UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Deus e a diversidade

Ponto de Vista  👫

Os mesmos que não consideram pecado ou crime a homofobia, e não mexem um dedo para combater a servidão da mulher como corpo-objeto abusado e explorado por homens de todas as épocas.No Brasil colonial os pregadores exaltavam Jesus Crucificado para que escravos se submetessem resignadamente à chibata dos senhores. 

Frei Betto* - Portogente
foto - ilustração
Diego Neria Lejárraga, 48, é espanhol. Nasceu mulher. Mas desde criança se sentia homem. Aos 40 anos se submeteu a cirurgias para redesignar sua sexualidade. Virou homem. O padre de sua cidade, Plasencia, acusou-o de “filha do diabo”.
Diego escreveu ao papa Francisco antes do Natal de 2014. Indagou qual o seu lugar na “casa de Deus”. Francisco telefonou duas vezes para ele. Convidou-o a Roma, a 24 de janeiro. Diego, em companhia de sua noiva, foi recebido na casa Santa Marta, onde reside o papa. Francisco demonstrou que a Igreja Católica está aberta à diversidade sexual. Ao sair do encontro, Diego disse sentir uma imensa paz.
O papa abraça a ousadia de Jesus, que defendeu a mulher adúltera do ataque dos fariseus; acolheu Madalena, que portava “sete demônios”, como discípula e primeira testemunha de sua ressurreição; e elogiou a veracidade de samaritana, que estava no sexto marido, e fez dela a primeira apóstola.
O amor e, com ele, a compaixão e a misericórdia, deve soterrar preconceitos e discriminações.
“Quem sou eu para julgar os gays?”, expressou Francisco em julho de 2013, ao deixar a Jornada Mundial da Juventude, no Rio. “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”
O papa está à frente da Igreja Católica no duplo sentido – como seu chefe e por sua atitude profeticamente evangélica. Em outubro de 2014, durante o sínodo dos bispos sobre a família, em Roma, cardeais rejeitaram a proposta de maior aceitação, na Igreja, de casais homossexuais. Francisco, que prefere a democracia a se impor como soberano absoluto (aliás, ele é o único do Ocidente), não contrariou os cardeais. Preferiu levantar uma pergunta que encurralou os prelados homofóbicos: casais homossexuais têm filhos. “Vamos deixar essas crianças fora da catequese?”
Na Parada Gay de São Paulo a atriz transexual Viviany Beledoni se apresentou seminua pregada à cruz. Muitos cristãos a acusaram de “blasfêmia”. Os mesmos que não consideram pecado ou crime a homofobia, e não mexem um dedo para combater a servidão da mulher como corpo-objeto abusado e explorado por homens de todas as épocas.
No Brasil colonial os pregadores exaltavam Jesus Crucificado para que escravos se submetessem resignadamente à chibata dos senhores. Quando uma transexual utiliza a cruz como símbolo dos sofrimentos de LGBTodos, os fariseus de hoje jogam pedras na Geni... Como se a cultura machista decorresse da vontade de Deus. Isso, sim, é tomar o seu Santo Nome em vão. E querer reduzir a moralidade social à questão sexual, como enfatiza a teóloga Ivone Gebara.
Quando a violência à diversidade de gêneros se reveste de roupagem religiosa, acende o alarme de que se choca o ovo da serpente. O nazismo resultou também da perversa ideologia religiosa que acusa os judeus de “assassinos de Cristo”.
Matar é pecado mortal. Matar em nome de Deus é ainda mais grave. E não se mata apenas pela eliminação física. A morte simbólica usar as armas do preconceito e da discriminação para demonizar também os gays criados à imagem e semelhança de Deus – que não é homem nem mulher – e por ele são amados como filhos e filhas diletos.
*Frei Betto é escritor e religioso dominicano brasileiro.
Fonte - Portogente  14/04/2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

População negra é desumanizada

Ponto de Vista  🔍

Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.

Djamila Ribeiro - Portogente
Djamila Ribeiro
Escrevi diversas vezes sobre o modo pelo qual a população negra é desumanizada. Desde representações que a colocam como inferior, violenta e objetificada até a violência que extermina um jovem negro a cada 23 minutos. Julgo importante discutir representação, pois a imposição dessas imagens justifica inclusive a morte. Não à toa homens negros são os principais suspeitos e alvos da polícia. Debater racismo é mais amplo do que se pode imaginar, pois as violências se dão das mais variadas formas.
Vamos analisar casos recentes. A produtora Padrão Carvalheira, do Recife, realiza um concurso de fantasias todos os anos. A “fantasia” vencedora foi a de homens brancos fazendo blackface e com pênis enormes, personificando o estereótipo racista de que homens negros são "bem dotados", ou melhor, reduzindo seres humanos a seus órgãos genitais. Além de ser ofensivo por ser blackface, desumaniza o homem negro o animalizando.
Pessoas brancas nunca são representadas em grupo. Uma pessoa se fantasia de Hugh Jackman ou Luciano Huck, por exemplo. Os indivíduos são representados. No caso das pessoas negras, julgam que podem reduzir todo um grupo a somente um tipo de representação como se a diversidade fosse monopólio da branquitude.
Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.
Os responsáveis pela produtora vão se esquivar dizendo que os vencedores foram eleitos pelo público, mas eles sequer deveriam ter autorizado a entrada na competição porque trata-se de um caso de racismo. Não há justificativa possível, pois além de autorizar, premiaram com uma viagem a Fernando de Noronha e postaram a foto em um blog recifense.
Utilizam pessoas negras como escárnio, para serem ridicularizadas, ao mesmo tempo em que legitimam violência.
Um outro caso recente. No Twitter, um homem que se intitula produtor cultural enaltece o modo pelo qual policiais abordaram, segundo ele, um rapaz suspeito de roubar um aparelho celular. O rapaz foi algemado e colocado deitado de costas, evidenciando a truculência da ação. Mesmo que fosse suspeito, justifica ser tratado dessa forma?
Esse ímpeto sanguinário em relação a homens negros é o que faz com que muitos sejam amarrados em postes e espancados enquanto que em relação a homens brancos que cometem crimes o tratamento é outro. Só há sede de vingança quando é para o sangue negro ser derramado. A naturalização da violência é algo chocante.
Na semana passada, um outro caso me comoveu absurdamente. Uma mulher negra é agredida por seguranças de um supermercado por ser suspeita de roubar comida. Os homens se esbaldam em humilhá-la e agredi-la. Num dos países mais desiguais do mundo, uma mulher é punida por roubar para se alimentar. E, o pior, por pessoas que também são exploradas.
Aqueles homens não conseguiram perceber que estão a serviço de uma mesma lógica que também os violenta. O vídeo é extremamente triste, o modo pelo qual uma mulher é desumanizada duplamente: por viver a fome e por ser agredida por viver a fome.O Brasil é o país da violência e do escárnio. No carnaval, humilham se “fantasiando” de negro e no resto do ano contribuem para a marginalização. Pau grande, mas de cabeça baixa, de preferência no chão. É assim que nos querem. Mas o que comove alguns portais é mulher branca dizer que não pode usar turbante. A hashtag desse país é: vai ter preto humilhado sim.
Fonte - Portogente  24/02/2017

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Estudantes criam projeto para enfrentar bullying e preconceito

Educação

Composto por alunos de diferentes idades, o projeto busca caminhos para mudar a realidade da comunidade e enfrentar questões como bullying, preconceito e baixa autoestima. “Eu era o rebelde da escola e tinha uma professora que eu sempre tentava tirar do sério. 

