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quarta-feira, 28 de março de 2018

Aquilo que nunca acaba

Ponto de Vista  🔍

No mesmo contexto em que parte do país recorda os 50 anos da morte do estudante Edson Luís, no restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, em 1968, recebemos perplexos e assustados a notícia do assassinato da vereadora Marielle Franco, uma mulher negra, defensora dos direitos humanos, referência para a militância de mulheres da Favela da Maré, que emergiu da pobreza para ocupar um espaço de singular dignidade e coragem.

Gilberto Alvarez* - Portogente
Gilberto Alvarez
Quando estamos mergulhados em águas tão turbulentas, com retrocessos de toda ordem e perda visível do respeito aos direitos mais básicos e fundamentais da cidadania e da convivência humana, podemos fazer um exercício de reflexão inspirado na filósofa política Hannah Arendt, autora que nos ensinou a pensar a banalidade do mal e também a atuação dos homens em tempos sombrios.
No mesmo contexto em que parte do país recorda os 50 anos da morte do estudante Edson Luís, no restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, em 1968, recebemos perplexos e assustados a notícia do assassinato da vereadora Marielle Franco, uma mulher negra, defensora dos direitos humanos, referência para a militância de mulheres da Favela da Maré, que emergiu da pobreza para ocupar um espaço de singular dignidade e coragem.
Esse assassinato ocorreu um dia depois da agressão física e moral que os professores da cidade de São Paulo sofreram na Câmara Municipal da cidade. Foram covardemente agredidos pela Guarda Municipal paulistana quando se manifestavam defendendo seus direitos.
Professores e estudantes são pares inseparáveis na trama social em que a escola e os temas da cidadania ganham visibilidade.
Militantes de direitos humanos e minorias permanentemente silenciadas também são pares constitutivos das referências necessárias para se compreender quem fala em nome de quem e quais são as situações que permitem às pessoas afirmar, com convicção, “essa fala me representa”.
A escola e a educação são constantemente aviltadas na apropriação fácil que a maioria dos discursos políticos fazem, convertendo-as em panaceia universal para todos os males.
Desde as falas que indicam que as pessoas são pobres porque não estudam até as manifestações que prometem resolver profundas chagas sociais distribuindo escolas, a educação é um tema instrumentalizado por aqueles que se recusam a procurar, como diria Antonio Candido, a raiz que deu origem ao contraditório de cada situação.
Mas Hannah Arendt insistia que educação tem a ver com o compromisso que assumimos com a humanidade. E a humanidade de todos e de cada um sofre o impacto da disseminação da barbárie.
Arendt afirmava que a prova irrefutável de que nosso compromisso com as gerações vindouras estava necessariamente presente na decisão de educá-los, passando-lhes o patrimônio cultural de toda a humanidade.
O contexto que presenciamos tem evidências fortes de que setores interessados em destruir a democracia também compreenderam isso e, justamente porque entenderam a extensão e a profundidade desse compromisso, se adiantaram a tentar destruir os vínculos entre escola e humanidade, cujo exemplo mais visível é a ideia de escola sem partido, ou seja, escola sem a humanidade como referência.
A autora de Origens do Totalitarismo nos ensinava que a violência não está compartimentada em diferentes propostas de esvaziamento da humanidade. Está contida na soma dos cacos, dos estilhaços, dos fragmentos. Cada episódio de violência atualiza outros modos de ser violento de modo que o silenciamento de uma ativista no Rio de Janeiro é, também, conteúdo da agressão que professores sofrem em São Paulo. São complementares, não acidentes isolados.
A escola e suas personagens, os professores conectados aos estudantes, são fios que permeiam o tecido social e que participam da construção da história à margem das apropriações que os discursos fazem da educação.
Diariamente professores e alunos reacendem a chama que vem sendo constantemente apagada. Levam adiante o compromisso com as próximas gerações e asseguram que as tentativas de esvaziar seus propósitos emancipadores sempre encontrarão resistência.
Muitas vezes trata-se de uma resistência plantada simplesmente na obstinação de continuar continuando. Uma resistência que permite que cada escola se apresente como guardiã das causas da ativista e da memória de estudantes que tombaram nas guerras de extermínio democrático.

