UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

COVID-19 escancara racismo no Brasil e candidaturas negras são esperança, diz pesquisador

Direitos humanos 👪

'Ontem ,quinta feira(19), um homem negro foi barbaramente espancado até a morte nas dependências de uma loja da rede de Supermercados Carrefour em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Até quando e quantas pessoas, 'cidadãs como quaisquer outras", irão pagar com suas vidas, apenas pelo simples fato serem negras?'

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Nesta sexta-feira (20) é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra, data que homenageia o protesto negro contra o racismo no país. A Sputnik Brasil ouviu o pesquisador da UNESP, Juarez Xavier, e a vereadora eleita de São Paulo, Elaine Mineiro, para comentar os avanços da luta contra a desigualdade racial. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi criado no Brasil em 2003 atendendo a uma demanda histórica do movimento negro brasileiro por uma data que simbolizasse a luta contra o racismo no país, substituindo o 13 de maio como a principal data da população negra no calendário nacional. A demanda teve como objetivo usar a data e a memória de Zumbi dos Palmares como um instrumento de denúncia da contínua desigualdade racial no Brasil. Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP), pesquisador e militante histórico do movimento negro, explica que a pandemia da COVID-19 revelou no Brasil, em 2020, exatamente essa situação de desigualdade "abissal" denunciada historicamente pelo movimento negro brasileiro. Nesse contexto, o Brasil assistiu a morte de mais de 167 mil pessoas, sendo que já se sabe que o vírus incidiu mais sobre a população negra e pobre. "A COVID-19 elucidou para a sociedade brasileira as características que o movimento negro tem historicamente denunciado de um necroestado, com necrogovernos e necropolíticas que têm produzido a morte em escala industrial para a população negra, em especial jovens negros e mulheres negras", explica o pesquisador em entrevista à Sputnik Brasil. Para Xavier, esse contexto específico tornou o protesto do Dia da Consciência Negra no ano de 2020 "fundamental" e "essencial" devido ao cenário de recrudescimento do racismo mundo afora, que já vinha sendo denunciado pelo movimento negro brasileiro. "[Esse cenário] se confirmou de forma mais perversa ainda com a explosão da pandemia. Os números nos Estados Unidos mostram, por exemplo, que a população negra é aquela que está sendo mais duramente castigada", aponta o professor, acrescentando que o mesmo diagnóstico se repete no Brasil "com foco central naquelas pessoas que estão em condições de vulnerabilidade absoluta, aonde a comorbidade principal é o racismo". Entre as medidas positivas para o enfrentamento a essa situação histórica de desigualdade, o professor destaca a implementação, a partir das eleições municipais de 2020, da reserva de verbas financeiras para candidaturas negras no Brasil, o que obriga os partidos a distribuir a verba do fundo eleitoral de forma proporcional às candidaturas negras. "É uma conquista política importante do movimento social de negros, que já vinha reivindicando esse direito, em linha reta com as conquistas de direitos de ações afirmativas em outras áreas", aponta Xavier, que avalia que, assim como nas universidades, será necessária a criação de mecanismos de verificação para impedir fraudes e assegurar o direito das candidaturas negras. A medida das "cotas financeiras" foi elaborada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e inicialmente valeria apenas a partir das eleições de 2022, mas foi implementada já neste ano após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O professor Juarez Xavier aponta, porém, que a decisão não foi amplamente cumprida e que os resultados das eleições mostram que o perfil dos eleitos segue distante do ideal, no sentido de representação da sociedade. Um levantamento publicado pelo portal G1 mostra que do total de vereadores eleitos neste ano, 84% são homens e 53,5% são brancos. "Para que você possa democratizar esse processo é absolutamente necessário manter a política, ampliando-a e assegurando que ela seja executada de acordo com o espírito proposto pela lei. Ou seja, assegurar que os partidos garantam às candidaturas negras as mesmas condições asseguradas às candidaturas não negras, com o objetivo de ampliar a eleição desse conjunto de candidaturas e dessa forma pluralizar e democratizar o acesso ao capital político nesse país", avalia. Pressão do movimento negro e nova legislação impulsionam mudanças Elaine Mineiro, de 36 anos, foi eleita este ano vereadora em São Paulo pelo PSOL, com 22.745 votos, e fará parte de uma legislatura histórica da Câmara Municipal paulistana, que bateu recorde ao eleger quatro vereadoras negras. Apesar de ser um número pequeno diante das 55 cadeiras de vereadores, apenas duas mulheres negras haviam sido eleitas vereadoras em toda a história da capital paulista. Neta de quilombolas e coordenadora da UNEAFRO, uma das maiores redes de cursinhos populares do Brasil, Elaine explica que sua campanha teve como fonte principal de recursos financeiros as doações de apoiares, mas afirma que seu partido fez a distribuição dos recursos seguindo a nova orientação de cotas financeiras imposta pelo STF e utilizando ainda diretrizes internas. "No caso do PSOL a gente teve muitas candidaturas negras nessa eleição, inclusive elegemos – a maior parte das candidaturas [eleitas em São Paulo pelo partido] são negras. Ainda é um processo que está em construção, não só no meu partido como em todos os outros partidos", pondera Elaine Mineiro, vereadora eleita na cidade mais rica da América Latina, em entrevista à Sputnik Brasil. A educadora reforça que a introdução da nova norma nas eleições através dos tribunais superiores é fruto de um histórico de lutas do movimento negro e aponta que não é diferente dentro de seu partido, no qual os movimentos sociais passaram a exigir mais participação negra nos últimos anos. "O partido se movimenta para dar uma resposta aos questionamentos que foram feitos e isso demonstra como foi importante colocar os questionamentos", diz Elaine ao ressaltar que o problema não está apenas dentro do PSOL, mas em todas as instituições. A candidatura encabeçada por Elaine usa o modelo de mandato coletivo. Batizada de Quilombo Periférico, o mandato reúne outras cinco pessoas de diferentes regiões e movimentos sociais da cidade de mais de 12 milhões de habitantes. A futura vereadora explica que as candidaturas negras têm ganhado espaço dentro do partido. "A nossa candidatura vem do movimento negro, vem do movimento de periferias. Mas as outras candidaturas no partido, que também têm ligação, obviamente, com movimentos, também deram essa resposta, também escolheram, em grande parte das vezes, representatividades negras de pessoas que militam dentro do partido", diz. Para Elaine isso também reflete um momento de fortalecimento do movimento negro no Brasil através da Coalizão Negra por Direitos, que reúne diversas organizações negras brasileiras e também por meio do legado de Marielle Franco, que tem inspirado mais mulheres negras a entrar na política. A futura vereadora entende ainda que as vitórias eleitorais e a presença do movimento negro nas ruas em 2020 são parte de uma movimentação permanente contra o racismo que se manteve mesmo no atual contexto político e de pandemia. Diante disso, Elaine faz votos de dar prosseguimento a essa história com seu mandato. "Acho que esse é um processo que o movimento negro entendeu que precisa ser contínuo, que estava aí antes, que está agora e que vai continuar. É tarefa nossa, enquanto movimento negro, é tarefa nossa enquanto mandato, agora, continuar colocando essa discussão, trazer as pautas do movimento negro para a centralidade do debate", afirma.
Fonte - Sputnik  20/11/2020

SEU JORNAL DA TVT - 20/11/2020

 Notícias  📺

João Alberto é espancado e asfixiado até a morte por seguranças no Carrefour


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Caso George Floyd: tecnologia racista?

