UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

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sábado, 10 de setembro de 2016

Revelados documentos comprometedores no Uruguai - Espionagem militar

América do Sul

Espionagem militar na era da democracia: revelados documentos comprometedores no Uruguai - Após buscas na casa do falecido general Elmar Castiglioni foram encontrados e retirados arquivos que comprometem os serviços secretos.

Sputnik
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"A revelação desses documentos mostra o fato de que a estratégia e a política de inteligência militar não mudou com a transição da ditadura para a democracia [no Uruguai] em 1985. A inteligência militar continuou trabalhando como trabalhou anteriormente", disse Samuel Blixen, um jornalista que está fazendo investigação no jornal Brecha, à Sputnik Mundo em entrevista ao programa GPS Internacional.
"O mais chocante é que a inteligência militar no Uruguai tem um alto nível de autossuficiência. Muitos alvos dos documentos eram membros de partidos políticos legais. Assim, foram escutados telefonemas e estava sendo realizada a vigilância de altos funcionários do governo de Jorge Batlle, que esteve no poder de 2000 a 2005. Também foi realizada vigilância ao atual presidente do país, Tabaré Vázquez, quando ele foi prefeito da capital do país, Montevidéu, de 1990 a 1994", declarou Blixen.
O leque de espionagem era vasto. "É difícil definir quaisquer restrições ideológicas. Ela tocou todos os partidos. O Partido Comunista, o Movimento de Participação Pública e os sindicatos foram objeto de investigação, como, por exemplo, no tempo das manifestações contra a privatização de empresas estatais. Também foi realizada espionagem em relação a líderes de partidos de direita", explicou o jornalista. Como salientou Blixen, após a restauração da democracia no país, nem a política, nem a estratégia da inteligência militar mudaram e se mantiveram constantes até 2009. "Desde 1985, nenhum dos governos que estiveram no poder teve vontade política suficiente para reorganizar as forças armadas e limpá-las dos elementos que permaneceram desde os tempos da ditadura", esclarece Blixen. O general Elmar Castiglioni "chefiou a inteligência militar desde os tempos da ditadura até ao triunfo da democracia. Há suspeita de que ele usou os documentos com o fim de chantagear e pressionar os políticos", contou o jornalista da edição Brecha. "Dado o fato de que toda esta atividade ilegal estava sendo realizada na época dos governos de esquerda, é possível supor que os partidos de direita desejem contribuir para a investigação. Mas não acho que eles estejam interessados nisso. Não acho que o governo esteja pronto para se meter nisso. O governo quer saber a verdade, mas não quer criar dificuldades para os militares", disse Blixen.
Comparando a situação no Uruguai com outros países da região, ele disse o seguinte: "No Paraguai, foram encontrados os Arquivos do Terror (Archivos del Terror), documentos do tempo da ditadura de Alfredo Stroessner descobertos em 1992. Ele contém informações sobre as relações entre a polícia e os militares. Na Argentina continua a busca de documentos e o governo, juntamente com organizações sociais, faz com que a população saiba mais sobre os crimes da ditadura no país. Por isso, continuam os processos judiciais. Já no Uruguai, todo esse processo está sendo travado."
Fonte - Sputnik  10/09/2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Inauguração da maior torre de pesquisa ambiental da América do Sul

Meio ambiente

A Torre ATTO pode ser considerado o maior laboratório livre de pesquisas no mundo, voltadas para a melhor compreensão dos biomas tropicais nas estabilidades climática, química e termodinâmica dos processos atmosféricos

