UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Obama vai a Cuba em março

Internacional

Estados Unidos anunciam viagem de Obama a Cuba em março. Em Havana, ele vai discutir a ampliação das relações com o governo local.

José Romildo
Correspondente da Agência Brasil

foto -ilustração/Havana
O presidente Barack Obama e a primeira-dama Michelle estarão em Cuba em 21 e 22 de março, informou hoje (18) a Casa Branca. Em Havana, ele vai discutir a ampliação das relações com o governo local.
Haverá “avanço nos laços comerciais, que podem melhorar o bem-estar do povo cubano”, acrescentou a Casa Branca.
“Vamos também expressar o nosso apoio aos direitos humanos”, acrescentou a Secretaria de Imprensa do governo norte-americano.
Além de manter uma reunião bilateral com o presidente de Cuba, Raúl Castro, Obama vai se encontrar com membros da sociedade civil, empresários e pessoas de diferentes esferas da sociedade cubana.
Fonte - Agência Brasil  18/02/2016 

sábado, 19 de setembro de 2015

Papa Francisco chega a Cuba para visita histórica de quatro dias

Internacional

O Airbus A330 da Alitalia transportando o papa aterrisou poucos minutos antes das 16h locais (17h, no horário de Brasília) no Aeroporto José Martí de La Habana, onde era aguardado pelo presidente cubano, Raúl Castro, e pelo cardel Jaime Ortega, maior representante da Igreja Católica na ilha.

Da Agência Lusa
foto - ilustração
O papa Francisco chegou na tarde deste sábado (19) a Cuba, primeira etapa de uma viagem que o levará também aos Estados Unidos, os dois países que contaram com seu apoio para restabelecerem relações diplomáticas.
O Airbus A330 da Alitalia transportando o papa aterrisou poucos minutos antes das 16h locais (17h, no horário de Brasília) no Aeroporto José Martí de La Habana, onde era aguardado pelo presidente cubano, Raúl Castro, e pelo cardel Jaime Ortega, maior representante da Igreja Católica na ilha.
Esta é considerada uma das viagens mais longas e delicadas do papa Francisco. Além de reuniões protocolares, ele irá à Praça da Revolução, em Havana, ao Congresso dos Estados Unidos, em Washington, e à ONU, em Nova York.
Com uma agenda muito carregada, o papa argentino, de 78 anos, pronunciará 26 discursos, dos quais oito em Cuba e 18 nos Estados Unidos.
Até terça-feira (22), o papa estará em Cuba, com passagens por Havana, Holguin e Santiago, para encontros com jovens, famílias, bispos e, provavelmente, o líder histórico do regime Fidel Castro.
Três visitas papais em 17 anos mostram a atenção do Vaticano ao país, onde o regime e a Igreja Católica comemoram, com apoio do papa, a normalização das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
O avião papal levará diretamente Francisco de Havana à Base Militar de Andrews, em Washington, onde será recebido pelo presidente Barack Obama.
Nos Estados Unidos, os dois momentos mais esperados serão os discursos, em inglês, no Congresso, em Washington, e em espanhol na assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova York.
Ainda em Washington, Francisco vai canonizar o missionário espanhol Junipero Serra, que participou, no século XVIII, da evangelização da Califórnia, na Costa Oeste dos Estados Unidos.
Em Nova York, o papa vai presidir, no "Ground Zero", uma cerimónia interreligiosa contra o terrorismo e em memória das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Na última etapa, na Filadélfia (Pensilvânia), o papa presidirá o encerramento do 8º Encontro Mundial das Famílias Católicas. De acordo com os organizadores, cerca de dois milhões de pessoas são esperados para a missa final ao ar livre.
Fonte - Agência Brasil  19/09/2015

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cuba e Estados Unidos reabrem hoje embaixadas

Internacional

O restabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, após mais de meio século de tensões herdadas da Guerra Fria, marca o fim da primeira fase desse processo iniciado a 17 de dezembro de 2014. O presidente cubano, Raúl Castro, insiste em só normalizar as relações quando o presidente norte-americano, Barack Obama, utilizar seus “poderes executivos” para pôr fim ao embargo imposto à ilha em 1962.

