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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Começou a valer a partir do dia 15/05 a nova política de privacidade do WhatsApp

 Redes sociais - 💻 

Órgãos de defesa do consumidor apontam problemas nas novas regras. A mudança ocorre sob protestos de órgãos reguladores brasileiros. Na semana passada, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacom) e o Ministério Público Federal (MPF) emitiram recomendações apontando problemas nas novas políticas. 

Jonas Valente
Repórter Agência Brasil
ilustração
Passa a vigorar hoje (15) a nova política de dados do WhatsApp. O aplicativo passará a compartilhar informações de contas de negócios (a modalidade WhatsApp Business) com o Facebook, plataforma central da empresa de mesmo nome que controla o app de mensagem. A mudança ocorre sob protestos de órgãos reguladores brasileiros. Na semana passada, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacom) e o Ministério Público Federal (MPF) emitiram recomendações apontando problemas nas novas políticas. No documento conjunto, os órgãos avaliam que as mudanças podem trazer riscos à proteção de dados dos usuários do aplicativo, além de impactar negativamente nas relações de consumo estabelecidas entre os usuários e a empresa. No âmbito concorrencial, as novas regras podem impactar negativamente a competição no mercado. Por isso, os órgãos solicitaram o adiamento do início da vigência das normas. Nesta sexta-feira (14) o Cade divulgou nota na qual diz que o WhatsApp “se comprometeu a colaborar” com os órgãos reguladores que enviaram a recomendação. No prazo de três meses a partir de hoje as autoridades farão novas análises e questionamentos à empresa, que manifestou disposição em dialogar. “No documento enviado às autoridades, o WhatsApp informa que não encerrará nenhuma conta, e que nenhum usuário no Brasil perderá acesso aos recursos do aplicativo nos 90 dias posteriores ao dia 15 de maio como resultado da entrada em vigor da nova política de privacidade e dos novos termos de serviço nesta data”, diz o texto. Consultado pela Agência Brasil, o escritório do WhatsApp no Brasil confirmou o acordo divulgado pelo Cade. Com isso, restrições antes anunciadas foram suspensas por 90 dias. Entre elas estavam a impossibilidade de acessar a lista de conversas e a suspensão do envio de mensagens e chamadas para o celular algumas semanas depois, caso o usuário não aceitasse a nova política. Na avaliação do coordenador do Programa de Direitos Digitais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Diogo Moysés, a atuação dos órgãos reguladores e a suspensão das restrições aos usuários que não aceitarem a nova política foram fatos positivos. “Contudo, o mérito da questão precisa ser analisado pelas autoridades, pois a mudança e o compartilhamento dos dados com o Facebook estão em evidente desconformidade com o marco legal brasileiro. O consentimento já dado pelos usuários, forçado e na base da chantagem, precisa ser invalidado, pois não cumpriu requisitos básicos e, nos termos da LGPD, deve ser considerado inválido”, analisa. Para Gustavo Rodrigues, coordenador de políticas no Instituto de Referência em Internet e Sociedade (Iris), há possibilidades de conflito com a legislação brasileira na nova política anunciada pelo WhatsApp pela falta de clareza quanto à base legal e quando a empresa condiciona a continuidade do uso à aceitação dessas regras. “Seria necessário demonstrar qual base legal está sendo usada para embasar este compartilhamento e sempre respeitando os direitos dos titulares. Se o usuário perdesse acesso ao aplicativo aí não seria um consentimento livre, como prevê a legislação”, observa. Problemas Na recomendação conjunta divulgada na semana passada, as autoridades afirmam que a alteração nas novas regras de privacidade pode trazer prejuízos ao direito à proteção de dados dos usuários. A ANPD apresentou sugestões de mudança nas novas regras para “maior transparência quanto às bases legais, finalidades de tratamento, direitos dos titulares, tratamento de dados pessoais sensíveis e de crianças e adolescentes, e o reforço de salvaguardas de segurança e privacidade”. Outro problema seria a falta de transparência e de clareza acerca de quais dados serão coletados. “Sob a ótica da proteção e defesa do consumidor, essa ausência de clareza dos termos de uso e da política de privacidade também pode se traduzir em publicidade enganosa e abusiva, em violação aos arts. 31, 37, 38, 39, caput, do CDC [Código de Defesa do Consumidor], pois a oferta contratual constante dos termos de uso e da política de privacidade não dariam conta da dimensão exata do custo não precificado de uso do serviço pelo consumidor”, pontua o texto. Do ponto de vista concorrencial, o documento das autoridades aponta que a mudança na política de privacidade pode configurar abuso de posição dominante “por impor o rompimento da continuidade de prestação de serviço essencial de comunicação aos seus usuários em razão de recusa em submeterem-se à condição imposta de compartilhamento obrigatório de dados com a empresa Facebook e seus parceiros”.
Fonte - Agência Brasil  15/05/2021

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O julgamento do cartel do "trensalão" vem

Política  🚄🚃🚃🚃

O inquérito sobre bandalheiras em obras paulistas de metrô e trem foi concluído na área técnica do Cade e está pronto para ser levado ao plenário, contou uma fonte do órgão a CartaCapital. O julgamento depende de duas pessoas nomeadas por Temer. O presidente do conselho, Alexandre Barreto de Souza, e o superintendente-geral, Alexandre Cordeiro Macedo.Se o “trensalão” for julgado este ano, o governador de SP estará na berlinda e nas cordas, obrigado a dar explicações. Péssimo para seus planos presidenciais.

Carta Capital
Artigo por André Barrocal

foto - ilustração/arquivo
Em dezembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quebrou o sigilo de três investigações de cartéis atuantes em obras rodoviárias e metroviárias no estado de São Paulo e deixou no ar a suspeita de vingança do presidente Michel Temer (MDB) contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Será por vingança – e chantagem – que o caso do “trensalão” desponta no horizonte?
O inquérito sobre bandalheiras em obras paulistas de metrô e trem foi concluído na área técnica do Cade e está pronto para ser levado ao plenário, contou uma fonte do órgão a CartaCapital. O julgamento depende de duas pessoas nomeadas por Temer. O presidente do conselho, Alexandre Barreto de Souza, e o superintendente-geral, Alexandre Cordeiro Macedo.
Cabe à Superintendência abrir e fechar inquéritos, comandar investigações. E, à Presidência, decidir a pauta plenária. No “trensalão”, bastaria Macedo, que passará boa parte do primeiro semestre em viagens ao exterior, querer e pedir o julgamento. E Souza marcar a data.
Uma investigação de cartel concentra-se em empresas, não em saber se políticos levaram grana do esquema. Mas sempre pode surgir uma bala perdida a acertar a turma da política. É o risco que Alckmin e o PSDB paulista correm no “trensalão”.
Temer precisa desesperadamente de um aliado no poder em 2019, para ajudá-lo a se safar dos dois processos criminais no escândalo Friboi que o esperam assim que entregar a faixa em 1o de janeiro.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segóvia, teve de depor ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF,) por ter dito à Reuters que uma investigação em curso contra Temer sobre fraudes em um decreto portuário terminará sem indiciar Temer. Foi nomeado pelo presidente para isso, esse é o tipo de ajuda que o peemedebista quer do sucessor.
Alckmin rejeita aproximações com Temer. Talvez só se deixe seduzir na marra, digamos assim, com o fantasma do “trensalão” a funcionar como uma espécie de estimulante.
O processo começou quando a Siemens fez um acordo de leniência com o Cade, em maio de 2013, a apontar um conluio atuante de 1998 a 2013. No período, o estado de São Paulo teve apenas o PSDB na direção, Alckmin foi governador duas vezes.
A deduragem da multinacional alemã levou a Justiça a autorizar uma operação de busca e apreensão de documentos em julho de 2013, muita coisa ainda inédita. Citava fraudes em 15 projetos de metrô e trem, os quais juntos totalizavam 9,4 bilhões de reais.
Será que o cartel operou por tanto tempo e em tantas e bilionárias obras e nenhum tucano sabia? Nem ganhou recompensa? Difícil de engolir, embora Alckmin pregue que o estado foi roubado e merece indenização.
Se o “trensalão” for julgado este ano, o governador estará na berlinda e nas cordas, obrigado a dar explicações. Péssimo para seus planos presidenciais. É culpa do cartel que São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, com 12 milhões de pessoas, tenha um metrô de tamanho risível? São 80 quilômetros de linha e 71 estações.
Compare-se com a cidade do México, de população grande também, 9 milhões de habitantes. São 225 quilômetros de linha e 195 estações. Lá o metrô foi criado em 1969, um ano depois do paulista. Este, ao completar cinco décadas, terá passado quase metade da vida sob asas tucanas.
Alckmin e o PSDB bem que tentaram ter o Cade também sob as asas, no governo Temer, exatamente devido ao “trensalão”.
Alexandre Moraes, hoje juiz no STF, foi ministro da Justiça de Temer e, nesta condição, tinha indicado ao Palácio do Planalto uma pessoa para dirigir o órgão antitruste. Moraes, recorde-se, foi secretário na gestão Alckmin.
Seu escolhido era o advogado e procurador Roberto Pfeiffer, um íntimo do tema “trensalão” pelas lentes alckmistas. No mandato de Alckmin de 2011 a 2015, aquele em que estourou o escândalo do metrô, Pfeiffer assessorou o corregedor-geral paulista.
Foi ao corregedor da época, o advogado Gustavo Ungaro, a quem o governador deu a missão de conduzir uma averiguação paralela, para embasar a tese de que o estado de São Paulo foi roubado.
O Planalto não aceitou Pfeiffer. O motivo? “Trensalão”, diz um observador. Por que abrir mão de uma arma capaz de chantagear Alckmin? Arma que parece já ter sido usada.
Em 18 de dezembro, Macedo, o superintendente do Cade, quebrou o sigilo de três investigações de interesse de Alckmin e do PSDB. Até então não se sabia da existência delas.
Duas resultam de um acordo de leniência selado pela Odebrecht em julho de 2017. A empreiteira contou ter formado com Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, OAS e Camargo Correa um cartel para obras do Rodoanel. A mutreta teria funcionado em licitações de 2008 a 2015.
A Obdebrecht relatou quase a mesma história sobre obras do sistema viário da região metropolitana da cidade de São Paulo, objeto de apuração à parte.
O outro inquérito é fruto da leniência da Camargo Corrêa, firmada em 5 de dezembro. Apura um conluio que teria agido em obras do metrô de 1998 a 2014 em 21 contratos de sete estados. A maioria dos contratos fraudados é paulista.
Por que Macedo quebrou o sigilo? Procedimento técnico? Pode ser, mas sua decisão abre um flanco contra Alckmin. E sobram razões para desconfiar de vingança Temer, uma retaliação pela postura tucana na votação das duas “flechadas” da Procuradoria Geral da República no presidente. Vingança e chantagem, uma combinação explosiva.
Fonte - Revista Ferroviária  26/02/2018