Revista Amazônia

Brasil e Alemanha celebraram recentemente a inauguração do Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto, na sigla em inglês), estrutura de 325 metros instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas, entre os municípios de São Sebastião do Uatamã (AM) e Itapiranga (AM), a cerca de 150 quilômetros (km), em linha reta, de Manaus. O empreendimento, segundo o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, é uma grande conquista para ciência mundial.
A Torre Alta ampliará o campo de pesquisa e o entendimento da interação entre a biosfera e a atmosfera. Equipada com sensores e radares a laser em diferentes alturas para medições do solo – como quantidade de água, temperatura e umidade –, do ar acima e abaixo da copa das árvores, além de estudar o fluxo de vapor d’água e de aerossóis (partículas sólidas e líquidas em suspensão) importantes para a formação de nuvens, o Observatório transmite os dados para os laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e dos institutos Max Planck de Química e Biogeoquímica, responsáveis pela implementação do projeto.
“Os trabalhos desenvolvidos aqui serão para preservar a vida no planeta e dar alternativas para o desenvolvimento sustentável da humanidade. Somos muito gratos aos nossos amigos pesquisadores da Alemanha, do Inpa e a todos os profissionais que ajudarão a construir essa torre na maior floresta tropical continua do mundo”, disse o ministro durante a cerimônia.
A empresa responsável pela construção da torre é a San Soluções Empresariais, do Paraná, que venceu a licitação. O representante da empresa, Sérgio Alves do Nascimento, relata os desafios tecnológicos logísticos de uma obra dessa magnitude na região amazônica: “Em média, as estruturas que fazemos estão entre 50 e 150 metros (m). Para entregar uma estrutura de 325 m no meio da floresta amazônica tivemos que vencer uma logística impressionante. Foi preciso trazer as peças da torre por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã”.
A estrutura, que pesa 142 toneladas, é formada por um conjunto de 15 mil peças. Elas foram transportadas de Curitiba à Reserva por seis carretas que percorreram 4,5 mil km até Humaitá (AM), onde foram embarcadas em uma balsa que percorreu os rios Amazonas e Uatumã. Vinte e seis quilômetros de cordoalhas de aço fixam a estrutura a blocos de concreto instalados no solo da floresta. O técnico do Inpa Hermes Xavier, que participa do projeto há quatro anos, conta que no início a construção da torre parecia uma tarefa impossível. “Passamos dois anos morando debaixo de uma lona na floresta. O acesso era muito difícil por causa das chuvas, insetos e animais. Ver a Torre pronta é gratificante”, comemorou.
Também participou da cerimônia o ministro conselheiro da Embaixada da Alemanha no Brasil, Claudius Fischbach. “O Atto é um símbolo da cooperação científica entre o Brasil e a Alemanha. A torre terá um enorme impacto sobre as pesquisas do clima. Desejo sucesso e uma longa vida à Torre Alta da Amazônia”, disse.
Objetivo científico
O projeto tem o objetivo de monitorar e estudar o clima da Região Amazônica, por cerca de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O observatório deve medir com precisão fluxos de água, dióxido de carbono (CO²) e calor, a fim de analisar o impacto do ciclo de absorção e liberação de substâncias.
O coordenador do projeto pelo Inpa, Antonio Manzi, explicou que a Atto permitirá o estudo do balanço de carbono. “Com as pesquisas que serão realizadas, aumentaremos os nossos conhecimentos sobre o esse ciclo de carbono tropical, o que é muito importante mundialmente”, observou Manzi.
Os 325 metros da Atto possibilitam o monitoramento de uma extensão de espaço atmosférico jamais alcançada antes, cerca de mil quilômetros quadrados (km²), preenchendo lacunas de monitoramento e coleta de dados feitas por satélites e outros instrumentos. A expectativa é que o projeto atraia alto investimento científico de diversos países.