Da Redação
Divulgação
O ditado popular diz que um detalhe é capaz de fazer toda a diferença. A história de Anderson Santos Costa, aluno do 3º ano do Colégio Estadual Professor Hermes Miranda do Val, localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), confirma a afirmação. O estudante teve uma grande mudança de comportamento ao fundar com colegas o Grupo de Apoio e Conselhos (GAC).
Composto por alunos de diferentes idades, o projeto busca caminhos para mudar a realidade da comunidade e enfrentar questões como bullying, preconceito e baixa autoestima. “Eu era o rebelde da escola e tinha uma professora que eu sempre tentava tirar do sério. Quando ela me falou que eu era capaz de mudar a minha história, eu parei. Agora estamos dando apoio consciente aos outros alunos através de um diálogo aberto", afirma Anderson em vídeo da série 'Educar Para Transformar', produzida pela Secretaria de Comunicação Social do Estado (Secom).
O grupo tem o apoio da direção da escola. De acordo com a professora Simone Bocaiuva, a ação também aproximou as famílias do colégio. “Eles [os alunos] mudaram muito. E a maneira com as pessoas enxergam a escola também mudou, a comunidade nos vê agora como referência. Ajudamos a perceber a grandeza que é trabalhar com o ser humano com amor e dedicação”, comenta.
Esse ano, o GAC ganhará reconhecimento internacional ao participar da 'Be The Change Conference’, evento organizado pelo movimento global Design for Change, atuante em 25 países, incluindo o Brasil. Na conferência, realizada em Pequim, na China, em dezembro, serão compartilhados projetos desenvolvidos por estudantes de diversos países, que também participarão de oficinas, workshops e atividades culturais. Rayssa Rodrigues, aluna do Colégio Estadual Professor Hermes Miranda do Val, vai representar o GAC no evento.
Com informações da Secom Ba.  28/09/2016


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Polícia Civil vai ouvir Taís Araújo sobre caso de racismo

Direitos Humanos

Os ataques racistas aconteceram na noite de sábado. Ontem a atriz divulgou um texto no qual diz que não irá apagar os comentários, tudo será registrado e enviado à polícia. No Facebook, diz que denunciou, junto com outros usuários da rede, os perfis dos agressores.

Mariana Tokarnia 
Repórter da Agência Brasil
foto -  ilustração
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, por meio de nota, informou hoje, (2), que o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Ronaldo Oliveira, após tomar conhecimento dos comentários sobre racismo que envolveu a atriz Taís Araújo, determinou à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) a instauração de um inquérito para apurar o crime de racismo. A atriz será ouvida e os autores identificados serão intimados para depor.
Na tarde de ontem (1º) comentários em apoio à atriz Taís Araújo, vítima de racismo no Facebook, ganharam destaque nas redes sociais. A hashtag #somosTodosTaisAraujo ficou entre os trend topics, assuntos mais tuitados em um determinado momento, no Brasil. A atriz agradeceu os internautas em seu perfil no Facebook.
Os ataques racistas aconteceram na noite de sábado. Ontem a atriz divulgou um texto no qual diz que não irá apagar os comentários, tudo será registrado e enviado à polícia. No Facebook, diz que denunciou, junto com outros usuários da rede, os perfis dos agressores.
“Faço questão que todos sintam o mesmo que senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena nesse país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!”, escreveu a atriz no texto, dirigindo-se aos autores das postagens racistas.
Taís Araújo acrescentou que, por coincidência, no momento das postagens racistas foram feitas, ela estava encenando “O Topo da Montanha”, um texto sobre Martin Luther King que trata de afeto, tolerância e igualdade. “Quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado”.
Ao longo do dia, Taís Araújo recebeu mais de 40 mil comentários de apoio. Muitos internautas trocaram as fotos do perfil por fotos da atriz.
O racismo é crime no Brasil e, por lei, quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser condenado a reclusão de um a três anos e além de pagar multa.
Denúncias de racismo podem ser feitas pelo 156, opção 7, ou em telefones específicos definidos em cada localidade. No Rio de Janeiro, a delegacia responsável é a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.
Fonte - Agência Brasil  02/11/2015

sábado, 4 de outubro de 2014

Na véspera do primeiro turno, Dilma defende fim da discriminação contra mulheres

Política

“Nós estamos na etapa em que é necessário reforçar esse combate à discriminação, seja à mulher, seja ao negro, seja a homofobia, às diferentes orientações sexuais. É caso para o Brasil se mobilizar e lutar contra esses processos bárbaros que atentam contra a civilização”.

Danilo Macedo 
Enviado Especial da Agência Brasil/EBC 
foto - ilustração
No último dia de campanha política nas ruas para o primeiro turno, a candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, percorreu ruas de Belo Horizonte e Porto Alegre. Em coletiva à imprensa na capital mineira, Dilma explicou as escolhas. “Vou aos dois estados aos quais – tanto Minas Gerais quanto Rio Grande do Sul – eu devo a minha formação pessoal e política.”
Com a voz rouca por causa de uma laringite, Dilma dedicou mais de dez minutos de fala às mulheres. De acordo com dados do Ibope divulgados quinta-feira (2), os eleitores indecisos são, em grande parte, mulheres das regiões Sul e Sudeste com idade acima de 45 anos e renda familiar entre dois e cinco salários mínimos.
Dilma destacou o interesse feminino pelo aperfeiçoamento profissional e o empreendedorismo das mulheres, e ressaltou o papel delas como chefes de família. “Acredito num Brasil com mais direitos, com mais reforço da autonomia das mulheres. Um Brasil sem discriminação”, disse Dilma, acrescentando que a violência contra a mulher é crime.
Segundo a candidata, a construção de um país democrático passa necessariamente pelo fim da discriminação. “Nós estamos na etapa em que é necessário reforçar esse combate à discriminação, seja à mulher, seja ao negro, seja a homofobia, às diferentes orientações sexuais. É caso para o Brasil se mobilizar e lutar contra esses processos bárbaros que atentam contra a civilização”.
Perguntada se tem preferência por enfrentar Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, que também fez campanha hoje na região metropolitana de Belo Horizonte, Dilma disse que “quem tem preferência é o eleitor”. Após a coletiva, por volta das 11h, Dilma percorreu, em carro aberto, ao lado do candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel, cerca de 1,5 quilômetro na Avenida Afonso Pena, a principal do centro da cidade. No final do percurso, com forte esquema de segurança, a candidata entrou em uma cafeteria, onde tomou um café, comeu pão de queijo, conversou com algumas pessoas e tirou fotos por 15 minutos.
Depois de cumprir agenda na capital mineira, Dilma viajou para Porto Alegre. Em seu último ato de campanha, a candidata participou de carreata com militantes na Rua General Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, na região central de Porto Alegre. Ela estava acompanhada do candidato à reeleição ao governo estadual, Tarso Genro, e do candidato ao Senado, Olívio Dutra. A carreata durou cerca de meia hora.
Segundo a assessoria da campanha, ela não tem mais compromissos oficiais hoje. Amanhã (5), Dilma vota na Escola Estadual Santos Dumont, na zona sul da capital gaúcha.
Fonte - Agência Brasil  04/10/2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Em 2013, foram assassinados 313 LGBT no Brasil

Direitos Humanos

De janeiro até hoje, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros.

