UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA

UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
UMA GRANDE NAÇÃO SE CONSTROI COM,EDUCAÇÃO, CIDADANIA E SOBERANIA
Mostrando postagens com marcador intolerância religiosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intolerância religiosa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Democracia a serviço da ideologia

Ponto de Vista   🔍

A grande verdade é que caímos numa cilada democrática, e a democracia é hoje um instrumento de grupos radicais, pois a imensa população pobre deste país nem sequer é mencionada em breves tweets por membros do governo ou pelo próprio presidente. Perdemos o rumo certeiro de outrora, que havia nos governos social-democratas, pois ali tínhamos um norte, em que o Estado definia os investimentos e propunha uma proteção às minorias.

Fernando Rizzolo* - Portogente
Fernando Rizzolo
Não há que se questionar que a nossa democracia passou a ser muito mais ideológica do que pluralista. Diriam então os defensores de Bolsonaro que anteriormente ou desde sempre, após o regime militar, fomos “comunistas” ou, como dizem, que os partidos moderados de centro-esquerda ou os social-democratas foram e sempre serão “comunistas disfarçados”.
O que mais me intriga no governo do Presidente Bolsonaro é o caldeirão extremista que transita entre o militarismo e o evangelismo, entre intolerantes e ditatoriais de faixa amarela, detentores do radicalismo antidemocrático que sonham em destruir as instituições e ameaçam sem hesitar membros do Supremo Tribunal Federal. A grande pergunta é: Por que antes esses radicais não se expunham? Ou será que foram induzidos por membros apoiadores do radicalismo com certa anuência subliminar do governo a agirem desta forma perigosa?
Por bem o STF conseguiu minimizar na hora certa, através do inquérito das “Fake News”, os extremistas filhotes da ideologia tacanha de certa ala do governo que insistem em ver no modelo pluralista de ideias um perigo a sua própria ideologia. Para corroborar nesse esteio de pensamento, vemos o esvaziamento de ministérios, como o da Saúde e o da Educação, uma vez que o governo não é capaz de encontrar um ministro que agrade a ala “olavista” conspiratória, os militares cuja mentalidade permanece ainda na caserna e os evangélicos que querem manipular os ministérios a seu favor, e mais, o centrão, que quer apenas o poder pelo poder.
Portanto, vivemos um desgoverno, regado a cloroquina, em que os pobres, os miseráveis, os desalentados são totalmente esquecidos diante de uma pandemia de virulência sanitária e econômica, incapaz de nortear o governo para uma política econômica desenvolvimentista, uma política sanitária baseada na ciência e uma vertente educacional de inclusão aos mais pobres.
A grande verdade é que caímos numa cilada democrática, e a democracia é hoje um instrumento de grupos radicais, pois a imensa população pobre deste país nem sequer é mencionada em breves tweets por membros do governo ou pelo próprio presidente. Perdemos o rumo certeiro de outrora, que havia nos governos social-democratas, pois ali tínhamos um norte, em que o Estado definia os investimentos e propunha uma proteção às minorias. Hoje o que vemos é a cloroquina à base de olavismo, rodeada de grupos evangélicos e observada por militares que querem seu quinhão. Tudo porque acreditei no “mito”, vivendo hoje uma democracia mitômana, desorganizada, um país esfarelado por ideias estranhas, enfim, o Brasil hoje é um grande Wassef dando explicações de como vamos sair dessa... Acho que deu para entender, não é?
* Advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais
Fonte - Portogente  16/07/2020

domingo, 21 de janeiro de 2018

Dia de Combate à Intolerância Religiosa homenageia Abdias Nascimento

Direitos humanos  ✋

O poeta, dramaturgo, político, professor universitário e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras Abdias Nascimento, também fundador do Teatro Experimental do Negro, do Museu de Arte Negra, foi um dos ícones do combate ao racismo no país.A programação envolveu exibição gratuita de filmes sobre a vida e obra de Abdias Nascimento, no Memorial Municipal Getúlio Vargas, no Largo do Russell, na Glória, zona sul do Rio, seguida de mesa redonda abordando o combate à intolerância religiosa.

