domingo, 10 de dezembro de 2017

Dispositivo tornará os carros a hidrogênio mais baratos e acessíveis para consumidores

Tecnologia  🚗

O dispositivo poderia tornar os carros de hidrogênio acessíveis para muitos mais consumidores porque produz hidrogênio usando elementos de níquel, ferro e cobalto que são muito mais abundantes e mais baratos do que a platina e outros metais preciosos que atualmente são usados ​​para produzir combustível de hidrogênio.

Ambiente Energia
foto/divulgação
À medida que as montadoras estão procurando alternativas para o veículo a gasolina, o hidrogênio sempre foi uma opção intrigante, embora muito caro para os consumidores convencionais.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) desenvolveram um dispositivo que pode usar energia solar barata e eficiente para criar e armazenar energia, que poderia ser utilizado para suprir de energia dispositivos eletrônicos, e para criar combustível de hidrogênio para automóveis ecológicos.
O dispositivo poderia tornar os carros de hidrogênio acessíveis para muitos mais consumidores porque produz hidrogênio usando elementos de níquel, ferro e cobalto que são muito mais abundantes e mais baratos do que a platina e outros metais preciosos que atualmente são usados ​​para produzir combustível de hidrogênio.
“O hidrogênio é um ótimo combustível para os veículos: é o combustível mais limpo conhecido, é barato e não emite poluentes no ar – apenas água”, disse Richard Kaner, autor principal do estudo e UCLA, professor ilustre de química e bioquímica, e de ciência de materiais e engenharia. “E isso poderia diminuir dramaticamente o custo dos carros de hidrogênio”.
A tecnologia poderia ser especialmente útil em áreas rurais, ou para unidades militares que servem em locais remotos.
“As pessoas precisam de combustível para executar seus veículos e eletricidade para usar seus dispositivos”, disse Kaner. “Agora é possível fazer eletricidade e combustível com um único dispositivo”.
Também pode ser parte de uma solução para as grandes cidades que precisam de maneiras de armazenar o excesso de eletricidade de suas redes elétricas.
“Se você pudesse converter eletricidade em hidrogênio, você poderia armazená-lo indefinidamente”, disse Kaner, que também é membro do Instituto NanoSystems da Califórnia da UCLA.
As células de combustível de hidrogênio tradicionais e os supercondensadores possuem dois eletrodos: um positivo e um negativo.
O dispositivo desenvolvido na UCLA possui um terceiro eletrodo que atua como um supercapacitor, que armazena energia e como um dispositivo para dividir a água em hidrogênio e oxigênio, um processo chamado eletrólise da água.
Todos os três eletrodos se conectam a uma única célula solar que serve como fonte de energia do dispositivo e a energia elétrica colhida pela célula solar pode ser armazenada de duas maneiras: eletroquimicamente no supercondensador ou quimicamente como hidrogênio.
O dispositivo também é uma grande evolução tecnológica, porque produz combustível de hidrogênio de forma ambientalmente amigável. Atualmente, cerca de 95% da produção de hidrogênio em todo o mundo vem da conversão de combustíveis fósseis, como gás natural em hidrogênio – um processo que libera grandes quantidades de dióxido de carbono no ar, disse Maher El-Kady, pesquisador pós-doutorado da UCLA e co-autor de a pesquisa.
“A energia do hidrogênio não é ‘verde’, a menos que seja produzida a partir de fontes renováveis”, disse El-Kady.
Ele acrescenta que o uso de células solares e elementos abundantes disponíveis para dividir a água em hidrogênio e oxigênio tem um enorme potencial para reduzir o custo da produção de hidrogênio e que a abordagem poderia eventualmente substituir o método atual, que depende de combustíveis fósseis.
Combinando um supercapacitor e a tecnologia de divisão de água em uma única unidade, diz Kaner, é um adiantamento similar à primeira vez que um telefone, navegador de internet e câmera foram combinados em um smartphone. A nova tecnologia pode eventualmente levar a novas aplicações que até mesmo os pesquisadores ainda não imaginam, disse Kaner.
Os pesquisadores projetaram os eletrodos em nanoescala – milhares de vezes mais finas do que a espessura de um cabelo humano – para garantir que a maior área de superfície seja exposta à água, o que aumenta a quantidade de hidrogênio que o dispositivo pode produzir e também armazena mais carga no supercapacitor. Embora o dispositivo que os pesquisadores fizessem encaixasse na palma da sua mão, Kaner disse que seria possível fazer versões maiores porque os componentes são baratos.
“Para que os carros de hidrogênio sejam amplamente utilizados, continua a ser necessária uma tecnologia que armazene com segurança grandes quantidades de hidrogênio a pressão e temperatura normais, em vez dos cilindros pressurizados que estão atualmente em uso”, disse Mir Mousavi, co-autor de o papel e um professor de química na Universidade de Tarbiat Modares do Irã.
Fonte - Ambiente Energia  10/12/2017

Padrão de ouro 2.0' da Rússia e China promete acabar com dólar

Economia/Internacional  US$

Um novo sistema de comércio de ouro baseado em existências físicas, desenvolvido por Moscou e Pequim, seria fatal para a hegemonia do dólar, afirma especialista.Pequim e Moscou entendem que os EUA têm usado o dólar para controlar o mundo e querem distanciar-se deste controle com a implementação de um novo tipo de 'padrão de ouro 2.0