Da Agência Lusa
foto - ilustração
Estados Unidos e Cuba reabrem hoje (20) embaixadas em Havana e Washington, reatando relações diplomáticas sete meses após o início de histórico processo de reaproximação, após de 54 anos de distanciamento.
O restabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, após mais de meio século de tensões herdadas da Guerra Fria, marca o fim da primeira fase desse processo iniciado a 17 de dezembro de 2014. O presidente cubano, Raúl Castro, insiste em só normalizar as relações quando o presidente norte-americano, Barack Obama, utilizar seus “poderes executivos” para pôr fim ao embargo imposto à ilha em 1962.
Além disso, o chefe de Estado cubano exige também que os Estados Unidos devolvam o território “ilegalmente ocupado” da base naval de Guantanamo.
Outra das exigências de Havana para a normalização de relações com Washington é que acabe com as “transmissões de rádio e televisão ilegais”, elimine programas para promover a “subversão e a desestabilização internas” e compense o país “pelos danos humanos e económicos” que as políticas norte-americanas causaram.
“Podemos cooperar e coexistir civilizadamente, em benefício mútuo, acima das diferenças que temos e teremos, e com isso contribuir para a paz, a segurança, a estabilidade, o desenvolvimento e a equidade no nosso continente e no mundo”, disse Raúl Castro num discurso na Assembleia Nacional de Cuba.
As relações diplomáticas entre os dois países estavam suspensas desde 1961, após uma decisão do presidente norte-americano John F. Kennedy, em resposta a uma aproximação dos revolucionários cubanos à ex-União Soviética e ao confisco de bens norte-americanos.
Desde 1977, os dois países, separados apenas pelo estreito da Florida (Sudeste dos Estados Unidos), estão representados apenas através de seções de interesses em Washington e Havana, encarregadas de tarefas consulares.
A reabertura de embaixadas segue-se ao anúncio histórico, em dezembro, de uma reaproximação entre esses dois países, após mais de cinco décadas de hostilidade e desconfiança. No final de maio, Washington levantou o principal obstáculo ao reatamento de relações diplomáticas ao retirar Cuba da lista negra norte-americana de Estados que apoiam o terrorismo.
Fonte - Agência Brasil  20/07/2015

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O BRASIL DE DAVOS E DE MARIEL

Politica

Mauro Santayana

(JB) - A presidente Dilma foi a Davos, na Suiça, para reunir-se, entre outras personalidades, com o presidente do país, Didier Burkhalter, o do grupo SAAB - sócio brasileiro no projeto dos caças Gripen NG - Hakan Buskhe, o da FIFA, Joseph Blatter, e CEOs de grandes multinacionais, como a UNILEVER e a NOVARTIS.
E de lá, para Havana, Cuba, para se encontrar com líderes do continente, na reunião da CELAC - Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe, e participar, junto ao Presidente Raul Castro, de uma cerimônia emblemática: a inauguração da primeira etapa do terminal de containers e da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, junto ao porto do mesmo nome, financiado com dinheiro brasileiro e construído por empresas nacionais de engenharia - que geraram, com o projeto, 198.000 empregos no Brasil - em associação com firmas locais, no valor aproximado de um bilhão de dólares.
O objetivo do Brasil, no Fórum Econômico de Davos, foi esclarecer aos investidores que, com relação à economia, por aqui o diabo não está tão feito quanto aparenta ou querem fazer que pareça. Nas conversas com investidores, os representantes brasileiros devem ter apresentado dados como a queda da inadimplência, o aumento da arrecadação, e a manutenção, no ano que passou, do Investimento Estrangeiro Direto em um patamar acima de 60 bilhões de dólares por ano, quase o mesmo, portanto, que o de 2012.
Já, em Cuba, o papel do Brasil foi o de dar novo exemplo de seu “soft power” regional, exercido também por meio de grandes projetos de infra-estrutura, voltados para melhorar as condições de vida de nossos vizinhos e parceiros, e integrar, pelo desenvolvimento, a América Latina.
O que paraguaios, bolivianos, peruanos, equatorianos, e mexicanos viram, paralelamente à reunião da CELAC, quando tomaram conhecimento da dimensão do projeto de Mariel - onde devem se instalar empresas brasileiras a partir do ano que vem, para montar produtos destinados às Américas e ao Pacífico, aproveitando a vizinhança do Canal do Panamá - não é muito diferente do que o Brasil já faz em seus respectivos países.
Basta lembrar o recém inaugurado linhão elétrico de 500 kV entre Itaipu e Assunção, que permitirá, finalmente, a industrialização do Paraguai; o gasoduto Bolivia-Brasil, que gera, com a exportação de gás, boa parte do PIB boliviano; os corredores ferroviários e rodoviários bioceânicos, em fase de implantação, que nos levarão ao Peru, Bolívia e Chile, e por meio deles, ao oceano Pacífico; as obras do metrô de Quito, no Equador, que também tem participação brasileira; ou o maior projeto petroquímico em construção no México, que está sendo tocado, em associação com empresas locais, pela Braskem.
Para muita gente, o Brasil de Mariel, que tem consciência de sua dimensão geopolítica na América Latina, é incompatível com o Brasil de Davos, que, muita gente também acredita, deveria se sujeitar aos Estados Unidos e à Europa, em troca de capitais, acordos e investimentos.
Essa visão limitada, tacanha, defendida tanto por alguns setores da oposição, quanto por gente do próprio governo e da base aliada - já foi ultrapassada pelos fatos e deveria ser abandonada em benefício de um projeto de nação à altura de nosso destino e possibilidades.
Quanto mais poder tem um país, mais razões ele tem para ser pragmático, múltiplo, universal, no trato com as outras nações. Não podemos fechar as portas para ninguém, nem deixar de ter contato ou de fazer negócios com quem quer que seja, desde que essa relação se faça em igualdade de condições.
O que não deve impedir, nem limitar, nosso direito de eleger, estrategicamente, prioridades e alianças, específicas, no âmbito internacional, que nos permitam alcançar mais rapidamente nossas metas de fortalecimento do Brasil e de melhora das condições de vida da população brasileira.
Fonte - Mauro Santayana  30;01/2014

