quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Qual o segredo de Dilma?... atacada por todos os lados

Política


Atacada por todos os lados, qual o segredo de Dilma?

Balaio do Kostcho
Atacada diariamente pelo pensamento único da grande mídia, por grupos de financistas e empresários, analistas econômicos e especialistas em geral, largos setores do PMDB e até do PT, os seus principais partidos aliados, com problemas sérios na economia e no Congresso, o noticiário negativo do mensalão e tudo mais jogando contra, como explicar a cada vez mais folgada liderança da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas para 2014 (no último Ibope, tinha mais intenções de voto do que o dobro dos seus prováveis adversários somados)?
A cada nova pesquisa, esta é a pergunta que mais me fazem. Acho que a causa desta aparente contradição é demográfica e geográfica: o lugar onde moro e o meio social em que convivo é o mais crítico em relação ao governo do PT desde a primeira eleição de Lula e o mais refratário à revolução social que se deu no país nos últimos anos. Este Brasil velho e o novo Brasil são dois países que não se cruzam.
O maior eleitorado, tanto de Dilma como de Lula, vive nas regiões mais pobres e distantes do país, não costuma ler jornais nem acompanha blogueiros limpinhos, e ainda tem, sim, maiores dificuldades de acesso à educação e à saúde, mas sente que a sua vida melhorou na última década. Por isso, quer a continuidade deste governo, como mostram todas as pesquisas.
Enquanto a parte mais rica da população discute os aspectos ideológicos da importação de cubanos para o Mais Médicos e critica os programas sociais do governo, que chamam de assistencialistas, para quem nunca teve assistência médica, nem acesso à casa própria, vivia sem água e sem luz, sem renda e sem emprego, os governos petistas representaram uma radical mudança em suas vidas.
Claro que todo mundo quer muito mais e melhor depois que as necessidades básicas foram atendidas, tanto que, na mesma pesquisa Ibope, 38% dos entrevistados responderam esperar que o presidente "mudasse muita coisa". Creio que está correta a avaliação feita pelo marqueteiro João Santana, o grande guru de Dilma: "A pesquisa é clara: os brasileiros querem mudanças no governo, e não mudança de governo. A magia está na preposição".
A maioria da população, que vive no Brasil real, não está muito interessada em discutir o PIB, a balança comercial, o câmbio, os mensalões, os cartéis e as máfias, mas quer saber se tem emprego e renda para pagar suas contas no fim do mês, se tem escola para mandar seus filhos e posto de saúde com médicos e remédios para os casos de necessidade. Acho que isto ajuda a responder à pergunta do título, já que em nenhum momento Dilma se afastou da sua prioridade de governar para os mais necessitados e combater a miséria.
Para este largo contingente de eleitores, fica difícil trocar o certo pelo duvidoso, até porque a mídia ainda não encontrou um candidato de oposição para bancar e os que aí estão não conseguem dar qualquer esperança, uma ideia ou proposta nova que seja, de que, com a vitória deles, a vida dos brasileiros vai melhorar.
Muitos podem até não gostar do jeitão da presidente e do governo dela, mas quando olham em volta, encontram o que? Serra infernizando a vida de Aécio, e Marina e Eduardo, que disputam a mesma vaga, encantando o pessoal da grana pesada de São Paulo, que não tem muitos votos, como se sabe. Enquanto os quatro se limitarem a criticar Dilma, os números das pesquisas não mudam.
Em 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, tucanos acharam que era só deixar Lula sangrar que logo o velho poder estaria de volta ao Palácio do Planalto. Faltou combinar com o povo, que continua com Lula e Dilma, como mostraram todas as últimas eleições.
Por falar nisso, os dois continuam sendo duas entidades numa só e todos os esforços feitos ao longo de quase três anos para intriga-los ou separá-los foram em vão. Talvez os nossos bravos analistas políticos não saibam de um trato que Dilma e Lula fizeram logo no início do governo dela.
A cada 15 dias, chova ou faça sol, os dois têm um encontro particular, em Brasília ou São Paulo, para juntos fazerem uma análise da situação e discutir os caminhos a seguir. Isto evita o fogo amigo das corriolas de um e de outro e mata no nascedouro qualquer tentativa de afastar criador e criatura. Até agora tem dado certo e pode nos ajudar a entender melhor o segredo da renitente popularidade de Dilma Rousseff.
Fonte - Balaio do Kostcho  20/11/2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Os do PT estão presos. Os outros, soltos e acusando - Bob Fernandes




Governo e oposição. Está posto, e se acirra no Brasil, um debate onde viseiras se tornam obrigatórias, cada vez mais. Debate esse que arrasta milhões e milhões nas redes sociais e nas mídias. Com ares de Inquisição, todo e qualquer assunto produz blocos rígidos.....


Brasileira é 1ª ativista do Greenpeace a deixar prisão

Ecologia

Priscila Arone
com informações da Associated Press e da Dow Jones
Agência Estado
Ag.-Reuters/A Tarde
Autoridades russas libertaram nesta quarta-feira a ativista brasileira do Greenpeace Ana Paula Maciel de uma prisão de São Petersburgo. Ela é a primeira integrante do grupo de 30 ativistas a sair da prisão, informou o grupo.
O pedido de fiança de Ana Paula foi aceito na terça-feira, um dia depois da divulgação da possibilidade de libertação sob fiança de três russos que faziam parte do grupo. Já o ativista australiano Clin Russell teve sua prisão preventiva estendida por mais três meses.
"Ana Paula Maciel deixou a prisão! Eles está livre! É a primeira dos 30 do Ártico", escreveu o escritório russo do Greenpeace no Twitter.
Ao deixar o local, Ana Paula segurava um cartaz no qual estava escrito "Salve o Ártico". Ela não conversou com os jornalistas que estavam do lado de fora do local onde ela estava detida. Ana Paula e seu advogado entraram num carro e seguiram para um hotel.
Tribunais russos determinaram que 17 dos ativistas podem deixar a prisão mediante pagamento de fiança. Audiências sobre os casos de outros 12 ativistas devem acontecer nos próximos dias. Todos são acusados por vandalismo.
Ainda não estava claro se os que forem libertados sob fiança poderão deixar o país ou transitar pela cidade. O grupo foi detido em 19 de setembro após tentar escalar uma plataforma de exploração de petróleo no Ártico pertencente à estatal russa Gazprom.
Fonte - A Tarde  20/11/2013