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Cade instaura processo para investigar cartel em licitações de metrô

Metrôs  🚇

Segundo o Cade, o cartel funcionou em diferentes momentos. Entre 1998 e 2004, quando Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht, as três maiores empresas do ramo, buscavam dividir entre si grandes projetos, principalmente aqueles que, considerando a elevada exigência técnica, as tornavam as únicas concorrentes viáveis para os certames.

Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou um processo administrativo para apurar a existência de cartel envolvendo projetos de infraestrutura de metrôs e monotrilhos em licitações públicas realizadas em pelo menos sete estados – Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo – e no Distrito Federal.
Desdobramento da Operação Lava Jato, a investigação é baseada em acordo de leniência assinado pela Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e o Cade, e feita em conjunto com o Ministério Público Federal em São Paulo.
Os signatários indicaram que a conduta teve por objeto, ao menos, 21 licitações públicas no Brasil, entre as quais seis obras teriam sido atingidas: metrô de Fortaleza; metrô de Salvador; Linha 3 do metrô do Rio de Janeiro; Linha 4 – Amarela do metrô de São Paulo; e duas obras para a Linha 2 – Verde de São Paulo. A prática, segundo relatado no acordo, pode ter tido início em 1998 e durado até 2014.
Segundo o Cade, durante esse período, a conduta chegou a envolver pelo menos nove empresas: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Carioca, Marquise, Serveng e Constran. Outras dez construtoras podem ter participado.
Trata-se do décimo segundo acordo de leniência público divulgado pelo Cade no âmbito da Lava Jato. Por meio da leniência, a empresa e as pessoas físicas signatárias confessaram a participação na conduta, forneceram informações e apresentaram documentos probatórios a fim de colaborar com as investigações sobre o alegado conluio (acordo, trama). O acordo é relacionado exclusivamente à prática de cartel, para a qual o Cade tem competência de apuração.

Histórico
Segundo o Cade, o cartel funcionou em diferentes momentos. Entre 1998 e 2004, quando Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht, as três maiores empresas do ramo, buscavam dividir entre si grandes projetos, principalmente aqueles que, considerando a elevada exigência técnica, as tornavam as únicas concorrentes viáveis para os certames.
De 2004 a 2008, as três empresas somaram-se à OAS e à Queiroz Galvão. Os signatários relataram que, nesse momento, o grupo passou a adotar o codinome G-5 ou Tatu Tênis Clube para dissimular o caráter potencialmente ilícito dos contratos. Durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal apreendeu um documento intitulado Tatu Tênis Clube.
Entre 2008 e 2014, os contatos anticompetitivos foram implementados com maior frequência, especialmente por condições proporcionadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, pela Copa do Mundo de 2014 e pelos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.
Nessa fase, no entanto, foi mais difícil para as empresas do cartel ter êxito nos acordos anticompetitivos, por causa da competição de empresas estrangeiras e da dificuldade de formar consensos dentro do grupo.
O Cade ressalta que muitos dos projetos que foram discutidos no âmbito do cartel não chegaram a ser efetivamente licitados ou tiveram as licitações suspensas e não foram retomadas.

Posicionamentos

As empresas foram procuradas por meio dos e-mails das assessorias de imprensa disponíveis nas páginas da internet. A Agência Brasil aguarda o posicionamento. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a Marquise.
Em nota, a Andrade Gutierrez informa que continua colaborando com as investigações em curso, dentro do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, e reforça seu compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado.
Também em nota, a Odebrecht diz que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. “Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência com as autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, da Suíça, da República Dominicana, do Equador e do Panamá, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.”

A Construtora Queiroz Galvão diz que não comenta investigações em andamento.
Em nota, a Construções é Comercio Camargo Corrêa reafirma o compromisso de manter investigações internas em bases permanentes e colaborar com as autoridades reportando quaisquer condutas ilícitas que venham eventualmente a ser descobertas. "A decisão, divulgada no site do Cade, configura evidência inequívoca do compromisso pioneiro assumido de colaboração contínua junto às autoridades competentes, tanto no âmbito das investigações internas como também da implementação de uma nova Governança e Compliance já concluídos", diz o texto.
Fonte - Agência Brasil  18/12/2017

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cade pede que 11 empresas sejam condenadas por formação de cartel internacional

Economia

As empresas comercializavam equipamentos de direcionamento de fluxo de energia elétrica com isolamento a gás, conhecido como GIS (do inglês - gas-insulated switchgear), utilizados para proteção e isolamento de equipamentos elétricos, sendo o principal elemento de uma subestação de força.

Luciano Nascimento
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/equipamento de isolação GIS
Após investigação iniciada em 2006, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou hoje (30) a condenação de 11 empresas por formação de cartel internacional com atuação no mercado de venda de equipamentos eletroeletrônicos para o setor de transmissão e distribuição de energia no Brasil. Além dos prejuízos causados a concessionárias de energia e empresas privadas, a prática impactou um dos elementos que compõem o custo da energia elétrica paga pelo consumidor brasileiro.
As empresas comercializavam equipamentos de direcionamento de fluxo de energia elétrica com isolamento a gás, conhecido como GIS (do inglês - gas-insulated switchgear), utilizados para proteção e isolamento de equipamentos elétricos, sendo o principal elemento de uma subestação de força.
As investigações apontam que o cartel causou prejuízo para o sistema elétrico brasileiro e também para empresas concessionárias de energia como a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, Companhia Energética de Minas Gerais, Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, Companhia de Energia Elétrica do Paraná, LIGHT – Serviços de Eletricidade S/A, Eletropaulo, Eletrosul, dentre outras. Também foram afetadas pela prática criminosa a Petrobras, a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.
De acordo com o Cade, o cartel atuou com “impressionante profissionalismo” no período compreendido entre os anos de 1988 a 2004. Segundo o órgão, o cartel internacional atuava fixando preços e reservando áreas geográficas específicas para cada uma das empresas que integrava o grupo criminoso, com o objetivo de permitir que seus integrantes conquistassem e preservassem as participações de mercado previamente estipuladas.
“Durante os 16 anos seguintes, 1988 a 2004, os grandes fabricantes de GIS coordenaram a concessão de projetos GIS numa base internacional, de acordo com as regras e princípios acordados, respeitando quotas estimadas do mercado, fixando níveis de preços e reservando alguns territórios aos membros específicos do cartel”, diz trecho do processo de investigação do Cade.
As empresas integrantes do cartel são Alstom Holdings S.A., Alstom Hydro Energia Brasil Ltda, Areva T&D S.A, Alstom Grid Energia Ltda, Japan AE Power Systems Corporation, Mitisubishi Eletric Corporation, Siemens AG, Siemens Ltda, Toshiba Corporation, VA Tech Transmission & Distribuition GmbH & Co, VA Tech Transmissão e Distribuição Ltda.
Ainda de acordo com o órgão, o cartel internacional de GIS também atuava em outros países, tendo sido julgado e condenado em países membros da Comissão Europeia e Estados como a Nova Zelândia, Hungria, Israel e República Tcheca.
O processo administrativo segue agora para julgamento pelo Tribunal do Cade, responsável pela decisão final. Caso sejam condenadas, as empresas deverão pagar multa que pode alcançar até 20% de seu faturamento no ano anterior ao de instauração do processo no ramo de atividade afetado pelo cartel.
Fonte - Agência Brasil  31/12/2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Cade aprova fusão Rumo-ALL

Economia

Os conselheiros do Cade aprovaram por unanimidade o texto do relator do processo, Gilvandro Araújo, que considerou a que a fusão das empresas tem potencial de resultar em benefícios para a logística de transportes, com a ampliação de investimentos na malha ferroviária brasileira.A fusão foi aprovada com algumas restrições, para evitar que a nova empresa privilegie o transporte de seus produtos em detrimento das mercadorias dos demais clientes da ferrovia.

