava no Rio Grande do Sul. “Só de escutar as músicas, me emociono”, disse. “É muito bonito de ver, temos que prestigiar”, destacou.
A primeira parte do desfile contou com a participação dos estudantes das escolas públicas do Distrito Federal. E foi justamente isso que mais chamou a atenção da estudante Beatriz Carvalho, de 14 anos. “Gostei muito da apresentação das escolas. O desfile é bem interessante, e a gente aprende sobre história.”
Muitos pais aproveitaram a data para despertar o sentimento de patriotismo nas crianças. É o caso do motrista Hugo Ramos, que levou as duas filhas e o afilhado. “Hoje se perde um pouco desse incentivo para as crianças. É uma oportunidade de despertar o desejo de querer o melhor para o país, de ter orgulho de onde elas nasceram.”
Bandeirinhas, bonés e camisas verde-amarelo coloriram as arquibancadas.O calor não desanimou o público e teve gente que veio de longe para a Esplanada dos Ministérios. Samuel Santos, de 11 anos, estava com a mãe e os quatro irmãos. Foi a primeira vez que a família toda foi ao desfile. Moradores do P Sul, em Ceilândia ( a aproximadamente 25 quilômetros da região central de Brasília), deslocaram-se de metrô. “Foi bem tranquilo”, conta o estudante. “Eu gostei dos bombeiros e dos policiais. Nunca tinha visto os carros de tão perto. Foi muito legal”. E Samuel garante: “Quero voltar no ano que vem.”


E se para alguns essa era a primeira participação, para outras famílias o 7 de Setembro já se transformou em um evento tradicional. A cabeleireira Flávia Ramos, de 37 anos, foi com a irmã, a mãe e oito crianças. Ela conta que desde pequena acompanha a programação e agora, traz os filhos e sobrinhos. “Na nossa família é tradição. Muita gente confunde o evento com política, mas não tem nada a ver. É uma oportunidade de demonstrar o amor que temos pela nossa pátria. Emociona muito.”
Enquanto muitos acompanhavam as apresentações, João Alves caminhava com o carrinho de sorvete. Essa é a sexta vez que ele trabalha durante o desfile. “Este ano bati o recorde. Fui autorizado a entrar nas arquibancadas. É uma boa oportunidade. É um dos principais eventos, e a gente não pode perder”. Mas enquanto vende sorvetes, João aproveita para ver também um pouco do desfile. “É vendendo e olhando. Tem que participar. Vi pouco, mas gostei muito da Esquadrilha da Fumaça.”
- Esquadrilha da Fumaça é uma as principais atrações da programação do 7 de Setembro, em Brasília José Cruz/Agencia Brasil -
Os aviões da Esquadrilha e o desfile da Força Aérea atraíram muitas crianças. Catiana de Oliveira levou o filho de 2 anos. Saiu de Arapoanga, em Planaltina (a cerca de 40 quilômetros da Esplanada). “Quando eu era criança eu assistia e adorava. Ele adorou os aviões e as bandas”. Esles terminaram o desfile escrevendo, no céu, a frase "Patria Amada...Brasil".
Aproximadamente 1,3 mil homens da Polícia Militar fizeram a segurança do local. O Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e postos de saúde também estiveram presentes.
Fonte - Agência Brasil  07/09/2014

Dobradinha mídia/MP afronta o Brasil

Política

À cata de um fato capaz de interferir no processo eleitoral deste ano, a revista Veja (sempre ela) confessa que teve acesso à parte do depoimento de Paulo Roberto Costa ao Ministério Público Federal do Paraná, no qual teria delatado parlamentares e governadores. Ou seja, confessa a ilegalidade a céu aberto.