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Viúva de Abdias Nascimento, a professora
 Elisa Larkin Nascimento participa do Dia
 Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
Fernando Frazão/Agência Brasil
No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado neste domingo (21), o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) homenageou um dos nomes mais famosos no combate à intolerância religiosa no Brasil. O poeta, dramaturgo, político, professor universitário e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras Abdias Nascimento, também fundador do Teatro Experimental do Negro, do Museu de Arte Negra, foi um dos ícones do combate ao racismo no país.
A programação envolveu exibição gratuita de filmes sobre a vida e obra de Abdias Nascimento, no Memorial Municipal Getúlio Vargas, no Largo do Russell, na Glória, zona sul do Rio, seguida de mesa redonda abordando o combate à intolerância religiosa.
Aberta ao público, o programa teve participação de acadêmicos, religiosos e estudiosos do tema. As homenagens serão encerradas à noite com performance artística

Valorização
Viúva de Abdias Nascimento, Elisa Larkin Nascimento informou que, como parte dessa luta, o homenageado combatia também a discriminação contra as religiões de matriz africana. “Em seu trabalho, ele sempre procurou valorizar as matrizes culturais africanas, coisa que até hoje o Brasil tende a desprezar, menosprezar ou subvalorizar e designar apenas as áreas de atuação estereotipadas”.
Para Elisa, o Brasil ainda está muito atrasado no que se refere ao combate à intolerância religiosa. Nos últimos dois anos, salientou que a sociedade tem assistido a uma onda de violência contra comunidades religiosas de matriz africana, com ataques, invasões, depredações, violência “e, inclusive, até apedrejamento de meninas que vão às escolas”.
A discriminação contra crianças dessas religiões africanas nas escolas é uma coisa acintosa, apontou. “Na verdade, até hoje, essas religiões são vistas pela maioria das pessoas de forma preconceituosa e pejorativa”, afirmou Elisa.
No último dia 19, decreto do governador Luiz Fernando Pezão, publicado no Diário Oficial, criou o Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa, inédito no país. Elisa Larkin afirmou que toda tentativa de criar mecanismos de combater a intolerância religiosa “é positiva e importante”.
Advertiu, porém, que um conselho estadual tem limitações na sua possibilidade de atuação. Externou seu desejo de que o conselho tenha sucesso na formulação de políticas públicas que possam, de fato, diminuir a intolerância no Brasil.

Números

No ano passado, a cidade do Rio de Janeiro registrou pelo menos um caso de intolerância religiosa por semana, segundo informação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), cujas equipes atenderam ao todo 67 vítimas, em 2017.
A maioria dos casos ocorreu por discriminação (29%), seguida por depredação de templos (26%) e difamação (18%). As agressões verbais e físicas correspondem a 6%. A maior predominância dos casos ocorreu no município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, que ocupa o segundo lugar no ranking de intolerância, com 14%, depois da capital fluminense (43,5%).
Em terceiro lugar aparece o município de Duque de Caxias, também na Baixada, com 6%. A SEDHMI destacou que 12% dos casos acompanhados ocorreram em ambiente virtual.
A maioria dos ataques teve como alvo religiões de matriz africana. Candomblé (45%) e umbanda (16%) foram as maiores vítimas de intolerância religiosa no último ano, revelou a secretaria.
Fonte - Agência Brasil 21/01/2018

sábado, 26 de novembro de 2016

Salvador sedia ato público contra a intolerância religiosa

Direitos Humanos  👫

Participam do ato contra a intolerância religiosa, lideranças do movimento negro e de mulheres, blocos afro, afoxés, povos de terreiro e demais representantes da sociedade civil e do poder público. A iniciativa é do terreiro Abassá de Ogum e do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), com o apoio da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) e do Comitê Interreligioso da Bahia (Cirb).