A Torre do Uatumã é, em metros, o ponto mais alto dessa vigilância, para podermos combinar a indispensável e urgente proteção do meio ambiente com uma política de desenvolvimento autônoma que traga progresso e bem-estar ao povo brasileiro

Do topo da torre de medição, pesquisadores também podem rastrear alterações em grandes áreas de floresta tropical causadas por massas de ar que as atravessam. Ao analisar essas interações, eles querem chegar a novas conclusões sobre a importância da floresta tropical para a química e a física da atmosfera.
O objetivo específico dos cientistas é, em primeiro lugar, compreender melhor as fontes de produção e de consumo de gases de efeito estufa, como o CO², metano e óxido nitroso. O diretor do Inpa, Luiz Renato França, aponta as vantagens da cooperação internacional. “Nosso conhecimento sobre a região amazônica e a Terra não será o mesmo quando este empreendimento magnífico e impressionante estiver em pleno funcionamento”, avaliou. “Esta fascinante cooperação científica é uma clara ilustração de como uma tarefa gigantesca, que beneficia todo o planeta e a humanidade, pode ser desenvolvida quando dois grandes países, localizados em diferentes e distantes continentes, trabalham juntos em harmonia.”
A expectativa é que todos os equipamentos de medições estejam instalados até 2017. Os dados serão compartilhados com pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Fundação Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal do Pará (UFPA), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Max Planck de Meteorologia (MPIM)

Construção da parceria
A Alemanha é uma das principais parceiras do Brasil em ações de capacitação tecnológica e inovação. No setor de meio ambiente, a parceria entre os dois países já existe há 30 anos, por meio do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), projeto do qual a Torre Atto faz parte. Ambos os países têm tradição em estudos ambientais. Na Alemanha, a indústria de tecnologia do meio ambiente é um setor importante da economia e os alemães são líderes no estudo da química da atmosfera. Já o Brasil tem competência no campo da física de nuvens e transporte de matérias na camada limite – área situada na baixa troposfera (camada da atmosfera em que vivemos e respiramos) e que, portanto, sofre diretamente a influência da superfície. Na Amazônia, a camada limite pode atingir até 1,6 mil m.
O LBA já possui outras torres na Amazônia, com alturas entre 50 e 80 m, que são capazes de monitorar fenômenos de interação entre floresta e atmosfera num raio de 10 km. Em 2007, pesquisadores alemães propuseram a construção da torre alta depois de visitar a Torre K34, de 52 m de altura, localizada na reserva biológica Cuieiras, ao norte de Manaus.
A cooperação para construção foi inicialmente acordada em 2009 por meio de um memorando de entendimento entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério de Educação e Pesquisa (BMBF) da Alemanha, que nomearam o Inpa e os dois institutos Max Planck como instituições coordenadoras do projeto.
Fonte - Revista Amazônia  13/05/2016

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mercosul e neocolonialismo

Economia

Também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos, o Tratado de Methuen, entre Inglaterra e Portugal, que vigorou de 1703 a 1836, envolvia a troca entre produtos têxteis ingleses e vinhos portugueses.Embora lesivo aos interesses lusos, o acordo teve vida longa e, praticamente, destruiu a incipiente indústria portuguesa,se o acordo UE-Mercosul não for bem negociado, pode vir a constituir uma reedição do Tratado de Methuen. Em outras palavras: a adoção explícita do neocolonialismo.