Direitos humanos  👐

As empresas Microsoft, Amazon e IBM suspenderam seus contratos de fornecimento de tecnologia de reconhecimento facial.O motivo mais alegado é que a tecnologia é imprecisa e viola a privacidade do indivíduo. Tal suspeita foi fortalecida pelo fato de ter sido constatado que os algoritmos de reconhecimento são menos precisos na identificação de rostos de afrodescendentes e de asiáticos

Portogente
Portogente
O caso George Floyd trouxe ainda mais e importante visibilidade ao racismo, e que também atinge o uso da tecnologia de reconhecimento facial. Há um posicionamento de fabricantes de apoio à suspensão da venda desse equipamento às polícias estadunidenses até que seja aprovada a regulamentação nacional da tecnologia. Há acusações sobre a tendência racial (ou racista) desses equipamentos.
As empresas Microsoft, Amazon e IBM suspenderam seus contratos de fornecimento dessa tecnologia. A União Americana das Liberdades Civis faz campanha contra esse software há anos, alertando que há um perigo em ser usada para uma vigilância generalizada "sem suspeitas".
Esse processo de regulamentação há muito vem sendo solicitado pelos desenvolvedores da tecnologias. Sob a ótica das implicações do seu uso, há movimentos que temem por questões já verificadas na identificação dos afrosdescendentes. Daí o caso George Floyd ter trazido à tona o uso policial da tecnologia de reconhecimento facial.
O motivo mais alegado é que a tecnologia é imprecisa e viola a privacidade do indivíduo. Tal suspeita foi fortalecida pelo fato de ter sido constatado que os algoritmos de reconhecimento são menos precisos na identificação de rostos de afrodescendentes e de asiáticos, em comparação aos rostos de pele branca.
Fonte - Portogente  13/06/2020

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Bolívia denunciará o Brasil na ONU por 'racismo de Estado'

Internacional  ✋

A Bolívia denunciará o Brasil nas Nações Unidas por "racismo de Estado", em resposta à declaração do deputado estadual do Rio de Janeiro, Ricardo Amorim (PSL) contra os indígenas, informou o vice-ministro de descolonização Felix Cárdenas, informou a mídia local."Incorporaremos o 'racismo estatal' ao relatório do EPU, a Revisão Periódica Universal das Nações Unidas, e denunciaremos o Brasil por iniciar um processo de racismo e discriminação, mas não apenas contra a Bolívia, mas contra todos os povos indígenas", disse Cardenas, segundo o jornal local La Razón.

Sputnik
CC BY 2.0 / Carlos Vieira / Sputnik

A RPU é um processo liderado pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual são examinados os registros de direitos humanos de todos os estados membros do órgão mundial, dos quais demandam atenção e recomendações.
Cárdenas fez sua declaração no dia anterior, em meio a uma onda de condenações de autoridades e políticos locais contra Amorim, que é sinalizado pela mídia boliviana como muito próximo do novo presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Na semana passada, Amorim disse que "quem gosta dos índios, que vá para a Bolívia, que, além de ser comunista, é presidida por um índio", ao propor uma operação de "limpeza" em uma área próxima ao famoso estádio do Maracanã, que inclui a expulsão dos indígenas que vivem lá, para a construção de um estacionamento.
Fonte - Sputnik  09/01/2019

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Nós, latino-americanos, devemos nos afastar totalmente dos EUA'

Ponto de Vista  🔍

Donald Trump abalou a paciência de seus vizinhos no continente ao se referir a várias nações como "países de merda", incluindo algumas da América Latina, de onde chegam aos EUA migrantes cuja "qualidade" não agrada o dono da Casa Branca.

Sputnik
CC BY 2.0 / Waterlat Globacit
Vistas do Memorial da América Latina, São Paulo, Brasil
A onda de indignação internacional após as declarações fortes de Trump atingiu até mesmo a ONU, onde o presidente norte-americano foi acusado de racismo. E com razão, de acordo com a analista política hondurenha, Gilda Batista, entrevistada pela Sputnik Mundo.
"As declarações do presidente Trump é uma desfaçatez, um insulto à dignidade dos latino-americanos, que contribuem significativamente para o desenvolvimento econômico e cultural dos EUA" e que "fortaleceram essa nação", afrimou.
Contudo, segundo Batista, Trump somente expôs o pensamento de seus antecessores, que consideram a América Latina como seu "quintal". Presidentes dos EUA nunca trataram as nações dessa região como "povos irmãos".
A analista acredita ter chegado a hora de a América Latina se afastar dos EUA "totalmente", um país que "lastima e detesta" seus vizinhos do Sul.
"Deve haver uma desunião completa", assinalou Gilda Batista, ao propor, entre outras medidas, expulsar Washington de organizações regionais, por exemplo, da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Os comentários racistas de Trump não se limitam a palavras, que são acompanhadas de ações concretas ou de sua ausência, apesar de tradições estabelecidas na região.
Por exemplo, vale recordar como os EUA abandonaram os países do Caribe que foram abalados pelo furacão Irma. Washington nem sequer expressou preocupação com situação dramática em Porto Rico, seu território associado mais afetado pelo furacão mais potente na história do oceano Atlântico.
O mandatário norte-americano tampouco moveu um dedo para ajudar Cuba, país que também foi devastado pelo furacão Irma, apesar de ter em sua base de Guantánamo "alimentos, medicamentos e materiais de construção equivalentes a centenas de milhões de dólares", afirmou à Sputnik Mundo o analista cubano, Manuel Yepe.
"Porém, este comportamento de Trump não surpreende, já que a semelhante 'agressão' contra a América Latina é algo típico para Washington, algo que 'não tem nenhum sentido lógico'", explicou Manuel Yepe.
Além de serem racistas, as declarações do líder norte-americano também são hipócritas, indicou o analista dominicano, Fernando Martínez. Para ele, muitos imigrantes latino-americanos atravessam a fronteira com os EUA por serem forçados a fugir de seus países devido à desestabilização causada por Washington, como no caso da Venezuela.
O especialista constatou que a administração de Trump aplica "uma guerra econômica" contra o governo de Nicolás Maduro, provocando, assim, uma fuga de venezuelanos a outros países, incluindo aos EUA.
O México é outra nação latino-americana que está sendo desestabilizada pelos EUA, assinalou Everardo González, cineasta mexicano. Em particular, ele recordou que uma das conquistas da Revolução Mexicana é a propriedade coletiva sobre a terra. Ele assinalou que ninguém pode extrair recursos minerais sem permissão de moradores locais, mas é isso que empresas estadunidenses fazem em seu país.
Fonte - Sputnik  16/01/2018

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

População negra é desumanizada

Ponto de Vista  🔍

Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.