O que educadores têm a declarar nesse momento?
Que todos(as) foram agredidos(as) quando os professores de São Paulo receberam os golpes da intolerância.
Que todos(as) perderam também um pouco de suas vidas com o silenciamento que ainda ecoa na favela da Maré e ressoa país afora.
Têm a declarar, como ensinava Hannah Arendt, que falam em nome do que temos em comum, e que continuar continuando é a demonstração de que a escola é depositária não daquilo que tudo muda, mas sim daquilo que nunca acaba.
*Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da Fundação PoliSaber
Fonte - Portogente  28/03/2018

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ataques à democracia e Estado de exceção

Ponto de Vista 🔍

Não se tratam apenas de situações isoladas, mas de ataques cotidianos, e algumas ocorrências recentes corroboram a percepção de que a democracia se enfraquece, ao mesmo tempo em que um Estado cada vez mais autoritário vai ganhando espaço.

Por Pedro Estevam Serrano* - Portogente
foto - ilustração
O emprego de medidas e decisões próprias de um Estado de exceção tem se tornado constante na rotina da nossa sociedade, o que sinaliza que vivemos uma perigosa escalada antidemocrática. As agressões à nossa democracia se banalizam sem causar alarido e, de forma acelerada, retiram direitos e afrontam o Estado democrático de Direito.
Não se tratam apenas de situações isoladas, mas de ataques cotidianos, e algumas ocorrências recentes corroboram a percepção de que a democracia se enfraquece, ao mesmo tempo em que um Estado cada vez mais autoritário vai ganhando espaço.
Ao recusar reclamação feita pelos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o juiz Sérgio Moro, sob alegação de que a Operação Lava Jato “não precisa seguir as regras dos processos comuns”, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região declara formalmente tal juízo como uma fonte de exceção, e não como uma fonte de Direito, o que deveria, no mínimo, causar desconforto na sociedade.
No campo dos poderes executivos, tais medidas também têm sido comuns. A infiltração de um capitão do Exército entre estudantes que se organizavam para participar de um protesto contra o presidente Michel Temer, no início de setembro, em São Paulo, também foi constatada sem grandes repercussões.
É importante observar que um agente do Estado realizou ações de espionagem contra um movimento pacífico de caráter reivindicatório, o que atenta contra os valores da nossa Constituição e pode, inclusive, caracterizar-se como ilícito penal face a lei de abuso de poder.
Cabe apontar ainda que a atividade de espionagem é instrumento utilizado em situação de guerra entre Estados. Usada no âmbito interno, no entanto, configura-se como prática tipicamente de exceção.
Os movimentos sociais e seus agentes são tratados não mais como cidadãos que têm o legítimo direito de se expressar e reivindicar, mas como inimigos. Existe uma força de exceção pronta a combatê-los. Ressalte-se que a democracia tal qual conhecemos hoje foi uma construção justamente dos movimentos sociais, que sempre lutaram pela ampliação de direitos e das liberdades democráticas.
A essa tendência crescente de suspensão do direito de reunião e de manifestação política das pessoas soma-se a expansão da Polícia Militar como força de ocupação territorial, sobretudo das periferias, com vistas a estabelecer um estado de exceção permanente nas áreas dominadas pela pobreza, onde os direitos mais elementares, como o de livre circulação, são suspensos.
Essa expansão se dá tanto através de medidas judiciais, como a que anulou a sentença de condenação aos policiais que participaram da chacina do Carandiru, quanto por intermédio do Executivo, que investe em um sistema de segurança beligerante.
Os valores gastos pelo governo do Estado de São Paulo com armamentos entre janeiro e outubro deste ano superaram em 136% os gastos de todo o ano passado. Foram mais de 97 milhões de reais em materiais bélicos, explosivos e munição, contra 41 milhões de reais em 2015.
Esse aumento se deu em um momento de grave crise econômica, em que o governo apoiado pelo partido do governador propõe o congelamento de gastos públicos com serviços essenciais de saúde e educação.
Já a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, convocou as Forças Armadas para discutir um plano emergencial para a área de segurança pública, o que é inconstitucional e descabido. Além de não ser papel do STF cuidar de segurança pública, as Forças Armadas não foram concebidas para atuar nesse contexto, mas em ambiente de guerra.
Também neste caso não se viu qualquer manifestação de surpresa; ao contrário, sempre que se fala em intensificar a repressão, há uma parcela considerável da sociedade que aplaude e, assim, legitima tais práticas.
Chama a atenção ainda o fato de que embora, nos últimos anos, o País tenha avançado muito na punição de crimes contra o Estado, principalmente crimes de corrupção, os crimes cometidos pelo Estado contra o cidadão, na maior parte das vezes, ficam impunes.
O abuso de poder e de autoridade são recorrentes e ainda que setores incluídos economicamente e sabidamente progressistas estejam cada vez mais sendo vítimas desse autoritarismo, nas periferias das grandes cidades essa sempre foi a regra vigente.
O Brasil vive um momento perigoso e triste de crescimento acelerado de medidas próprias de um Estado de exceção, que estão sendo praticadas cotidianamente e, o que é mais grave, naturalizadas. Nossa incipiente democracia vai assim se esfacelando e se transformando em uma maquiagem, que confere a aparência de um Estado democrático, mas ao invés de ampliar e efetivar direitos, os suprime paulatinamente.
*Pedro Estevam Serrano é advogado, professor de Direito Constitucional da PUC-SP, mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC/SP com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital.
Fonte - Portogente   17/11/2016