Carolina Gonçalves 
Repórter da Agência Brasil 
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Enquanto no Chile, onde a população total é quase 18 milhões de pessoas, ocorreram quatro assassinatos de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais ou gays (LGBT) no ano passado, no Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, o número foi 313 homicídios, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). “Comparei esses índices e vi que a chance de um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior”, explicou o antropólogo Luiz Mott, um dos pioneiros do movimento no país.
Mott é o responsável pela pesquisa feita há mais de dez anos e baseada em notícias divulgadas pela imprensa e denúncias coletadas principalmente em cidades do interior do país, onde as estruturas de garantia de direitos humanos é mais precária. Segundo ele, 44% dos casos de homofobia letal identificados em todo o mundo ocorrem em território brasileiro.
Só no último mês foram registradas 16 ocorrências. De janeiro até hoje, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros.
Apesar dos números apontarem que a maior parte dos casos envolvem gays (124), Mott explicou que os transexuais são, proporcionalmente, os mais afetados pelos crimes. “Enquanto os gays representam 10% da população, cerca de 20 milhões, as travestis não chegam a 1 milhão e têm número de assassinatos quase igual ao de gays”. Este ano, 84 travestis foram assassinadas, número bem superior ao de lésbicas (cinco) e bissexuais (dois).
Na Parada do Orgulho Gay, comunidade LGBT
 protesta contra os assassinatos no país
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
“Nunca se matou tantos gays e, sobretudo, lésbicas, que teve um número muito maior de assassinatos do que em anos anteriores”, lamentou Mott. Ele acredita que a única forma de redução de ocorrências fatais seria a criminalização da homofobia. Luiz Mott ressaltou que há um Brasil cor-de-rosa das paradas gays e um Brasil vermelho “que pode ser representado pelos crimes e por amostras dadas por pessoas públicas como (o candidato à Presidência da República) Levy Fidelix (PRTB). Se ele tivesse falado metade do que disse sobre negros já estaria preso”, destacou.
Fidelix declarou em um debate na TV Record, no domingo (28), que homossexuais precisam de atendimento psicológico e comparou a homossexualidade à pedofilia. Desde que a declaração foi feita, quase 3 mil denúncias de violação dos direitos da populac a o de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais e gays foram registradas pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) por meio de números como o Disque 100 e o Ligue 180, segundo assessoria de imprensa do órgão. A reportagem da Agência Brasil tentou contato com os responsáveis pela estatística, mas até o fechamento da matéria não foram indicados nomes que pudessem comentar os números e por que foi feita a relação entre a declaração do candidato e o volume de denúncias.
No Congresso Nacional, tramita, desde 2006 um projeto que altera a Lei 7.716, de janeiro de 1989, que trata dos crimes de preconceito de raça ou de cor, criminalizando a homofobia e incluindo a prática na lei. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado desde o final do ano passado aguardando votação.
No cenário internacional, o Brasil liderou, ao lado de Uruguai, Chile e Colômbia, uma resolução que foi aprovada na semana passada pela Organização das Nações Unidas (ONU), estabelecendo que a entidade apresente um estudo sobre as violações contra homossexuais ocorridas no mundo. Essa resolução é um segmento de uma outra apresentada em 2011 sobre o mesmo tema”, explicou Camila Asano, coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas Direitos Humanos, que desde janeiro de 2006, tem papel consultivo na organização.
Segundo ela, depois da apresentação do primeiro estudo sobre casos de violência, elaborado pela ONU, o tema perdeu espaço nas discussões da organização. Para Camila Asano, a nova resolução é uma maneira de assegurar as conquistas de três anos atrás. “Os grandes feitos dessa resolução, que o Brasil foi líder junto com a África do Sul, foram reconhecer como direito humano a orientação sexual e a identidade de gênero e de condenar a violência e a discriminação”, explicou.
A coordenadora da Conectas, que acompanhou as negociações na reunião deste ano, em Genebra, lembrou que a diplomacia brasileira precisou redobrar esforços para aprovar o texto que foi aprovado num placar de 25 votos favoráveis, 14 contrários e sete abstenções. “A resolução acabou gerando uma ira muito forte de países conservadores, como alguns africanos que criminalizam os homossexuais, como os islâmicos. O Brasil teve que usar de toda sua capacidade e vantagem diplomática para fazer a negociação e fazer com que o texto fosse aprovado. É uma vitória histórica”, disse.
Fonte - Agência Brasil  30/09/2014

domingo, 8 de junho de 2014

Complexo de Vira-Latas: sentimento de inferioridade começou no período de colonização

Documentário

O termo foi definido pelo dramaturgo e jornalista Nélson Rodrigues em uma famosa crônica publicada em 1958, que acreditava que, até então, os brasileiros viviam o chamado “complexo de vira-latas”

Líria Jade
Portal EBC
EBC
O preconceito difundido e absorvidos pela classe média brasileira gera uma inferiorização da nação. "Tudo o que é de fora é melhor", "aqui nada pode dar certo", são alguns dos pensamentos do indivíduo do chamado Complexo de Vira-latas.
O termo foi definido pelo dramaturgo e jornalista Nélson Rodrigues em uma famosa crônica publicada em 1958, que acreditava que, até então, os brasileiros viviam o chamado “complexo de vira-latas”,. “Por 'complexo de vira-latas' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol”, escreveu Nelson. Naquele ano, o país ganharia a Copa do Mundo da Suécia e começava a se tornar o país do futebol.
O documentário, dirigido por Leandro Caproni, O Complexo de Vira-Latas discute o tema e faz um panorama social e político da realidade brasileira. De acordo com o filme, o sentimento de inferioridade começou no período de colonização.

Confira os vídeos do documentário sobre o Complexo Vira-Latas aqui
No Portal  EBC

domingo, 25 de maio de 2014

Mulheres do campo lutam para derrubar barreiras e preconceitos

Cidadania

Conquistar espaços longe do lar, dos filhos e das tarefas domésticas nem sempre é tranquilo para elas. Apesar disso, camponesas tentam vencer a resistência ao seu envolvimento na esfera pública, engajando-se em cooperativas, redes de produção e movimentos sociais. 