Sputnik
foto - ilustração
A Rússia e a China estão dando o primeiro passo para a criação de uma plataforma de compra e venda de ouro entre os países do BRICS, separada das formas tradicionais de comércio do metal. Quando isso se concretizar, a economia mundial se transformará e o dólar perderá sua hegemonia, prevê o consultor em metais preciosos Claudio Grass.
"Pequim e Moscou entendem que os EUA têm usado o dólar para controlar o mundo e querem distanciar-se deste controle com a implementação de um novo tipo de 'padrão de ouro 2.0'", afirmou Grass ao canal de televisão russo RT, sublinhando que esse distanciamento ocorre ao mesmo tempo que os países ocidentais continuam optando pela moeda fiduciária em vez da moeda-mercadoria.
"Na Ásia veem o ouro como moeda superior, 'real', algo de que o Ocidente se esqueceu devido à riqueza em papel – crédito – que acumulou", sublinhou o consultor, explicando que o comércio de ouro no mercado de balcão (fora da bolsa) em 2016 foi de cerca de dez vezes superior à quantidade de ouro extraído hoje, o que é uma "fraude gigante e obviamente insustentável".
A iniciativa do bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) prevê realizar as primeiras transações entre Moscou e Pequim em 2018, 100% apoiadas por ouro físico. Para Grass, as existências físicas de ouro e a futura eliminação dos mercados tradicionais do metal fariam com que o dólar "aterrissasse do voo" que tem mantido desde o colapso do sistema de Bretton Woods em 1971.
"As fraudes em papel em Londres e Nova York explodirão quando o preço em papel do ouro caírem para zero ou quando apenas uma fração dos investidores reclamar o ouro físico que lhe pertence", declarou Grass. "Estamos entrando em uma batalha entre moedas: uma apoiada por um ativo sólido e outra por promessas, que as gerações futuras pagarão mediante dívidas, inflação e impostos cada vez mais altos", concluiu ele.
Os países do BRICS produzem e consomem volumes impressionantes de metal precioso e querem continuar a fazê-lo sem ser através dos centros europeus tradicionais. De acordo com o vice-presidente do Banco Central russo, este já firmou um memorando com a China para desenvolver o comércio bilateral de ouro. O banco espera que em 2018 seja lançado o sistema de comércio bilateral com Pequim.
Fonte - Sputnik  10/12/2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

ONG Ação da Cidadania lança documentário sobre a história da fome no Brasil

Direitos Humanos   🍞

É um trabalho que mostra o que aconteceu neste país. Tem cenas que são inacreditáveis. Das secas e das fomes do início do século passado. Eu inclusive chamo de holocausto brasileiro porque foram centenas de milhares de pessoas que morreram", disse Daniel de Souza, atual presidente da organização e um dos produtores associados do filme. Em sua visão, o documentário desmistifica a ideia de que a causa da fome é oculta, como se fosse uma vontade divina ou de forças da natureza. "Na verdade a causa é eminentemente do homem. É a sociedade que cria a fome. E o filme mostra isso", acrescenta.

Léo Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
A organização não-governamental (ONG) Ação da Cidadania exibiu hoje (9) pela primeira vez o documentário Histórias da Fome no Brasil, dirigido por Camilo Tavares. A pré-estreia do filme ocorreu no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro, em sessão com entrada franca mediante doação de alimento não perecível.
"É um trabalho que mostra o que aconteceu neste país. Tem cenas que são inacreditáveis. Das secas e das fomes do início do século passado. Eu inclusive chamo de holocausto brasileiro porque foram centenas de milhares de pessoas que morreram", disse Daniel de Souza, atual presidente da organização e um dos produtores associados do filme. Em sua visão, o documentário desmistifica a ideia de que a causa da fome é oculta, como se fosse uma vontade divina ou de forças da natureza. "Na verdade a causa é eminentemente do homem. É a sociedade que cria a fome. E o filme mostra isso", acrescenta.
Daniel de Souza é filho do sociólogo e ativista dos direitos humanos Herbert de Souza, popularmente conhecido como Betinho, fundador da Ação da Cidadania. A organização foi criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede de mobilização nacional para ajudar 32 milhões de brasileiros que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estavam abaixo da linha da pobreza naquela época.
A ideia do documentário surgiu em 2014, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que o Brasil havia deixado do Mapa da Fome, levantamento que mostra onde vivem os milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo.
"O filme mostra que quando você tem 12 ou 14 anos de vontade política, e isso independente de partido ou de quem trabalha para isso, é possível superar o problema. Quer dizer, uma situação de séculos se resolve em pouco mais de uma década com um conjunto de políticas públicas adequadas. Agora estamos em uma crise política e econômica que piora muita a situação principalmente da camada mais pobre e é real a possibilidade de retornarmos para o Mapa da Fome. Então no meio do processo de produção, o documentário foi reeditado na sua parte final justamente para mostrar os riscos", explica Daniel.
Segundo a produtora Luciana Boal Marinho, o filme trabalha com um vasto material de arquivo, o que demandou muito trabalho de pesquisa e de obtenção dos direitos de imagem. Ela conta que a versão exibida na pré-estreia tem 70 minutos, mas há também versões de 50 e de 20 minutos.
"Era um filme de comemoração que virou um filme de alerta. Essa crise pega de cara as pessoas mais fragilizadas. E a ideia é usá-lo para debater a fome e promover mobilização. Haverá agora diversas sessões organizadas pelos comitês do Ação da Cidadania nos estados. E vamos levar também para escolas, universidades e comunidades sem acesso ao cinema. Daí a estratégia de termos versões com diferentes durações", explicou Luciana.
A preocupação com a segurança alimentar no Brasil levou a Ação da Cidadania a relançar este ano a campanha Natal Sem Fome, que não era realizada desde 2007. Até o dia 16 de dezembro, a população poderá doar alimentos não perecíveis por meio da página oficial da campanha ou em postos de arrecadação distribuídos em 18 estados e no Distrito Federal.
De acordo com um balanço parcial, a meta de arrecadar 500 toneladas deve ser alcançada. O objetivo da organização é contribuir para que o país não volte a enfrentar os problemas do passado. Dados de um estudo divulgado em setembro pela ONU mostraram que, depois de uma década de queda, a fome aumentou no mundo de 2015 para 2016 e alcançou 815 milhões de pessoas, o que representa 11% da população mundial.
Fonte - Agência Brasil  09/12/2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Estado brasileiro reduz pouco as desigualdades, diz estudo

Política/Desigualdades  👐

Produzido com base nos dados de 2015, o documento concluiu que o Brasil é o país mais desigual, antes e depois da cobrança de tributos e das transferências de renda, em relação às nações da OCDE – grupo dos países mais industrializados ao qual o governo brasileiro fez pedido para ingressar.De acordo com o relatório, a baixa redistribuição de renda no Brasil não resulta de uma baixa arrecadação tributária, mas da forma que o Estado brasileiro cobra os tributos e devolve os recursos arrecadados para a sociedade na forma de serviços públicos.