Por Bepe Damasco, em seu blog:
foto - ilustração
Em qualquer lugar do planeta, o procedimento da delação premiada é cercado por rigoroso segredo de justiça. No Brasil, embora formalmente se exija o sigilo, ele é quebrado com frequência ao sabor dos interesses político-eleitorais do monopólio que controla a comunicação no Brasil . Examinemos o caso do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. À cata de um fato capaz de interferir no processo eleitoral deste ano, a revista Veja (sempre ela) confessa que teve acesso à parte do depoimento de Paulo Roberto Costa ao Ministério Público Federal do Paraná, no qual teria delatado parlamentares e governadores. Ou seja, confessa a ilegalidade a céu aberto.O sigilo de justiça é quebrado com o nítido objetivo de jogar uma boia de salvação para o candidato preferido do PIG e do mercado, o tucano Aécio Neves, e vida que segue como se nada tivesse acontecido.
Fico a imaginar as entranhas dessa trama. Na busca obsessiva pela tal "bala de prata" da campanha, depois que o desespero bateu com a transformação de Aécio em mero coadjuvante da disputa polarizada entre Dilma e Marina, a Veja bate às portas do Ministério Público. Mas nem precisa insistir muito, pois dá-se o encontro da fome com a vontade de comer.
Todos sabem que uma parte considerável dos procuradores imberbes do MP não resiste aos holofotes midiáticos. Mas, para alcançar a notoriedade almejada, antes é necessário se tornar fonte confiável do PIG. Por isso é que vazam tantos processos que teriam de tramitar em segredo de justiça. E o mais grave é que, no caso do politizado MP de hoje, os vazamentos são seletivos. Em sua grande maioria, eles têm como alvo o governo, o PT e aliados.
Acordos de delação premiada, no mundo inteiro, são vistos e conduzidos com extrema cautela pelas autoridades. E por motivos óbvios. É preciso levar em conta o alto grau de fragilização do réu. Ameaçado de condenações severas, com penas elevadas, é comum o réu tentar emplacar como verdades meras ilações, conjecturas e possibilidades. Ou mesmo mentir para simular uma prestação de serviço à Justiça que abrirá caminho para a redução da pena.
Paulo Roberto Costa, corrupto confesso, está preso há meses. Sob o o seu pescoço paira a espada de uma condenação que pode chegar a 50 anos. Tomemos, então, como verdadeira a informação de que ele teria denunciado, durante seus primeiros depoimentos, deputados, senadores, governadores e ex-governadores.Seria apenas o primeiro passo.
As acusações, para prosperarem, necessitariam de provas. Pelo que se sabe, o ex-diretor da Petrobras não apresentou quaisquer indícios de prova. Só depois do contraditório em juízo e da mais ampla defesa e do julgamento, alguém poderia ser considerado culpado. Contudo, no Brasil, as acusações de um criminoso vão parar nas primeiras páginas dos jornais, e são tomadas como fatos inquestionáveis. As pessoas são condenadas antes sequer de serem processadas.
O ponto crucial é que a mídia não tem o direito de destruir a reputação dos cidadãos. Depois de que o direito de resposta foi mandado às favas pelo ex-ministro do STF, Ayres Brito, uma avenida se abriu para o PIG funcionar como uma espécie de tribunal de exceção, que tem como pilar básico a criminalização da política. Suas sentenças sumárias fulminam adversários e protegem apaniguados.
Por essas e por tantas outras é que o monopólio da palavra e das imagens se constitui no maior obstáculo para a consolidação da democracia no Brasil. No entanto, ninguém pode acusar a imprensa brasileira de incoerência. Ao contrário, é exemplo de coerência. Ela sempre se colocou como adversária das causas do povo brasileiro.Foi assim no suicídio de Vargas, na tentativa de impedir a posse de Jango, no golpe militar de 1964 e no apoio ao regime de terror implantado pela ditadura.
Mas do Ministério Público se esperava coisa melhor. Os constituintes de 1988 lhe concederam autonomia para atuar como o guardião da sociedade brasileira. Decorridos 26 anos da promulgação da Carta, com as várias e honrosas exceções de procuradores que honram suas funções constitucionais, o MP exibe um grau de politização incompatível com suas atribuições. Sem falar que cada procurador se julga no direito de interpretar a Constituição do seu jeito.
Perde o Estado Democrático de Direito. Perde a sociedade. Perde a cidadania. Perde o Brasil.
Fonte - Do Blog do Miro ( Altamiro Borges) 07/09/2014

O futuro do Brasil na encruzilhada - Eleições e questões sociais

Política

Eleições e questão social: o futuro do Brasil na encruzilhada - Eduardo Fagnani, professor da Unicamp, destaca nesta entrevista que o eleitor que 'quer mudanças' precisa entender que a 'nova política' ouve as vozes dos mercados e não as vozes das ruas