Mariana Branco 
Repórter da Agência Brasil
Elisabeth Maria Cardoso, da ONG
Articulação Nacional de Agroecologia
Valter Campanato/Agência Brasil
As mulheres obtiveram direitos e avanços no busca por oportunidades iguais ao longo dos anos, mas há barreiras mais difíceis de derrubar no campo do que nas cidades. Em razão de a zona rural ser tradicionalista, suas moradoras lutam contra preconceitos manifestados de maneira mais explícita do que nos grandes centros. Conquistar espaços longe do lar, dos filhos e das tarefas domésticas nem sempre é tranquilo para elas. Apesar disso, camponesas tentam vencer a resistência ao seu envolvimento na esfera pública, engajando-se em cooperativas, redes de produção e movimentos sociais. Algumas até ocupam postos de liderança, na maioria das vezes monopolizados pelos homens.
Elisabeth Maria Cardoso, coordenadora do grupo de trabalho para mulheres da organização não governamental Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), ressalta que nas áreas rurais existe divisão do trabalho entre homens e mulheres semelhante à encontrada nos centros urbanos, mas o vínculo das mulheres com o local de residência é mais arraigado. “Por mais que haja uma divisão sexual das tarefas também nas cidades, se os dois trabalham fora há um momento em que ela tem o espaço dela. No campo, a agricultura, que é a atividade produtiva, se confunde com a doméstica. E a mulher não é reconhecida pelo trabalho produtivo, é como se não fizesse nada”, diz.
Segundo ela, a falta de reconhecimento vem do marido, dos filhos e até de técnicos que trabalham com comunidades rurais. Elisabeth cita o exemplo de um curso pós-colheita de café ministrado na Zona da Mata de Minas Gerais. “Era ministrado aos homens, mas quem faz a secagem do café é a mulher”, explica. De acordo com a coordenadora, o fato de as tarefas domésticas somadas ao trabalho na roça tomarem muito tempo dificulta a frequência de espaços públicos pelas mulheres do campo. “Muitas vezes, o espaço onde ela vai restringe-se à escola e à igreja”, diz. Segundo Elisabeth, ao se ausentar, a mulher deve conseguir adiantar as obrigações do lar ou ter alguém que a substitua.
Precisa, ainda, enfrentar o preconceito dentro e fora de casa. “É um preconceito muito grande. Mesmo as outras mulheres acham estranho se a vizinha começa a sair demais. As companheiras começam a falar mal, a dizer que está enganando o marido”. De acordo com ela, apesar do cenário desfavorável, as redes de mulheres, com trabalho e negociação conjunta das mercadorias, se fortalecem desde os anos 1980. Em anos mais recentes, também tem se tornado comum a participação ativa em movimentos sociais e o contato com temas como desigualdade de gênero e violência contra a mulher, levados à discussão por organizações da sociedade civil.
Apolônia Gomes da Silva, da Rede de Mulheres
Produtoras do Pajeú
Valter Campanato/Agência Brasil
Uma dessas entidades é a ANA. Segundo Elisabeth, há um ano a organização começou um trabalho de formação em feminismo e agroecologia (nome dado ao cultivo sustentável, sem agrotóxicos) para o Movimento de Mulheres da Zona da Mata e do leste de Minas Gerais. Posteriormente, o curso foi estendido a mais quatro redes vinculadas à organização. A partir do segundo semestre deste ano, também serão ministradas aulas sobre empreendedorismo para mulheres da zona rural.
Apolônia Gomes da Silva, da Rede de Mulheres Produtoras do PajeúValter Campanato/Agência Brasil
Um projeto destinado a mulheres também abriu horizontes para a pernambucana Apolônia Gomes da Silva, 34 anos, educadora da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú. Patrocinada pela Petrobras e pelo governo federal, a rede vende produtos agrícolas e artesanato como bordados, vasos e utensílios para cozinha. Segundo Apolônia, que é da cidade Afogados da Ingazeira, o preconceito contra o trabalho feminino fora de casa ainda existe, mas aos poucos está sendo contornado.
“Hoje ainda tem isso [preconceito], mas vem sendo superado. Algumas mulheres têm quebrado bastante essa barreira com a formação política e feminista”, avalia. Apolônia diz já ter enfrentado dificuldades com o marido. “Ele já reclamou que eu não paro em casa. Eu digo que ele tem que entender que é meu trabalho. Ele já me conheceu assim”. A educadora conta também que é pesado equilibrar as tarefas domésticas quase sempre exigidas das mulheres com as atividades externas. “Todas têm tentado. Para muitas até é a única opção, porque tem mulher que é chefe de família”.
As entrevistas foram feitas em Juazeiro (BA) durante o 3° Encontro Nacional de Agroecologia. A repórter viajou a convite da Articulação do Semiárido Brasileiro (Asa) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
Fonte - Agência Brasil  25/05/2014

sábado, 17 de maio de 2014

MPF/RJ recorre da decisão que não considera os cultos africanos como religião

Direitos Humanos

No recurso, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jaime Mitropoulos, argumenta que os 15 vídeos em questão caracterizam crime de ódio, pois são baseados na “intolerância e na discriminação por motivos religiosos”, ressaltando que a comunidade internacional “praticamente chegou ao consenso sobre a necessidade de coibir práticas desse tipo”.

Akemi Nitahara  
Repórter da Agência Brasil 
Na foto, o Tambor de Crioula é dançado
 em homenagem a São Benedito, em São Luís.

Arquivo / Wilson Dias / Agência Brasil
O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) recorreu da decisão do juiz da 17ª Vara Federal do Rio, Eugênio Rosa de Araújo, que negou o pedido de retirada de vídeos com mensagens de intolerância contra religiões afro-brasileiras. O juiz alegou que tais crenças “não contêm os traços necessários de uma religião”, que seriam um texto-base, como o Corão ou a Bíblia, estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado.
Na decisão, Araújo coloca que “as manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões, muito menos os vídeos contidos no Google refletem um sistema de crença - são de mau gosto, mas são manifestações de livre expressão de opinião”.
No recurso, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jaime Mitropoulos, argumenta que os 15 vídeos em questão caracterizam crime de ódio, pois são baseados na “intolerância e na discriminação por motivos religiosos”, ressaltando que a comunidade internacional “praticamente chegou ao consenso sobre a necessidade de coibir práticas desse tipo”.
Ela cita a promulgação de documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966), a Declaração sobre a Raça e os Preconceitos Raciais (1978) e a Declaração sobre a eliminação de todas as formas de intolerância e discriminação fundadas na religião ou nas convicções (1981).
A Ação Civil Pública foi proposta a partir de uma representação da Associação Nacional de Mídia Afro, que apontou vídeos divulgados no Youtube que trariam mensagens que “associam as referidas religiões à figura do diabo e a tudo de mal que a ele possa estar ligado, muito embora 'diabo' ou 'demônios' sequer façam parte do universo das religiões de matrizes africanas”, diz o recurso de Mitropoulos.
No agravo de instrução, o procurador destaca também que o Ministério Público Federal expediu recomendação para que a Google Brasil retirasse os vídeos da internet. Mas, segundo ele, a empresa manteve os vídeos sob o argumento de que “tudo não passa de um fiel retrato da liberdade religiosa do povo brasileiro”.
Para o presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir), Ivanir dos Santos, o juiz Eugênio Rosa de Araújo não se posicionou na decisão com a neutralidade que requer o cargo. “Eu acho que o juiz não externou uma posição como juiz, ele externou uma posição como uma pessoa que tem uma religião, e o estranho é que ele é um funcionário de um Estado laico. Ele, na verdade, ofende a lei que ele tem que zelar, o próprio artigo da constituição que fala de discriminação de religião e preconceito”.
Santos informa que o Ccir fará uma reunião na próxima semana sobre a questão para, se for o caso, denunciar o juiz ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Procurado pela Agência Brasil, o CNJ não comentou a decisão e disse que “é órgão administrativo do Judiciário e não tem interferência sobre questões judicializadas”.
Fonte - Agência Brasil  16/05/2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

O PRECONCEITO A INTOLERÂNCIA E A FALTA DE RESPEITO NÃO TEM LIMITES

Direitos humanos   

O preconceito é a arma da intolerância utilizada por aqueles que se acham acima de todas as virtudes,do bem e do mal, julgam-se superiores em tudo e a todos,inatingíveis,intocáveis mais esquecem que o destino de todos aponta somente para uma única direção..........

