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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

COVID-19 escancara racismo no Brasil e candidaturas negras são esperança, diz pesquisador

Direitos humanos 👪

'Ontem ,quinta feira(19), um homem negro foi barbaramente espancado até a morte nas dependências de uma loja da rede de Supermercados Carrefour em Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Até quando e quantas pessoas, 'cidadãs como quaisquer outras", irão pagar com suas vidas, apenas pelo simples fato serem negras?'

Sputnik
foto - ilustração/arquivo
Nesta sexta-feira (20) é comemorado no Brasil o Dia da Consciência Negra, data que homenageia o protesto negro contra o racismo no país. A Sputnik Brasil ouviu o pesquisador da UNESP, Juarez Xavier, e a vereadora eleita de São Paulo, Elaine Mineiro, para comentar os avanços da luta contra a desigualdade racial. O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi criado no Brasil em 2003 atendendo a uma demanda histórica do movimento negro brasileiro por uma data que simbolizasse a luta contra o racismo no país, substituindo o 13 de maio como a principal data da população negra no calendário nacional. A demanda teve como objetivo usar a data e a memória de Zumbi dos Palmares como um instrumento de denúncia da contínua desigualdade racial no Brasil. Juarez Tadeu de Paula Xavier, professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP), pesquisador e militante histórico do movimento negro, explica que a pandemia da COVID-19 revelou no Brasil, em 2020, exatamente essa situação de desigualdade "abissal" denunciada historicamente pelo movimento negro brasileiro. Nesse contexto, o Brasil assistiu a morte de mais de 167 mil pessoas, sendo que já se sabe que o vírus incidiu mais sobre a população negra e pobre. "A COVID-19 elucidou para a sociedade brasileira as características que o movimento negro tem historicamente denunciado de um necroestado, com necrogovernos e necropolíticas que têm produzido a morte em escala industrial para a população negra, em especial jovens negros e mulheres negras", explica o pesquisador em entrevista à Sputnik Brasil. Para Xavier, esse contexto específico tornou o protesto do Dia da Consciência Negra no ano de 2020 "fundamental" e "essencial" devido ao cenário de recrudescimento do racismo mundo afora, que já vinha sendo denunciado pelo movimento negro brasileiro. "[Esse cenário] se confirmou de forma mais perversa ainda com a explosão da pandemia. Os números nos Estados Unidos mostram, por exemplo, que a população negra é aquela que está sendo mais duramente castigada", aponta o professor, acrescentando que o mesmo diagnóstico se repete no Brasil "com foco central naquelas pessoas que estão em condições de vulnerabilidade absoluta, aonde a comorbidade principal é o racismo". Entre as medidas positivas para o enfrentamento a essa situação histórica de desigualdade, o professor destaca a implementação, a partir das eleições municipais de 2020, da reserva de verbas financeiras para candidaturas negras no Brasil, o que obriga os partidos a distribuir a verba do fundo eleitoral de forma proporcional às candidaturas negras. "É uma conquista política importante do movimento social de negros, que já vinha reivindicando esse direito, em linha reta com as conquistas de direitos de ações afirmativas em outras áreas", aponta Xavier, que avalia que, assim como nas universidades, será necessária a criação de mecanismos de verificação para impedir fraudes e assegurar o direito das candidaturas negras. A medida das "cotas financeiras" foi elaborada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e inicialmente valeria apenas a partir das eleições de 2022, mas foi implementada já neste ano após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O professor Juarez Xavier aponta, porém, que a decisão não foi amplamente cumprida e que os resultados das eleições mostram que o perfil dos eleitos segue distante do ideal, no sentido de