Revista Ferroviária/Extra
fotomontagem - ilustração
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou hoje (11/03), a fusão entre a América Latina Logística (ALL) e a Rumo Logística, pertencente ao grupo Cosan. Trata-se da união da maior empresa ferroviária brasileira com uma das mais importantes exportadoras de açúcar do País pelo porto de Santos (SP). Coma a fusão, a nova operadora ALL/Rumo passa a controlar todo o corredor de exportação ferroviária de grãos que vai do Mato Grosso a Santos.
Os conselheiros do Cade aprovaram por unanimidade o texto do relator do processo, Gilvandro Araújo, que considerou a que a fusão das empresas tem potencial de resultar em benefícios para a logística de transportes, com a ampliação de investimentos na malha ferroviária brasileira.
A fusão foi aprovada com algumas restrições, para evitar que a nova empresa privilegie o transporte de seus produtos em detrimento das mercadorias dos demais clientes da ferrovia. Antes da aprovação pelo Cade, 16 entidades – entre eles exportadores de soja, celulose, açúcar e álcool - haviam protocolado manifestações contrárias à fusão.
Entre as restrições, foi imposto um limite à Cosan para o uso da infraestrutura da ALL e uma cota para o transporte de suas cargas pela ferrovia. O restante da capacidade terá que ser oferecido a outras empresas. Caso haja ociosidade na cota da Cosan, concorrentes terão prioridade de uso. Em contrapartida, se não houver interesse dos demais usuários, a capacidade poderá ser ocupada pelos produtos da Cosan.
O Cade também estabeleceu uma fórmula para fixar as tarifas de transporte pelas ferrovias da ALL/Rumo, de forma a permitir que os demais clientes identifiquem se estão sendo prejudicados pelas tarifas cobradas pelo uso da malha. Também foi estabelecido seja destinada 40% da capacidade de 2 terminais da ALL/Rumo em Santos aos demais clientes. A ALL tem participação de 50% no terminal 39, da Caramuru, e 10% no TGG. A Rumo, por sua vez, possui três terminais de açúcar em Santos. Juntas, elas respondem por 45% da capacidade de embarque de graneis vegetais sólidos no porto.
O Cade também prevê a possibilidade de multar a ALL/Rumo, ou reduzir a cota de transporte de suas mercadorias, caso sejam constatadas discriminações ou restrições de mercado aos concorrentes do grupo.
O presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luis Henrique Baldez, comentou que a entidade vai estudar as medidas impostas pelo Cade, bem como irá acompanhar o modo como as medidas serão cumpridas. Os associados deverão se reunir nos próximos dias para estudar o relatório do Cade e emitir um comunicado oficial. A mesma postura foi adotada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que reúne empresas exportadoras de soja. Por meio de sua assessoria de imprensa, a entidade informou que vai estudar o relatório do Cade antes de emitir um parecer.
Julio Fontana, presidente da Cosan Logística, afirmou que a decisão do Cade foi satisfatória à empresa, e que, a partir de agora, dará continuidade aos passos necessários para efetivar a fusão. Segundo ele, as restrições impostas pelo Cade estiveram dentro do esperado e não causaram surpresa.
Fonte - Revista  Ferroviária  11/02/2015

Cade julga hoje fusão de R$ 11 bi entre ALL e Rumo

Logística

O estabelecimento, por parte do Cade, de "remédios" que evitem atos anticoncorrenciais por parte de ALL-Rumo é visto como certo por terceiros interessados. A dúvida é o tamanho dessas medidas, que podem incluir apenas estabelecimento de normas comportamentais ou também estruturais, como venda de ativos.

Valor Econômico
foto - ilustração
O julgamento da fusão entre o grupo de concessões de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (companhia do grupo Cosan), marcado para hoje pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), é acompanhado de perto por pelo menos 16 empresas e entidades preocupadas com os efeitos que a operação pode acarretar - principalmente para o fluxo de exportação de commodities. As partes estão confiantes que a operação será aprovada, embora condicionantes sejam esperados.
O estabelecimento, por parte do Cade, de "remédios" que evitem atos anticoncorrenciais por parte de ALL-Rumo é visto como certo por terceiros interessados. A dúvida é o tamanho dessas medidas, que podem incluir apenas estabelecimento de normas comportamentais ou também estruturais, como venda de ativos.
Vários interessados pedem que a ALL-Rumo seja obrigada a se desfazer de terminais em Santos. Atualmente, o grupo ALL detém participação de 10% no TGG (grãos), de 20% no Termag (fertilizantes) e de 50% no TXXXIX (grãos). Já o grupo Cosan possui, por meio da Rumo, dois terminais próprios para movimentação de açúcar em Santos.
O principal temor entre os terceiros interessados no processo é o poder operacional que a ALL-Rumo pode alcançar. Ao operar terminais concentradores de carga no interior, terminais de transbordo para a ferrovia, os trilhos em si e os terminais portuários. Um dos receios é que a empresa "force" os clientes a usarem toda a cadeia logística da companhia - e não apenas a ferrovia, por exemplo.
Em análise sobre a concentração, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou uma sobreposição horizontal que ocorreria na movimentação de armazenagem no Porto de Santos. A ANTT recomendou, todavia, a aprovação da operação. "A ANTT não afasta integralmente a potencialidade de efeitos anticompetitivos decorrentes da operação, porém entende que as ferramentas regulatórias existentes seriam suficientes para coibir eventuais condutas abusivas", diz a agência nos autos. A ANTT defende ainda poder de arbitrar eventuais conflitos entre usuários e ferrovia.
Mas as demais empresas e entidades interessadas na movimentação de cargas por ferrovias são fortemente céticas em relação à capacidade de a ANTT fiscalizar o comportamento da ALL e Rumo. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), por exemplo, argumentou que a regulação do setor não impede efeitos anticompetitivos. Alegou ainda que poderá haver fechamento de mercado e elevação dos custos dos rivais a partir das integrações verticais.
Entre os terceiros interessados no processo, há quem tenha até pedido o impedimento da fusão - como é o caso da produtora de celulose Eldorado, que teme a elevação de tarifas nas ferrovias. A Ipiranga aponta possibilidade de o grupo Cosan "explorar posição monopolista garantida pela infraestrutura ferroviária da ALL, afetando negativamente tanto o mercado de serviços ferroviários quanto o de distribuição de combustíveis". Para a Agrovia, o negócio "criará dificuldades" para acessos aos terminais portuários. A VLI se preocupa com o acesso ao porto de Santos e a Fibria teme redução de sua carga na ferrovia.
Os integrantes do G7 (Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Federação do Comércio do Paraná, Federação e Organização das Cooperativas do Paraná, Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná e Associação Comercial do Paraná) não chegam a apontar problemas específicos, mas lembram que o cenário logístico no país é de limitações da capacidade das ferrovias.
A fusão cria uma gigante logística com valor de R$ 11 bilhões, de acordo com avaliação elaborada na época do acordo de fusão.
A Cosan, que será a maior acionista da empresa a ser formada, informou, em nota, que "todas as questões apresentadas pelas partes interessadas nesse processo foram amplamente debatidas, nos últimos sete meses, no Cade" e que somente se manifestará sobre após a decisão final do órgão.
Fonte - Revista Ferroviária  11/02/2015

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Abiove defende condicionantes para aprovação da fusão entre ALL e Rumo

Economia

Em entrevista coletiva convocada em São Paulo, dois dias antes de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analisar o processo de fusão, a Abiove criticou a tentativa de verticalização da ALL-Rumo, alegando que promoverá a concentração ferroviária e portuária na principal rota de escoamento do agronegócio do país.

Valor Econômico
foto - ilustração
A Abiove, associação que reúne as indústrias de óleos vegetais no país, reforçou ontem o pedido para que uma eventual fusão da companhia de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de logística controlada pela Cosan) tenha como condicionantes a venda de terminais portuários dessas empresas a terceiros e a proibição de participação em novas licitações para arrendamento e concessões de terminais em Santos.
Em entrevista coletiva convocada em São Paulo, dois dias antes de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analisar o processo de fusão, a Abiove criticou a tentativa de verticalização da ALL-Rumo, alegando que promoverá a concentração ferroviária e portuária na principal rota de escoamento do agronegócio do país.
"Vai ser uma empresa com poder de mercado tão absurdo que colocará todos como reféns", afirmou Carlo Lovatelli, presidente da Abiove. "A ferrovia deixará de ser um negócio independente e ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] não terá instrumentos adequados para fiscalizar."
Para a entidade, todo o processo de escoamento para exportação da safra estaria amarrado à nova companhia. As perdas seriam em duas frentes: preferência do transporte de açúcar em detrimento de grãos (a Cosan atua no setor sucroalcooleiro) e redirecionamento das cargas para os terminais próprios da Rumo, alimentando o que a Abiove tem chamado de "ciclo de discriminação" do usuário. Em ambas as situações, as tarifas pagas em frete pelo produtor tenderiam a subir.
Com a prerrogativa da escolha, informa a Abiove, a Cosan poderá, por exemplo, não só privilegiar cargas suas, como ganhar com taxas de elevação portuária e penalidades por embarque fora do período contratual em seus terminais. "Vai mudar a lógica empresarial. O objetivo do grupo Cosan Logística passa a ser a maximização dos ganhos agregados, não importando mais se oriundos do transporte ferroviário, armazenagem ou elevação portuária", diz Daniel Furlan Amaral, economista da Abiove. Em outras palavras, tradings e empresas menores do agronegócio ficarão "nas mãos" da companhia resultante da fusão.
Amaral afirma que cerca de 30% do valor da soja no porto de Santos representa custo de frete, nos períodos de pico de escoamento da safra, e que 25% da carga de grãos e açúcar é transportada por trens.
As associadas da Abiove, entre elas tradings multinacionais como Bunge, Cargill, ADM e Dreyfuss, respondem pela grande parte da carga de granéis (caso de soja e milho) transportada pela ALL.
A convocação da Abiove mostra a preocupação do setor não só pela proximidade do julgamento da fusão - marcado para amanhã, seis meses depois de ser protocolado - mas pela possibilidade de acordo para aprovação sinalizado pelo órgão. Várias empresas também manifestaram preocupações com um desfecho favorável pelo Cade, entre elas Ipiranga, Fibria, Petrobras Distribuidora, VLI, Copersucar.
Questionada sobre o que faria no caso da aprovação da fusão, a Abiove não soube responder. A Cosan disse que vai se manifestar somente após a decisão do Cade.
Fonte - Revista Ferroviária  10/02/2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cade marca data para julgar fusão entre ALL e Rumo e ações disparam

Economia

No mercado, a reação dos investidores foi positiva. As ações da ALL, que vinham registrando cotações historicamente baixas, registraram ontem a maior alta em mais de seis anos. Mas o acordo é visto com ceticismo por impugnantes que estão pedindo medidas mais duras ao Cade.