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Líderes dos 33 países da Celac participam da cúpula em Cuba

Internacional

Da Agência Brasil
Com informações da Telesur
foto - ilustração
Todos os 33 chefes de Estado e de governo dos países da Comunidade de Estado Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) estão em Havana, Cuba, para participarem, a partir de hoje (28), da 2ª Reunião de Cúpula do organismo. Nos próximos dois dias, líderes, chanceleres e altos representantes desses países debaterão uma série de temas que são o centro de mais de 30 declarações especiais que estão sendo elaboradas entre as quais a Declaração Final de Havana e o Plano de Ação da Celac para 2014.
Em 2013, a comunidade priorizou temas como a luta contra a fome e a pobreza, a desigualdade, o respeito aos modelos políticos, econômicos, sociais e culturais que garantem o desenvolvimento dos povos e a união de esforços em prol da equidade e da igualdade de oportunidades, baseados na diversidade. Ontem (27), os chanceleres dos 33 países se reuniram para entrar em um consenso sobre o conteúdo de cada documento temático e sobre a Declaração Final.
De acordo com o ministro do Exterior cubano, Bruno Rodriguéz, o encontro foi conduzido com harmonia. Foram aprovados 28 documentos, entre os quais apoio à luta da Argentina pela independência das Ilhas Malvinas, rechaço ao bloqueio econômico e financeiro à Cuba e exclusão desse país da lista dos que apoiam o terrorismo.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, informou que o documento final da cúpula reafirmará o objetivo da Celac de promover a unidade com soberania, a flexibilidade e a participação ativa de todos os 33 Estados-Membros, com respeito ao direito internacional e à Carta da Organização das Nações Unidas (ONU). A cúpula, que começou ontem, irá até amanhã (29), quando a Costa Rica receberá de Cuba a presidência pro tempore da Celac.
A Celac, que agrupa todos os países das Américas, exceto os Estados Unidos e o Canadá, representa um bloco com mais de 600 milhões de habitantes e cuja economia forma um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 14,4 bilhões).
Fonte - Agência Brasil  28/01/2014

domingo, 26 de janeiro de 2014

Dilma Rousseff chega em Havana

Internacional

ISLAmia
Dilma Rousseff arribó a La Habana
Às 14:54 horas (hora local de Havana) pousou no solo cubano o avião da presidente Dilma Rousseff do Brasil, que ira participar da reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC)  Dilma foi recebida na escada do avião presidencial pelo ministro cubano do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca, segundo informações do Cubadebate.

A presidenta do Brasil terá uma reunião de trabalho na segunda-feira com o líder cubano Raul Castro e permanecerá em Havana até terça-feira para participar da II Cúpula da (CELAC) .


A ampliação do porto cubano de Mariel, localizado a 45 quilômetros a oeste de  Havana, é uma obra considerada como um marco de colaboração entre os dois países. O trabalho é executado pela construtora brasileira N.Odebrecht e tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o banco de fomento do governo brasileiro.
O porto de Cuba  irá proporcionar uma porta de saída marítima moderna e permitira que  indústrias brasileiras se instalem na ilha aproveitando a mão de obra local bem como incentivos, para a produção e exportação de produtos produzidos em Cuba, conforme negociações entre os dois países. No encontro com Raul, Dilma "examinará os principais temas da agenda bilateral e regional", disse o comunicado do Ministério das Relações Exteriores. Entre essas questões destaca o acordo que permitiu a chegada ao Brasil de 5.400 médicos cubanos para trabalhar em áreas de comunidades isoladas e pobres no programa de saúde do governo brasileiro "mais médicos".O objetivo do programa é recrutar um total de 12.996 médicos, até março do próximo ano, principalmente cubanos que serão enviados para os municípios,ainda sem atendimentos na área de saúde. Dilma Rousseff e Raul Castro também irão discutir o comércio bilateral, que de acordo com dados oficiais brasileiros saltou de 91,99 milhões de dólares em 2003 para 624,79 milhões em 2013 dólares. Os principais produtos embarcados no Brasil com destino a Cuba são óleo de soja, arroz e milho. Segundo porta-vozes da Presidência brasileira, a visita de Dilma Rousseff a Cuba inclui também reuniões privadas. Na terça-feira, a presidenta brasileira ira  participar da reunião de cúpula dos Chefes de Estado e de Governo dos países da CELAC.
Tradução e adaptação de texto - A.Luis
Fonte - ISLAmia  26/01/2014

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ONU volta a pedir o fim do embargo a Cuba