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Apesar de arrecadar mais tributos que governos semelhantes, o Brasil é ineficaz em reduzir a desigualdade de renda na comparação com os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), informou hoje (8) o Ministério da Fazenda. Segundo o relatório Efeito Redistributivo da Política Fiscal, produzido pela Secretaria de Acompanhamento Econômico da pasta, o sistema tributário brasileiro funciona como um “Robin Hood às avessas”, que tira do pobre para dar aos mais ricos.
Produzido com base nos dados de 2015, o documento concluiu que o Brasil é o país mais desigual, antes e depois da cobrança de tributos e das transferências de renda, em relação às nações da OCDE – grupo dos países mais industrializados ao qual o governo brasileiro fez pedido para ingressar.
De acordo com o relatório, a baixa redistribuição de renda no Brasil não resulta de uma baixa arrecadação tributária, mas da forma que o Estado brasileiro cobra os tributos e devolve os recursos arrecadados para a sociedade na forma de serviços públicos. “Vários países com carga tributária no mesmo patamar do Brasil têm desempenho redistributivo muito melhor, como, por exemplo, o Reino Unido, que tem praticamente a mesma carga tributária do Brasil”, destacou o texto.
Em relação aos países latino-americanos que fazem parte da OCDE, o relatório constatou que somente o México e o Chile registram desigualdade de renda em níveis semelhantes (embora pouco menores) aos do Brasil após as transferências e os tributos. A Seae, porém, ressalta que a carga tributária – peso dos tributos sobre a economia – no Brasil é bastante superior à dos dois países.

Aposentadorias e pensões
De acordo com o levantamento da Seae, as aposentadorias e pensões respondem por 80% das transferências monetárias no Brasil, contra 50% na União Europeia e 33% no Reino Unido. Isso ocorre por causa de benefícios como a aposentadoria rural, que funciona como um mecanismo de transferência de renda dentro da Previdência Social.
Em linha com o relatório divulgado pelo Banco Mundial no mês passado, o estudo da Seae conclui que as aposentadorias criam uma distorção nos mecanismos de transferência de renda. Segundo o documento, o Brasil transfere pouca renda para os 10% mais pobres da população e distribui muitos benefícios para os domicílios 40% mais ricos, com renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo.
“Apesar da elevada carga tributária para o nível de renda per capita brasileiro e as elevadas transferências monetárias, o Brasil transfere pouco para os 10% de menor renda vis-à-vis países da União Europeia e essa diferença está ligada ao regime previdenciário, que concentra a distribuição de benefícios para os domicílios nomeio e na parte superior da distribuição de renda, e não nos domicílios de menor renda”, destacou o documento.

Tributação sobre os mais ricos

Em relação a um eventual aumento do Imposto de Renda (IR) para os mais ricos, o relatório constata que uma tributação mais progressiva – que onere os mais ricos em relação aos mais pobres – melhoraria a distribuição de renda. O documento, no entanto, destaca que metade dos trabalhadores com carteira assinada, que ganham cerca de dois salários mínimos, estão contemplados com a isenção de IR.
De acordo com o relatório, a cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos, que tributa os mais ricos e há 22 anos não é praticada no Brasil, o valor arrecadado seria insuficiente para melhorar significativamente a redistribuição de renda. O mesmo ocorreria com a aplicação da mesma alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física para as micro e pequenas empresas que declaram pelo Simples Nacional e para as médias empresas, que declaram pelo lucro presumido. Para a Seae, essas duas medidas resultariam em elevação da carga tributária, que reduz a competitividade da economia brasileira no exterior.
Fonte - Agência Brasil  08/12/2017

Tardio o descobrimento do Cabral. Del Nero e R. Teixeira são intocáveis. Por quê?

Ponto de Vista  🔍

Sergio Cabral e Fernando Cavendish já não dividem guardanapos como naquela farra em Paris, em 2009. Agora se acusam de corrupção.Espantosa, e reveladora, a lentidão para descobrirem Cabral, e o Cavendish da empreiteira Delta. - A 30 de abril de 2012 dizíamos aqui: Janot, ex-procurador-geral, aceitou denúncia até para investigar a morte de "Nego". O velho e adoentado cão labrador de Dilma. Ricardo Teixeira e Del Nero seguem sendo citados como corruptos e corruptores no julgamento de Marin, em Nova York. Mas seguem exilados e intocáveis no Brasil. Por quê?

Bob Fernandes



imagem/YouTube

Civilização: uma boa ideia

Ponto de Vista  🔍

É atribuída ao Mahatma Gandhi uma resposta irônica ao jornalista que o questionou sobre a Civilização Ocidental. Gandhi disparou: “Teria sido uma boa ideia”. O século XX testemunhou a dura peregrinação da “boa ideia”, sempre atormentada pela tensão permanente entre os desejos despóticos da concupiscência capitalista e os anseios da autonomia do indivíduo.