Valor Econômico
foto - ilustração
Mais de seis meses após ser protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a proposta de fusão entre a companhia de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de logística controlada pela Cosan) finalmente tem uma data para ser julgada pelo órgão antitruste. O ato de concentração entrou na pauta do dia 11 de fevereiro (próxima quarta-feira) e o fato despertou euforia entre os investidores. Um acordo está sendo negociado entre Cade e representantes da Rumo, mas o desfecho ainda é dúvida para o mercado e para as mais de 16 empresas e entidades que temem a operação.
O Valor apurou que a tendência do Tribunal do Cade é a de analisar um acordo pelo qual a Rumo e a ALL se comprometam a não discriminar o acesso à ferrovia por outras empresas. Os detalhes do termo a ser assinado pelas empresas e pelo órgão antitruste ainda estão em discussão.
"Nós trabalhamos muito desde o parecer no sentido de atender as preocupações da Superintendência-Geral do Cade e de dar tranquilidade ao mercado no sentido de que não haverá discriminação", afirmou Juliano Maranhão, advogado da Cosan. Segundo ele, o objetivo da operação é aumentar a capacidade da ferrovia para atender mais empresas em diversos mercados.
No mercado, a reação dos investidores foi positiva. As ações da ALL, que vinham registrando cotações historicamente baixas, registraram ontem a maior alta em mais de seis anos. Subiram 23,6%, para R$ 4,50 e figuraram como a maior alta do Ibovespa. Já as da Cosan Logística (fora do índice) subiram 28,9%, a R$ 2,72. O principal índice da bolsa fechou em queda de 0,14%, para 49.234 pontos.
Mas o acordo é visto com ceticismo por impugnantes que estão pedindo medidas mais duras ao Cade. Segundo eles, o órgão está focando a sua decisão na imposição de medidas comportamentais sobre a ALL e a Rumo - mas o necessário seriam medidas estruturais, como a venda de ativos.
Várias empresas e entidades já manifestaram ao Cade preocupações sobre a fusão. Entre as companhias, estão Agrovia, Ipiranga, Fibria, Eldorado, Petrobras Distribuidora, VLI e Copersucar. A VLI, por exemplo, teme que a operação "gere incentivos para a discriminação de empresas no acesso competitivo às infraestruturas essenciais do Complexo Portuário de Santos". Já a Copersucar manifestou preocupação "em relação à garantia de condições isonômicas de competição para o acesso de terceiros à malha ferroviária e aos terminais portuários de Santos". Foram sugeridos ao Cade como "remédios" desde a venda de ativos até o impedimento da fusão.
Responsável por um sexto das exportações brasileiras de soja e milho, o que significa US$ 35,5 bilhões anuais, as associadas da Abiove defendem que o Cade determine a venda de ativos da Rumo no porto de Santos. "Esse processo de fusão vai fazer com que a rumo detenha 100% da ferrovia e o interesse econômico sobre 45% da capacidade de embarque de granéis vegetais em Santos, que é o principal porto da América Latina", afirmou o presidente da Associação, Carlo Lovatelli. "Nós reputamos como imprescindível a venda de terminais portuários do grupo Cosan para terceiros", completou.
Em dezembro, a Superintendência-Geral do Cade já havia impugnado (se oposto) à operação, alegando que seria necessária a imposição de condições para garantir que concorrentes da Rumo no setor sucroalcooleiro e empresas de outros segmentos da economia, como produtores de soja, milho e farelo, tivessem acesso ao sistema de escoamento de mercadorias da ALL. A Rumo é do grupo Cosan, um dos líderes na produção do setor sucroalcooleiro do país.
Pela operação proposta, as ações da ALL serão incorporadas pela Rumo. Os atuais acionistas da ALL terão 63,5% do capital da nova companhia. Os da Rumo (Cosan, TPG e Gávea) terão os 36,5% restantes. Com isso, a Cosan passará a indicar a maioria dos membros do Conselho de Administração da nova companhia.
Os atuais acionistas da Rumo e os integrantes do atual acordo de acionistas da ALL (BNDESPar, BRZ, Previ, Funcef, Riccardo Arduini, Júlia Dória Antônia Koranyi Arduini e GMI) comprometeram-se a eleger os membros da nova companhia, com até 17 membros, na primeira eleição após a incorporação. Um membro será necessariamente indicado pelo BNDESPar. Um pode ser indicado pela TPG; um pela Gávea; nove pela Cosan; e seis pelos demais signatários do acordo de acionistas da ALL. A Cosan, portanto, será a maior acionista indireta da ALL.
Fonte - Revista Ferroviária  06/02/2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cade acelera investigações do cartel dos trens

Política

Cade decidiu desmembrar o processo que investiga o cartel das licitações de trens e metrô nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal

Brasil 247
foto - ilustração
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) irá desmembrar o processo que investiga a existência de um cartel em licitações de trens e metrô nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, noticia reportagem da Folha de S. Paulo nesta terça-feira 23.
Decisão deve ser publicada no "Diário Oficial" da União esta semana. Com isso, a Superintendência-Geral do Cade irá analisar paralelamente dois processos sobre o caso. O primeiro será concentrado no envolvimento das 18 empresas acusadas de participar do conluio. No outro, será apurada a atuação dos 109 empregados destas companhias que supostamente participaram do cartel.
O objetivo do Cade é agilizar a investigação do papel de cada envolvido no esquema. O primeiro processo, que envolve as empresas, já está avançado, porque todas as companhias acusadas já foram intimadas a se manifestar. A partir do desmembramento, as empresas terão 60 dias para apresentar sua defesa.
No caso dos participação dos funcionários, muitos deles vivem no exterior e há ainda aqueles cujo endereço é desconhecido e até agora não foram localizados. O prazo para apresentação de defesa só começa a contar quando todos os acusados forem notificados.
As provas reunidas pelo Cade indicam que o cartel teria atuado em pelo menos 15 licitações promovidas entre os anos de 1998 e 2013. Estão sob suspeita contratos que somam R$ 9,4 bilhões.
Entre as empresas acusadas de participar do esquema estão a espanhola CAF, a japonesa Mitsui, a canadense Bombardier, a francesa Alstom, a americana Caterpillar, a sul-coreana Hyundai-Rotem e a alemã Siemens.
Entre as pessoas físicas, o maior número de acusados é da Alstom e da Siemens. A empresa alemã firmou com o Cade o chamado "acordo de leniência" no início de 2013 em troca de redução na punição, que pode chegar ao pagamento de até 20% do faturamento da empresa.
O Cade atua apenas na esfera administrativa. Há ainda a investigação criminal, que inclui a apuração do pagamento de propina a funcionários públicos nos governos do PSDB em São Paulo.
Fonte - STEFZS   23/12/2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ALL / Rumo - Parecer de superintendência do Cade vai contra união

Logística

A proposta de fusão da ALL com Rumo a envolve a formação de uma gigante do setor de logística no Brasil avaliada em cerca de 11 bilhões de reais. A proposta de fusão da ALL com Rumo a envolve a formação de uma gigante do setor de logística no Brasil avaliada em cerca de 11 bilhões de reais.

