UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Democracia a serviço da ideologia

Ponto de Vista   🔍

A grande verdade é que caímos numa cilada democrática, e a democracia é hoje um instrumento de grupos radicais, pois a imensa população pobre deste país nem sequer é mencionada em breves tweets por membros do governo ou pelo próprio presidente. Perdemos o rumo certeiro de outrora, que havia nos governos social-democratas, pois ali tínhamos um norte, em que o Estado definia os investimentos e propunha uma proteção às minorias.

Fernando Rizzolo* - Portogente
Fernando Rizzolo
Não há que se questionar que a nossa democracia passou a ser muito mais ideológica do que pluralista. Diriam então os defensores de Bolsonaro que anteriormente ou desde sempre, após o regime militar, fomos “comunistas” ou, como dizem, que os partidos moderados de centro-esquerda ou os social-democratas foram e sempre serão “comunistas disfarçados”.
O que mais me intriga no governo do Presidente Bolsonaro é o caldeirão extremista que transita entre o militarismo e o evangelismo, entre intolerantes e ditatoriais de faixa amarela, detentores do radicalismo antidemocrático que sonham em destruir as instituições e ameaçam sem hesitar membros do Supremo Tribunal Federal. A grande pergunta é: Por que antes esses radicais não se expunham? Ou será que foram induzidos por membros apoiadores do radicalismo com certa anuência subliminar do governo a agirem desta forma perigosa?
Por bem o STF conseguiu minimizar na hora certa, através do inquérito das “Fake News”, os extremistas filhotes da ideologia tacanha de certa ala do governo que insistem em ver no modelo pluralista de ideias um perigo a sua própria ideologia. Para corroborar nesse esteio de pensamento, vemos o esvaziamento de ministérios, como o da Saúde e o da Educação, uma vez que o governo não é capaz de encontrar um ministro que agrade a ala “olavista” conspiratória, os militares cuja mentalidade permanece ainda na caserna e os evangélicos que querem manipular os ministérios a seu favor, e mais, o centrão, que quer apenas o poder pelo poder.
Portanto, vivemos um desgoverno, regado a cloroquina, em que os pobres, os miseráveis, os desalentados são totalmente esquecidos diante de uma pandemia de virulência sanitária e econômica, incapaz de nortear o governo para uma política econômica desenvolvimentista, uma política sanitária baseada na ciência e uma vertente educacional de inclusão aos mais pobres.
A grande verdade é que caímos numa cilada democrática, e a democracia é hoje um instrumento de grupos radicais, pois a imensa população pobre deste país nem sequer é mencionada em breves tweets por membros do governo ou pelo próprio presidente. Perdemos o rumo certeiro de outrora, que havia nos governos social-democratas, pois ali tínhamos um norte, em que o Estado definia os investimentos e propunha uma proteção às minorias. Hoje o que vemos é a cloroquina à base de olavismo, rodeada de grupos evangélicos e observada por militares que querem seu quinhão. Tudo porque acreditei no “mito”, vivendo hoje uma democracia mitômana, desorganizada, um país esfarelado por ideias estranhas, enfim, o Brasil hoje é um grande Wassef dando explicações de como vamos sair dessa... Acho que deu para entender, não é?
* Advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais
Fonte - Portogente  16/07/2020

sábado, 10 de setembro de 2016

Revelados documentos comprometedores no Uruguai - Espionagem militar

América do Sul

Espionagem militar na era da democracia: revelados documentos comprometedores no Uruguai - Após buscas na casa do falecido general Elmar Castiglioni foram encontrados e retirados arquivos que comprometem os serviços secretos.