Luiz Gonzaga Belluzzo - Portogente
Luiz Gonzaga Belluzzo
Na esteira do Iluminismo e da Revolução Francesa, a dita Civilização, a boa ideia, entre dores e contradições, busca sobreviver às muitas agressões dos que proclamam sua defesa. O século XX testemunhou a dura peregrinação da “boa ideia”, sempre atormentada pela tensão permanente entre os desejos despóticos da concupiscência capitalista e os anseios da autonomia do indivíduo. Autonomia que reivindica a singularidade e a diferença ancoradas nas solidariedades da pertinência cívica e republicana.
Os críticos reconhecem que a sociedade burguesa engendrou formas de sociabilidade que descortinam a possibilidade – somente a possibilidade – de libertar a vida humana e suas necessidades das limitações impostas pela natureza e pela submissão pessoal. A indústria moderna, essa formidável máquina de transformação das atividades e necessidades humanas, oferece aos homens e às mulheres a “realidade possível” da satisfação dos carecimentos e da libertação de todas as opressões pelo outro.
Para muitos, no atual estágio de seu desenvolvimento contraditório, o capitalismo estaria prestes a realizar a utopia de trabalhar menos para viver mais. Os avanços da microeletrônica, da informática, da automação dos processos industriais já permitem vislumbrar, dizem os otimistas, a libertação das fadigas de que padecemos em nome de uma ética do trabalho que só engorda os cabedais dos que nos dominam.
Desgraçadamente, os albores do século XXI presenciam as investidas do lado negro da força: o aprisionamento da política democrática nas masmorras do verdadeiro poder. Poder concentrado nas engrenagens complexas da Grande Corporação Transnacional governada pela mão de ferro do capital financeiro globalizado. Hoje, a centralização do controle em grandes blocos de capital nas cadeias globais delimita o território ocupado pelas opções da política democrática.
Já no século XIX, um agudo estudioso da economia de mercado observou: no afã de acumular riqueza sem limites, o capitalismo exige a aceleração do tempo e a desconsideração do espaço. O conto de fadas da globalização acenava com o fim da história: as questões essenciais relativas às formas de convivência e ao regime de produção em escala mundial estariam resolvidas com a generalização da democracia liberal e da economia de mercado.
Não haveria mais sentido na discussão de questões anacrônicas, como as da pertinência cívica, laica e republicana, sentimento desenvolvido a partir do nascimento do Estado-Nação. O encantamento com as delícias da globalização sucumbiu ao desencanto com a aceleração do tempo e sua obra de destruição do hábitat humano, o espaço jurídico-político em que tentam sobreviver mulheres e homens de carne e osso.
Empenhados na negação das deformações do espaço induzidas pela aceleração do tempo, os economistas do establishment refugiam-se na farsa das abstrações imobilizadoras, como o homem econômico racional, o agente representativo, personagens centrais dos modelos pseudodinâmicos de equilíbrio geral.
Com tais expedientes ridículos, ocultam a natureza das transformações em curso na geoeconomia global e perseguem a desqualificação mesquinha e indigente dos critérios da ação política racional e democrática.
Descartes foi generoso no Discurso do Método quando imaginou imprudentemente que ninguém aspira a mais bom senso do que possui. O cogito não foi capaz de vislumbrar que de suas entranhas fosse expelida, no fim do século XX, a Economics, este monstrum vel prodigium da metafísica ocidental.
Na versão tecnoeconocrática, a dialética iluminista do universal e do particular torna-se sofisticadamente cruel. Sua especialidade é o jogo do ilusionismo em que as subjetividades são imobilizadas nos Mitos da Razão e se transfiguram em meros instrumentos de processos que não controlam. A Miséria da Economia comprova: o mau universalismo gera o péssimo particularismo como a banda podre de si mesmo. O indivíduo projetado pelo Iluminismo está a perecer sob o tacão da economia científica.
*Luiz Gonzaga Belluzzo é economista, professor, consultor editorial da revista Carta Capital
Fonte - Portogente  08/12/2017

Empresa aérea espanhola inicia operação do terceiro voo regular para a Bahia

Turismo

Salvador já recebia 20 voos internacionais regulares vindos de Lisboa, Buenos Aires, Madri, Córdoba e Bogotá.Recentemente, foram anunciados mais de 3 mil voos extras de mais 3 companhias aéreas.Dentre eles, há frequências internacionais vindas de Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina)

Da Redação
foto - ilustração
Entrou em operação nesta quinta-feira (7) a terceira frequência da companhia aérea Air Europa, que liga Madri a Salvador. Com o novo voo, a Bahia passará a receber 25 ligações regulares semanais vindas do exterior, ampliando a malha aérea do estado.
“A iniciativa da Air Europa se soma ao nosso trabalho de captação de novos voos para a Bahia”, explica o secretário do Turismo do Estado, José Alves. Recentemente, foram anunciados mais de 3 mil voos extras da Gol, Azul e Latam para a Bahia no verão. Dentre eles, há frequências internacionais vindas de Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina).
De acordo com o diretor-geral da Air Europa no Brasil, Enrique Martin-Ambrósio, a companhia movimenta 70 mil passageiros por ano, entre a Bahia e a Espanha. Com o novo voo, o incremento será de 30%. Dentre os motivos para a ampliação da oferta para o estado, o executivo enumera a distância entre a Bahia e a Europa e a diversidade cultural, religiosa e gastronômica.

