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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Paraguai e Bolívia estudam criação de ferrovia para transporte interoceânico

Ferrovias  🚉

A interconexão serviria para inserir o Paraguai na rota ferroviária rumo ao Oceano Pacífico através do Peru, e a Bolívia na rota do Atlântico pela hidrovia Paraguai-Paraná.Morales declarou aos jornalistas, após reunir-se com Cartes, que este projeto, que também contaria com a participação de Brasil e Peru, "será o canal do Panamá do século XXI". 

EFE
foto - ilustração
Os presidentes do Paraguai, Horacio Cartes, e da Bolívia, Evo Morales, assinaram nesta segunda-feira em Assunção um memorando de entendimento para realizar estudos que possibilitem a interconexão ferroviária entre os dois países, através da cidade boliviana de Roboré e da paraguaia de Carmelo Peralta.
A interconexão serviria para inserir o Paraguai na rota ferroviária rumo ao Oceano Pacífico através do Peru, e a Bolívia na rota do Atlântico pela hidrovia Paraguai-Paraná.
Morales declarou aos jornalistas, após reunir-se com Cartes, que este projeto, que também contaria com a participação de Brasil e Peru, "será o canal do Panamá do século XXI".
O presidente boliviano também destacou que seriam investidos "bilhões de dólares para esta integração", que daria ao Paraguai e à Bolívia, ambos sem litoral, a necessária saída ao mar para suas exportações.
Por sua vez, o ministro de Obras Públicas do Paraguai, Ramón Jiménez Gaona, afirmou, após a assinatura do memorando entre os dois presidentes, que para seu país essa linha ferroviária permitiria "encurtar o trânsito rumo à região Ásia-Pacífico".
"Estamos falando de um trecho de 500 quilômetros aproximadamente (...) nos permitirá chegar ao Oceano Pacífico e, possivelmente ao Porto de Ilo do Peru, já que este país também faz parte deste acordo que acabamos de assinar previamente com a Bolívia", ressaltou o ministro paraguaio um comunicado.
Segundo Gaona, para a Bolívia essa interconexão "significa a possibilidade de sair ao Atlântico com seus produtos de maneira competitiva, poder colocá-los sobre o rio Paraguai com a vantagem que contamos com a terceira maior frota de barcas e rebocadores do mundo".
"É uma situação na qual ganhamos todos e fortalecemos os laços comerciais e os interesses comuns com a Bolívia", acrescentou Jiménez Gaona.
O investimento e os prazos do projeto ainda serão determinados após a realização dos estudos, já que por um lado estaria a ferrovia do Paraguai à Bolívia, e por outro o trecho Bolívia-Peru, de 370 quilômetros, razão pela qual o investimento será "um esforço conjunto entre os três países", acrescentou.
Os dois chefes de Estado voltaram a reunir-se hoje em Assunção após a chegada no domingo de Morales à capital paraguaia, onde assistiu à largada simbólica do Rali Dacar 2017.
Fonte - Abifer  02/01/2017

sábado, 13 de agosto de 2016

Crise do Mercosul: que futuro América Latina terá pela frente?

Mercosul

A fase aguda da crise começou no final de julho quando a Venezuela avisou seus parceiros que nos próximos seis meses ela assumiria a presidência desta organização regional.O Brasil, a Argentina e o Paraguai manifestaram a necessidade de consenso entre todos os membros da organização.

Sputnik
Sputnik
De acordo com o regulamento interno, o turno de Caracas chegou. No entanto, o Brasil, a Argentina e o Paraguai manifestaram a necessidade de consenso entre todos os membros da organização. E chamaram a adiar a presidência dos venezuelanos. A situação complicada no país foi considerada a principal razão.
Aleksandr Chichin, diretor da Faculdade das Ciências Econômicas e Sociais da Academia russa de Economia Nacional e Administração Pública, compartilhou a sua opinião com a Rádio Sputnik.
"O Mercosul no momento de sua criação era um bloco promissor mas agora ele está se dissolvendo porque os países que o criaram agora estão em outra posição. Os atuais governantes da Argentina e do Brasil são líderes completamente pró-americanos, por isso eles não se vêm colaborando com um socialista e marxista como é Nicólas Maduro. Neste contexto, o futuro desta união acaba por ser uma grande questão", afirma especialista.
Como a Venezuela é o componente energético da associação, aqui surge a questão: será que, por causa da política, eles querem quebrar os laços econômicos e causar problemas a si mesmo?
Aleksandr Chichin acredita que hoje em dia o Paraguai, o Brasil e a Argentina estão orientados para as associações criadas pelos americanos, como por exemplo, a Parceria Transatlântica ou o Círculo de Pacífico.
"As relações económicas simplesmente entraram em colapso, elas, na verdade já eram fracas. Havia tantos projetos, mas não havia nenhumas ações. E agora, quando os americanos criaram alianças tão atrativas, claro que eles olham para o lado do vizinho do norte", acrescenta o cientista.
Como sublinha Aleksandr Chichin, não vale a pena refletir sobre a economia, visto que politicamente os países já se distanciaram o máximo possível. "Ninguém quer se comunicar com o Maduro, ele está trancado em sua fortaleza".
Ao responder à questão sobre o regime de Maduro, ele disse que, por enquanto, não há manifestações, mas uma vez que começarem, aparecerá a oposição. O que ajuda muito Maduro, destaca Chichin, é que a oposição venezuelana não está unida.
Infelizmente, sublinha o especialista, os países latino-americanas pouco ganharão com a adesão a novos blocos: "É claro, eles vão estar lá como uma quinta roda no carrinho […] Convidar esses países não é um nível de quem irá constituir a base econômica desta parceria. Esta parceria obviamente é dirigida contra a China e a Rússia, para deixá-las de lado. Quanto aos latino-americanos, eles ficaram mais uma vez na periferia, eles queriam se unir, mas não resultou, eles não conseguiram e a união está se dissolvendo".
Fonte - Sputnik  13/08/2016