representação da sociedade. Um levantamento publicado pelo portal G1 mostra que do total de vereadores eleitos neste ano, 84% são homens e 53,5% são brancos. "Para que você possa democratizar esse processo é absolutamente necessário manter a política, ampliando-a e assegurando que ela seja executada de acordo com o espírito proposto pela lei. Ou seja, assegurar que os partidos garantam às candidaturas negras as mesmas condições asseguradas às candidaturas não negras, com o objetivo de ampliar a eleição desse conjunto de candidaturas e dessa forma pluralizar e democratizar o acesso ao capital político nesse país", avalia. Pressão do movimento negro e nova legislação impulsionam mudanças Elaine Mineiro, de 36 anos, foi eleita este ano vereadora em São Paulo pelo PSOL, com 22.745 votos, e fará parte de uma legislatura histórica da Câmara Municipal paulistana, que bateu recorde ao eleger quatro vereadoras negras. Apesar de ser um número pequeno diante das 55 cadeiras de vereadores, apenas duas mulheres negras haviam sido eleitas vereadoras em toda a história da capital paulista. Neta de quilombolas e coordenadora da UNEAFRO, uma das maiores redes de cursinhos populares do Brasil, Elaine explica que sua campanha teve como fonte principal de recursos financeiros as doações de apoiares, mas afirma que seu partido fez a distribuição dos recursos seguindo a nova orientação de cotas financeiras imposta pelo STF e utilizando ainda diretrizes internas. "No caso do PSOL a gente teve muitas candidaturas negras nessa eleição, inclusive elegemos – a maior parte das candidaturas [eleitas em São Paulo pelo partido] são negras. Ainda é um processo que está em construção, não só no meu partido como em todos os outros partidos", pondera Elaine Mineiro, vereadora eleita na cidade mais rica da América Latina, em entrevista à Sputnik Brasil. A educadora reforça que a introdução da nova norma nas eleições através dos tribunais superiores é fruto de um histórico de lutas do movimento negro e aponta que não é diferente dentro de seu partido, no qual os movimentos sociais passaram a exigir mais participação negra nos últimos anos. "O partido se movimenta para dar uma resposta aos questionamentos que foram feitos e isso demonstra como foi importante colocar os questionamentos", diz Elaine ao ressaltar que o problema não está apenas dentro do PSOL, mas em todas as instituições. A candidatura encabeçada por Elaine usa o modelo de mandato coletivo. Batizada de Quilombo Periférico, o mandato reúne outras cinco pessoas de diferentes regiões e movimentos sociais da cidade de mais de 12 milhões de habitantes. A futura vereadora explica que as candidaturas negras têm ganhado espaço dentro do partido. "A nossa candidatura vem do movimento negro, vem do movimento de periferias. Mas as outras candidaturas no partido, que também têm ligação, obviamente, com movimentos, também deram essa resposta, também escolheram, em grande parte das vezes, representatividades negras de pessoas que militam dentro do partido", diz. Para Elaine isso também reflete um momento de fortalecimento do movimento negro no Brasil através da Coalizão Negra por Direitos, que reúne diversas organizações negras brasileiras e também por meio do legado de Marielle Franco, que tem inspirado mais mulheres negras a entrar na política. A futura vereadora entende ainda que as vitórias eleitorais e a presença do movimento negro nas ruas em 2020 são parte de uma movimentação permanente contra o racismo que se manteve mesmo no atual contexto político e de pandemia. Diante disso, Elaine faz votos de dar prosseguimento a essa história com seu mandato. "Acho que esse é um processo que o movimento negro entendeu que precisa ser contínuo, que estava aí antes, que está agora e que vai continuar. É tarefa nossa, enquanto movimento negro, é tarefa nossa enquanto mandato, agora, continuar colocando essa discussão, trazer as pautas do movimento negro para a centralidade do debate", afirma.
Fonte - Sputnik  20/11/2020