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Papa pede à América Latina que evite leis que estimulem a repressão

Internacional

O papa alertou que “as normas e leis, assim como os projetos da comunidade civil, devem procurar a inclusão, abrir espaços para o diálogo, o encontro, e assim abandonar a dolorosa memória de qualquer tipo de repressão, controle desmedido e restrição de liberdade”.

Da Agência Lusa
Papa Francisco celebra missa em Guayaquil,
Equador - Agência Lusa/EPA/Leonardo Munoz
O papa Francisco fez, nessa terça-feira (8), um apelo ao Equador e aos povos latino-americanos, para que evitem “a dolorosa memória de qualquer tipo de repressão, controle desmedido e restrição de liberdades” nas suas normas e leis.
O pontífice falou na Igreja de São Francisco de Quito, durante viagem à América Latina, que o levará também à Bolívia e ao Paraguai.
Francisco destacou como o Equador e outras nações da América Latina devem enfrentar novos desafios, que requerem a participação de todos os setores sociais.
“A migração, a concentração urbana, o consumismo, a crise da família, falta de trabalho, as bolsas de pobreza que geram incerteza”, bem como “tensões que constituem ameaça à convivência social”, foram alguns dos exemplos que apontou.
O papa alertou que “as normas e leis, assim como os projetos da comunidade civil, devem procurar a inclusão, abrir espaços para o diálogo, o encontro, e assim abandonar a dolorosa memória de qualquer tipo de repressão, controle desmedido e restrição de liberdade”.
Para Francisco, a esperança de um futuro melhor para esses países começa pela criação de emprego e de crescimento econômico, “mas que não fique nas estatísticas macroeconômicas e que [promova] um desenvolvimento sustentável que gere um consenso social, firme e coeso.”
Na audiência, o papa deu o exemplo de alguns países europeus, onde o desemprego juvenil se encontra entre 40% e 50%.
O pontífice citou o fenômeno dos “nem nem”, jovens que nem estudam, nem trabalham e, diante da falta de trabalho, cedem a vícios, à tristeza, à depressão, ao suicídio ou envolvem-se em projetos de “loucura social”.
Fonte - Agência Brasil  08/07/2015

terça-feira, 5 de maio de 2015

O governo do Tucano Richa, a violência, e o “Monstro” opinião pública - Bob Fernandes