Djamila Ribeiro - Portogente
Djamila Ribeiro
Escrevi diversas vezes sobre o modo pelo qual a população negra é desumanizada. Desde representações que a colocam como inferior, violenta e objetificada até a violência que extermina um jovem negro a cada 23 minutos. Julgo importante discutir representação, pois a imposição dessas imagens justifica inclusive a morte. Não à toa homens negros são os principais suspeitos e alvos da polícia. Debater racismo é mais amplo do que se pode imaginar, pois as violências se dão das mais variadas formas.
Vamos analisar casos recentes. A produtora Padrão Carvalheira, do Recife, realiza um concurso de fantasias todos os anos. A “fantasia” vencedora foi a de homens brancos fazendo blackface e com pênis enormes, personificando o estereótipo racista de que homens negros são "bem dotados", ou melhor, reduzindo seres humanos a seus órgãos genitais. Além de ser ofensivo por ser blackface, desumaniza o homem negro o animalizando.
Pessoas brancas nunca são representadas em grupo. Uma pessoa se fantasia de Hugh Jackman ou Luciano Huck, por exemplo. Os indivíduos são representados. No caso das pessoas negras, julgam que podem reduzir todo um grupo a somente um tipo de representação como se a diversidade fosse monopólio da branquitude.
Assim como pessoas brancas, somos altos, baixos, gordos, magros, pessoas com pênis de variados tamanhos. Mas esse é um dos cernes da desumanização: homogeneizar. Lembrando que homens negros eram utilizados como reprodutores no período colonial para “fornecer” mão de obra escravizada e manter lucrativa a exploração. Um absurdo que pessoas ainda se sintam autorizadas a cometer esse tipo de violência.
Os responsáveis pela produtora vão se esquivar dizendo que os vencedores foram eleitos pelo público, mas eles sequer deveriam ter autorizado a entrada na competição porque trata-se de um caso de racismo. Não há justificativa possível, pois além de autorizar, premiaram com uma viagem a Fernando de Noronha e postaram a foto em um blog recifense.
Utilizam pessoas negras como escárnio, para serem ridicularizadas, ao mesmo tempo em que legitimam violência.
Um outro caso recente. No Twitter, um homem que se intitula produtor cultural enaltece o modo pelo qual policiais abordaram, segundo ele, um rapaz suspeito de roubar um aparelho celular. O rapaz foi algemado e colocado deitado de costas, evidenciando a truculência da ação. Mesmo que fosse suspeito, justifica ser tratado dessa forma?
Esse ímpeto sanguinário em relação a homens negros é o que faz com que muitos sejam amarrados em postes e espancados enquanto que em relação a homens brancos que cometem crimes o tratamento é outro. Só há sede de vingança quando é para o sangue negro ser derramado. A naturalização da violência é algo chocante.
Na semana passada, um outro caso me comoveu absurdamente. Uma mulher negra é agredida por seguranças de um supermercado por ser suspeita de roubar comida. Os homens se esbaldam em humilhá-la e agredi-la. Num dos países mais desiguais do mundo, uma mulher é punida por roubar para se alimentar. E, o pior, por pessoas que também são exploradas.
Aqueles homens não conseguiram perceber que estão a serviço de uma mesma lógica que também os violenta. O vídeo é extremamente triste, o modo pelo qual uma mulher é desumanizada duplamente: por viver a fome e por ser agredida por viver a fome.O Brasil é o país da violência e do escárnio. No carnaval, humilham se “fantasiando” de negro e no resto do ano contribuem para a marginalização. Pau grande, mas de cabeça baixa, de preferência no chão. É assim que nos querem. Mas o que comove alguns portais é mulher branca dizer que não pode usar turbante. A hashtag desse país é: vai ter preto humilhado sim.
Fonte - Portogente  24/02/2017

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Racismo e desigualdade dominam debate da ONU sobre juventude no Rio

Desigualdade Social

Dezenas de jovens de diferentes perfis sociais foram convidados para participar de uma roda de conversa na sede da fundação, em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro.O protocolo de eventos formais com altos dirigentes da ONU foi quebrado logo na abertura encontro com os passos eletrizantes do grupo Dream Team do Passinho.

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Flávia Villela/Agência Brasil
Racismo e injustiça social foram os temas predominantes no evento que celebrou hoje (15) o Dia Internacional da Juventude, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Dezenas de jovens de diferentes perfis sociais foram convidados para participar de uma roda de conversa na sede da fundação, em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro.
O protocolo de eventos formais com altos dirigentes da ONU foi quebrado logo na abertura encontro com os passos eletrizantes do grupo Dream Team do Passinho. O enviado especial do secretário-geral da ONU para Juventude, Ahmad Alhendawi, e o assessor especial do secretário-geral da ONU para o Esporte, o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke, filmaram toda a apresentação do grupo, que foi muito aplaudido pela plateia. Os passos eram acompanhados de músicas que falam sobre empoderamento dos jovens negros brasileiros.
Por causa dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o tema original do encontro era Juventudes, Esporte e Desenvolvimento: Rota para 2030, mas questões fundamentais para a juventude brasileira falaram mais alto.