Por Milton Lourenço *
imagem/Portogente
Quem conhece minimamente História sabe das consequências do Tratado de Methuen para Portugal e Brasil. Também conhecido como Tratado dos Panos e Vinhos, esse acordo entre Inglaterra e Portugal, que vigorou de 1703 a 1836 e levou esse nome em homenagem ao negociador pelo lado inglês, o diplomata John Methuen (1650-1706), envolvia a troca entre produtos têxteis ingleses e vinhos portugueses.
Embora lesivo aos interesses lusos, o acordo teve vida longa e, praticamente, destruiu a incipiente indústria portuguesa, com o conseqüente atrelamento da economia do país à Inglaterra. Como a demanda portuguesa por tecidos era bem maior que a riqueza produzida pela venda de vinho à Inglaterra, os portugueses acumularam grandes dívidas pela necessidade crescente de consumir produtos ingleses manufaturados.
Para tanto, durante quase todo o século XVIII, esse déficit foi suprido com o envio de barras de ouro e pedras preciosas que eram extraídas no Brasil. Como dependia da Inglaterra para se manter como nação independente diante da vizinha Espanha, Portugal teve de se submeter aos interesses britânicos, deixando de aproveitar um período em que a prosperidade trazida pelo ouro poderia ter impulsionado a sua modernização.
A que vêm estas reflexões históricas? Vêm a propósito das negociações entre Mercosul e União Europeia (UE) que se arrastam desde 1999 e que, aparentemente, caminhariam para uma conclusão, diante da próxima proposta sul-americana que atenderia à exigência dos europeus de liberação de pelo menos 90% dos produtos trocados pelos dois lados.
Como se sabe, a última proposta do Mercosul, apresentada em 2004, chegou a 87%, mas não houve consenso. Desde então, divergências entre os sócios do Mercosul impediram que o bloco definisse uma nova proposta. Além disso, como os preços das commodities estavam nas alturas, os latino-americanos não pareciam muito interessados em consumar o pacto.
Acontece, porém, que hoje o contexto internacional é outro. A UE claramente espera concluir antes os projetados acordos com EUA, Índia e Japão. Com isso, estará numa situação bem confortável para negociar com o Mercosul, que, por sua vez, ficará praticamente “asfixiado” e condenado a uma posição subalterna, sendo obrigado a aceitar as regras impostas pelos demais blocos, sem condições de discuti-las.
Diante disso, se não for bem negociado, o acordo UE-Mercosul pode vir a constituir uma reedição do Tratado de Methuen. Em outras palavras: a adoção explícita do neocolonialismo.
*Milton Lourenço - É presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC)
Fonte - Portogente  30/12/2015

domingo, 27 de dezembro de 2015

Chuva deixa mais de 160 mil desabrigados na América do Sul

Chuvas

A maior parte das vítimas está no Paraguai, onde quase 130 mil pessoas tiveram que ser alojadas em abrigos improvisados pelas autoridades locais.O Rio Paraguai, um dos maiores da América do Sul, subiu 7,7 metros, atingindo o nível mais alto dos últimos 20 anos. 

Carolina Gonçalves 
Repórter da Agência Brasil
imagem/Ag.Brasil
A forte chuva que atinge quatro países na América do Sul, incluindo o Brasil, provocou enchentes em diversas localidades e deixou mais de 160 mil pessoas desabrigadas. A maior parte das vítimas está no Paraguai, onde quase 130 mil pessoas tiveram que ser alojadas em abrigos improvisados pelas autoridades locais.
O Rio Paraguai, um dos maiores da América do Sul, subiu 7,7 metros, atingindo o nível mais alto dos últimos 20 anos. Quatro pessoas morreram. Depois de decretar estado de emergência, o presidente Horacio Cartes anunciou que US$ 3,5 milhões serão destinados para auxiliar os desabrigados.
Na Argentina e no Uruguai, 20 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, sendo 15 mil somente em cinco províncias do Noroeste argentino, como Entre Rios, Corrientes e Chaco. Duas pessoas morreram na região.
O presidente argentino Mauricio Macri disse que a ajuda social para áreas alagadas está sendo providenciada e que o governo trabalha em conjunto com as equipes de municípios e das províncias para dar uma resposta à situação, estudando o melhor uso dos recurso. Macri sobrevoou algumas das regiões afetadas e viaja hoje (27) para Entre Rios, onde participa de uma reunião do Comitê de Crise, que busca soluções para as inundações que afetaram a área da costa. No Uruguai, quatro estados estão em emergência. Duas pessoas morreram afogadas e 6,6 mil abandonaram suas casas no Norte do país.