Política

O governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB, aprende isso da pior maneira. Seu governo e a Assembleia Legislativa estão cercados por greve de professores e múltiplas acusações.Desde má gestão e quebra do Estado à corrupção;...essa pilotada por cidadão já citado, estranhamente, como "suposto primo" do governador.Até a barbárie da sua PM e mais de 200 feridos, Beto Richa contava com a habitual cumplicidade e silêncios em relação a erros da oposição.Richa foi atropelado pela repercussão no uso da força. Em rede social seu secretário de Segurança, o delegado e deputado Francischini já se comparou ao "Batman".No fim de semana, a plateia no Teatro Guaíra e as duas torcidas da final Coritiba x Operário responderam ao "Batman" e a seu parceiro Richa com o mesmo coro:
-Fora Beto Richa...







quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sindicato dos Professores do Paraná diz que ação da PM foi “truculenta"

Política

Em greve desde segunda-feira (27), os professores da rede estadual de ensino e de universidades estaduais estão acampados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná. Segundo o sindicato dos professores, participaram do protesto 20 mil pessoas. A PM não divulgou o número de manifestantes

Da Agência Brasil
Divulgação/Joka Madruga/APP-Sindicato
A direção do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) classificou de “truculenta” a ação da Polícia Militar (PM) durante protesto da categoria e de outros servidores na tarde de hoje (29) em Curitiba contra o projeto de lei que altera a Previdência da categoria no estado. Segundo o sindicato, participaram do protesto 20 mil pessoas. A PM não divulgou o número de manifestantes.
Em greve desde segunda-feira (27), os professores da rede estadual de ensino e de universidades estaduais estão acampados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná. A Polícia Militar traçou um perímetro de isolamento, com grades e policiais, em torno do prédio. Os professores representam 70% do funcionalismo estadual.
De acordo com Luiz Fernando Rodrigues, da direção do sindicato, tudo começou quando os deputados estaduais decidiram seguir com a votação do projeto. “Quando nós anunciamos que o governo não havia aceitado tirar o projeto, houve uma revolta muito grande, e [os manifestantes] tentaram avançar sobre a cerca. Imediatamente, o Batalhão de Choque, a mando do secretário [de Segurança Pública do Paraná, Fernando Francischini] veio com todo seu armamento para cima das pessoas”, disse.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 1,6 mil policiais participaram da ação. “A ação foi contra os educadores que estavam na praça. Foi abuso da PM. Jogaram bombas de gás, sprayde pimenta, jatos de água contra os trabalhadores. A polícia não parou de jogar bomba na gente mesmo depois de uma hora. Foi uma barbárie o que aconteceu hoje em praça pública”, disse Rodrigues.
Pelo menos 170 manifestantes ficaram feridos, segundo a prefeitura de Curitiba e o Tribunal de Justiça do Paraná, onde ocorreram os primeiros atendimentos. Desse total, 45 foram levados para unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e hospitais da região.
O governador do Paraná, Beto Richa, disse, em entrevista coletiva, que os policiais reagiram a provocações de algumas pessoas que estavam na praça. “Sete black blocks foram presos. Os policiais, ao serem afrontados por esses bardeneiros e black blocks, reagiram, em uma proteção natural de sua integridade física.”
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná diz que 20 policiais ficaram feridos. “A reação não partiu dos policiais. Os policiais ficaram parados para proteger o prédio da Assembleia Legislativa. Na medida em que eram impedidos, reagiram. A polícia não partiu para cima dos manifestantes uma única vez. Tem filmes que comprovam o que estou dizendo”, disse.
Segundo a Secretaria de Segurança será aberto um inquérito policial militar, com participação do Ministério Público, para apurar as ações durante a confusão.
Fonte - Agência Brasil  29/04/2015

Manifestação de professores é reprimida com violência no Paraná

Política

Número de feridos na manifestação chega a 190



Imagens - Rede Brasil

domingo, 13 de abril de 2014

Segurança da Ucrânia combate manifestações pró-federalização do país

Internacional

Forças de Kiev e do radical Setor de Direita ocupam a cidade de Slavyansk - Os federalistas sitiados dizem terem visto numa rua “cerca de 150 homens fardados de preto e munidos de armas automáticas e lança-granadas”, segundo a mídia local. A mídia comunica também que esses elementos pertencem ao grupo radical ucraniano Setor de Direita.

