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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Moscou avisa seriamente Ocidente contra ideias arriscadas de usar a força na Venezuela

Política/Internacional  👀

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov declarou que a Rússia avisa seriamente o Ocidente contra ideias arriscadas de levar adiante um cenário de força na Venezuela.Segundo o diplomata russo, a intervenção militar nos assuntos internos da Venezuela é o pior cenário e suas consequências afetarão não apenas a Venezuela, mas também outros países.

Sputnik
foto - ilustração/WEB
Para o vice-chanceler russo, "uma intervenção externa destrutiva, especialmente uma intervenção militar nos assuntos internos venezuelanos é o pior de todos os cenários possíveis".
"É difícil prever suas consequências, mas é claro que o hipotético uso da força nessa situação levará a uma onda de derramamento de sangue que teria consequências fora da Venezuela", disse Ryabkov.
Segundo o diplomata russo, a intervenção militar nos assuntos internos da Venezuela é o pior cenário e suas consequências afetarão não apenas a Venezuela, mas também outros países.
"Sublinho que não queríamos enunciar esse tipo de previsões, apenas fazemos mais uma vez um aviso sério contra tais ideias aventureiras se elas existirem entre alguns políticos responsáveis do hemisfério ocidental", sublinhou o vice-ministro.
Além disso, a Rússia está preocupada com o fato de os participantes do grupo de contato para a Venezuela, ao que parece, não irem prestar atenção ao diálogo interno no país durante a reunião no Uruguai.
"Estamos preocupados por, segundo as informações recebidas, durante esse evento, [poder ser prestada] menos atenção do que se esperava anteriormente, quando apenas o México e o Uruguai tiveram tal iniciativa, ao tema do diálogo, ao tema da reconciliação interna da Venezuela", explicou Ryabkov.
A crise política venezuelana se agravou no dia 23 de janeiro, depois que o chefe da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se declarou presidente interino do país durante protestos antigovernamentais realizados nas ruas de Caracas. O atual presidente Nicolás Maduro acusou Washington de estar orquestrando um golpe na Venezuela, tendo chamado Guaidó de "marionete dos EUA".
O líder da oposição tem sido apoiado pelos EUA e alguns outros países. A Rússia, China, México e Turquia estão entre as diversas nações que manifestam seu apoio a Maduro como chefe de Estado legitimamente eleito do país.
Fonte - Sputnik 07/02/2019

domingo, 30 de março de 2014

“Rússia sofre com preconceito e discriminação na questão da Crimeia” - Angelo Segrillo

Internacional

O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia.... 

Angelo Segrillo
Angelo Segrillo
Quaisquer que sejam as críticas que os principais países do Ocidente fazem sobre a Rússia, uma boa dose é de preconceito e outra é de discriminação. Assim pode ser resumida, de acordo com o historiador e cientista político brasileiro Angelo Segrillo, a pressão que a Europa e os Estados Unidos fazem sobre as ações do Governo de Vladimir Putin na questão da Crimeia, tornando-a novamente parte do território russo.
Professor Angelo Segrillo: “Esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos”
O especialista em História Contemporânea com Ênfase em Ásia e coordenador do Laboratório de Estudos da Ásia do Departamento de História da USP, e autor de vários livros sobre a Rússia, concedeu entrevista ao jornalista Giovanni Lorenzon, da Voz da Rússia, da qual destacamos os pontos abaixo:

Sobre a posição da União Europeia e dos Estados Unidos em relação à Rússia diante da crise ucraniana e a anexação da Crimeia:
Angelo Segrillo – Alguns governantes e ideólogos ocidentais realmente acreditam que defendem valores democráticos quando acusam unilateralmente a Rússia de ser o lado errado nesta questão. Outros sabem que isto, na verdade, é um certo preconceito – de que a Rússia está sempre do lado errado –, mas mantêm o discurso assim mesmo. Os dois grupos demonstram uma certa "má vontade" com a Rússia ao considerá-la herdeira de mentalidades soviética e imperial czarista. Em minha opinião, estas visões não levam em consideração as circunstâncias esdrúxulas da deposição do presidente eleito Viktor Yanukovich sem os processos normais e legais de impeachment com direito à defesa, etc., que levaram a este episódio.

Sobre a influência desses grupos em muitos think tanks brasileiros e alguns meios da imprensa, que não aprovam a ação na Crimeia:
AS – A grande imprensa brasileira geralmente trabalha a partir das agências de notícias ocidentais. Isso acaba levando a maior repercussão dos pontos de vistas ocidentais em nosso país.

Sobre a defesa do governo Putin de que a Crimeia é russa e que a maior parte da população é de russos e seus descendentes:
AS – A questão da passagem da Crimeia à Ucrânia [em 1954 o então líder soviético Nikita Khruschev, que era de origem ucraniana, deu a região como presente] nunca foi bem digerida na Rússia, mas acho que se não tivesse havido a deposição do presidente ucraniano do jeito que foi a Rússia não teria feito a anexação daquela região.

Sobre a necessidade da Rússia de manter alguma barreira geopolítica e militar contra o avanço no Leste da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN):
AS – Acho que esta é a resposta instintiva da Rússia ao avanço da OTAN em sua direção. Ela tem lógica. Mas acho que esta situação toda só será resolvida quando acabarmos com a concepção de alianças militares em tempos de paz, como essa que une praticamente toda a Europa e os Estados Unidos.

Sobre se a Rússia se sente “pequena” depois do desmantelamento da União Soviética e se o país não se sente respeitado pelo Ocidente:
AS – Não, não acho que a Rússia tenha ou precise ter complexo de inferioridade em relação ao Ocidente. Mas, certamente, no momento atual, sente-se discriminada pelos países ocidentais do chamado primeiro mundo. E nem sempre a Rússia foi alvo de desrespeito. Houve momentos de grande prestígio da Rússia no Ocidente, quando, por exemplo, derrotou Napoleão ou quando a União Soviética ajudou a derrotar o nazismo. Nessas épocas a Rússia foi muito apreciada pelos governos ocidentais.

Sobre o silêncio oficial do Governo brasileiro, que tem um acordo aeroespacial com a Ucrânia, onde já foram investidos milhões de dólares, e também é aliado da Rússia no bloco BRICS, além de alinhamentos políticos em muitas questões internacionais:
AS – Acho que a resposta atual do Brasil, em não se meter na questão, está correta. O Brasil não tem necessidade de comprar a briga de outros, principalmente em situações tão complicadas e contraditórias como essa.
Fonte - Diário da Russia  30/03/2014