SEU JORNAL DA TVT - 20/11/2020

 Notícias  📺

João Alberto é espancado e asfixiado até a morte por seguranças no Carrefour


segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Dia da Consciência Negra será celebrado com programação cultural e oficinas gratuitas nas estações do Metrô de Salvador

Cidadania  👏

O evento será aberto na segunda-feira (18), às 17h, na Estação Rodoviária de Metrô, com a Roda de Diálogo mediada pelo Projeto Wakanda Warrios, que vai discutir o empreendedorismo matriarcal, seguida da Oficina de Tranças. Na terça-feira, será realizado o Workshop de Técnicas Capilares (Dreads e Tranças) e a Oficina de Turbantes. 

Da CCR
Divulgação/CCR
Em celebração ao Dia da Consciência Negra, lembrado na quarta-feira (20), um CCR Metrô Bahia realiza mais uma edição do Vem para Cá, um calendário de eventos que leva a baianidade, cultura, bem-estar e lazer para as estações de metrô. Entre os dias 18 e 22, como as estações vão receber uma programação que inclui apresentações musicais, oficinas, lançamento de livro, desfile e roda de conversa.
O evento será aberto na segunda-feira (18), às 17h, na Estação Rodoviária de Metrô, com a Roda de Diálogo mediada pelo Projeto Wakanda Warrios, que vai discutir o empreendedorismo matriarcal, seguida da Oficina de Tranças. Na terça-feira, será realizado o Workshop de Técnicas Capilares (Dreads e Tranças) e a Oficina de Turbantes. O terceiro dia da ação será dedicado à moda e beleza e vai contar com Desfile de Marcas Afro e Oficina de Maquiagem em Pele Negra. Já na quinta-feira, dia 21, o público poderá participar da Oficina Gastronômica de Bolinho de Estudante.
Para encerrar a semana, o Grupo de Percussão Neojiba do Núcleo Pirajá preparou uma apresentação especial. O show acontecerá às 17h, na Estação Acesso Norte. Já às 18h, a BiblioMetrô vai sediar o novo lançamento do livro Outro Poeta Crônico, do escritor baiano Anderson Shon. A obra traz um compêndio de poesias e é o segundo livro de Shon. O evento contará ainda com debate interativo sobre literatura negra e a relação com a leitura, com a participação de Lorena Ribeiro, idealizadora do Clube de Leitura Passos Entre Linhas, que tem a literatura negra como foco.
Todas as ações são gratuitas e serão realizadas em parceria com o Senac e o Projeto Wakanda Warrios, sempre das 17h às 19h. Não é necessário efetuar a inscrição prévia para participar das oficinas e workshop, mas é importante lembrar que as vagas são limitadas e preenchidas por ordem de chegada.

Programação:
Segunda-feira (18) | Das 17h às 19h | Estação Rodoviária de Metrô | Roda de Diálogo sobre Empreendedorismo Matriarcal e Oficina de Tranças
Terça-feira (19) | Das 17h às 19h | Estação Rodoviária de Metrô | Workshop de Técnicas Capilares (Dreads e Tranças) e a Oficina de Turbantes
Quarta-feira (20) | Das 17h às 19h | Estação Rodoviária de Metrô | Desfile de Marcas Afro e Oficina de Maquiagem em Pele Negra
Sexta-feira (22) | Às 17h | Estação Acesso Norte de Metrô | Grupo de Percussão Neojiba do Núcleo Pirajá
Quinta-feira (21) | Das 17h às 19h | Estação Rodoviária de Metrô | Oficina Gastronômica de Bolinho de Estudante
Sexta-feira (22) | Às 18h | Estação de Acesso Norte do Metrô - BiblioMetrô | Lançamento do livro Outro Poeta Crônico, do escritor baiano Anderson Shon, com participação de Lorena Ribeiro
Ações gratuitas e abertas ao público
Com informações da CCR Metrô Bahia 18/11/2019

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Marcha da consciência negra pede democracia, direitos e fim do racismo

Direitos Humanos  👐

Outras bandeiras levantadas na manifestação diziam respeito à intolerância religiosa, à violência contra a população negra e à questão quilombola. "Atacar os orixás é atacar o povo preto"; "Se você for preto, o próximo pode ser você", e "A destruição dos quilombos é projeto de um Brasil racista" eram alguns dos dizeres estampados.

Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

Ravena Rosa - Ag.Brasil
A 15ª Marcha da Consciência Negra foi realizada hoje (20) na capital paulista reivindicando o fim do racismo, mais direitos e democracia. Na faixa carregada pelos manifestantes à frente do ato, estava estampada os rostos de lideranças negras assassinadas, entre elas a vereadora Marielle Franco (PSOL), morta em um ataque a tiros junto com seu motorista, Anderson Gomes, em março, no Rio de Janeiro.
Outras bandeiras levantadas na manifestação diziam respeito à intolerância religiosa, à violência contra a população negra e à questão quilombola. "Atacar os orixás é atacar o povo preto"; "Se você for preto, o próximo pode ser você", e "A destruição dos quilombos é projeto de um Brasil racista" eram alguns dos dizeres estampados.
"A mensagem que nós estamos colocando é principalmente o não ao racismo. Esse país tem um projeto de genocídio da população negra, e que não é de hoje. Vem desde a abolição da escravatura. Mas nós estamos firmes e, da nossa parte, vai ter muita luta", disse Milton Barbosa, coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU), uma das entidades que organizou o ato.
A marcha partiu do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e se deslocou no sentido do centro pela Rua da Consolação. Entre os manifestantes, estavam membros de entidades como o Congresso Nacional Afro Brasileiro, o Círculo Palmarino, o coletivo Emancipa, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Fonte - Agência Brasil  20/11/2018