Reuters 

São Paulo - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou nesta terça-feira que a superintendência-geral do órgão de defesa da competição identificou preocupações concorrenciais sobre a fusão entre a transportadora ferroviária ALL e a Rumo Logística, do grupo de infraestrutura e energia Cosan.
Com isso, a superintendência impugnou a operação que prevê a incorporação da ALL pela Rumo perante o tribunal do Cade.
A proposta de fusão da ALL com Rumo a envolve a formação de uma gigante do setor de logística no Brasil avaliada em cerca de 11 bilhões de reais.
A ALL é a maior operadora ferroviária do Brasil. A Rumo, do grupo Cosan, atua no mercado de serviços de logística multimodal para exportação de açúcar pelo Porto de Santos.
Após consultar o mercado sobre a operação, a superintendência-geral concluiu em parecer que a união pode gerar riscos de limitação de acesso à infraestrutura da nova empresa, assim como práticas discriminatórias em relação aos demais usuários, apesar dos potenciais efeitos benéficos em termos de ampliação da capacidade ferroviária.
O parecer destaca que a Cosan, controladora da nova empresa, utilizaria a ferrovia para transporte de carga própria e que a companhia fruto da união entre ALL e Rumo deteria o controle de toda a cadeia logística de exportação de granéis vegetais pelo Porto de Santos (SP).
"Nesse contexto, a empresa tem evidente capacidade de adotar condutas que coloquem em desvantagem rivais atuantes nas mais diversas etapas dessa cadeia", diz o parecer.
A superintendência pondera que eventuais estratégias discriminatórias, possivelmente difíceis de detectar, poderiam criar dificuldades de funcionamento e aumento de custos para concorrentes em setores fundamentais da economia, como a exportação de commodities agrícolas, a distribuição de combustíveis e a prestação de serviços logísticos.
Além disso, considera que a operação vai contra o novo modelo proposto para as próximas concessões ferroviárias, que propõe a separação entre o detentor da infraestrutura e o prestador de serviço de transporte ferroviário.
Com o fim da fase de análise do caso no âmbito da superintendência do Cade, o tribunal do órgão tomará uma decisão final sobre a aprovação ou reprovação do acordo e sobre a adoção de eventuais condições a serem atendidas pelas companhias para afastar preocupações concorrenciais.
A recomendação da superintendência saiu depois que o Cade reprovou a compra do grupo latino-americano produtor de PVC e soda Solvay Indupa pela Braskem, em meados de novembro.
Em comunicados enviados ao mercado, a ALL e a Cosan Logística disseram que o parecer publicado pela superintendência não é vinculante e que "seguirão buscando uma solução negociada junto ao tribunal do Cade".
As decisões do tribunal podem ser aplicadas unilateralmente ou mediante acordo com as companhias, disse o Cade. O conselheiro Gilvandro Araújo será relator do caso.
O Cade tem prazo de 240 dias após a notificação do ato de concentração, ocorrida em 21 de julho, para tomar uma decisão final, prorrogáveis por mais 90 dias.
No início de novembro, a Cosan Logística havia informado que recebeu aprovação da Agência Nacional de Transportes (ANTT) para o negócio, mas que o Cade declarou a incorporação como "complexa", determinando a realização de diligências para aprofundar análise sobre operação.
No parecer, a superintendência cita manifestação de uma empresa contrária à fusão, que afirma que "diversas práticas já estariam ocorrendo e poderiam ser agravadas com a alteração de incentivos decorrentes da operação". Entre as práticas citadas no relatório estão "preferência de vagões próprios em detrimento de cargas de terceiros, alteração de programação de carregamento nos terminais, descumprimento de prazos e corte de programação".
Além disso, o parecer cita que "vários terceiros consultados" ressaltam que discriminação pode ocorrer em "tarifas acessórias de carregamento, descarregamento, manobra e armazenagem", que não são reguladas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Terceiros interessados
Dezesseis companhias e entidades ingressaram como terceiras interessadas no processo no Cade, expressando preocupações por conta do eventual domínio da Cosan na contratação de espaços da ferrovia da ALL.
Em documento entregue ao Cade, entidades do Paraná como a Fecomércio, por exemplo, pediram que fossem incorporados "critérios de limitação da ocupação de capacidade por grupo econômico, especialmente com subsidiárias dos controladores" nos trechos em que a demanda supere a oferta.
Outra companhia que demonstrou preocupações sobre a eventual fusão foi a Fibria, cuja celulose produzida em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, é transportada até o Porto de Santos por ferrovias da ALL. Em documento entregue ao Cade, a Fibria disse temer que a nova empresa tenda a privilegiar sua própria rentabilidade, em detrimento dos contratos em vigor com outras companhias.
Apesar da notícia já esperada ter sido considerada negativa por participantes do mercado, os papéis da ALL e da Cosan Log avançavam na Bovespa nesta sessão, liderando as altas do Ibovespa, na contramão da tendência geral.
Na véspera, data do parecer da superintendência que foi divulgado nesta terça-feira, a ação da ALL caiu 4,88 por cento e a da Cosan Log recuou 7,22 por cento.
Fonte - STEFZS  09/12/2014

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Cade pode limitar uso da rede da ALL pela Cosan

Logistica

Uma das possibilidades em análise pelo Cade é limitar, nas ferrovias da ALL, as cotas de transporte de produtos para Cosan e Raízen (esta, uma joint venture da Cosan com a Shell). Atualmente, a Rumo usa cerca de 30% da capacidade da ferrovia. A limitação a esse percentual evitaria que a Rumo ocupasse novos espaços nos trilhos que são objeto de disputa por outras companhias (que precisam escoar suas produções).

Valor Econômico
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No mesmo dia, os executivos envolvidos no processo de fusão entre o grupo de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de transportes do grupo Cosan) receberam uma boa notícia e outra nem tanto. Enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o negócio, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou que o acordo é um caso "complexo". Já estão em estudo as restrições que podem ser impostas ao acordo.
Uma das possibilidades em análise pelo Cade é limitar, nas ferrovias da ALL, as cotas de transporte de produtos para Cosan e Raízen (esta, uma joint venture da Cosan com a Shell). Atualmente, a Rumo usa cerca de 30% da capacidade da ferrovia. A limitação a esse percentual evitaria que a Rumo ocupasse novos espaços nos trilhos que são objeto de disputa por outras companhias (que precisam escoar suas produções).
A declaração do caso como complexo foi publicada ontem no "Diário Oficial da União". Com isso, o Cade pode aprofundar a análise e estender o prazo final por 90 dias - até junho do ano que vem. O negócio será levado a julgamento no Tribunal do órgão antitruste, onde só deve ser aprovado sob condições. Cabe aos conselheiros definir quais serão as restrições.
Um dos temores do Cade é que concorrentes da Rumo sofram discriminação nos contratos de transporte nos trilhos da ALL. Para evitar isso, eles podem limitar o espaço da Rumo na ferrovia. Mas isso não seria suficiente. Segundo técnicos do órgão, seriam necessárias medidas adicionais para evitar qualquer tipo de discriminação. O Cade quer evitar, por exemplo, casos de venda casada. Isso ocorreria se uma companhia que contratasse o sistema de transporte da ALL também fosse obrigada a usar o sistema portuário da empresa. O órgão quer garantias de que essa prática não acontecerá.
Enquanto ALL e Rumo fazem reuniões no Cade em busca de uma solução, concorrentes das empresas também estão sendo ouvidos. Ao todo, há mais de 12 impugnantes, entre companhias e associações contrárias à aprovação.
No despacho que foi publicado no "Diário Oficial", a Superintendência determinou ainda que seja feito "o aprofundamento da análise das condições competitivas nos mercados envolvidos", que a ANTT seja ouvida sobre a regulação do mercado e que as empresas apresentem as eficiências decorrentes da fusão.
Para os diretores da ALL, a declaração de complexidade é considerada "natural". "É algo normal por esse ambiente ter muita visibilidade. Isso acontece com muita frequência em diversos 'deals' [negócios]. O Cade passa a ter a opção de estender [o prazo], mas é algo muito procedimental e é natural", disse Rodrigo Campos, diretor financeiro e de relações com investidores da ALL. Ele falou durante teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre.
Na teleconferência, analistas perguntaram sobre uma possível imposição de venda de ativos. Campos minimizou. "Não acho que tenha relação [entre a medida do Cade e uma possível imposição de restrições]. A complexidade está muito ligada à análise de todas as coisas que têm envolvidas no 'deal'. Quanto à restrição, isso é um processo que tem que ser discutido. Mas entendemos que a fusão melhora a infraestrutura, aumenta a capacidade, reduz gargalos... Então você sai da fusão com um cenário muito melhor para todos os segmentos que usam a ferrovia".
O presidente da ALL, Alexandre Santoro, também comentou o negócio. "Estamos bem próximos, fazendo muita reunião no Cade. Agora, [o trabalho] é dar seguimento aos esclarecimentos e mostrar as evoluções e os benefícios que [a fusão] vai trazer à infraestrutura e [mostrar] que [o negócio] não coloca em risco nada em relação à competição", afirmou o executivo. "Ao contrário. Abrimos mais opções, atendemos mais gente e mais produtores. Estamos bem confiantes e agora é continuar trabalhando junto ao Cade para conseguirmos a provação o mais rápido possível", disse o presidente.
Apesar da medida do Cade, o mercado preferiu reagir positivamente à aprovação da ANTT ao acordo. A ação da ALL subiu 4,12% (a R$ 6,82) e foi a maior alta do Ibovespa ontem, enquanto o principal índice da bolsa caiu 1,26%. Procurada, a Cosan informou por meio da assessoria de imprensa que a complexidade foi declarada pelo Cade porque a operação envolve diferentes mercados. "É um ato processual previsto na regulamentação, já aplicado em diversos casos", informou a empresa, em nota.
Fonte - Revista Ferroviária  06/11/2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Estatal teme consequências de fusão da ALL

Infraestrutura

Petrobras Distribuidora - braço da estatal voltado ao comércio e à distribuição de derivados de petróleo - afirmou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a fusão criaria dificuldades na operação de cargas e concederia à Cosan uma posição de "predominância" na infraestrutura da ALL e que isso pode ocasionar preços maiores a concorrentes da Cosan.