Da Redação
foto - ilustração
Na Bahia, segundo informações do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, este ano foram registrados 169 casos de violação de direitos nesta área, sendo 117 de racismo e 52 de intolerância religiosa. Com o propósito de chamar a atenção para o problema, será realizado na manhã desta segunda-feira (28), como ação integrante do Novembro Negro, um ato público no espaço onde está instalado busto de Mãe Gilda, que foi alvo de vandalismo no mês de maio, após dois anos de instalação no Parque do Abaeté.
Participam do ato contra a intolerância religiosa, lideranças do movimento negro e de mulheres, blocos afro, afoxés, povos de terreiro e demais representantes da sociedade civil e do poder público. A iniciativa é do terreiro Abassá de Ogum e do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), com o apoio da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) e do Comitê Interreligioso da Bahia (Cirb).
A yalorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, se tornou símbolo de resistência pela afirmação das religiões de matriz africana. O caso da liderança é um dos mais emblemáticos na luta contra o racismo e o ódio religioso no País. Após ter sua imagem maculada e o terreiro (Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador) invadido e depredado por representantes de outra religião, a sacerdotisa teve agravamentos de problemas de saúde e faleceu em 21 de janeiro de 2000.
O ato repercutiu amplamente, resultando em projetos de lei na esfera municipal e, em seguida, sendo reconhecido na esfera federal pelo então presidente Lula que, em 2007, sancionou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, fazendo da data um marco para fomentar o debate acerca do respeito às diferentes crenças e à liberdade de culto.
Com informações da Secom Ba.  26/11/2016

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Marcha em Porto Alegre pede o fim da intolerância religiosa

Direitos Humanos

Pelo oitavo ano, a Marcha pela Vida e Liberdade Religiosa percorreu as principais ruas da capital gaúcha.Nesta edição, a marcha foi uma atividade do Fórum Social Temático.Ao som de tambores, com vestimentas brancas e cantorias, diversos terreiros do Rio Grande do Sul se encontraram no Largo Glênio Peres e seguiram até o Largo Zumbi dos Palmares.

Camila Maciel
Enviada especial - Ag.Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Intolerância religiosa é a face mais perversa do racismo”, disse hoje (21) Baba Diba de Iemanjá, sacerdote africanista e presidente do Conselho do Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul, durante a Marcha pela Vida e Liberdade Religiosa, que percorreu nesta quinta-feira as ruas do centro de Porto Alegre. É o oitavo ano que a caminhada ocorre na capital gaúcha no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Nesta edição, a marcha foi uma atividade do Fórum Social Temático.
Ao som de tambores, com vestimentas brancas e cantorias, diversos terreiros do Rio Grande do Sul se encontraram no Largo Glênio Peres e seguiram até o Largo Zumbi dos Palmares. “[A marcha] surgiu como ato político para dar visibilidade à intolerância religiosa e também à luta pela reivindicação de direitos, direitos sociais, pela garantia do Estado laico e também para tentar diálogo com as outas religiões”, informou Baba Diba.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Baba Diba lembrou os ataques a terreiros do entorno do Distrito Federal
O dia 21 de janeiro é uma referência a ataques sofridos por Mãe Gilda, que teve a casa invadida por grupos evangélicos após uma foto dela ter sido colocada na capa da Folha Universal com o título “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”.
A casa dela foi apedrejada e o marido agredido verbalmente. Gildásia dos Santos, nome de registro, não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu em 21 de janeiro de 2000.
Baba Diba lembrou os ataques incendiários em terreiros do entorno do Distrito Federal. Foram pelo menos três no ano passado. “Quanto mais avançamos em política pública, em discussões que tentam aproximar as tradições, o racismo muda de status e passa de velado à revelado. Aqui ainda não incendiaram terreiros, mas no país já. Por isso, precisamos estar nas ruas e fazer desse dia o dia nacional de combate à intolerância religiosa.”
A ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Nilma Lino, participou da marcha e destacou o evento como um momento de celebração da força ancestral africana.
“Ainda temos de lutar muito pela tolerância religiosa. O Brasil é uma democracia, um país de diversos e todos os credos e religiões têm de ser respeitadas e ter lugar”, acrescentou a ministra.
Sobre os ataques ocorridos no Distrito Federal, Nilma Lino afirmou que a Ouvidoria do órgão tem acompanhado o caso e prestado atendimento às vítimas.
A funcionária pública Júlia Kolatayó, 37 anos, não falava de religiosidade. “A sociedade nos julga pelos olhares. Agora que tenho militado bastante na questão social e na religião africana, tenho conseguido me afirmar mais, mas é bem difícil, porque já perdi emprego, cargo, cursos." Ela foi batizada com 25 anos e sofreu resistência da família católica quando decidiu mudar de religião.
Embora não seja de religião africana, o analista de sistemas Alexandre Hahn disse que também enfrenta preconceitos por conta da religião de bruxaria Wicca. “Não é todo lugar e momento que posso dizer que sou bruxo. Quando digo, a primeira pergunta que vem à cabeça é se faço magia negra. Magia não tem cor. Se vou numa entrevista de emprego, pentagrama é sempre dentro da camiseta. Não posso mostrar. Rosário, uso aqui hoje, mas não posso usar em todo lugar.”