Sputnik
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"A revelação desses documentos mostra o fato de que a estratégia e a política de inteligência militar não mudou com a transição da ditadura para a democracia [no Uruguai] em 1985. A inteligência militar continuou trabalhando como trabalhou anteriormente", disse Samuel Blixen, um jornalista que está fazendo investigação no jornal Brecha, à Sputnik Mundo em entrevista ao programa GPS Internacional.
"O mais chocante é que a inteligência militar no Uruguai tem um alto nível de autossuficiência. Muitos alvos dos documentos eram membros de partidos políticos legais. Assim, foram escutados telefonemas e estava sendo realizada a vigilância de altos funcionários do governo de Jorge Batlle, que esteve no poder de 2000 a 2005. Também foi realizada vigilância ao atual presidente do país, Tabaré Vázquez, quando ele foi prefeito da capital do país, Montevidéu, de 1990 a 1994", declarou Blixen.
O leque de espionagem era vasto. "É difícil definir quaisquer restrições ideológicas. Ela tocou todos os partidos. O Partido Comunista, o Movimento de Participação Pública e os sindicatos foram objeto de investigação, como, por exemplo, no tempo das manifestações contra a privatização de empresas estatais. Também foi realizada espionagem em relação a líderes de partidos de direita", explicou o jornalista. Como salientou Blixen, após a restauração da democracia no país, nem a política, nem a estratégia da inteligência militar mudaram e se mantiveram constantes até 2009. "Desde 1985, nenhum dos governos que estiveram no poder teve vontade política suficiente para reorganizar as forças armadas e limpá-las dos elementos que permaneceram desde os tempos da ditadura", esclarece Blixen. O general Elmar Castiglioni "chefiou a inteligência militar desde os tempos da ditadura até ao triunfo da democracia. Há suspeita de que ele usou os documentos com o fim de chantagear e pressionar os políticos", contou o jornalista da edição Brecha. "Dado o fato de que toda esta atividade ilegal estava sendo realizada na época dos governos de esquerda, é possível supor que os partidos de direita desejem contribuir para a investigação. Mas não acho que eles estejam interessados nisso. Não acho que o governo esteja pronto para se meter nisso. O governo quer saber a verdade, mas não quer criar dificuldades para os militares", disse Blixen.
Comparando a situação no Uruguai com outros países da região, ele disse o seguinte: "No Paraguai, foram encontrados os Arquivos do Terror (Archivos del Terror), documentos do tempo da ditadura de Alfredo Stroessner descobertos em 1992. Ele contém informações sobre as relações entre a polícia e os militares. Na Argentina continua a busca de documentos e o governo, juntamente com organizações sociais, faz com que a população saiba mais sobre os crimes da ditadura no país. Por isso, continuam os processos judiciais. Já no Uruguai, todo esse processo está sendo travado."
Fonte - Sputnik  10/09/2016

sábado, 26 de abril de 2014

Comissão da Verdade pede que PF acompanhe investigação da morte de Malhães

Política

O coordenador da CNV, Pedro Dallari, pediu a Cardozo que a PF acompanhe as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ex-agente do Centro de Informações do Exército, Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Luciano Nascimento 
Repórter da Agência Brasil
Paulo Malhães, que confessou tortura na ditadura
militar foi encontrado morto em Nova Iguaçu
Divulgação/Comissão Nacional da Verdade
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) solicitou hoje (25) ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal (PF) acompanhe as investigações sobre a morte do coronel reformado do Exército, Paulo Malhães. No final de março, ele admitiu ter praticado tortura durante a ditadura militar.
O coordenador da CNV, Pedro Dallari, pediu a Cardozo que a PF acompanhe as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ex-agente do Centro de Informações do Exército, Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher do coronel e o caseiro, e procuraram armas. Durante a ação dos criminosos, o militar foi morto. O corpo do coronel está no Instituto Médico-Legal de Nova Iguaçu, onde será determinada a causa da morte.
Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, no final de março, Malhães revelou que agentes do Centro de Informações do Exército mutilavam corpos de vítimas da ditadura militar assassinadas na Casa da Morte, em Petrópolis, arrancando as arcadas dentárias e as pontas dos dedos para impedir a identificação, caso encontrados. Ele também deu sua versão sobre operação do Exército para o desaparecimento dos restos mortais do deputado federal Rubens Paiva.
A Comissão da Verdade não descarta a possibilidade de a morte de Malhães ter relação com as revelações que ele fez à comissão. A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério da Justiça e a Polícia Federal para saber se a instituição vai acompanhar o caso, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno.
Fonte - Agência Brasil  25/04/2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Grupos que serviram à ditadura pontificam sobre democracia - Bob Fernandes

Política



Bob Fernandes
Exatos 50 anos depois do golpe de Estado que levou à ditadura, 62% dos brasileiros consideram a democracia "a melhor forma de governo". Informa o Datafolha.
José Roberto de Toledo, do Estadão, lembra: dos 200 milhões de brasileiros, 160 milhões nasceram depois do golpe que implantou a ditadura militar. 



terça-feira, 18 de março de 2014

"Marcha da Família Alienada" é ópera bufa - Bob Fernandes

Política







Daqui duas semanas, os 50 anos do golpe militar que enterrou o Brasil numa ditadura de 21 anos.
Num país em que 55 milhões de pessoas usam internet há espaço para dizer e acreditar no que se quiser.
Mesmo que seja algo sem pé e, principalmente, sem cabeça. Há quem, no próximo sábado, pretenda reeditar em 200 cidades a "Marcha da Família com Deus".
Em 64, tal "Marcha" foi uma das muitas senhas para o golpe e a instalação da ditadura.....
Bob Fernandes