Davi Carvalho
Especial para a RBA
foto - ilustração/arquivo
Os avanços sociais e econômicos recentes semearam na sociedade brasileira a necessidade de ampliar e integrar o debate sobre questões como bem-estar, dese
envolvimento, cidadania e democracia. Durante muitas décadas esses temas foram tratados isoladamente e até de forma antagônica. Hoje, sabe-se que para enfrentar os desafios das próximas décadas é fundamental interligar essas questões recuperando as dimensões políticas, econômicas e sociais do desenvolvimento. Nesta entrevista, Eduardo Fagnani, economista da Unicamp e coordenador da rede Plataforma Política Social fala sobre a complexidade desse desafio.

O papel da democracia na representação dos interesses da sociedade tem sido mitigado pelas forças de mercado. O que contribui para esse processo?
Contribui toda a ideologia neoliberal que temos a partir de meados dos anos 1970. Durante 30 anos, entre 1945 e 1975, o Estado regulava o setor privado, os sindicatos e os partidos políticos (que representavam os direitos dos trabalhadores e da sociedade) eram fortes e os regimes de Welfare State se desenvolveram, especialmente, na Europa ocidental. O Estado tinha papel ativo na regulação dos mercados e na coordenação dos projetos de desenvolvimento visando ao pleno emprego e a constituição de sociedades mais igualitárias. Havia muito Estado, muita democracia e muita política. O neoliberalismo pode ser entendido como uma vingança dos mercados: a economia se vingando da política. Prevalecem os valores do individualismo, da meritocracia, o esvaziamento da esfera pública e a perda de poder dos estados nacionais. Tudo isso tem a ver com a etapa atual da concorrência capitalista no contexto da globalização, em que o capital não quer barreiras à acumulação. Recentemente, o presidente de uma multinacional disse: "Onde tem sindicato não tem empresa". Isso significa que onde tem política e democracia não tem empresa. Assim, o poder econômico prevalece sobre os interesses gerais da sociedade.

A fragmentação da luta política nos conduz para onde? E como ela se manifesta?
Esse processo não ocorre apenas no Brasil. O esvaziamento da democracia, da política e dos estados nacionais está intimamente ligado com neoliberalismo e a "globalização". Os partidos políticos perderam a capacidade de atuar como interlocutores de um projeto de transformação nacional. Os sindicatos foram outro alvo da fúria dos mercados, perderam poder e foram para a defensiva. Os movimentos sociais tendem a atuar de maneira fragmentada e não cabe a esses movimentos o protagonismo desse processo de mudanças. Essa tarefa cabe, especialmente, aos partidos.
No Brasil, em função desses processos mais gerais, vive-se hoje a fragmentação da luta política do campo progressista. No caso do movimento social, prevalece a visão setorial. A saúde só pensa a saúde, a educação só a educação, habitação só habitação. A fragmentação ocorre em torno de agendas pontuais e compartimentadas. Perdeu-se a visão de que o encaminhamento de muitos dos problemas setoriais dependem do enfrentamento de questões mais amplas de natureza política e econômica que deveriam ser pensadas na perspectiva de um projeto nacional de transformação.
Dessa maneira, os movimentos estão vivendo em labirintos, onde não vão encontrar portas de saída. Por exemplo, o problema da mobilidade urbana não é apenas tarifa de transporte, mas sim, a ausência de uma política nacional de transporte público. Nunca tivemos isso.
Não vamos resolver o problema da mobilidade sem pensar numa reforma tributária e num novo pacto federativo, para dar apenas dois exemplos.

A quem interessa diluir as grandes discussões sociais, políticas e econômicas do país em pautas setoriais?
Interessa ao poder econômico. Quanto mais fragmentada a sociedade menor o seu poder de pressão política. É o que vivemos hoje. Nós assistimos à vitória do neoliberalismo. O que conta é o indivíduo, não a sociedade. Há um esvaziamento da esfera pública. Hoje vemos pesquisas que mostram que a maior parte das pessoas acha que melhoraram de vida por mérito próprio ou “graças a Deus”. Não fazem a correlação com políticas de governo que contribuíram ou não para isso. É a vitória do mercado e da sua cultura e ideologia.