Internacional

Apenas Estados Unidos e Israel foram contrários

DR 
foto - ilustração
A Assembleia Geral da ONU renovou pelo 22º ano consecutivo o pedido aos Estados Unidos para pôr fim ao embargo a Cuba. A resolução solicitando o encerramento das sanções foi aprovada por 188 países, tendo a negativa norte-americana e de Israel e as abstenções de Palau, Micronésias e Ilhas Marshall.
O fim do embargo é defendido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A agência da ONU destaca que as sanções refletem na área social e na economia de Cuba. Da mesma forma, a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) destaca que as sanções dificultam a modernização e as mudanças cubanas.
A Cepal avalia que, em 2012, os Estados Unidos não fizeram qualquer esforço para diminuir o impacto do bloqueio. Os danos acumulados desde 1962, ano em que foi decretado o embargo, são calculados em US$ 1 bilhão.
Fonte  -Diário da Russia  30/10/2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Cuba investe no turista brasileiro

Foto - ilustração
Por Jaime Sautchuk e José Reinaldo Carvalho, de Cuba, no sítio Vermelho:

Atrair o turista brasileiro. Este é o mote da Feira Internacional de Turismo(FIT) aberta nesta terça-feira (7) em Varadero, Cuba, com a presença de representantes de 53 países. O Brasil participa do evento com uma grande delegação, chefiada pelo ministro do Turismo, Gastão Vieira.
O ministro brasileiro falou logo na abertura do evento, juntamente com seu colega de Cuba, Manuel Marrero Cruz e o diretor da Organização Mundial do Turismo(OMT), Carlos Vogeler. Os três ressaltaram a crescente importância do turismo no mundo de hoje, especialmente para países que, como Cuba, dependem bastante dessa atividade econômica.
O ministro local, Manuel Cruz anunciou a abertura de um escritório da Empresa Cubana de Turismo no Brasil, em junho deste ano. Ao mesmo tempo, vai ocorrer a retomada dos voos da Cubana de Aviação, inicialmente na rota São Paulo-Havana. O objetivo é facilitar e baratear o acesso do turista brasileiro àquele país.
A delegação brasileira ao FIT-2013 tem a participação de mais de 70 empresários do setor, a maioria donos de agências de viagens e de hotéis, além de representantes de governos estaduais e municipais e perto de 40 jornalistas de várias partes do país.
A secretária estadual de Turismo do Rio Grande do Sul, Abigail Pereira, por exemplo, disse que, para o seu estado, é importante marcar presença em oportunidade como esta. “É uma chance que temos de mostrarmos nossa diversidade para o resto do mundo”, disse ela.
Já o empresário Antônio Salani, diretor do Sindicato de Bares, Hotéis e Similares de São Paulo, acredita que Cuba tem muito a mostrar aos brasileiros. “O Brasil dá um grande passo, pois Cuba tem laços históricos conosco e desfruta de admiração dos brasileiros, pois nos mostra uma maneira diferente de se viver”, argumenta.
O jornalista Francisco das Chagas Leite Filho, do portal Café na Política, de Brasília, acredita que a aproximação com Cuba no campo do turismo tem uma dimensão bem maior. Segundo ele, isso “faz parte do processo de integração latino-americana, da vontade de nossos povos se conhecerem melhor”.
Em verdade, as relações comerciais Brasil-Cuba têm crescido bastante nos últimos anos. Para o Brasil, a indústria farmacêutica cubana é importante parceira da área de medicamentos. Uma empresa brasileira acaba de selar um acordo com os produtores cubanos para a fabricação conjunta de vacinas para dengue e malária, cuja tecnologia eles dominam.
Dados apresentados pelo ministro Gastão Vieira dão conta de que as exportações brasileiras para Cuba superaram meio bilhão de dólares no ano passado, mas tendem a aumentar rapidamente. Dois flancos abertos para esse avanço são os da construção civil e de transportes públicos.
No setor de turismo, o representante da OMT apresentou informações sobre profundas mudanças nas relações mundiais. A começar pelo fato de que, em 2012, a China superou os Estados Unidos como principal origem dos turistas que viajam pelo mundo. E, por outro lado, a Europa Ocidental vem perdendo terreno como principal polo de atração de viajantes.
Cuba aposta nessas mudanças. E acredita que pode atrair a classe média brasileira, competindo até mesmo com o turismo interno no Brasil. Para isso, joga com o fator custo. Ou seja, fica bem mais barato para um turista de São Paulo, por exemplo, passar férias em praias cubanas do que nas do nordeste brasileiro.
Uma jornalista brasileira que cobre o evento comprova esse fato com experiência própria. Ao comemorar os dez anos de casamento, no final do ano passado, ela e seu marido fizeram orçamentos para irem de Brasília a Fortaleza (CE) ou a Cuba. E passaram sete dias em Cuba pela metade do valor que custaria a viagem ao Ceará.
O turismo tem hoje um peso de mais de 20% na composição do Produto Interno Bruto(PIB) de Cuba. Para efeito de comparação, em 2012, o setor teve peso de 3,7% no PIB brasileiro. Mas o Brasil não está satisfeito com isso, pois seu potencial é muito maior. Na Itália, que tem economia de dimensões parecidas, essa cifra é de 15%.
O ministro Vieira lembrou em sua fala que o Plano Nacional de Turismo, lançado recentemente pela presidente Dilma Rousseff, tem metas bem mais ousadas. “Pretendemos ser a terceira maior economia turística do mundo em 2022”, afirmou ele. Mas ressaltou, parodiando o compositor Milton Nascimento, que “o avião que leva gente é o mesmo que traz”.
Fonte - Blog do Miro 08/05/2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1º de MAIO EM CUBA - HAVANA