Representatividade
Após ler um poema da feminista negra Roni Morrison, o presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Daniel Souza, falou sobre os jovens que estão à margem na sociedade. “Que estão nas bordas de um poder racista, machista, envelhecido, que não sabe lidar com o jovem nos espaços de poder.” Souza defendeu mais participação dos jovens nas tomadas de decisão. “Por isso, ao falar de desenvolvimento, precisamos nos perguntar qual modelo de desenvolvimento queremos e não há nenhuma mudança sem consulta popular. Precisamos de desenvolvimento com participação social e justiça socioambiental.”
Os representantes das ONU falaram pouco e ouviram muito, mas nos breves discursos elogiaram a luta dos movimentos sociais brasileiros e ressaltaram a importância do protagonismo jovem para melhorar o Brasil. “Vocês não são apenas o futuro deste país, vocês são o presente, e a prosperidade e paz do Brasil dependem da criatividade de vocês e capacidade de ir adiante”, disse Alhendawi.
A dificuldade para acessar direitos e serviços de qualidade por ser negro e pobre foi tema de quase todas as falas dos jovens presentes, em um país em que mais da metade da população é negra. A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Luislinda Valois, destacou que, além da violência, responsável pela morte de um jovem negro a cada 23 minutos no país, a falta de oportunidades é outro grande obstáculo para os negros no país.
“Apenas 11% dos jovens negros estão nas universidades, o mercado de trabalho é seletivo e cruel. Estamos sempre com a vassoura e o pano de chão, mas não queremos somente isso, queremos as canetas para decidirmos o destino do Brasil. Não queremos mais a situação do prato feito, queremos fazer nosso próprio prato”, disse a secretária. “Ser negro no Brasil é tarefa extremamente árdua, por isso é importante ampliar o debate e as ações de políticas públicas. E vocês jovens precisam ocupar espaços de poder, estudar bastante”, acrescentou.
A discriminação e violência contra jovens de minorias também foram tratados por representantes indígenas, quilombolas, caiçaras, LGBT, de religiões de matriz africana, pessoas vivendo com HIV e refugiados.

Educação
Já a educação de qualidade foi apontada pelos debatedores como ferramenta de mudança e instrumento de libertação. O coordenador residente do Sistema ONU no Brasil, Wilfried Lemke, destacou o exemplo da Coreia do Sul, que já foi um dos países mais pobres do mundo depois da Segunda Guerra Mundial, e hoje é uma potência econômica graças à educação.
“A única resposta para esse êxito é educação, nada mais. O mesmo vale para este país e para a juventude. Precisamos dos melhores professores para isso, precisamos de professores bem pagos, não apenas no Brasil, como também no mundo.”
Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, o processo educativo de jovens só será efetivo com a garantia dos cuidados desde a gestação e da primeira infância e com inclusão social. “Toda a capacidade de maturação neurológica e de processos de socialização se dá durante esse período e da mesma forma a capacidade de absorver educação e de interagir como cidadãos não se torna plena sem estrutura social de inserir essas crianças de uma forma inclusiva na sociedade.”
Fonte - Agência Brasil  15/08/2016

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

“Enquanto houver um negro sendo assassinado, estaremos lutando”, diz ativista

Direitos Humanos

“A mulher negra no contexto periférico sofre calada por não enxergar o quanto o sistema é violento, o quanto o cotidiano é violento. A gente precisa trabalhar, cuidar do filho, cuidar da casa e isso também é uma violência

Marieta Cazarré 
Repórter da Agência Brasil
foto - Ag.Brasil
O combate ao racismo e à violência de gênero foram as principais bandeiras das 10 mil mulheres, segundo balanço da Polícia Militar, que saíram hoje (18) do Ginásio Nilson Nelson e marcharam em direção ao Congresso Nacional.
“Enquanto houver um jovem negro sendo assassinado, enquanto houver um menino sendo apedrejado na rua por ser gay, uma menina sendo estuprada por ser lésbica, enquanto uma travesti ou uma transexual não tiver direito a assumir a sua identidade de gênero, estaremos lutando. Nenhuma de nós estará realizada enquanto houver racismo”, disse Verônica Lourenço, 45 anos, historiadora, educadora e integrante da Rede Sapatá (Rede Nacional de Lésbicas e Bissexuais Negras).
As mulheres também reivindicaram mais tolerância religiosa. Mãe Nilce de Iansã, carioca de 64 anos, disse que veio a Brasília lutar contra o racismo e o desrespeito à tradição. “Contra a matança que acontece com os jovens negros, a mortalidade de mulheres negras, em sua maioria por causas evitáveis”, afirmou.
Maria Edijane Alves, 33 anos, disse que veio de Embu das Artes (São Paulo) representando as mulheres negras da periferia. Ela cobrou mais participação masculina na vida familiar e disse que é difícil romper com a ideia de que as mulheres devem ser responsáveis por todo o serviço de uma casa.

Ag.Brasil
“A mulher negra no contexto periférico sofre calada por não enxergar o quanto o sistema é violento, o quanto o cotidiano é violento. A gente precisa trabalhar, cuidar do filho, cuidar da casa e isso também é uma violência. A gente acha que é natural toda essa sobrecarga que a mulher carrega, principalmente a mulher negra dentro da periferia, onde muitas dessas mulheres não tem o seu parceiro, mas não é”, disse Maria Edijane, integrante do coletivo Zumaluma.
Fonte - Agência Brasil  18/11/2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Polícia Civil vai ouvir Taís Araújo sobre caso de racismo

Direitos Humanos

Os ataques racistas aconteceram na noite de sábado. Ontem a atriz divulgou um texto no qual diz que não irá apagar os comentários, tudo será registrado e enviado à polícia. No Facebook, diz que denunciou, junto com outros usuários da rede, os perfis dos agressores.

Mariana Tokarnia 
Repórter da Agência Brasil
foto -  ilustração
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, por meio de nota, informou hoje, (2), que o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), Ronaldo Oliveira, após tomar conhecimento dos comentários sobre racismo que envolveu a atriz Taís Araújo, determinou à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) a instauração de um inquérito para apurar o crime de racismo. A atriz será ouvida e os autores identificados serão intimados para depor.
Na tarde de ontem (1º) comentários em apoio à atriz Taís Araújo, vítima de racismo no Facebook, ganharam destaque nas redes sociais. A hashtag #somosTodosTaisAraujo ficou entre os trend topics, assuntos mais tuitados em um determinado momento, no Brasil. A atriz agradeceu os internautas em seu perfil no Facebook.
Os ataques racistas aconteceram na noite de sábado. Ontem a atriz divulgou um texto no qual diz que não irá apagar os comentários, tudo será registrado e enviado à polícia. No Facebook, diz que denunciou, junto com outros usuários da rede, os perfis dos agressores.
“Faço questão que todos sintam o mesmo que senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena nesse país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!”, escreveu a atriz no texto, dirigindo-se aos autores das postagens racistas.
Taís Araújo acrescentou que, por coincidência, no momento das postagens racistas foram feitas, ela estava encenando “O Topo da Montanha”, um texto sobre Martin Luther King que trata de afeto, tolerância e igualdade. “Quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado”.
Ao longo do dia, Taís Araújo recebeu mais de 40 mil comentários de apoio. Muitos internautas trocaram as fotos do perfil por fotos da atriz.
O racismo é crime no Brasil e, por lei, quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode ser condenado a reclusão de um a três anos e além de pagar multa.
Denúncias de racismo podem ser feitas pelo 156, opção 7, ou em telefones específicos definidos em cada localidade. No Rio de Janeiro, a delegacia responsável é a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.
Fonte - Agência Brasil  02/11/2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Pouca presença de negros na TV leva a racismo na infância, dizem especialistas

Direitos Humanos

Para especialistas, é preciso fortalecer a identidade das crianças negras.Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.