Malha aérea internacional
Salvador já recebia 20 voos internacionais regulares vindos de Lisboa, Buenos Aires, Madri, Córdoba e Bogotá, operados pelas companhias TAP, Aerolíneas Argentinas, Gol, Avianca e da própria Air Europa. Já Porto Seguro é destino de quatro voos: um da Gol, com origem em Buenos Aires, e três da Aerolíneas Argentinas, de Buenos Aires e Córdoba.
Com informações da Secom BA  07/12/2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Fórum Social Mundial deve atrair 60 mil visitantes a Salvador em março

Turismo 

A vinda do Fórum para a Salvador foi quase um consenso entre o conselho internacional que o realiza, diz a paulista Rita Freire, integrante da organização. “A Bahia é um lugar perfeito, pela localização geográfica no Nordeste, os vínculos culturais com a África, a questão social e sua grande experiência em receber as pessoas”

Da Redação
foto - ilustração/arquivo
Com a estimativa de atrair 60 mil pessoas de outros estados e do exterior para Salvador, o Fórum Social Mundial 2018 será realizado pela primeira vez na Bahia, entre os dias 13 e 17 de março, com apoio da Secretaria do Turismo do Estado (Setur). Organizado desde 2001 por movimentos sociais de vários continentes, o evento tem por objetivo elaborar alternativas para uma transformação social.
A vinda do Fórum para a Salvador foi quase um consenso entre o conselho internacional que o realiza, diz a paulista Rita Freire, integrante da organização. “A Bahia é um lugar perfeito, pela localização geográfica no Nordeste, os vínculos culturais com a África, a questão social e sua grande experiência em receber as pessoas”, explica.
Para o secretário estadual do Turismo, José Alves, a realização do fórum, em março em Salvador, dinamiza o setor turístico numa época em que, tradicionalmente, o fluxo se estabiliza com o término das férias e a passagem do Carnaval. “Um evento como o Fórum Social Mundial, além de discutir questões importantes, atrai à cidade pessoas de várias partes do mundo, movimentando a rede hoteleira e a cadeia turística”.

Fórum

Questões relacionadas com a luta da mulher, do negro e das comunidades indígenas ganharão destaque nos debates, com participação de especialistas, intelectuais e personalidades do Brasil e de outros países. Também serão discutidas as crises econômica, social, ambiental e dos valores democráticos. O Fórum Social Mundial já foi realizado em Porto Alegre (RS) e em Belém (PA), além de países como Índia, Venezuela, Paquistão, Senegal e Canadá.
Com informações da Secom BA  07/12/2017

Movimento intenso nesta quinta (07) no sistema Ferry-Boat na travessia Salvador/Itaparica

Travessia marítima  🚢

Quem enfrentou a fila para embarque de veículos no sistema Ferry-Boat,que realiza a travessia marítima entre Salvador e a ilha de Itaparica,na tarde desta quinta-feira (07),teve que esperar pelo menos 2h30 até o momento do embarque. 

Da Redação
foto - ilustração/arquivo
Segundo informações da ITS,aproximadamente 119 mil pessoas e 19 mil veículos devem utilizar os serviços do Sistema Ferry-Boat, entre os dias 7 e 11 de dezembro, por ocasião do feriado de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, comemorado na sexta-feira (8). Na avaliação da ITS, o movimento será identico em fluxo de passageiros ao que foi registrado no mesmo período,do ano passado  (2016).
Durante o período  do feriado estarão a disposição sete embarcações - Anna Nery, Dorival Caymmi, Ivete Sangalo, Juracy Magalhães Júnior, Maria Bethânia, Pinheiro e Rio Paraguaçu. Incluindo os horàrios extras, as partidas acontecerão a cada 30 minutos, em média, sempre que houver aumento no fluxo. Nos momentos de menor demanda, as saídas dos ferries serão de hora em hora.
O serviço deve operar sem interrupção entre quinta(07) e sexta(08).De acordo com a demanda o serviço poderá operar de maneira ininterrupta entre domingo e segunda-feira,em sendo a ITS confirmará nos próximos dias.
Segundo a ITS o Serviço de Hora Marcada ainda dispõe de 50 vagas por hora, entre 1h e 4h da madrugada de sexta-feira, sentido São Joaquim/Bom Despacho,havendo também 50 vagas por hora disponíveis para o retorno,para os horários de 1h e 2h da madrugada de domingo, sentido Bom Despacho/São Joaquim.
Pregopontocom  07/12/2017

Terminal do Retiro (Metrô) passa a ser ponto final de mais quatro linhas metropolitanas

Mobilidade  🚌<> 🚇

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte e Comunicações da Bahia (Agerba), vinculada à Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), determinou a alteração após realizar estudos e constatar que a nova configuração oferece mais opções de deslocamento aos usuários, por meio de corredores secundários acessados a partir do Terminal do Retiro.

Da Redação
foto - ilustração/arquivo
A partir desta sexta-feira (8), as linhas metropolitanas 800A.URB (Camaçari via BA–093), 805A.URB (Madre De Deus via BR–324), 809.URB (Candeias via BR–324), e 814.URB (Camaçari via Parafuso) terão a parada final alterada. Essas quatro linhas, que tinham anteriormente o terminal Pirajá como destino, serão modificadas para atender a reivindicação de passageiros e deverão ter última parada no Terminal do Retiro.
A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transporte e Comunicações da Bahia (Agerba), vinculada à Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), determinou a alteração após realizar estudos e constatar que a nova configuração oferece mais opções de deslocamento aos usuários, por meio de corredores secundários acessados a partir do Terminal do Retiro. A medida também melhora a mobilidade dentro do terminal Pirajá, que concentrará apenas linhas urbanas.
Fiscais da agência reguladora vão acompanhar os primeiros dias da alteração. Dúvidas, reclamações e elogios podem ser registrados junto a Ouvidoria da Agerba peloo telefone 0800 071 0080.
Com informações da Seinfra BA  07/12/2017

Saiba como o Brasil dará o perdão fiscal de R$ 576,75 bilhões às petroleiras estrangeiras

Política 

Apenas nos próximos três anos, o Governo Federal poderá deixar de arrecadar R$ 576,75 bilhões caso o Senado confirme a decisão da Câmara e aprove a Medida Provisória 795 - que estabelece regras de tributação especiais para as petroleiras estrangeiras.