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Metrô de Salvador comemora com exposição fotográfica e oficina de turbantes o dia da Consciência Negra

Consciência Negra  👍

CCR Metrô Bahia celebra Dia da Consciência Negra com exposição fotográfica e oficina de turbantes.A ação conta com a Exposição de Fotos Candaces – Espelho Contemporâneo, Rainhas Ancestrais, da historiadora e ativista social Elza Elisa Pereira, que apresenta o empoderamento da mulher negra através de fotografias de mulheres comuns

CCR
divulgação/CCR
Para marcar a passagem do Dia da Consciência Negra, lembrado no próximo dia 20, a CCR Metrô Bahia vai promover atividades para os usuários, entre os dias 20 e 24 de novembro, na Estação Acesso Norte. A ação conta com a Exposição de Fotos Candaces – Espelho Contemporâneo, Rainhas Ancestrais, da historiadora e ativista social Elza Elisa Pereira, que apresenta o empoderamento da mulher negra através de fotografias de mulheres comuns. A mostra que fica em cartaz entre os dias 20 e 24 de novembro, faz uma analogia com as candaces - mulheres fortes, mães e rainhas -, representadas, atualmente, por donas de casa, trabalhadoras e mulheres guerreiras.
Na segunda-feira (20), das 14h às 19h, a Estação Acesso Norte também vai receber uma oficina de turbantes, comandada pela turbantista e fundadora da Oro Mi Maió Artes, Dani Santana. A facilitadora da oficina é uma das modelos da exposição Candaces e vai ensinar técnicas para amarrações de turbantes, acessórios marcantes da moda africana. As ações que fazem parte do projeto Vem pra Cá – calendário de eventos que acontecem nas Estações de Metrô -, são gratuitas e abertas ao público.

Dia da Consciência Negra no Metrô de Salvador
Local Estação Acesso Norte
De 20 a 24 de novembro
Oficina e visitação gratuitas
Com informações da CCR Metrô Bahia  20/11/2017

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dia da Consciência Negra é comemorado em mais de mil cidades brasileiras

Dia da Consciência Negra

A data, incluída em 2003 no calendário nacional, refere-se à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares.Comemorada há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi oficializada pela Lei 12.519 de 2011.

Da Agência Brasil
imagem- Ag.Brasil
Mais de mil cidades brasileiras comemoram, em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra. A data, incluída em 2003 no calendário nacional, refere-se à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares.
Comemorada há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi oficializada pela Lei 12.519 de 2011.
Levantamento realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2014 apresenta a lista completa das cidades que comemoram a data.
As decisões dos estados e cidades da Federação, em relação à adoção do Dia da Consciência Negra, são as seguintes:

Acre: o 20 de novembro não é feriado oficial em nenhum município.

Alagoas: de acordo com a Lei Estadual n° 5.724 de 1995, todos os municípios do estado de Alagoas têm feriado no Dia da Consciência Negra.

Amazonas: desde 2010, por força de uma lei estadual, o dia 20 de novembro passou a ser considerado feriado em todos os municípios do Amazonas. A capital Manaus também tem uma lei municipal que decreta 20 de novembro feriado do Dia da Consciência Negra.

Amapá: a Lei Estadual Nº 1169, de 2007, garantiu feriado oficial em 20 de novembro em todas as cidades do estado do Amapá.

Bahia: apenas três municípios baianos têm o Dia da Consciência Negra no calendário oficial de comemorações: Alagoinhas, Camaçari e Serrinha. Em todos eles, o feriado foi determinado por lei municipal.

Ceará: o Dia da Consciência Negra não é feriado em nenhum município.

Distrito Federal: Distrito Federal não tem feriado para comemorar o Dia da Consciência Negra.

Espírito Santo: as cidades de Cariacica e Guarapari têm feriado oficial no dia 20 de novembro, por determinação de leis municipais.

Goiás: quatro cidades goianas celebram oficialmente o Dia da Consciência Negra em 20 de novembro: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Flores de Goiás e Santa Rita do Araguaia.

Maranhão: apenas o município de Pedreiras terá feriado no dia 20 de novembro, garantido por uma lei municipal de 2008.

