UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Número de refugiados da Ucrânia na Rússia já chega a quase dois milhões

Internacional

Situação está gerando grande preocupação para o governo russo -  Desde o início do conflito entre forças do governo e grupos separatistas, a Rússia contabiliza 1,9 milhão de pessoas vindas da Ucrânia instaladas em seu território.

DR

O diretor do Serviço Federal de Migração da Rússia, Konstantin Romodanovsky, informou que, em 1º de abril deste ano, mais de 500 mil cidadãos ucranianos entraram em território russo como refugiados. Desde o início do conflito entre forças do governo e grupos separatistas, a Rússia contabiliza 1,9 milhão de pessoas vindas da Ucrânia instaladas em seu território.
Para a Rússia, este é um motivo de grande preocupação, pois, a medida em que os conflitos se intensificam no sul e no leste da Ucrânia, mais aumenta o número de ucranianos em busca de refúgio na Federação Russa.A quantidade de pessoas vindas da Ucrânia que entra na Federação Russa aumenta a cada dia.
Fonte - Diário da Russia  17/07/2014

domingo, 30 de março de 2014

“Rússia sofre com preconceito e discriminação na questão da Crimeia” - Angelo Segrillo

Internacional

O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia.... 

Angelo Segrillo
Angelo Segrillo
Quaisquer que sejam as críticas que os principais países do Ocidente fazem sobre a Rússia, uma boa dose é de preconceito e outra é de discriminação. Assim pode ser resumida, de acordo com o historiador e cientista político brasileiro Angelo Segrillo, a pressão que a Europa e os Estados Unidos fazem sobre as ações do Governo de Vladimir Putin na questão da Crimeia, tornando-a novamente parte do território russo.
Professor Angelo Segrillo: “Esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos”
O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia, da qual destacamos os pontos abaixo:

Sobre a posição da União Europeia e dos Estados Unidos em relação à Rússia diante da crise ucraniana e a anexação da Crimeia:
Angelo Segrillo – Alguns governantes e ideólogos ocidentais realmente acreditam que defendem valores democráticos quando acusam unilateralmente a Rússia de ser o lado errado nesta questão. Outros sabem que isto, na verdade, é um certo preconceito – de que a Rússia está sempre do lado errado –, mas mantêm o discurso assim mesmo. Os dois grupos demonstram uma certa "má vontade" com a Rússia ao considerá-la herdeira de mentalidades soviética e imperial czarista. Em minha opinião, estas visões não levam em consideração as circunstâncias esdrúxulas da deposição do presidente eleito Viktor Yanukovich sem os processos normais e legais de impeachment com direito à defesa, etc., que levaram a este episódio.

Sobre a influência desses grupos em muitos think tanks brasileiros e alguns meios da imprensa, que não aprovam a ação na Crimeia:
AS – A grande imprensa brasileira geralmente trabalha a partir das agências de notícias ocidentais. Isso acaba levando a maior repercussão dos pontos de vistas ocidentais em nosso país.

Sobre a defesa do governo Putin de que a Crimeia é russa e que a maior parte da população é de russos e seus descendentes:
AS – A questão da passagem da Crimeia à Ucrânia [em 1954 o então líder soviético Nikita Khruschev, que era de origem ucraniana, deu a região como presente] nunca foi bem digerida na Rússia, mas acho que se não tivesse havido a deposição do presidente ucraniano do jeito que foi a Rússia não teria feito a anexação daquela região.

Sobre a necessidade da Rússia de manter alguma barreira geopolítica e militar contra o avanço no Leste da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN):
AS – Acho que esta é a resposta instintiva da Rússia ao avanço da OTAN em sua direção. Ela tem lógica. Mas acho que esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos.

Sobre se a Rússia se sente “pequena” depois do desmantelamento da União Soviética e se o país não se sente respeitado pelo Ocidente:
AS – Não, não acho que a Rússia tenha ou precise ter complexo de inferioridade em relação ao Ocidente. Mas, certamente, no momento atual, sente-se discriminada pelos países ocidentais do chamado primeiro mundo. E nem sempre a Rússia foi alvo de desrespeito. Houve momentos de grande prestígio da Rússia no Ocidente, quando, por exemplo, derrotou Napoleão ou quando a União Soviética ajudou a derrotar o nazismo. Nessas épocas a Rússia foi muito apreciada pelos governos ocidentais.

Sobre o silêncio oficial do Governo brasileiro, que tem um acordo aeroespacial com a Ucrânia, onde já foram investidos milhões de dólares, e também é aliado da Rússia no bloco BRICS, além de alinhamentos políticos em muitas questões internacionais:
AS – Acho que a resposta atual do Brasil, em não se meter na questão, está correta. O Brasil não tem necessidade de comprar a briga de outros, principalmente em situações tão complicadas e contraditórias como essa.
Fonte - Diário da Russia  30/03/2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

Presidente russo assina lei de anexação da Crimeia

Internacional

Com isso, a Rússia anunciou a suspensão do desconto que dava à Ucrânia na compra de gás.
A assinatura ocorreu numa cerimônia no Kremlin e transmitida pela televisão, com aplausos dos parlamentares, que cantaram o Hino Nacional russo.