Sputnik
foto - ilustração
A MP foi editada por Michel Temer (PMDB) sob a justificativa que era necessária para tornar os leilões de campos do pré-sal mais atrativos. Com os benefícios fiscais, o leilão teria mais interessados.
Toda essa movimentação aconteceu de maneira relativamente despercebida — até o jornal The Guardian publicar que o Governo britânico fez lobby em favor de suas petroleiras.
A Sputnik explica quatro pontos-chave para entender a MP 795.

Como funciona a exploração de petróleo no Brasil?
Por mais de quatro décadas, o petróleo brasileiro foi uma exclusividade da Petrobrás. O monopólio começou em 1953, quando o então presidente Getúlio Vargas criou a empresa, e foi até 1997, quando Fernando Henrique Cardoso assinou a Lei do Petróleo.
A legislação abriu o mercado nacional de pesquisa, exploração, produção e refino de petróleo e gás natural para empresas estrangeiras.
Entre indas e vindas legislativas, existem dois modelos de exploração de petróleo de maneira privada no Brasil hoje:
Concessão: o petróleo é explorado por uma empresa que assume os riscos de pesquisa e de investimentos. Essa empresa passa a ser a proprietária do petróleo que extrai. Em contrapartida, o Estado recebe pagamentos na forma de royalties.
Partilha: o petróleo é dividido entre Petrobrás e as outras empresas envolvidas na iniciativa — que ficam com uma porcentagem da produção determinada por contrato. Até o final de 2016, a Petrobrás era obrigada a ser a operadora dos campos de pré-sal e ter um mínimo de 30% de participação em todas as operações. Mas essa situação foi alterada por uma lei aprovada pelo Congresso Nacional.
O modelo de partilha foi utilizado no leilão de oito áreas do pré-sal realizado no final de novembro. Foram arrematadas seis delas, o que rendeu um bônus de assinatura de R$ 6,15 bilhões — uma quantia essencial para garantir a manutenção da meta fiscal.
A participação da Petrobras neste campos varia entre nenhuma até 80%.

Como foi lobby das petroleiras estrangeiras?
A preocupação das petroleiras britânicas com os impostos e as regras de utilização de material nacional foi transmitida pelo ministro de comércio do Reino Unido, Greg Hands, em três reuniões em março de 2017 com o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.
Pedrosa garantiu que as preocupações britânicas estavam sendo transmitidas ao Governo brasileiro. Temer editou a MP 795 em agosto.
O teor das reuniões entre Hands e Pedrosa foi descoberta por meio de uma correspondência diplomática obtida pela ONG Greenpeace através da lei de transparência britânica.
Após a publicação do relato, Pedrosa afirmou à imprensa nacional que a conversa com Hands foi uma "discussão normal entre representantes de dois países".

O que é um benefício fiscal?
Benefício fiscal é regime de impostos diferenciado, com descontos, utilizado para fomentar algum setor da economia que o Estado deseja incentivar. Trata-se de uma ferramenta utilizada por vários países do mundo.
O professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato esclarece que o uso de benefícios fiscais não é uma novidade no Brasil, já que a prática é utilizada desde os governos da ditadura civil-militar (1964-1985) para incentivar a indústria nacional. Lopreato, entretanto, esclarece que a MP de Temer é diferente:
"O uso desses incentivos fiscais com o setor petroleiro não tem nada a ver com a indústria nacional. Não tem nada a ver com uma proposta de alavancagem do setor industrial como uma forma de expandir o crescimento industrial e do país. Pelo contrário, os incentivos fiscais vão reduzir a atividade do setor industrial brasileiro porque favorecem a importação de vários produtos, não só os sofisticados como também os mais simples", afirmou Lopreato em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

Como fica a indústria nacional?
Outro ponto alterado por Temer é a suspensão de impostos para importação de equipamentos utilizados pelas petroleiras para a exploração de petróleo em solo nacional.
As empresas estrangeiras vão deixar de pagar imposto de importação, IPI, PIS-importação e COFINS-importação para os equipamentos utilizados na exploração de petróleo. Caso eles não sejam utilizados dentro de quatro anos, a cobrança será feita com juros.
Até mesmo produtos de baixo valor agregado, como materiais de embalagem, terão isenção de impostos.
A medida recebeu críticas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq):
"O setor já está praticamente sem serviço, devido à falta de encomendas e à redução dos investimentos da Petrobras. Então, a tendência é que sucumba caso equipamentos que têm similar nacional possam ser importados sem impostos", afirmou o presidente da ABIMAQ, José Velloso, em entrevista à Folha de Pernambuco. 
Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da UFRJ, também não concorda com a isenção de impostos. Para ele, a isenção deveria atingir equipamentos específicos e não ser ampla da maneira como está desenhada atualmente.
"[A nova regra] impede que os recursos de produção de recursos sejam internalizados, novamente atendendo aos interesses das empresas estrangeiras. São atividades industriais que não vão ser mais feitas no Brasil, mas sim em outros países. É uma atuação totalmente contrária aos interesses brasileiros", afirmou o professor da UFRJ em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.
Já o professor do Instituto de Economia da Unicamp Francisco Lopreato acredita que Temer desempenha uma "não política industrial".
Fonte - Sputnik  07/12/2017

Trens, trilhos e outros equipamentos do VLT de Cuiabá ficarão com o Estado

Transportes sobre trilhos  🚄

Na terça-feira (5), foi publicado o ato de rescisão unilateral do contrato, estimado inicialmente em R$ 1,4 bilhão, por supostas irregularidades cometidas pelo Consórcio VLT, contratado na gestão do ex-governador Silval Barbosa. O material, a exemplo de todo e qualquer componente já pago pela gestão estadual, será usado pela nova empresa a ser contratada para a conclusão das obras de implantação do metrô de superfície.