Brasil e Rússia querem intensificar negócios em US$ 10 bilhões

Internacional

Da Agência Lusa
foto - ilustração
Moscou - O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, e o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, reuniram-se hoje (20) para discutir as relações bilaterais e aprofundar a "associação estratégica" entre os dois países.
"O Brasil é o nosso maior parceiro comercial na América Latina. Ambos, planejamos cumprir os acordos dos [nossos] presidentes para aumentar em um futuro próximo o volume de vendas até US$ 10 bilhões", disse Lavrov.
O chefe da diplomacia russa referia-se aos objetivos definidos pelo presidente russo Vladimir Putin e pela presidenta Dilma Rousseff durante uma reunião no Kremlin em dezembro do ano passado. As trocas comerciais entre 2005 e 2008 subiram, um crescimento que diminuiu com a crise, mas tornou a aumentar em 2011.
O ministro russo destacou o nível de colaboração entre os dois países em matérias como defesa, ciência, desporto e espaço. Ele informou que a Rússia e o Brasil assinaram uma declaração em que se comprometem "a não ser os primeiros a lançar armamento para o espaço".
Os ministros abordaram também o polêmico programa nuclear iraniano e o conflito na Síria. Lavrov destacou a contribuição do Brasil "na busca de caminhos para reduzir as tensões em torno dessa questão".
Figueiredo agradeceu a Lavrov pelo "seu papel na resolução do conflito sírio". Os ministros comentaram, também, o problema da espionagem americana, tema sensível para o Brasil que reagiu com indignação às notícias de que Washington teria feito escutas nos telefones e no correio eletrônico de Dilma Rousseff.
"A nossa tarefa é garantir a proteção dos direitos humanos fundamentais como o direito à intimidade", disse Figueiredo. O ministro russo, por sua vez, defendeu a aplicação de regras de "comportamento comum no ciberespaço" e recordou que Moscou propõe "aceitar obrigações de não interferir nas vidas privadas dos cidadãos".
Luiz Alberto Figueiredo exprimiu a sua satisfação pela decisão da Justiça russa de conceder a liberdade sob fiança à ativista do Greenpeace Ana Paula Maciel, detida com mais 30 ecologistas na Rússia.
"Estou muito contente com a coincidência de ter sabido da decisão do tribunal quando cheguei à Rússia", destacou o ministro brasileiro, numa referência à medida acordada ontem pelo Tribunal de São Petersburgo sobre o caso do Arctic Sunrise, o barco do Greenpeace envolvido em um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico, no dia 19 de setembro.
Fonte - Agência Brasil  20/11/2013

Ilê Aiyê: 40 anos de ritmo, de força e de raça na Bahia

Cultura

Allan da Rosa 
Rede Brasil Atual
EBC
A paisagem sonora faz dançar, entoar versos, beijar. O cortejo acaricia a noite e as cicatrizes cotidianas que há séculos arranham a pele preta. Imperam congas, surdos, repiques, timbaus. Milhares de pessoas sobem o Curuzu, no bairro da Liberdade, em Salvador. “É hoje a saída do Ilê, você vai?” O asfalto e as paredes trepidam. “É na frente do terreiro, os percussionistas vestidos com a roupa do cortejo esperam as pombas, as cornetas e a pipoca sagrada, que é a bênção da Iyá. Eu chego cedo pra ver esse rio negro enchendo, inundando os becos, as ruelas e as ladeiras”, diz Daniela Luciana, associada do Ilê Aiyê há dez anos.
Orgulhosa, a abertura do carnaval do Ilê traz grandeza ao povo do bairro e de Pero Vaz, Boa Vista de São Caetano, Fazenda Grande do Retiro, Paripe e de tantas quebradas, vielas e escadarias de Salvador, há séculos violentadas. As vestes esbanjam elegância e cor, o cortejo é fino. “O mais belo dos belos” vem cantando reinos antigos, guerreiros contemporâneos, ciências milenares. Daniela ressalta: “Eu vou sentindo, cantando e sorrindo, vendo o trabalho de um ano ganhar corpo na rua. São médicos, motoristas, professoras, garis, baianas de acarajé, com suas fantasias esplêndidas de herança africana na saída do Ilê Aiyê, e aqui se misturam aos universitários, turistas e moradores. Sem cordas. O Curuzu não comporta amarras. Cada passo é lento e ritmado, cada movimento é denso. E é tanta gente aqui em volta que o espaço precisa ser bem usado para dançar”.
Em quatro décadas de percussão tesa, o Ilê almeja, sim, a divisão de poder. Na­ ­capital da Bahia, segue escancarada a­ ­divisão entre a podridão e o luxo, a marca de cor entre quem é esbofeteado, encarcerado ou assassinado e a leva de “gente bonita”, como Claudia Leitte defi­niu seus pares e seu público pagante no circuito carnavalesco da Barra-Ondina.
A história dos africanos não começa com o cativeiro, mas em calendários antigos, repletos de conhecimento geográfico, arquitetônico, matemático, astronômico, estético. Assim o Ilê Aiyê organiza um revide civilizatório, um reinado de autopreservação e resistência. E promove inspiração. Como conta Beth Belli, diretora do Bloco Ilú Obá de Min, que há anos abre o carnaval paulistano com sua bateria composta apenas por mulheres: “O que me inspirou foi ter ido à Bahia em 1990, ver o bloco do Ilê. Isso tem de ter em São Paulo, me ficou esse pensamento fixo, e depois fizemos o Oriaxé e o Ilú Obá de Min”.
A atriz Vera Lopes, da companhia Caixa Preta, em Porto Alegre, e ativista desde os anos 1970, também lembra a inspiração do Ilê: “Nos anos 80, Oliveira Silveira (poeta gaúcho que teve a ideia do 20 de novembro como feriado) e o grupo Semba divulgavam as músicas do Ilê em espetá­culos aqui no sul do Brasil. Era lindo. ­Todas nós queríamos ir à Bahia conhecer o Ilê e desfilar no bloco”, conta Vera, ­para quem as músicas do grupo baiano são uma trilha sonora da vida. “Na cola­ção de grau de minha filha Camila em Jornalismo, a música foi Coisa de Negro, do Ilê. Na minha colação em Direito, escolhi Minha Origem (‘Se me perguntar/ de que origem eu sou,/ sou de origem africana,/ com muito orgulho, sou’). E minha filha Quênia escolheu para encerrar a cerimônia de seu casamento a Que Bloco É Esse? (‘Eu quero saber./ É o mundo negro/ que viemos mostrar pra você’).”
Nos ensaios e concursos de beleza, as mulheres então são Candaces, as rainhas guerreiras núbias. No cortejo do Ilê Aiyê, o perfume das quilombelas exala por onde no dia a dia flui também o cheiro do abandono, do lixo não recolhido. No bairro da Liberdade se devolve a dignidade a uma comunidade acostumada à casca-grossa e ao descaso. O Elevador do Plano Inclinado, que liga as cidades alta e baixa, que transporta o povo da Liberdade à Calçada e dali às paragens ferroviárias suburbanas, está quebrado há tempos.
Já é chacota internacional, e a piada teria graça não fosse desesperadora a subida com varizes, crianças de colo, marmitas e sacolas. O pessoal então desce traquejado o escadão íngreme ou inventa caminho pelas frestas e matagais do morro, que só quem é de lá conhece. Ou para subir encara as horas de espera pela perua que a prefeitura arranjou. A cidade se entope num colapso e cada vez menos ilude quem chega a Salvador com a cabeça na Itapuã de Dorival Caymmi.