Para consolidar o que se chama de universalização da cidadania social será necessário uma ampla mobilização da sociedade. A confluência de forças na política brasileira é favorável para isso?
Não. Não vai ter mudança se não tiver pressão popular. Nenhum governo ou parlamento funciona sem pressão. E essa fragmentação enfraquece a pressão e mantém a correlação de forças favorável ao poder econômico.
Eu adoraria o dia em que os militantes da saúde, por exemplo, fossem para a porta do Banco Central cada vez que os juros fossem aumentados. Porque não tem coisa que causa mais danos à saúde e restringe a possibilidade de universalização do que o aumento da taxa de juros. As “caixinhas” setoriais acham que reforma tributária, redução de juros, revisão do “tripé” macroeconômico e reforma política, por exemplo, não diz respeito a elas. O que é um engano monumental. Paradoxalmente, hoje, o debate eleitoral proposto pelo poder econômico vende a miragem de que é possível conciliar redução de meta de inflação e Banco Central Independente (de quem?) com “desenvolvimento social”. São objetivos absolutamente irreconciliáveis que apontam para um gravíssimo retrocesso das conquistas sociais recentes. Os programas partidários que defendem esse reforço da ortodoxia prestariam um serviço para a democracia se rasgassem os capítulos que contêm propostas para a área social. Não existe pior política social que redução da meta de inflação e independência do Banco Central.
A preservação das conquistas sociais recentes e a necessidade de se avançar no enfrentamento das diversas faces da crônica e histórica desigualdade social brasileira requer que avancemos exatamente na direção oposta: rever e alterar as regras do chamado “tripé” macroeconômico. Como que se muda a gestão macroeconômica se não tiver pressão? Quem são os atores que vão fazer a pressão nessa direção? Essa tarefa deveria caber aos partidos, sindicatos e movimentos sociais do campo progressista. Para isso, é necessária uma visão mais ampla dos processos e não uma visão fragmentada e compartimentada. Por exemplo: o movimento social que lutava pelo SUS nos anos de 1970, não pretendia apenas lutar contra a política privatista de saúde da ditadura militar. O SUS era parte de um projeto mais amplo de transformação social que visava a acertar as contas com a ditadura. A agenda reformista tinha componentes políticos (instituir o Estado Democrático de Direito), econômicos (uma política econômica que redistribuísse a renda) e social (implementar os valores da cidadania social universal). O SUS era parte desta estratégia mais ampla que mobilizava a sociedade, os partidos políticos, os sindicatos e os movimentos sociais. E hoje? O que temos?

Em seu artigo "Fragmentação da luta política e agenda de desenvolvimento" você afirma que a soberania popular quer acertar contas com o passado. O que isso significa?
Duas causas importantes motivaram as mobilizações de junho de 2013: a crise do sistema político e eleitoral e as reivindicações pela cidadania social. As pessoas não se sentem representadas pelo sistema político. Isso atravessa todos os partidos, de esquerda e direita, o Congresso Nacional. Quando as pessoas pediram serviços públicos "padrão Fifa" elas estavam dizendo que querem escola, hospital, transporte público de qualidade prestados pelo Estado. Não querem mais uma mercadoria ofertada pelo setor privado. Elas estavam dizendo que a inclusão pelo consumo foi muito boa, mas não basta. Agora as pessoas querem inclusão pela cidadania.
O sistema de seguridade social, inspirado nos valores da cidadania, da universalidade, foi criado há 25 anos na Constituição de 1988. Fruto de outra mobilização popular extraordinária impulsionada pelas forças que lutaram contra a ditadura. Mas a elite política e econômica deu as costas para a soberania popular para preservar o "status quo". Esse é um traço peculiar da elite brasileira. Para preservar o "status", em 1964, eles chamaram as forças armadas. Nos anos 1980, fizeram um pacto conservador para a transição democrática. Depois se aliaram ao projeto neoliberal, que é o oposto do projeto reformista que desaguou na Constituição de 1988.
O que está na Constituição não foi cumprido, especialmente, nos anos 1990, em função da hegemonia do pensamento liberal. O que se conseguiu avançar na década passada é positivo, mas não foi suficiente para recuperar as profundas marcas do passado.
Em última instância, os manifestantes de 2013 estão perguntando: prefeitos, governadores, presidente da República, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional, Câmara de Vereadores e Poder Judiciário quando iremos cumprir a Constituição?