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Espanha, país massacrado por Franco, faz polêmica com o "jeitinho brasileiro"

Internacional

JB
foto - ilustração
O jornal espanhol El País publicou reportagem neste dia 1º, intitulada “O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro”, na qual analisa o comportamento da população e conclui que o artifício, que de tempos pra cá tem sido denegrido, nada mais é do que “arranjar uma saída para uma situação sem saída” e, portanto, tem ares de inteligência, além de uma “criatividade ancestral”.
Embora o texto admita que o jeitinho brasileiro também esteja presente entre os mais ricos, é nos mais pobres que ele se mostra com força. Isso porque, segundo a matéria, os que sofreram uma batalha sangrenta no passado sabem o que é a economia de guerra. Ou seja, os mais pobres, “que sempre foram maioria no Brasil”, não podem hoje ser acusados de resignados, já que o poder segue os negando o essencial, como viver em uma sociedade com igualdade de direitos.
Para esses, com seus direitos renegados, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, de acordo com o artigo do El País. E é aí que se mostra o jeitinho brasileiro: eles poderiam estar dispostos a derrubar o poder e ocupar a cidade rica, daqueles que não necessitam de jeitinhos porque lhes sobram recursos e apoios políticos. Mas não o fazem porque possuem esse “pássaro na mão”, que oferece a sensação de que algo está melhorando. No entanto, o artigo acredita que, pouco a pouco, é possível que os brasileiros percebam que melhor que o jeitinho é poder atuar como um cidadão pleno, com direitos e deveres, em uma sociedade que funcione para todos, como foi visto nas manifestações de junho.
Surpreende que tal artigo venha de um jornal espanhol, país cuja população passou 40 anos sendo oprimida pela ditadura de Francisco Franco. Não houve injustiça maior do que a ditadura franquista, e não houve "jeitinho espanhol" nenhum para contornar as dificuldades. Pelo contrário: Franco sequer deixava que seu país se comunicasse com o mundo. Não havia importações, cinemas não passavam filmes estrangeiros, havia apenas dois canais de televisão e também apenas dois jornais - um da monarquia, chamado ABC, e outro do próprio Franco.
O autor da reportagem do El País talvez tenha memória curta, ou tenha vivido no exílio. Não conheceu a repressão sanguinária do seu país. Uma repressão tão violenta que teve no episódio do assassinato do almirante Carrero Blanco um dos mais emblemáticos. No dia 20 de dezembro de 1973, um atentado acabou com a vida do então presidente do governo da Espanha. A explosão foi tão violenta que seu carro voou pelos ares, atingindo 40 metros de altura e passando por cima de um prédio de cinco andares.
Falta autoridade ao país que sofreu uma severa repressão por quase 40 anos - e que passou por uma guerra que matou quase 10% de sua população - para que se faça qualquer tipo de crítica a desigualdades e dificuldades que resultem no "jeitinho brasileiro".
Fonte - Jornal do Brasil  02/01/2014

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O suicídio da imprensa brasileira