A efervescência é negra
Pesquisas atestam o fluxo de objetos e ideias durante toda a história da diáspora africana pelas Américas. Nos anos 1970, os jovens baianos, antenados com a efervescência que vinha da descolonização dos países africanos desde os anos 1950 e com a força artística e política dos movimentos negros dos Estados Unidos, como o Black Power e o Soul Funk, e a luta por direitos civis, também se nutriam das bandeiras esparramadas pelo mundo com o sucesso e a filosofia rastafári do ­reggae jamaicano.
Em plena ditadura, com data de fundação registrada em novembro de 1974, o Ilê Aiyê se batizaria com o nome Poder Negro, mas foi advertido do perigo de afrontar o controle nacional dos generais. O escritor baiano Landê Onawale registra: “Era uma época pré-abertura política. Tudo que parecesse interferir na tal ordem não era visto com bons olhos”.
Salvador é uma das cidades mais importantes da diáspora africana, com cerca de 80% da sua população composta por ­afrodescentes. Marcas coloniais da antiga­ capital do país estão na sua ­arquitetura ­residencial ou nos fortes que pintam o ­litoral. E também na nítida divisão de classes e cores marcada pela desigualdade no acesso ao dinheiro e aos equipamentos públicos de qualidade.
A frase “Não me peça pra te dar a única coisa que tenho para vender” se impôs na entrada do Ilê por anos, rastro aceso da história da gente que, segundo as leis da Colônia ou do Império, eram peças, e não pessoas. Gente que saía para vender ofícios ou alimentos na cidade, escravos de ganho que voltavam depois com as ­moedas para o dono, mas também juntando cobres para comprar a própria alforria, a da família ou ajudar na coleta e na organização de grupos e levantes negros, grande temor dos senhores no século 19. Nessa época, pelo Atlântico, imensa parcela de chegados ao porto da Bahia vinha do oeste africano, onde hoje estão países como Nigéria, Senegal, Mali.
Das quebradas soteropolitanas também surgiram grandes revoltas urbanas de escravizados. A mais célebre foi o Levante dos Malês, em 1835, que culminou numa série de outras revoltas que pipocavam desde os rumores da independência do Haiti, em 1792. O Levante dos Malês, que condenou seus líderes ao degredo, evidenciou como a efervescência social em qualquer ponto da África se ligava ao chão de cá, no caso a presença islâmica nos conflitos por reinos, divisas e rotas do tráfico de minérios e de pessoas.
“Penso que a relação mais íntima que temos com a história da cidade é a do inconformismo. Nunca aceitamos plenamente a ideia de que somos uma subcategoria de cidadão, e nos insurgimos pelos meios mais diversos – alguns até travestidos de submissão”, diz Landê Onawale. Por exemplo, como explica o escritor, a relação ambígua entre vários blocos, mestres, artistas e terreiros e o governante de plantão, sobretudo Antonio Carlos Magalhães. “A relação de várias organizações negras com a chamada direita era de troca, como são as relações políticas em geral. Poderia dizer que uma troca muito desigual, mas uma troca. A turma queria botar o bloco na rua e via no governo um óbvio aliado. Para o carlismo, era a possibilidade de evidenciar uma suposta aliança com o povo – o povo negro, no caso da Bahia...”

Educação com autonomia
Em 2003, a Lei nº 10.639 instituiu o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Enquanto ainda se batalha em muitos cantos do país para que currículos, didáticas, formação de professores e espaços físicos das escolas estejam aptos à concretização da lei, o Ilê já há décadas cristaliza seu propósito com a Escola Mãe Hilda.
“As ações da escola e todo o nosso projeto pedagógico antecedem as dis­cussões da lei”, diz ­Edmílson Alves, um dos responsáveis pelo Projeto de Extensão­ Pedagógica do Ilê Aiyê. “­Todos os temas que o Ilê, ao longo destes anos, ­trabalha de forma interdisciplinar sempre ­trazem importantes conteúdos históricos e ­pedagógicos sobre a população negra, sejam temas que já descansam no berço da história, sejam ações contemporâneas.”
Povos Ashanti, heróis Mandinka, civilizações Bantu, façanhas da história da Guiné, de Minas Gerais e do Equador. Esses temas já cantados pelo Ilê frequentaram também os Cadernos de Educação, livros desde 1995 editados com uma plástica que destaca a estética africana.
“Não estamos falando do aprendizado estático, estamos falando de vivência educacional de identidade cultural e social cotidiana. Ela flui a cada cidadão do bairro da Liberdade e seu entorno. E o princípio referencial de tudo é o Ilê Axé Jitolú, um templo de candomblé, uma casa matriarcal por excelência”, completa Edmílson.
Crianças com baixo aproveitamento passaram a apresentar níveis qualitativos acima dos 80% de aprovação, a partir de metodologias e materiais que dialogavam positivamente com suas histórias e corpos. Visitas a museus, terreiros de candomblé e bibliotecas, pautadas no respeito e no conhecimento da história e da cultura afro-brasileira, foram fundamentais. “A escola foi idealizada por uma matriarca, aguerrida, comprometida com os direitos civis. No mês de setembro temos a Semana da Mãe Preta, com seminários, palestras, oficinas, em que mulheres reconhecidas e anônimas são homenageadas. A escola é laica e a orientação religiosa das crianças é diversificada, respeitando a pluralidade e o multiculturalismo”, afirma a coordenadora pedagógica Jô Guimarães.
É uma resposta aos impactos do racismo que atinge a saúde mental e física. Prevalece uma razão antiga, irmanada aos dilemas de seu povo, mantendo a sede e a fonte limpas, já que o que vem de longe nenhum racismo, nenhum colonialismo pode aniquilar: a alma dos povos ancestrais em suas expressões vitais.

Do mocambo ao show
De janeiro em diante, nas esquinas se debate o fervor do carnaval. Os hits fabricados para a estação dominam o volume máximo e trazem um leque de novas celebridades ao palco dos já miliardários agitadores da folia. É tempo também de turismo voraz, de gente de todo canto pagando alto por abadás que a proteja da porrada que sobra aos pipocas – os que acompanham os trios elétricos na beirada das cordas que os dividem dos pagantes.
O mote “sorria, você está na Bahia” é contestado o ano todo por vários movimentos sociais, mas no carnaval a onda é sair da frente. Estatísticas de 2010 dizem que apenas 22% da população de Salvador participa do carnaval. Decresce assim como o percentual de paulistanos ou cariocas que integram os carnavais oficiais em suas cidades. Há algo muito sintomático quando escolas como a Unidos de Vila Isabel chegam a anunciar em jornais, em 2011, que buscam negros para compor suas alas... E quando boa parte dos que desfilaram na Portela em 2011 eram não moradores do Rio que compravam a fantasia na véspera, decorando apressadamente o samba-enredo.
Em Salvador, desde os anos 1980, músicas de sucesso das quadras dos blocos afro eram compradas por atentos emissários das bandas de trio. Os compositores recebiam trocados pelos direitos autorais, e o mercado fonográfico e as produtoras de shows de trios elétricos arrecadavam fortunas com os refrões dos discos de platina, alimentados por participações em programas de auditório, as repetições nas FMs e os carnavais “fora de época” em várias cidades do país.
A relação entre bandas de trio elétrico e blocos afro a partir dos anos 1980, tanto no uso de direitos das músicas geradas pelos blocos negros como na distribuição de verba municipal e de publicidade em Salvador, extremamente desigual, proporcionou, porém, novas musicalidades e ocupações do espaço cênico ou comunitário. Ações de raiz comercial eram respondidas aqui e ali com reações de raiz cultural. Nesse tom, blocos como o Ilê Aiyê, Muzenza e Malê Debalê mantiveram suas características primeiras, com a percussão acústica da vasta bateria mais a rainha do bloco e seus cantores sobre a caminhonete que puxa o cortejo.
Fonte - EBC  20/11/2013