Da Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil
O estudante Anderson Ramos passou boa parte da 4ª série (hoje 5º ano) sendo chamado de “macaco”, “preto fedido”, “sujo” e ouvindo “piadas” por causa do cabelo crespo. As ofensas vinham de colegas da escola que, assim como ele, tinham 10 anos. O menino relatava os casos para a professora, que nada fez, e para a mãe, que demorou a entender que o filho estava sendo vítima de injúrias raciais.
“Quando comecei a chorar muito para não ir à escola e pedi para raspar o cabelo, minha mãe percebeu que eu estava sofrendo com aquilo, mesmo sem eu saber direito o que era”, afirma Ramos, hoje com 20 anos. “Quando a gente é criança, não tem maturidade para fazer a leitura do que aconteceu, mas sente a dor que o racismo causa. E não é brincadeira de criança, é racismo”, diz o estudante.
Apesar de pouco discutido, o racismo na infância e nas escolas existe e precisa ser enfrentado, na opinião de professores e especialistas ouvidos pela Agência Brasil. Eles destacam a pouca representação de crianças negras nos meios de comunicação como uma das causas do problema.
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da instituição, Renísia Garcia Filice acredita que o racismo existe dentro das escolas e ocorre de forma cruel, efetiva e naturalizada. Para ela, essa atitude na infância é fruto do que a criança viu ou vivenciou fora do ambiente escolar.
“A criança pode ter vivenciado isso numa postura dos pais, em algum comentário ou até em algo que os professores fizeram ou deixaram de fazer”, diz Renísia. Segundo ela, alguns professores se omitem em situações de racismo pela falta de informação, por naturalizar os casos ou achar que não é um problema. “Por isso, são necessárias práticas pedagógicas para que as crianças se percebam iguais e com iguais direitos”, acrescenta.
Ildete Batista dá aula para crianças de 5 anos em uma escola no Distrito Federal. Ela afirma que as questões raciais aparecem principalmente no momento de disputa e durante as brincadeiras. Professora há mais de 20 anos, Ildete afirma que faltam referências para as crianças. “O que fica como belo é o que se aparece na TV, nos livros – inclusive nos materiais didáticos. A gente vê muitas propagandas, livros de histórias infantis em que os personagens são brancos.”
A professora desenvolve, na escola, um trabalho contra o racismo e para colocar mais referências africanas na educação. Isso, segundo Ildente, vem dando resultados. “No início do ano, uma menina me disse que não gostava do cabelo dela, por ser crespo. Em um desenho, por exemplo, ela se fez loira do olho azul. Agora, no final do ano, ela se desenha uma criança negra com cabelo enrolado. Isso mostra que o trabalho tem que ser feito e, se ele é feito com respeito, a gente consegue vencer esses problemas”, acredita.
Segundo o professor do curso de direito da UnB Johnatan Razen, quando há ofensas entre crianças, no colégio, os pais devem relatar o caso à escola, para a que a instituição promova ações educativas. “Se o caso envolver um professor ou a ofensa vier da instituição – como obrigar uma aluna a alisar o cabelo –, cabe acionar a Justiça”, orienta. Se tiver conhecimento de atitudes racistas dentro do espaço e se omitir, a escola também pode ser responsabilizada penalmente, de acordo com Razen.

Representação
Para a professora do curso de comunicação social da Universidade Católica de Brasília (UCB) Isabel Clavelin, há uma tendência de aumento na representação de crianças negras nos meios de comunicação, nos últimos anos. "Mas elas figuram em papéis de coadjuvantes, e a representação está aquém da proporção de negros no Brasil", diz a pesquisadora.
“Isso tem um efeito devastador, porque a criança se vê ausente ou não se vê como ela realmente é. Ela está sempre atrás. A interpretação dessas mensagens tem um efeito muito danoso, que é a recusa, de se retirar do espaço da centralidade”, afirma Isabel. “Enfrentar o racismo na infância é crucial e deve mobilizar toda a sociedade brasileira, porque ali estão sendo moldadas todas as possibilidades de identidade das pessoas”, acrescenta.
A escritora Kiussam de Oliviera, que trabalha com a literatura infantil com o objetivo de fortalecer a identidade das crianças negras, afirma que falta representação positiva. “Em um país de maioria negra, não se justifica uma televisão totalmente branca, como nós temos. A partir do momento que as emissoras entenderem que o público negro é grande, nós viveremos uma fase diferente desta que estamos passando, onde há violência por conta da cor da pele, agressões focadas na raça – cada vez mais banalizada."

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
João Gabriel sente falta de mais personagens negros na TV

O estudante João Gabriel, de 11 anos, sente falta de mais crianças negras na televisão. “Nos desenhos e nos programas de TV, quem é gordo e negro está sempre sendo xingado, é sempre tímido e os outros zoam dele. Aí a gente vê isso e acha que é sempre assim. Os colegas acham que todos precisam ser iguais e ser diferente é ruim.”

Novo Programa
Com a maioria dos personagens negros, começa hoje a ser exibido na TV Brasil o desenho colombiano Guilhermina e Candelário. Para marcar a passagem do Dia da Criança, a emissora exibirá quatro episódios em sequência, às 9h45 e às 13h. A partir daí, o desenho será transmitido de segunda a sábado, na Hora da Criança, faixa de programação de segunda a sexta das 8h15 às 12h e das 12h30 às 17h; e no sábado, das 8h15 às 12h.

Divulgação/TV Brasil
O desenho Guilhermina e Candelário mostra o cotidiano de dois irmãos e do avô, todos negros

A série mostra o cotidiano dos dois irmãos, cuja capacidade de sonhar transforma cada dia em aventura. A cada dia, eles esperam ansiosamente a chegada do Vô Faustino, a quem contam suas aventuras. O avô desfruta das histórias narradas pelos netos e compartilha sua experiência de vida e sabedoria.
Coproduzida pelo Señal Colombia e pela Fosfenos Media, a animação Guilhermina e Candelário é um dos primeiros desenhos do gênero com protagonistas negros a ser exibido na TV aberta brasileira.
Fonte - Agência Brasil  12/10/2015

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Assassinatos de jovens negros expõem racismo e violência, diz especialista

Direitos Humanos

A fundadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria, lamentou a criminalização dos jovens e criticou a tentativa de se legitimar mortes com o argumento de que a vítima tinha passagem pela polícia. Ela, que teve o filho assassinado em maio de 2006, disse que basta ser pobre e morar na periferia para morrer.