Algumas correntes de diferentes áreas sociais, inclusive do campo progressista, têm compreendido o ideal de desenvolvimento de uma maneira menor, tratando-o como sinônimo de crescimento econômico. Muito diferente do amplo conceito de desenvolvimento apresentada por Celso Furtado. Isso faz parte dessa nova etapa de fragmentação? A esquerda está perdendo a batalha em torno do significado do desenvolvimento?
Desenvolvimento não é crescimento. Temos vários exemplos no mundo de crescimento com concentração da renda. O crescimento é uma condição necessária ao desenvolvimento, mas também é necessário articular políticas econômicas e sociais para a construção de uma nação mais homogênea e igualitária. A melhor política social que existe é emprego com carteira assinada e elevação da renda do trabalho. A valorização do salário mínimo tem papel fundamental por ampliar o piso e servir de referência para os salários mais altos. Mas também é preciso políticas que promovam a equidade, a igualdade. Nesse caso, a tarefa que se coloca é universalizar a cidadania social para todos incluindo os mais pobres.
Um projeto de desenvolvimento para o século 21 não pode deixar de enfrentar as desigualdades do acesso de bens e serviços sociais básicos como saúde, educação, habitação, transporte público e saneamento, por exemplo. Além de juros, cambio e inflação, os macroeconomistas também devem priorizar o enfrentamento de temas como saneamento básico e saúde. Mais de 60% da população do país vive em residências sem coleta de esgoto. Como ter desenvolvimento sem enfrentar essa chaga? Economista não fala de esgoto. Ficarei feliz no dia em que isso ocorrer. Será que viverei esse tempo?

Como você tem acompanhado a campanha eleitoral e as propostas dos candidatos representantes das teses de estado mínimo? É possível compatibilizar as proposições sociais e as políticas econômicas propostas?
Muito preocupado, quase à beira da depressão. Basta um ano de governo Marina/Aécio para destruir tudo o que foi conquistado na área social na última década – e não foi pouco. Para aprofundar a gestão ortodoxa do “tripé” macroeconômico estão propondo redução da meta de inflação e Banco Central independente, o que subtrai do debate público as decisões sobre o núcleo da política econômica. Esta tarefa caberá apenas para alguns iluminados representantes do poder financeiro. Redução da meta de inflação significa juros estratosféricos. A primeira consequência é a recessão e seus reflexos negativos no mercado de trabalho: aumento do desemprego e do trabalho informal, estancamento da mobilidade social ascendente dos últimos anos, redução da renda das famílias e aumento das desigualdades da renda do trabalho. Esses processos realimentarão o ciclo perverso da recessão.
A segunda consequência é a explosão da dívida pública. Isso exigirá a ampliação da meta de superávit primário, o que restringirá o gasto público em infraestrutura e em políticas sociais, gerando mais recessão. Surgirão novas pressões pela privatização do pouco que restou do patrimônio nacional (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa etc.). O aumento dos encargos financeiros inviabilizará a manutenção da política de valorização do salário mínimo e exigirá novas rodadas de reformas para suprimir direitos sociais universais (previdência, saúde, educação etc.).
A terceira consequência é a valorização do câmbio, que afetará negativamente a competitividade da indústria nacional, agravando a persistente heterogeneidade estrutural da produção e do emprego. Esses são apenas alguns dos estragos facilmente previsíveis. Não há nada de “nova política”. É a velha política exigida pelos mercados desregulados que levaram à crise financeira internacional de 2008. É a velha política de austeridade que está sendo praticada na Europa hoje. É a velha política desastrada adotada por Collor e FHC nos anos de 1990. Para saber o que vai acontecer no futuro, os eleitores deveriam estudar o que aconteceu no Brasil dos anos de 1990.
O eleitor que “quer mudanças” precisa entender que a “nova política” ouve as vozes dos mercados e não as vozes das ruas. Quando isso ficar claro, a insatisfação popular será ampliada colocando novos desafios para a política e para a nossa democracia em construção. Enfrentar esses desafios não será tarefa fácil num governo de “homens bons” que renega a política e os partidos.