Internacional

Representantes de diversas organizações e movimentos de solidariedade com Cuba se juntou às celebrações em vários locais do país. uma paisagem bem atendidas milhares de estudantes estrangeiros que estudam em Cuba, vestindo trajes e agitando bandeiras de seus países. só na capital, Mais de 1.500 estudantes de 98 países, representando a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), bloco integrado de 50 000 jovens na Praça da Revolução fechou a marcha para o Dia do Trabalho.

ISLA mia
foto - Ismael Francisco
Um bloco composto por cientistas e especialistas em grandes centros de pesquisa cubanos em Havana liderou o caminho na Praça da Revolução em Havana, capital de Cuba, em Internacional dos Trabalhadores do dia, presidida pelo presidente cubano Geral Raul Castro. Dois banners presidiu o desfile, o líder da classe trabalhadora cubana Lázaro Peña, eo recentemente falecido Comandante Hugo Rafael Chávez Frias, presidente do povo irmão da Venezuela, cuja homenagem foi dedicada especialmente este desfile pela primeira de Maio. A manifestação durou vários quilômetros de comprimento ao longo das principais avenidas da cidade e também em todas as capitais provinciais do país.
Representantes de diversas organizações e movimentos de solidariedade com Cuba se juntou às celebrações em vários locais do país. uma paisagem bem atendidas milhares de estudantes estrangeiros que estudam em Cuba, vestindo trajes e agitando bandeiras de seus países. só na capital, Mais de 1.500 estudantes de 98 países, representando a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), bloco integrado de 50 000 jovens na Praça da Revolução fechou a marcha para o Dia do Trabalho. Vestida com roupas em que cores predominantes do país de mãe, um coro ecoou em centenas de cenários nas capitais de distrito de províncias e municípios: Chávez vive, a luta continua, como uma homenagem àqueles que deram até o último suspiro de sua vida para a Revolução Bolivariana! e amado irmão é e será dos filhos de Martí e Fidel. foi a festa para o Dia dos Trabalhadores oportunidade excepcional Internacional para reafirmar a decisão inalienável que com orgulho esquerda e revolucionário ganha voar a partir de suas tarefas envolvidas na atualização modelo econômico cubano, lenta mas seguramente, mais e mais imbuídos como indispensável é fazer com ordem, disciplina e exigência. | jornais locais cubano
Fonte - ISLA mia  01/05/2013

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sexta-feira, 1 de março de 2013

Cuba: 50 verdades que Yoani Sánchez ocultara

A famosa opositora está realizando uma turnê mundial de 80 dias em cerca de doze países do mundo para falar sobre Cuba. Mas não dirá tudo...