Valor Econômico

A fusão entre o grupo de concessões de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de transportes do grupo de origem sucroalcooleira Cosan) despertou a contestação de mais uma empresa. Depois de Odebrecht e Eldorado (do grupo J&F) demonstrarem preocupações com o negócio pelos possíveis efeitos operacionais no escoamento de cargas por trilhos, agora é a Petrobras quem teme a operação.
Conforme apurou o Valor, a Petrobras Distribuidora - braço da estatal voltado ao comércio e à distribuição de derivados de petróleo - afirmou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a fusão criaria dificuldades na operação de cargas e concederia à Cosan uma posição de "predominância" na infraestrutura da ALL e que isso pode ocasionar preços maiores a concorrentes da Cosan.
Além disso, a estatal afirma que a ALL não tem vagões suficientes para atender toda a demanda das distribuidoras de combustíveis. Por isso, diz se preocupar com o direcionamento do material para uso da Cosan em detrimento de outras empresas. A Petrobras teme as vantagens que a Cosan teria e o aumento de custos para concorrentes, que poderiam ter que usar as rodovias (mais caras).
A distribuidora também receia que a Cosan tenha informações privilegiadas sobre preços de produtos (já que as notas fiscais devem acompanhar a carga) e estratégias de concorrentes, além de dados sobre volumes, clientes e fornecedores.
Empresas como a Eldorado também manifestaram preocupação ao Cade. A produtora de celulose chegou a pedir a reprovação da fusão ou a imposição de restrições. A Odebrecht Ambiental disse que os mercados de açúcar de etanol serão afetados de maneira "severa" pelo negócio.
Fonte - Revista Ferroviária  03/11/2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

Rumo garante espaço para cargas de concorrentes na ALL

Ferrovias

A informação é importante, pois o açúcar produzido pela Cosan é transportado pelos trilhos da ALL. Dado esse cenário, os integrantes do Cade, que terão de julgar a união entre as companhias, devem exigir medidas concretas para garantir que a Cosan não utilize a ferrovia para discriminar outros produtores de açúcar e demais concorrentes que queiram escoar as suas respectivas produções pelos trilhos da ALL.

Valor Econômico
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Ao notificar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a incorporação das ações da ALL, na tarde de ontem, a Rumo informou sobre a criação de um Comitê de Assessoramento para garantir o transporte de cargas de empresas concorrentes do grupo Cosan, que controla a companhia.
A informação é importante, pois o açúcar produzido pela Cosan é transportado pelos trilhos da ALL. Dado esse cenário, os integrantes do Cade, que terão de julgar a união entre as companhias, devem exigir medidas concretas para garantir que a Cosan não utilize a ferrovia para discriminar outros produtores de açúcar e demais concorrentes que queiram escoar as suas respectivas produções pelos trilhos da ALL. Essas medidas foram apresentadas pela própria Rumo na notificação do negócio ao órgão antitruste.
De acordo com a petição que o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, teve acesso, a Rumo apresentou salvaguardas de modo a garantir o uso da ferrovia por empresas concorrentes. "Embora não haja qualquer risco de discriminação ou preferência às cargas operadas pelas empresas do grupo Cosan, a nova companhia resolveu adotar algumas salvaguardas", diz o texto apresentado ao Cade.
A principal salvaguarda foi a criação de um Comitê de Assessoramento. O órgão terá caráter estatutário e permanente. Será composto por três a cinco membros independentes do conselho de administração da nova companhia resultante da união entre a ALL e a Rumo. Um desses membros será necessariamente indicado pela BNDESPar.
"Qualquer manifestação negativa por parte do Comitê de Assessoramento com relação à determinada operação ou transação condiciona sua aprovação ao voto afirmativo de, no mínimo, 90% dos membros do Conselho de Administração, o que significa, praticamente, poder de veto por cada um dos acionistas representados no conselho", afirma a Rumo no texto apresentado ao Cade.
Segundo o documento, o Comitê vai "impedir que exista tratamento desigual nas transações" envolvendo a nova companhia e as empresas do grupo Cosan.
A Rumo enfatizou ainda que o total de cargas transportadas pela Cosan nos trilhos da ALL é muito pequena. "Além disso, em mercados onde o modal rodoviário tem custos competitivos, pela proximidade do Porto de Santos, as usinas das empresas do grupo Cosan estão, em média, mais próximas do porto em relação a outras usinas, de modo que não há racionalidade logística para privilegiar essas usinas no uso da ferrovia", destacou a companhia no documento.
Na petição ao Cade, a Rumo argumenta ainda que a operação de incorporação de ações da ALL "representa um passo fundamental na direção de um grande salto para desatar o nó da logística brasileira, que tanto tem dificultado o crescimento do país". O investimento na malha gerará a ampliação da capacidade para a ferrovia, o que, aliado ao projeto logístico para captação de cargas, já desenvolvido pela Rumo, significará maior acesso de produtores ao modal ferroviário, aumentando a concorrência nos mercados de produção agrícola e a competitividade do país nas exportações."
A partir da notificação feita na tarde de ontem, o caso será examinado primeiramente pela Superintendência-Geral do Cade. Esse órgão poderá aprovar o negócio ou encaminhar sugestões com condições a serem impostas às empresas pelo Tribunal do Cade. É no Tribunal que os conselheiros decidem pela aprovação ou não das fusões e aquisições no Brasil.
A união entre a Rumo e a ALL só vai valer de fato com o aval final do Cade. Ao apresentar salvaguardas que garantem o uso da ferrovia por concorrentes da Cosan, as empresas se anteciparam a eventuais condições a serem impostas pelos integrantes do órgão antitruste e sinalizaram a intenção de estabelecerem um diálogo para obterem a aprovação ao negócio.
Fonte - Revista Ferroviária  22/07/2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ALL vê potencial de grandes sinergias em fusão com Rumo

Logística

Proposta feita pela Rumo em fevereiro para incorporar a ALL foi aprovada pelos acionistas da empresa ferroviária na última quinta-feira

Exame
foto - ALL
São Paulo - A empresa de ferrovias ALL vê um potencial de grandes sinergias na fusão com a Rumo Logística, empresa da Cosan, com melhor produtividade nas ferrovias e em terminais portuários, segundo o diretor de relações com investidores da companhia, Rodrigo Campos.
A proposta feita pela Rumo em fevereiro para incorporar a ALL foi aprovada pelos acionistas da empresa ferroviária na quinta-feira, após ter recebido o crivo do Conselho de Administração em meados de abril.
Para se concretizar, porém, a operação ainda requer o aval de órgãos como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
"Hoje a Rumo tem um terminal (portuário) grande em Santos que é muito focado em açúcar. A gente sabe que o pico da safra do grão é na entressafra do açúcar", disse Campos em encontro com analistas promovido pela Apimec, acrescentando que o terminal poderia ser usado para grãos.
O executivo também considerou que a união deve deixar as empresas mais fortes para discutir alternativas que levem a concessões de ferrovias.
No entanto, Campos ressaltou que a fusão só terá início após a aprovação do Cade, que tem cerca de 330 dias para avaliar a operação. Ele disse que as companhias devem agora formar comitês independentes para formular o processo de unificação.
O executivo também minimizou possíveis preocupações do Cade sobre concorrência.
"Nosso negócio tem característica diferente. Não é negócio onde a gente (ALL e Rumo) disputa o mesmo cliente. A preocupação tende a estar mais no livre acesso a ferrovias. Mas a combinação adiciona eficiência ao sistema. No final, vai ter mais pra todo mundo", afirmou.
Agentes de outros setores como a fabricante de celulose Fibria demonstraram preocupação com a fusão, com receio de que a nova empresa favoreceria o transporte de açúcar em detrimento de outros produtos.
Campos afirmou que as empresas irão trabalhar para que outros setores tenham melhor compreensão da operação, considerando que não haverá prejudicados.
A fusão deverá criar uma gigante do setor de logística e colocar fim a um litígio entre as empresas sobre o cumprimento de contratos de transporte de açúcar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Metrô e CPTM: Contratos investigados pelo Cade já chegam a R$ 11,2 bi e superfaturamento, a R$ 3,3 bi

Cartel do metro de SP

Só em 2013, com os contratos do cartel com a CPTM, os cofres públicos paulistas foram lesados em cerca R$ 810 milhões - A base foi o primeiro relatório da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), feito entre maio e junho de 2013.

Viomundo
Conceição Lemes
foto - ilustração
Em 19 de julho do ano passado, a IstoÉ revelou a existência do cartel que superfaturava licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e irrigava o propinoduto do tucanato paulista.
A base foi o primeiro relatório da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), feito entre maio e junho de 2013.
A Siemens, vale relembrar, fez acordo de leniência com o Cade, o Ministério Público Federal e do Estado de São Paulo, e abriu o bico em troca de imunidade civil e criminal para si e seus executivos envolvidos na armação.
A multinacional alemã confessou como ela e outras companhias formaram cartel para manipular e superfaturar concorrências, quais empresas integravam o esquema de corrupção e como elas corromperam autoridades ligadas ao PSDB e a servidores públicos de alto escalão.
A Siemens delatou também as outras empresas que atuavam no “projeto”: Alstom, Bombardier, CAF, Temoinsa, ABB, Mitsui,Trans, Tejofran, MGE, TCBR Tecnologia, Iesa e Serveng-Civilsan
A fraude, segundo a Siemens, teria durado de 1998 a 2008. Na época, estimava-se que os cofres paulistas tivessem sido lesados em, pelo menos, R$ 450 milhões.
Em 26 de agosto, porém, o Viomundo denunciou que, em 2013, Alckmin havia contratado por R$ 2,7 bilhões empresas acusadas de fraude nas licitações e envolvidas no propinoduto tucano.
A reportagem referia-se a estas oito concorrências da CPTM, cujos contratos tinham sido assinados no ano passado, indicando que o cartel continuava a operar, apesar de as primeiras denúncias já terem vindo a público.
Pois bem. Com base nos documentos obtidos na busca e apreensão realizada, em 4 de julho de 2013, por agentes da Polícia Federal e do Cade em 19 empresas, empresas, o Cade elaborou o seu segundo relatório, divulgado há alguns dias.......