Gazeta Digital - RF
foto - ilustração/arquivo
Os trens, trilhos e equipamentos para sinalização e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pertencem ao Estado de Mato Grosso. O material, a exemplo de todo e qualquer componente já pago pela gestão estadual, será usado pela nova empresa a ser contratada para a conclusão das obras de implantação do metrô de superfície.
Nesta terça-feira (5), foi publicado o ato de rescisão unilateral do contrato, estimado inicialmente em R$ 1,4 bilhão, por supostas irregularidades cometidas pelo Consórcio VLT, contratado na gestão do ex-governador Silval Barbosa. O consórcio ainda não foi notificado oficialmente do rompimento.
De acordo com o procurador Carlos Perlin, tudo aquilo pelo qual o Estado já pagou, como por exemplo as 40 composições e todo o chamado material rodante, não pertencem mais ao consórcio construtor.
“Vão surgir algumas questões neste sentido, como, por exemplo, qual a situação do que está parcialmente concluído. Para delimitar bem esta questão, o parecer e a rescisão determinaram que fosse feita a medição rescisória. Ela é a última medição que vai aferir o que está feito, o que não está, quanto foi cumprido de cada etapa. Mas o que está pronto, até porque já foi pago, pertence ao Estado de Mato Grosso”.
O trabalho de medição de toda a obra, segundo Perlin, será executado por técnicos da Secretaria de Estado de Cidades (Secid), pasta que havia assumido a condução do contrato com o Consórcio VLT. “A gente estima que demore entre um a dois meses para a conclusão deste trabalho, por conta da complexidade da obra, do tamanho dela”.
Uma situação curiosa que poderá surgir, mesmo após a retomada das obras, é a possibilidade de contratação de uma das empresas que fazem parte do consórcio, a espanhola CAF, responsável pela montagem dos veículos e desenvolvimento do sistema de operação.
“A CAF é a fabricante do trem e só ela tem a expertise para tocar. Pode ser que, futuramente, em uma fase anterior à operação, seja necessário contratar a CAF para fazer a manutenção dos trens, uma vez que, como fabricante, só ela teria este conhecimento técnico”.
Outra questão a ser enfrentada trata dos valores a serem pagos ou recebidos pelo Estado, por conta das três medições que não foram quitadas desde 2014 e das indenizações que ainda estão sob análise. Conforme Perlin, quatro pontos impactam estes custos. “O primeiro deles é a multa, de R$ 147 milhões, o equivalente a 10% do total do contrato”.
Um outro ponto trata de alterações de cláusulas do contrato em relação ao que previa o edital. Em apenas uma delas, o consórcio teria obtido, segundo o procurador, um ganho de R$ 11,5 milhões. “O edital previa que o consórcio ressarcisse o Estado dos ganhos que poderiam ser auferidos nos adiantamentos e isso foi excluído no contrato”.
Já o terceiro fator trata do orçamento-base, elaborado pelo Estado quando fez a contratação do consórcio. Por fim, terá impacto nos valores, o débito que o governo tem com o consórcio, tanto de medições quanto de atualizações, como a variação cambial dos materiais importados.
Fonte - Revista Ferroviária  06/12/2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Brasileiros estão cientes da importância de mudar escolhas de transporte

Mobilidade  🚌 🚇

Apesar da aparente disposição da população em mudar hábitos, os brasileiros enfrentam dificuldades com o transporte público, principalmente nas metrópoles. Segundo Clarice Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), ONG com sede em Nova York, os habitantes das grandes cidades do país sofrem com serviços precários.

Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil

foto - ilustração/arquivo
Um estudo encomendado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), organização não governamental (ONG) dedicada ao combate às causas das mudanças climáticas, indica que os brasileiros têm consciência da importância de mudar suas escolhas de transporte e priorizar a energia limpa.
Os resultados preliminares foram apresentados hoje (6) pelo coordenador de Transporte da entidade, Walter Figueiredo de Simoni, durante o Encontro Internacional sobre Descarbonização do Transporte. A versão completa da pesquisa será divulgada nos próximos dias, informou a ONG.
Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados reconhecem que os combustíveis fósseis têm impacto negativo na qualidade do ar. Um total de 63% reconhecem o impacto negativo na qualidade da água e 69% entendem que a queima desse tipo de combustível contribui para as mudanças climáticas.
De acordo com a pesquisa, 86% das pessoas disseram que votariam em um candidato que propusesse a recuperação de calçadas e praças, facilitando, assim, a locomoção a pé pela cidade. E um total de 85% escolheriam um candidato que propusesse a renovação da frota de ônibus e 84% dariam seu voto a quem propusesse a recuperação de ciclovias e ciclofaixas.

Dificuldades
Apesar da aparente disposição da população em mudar hábitos, os brasileiros enfrentam dificuldades com o transporte público, principalmente nas metrópoles. Segundo Clarice Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), ONG com sede em Nova York, os habitantes das grandes cidades do país sofrem com serviços precários.
De acordo com dados apresentados por Clarice Linke, a rede de transportes cobre apenas 19% da população de São Paulo e 30% da população do Rio de Janeiro. “A gente tem uma estrutura deficitária difícil de servir à população. Analisando por renda a situação é mais séria ainda. Um transporte público que teve investimento do Banco Mundial nos últimos anos, que foi o do Rio de Janeiro, está em situação precária”, comentou, durante debate sobre alternativas para despoluir o transporte no Brasil.
Segundo a diretora, na média das regiões metropolitanas do país 73% da população está insatisfeita ou muito insatisfeita com o transporte. “A população está em grande parte se endividando e migrando, cada vez mais, para o transporte individual motorizado”, destacou.