Mobilização é o segredo de comunidade quilombola da Bahia

Cidadania

Thaís Antônio
Enviada Especial da EBC

Cachoeira (BA) - Aos 57 anos, Juvani Jovelino, da Comunidade Kaonge, da Bahia, se apresenta primeiro como professora e depois como líder espiritual dos quilombolas. “Sou primeiro professora porque eu sempre tive esse sonho de ensinar, para que as crianças da comunidade não saíssem dadas [fossem entregues para algum parente ou conhecido criar], como eu fui”, diz. Juvani deixou sua comunidade aos 7 anos para morar com a madrinha “para estudar e não ficar burra”, contou à Agência Brasil.
Ela jamais quis estudar fora da comunidade. Depois

de ter ido morar com a madrinha, Juvani só voltava nas férias, a cada seis meses. O dia de partir para a escola era sempre um sacrifício. “Não queria sair. Chorava na saia da minha mãe, chorava na saia da minha avó”, lembra. “Mas a parte formidável é que eu aprendi muitas coisas. Aprendi a bordar e a costurar.”
Ser professora com diploma e anel no dedo, era um sonho de criança. A morte do pai e da mãe em menos de um ano interrompeu o sonho de Juveni quando tinha 16 anos. Como estudava fora, teve de voltar para cuidar dos oito irmãos – a mais nova tinha 3 anos – e parou de estudar na 7ª série.
Mesmo com a vontade constante de retomar as aulas, o seu retorno às tradições da comunidade não foi fácil. Ela teve de lidar com a perda e com a falta de habilidade para desenvolver as atividades do quilombo. “Eu não sabia fazer nada. Aí eu fui aprender a ir para a maré, que é a sobrevivência da comunidade, tirar ostra, tirar sururu, cavar mirim na lama, fui aprender a bater azeite, catar dendê, limpar mandioca e a plantar manaíba”, revela. Com o tempo e a ajuda das pessoas, a menina aprendeu “a fazer tudo para a manutenção da nossa sobrevivência.”
A professora herdou do pai um terreiro de umbanda e duas mesas com “dois bancos de tira”. Decidiu assumir a espiritualidade e a vocação de professora. Passou a dar aulas para as crianças da comunidade nas mesas do pai. Chegou a ter 68 alunos. As pessoas pagavam as aulas com marisco, farinha, batata e mandioca. “E eu ficava satisfeita porque eu não tinha”, lembra.
As aulas eram dadas debaixo de um pé de manga, porque a casa era pequena para a quantidade de crianças. “O meu giz era carvão. O papel dos meninos escrever, era papel pautado ou papel de embrulho, em que se embrulhava o arroz e o feijão naqueles tempos”, lembra. Depois, chegou o quadro-negro. Giz só vinha da cidade, de vez em quando.

“Se antes era bom ficar dentro da comunidade, hoje é bem melhor. Pelo seguinte: hoje, no colégio tem computador, geladeira, televisão, caixa de som amplificada”, diz. Juveni acrescenta que a escola também conta com infaestrutura básica antes inexistente como a água encanada. Antes da água chegar pelas torneiras ela recorda o tempo que carregava potes na cabeça .
O lema da comunidade é “Um por todos e todos por um”. “Aqui ninguém se divide. A gente ensina isso no colégio. Outro dia, em uma aula de pintura, para eles não se esquecerem o que é importante, eu perguntei qual era a sobrevivência maior da comunidade. Eles responderam: ‘ o dendê e a maré”. Aí eu disse: É issoaí!”.Juvani casou-se, teve dez filhos – muitas delas professoras – e é diretora da escola da comunidade e líder espiritual dos kaonges. Faz palestras com sua história para os turistas que visitam a comunidade. Debaixo de um pé de tamarindo, ela aponta a mangueira sob a qual dava aulas. A vocação de ensinar, ela não esquece.
Fonte - Agência Brasil  20/11/2013

TRÊS SÉCULOS APÓS A MORTE DE "ZUMBI",negro ainda é discriminado

Cidadania


Comemorado nesta quarta-feira, 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos. “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, diz o Ipea...

Da Agência Brasil

Brasília – Comemorado hoje (20), data da morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos.
A nota Vidas Perdidas e Racismo no Brasil aponta que, além de Alagoas, estados como o Espírito Santo e a Paraíba concentram o maior número de negros vítimas de homicídio. ““Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima”, revela o estudo.
Os autores Daniel Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura, ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), analisaram até que ponto as diferenças nos índices de mortes violentas de negros e não negros estão relacionadas com questões como as diferenças econômicas, ao racismo e de ordem demográfica. “O componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”, concluiram os pesquisadores da FGV.
Considerando o universo dos indivíduos vítimas de morte violenta no país entre 1996 e 2010, o estudo mostra que, para além das características socioeconômicas – escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, aumenta a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais.
“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, dizem os técnicos. No estudo, eles concluem que essas discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros quando comparada aos índices do restante da população.
Coincidentemente, Alagoas, líder de mortes violentas, especialmente o homicídio, contra negros e pardos também simboliza a luta dos africanos escravizados trazidos da África, no século 19, para trabalhar nos canais. A personificação desta luta que, pelos índices apresentados no estudo do Ipea, ainda perdura é Zumbi dos Palmares. Alagoano de nascença e natural de União dos Palmares, Zumbi – duende na língua do povo Banto, de Angola – liderou o maior quilombo do país.
Aos 7 anos, em 1670, ele foi capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, responsável por sua formação. Com o passar do tempo, Zumbi, batizado na Igreja Católica com o nome de Francisco, fugiu para o Quilombo dos Palmares onde impressiona os demais escravos fugidos de fazendas de engenho pela sua habilidade em lutas. Aos 20 anos, ele já tinha se tornado o maior estrategista militar e guerreiro, responsável pela derrota imposta pelos quilombolas na luta contra soldados fiéis ao império português.
Fonte - Agência Brasil  20/11/2013

FHC perdeu chance de ficar quieto

Política

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog


Em pronunciamento, ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso empregou termos duros. Referindo-se às denuncias dos prisioneiros do mensalão e seus advogados, que têm críticas consistentes ao julgamento, como tantos juristas admitem, chegou a dizer: “Temos de dar um basta nisso. Chega de desfaçatez.”

“Desfaçatez?”

“ Basta?”