Minas Gerais: dez cidades mineiras têm feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro: Além Paraiba, Betim, Guarani, Ibiá, Jacutinga, Juiz De Fora, Montes Claros, Santos Dumont, Sapucai-Mirim e Uberaba. Em Belo Horizonte não haverá o feriado.

Mato Grosso do Sul: só a cidade de Corumbá tem feriado oficial em 20 de novembro, por força de lei municipal de 2008.

Mato Grosso: lei de 2002 determina feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro em todos os municípios do estado.

Paraíba: o 20 de novembro é oficialmente feriado apenas na capital, João Pessoa.

Pará: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Paraná: só duas cidades paranaenses, Guarapuava e Londrina, têm feriado oficial no 20 de novembro. Nos dois casos, o feriado foi determinado por lei municipal de 2009.

Pernambuco: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Piauí: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio de Janeiro: lei estadual de 2002 garante o feriado do Dia da Consciência Negra em todos os municípios fluminenses.

Rio Grande do Norte: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio Grande do Sul: desde 1987, lei estadual determina que o 20 de novembro é feriado em todos os municípios gaúchos.

Rondônia: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Roraima: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Santa Catarina: só a cidade de Florianópolis tem feriado oficial em 20 de novembro.

São Paulo: não há uma lei estadual que detemine o feriado de 20 de novembro no estado. No entanto, a data está no calendário oficial de 101 cidades por leis municipais, incluindo a capital São Paulo. Segue a lista dos municípios: Aguaí, Águas Da Prata, Águas de São Pedro, Altinópolis, Americana, Américo Brasiliense, Amparo, Aparecida, Araçatuba, Aracoiaba da Serra, Araraquara, Araras, Atibaia, Bananal, Barretos, Barueri, Bofete, Borborema, Buritama, Cabreuva, Cajeira, Cajobi, Campinas, Campos do Jordão, Canas, Capivari, Caraguatatuba, Carapicuíba, Charqueada, Chavantes, Cordeirópolis, Cruz das Almas, Diadema, Embu, Embu das Artes, Estância de Atibaia, Flórida Paulista, Franca, Franco da Rocha, Francisco Morato, Franco da Rocha, Getulina, Guaira, Guarujá, Guarulhos, Hortolândia, Ilhabela, Itanhaém, Itapecerica da Serra, Itapeva, Itapevi, Itararé, Itatiba, Itu, Ituverava, Jaguariuna, Jambeiro, Jandira, Jarinu, Jaú, Jundiaí, Juquitiba, Lajes, Leme, Limeira, Mauá, Mococa, Olímpia, Paraiso, Paulo de Faria, Pedreira, Pedro de Toledo, Pereira Barreto, Peruíbe, Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Porto Feliz, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, Rincão, Rio Claro, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Salto, Santa Albertina, Santa Isabel, Santa Rosa de Viterbo, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São João da Boa Vista, São Paulo, São Roque, São Vicente, Sete Barras, Sorocaba, Sumaré e Suzano.

Sergipe: não há feriado em 20 de novembro em cidades do estado.

Tocantins: só o município de Porto Nacional tem, por lei municipal, feriado em 20 de novembro.
Fonte - Agência Brasil  16/11/2015

Quilombolas da Marambaia celebram posse de terra no Dia da Consciência Negra

Direitos Humanos

O cenário é a Praia Suja, na Baía de Sepetiba. Perto dali, paredes de pedra ainda guardam a história da antiga senzala em que os negros em quarentena esperavam para ser traficados, depois de terem sido sequestrados da África para nunca mais retornar.No mês passado,uma cerimônia que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário,Patrus Ananias,concedeu o título de posse de 53 hectares às famílias quilombolas que habitam o local.