Brasil
A chuva também atige o estado do Rio Grande do Sul. De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, chega a 40 o número de municípios atingidos pelas tempestades. O número de famílias que tiveram que deixar suas casas passou para 2.204. Ontem (26), a presidente Dilma Rousseff sobrevoou a região que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai e anunciou a liberação de R$ 6,6 milhões para ajuda às comunidades afetadas pelas inundações.
A enchente é a quinta e a pior deste ano na região. A cheia do Rio Quaraí já atingiu o recorde de 15,28 metros. A situação se agravou com a elevação do nível do Rio Uruguai. A forte chuva provocou a interrupção da colheita de arroz em Quaraí e levou à interdição, por 22 horas, da Ponte Internacional da Concórdia, entre o Brasil e o Uruguai, por Quaraí e Artigas.
Fonte - Agência Brasil  27/12/2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Chefes de Estado reúnem-se na 49ª Cúpula do Mercosul no Paraguai

Política

Esta será a primeira reunião do bloco regional, integrado pelo Brasil, a Argentina, o Paraguai, Uruguai e a Venezuela, com a presença do presidente argentino Mauricio Macri, empossado recentemente.A presidenta Dilma Rousseff deve embarcar por volta das 8h30 para Assunção, onde participará da cúpula.

Ana Cristina Campos
Repórter da Agência Brasil
A bandeira do Mercosul
A negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e uma aproximação com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) deverão ser abordados na 49ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados que será realizada hoje (21) em Assunção. Esta será a primeira reunião do bloco regional, integrado pelo Brasil, a Argentina, o Paraguai, Uruguai e a Venezuela, com a presença do presidente argentino Mauricio Macri, empossado recentemente.
A presidenta Dilma Rousseff deve embarcar por volta das 8h30 para Assunção, onde participará da cúpula. A previsão é de que ela retorne no início da tarde a Brasília, onde dará posse aos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valdir Simão.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o avanço na negociação do bloco sul-americano referente a um acordo comercial com a União Europeia será um dos assuntos de destaque do encontro.
“[A ex-presidente] Cristina Kirchner era mais relutante ao acordo. Com Macri, essa agenda deve avançar e incluir na pauta a agricultura, tema muito sensível para a Europa, que é muito protecionista”, disse o coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Luis Fernando Ayerbe.
A professora do Departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Terra Budini acredita que, apesar da virada política na Argentina, Macri manterá relações pragmáticas na agenda comercial com os países do Mercosul. “O Macri coloca o acordo com a União Europeia como um ponto central da agenda dele para o Mercosul”.
As negociações para um acordo entre o Mercosul e a União Europeia começaram no fim da década de 1990 e, desde então, avançam de maneira inconsistente. Em 2004, chegou a ocorrer uma troca de ofertas entre os blocos, que não resultou em acordo.
Em 2010, as negociações foram retomadas, mas a troca de ofertas agendada para 2013 não ocorreu. Para serem consideradas satisfatórias, espera-se que as ofertas desonerem de 85% a 95% o volume do comércio de cada bloco econômico.
Sob a presidência pro tempore do Paraguai, o Mercosul deu continuidade ao processo de diálogo com a Aliança do Pacífico, iniciado em novembro de 2014. Segundo o Palácio do Planalto, os dois grupos devem se reunir em breve para tratar do plano de ação, proposto pelo Mercosul, que prevê medidas como facilitação de comércio, aproximação dos setores privados, cooperação aduaneira e certificação digital.
Apesar de ter provocado mal-estar antes de assumir como presidente. por ter defendido o uso da chamada cláusula democrática para pedir a suspensão da Venezuela do Mercosul, Macri não deve incluir este assunto na cúpula, na avaliação da professora Terra Budini.
“Antes de assumir, Macri tensionou o discurso dele de usar a cláusula democrática contra a Venezuela, mas foi mais uma demarcação de posição e de discurso eleitoral do que um objetivo que ele realmente faria. Como o governo venezuelano conduziu o processo [eleitoral] de forma transparente e aceitou os resultados, o novo governo argentino tirou esse tema da agenda”, afirmou a especialista.
Nas eleições parlamentares de 6 de dezembro, a oposição obteve, pela primeira vez em 16 anos, uma maioria que lhe permite controlar a Assembleia Nacional venezuelana.
Fonte - Agência Brasil  21/12/2015

sábado, 12 de setembro de 2015

Países do Mercosul farão compra conjunta de medicamentos

Internacional

A medida pretende baratear o custo dos produtos pela compra em escala. Segundo o Ministério da Saúde, os valores cobrados pela indústria farmacêutica variam até cinco vezes dependendo do volume de aquisição do país. 