OperaMundi

OperaMundi
1. O artigo 1705 da Lei Torricelli, de 1992, adotada pelo Congresso norte-americano, estipula que: “Os Estados Unidos fornecerão apoio a organizações não-governamentais apropriadas, para apoiar indivíduos e organizações que promovam uma mudança democrática não-violenta em Cuba”.
2. O artigo 109 da Lei Helms-Burton, de 1993, aprovada pelo Congresso, confirma essa política: “O Presidente [dos EUA] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para apoiar os esforços com vistas a construir a democracia em Cuba”.
3. A agência espanhola EFE fala de “opositores pagos pelos EUA” em Cuba.
4. Segundo a agência britânica Reuters, “o governo norte-americano proporciona abertamente apoio financeiro federal para as atividades dos dissidentes”.
5. A agência de notícias norte-americana The Associated Press reconhece que a política de financiar a dissidência interna em Cuba não é nova: “Há muitos anos, o governo dos EUA vem gastando milhões de dólares para apoiar a oposição cubana”.
6. Jonathan D. Farrar, ex-chefe da Seção de Interesses Norte-americanos em Havana (SINA), revelou que alguns aliados dos EUA, como o Canadá, não compartilham da política de Washington: “Nossos colegas canadenses nos perguntaram o seguinte: Por acaso alguém que aceita dinheiro dos EUA deve ser considerado um preso político?”
7. Para Farrar, “Nenhum dissidente tem uma visão política que poderia ser aplicada em um futuro governo. Ainda que os dissidentes não admitam, são muito pouco conhecidos em Cuba fora do corpo diplomático e midiático estrangeiro […]. É pouco provável que desempenhem um papel significativo em um governo que sucederia ao dos irmãos Castro”.
8. Farrar afirmou que “os representantes da União Europeia desqualificaram os dissidentes nos mesmos termos que os do governo de Cuba, insistindo no fato de que não representam a ninguém”.
9. Cuba dispõe da taxa de mortalidade infantil (4,6 por mil) mais baixa do continente americano – incluindo Canadá e EUA – e do terceiro mundo.
10. A American Association for World Health, cujo presidente de honra é Jimmy Carter, aponta que o sistema de saúde de Cuba é “considerado de modo uniforme como o modelo preeminente para o terceiro mundo”.
11. A American Association for World Health aponta que “não há barreiras raciais que impeçam o acesso à saúde” e ressalta “o exemplo oferecido por Cuba, o exemplo de um país com a vontade política de fornecer uma boa atenção médica a todos os cidadãos”.
12. Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total), Cuba é, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a nação melhor dotada do mundo neste setor.
13. Segundo a New England Journal of Medicine, a mais prestigiada revista médica do mundo, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito […]. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA.
14. Segundo o Escritório de Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano sobre três critérios, expectativa de vida, educação e nível de vida durante a última década.
15. Segundo a Unesco, Cuba dispõe da taxa de analfabetismo mais baixa e da taxa de escolarização mais alta da América Latina.
16. Segundo a Unesco, um aluno cubano tem o dobro de conhecimentos do que uma criança latino-americana. O organismo enfatiza que “Cuba, ainda que seja um dos países mais pobres da América Latina, dispõe dos melhores resultados quanto à educação básica”.
17. Um informe da Unesco sobre a educação em 13 países da América Latina classifica Cuba como a primeira em todos os aspectos.
18. Segundo a Unesco, Cuba ocupa o décimo sexto lugar do mundo – o primeiro do continente americano – no Índice de Desenvolvimento da Educação para todos (IDE), que avalia o ensino primário universal, a alfabetização dos adultos, a paridade e a igualdade dos sexos, assim como a qualidade da educação. A título de comparação, EUA está classificado em 25° lugar.
19. Segundo a Unesco, Cuba é a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional à educação, com cerca de 13% do PIB.
20. A Escola Latino-americana de Medicina de Havana é uma das mais prestigiadas do continente americano e já formou dezenas de milhares de profissionais da saúde de mais de 123 países do mundo.
21. O Unicef enfatiza que “Cuba é um exemplo na proteção da infância”.
22. Segundo Juan José Ortiz, representante da Unicef em Havana, em Cuba “não há nenhuma criança nas ruas. Em Cuba, as crianças ainda são uma prioridade e, por isso, não sofrem as carências de milhões de crianças da América Latina, que trabalham, são exploradas ou caem nas redes de prostituição”.
23. Segundo o Unicef, Cuba é um “paraíso para a infância na América Latina”.
24. O Unicef ressalta que Cuba é o único país da América Latina e do terceiro mundo que erradicou a desnutrição infantil.
25. A organização não governamental Save the Children coloca Cuba no primeiro lugar entre os países em desenvolvimento no quesito condições de maternidade, à frente de Argentina, Israel ou Coreia do Sul.
26. A primeira vacina do mundo contra o câncer de pulmão, a Cimavax-EGF, foi elaborada por pesquisadores cubanos do Centro de Imunologia Molecular de Havana.
27. Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, cerca de 132 mil médicos cubanos e outros profissionais da saúde colaboram voluntariamente em 102 países.