Vinícius Lisboa
Enviado Especial da Agência Brasil
Na Ilha da Marambaia, alunos dançam jongo
em frente à da escola Levy Miranda
Tânia Rêgo/Agência Brasil 
A professora Bárbara Guerra, 37 anos, chama os alunos a responderem mais alto ao jongo [dança de origem africana com acompanhamento de tambores] que o grupo ensaia para a festa do Dia da Consciência Negra, na Ilha da Marambaia. O tempo está nublado e os remanescentes quilombolas dançam e batem o atabaque em meio a prédios da Marinha do Brasil e serras cobertas de Mata Atlântica.
O cenário é a Praia Suja, na Baía de Sepetiba. Perto dali, paredes de pedra ainda guardam a história da antiga senzala em que os negros em quarentena esperavam para ser traficados, depois de terem sido sequestrados da África para nunca mais retornar.
"Eu nasci, nasci de Angola. Angola que me criou. Hoje estou na Marambaia, moreno. E por isso negra sou", canta Bárbara para que o grupo repita e para embalar os passos que resgatam a dança de seus ancestrais.
A resposta ao chamado da griô [contadora de histórias] ganha força e se soma às vozes que nas últimas décadas trouxeram de volta o jongo, a capoeira, o carnaval e o reconhecimento de que há uma história a ser contada na ilha.
"A importância disso tudo não é manter, é continuar a história, porque sem história nós não somos nada. Falam que quem escreve a história são os vencedores, mas cada um pode escrever sua história. No momento em que você escreve sua história, você já é um vencedor."
No mês da Consciência Negra, a comunidade quilombola da Marambaia tem mais vitórias a celebrar. Depois de uma disputa judicial com a Marinha que se estendeu por mais de dez anos, um Termo de Ajustamento de Conduta assinado no fim do ano passado entre as duas partes pôs fim ao litígio. Além da herança quilombola, a ilha abriga desde a década de 1970 o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia, onde são realizados treinamentos militares.

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Futura sede da Associação dos Remanescentes Quilombolas da Ilha de Marambaia (Arqimar)
No mês passado, uma cerimônia que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, concedeu o título de posse de 53 hectares às famílias quilombolas que habitam o local. Após anos impedidos de fazer pequenas expansões, os moradores da ilha – cerca de 430 pessoas – hoje constroem mais 24 casas para famílias que antes moravam com parentes e uma sede para a Associação dos Remanescentes Quilombolas da Ilha da Marambaia (Arqimar), fundada em 2003.
Ao visitar a comunidade e participar da cerimônia que contou com uma apresentação de jongo, o ministro Patrus Ananias disse que o acordo entre a Marinha e a comunidade pode servir de exemplo para a superação de outros conflitos.
“Eu fico muito feliz com o encontro dos interesses do país presentes nesta belíssima Marambaia: a defesa nacional, com a presença da Marinha do Brasil, e a preservação ambiental, daqueles que estão comprometidos com ela”, disse na entrega dos títulos.

Políticas públicas
Nilton Alves, presidente da Associação dos Remanescentes Quilombolas da Ilha de Marambaia, espera que o título de posse da terra traga mais serviços públicos para a região Tânia Rêgo/Agência Brasil
Hoje, a comunidade depende da Marinha para ter atendimento médico de emergência e transporte para o município de Mangaratiba. Há apenas uma escola de nível fundamental na ilha que funciona em um prédio cedido pela Marinha.
Para quem cursa o ensino médio, é preciso ir a Mangaratiba no barco da Marinha que sai pela manhã e só retorna no início da noite, o que faz com que os sete jovens que fazem esse percurso muitas vezes percam o primeiro tempo de aula e fiquem ociosos durante a tarde aguardando o barco de volta.
Para fazer um saque no banco ou um exame médico, por exemplo, muitas vezes é preciso sair antes das 6h e só voltar às 18h.
"Com a chegada do título, a gente vislumbra ter melhorias para a comunidade, na área de políticas públicas, saúde, transporte, educação, saneamento básico e outras coisas", conta Nilton, que também é diretor-adjunto da Escola Municipal Levy Brandão, onde estudam 61 crianças e adolescentes da Marambaia.