Aline Leal
Repórter da Agência Brasil
foto - ilustração
Países do Mercosul agora podem fazer compra conjunta de remédios estratégicos, depois de acordo assinado por ministros da Saúde na 11ª reunião do Conselho de Ministros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), no Uruguai. O acordo, firmado nessa sexta-feira (11), prevê também a criação de um banco de preços de medicamentos para que os países tenham maior poder de negociação.
A medida pretende baratear o custo dos produtos pela compra em escala. Segundo o Ministério da Saúde, os valores cobrados pela indústria farmacêutica variam até cinco vezes dependendo do volume de aquisição do país. A primeira compra pelo acordo, programada para outubro, será de um grupo de medicamentos para o tratamento de hepatite C e de Aids.
Cada país elegeu seus medicamentos prioritários para compra e, diante do acordo, definiram conjuntamente os remédios que serão adquiridos nas duas compras em bloco já previstas. Além do Brasil, são signatários do acordo a Argentina, o Paraguai, o Uruguai, a Bolívia, a Venezuela, o Chile, o Equador e o Suriname.
O banco de preços do Mercosul vai reunir detalhes sobre as compras de medicamentos e equipamentos feitas pelos ministérios da Saúde da América do Sul. O sistema de informações terá dados como preços das últimas compras, quantitativos, fornecedores, entre outros. banco de preços do governo brasileiro servirá de modelo para a base de dados regional. A ideia é que quando os países forem fazer acordos isolados com a indústria, tenham em mãos os valores negociados com outros países.
Fonte - Agência Brasil  12/09/2015

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Unasul - Reunião vai discutir tensão depois de eleições na Venezuela

Reunião da Unasul vai discutir tensão depois de eleições na Venezuela

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A tensão na Venezuela, em decorrência das eleições presidenciais ocorridas no domingo (14), é o tema principal de uma reunião de urgência convocada para hoje (18) pelos líderes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Lima, no Peru. A presidenta Dilma Rousseff confirmou presença. Depois, ela segue para Caracas, capital venezuelana, para a cerimônia de posse do presidente eleito Nicolás Maduro. No total, oito pessoas morreram e 70 ficaram feridas nos confrontos depois do pleito.
A reunião ocorre em Lima porque o presidente do Peru, Ollanda Humala, comanda temporariamente a Unasul. Integram a Unasul os seguintes países: Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai (suspenso do bloco), Venezuela, Chile, Guiana e Suriname. O Panamá e o México são países observadores do grupo.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Congresso peruano, Víctor Andrés García Belaunde, disse que o desafio da reunião é “convencer” as partes em conflito na Venezuela a buscar um “diálogo franco e sincero para salvar a democracia e assegurar a governabilidade”.
O parlamentar se refere a Maduro e ao grupo de oposição, liderado por Henrique Capriles, derrotado nas eleições, pois nos últimos dias os incidentes envolvendo aliados de ambos os lados se agravaram gerando momentos de tensão e violência na Venezuela.
O ministro das Relações Exteriores do Peru, Rafael Roncagliolo, disse que as discussões de hoje terão uma “agenda aberta” sobre a situação na Venezuela. O chanceler lembrou que os países da América do Sul e o México reconheceram os resultados das eleições na Venezuela.
“Parece-nos importante analisar juntos a situação, assim teremos avaliados também situações passadas e montamos uma agenda aberta para ter oportunidade de ter um diálogo conjunto”, ressaltou. “Evidentemente há uma situação difícil e nós queremos ajudar no que for possível”, disse o chanceler.
*Com informações da agência pública de notícias do Peru, Andina.
Fonte - Agência Brasil  18/04/2013