28. Ao todo, os médicos cubanos atenderam mais de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas em todo o planeta.
29. Atualmente, 38.868 colaboradores sanitários cubanos, entre eles 15.407 médicos, oferecem seus serviços em 66 nações.
30. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “um dos exemplos mais exitosos da cooperação entre cubana com o Terceiro Mundo tem sido o Programa Integral de Saúde América Central, Caribe e África”.
31. Em 2012, Cuba formou mais de 11 mil novos médicos: 5.315 são cubanos e 5.694 são de 69 países da América Latina, África, Ásia… e inclusive dos Estados Unidos.
32. Em 2005, com a tragédia causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, Cuba ofereceu a Washington 1.586 médicos para atender as vítimas, mas o presidente da época, George W. Bush, rejeitou a oferta.
33. Depois do terremoto que destruiu o Paquistão em novembro de 2005, 2.564 médicos cubanos atenderam as vítimas durante mais de oito meses. Foram montados 32 hospitais de campanha, entregues prontamente às autoridades do país. Mais de 1,8 milhões de pacientes foram tratados e 2.086 vidas foram salvas. Nenhuma outra nação ofereceu uma ajuda tão importante, nem sequer os EUA, principal aliado de Islamabad. Segundo o jornal britânico The Independent, a brigada médica cubana foi a primeira a chegar e a última a deixar o país.
34. Depois do terremoto no Haiti, em janeiro de 2012, a brigada médica cubana, presente desde 1998, foi a primeira a atender a população e curou mais de 40% das vítimas.
35. Segundo Paul Farmer, enviado especial da ONU, em dezembro de 2012, quando a epidemia de cólera alcançou seu ápice no Haiti com uma taxa de mortalidade sem precedentes e o mundo voltava sua atenção para outro lado, a “metade das ONG já tinham se retirado, enquanto os Cubanos ainda estavam presentes”.
36. Segundo o PNUD, a ajuda humanitária cubana representa, proporcionalmente ao PIB, uma porcentagem superior à media das 18 nações mais desenvolvidas.
37. Graças à Operação Milagre, lançada por Cuba e Venezuela em 2004, e que consiste em operar gratuitamente as populações pobres vítimas de cataratas e outras doenças oculares, mais de dois milhões de pessoas procedentes de 35 países puderam recuperar a visão.
38. O programa de alfabetização cubano "Yo, sí puedo", lançado em 2003, já permitiu que mais de cinco milhões de pessoas de 28 países diferentes, incluindo da Espanha e da Austrália, aprendessem a ler, escrever e a somar.
39. Desde a criação do Programa humanitário Tarará, em 1990, em resposta à catástrofe nuclear de Chernobil, cerca de 30 mil crianças 5 e 15 anos foram tratadas gratuitamente em Cuba.
40. Segundo Elías Carranza, diretor do Instituto Latinoamericano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente, Cuba erradicou a exclusão social graças “a grandes conquistas na redução da criminalidade”. Trata-se do “país mais seguro da região, [enquanto que] a situação em relação aos crimes e à falta de segurança em escala continental se deteriorou nas últimas três décadas com o aumento do número de mortes nas prisões e no exterior”.
41. Em relação ao sistema de Defesa Civil cubano, o Centro para a Política Internacional de Washington, dirigido por Wayne S. Smith, ex-embaixador norte-americano em Cuba, aponta em um informe que “não há nenhuma dúvida quando à eficiência do sistema cubano. Apenas alguns cubanos perderam a vida nos 16 furacões mais importantes que atingiram a ilha na última década, e a propabilidade de se perder a vida em um furacão nos EUA é 15 vezes maior do que em Cuba”.
42. O informe da ONU sobre “O estado da insegurança alimentar no mundo 2012” aponta que os únicos países que erradicaram a fome na América Latina são Cuba, Chile, Venezuela e Uruguai.
43. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), “as medidas aplicadas por Cuba na atualização de seu modelo econômico com vistas a conseguir a soberania alimentar podem se converter em um exemplo para a humanidade”.
44. Segundo o Banco Mundial, “Cuba é reconhecida internacionalmente por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maioria dos países em vias de desenvolvimento e, em alguns setores, é comparável ao de países desenvolvidos”.
45. O Fundo das Nações Unidas para a População salienta que Cuba “adotou, há mais de meio século, programas sociais muito avançados, que permitiram ao país alcançar indicadores sociais e demográficos comparáveis aos dos países desenvolvidos”.
45. Desde 1959, e da chegada de Fidel Castro ao poder, nenhum jornalista foi assassinado em Cuba. O último que perdeu a vida foi Carlos Bastidas Argüello, assassinado pelo regime militar de Batista em 13 de maio de 1958.
47. Segundo o informe de 2012 da Anistia Internacional, Cuba é um dos países da América que menos viola os direitos humanos.
48. Segundo a Anistia Internacional, as violações de direitos humanos são mais graves nos EUA do que em Cuba.
49. Segundo a Anistia Internacional, atualmente, não há nenhum preso político em Cuba.
50. O único país do continente americano que não mantém relações diplomáticas e comerciais normais com Cuba são os EUA.
* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.
Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