Emir Sader - Carta Maior
A imprensa brasileira está sob risco de desaparição e, de imediato, da sua redução à intranscendência, como caminho para sua desaparição.
Mas, ao contrário do que ela costuma afirmar, os riscos não vem de fora – de governos “autoritários” e/ou da concorrência da internet. Este segundo aspecto concorre para sua decadência, mas a razão fundamental é o desprestígio da imprensa, pelos caminhos que ela foi tomando nas ultimas décadas.
No caso do Brasil, depois de ter pregado o golpe militar e apoiado a ditadura, a imprensa desembocou na campanha por Collor e no apoio a seu governo, até que foi levada a aderir ao movimento popular de sua derrubada.
O partido da imprensa – como ela mesma se definiu na boca de uma executiva da FSP – encontrou em FHC o dirigente politico que casava com os valores da mídia: supostamente preparado pela sua formação – reforçando a ideia de que o governo deve ser exercido pela elite -, assumiu no Brasil o programa neoliberal que já se propagava na América Latina e no mundo.
Venderam esse pacote importado, da centralidade do mercado, como a “modernização”, contra o supostamente superado papel do Estado. Era a chegada por aqui do “modo de vida norte americano”, que nos chegaria sob os efeitos do “choque de capitalismo”, que o país necessitaria.
O governo FHC, que viria para instaurar uma nova era no país, fracassou e foi derrotado, sem pena, nem glória, abrindo caminho para o que a velha imprensa mais temia: um governo popular, dirigido por um ex-líder sindical, em nome da esquerda.
A partir desse momento se produziu o desencontro mais profundo entre a velha imprensa e o país real. Tiveram esperança no fracasso do Lula, via suposta incapacidade para governar, se lançaram a um ataque frontal em 2005, quando viram que o governo se afirmava, e finalmente tiveram que se render ao sucesso de Lula, sua reeleição, a eleição de Dilma e, resignadamente, aceitar a reeleição desta.
Ao invés de tentar entender as razoes desse novo fenômeno, que mudou a face social do pais, o rejeitou, primeiro como se fosse falso, depois como se se assentasse na ação indevida e corruptora do Estado. A velha mídia se associou diretamente com o bloco tucano-demista até que, se dando conta, angustiada, da fragilidade desse bloco, assumiu diretamente o papel de partido opositor, de que aqueles partidos passaram a ser agregados.
A velha mídia brasileira passou a trilhar o caminho do seu suicídio. Decidiu não apenas não entender as transformações que o Brasil passou a viver, como se opor a elas de maneira frontal, movida por um instinto de classe que a identificou com o de mais retrogrado o pais tem: racismo, discriminação, calunia, elitismo.
Não há mais nenhuma diferença entre as posições da mídia – a mesma nos principais órgãos – e os partidos opositores. A mídia fez campanha aberta para os candidatos à presidência do bloco tucano-demista e faz oposição cerrada, cotidiana, sistemática, aos governos do Lula e da Dilma.
Tem sido a condutora das campanhas de denúncia de supostos casos de corrupção, tem como pauta diária a suposta ineficiência do Estado – como os dois eixos da campanha partidária da mídia.
Certamente a internet é um fator que acelera a crise terminal da velha mídia. Sua lentidão, o fato de que os jovens não leem mais a imprensa escrita, favorece essa decadência.
Mas a razão principal é o suicídio politico da velha mídia, tornando-se a liderança opositora no pais, editorializando suas publicações do começo ao final, sendo totalmente antidemocráticas na falta de pluralismo sequer nas paginas de opinião, assumindo um tom golpista histórico na direita brasileira.
Caminha assim inexoravelmente para sua intranscendência definitiva. Faz campanha, em coro, contra o governo da Dilma e contra o Lula, mas estes tem apoio próximo aos 80%, enquanto irrisórias cifras expressam os setores que assimilam as posições da mídia.
Uma pena, porque a imprensa chegou a ter, em certos momentos, papel democrático, com certo grau de pluralidade na história do pais. Agora, reduzida a um simulacro de “imprensa livre”, ancorada no monopólio de algumas famílias decadentes, caminha para seu final como imprensa, sob o impacto da falta de credibilidade total. Uma morte anunciada e merecida.

Fonte -  Blogue do Emir ( Carta Maior )   09/01/2013

sábado, 20 de outubro de 2012

UM MAL NECESSÁRIO........

“Um mal necessário” – O mundo do World of Warcraft


Por Laerte Braga(*), especial para sua coluna no QTMD?