O retrospecto do PSDB e de seu governo não autorizam um discurso nestes termos.
FHC só manteve-se no Planalto por oito anos depois de conquistar o direito de disputar a reeleição, num esquema de compra de votos em que se demonstrou aquilo que apenas se disse sobre o mensalão de Delúbio e Valério.
O repórter Fernando Rodrigues publicou, já naquela época, o depoimento de um certo senhor X, que organizou os pagamentos de parlamentares. Trouxe o depoimento, gravado, de um parlamentar que assumia ter embolsado o dinheiro. No livro Príncipe da Privataria, Palmério Doria completou o serviço. Entrevistou o próprio senhor X, revelou sua identidade verdadeira e explicou que ele comprou 150 parlamentares.
Outro dia, conversei com um deputado do PP que assistiu ao mercado da reeleição e me disse o seguinte: “O pessoal votava a favor e na saída do plenário já tinha gente esperando para acertar o pagamento em dinheiro junto a doleiros. Não tinha erro.”
FHC falou em tom crítico sobre adversários políticos que se tornaram prisioneiros, enfrentando medidas duras e espetaculares de Joaquim Barbosa que receberam críticas até de outros ministros do STF. A verdade é que muitos prisioneiros da ação penal 470 foram mais próximos de seu governo do que se imagina.
Marcos Valério começou a se aproximar das verbas do Visanet a partir dos diretores que o PSDB instalou no Banco do Brasil durante o governo de Fernando Henrique. Foram eles, no segundo mandato de FHC, que assinaram os primeiros contratos com a agência DNA, que seriam apenas renovados depois da posse de Lula.
O diretor responsável pelos pagamentos à DNA – aqueles que Joaquim Barbosa diz que foram desviados para subornar políticos – era um homem de confiança do governo Fernando Henrique, um diretor chamado Leo Batista.
Ele tinha esse papel no governo FHC. Seguiu na função depois de 2003. Se alguém foi tão decisivo para o esquema, seu nome não é Henrique Pizzolato, hoje foragido na Itália, mas Leo Batista. Estava acima de Pizzolato e tinha a prerrogativa de assinar os cheques.
FHC fez elogios às prisões ao lado de estrelas graúdas do PSDB. Uma delas era Geraldo Alckmin, cujo governo afunda-se em três gerações de governadores denunciados no propinoduto Alston-Siemens. Outro era o presidenciável Aécio Neves. Conforme a CPMI dos Correios, durante seu governo estatais mineiras fizeram dezenas de milhões de reais em depósitos nas contas da DNA. Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, sócios de Valério na agência, eram publicitários de reputação firmada no Estado. As relações de Cristiano Paz com Aécio se assemelham às relações de Nizan Guanaes com Fernando Henrique. Hollerbach integrou a coordenação da campanha de Aécio em 2002.
Um ditado popular ensina que não se deve falar de corda em casa de enforcado, mas o retrospecto mostra que há fundamento para FHC portar-se como se nada tivesse a ver com estes fatos e pessoas. Em 1997, o procurador Geraldo Brindeiro encarregou-se de enterrar a denúncia da compra de votos e a maioria tucana impediu que se fizesse uma CPI. Embora um homem de confiança do PSDB tenha sido o responsável final pelos pagamentos para a agência de publicidade do mensalão, nenhum deles foi investigado na ação penal 470. Por uma questão de hierarquia, deveria ter sido mais investigado do que Pizzolato. Pela proximidade, era um caso típico de coautoria. Sua investigação ocorreu em segredo, num inquérito paralelo, cuja existência só veio a público durante o próprio julgamento.
O propinoduto paulista foi investigado até na Suíça, mas é alvo permanente de um esforço para arquivar qualquer indicio e toda denúncia que possa envolver os tucanos e seus amigos. O procurador Rodrigo de Grandis recebeu oito solicitações do Ministério da Justiça para prestar esclarecimentos e não atendeu a nenhuma. O mensalão PSDB-MG está sendo investigado na primeira instância, em Belo Horizonte, com vagarosidade espantosa e metodologia diversa. Enquanto os réus da ação penal 470 não tiveram direito ao duplo grau de jurisdição, o STF autorizou que os mineiros tivessem um julgamento na primeira instância e, mais tarde, um segundo julgamento. Entre os petistas, viveu um clima de guerra civil para um pequeno grupo de condenados conseguir, após diversos lances de chantagem dos meios de comunicação contra Celso de Mello, o direito de apresentar embargos infringentes sobre uma das penas recebidas.
Como parece difícil de negar, a principal diferença entre escândalos tucanos e ação penal 470 é a blindagem.
Esse acesso assegurado à impunidade – 100% garantida até aqui na maioria dos casos – mostra que o PSDB não apenas dedicou-se às mesmas práticas que condena nos adversários, como tantos indícios confirmam, mas construiu um impenetrável muro de proteção sobre seus atos, situação que apenas eleva a gravidade do atos que cometeu.
Vamos combinar que não é um motivo honroso para FHC falar contra a “ desfaçatez” dos adversários.
Derrotado por Jânio Quadros na disputa pela prefeitura em 1985, quase ministro de Fernando Collor em 1990, Fernando Henrique pode sentir de perto os efeitos nocivos do nosso moralismo. Tem experiência demais para dedicar-se a ele.
Fonte - Blog do Miro ( Altamiro Borges)  20/11/2013

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Canteiro de obras do metrô é reativado

Metrô de Salvador

Foto: Francisco Galvão
O canteiro de obras fica localizado no Acesso Norte

Carlos Vianna Junior
Os operários da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), responsável pela finalização do metrô de Salvador, já estão no primeiro canteiro de obras, localizado no Acesso Norte. Segundo a assessoria do consórcio, já foram contratados 600 operários para essa primeira etapa. Entre fevereiro e março de 2014 serão 3.400 operários trabalhando para que a Linha 1, Lapa/Retiro, esteja em operação assistida em junho 2014. O compromisso contratual prevê inauguração até 15 de setembro de 2014
O canteiro de obras está localizado próximo ao viaduto que liga o Retiro à Avenida Luis Eduardo Magalhães. Alguns tratores, geradores e até um bate-estaca estão dando movimento à obra. Estão sendo retiradas contenções de encostas feitas de cimento e vigas estão sendo alinhadas na forma de pilastras arredondadas. Ao menos 20 operários estão no local.
Apesar de ontem ter sido o primeiro dia em que operações mais complexas começaram a serem realizadas no local, a assessoria da CCR informou que os trabalhos foram iniciados desde a semana passada. Foram realizados serviços de limpeza e medição, sendo recrutado para tanto um número pequeno de operários e técnicos.
Segundo a concessionária, a ligação Lapa-Pirajá, que completará o primeiro ramal, entrará em funcionamento em janeiro de 2015. O cronograma prevê mais cinco fases, que serão inauguradas entre 2015 e 2017. O empreendimento inteiro, com as duas linhas e todas as estações, tem prazo de entrega para abril de 2017, quando deve funcionar o trecho Lapa-Aeroporto/Lauro de Freitas.