Por que é tão difícil superar as barreiras impostas pelo neoliberalismo, principalmente nas áreas sociais?
É difícil porque o neoliberalismo nunca foi tão hegemônico no mundo como na atual etapa da concorrência capitalista no contexto da globalização e da dominância das finanças. Com a crise internacional de 2008, isso se reforçou. Nessa crise, o Estado teve que salvar o capitalismo dos capitalistas. Quando achávamos que o fracasso no neoliberalismo era patente, ele se tornou ainda mais forte em escala global. É só ver a força das políticas de austeridade e consequente desmonte da proteção social que esta ocorrendo nos países centrais.
No campo social o que se faz hoje é o chamado "Piso Básico de Proteção", que surgiu a partir da crise de 2008. Isso é receitar, inclusive para os países desenvolvidos atingidos pela crise, o estado mínimo. Com nova embalagem, estão receitando o mesmo remédio que impuseram para os países subdesenvolvidos desde os anos de 1980: programa de transferência de renda em substituição ao estado de bem-estar social. Sabe por quê? Você acha que eles estão preocupados com a pobreza e o bem-estar social? Autoengano. Receitam esse remédio porque políticas focalizadas são baratas (0,5% do PIB) e, por isso, funcionais para o ajuste macroeconômico ortodoxo que está sendo praticado. No Brasil ocorrerá o mesmo: venderão a ilusão de que para promover “desenvolvimento social” não é preciso crescimento econômico, geração de empregos com carteira assinada, aumento do salário mínimo, transferência de renda da seguridade social e enfrentar o acesso desigual aos bens e serviços sociais. Bastam políticas focalizadas de transferência de renda aos “pobres”. De novo revisitem a história e analisem o que ocorreu por aqui nos anos de 1990.

Você tem afirmado que é preciso a formulação de uma agenda de transformação que consolide as conquistas recentes e caminhe para além. Seria uma nova etapa de formulação de políticas sociais? Entrariam nessa fase a retomada das reformas estruturantes 50 anos depois?
Primeiro é preciso considerar que na década passada foram feitos avanços importantes na questão social. Vários indicadores mostram isso. Mas a despeito desses avanços, que devem ser saudados, a questão social no Brasil ainda continua grave. Esses anos recentes não foram suficientes para apagar as marcas profundas da nossa desigualdade, que tem a ver com nosso passado escravocrata, com déficit de democracia e com o fato de sermos um país de industrialização tardia. As múltiplas faces das desigualdades sociais são o principal problema a ser enfrentado pela agenda de desenvolvimento do século 21.
O índice de Gini caiu, mas ainda somos um dos vinte países mais desiguais do planeta. A concentração da riqueza e do patrimônio são extremamente elevadas. Nunca fizemos a reforma agrária, e a concentração da propriedade rural é espantosa. Apesar dos instrumentos criados pela Constituição de 1988, a reforma urbana nunca foi enfrentada em nosso país. Aumentar o IPTU é visto pela elite como “política bolivariana”. A injustiça do sistema tributário é gritante. Ao contrário de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), por exemplo, renda, lucro, herança e patrimônio não são taxados.
Desde os anos de 1990 as remessas de lucro para o exterior não pagam imposto e o agronegócio é isento de contribuir para a previdência rural. Em linhas gerais, o sistema atual foi criado pela ditadura em 1966. É regressivo, pois taxa o consumo que incide sobre os mais pobres. Estudos revelam que metade dos rendimentos dos mais pobres é consumido por impostos. O problema fiscal brasileiro não é que a carga tributária é elevada. O problema é que ela incide sobre o consumo e não sobre a renda e o patrimônio. Isso não é bandeira socialista-bolivariana, é o padrão da OCDE.
Criamos milhões de empregos, grande parte em setores de baixa qualidade (como construção civil e serviços) e baixos salários. Não estamos criando emprego na indústria com maior valor agregado. A heterogeneidade estrutural da estrutura produtiva e do mercado de trabalho ainda persiste nos dias que correm. E temos também as desigualdades de acesso aos bens e serviços sociais básicos, tanto em termos regionais, quanto entre classes sociais. Por exemplo: 60% dos domicílios urbanos não têm coleta de esgoto. Isso é a média nacional. Se pegarmos as capitais do Nordeste, isso não passa de 20% das residências. Na saúde, educação, habitação e mobilidade, por exemplo, essas desigualdades (regionais e entre classes sociais) de acesso também estão presentes.
Pensar o futuro do Brasil envolve enfrentar esses pontos que são extremamente complexos e difíceis, com soluções de médio e longo prazo, na contramão das forças do poder econômico, com uma correlação de forças totalmente desfavorável. Mas não há outro caminho a seguir caso se queira um país verdadeiramente justo e civilizado. O que mais me preocupa e me deixa abeira de um ataque de nervos é que a agenda proposta pelos setores da oposição caminha exatamente na direção oposta. Adeus desenvolvimento! Adeus justiça social.