Veja a matéria completa aqui - VIOMUNDO 

Fonte - Viomundo 09/04/2014



quinta-feira, 20 de março de 2014

Cade vai apurar irregularidades em licitações de trens e metrôs

Cartel do Metrô

No inquérito, instaurado em 22 de maio de 2013, a partir da assinatura de um acordo de leniência com a empresa alemã Siemens, o Cade sustenta que “há fortes indícios” da prática de cartel. “O conjunto probatório reunido permite concluir pela presença de fortes indícios de que as empresas e pessoas físicas discriminadas teriam celebrado ajuste com a finalidade de fixar preços, dividir mercado e ajustar condições....

Ivan Richard 
Repórter da Agência Brasil 
Ag.Brasil
Após dez meses de investigações sigilosas, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou hoje (20) processo administrativo para apurar prática de cartel em licitações de trens e metrôs, ocorridas entre 1992 e 2003, nos estado de São Paulo, Minas Gerais, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. De acordo com o Cade, 18 empresas e 109 funcionários são suspeitos de participar do esquema.
No inquérito, instaurado em 22 de maio de 2013, a partir da assinatura de um acordo de leniência com a empresa alemã Siemens, o Cade sustenta que “há fortes indícios” da prática de cartel. “O conjunto probatório reunido permite concluir pela presença de fortes indícios de que as empresas e pessoas físicas discriminadas teriam celebrado ajuste com a finalidade de fixar preços, dividir mercado e ajustar condições, vantagens ou abstenção em licitações públicas relativas a projetos de metrô e ou trens”, diz o inquérito.
As testemunhas ouvidas pelo Cade confessaram ter participado de um esquema fraudulento com objetivo de eliminar a competição das concorrências. Além da Siemens, também teriam participado do cartel a Alston Brasil Energia e a Hyundai-Rotem Co. Ainda de acordo com o Cade, as licitações que estão sendo apuradas totalizam contratos de cerca de R$ 9,4 bilhões.
Fonte - Agência Brasil  20/03/2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Metrô-SP e a Grande Quadrilha

Metrô de SP

A cartelização é um fenômeno das economias capitalistas desde o final do século XIX e seu combate, apesar dos esforços dos Estados, é frequentemente frustrante.

Por Téia Magalhães
Na revista Retrato do Brasil

Os objetivos dos governos e dos cartéis são, em princípio, opostos: o poder público se esforça para comprar sempre pelo menor preço bens e serviços com determinadas especificações de qualidade e o cartel, ao contrário, quer vendê-los por preços superiores aos que cada empresa individualmente proporia se houvesse concorrência real. Para combater a ação dos cartéis, os governos criam órgãos de defesa da concorrência e criminalizam os conluios entre empresas independentes que se articulam com o objetivo de reduzir a concorrência em determinado setor. A cartelização é um fenômeno das economias capitalistas desde o final do século XIX e seu combate, apesar dos esforços dos Estados, é frequentemente frustrante.
Por aqui, o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, formado pela Secretaria de Direito Econômico e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ligados ao Ministério da Justiça, e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico, vinculada ao Ministério da Fazenda, é o encarregado desse combate. Em maio do ano passado, o Cade ganhou destaque no noticiário graças ao acordo de leniência firmado com a Siemens AG, alemã, a Siemens Ltda, sua subsidiária brasileira, e seis ex-diretores da empresa. Todos admitiram ter participado de um cartel e apresentaram evidências de acordos feitos entre as empresas da área de trens urbanos e metrôs para burlar a concorrência.
Acordo de leniência é um instrumento legal, equivalente à delação premiada, instituído na área criminal, por meio do qual o delator de um crime do qual participou tem sua pena atenuada por ter ajudado nas investigações. O acordo celebrado com o Cade é acompanhado de uma descrição dos fatos, modo de operação do cartel e seus participantes e de apensos, os quais detalham seis licitações: implantação da linha 5 do Metrô de São Paulo; manutenção de três séries de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM); manutenção e assistência técnica ao Metrô do Distrito Federal (DF); ampliação da linha 2 do Metrô de São Paulo; implantação do Projeto Boa Viagem, de modernização de trens da CPTM; e aquisição de 320 carros para trens da CPTM. Os fatos narrados teriam ocorrido entre 1998 e 2008, envolvendo os governos de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, em São Paulo, e de Joaquim Roriz, Maria Abadia e José Roberto Arruda, no DF.
Os indícios de formação do cartel são encontrados em negociações realizadas entre dezesseis companhias, nacionais e internacionais, para combinar resultados de licitações conduzidas por empresas públicas para fornecimento de trens ou serviços. Os contratos são divididos entre as empresas fornecedoras por meio da formação de consórcios e subcontratações e de ofertas de preços mais altos, chamados “de cobertura”, de maneira a elevar o valor do conjunto das ofertas além do que seria obtido se houvesse verdadeira concorrência entre os participantes. Nesses casos, as “perdedoras” acabam sendo recompensadas mais adiante com vitórias em outras licitações, quando empresas vitoriosas numa situação invertem suas posições e oferecem preços “de cobertura”.
Nas seis licitações mencionadas no acordo de leniência há conluios entre as empresas para elevar os preços de fornecimento de bens e serviços. Foi o que aconteceu, por exemplo, na implantação da linha 5 do Metrô paulistano, cuja licitação foi conduzida na época (entre 1999 e 2000) pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM): havia sete qualificados na fase inicial, a maioria dos quais agrupou-se no consórcio Sistrem, vencedor da licitação, que subcontratou duas das três empresas do consórcio derrotado.
Há diversas pistas das negociações entre as empresas numa espécie de diário com anotações sobre os acertos, entregue pela Siemens ao Cade, no qual há relatos da hipótese, depois abandonada, da entrega por dois consórcios formados na fase da pré-qualificação de “propostas perdedoras”. Essa licitação foi ganha por cerca de US$ 1,785 milhão por carro, conforme documento encontrado em computador da empresa alemã. “Deve-se lembrar que o preço foi resultado de diversas rodadas de coordenação e negociações. O preço dificilmente seria o mesmo em uma competição aberta”, diz o texto, de 2003. E numa apresentação, encontrada entre os documentos, há o comentário: “O projeto Linha 5 é o último de ganho certo. O fornecimento dos carros é organizado em um consórcio ‘político’, então o preço é muito alto”.
Outro exemplo está no e-mail de funcionário da Siemens enviado a dois funcionários da japonesa Mitsui, com simulações feitas sobre duas diferentes possibilidades de entrar na disputa da licitação da reforma de três séries de trens da CPTM. Uma das hipóteses prevê acordo e “preço (quase) cheio”, com desconto baixo sobre o preço estimado pelo edital. A outra não prevê acordo, “beirando o preço mínimo permitido”. A diferença entre as duas – uma com acerto entre as empresas e a outra, com concorrência entre elas – seria de 30%. O sobrepreço pago pelas empresas públicas devido à prática do cartel tem sido estimado em mais de 400 milhões de reais.
Outra prática comum revelada pelos documentos é a divisão dos contratos entre os integrantes do cartel. Como teria ocorrido em relação à manutenção dos trens da CPTM Séries 2000, 3000 e 2100: as empresas acertaram quais seriam as vencedoras em cada série e quais seriam as subcontratadas. Como o ganhador da primeira foi o Consórcio Cobraman (composto pela francesa Alstom, pela canadense Bombardier e pela espanhola CAF), a Siemens deveria vencer a Série 3000 e Alstom, CAF, Bombardier, a espanhola Temoinsa e Mitsui ficariam com a Série 2100. Quando o Cobraman pretendeu dividir a Série 3000 com a Siemens, a empresa alemã informou às demais companhias que apresentaria proposta competitiva para a Série 2100, o que provocou o recuo do consórcio. A Siemens acabou vencedora isolada da Série 3000, cuja licitação recebeu propostas “de cobertura” das demais empresas. A Série 2100 foi contratada com o consórcio Consmac (Alstom e CAF), que subcontratou as outras três – Bombardier, Temoinsa e Mitsui – como fornecedoras.
Foi objeto de repartição ainda maior o Projeto Boa Viagem, dividido em quatro licitações, duas das quais subdivididas em lotes, o que permitiu que todas as empresas que participaram das negociações fossem contempladas com um lote ou subcontratadas. Alstom, Bombardier, Siemens, Temoinsa, e as brasileiras Iesa MGE T’Trans, Tejofran e MPE, chamadas nos e-mails de “grupo”, iniciaram as negociações antes mesmo do início da etapa de pré-qualificação. Mensagens eletrônicas relatam providências para manter afastadas as empresas que não pertencem ao “grupo”.
Esse caso evidencia como a própria administração pública favorece a cartelização, ao contratar serviços e obras em lotes. A contratação de grandes obras em uma única licitação foi muito criticada no passado pelo fato de facilitar o direcionamento dos editais para uma ou pouquíssimas empresas com capacidades técnica, operacional e financeira de assumi-las. Passou-se a adotar, então, a divisão em lotes, para facilitar a participação de empresas menores e, dessa forma, aumentar a concorrência. Mas parece que o tiro saiu pela culatra e os lotes acabaram facilitando a acomodação dos cartéis, ao menos nos casos descritos pela documentação entregue pela Siemens.
A administração pública também pode influenciar as licitações para favorecer determinada empresa ou grupo de empresas por meio das especificações técnicas dos editais. É o que parecem indicar e-mails internos da Siemens sobre a futura licitação de extensão de uma linha da CPTM; um dos dirigentes da empresa afirma: “A CPTM gostaria muito se a Siemens participasse com seus veículos e/ou tecnologia de equipamentos. (…) Fomos convidados a manter conversas mais detalhadas com os especialistas da CPTM a fim de ‘melhorar’ [sic] as especificações técnicas com nossa tecnologia”. Ou ainda: “[Estamos] atuando junto à CPTM e ao Metrô de São Paulo para que tenha origem neste setor uma participação importante para a Siemens (por exemplo, equipamentos completos de tração)”.