Povo ainda incrédulo
João Enrique Pires, comerciante do bairro do Retiro foi umas das pessoas que notaram a movimentação no canteiro de obras. Mas, incrédulo, não vê os operários e as máquinas no local como prova de que desta vez o metrô vai sair. “Só vou acreditar quando entrar nele e ele me levar ao meu destino”, disse. Para o comerciante, o metrô é apenas uma ilusão que os governantes vêm usando para ganhar mais dinheiro. “Eles constroem uma parte, para e precisa de mais dinheiro para completar. Acho que isso vai se repetir. E o pior é que o dinheiro é nosso”, acrescentou.
A secretária Jandira Pinheiro moradora do Retiro tem uma visão mais positiva. “Dessa vez vai”, diz. Mas sua fé na realização da obra não tem a ver com a credibilidade na lisura do processo. “Acho apenas que já roubaram o suficiente, mesmo que roubem será menos e o dinheiro vai dá para terminar a obra”, opina. Ela conta ainda que já teve um sonho em que andava de metrô por Salvador e via todo povo “feliz da vida”.
O taxista Evandro Moreira Lima tem um posicionamento mais racional. Ele acredita na finalização da obra e explica suas razões. “O governo sabe que é burrice continuar do jeito que está. A falta de acessibilidade e infraestrutura logística tira a competitividade do país. E eu acredito que até os empresários brasileiros estão fazendo pressão para que as cidades, os estados e o país saiam desse eterno engarrafamento que não é bom para ninguém, só para uns políticos burros que pensam mais em roubar que aproveitar a chance de levar uma nação a um patamar mais elevado”, opinou.
Fonte - Tribuna da Bahia 19/11/2013

Porto Alegre recebe propostas para obra do metrô

Transportes sobre trilhos

 Zero Hora
foto - ilustração
A eliminação de 4,5 quilômetros do trajeto do metrô de Porto Alegre, entre o Terminal Triângulo e a Fiergs, pode resultar na ligação do trem subterrâneo com o Trensurb e com o Aeroporto Salgado Filho. O termo de referência para as empresas interessadas em participar do projeto inclui uma parada originalmente não prevista, junto à Estação Aeroporto do Trensurb, o que permitiria o acesso ao terminal de passageiros por meio do aeromóvel.
A entrega das Propostas de Manifestações de Interesse ocorreu nesta segunda-feira entre as 14h e as 16h, na sede do escritório. Este foi momento para pessoas físicas, empresas e consórcios interessados em participar da elaboração do projeto se cadastrarem. Nesse primeiro momento, elas entregaram a documentação exigida e um projeto funcional, com as linhas gerais do desenho do metrô. Até às15h40min, oito empresas ou consórcios haviam entregue a documentação.
A possibilidade de uma conexão do metrô com o Trensurb e o aeroporto surgiu com a eliminação de 30% do percurso. Como o traçado deixou de ir até o extremo norte da cidade, onde ficaria a área de manutenção dos trens, tornou-se necessário encontrar outro terreno para esse fim. A solução foi criar um ramal subterrâneo de 1,4 quilômetro de extensão entre a futura Estação Cairu do metrô e uma antiga estação ferroviária próxima ao Salgado Filho, atrás do Trensurb.
A princípio, esse ramal servirá apenas para levar os vagões até a zona de manutenção, mas os técnicos do metrô resolveram incluir no termo de referência a possibilidade de uma estação no local, que poderá receber passageiros. Com isso, o túnel ganharia maior utilidade. A concretização dessa ideia, que facilitaria as ligações com o aeroporto e integraria o metrô ao Trensurb, dependerá dos projetos que serão apresentados.
– Deixamos a questão em aberto. As empresas interessadas terão a opção de apresentar essa estação no bairro Humaitá. Dependerá de elas oferecerem isso dentro da modelagem financeira existente – afirma o gerente do escritório do metrô, Luís Cláudio Ribeiro.
Empresas habilitadas terão 90 dias para entregar projetos
A documentação será analisada até o final do mês. Depois disso, os candidatos que tiverem a habilitação confirmada receberão um prazo de 90 dias para apresentar projetos e estudos técnicos detalhados para o metrô de Porto Alegre. A perspectiva é que essa fase chegue ao fim em fevereiro, com a escolha do projeto que será licitado. O edital de licitação da obra, no entanto, poderá aproveitar propostas de uma ou mais das empresas que participarem da PMI. As empresas serão remuneradas de acordo com o peso que suas proposições tiverem no projeto final. A expectativa é abrir a licitação até o final do primeiro semestre de 2014.
O processo para a apresentação de PMIs já foi realizado no ano passado, em setembro. Em abril, depois de sete meses de adiamentos, a prefeitura revelou que a única proposta habilitada era de R$ 9,5 bilhões – a previsão inicial para a obra era de R$ 2,4 bilhões. O metrô voltou à estaca zero. No mês passado, os governos municipal, estadual e federal reiniciaram o processo, agora para uma linha mais curta e com um orçamento maior, de R$ 4,8 bilhões.
– A novidade é que na PMI anterior não tinha a fase de cadastramento das empresas que vamos realizar agora. Essa fase é para que não seja dado seguimento a propostas que estejam fora da realidade, para evitarmos que apareça outro projeto de R$ 9 bilhões. Só vão ser aprovadas propostas que estiverem dentro da modelagem – afirma Ribeiro.
Se tudo der certo, as obras do metrô começarão no final do ano que vem e estarão concluídas em 2020.
Fonte -  Revista Ferroviária  18/11/2013

Santos divulga traçado do VLT na Francisco Glicério

VLT

G1 Santos
foto - ilustração
A Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, divulgou nesta segunda-feira (18) um vídeo que mostra como ficará o trecho da Avenida Francisco Glicério entre os canais 1 e 2, que recebe semanalmente uma feira livre e por onde passará o Veículo Leve sobre Trilhos. A apresentação aconteceu durante uma reunião entre o prefeito e os feirantes da cidade.
A feira livre que acontece no local é a maior de Santos, se estende por mais de um quilômetro. O vídeo mostra que a pista sentido Canal 1 terá seu tráfego nornal, mas a Rua Marquês de São Vicente deixará de existir. A feira ficará ao lado das duas linhas do VLT, na pista sentido Gonzaga. Ainda haverá uma ciclovia, atrás das barracas. Jardins e árvores também irão compor a paisagem.
No dia 4 de dezembro acontece uma reunião entre a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), responsável pelo VLT, e o Ministério Público, para tentar definir o traçado do trem pela avenida, que ainda desagrada os feirantes.
Fonte - Revista Ferroviária  18/11/2013


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Dilma venceria no 1º turno em cenários com 3 candididatos

Política

Raul Spinassé | Ag. A TARDE
Dilma só não ganharia no primeiro turno no cenário em que aparecem cinco candidatos