Esse "novo olhar" sobre as dimensões social e econômica do desenvolvimento deve contemplar, inevitavelmente, quais eixos nessa nova agenda?
Geração de emprego de qualidade e renda. Manter a política de valorização do salário mínimo, fazer a reforma tributária, que distribua, de fato, as riquezas. Fazer a reforma urbana. Como disse a professora Ermínia Maricato, não basta distribuir a riqueza, tem que distribuir a cidade. Existem duas cidades: a visível (dos ricos) e a cidade “invisível” (da maioria da população). A reforma agrária continua sendo uma reforma importante no Brasil. Somos um dos poucos países capitalistas que não fez reforma agrária. Temos de universalizar a cidadania social. Reitero, aproveitar que o Brasil é um dos poucos países que apesar do neoliberalismo não destruiu seus sistemas universais, como saúde e educação. O desafio para o futuro é integrar as políticas universais com as políticas de combate à pobreza. O SUS também tem que chegar aos mais pobres. Tem que ser um sistema universal que, de fato, chegue a todos.

Quais são os grandes inimigos desse processo de renovação de lutas?
Não conseguiremos fazer coisa alguma do que falei se não fizermos uma reforma política. Esqueça saúde, educação, transporte, saneamento e todo o resto. Sem reforma política não dá. Não sou especialista, mas vou dar um exemplo: o chamado presidencialismo de coalizão obriga o presidente, assim como os prefeitos e os governadores, a compor com 34 partidos, que não são ideológicos nem programáticos. Para ter maioria é preciso conciliar com interesses totalmente antagônicos. Como que um governo progressista pode levar à frente um programa de transformação tendo essa composição política? Esse é só um exemplo. Sem falar na democratização da mídia, no financiamento público das campanhas etc.
Outra questão é como mudar a política macroeconômica baseada no tripé juros, câmbio e meta de inflação, com Banco Central independente? Sem isso, esquece desenvolvimento com dimensão social.
Outra questão fundamental é o fortalecimento do papel do Estado. O papel do setor privado é gerar lucro. Não cabe a ele transformar um país com profundas desigualdades históricas em um país justo e civilizado.
Como se sabe, em sociedades de capitalismo tardio, o Estado cumpre tarefas essenciais no planejamento de ações de longo prazo, financiamento dos projetos estruturantes e coordenação dos investimentos públicos e privados. Não há na história econômica do capitalismo nenhum caso de país que tenha se desenvolvido sem o concurso expressivo de seu estado nacional.
Mesmo com dúvidas e incertezas, cabe ao campo progressista ampliar os diálogos na perspectiva de se construírem consensos em torno de um projeto identificado com as reivindicações da sociedade. A tarefa é complexa, tanto pelo caráter estrutural dos fenômenos quanto pelo conservadorismo das elites, num contexto em que a correlação de forças favorece as finanças globalizadas. Todavia, não há outro caminho a seguir, caso os setores progressistas queiram, de fato, enfrentar o mal-estar contemporâneo exposto pelas ruas. A vitória nas eleições de 2014 será uma nova oportunidade que não pode ser mais uma vez perdida. Com a derrota, estaremos, momentaneamente, desistindo do Brasil.
Fonte - RBA (Rede Brasil Atual)  06/09/2014