DR

O governo provisório instalado em Kiev iniciou uma operação militar na cidade de Slavyansk, onde os partidários da federalização ocupam vários edifícios da administração pública. A população foi aconselhada a não sair de suas casas, bem como a não se aproximar das janelas.
A mensagem foi publicada na página oficial do Facebook e assinada pelo ministro interino do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov. Anteriormente o ministro tinha anunciado o início de uma operação especial na cidade, sob o comando do Serviço de Segurança ucraniano. Helicópteros militares patrulham o espaço aéreo de Slavyansk.Posto de fiscalização na entrada de Slavyansk, palco de confronto entre manifestantes e forças de Kiev
Os federalistas sitiados dizem terem visto numa rua “cerca de 150 homens fardados de preto e munidos de armas automáticas e lança-granadas”, segundo a mídia local. A mídia comunica também que esses elementos pertencem ao grupo radical ucraniano Setor de Direita.
Na tarde (pelo horário local) deste domingo, 13, havia a informação oficial de que um oficial do Serviço de Segurança da Ucrânia foi morto e cinco elementos das forças especiais ficaram feridos na operação militar em Slavyansk.
No sábado, 12, Dmitri Yarosh, líder do Setor de Direita e candidato à presidência da Ucrânia, declarou a mobilização de todas as estruturas da organização frente à continuação dos protestos no Sudeste da Ucrânia.
Fonte - Diário da Russia 13/04/2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Deu a louca no PSDB?

Política

Por Cadu Amaral, em seu blog
bessinha
A poucos meses das eleições gerais no país, o núcleo central do PSDB parece - ou confirma - estar sem capacidade de raciocinar. Não é novidade para ninguém que em anos eleitorais partidos e candidatos medem com mais cuidado suas ações e palavras.
A prefeitura de São Paulo, comandada pelo petista Fernando Haddad, deu início a uma ação positiva na busca de recuperar viciados em crack na maior cidade do Brasil. o programa “Braços Abertos” tem como foco a região chamada de “cracolândia”.
Ao invés de repressão bruta e tradicional, a prefeitura ofereceu emprego e moradia na busca de reinserir os viciados ao convívio coletivo. Além de ser uma iniciativa humanizadora, não se trata o dependente químico como bandido.
Sem nem dar tempo para avaliações mais concretas sobre o programa, o governo do estado de São Paulo, comandado pelo tucano Geraldo Alckmin, desceu a bordoada na “cracolândia” no último dia 23 de janeiro usando a Polícia Civil paulista sem, até onde se sabe, comunicar à prefeitura que faria tal operação.
Não existe a obrigação, do ponto de vista legal, de a prefeitura ser avisada, mas diante de uma nova abordagem sendo implementada pela prefeitura, seria de bom tom o informe. A Polícia Civil alega que a operação visava prender traficantes e não usuários.
Aqui cabe uma reflexão de métodos. A prefeitura pôs em prática um plano que busca o convencimento e a criação de oportunidades para que aquelas pessoas saiam da “cracolândia”. O governo paulista, como já demonstrado em outras situações, faz a opção pela pancada, pela truculência e pela violência. Algo que ocorre há bastante tempo e sem resultados concretos. Serve apenas para o gozo de quem tem horror a pobre.
É claro que existe uma parcela da população que aprova a repressão. Isso também não é novidade, mas será que tal gesto, diante da tentativa de uma nova abordagem não é demais até para setores que tendem a votar no PSDB em São Paulo? A ver.