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Para a ministra Nilma Lino, o Brasil é um país de diversos e todos os credos têm de ser respeitados
Michel Borges, o Pai Maicon de Oxalá, foi criado na religião africanista no município de Santa Maria. Segundo ele, a relação do terreiro com a comunidade foi construída através de uma aproximação ao longo dos anos.
“Temos a festa de Natal, das crianças, das mães. Assim, estabelecemos uma relação com as pessoas e todos respeitam.”
Maria de Fátima Rodrigues também nasceu na religião. “Minha mãe diz que eu tinha 24 dias quando passei a fazer parte da religião.” Maria de Fátima lembrou que a estratégia para estabelecer um vínculo com a comunidade foi reunir crianças em uma ação de empoderamento da cultura negra.
Fonte - Agência Brasil  21/01/2016

domingo, 21 de junho de 2015

Centenas de pessoas se reúnem em ato contra intolerância religiosa no Rio

Intolerância Religiosa

Com cartazes que sugeriam “Compartilhar o Amor”, “Mais amor, por favor”, “Deus ama você, sou cristão da paz”, “Basta! Não à intolerância! Respeito. É bom, eu quero!”, os manifestantes defendiam a liberdade religiosa.A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, Teresa Cosentino, disse que a família de Kayllane recebeu apoio do Poder Público.