Fonte - OperaMundi  28/02/2013 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

A ilha, seu povo, seu sonho - CUBA

Mauro Santayana

Jornal do Brasil
Foto - ilustração
Podemos discordar do regime político de Cuba, que se mantém sob o domínio de um partido único. Mas é preciso seguir o conselho de Spinoza: não lisonjear, não detestar, mas entender. Entender, ou procurar entender. A história de Cuba — como, de resto, de quase todo o arquipélago do Caribe e da América Latina — tem sido a de saqueio dos bens naturais e do trabalho dos nativos, em benefício dos colonizadores europeus, substituídos depois pelos anglossaxões.
E, nessa crônica, destaca-se a resistência e a luta pela soberania de seu povo não só contra os dominadores estrangeiros mas, também, contra seus vassalos internos.Havana se tornara o maior e mais procurado bordel americano
Já se tornou luga-comum lembrar que, sob os governos títeres, Havana se tornara o maior e mais procurado bordel americano. A legislação, feita a propósito, era mais leniente, não só com o lenocínio, e também com o jogo, e os mais audazes gangsters de Chicago e de Nova York tinham ali os seus negócios e seus retiros de lazer. E mais: as mestiças cubanas, com sua beleza e natural sensualidade, eram a atração irresistível para os entediados homens de negócios dos Estados Unidos.
A Revolução Cubana foi, em sua origem, o que os marxistas identificam como movimento pequeno burguês. Fidel e seus companheiros, no assalto ao Quartel Moncada — em 1953, já há quase 60 anos — pretendiam apenas derrocar o governo ditatorial de Fulgencio Batista, que mantinha o país sob cruel regime policial, torturava os prisioneiros e submetia a imprensa a censura férrea. A corrupção grassava no Estado, dos contínuos aos ministros. O enriquecimento de Batista, de seus familiares e amigos, era do conhecimento da classe média, que deu apoio à tentativa insurrecional de Fidel, derrotada então, para converter-se em vitoria menos de seis anos depois. Os ricos eram todos associados à exploração, direta ou indireta, da prostituição, disfarçada no turismo, e do trabalho brutal dos trabalhadores na indústria açucareira.
Foi a arrogância americana, na defesa de suas empresas petrolíferas, que se negaram a aceitar as novas regras, que empurrou o advogado Fidel Castro e seus companheiros, nos dois primeiros anos da vitória do movimento, ao ensaio de socialismo. A partir de então, só restava à Ilha encampar as refinarias e aliar-se à União Soviética.
Os americanos, sob o festejado Kennedy — que o reexame da História não deixa tão honrado assim — insistiram nos erros. A tentativa de invasão de Cuba, pela Baía dos Porcos, com o fiasco conhecido, tornou a Ilha ainda mais dependente de Moscou, que se aproveitou do episódio para livrar-se de uma bateria americana de foguetes com cargas atômicas instalada na Turquia, ao colocar seus mísseis a 100 milhas da Flórida, no território cubano.
Foto - ilustração
A solução do conflito, que chegou a assustar o mundo com uma guerra atômica, foi negociada pelo hábil Mikoyan: Kruschev retirou os mísseis de Cuba, e os Estados Unidos desmantelaram sua bateria turca, ao mesmo tempo em que assumiram o compromisso de não invadir Cuba — mas mantiveram o bloqueio econômico e político contra Havana. Enfim, ganharam Moscou e Washington, com a proteção recíproca de seus espaços soberanos — e Cuba pagou a fatura com o embargo.
O malogro do socialismo cubano nasceu desse imbróglio de origem. Tal como ocorrera com a Rússia Imperial e com a China, em movimentos contemporâneos, o marxismo serviu como doutrina de empréstimo a uma revolução nacional. O nacionalismo esteve no âmago dos revolucionários cubanos, tal como estivera entre os social-democratas russos, chefiados por Lenin e os companheiros de Mao.
Os cubanos iniciaram reformas econômicas recentes, premidos, entre outras razões, pelo fim do sistema socialista. Ao mesmo tempo tomaram medidas liberalizantes, permitindo as viagens ao exterior de quem cumprir as normas habituais. É assim que visita o país a dissidente Yoani Sánchez (que mantém seu blog na internet de oposição ao governo cubano) e é reverenciada pelos setores de direita. Ocorre que ela não é tão perseguida em Havana como proclama e proclamam seus admiradores. Tanto assim é que, em momento delicado para a Ilha, quando só pessoas de confiança do regime viajavam para o exterior, ela viveu dois anos na Suíça, e voltou tranquilamente para Havana.
É sabido que Yoani Sánchez mantém encontros habituais com o escritório que representa os interesses norte-americanos em Cuba, como revelou o WikeLeaks. Há mais, ela proclama uma audiência que não tem, como assegura o sistema de registro mais confiável, o da Alexa.com (citado por Altamiro Borges em seu site), em que ela se encontra no 99.944º lugar na audiência mundial, enquanto o modesto jornal O Povo, de Fortaleza, se encontra na 14.043ª posição, ou seja dispõe de sete vezes mais seguidores do que Yoani. Há mais: ela afirma que tem 10 milhões de acessos por mês, o que contraria a lógica de sua posição no ranking citado. O site de maior tráfego nos Estados Unidos é o do New York Times, com 17 milhões de acessos mensais.
Dispensamos os conselhos da senhora Sánchez. Aqui tratamos, prioritariamente, dos direitos humanos dos brasileiros, que são os de viver em paz, em paz educar-se e em paz trabalhar, e esses são os direitos de todos os povos do mundo. Ela, não sendo cidadã de nosso país, não deve, nem pode, exigir nada de nosso governo ou de nosso povo. Dispensamos seus avisos mal-educados e prepotentes, e esperamos que seja festejada pela direita de todos os países que visitará, à custa de seus patrocinadores (como o Instituto Millenium), iludidos pelo seu falso prestígio entre os cubanos.Apesar de tudo isso, deixemos essa senhora defender o seu negócio na internet. É seu direito dizer o que quiser, mas não podemos tolerar que exija do Brasil defender os direitos humanos, tal como ela os vê, em Cuba ou alhures. Um dos princípios históricos do Brasil é o da não interferência nos assuntos internos dos outros países. O problema de Cuba é dos cubanos, que irão resolvê-lo, no dia em que não estiverem mais obrigados a se defender da intervenção dos estrangeiros, que vêm sofrendo desde que os espanhóis, ainda no século 16, ali se instalaram. Foram substituídos pelos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa de Washington contra o frágil governo da regente Maria Cristina, da Espanha. Enfim, o generoso povo cubano, tão parecido com o nosso, não teve, ainda, a oportunidade de realizar o seu próprio destino, sem as pressões dos colonizadores e seus sucessores.
Fonte - Jornal do Brasil  22/02/2013