Mobilidade urbana
De acordo com Martha Martorelli, gerente de Planejamento da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, a Política Nacional de Mobilidade Urbana do Brasil, lançada em 2012, prevê que o país priorize o transporte público e os pedestres. Ela reconhece, entretanto, que tem havido dificuldades para colocar esses objetivos em prática.
“A dificuldade de implementação, hoje, é o maior entrave. Trabalhar com a política nacional implementada é o grande objetivo que nós temos para a descarbonização. Só a transferência de modal no nosso país já fará grande diferença na questão climática das cidades”, disse.
De acordo com Martha, o braço de mobilidade urbana do Avançar, programa do governo federal que prevê recursos para projetos de habitação, infraestrutura e energia, trouxe alguns pontos favoráveis na questão da priorização de formas alternativas de transporte. “Os projetos de calçadas, ciclovias, só vinham vinculados a outros projetos. Hoje o município pode entrar com projetos apenas de calçadas, calçadões, ciclovias”, exemplificou. Ela disse ainda que municípios pequenos são contemplados no programa e que foi desenvolvida uma metodologia simplificada para eles.
Fonte - Agência Brasil  06/12/2017

Osba realiza 'Cineconcerto' em caráter beneficente no TCA

Arte & Cultura  🎻🎺

A novidade do repertório é a presença do cinema brasileiro, com a interpretação da obra ‘Bachianas Brasileiras nº 05 para soprano e violoncelos’, do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que integra a trilha do filme ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, clássico do cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981). Nesta peça, a Osba conta com participação de Flávia Albano.

Da Redação 
foto - ilustração/arquivo
A Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) retorna com uma nova edição do Cineconcerto, seu projeto de maior sucesso, para uma apresentação em caráter beneficente, nesta quinta-feira (7), às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA)., com regência do maestro Carlos Prazeres e tendo como solistas Priscila Plata Rato (violino), atual spalla da orquestra, e ainda a cantora soprano Flávia Albano (soprano).
Os ingressos se esgotaram 48 horas após a abertura das vendas, e a renda do concerto será integralmente revertida para instituições assistidas pelas Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), que atua novamente como parceira do TCA e da Osba nesta apresentação. A novidade do repertório é a presença do cinema brasileiro, com a interpretação da obra ‘Bachianas Brasileiras nº 05 para soprano e violoncelos’, do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que integra a trilha do filme ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, clássico do cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981). Nesta peça, a Osba conta com participação de Flávia Albano.
A Osba mantém no programa algumas novidades apresentadas ao público, pela primeira vez, em outubro passado, na Concha Acústica do TCA, - o tema de abertura da série ‘Game of Thrones’, além das trilhas do filme francês ‘O Fabuloso Destino de Amélie Poulain’ e dos sucessos de bilheteria ‘O Senhor dos Anéis’ e ‘Piratas do Caribe’. Trilhas das sagas ‘Star Wars’ e ‘Harry Potter’ também estão garantidas e contam novamente com a participação especial dos grupos Conselho Jedi Bahia e Magic Zoo – Fã Clube Harry Potter. Dançarinos do grupo Abatango também participam do concerto na interpretação da trilha do filme ‘Perfume de Mulher’.
Com informações da Secom BA   06/12/2017

Queda na renda e democracia de aparências

Ponto de Vista  🔍

O vazio proporcionado pela desindustrialização vem sendo ocupado pela chamada sociedade de serviço, o que constitui, nesse sentido, uma nova perspectiva de mudança estrutural do trabalho como até então se conhecia no Brasil. Mudança essa que torna cada vez mais intenso o padrão de exploração do trabalho frente ao esvaziamento da regulação social e trabalhista e às promessas de modernidade pelo receituário neoliberal que não se realizam.

Marcio Pochmann* - Portogente
foto - ilustração/arquivo
O retorno das políticas neoliberais impõe a transição das tradicionais classes médias assalariadas e de trabalhadores industriais para o novo e extensivo precariado e o avanço da classe média proprietária dos pequenos negócios. Em síntese, o rebaixamento da condição salarial.
O vazio proporcionado pela desindustrialização vem sendo ocupado pela chamada sociedade de serviço, o que constitui, nesse sentido, uma nova perspectiva de mudança estrutural do trabalho como até então se conhecia no Brasil. Mudança essa que torna cada vez mais intenso o padrão de exploração do trabalho frente ao esvaziamento da regulação social e trabalhista e às promessas de modernidade pelo receituário neoliberal que não se realizam.
Com a dependência crescente da produção e exportação de produtos primários, em meio ao esvaziamento da indústria, o setor de serviços assume dominância pelo rentismo financeiro que reordena a configuração do trabalho. Ou seja, a redução crescente do custo do trabalho como elemento da competição capitalista.
A queda no custo do trabalho industrial no Brasil tem sido tão intensa que o tornou – desde o ano de 2016 – inferior ao do chinês. Sinal de que o conservadorismo da pauta patronal encontra-se em vigor, colocando em segundo plano a opção pela modernidade dos investimentos no progresso técnico e a redistribuição dos ganhos de produtividade para todos.
Entre os anos de 2002 e 2014, o custo do trabalho industrial na China era inferior a 1/3 do brasileiro. Atualmente encontra-se acima de 16% do Brasil. No caso da comparação com o custo do trabalho industrial nos Estados Unidos, o do Brasil era cerca de 1/3, passando para 1/5.
Com isso, percebe-se a volta da velha e conhecida condição nacional assentada no baixo rendimento do trabalho, com desigualdade ampliada. A normalidade histórica, nesse sentido, está sendo restabelecida pelo governo Temer, demarcada pela democracia de aparência, da economia dependente do exterior e da exclusão dos pobres do orçamento público.
*Marcio Pochmann, economista e professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Fonte - Portogente  06/12/2017