Da Redação
NÃO SOMOS MACACOS
Nem bem cicatrizaram as feridas da lamentável agressão sofrida pelo jogador brasileiro Daniel Alves em um estádio de futebol em gramados espanhóis, quando um torcedor do time adversário atirou uma banana em sua direção,fato esse que provocou uma revolta generalizada,ainda que dando surgimento a um movimento totalmente equivocado e descabido aprofundando mais ainda o sentimento RACISTA E PRECONCEITUOSO, denominado #somostodosmacacos  ( Eu não sou macaco e ninguém é macaco).Para a minha surpreza, eis que hoje me deparo com mais uma agressão idêntica,desrespeitosa,preconceituosa,descabida e injuriosa desta vez cometida contra o ex Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, e de tabela atingindo também a atual Presidenta Dilma Rousseff, no Facebook, no perfil da conta da usuária Maria Candida Junqueira Zacharias.A ninguém é vedado o direito a critica,a oposição,ao contraditório,e niquem é obrigado a gostar de ninguém,é assim que funciona a democracia,mas ela não nos da o direito de ultrapassar  os limites da fronteira entre o certo e o errado,entre o real e o imponderável.Manter sempre o respeito ao direito e a dignidade do ser do humano é muito mais do que uma obrigação,é um dever de todos nos. O que fizeram com o jogador Daniel Alves e agora repetem de maneira lamentável e acintosa com o ex Presidente Lula é uma agressão inadmissível,inaceitável e ambas não podem e não devem passar em branco sem que os seus autores sejam devidamente responsabilizados.Não vivemos numa selva,onde as leis são ditadas pelas necessidades de sobrevivência daqueles que nela habitam, não somos macacos,somos seres humanos e civilizados, e por isso devemos agir e nos comportarmos sempre com tal.
Expressamos aqui nosso total e veemente repúdio, a toda e qualquer forma de intolerância,descriminação ou preconceito a todo e qualquer ser humano,a democracia assim exige,igualdade e respeito para todos.
Pregopontocom


Copia da postagem no Facebook

Segue a foto de um exemplar da espécie PTcântropus CorruPTus, da subordem dos Nihil Sapientis Eternum, da classe Operarius Fajutus.
Essa espécie tem como característica ter apenas 9 dedos nas mãos e de alimentar-se somente de derivados de cana ou de malte escocês.
Os povos primitivos o idolatram e até deificam, mediante farta distribuição de micro-benesses que bastam a esses primitivos para tornarem-se vagabundecos também.
Outra característica exclusiva dessa espécie é que são os machos que dão à luz, fato comprovado, pois foi esse exemplar da foto que pariu um excremento da natureza identificado como Dilmus Presidentus que já empesteou a nação e acabou, como praga, do pouco de dignidade que ainda havia neste país.
A sorte é que esta espécie e seus descendentes são tão vorazes que cedo ou tarde acabarão comendo uns aos outros... só que até lá....adeus Brasil!
Recomendo repassar, para conhecimento meramente científico...ar legenda

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre Macacos,Bananas,Daniel Alves e Neymar

Direitos Humanos

Daniel Alves sofreu uma agressão. Reagiu. Contudo, a atitude do jogador não neutralizou a violência racial a qual ele foi exposto, nem tirou a necessidade de se punir os agressores. O jogador sentiu aquilo que todos os negros e negras passam diariamente no esporte ou fora dele.


No último domingo (27/04), durante o jogo entre Barcelona e Villarreal, jogaram uma banana no campo de futebol. Em uma atitude totalmente irônica, o jogador negro Daniel Alves a comeu.
Não é de hoje que negros e negras são chamados de macacos e que a banana se tornou, dentro ou fora dos campos, um símbolo desse tipo de agressão racial. Não é de hoje também negros jogadores de futebol são vítimas do racismo dos torcedores, dos patrocinadores, da FIFA e dos árbitros.
Daniel Alves sofreu uma agressão. Reagiu. Contudo, a atitude do jogador não neutralizou a violência racial a qual ele foi exposto, nem tirou a necessidade de se punir os agressores. O jogador sentiu aquilo que todos os negros e negras passam diariamente no esporte ou fora dele. Ser retirado da sua humanidade e colocado em condição de animal irracional é artifício secular do racismo reproduzido até hoje. A diferença no caso de Daniel é a sua visibilidade e o alcance da sua reação — diga-se de passagem: melhor que muito discurso por aí.

Todo o apoio a Daniel Alves.

A atitude de Daniel não faz dele um macaco. Não faz de nenhum negro ou negra macacos. Não faz de ninguém macaco. Neymar parece que não entendeu.
Num surto heroico anti-racista, Neymar, que até ontem não se identificava como negro, colocou uma foto no instagram dele acompanhado do filho, segurando cada um a sua respectiva banana, dizendo “Tomaaaaa bando de racistas. #Somostodosmacacos e daí?”. Em pouco tempo, famosos acompanharam o desserviço em forma de indignação do rapaz.

Toda a repulsa à campanha que Neymar emplacou.

Se Neymar começou a reconhecer e a assumir sua negritude agora, não se sabe. O que se tem é um homem negro com visibilidade dizendo que o discurso racista do opressor está certo e que somos macacos. Todo mundo deveria saber que ninguém é macaco — o problema é que alguns de nós, pretos e pretas, fomos e somos historicamente tratados como animais.

Neymar tá empurrando para o lixo anos e anos de luta anti-racista. E nem acho que ele esteja ligando muito para a merda que fez. O racismo nos campos de futebol sempre existiu e agora têm ganhado bastante espaço na mídia. Os veículos até então não tinham encontrado um rosto que estampasse a luta contra esse tipo de discriminação sem afetar seus interesses. Neymar percebeu a oportunidade, agarrou como a banana na foto e provavelmente será esse rosto: mais visibilidade para o afroconveniente de ouro.


E a merda não para por aí. Faça a pesquisa nas redes sociais com #Somostodosmacacos e você vai perceber a quantidade de fotos de pessoas brancas com suas respectivas bananas como se estivessem sob a ameaça de sofrer um ataque racista. Não faz sentido! Afinal, nenhuma banana, real ou não, foi jogada na cara delas.
Neymar não fala pela comunidade negra.

Eu não sou macaco.

Nenhum negro ou negra é macaco.

Ninguém é macaco.

Higor Faria é preto, publicitário, estuda masculinidade negra e escreve no https://medium.com/@higorfaria


domingo, 30 de março de 2014

“Rússia sofre com preconceito e discriminação na questão da Crimeia” - Angelo Segrillo

Internacional

O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia.... 

Angelo Segrillo
Angelo Segrillo
Quaisquer que sejam as críticas que os principais países do Ocidente fazem sobre a Rússia, uma boa dose é de preconceito e outra é de discriminação. Assim pode ser resumida, de acordo com o historiador e cientista político brasileiro Angelo Segrillo, a pressão que a Europa e os Estados Unidos fazem sobre as ações do Governo de Vladimir Putin na questão da Crimeia, tornando-a novamente parte do território russo.
Professor Angelo Segrillo: “Esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos”
O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia, da qual destacamos os pontos abaixo:

Sobre a posição da União Europeia e dos Estados Unidos em relação à Rússia diante da crise ucraniana e a anexação da Crimeia:
Angelo Segrillo – Alguns governantes e ideólogos ocidentais realmente acreditam que defendem valores democráticos quando acusam unilateralmente a Rússia de ser o lado errado nesta questão. Outros sabem que isto, na verdade, é um certo preconceito – de que a Rússia está sempre do lado errado –, mas mantêm o discurso assim mesmo. Os dois grupos demonstram uma certa "má vontade" com a Rússia ao considerá-la herdeira de mentalidades soviética e imperial czarista. Em minha opinião, estas visões não levam em consideração as circunstâncias esdrúxulas da deposição do presidente eleito Viktor Yanukovich sem os processos normais e legais de impeachment com direito à defesa, etc., que levaram a este episódio.