As denúncias da Siemens revelam também que entre as empresas formadoras de um cartel há interesses divergentes. A última das licitações mencionadas pela companhia no acordo com o Cade, pela ordem cronológica, é para o fornecimento de três carros para a CPTM entre 2007 e 2009. Segundo relatos da Siemens, haveria uma segunda licitação em seguida, para fornecimento de 64 carros, levando a uma combinação entre Siemens e Alstom. A empresa francesa ficaria com o contrato inicial, associada à sul-coreana Hyundai-Rotem, e subcontrataria a companhia alemã, enquanto esta ficaria com o fornecimento dos 64 carros seguintes, associada à Mitsui, subcontratando a Alstom. As negociações, entretanto, foram comprometidas pela decisão da CAF de apresentar oferta com preços mais baixos.
A Siemens tentou negociar com a companhia espanhola no final de março de 2008, mas a CAF queria a entrega de trens completos, enquanto a empresa alemã queria fornecer apenas componentes (tração e chassis). Em contrapartida, a Hyundai-Rotem, que estava associada à Alstom, começou a negociar com a Siemens, para, juntas, tentarem desqualificar a CAF, que segundo a sul-coreana, não teria cumprido exigências do Banco Mundial, que financiou o projeto. A Siemens foi à Justiça e perdeu. E a CAF acabou contratada em 2009. E a segunda etapa, com os 64 carros, também foi ganha pela CAF.
Esses arranjos teriam sido facilitados pela fragilidade dos processos de licitação. Pelo menos é o que conclui o Grupo Externo de Acompanhamento (GEA), criado em agosto pelo governo paulista, composto por representantes de doze entidades da sociedade civil para supervisionar investigações sobre as denúncias que envolviam duas das empresas estatais do estado. Em dezembro, o GEA divulgou uma análise dos processos licitatórios adotados pela CPTM e pelo Metrô, a partir de informações solicitadas às duas companhias. De acordo com o grupo, o procedimento usado pela CPTM até 2008 incluía a aplicação de correção monetária sobre preços de aquisição atingidos em licitações anteriores. A partir de 2008, por recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a empresa passou a fazer cotação de preços – mas por meio de consultas às companhias que participam desse mercado no Brasil, sem buscar informações no exterior, ficando dependente dos próprios interessados na licitação. O mesmo procedimento de consulta de preços foi informado pelo Metrô. O GEA concluiu, então, que essas práticas tornaram as duas empresas estatais paulistas vulneráveis.
A investigação sobre a existência de um cartel no setor metroferroviário feita pelo Cade não trata de corrupção, uma vez que não é esse o papel do órgão. Mas informações obtidas por outras denúncias estão sendo investigadas pela Polícia Federal (PF) em São Paulo, e se embaralharam com as informações fornecidas pela Siemens ao Cade. As fragilidades da administração pública diante do cartel metroferroviário e a persistente prática de fazer vista grossa dos sucessivos governos frente às evidências de que as empresas dividem os contratos entre si formam um caldo de cultura propício ao desenvolvimento da corrupção. Algo que, pelo menos as duas principais empresas que atuam no Brasil – Siemens e Alstom – admitiram praticar no exterior.
De acordo com informações publicadas pelo diário O Estado de S. Paulo no final de novembro, documento atribuído a Everton Rheinheimer – ex-diretor da Siemens e um dos que firmaram o acordo de leniência –, encaminhado à PF, menciona os nomes de secretários do governo Alckmin, de dirigentes do PSDB e do DEM, de um senador tucano e de um deputado federal do PPS como envolvidos com a Procint, empresa de consultoria suspeita de intermediar propinas pagas pelo cartel. Rheinheimer afirma dispor de documentos “que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo durante os governos Covas, Alckmin e Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do ‘Caixa 2′ do PSDB e do DEM”. A PF, que investiga o caso, encaminhou o inquérito à Justiça Federal, que o enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao se deparar com o suposto envolvimento de parlamentares, que têm foro privilegiado.
A atração pelas denúncias de corrupção trouxe para a cena outra investigação da PF sobre uma empresa que faria parte do cartel – a Alstom. Os pagamentos não se referem ao cartel dos trens, mas a negociações realizadas sob o abrigo do projeto Gisel II–Grupo Industrial para o Sistema Eletropaulo, realizado por meio de acordo de cooperação técnica entre Brasil e França, que teria sido assinado em 1983, mas originalmente sem o “II”. Tal tipo de acordo era comum entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980 e destinava-se a “rolar” a dívida externa, por meio de empréstimos externos destinados a centenas de projetos de infraestrutura. Parte dos recursos era destinada à fabricação de equipamentos no exterior e o restante às obras civis realizadas aqui, as quais não eram realizadas porque os recursos destinados a elas pagavam os juros e as amortizações de projetos anteriores. Foram centenas, que ficaram em grande parte inacabados por anos.
Em meados de 1994, discutiu-se o aditivo 10 ao acordo com a França, o qual, tudo indica, era uma segunda etapa destinada ao fornecimento de subestações elétricas para dar suporte à ampliação de linhas do Metrô paulistano. Essa pode ter sido a porta de entrada da Alstom no setor metroviário.
As denúncias sobre pagamento de propinas pela Alstom chegaram ao Brasil em 2008, por meio de informações enviadas pelo Ministério Público da Suíça, em consequência de investigações realizadas lá em contas que receberam depósitos da Alstom, o que levou a contas cujos titulares eram brasileiros. As investigações prosseguiram e a PF indiciou onze pessoas, entre elas um ex-secretário de Energia no governo Covas, ex-diretores da EPTE (empresa resultante do desmembramento da Eletropaulo para privatização, que atuava na distribuição de energia, com quem foi firmado o aditivo 10 do Gisel), diretores franceses da Alstom e lobistas brasileiros. Aparentemente, meses depois, a PF começou a investigar outra denúncia de propinas pagas pela Alstom e esbarrou em consultorias, que teriam feito pagamentos vultosos a outras empresas do ramo, as quais pertenceriam a dois ex-diretores e a um ex-presidente da CPTM. A Justiça Federal em São Paulo bloqueou diversas contas, num total de 57 milhões de reais. Em sua sentença, o juiz se refere ao fato de duas empresas de consultoria acusadas de fazerem a intermediação no pagamento das propinas terem recebido do consórcio Sistrem mais de 18 milhões reais.
Esses escândalos de corrupção envolvendo altos funcionários de governos, como em outros casos, desviam a atenção de questões de fundo reveladas pelas denúncias. Uma investigação sobre a dívida externa brasileira, por exemplo, que parece estar na origem do projeto Gisel, nunca chegou a ser realizada em profundidade. Tampouco se discute a dependência tecnológica que torna os governos reféns das empresas do cartel metroferroviário. Os acordos de cooperação técnica, como o Gisel, previam a transferência de tecnologia. Para quem? Para a Eletropaulo, primeiro, e depois para a EPTE, que resultou do desmembramento da empresa para sua privatização – vale lembrar que, segundo o diário Folha de S. Paulo, em 2008 ela era dirigida por um ex-executivo da Alstom.
Por que um país como o Brasil, uma das maiores economias do mundo, com graves problemas de mobilidade urbana, não tem uma estrutura própria para produção de seu sistema de trens urbanos e metrôs? Foram necessárias quatro décadas para construir 73 quilômetros de linhas em São Paulo, a cidade brasileira disparadamente mais bem servida nesse sentido. A China, que começou mais ou menos na mesma época, deve alcançar quase 3 mil quilômetros no ano que vem, e tem duas das cinco maiores empresas que atuam no setor – as quais, aliás, fornecem trens para o Metrô do Rio de Janeiro. Já o Brasil resume sua atuação na área a “ajeitar” os editais para atender aos interesses das empresas. Por isso, mesmo diante de evidências escancaradas de que há acordo entre as empresas, com o objetivo óbvio de superfaturar os contratos, os governos não cancelam as licitações. Vão fazer o que, diante das alternativas quase nulas?
Fonte -  Blog do Miro ( Altamiro Borges)  14/02/2014

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cade aprova fusão entre Oi e Portugal Telecom

Economia

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Brasília – O Diário Oficial da União traz hoje (14) despacho do Conselho Administrativo de Defesa Econômica que aprova sem restrições a fusão entre a operadora Oi e a Portugal Telecom (PT), que será chamada de CorpCo e controlará as atividades das duas empresas no Brasil e no mundo.
O documento do Cade indica que a nova operadora de telecomunicações vai atuar em países de língua portuguesa. A aliança estratégica já tinha sido anunciada em 2011 e, então, aprovada pelo conselho.
O Cade também entende que a fusão não vai trazer problemas concorrenciais no Brasil. Para isso, foi necessário que a Portugal Telecom abrisse mão da participação acionária que tinha na operadora Vivo. Além do mais, os técnicos do conselho lembram que a PT atua no Brasil indiretamente, por meio da operadora Oi.
No documento, o coordenador-geral substituto de Análise Antitruste, Paulo Vinícius Ribeiro de Oliveira, registra que, se forem mantidas as condições previamente consideradas pelo Cade, não haverá prejuízo ao ambiente concorrencial.
Fonte - Agência Brasil  14/01/2014