Ensaios
É na escola que Bárbara e o professor de biologia Osmar Lima Estanislau, de 31 anos, ensaiam o grupo de jovens que vai apresentar o jongo do Dia da Consciência Negra. A dança é uma das atividades do Grupo Cultural Filhos da Marambaia, fundado em 2005, e também é tema de debate em sala de aula.
"Faço a integração da cultura com o meio ambiente nas aulas. Introduzo sempre que possível a capoeira, o jongo e procuramos mostrar para eles a nossa identidade. A escola tem um papel fundamental na tradição cultural", conta Estanislau, que também aborda temas como o uso racional de recursos naturais que fazem parte do dia a dia da comunidade.
"Também falo de pesca e de coleta de molusco, porque aqui é muito comum o mexilhão. De como é importante tirar uma parte e deixar a outra parte preservada. Se pegar um peixe que não tenha validade para venda, devolver para o mar. A pesca é a atividade mais importante aqui na Ilha da Marambaia."
No final de mais um dia de aula no 9º ano do ensino fundamental, Vitória Machado, 15 anos, respondia ao jongo e batia palmas para a dança de Bárbara e Osmar. Para ela, ser quilombola é "descender de uma cultura africana, mas daqui do Brasil". A jovem diz ainda que o conhecimento histórico é o melhor aliado no enfrentamento ao racismo. "O preconceito é uma coisa muito primária, muito primitiva. Ele podia ser evitado com um pouco mais de conhecimento. Se eles [os racistas] conhecessem a nossa história, a nossa cultura, talvez não tivessem esse preconceito."
Jean Eugênio, 15 anos, é o responsável pelas batidas no atabaque. Ser quilombola, para ele, é um processo de aceitação. "Para mim, é aceitar ser o que você é. É mostrar para o mundo a sua cultura, o que você aprendeu e o que você quer."
O estudante quilombola espera que, daqui a alguns anos, seu instrumento de trabalho seja a Constituição, que um dia já foi usada para legitimar o tráfico e a exploração de africanos escravizados. O desejo de se formar em direito e usar a lei para reivindicar igualdade é compartilhado com Vitória. "A gente vê essa luta que é travada pela nossa comunidade, e a gente quer defender de um modo jurídico a nossa sociedade", diz a jovem, cujos pais não terminaram o ensino fundamental.

'Que tal resgatar o Carnaval?'
O resgate de danças africanas faz parte de uma série de iniciativas tomadas nos últimos 15 anos para reviver a cultura quilombola. Outro exemplo é o renascimento do carnaval na Ilha da Marambaia, com a fundação do Bloco Pé de Cana, há quatro anos.
"Moro aqui há 20 anos e lutamos muito para resgatar a comunidade. Fomos de casa em casa para conversar com os moradores mais velhos e eles foram contando para gente. Começamos a resgatar o jongo, a capoeira e pensamos: que tal resgatar o carnaval, se a gente gosta de se reunir?", conta Joeci Gomes, de 39 anos.
Foi preciso ainda pensar no samba, no nome do bloco e correr atrás de patrocínio, que foi concedido pela Prefeitura da Mangaratiba.
"Aí a gente começou a fazer o carnaval. É um dia só. Vem os parentes de fora e assim foi crescendo. Quando termina o dia 20 [de novembro], já tem que organizar o carnaval", conta Jô, como é conhecida na comunidade.

Antiga senzala
A apresentação do grupo de jongo no Dia da Consciência Negra ocorre há 10 anos nas ruínas de uma senzala, onde o teto já veio abaixo e alguns pilares de pedra foram engolidos por árvores.
Historiadores afirmam que a Ilha da Marambaia foi usada como “lugar de engorda", onde os negros que chegavam da África debilitados eram alimentados para que tivessem mais força e pudessem ser vendidos a valores mais altos e distribuídos em propriedades da região. Quase um mês antes da festa, o trabalho de capinar e arrancar as ervas daninhas começa pelas mãos dos próprios quilombolas, que convidam organizações não governamentais, ativistas e parentes para participar da celebração, a mais importante do ano para a comunidade.
A festa termina com uma feijoada como cardápio. Além disso, um grupo de mulheres costuma passar a noite anterior ao evento na antiga senzala, fazendo orações e cuidando dos últimos preparativos.
Jô conta que nem todos os moradores da ilha tem coragem de dormir ou frequentar a região, por considerarem o local "carregado" pelo sofrimento dos antepassados. "Algumas pessoas não gostam. Veem vultos, vozes, as coisas mexendo. Mas a gente conhece a história e tem respeito. Com respeito, não tem problema".