Lorotas de FHC
foto - ilustração

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, farol das ideias conservadoras modernas da elite brasileira, sociólogo e até imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), a cada entrevista que concede consegue superar o pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves.
Na última, ele disse que o “mensalão” do PSDB em Minas foi “apenas caixa dois”. O ato falho do grão mestre tucano, talvez sirva para mostrar como a elite pensa sobre a relação poder econômico e poder político: caixa dois pode, desde que seja o meu. Ou algo semelhante.
Essa fala de FHC pode explicar o porquê da insistência em negar que o “mensalão” do PT nunca existiu e que o erro cometido foi caixa dois. E isso não é uma mazela menor. Pensa assim que concorda que toda e qualquer relação social e política deva ser banhada a dinheiro.
O ato falho de FHC, digamos assim, também pode ter acontecido diante da certeza de impunidade. O “mensalão” tucano está em vias de prescrever. No esquema, até ele, andou recendo alguns “agrados”.
O que ele disse sobre o propinoduto tucano do metrô em São Paulo é algo que nem merece comentário. Coisa de quem perdeu a vergonha ou toma remédio controlado.
Para além do comparativo entre os casos de caixa dois entre PT e PSDB, a luz que ilumina as ideias parisienses tucanas, disse na mesma entrevista que seria bom que “qualquer um vença Dilma” em outubro. Ou seja, tanto faz. Desde que Dilma não se reeleja.
Ora, mas o PSDB tem um pré-candidato. É o senador Aécio Neves. Ele foi alçado à presidência nacional do partido para ter mais visibilidade. Se tanto faz quem vença a disputa em outubro, por que o tucanato lançou candidato? Depois da péssima colocação, FHC tentou consertar, mas o estrago já estava feito.
Mais um mal estar no ninho tucano. Se a coisa já não anda muito bem, segundo as pesquisas de opinião, elaboradas inclusive, por institutos ligados à imprensa grande. O que dirá agora com mais uma “bicorada” interna. Se ainda fosse o Serra quem tivesse dito tal coisa, isso poderia ter passado batido, mas foi o FHC, a quem Aécio vem afirmando que seu “legado” precisa ser resgatado para salvar o Brasil da bancarrota (surreal, não?).
Fonte - Blog do Miro ( Altamiro Borges)  24/01/2014

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Espanha, país massacrado por Franco, faz polêmica com o "jeitinho brasileiro"

Internacional

JB
foto - ilustração
O jornal espanhol El País publicou reportagem neste dia 1º, intitulada “O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro”, na qual analisa o comportamento da população e conclui que o artifício, que de tempos pra cá tem sido denegrido, nada mais é do que “arranjar uma saída para uma situação sem saída” e, portanto, tem ares de inteligência, além de uma “criatividade ancestral”.
Embora o texto admita que o jeitinho brasileiro também esteja presente entre os mais ricos, é nos mais pobres que ele se mostra com força. Isso porque, segundo a matéria, os que sofreram uma batalha sangrenta no passado sabem o que é a economia de guerra. Ou seja, os mais pobres, “que sempre foram maioria no Brasil”, não podem hoje ser acusados de resignados, já que o poder segue os negando o essencial, como viver em uma sociedade com igualdade de direitos.
Para esses, com seus direitos renegados, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, de acordo com o artigo do El País. E é aí que se mostra o jeitinho brasileiro: eles poderiam estar dispostos a derrubar o poder e ocupar a cidade rica, daqueles que não necessitam de jeitinhos porque lhes sobram recursos e apoios políticos. Mas não o fazem porque possuem esse “pássaro na mão”, que oferece a sensação de que algo está melhorando. No entanto, o artigo acredita que, pouco a pouco, é possível que os brasileiros percebam que melhor que o jeitinho é poder atuar como um cidadão pleno, com direitos e deveres, em uma sociedade que funcione para todos, como foi visto nas manifestações de junho.
Surpreende que tal artigo venha de um jornal espanhol, país cuja população passou 40 anos sendo oprimida pela ditadura de Francisco Franco. Não houve injustiça maior do que a ditadura franquista, e não houve "jeitinho espanhol" nenhum para contornar as dificuldades. Pelo contrário: Franco sequer deixava que seu país se comunicasse com o mundo. Não havia importações, cinemas não passavam filmes estrangeiros, havia apenas dois canais de televisão e também apenas dois jornais - um da monarquia, chamado ABC, e outro do próprio Franco.
O autor da reportagem do El País talvez tenha memória curta, ou tenha vivido no exílio. Não conheceu a repressão sanguinária do seu país. Uma repressão tão violenta que teve no episódio do assassinato do almirante Carrero Blanco um dos mais emblemáticos. No dia 20 de dezembro de 1973, um atentado acabou com a vida do então presidente do governo da Espanha. A explosão foi tão violenta que seu carro voou pelos ares, atingindo 40 metros de altura e passando por cima de um prédio de cinco andares.
Falta autoridade ao país que sofreu uma severa repressão por quase 40 anos - e que passou por uma guerra que matou quase 10% de sua população - para que se faça qualquer tipo de crítica a desigualdades e dificuldades que resultem no "jeitinho brasileiro".
Fonte - Jornal do Brasil  02/01/2014