Agência Reuters
SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff venceria a eleição presidencial no primeiro turno em todos os cenários com três candidatos, mostrou uma pesquisa do Ibope divulgada nesta segunda-feira, 18.
O levantamento mostrou ainda queda dos socialistas, tanto do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, quanto da ex-senadora Marina Silva, em todos os cenários pesquisados pelo Ibope.
Na simulação apontada como a mais provável, que tem Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Campos, a presidente lidera com 43 por cento, ante 41 por cento no levantamento de outubro. Aécio manteve os 14 por cento do levantamento anterior, enquanto Campos perdeu três pontos, ficando agora com 7 por cento.
Neste cenário, 21 por cento declararam voto branco ou nulo e 15 por cento não souberam ou não quiseram responder.
Se Marina substitui Campos como candidata do PSB, Dilma lidera com 42 por cento, contra 39 por cento em outubro. Marina soma 16 por cento, queda de cinco pontos ante outubro, e Aécio se mantém estável em 13 por cento. O percentual de brancos e nulos é de 17 por cento e o de indecisos, de 12 por cento.
Um terceiro cenário em que Serra é o candidato do PSDB e Campos o do PSB, Dilma tem 41 por cento, contra 40 por cento em outubro, enquanto o tucano aparece em segundo depois de oscilar um ponto para cima, com 19 por cento, e Campos tem queda de três pontos, para 7 por cento. Os indecisos são 14 por cento e os que declaram voto branco ou nulo somam 19 por cento.
O quarto cenário, quando Serra e Marina enfrentam Dilma, a presidente tem 40 por cento, ante 39 por cento no levantamento anterior. Nesta simulação, Serra tomou a segunda posição de Marina, com 17 por cento, ante 16 por cento em outubro. A ex-senadora caiu 6 pontos e agora soma 15 por cento. Neste caso, 16 por cento declararam voto branco ou nulo e 11 por cento não souberam responder.
Apesar de a intenção de voto de Dilma superar a soma de seus adversários nestas quatro simulações, o que indica possibilidade de vitória no primeiro turno, ainda é elevado o percentual de eleitores indecisos ou que declararam voto branco ou nulo em todos os cenários, o que poderia mudar este resultado.
Dilma só não ganharia no primeiro turno no cenário em que aparecem cinco candidatos: além da presidente, os tucanos Serra e Aécio e os socialistas Campos e Marina.
No entanto, esse cenário não pode se concretizar na eleição, já que as legendas teriam de escolher apenas um desses candidatos para concorrer à Presidência e o prazo para filiação partidária do ano que vem já se encerrou.

INTERESSE POR ELEIÇÃO
O Ibope também pesquisou o interesse popular no pleito que ocorrerá em outubro do ano que vem. A pesquisa mostrou que 32 por cento dos entrevistados disseram ter pouco interesse agora nas eleições e 24 por cento declararam não ter interesse algum.
O percentual dos que declararam ter muito interesse é de 16 por cento, enquanto os que afirmaram ter interesse médio atingiram 27 por cento, e 1 por cento não souberam responder.
O instituto também perguntou em quem os eleitores votariam caso o candidato escolhido no cenário que tem Dilma, Aécio, Serra, Marina e Campos não disputasse o pleito.
De acordo com o Ibope, dos eleitores de Marina, 28 por cento disseram que anulariam o voto se a ex-senadora não disputar a eleição. Outros 22 por cento migrariam para Dilma, 20 por cento iriam para Serra e apenas 10 por cento votariam em Campos.
Aécio ficaria com 8 por cento do eleitorado da ex-senadora e 12 por cento disseram não saber como votariam caso ela não seja candidata.
A pesquisa mostrou ainda que, se Campos não sair candidato, 30 por cento de seus eleitores iriam para Dilma e 25 por cento para Marina. Aécio ficaria com 13 por cento desse eleitorado e Serra, com 8 por cento.
Do eleitorado do governador pernambucano, 17 por cento anulariam o voto caso ele não dispute a Presidência e 7 por cento não souberam responder.

SEGUNDO TURNO
O levantamento do Ibope também apontou reeleição de Dilma em todos os cenários de um eventual segundo turno. Contra Aécio, a presidente venceria com 47 por cento, contra 18 por cento do tucano. Os brancos e nulos somariam 22 por cento e os indecisos, 13 por cento.
Contra Marina, a presidente teria 44 por cento, e sua rival ficaria com 24 por cento. Brancos e nulos somariam 19 por cento e indecisos, 13 por cento.
Se enfrentasse Campos em uma segunda rodada, Dilma seria reeleita com 48 por cento dos votos, contra 12 por cento do governador pernambucano. Brancos e nulos somariam 24 por cento e indecisos seriam 16 por cento.
Em uma eventual reedição do segundo turno de 2010 entre Dilma e Serra, a presidente venceria novamente, desta vez com 45 por cento dos votos, contra 21 por cento do tucano. Brancos e nulos seriam 21 por cento e indecisos, 13 por cento.
O Ibope ouviu 2.002 eleitores entre 7 e 11 de novembro em 142 municípios. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.
Fonte - A Tarde  18/11/2013

Justiça do Trabalho bloqueia R$ 1 milhão da M.Officer por trabalho degradante

Justiça

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – A 8ª Vara do Trabalho de São Paulo bloqueou R$ 1 milhão da empresa M5 Indústria e Comércio Ltda, dona da marca M.Officer, para garantir os direitos de trabalhadores resgatados em condições degradantes. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), fiscais encontraram um casal de bolivianos produzindo peças da marca em uma oficina clandestina no centro da capital paulista. A empresa deverá providenciar a remoção dos trabalhadores para um local que atenda às normas de saúde e segurança.
De acordo com o MPT, a situação dos bolivianos foi descoberta no último dia 13. No local foram encontrados tecidos, modelagem, notas fiscais e pedidos de serviços da M5, além de peças finalizadas da marca M.Officer. O casal relatou que trabalhava há sete meses na oficina, sem qualquer tipo de registro.
O Ministério Público disse que entrou com a ação para dar garantias aos trabalhadores após a empresa ter se recusado a firmar um termo de ajuste de conduta. “A medida judicial se fez necessária, tendo em vista que a M.Officer não se compadeceu com a situação de absoluta vulnerabilidade dos seus empregados, dois bolivianos que produziam exclusivamente para a empresa”, ressaltou o procurador Tiago Cavalcanti.
Fonte - Agência Brasil  18/11/2013

Negros escravizados no período colonial resistiram como puderam, diz especialista

Cidadania


Thaís Antonio
Enviada especial da EBC

Cachoeira (BA) - Desde que os colonizadores portugueses chegaram ao Brasil, há mais de 500 anos, eles exploraram, inicialmente, a mão de obra indígena. Mas o contato com os homens brancos foi péssimo para a saúde dos indíos. Além disso, os nativos conheciam muito bem o território e fugiam com facilidade.