Danilo Macedo 
Repórter da Agência Brasil 
Ag. Brasil
Depois de as duas Câmaras do Parlamento russo ratificarem o tratado, o presidente Vladimir Putin assinou hoje (21) a lei de anexação da Crimeia à Rússia, tornando-a, oficialmente, parte de seu território. A assinatura ocorreu numa cerimônia no Kremlin e transmitida pela televisão, com aplausos dos parlamentares, que cantaram o Hino Nacional russo.
“Hoje vivemos um acontecimento sério e importante. Hoje estamos completando os procedimentos legais com a adição da Crimeia e de Sebastopol à Rússia”, disse Putin. “Quero felicitar todos os habitantes deste país, cidadãos russos, e os habitantes da Crimeia e de Sebastopol por este evento marcante.”
O acordo inicial com as autoridades da Crimeia foi assinado pelo presidente russo na terça-feira (18). O tratado cria mais duas regiões administrativas russas: a Crimeia e a cidade portuária de Sebastopol, onde já está baseada a frota da Rússia no Mar Negro. Putin avisou aos parlamentares que há muito trabalho pela frente e pediu empenho na adaptação da Crimeia ao sistema legal, à economia e à sociedade russos.
Com a anexação formal, a Rússia anunciou a suspensão do desconto que dava à Ucrânia na compra de gás em troca do aluguel da base de sua frota no Mar Negro. O acordo, firmado em abril de 2010, estabelecia um desconto de US$ 100 para cada mil metros cúbicos de gás comercializados pela Rússia para a Ucrânia. O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, disse hoje que, além de suspender o desconto, o governo russo vai cobrar juridicamente o pagamento de uma compensação no valor de US$ 11 bilhões equivalentes ao desconto aplicado nos últimos quatro anos.
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que os países europeus dificilmente conseguirão oferecer gás à Ucrânia a um preço equivalente ao que é cobrado pela Rússia. “É preciso dizer que o preço ucraniano do gás foi até agora especialmente baixo. Muitos Estados-Membros da União Europeia pagam mais”.


Fonte - Agência Brasil  21/03/2014

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

União quer sistema de informações de transportes

Transportes

foto - ilustração
O Governo Federal quer ter um sistema de informação sobre a mobilidade urbana que abranja todo o território nacional, de carga e passageiros. O sistema terá a colaboração de diversas entidades.
De acordo com Marco Motta, diretor de Cidadania e Inclusão Social da Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, os objetivos do sistema são: ser referência nacional para a formulação de políticas públicas na área de mobilidade urbana; reunir os principais dados e informações do setor; e manter uma rede nacional de coleta periódica de dados, de forma a manter as informações atualizadas com a participação de todos os atores públicos e privados do setor.
“Ele vai servir tanto para a esfera pública quanto para organizações, como universidades, consultorias que precisem de informações mais consistentes e detalhadas sobre mobilidade urbana. Temos alguns sistemas de informação de mobilidade no país que são bons, mas são incompletos nacionalmente”, afirma Motta.
O grupo técnico seria formado pela Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana (SeMOB), o Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA), a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), A Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), e pelo Centro de Transporte Sustentável do Brasil (EMBARQ Brasil).
O diretor informa que o grupo vai se reunir e, até dezembro deste ano, irá apresentar o projeto. Após a apresentação, será necessário um tempo para a implementação do novo sistema, que ficará abrigado no Ministério das Cidades.
Fonte - Revista Ferroviária  12/09/2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

DEPUTADOS correram quando um pequeno grupo indígena entrou no plenário

Por que correram, deputados?