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Chefes de Estado reúnem-se na 49ª Cúpula do Mercosul no Paraguai

Política

Esta será a primeira reunião do bloco regional, integrado pelo Brasil, a Argentina, o Paraguai, Uruguai e a Venezuela, com a presença do presidente argentino Mauricio Macri, empossado recentemente.A presidenta Dilma Rousseff deve embarcar por volta das 8h30 para Assunção, onde participará da cúpula.

Ana Cristina Campos
Repórter da Agência Brasil
A bandeira do Mercosul
A negociação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e uma aproximação com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) deverão ser abordados na 49ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados que será realizada hoje (21) em Assunção. Esta será a primeira reunião do bloco regional, integrado pelo Brasil, a Argentina, o Paraguai, Uruguai e a Venezuela, com a presença do presidente argentino Mauricio Macri, empossado recentemente.
A presidenta Dilma Rousseff deve embarcar por volta das 8h30 para Assunção, onde participará da cúpula. A previsão é de que ela retorne no início da tarde a Brasília, onde dará posse aos ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valdir Simão.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o avanço na negociação do bloco sul-americano referente a um acordo comercial com a União Europeia será um dos assuntos de destaque do encontro.
“[A ex-presidente] Cristina Kirchner era mais relutante ao acordo. Com Macri, essa agenda deve avançar e incluir na pauta a agricultura, tema muito sensível para a Europa, que é muito protecionista”, disse o coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Luis Fernando Ayerbe.
A professora do Departamento de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Terra Budini acredita que, apesar da virada política na Argentina, Macri manterá relações pragmáticas na agenda comercial com os países do Mercosul. “O Macri coloca o acordo com a União Europeia como um ponto central da agenda dele para o Mercosul”.
As negociações para um acordo entre o Mercosul e a União Europeia começaram no fim da década de 1990 e, desde então, avançam de maneira inconsistente. Em 2004, chegou a ocorrer uma troca de ofertas entre os blocos, que não resultou em acordo.
Em 2010, as negociações foram retomadas, mas a troca de ofertas agendada para 2013 não ocorreu. Para serem consideradas satisfatórias, espera-se que as ofertas desonerem de 85% a 95% o volume do comércio de cada bloco econômico.
Sob a presidência pro tempore do Paraguai, o Mercosul deu continuidade ao processo de diálogo com a Aliança do Pacífico, iniciado em novembro de 2014. Segundo o Palácio do Planalto, os dois grupos devem se reunir em breve para tratar do plano de ação, proposto pelo Mercosul, que prevê medidas como facilitação de comércio, aproximação dos setores privados, cooperação aduaneira e certificação digital.
Apesar de ter provocado mal-estar antes de assumir como presidente. por ter defendido o uso da chamada cláusula democrática para pedir a suspensão da Venezuela do Mercosul, Macri não deve incluir este assunto na cúpula, na avaliação da professora Terra Budini.
“Antes de assumir, Macri tensionou o discurso dele de usar a cláusula democrática contra a Venezuela, mas foi mais uma demarcação de posição e de discurso eleitoral do que um objetivo que ele realmente faria. Como o governo venezuelano conduziu o processo [eleitoral] de forma transparente e aceitou os resultados, o novo governo argentino tirou esse tema da agenda”, afirmou a especialista.
Nas eleições parlamentares de 6 de dezembro, a oposição obteve, pela primeira vez em 16 anos, uma maioria que lhe permite controlar a Assembleia Nacional venezuelana.
Fonte - Agência Brasil  21/12/2015