Consciência negra
Uma das líderes da mobilização dos quilombolas na Marambaia, Vânia Guerra, 56 anos, acredita que a luta dos moradores da região acabou se transformando em mais consciência sobre o que é ser negro.
Mãe de Bárbara e griô, ela lembra que foi preciso superar muito medo para poder reivindicar seus direitos. "O medo é a herança do tronco. Esse medo já nasce com a gente, porque a gente aprendeu a não confiar. Tudo isso a gente teve que trabalhar, porque a nossa esperança é fazer com que cada um se assuma e assuma sua missão para que a gente não deixe essa vitória [a conquista do título de posse da terra] sem comemoração, sem legitimidade."
Com três filhos e sete netos, ela diz que já foi questionada muitas vezes sobre a origem quilombola de sua família.
"Já botaram o dedo na minha cara e disseram que eu não era quilombola, porque não cultivava aquela herança do tronco que era o medo desesperado por se achar raça inferior. Mas nossas heranças do tronco são outras. É o contador de história, é proteger aquela árvore ali até ela virar tronco, é defender aquela pedra porque muitos foram chicoteados e muitos correram e sentaram nela para chorar, e eram nossos antepassados", diz.

Reconhecimento
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é o órgão do governo responsável pelo reconhecimento, pela identificação, delimitação, demarcação e titulação das terras quilombolas, que são regidas pelo Decreto 4.887, de 20 de novembro de 2003.
De acordo com o documento, "consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida".
"Segundo antropólogos, o que fundamenta o atual conceito de quilombo é a consolidação de um território próprio por comunidades negras rurais que mantêm costumes tradicionais e uma relação de subsistência e preservação do ecossistema, além de desenvolverem práticas culturais que remontam à opressão histórica da escravidão", diz o Incra.
A concessão do título de posse da terra da comunidade da Marambaia, em outubro deste ano, ocorreu 13 anos depois do início da Ação Civil Pública que pediu o reconhecimento da comunidade, em 2002. Entre 1996 e 1998, a comunidade foi alvo de ações de reintegração de posse movidas pela União para retirar as famílias. No final de 2014, a Marinha e a comunidade assinaram o Termo de Ajustamento de Conduta, que encerrou as disputas na Justiça.
Fonte - Agência Brasil  16/11/2015

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

TRÊS SÉCULOS APÓS A MORTE DE "ZUMBI",negro ainda é discriminado

Cidadania


Comemorado nesta quarta-feira, 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos. “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, diz o Ipea...

Da Agência Brasil

Brasília – Comemorado hoje (20), data da morte de Zumbi dos Palmares, o Dia da Consciência Negra deve servir para que os brasileiros reflitam sobre a desigualdade, a intolerância e o preconceito ainda existentes na sociedade. É o que revela nota técnica do Instittuto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao mostrar, por exemplo, que, em Alagoas, os homicídios reduziram a expectativa de vida de homens negros em quatro anos.
A nota Vidas Perdidas e Racismo no Brasil aponta que, além de Alagoas, estados como o Espírito Santo e a Paraíba concentram o maior número de negros vítimas de homicídio. ““Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima”, revela o estudo.
Os autores Daniel Cerqueira e Rodrigo Leandro de Moura, ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), analisaram até que ponto as diferenças nos índices de mortes violentas de negros e não negros estão relacionadas com questões como as diferenças econômicas, ao racismo e de ordem demográfica. “O componente de racismo não pode ser rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios entre homens negros e não negros no país”, concluiram os pesquisadores da FGV.
Considerando o universo dos indivíduos vítimas de morte violenta no país entre 1996 e 2010, o estudo mostra que, para além das características socioeconômicas – escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, aumenta a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais.
“O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, dizem os técnicos. No estudo, eles concluem que essas discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros quando comparada aos índices do restante da população.
Coincidentemente, Alagoas, líder de mortes violentas, especialmente o homicídio, contra negros e pardos também simboliza a luta dos africanos escravizados trazidos da África, no século 19, para trabalhar nos canais. A personificação desta luta que, pelos índices apresentados no estudo do Ipea, ainda perdura é Zumbi dos Palmares. Alagoano de nascença e natural de União dos Palmares, Zumbi – duende na língua do povo Banto, de Angola – liderou o maior quilombo do país.
Aos 7 anos, em 1670, ele foi capturado por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, responsável por sua formação. Com o passar do tempo, Zumbi, batizado na Igreja Católica com o nome de Francisco, fugiu para o Quilombo dos Palmares onde impressiona os demais escravos fugidos de fazendas de engenho pela sua habilidade em lutas. Aos 20 anos, ele já tinha se tornado o maior estrategista militar e guerreiro, responsável pela derrota imposta pelos quilombolas na luta contra soldados fiéis ao império português.
Fonte - Agência Brasil  20/11/2013