Elaine Tavares -  Brasil de Fato

A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país
As comunidades indígenas do Brasil estão em processo de crescimento. Desde 1991 , segundo mostraram os dados do IBGE, o aumento da população foi de 205%. Hoje, o Brasil já contabiliza 896,9 mil índios de 305 etnias, e em quase todos os municípios (80%) tem alguma pessoa auto declarada indígena. Até mesmo alguns grupos já considerados extintos, como os Charrua, se levantam, se juntam, retomam suas raízes, formam associações e lutam por território. Isso significa que a luta que vem incendiando a América Latina desde o início dos anos 90 já chegou por aqui.
Não é sem razão que causou tanto estupor a declaração dos Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de resistir até o último homem caso forem retirados de suas terras. É que as comunidades já estão fartas de conversinhas e promessas governamentais. Querem ver seus direitos garantidos agora e estão dispostos a lutar. Isso também coloca todo mundo em polvorosa, porque, de certa forma, quando os índios estão quietinhos nas aldeias, são muito bem vistos. Mas, bastou levantar o tacape para que os racistas e reacionários de plantão já se alvorocem. É o que acontece hoje em Santa Catarina, quando é chegada a hora da desintrusão da terra indígena do Morro dos Cavalos. Aceitos por vários anos, vivendo em condições precárias em poucos hectares, agora que tiveram as terras definitivamente demarcadas e lutam pela desocupação do território, provocam o ódio de comunidades pacatas e cheias de "gente de bem".
Também é o que se vê na luta contra Belo Monte e as demais hidrelétricas que poderão destruir boa parte da vida no Xingu. As revoltas das comunidades indígenas e ribeirinhas incitam os velhos ódios e não faltam as vozes a clamar contra o que chamam de "obstáculos ao progresso". Já as fazendas de gado e de monocultura que destroem pouco a pouco a Amazônia são vistas como "desenvolvimento". Da mesma forma foram julgados como baderneiros e oportunistas os indígenas que ocuparam e resistiram na Aldeia Maracanã por sete longos anos, querendo unicamente preservar um espaço histórico. Foram retirados à força, como se fossem bandidos.
Agora, os ataques vem do governo e do Congresso Nacional, no qual tramita uma proposta de mudança na Constituição, a PEC 215. Essa proposta tem por objetivo transferir para o Congresso Nacional a competência de aprovar a demarcação das terras indígenas, criação de unidades de conservação e titulação de terras quilombolas, que até então é de responsabilidade do poder executivo, por meio da Funai, do Ibama e da FCP, respectivamente. A aprovação da PEC põe em risco as terras indígenas já demarcadas e inviabiliza toda e qualquer possível demarcação futura.
Além disso também está em vigor a portaria 303, da AGU, que define que qualquer terra já demarcada pode ser revista e tirada das comunidades, basta que dentro delas haja algo que seja do interesse dessa gente sempre pronta a sugar as riquezas do país (minérios, petróleo, rios). Ou seja, é a forma moderna de dominação dos mesmos velhos opressores. Se antes eram os arcabuzes, agora é a lei. E o que é mais espantoso, uma lei que viola a Carta Magna.
Por isso é que os indígenas brasileiros organizados decidiram fazer uma ação em Brasília, junto aos deputados. Sabem que não dá para confiar numa casa cujos habitantes foram eleitos por grupos econômicos que sistematicamente vêm rapinando as riquezas da nação e, portanto, não hesitarão passar por cima de comunidades inteiras se isso for necessários aos seus interesses. E tanto isso é verdade que ontem (dia16.04) eles estavam lá, tentando conversar, tentando entrar na casa que dizem, é do povo. Mas, estavam impedidos. Só que decidiram não aceitar uma imposição sem sentido. Se a casa é do povo, entrariam. E foi o que fizeram. Forçaram a porta e adentraram ao plenário, onde os engravatados os ignoravam.
A cena protagonizada pelos deputados seria risível se não representasse claramente o que pensam dos índios. Os engravatados correram, desesperados, quando viram um pequeno grupo de indígenas avançando em danças rituais pelo meio do plenário. Para eles, aqueles homens e mulheres nada mais são do que selvagens, perigosos e ameaçadores. Não conseguem os ver como cidadãos brasileiros, iguais a eles em direitos e deveres. Os deputados correram por que? De medo? E por que teriam medo? Porque sabem muito bem o que fazem e como tratam os povos indígenas nesse país.
A vergonhosa correria rendeu frutos aos indígenas. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acabou propondo uma saída honrosa. A casa suspenderia a criação da comissão especial que iria apreciar o mérito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e criaria um grupo paritário para discutir os temas de interesse dos povos indígenas. Os índios reunidos no Salão Verde conversaram e deliberaram aceitando a proposta .
Agora é vigiar porque esse não vai ser um debate fácil. Tanto o governo como os grupos de poder que financiam a maioria dos deputados querem poder dispor das terras indígenas que estão cheias de riqueza. Mas, o fato é que a ação do "abril indígena" conseguiu pelo menos colocar em pauta um tema que já vem caminhando desde anos e não recebe a devida atenção nem pela mídia nem pelos deputados. Foi uma vitória, parcial e temporária, mas ainda assim uma vitória. O que prova por a + b que só a ação direta e organizada faz a vida das gentes avançar. E, para aqueles que estão aí, na luta sempre, a cena do apavoramento dos deputados deixa muito claro que eles sim, têm medo, embora não tenham prurido de destruir sistematicamente o modo de vida dos povos indígenas. A lição do abril indígena é singela: é preciso fazer com essa gente que não leva em conta os desejos das maiorias voltem a ter medo delas. A luta de classes avança por aqui também...Elaine Tavares
Fonte - Com Texto Livre 18/04/2013