domingo, 16 de junho de 2013

Secretário de Segurança de SP quer reunião com liderança do Movimento Passe Livre

Fernanda Cruz
Agência Brasil
São Paulo – O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, informou neste domingo (16), em entrevista coletiva, que pretende fazer uma reunião com a liderança do Movimento Passe Livre, responsável pelas manifestações que vêm ocorrendo na capital contra o aumento da tarifa do transporte público.
foto - EBC
Grella convocou a reunião com os líderes para esta segunda-feira (17), às 10h, na secretaria. Ele disse que o objetivo maior do encontro é definir antecipadamente o percurso que será feito durante o próximo protesto, marcado também para amanhã, às 17h, a partir do Largo da Batata, na zona oeste da capital. “A Polícia Militar tem condições de planejar o trajeto com algumas horas de antecedência, para reduzir o incômodo e proteger os manifestantes”, disse.
Ele enfatizou que não quer uma repetição dos fatos ocorridos na semana passada, como o intenso confronto entre policiais e manifestantes, resultando em pessoas feridas, inclusive da imprensa. Durante a entrevista, um grupo de fotógrafos pediu ao secretário medidas para que não sejam atingidos, como ocorreu na última quinta-feira (13). O grupo sugeriu o uso de um colete com identificação de imprensa, proposta que foi aceita por Grella.
O secretário comentou também críticas de que policiais não estariam utilizando a tarjeta com identificação, atitude que impede uma punição caso sejam flagrados cometendo excessos contra a população. “[Essa] conduta será responsabilizada administrativamente, nenhum [policial] está autorizado a tirar [a tarjeta]”, disse. Grella acrescentou que espera uma manifestação pacífica e que o uso da Tropa de Choque não seja necessário.
Fonte - EBC 16/06/2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Primeiro-ministro da Turquia chama manifestantes de “extremistas”


Manifestação pacífica em Istambul transformou-se em confronto com a polícia (Azirlazarus/CC)


Portal EBC
O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, acusou de “extremistas” os manifestantes que desde a última sexta-feira (31) protestam pelas ruas e Istambul e outras cidades e que enfrentam a polícia para pedir pela renúncia do governante. A manifestação teria começado de forma pacífica para impedir a construção de um shopping em um parque da capital.
Para Erdogan, a construção do shopping foi apenas um “pretexto criado pelos manifestantes”. O parque Gezi será demolido para a construção de um centro comercial. Há alguns dias, um grupo de ativistas acampa na localidade.
A tensão foi agravada no último sábado (1) após a polícia ter tentado desalojar os acampantes. Desde o início do confronto, que se estendeu até a noite deste domingo (3), fala-se em cerca de mil pessoas presas.
Em uma coletiva de imprensa realizada na capital turca, Erdogan não voltou atrás e sustentou que o projeto urbanístico seguirá adiante. Disse que “não será cortada mais de uma dezena de árbores” e acusou o Partido Republicano do Povo de criar a confusão.
* Com informações da agência pública de notícias da Argentina, Télam
Fonte - EBC  03/06/2013