Por razões econômicas e também em busca de mão de obra qualificada, os portugueses começaram a trazer africanos escravizados para o Brasil. Os negros eram obrigados a vir para um país estranho, numa travessia de barco que levava meses, em condições precárias, para trabalhar forçado.
Mas as regras duras da chibata não foram aceitas sem luta. Os negros escravizados resistiram da forma que puderam. “Falar das lutas negras é falar disso, dos enfrentamentos, dos embates do outro lado do Atlântico, na travessia, do lado de cá do Atlântico. Eu costumo pensar na resistência de uma forma muito ampla”, destaca o professor Nelson Inocêncio, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Brasília.
Para ele, o termo que define a retirada dos negros do Continente Africano é sequestro. “Esse sequestro realmente foi algo absurdo, inominável. O Brasil foi o país que mais importou população africana. Dentro daquele universo de extrema violência existiam articulações coletivas para, de alguma forma, tentar minar o sistema”, ressaltou

A resistência sempre foi a palavra de ordem de quem era forçado ao trabalho escravo. Mas não foi fácil. Os negros foram caçados e perseguidos. Por isso, procuravam não ficar sozinhos. Em comunidade, era mais fácil sobreviver.
Os locais de refúgio começaram a se formar logo após a chegada dos primeiros navios negreiros ao Brasil. Nasciam, assim, os chamados quilombos. O mais famoso deles, o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, data do fim do século 16. Isso quer dizer que pouco depois do início da escravidão, os primeiros negros já começaram a fugir.
A herança de quem fugiu da escravidão ainda é viva entre os quilombolas. Sirilo Rosa, presidente da Associação Quilombo Kalunga, comunidade no interior de Goiás, conta um pouco da história que já escutou. “Eu ouvia nossos antepassados falarem que tinha um lugar chamado quilombo mas que eles não sabiam onde era. [Diziam] que esse lugar chamado de quilombo era onde o pessoal que foi escravo fugia e ia pra lá”, lembra. “Era um lugar isolado e que não tinha nem estrada pra chegar. Eles saíam das casinhas deles, mas não deixavam trilha. Saíam de um lado e chegavam por outro".
A jovem quilombola Edmeia Batista Costa, da Comunidade Kaonge, em Cachoeira, na Bahia, também conhece a história de quem veio antes. “A gente sabe que os antepassados lutaram muito. Muitos apanharam no chicote. Agora a gente não tem mais isso. Graças a Deus, a escravidão já acabou e eles passaram para gente o trabalho e a luta deles para a gente continuar”, conta.
O Brasil tem mais de 2,4 mil comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Elas estão espalhadas em 24 estados e se organizam de forma diferente. A maioria vive da agricultura de subsistência. Ou seja, eles produzem na roça praticamente tudo o que precisam. É o caso de dona Leotéria, lavradora kalunga. Ela planta mandioca, arroz, milho, cana, feijão de corda, além de frutas, hortaliças e ervas medicinais.

Dona Leotéria diz que nem sempre é fácil, mas que já viveu dias mais difíceis no passado. “Já foi sofrida a nossa vida. Uma parte foi boa e outra sofrida mas, graças a Deus, nós sobrevivemos. Não tinha rodagem [estrada] por aqui, não tinha médico. A pessoa adoecia, levava para Cavalcante [um dos municípios que compõem o território kalunga, distante 30 quilômetros da comunidade] na rede”, recorda.
“Hoje está melhor porque já tem médico, já tem muitas coisas. Hoje já tem até o posto [de saúde] aqui, também. Uma hora tem médico, outra hora não tem. Mas a hora que tem já serve”, resigna-se.
De acordo com a Fundação Cultural Palmares, apenas os estados do Acre e de Roraima e o Distrito Federal não contam com esses remanescentes. Mais de 200 processos de certificação ainda estão sendo analisados e mais de 500 comunidades foram identificadas pela fundação como quilombolas, mas não solicitaram a Certidão de Autodefinição, já que o primeiro passo para ser quilombola, é se reconhecer como tal.
É o famoso sentimento de identidade, como explica Juvani Jovelino, líder espiritual da Comunidade Kaonge, na Bahia. “Ser quilombola é você saber [a origem] os 50% do seu sangue. Não é só negro que é quilombola, porque existe branco também que é quilombola porque tem 50% do sangue que ele não procurou saber de onde vem.”
Fonte - Agência Brasil  18/11/2013

Supremo Tapetão Federal

Politica


RicardoMelo
Derrotada nas eleições, a classe dominante brasileira usou o estratagema habitual: foi remexer nos compêndios do "Direito" até encontrar casuísmos capazes de preencher as ideias que lhe faltam nos palanques. Como se diz no esporte, recorreu ao tapetão.
O casuísmo da moda, o domínio do fato, caiu como uma luva. A critério de juízes, por intermédio dele é possível provar tudo, ou provar nada. O recurso é também o abrigo dos covardes. No caso do mensalão, serviu para condenar José Dirceu, embora não houvesse uma única evidência material quanto à sua participação cabal em delitos. A base da acusação: como um chefe da Casa Civil desconhecia o que estava acontecendo?
A pergunta seguinte atesta a covardia do processo: por que então não incluir Lula no rol dos acusados? Qualquer pessoa letrada percebe ser impossível um presidente da República ignorar um esquema como teria sido o mensalão.
Mas mexer com Lula, pera aí! Vai que o presidente decide mobilizar o povo. Pior ainda quando todos sabem que um outro presidente, o tucano Fernando Henrique Cardoso, assistiu à compra de votos a céu aberto para garantir a reeleição e nada lhe aconteceu. Por mais não fosse, que se mantivessem as aparências. Estabeleceu-se então que o domínio do fato vale para todos, à exceção, por exemplo, de chefes de governo e tucanos encrencados com licitações trapaceadas.
A saída foi tentar abater os petistas pelas bordas. E aí foi o espetáculo que se viu. Políticos são acusados de comprar votos que já estavam garantidos. Ora o processo tinha que ser fatiado, ora tinha que ser examinado em conjunto; situações iguais resultaram em punições diferentes, e vice-versa.
Os debates? Quantos momentos edificantes. Joaquim Barbosa, estrela da companhia, exibiu desenvoltura midiática inversamente proporcional à capacidade de lembrar datas, fixar penas coerentes e respeitar o contraditório. Paladino da Justiça, não pensou duas vezes para mandar um jornalista chafurdar no lixo e tentar desempregar a mulher do mesmo desafeto. Belo exemplo.
O que virá pela frente é uma incógnita. Para o PT, ficam algumas lições. Faça o que quiser, apareça em foto com quem quer que seja, elogie algozes do passado, do presente ou do futuro --o fato é que o partido nunca será assimilado pelo status quo enquanto tiver suas raízes identificadas com o povo. Perto dos valores dos escândalos que pululam por aí, o mensalão não passa de gorjeta e mal daria para comprar um vagão superfaturado de metrô. Mas como foi obra do PT, cadeia neles.
É a velha história: se uma empregada pega escondida uma peça de lingerie da patroa para ir a uma festa pobre, certamente será demitida, quando não encarcerada --mesmo que a tenha devolvido. Agora, se a amiga da mesma madame levar "por engano" um colar milionário após um regabofe nos Jardins, certamente será perdoada pelo esquecimento e presenteada com o mimo.
Nunca morri de admiração por militantes como José Dirceu, José Genoino e outros tantos. Ao contrário: invariavelmente tivemos posições diferentes em debates sobre os rumos da luta por transformações sociais. Penso até que muitas das dificuldades do PT resultam de decisões equivocadas por eles defendidas. Mas num país onde Paulo Maluf e Brilhante Ustra estão soltos, enquanto Dirceu e Genoino dormem na cadeia, até um cego percebe que as coisas estão fora de lugar.
Fonte - Folha de São Paulo  18/11/2013