Camila Boehm
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
O assassinato de jovens negros na periferia das cidades expõe o racismo e a violência da sociedade brasileira, afirmou o diretor executivo da Anistia Internacional, Átila Roque. A organização destaca que, segundo dados do Mapa da Violência 2012, dos 56 mil assassinatos registrados no país, 30 mil são de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 77% são negros.
Segundo Roque, a violência sempre teve papel-chave na busca da ordem pelo Estado e está profundamente arraigada na forma como a sociedade distribui o poder. Ele disse que, apesar de o Brasil não se ver como um país racista, a cor influencia no tratamento que se dá ao cidadão. “O Estado, que detém o monopólio da força, acaba sendo violador de direitos e abusa da força letal”, disse o diretor em debate feito na Matilha Cultural, na capital paulista.
Para Átila Roque, não há solução mágica para a segurança pública no país. É preciso primeiro quebrar o ciclo de impunidade e romper com a lógica da guerra, na qual a busca é por eliminar o inimigo.
A fundadora do Movimento Mães de Maio, Débora Maria, lamentou a criminalização dos jovens e criticou a tentativa de se legitimar mortes com o argumento de que a vítima tinha passagem pela polícia. Ela, que teve o filho assassinado em maio de 2006, disse que basta ser pobre e morar na periferia para morrer.
A defensora pública Daniela Skromov Albuquerque afirmou que as mortes causadas por policiais militares costumam ter um roteiro padronizado, em que o suspeito atira e o policial reage em legítima defesa. Ela ressaltou que uma função da Polícia Militar é preservar a vida.
Daniela lembrou que muitos casos registrados como morte decorrente de intervenção policial, conhecidos como auto de resistência, trazem múltiplos disparos de arma de fogo em regiões vitais, muitas vezes nas costas, e sem registro de policiais feridos ou viaturas atingidas, o que eliminaria uma versão de confronto ou troca de tiros. Ela disse ainda que a falta de depoimentos de testemunhas e cenas de crimes alteradas prejudicam as investigações e dificultam as punições
Fonte - Agência  Brasil  30/09/2015

domingo, 19 de julho de 2015

Quanto mais se nega a existência de racismo, mais ele se propaga, diz ministra

Direitos Humanos

"Quanto mais se nega a existência do racismo no Brasil, mais esse racismo se propaga", diz a ministra da Seppir, Nilma Gomes, em entrevista sobre os 5 anos do Estatuto da Igualdade Racial.Nos cinco anos do Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, lembrados nesta segunda-feira (20), ela conversou com a Agência Brasil e avaliou o cenário da busca pela igualdade racial no país. 

Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Arquivo/Agência Brasil
Casos recentes de preconceito racial, como o de Kaillane Campos, de 11 anos, que levou uma pedrada na cabeça, no Rio de Janeiro, depois de sair de um culto de candomblé, e o da jornalista Maria Júlia Coutinho,a Maju, que recebeu ofensas na internet, mostram que o país da miscigenação ainda não venceu esse tipo de discriminação.
"Quanto mais se nega a existência do racismo no Brasil, mais esse racismo se propaga", destacou a ministra da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), Nilma Lino Gomes.
Nos cinco anos do Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, lembrados nesta segunda-feira (20), ela conversou com a Agência Brasil e avaliou o cenário da busca pela igualdade racial no país. Para ela, entre os principais avanços estão as cotas em concursos públicos e a política voltada ao atendimento de saúde da população negra.

Agência Brasil: De que forma o racismo se manifesta no Brasil?
Nilma Gomes: O racismo brasileiro tem uma peculiaridade: a ambiguidade. É um fenômeno que se afirma através da sua própria negação. Quanto mais se nega a existência do racismo no Brasil, mais esse racismo se propaga. E essa é uma característica que nos desafia muito a superá-lo e a desvelá-lo. Conhecer e reconhecer essa característica do racismo brasileiro já são avanços, porque antes compreendia-se muito mal o que era o racismo no Brasil.

Agência Brasil: Diante desse cenário, o que o Estatuto da Igualdade Racial representa hoje?
Nilma: O estatuto representa hoje para o Brasil uma conquista e é uma conquista que foi organizada, demandada pelos movimentos sociais, em particular, o movimento negro. Passou por um processo de uma grande discussão no Congresso Nacional, foi ratificado pelo governo federal e efetivamente hoje podemos falar que temos, além da Constituição Federal, uma lei nacional que garante direito à população negra brasileira.

Agência Brasil: Um dos mecanismos previstos no estatuto é o de uma ouvidoria para receber as denúncias de preconceito. Como o órgão tem funcionado? No ano passado, o governo anunciou a criação do Disque Igualdade Racial, o 138. Como está a implementação da medida?
Nilma: Nossa Ouvidoria tem recebido ao longo do tempo um aumento significativo das denúncias. Ela foi criada em 2011. No primeiro ano, temos registradas 219 denúncias e essas denúncias foram crescendo ano a ano. Em 2015, apenas no primeiro semestre, já superamos o número de denúncias do primeiro ano, temos até agora mais de 270 denúncias. Mas essa questão no Brasil ainda tem que avançar muito, ainda temos um histórico de subnotificação dos crimes raciais. Nem sempre as pessoas formalizam denúncias e temos todo um processo na Ouvidoria da Seppir que é de registrar os casos, acompanhá-los e encaminhá-los para os órgãos e instituições responsáveis. O Disque Igualdade Racial está ainda na fase de estudos técnicos. Ele ainda não foi lançado, porque queremos lançá-lo de maneira bem completa, para que funcione de fato como uma ferramenta de combate ao racismo.

Agência Brasil: Quais foram as conquistas alcançadas a partir do estatuto?
Nilma: O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Sinapir, que está previsto no estatuto, é muito importante porque é a atuação do governo federal nos estados, Distrito Federal e municípios. Estamos exatamente neste momento na Seppir construindo a adesão voluntária ao Sinapir. Mais um avanço é a própria política de cotas nos concursos públicos, a Lei 12.990/2014, que já está em vigor. Já temos concursos sendo realizados, e essa legislação vai, a médio e longo prazo, nos possibilitar ter o perfil da realidade étnico-racial brasileira nos cargos públicos. Outra ação importante é a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, no Ministério da Saúde, que vem se desenvolvendo ao longo dos anos com a participação dos movimentos sociais e da Seppir, como um dos articuladores.

Agência Brasil: As cotas no serviço público esbarram em alguns problemas. Muitos concursos oferecem apenas uma vaga, a reserva de 20% das vagas prevista na lei passa a valer a partir de três vagas, entre outras questões. A Seppir pretende agir de alguma forma para regulamentar a lei?
Nilma: A lei é autoaplicável. O que a Seppir tem discutido com outros ministérios e também com estados que implementaram as leis baseadas na lei federal é algum tipo de orientação para a implementação da legislação. Isso talvez nós façamos por meio de uma portaria, que ainda está em construção. Estamos ouvindo o que a sociedade civil tem nos falado. Estamos em discussão com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Ainda não dá para adiantar. Queremos ter essa portaria ainda este ano.