Sobre a influência desses grupos em muitos think tanks brasileiros e alguns meios da imprensa, que não aprovam a ação na Crimeia:
AS – A grande imprensa brasileira geralmente trabalha a partir das agências de notícias ocidentais. Isso acaba levando a maior repercussão dos pontos de vistas ocidentais em nosso país.

Sobre a defesa do governo Putin de que a Crimeia é russa e que a maior parte da população é de russos e seus descendentes:
AS – A questão da passagem da Crimeia à Ucrânia [em 1954 o então líder soviético Nikita Khruschev, que era de origem ucraniana, deu a região como presente] nunca foi bem digerida na Rússia, mas acho que se não tivesse havido a deposição do presidente ucraniano do jeito que foi a Rússia não teria feito a anexação daquela região.

Sobre a necessidade da Rússia de manter alguma barreira geopolítica e militar contra o avanço no Leste da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN):
AS – Acho que esta é a resposta instintiva da Rússia ao avanço da OTAN em sua direção. Ela tem lógica. Mas acho que esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos.

Sobre se a Rússia se sente “pequena” depois do desmantelamento da União Soviética e se o país não se sente respeitado pelo Ocidente:
AS – Não, não acho que a Rússia tenha ou precise ter complexo de inferioridade em relação ao Ocidente. Mas, certamente, no momento atual, sente-se discriminada pelos países ocidentais do chamado primeiro mundo. E nem sempre a Rússia foi alvo de desrespeito. Houve momentos de grande prestígio da Rússia no Ocidente, quando, por exemplo, derrotou Napoleão ou quando a União Soviética ajudou a derrotar o nazismo. Nessas épocas a Rússia foi muito apreciada pelos governos ocidentais.

Sobre o silêncio oficial do Governo brasileiro, que tem um acordo aeroespacial com a Ucrânia, onde já foram investidos milhões de dólares, e também é aliado da Rússia no bloco BRICS, além de alinhamentos políticos em muitas questões internacionais:
AS – Acho que a resposta atual do Brasil, em não se meter na questão, está correta. O Brasil não tem necessidade de comprar a briga de outros, principalmente em situações tão complicadas e contraditórias como essa.
Fonte - Diário da Russia  30/03/2014

domingo, 23 de março de 2014

Violência aumentou com fim da lei contra a homofobia, dizem especialistas

Rio de Janeiro

De acordo com o presidente da comissão, deputado Carlos Minc, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro revogou a lei em outubro de 2012 por vício de iniciativa, depois de ela “funcionar muito bem” por 12 anos.

Akemi Nitahara 
Repórter da Agência Brasil 
Ag.Brasil
A derrubada da Lei Estadual 3.406/2000, que define penalidades a estabelecimentos que discriminem pessoas por causa da orientação sexual, pode estar relacionada ao aumento da violência sofrida por lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros. O tema foi discutido em audiência pública na última quinta-feira (20), promovida pela Comissão de Combate às Discriminações e aos Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
De acordo com o presidente da comissão, deputado Carlos Minc, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro revogou a lei em outubro de 2012 por vício de iniciativa, depois de ela “funcionar muito bem” por 12 anos.
“A lei [definia] discriminação [e estabelecia] que agentes públicos que se omitissem [sobre o assunto] seriam punidos. Houve recurso por vício de iniciativa, porque deputado não pode legislar sobre funcionário público. O Tribunal de Justiça acatou a representação, mas não anulou só o artigo que falava de funcionário público. Aproveitaram um pouco de desinformação, e também conservadorismo da nossa Justiça, e passaram o cerol [mistura de cola com vidro moído que é aplicado em linhas de papagaios ou pipas] em toda a lei”.
O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Claudio Nascimento, que também coordena o Programa Rio sem Homofobia, lembra que no ano passado houve 20 casos de assassinatos de pessoas vítimas de preconceito sexual no estado, e neste ano já houve sete.
“Temos uma situação concreta de discriminação e preconceito. Tem um sistema ideológico muito estruturado que vem conseguindo gerar esses níveis de violência. Estamos disputando esse debate na sociedade, mas a gente sabe que com o aumento do fundamentalismo religioso e político, o conservadorismo da sociedade, a ideia de limpeza moral, tudo isso contribui [para a violência homofóbica]”.
O presidente do Grupo Arco-Íris, que organiza a Parada Gay do Rio de Janeiro, Júlio Moreira, lembra que a luta contra a homofobia também foi derrotada no Congresso Nacional. “Estamos num cenário político muito delicado, pela experiência que nós tivemos com o PLC 122 [Projeto de Lei da Câmara que criminaliza a homofobia], projeto que recebeu tantas emendas [que], no final, não passou. Então a gente precisa refletir sobre o que a gente quer. A gente precisa mostrar que a gente tem força”.
Para o estilista Carlos Tufvesson, responsável pela Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da prefeitura, as casas legislativas têm sido omissas com relação à homofobia e outras intolerâncias. “Nós nunca matamos tanto negros, homossexuais, mulheres, nunca tivemos tantos crimes de intolerância religiosa. Estamos nos tornando um país intolerante. O dado de aumento de 47% dos crimes de ódio foi publicado em junho e desde então nenhuma política pública foi adotada. A gente está vivendo um verdadeiro holocausto de cidadania no nosso país. Tudo que a gente constituiu e lutou está sendo destruído”.
O vereador de Niterói Leonardo Jordano disse que não é possível dizer que a ausência de lei específica cause diretamente o aumento da violência homofóbica, mas há uma relação de causa e efeito entre os dois tópicos. “O descumprimento de leis é feito seletivamente, há diversas leis sendo descumpridas e só a [que ataca problemas ligados ao movimento] LGBT foi revogada. O movimento LBGT está sob ataque, a lei estava pacífica, consolidada. Tivemos conquistas importantes nas décadas de 1990 e de 2000, mas agora a gente vive um momento em que se busca andar para trás, os caras estão indo para a agressão. As denúncias são desmoralizadas, o debate é desqualificado, para manter no gueto a comunidade LGBT. É uma população que não pode amar em público e os outros vêm falar que [uma lei] seria criação de privilégios”.
De acordo com Minc, um novo projeto de lei com o mesmo teor da Lei 3.406 foi apresentado pelo governador Sérgio Cabral, porém, a discussão está parada na Alerj. O deputado diz que o projeto já recebeu mais de cem emendas de pessoas contrárias à causa LGBT.
Fonte - Agência Brasil  23;03;2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Luta contra o preconceito deve se traduzir em ações concretas, diz ministro

Educação

O ministro da Educação, Henrique Paim, disse hoje (21), Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, que é preciso traduzir todo o embate contra o preconceito em ações concretas.