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil 
foto - ilustração
Centenas de pessoas e representantes de religiões se reuniram hoje (21), na Vila da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, em um ato contra a intolerância religiosa e em apoio à menina Kayllane Campos, 11 anos, vítima de agressão no último dia 14. Com cartazes que sugeriam “Compartilhar o Amor”, “Mais amor, por favor”, “Deus ama você, sou cristão da paz”, “Basta! Não à intolerância! Respeito. É bom, eu quero!”, os manifestantes defendiam a liberdade religiosa.
O babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), não quis responsabilizar instituições pelo ato, mas condenou a atitude de líderes religiosos que incitam a intolerância. Para ele, a caminhada de hoje reafirmou “o Estado Democrático de Direito e o respeito a todos, que é o que todos nós queremos”.
A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, Teresa Cosentino, disse que a família de Kayllane recebeu apoio do Poder Público. “Nós damos o apoio psicológico que a família precisa, o apoio jurídico, e nós trabalhamos continuamente contra todo tipo de intolerância e preconceito”. Segundo Teresa, é inadmissível que a sociedade não seja fraterna e “não respeite o direito do outro”.
A secretária defende uma ampla agenda de direitos humanos. “A gente vai trazendo outros segmentos que não são religiosos, mas sofrem tanto preconceito, tanta intolerância como os segmentos religiosos. Na verdade, acho que a gente tem que unir todas as pessoas que sofrem algum tipo de discriminação, de preconceito, de apartheid. Porque eu posso ter uma pessoa da umbanda, que é gay; uma mulher que é muçulmana e não pode trabalhar porque usa o véu. Tem uma questão sexista e de religião.”
O chefe de gabinete do Comando-Geral da Polícia Militar do Rio, coronel Íbis Silva Pereira, classificou como "abominável" o episódio ocorrido com Kayllane. “Isso é inaceitável. Qualquer pessoa que tem o sentido do que é viver em uma democracia, tem que estar desse lado, contra todo tipo de opressão e de intolerância”, destacou.
O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Nascimento, anunciou que, em agosto, a secretaria vai iniciar um trabalho de formação com a Polícia Militar.
O intuito é formar 6 mil policiais, em todas as regiões do estado, contra a intolerância e pela liberdade religiosa. Nascimento disse que iniciativa semelhante foi feita com a Polícia Civil, nos anos 2013 e 2014, com a instrução a quase 4 mil policiais sobre como lidar com as demandas das diversas comunidades religiosas.
“A gente percebeu que é fundamental avançar também para a Polícia Militar, para preparar quem faz o policiamento ostensivo de que o papel da polícia é, inclusive, o de proteger o legado, a história e a liberdade de expressão de todos os segmentos religiosos”. O serviço de atendimento do governo fluminense a vítimas de intolerância religiosa é feito por meio do telefone (21) 2334-9550.
O pastor da Igreja Batista da Vila da Penha, João Melo, esteve no evento para manifestar a posição de repúdio à agressão.
O padre José Rosa Afonso, da paróquia Jesus Ressuscitado, da Penha, também esteve presente. “Deus ama a todos, quis salvar a todos e a fé não se impõe a ninguém; se propõe. Cada um tem a liberdade de escolha”, disse o pároco. Ele avaliou que a agressão à menina foi fruto de um fanatismo religioso que gera intolerância na sociedade.
O padre destacou que a Igreja Católica é aberta ao diálogo ecumênico e interreligioso com cristãos e não cristãos. ”Não está certo matar em nome de Deus e praticar violência em nome de Deus, em nome da religião. A religião deve religar os homens a Deus, não dividir as pessoas.”
Fonte - Agência Brasil  21/06/2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

No Dia de Combate à Intolerência Religiosa, líderes alertam sobre discriminação

Direitos Humanos

As principais vítimas da intolerância são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.Para combater atitudes descriminatórias e prestar homenagem a Mãe Gilda,iyalorixá, foi instituído, em 27 de dezembro de 2007, pela Lei 11.635, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado hoje (21).

Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil 
Arquivo/Agência Brasil
Brasilia - Em outubro de 1999, o jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto da iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, em publicação com o título "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes". A casa da Mãe Gilda foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente e seu terreiro, depredado por integrantes de outro segmento religioso. Mãe Gilda morreu em 21 de janeiro de 2000, vítima de um infarto. Para combater atitudes descriminatórias e prestar homenagem a Mãe Gilda, foi instituído, em 27 de dezembro de 2007, pela Lei 11.635, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado hoje (21).
Casos como o de Mãe Gilda não são isolados. Em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa no país. Mais de um quarto (26,17%) ocorreu no estado do Rio de Janeiro e 19,46%, em São Paulo. O número total caiu em relação a 2013, quando foram registradas 228 denúncias, mas, mesmo assim, mostra que a questão não foi superada no país. As principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
"No ano passado, tivemos diferentes ações contra a intolerância religiosa, como manifestações, publicação de vídeos. Não acho que diminuiu imediatamente, mas os grupos têm reagido. Não quer dizer que tivemos menos invasões de casas e agressão pela não permissão do uso de idumentárias em espaços públicos", analisa a coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, Lúcia Xavier.
Para ela, a discriminação das religiões de matriz africana está ligada ao racismo. De acordo com os dados do Disque 100, no ano passado, 35,39% das vítimas eram negros. Os brancos correspoderam a 21,35% e os indígenas, a 0,56%. Os demais não informaram. "Tem a ver também com a ideia de que as religiões de matriz africana são primitivas, usam sacrifícios de animais, têm ritos diferenciados", diz Lúcia.
"Acho que, embora tenham ocorrido alguns avanços nos último anos, um desafio muito grande é o de esclarecimento. A religião é demonizada, acham que cometemos barbáries. Não é nada disso. As pessoas precisam de mais informação, de saber mais a respeito", diz a ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T'Ojú Labá, no Distrito Federal.
Segundo o professor de filosofia da religião da Universidade de Brasília Agnaldo Cuoco Portugal, muitas vezes, a intolerância extrapola a religião e relaciona-se com questões socioeconômicas e políticas. "O Brasil é um país relativamente pacífico em termos de violência religiosa", compara. Entre casos extremos de intolerância, ele cita o recente ataque à redação do semanário francês Charlie Hebdo e os ataques consequentes a mesquitas.
No Brasil, ele defende que para combater a intolerância é necessária uma imprensa ativa, canais de participação e acesso a denúncias pela sociedade e a própria educação religiosa. "A ideia de educação religiosa na escola pública no Brasil é interessante. Só acho uma pena que ela seja entregue às igrejas. A minha visão é de que seja assunto de estudo científico, como qualquer outro, deveria ser o estudo das religiões para saber o que pensam os grupos, de forma científica e não catequética", defende Portugal.