Agência Brasil: Está também no estatuto a garantia da liberdade religiosa. A população negra é que mais sofre com a intolerância religiosa.
Nilma: A violência religiosa tem nos preocupado muito e não só a Seppir, mas o governo federal como um todo. O que temos feito, além das denúncias que são apresentadas à nossa Ouvidoria, é ouvir os segmentos, os movimentos sociais. Estamos neste momento pensando em uma ação mais global do governo para podermos trabalhar em uma conscientização da população para uma superação da violência e inclusive na informação para as vítimas de quais são os caminhos jurídicos que podem seguir quando sofrerem essa violência.

Agência Brasil: Alguns movimentos pedem reforma do estatuto. O argumento é que, na tramitação, trechos importantes foram retirados. A Seppir pretende propor alguma mudança?
Nilma: Não está na pauta da Seppir, no atual momento, fazer alguma alteração no Estatuto da Igualdade Racial. Eu acho que o processo pelo qual o estatuto passou é um processo que existe na sociedade democrática de negociação e conflito. O estatuto passou por mudanças, mas essas mudanças de forma alguma invalidaram o teor e o alcance dele.
Fonte - Agência Brasil  19/07/2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Milhares de policiais são convocados para controlar confrontos em Baltimore

Internacional

Protestos contra racismo nos EUA terminam com prisões e policiais feridos.A comandante da Guarda Nacional, Linda Singh, disse que 5 mil soldados vão proteger moradores e propriedades. Foi também decretado o toque de recolher obrigatório na cidade durante toda a semana das 22h às 5h a partir de hoje (28).

Da Agência Lusa
foto-ilustração/em.com
O estado norte-americano de Maryland convocou milhares de agentes policiais e tropas da Guarda Nacional para controlar os confrontos em Baltimore, desencadeados após protestos contra a violência policial por causa da morte do jovem negro Freddie Gray, na cidade de Baltimore, morto no dia 19 após ferimentos na coluna cervical, provocados por um agente.
O superintendente da polícia de Maryland, William Pallozzi, disse ter ordenado que 500 agentes de todo o estado viessem dar apoio aos policiais da cidade e requisitou mais 5 mil.
Protestos contra racismo nos EUA terminam com prisões e policiais feridos
A comandante da Guarda Nacional, Linda Singh, disse que 5 mil soldados vão proteger moradores e propriedades. Foi também decretado o toque de recolher obrigatório na cidade durante toda a semana das 22h às 5h a partir de hoje (28).
As autoridades pretendem, assim, diminuir a violência desencadeada nas últimas horas nas ruas de Baltimore depois da morte do jovem negro quando estava sob custódia policial. Os atos violentos provocaram ferimentos em vários agentes, alguns dos quais com gravidade, além de lojas saqueadas e prédios incendiados.
A polícia de Baltimore admitiu na sexta-feira (24) que o jovem deveria ter recebido assistência médica imediata. Seis agentes foram suspensos enquanto esperam que a polícia entregue no dia 1º de maio as conclusões do inquérito ao procurador de Maryland, que pode decidir abrir um processo.
Os últimos dados da polícia apontam para 26 detidos durante os protestos de ontem (27) em Baltimore, além de 15 agentes feridos e muitos estragos materiais.
Fonte - Agência Brasil  28/04/2015

sábado, 6 de dezembro de 2014

Novos protestos contra o racismo paralisam a maior cidade dos EUA

Internacional

Manifestantes tomaram as principais ruas do Centro de Nova York, neste sábado.A onda de protestos violentos começou na quarta-feira, quando um júri de Nova York decidiu não acusar o policial branco Daniel Pantaleo no caso da morte por sufocamento de Eric Garner, um negro de 43 anos e pai de seis filhos.

Por Redação 
Correio do Brasil - Com Reuters EUA

Os protestos contra o racismo e a violência da polícia norte-americana contra minorias, provocados por decisões judiciais que não responsabilizaram policiais em dois casos relevantes, foram calmos em sua terceira noite em Nova York, embora 20 pessoas tenham sido presas, afirmaram as autoridades neste sábado.
Os manifestantes foram presos por conduta desordeira e por bloquearem o trânsito na FDR Drive, uma via arterial que corta o lado leste da ilha de Manhattan, afirmou a polícia.
Os protestos foram pacíficos durante a noite disse o detetive Michael DeBonis, um porta-voz do Departamento de Polícia de Nova York.
A onda de protestos violentos começou na quarta-feira, quando um júri de Nova York decidiu não acusar o policial branco Daniel Pantaleo no caso da morte por sufocamento de Eric Garner, um negro de 43 anos e pai de seis filhos.
A decisão aconteceu nove dias depois que um júri de Ferguson, no Missouri, decidiu não indiciar um outro policial branco pelo assassinato de um adolescente negro desarmado.
Mais protestos são previstos em Nova York para este sábado, assim como o funeral de um homem negro desarmado que foi baleado e morto pela polícia em um conjunto habitacional no Brooklyn.
A morte de Akai Gurley, de 28 anos, aumentou a indignação pública sobre o que muitos consideram uma violência racial praticada pelas forças policiais.
O promotor público do Brooklyn disse na sexta-feira que um júri deveria considerar as acusações contra o policial que matou Gurley. A polícia afirmou que o policial Peter Liang pode ter disparado sua arma acidentalmente.
Enquanto as duas primeiras noites de protestos viram milhares de manifestantes lotando as ruas de Nova York, o número de manifestantes caiu na sexta-feira para a casa de centenas com a presença da chuva fria e permanente.
Ainda assim, mais de 100 pessoas entraram em uma loja da Apple na Quinta Avenida para fazer um chamado “die-in“, deitando-se no chão para fingirem-se de mortas enquanto funcionários e clientes assistiam.
Manifestações semelhantes foram promovidas na loja de departamento Macy’s, na Herald Square, e no terminal ferroviário Grand Central.
Protestos aconteceram em Chicago, Boston, Washington, New Orleans e Oakland, na Califórnia, onde manifestantes gritaram frases como “As vidas dos negros são importantes”.
Em Cleveland, na sexta-feira, a família de um menino negro de 12 anos baleado e morto pela polícia entrou com um processo contra a cidade, um dia após o governo federal afirmar que os departamentos de polícia utilizam sistematicamente força excessiva.
Fonte - Correio do Brasil  06/12/2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

O PRECONCEITO A INTOLERÂNCIA E A FALTA DE RESPEITO NÃO TEM LIMITES

Direitos humanos   

O preconceito é a arma da intolerância utilizada por aqueles que se acham acima de todas as virtudes,do bem e do mal, julgam-se superiores em tudo e a todos,inatingíveis,intocáveis mais esquecem que o destino de todos aponta somente para uma única direção..........