O ministro Marco Aurélio Mello – Supremo Tribunal Federal – afirmou que a ditadura militar “foi um mal necessário”. Segundo ele, pelo que se antevia e pior, disse que foi preferível não esperar o que poderia ou não acontecer.
Inimigo visceral de Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa com os quais travava tertúlias jurídico/acadêmicas as mais enfadonhas possíveis, além do habeas corpus que permitiu a Salvatore Cacciola fugir do Brasil para a Itália, num dado momento associou-se ao mau humor de Joaquim Barbosa (mesmo levantando duvidas sobre a condição do colega ser presidente da Corte) e juntou-se a Gilmar Mendes na defesa da “democracia”.
Foi o que veio. O que poderia ter acontecido seria bem melhor.
O Supremo, àquela época, entre outros, tinha Evandro Lins e Silva, Ribeiro da Costa, Hermes Lima e Victor Nunes Leal. Mais ou menos o primeiro colocado versus aquele na zona do rebaixamento. Diferença abissal.
Quando o Parlamento francês proibiu o uso da burca por ofender as tradições libertárias da França, não se imaginou que duas mil mulheres muçulmanas deixariam de ir às ruas. Confinadas pela liberdade. Slavoj Zizek, em VIVENDO NO FIM DOS TEMPOS fala do poder do olhar. O que emana da burca, dos olhos de uma mulher que emergem e fitam através da burca.
É o mundo da hipocrisia, do politicamente correto, que o digam milhões de gregos desempregados, ou com suas pensões e aposentadorias reduzidas para salvar bancos europeus e a senhora Ângela Merkel atribuindo a si e a seu país o direito de intervir onde houver desrespeito às políticas econômicas traçadas pela Comunidade Européia.
A linha Maginot caiu mais uma vez. Paris está ocupada. Não foi salva nem pela decisão de De Gaulle de transformar La France em Le France, ou pela de Mitterand de salvar a língua evitando a invasão das legiões MacDonalds.
Haja brioche, já que não há mais guilhotina, triste papel do Hollande. Virou um Sarkozy antes mesmo de conhecer o palácio inteiro. “A quem me reporto?” “Ao general Franz qualquer coisa”.
Colleen Lachowicz, candidata democrata ao Senado no estado do Maine foi acusada pelos seus rivais republicanos de ter dupla personalidade. Assistente social, dedica seu tempo livre a jogar World of Warcraft, um vídeo game popular em todo o país. Aquele negócio de sair matando Deus e o mundo e no fim acumular pontos para ganhar novas vidas, algo por aí.
Republicanos preferem o jogo ao vivo. Um piloto de um caça não vê sangue quando a bomba que despeja sobre a Líbia, ou o Iraque, ou o Afeganistão, vê apenas os “monstros” sendo abatidos.
A crítica a Colleen pode garantir sua cadeira no Senado. É que milhões de norte-americanos jogam o jogo e entupiram a caixa de mails da candidata em solidariedade, dentre eles a atriz Jodie Foster. E, lógico, a reação das empresas que produzem jogos assim.
Quadro pior é o da TIM, quadrilha que opera parte dos serviços de telefonia móvel no Brasil, especializada em assaltar seus usuários. Decidiu que seus funcionários não podem ir ao banheiro em horários que julgarem necessários, mas nos determinados pela empresa. E porta transparente para o caso de demora. O supervisor vai e dá uma bronca daquelas.
A Justiça do Trabalho condenou a empresa a indenizar uma funcionária em 10 mil reais, mas o TRT – TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – reduziu a indenização para mil reais e o TST, o superior, manteve a dupla humilhação. Horário para as necessidades fisiológicas e indenização medíocre. Dinheiro que a TIM tira, como qualquer operada de telefonia fixa ou móvel, em segundos, no roubo costumeiro em cima de usuários.
A ANATEL? O que é isso? Um monstro pré-histórico que sobreviveu ao período jurássico, ou uma dessas modernidades tucanas, gerenciamento tucano, agora com corroboração petista?
Empresas de supermercados têm a mesma prática e muitas delas mantêm cárceres privados, ou submetem trabalhadores a revistas humilhantes.
O tal do desenvolvimento econômico. A escravidão tomando outras formas, já que nunca deixou de existir. A luta de classes é uma realidade que tem sido permanente.
Que o diga o ministro Marco Aurélio Mello e seu “mal necessário”.
Sentença política e histórica de um ministro da Corte Suprema, num processo político que vai se tornando cada vez mais estranho, cada vez mais com cheiro de golpismo.
O que será que vem por aí?
Outro desses supremos magistrados já havia emitido sua opinião contra governos de coalisão.
O jornalista Paulo Francis escreveu que os meninos e jovens norte-americanos crescem em frente a computadores e máquinas de jogos matando monstros árabes, negros, latinos, o que é um passo para que, mais tarde, pilotando aviões da força aérea de seu país matem crianças em nome da democracia.
Entre eles mesmos. Mitt Romney, um fugitivo dum manicômio qualquer (mas não rasga nota de dólar) não declarou que 47% do cidadãos do seu país vivem “encostados” nos recursos públicos?
É candidato a presidente e na festa para arrecadar fundos de campanha um casal doador queria saber se havia entrada vip, pois não se misturava a milionários comuns.
Não existe mal necessário. Pelo simples fato que mal não é necessário.
Existe capitalismo e sua hipocrisia. Não é diferente nem nos EUA, nem na Alemanha do novo Reich, ou na França dos novos colaboracionistas.
Mas milhões de gregos, espanhóis, portugueses desempregados e palestinos assassinados diariamente no afã de garantir o poder do maior conglomerado terrorista que já se conheceu em toda a história. ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A.
Obama em todo caso sabe fazer cerveja e tem usado a Casa Branca para experiências assim. O outro prefere paraísos fiscais para seu rico dinheirinho.
E tome bomba. Começa lá no World of Warcraft.

*Laerte Braga é jornalista e colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Empodera Povo“.
Fonte - Do blog Quem tem medo da democracia  20/10/2012