Veja o que dizem algumas lideranças religiosas sobre a tolerância:

Judaísmo
O judaísmo nasce como uma tradição em direção ao diálogo. Isso não significa, no entanto, que ao longo de tantos anos a postura sempre tenha sido tolerante. Mas, de maneira geral, temos vários exemplos de tolerância e de diálogo. A tolerância gera mais riqueza, riqueza cultural. É um tema do nosso cotidiano. A promoção do diálogo é saudável, interessante e desejável.
Sergio Napchan, diretor de Relações Institucionais da Confederação Israelita do Brasil

Catolicismo
Desde 1965, com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica iniciou uma forma mais clara de busca de comunhão e diálogo com as igrejas cristãs e grandes tradições religiosas. Para os católicos, vivenciar o Evangelho é reconhecer que todas as religiões procuram responder a questões humanas, que são comuns. Cada um responde de acordo com suas doutrinas, ritos e caminhos, mas todos procuram responder às mesmas questões. Reconhecendo isso, vamos nos encontrar com o propósito de paz, harmonia e felicidade.
Padre Marcus Barbosa, integrante da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Interreligioso, da Comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Religiões islâmicas e muçulmanas
Nossa religião é clara: Quem mata uma alma, mata a humanidade inteira. Nossa educação é que vivamos em paz com outras religiões. Quem vai julgar as pessoas é Deus. É preciso tratar o próximo com amor e carinho. No Brasil, estamos abrindo diálogo com outras religiões, visitando outras igrejas. Estamos convivendo em paz, é um excelente exemplo. A religião islâmica não é esse fantasma e o terrorismo não representa os muçulmanos.
Sheikh Khaled Taky El Din, presidente do Conselho de Teólogos Islâmicos no Brasil

Candomblé
O candomblé tem por princípio o acolhimento, receber bem, dar um rumo para as pessoas, esclarecer. Tenho grandes amigos de outras religiões. Com a tolerância, ganhamos a união. Todos ficam mais fortes. O ideal seria que se tivesse um problema na minha casa, fosse conversar com um pastor ou um padre para saber a opinião deles. Ouvindo a opinião de outras religiões, consegue-se fazer melhor juízo.
Ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T'Ojú Labá

Espiritismo
Entendemos que todas as religiões devem ser tratadas com respeito e reconhecimento às condições e à liberdade de culto e pensamento. Nossa posição é a de estímulo ao diálogo e à somatória de esforços, quando houver necessidade de colaboração com a sociedade. O mundo em que vivemos não admite o isolamento em grupos ou clãs. A única forma de pensar a convivência e o respeito é estabelecer o diálogo.
Antonio Cesar Perri, presidente da Federação Espírita Brasileira
Fonte - Agência Brasil  21/01/2015