Da Redação
NÃO SOMOS MACACOS
Nem bem cicatrizaram as feridas da lamentável agressão sofrida pelo jogador brasileiro Daniel Alves em um estádio de futebol em gramados espanhóis, quando um torcedor do time adversário atirou uma banana em sua direção,fato esse que provocou uma revolta generalizada,ainda que dando surgimento a um movimento totalmente equivocado e descabido aprofundando mais ainda o sentimento RACISTA E PRECONCEITUOSO, denominado #somostodosmacacos  ( Eu não sou macaco e ninguém é macaco).Para a minha surpreza, eis que hoje me deparo com mais uma agressão idêntica,desrespeitosa,preconceituosa,descabida e injuriosa desta vez cometida contra o ex Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, e de tabela atingindo também a atual Presidenta Dilma Rousseff, no Facebook, no perfil da conta da usuária Maria Candida Junqueira Zacharias.A ninguém é vedado o direito a critica,a oposição,ao contraditório,e niquem é obrigado a gostar de ninguém,é assim que funciona a democracia,mas ela não nos da o direito de ultrapassar  os limites da fronteira entre o certo e o errado,entre o real e o imponderável.Manter sempre o respeito ao direito e a dignidade do ser do humano é muito mais do que uma obrigação,é um dever de todos nos. O que fizeram com o jogador Daniel Alves e agora repetem de maneira lamentável e acintosa com o ex Presidente Lula é uma agressão inadmissível,inaceitável e ambas não podem e não devem passar em branco sem que os seus autores sejam devidamente responsabilizados.Não vivemos numa selva,onde as leis são ditadas pelas necessidades de sobrevivência daqueles que nela habitam, não somos macacos,somos seres humanos e civilizados, e por isso devemos agir e nos comportarmos sempre com tal.
Expressamos aqui nosso total e veemente repúdio, a toda e qualquer forma de intolerância,descriminação ou preconceito a todo e qualquer ser humano,a democracia assim exige,igualdade e respeito para todos.
Pregopontocom


Copia da postagem no Facebook

Segue a foto de um exemplar da espécie PTcântropus CorruPTus, da subordem dos Nihil Sapientis Eternum, da classe Operarius Fajutus.
Essa espécie tem como característica ter apenas 9 dedos nas mãos e de alimentar-se somente de derivados de cana ou de malte escocês.
Os povos primitivos o idolatram e até deificam, mediante farta distribuição de micro-benesses que bastam a esses primitivos para tornarem-se vagabundecos também.
Outra característica exclusiva dessa espécie é que são os machos que dão à luz, fato comprovado, pois foi esse exemplar da foto que pariu um excremento da natureza identificado como Dilmus Presidentus que já empesteou a nação e acabou, como praga, do pouco de dignidade que ainda havia neste país.
A sorte é que esta espécie e seus descendentes são tão vorazes que cedo ou tarde acabarão comendo uns aos outros... só que até lá....adeus Brasil!
Recomendo repassar, para conhecimento meramente científico...ar legenda

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre Macacos,Bananas,Daniel Alves e Neymar

Direitos Humanos

Daniel Alves sofreu uma agressão. Reagiu. Contudo, a atitude do jogador não neutralizou a violência racial a qual ele foi exposto, nem tirou a necessidade de se punir os agressores. O jogador sentiu aquilo que todos os negros e negras passam diariamente no esporte ou fora dele.


No último domingo (27/04), durante o jogo entre Barcelona e Villarreal, jogaram uma banana no campo de futebol. Em uma atitude totalmente irônica, o jogador negro Daniel Alves a comeu.
Não é de hoje que negros e negras são chamados de macacos e que a banana se tornou, dentro ou fora dos campos, um símbolo desse tipo de agressão racial. Não é de hoje também negros jogadores de futebol são vítimas do racismo dos torcedores, dos patrocinadores, da FIFA e dos árbitros.
Daniel Alves sofreu uma agressão. Reagiu. Contudo, a atitude do jogador não neutralizou a violência racial a qual ele foi exposto, nem tirou a necessidade de se punir os agressores. O jogador sentiu aquilo que todos os negros e negras passam diariamente no esporte ou fora dele. Ser retirado da sua humanidade e colocado em condição de animal irracional é artifício secular do racismo reproduzido até hoje. A diferença no caso de Daniel é a sua visibilidade e o alcance da sua reação — diga-se de passagem: melhor que muito discurso por aí.

Todo o apoio a Daniel Alves.

A atitude de Daniel não faz dele um macaco. Não faz de nenhum negro ou negra macacos. Não faz de ninguém macaco. Neymar parece que não entendeu.
Num surto heroico anti-racista, Neymar, que até ontem não se identificava como negro, colocou uma foto no instagram dele acompanhado do filho, segurando cada um a sua respectiva banana, dizendo “Tomaaaaa bando de racistas. #Somostodosmacacos e daí?”. Em pouco tempo, famosos acompanharam o desserviço em forma de indignação do rapaz.

Toda a repulsa à campanha que Neymar emplacou.

Se Neymar começou a reconhecer e a assumir sua negritude agora, não se sabe. O que se tem é um homem negro com visibilidade dizendo que o discurso racista do opressor está certo e que somos macacos. Todo mundo deveria saber que ninguém é macaco — o problema é que alguns de nós, pretos e pretas, fomos e somos historicamente tratados como animais.

Neymar tá empurrando para o lixo anos e anos de luta anti-racista. E nem acho que ele esteja ligando muito para a merda que fez. O racismo nos campos de futebol sempre existiu e agora têm ganhado bastante espaço na mídia. Os veículos até então não tinham encontrado um rosto que estampasse a luta contra esse tipo de discriminação sem afetar seus interesses. Neymar percebeu a oportunidade, agarrou como a banana na foto e provavelmente será esse rosto: mais visibilidade para o afroconveniente de ouro.


E a merda não para por aí. Faça a pesquisa nas redes sociais com #Somostodosmacacos e você vai perceber a quantidade de fotos de pessoas brancas com suas respectivas bananas como se estivessem sob a ameaça de sofrer um ataque racista. Não faz sentido! Afinal, nenhuma banana, real ou não, foi jogada na cara delas.
Neymar não fala pela comunidade negra.

Eu não sou macaco.

Nenhum negro ou negra é macaco.

Ninguém é macaco.

Higor Faria é preto, publicitário, estuda masculinidade negra e escreve no https://medium.com/@higorfaria