Paula Laboissière 
Repórter da Agência Brasil 

“Precisamos, a partir da educação infantil, começar nossa verdadeira saga contra a discriminação racial e a valorização da África no Brasil”, disse. “A educação é um instrumento de formação social importante. O único que vai fazer com que tenhamos redenção. Ela é libertadora, especialmente para nós, afro-brasileiros”, defendeu o ministro durante o lançamento de materiais pedagógicos sobre história e cultura africana.
O ministro da Educação, Henrique Paim, participa do lançamento de materiais pedagógicos sobre história e cultura da África Marcelo Camargo/Agência Brasil
Para ele, o lançamento do material representa um grande legado para o Brasil. Ao todo, 32 mil escolas vão receber as publicações, feitas em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
O representante da Unesco no Brasil, Lucien Muñoz, lembrou que a discriminação racial assume diversas formas, mas que cada uma delas representa uma afronta aos direitos humanos e à dignidade. Para ele, a ampla circulação de informação estimula uma melhor aproximação de culturas, o respeito mútuo e o desenvolvimento de uma cultura de paz.
“Contribuir para a redução da discriminação racial no mundo e no Brasil produzindo conhecimento sobre a África e os afro-brasileiros tem sido um esforço que vem sendo desenvolvido nos últimos anos pela Unesco em estreita parceria com o MEC e a Universidade Federal de São Carlos.”
O secretário-executivo da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Giovanni Harvey, elogiou a parceria e cobrou que mais órgãos do governo federal se comprometam com o combate à discriminação racial e ao preconceito.
“Teremos um novo patamar quando a sociedade brasileira e os órgãos assumirem para si essa responsabilidade. Esse exemplo vai abrir caminho para que outros gestores públicos possam fazer o que o MEC está fazendo”, destacou.
A publicação Síntese da Coleção História Geral da África, dividida em dois volumes, pretende fornecer subsídios para pesquisadores e estudantes e para a prática pedagógica de professores da educação básica, com o objetivo de ampliar conhecimentos sobre a história e a cultura africana.
Já o livro História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na Educação Infantil vai disponibilizar conteúdos para a formação e o conhecimento sobre a riqueza, as diferenças e a diversidade da história e da cultura africana e suas influências na história e na cultura do povo brasileiro.
De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Macaé Maria Evaristo, o material abre caminho para a implementação da Lei n° 10.639 de 2003, que determina a inclusão de conteúdos sobre a história da cultura afro-brasileira e africana na educação básica.
“Estamos começando com um material específico para a educação infantil, mas vamos também entregar materiais para o ensino fundamental e o ensino médio”, disse. “É importante avançar nessas pautas dentro das escolas”, completou.
O embaixador da República do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, também elogiou o lançamento do material didático e lembrou que utilizar a educação como ferramenta para eliminar a discriminação racial permite ampliar o conhecimento e elevar a autoestima de quem sofre preconceito.
“Enquanto o mundo continuar a ter a pobreza ligada à cor e enquanto não houver educação multicultural universal, vamos continuar celebrando o Dia Nacional pela Eliminação da Discriminação Racial”, destacou.
Fonte - Agência Brasil  21/03/2014

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

TRÊS SÉCULOS APÓS A MORTE DE "ZUMBI",negro ainda é discriminado

Cidadania


Comemorado nesta quarta-feira, 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos. “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, diz o Ipea...

Da Agência Brasil

Brasília – Comemorado hoje (20), data da morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos.
A nota Vidas Perdidas e Racismo no Brasil aponta que, além de Alagoas, estados como o Espírito Santo e a Paraíba concentram o maior número de negros vítimas de homicídio. ““Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima”, revela o estudo.
Os autores Daniel Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura, ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), analisaram até que ponto as diferenças nos índices de mortes violentas de negros e não negros estão relacionadas com questões como as diferenças econômicas, ao racismo e de ordem demográfica. “O componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”, concluiram os pesquisadores da FGV.
Considerando o universo dos indivíduos vítimas de morte violenta no país entre 1996 e 2010, o estudo mostra que, para além das características socioeconômicas – escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, aumenta a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais.
“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, dizem os técnicos. No estudo, eles concluem que essas discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros quando comparada aos índices do restante da população.
Coincidentemente, Alagoas, líder de mortes violentas, especialmente o homicídio, contra negros e pardos também simboliza a luta dos africanos escravizados trazidos da África, no século 19, para trabalhar nos canais. A personificação desta luta que, pelos índices apresentados no estudo do Ipea, ainda perdura é Zumbi dos Palmares. Alagoano de nascença e natural de União dos Palmares, Zumbi – duende na língua do povo Banto, de Angola – liderou o maior quilombo do país.
Aos 7 anos, em 1670, ele foi capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, responsável por sua formação. Com o passar do tempo, Zumbi, batizado na Igreja Católica com o nome de Francisco, fugiu para o Quilombo dos Palmares onde impressiona os demais escravos fugidos de fazendas de engenho pela sua habilidade em lutas. Aos 20 anos, ele já tinha se tornado o maior estrategista militar e guerreiro, responsável pela derrota imposta pelos quilombolas na luta contra soldados fiéis ao império português.
Fonte - Agência Brasil  20/11/2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Quase 30% dos moradores de favelas já sofreram discriminação,diz pesquisa

Cidadania


Vinícius Lisboa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Cerca de 30% dos moradores de favelas brasileiras já sofreram preconceito, afirma a pesquisa Radiografia das Favelas Brasileiras, a primeira do Instituto Data Favela, lançada hoje (4) no 1º Fórum Nova Favela Brasileira. De acordo com o estudo, 59% dos moradores das comunidades concordam que quem mora em comunidades da periferia é discriminado.
Para 32% dos que se disseram vítimas de preconceito, a cor da pele foi a motivação e para 30%, morar em uma favela foi o motivo. Para 20%, o preconceito decorreu da falta de dinheiro e, para 8%, das roupas que vestiam.
A pesquisa mostra também que 37% dos moradores de favela já foram revistados por policiais, proporção que chega a 65% quando se trata de jovens de 18 a 29 anos. Entre os que já foram revistados, a média chega a 5,8 abordagens na vida. "Temos um lado da presença do Estado que ajuda e outro que mostra preconceito", disse Renato Meirelles, um dos fundadores do Data Favela.

Por outro lado, a pesquisa constatou que 75% dos moradores de favela são totalmente ou parcialmente favoráveis à pacificação. Ao todo, 73% dos moradores acham as favelas violentas, sendo que 18% as consideram muito violentas.
Para mais de 60%, no entanto, a comunidade melhorou nos últimos anos, e 76% acreditam que vai melhorar nos próximos anos. Sair da favela não é o desejo de 66% dos entrevistados, e 94% se consideram felizes, um ponto percentual a menos do que a média nacional, segundo o Data Favela.
A pesquisa entrevistou 2 mil moradores de 63 favelas do país entre julho e setembro, depois de treinar moradores de comunidades para participar da formulação e da aplicação do questionário. "Não basta produzir números sobre a favela, é necessário que ela produza e interprete esses números", ressaltou Meirelles.
Fonte - Agência Brasil  04/11/2013

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Dilma critica preconceito contra cubanos

Política


"É um imenso preconceito sendo externado contra os cubanos. É importante dizer que os médicos estrangeiros, não só cubanos, vêm ao Brasil para trabalhar onde os brasileiros formados aqui não querem trabalhar”, disse a presidenta em entrevistas a emissoras de rádio de Minas Gerais

Renata Giraldi e Danilo Macedo
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (28) os que têm preconceito contra a presença dos médicos cubanos no Brasil. Em entrevista a rádios de Minas Gerais, ela ressaltou que há também médicos de outros países, além de Cuba. A presidenta reiterou que os estrangeiros estão no Brasil para desempenhar o trabalho que os médicos brasileiros não querem fazer.
"É um imenso preconceito sendo externado contra os cubanos. É importante dizer que os médicos estrangeiros, não só cubanos, vêm ao Brasil para trabalhar onde médicos brasileiros formados aqui não querem trabalhar”, disse ela.
Ontem (27), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) solicitou à Procuradoria-Geral do Trabalho investigação da relação de trabalho dos profissionais que atuarão pelo Mais Médicos. A entidade alega que o fato de os médicos não revalidarem os diplomas vai causar restrição de locomoção, o que, segundo a entidade, é uma das características do trabalho escravo.
Pelas regras do governo, todos os profissionais do Mais Médicos receberão uma “bolsa formação” pelo serviço nas regiões carentes. Não haverá contrato de trabalho. O Ministério da Saúde é favorável à concessão de pagamento por intermédio de bolsa porque os médicos farão uma especialização na atenção básica ao longo dos três anos de atuação no programa.
No caso dos médicos cubanos, eles atuarão no Brasil em regime diferente dos que se inscreveram individualmente no Mais Médicos. O Ministério da Saúde brasileiro firmou acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para que a entidade internacional buscasse parcerias para a vinda de médicos para o país. Pelo acordo, a Opas fez acordo com Cuba, prevendo inicialmente a vinda de 4 mil médicos cubanos. Os primeiros 400 profissionais desse acordo a chegarem no país vão atuar em parte das 701 cidades que não receberam inscrições individuais de médicos.
No acordo, os repasses financeiros serão feitos do Ministério da Saúde para a Opas. A entidade repassará as quantias ao governo cubando, que pagará os médicos. Inicialmente nem a Opas nem o Ministério da Saúde souberam especificar quanto dos R$ 10 mil pagos por médico será repassado para os profissionais, porém, o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, disse depois que a remuneração ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil.
Fonte - Agência Brasil  28/08/2013

sábado, 6 de abril de 2013

Mariela Castro faz revolução silenciosa mudando o comportamento sexual em Cuba

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Foto - ilustração
Brasília – Filha do presidente de Cuba, Raúl Castro, e sobrinha de Fidel, Mariela Castro Espín, de 50 anos, diretora do Centro Nacional de Educação Sexual do país, faz uma revolução silenciosa na sociedade cubana combatendo a homofobia e os preconceitos em geral. Na semana passada, ela esteve no Brasil, onde participou de dois seminários sobre o tema em Brasília e Porto Alegre. Em entrevista à Agência Brasil Mariela disse que sua estratégia de ação é simples: educação aliada à sensibilidade.
“A nossa principal ênfase é na estratégia educativa. Trabalhamos com tudo o que toca o coração e a sensibilidade”, disse. Depois de lembrar que Brasil e México apresentam índices elevados de violência contra homossexuais e transgêneros, ela destacou que os números brasileiros são “ainda mais“ preocupantes. “Isso chama a atenção. Essa não é uma realidade em Cuba”.
Mariela não comentou a polêmica envolvendo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara devido à ação do seu presidente, deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que defende medidas conservadoras quando o tema é orientação sexual. Ela mostrou que a campanha pelo fim do preconceito em Cuba envolve cartazes e spotscom os lemas: “Dois iguais também têm direito a ser casal” e “Reconhecimento dos direitos sexuais como direitos humanos”. A seguir, os principais trechos da entrevista de Mariela Castro à Agência Brasil.
Agência Brasil – Como é o trabalho no Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba?
Mariela Castro Espín – A nossa principal ênfase é na estratégia educativa. Trabalhamos com mensagens informativas e que consideramos fundamentais. Promovemos cursos de formação, na área jurídica, de educação e de saúde, incentivamos debates e muitas conversas. Minha mãe [Vilma Espín, que casou com Raúl Castro, atual presidente cubano] era uma feminista e sempre teve ideias de liberdade e de direitos igualitários. Ela lutou por isso desde os anos de 1970.
ABr – A senhora fala muito em educação, então esse é o caminho quando se refere a informar sobre questões sexuais?
Mariela – Sim, sem dúvida. O começo de tudo é a estratégia da educação. Não vamos impor a hegemonia, por exemplo, não gosto da ideia do macho-gay ou do macho-heterossexual. Isso é preconceituoso também. É preciso trabalhar a sociedade para compreender e conviver bem com as diferentes orientações sexuais que existem. Só as leis não bastam: a lei sozinha não muda a sociedade. É sob re isso que trabalhamos, o que inclui também ações de combate à violência contra mulheres e meninas. A educação é tudo. A mídia também é muito importante.
ABr – Como lidar com as resistências quando se fala de temas tão delicados e até mesmo polêmicos?
Mariela - A discriminação de qualquer ordem não é coerente com os princípios da revolução [Revolução Cubana, quando os irmãos Castro e guerrilheiros, em 1959, assumiram o poder em Cuba instaurando um governo socialista]. É preciso superar preconceitos. Trabalhamos com o apoio das igrejas e da sociedade civil, assim como com várias organizações. A diversidade é uma característica humana.
ABr – Nos últimos anos, o centro que a senhora dirige se preocupa bastante com a questão da homofobia. Por quê?
Mariela – Na universidade, trabalhei inicialmente com educação sexual para crianças e adolescentes. Mas com o passar do tempo, fui procurada por homossexuais e transgêneros que pediam ajuda. O tema me interessou. Mas tudo começou lá atrás quando acompanhava minha mãe que era uma defensora dos direitos humanos. A preocupação está em trabalhar pela preservação dos direitos dos homossexuais, o que envolve principalmente o local de trabalho e a família.
ABr – Parece que a senhora tem sido bem-sucedida nos seus esforços...
Mariela - Trabalhamos com tudo o que toca o coração e a sensibilidade, isso surte efeitos. As artes, em geral, estão presentes nas nossas atividades.
ABr – O que a senhora observa de mudanças na sociedade cubana depois do trabalho de educação sexual?
Mariela - Percebo muitas mudanças, não apenas nos últimos anos, mas de 50 anos para cá. As mudanças de comportamento podem ser observadas desde a infância, passando juventude e até a vida adulta. Os casos de discriminação são tratados basicamente por meio de medidas administrativas e não na esfera judiciária. Promovemos a primeira Jornada contra a Homofobia, em 2008, já fizemos 20 cirurgias para reversão de sexo [masculino e feminino], há orientações sobre o combate de aids e cuidados com a saúde masculina, inclusive sobre potência sexual.
ABr – Nos últimos anos, a senhora tem dado ênfase aos transgêneros. Há uma razão especial?
Mariela – Sim, não tratamos o transgênero como um doente. É uma pessoa que sofre e que merece ter atenção e receber o tratamento adequado. No caso dos que querem ser submetidos à cirurgia para a reversão de sexo, há uma fila de espera. Mas o processo é todo gratuito. O tratamento envolve o uso de hormônios para a cirurgia, o acompanhamento da família e a inserção social e laboral.
ABr – No Brasil, o que a senhora observa quanto aos temas de homossexuais e transgêneros?
Mariela – [Infelizmente] o Brasil e o México apresentam índices elevados de violência contra homossexuais e transgêneros. No Brasil os números são ainda mais preocupantes. Isso chama a atenção. Essa não é uma realidade em Cuba. Em Cuba, não identificamos a violência contra homossexuais e transgêneros. O que percebemos é que as violações estão relacionadas com questões [de preconceito no] trabalho e [na] família.
ABr – Observando o futuro, a sensação que a senhora tem é que há ainda muito a fazer?
Mariela – Ah...[Olha para cima como quem para para pensar] há muito o que fazer ainda. É uma estratégia permanente, temos de continuar a luta para superar toda forma de discriminação, incluindo a identidade de gênero. O esforço agora é para aprovar mudanças no Código de Família tornando legal a união entre pessoas do mesmo sexo. Em Cuba, não falamos em casamento porque no país o casamento formal e o informal são tratados da mesma forma. Se heterossexuais podem se unir como um casal, por que os homossexuais não têm o mesmo direito? Estamos em um bom caminho, pois estamos avançando.

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Fonte - Agência Brasil  06/04/2013